quinta-feira, abril 09, 2009

MÍRIAM LEITÃO

O homem spread


O GLOBO - 09/04/09


Os juros bancários no Brasil são indefensáveis e incompreensíveis. Mesmo assim, a intervenção do presidente da República no Banco do Brasil não é a melhor solução. O banco tem capital aberto e acionistas privados; o controlador pode, mas não deve, demitir o principal executivo do banco e mandar o substituto reduzir juros. Isso só explicita o problema de governança da instituição.

Essa gestão não era brilhante e, como todas as estatais do governo Lula, foi subserviente às determinações políticas do Executivo. Em outra gestão, só para ficar no caso mais pitoresco, o banco foi usado até para comprar ingressos em show musical para arrecadar dinheiro para o partido do atual governo. Mas a decisão de ontem, e a maneira como foi feita, deixou claro que o governo usa as estatais, mesmo as de economia mista, como se fossem um braço do Executivo, sem respeito aos minoritários e às regras de mercado.

No caso de ontem, foi como se só um homem estivesse impedindo a queda dos juros. Se quisesse usar um dos bancos públicos para liderar um processo de competição para redução do spread bancário, o mais aconselhável seria usar a Caixa Econômica, que é 100% estatal, mas com o cuidado de garantir a solidez financeira da instituição. Foi o que sugeriu ontem a Carta do Ibre, da Fundação Getúlio Vargas.

Os juros sempre foram altos no Brasil, os spreads bancários, altíssimos. Em parte porque o Brasil vem se curando, aos poucos, de longas e variadas enfermidades econômicas. Nos últimos dez anos, os juros da Selic ficaram, em termos reais, entre 9% e 13%, calcula o Ibre. Mais recentemente, caíram para níveis inéditos, mas os juros bancários não acompanharam a mesma queda.

O altíssimo custo do dinheiro no Brasil é uma das travas da economia brasileira, mas a solução é mais complexa. Os bancos públicos já custaram muito ao contribuinte. Tanto Banco do Brasil quanto Caixa receberam, em anos recentes, capitalizações altíssimas do Tesouro com o dinheiro de todos nós. Depois disso, o sistema foi saneado e passou a adotar critérios mais transparentes de concessão de crédito, com a troca do critério político pelo técnico e pela criação de comitês de crédito.

O analista Luís Miguel Santacreu lembra que o banco vinha sendo blindado nos últimos anos e que a decisão de ontem reverte esse processo. Ele argumenta também que, nos últimos anos, o governo poderia ter trabalhado para a redução do spread com medidas como a reforma tributária.

A decisão de reduzir o spread na lei ou na marra cria vários dilemas. A rentabilidade do banco pode cair e, neste caso, todos os acionistas receberão menos dividendos, entre eles o governo e a Previ, fundo de pensão dos funcionários. Se reduzir os juros muito abaixo dos de mercado, o BB vai atrair as empresas melhores. Neste caso, mesmo que tenha um número bonito de redução do spread, estará concedendo crédito a quem já tem oferta no mercado. Os dados estarão mascarando a realidade. Se houver uma concessão de crédito dirigido a empresas que em outros bancos pagam taxas de risco muito altas, o BB estará assumindo um risco que acabará estourando na conta do acionista.

Passou o melhor momento para levar os bancos públicos a liderarem um processo de redução do spread através do acirramento da competição. Isso é mais fácil fazer no ciclo de alta. Agora, quando aumenta a percepção de risco do mercado e há uma escassez de crédito, mesmo que os bancos públicos reduzam as taxas, podem não ser acompanhados pelos bancos privados, que vão competir apenas pelos clientes grandes e de baixo risco. Haverá uma super oferta de crédito para quem já tem crédito; e os que hoje têm dificuldade podem continuar enfrentando a mesma escassez.

Há divergência entre os bancos e o BC quando se faz a decomposição do spread no Brasil. No Banco Central, diz a Carta do Ibre, o spread é dividido assim: 37,4% seriam devidos à inadimplência, 13,5% ao custo administrativo, 3,6% ao compulsório, 8,1% aos tributos e taxas, 10% aos impostos diretos e 27% de resíduo não explicado — que seriam o lucro do banco e os subsídios implícitos no crédito direcionado.

Numa entrevista que fiz recentemente com o presidente da Febraban, Fábio Barbosa, não encontrei resposta satisfatória para o fato de eles arbitrarem uma taxa de risco tão alta se a taxa de inadimplência ainda é baixa no Brasil. Um dos argumentos dele é que o crédito direcionado para os setores rural e habitacional tem uma taxa de juros muito baixa, em alguns casos negativa, e que esse custo é repassado aos outros tomadores. De fato há taxas subsidiadas, como a do setor rural, e como não existe almoço grátis, a sociedade como um todo paga a conta. Mas isso não explica tão altas taxas.

