sábado, março 13, 2010

BETTY MILAN


REVISTA VEJA
Betty Milan

Atos perversos

"Entre os tantos abusos dos adultos, estão os que eles
praticam com as palavras, maldizendo a sexualidade - e, 
mais que isso, emporcalhando-a. Uma só frase e o
outro poderá ficar marcado para sempre"

Quem faz um consultório sentimental, como o meu em VEJA.com, confronta-se repetidamente com a irresponsabilidade de adultos em relação ao corpo da criança. Toda delicadeza é pouca, e qualquer aproximação que não seja dessexualizada é abusiva. Manipular o pênis do menino ou tocar, com segundas intenções, o sexo da menina são atos que podem dar origem a uma fantasia contrária ao desenvolvimento normal, ora precipitando na infância um comportamento sexual próprio do adulto, ora comprometendo a sexualidade do sujeito para o resto da vida, tornando-a inclusive impossível.
Sandra Speidel/Getty Images

Não é preciso tocar para abusar da criança. Um olhar voyeurista é suficiente para induzir ao exibicionismo na infância ou depois. A exibição do sexo pelo adulto basta para induzir ao voyeurismo, o que não significa que a nudez deva ser proibida. Uma coisa é o exibicionismo e outra é a nudez.
Entre os tantos abusos dos adultos, estão os que eles praticam com as palavras, maldizendo a sexualidade - e, mais que isso, emporcalhando-a. Uma só frase e o outro poderá ficar marcado para sempre. Em geral, os atos perversos permanecem impunes. Quem tiver uma suspeita fundada e ficar em silêncio deve ser responsabilizado por deixar o adulto infrator livre para exercer a sua violência contra a criança e o jovem. Denunciar o comportamento perverso é a forma de impedir que ele se reproduza.
Foi o que fez Kathryn Harrison no romance O Beijo, publicado originalmente nos Estados Unidos e traduzido no Brasil. Kathryn narra com detalhes como o pai, um pastor, a seduziu, alegando que obedecia à vontade de Deus. Ela foi cúmplice dele durante quatro anos, mas teve a coragem de revelar a verdade e mostrou, assim, os efeitos nefastos do incesto. Com isso, emergiu como escritora. Converteu um trauma num trunfo, protegendo possíveis vítimas.
Decerto, escreveu para superar o desespero. Mas o livro fez dela uma cidadã exemplar e um modelo a ser seguido. Porque soube dizer não ao pai usurpador. Aquele que desprezou a lei ao transformar o prazer na única lei do seu desejo.

PAINEL DA FOLHA


Caixa lacrada

RENATA LO PRETE 
FOLHA DE SÃO PAULO - 13/03/10


O governo se move para impedir a reabertura de arquivos da CPI dos Correios relativos aos fundos de pensão Petros, Previ e Funcef. O objeto do desejo da oposição são os sigilos das corretoras que compraram para o trio, a partir de 2004, cerca de R$ 25 milhões em títulos FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) da Bancoop, cooperativa dos bancários suspeita de desviar recursos para campanhas do PT.
Para que os arquivos sejam reabertos, é necessária a autorização do presidente do Congresso, José Sarney (PMDB-AP). No ano passado, parlamentares tucanos tentaram, sem sucesso, conseguir informações sobre o Petros na CPI que investigou a Petrobras.

Simples assim. O bom humor de José Serra numa inauguração em Piracicaba causou tanta espécie que o tucano achou por bem se explicar: "De fato não sou sisudo", disse aos repórteres. "Há algumas coisas que me irritam e outras que me deixam feliz".

Ninhos. A campanha presidencial de Serra deverá ter um escritório político em Brasília e um administrativo em São Paulo. Este último seria dividido com a campanha de Geraldo Alckmin ao governo e ficaria sob chefia de José Henrique Reis Lobo, presidente do PSDB paulistano.
Tabuleiro. Em jantar anteontem, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), prometeu apoio à candidatura de Jackson Lago ao governo do Maranhão, numa tentativa de tirar parte do PDT do barco de Dilma. Lago enfrentará Roseana Sarney (PMDB).

Para ela. Em homenagem à pré-candidata do PT, que estará presente, o Jockey Club de São Paulo promove hoje, durante as comemorações de seus 135 anos, o "páreo especial ministra Dilma Rousseff".

Biscoito. Tão logo a CUT ameaçou bombardear seu governo interino, Wilson Lima (PR) enviou à Câmara Legislativa do Distrito Federal um projeto que concede reajuste de 10% no salário dos professores da rede pública.

Carona. Paralelamente, Joaquim Roriz (PSC) procurou o PR de Lima e ofereceu a vaga de vice em sua chapa ao governo do DF ao deputado federal Jofran Frejat.

A conferir. Lindberg Farias afirma ter 280 dos 400 votos dos delegados que definirão o candidato do PT ao Senado pelo Rio. Nas conta dos apoiadores de Benedita da Silva, o prefeito de Nova Iguaçu não tem nem a metade disso.

Desceu... Um repórter do jornal israelense "Haaretz" tirou Lula do sério em entrevista na terça. O jornalista indagou se, caso estivesse no poder entre 1938 e 1939, o presidente usaria com Hitler os "mesmos métodos" que usa com Mahmoud Ahmadinejad.

...quadrado. Lula respondeu que quem faz uma pergunta como essa "está tendo o mesmo comportamento radical que acha que o Irã tem".

