quinta-feira, setembro 09, 2010

EDITORIAL - O GLOBO

Lula usa a velha tática da vitimização
EDITORIAL
O GLOBO - 09/09/10
Ao aparecer no programa eleitoral de Dilma Rousseff, na noite de terça, como se fizesse um pronunciamento oficial na condição de presidente da República, Lula apenas foi coerente com a postura que assumiu desde o momento em que resolveu eleger a sua pouco conhecida ministra-chefe da Casa Civil.

Sem se preocupar com limites legais, com nada, Lula tem sido um trator a serviço de Dilma, sem atentar para a confusão de papéis entre o chefe partidário e o representante do Poder Executivo.

Se o adversário José Serra se equivocou ao tentar cassar a candidatura de Dilma na Justiça eleitoral, devido ao já comprovado escândalo de invasão criminosa do sigilo fiscal de tucanos e da filha dele, Verônica, terça foi a vez de Lula extrapolar, ao exercitar no programa eleitoral uma velha tática petista: vitimizar-se, quando, na verdade, a vítima está do outro lado. Ou seja, o direito de reclamar é de Serra, da filha e demais tucanos cujos arquivos sob a guarda da Receita Federal foram violados, a partir da ação de pelo menos dois filiados ao PT.

O pronunciamento dissimulado e evasivo do presidente só fez aumentar o temor de quem é obrigado a ter sob a guarda do Estado dados pessoais, protegidos pela Constituição. Hoje se vê, uma proteção frágil, diante da atuação de aparelhos partidários e sindicais dentro da máquina burocrática, de que resulta o uso de instrumentos do Estado com fins políticos privados.

Sem falar, como admitiu o próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, chefe supremo da Receita, dos incontáveis vazamentos de informações dos computadores da repartição, onde, tudo leva a crer, funcionam balcões de venda de dados a quem interessar: empresas de mala-direta, assaltantes de residências, sequestradores etc. Infelizmente, prática que parece disseminada em vários órgãos públicos, como demonstra a facilidade com que se compra esse tipo de informações privadas nas ruas do Centro velho de São Paulo, conforme revelou reportagem do GLOBO.

Enquanto a Receita claramente retarda a sindicância interna, como deseja o PT, o presidente acusa os atingidos pela criminosa quebra de sigilo de partirem para a “baixaria” (!?).

O cidadão comum, portanto, tem toda razão em se sentir vulnerável, desprotegido, sem qualquer ajuda do Executivo.

Resta-lhe esperar pela atuação do Ministério Público — fortalecido pela Constituição de 1988 com a missão de estar ao lado da sociedade — e da Justiça.

O mesmo recurso da vitimização é aplicado quando a imprensa independente, profissional, chamada de “grande mídia”, divulga fatos objetivos contrários aos interesses do PT. Imediatamente, ela passa a ser acusada de “golpista”. Assim, o partido se converte em vítima de supostas tenebrosas conspirações, e se exime de explicar as malfeitorias.

Foi assim no mensalão, minimizado por Lula — o partido apenas copiara os demais ao comprar com dinheiro sujo apoio parlamentar —, sem impedir, no entanto, a cassação de José Dirceu e a abertura de um processo no STF contra a “organização criminosa”, chefiada, no entender da Procuradoria Geral da República, pelo próprio titular da Casa Civil de Lula. Agora, o partido e sua candidata são vítimas de quem se indigna por ter informações privadas surrupiadas por iniciativa de filiados ao PT. É demais.

Artifício é aplicado para evitar explicação dos desvios

SERRA E AGRIPINO

MÍRIAM LEITÃO

Avanços e atrasos 
Miriam Leitão 

O Globo - 09/09/2010

O Brasil há quase 20 anos vem mostrando, a cada Pnad, avanços e atrasos. Na telefonia, o número de casas com acesso ao serviço saiu de 19% em 1992 para 62% em 2002 e atingiu 85% em 2009. Aumento de 337%. Enquanto isso, o número de casas com acesso a esgoto e fossa séptica aumentou apenas 30%. Saiu de 46% para 60%. Mas o número é menor - e piora em 2009 - quando entra a área rural do Norte.

Os fatos não deixam dúvidas de que a privatização ampliou de forma impressionante a telefonia e que o avanço no saneamento básico foi lento no governo tucano e no governo PT. O IBGE fez uma série sem a área rural do Norte, em que o saneamento chega a 60% (vejam no gráfico). Com essa área, a cobertura cai de 59,3% em 2008 para 59,1% em 2009.

Na educação foi possível ver novos avanços, mas são absurdos os números de qualquer maneira. A taxa de analfabetismo caiu de 17,2% em 1992 para 9,6% em 2009, quase duas décadas para uma redução à metade do mais elementar dos indicadores educacionais. O governo Fernando Henrique derrubou a taxa de 15,5% para 11,9%. O governo Lula levou a 9,6%. Desempenhos pífios que deixam o Brasil com ainda 14,1 milhões de analfabetos, quase um Portugal e meio.

Na faixa etária acima de 25 anos, o analfabetismo é de 23,8% no Nordeste. Números completamente incompatíveis com o nosso propósito de ser um país desenvolvido.

Em todas as regiões caiu o analfabetismo funcional, mas ela chega a 30% no Nordeste. A presença na escola de crianças de 7 a 14 anos chegou a 98,1% em 2009. Aumentou 13 pontos percentuais de 1992 a 2002 e dois pontos percentuais até 2009. Pode-se dizer que o país completou a universalização do ensino nessa faixa e que a maior parte desse avanço foi no governo passado. Mas o risco é perder o adolescente: na idade entre 15 e 17 anos, 15% estão fora da escola.

Nos últimos anos houve aumento do percentual de trabalhadores com carteira assinada, mesmo assim, há 41% de trabalhadores informais - ou 22 milhões de pessoas. A crise provocou um aumento de 18% no total de desocupados. Ao final do ano passado, o país tinha oito milhões de desempregados.

E olha o absurdo: enquanto o percentual de desempregados de 18 a 24 anos aumentou de 14,4% para 16,6%, de um ano para o outro, o Brasil ainda tinha quase um milhão de pequenos brasileiros trabalhando na idade entre 5 e 13 anos.

As oscilações econômicas atingiram diretamente a renda, para o bem e para o mal.

De 1992 a 1996, o rendimento médio real do trabalho aumentou 43,2%. "Os ganhos desse período, sobretudo a partir de 1994, foram propiciados pelos efeitos da estabilização monetária do Plano Real", diz o IBGE. Mas aí vieram as crises. A renda caiu um ponto percentual por ano nos anos de 97 e 98, crises da Ásia e da Rússia.

