sexta-feira, janeiro 30, 2009

MERVAL PEREIRA

Mau sinal


O Globo - 30/01/2009
 

Depois de muitos anos sendo o "patinho feio" da economia mundial, a América Latina não é o problema e pode vir a ser parte da solução da crise internacional, pois é das poucas regiões do mundo que ainda mantém uma previsão de crescimento positivo nesses tempos tumultuados. A situação do Brasil, então, é um destaque dentro da região, mas as expectativas de orgulhosos membros do governo e empresários aqui presentes são um tanto exageradas. Se é verdade que o país está sendo considerado um dos poucos que têm se saindo relativamente bem nessa crise econômica internacional, é verdade também que as expectativas de crescimento do PIB brasileiro só fazem cair, à medida que a crise se mostra mais devastadora a cada dia que passa. 


Apesar do relativo otimismo em relação ao desempenho da região como um todo, e do Brasil em particular, há um temor de que a crise econômica severa reavive tendências populistas, para tentar evitar que seus efeitos afetem as políticas sociais que tiveram bons resultados nos últimos anos, tirando da extrema pobreza milhões de pessoas. 

A questão é que aumentar os gastos públicos para tentar estimular a economia ou aumentar a proteção aos mais necessitados, como está fazendo o Brasil neste momento ampliando o alcance do Bolsa Família, em vez de política anticíclica tradicional, pode se transformar em fator de desordem da economia e fonte de inflação a médio prazo. E assim vai destruindo os fundamentos que estão dando, neste momento, o suporte para enfrentar a crise com um mínimo de estrutura. E é o controle da inflação que permite avanços nos programas sociais. 

No Brasil, a recente medida de dificultar as importações, revogada pelo governo, é um exemplo do que não deve ser feito para proteger a economia. Sem citar a medida explicitamente, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que devemos evitar que, para enfrentar uma crise de origem externa, criemos problemas econômicos que podem vir a se tornar problemas internos mais adiante. 

Como aconteceu nos anos 1970 do século passado, quando, para enfrentar a crise do petróleo, o governo Geisel criou um programa de substituição de importações, e manteve investimentos que provocaram inflação e aumento da dívida externa, desaguando na crise dos anos 1980. 

Outro receio, e este afetando não apenas a America Latina, mas outras partes do mundo seria o ressurgimento de um espírito protecionista no comércio internacional. A cláusula que dá preferência à utilização de produtos americanos nas obras a serem financiadas pelo Plano de Recuperação Econômica que está sendo aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos, se confirmada na versão final, pode ser um sintoma de recrudescimento do protecionismo americano, que desmente a intenção de Barack Obama de fortalecer o comércio internacional através da retomada da rodada de Doha. 

Obama se disse disposto a retomar as negociações em telefonema ao presidente Lula, e o chanceler brasileiro Celso Amorim ficou bastante estimulado com essa promessa, que foi confirmada a ele pela secretária de Estado, Hillary Clinton. 

O novo negociador para comércio internacional americano, ex-prefeito de Dallas Ron Kirk, não tem experiência na área, mas apoiou politicamente o Nafta e a normalização de relações comerciais com a China. Apontado como defensor da liberalização, quando candidato ao Senado, em 2002, foi contra a concessão pelo Congresso do mandato para negociar ao presidente Bush (fast track), esperemos que mais por razões políticas do que por convicção contrária à necessidade de liberalização do comércio internacional. 

Por não ter sido ainda aprovado pelo Senado, o negociador americano não está participando dos encontros aqui em Davos, e por isso não serão dados passos concretos na direção de uma efetivação das negociações. 

O mais preocupante, porém, é que o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, Pascal Lamy, não recebeu ainda nenhuma indicação formal da nova administração americana de que está mesmo interessada em retomar as negociações. 

Com aprovação da cláusula conhecida como buy american no programa de recuperação econômica dos Estados Unidos, a União Européia já ameaça entrar com uma ação na OMC, o que inviabilizaria o ambiente para uma retomada das negociações. 

O chanceler Celso Amorim, que está aqui em Davos empenhado em reabrir o diálogo, já achava antes desse fato novo surgir que sairia de Davos apenas uma exortação pela retomada da Rodada de Doha, nada mais que isso, sem a presença do negociador americano. 

A postura da nova administração dos Estados Unidos em relação a Davos não tem sido das mais favoráveis. O presidente da Comissão Nacional de Economia, ex-secretário do Tesouro Larry Summers, cancelou sua presença aqui, e foi substituído por Valerie Jarrett, assessora especial de relações intergovernamentais e ligação com o público, que fez um pronunciamento banal. 