Bandeira. Reivindicação dos auditores da Receita Federal desde 2007, a Lei Orgânica do Fisco (LOF) será tema de seminário no próximo dia 22 em São Paulo, organizado pelo Sindifisco Nacional. Os pré-candidatos à Presidência foram todos convidados. Até agora, apenas Ciro Gomes (PSB) confirmou presença.

De fora. A CUT não compareceu ontem ao evento em que centrais sindicais entregaram à Fiesp o pedido de abertura de negociação para reduzir a jornada de trabalho.

Gaveta. O Supremo arquivou cinco pedidos de intervenção no Pará, motivados por suspeita de não cumprimento de mandados de reintegração de posse na zona rural. O governo de Ana Júlia Carepa (PT) alega que, dos 171 mandados herdados da administração anterior, 101 já foram cumpridos. Em outros 40 casos, teriam sido encontrados indícios de fraudes na documentação das terras.

Na pressão. O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, tem manifestado preocupação especial com a votação do projeto de capitalização do pré-sal no Senado. Segundo ele, se o cronograma se arrastar demais, pode vir a comprometer o programa de investimentos da estatal.

Com SILVIO NAVARRO e LETÍCIA SANDER
Tiroteio 
"Para fugir da enrascada em que se meteu, o tesoureiro do PT quer jogar a culpa exatamente nas maiores vítimas dos desvios da Bancoop." 
Do deputado VANDERLEI MACRIS (PSDB-SP), sobre João Vaccari Neto, segundo quem houve "desequilíbrio financeiro" na Bancoop porque os "cooperados que tinham de pagar não quiseram". 

Contraponto
Consultoria eleitoral

Lula participou ontem em Curitiba de almoço bastante ecumênico, no qual teve a companhia, além dos ministros Dilma Rousseff e Paulo Bernardo, de três pré-candidatos ao governo do Paraná: Beto Richa (PSDB), Osmar Dias (PDT) e Orlando Pessutti (PMDB).
A conversa corria descontraída, a ponto de o presidente se animar a dar um conselho ao tucano:
-Ô, Beto, você podia resolver o problema do Serra...
-Como assim, presidente?- indagou o prefeito.
-O Serra precisa de um vice. Por que não você?
Todo sem jeito, Richa ainda tentou brincar:
-O senhor está querendo me tirar do páreo no Paraná...

FANTASMA

MÍRIAM LEITÃO


É bom lembrar
O GLOBO - 13/03/10

Não faz muito tempo e éramos nós, os brasileiros, que estávamos com a integridade física ameaçada por um regime ditatorial. Muitos dos que estão no governo não podem ter se esquecido de como era importante para quem sofria, e para seus familiares, saber que havia solidariedade internacional.

Saber que a verdade podia sair no “Le Monde” ou algum governante lembrar de nós.

Não faz muito tempo que aos brasileiros presos por motivos políticos havia apenas o recurso de medidas extremas, na falta do direito de defesa. Quem fez uma greve de fome, ou viveu a aflição de ter uma pessoa querida neste ato desesperado, deve se lembrar: o que os levava a isso era a impossibilidade de chamar a atenção para a sua situação por qualquer outro meio; a imprensa censurada, o 
Judiciário amordaçado, o Congresso ameaçado.

O gesto era um grito de urgência. Às vezes era pelo direito de sair do confinamento, ou uma forma de não enlouquecer.

Não faz muito tempo que o único canal que vinha em socorro dos dissidentes brasileiros era o externo.

Governos democráticos se pronunciavam, cobravam, incomodavam os ditadores brasileiros para o alívio de quem sabia que essa pressão faria, em algum momento, um efeito. Até Henry Kissinger, o secretário americano de Estado durante a Guerra do Vietnã, tão odiado pela esquerda, recebeu a carta de Zuzu Angel sobre o filho morto. As informações que saiam daqui, de forma clandestina, contrariavam a versão oficial e alimentavam ONGs que defendiam os encarcerados ou perseguidos, como a preciosa Anistia Internacional.

Hoje os dissidentes daquele tempo espalharam-se e divergem entre si em vários partidos, grupos políticos, correntes de pensamento.

Mas certamente todos se lembram de como foi importante haver uma janela para o mar, para olhar o mundo à espera de algum reforço. Foram muitos os governantes estrangeiros que perguntaram pelos nossos dissidentes, quiseram saber das torturas e desaparecidos, defenderam princípios democráticos, constrangendo os generais. Jimmy Carter, por exemplo. As notícias dessas pressões circulavam como uma válvula de escape, uma esperança.

Fico pensando no que cada um dos dissidentes brasileiros sentiria se um governante democrático viesse ao Brasil e nos comparasse a criminosos comuns e dissesse que estávamos sendo julgados pelas leis brasileiras. Diríamos: que leis, cara pálida? O AI-5? Tribunais militares? Lei de Segurança Nacional? Diríamos que existem leis ilegítimas, e as da ditadura eram assim.

Os que estão no governo não podem ter se esquecido.

Foi há pouco tempo.

Afinal, se toda lei de cada país tivesse que ser respeitada, então a lei nazista que mandava prender, confinar e matar judeus, teria que ter sido respeitada pelo mundo, com o argumento de ser um assunto interno alemão.

