quarta-feira, setembro 29, 2010

RUY CASTRO

Inexistente estatístico 
Ruy Castro
FOLHA DE SÃO PAULO - 29/09/10

Ouço pelo rádio do táxi que falta ao IBGE ouvir 20% da população para completar o recenseamento. Ótimo. Como estou nesses 20% que ainda não foram ouvidos ou cheirados pelos recenseadores, talvez ainda tenha uma chance de ser incorporado à dita população, reforçando com isso meu senso de identidade.
O repórter fala de outras façanhas do IBGE: já foram recenseados 17 mil e quebrados de brasileiros com mais de cem anos; viajando de bote, caiaque e piroga, conseguiram levantar a população das mais remotas comunidades indígenas de Roraima; e, agora, já sabem não apenas o número de dentes na boca do brasileiro mas o de sisos sobreviventes.
Parabéns, parabéns. Mas o fato é que, ainda longe dos cem anos e morando no Leblon – que os recenseadores podem alcançar até de helicóptero, asa delta e windsurf –, continuo a ser ignorado pelo IBGE. E como eles têm certeza sobre o número de sisos restantes do brasileiro se ainda não contaram os meus?
Na verdade, já estou habituado. Desde que saí da casa de meus pais, no Flamengo, aos 19 anos, e fui morar sozinho – ou, casado, na condição de impoluto chefe de família –, nunca fui recenseado. Não é que não me lembre. Posso garantir que, nos últimos cinco censos, jamais um recenseador se apresentou a mim e perguntou sobre estado civil, renda familiar, preferência clubística ou número de pessoas em casa, incluindo os gatos.
Pelo menos, o fato de estar vivendo uma longa vida à margem das estatísticas não me tornou mais ectoplásmico ou menos brasileiro. Em 1970, o Brasil tinha 90 milhões em ação, e eu era um deles. A 31 de dezembro de 1999, 3 milhões de pessoas foram saudar em Copacabana a chegada do ano 2000, e eu estava lá. Hoje, sou um dos 3% de brasileiros que não usam celular. À falta do IBGE, tudo isso me leva a crer que eu sou eu.

O ABILOLADO E A VAGABUNDA

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Pai de todos
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 29/09/10


Como se trata de Lula, ninguém falará isso de público, mas, no PT, muita gente avalia que, se a eleição para o Planalto não se resolver em primeiro turno no próximo domingo, a responsabilidade será ao menos em parte do presidente da República e de sua opção por esticar a corda ao máximo com os adversários e a imprensa na reta final da campanha. 

Como costuma acontecer quando as dificuldades batem à porta, multiplicam-se as explicações. Outra que também diz respeito a Lula é a de que o presidente, dando Dilma por eleita, teria dispersado energia antes da hora para ajudar aliados nos Estados.
Deixa comigo - Na reunião de coordenação, ontem, Lula disse que, se sua própria avaliação e a do governo subirem um pouco mais, Dilma estará eleita no primeiro turno. Por isso, pediu que, daqui para frente, seus subordinados batam ainda mais bumbo sobre as ações comandadas por ele. 
Oremos - Petistas aproveitaram a presença de cerca de 40 prefeitos no comício de segunda em SP para uma rápida reunião: a eles foi encomendado manifesto em defesa de Dilma a ser levado a diferentes segmentos, sobretudo a líderes religiosos. 
Oremos 2 - O boato que mais dor de cabeça deu ao PT foi espalhado via e-mail e atribui a Dilma a frase “nem mesmo Cristo querendo, me tira essa vitória”. O partido nega que ela tenha dito isso. 
Blindada - A assessoria petista montou “cercadinho” com grades para a visita de Dilma à rodoviária de Brasília, deixando-a afastada da imprensa e do público. 
Reativa - O núcleo dilmista orientou a candidata a não comprar briga com Marina Silva (PV). Nos bastidores, contudo, o contra-ataque corre solto. Petistas destilam notícias sobre o histórico do marido da senadora e relembram as prisões no Ibama quando ela era ministra. 
Tá vendo? - No PSDB, dissemina-se o temor de que José Serra encare a eventual passagem para o segundo turno como sinal de que sua campanha vai muito bem e não precisa de mudanças. 
Desabafo - Avaliação de um tucano muito próximo do candidato: “Se Serra for para o segundo turno, terá sido por mérito pessoal. Mas, para ganhar, ele precisa, além do mérito pessoal, de aliados”. 
Déjà vu - Ainda sob efeito do indigesto incidente no metrô na semana passada, tucanos de São Paulo já cuidam de politizar a greve dos funcionários da CPTM, que ameaça paralisar os trens da capital na sexta-feira, antevéspera da votação. 
Título 1 - O PT confia que os ministros do Supremo Tribunal Federal concedam hoje a liminar que dispensaria a exigência de dois documentos para votar, introduzida na minirreforma eleitoral deste ano. Para os advogados do partido, a tese dominante na Corte é a de que não se pode impedir um eleitor de exercer seu direito caso compareça à seção em que está cadastrado munido de carteira de identidade. 
Título 2 - Para que a tese petista prospere, é necessária maioria simples entre os ministros presentes à sessão. 
Tiroteio
Teste de alfabetização não quer dizer nada para o Tiririca. A pergunta a responder é se ele acha engraçado eleger mensaleiro. 
DO DEPUTADO JOSÉ ANÍBAL (PSDB-SP), comentando a possibilidade de o palhaço, candidato à Câmara na coligação liderada pelo PT, ser submetido a uma prova de leitura e escrita para atender aos requisitos da legislação. 
Contraponto
Com a mão no bolso 
Em visita à Bienal de SP no domingo passado, Eduardo Suplicy viu o pavilhão do Ibirapuera ser tomado por integrantes do grupo Oficina. Sob a direção de Zé Celso Martinez Corrêa, eles encenavam releitura de “O Bailado do Deus Morto”, de Flávio de Carvalho. 
Vários atores e atrizes estavam nus. Alguns carregavam escultura que simulava um pênis gigante. Observando atentamente a movimentação, o senador petista fez sua resenha particular da Bienal: 
- Tem muita enrolação. Mas isso aqui tá bem feito!

ELIO GASPARI

Chacrinha assumiu um pedaço do Judiciário
ELIO GASPARI
O GLOBO - 29/09/10



Faltam quatro dias para a eleição e pode-se temer que o glorioso Abelardo Chacrinha tenha buzinado uma ideia para alguns magistrados: "Eu vim pra confundir, não pra explicar." A Lei da Ficha Limpa foi sancionada no dia 4 de junho deste ano.