Em que pesem as declarações generalizadas, inclusive do ex-presidente dos EUA Bill Clinton, de que a crise só será resolvida em comum acordo de todos os países, não há ainda uma definição clara do novo governo americano sobre de que maneira se dará essa colaboração internacional. 

E a semente de protecionismo incluída no meio do pacote de mais de U$800 bilhões é um mau sinal que estão enviando ao mundo.

ARI CUNHA

Economia baixa


Correio Braziliense - 30/01/2009
 

Carlos Reis, presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, discorda da proposta apresentada pelo governo. O intento é trocar geladeiras velhas por novas. Seria gratificante para o proprietário. Desperdício de R$ 11 bilhões anuais é o custo no Brasil. O presidente do sindicato diz que com esse valor daria para construir usina como a de Santo Antônio. O programa do governo brasileiro para geladeiras se consistirá em dar bônus desconto para quem trocar o aparelho. Segundo o ministro Miguel Jorge, a energia economizada pela substituição será equivalente à produção de uma turbina de Itaipu. Os argumentos não mostram provas. Leitor do blog telefona para dizer que essa discussão leva a nada. E cita que se é para favorecer classes pobres, não precisaria gastar tanto. Suficiente mudar borrachas de muitas usadas, que consomem energia 24 horas diariamente. Mas a coisa não fica nisso. Os aparelhos coletivos de ar-condicionado ficam ligados à noite, para comodidade do pessoal da limpeza. Não é hora de favorecer a um em detrimento da maioria. A ideia é pequena para a grandeza do país. O Brasil precisa não de favores do governo, mas de planejamento que englobe ação em favor do povo, que paga impostos e juros alarmantes.


A frase que não foi pronunciada

“Nem a FGV consegue verificar o índice de confiança nos votos para a Presidência do Senado e da Câmara.”
Senador Tião Viana, pensando enquanto conversa com amigos.


Apoio 
Nada de palhaços e colombinas nas ruas. O prefeito de Itabira, João Izael Coelho, diz que a hora é de crise e a prefeitura acha que não é justo com os contribuintes bancar a tradicional folia de carnaval. A cidade tem outras prioridades. Izael teve 86,4% de aprovação quando era candidato.

Equipes 
Serviço eficiente. O exemplo do novo modelo de gestão da Previdência Social merece destaque. Há dois anos o ministro Berzoini recebia o troféu crueldade, quando colocou idosos na fila da Previdência. Hoje, o ministro José Pimentel resolveu o problema do atendimento com uma ferramenta simples: o telefone. Até junho, o ministro promete que o salário-maternidade e outras aposentadorias também serão atendidas sem filas. 

Estudos 
Alberto Fraga, secretário de Transportes, está empenhado na possibilidade de levar o metrô à UnB. Iniciados os estudos sobre a viabilidade do investimento, será analisada a possibilidade de o trilho ser subterrâneo ou de superfície. Os alunos da universidade vibram com a ideia. 

Novidades 
Vem novidade por aí, com a telefonia fixa como fruto de cláusulas em contratos da Anatel no ano passado: o fim da cobrança do Bina e outros ganhos para o consumidor. Ainda sobre a agência, a rádio pirataria aumenta, aproveitando o fato de a Anatel só funcionar em horário comercial. 

Estranho 
Na verdade, não é só a burocracia que incomoda muita gente. Empresas são obrigadas a pagar a Guia de Recolhimento da Contribuição Sindical Urbana (GRCSU). A entidade não tem vínculo com o pagante. Sempre a postos, a Caixa facilita a cobrança. Pior do que muitos tributos é pagar por um serviço, produto ou atendimento que nunca será utilizado pelo contribuinte. 

Baixaria 
Sobre nota da coluna quanto ao assunto, a Sky informa que é operadora de TV por assinatura. É responsável apenas pelo serviço de transmissão do sinal dos canais aos assinantes. Não tem ingerência sobre o conteúdo. Isso é responsabilidade de cada canal. Atendemos, visto ser útil aos leitores, a informação que nos foi transmitida. 

Bancos 
Situação econômica em crise. Atinge todos os países. No Brasil, só quem ganha dinheiro são os bancos. De repente, começam a se movimentar contra os possíveis calotes. Bem fazia Amador Aguiar. No Bradesco, só se falava em português. Ninguém fazia negócios em língua inglesa.