Pior ainda foi em 1999, uma queda de 7% na nossa crise cambial. No período de 2001 a 2004, a perda anual foi de 3,4%; o pior ano foi 2003, com queda de 7,4%. A partir de 2005, houve alta todos os anos: 7,4%; 3%; 1,7%; e até em 2009, ano de crise, houve aumento de 2,2% na renda.

Mesmo assim, não se voltou ao melhor ano em termos de rendimento do trabalho que foi 1996.

O país continua desigual, mas reduzindo o índice Gini que mede a desigualdade; continua melhorando na educação, mas a passos lentos; ainda tem índices absurdos de ausência de serviços públicos, mas melhorou muito em relação ao passado.

Quando se compara os dois períodos administrativos se vê avanços e atrasos em cada um deles. O Brasil tem melhorado, sem dúvida, mas às vezes com espantosa lentidão, como no caso do saneamento.

Às vésperas de um novo governo, o Brasil tem que olhar todos esses números para detectar acertos e erros dos governos anteriores. Para assim, persistir nos acertos, acelerando o passo, e não insistir nos erros. Infelizmente, o debate eleitoral desse ano está completamente impedido pelo clima plebiscitário e de autocongratulação imposto pelo governo Lula.

Olhando sem a obsessão eleitoral, é possível encontrar a trilha para o progresso.

JOSÉ SIMÃO

UebaDilma é mãe do Galvão
José Simão
FOLHA DE SÃO PAULO - 09/09/10


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O Esculhambador-Geral da República! Ereções 2010! Indecisos e indecentes, votem em mim pra presidente. Prometo lançar o Bolsa Viagra. Pro Brasil ficar em pé! Queremos o Brasil em pé!
E quer ver acontecer o segundo turno? DILMA É MÃE DO GALVÃO BUENO! Rarará. Perde 50 pontos. Fica atrás até do Plínio. Gente, cadê o Plínio? "Esqueceram de Mim 4"! Geriátrico da Breca em "Esqueceram de Mim 4"! E a Marina tá parecendo a Olívia Palito!
E piada pronta no "Jornal Nacional". Tem sempre aquele quadro: dia do candidato. E adivinha o nome da repórter que acompanhou a Dilma? Cristina SERRA! Rarará! E essa: "STF suspende ação penal contra Maluf por causa da idade". 70 anos: a IDADE DA FICHA LIMPA! Rarará!
E chega de perguntar pros candidatos sobre aborto e drogas. Quer ver uma pergunta que ninguém faz pra candidato? O que vocês vão fazer com os aeroportos brasileiros? Aeropartos. Um parto pra embarcar e um parto pra desembarcar. E a fila do check-in? Tem que fazer checkup antes pra encarar a fila do check-in. Checkup pro check-in.
E a fila do raio-X? Tem que levar Lexotan com barrinha de cereal e uma "Caras" e duas "Contigos"! A careca do Serra já é um aeroporto. De muriçoca. E o cabelo da Dilma é um aeroporto de porco-espinho!
E o Lula disse que o Serra partiu pra baixaria. Eu acho que o Serra devia partir pra Transilvânia. Com aquela cara de vampiro. Rarará!
E o Serra partiu pra baixaria mesmo: chamou a Dilma de Dunga. Ofensa moral. Isso dá queixa-crime! Isso dá TERCEIRO TURNO! E essa: "Lula vai a Minas dar um gás no Hélio Costa". Então é o Gás Hélio. Usado para encher bexigas e balões de festas!
A Galera Medonha! A Turma da Tarja Preta! E tinha um candidato chamado Tio da Raspadinha. Me apresenta a Raspadinha. Todo mundo quer votar na raspadinha. E não tem o Tio da Peludinha?! Queremos o Tio da Peludinha! E no Rio temos Inês do Posto, Milton da Tia Maluca, Wilson Perna Torta e Laura Braço Forte. Eu quero tirar um braço de ferro com essa Laura.
E a frase machista do dia: quando a mulher sofre em silêncio é que o celular tá sem crédito. Rarará! É mole? É mole, mas sobe! A situação tá ficando psicodélica. Ainda bem que nóis sofre, mas nóis goza. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

GOSTOSA

MERVAL PEREIRA

O papel de Dirceu 
Merval Pereira 

O Globo - 09/09/2010

O ex-ministro e deputado federal cassado José Dirceu, acusado pelo procurador-geral da República de ser o “chefe da quadrilha” que organizou o mensalão, está se sentindo perseguido durante esta campanha eleitoral. Incomoda-o bastante o pequeno anúncio da campanha do candidato tucano José Serra que alerta o eleitorado para a sua proximidade com a candidata oficial Dilma Rousseff.

“Depois dela, vem ele”, adverte o comercial. A própria candidata mostra-se incomodada com essa ligação, mas como José Dirceu continua tendo muito influência dentro do PT, e atua nos bastidores da coligação governista com estatura de coordenador da campanha, a candidata evita renegar seu antigo chefe, que, ao passarlhe o cargo de chefe do Gabinete Civil, atingido pelo escândalo do mensalão, saudoua como “minha companheira em armas”.

Hoje, Dilma nega ter pegado em armas contra a ditadura, mas na ocasião chegou a se emocionar no Palácio do Planalto ao relembrar os dias de luta armada e a morte de vários companheiros seus e de Dirceu.

Ao contrário do ex-presidente e atual senador Fernando Collor, cujo apoio Dilma renegou de público depois de ter conseguido tirar do ar uma propaganda em que Collor pedia votos para ela, com Dirceu o trato é cauteloso.

Perguntada se Dirceu faria parte de seu governo, Dilma disse apenas que não responderia sobre equipe de governo porque pareceria presunção antes do resultado oficial da eleição.

Coube ao próprio José Dirceu retirar do caminho de Dilma esse obstáculo, anunciando que não pretende voltar a atuar no governo antes de seu julgamento no Supremo Tribunal Federal.

O fato é que José Dirceu continua dando as cartas dentro do PT e atuou explicitamente na formação da coligação que hoje apoia a candidatura de Dilma Rousseff.

Viajou pelo país como enviado do PT e negociou diretamente os diversos acordos firmados nos estados, tendo sido parte importante na decisão de o PT abrir mão de concorrer ao governo de Minas para dar a vez a Hélio Costa, do PMDB.

O ex-ministro mostrou-se também indignado com uma informação dada aqui na coluna na terça-feira.

Transcrevo o trecho que incomodou Dirceu e que ele publicou em seu blog: “No governo, montaram uma máquina de informações não apenas para difundir notícias falsas sobre seus adversários como para usar as informações como arma política de chantagem nas negociações de bastidores.