Um mês depois, o Ministério Público Federal ajuizou uma ação contra a candidatura do ex-senador Joaquim Roriz ao governo do Distrito Federal. Esse caso particular carregava consigo a discussão da constitucionalidade da lei, bem como sua aplicação neste pleito. O TRE de Brasília cancelou o registro de Roriz, seus advogados recorreram ao Tribunal Superior Eleitoral e perderam. Numa instância a decisão demorou 25 dias, na outra, dezenove.

Em setembro, Roriz levou o caso ao Supremo Tribunal. Foi julgado 20 dias depois e acab ou num empate de 5x5. A eleição será domingo e os cidadãos não sabem o destino que tomarão alguns de seus votos. Consumiramse 64 dias e, nada.

Quem entende de lei são os juízes, mas a patuleia entende de calendário.

Apressando-se o ritual da Justiça estimulam-se decisões sumárias, levadas pela emoção, mas há litígios em que a razão pede um julgamento rápido. Durante a desorganizada sessão em que o Supremo julgou o caso, surgiu a proposta de se esperar a indicação do 11 oministro por Lula. Embutia a decisão de não decidir. Se a lei é constitucional, como entendeu o Supremo, e se o recurso do Ficha Suja não foi concedido (por conta do empate), quanto vale a decisão anterior do TSE? Em 2000, num caso mais premente, o Judiciário americano deu a presidência dos Estados Unidos a George Bush 34 dias depois de uma eleição contestada. Noutra, de 1971, a Corte Suprema derrubou em dezessete dias a tentativa de Richard Nixon de censurar os documentos da Guerra do Vietnam conhecidos como Pentagon Papers.

Em Pindorama está acontecendo o contrário.

Em abril de 2009, provocado pelo deputado Miro Teixeira, o STF mandou ao lixo a Lei de Imprensa da ditadura e decidiu que por cá que não há censura.

Desde então, diversos magistrados proibiram os meios de comunicação de publicar isto ou aquilo. Os humoristas tiveram que ir à rua para defender seu direito de propagar o riso. Ou o STF acabou com a censura para inglês ver, ou há juízes que não acreditam na sua decisão.

A buzina do Chacrinha soou mais alto com a confusão estabelecida em torno dos documentos que o cidadão deverá levar à seção eleitoral.

Desde 1965 a choldra sabe que convém levar o título de eleitor e, necessariamente, um documento de identidade com fotografia. Caso tenha esquecido o título, se o seu nome está listado na seção eleitoral, vota com a carteira de identidade.

É isso que manda o Código Eleitoral. Uma lei do ano passado entrou para complicar: mesmo que o eleitor tenha a carteira com fotografia, precisa do título. Para quê? Se José Rousseff mostrou que é José Rousseff e seu nome está na lista de votação, qual a dúvida? Segui-se a lei básica da burocracia: em dúvida, complique. Os partidos políticos e a Justiça Eleitoral tiveram um ano para consertar o conflito.

Faltam quatro dias para a eleição e ele ainda está de pé. Como diria o Velho Guerreiro, "o mundo está em dicotomia convergente, mas vai mudar".

GOSTOSA

ANTONIO ANASTASIA

Convergência e afirmação de Minas
ANTONIO ANASTASIA
FOLHA DE SÃO PAULO - 29/09/10


No centro da inovação do nosso modelo está a ideia-força da gestão de qualidade, com planejamento rigoroso e qualidade nos gastos públicos


A ampla aliança que se formou em Minas em apoio ao nosso projeto político não nasceu ontem, apenas para atender a urgência ou as circunstâncias da disputa eleitoral em curso. Não é fruto de intervenções de cúpula, vetos partidários ou imposições travestidas de entendimento, para atender a interesses estranhos a Minas e que nada têm a ver com a vida dos mineiros.
A nossa aliança resulta de grande convergência em torno de um governo sério, solidário, ousado e transformador, que conquistou, nesses últimos anos, com Aécio Neves à frente, a maior aprovação de toda a nossa história, e que agora, se assim os mineiros decidirem nas urnas, terei o desafio de continuar e fazer avançar ainda mais.
Nesse tempo, firmamos parcerias com todos os governos, principalmente com o governo federal, sem qualquer constrangimento político; governamos com todas as prefeituras, mesmo as que estão sob a responsabilidade de prefeitos de oposição; e soubemos compartilhar trabalho, recursos e esforços com múltiplos segmentos da nossa sociedade organizada.
Por isso avançamos tanto.
O amplo reconhecimento sobre a gestão de Minas é ainda mais substantivo porque está respaldado por instituições e autoridades que não estão no nosso campo político. O governo federal, por exemplo, reconheceu a excelência da educação pública de Minas, quando posicionou o Estado em 1º lugar em educação básica, segundo o Ideb.
Na área de assistência social, o ministério de Patrus Ananias apontou Minas como o Estado líder na implantação do Sistema Único de Assistência Social, enquanto o ranking nacional existiu.
Diversas unidades da Federação buscaram aqui ideias e projetos inovadores, testados e aprovados, como solução para antigos problemas ainda renitentes Brasil afora.
No plano internacional, fomos o único Estado subnacional do mundo convidado a apresentar o nosso modelo de gestão na reunião anual de governança do Banco Mundial.
No centro da inovação do nosso modelo está a ideia-força da gestão de qualidade, com planejamento rigoroso, austeridade fiscal, qualidade nos gastos públicos; ação integrada e efetivo controle de resultados. O ponto de chegada nunca foi outro se não o de governar para melhorar a vida das pessoas.
Por isso, nesse período, tiramos o compromisso com a equidade do papel e do discurso e investimos três vezes mais por habitante nas regiões mais pobres. Os investimentos em educação cresceram 277%; em segurança, 500%; em saúde, 732%. A pobreza caiu 46%; a mortalidade infantil, 22%; e a desnutrição caiu pela metade.
Estamos tirando do isolamento mais de 200 cidades ainda ligadas por estradas de terra; o saneamento subsidiado alcança comunidades que nunca contaram com a efetiva presença do Estado; a energia alcança todo o interior, as localidades mais distantes; a telefonia celular não é mais privilégio apenas das grandes cidades.
A economia mineira cresceu quase sempre acima da média nacional e geramos proporcionalmente mais empregos que a média brasileira. Já alcançamos cinco das oito metas do milênio. E o Ipea projeta que vamos erradicar, três anos antes do país, a pobreza extrema.
Esses são resultados de governo e projeto que têm os pés no presente e preparam o futuro sem se afastar, um só instante sequer, dos nossos valores e da nossa história. Tenho convicção de que esta Minas autônoma, altiva e próspera, senhora do seu destino, pode contribuir muito mais com a construção do Brasil do nosso tempo.


ANTONIO ANASTASIA, 49, advogado, é governador de Minas Gerais e candidato à reeleição pelo PSDB.