História de Brasília

Estão se assustando à toa, os funcionários do Executivo, em torno da “dobradinha”. O presidente já sabe que há muita injustiça, como a do contínuo que ganha 80 contos e a do médico que ganha 44 mil cruzeiros. Mas, saibam que ele não derrubará a “dobradinha”. Fará, isto sim, o médico chegar ao contínuo, e isso já terá sido uma boa medida. (Publicado em 21/2/1961)

MÍRIAM LEITÃO

Números contam

Panorama Econômico 
O Globo - 30/01/2009
 

O Brasil pode ter uma queda de 10% na produção industrial de dezembro. O número sai semana que vem. Uma queda deste tamanho só aconteceu em 1996. O PIB do último trimestre pode cair 1,9%, a pior queda trimestral desde 1991. A contração neste quarto trimestre foi maior aqui do que nos EUA. Esses números devem levar o Banco Central a rever a posição sugerida na ata divulgada ontem. 

As previsões acima de produção industrial e do PIB do último trimestre são do CSFB. O economista chefe do banco, Nilson Teixeira, disse que os dados têm surpreendido os mais pessimistas. 

- Esperávamos uma desaceleração da economia brasileira, mas a contração está sendo maior do que nós calculávamos. Está caindo tudo, emprego, salário, produção. Na nossa leitura, o desemprego está subindo mais rapidamente do que achávamos, a contração acontecendo mais rapidamente. As empresas estão sem visibilidade do que vai acontecer na economia. 

Na Tendências, o economista Gustavo Loyola, que foi presidente do Banco Central, prevê que daqui até a próxima reunião do Copom os dados de inflação que serão divulgados e os da economia podem surpreender. 

- Os dados de inflação serão bastante tranquilos e os dados do nível de atividade vão mostrar que a conjuntura se deteriorou mais do que o esperado. 

Um dado pode revelar a dimensão da queda brasileira. Nilson Teixeira acha que o PIB do quarto trimestre de 2008 vai mostrar que a economia brasileira contraiu mais do que a americana no último trimestre do ano passado. O número do PIB americano deve ter queda de 4,5%, na previsão do CSFB. Mas lá, eles apresentam os dados anualizados. 

- Isso equivale a uma queda de 1,1% na nossa forma de medir, trimestre contra trimestre. Já nós, vamos ter uma queda de 1,9%, quase 2% no último trimestre. 

O detalhe é que o dado do PIB brasileiro do quarto trimestre de 2008 vai sair perto da próxima reunião do Copom. É por isso que ele acha que o BC vai dar mais dois cortes de um ponto percentual nas próximas duas reuniões. 

- E se não for 1 ponto percentual, eu acho que é mais provável 1,5 do que 0,75 ponto percentual. Essa é a minha leitura. Há leituras diferentes no mercado, mas eu acho que o BC, na próxima reunião, estará diante de um ambiente econômico mais deteriorado do que está prevendo. Um corte mais forte ajudará a restabelecer a confiança e aumentar a oferta de crédito - diz Nilson. 

Esta é também a opinião de Gustavo Loyola. Ele acha que na próxima reunião o Banco Central deve reduzir de novo em um ponto percentual a taxa de juros, exatamente pela deterioração do nível de atividade. 

A dúvida sobre o próximo passo do BC vem de alguns fatos. Primeiro, três dos diretores achavam que a velocidade consistente de queda dos juros era um corte de 0,75 ponto percentual. Segundo, a ata do Copom repete a expressão usada na nota divulgada após a reunião, de que "parte substancial" do corte já foi feito. 

Gustavo acha que o BC repetiu essa expressão porque a intenção é a de fazer, no curto prazo, a maior parte do corte de juros, em vez de distribuir os cortes ao longo do tempo. 

Nilson Teixeira acha que os dados a serem divulgados de agora até a reunião do Copom mostrarão que a queda é brusca demais. 

- Nós estávamos crescendo a 7% na margem, vamos contrair 7% na margem. É como um carro que está acelerando e tem que dar marcha a ré - compara. 

O desemprego de janeiro pode chegar a 9% na visão do CSFB. Isso significa sair de dezembro com 6,8% e ir para 9%. A Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE sempre mostra alta do desemprego em janeiro, mas ele acha que, desta vez, o movimento será mais acentuado, porque os demitidos do fim do ano, que entraram na conta do Caged, devem entrar só agora na PME. 

O cenário internacional também está sendo revisto para pior, em todos os bancos e consultorias. 

- Cada vez que revisamos aqui o cenário internacional é para acentuar a queda. Em relação ao Brasil, a cada revisão o crescimento é menor. No fim do ano previmos 1,3% de crescimento e todos nos acharam pessimistas. Agora, outras previsões estão convergindo para este número e, se nós fôssemos rever, o número seria menor - diz Nilson Teixeira. 

A ata do Copom divulgada ontem não tem qualquer relação com a da última reunião. O que era suspeita de crise virou certeza, o que era temor de alta de inflação virou a convicção de que as pressões inflacionárias estão em queda. O cenário mudou completamente. A certa altura, a ata diz que "as tendências contracionistas prevalecem sobre as pressões inflacionárias"; em outro momento, registra que há "pressões baixistas sobre preços do atacado a despeito do ajuste cambial". 