O apartheid foi lei na África do Sul. A segregação foi lei nos Estados Unidos. A escravidão foi lei no Brasil.

Em todos esses casos houve condenações internacionais valiosas, para se somar a quem internamente combatia os crimes.

Há leis em Cuba que ferem todos os princípios do Direito, e penas extravagantes para supostos crimes.

Lei que dá pena de prisão para quem tem a intenção de cometer crime, entendendo por crime o ato de criar um sindicato independente, como o que o presidente Lula fundou no ABC. A acusação que recaiu sobre Orlando Zapata Tamayo era de “desacato”, e ele estava preso por oito anos, quando morreu.

O ministro Celso Amorim tentou defender as declarações do presidente Lula, esbofeteando os fatos. “Quando tem que falar alguma coisa, você fala de outra forma, discretamente, não pela mídia.

Nós temos experiência de que essas condenações que são feitas habitualmente não têm efeito prático”, disse o ministro.

Aos fatos: primeiro, o presidente Lula usou a mídia, mas para culpar o morto, defender o regime e pedir respeito às leis cubanas. Segundo, nossa experiência nos diz, sim, que as condenações feitas à ditadura militar brasileira tiveram o efeito prático de se somar às forças internas. Foram parte da vitória.

Até o general João Figueiredo fez melhor que isso.

Nos seus discursos — e dos do seu chanceler, Ramiro Guerreiro — nas visitas a outros regimes militares aparecia sempre a defesa da abertura política, e um aviso aos governantes, com alguma variante da frase: “ventos de mudança sopram sobre a região.” A ministra Dilma Rousseff, eternamente grata ao presidente Lula, por bons motivos, deve ter feito algum esforço para apagar registros da memória antes de dizer o que disse: “Acho que são presos. Não são presos maus ou bons. São presos.” Quando ela esteve presa, certamente achava que havia presos “bons” e não se sentia uma criminosa comum.

A candidata, ao ser perguntada sobre o assunto, disse que compartilha “integralmente” a posição do presidente Lula e explicou: “Não somos submissos e não estamos com o pires nas mãos pedindo US$ 14 bilhões de empréstimo ao FMI, mas estamos emprestando.” Diante da insistência dos jornalistas que queriam entender a relação de uma coisa e outra, ela continuou se distanciando da pergunta: “Não somos aqueles que vão invadir países. Sou completamente favorável ao que diz e faz o presidente Lula, que nos deu orgulho de ser brasileiros.

Nós não somos agressivos. O presidente Lula tem grande respeito por Cuba e é contra a segregação das pessoas.” Procurar nexo na declaração da ministra é esforço inútil. É desprovida de sequência lógica. Parece ter sido um ataque de nonsequitur serial

LYA LUFT


REVISTA VEJA
Lya Luft

Quando a natureza mata

"A natureza não mata apenas com enchentes, deslizamentos, 
terremotos e tsunamis. Mata também pelas mãos do homem, 
o que é bem mais preocupante"


Menina do interior, tive a natureza como presença enorme em torno da casa e por toda a pequena cidade: paisagem, abrigo, fascinação, surpresa, escola de permanência e também de transitoriedade. Mantive um laço estreito com esse universo, e quando posso durmo de janelas e cortinas abertas, para sentir a respiração do mundo. Porém, cedo também aprendi que a mãe natureza pode ser cruel. Granizo perfurando folhas e arrasando a horta, geada castigando flores, raios matando gente. De longe, ouvia falar em terremoto, quando o vasto mundo ainda era distante. Agora que o mundo ficou minúsculo, porque o Haiti arrasado, o Chile destruído e a Europa nevada estão ao alcance do meu dedo no computador ou no controle da televisão, a velha mãe se manifesta em estertores que podem ser apenas normais (o clima da Terra sempre mudou, às vezes radicalmente, antes de virmos povoar este planeta), mas também podem ser rosnados de protesto, "ei, o que estão fazendo comigo essas pequenas cracas que se instalaram sobre minha pele?".
Ilustração Atômica Studio
Mas a natureza não mata apenas com enchentes, deslizamentos, terremotos e tsunamis. Mata pela mão dos humanos, o que pode parecer um fato em escala menor, mas é bem mais preocupante. Homens, mulheres e meninos-bomba quase diariamente se explodem levando consigo dezenas de vidas inocentes: pais de família, mães ou crianças, mulheres fazendo a feira, jovens indo para a escola. Bandidos incendeiam um ônibus com passageiros dentro: dois morrem logo, outros vários curtem em hospitais o grave sofrimento dos queimados. Não tinham nada a ver com a bandidagem, estavam apenas indo para o trabalho, ou vindo dele. Assaltantes explodem bancos em cidades do interior antes tranquilas. Criminosos sequestram casais ou famílias inteiras e os submetem aos maiores vexames e terror. Como está virando costume, a gente agradece por escapar com vida.
Duas mães deixam num barraco imundo cinco crianças, algumas com menos de 6 anos. Sem comida, sem força, sem presença, sem a menor higiene. O policial que as encontra leva duas menorzinhas para casa, onde sua mulher lhes dá banho e comida. As crianças, de tão fracas, mal conseguem se alimentar. O homem chora: tem três filhos pequenos, e há algum tempo perdeu uma filhinha. A maldade humana agride até esse homem que com ela deve ter frequente contato.
A natureza, da qual fazemos parte, mata com muito mais crueldade através de nós do que através do clima ou de movimentos da terra, e de maneira bem mais assustadora: pois nós pensamos enquanto prejudicamos o nosso semelhante. Temos a intenção de atormentar, torturar, matar, mesmo que em vários casos seja uma consciência em delírio – estamos tão drogados que achamos graça de tudo. Mas somos responsáveis por nos termos drogado.
De modo que, como me dizia um amigo, o ser humano não tem jeito, não. Ou: esse é o nosso jeito, a nossa parte na natureza. De um lado, os cuidadores, que vão de pais e mães até médicos e enfermeiras; do outro lado, os destruidores, que são os bandidos, mas também (que tristeza) eventualmente pais e parentes. E contra eles, tanto ou mais do que contra a natureza não humana, somos impotentes. O que faz a criança diante do abandono materno? Em relação ao pai, tio ou irmão estuprador? O que fazem passageiros de um ônibus, pacíficos e cansados, diante do terror imposto por bandidos? Nada. Migalhas humanas soterradas por maldade e frieza, como num terremoto ou tsunami somos soterrados pela lama, pelos destroços, pelas águas.
Resta filosofar um pouco: de que vale a vida, quanto vale a minha, e como a usamos, se é que pensamos nisso? Pensar pode ser meio chato, e ainda por cima traz alguma inquietação. A natureza poderosa, encantadora e cruel também somos nós: que a gente não fique do lado dos animais assassinos, como a orca, que depois de matar três pessoas continua, como foi anunciado, "fazendo parte do time", no parque americano.
Antes de usar um adesivo "salve as baleias", eu quero um adesivo "salve as pessoas, que são parte da natureza".