CLÁUDIO HUMBERTO

“[O diretor dos Correios] pediu dinheiro para favorecer Dilma e Erenice” 
RUBNEI QUÍCOLI, CONSULTOR, CONFIRMANDO NA PF O PEDIDO DE MARCO ANTONIO DE OLIVEIRA

CORREIOS: EX-DIRETOR VAI À FORRA CONTRA “COMPLÔ” 
O ex-diretor de Operações dos Correios, Marco Antônio de Oliveira, que alegou “crise de hipertensão aguda” para adiar seu depoimento na Polícia Federal, previsto para ontem, diz ter sido vítima de um “complô” para apeá-lo da estatal e entregar seu cargo ao lobby de transporte de cargas aéreas, representado pelo ex-diretor Eduardo Arthur Rodrigues, patrocinado por Roberto Teixeira, compadre de Lula. Magoado, o ex-diretor decidiu contar tudo. Mas só na segunda (4), após as eleições.

ARRECADAÇÃO 
Familiares dizem que Marco Antonio piorou seu estado de saúde, após revelar a Veja o esquema da Casa Civil para arrecadação de dinheiro.

ARRUMADINHO 
A demissão de Marco Antônio de Oliveira e a nomeação do substituto, também a pedido do filho Israel, foram definidas por Erenice Guerra.

SINAL DE ALERTA 
Pânico no comitê petista: o monitoramento diário do desempenho de Dilma Rousseff (PT) já a coloca com 42%, em viés de baixa. 

LEI DE AMORIMURPHY 
Até que o Brasil não se saiu mal na libertação da iraniana Sakineh – “aquela mulher”, como disse Lula. Em vez de apedrejada, vai à forca. 

LULA APROVOU LEI DE DOIS DOCUMENTOS PARA VOTAR 
Em vez de entrar com ação no Supremo questionando a exigência do título de eleitor e documento com foto na hora de votar, o PT deveria se queixar ao “patrão”: foi Lula quem sancionou, há exatamente um ano, a lei 12.304, que no artigo 91-A exige os dois documentos. O PT alega risco de “confusão” e “restrição à cidadania” – de olho no eleitorado em rincões do Nordeste, desinformados e com grande abstenção. 

“DESESPERO” 
Para a oposição, é “desespero de um possível segundo turno” a ação do PT, contestada nesta segunda (27) pelo DEM no Supremo.

FIM DA SECA 
Os primeiros chuviscos em Brasília, ontem, após quase 130 dias, foram recebidos pela população com aplausos, inclusive nas ruas.

BENGALADA 
Dilma está de bengala, após torcer o pé. Mas de pé atrás estão seus assessores, com o possível uso, para outros fins, do rijo objeto. 

NINGUÉM MERECE 
Dilma cai nas pesquisas até no próprio comitê de campanha, com seus pitis desproporcionais. Há assessores ainda revoltados pelo derrame sofrido por um colega, ao ouvir dela uma dessas broncas exageradas.

VOTO CONTRA 
O ministro Marco Aurélio foi voto vencido no TSE: é contra exigir dois documentos. Para ele, nem o título seria necessário. Como os votantes estão listados nas seções eleitorais, bastaria documento de identidade. 

GERENTE DE CRISES 
Cresce a cotação do ministro Luis Paulo Barreto (Justiça) para ficar no cargo em eventual governo Dilma. Ele é bem avaliado por sua atuação em crises de governo, como a quase expulsão do jornalista Larry Rohter, do New York Times, e agora no escândalo Erenicegate.

ALMOÇO GLOBAL 
A Rede Globo oferece em São Paulo almoço vip, nesta quinta, data do último debate presidencial, a Leandro Daiello, superintendente local da Polícia Federal – que anda atarefada com inquéritos de Erenice & cia.

NEM AÍ 
Os 2 milhões de eleitores de Alagoas chegam ao final da campanha sem que Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) ou Marina Silva (PV) tenham visitado o Estado – que se mobiliza para anular os votos.

CONSULTA AO CRIMINALISTA 
A recente visita secreta do ex-ministro da Justiça Márcio Tomaz Bastos a Lula foi descoberta graças à inconfidência de Silvio Santos, dono do SBT, que se referiu a ele como “aquele advogado famoso”. Na mosca: apavorado com os escândalos, o presidente consultava o criminalista.

VIAGEM ACIDENTADA 
O prefeito de Nova Friburgo (RJ), Heródoto Bento de Mello, 85, foi à Suíça negociar apoio à festa dos 200 anos do município, e deveria ter voltado no dia 22 de setembro. Ele levou um tombo e os médicos suíços vetaram a viagem. O vice já se assanha para tomar seu lugar.

“INSUBMISSO” LIBERTADO 
O universitário Miguel Mendes de Sousa, 26, foi liberado segunda (27), no Rio, quando esta coluna noticiou sua prisão por “insubmissão” – segundo o Código Militar – ao tentar regularizar-se no serviço militar. Após exames médicos, foi declarado incapaz e dispensado de servir. 

CURRÍCULO 
Para um presidente da República “alfabetizado”, que ignora plural e concordância, até que o palhaço Tiririca se expressa direitinho...

PODER SEM PUDOR
MEU BEM, MEU MAL 
Secretário de Agricultura do governo paulista, Antônio Cabrera promoveu em julho de 1995 um encontro de produtores rurais com o governador Mário Covas. A certa altura, Cabrera recebeu um bilhete que o fez sorrir, enquanto os produtores reclamavam das dificuldades do setor. Dizia:
– Fala aí pro Covas que a nossa situação tá tão ruim, que estamos tão endividados, que não podemos nem chamar nossas mulheres de “meu bem”, senão o banco toma. 

QUEBROU

QUARTA NOS JORNAIS

Globo: Em queda, Dilma pede PT nas ruas e evita briga com Marina

Estadão: Chance de 2° turno altera estratégias das campanhas

Correio: Procurador eleitoral dá parecer contra Weslian

Valor: Reservas crescem rápido e BC acena com mais IOF

Jornal do Commercio

terça-feira, setembro 28, 2010

MERVAL PEREIRA

Marina contra Dilma 
Merval Pereira 
O Globo - 28/09/2010 

A possibilidade de haver um segundo turno nas eleições presidenciais depende fundamentalmente de quanto a candidata verde, Marina Silva, vai subir nas regiões Sul e Sudeste, onde vem alcançando índices expressivos em alguns estados, acima até dos do tucano José Serra, ou até que ponto este está realmente recuperando votos em São Paulo

A estratégia de Marina no debate da Record, de atacar tanto Dilma quanto Serra, tem lógica, já que para chegar ao segundo turno ela tem que tirar votos dos dois.