Entre as várias distorções do mercado brasileiro está a concentração bancária. Hoje, cinco bancos têm 80% dos depósitos. Enfim, esse assunto é complexo, e as soluções simples têm grande chance de estarem erradas e o risco de criarem mais desajustes adiante. A economia brasileira precisa ter spreads bancários parecidos com os do resto do mundo, mas o tema deveria ser tratado com menos emoção, e mais conhecimento técnico.

LUIS FERNANDO VERÍSSIMO

Eu, repórter


O GLOBO - 09/04/09


Reminiscências, reminiscências... Trabalho em jornal há mais de 40 anos mas uma única vez saí da redação para fazer uma reportagem. Dizem que só o repórter é jornalista mesmo, no sentido em que só quem está na linha de frente é soldado mesmo – o resto é burocracia fardada. Pois fui repórter por um dia, em 1968. O sul-africano Christian Barnard, que meses antes fizera o primeiro transplante de coração da História, viria participar de um congresso em Buenos Aires. Eu fazia de tudo na redação do jornal Zero Hora, de Porto Alegre. Até, como já contei mais de uma vez, o Horóscopo. Quando faltavam artigos para a página de opinião eu fazia, usando pseudônimos. Certa vez dois dos meus pseudônimos polemizaram violentamente, pois tinham opiniões radicalmente opostas sobre determinado assunto. Eu também fazia um guia de bares e restaurantes da cidade e vez que outra inventava personalidades que os frequentavam (o conde italiano Ettore Fanfani, o empresário e bom vivant Aldo Gabarito) e davam seus palpites. Quer dizer, nada menos sério e mais longe da reportagem do que minha enclausurada atividade jornalística na época. Mas eu falava inglês, e fui o escolhido para entrevistar o Barnard. Me botaram num avião para Buenos Aires. Junto com um cinegrafista, o Leca, porque a matéria que eu conseguisse também seria para a TV.

O dr. Barnard se tornara uma celebridade mundial com seu feito. Havia uma multidão querendo entrevistá-lo em Buenos Aires. Ele atenderia a imprensa de uma vez só, numa coletiva, e depois responderia a perguntas individuais – mas só uma pergunta por repórter. Entrei na fila. O Leca ficaria perto do doutor e ligaria a câmera quando eu chegasse lá. Fiquei pensando no que perguntar ao Barnard. O argentino atrás de mim me cutucava com seu microfone à altura dos rins. Ouvi uma altercação vindo do começo da fila. Um repórter desobedecera ordens, tentara fazer uma segunda pergunta ao cirurgião e ouvia protestos dos colegas. Eu não conseguia pensar na pergunta que faria ao Barnard. Tinha que ser uma única pergunta. Uma pergunta definitiva.

– O que o senhor está achando de Buenos Aires?

Não! Algo mais científico. Como está passando o paciente que recebeu o coração transplantado? Não! O paciente poderia já ter morrido, a pergunta seria vista como provocação. Falar do apartheit na África do Sul? Não, nada a ver.

Perguntar o quê?

Eu chegava cada vez mais perto do começo da fila. O Leca me fazia sinal de positivo, estava a postos. A ansiedade do argentino atrás de mim aumentava e as cutucadas também. Perguntar o quê?

Finalmente cheguei na frente do dr. Barnard e...

Sabe que eu não me lembro o que perguntei? Tenho a vaga lembrança de alguma coisa como “O senhor espera operar num brasileiro, um dia?” mas prefiro estar enganado. Minha única vontade era estar de volta na redação do Zero Hora, inventando frases para o conde Fanfani ou o Aldo Gabarito, em vez de para mim.

Desde então, só aumentou a minha admiração por repórteres.

QUINTA NOS JORNAIS

Globo: Novo presidente do BB terá de baixar juros por contrato

 

Folha: Novo presidente do BB terá meta de redução de juros

 

Estadão: Governo troca presidente do BB para baixar juro e ação cai

 

JB: Consulta mobiliza Zona Sul

 

Correio: Bancos boicotam pacote da casa própria

 

Valor: Sob nova direção, BB passa ao controle de Mantega e PT

 

Gazeta Mercantil: Ex-diretor da Sadia nega culpa por perda cambial

 

Jornal do Commercio: Cai o presidente do Banco do Brasil

quarta-feira, abril 08, 2009

RECEITA PARA SEMANA SANTA

BACALHAU COM MEL

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BACALHAU COM MEL
Ingredientes
500 g lombo de bacalhau
200 g farinha de trigo
2 ovos
Água com gás
Mel à gosto
1 litro de azeite
1 galho de tomilho
Modo de preparo
Faça uma massa para envolver o bacalhau: farinha de trigo, ovos, água com gás aos poucos e mel.
A posta de bacalhau vai para dentro da vasilha com essa mistura.
Aqueça o azeite em fogo alto, coloque o tomilho e retire para não queimá-lo.
Frite o bacalhau, girando para cozinhar por igual.
Tire da panela quando estiver dourado.
Escorra e seque em um prato com papel toalha.
Para completar, decore com um fio de mel.