O cérebro desse esquema de informações paralelo e ilegal foi o ex-ministro e deputado federal cassado José Dirceu, que se vangloria até hoje dos métodos que aprendeu quando esteve exilado em Cuba.” Pois bem, a informação de que Dirceu é a origem de uma máquina subterrânea de “inteligência” montada dentro do governo petista já fora publicada aqui na coluna, mais exatamente em setembro de 2 0 0 6 , quando o escândalo dos “aloprados” do PT estava no auge.

Naquela ocasião, relatei que Cid Benjamim, então candidato a deputado estadual pelo PSOL, irmão de César Benjamim, que disputava a eleição como vice de Heloísa Helena, contara em seu blog “uma historinha” que demonstra muito bem o que podia estar por trás da compra do dossiê contra os tucanos e do tal setor de “inteligência” da campanha de reeleição de Lula.

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Papel sob papel 
Sonia Racy 

O Estado de S.Paulo - 09/09/2010

Depois muitos anos, chega ao fim a parceria entre a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e a Bienal. O órgão estadual não editará o catálogo da exposição deste ano.


Heitor Martins, da Bienal, vetou pedido de Hubert Alquéres que pretendia montar um estande de livros de arte na mostra. Com intuito de venda. Em troca, a Imprensa Oficial rodaria na sua gráfica, gratuitamente, o novo catálogo, seguindo padrão adotado em edições anteriores do evento.

Papel sob papel 2 Alquéres, aborrecido, reclamou, por meio de carta, a Andrea Matarazzo, secretário da Cultura e membro também do conselho da Bienal. "Ele tem razão", lamenta Matarazzo, se posicionando a favor da Imprensa Oficial.

Atento

Levantamento interno dos tucanos anima os integrantes da campanha de Serra. Aponta que o candidato à Presidência subiu nas pesquisas com o escândalo das violações do sigilo fiscal.


Dilma, por sua vez, teria ficado na mesma posição.

Haja coração

Marcos Cintra, secretário da Desenvolvimento Econômico de Kassab, está nos finalmentes da montagem de PPP gigante para a área da saúde. Algo orçado em R$ 1,3 bilhão que será usado na construção e reforma de hospitais, ambulatórios, etc...

Pagode na Cohab

O Google, que acaba de ser condenado a pagar R$ 50 mil por hospedar no YouTube vídeo com ofensas a Netinho de Paula, terá mais dívidas a somar. Ainda no ar, contrariando decisão da Justiça, o videoclipe mescla imagens do candidato ao Senado cantando versão de Cohab City com imagens de mulheres espancadas. A multa diária é de R$ 10 mil.

Tipo exportação

Não é só de cultura de massa que vive Diego, o Alemão do Big Brother. Com uma câmera na mão, ele foi visto no Burning Man, festival anual de contracultura que reúne diversas tribos, em Nevada, EUA.

Alfajores

Zulemita Menem ainda faz sucesso. Ao comparecer, anteontem, com o pai, Carlos Menem, durante comemoração do 7 de Setembro na Embaixada do Brasil em Buenos Aires, roubou a atenção. Fernando de la Rúa também esteve por lá.


Estatização

O STF acaba de receber uma Ação Direta de Inconstitucionalidade que contesta alteração na Constituição do Estado do Paraná.

A mudança, feita por meio de emenda na Assembleia Legislativa paranaense, bloqueia a entrada da iniciativa privada em serviços de saneamento básico.

Vão-se os anéis

Norma Bengell colocou à venda, por R$ 60 mil, um colar-obra de arte. Assinada por Di Cavalcanti e confeccionada pelo amigo joalheiro do artista plástico Lucien Finkelstein, a peça (foto) é única.

Camisa 10

Em fase de recuperação, Ganso se reúne amanhã com a diretoria do Santos. Discutem novo contrato, incluindo reajuste de salário e aumento da multa rescisória.

Em segredo?

Foram vistos almoçando tête-à-tête ontem, em São Paulo, no restaurante La Tambouille, Ricardo Teixeira, da CBF e Jérôme.. Valcke, da Fifa.


Coisa pra cavalo

O sonho de três apaixonadas pelo hipismo - o de profissionalizar o circuito no Brasil - se torna realidade. Isabella Salles, Isabella Pinheiro e Karina Gerdau Johannpeter, em esforço conjunto, conseguiram elevar o nível das competições do Mitsubishi SporTV Riders Cup, cuja última etapa acontece no fim de semana, em Indaiatuba.

O circuito, habitualmente três estrelas, teve upgrade para quatro "A maioria dos nossos cavaleiros reside na Europa, onde a altura dos obstáculos é mais alta. Nós queremos igualar nosso campeonato ao europeu e aumentar a visibilidade do esporte no Brasil ", explica Salles.

Com essa ideia na cabeça, cavaram patrocínios e investimentos. "O maior desafio foi vender o desejo de três... meninas", ponderam em uníssono, Karina e Isabella Pinheiro.

Na frente


O encontro Jornadas Ibero-Americanas, dia 20, em Madrid, promete. Para discutir investimentos, Enrique Iglesias formou mesa múltipla com dois brasileiros de peso: Rubens Barbosa e Tadeu Carneiro.

Graziella e Buby Leonetti recebem Zubin Mehta e a Münchner Philharmoniker para um jantar em sua casa. Dia 26.

Corpo Vivo - Carrossel das Espécies, de Ivaldo Bertazzo, começa amanhã no Sesc Pinheiros.

Daniel Augusto Jr., fotógrafo oficial do Corinthians, abre exposição no Senac da Lapa. Segunda.

Roberto de Magalhães Gouvêa pilota leilão na Galeria Espaço Arte. Quarta.

A exposição Anywhere Is my Land, de Antonio Dias, inaugura sábado. Na Pinacoteca.

Duas mostras importantes, Memórias Reveladas e Tékhne, estreiam domingo. Em comemoração aos 50 anos do Museu de Arte Brasileira.

O público ficou curioso, anteontem, no show de Lauryn Hill, no Credicard Hall. Tecladista da banda passou o show inteiro de... mochila nas costas.

DOMINADO

ENTREVISTA: JOSÉ ÁLVARO MOISÉS

"O presidente Lula passou dos limites"
José Álvaro Moisés
O Estado de S.Paulo - 09/09/10


O cientista político José Álvaro Moisés afirma que a atitude do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso das violações de sigilos fiscais é preocupante para a democracia no Brasil - porque estaria sinalizando que a vontade dos detentores do poder fica acima do primado da lei. Para o especialista, professor da Universidade de São Paulo e diretor científico do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas daquela instituição, Lula confunde o papel de primeiro mandatário brasileiro com o de militante petista, responsável pela indicação de Dilma Rousseff como candidata à sua sucessão. Essa confusão de papéis pode dificultar as investigações sobre o episódio.