Não adianta tirar votos apenas de Serra, porque o que vale é a soma de todos os candidatos contra Dilma.

É provável que no último e mais importante debate, o de quinta-feira na TV Globo, a tática de Marina já esteja mais focada em tirar votos de Dilma se as próximas pesquisas confirmarem a redução da distância entre os concorrentes.

É que a assessoria de Marina acha que dificilmente o candidato José Serra cairá do patamar de 30% a 25%, restando a Marina, se quiser ir para o segundo turno, superar Serra tirando votos de Dilma.

Uma tarefa que parece bastante difícil, pois, pelos próprios levantamentos do Partido Verde, Marina está chegando a um patamar de 15% de votos, o que a coloca na situação de ter que crescer pelo menos mais dez pontos percentuais na última semana de campanha.

Já a campanha tucana considera que o crescimento de Serra no estado de São Paulo permitirá que ele chegue ao segundo turno em ascensão, embora ainda longe da candidata oficial.

Se ele passar dos cerca de 30% de apoio que tem até agora e Marina chegar a 15% tirando votos de Dilma, a decisão nos votos válidos pode ficar por conta da abstenção, dos votos brancos e nulos.

A abstenção tem sido muito variável nos últimos anos, sendo que a eleição de 1989 teve a menor taxa ( 11,9% ), e a de 1998, a maior (21,5%). A de 2006 ficou em 16,7%.

Os votos válidos, descontados a abstenção e os votos brancos e nulos, variaram de 81,2% em 1994 a 93,5% em 1989. A eleição de 2006 teve 91,6% de votos válidos, e mesmo assim Lula teve que disputar o segundo turno.

Por isso o receio do PT em relação à obrigatoriedade de o eleitor apresentar dois documentos, sendo que um com foto, para votar.

O partido teme que essa exigência legal, que foi adotada com o apoio de todos os partidos, faça aumentar a abstenção especialmente no Nordeste, onde a candidata Dilma Rousseff está garantindo sua eleição.

Um interessante estudo da Arko Advice de Brasília, do cientista político Murilo Aragão, divulgado pelo Blog do Noblat, com base nas últimas pesquisas do Ibope e do Datafolha, mostra que a possibilidade de vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno está baseada na vantagem que ela está tirando no Nordeste, que representa cerca de 29 % do eleitorado.

No Sudeste (42% do eleitorado) e no Sul (14%), a soma das intenções de voto de José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) é igual ou superior aos índices de Dilma, o que levaria a eleição para o segundo turno.

E, no Centro-Oeste, a candidata do presidente Lula tem uma vantagem de 2%, portanto, dentro da margem de erro das pesquisas.

Serra e Marina estariam crescendo no Sudeste, de acordo com as últimas pesquisas, enquanto Dilma perde terreno.

A diferença a favor de Dilma é de 15 pontos percentuais: Dilma tem 44,5%, Serra subiu para 30%, e Marina cresceu 5,5 pontos percentuais ( 9 % para 14,5%). A soma dos índices de Serra e Marina é igual a 44,5%, o mesmo índice de Dilma.

Esse desempate pode acontecer caso a previsão da campanha de Serra se confirme nas próximas pesquisas, e ele supere Dilma no estado.

Se isso acontecer, é provável que a eleição vá para o segundo turno, mesmo que a diferença a favor de Serra contra Dilma seja mínima em São Paulo.

Esse resultado é totalmente atípico, pois o candidato do PSDB costuma ganhar em São Paulo, sendo que Alckmin, em 2006, mesmo perdendo a eleição a nível nacional, venceu no estado por uma diferença de quase quatro milhões de votos.

Na Região Sul, a soma dos percentuais de Serra e Marina é igual a 46,5%, enquanto Dilma tem 44,5%.

No Nordeste é onde Dilma abre grande vantagem sobre a soma de seus opositores.

Dilma tem 63,5%, enquanto Serra, mesmo crescendo, chegou a 20%, e Marina passou de 7% para 8,5%. Hoje, a soma dos percentuais de Serra e Marina totaliza 28,5% contra 63,5% de Dilma.

No Norte/Centro-Oeste, a candidata do presidente Lula oscilou negativamente, de 47,5% para 47%, e Serra, de 29% para 30,5%.

Já Marina passou de 13% para 14,5%. Hoje, a soma de Serra e Marina é igual a 45%, contra 47% de Dilma.

Os estrategistas de Marina acreditam que ela tenha condições de melhorar a performance entre os eleitores de mais baixa renda, inclusive no Nordeste, e identificam nos últimos dias um trabalho bastante forte de pastores evangélicos a favor da sua candidatura, capaz de retirar votos de Dilma Rousseff mesmo entre o eleitorado mais pobres dos grandes centros urbanos.

Pelos números até o momento, se for confirmada a tendência de vitória da candidata oficial, Dilma Rousseff, no primeiro turno, ela se deverá à alta performance do governo no Nordeste e à baixa performance do candidato do PSDB José Serra no estado que governou até o início do ano.



DORA KRAMER

Em marcha à ré 
Dora Kramer 
O Estado de S.Paulo - 28/09/2010

A justificativa do desembargador Liberato Póvoa para impor censura a 84 jornais, sites, emissoras de rádio e televisão expressa o pensamento dos defensores da tese de que liberdade de expressão é um conceito relativo.

Bem como a alegação do governador do Tocantins para pedir na Justiça o embargo da divulgação de notícias sobre a investigação de que é alvo por corrupção reproduz o raciocínio de que a imprensa serve aos propósitos da oposição, devendo, por isso, ser obrigada a calar.

O ato do governador acusado, e que disputa agora a reeleição, de mandar a Polícia Militar apreender a partida da revista Veja no aeroporto, antes da distribuição às bancas de Palmas, caracteriza, entre outros crimes, o de uso da máquina pública em proveito individual.

Dirão que é exagero, pois agora se instituiu a prática da defesa moderada da democracia, mas nesse caso escabroso estão presentes todos os elementos da guerra contra a liberdade de manifestação aberta pelo PT em geral e o presidente Luiz Inácio da Silva em particular.

Há o conceito do PT, aprovado no último congresso do partido, sobre a necessidade de se criar controles sobre o conteúdo do que se publica nos meios de comunicação; há o envolvimento do outro parceiro da aliança presidencial, o PMDB, como o partido do requerente da censura; há a argumentação presente nos discursos do presidente e há o uso eleitoral do patrimônio público.

A Justiça já havia feito parecido numa sentença que mantém o Estado há mais de um ano impedido de publicar notícias sobre a investigação que alcança o filho empresário do senador e presidente do Senado, José Sarney. A última providência judicial foi remeter o caso para a Justiça do Maranhão, onde está até hoje sem decisão enquanto o jornal e o leitor ficam interditados.