PARA...HIHIHI

Joãozinho punk

Em uma discussão na sala de aulas o professor pergunta para Joãozinho:

- Joãozinho qual vai ser sua profissão??

-Vou ser punk..

- E o que faz um punk??

- Bebe cerveja, anda de moto e come mulher..

- VÁ DIRETO PRA CASA!!!

Joãozinho chega e encontra sua mãe.

- Mãe já sei minha profissão… vou ser punk!!

- E o que faz um punk, meu filho?

- Bebe cerveja, anda de moto e come mulher!!

- VÁ DIRETO PRO QUARTO!!!

Joãozinho pensando em seu quarto voltou e falou para a mãe…

- Mãe já sei minha profissão, vou ser punk jr.

- E o que faz um punk jr.?

Toma guaraná, anda de bicicleta e bate punheta!!

BRASÍLIA - DF

Pressão total


Correio Braziliense - 08/04/2009
 

Setores da bancada governista e a oposição se preparam para surfar nas recentes denúncias envolvendo a refinaria de Abreu e Lima e o tripé Petrobras-municípios-Agência Nacional do Petróleo (ANP) no que diz respeito ao desvio de royalties. A oposição aposta na CPI da Petrobras, tomando por base as denúncias de desvio de royalties do petróleo que estão sob investigação na Polícia Federal. “Se a PF não concluiu, o papel da CPI será concluir”, diz o líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO). 


Enquanto isso, na Comissão de Minas e Energia da Câmara, presidida pelo PMDB aliado ao governo, foi criada uma subcomissão permanente para acompanhar com lupa as refinarias de Pernambuco e Maranhão e, ainda, o Polo Petroquímico do Rio. E todos acham que, quando o assunto é Petrobras e o setor elétrico, sempre será possível encontrar uma brecha para colocar o governo nas cordas. Para os senadores, uma CPI é vista como a chance de sair da crise administrativa que é, a cada dia, uma surpresa.


Termômetro socialista I

O PSB vai encomendar uma pesquisa sobre as chances eleitorais de Ciro Gomes (PSB-CE) à Presidência da República. Na consulta, vão incluir o nome da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do governador de São Paulo, José Serra, como o nome do PSDB. É que a turma de Ciro acha que os tucanos hoje estão apenas fazendo de conta que haverá uma prévia para valer entre Serra e o governador de Minas, Aécio Neves. 

Termômetro socialista II

Na mesma pesquisa, o PSB quer apresentar Dilma como a candidata de Lula para saber o grau de transferência de votos do presidente para a ministra, o que hoje é a maior incógnita para o governo e seus aliados. 

No palanque

O ex-governador Anthony Garotinho (PMDB) vai concorrer ao governo do Rio de Janeiro em 2010. Só falta o partido. Além do vistoso namoro com o PTB, ele flerta com o PRB e o PR, outros aliados do governo federal. A preferência pela ala governista tem um motivo: deixar Garotinho no palanque da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. “Eles militaram juntos no PDT”, lembra um aliado do carioca. 

Lá vem mais

Depois de apontar o rombo aberto pela crise no Fundo de Participação dos Municípios (FPM), a Confederação Nacional dos Municípios apresentará um estudo sobre o impacto da minguada arrecadação na execução dos programas sociais do governo federal. As prefeituras se queixam da falta de dinheiro para a merenda escolar e para manter em curso ações tocadas em parceria, como o Saúde da Família. 

No cafezinho

 
 

Olé/ Se os brasileiros viram o presidente Lula aparecer para lá de bem no recente encontro do G20, os argentinos guardaram uma impressão diferente da presidente Cristina Kirchner (foto). É sucesso por lá um vídeo no YouTube que mostra o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, caminhar na direção de Kirchner com a mão estendida. O cumprimento, porém, tinha como destino um outro chefe de Estado. Cristina, constrangida, ficou no ar. 

Assim, não!/ Os petistas não querem a verba indenizatória incluída no salário. É que, assim, terão que dar um percentual dessa bolada ao partido, que cobra dízimo de toda a bancada. É... 