Como o senhor viu a presença do presidente Lula no horário de propaganda eleitoral gratuita, assumindo o papel de escudo da candidata Dilma Rousseff frente às suspeitas de envolvimento do PT no caso de quebra de dados fiscais de pessoas ligadas ao PSDB? Isso não pode causar a impressão de que o primeiro mandatário do País tomou partido frente a uma questão que vai além do debate eleitoral?

Sim. O presidente não tem tido cuidado, no processo eleitoral, de fazer distinção entre os papéis de presidente da República e de militante do PT responsável pela indicação de Dilma Rousseff como candidata à sua sucessão. Ele tem direito, como cidadão, de participar da campanha, desde que separe os papéis. Deveríamos lembrar o que ocorreu em 2002, durante a campanha que resultou na primeira eleição de Lula. O presidente Fernando Cardoso, apesar de apoiar o então candidato José Serra, teve cuidado para separar completamente as coisas, não misturar as funções. O presidente Lula não está tendo esse cuidado agora, assim como não teve em outros momentos de seu mandato.

Quais momentos?

Podemos citar as vezes nas quais desqualificou procedimentos do governo denunciados pelo Tribunal de Contas da União. Mais recentemente, ao ser multado pelo Tribunal Eleitoral, por fazer confusão entre sua função presidencial e a de dirigente do PT, ele praticamente menosprezou as decisões. Essas não são boas indicações. Elas sinalizam que, uma vez no cargo de primeiro mandatário, você pode misturar e confundir as coisas, pode ficar acima do que a lei estabelece.

O senhor não estaria sendo exagerado nas suas preocupações? Afinal, acaba de citar dois tribunais que estão funcionando e exercendo suas funções, numa comprovação de que a democracia anda normalmente.

Não há exagero. É extremamente importante discutir essas questões porque, embora estejamos numa democracia, o império da lei ainda não está inteiramente estabelecido no Brasil. Essas sinalizações dadas pelo presidente mostram que ele não leva em conta a ideia de que a democracia é o governo da lei e não o governo dos homens. Esse é um momento muito importante, porque envolve uma coisa crucial para a democracia, que é a violação do direito individual. Não estamos falando apenas dos dados da filha do Serra e do vice-presidente do PSDB, mas sim de milhares de pessoas. Fiquei indignado quando abri o jornal e li as declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, autojustificando, em certo sentido, as violações, porque já teriam ocorrido outras vezes.

O que se deveria esperar de alguém no cargo dele?

Eu esperaria que o ministro e o presidente da República viessem a público para dizer que medidas estariam sendo tomadas em face dos crimes de violações que afetam direitos individuais garantidos na Constituição - a questão do direito individual é uma cláusula pétrea da Constituição do Brasil. Mas ninguém disse uma palavra sobre isso. Pelo contrário, houve um esforço para blindar a candidata e dizer que, uma vez que já ocorreu em outras ocasiões, é normal que continue ocorrendo. Eu digo: não é normal. Especialmente no governo de um partido que pretendia reorganizar a política no Brasil, com uma resposta republicana. Penso que nesse caso o presidente Lula passou dos limites.

Se o presidente misturou de fato os papéis, isso poderia de alguma maneira atrapalhar as investigações sobre o caso? Os funcionários encarregados desse trabalho poderiam ver na mensagem do primeiro mandatário um sinal de que não é lá tão importante assim aprofundar a investigação?

Eu me preocupo com isso. No Brasil, a função de presidente, pelo prestígio, pelos recursos que tem e até mesmo pelo ritual do exercício do cargo, tem uma influência muito forte na sociedade. Aqui se valoriza muito a pessoa do primeiro mandatário, com uma certa ideia de que ele pode tudo. Vivemos em um meio com um forte elemento de personalização das relações de poder. Daí a necessidade de um cuidado ainda maior para se separar as funções. Se o Lula não faz isso, ele sinaliza que o desmando cometido por alguém, não importa o tamanho desse desmando, pode ser autorizado por alguém lá de cima, alguém que chega e diz que o caso não tem importância nenhuma. É uma situação que me faz lembrar aquilo que dizem que Getúlio Vargas dizia, quando governava: para os inimigos a lei e para os nossos, o tratamento que quisermos dar. Isso diminui e desqualifica a democracia.

Voltamos à questão anterior, sobre o funcionamento das instituições democráticas.

Não acho que está em questão se temos democracia. Nós temos. O que está em questão é a qualidade da democracia. Não se pode ter durante dois ou três anos um presidente que faz campanha eleitoral ao mesmo tempo que exerce as funções de primeiro mandatário. Essa separação é muito importante.

Na sua opinião, o comportamento do presidente, que desfruta de alta popularidade, é negativo para a democracia?

O presidente Lula, particularmente neste último período de governo, tem dado uma contribuição negativa para a cultura política do País. Tudo bem ele dizer que é um brasileirinho igual a você que chegou lá. Os elementos virtuosos da personalidade política não devem ser confundidos, porém, com a função presidencial. Ela tem regras, dispositivos constitucionais, que devem ser aceitos por quem quer que exerça o cargo.

Ele não deveria ter feito declarações sobre o caso na TV?

O presidente Lula poderia ter ido à TV dar explicações, dizer que a sua candidata não tem nada a ver com isso e que a oposição está explorando o fato. Mas também deveria ter admitido os erros e dizer que medidas está tomando para corrigi-los. O escárnio dele é de tal ordem que dias atrás perguntou: "Onde está esse tal de sigilo". Esse comportamento é agravado pela popularidade dele, pela sua enorme responsabilidade. Sigilo é muito relevante para a democracia. Sinaliza o primado da lei, que não deve ser usada arbitrariamente de acordo com a vontade do presidente.

O senhor não estaria sendo muito purista em relação à chamada liturgia do cargo?

Não. A liturgia do cargo ajuda a sinalizar o respeito que a autoridade tem para quem é devido o respeito - os eleitores. Isso é central para as democracias. Eu duvido que em qualquer outro país de democracia consolidada, ao ocorrer um fato dessa natureza, o ministro venha a público para se justificar e não para se desculpar. Qualquer um de nós pode cometer erros e se desculpar. Eu posso citar um autor errado numa das minhas aulas e, mais tarde, ao descobrir o erro, me desculpar perante os alunos e corrigir o erro. Uma autoridade também pode vir a público reconhecer um erro e anunciar que está tomando medidas para corrigi-lo, medidas baseada na lei, nas regras do funcionalismo. Mas o que vimos foi o ministro vir a público para se justificar, com aquele argumento, que insisto, é inaceitável. Mais uma vez querem passar a ideia de que não há nada a ser feito.