Agora a atitude de um desembargador cuja suspeição é total, porque teve a mulher indicada para cargo pelo governador favorecido pela censura, atingiu o Estado e outros 83 veículos.

A liminar foi dada na sexta-feira e suspensa ontem à tarde pelo plenário do TRE do Tocantins. A suspensão alivia, mas não resolve o problema.

A gravidade do episódio é que junto com outros dá sinais de que os arautos do atraso e do retrocesso estão se sentindo à vontade ultimamente.

Só isso explica uma decisão tão obviamente contrária aos ditames democráticos e que muito dificilmente esse desembargador teria tido coragem de proclamar caso não se sentisse em ambiente propício.

Muito já se falou sobre isso, mas é sempre bom repetir: o Brasil avançou em quase tudo da redemocratização para cá, menos na política, cujos métodos são exatamente os mesmos da primeira metade do século passado. E agora, no governo Lula, celebrados como evidência de habilidade.

Primeiro escolhemos não avançar, depois optamos por aprofundar relações com os velhos vícios e mais recentemente parece que resolvemos manifestar preferência pelo retrocesso.

Estamos voltando ao tempo em que era preciso organizar um abaixo-assinado, lançar um manifesto por dia. OAB, AMB, CNBB e similares toda semana estão no noticiário dizendo alguma coisa em defesa da democracia ou denunciando alguma agressão à Constituição.

Ora, o que precisa ser defendido com essa frequência, convenhamos, é porque vai mal.

Alguém já viu isso em país de democracia consolidada?

Pois aqui no Brasil voltou a se tornar uma questão em aberto. Governantes consideram que têm o condão de arbitrar o que seja correto ou incorreto divulgar, juízes prestam serviços particulares, militantes decretam o fim da moralidade que agora passa a se chamar "moralismo udenista" e os parvos ainda acham que os protestos exorbitam e enxergam fantasmas ao meio-dia.

Amanhã ou depois nada impede que o gesto do desembargador tocantinense se repita, até ampliado, caso não haja uma reação muito forte e desprovida de meios tons.

Defesa da democracia que o Brasil reconquistou ao custo de vidas, da liberdade e de anos perdidos não comporta moderação nem bom-mocismo de ocasião.

SERRA PRESIDENTE

ARNALDO JABOR

As boquinhas fechadas
Arnaldo Jabor 
O Estado de S.Paulo - 28/09/10


Estamos vivendo um momento grave de nossa história política em que aparecem dois tumores gêmeos de nossa doença: a união da direita do atraso com a esquerda do atraso.
O Brasil está entregue à manipulação pelo governo das denúncias, provas cabais, evidências solares, tudo diante dos olhos impotentes da opinião pública, tapando a verdade de qualquer jeito para uma espécie de "tomada do poder". Isso; porque não se trata de um nome por outro - a ideia é mudar o Estado por dentro.
Tudo bem: muitos intelectuais têm todo o direito de acreditar nisso. Podem votar em quem quiserem. Democracia é assim.
Mas, e os intelectuais que discordam e estão calados? Muitos que sempre idealizaram o PT e se decepcionaram estão quietinhos com vergonha de falar. Há o medo de serem chamados de reacionários ou caretas.

Há também a inércia dos "latifúndios intelectuais". Muitos acadêmicos se agarram em feudos teóricos e não ousam mudá-los. Uns são benjaminianos, outros hegelianos, mestres que justificam seus salários e status e, por isso, não podem "esquecer um pouco do que escreveram" para agir. Mudar é trair... Também não há coragem de admitirem o óbvio: o socialismo real fracassou. Seria uma heresia, seriam chamados de "revisionistas", como se tocassem na virgindade de Nossa Senhora.

O mito da revolução sagrada é muito grande entre nós, com o voluntarismo e o populismo antidemocrático. E não abrem mão de utopias - o presente é chato, preferem o futuro imaginário. Diante de Lula, o símbolo do "povo que subiu na vida", eles capitulam. Fácil era esculhambar FHC. Mas, como espinafrar um ex-operário? É tabu. Tragicamente, nossos pobres são fracos, doentes, ignorantes e não são a força da natureza, como eles acham. Precisam de ajuda, educação, crescimento para empregos, para além do Bolsa-Família. Quem tem peito de admitir isso? É certo que já houve um manifesto de homens sérios outro dia; mas faltam muitos que sabem (mas não dizem) que reformas políticas e econômicas seriam muito mais progressistas que velhas ideias generalistas, sobre o "todo, a luta de classes, a História". Mas eles não abrem mão dessa elegância ridícula e antiga. Não conseguem substituir um discurso épico por um mais realista. Preferem a paz de suas apostilas encardidas.

Não conseguem pensar em Weber em vez de Marx, em Sérgio Buarque em vez de Florestan Fernandes, em Tocqueville em vez de Gramsci.

A explicação desta afasia e desta fixação num marxismo-leninismo tardio é muito bem analisada em dois livros recentemente publicados: Passado Imperfeito, do Tony Judt (que acaba de morrer), e o livro de Jorge Caldeira História do Brasil com Empreendedores (Editora Companhia da Letras e Mameluco). Ali, vemos como a base de uma ideologia que persiste até hoje vem de ecos do "Front Populaire" da França nos anos 30, pautando as ideias de Caio Prado Jr. e deflagrando o marxismo obrigatório na Europa de 45 até 56. Os dois livros dialogam e mostram como persiste entre nós este sarapatel de teses: leninismo, getulismo desenvolvimentista - e agora, possível "chavismo cordial".

A agenda óbvia para melhorar o Brasil é consenso entre grandes cientistas sociais. Vários "prêmios Nobel" concordam com os pontos essenciais das reformas políticas e econômicas que fariam o Brasil decolar.

Mas, não; se o PT prevalecer com seu programa não-declarado (o aparente engana...), não teremos nada do que a cultura moderna preconiza.

O que vai acontecer com esse populismo-voluntarista-estatizante é previsível, é bê-á-bá em ciência política. O PT, que usou os bons resultados da economia do governo FHC para fingir que governou, ousa dizer que "estabilizou" a economia, quando o PT tudo fez para acabar com o Real, com a Lei de Responsabilidade Fiscal, contra tudo que agora apregoa como atos "seus". Fingem de democratas para apodrecer a democracia por dentro.

Lula topa tudo para eleger seu clone que guardará a cadeira até 2014. Se eleito, as chamadas "forças populares", que ocupam mais de 100 mil postos no Estado aparelhado, vão permanecer nas "boquinhas", através de providências burocráticas de legitimação.

Os sinais estão claros.

As Agências Reguladoras serão assassinadas.