De castigo/ A turma da CPI das Escutas Telefônicas ia passar horas a fio lendo documentos ontem. É o material que a PF coletou na casa do delegado Protógenes Queiroz, que depõe hoje sobre detalhes da Operação Satiagraha. Será tão espremido quanto foi ontem o delegado Renato Porciúncula. 

Vapt-vupt/ Nunca os congressistas agiram tão rápido. Criada na última segunda-feira, a comissão destinada a examinar a proposta de emenda constitucional (PEC) que cria a Polícia Portuária Federal foi instalada ontem com apenas dois deputados no plenário, Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) e Márcio França (PSB-SP), autor da proposta. Eles agiram como se a sessão estivesse cheia para que ficasse registrado em ata, enquanto seus assessores percorriam os corredores em busca de deputados para eleger o futuro presidente do colegiado. 

MÓNICA BÉRGAMO

FALA, MALUF!


Folha de S. Paulo - 08/04/2009
 

Paulo Maluf (PP-SP) está "prestes a explodir" por causa da decisão da prefeitura, comandada por Gilberto Kassab (DEM-SP), de pedir que recursos que seriam dele no exterior sejam repatriados. O ex-prefeito disse há alguns dias a pessoa de sua estrita confiança que poderá aderir à delação premiada, ajudando o Ministério Público de SP a desvendar esquemas que envolveriam "políticos jovens" com os quais já fez campanha na manipulação de recursos de forma, digamos, pouco transparente.

EU, NÃO
Maluf nega que tenha dinheiro no exterior.

MILHAGEM 
O governador José Serra (PSDB-SP) embarcou nesta semana para Basileia, na Suíça, para ver "de perto", segundo um assessor, o desenvolvimento do projeto que o escritório de arquitetura suíço Herzog & De Meuron está fazendo para o teatro de dança de São Paulo.

NO AR
O PT está finalizando o programa partidário que levará ao ar em maio. A ministra Dilma Rousseff é uma das estrelas do roteiro, que versará sobre "como o governo enfrenta a crise". Outros três ministros vão dar explicações, além de Lula.

FORA DO AR
Conta de um dirigente do PT: caso seja colocada hoje em votação, a proposta de retorno do ex-tesoureiro Delúbio Soares à legenda seria derrotada por mais de 2/3 dos votos.

 

Já há quem defenda que o presidente Lula faça um apelo pessoal para que Delúbio desista de se submeter ao escrutínio do partido.

CONVIDADOS ESPECIAIS
Fernando Henrique Cardoso e o ministro Joaquim Barbosa, do STF (Supremo Tribunal Federal), jantaram juntos em Washington anteontem.

 

Os dois eram convidados do embaixador Antonio Patriota, que recebeu também Arturo Valenzuela, virtual sucessor de Thomas Shannon, atual número 1 do Departamento de Estado para o Hemisfério Ocidental, na embaixada brasileira.

ARI CUNHA

Afinidade com muçulmanos


Correio Braziliense - 08/04/2009
 

Stanford — O presidente Barack Obama, dos EUA, falou no parlamento de Ancara e lembrou o que os muçulmanos fizeram nos Estados Unidos. Mantiveram tradições de origem e enriqueceram a vida americana. As famílias mantêm respeito a quem não é muçulmano e seguem à risca os preceitos que trouxeram do berço. Obama não falou para elogiar. Foi além. Agradeceu a contribuição vinda de longe. Essas palavras foram pronunciadas no parlamento turco, quando o presidente americano defendia a entrada da Turquia na União Europeia. Explicou a cordialidade que existe entre Washington e Ancara. O presidente americano deixou para falar por último, como sempre fazia no Senado em Washington. E suas palavras foram de estimulo à União Europeia. O parlamento turco exultou. Chegou-se a falar na adoção do Euro. A viagem do presidente norte-americano tem sido atração pelas palavras pronunciadas. Reage forte quando os assuntos ferem a coletividade de outros países e ameniza o coração com a fraternidade que deseja para todos. A peregrinação do presidente tem sido de valor extraordinário. Atenua e respeita a vida. Prega a amizade e o entendimento, como maneira fácil de os povos se entenderem. O que repudia é a hipocrisia. São palavras novas para a união das pessoas. Assegura que o importante é não mentir para agradar. O entendimento é a melhor maneira de manter a calma da vida.


A frase que não foi pronunciada

“Volta e recolhe ao vento as penas do travesseiro”
É como o filósofo de Mondubim ensina como é improvável se recuperar a reputação depois de uma injúria.


Interessante 
Quem acredita que vai receber de volta o objeto perdido em trens que passam pela Grand Central Station de Nova York está certo. Basta telefonar e dar as características do que foi perdido. A porcentagem de recuperação chega a 95%. Um ano depois, guarda-chuva, celular, óculos, casacos e outros pertences são doados a instituições de caridade e projetos sociais. Não precisa ir tão longe. O mesmo acontece nos achados e perdidos no Senado. A informação é de Gorette Brandão. 