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Bolsa tucana


O ESTADO DE SÃO PAULO - 13/03/10
Para quem acha que Serra está parado: Rita Passos, da Assistência Social, bateu martelo na ampliação de R$ 100 para R$ 200 do valor limite para se entrar na Renda Cidadã. 

O decreto, assinado na quarta pelo governador, aumenta a rede de beneficiários para 162 mil famílias - eram 137 mil em 2009. E a ajuda passa de 24 para 36 meses.

Buraco aberto 

Fechada desde 92, Serra Pelada vai reabrir. O Pará concedeu licença prévia à Companhia de Desenvolvimento Mineral - formada pela canadense Colossus Mineral Ince e a Cooperativa dos Garimpeiros de Serra Pelada.

Desta vez, porém, o governo faz exigências. Na lista de 24 condições, a CDM deve reflorestar áreas degradadas e controlar as condições de trabalho. O grupo terá de apresentar também, um Plano de Controle Ambiental.

Zé do B

A pedido de Lula, José Eduardo Cardozo desistiu de tentar a reeleição para a Câmara. Vai para a cúpula da campanha de Dilma.
Sergipe atômico 

Marcelo Déda visitou Angra dos Reis semana passada. Está empenhado em levar uma central nuclear para o seu Estado.

Saindo do forno

E vem aí a revista Charlô. 
O restauranteur decidiu colocar no papel o que tem na cabeça. Ou seria estômago?
Vim, vi e venci

Dorival Júnior e a comissão técnica do Santos tiveram programa extra nos ônibus que os levaram para os jogos. Assistiram aos filmes Invictus e Um Sonho Possível, ambos sobre superação no esporte.
Moda no museu

Diane von Furstenberg vai para o MuBE. Os trabalhos da ex-princesa e designer estarão em exposição fotográfica montada com apoio da Oi Futuro. 
Eles explicam

Caetano Veloso, José Miguel Wisnik e Paulo César de Souza estarão juntos, dia 30, no Sesc Pinheiros. Vão celebrar a edição das obras completas de Freud pela Companhia das Letras.
Aula de otimismo

Isso é que é acreditar no Brasil. Depois de ter feito um aporte de R$ 280 milhões na Kroton Educacional, o fundo Advent, comandado por Patrice Etlin, exerceu ontem seu direito de compra do Grupo Iuni.

É a maior transação educacional já feita no País.

Luz e água no fim do túnel

A Camargo Correia está vendo seu projeto bilionário de construir uma hidrelétrica e um sistema de transporte de água para o Oriente Médio andar. Para Fernando Botelho, que parte hoje para Tel-Aviv com a comitiva de Lula, "será experiência maior que Itaipu".

A equação depende de acerto entre Jordânia, Israel e Autoridade Palestina para montar uma binacional. 
"Assim, ela pode ser privada", diz Botelho.

Paintball

A Beauty Color foi condenada pela Justiça a pagar R$ 200 mil à L"Oréal. 

Foi acusada de plagiar o comercial de tintura da concorrente, estrelado por Charlize Theron. Na versão tupiniquim, reluz Ana Hickmann.

Crime COMPENSA?

Geisy Arruda é, ao mesmo tempo, a maior culpada (para 36%) e a maior beneficiária (para 85%) do episódio na Uniban, diz pesquisa do Ibope Inteligência. 

E 67% acham que a escola foi quem mais perdeu.
Medina das rodas

Nem bem chegou a São Paulo, a Fórmula Indy já dá os primeiros frutos. A Apex, agência de promoção do governo federal, vendeu ano passado - em estandes montados nas cidades onde a disputa se dá - nada menos que US$ 370 milhões em produtos brasileiros. 