O Banco Central poderá perder a mínima autonomia se dirigentes petistas (que já rosnam) conseguirem anular Antonio Palocci, um dos poucos homens cultos e sensatos do partido.

Qualquer privatização essencial, como a do IRB, por exemplo, ou dos Correios (a gruta da eterna depravação) , será esquecida.

A reforma da Previdência "não é necessária" - já dizem eles -, pois os "neoliberais exageram muito sobre sua crise", não havendo nenhum "rombo" no orçamento.

A Lei de Responsabilidade Fiscal será desmoralizada.

Os gastos públicos aumentarão pois, como afirmam, "as despesas de custeio não diminuirão para não prejudicar o funcionamento da máquina pública".

Portanto, nossa maior doença - o Estado canceroso - será ignorada.

Voltará a obsessão do "Controle" sobre a mídia e a cultura, como já anunciam, nos obrigando a uma profecia autorrealizável.

Leis "chatas" serão ignoradas, como Lula já fez com seus desmandos de cabo eleitoral da Dilma ou com a Lei que proíbe reforma agrária em terras invadidas ilegalmente, "esquecendo-a" de propósito.

Lula sempre se disse "igual" a nós ou ao "povo", mas sempre do alto de uma "superioridade" mágica, como se ele estivesse "fora da política", como se a origem e a ignorância lhe concedessem uma sabedoria maior. Em um debate com Alckmin (lembram?), quando o tucano perguntou a Lula ao vivo de onde vinha o dinheiro dos aloprados, ouviu-se um "ohhhh!...." escandalizado entre eleitores, como se fosse um sacrilégio contra a santidade do operário "puro".

Vou guardar este artigo como um registro em cartório. Não é uma profecia; é o óbvio. Um dia, tirá-lo-ei do bolso e sofrerei a torta vingança de declarar: "Agora não adianta chorar sobre o chopinho derramado!"...

MÔNICA BERGAMO

AGORA ELA CANTA
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 28/09/10 


Luana Piovani estreou no domingo o musical infantil "O Soldadinho e a Bailarina", com direção de Gabriel Villela, no teatro Procópio Ferreira. Para fazer o espetáculo, a atriz estudou canto. No fim da apresentação, agradeceu a ajuda da preparadora vocal Babaya.

UMA PENSÃO NO CAMINHO A professora Rosemary de Morais, que diz ser filha do vice-presidente da República, José Alencar, e move ação para obter o reconhecimento da paternidade, entrou com um pedido para que ele desse a ela uma pensão de R$ 50 mil mensais. A Justiça negou, já que o caso ainda está em discussão nos tribunais.

PONTO ZERO
Alencar, que nega ser pai de Rosemary, obteve recentemente liminar suspendendo os efeitos da decisão de um juiz que declarava que o político é pai dela e que seu nome deveria ser incluído na certidão de nascimento da professora.

FANTASMA
Com ou sem exigência de os eleitores apresentarem dois documentos para votar no dia 3, o problema da abstenção continua sendo visto como ameaça pela coordenação da campanha de Dilma Rousseff (PT). Em 2006, Lula foi para o segundo turno com 48,6% dos votos válidos -não venceu na primeira rodada por diferença de 1,4%, que deixou de ser colocada na urna em grande parte por causa da abstenção entre eleitores de baixa renda, em especial do Nordeste, onde 20% não foram votar.

O GATO COMEU
Para chegar ao dia da eleição com margem que assegure a vitória em primeiro turno, dizem analistas de diversos partidos, Dilma teria que cravar 53% das intenções de votos válidos -já que boa parte deles não se transformará em voto na urna por causa da abstenção.

APAGA O FOGO
A Promotoria da Habitação marcou para o dia 6 uma reunião com o secretário das Subprefeituras, Ronaldo Camargo, e o comando do Corpo de Bombeiros para discutir a situação dos túneis de SP, todos considerados irregulares quanto aos equipamentos de prevenção de incêndios. A elaboração do projeto de modernização dos sistemas de segurança, encomendada pela prefeitura, deve custar R$ 145 mil.

CONTRA A CÂMARA
O advogado Pedro Lessi entrou com uma representação no Ministério Público contra a Câmara Municipal de São Paulo por improbidade administrativa. Ele alega que a verba deste ano destinada à publicidade, no valor de R$ 17 milhões, é "indevida e ilegal". "A Câmara usou metade dessa verba, R$ 8,5 milhões, em um projeto de reformulação do site. De onde veio esse dinheiro?", diz o advogado. A Câmara diz que ainda não foi notificada.

SOBRE A CEGUEIRA
A Casa de Chá da praça dos Três Poderes vai abrigar jantares "às cegas" durante o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em novembro.
A decoradora Helen Szervinsk vai transformar o espaço, que é branco e envidraçado, em um ambiente escuro. Garçons cegos serão escalados para servir um menu surpresa aos participantes.

AMIGO DO PEITO
O Brasil está exportando leite materno, além de tecnologia em processamento, armazenamento, controle de qualidade e distribuição de leite humano, para todos os países que participam do programa Iberoamericano de Bancos de Leite Humano (IberBLH). São lugares como Espanha, Argentina, Angola e o próprio Brasil, onde 155 mil recém-nascidos foram beneficiados. Os dados serão divulgados no 1º Congresso Iberoamericano de Bancos de Leite Humano, que começa hoje em Brasília.

UM PÉ LÁ, UM PÉ CÁ
Francisco Chagas, maître do Rodeio, nos Jardins, há mais de 30 anos, cuidará também da filial do restaurante que será inaugurada em novembro, no shopping Iguatemi.
A nova casa, que ficará no oitavo andar do shopping, contará com um bar exclusivo para seus clientes, instalado no térreo.

BEXIGA NO JOCKEY Márcio Toledo, presidente do Jockey Club, comemorou aniversário anteontem na companhia da namorada, Marta Suplicy (PT-SP), e de amigos com uma "festa italiana" regada a pizza, na Vila Hípica. O material de campanha de Marta, candidata a senadora, decorou as paredes e até o bolo de aniversário . Fafá de Belém cantou o "Parabéns a Você".

CURTO-CIRCUITO

O cantor e pianista Claudio Goldman, filho do governador Alberto Goldman, faz show hoje, às 22h30, no Bourbon Street. 18 anos.

Zeca Camargo inicia hoje, às 20h, o curso "Todo Mundo Faz Pop", com quatro aulas sobre música na Casa do Saber do Rio de Janeiro.

Ignácio de Loyola Brandão autografa o livro "Ruth Cardoso - Fragmentos de Uma Vida", hoje, às 19h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional.

A pré-estreia de "O Sol do Meio Dia", de Eliane Caffé, é hoje, às 20h, no Cine Sabesp. Classificação: 16 anos.