Sem fim 
Até hoje ninguém conseguiu resolver o problema da Rodoviária de Brasília. É certo que o GDF conseguiu grande avanço com o comércio local. A incidência de pequenos furtos diminuiu. Menores ainda driblam os policiais, escudados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. O lixo, a sujeira e o ambiente sem conforto estão longe de uma solução. 

Arte 
Melhor seria se o Banco do Brasil e a Caixa valorizassem os artistas da cidade com um convite especial para exposições de arte, concertos musicais ou teatro. O certo é que a Caixa é mais aberta para as manifestações culturais. Exposições são para todos. Já o Banco do Brasil prefere as autoridades. 

Futuro 
Marshall Woodbridge, um respeitável senhor, ao ser questionado sobre sua opinião em torno de uma cápsula do tempo foi categórico. Não falou em tecnologia. Creio que o que será mais importante daqui a 50 anos será a cortesia, a humanização e a solidariedade, disse. 

Sisudos 
Filas, um enorme tempo para o atendimento e muita irritação. Esse é o ambiente do consulado português na cidade de Waterbury. O ápice do estresse foi quando um funcionário recusou o atestado de óbito materno de pretendente a dupla cidadania. O documento estava vencido. “Eu só aceito essa recusa com uma condição. Se você provar que minha mãe ressuscitou.” Depois da gargalhada, o cartório manteve a posição. Sem o documento renovado, nada feito. 

Sacudida 
Vem novidade por aí. A assinatura do presidente Lula regulamentando a lei das Zonas de Processamento de Exportação pode dar um novo impulso à economia. Há, por força da legislação, um Conselho formado pelos ministros do Desenvolvimento, Fazenda, Planejamento, Meio Ambiente, Desenvolvimento Regional e Casa Civil. Esse é o grupo formado com autonomia para aprovar novas ZPEs. 

Forte 
Ao contrário do asfalto apelidado de Alka Seltzer pelo senador Heráclito Fortes, numa pista de Stanford a camada chega a 12cm. Terra compactada sobre trama de ferro. Caminhões pesados passam e não fazem estragos. Nada de buracos. Uma vez feito, décadas à frente é que se farão reparos. Nota-se que o investimento é alto. Em compensação as estradas estão preparadas para o escoamento da produção.

História de Brasília

Vinte e uma dessas mansões foram vendidas em tempo recorde a parlamentares, sendo que houve alguns que adquiriram duas para a família. (Publicado em 27/1/1961)

ILIMAR FRANCO

A reposição

Panorama Político
O Globo - 08/04/2009
 
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, estudava ontem alternativas para repor cerca de R$1,4 bilhão das perdas dos municípios com a redução da receita do Fundo de Participação dos Municípios. Os relatos dramáticos dos governadores do Nordeste, onde a maioria dos municípios tem no FPM 90% ou mais da receita, foram fundamentais para que o governo resolvesse se mexer. O valor do socorro será fechado hoje com o presidente Lula. 

Uma história a bordo do Aerolula 

No retorno de Montes Claros, na segunda-feira, o presidente Lula fez questão de chamar dois aliados para a cabine do avião presidencial. "Jaques Wagner, vem para cá", convidou Lula, emendando em seguida: "Chama o Geddel também, para que eles fiquem sentados aqui do meu lado, um de frente para o outro". E assim foi feito. Os dois baianos conversaram a viagem inteira sobre política regional e a aliança para as eleições de 2010. Na chegada a Brasília, satisfeito com o resultado de sua iniciativa, o presidente despediu-se do governador e do ministro afirmando: "Tá vendo? Quando vocês conversam, fica uma beleza". Risos. 

Eu estou vivendo um momento em que eu não posso reclamar de nada, nem da crise" - Luiz Inácio Lula da Silva, presidente, falando com dois amigos 

O MURO DO CARA. Para evitar a abordagem de repórteres e o registro de imagens diárias, da chegada e da saída do presidente Lula a seu gabinete no CCBB, a Presidência da República improvisou um tapume com vasos de plantas. Funcionários disseram que a solução é temporária, pois será colocado um tapume de alumínio. Ontem, a imprensa registrou a chegada dos ministros na reunião da coordenação, mas não o presidente. 

Chororô 

O ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti era um dos prefeitos ontem em Brasília pedindo ajuda do governo federal para compensar a queda do FPM. Com a perda de R$420 mil por mês, disse que vai ter que demitir funcionários em João Alfredo (PE). 