Por que mais uma vez?

Isso já aconteceu no episódio do mensalão, quando passaram a mão na cabeça dos envolvidos no caso.


QUEM É

Mestre em política e governo pela University of Essex e doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP), é professor titular do Departamento de Ciência Política e diretor científico do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da USP. Sua experiência tem ênfase em teoria democrática e comportamento político. Entre os livros de análise política que escreveu está Os brasileiros e a democracia.

SENADOR JOSÉ AGRIPINO

CARLOS ALBERTO SARDENBERG

O consumidor tira os empregos
CARLOS ALBERTO SARDENBERG
O GLOBO - 09/09/10


Estamos em um supermercado em Key Biscaine, uma das áreas mais ricas dos Estados Unidos, loja com variedade de produtos internacionais, ampla oferta de orgânicos e tudo o mais ecologicamente correto, como é de se esperar nessas regiões. É outra circunstância que chama a atenção do forasteiro: nos caixas, os próprios compradores fazem toda a operação de check out.

Isso mesmo, as pessoas passam os produtos pela leitora ótica e já vão empacotando (muitos guardando em sacolas de pano); tudo checado, o comprador confere o valor na tela da caixa, passa o cartão, digita a confirmação e pronto, vai se embora carregando suas coisas. Ou seja, faz toda a operação sem qualquer contato com um funcionário humano.

O interessante é que, se o comprador quiser, pode passar em um caixa normal. Na verdade, havia ali alguns desses terminais à disposição dos clientes, com filas pequenas, mas pareceu que as pessoas preferiam, na maioria, operar o caixa elas mesmas.

Perguntei aqui e ali qual a vantagem para o consumidor. Imaginem a situação: você, comprador, faz todo o serviço que era do funcionário; claro que você não está treinado para isso, de modo que vai se embaraçar com pacotes e as maquinetas. Logo, dá mais canseira e demora mais. (E de fato, havia muita gente bem lerda.) Os locais responderam que as pessoas acabam aprendendo e se acostumando com o sistema, assim como "todo mundo" já sabe fazer as operações bancárias via internet ou caixa automático. Mesmo assim, pergunto de novo: qual a vantagem de aprender isso no supermercado? De novo, respondem que se trata de ganhar tempo. Assim como acabaram, ou estão acabando as filas nos bancos, dizem que, nos momentos de pico, a pessoa se livra das compras mais rapidamente se ela mesma der conta de toda a tarefa. E algumas contaram que preferem mesmo fazer tudo independentemente, sem qualquer contato com outros humanos.

Para a empresa, o ganho é evidente. Ela transfere boa parte do serviço para os clientes, o que, admitamos, é uma tendência universal.

Além dos supermercados, já são comuns as lojas nos EUA em que, chegando ao caixa com a mercadoria (roupas, por exemplo) que você escolheu sozinho, o funcionário (sim, ainda há um lá) faz apenas uma parte da operação, que é passar o produto na leitora ótica e empacotar.

Você passa o cartão na maquininha, responde às perguntas do visor, assina na tela e recolhe seu cartão. O funcionário, no máximo, diz ok.

Se você quiser, pode entregar o cartão ao funcionário, mas parece que eles não gostam. Comentei isso com uma funcionária e ela, parecendo bem instruída, contou que antes mesmo da crise a loja já começara a reduzir pessoal.

Um dia, comentou, desalentada, não vai ter nenhum emprego aqui, "estarão todos na China ou na Índia".

Eis por que estamos relatando essas impressões de viagem. A questão mais importante nos Estados Unidos, hoje, tanto na economia quanto na política, é emprego. O país já teve um surto de recuperação, no final de 2009, início de 2010, mas mesmo nesse período as empresas não contrataram pessoas no ritmo necessário para repor as 8,5 milhões de vagas fechadas no auge da crise.

De lá para cá, a situação piorou: a geração de emprego no setor privado perdeu ritmo. A taxa de desemprego permanece em torno dos 10%, o que é mais do que o dobro para a economia americana em situação normal.

Uma explicação está na falta de confiança das companhias. Estas só vão voltar a contratar de verdade quando acreditarem que a recuperação é consistente.

Além disso, há essa outra dificuldade, que aparece naquelas histórias contadas aqui. De fato, diversas medidas mostram que, na primeira onda de recuperação, as companhias americanas exibiram elevada produtividade.

Ou seja, aumentaram a produção empregando menos gente.

Isso confere com o dado de investimento.

Naquele mesmo período, as empresas aplicaram em novos computadores e sistemas de informática. Portanto, além da falta de confiança das empresas, um fator conjuntural, há uma tendência de longo prazo que "economiza" empregos.

Há ressalvas. Primeira delas e a mais importante: está claro que, mesmo nas lojas automatizadas, há todo um trabalho por trás, como o de definição, instalação e operação dos softwares que comandam todo o processo.

Esse é um trabalho de maior nível - e melhores salários - que ficaria nos Estados Unidos.

Estaria, assim, acontecendo com o setor de serviços a mesma coisa que se passou na indústria. Nos aparelhos de iPhone, se lê: desenhado pela Apple na Califórnia, montado na China. As grandes companhias americanas de hoje não são mais as siderúrgicas, nem mesmo aquelas que montam computadores, mas aquelas que "operam nas nuvens", como a Google.

O problema é a transição, complicada ainda mais neste momento pela circunstância da crise.

A questão mais importante na economia e na política dos EUA é emprego

*CARLOS ALBERTO SARDENBERG é jornalista.

GOSTOSA

ANCELMO GÓIS

Cabeças raspadas 
Ancelmo Góis 

O Globo - 09/09/2010

Quem seguiu terça, pela Avenida Presidente Vargas, no Rio, na contramão do desfile do Sete de Setembro, se surpreendeu com um grupo de jovens fortíssimos, de roupas escuras e cabeças raspadas.

Eles carregavam uma faixa “Contra o programa de direitos humanos” e colavam nos postes cartazes anticomunistas.
Na terra de Hebe
Embora “As cariocas” , inspirada no livro de Sérgio Porto, só vá estrear em outubro na TV Globo, a emissora e Daniel Filho já acertaram para o ano que vem outra minissérie parecida.