Jorge Kalil, diretor do laboratório de imunologia do Incor, foi eleito vice-presidente da International Union of Immunology Societies.

com DIÓGENES CAMPANHA, LEANDRO NOMURA e LÍGIA MESQUITA

DEPUTADO FEDERAL FELIPE MAIA

VINICIUS TORRES FREIRE

Os mundos e fundos do BNDES 
Vinicius Torres Freire 

FOLHA DE SÃO PAULO - 28/09/2010

O governo federal recorreu também ao BNDES a fim de aumentar sua participação no capital da Petrobras. O banco comprou R$ 22,4 bilhões em ações da petroleira, na oferta pública recém-encerrada.

Os motivos para envolver o BNDES na capitalização são confusos e/ou controversos. O que vem ao caso agora é o fato de o Tesouro Nacional emprestar mais R$ 30 bilhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Ou melhor, ao seu braço de investimento, a BNDESPar, que detém e administra as participações do bancão estatal. Trata-se de empréstimo a juros de pai para filho. De um financiamento que a mão direita do governo oferece a sua mão esquerda.

O empréstimo do governo serve, pois, para cobrir o dinheiro que o BNDES vai gastar na aquisição de fatia da Petrobras mais um troco, troco enorme, quase R$ 8 bilhões, que ainda não se sabe qual fim terá.

O papel do BNDES na execução da política econômica do governo é cada vez maior. O BNDES é o destino de uma grossa fatia do novo endividamento do governo federal. Executa muito mais que uma política industrial. Lida com fundos de natureza orçamentária (dívida nova) sem que tais dinheiros sejam objeto de discussão no Congresso ("melhor assim", dirá um cínico, dada a qualidade do Congresso).

O BNDES altera a dinâmica da política de juros. Primeiro, porque suas taxas de juros são menores que as de mercado, por vezes próximas de zero (em termos reais). Segundo, porque afeta de modo arbitrário a oferta de dinheiro na economia -o que pode até ser bom, como se viu em 2009, mas nem sempre o é.

Além do mais, o banco é ou será obrigado a financiar obras disparatadas como a do trem-bala, que não para em pé se julgada de ponto de vista econômico, financeiro ou social (na verdade, a burocracia do banco é contrária ao disparate, de inspiração luliana-dilmiana). Coisa parecida acontece na Petrobras, obrigada a fazer refinarias na qual não vê sentido econômico.

A participação do BNDES no estoque de crédito na economia continua a crescer. As torneiras do banco ainda estão mais abertas do que estavam em 2008 (variação anual, antes da crise). De setembro de 2008, explosão da crise, a agosto de 2010, a fatia do banco no total do estoque de crédito passou de 16% para 21%. Mas, na margem, a fatia é ainda maior. Do total do aumento de estoque de crédito neste ano, o BNDES foi responsável por 30,7%.

O ritmo de crescimento do estoque de crédito dos demais bancos públicos e dos bancos privados nacionais é agora menor que o do início de 2008, pré-crise; a redução da velocidade foi, nos dois casos, da mesma proporção.

Os bancos privados nacionais aceleraram a oferta de crédito no pós-crise. Os públicos pisaram no freio. Os privados estrangeiros continuaram a perder mercado até o trimestre passado. Claro, é preciso notar que os bancos públicos esbarraram no limite de crédito, dado o seu capital, obstáculo que o BNDES não enfrenta graças aos R$ 180 bilhões oferecidos pelo Tesouro desde 2009 (sem contar os R$ 30 bilhões de agora, que não vão para o crédito).

Dados o tamanho do banco, a oferta quase sem limite de recursos do Tesouro e o espraiamento da sua ação, passou da hora de rediscutir o que fazer do BNDES.

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Inimiga oculta 
Renata Lo Prete 

Folha de S.Paulo - 28/09/2010

Na véspera da divulgação de um Datafolha que aponta nova redução da vantagem de Dilma Rousseff sobre a soma dos adversários, a petista inaugurou domingo, no debate da TV Record, um repertório crítico a Marina Silva (PV), que subiu de 11% para 14% e virou peça-chave para forçar um eventual segundo turno, mesmo que nele venha a estar José Serra (PSDB).
A lembrança de denúncias que atingiram o Ministério do Meio Ambiente e a cobrança de soluções para os problemas apontados por Marina foram discutidas previamente no QG dilmista, mas não há consenso sobre o que fazer agora. A necessidade de desconstruir o discurso "marineiro" foge ao roteiro inicial do PT.

São Pedro Choveu forte tanto no primeiro comício da campanha de Dilma, em julho, na Candelária, quanto no último, ontem, no sambódromo paulistano.
Monástica Antes do Datafolha, o plano era dar a Dilma, a partir de hoje, quase todo o tempo para se preparar para o debate de quinta na Globo. No mais, ela faria a aparição do dia para o "JN" e uma ou outra atividade.

Oremos O PT lançará ofensiva para conter o que classifica como "onda de boataria" voltada a eleitores católicos e evangélicos. As mensagens atribuem a Dilma a defesa do aborto e do casamento homossexual. A campanha disseminará na rede declarações recentes da candidata sobre esses temas.

Viva o Gordo Estranha ao eleitorado mais jovem, a expressão "numa nice", usada aqui e ali por Serra, remete a Bo Francineide, atriz de pornochanchada interpretada por Jô Soares no início dos anos 80. "Eu transo o corpo numa nice" era a assinatura da desinibida personagem.

A propósito A cinco dias da eleição, o governador Alberto Goldman (PSDB-SP) comanda hoje dois eventos que materializam promessas de Serra: a inauguração do ambulatório de especialidades de Itupeva e a demolição do cadeião de Jundiaí.

Pecado alheio E-mail disparado às 15h47 de ontem da Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência pede apoio ao recém-lançado Manifesto em Defesa da Democracia, que aponta uso da máquina pública por Lula em favor da candidatura de Dilma. O governo tucano alega que a mensagem foi remetida "indevidamente" por um funcionário.

Caminho suave Mesmo que Tiririca (PR) fosse impedido de tomar posse sob a alegação de analfabetismo, seus votos seriam validados e migrariam para a legenda, informa a Procuradoria Eleitoral. Ou seja, se tivesse a diplomação barrada pela Justiça, o palhaço asseguraria mais cadeiras a candidatos do PT, ao qual está coligado.

Bioma Fábio Feldman (PV), que tabelou com Geraldo Alckmin nos debates para o governo paulista, telefonou ao também tucano Aloysio Nunes para anunciar que lhe dará seu segundo voto para o Senado. O primeiro é do verde Ricardo Young.