O preferido 

O PSDB está fechado com o nome de Fernando Gabeira (PV) para o governo do Rio de Janeiro. "Gabeira facilita a unidade", diz o deputado Otávio Leite (PSDB-RJ). Por causa do tempo de TV, os tucanos querem na chapa o PPS e o DEM. 

O apreço ao desapreço 


O Sala de Comissões número 2, onde funcionam as CPIs do Senado, está para ser batizada de Sala Jefferson Péres. Trata-se de uma homenagem ao falecido senador amazonense que, em dezembro de 2004, declarou: "Vou deixar a política por desencanto e nojo. Vale a pena exercer a atividade parlamentar? É inútil, não sei o que fazemos aqui". A proposta é do senador João Pedro (PT-AM) e já foi aprovada na Comissão de Educação. 


O controle da Polícia Federal 


A Justiça quer mesmo invadir a competência do Ministério Público. Depois do presidente do STF, Gilmar Mendes, ontem o presidente do STJ, Cesar Asfor Rocha, criticou a "espetacularização" das operações da Polícia Federal. "Essas operações midiáticas expõem muito as pessoas sem que haja condenação", disse ele. O Conselho da Justiça Federal vai discutir a proposta de criação de uma vara para fazer acompanhamento externo da PF, hoje função do Ministério Público. 

TUDO ACERTADO. A próxima reunião do G-20 será em setembro, em Nova York, e vai se realizar colada com a Assembleia Geral da ONU. 

O TESOUREIRO do PT, Paulo Ferreira, será candidato a deputado federal em 2010. Os correligionários reclamam que sua campanha parece rolo compressor. 

DEPUTADOS federais aproveitam a insatisfação com a queda do FPM para pressionar o governo a liberar as emendas individuais ao Orçamento, argumentando que elas têm impacto direto nos municípios.

MERVAL PEREIRA

Marolinha fiscal


O Globo - 08/04/2009
 

O presidente Lula vai adaptando sua retórica sobre a crise econômica à medida que seus efeitos vão se fazendo sentir. Logo que eclodiu, mandou perguntar "ao Bush" que crise era essa, e garantiu que, se "cruzasse o Atlântico", ela seria uma simples "marolinha" no Brasil. Em janeiro, Lula criticou os prefeitos que haviam assumido com a decisão de cortar custos, e chegou a aconselhar que gastassem suas verbas em investimentos: "Podem cortar custeio, mas não investimentos", ensinou o presidente, enquanto descansava em Fernando de Noronha. Ontem, afinal, admitiu que todos precisarão "apertar o cinto". 

A diferença entre o que o presidente fala e sua prática, mais uma vez, fica evidente. O total investido pelos três níveis de governo no ano passado ficou em torno de R$67 bilhões. Mas apenas 21% foram executados pela União. O total de obras realizadas, e de equipamentos comprados pelos municípios, foi mais que o dobro do que o feito pelo governo federal. 

Dados oficiais mostram que os estados fazem o dever de casa, ao contrário da União. Como nunca antes na história, o superávit primário dos estados é igual ao da União, apesar de a receita deles ser mais de 60% inferior à federal. 

Desde que a Lei de Responsabilidade Fiscal foi editada, em 2000, nunca o governo federal teve um superávit primário no primeiro bimestre do ano igual ao dos estados, e nunca foi tão baixo. Ano passado era de 4,7% do PIB e este ano foi de 1,2%. 

Os estados e municípios tiveram uma deterioração de suas receitas, assim como o governo federal, mas mantiveram o equilíbrio das contas no primeiro bimestre do ano. E a tendência é que os estados façam um superávit maior do que o do governo federal no resto do ano. 

O resultado dos estados foi 1,21% do PIB, uma queda de 15% em relação ao ano anterior, e os municípios tiveram um déficit pequeno, de 0,02%. A queda dos resultados é compatível com a da arrecadação. 

Ao mesmo tempo, o governo federal teve uma queda brutal do superávit primário, de 74%, mas, ao contrário da oratória oficial, o que explica essa queda é muito mais o aumento de despesa do que a queda da receita. 

Como nunca antes na história pós-LRFs, os municípios estão sofrendo mais, ou na frente, porque dependem muito mais do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) do que os estados dependem do Fundo de Participação dos Estados (FPE), e os repasses desses fundos estão caindo mais que as demais receitas estaduais e federais. 

Além da contradição explícita, há o fato implícito de que, como ressalta José Roberto Afonso, especialista em contas públicas e um dos "pais" da Lei de Responsabilidade Fiscal, o único governo que está aumentando gastos, e o de pior qualidade para enfrentar a crise (custeio em vez de investimento), é o governo federal. 