Vai se chamar “As paulistas”.
Turismo ganha pouco
O estudo é da Secretaria estadual de Desenvolvimento do Rio. Os mais de 20 mil trabalhadores da indústria naval fluminense têm um rendimento médio de R$ 2.169,16 mensais.

Já na rede hoteleira, que emprega cerca de 30 mil pessoas, a renda média é de R$ 912,22.
Conselho de LulaDo presidente Lula ao vice de Dilma, Michel Temer, segundo relato deste à cúpula do PMDB: — Essa sua amizade com o deputado Eduardo Cunha ainda vai lhe trazer muitos problemas.

É. Pode ser.
Radicais livres
Ouvido dia desses, na cúpula do PT: — O Plínio de Arruda Sampaio é um homem de ontem com ideias de anteontem.

Já o PT... deixa pra lá.

A COLUNA parece até que anda com um viés positivista, depois que denunciou aqui a situação do suntuoso prédio da Igreja Positivista na Glória e o furto da tela que serviu de protótipo para a nossa bandeira. Mas veja só: a Prefeitura poderia conservar melhor este monumento a Benjamin Constant, no Campo de Santana (veja, no destaque, que faltam até as letras na estátua). Adepto do positivismo, o engenheiro, professor e militar foi um dos principais líderes da Proclamação da República. Aliás, este monumento foi doado a cidade por Amaro da Silveira, um industrial positivista que implantou em suas empresas o 13osalário antes de qualquer legislação.

Mas aí é outra história
Blitz, documentos!Evandro Mesquita foi parado anteontem pela blitz da Lei Seca, no Leblon. Ao sair do carro, disse para o fiscal que apoiava completamente a lei.

Perguntado se havia ingerido bebida alcoólica, o ex-vocalista da Blitz, a banda, respondeu: “Só se botaram álcool no mamão com laranja que tomei”.

Não é fofo?
Esse mar é meu
O Le Monde publicou reportagem sobre o esforço do governo brasileiro para estender de 200 milhas para 350 milhas o mar territorial.

O jornalão diz que o objetivo é preservar o petróleo do pré-sal.
Na verdade...
Em 2004, antes mesmo da descoberta de óleo no pré-sal, o Brasil entregou à Comissão de Limites da Plataforma Continental da ONU (CLPC) toda a documentação técnica com a reivindicação do acréscimo.
Renda alta no Rio
A renda média do cidadão fluminense atinge hoje R$ 812 mensais, revela pesquisa a ser lançada amanhã por Marcelo Neri da FGV.

Nesse quesito, o Rio perde apenas para Santa Catarina e Distrito Federal.
Segue...Com base na nova Pnad, entre 2008 e 2009 ocorreu um crescimento de 4,52% na renda domiciliar per capita do Estado do Rio contra 2% da média nacional.
Diário de Justiça
A juíza Lindalva Silva, da 11ª Vara Cível, condenou o laboratório Wyeth WhiteHall Ltda a pagar uma indenização de, acredite, R$ 74.388.137,38 ao espólio da farmacêutica Lia Franco de Toledo, por uso indevido da patente de uma vacina.

A ação começou em 1973.
Remoção de favelasComeçou a ser rodado um documentário sobre as remoções das favelas da Zona Sul do Rio nas décadas de 1960 e 70, dirigido por Luiz Antônio Pilar e Quack.

A trilha sonora está sendo feita por um coral de 50 ex-moradoras dessas comunidades.
Lance na cobertura
A cobertura do marechal Djalma Polli Coelho, na Avenida N.S. Copacabana 1.302, será leiloada dias 14 e 15. O lance mínimo é de R$ 2 milhões.

O marechal presidiu a comissão que decidiu que seria no Planalto Central a nova capital brasileira, em agosto de 1948.

CRISTIANA OLIVEIRA, a bela atriz, ilumina um seminário sobre casamentos que aconteceu no Hotel Intercontinental, no Rio

ANA CAÑAS, a cantora, posa durante a gravação do clipe da música “Luz Antiga”, composta por Nando Reis de presente para ela, que faz sucesso nas rádios cariocas
Ponto Final
Então, fica combinado que filiado ao PT nao é petista, que crime contra a Constituicao é só um malfeito, e que quem denuncia isso faz baixaria.

E segue o baile na Ilha Fiscal. Com todo o respeito.

SERRA PRESIDENTE

VINICIUS TORRES FREIRE

Retrato da potência banguela
VINICIUS TORRES FREIRE
FOLHA DE SÃO PAULO - 09/09/10


Instantâneo fornecido pela Pnad mostra ainda um país muito primitivo e lerdo no avanço social e econômico

A PARCELA dos brasileiros com pelo menos 11 anos de estudo mais que dobrou de 1995 para 2009. Isto é, trata-se da proporção dos brasileiros que completaram pelo menos o ensino médio. "Mais que dobrar" parece um grande progresso. É?
Bem, em 1995, 15,5% da população havia estudado mais de 11 anos. No ano passado, essa proporção subira para 33,3%, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, a Pnad de 2009, cujos primeiros resultados foram divulgados ontem pelo IBGE.
O ritmo de aumento da parcela da população que ao menos se graduou no colegial flutua em torno de 1,5 ponto percentual desde 2002.
Nessa toada, metade da população terá completado pelo menos o segundo grau em 2022, oito anos depois da Copa, seis anos depois da Olimpíada do Rio, mais de uma década depois do início da construção do trem-bala, caso esse disparate se torne realidade. Note-se que 67% dos brasileiros têm mais de 20 anos ou mais -20 anos parece idade suficiente para ter terminado o ensino médio (o que deveria ocorrer aos 17 ou aos 18 anos de idade).
Nossos devaneios de potência juvenil ou média, para nem falar de sonhos de suprema elegância, poder e cultura, ficam desmoralizados diante da estatística. O quadro fica ainda pior quando se lembra que a qualidade da escola, fundamental ou média, costuma nos colocar nos três últimos lugares dos rankings de desempenho estudantil (que em geral dizem respeito a 40 a 50 países).
O país se recupera ainda da década e meia de estagnação e tumulto econômicos, o que ajudaria a explicar o mau resultado? Com um pouco mais de progresso da renda e ordem fiscal seria possível melhorar a educação? Talvez. Mas foram assim tão excepcionais as melhorias de renda e do mercado de trabalho?
Não, não se trata aqui mais uma vez da disputa fanática entre fernandinos tucanos e petistas lulistas. Políticas de governos têm, sim, alguma influência no desenvolvimento do mercado de trabalho, mas muita vez os efeitos de tais políticas são notáveis apenas anos após encerrado um governo. O que interessa aqui é só a radiografia de um país que se imagina "potência emergente".
A renda média dos domicílios cresceu, em média, 3,6% de 2004 para cá, em termos reais. O número de pessoas por domicílio caiu -a renda per capita domiciliar cresceu, pois, um pouco mais que 3,7% ao ano. Mas de 1998 a 2003 a renda média domiciliar caíra 4% ao ano. Parte importante da sensação de bem-estar dos últimos anos é mais um alívio do que grande progresso.
O índice de distribuição de renda melhorou também, como se sabe. Logo, a renda dos mais pobres cresceu mais. Porém, as séries históricas de dados divulgadas ontem pelo IBGE mostram que a distribuição de renda de 2002 era tão ruim (ou boa) como a de 1981. Durante duas décadas, o país se tornou ainda mais injusto do que sempre o foi.
Apenas 54,1% dos trabalhadores ocupados contribuíam para algum instituto de previdência no ano passado. Melhorou -eram 43,6% em 1992. Mas a estatística incrementada de 2009 quer dizer apenas que quase metade dos trabalhadores não terá cobertura previdenciária na velhice ou doença, ou precisará de uma aposentadoria ou Bolsa inteiramente bancada pelo Estado, tanto problema social como fiscal.