Na FRente

Esta coluna voltou ao passado ao registrar encontro entre o presidente da Usiminas e o da CBF, ontem. O nome correto do presidente da Usiminas é Marco Antônio Castello Branco.

Charlene Chagas estreia a peça Tem Coelhada no Jantar. Hoje, no Teatro Plínio Marcos.

Ivo Patarra chegou lá. Depois de longas pesquisas, lança, na segunda, O Chefe. Trata-se de uma detalhada história da corrupção durante o governo Lula. No Bar Balcão.

A Daspu entrou para a OAB. É que Gabriela Leite, fundadora da grife, participa de debate com advogados paulistas. Dia 20, no Teatro Gazeta.

DORA KRAMER


Sob estreita vigilância
O ESTADO DE SÃO PAULO - 13/03/10

À medida que se aproxima o momento de a oposição formalizar sua candidatura à Presidência da República, o presidente Luiz Inácio da Silva aumenta os cuidados e os agrados com o PMDB.

Nem parece mais aquele que disse e repetiu que o vice na chapa presidencial à sua sucessão seria escolhido pela candidata mediante exame de uma lista tríplice de pretendentes.

Tem coberto o PMDB de atenções e não é coincidência que isso seja feito duas semanas antes do anúncio oficial da candidatura José Serra.

A aliança entre os dois partidos está firme e até a ala que apoia os tucanos reconhece a dificuldade de impedir que a parceria oficial seja aprovada na convenção de junho.

Mesmo estando tudo certo, o casamento marcado, convites em vias de distribuição, na quinta-feira o presidente Lula anunciou uma nova rotina com o partido. Vai se reunir semanalmente com a cúpula do PMDB.

O motivo alegado para essas reuniões é a necessidade de discutir as alianças regionais entre os dois. Na verdade, só há pendências em cinco Estados (Minas, Bahia, Ceará, Pará e Mato Grosso do Sul), sendo que em dois ? Bahia e Pará ? os candidatos pemedebistas aos governos não querem mais conversa com o PT.

Dos outros três, apenas Minas é considerado crucial. Mas dirigentes dos dois partidos dizem que a aliança não será abalada mesmo sem entendimento por lá.

Portanto, não há muito a ser discutido sobre o assunto em reuniões semanais com o presidente. O que Lula quer mesmo é manter o parceiro sob estreita vigilância a fim de impedir as investidas do adversário.

O PMDB, todos sabem, não é dos mais firmes adeptos da monogamia. Há focos oposicionistas aqui e ali ? o mais forte em São Paulo ? e o governo não vai se arriscar, deixando espaço aberto à disposição do PSDB. Ainda mais porque tucanos e a direção pemedebista já foram governo juntos e se dão bem.

Além da decisão de passar em revista o parceiro toda a semana, Lula fez agrados. Na mesma quinta-feita (anteontem) comunicou ao PMDB que pode continuar no controle dos seis ministérios que ocupa, mesmo com a saída dos ministros candidatos, em 2 de abril.

Dias antes o presidente já havia produzido música para ser tocada aos ouvidos do PMDB: o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, avisou que deixará o cargo para disputar uma vaga ao Senado por Goiás.

Meirelles é apontado como o predileto de Lula para ocupar a vaga de vice na chapa de Dilma, contrariando o PMDB, que já decidiu que o lugar é do presidente do partido, Michel Temer.

Ao anunciar disposição de concorrer ao Senado, o presidente do BC foi instrumento de uma nova reverência do Planalto com o PMDB.

Nesse caso, o partido prefere ver para crer. O fato de Meirelles se desincompatibilizar do posto no Banco Central dá a ele condição de disputar o Senado ou integrar a chapa como candidato a vice. Possibilidade, aliás, que o próprio tem considerado em conversas reservadas.

Hipótese que o PMDB hoje nem aceita cogitar. Meirelles seria o homem de Lula na vice e o PMDB não abre mão de ter um representante "de raiz" na divisão do poder de um governo que, se Dilma vencer, será um condomínio administrado pelos dois maiores partidos. E sem Lula para atrapalhar.

Pelo menos é isso que esperam PT e PMDB.
Torcida

Integrantes da direção nacional do PT com militância em São Paulo avaliam que o deputado Ciro Gomes está fazendo de tudo para não ser o candidato do partido ao governo de São Paulo: desqualifica moralmente a parceria com o PMDB, critica José Dirceu e faz reparos a Dilma Rousseff.
Time

Nessa toada, Aloizio Mercadante será o candidato ao governo e Marta Suplicy ao Senado.

Disputando a outra vaga de senador em aliança com o PT o cantor e apresentador Netinho, do PC do B.

Há quem veja uma eleição dura para Marta. Pela rejeição da classe média para cima e pela presumida aceitação do cantor na periferia.

São duas as vagas, mas a outra deve ficar para a aliança PSDB-PMDB-DEM.
Imagem

Em artigo publicado ontem no Estado, o escritor cubano Carlos Alberto Montaner reproduz definição sobre o presidente Lula que ouviu de um presidente latino-americano.

É a seguinte: "Esse homem é de uma penosa fragilidade intelectual. Continua sendo um sindicalista preso à superstição da luta de classes. Não entende nenhum assunto complexo, carece de capacidade de fixar atenção, tem lacunas culturais terríveis e por isso aceita a análise dos marxistas radicais que lhe explicam a realidade como um combate entre bons e maus."