O investimento explica apenas 1% da deterioração do resultado do governo federal. Na verdade, o resultado do governo piorou porque passou a gastar mais com gastos permanentes, como aumento dos salários de funcionalismo público, aposentadoria, Bolsa Família. 

Para José Roberto Afonso, no caso das prefeituras, a opção de permitir mais dívidas, que o governo está sinalizando como solução, não resolve o problema das cidades que dependem de Fundo de Participação dos Municípios, pois elas não têm capacidade de elaborar um projeto e sequer conseguem entrar na agência bancária. 

Salvo uma ou outra exceção, nenhum estado ou município consegue empréstimos, porque há uma restrição do Conselho Monetário Nacional que na prática fechou o acesso deles a esses recursos. 

Além do mais, estados e capitais têm que pagar a rolagem da dívida, que tem juros fixos na média superiores à caderneta de poupança. Por si só, isso garante o superávit primário. Hoje eles estão submetidos a um acordo de pagamento de suas dívidas que Afonso classifica de "draconiano", enquanto o governo federal pode escapar da Lei de Responsabilidade Fiscal, pois é o único nível de governo que não está submetido a ela. 

A rolagem da dívida, cujas regras os governadores estão querendo alterar, não tem nada a ver com responsabilidade fiscal. Os termos "draconianos" do pagamento não têm mais nada a ver com a situação econômica do país no momento, ressalta José Roberto Afonso, lembrando que os juros vão de 6% a 9%, mais a taxa do IGP, o que faz com que os estados paguem mais ao governo do que a caderneta de poupança. 

Na opinião de José Roberto Afonso, a solução para os pequenos municípios deveria ser uma transferência extraordinária e temporária do governo federal para o Fundo de Participação dos Municípios. 

E, para os estados e grandes capitais, transformar parte do pagamento das dívidas em reinvestimento do governo federal em obras locais. 

O que está por trás dessa disputa entre governo federal e estados e municípios é definir quem vai ficar com o espaço fiscal que surgirá pela redução do superávit primário, cuja meta, fica a cada dia mais claro, o governo federal não vai cumprir, embora não admita publicamente - e foi ele que se aproveitou da situação até agora. 

Se não mudar a rolagem da dívida dos estados, se não mudar o critério das transferências de impostos para estados e municípios, o governo federal vai ocupar todo esse espaço e ainda vai exigir mais sacrifício dos governadores e prefeitos, alerta o economista José Roberto Afonso. 

Não foi à toa, portanto, que ontem o plenário do Senado assistiu a uma série de discursos defendendo uma reforma do pacto federativo. 

Na coluna de ontem, por um lapso, coloquei o estado do Espírito Santo na Região Nordeste, quando na verdade queria dizer que ele estava incluído na região de abrangência da Sudene. 

Também deixei de escrever o nome do governador da Paraíba, José Maranhão, o que prejudicou o entendimento da frase em que o citava como de difícil aceitação pelos tucanos, por ter substituído Cássio Cunha Lima, cassado por abuso de poder econômico.

GOSTOSA


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ANCELMO GOIS

LULA DEMITIRÁ PRESIDENTE DO BB POR CAUSA DE JUROS ALTOS

TROCA NO BB

O Globo - 08/04/2009

Insatisfeito com a alta taxa de juros cobradas pelo Banco do Brasil, o presidente Lula decidiu trocar o presidente da instituição, informa Ancelmo Gois. Três nomes já foram examinados para substituir Antônio Francisco de Lima Neto no comando do banco. No dia 1º de fevereiro, Lula ordenou que a equipe econômica fizesse um estudo explicando o motivo de os spreads (diferença entre o que o banco paga ao captar dinheiro e o quanto ele cobra na hora de emprestar) estarem tão elevados no BB e na CEF. Segundo o último levantamento do Procon-SP, de março, o BB cobra até 4,6% ao mês no empréstimo pessoal e 7,9% no cheque especial

 

Lula decidiu tirar Antônio Francisco de Lima Neto da presidência do Banco do Brasil por causa dos juros altos cobrados pela instituição.

 Ai, meu dente

 A Presidência da República comprou um miniconsultório dentário móvel OdontoCase para instalar no AeroLula e atender a possíveis emergências de Lula e sua comitiva nas viagens.

 Lula é o cara

 Pesquisa da Fecomércio revela que Lula, Obama, Xuxa, Juliana Paes e Roberto Carlos são, nesta ordem, as personalidades às quais o carioca mais gostaria de dar um ovo nesta Páscoa. 