VANILDA PAIVA

Deu até no "NYT"
VANILDA PAIVA
O GLOBO - 09/09/10

O "New York Times" de segunda-feira sugere que o futuro de investimentos e oportunidades de crescimento econômico do Brasil estaria comprometido. Esta ideia, mesmo antes da difusão dos resultados da pesquisa internacional comparativa sobre os conhecimentos dos jovens de 15 anos, circulava em diversos países.

Muitos deles realizaram minienquetes sobre a real possibilidade de cada um dos BRICs, e o que circula é que, à parte a China, todos os demais têm poucas chances de verdadeiramente "emergir" devido às precárias condições de sua educação.

É certo que o país realiza neste momento um imenso esforço na área do ensino superior público e da ciência e tecnologia. Quantidade se transforma em qualidade - mas exige um tempo de que já não dispomos. Há 50 anos a estratégia de criação de universidades federais em todos os estados gerou não apenas a elevação do nível dos cursos, mas a circulação de elites intelectuais pelo país.

Os governos militares estimularam o ensino privado, mas é o item introduzido por FHC no convênio MEC-Usaid exigindo a penhora do terreno para receber recursos - proibida por lei a qualquer entidade pública - que permite entender por que surgiram como champignons prédios suntuosos que enriqueceram novas universidades privadas e seus proprietários, oferecendo - na maior parte dos casos - precários e caros produtos destinados à população pobre que, na hora da verdade, não tem condições de competir.

No ensino fundamental e médio, aceitamos o beschmarking dos países desenvolvidos, e nossa posição no Pisa e no Ideb sempre foi das piores. Os testes começam sua carreira nos anos 90 com a "correção do ciclo". Impedir a repetição e colocar na mesma classe a coorte da mesma idade permitiria universalizar a escola. A medida certamente democratiza a escola, mas impõe a promoção automática. O aluno sai no fim da linha, independentemente do que tenha aprendido.

Isso se acompanhou da demonização do professores, maltratados como todos os funcionários públicos, desorientados por reformas que desvalorizaram conteúdo e técnicas básicas. Daí a um mau desempenho no nível médio é um passo. A escola secundária se ampliou à noite, com alunos cansados do trabalho, professores que precisam muitas vezes ensinar nos três turnos, com alunos que desconhecem o conteúdo das séries precedentes.

A escola foi penetrada pela cultura do entorno e pela violência física e formas de comportamento que - antigamente - a escola procurava corrigir.

Os professores, já desmotivados pelos salários e conflitos, desautorizados em suas convicções e práticas pedagógicas, deixaram de ver a profissão como alguma coisa que ajuda a mudar o mundo.

Se comparamos o Brasil com países desenvolvidos constatamos que aos 9 anos a criança domina conteúdos com os quais nenhum aluno brasileiro sonharia. Ali reintroduziramse métodos tradicionais e enfatizaram o que o mundo moderno precisa: línguas, matemática, computação, conhecimento da história e de outras culturas, como já era o caso da China, da Coreia, do Japão.

Os países europeus mantiveram uma educação fundamentalmente pública - seguindo o preceito liberal de que ela é o ponto de partida para a equidade e a justiça social, permitindo recrutar os melhores para sua elite e fazer com que cada qual atenda às demandas da democracia e do mercado de trabalho. Um sistema profundamente segmentado - público e privado, cada qual com qualidade variável - não resiste a uma amostra randômica. É preciso investir bem cada centavo e prestar contas à sociedade, porque a política educacional vai ser responsabilizada por eventual fracasso do país.

Este não é um libelo contra o ensino privado - até porque está instalado em todos os níveis no asfalto e nas favelas. Mas é que há tempos fingimos que entramos na tradição anglosaxônica - só que nela a educação privada sempre esteve ligada a questões de natureza religiosa, moral, a dissensos entre grupos portadores de valores a serem transmitidos.

Universidades e escolas são ali resultado de doações, de fundos formados a partir de convicções. Não se trata de dinheiro público nem de ganhos fáceis.

*VANILDA PAIVA é professora aposentada da UFRJ e pesquisadora do CNPq.

ROMBO

PEDRO SIQUEIRA MATHEUS

Vigência da resolução 277 é prematura e deve ser suspensa
PEDRO SIQUEIRA MATHEUS
FOLHA DE SÃO PAULO - 09/09/10


O Código de Trânsito Brasileiro é de 1997 e foi tido como um grande avanço legislativo no que tange ao trânsito e sua normatização.
Nesse aspecto, a legislação de trânsito criou e introduziu várias modificações, criando e estabelecendo competências administrativas. Entre elas estão as que competem ao CONTRAN (Conselho Nacional de Trânsito).
Em nenhum capítulo, artigo ou parágrafo do código foi dado poderes ao CONTRAN de resoluções administrativas normativas, que criam sanções administrativas, que dependem exclusivamente de lei em sentido estrito, não havendo de se falar em competência delegada.
A contestada resolução 277 é ato emanado do Poder Executivo, mais propriamente do CONTRAN, cuja competência está claramente prevista no artigo 12 do código.
Não tem poder nem competência para onerar os usuários do sistema viário nacional, sendo certo que oCONTRAN extrapola os limites normativos previstos em lei.
De fato é de interesse de todos que o trânsito seja cada vez mais seguro. Porém, há grandes equívocos na resolução 277 do CONTRAN. Parece-nos que foi elaborada de afogadilho, mesmo entrando em vigor após mais de dois anos de sua publicação.
Há questões imperativas, que devem ser trazidas aos usuários, que encontram-se perdidos e desacreditados por essa resolução.
Por que os ônibus e vans estão dispensados do uso?
Por que aplicar a pena de retenção do veículo, quando o que se deve é retirar a criança por medida de segurança?
Por que não usar a Semana Nacional de Trânsito, que ocorre nos próximos dias, para uma exaustiva campanha de esclarecimento?
Por que não divulgar quais as empresas fabricantes desses produtos? Quais foram os índices das pesquisas que influíram na decisão para a publicação dessa resolução?
Qual o comparativo com outros países e quais usam o sistema que ora se adota?
É prematura a vigência da resolução, que deve ter sua eficácia suspensa, ou mesmo ser revogada com a edição de algo mais justo.
É necessária sobretudo uma resolução que traga ao cidadão a certeza que o uso e os gastos com os equipamentos não serão uma balela como as que já vimos anteriormente, como a resolução da caixa de primeiros socorros.