Estiagem de votos No Amazonas, dirigentes partidários temem alta taxa de abstenção devido ao baixo nível dos rios, que dificulta a locomoção de eleitores em áreas ribeirinhas. Aliados de Alfredo Nascimento (PR), bem atrás de Omar Aziz (PMN) nas pesquisas, esperam lucrar com o fenômeno.

De saída No Rio Grande do Norte, é dado de barato que Rosalba Ciarlini, favoritíssima para o governo, dificilmente permanecerá no DEM depois de eleita. Sua campanha transbordou os limites do partido, e ela emergirá das urnas maior do que o padrinho José Agripino.

tiroteio

"Sou obrigado a concordar com o Skaf: juntar-se ao Mercadante e ao Russomanno contra o Alckmin só podia dar zebra."
DO DEPUTADO DUARTE NOGUEIRA (PSDB-SP), sobre o animal usado na propaganda do candidato do PSB ao governo, que tem 4% no Datafolha.

contraponto

Tapete vermelho


Petistas e ex-ministras, Benedita da Silva e Nilceia Freire conversavam animadamente enquanto conferiam os respectivos trajes no estúdio da TV Record, no Rio, antes do debate presidencial de domingo. O ritual, explicaram, se deve ao fato de ambas possuírem um conjunto branco idêntico. Alguém perguntou a Benedita como evitar o efeito "par de vasos", e ela disse:
-Não tinha risco. Hoje era a minha vez!
Nilceia completou:
-Telefonei antes pra checar com a Benedita. Assim afastamos qualquer coincidência indesejável...

CÍRCULO DA FELICIDADE

MÍRIAM LEITÃO

O corte inglês 
Miriam Leitão 

O Globo - 28/09/2010

Ed Miliband, o novo líder do trabalhismo inglês eleito nesse fim de semana, depois de árdua luta com outros três competidores, fez um discurso marcante. Admitiu que o partido tinha errado, reconheceu o trabalho dos antigos líderes, mas disse que, a partir daquele momento, uma nova geração estava assumindo o poder no partido e virando uma página.

Foi inevitável pensar no retrocesso político brasileiro, em que o único partido de massas aceitou, sem qualquer sinal de desconforto, que o presidente Lula impusesse uma candidata de sua escolha autocrática. O PT foi o partido brasileiro que se organizou desde as bases. Ele perdeu a bandeira ética quando não reagiu a escândalos, como o do mensalão, e aderiu ao caciquismo neste fim do governo Lula.

— Essa eleição vira uma página, porque uma nova geração dá um passo adiante para servir o nosso partido e, eu espero, que para servir o país. Hoje, o trabalho da nova geração começa — disse Ed Miliband.

Ed é jovem, representou uma facção à esquerda do Partido Trabalhista, é ambientalista e foi um excelente ministro da Energia e Mudanças Climáticas. Disputou com quatro eleições internas e, na última, enfrentou seu próprio irmão, David, que havia sido ministro do Exterior de Gordon Brown. Os dois são filhos de um sociólogo, professor universitário.

Eu entrevistei os dois Miliband em situações diferentes.

Ed é mais carismático, mais simpático, mais antenado com os desafios do século XXI. Quando veio ao Brasil, foi ao Xingu ouvir índios, madeireiros, sobrevoou áreas desmatadas na Amazônia, debateu com ambientalistas e, na entrevista que me concedeu, falou, sem preconceitos, das chances e desafios do Brasil que ele tinha conseguido perceber durante sua visita.

Já David, com quem conversei no Foreign Office, me pareceu mais burocrático que Ed e, na questão climática, alinhado demais à posição americana.

O que a Inglaterra tem agora é um momento único: nos três partidos há lideranças jovens e, no governo, uma situação nova. Líderes de cerca de 40 anos estão chefiando os três partidos.

David Cameron, primeiroministro, e Nick Clegg, vice-primeiro-ministro, vivem uma situação rara, uma coalizão. Cameron e Clegg construíram a coalizão com base numa carta de programa de governo em que cada um cedeu um pouco.

O Partido Conservador teve de aceitar a exigência dos liberais democratas de propor uma reforma política que dê mais chance de representação ao terceiro partido, que é prejudicado pelo sistema distrital.

Depois de 13 anos no poder, o Partido Trabalhista foi derrotado, precisava se reorganizar e, por isso, passou por um tempo de debate interno e eleições para a nova liderança. Como o país é parlamentarista, ser líder é ser candidato a primeiroministro.

Guardadas as diferenças, o fato é que nos três partidos ingleses houve um processo de renovação de lideranças. O Partido Trabalhista que governou o país por 13 anos e perdeu as eleições foi o último a fazer essa renovação e completou nesse fim de semana.

— Nós perdemos a eleição e perdemos feio. Minha mensagem ao país é: nós sabemos que perdemos confiança. Eu sei que precisamos mudar. A nova geração que assumiu o partido entende o coração das mudanças. Eu quero mostrar que nós sabemos que temos de mudar. Eu tenho de unificar o partido, mas há uma coisa que precisamos: inspirar as pessoas com a nossa visão — disse Ed Miliband no seu discurso.

Foi impossível não pensar no PSDB que, ao perder as eleições, nunca fez uma análise sincera dos erros, nunca unificou o país, deixou que lideranças se digladiassem em surdina. Primeiro, José Serra e Geraldo Alckmin em 2006; depois, Serra e Aécio Neves em 2010. Não houve disputa aberta que mobilizasse a militância. De novo, foi um acordo intramuros por um grupo reduzido que cabe numa mesa de restaurante.

Não houve avaliação dos erros nem a consciência de que é preciso inspirar o país, oferecendo um projeto.

A Inglaterra, como todos os países atingidos pela crise bancária de 2008, está às voltas com um enorme déficit público e uma dívida alta. Cameron está cortando os gastos, mas uma das estratégias é a de ter uma meta de redução do déficit de longo prazo para a qual convergir ano a ano. Uma proposta de ir reduzindo ano a ano até zerar o déficit no Brasil, feita em 2005, pelo então ministro Antonio Palocci, foi considerada “rudimentar” pela então ministra Dilma Rousseff.

— Acredito que precisamos reduzir o déficit, mas temos de recriar a capacidade de a economia funcionar e gerar emprego. A Inglaterra é muito desigual, e a desigualdade fere não apenas os pobres, fere a todos — disse Ed, defendendo a proposta social-democrata dos trabalhistas e tentando agradar os sindicatos que o apoiaram.

A Inglaterra tem pilhas de problemas, mas tenta se refazer renovando as lideranças políticas nos três partidos.

Aqui, nos quatro principais partidos — PT, PSDB, PMDB e DEM — não há sinais de renovação. No PT, há um perigoso retrocesso.

Ele está ficando cada vez mais parecido com o vetusto partido peronista da Argentina dos anos 1950.