A FERIDA AMBIENTAL que aparece na imagem é consequência das obras do Gasduc III, o gasoduto da Petrobras que vai ligar o Terminal de Cabiúnas, em Macaé, à Refinaria Duque de Caxias (Reduc), na Baixada Fluminense. As obras atravessam duas fazendas, na região de Guapimirim, no pé da Serra de Teresópolis. Só numa delas, a Mata Atlântica, tão sofrida, coitadinha, será sangrada em 27 mil metros quadrados. A estatal se defende. Argumenta que a construção obedece à legislação, e tem todas as autorizações necessárias. Pode ser - mas o retrato lembra aquele do poema de Carlos Drummond de Andrade, que fica na parede: como dói...

 Quebra de sigilo

 O procurador Antônio Fernando de Souza pediu ao STF a quebra do sigilo bancário de sete contas para investigar suspeitas de que os deputados Homero Barbosa Neto e Hidekazu Takayama teriam cometido crimes como os de peculato e estelionato durante seu mandato na Assembleia do Paraná.

INFORME JB

São muitos Sarney para um Senado só

Leandro Mazzini

JORNAL DO BRASIL  - 08/04/09

Os senadores que aparecem desde segunda-feira no Congresso o fazem por mero discurso, literalmente. A pauta está trancada pelo Projeto de Lei de Conversão 2/09, proveniente da MP 449/08 – que altera a legislação tributária federal – cuja relatoria está com o nobre Francisco Dornelles (PP-RJ), em missão oficial em Paris. O que se viu ontem foram senadores perdidos com o tiroteio de bastidores entre dois grupos rivais: PT-PSDB versus PMDB-DEM. No meio disso, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), de mãos atadas depois da saída do escudeiro Agaciel Maia. Sarney estava irritado quando chegou, às 16h15. Antes dele, uma dupla dava as cartas nos corredores: Renan Calheiros (PMDB-AL) e Gim Argello (PTB-DF). O clima não anda bem, confidenciou um tucano.

100 de Tancredo Efeito da crise

Os primos Aécio Neves, Breno, Andréa e Lucília reúnem-se domingo, em São João del Rei (MG), para o tradicional almoço pascal da família e tratar das festividades em homenagem a Tancredo Neves, que faria 100 anos em março do ano que vem.

Os ministros do governo Lula passaram a pegar táxi em eventos fora de Brasília.

Vou de táxi

Semana passada, em São Paulo, depois de encontro com Dilma Rousseff, Marcio Fortes (Cidades) entrou num táxi e foi para o hotel. Pagou do próprio bolso. Fortes foi o precursor da ideia.

O ‘cara’

A Embratur não revela. Pesquisas internas indicam que o presidente Lula passou a ser tão aclamado no exterior quanto Pelé, quando se pergunta quem é o brasileiro mais conhecido.

Os caras

Paulo Coelho e jogadores de futebol completam a lista.

Educação em alta

O Instituto Brasileiro de Pesquisa Social avaliou oito áreas do prefeito do Rio, Eduardo Paes. A melhor avaliação foi em educação (5,3) e a pior em saúde (3,8).

Garoto Zona Norte

O curioso: em todas as áreas, as piores notas do prefeito do Rio foram obtidas na Zona Sul, e as melhores, na Zona Norte.

Pajelança

O deputado estadual do Rio Alessandro Molon (PT) visitou a senadora Marina Silva ontem no Congresso. Segundo Molon, foi "tratar de política".

Nova feira

A Feira da Torre, no Plano Piloto de Brasília, vai ganhar novo espaço atrás do monumento (foto). As obras começam em breve.

Alô, ministro!

Ontem foi o Dia do Jornalista. Parabéns à classe. Porque, se depender do Ministério do Trabalho, que todo dia manda um lembrete sobre datas comemorativos, a turma está no relento. Ontem, o ministério lembrou só o Dia do Médico Legista. Nenhum demérito aos doutores.

Desagravo

Aliás, maldade ou não, o número de registro da categoria dos jornalistas no MT é 171.

Bênção, padim

Eleito prefeito de Londrina, o deputado Barbosa Neto rondava a Câmara ontem atrás de Michel Temer para se despedir. Chegou a entrar na reunião de líderes.

Castigo

Em discurso na tribuna da Câmara, o deputado Dr. Ubiali (PSB-SP) defendeu o voto obrigatório para jovens porque, "na escola, o professor, quando quer agradar, faz piadinha de político".

Menino do Rio

Ex-presidente do Senado e longe dos holofotes, Garibaldi Alves (PMDB-RN) desembarca com a família hoje no Rio, para curtir o feriado.

Reprovado...

Por 12 votos a 1, a Câmara de Duque de Caxias (RJ) reprovou ontem as contas da gestão de 2007 do então prefeito Washington Reis (PMDB).

... mas empregado

Reis hoje é subsecretário de Obras do governo do Rio.