PEDRO SIQUEIRA MATHEUS é presidente do Instituto Brasileiro de Ciências de Trânsito e Transportes

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Cliente fica desorientado na emissão da Petrobras
MARIA CRISTINA FRIAS

FOLHA DE SÃO PAULO - 09/09/10 

Corretoras têm preferido não esclarecer dúvidas de clientes interessados na capitalização da Petrobras. Iniciado o "quiet period" (período de silêncio), instituições financeiras ficam impedidas pela CVM de fazer recomendações sobre a operação. 
"Podemos orientar, mas não recomendar. Mas, como a linha é muito tênue, optamos por não falar nada", afirma Paulo Levy, diretor-executivo da Icap Brasil. 
Os clientes da corretora têm ligado à procura de informações. A orientação é buscar o prospecto, oferecido por CVM e Petrobras. 
A Planner segue a mesma linha. "Ao lerem o prospecto, os clientes avaliam o risco da operação e depois procuram a corretora só para fazer o pedido de reserva", informa por meio de sua assessoria. 
"O problema é que o prospecto tem centenas de páginas. Os clientes do "home broker" recorrem a fóruns na internet, conversam entre eles", diz Levy. 
Interessados ainda querem entender detalhes e a maior das dúvidas é se vale a pena participar. 
O período de silêncio dura desde o momento em que a operação foi estabelecida oficialmente até a publicação de seu resultado. 
Os últimos grandes casos em que os clientes tiveram as portas da corretoras fechadas para informação foram VisaNet e Banco do Brasil. 
Também foram procuradas as corretoras Spinelli, Ágora, SLW, Link Trade, Fator e Ativa. Algumas informaram que não se manifestariam. Outras responderam que seus porta-vozes não poderiam atender até o fechamento desta edição. 

DE OLHO NO SUL 

A Bncorp, incorporadora com foco em edifícios comerciais, lançará até o final deste ano dois novos empreendimentos em São Paulo. 
Um deles será na Vila Olímpia, com 260 salas comerciais. A empresa projeta fechar este ano com VGV (Valor Geral de Vendas) de R$ 300 milhões, segundo o presidente da incorporadora, Cesar Worms. 
A empresa, que atua em São Paulo e no Rio, estuda expansão para outras regiões. "Estamos de olho no Sul do país, como os Estados de Paraná e Santa Catarina", diz Worms. 
A Bncorp nasceu de uma parceria entre a construtora Bueno Netto e o fundo MaxCap, que conta com investimentos do Bank of America. 
Com a escassez de terrenos, a empresa tem investido em "retrofits" (reformas e adequações de prédios antigos). 
"O "retrofit" é uma alternativa interessante para as grandes cidades, por causa da dificuldade em encontrar terrenos e da rigidez do processo de aprovação de projetos novos." 

ALTA DO ETANOL 

O etanol subiu pelo segundo mês consecutivo em São Paulo, com alta de 4,27% em agosto, para R$ 1,435 o litro, segundo a Ticket Car. 
Apesar do aumento, o Estado segue como o mais econômico para abastecer o carro. O Acre é o local mais caro, onde o litro sai por R$ 2,416. 
Na média do país, o combustível registrou aumento de 1,37% no mês passado, para R$ 1,87 o litro. 

Prefeitos... A Frente Nacional de Prefeitos (FNP) enviou ontem carta aos candidatos à Presidência em que pede comprometimento com cem cidades populosas (g100) com baixa arrecadação. 

...e cidade-dormitório Enquanto a média da receita por habitante das cidades brasileiras foi de R$ 1.415,9, em 2008, nas cidades que fazem parte do g100, a receita média foi de R$ 829,5 habitante/ano, segundo a FNP. 

DECISÕES CLARAS 

Para melhorar suas performances, as empresas brasileiras precisam ter mais clareza nos critérios adotados para a tomada de decisão, segundo Michael Mankins, sócio da consultoria Bain & Company. 
Para Mankins, muitas vezes, não se sabe ao certo quem deve tomar as decisões na companhia. 
"As empresas que tomam as melhores decisões, as tomam mais rápido", diz ele. 
Identificar quais os caminhos mais importantes para a companhia é o ponto de partida, mas nem sempre as organizações têm essa consciência, segundo Mankins. 
O executivo está em São Paulo para lançar o livro "A Organização que Decide - Cinco Passos para Revolucionar o Desempenho de sua Empresa" (Editora Harvard Business Review). 
A obra já foi publicada em inglês, francês, português e espanhol e terá versão em chinês e coreano em 2011. 

ALÔ, CLASSE C 

O motor do crescimento da indústria de celulares no Brasil está na classe C, que lidera entre os consumidores que possuem várias linhas. 
Quase 40% dos indivíduos possuem três ou mais linhas. 
O índice é maior que o verificado na classe AB, em que a posse de mais de três linhas está em 34%. Na classe DE, a parcela é de 27%. 
A conclusão é de levantamento da empresa de pesquisa Kantar Worldpanel, que no Brasil acompanha semanalmente o consumo de 8,2 mil domicílios. 
As famílias da classe C foram responsáveis pela compra de cerca de 5 milhões de linhas entre janeiro e março. A segunda maior compradora foi a classe AB, com 4 milhões de linhas, seguida pela DE, com 3 milhões. 
O acesso a produtos de alta tecnologia cresceu entre as classes de baixa renda. Entre os 3 milhões de indivíduos que possuem smartphone, 27% estão na classe C. A penetração dos equipamentos mais avançados é de 26% na classe DE. Na classe AB, os smartphones atendem 47%. 

com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK e FLÁVIA MARCONDES