Segundo Montaner, o comentário foi feito a propósito da perda de confiança internacional provocada pelo alinhamento brasileiro a governos autoritários.

RUTH DE AQUINO


REVISTA ÉPOCA
Por qué no te callas?
RUTH DE AQUINO
Revista Época
RUTH DE AQUINO
é diretora da sucursal de ÉPOCA no Rio de Janeiro
raquino@edglobo.com.br
O goleiro do flamengo senta a mão nas mulheres e o presidente da República pisa na bola como se fosse um homem comum. Cartão vermelho para os dois. Não foi uma boa semana para Bruno e Lula. Por que não se calaram o capitão do time mais popular do país e o presidente mais popular da história? Foi gafe de tagarelas sem noção? Ou pior... Foi convicção? A mão do goleiro é grande. A mão do poder costuma ser mais pesada.
“Qual de vocês nunca saiu na mão com a mulher? Não tem jeito: em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”, disse Bruno, ao defender desastradamente seu colega, o Imperador Adriano, acusado de agredir a noiva, Joana, na Favela da Chatuba. O capitão encarregado de fechar o gol do rubro-negro carioca acabou fechando o tempo na véspera do Dia Internacional da Mulher. O pior é que ele achava estar mandando bem ao se expressar contra a “hipocrisia”. Que mal faz um tapa ou outro, não é verdade?
Bruno se esqueceu da mulher, das filhas e até do organograma em seu próprio clube. O Flamengo é presidido por uma mulher, a ex-nadadora Patrícia Amorim. Ela condenou publicamente as palavras de Bruno e disse que conversaria pessoalmente com ele. Na segunda-feira, Dia Internacional da Mulher, foi um goleiro acabrunhado que surgiu na televisão: “Fui muito mal interpretado, talvez não tenha usado o termo certo na declaração. Peço desculpas a todos pelo que foi dito. Tenho filhas e as amo muito. Todas as mulheres merecem carinho”.
Lula também se esqueceu. Ele se esqueceu de seu passado como oposicionista de esquerda, preso político e líder sindical, ele se esqueceu de sua greve de fome, de companheiros torturados e mortos por divergirem de uma ditadura de direita, da luta pela liberdade. E deu uma declaração desastrosa para uma agência internacional de notícias, talvez a mais desastrosa de seus dois mandatos. Todos leram na semana passada, em português, espanhol, inglês, francês, alemão... Em chinês, não, provavelmente, pois a China, como Cuba, também é uma ditadura. Mas vale a pena ler de novo.
“A greve de fome”, disse Lula, “não pode ser utilizada como pretexto de direitos humanos para liberar as pessoas.” E acrescentou: “Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade”.
A incontinência verbal de Lula sobre Cuba correu mundo. 
Quem fará pressão para ele se retratar?
Ao comparar dissidentes a bandidos comuns, ao chamar greve de fome de “pretexto”, o presidente brasileiro revoltou ONGs internacionais de direitos humanos e desencadeou uma onda de críticas em jornais estrangeiros que sempre elogiaram sua conduta. Um deles foi o respeitado espanhol El País, que concedera a Lula o título de “homem do ano” de 2009. A incontinência verbal do presidente, em assunto tão delicado, não faz jus ao capital de simpatia que acumulou nos últimos anos como líder do Brasil e da América Latina.
Lula já tinha sido criticado na semana anterior por sua omissão diante da morte de Orlando Zapata numa prisão cubana após 85 dias sem comer. Poderia simplesmente ter deixado o assunto morrer. Poderia ter colocado sua primeira declaração infeliz na conta da cortesia com os anfitriões Castro. Mas resolveu provocar e tagarelar, certo de que poderia tudo, até mesmo pisar na memória. Sua candidata, Dilma Rousseff, que hoje também prefere esquecer seu passado em vez de se orgulhar dele, disse: “Vocês não vão me tirar aqui uma crítica ao presidente Lula. Nem que a vaca tussa” .
A vaca pode tossir, pode espirrar, mas Lula infelizmente jamais se retratará como fez o goleiro Bruno. O presidente voltou a criticar a imprensa, só que agora seu inimigo é mais amplo. É a imprensa mundial e livre, de democracias que estenderam a ele o tapete vermelho. Lula já renegara sua biografia ao dizer que o senador José Sarney, suspeito de diversos escândalos, “não poderia ser julgado como um homem comum”. Agora, confirmou sua vocação de metamorfose ambulante.
O goleiro flamenguista foi pressionado pela mulher, pelas filhas, pela presidente do clube. E pediu desculpas a todo o Brasil. Quem pressionará Lula?

ANCELMO GÓIS

Unidos pelo Rio


O GLOBO - 13/03/10
Amanhã, no Flamengo x Vasco, os dois times entrarão juntos no gramado do Maracanã com a seguinte faixa: “Contra a covardia, em defesa do Rio.” É protesto contra a decisão da Câmara de rever a distribuição dos royalties do petróleo.
A Minicâmara

Para o cientista político Jairo Nicolau, do Iuperj, a votação dos royalties do petróleo dividiu a Câmara como poucas vezes se viu: praticamente, todos os estados contra Rio e Espírito Santo: — Este não deveria ser tema da Câmara (Casa de representação popular), mas só do Senado (Casa dos estados), pois afeta o equilíbrio federativo. Mas nosso Senado virou uma Minicâmara.
Acabou em samba...

Mas, no Rio, até esta polêmica dos royalties acaba em samba.

O bloco Vem Cá Me Dá, da Barra, já bola o enredo de 2011: “Se o gaúcho (Ibsen Pinheiro) quer levar óleo do carioca, Vem Cá Me Dá cuscuz da baiana.”
Grande empresa

A CBF, antes da Copa da África do Sul, vai anunciar mais dois patrocinadores da seleção.

Hoje são nove, e mais de US$ 100 milhões por ano.
Brasil otimista

Deu ontem no site da revista britânica “The Economist” (economist.

com). Pesquisa sobre o nível de empregos neste primeiro semestre de 2010, feita pela empresa Manpower, pôs o Brasil na liderança dos otimistas.

Entre 27 países onde as empresas mais esperam contratar até junho, o Brasil ficou em 1º, seguido por Índia e Cingapura.
A volta de Márcio

O ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, mesmo sem ser um especialista em legislação eleitoral, vai comandar a área jurídica da campanha de Dilma.

Os dois são amigos de longa data.
OS ARCOS DA LAPA passam por minuciosa vistoria determinada pelo Iphan antes da obra de restauração. Repare na foto. Os técnicos retiram amostras do reboco, que serão analisadas em laboratório.

O monumento, com fendas e rachaduras, também é submetido a um estudo estrutural. É que sobre os trilhos passa o bondinho de Santa Teresa, e há trânsito pesado de carros e ônibus em volta. A ideia é fazer uma grande intervenção, e não só uma maquiagem, para garantir sua integridade. Que bom
Os homens de Lula

O ministro Cezar Peluso, que toma posse em abril na presidência do STF, é o primeiro indicado por Lula que chega ao comando do mais importante tribunal do país.

Como a presidência obedece a ordem de chegada, nos próximos 11 anos... todos os que a assumirem serão ministros indicados por Lula.
Mas...

A favor de Lula, e dos indicados pelo governo atual, todos, de um modo geral, agem com independência, sem partidarismo.
Lá é um perigo

A turma da banda Franz Ferdinand, que chega ao Brasil semana que vem, mal pode esperar por aterrissar aqui.

É que, ontem, em Buenos Aires, o pessoal almoçava quando um gatuno passou e... ops, cadê?...

levou o laptop do empresário do grupo, Cerne Canning.

Deve ser terrível... você sabe.
ZONA FRANCA

Segunda, o diplomata Sérgio Vieira de Mello, morto em Bagdá, será homenageado pela secretária Cláudia Costin com exposição de fotos no colégio que leva seu nome, no Leblon.

Fábio Sombra lança hoje, às 16h, no Museu da República, “Treze casos de viola e violeiros”, da Escrita Fina Edições.

Anamaria Reis participa de coletiva organizada por João Goldberg, quarta, na Galeria Ana Maria Niemeyer.

Terça, Marcos Vilaça, presidente da ABL, faz debates sobre direito autoral e novas tecnologias.

Jaqueline Vojta abre exposição hoje no Largo das Artes.

Mariana Baltar lança CD com show, terça, 16, no Teatro Rival.

Botou pra quebrar

O economista Reinaldo Gonçalves, para quem Lula foi pior na economia do que outros 21 presidentes da história republicana, era, até 2005, filiado ao PT.

O professor da UFRJ lançou, em 2001, o livro “A herança e a ruptura” (Editora Garamond), em que propunha a saída do Brasil do Mercosul e um imposto de 20% sobre riquezas.
Jesus no buraco

A prefeitura do Rio terá de indenizar em R$ 8 mil, por danos morais e estéticos, Felipe Teixeira de Jesus, que caiu e machucou a perna num bueiro com tampa quebrada.

A decisão é do desembargador Francisco de Assis Pessanha, da 6 aCâmara Cível do Tribunal de Justiça.
Democracia

A Mangueira vai adotar, para o carnaval de 2011, o modelo da Beija-Flor, que, em vez de um carnavalesco, tem uma comissão de carnaval.
A ‘barnaboa’

Renata Santos, a rainha de bateria toda boa da Mangueira que foi capa da “Playboy” de fevereiro, não é mais barnabé da Assembleia Legislativa do Rio.

Ontem, pediu exoneração.

Diz que, se não for possível devolver os salários recebidos desde setembro de 2009, doará quantia igual a uma instituição de caridade.
É que...

A bonitona, como saiu aqui, não comparecia ao trabalho.

Mas isto é um detalhe.

O CASAL FALCÃO e Isabeli Fontana, a bela modelo, curte a noite paulista, em clima de paixão, na boate Lions Nightclube

GIL, COISA nossa, posa com a filha Isabella, que mora em Nova York, e a mulher, Flora, nos bastidores de seu show lá
PONTO FINAL

Alô, Cabral!

Por falar em Iuperj, o Rio sempre foi um centro de excelência no país — inclusive, em ciência política e sociologia.

O Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro não pode fechar.

MERVAL PEREIRA


Mudança descabida
O GLOBO - 13/03/10

Se o presidente Lula não vetar a nova regra para a distribuição dos royalties do petróleo, ou se a base parlamentar do governo derrubar o veto presidencial com o mesmo ímpeto com que aprovou a mudança das normas, estará criada uma situação política de tensão entre o governo e um de seus mais importantes apoiadores, o governador do Rio, Sérgio Cabral.

Além do mais, estará instalada a divisão interna dentro do PMDB, pois os dois estados mais afetados, Rio e Espírito Santo, são governados pelo partido, e o autor da mudança, Ibsen Pinheiro, é do PMDB do Rio Grande do Sul.

Por uma dessas trapaças da política, também o ex-governador Garotinho, provável adversário de Cabral na corrida ao governo do estado, estará solidário no repúdio à nova lei, que levará seu município, Campos, a um prejuízo tão grande ou maior do que o que afetará o estado do Rio como um todo.

Os dois políticos fluminenses estarão impedidos de apoiar a candidatura oficial de Dilma Rousseff à Presidência da República. Foi o Gabinete Civil que não teve força suficiente, ou não quis se indispor com a maioria parlamentar, para barrar essa iniciativa, que reflete apenas uma ganância desmedida dos demais estados da federação sobre uma riqueza futura do país.

Mauro Osório, especialista em planejamento urbano e professor da UFRJ, diz que as novas regras “literalmente quebram diversos municípios fluminenses e trazem graves problemas para o governo do estado, pois, além de não vermos, basicamente, cor do dinheiro no présal, perderemos a quase totalidade dos royalties que já vêm sendo recebidos”.

O Rio de Janeiro, que produz 85% do petróleo brasileiro, fica com 45% do total das participações governamentais, que envolvem os royalties e as participações especiais.

O governo do estado do Rio de Janeiro deixaria de receber em torno de R$ 4,9 bilhões e receberia apenas R$ 100 milhões, ou seja, em torno de 2% do que recebemos atualmente.

A queda de receita do estado seria em torno de 13%, e os municípios teriam perda de receita dos royalties superior em até 99%. Municípios como São João da Barra e Campos têm mais de 70% de sua receita vinculada a royalties.

Para o professor da UFRJ, os pressupostos do debate dos defensores da emenda Ibsen são equivocados. Um primeiro ponto colocado é que o estado do Rio de Janeiro estaria sendo privilegiado.

Segundo Mauro Osório, “se efetivamente olharmos a relação receita pública/PIB nas unidades federativas, veremos que o Rio não está acima da média. Se perdermos os royalties, ficaremos em torno de 13% abaixo da média. Ou seja, não somos privilegiados atualmente e passaríamos a ser prejudicados”.

O segundo argumento apresentado também é absolutamente equivocado, segundo o especialista.

“Dizer que, como o petróleo é explorado em alto-mar, a compensação não seria devida, diferentemente no caso de hidrelétricas instaladas em algum território ou da mineração em Minas, por exemplo, não é correto”.

O pagamento de royalties foi incluído na Constituição de 1988 como maneira de compensar estados e municípios impactados pela produção de petróleo, para que esse dinheiro possa ajudá-los a prepararem seu futuro, quando o petróleo acabar.

Um estudo do secretário do governo do Rio Julio Bueno demonstra que o estado perde anualmente R$ 8,6 bilhões, porque o Imposto de Circulação de Mercadorias (ICMS) é cobrado no local de consumo, prejudicando os estados produtores de petróleo.

Mauro Osório lembra que a base de operação de exploração do petróleo em altomar está em terra, gerando diversos problemas e necessidades de recursos, como é o caso de Macaé, ou vazamentos de petroleiros, como ocorreu recentemente na Baía de Guanabara.

Os casos apontados pelos deputados defensores do novo projeto, no dia da votação, para demonstrar uma suposta injustiça na distribuição atual dos royalties, são na verdade exceções dentro dos 92 municípios fluminenses, analisa Osório.

Como Quissamã ter tido receita corrente líquida por habitante, no ano de 2008, de R$ 11.773,20, como se esse fato isolado significasse privilégios em todo o estado.

“Se por um lado temos Quissamã, no Norte Fluminense, com o valor citado, temos nas duas macrorregiões mais beneficiadas — Norte Fluminense e Baixadas Litorâneas —, municípios como Maricá que tem uma receita corrente líquida per capita de apenas R$ 962,90. Ou São Gonçalo com uma receita per capita de R$ 455, em 2008, inferior à existente na grande maioria dos municípios das regiões metropolitanas de São Paulo e Belo Horizonte”, lembra Osório.

A centralização da operação do pré-sal e de seus dividendos nas mãos do governo federal, com a mudança do sistema de concessão para o de partilha, já havia feito com que os estados produtores perdessem arrecadação com o fim das participações especiais e a redução dos royalties, concentrando os lucros da exploração do petróleo do pré-sal no governo federal, que reterá 80%.

Essa agora parece ser a melhor opção, o que pode significar que o próprio governo estaria interessado na aprovação de uma medida radical para conseguir aprovar o que era seu projeto original, que também prejudica os estados produtores, mas a esta altura parece um paliativo.

Mudar a regra do jogo com ele em andamento, redistribuindo todos os royalties, inclusive aqueles provenientes dos campos que já foram licitados pelo sistema anterior de concessão, cria, além de uma insegurança jurídica, um problema concreto para os estados produtores, que já incluíram em seus orçamentos a previsão de gastos dessa arrecadação.

Tudo indica que essa mudança não tem respaldo na Constituição, mas a briga jurídica que gerará pode retardar decisões administrativas e financeiras importantes em época de preparação para a Copa do Mundo e Olimpíadas.