Aquele quadro de excesso de demanda e risco inflacionário, que motivou o último aperto monetário, mudou radicalmente. Hoje, o risco é o inverso. E pelo que disseram os dois economistas que entrevistei: os dados a saírem nas próximas semanas vão mostrar que o quadro é ainda pior do que o descrito na ata do Copom. Isso levará, portanto, o Banco Central a fazer novos e fortes cortes nos juros no curto prazo.

ILIMAR FRANCO

Dilma na cabeça

Panorama Político 
O Globo - 30/01/2009
 

O presidente Lula está em lua-de-mel com Dilma Rousseff. Passou a noite de anteontem discorrendo sobre 2010 com os governadores Jaques Wagner e Marcelo Déda. E foi só elogios à ministra. Disse que vai apostar nela, que vai entrar de cabeça na campanha e quer o PMDB na chapa. Lula ressaltou que Dilma é leal ao projeto, ao PT e a ele; tem experiência política e competência técnica; além de encarnar uma novidade: ser mulher. 

O que andam dizendo no Senado 

O senador Tião Viana (PT-AC) é um pote de mágoas. Atribui suas dificuldades ao fato de ter sido abandonado pelo presidente Lula e a setores da imprensa que teriam fabricado uma preferência inexistente por José Sarney (PMDB-AP). Favorito à presidência do Senado, Sarney também está magoado, mas com Tião. O petista afirmou que Sarney tinha uma visão patrimonialista da política e tratava o Senado como seu quintal. Indignado, Sarney reage: "Estou surpreso, eu não conhecia essa face agressiva e grosseira do senador Tião Viana". Enquanto isso, sem espaço, o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), andou propondo uma candidatura própria do PSDB à presidência do Senado. 

SEGURO MORREU DE VELHO
Novo líder do PMDB, o senador Renan Calheiros (AL) voltou com tudo. Apesar da promessa ao DEM, o PMDB não vai abrir mão da Comissão de Constituição e Justiça por considerá-la estratégica em processos de cassação. E colocará na presidência alguém da tropa de choque de Renan, como o senador Almeida Lima (SE). O senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) receberá outra compensação. 

Futebol 

Na audiência com o presidente da Fifa, o presidente Lula disse: "Ricardo (Teixeira, da CBF), te cuida, fui convidado para ser comentarista esportivo depois de sair do governo". Joseph Blatter comentou: "Ricardo, que Deus te proteja".

Palanques 

Na reunião com governadores do Norte e Nordeste, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) recebeu vários convites para inaugurar obras do PAC nos estados. Inclusive dos tucanos Cássio Cunha Lima (PB) e Teotonio Vilela Filho (AL). 

As prévias viraram mania no PSDB 

Na disputa pelas vagas na Mesa Diretora do Senado, Álvaro Dias (PSDB-PR) ficou inconformado com a preferência dada ao senador Marconi Perillo (PSDB-GO) para ocupar a 1ª vice-presidência. Propôs que a indicação do partido fosse definida em prévias entre os 13 senadores tucanos. Sua tese não foi aceita. Acontece que Perillo fechou com Sarney faz tempo e tem criticado a relutância do comando do PSDB em se definir. 

Mantega está engasgado 

O governo recuou nas restrições às importações contra a vontade do ministro Guido Mantega (Fazenda). Na noite de terça-feira, no aniversário do ministro Fernando Haddad (Educação), disse que o Brasil precisa reagir porque o saldo comercial do país está indo embora. E que era preciso preservar o mercado e os empregos aqui. Reclamou que a Argentina adotou medidas preventivas contra produtos brasileiros, enquanto nossas portas continuam escancaradas. 

HÁ SEIS anos na liderança do PSDB, o senador Arthur Virgílio (AM) resolveu descentralizar suas funções. Pretende se dedicar desde já a sua reeleição. 

O MINISTRO Carlos Lupi (Trabalho) diz que o desemprego não é problema em todos os setores. Diz que há vagas na construção civil e nos setores de serviços, como hotelaria e restaurantes. 

OS PETISTAS João Paulo Cunha (SP), Cândido Vacarezza (SP) e Marco Maia (RS) garantiram ontem ao PMDB que a dissidência no PT nas eleições para a presidência da Câmara será residual. A conferir.

FÉ EM DEU$


SEXTA NOS JORNAIS

Globo: Crise já provoca medo de nova onda protecionista

 

Folha: Governo quer comprar e revender casa popular

 

Estado: Senado dos EUA defende plano mais protecionista

 

JB: Juros do BC devem cair a 9% este ano

 

Correio: “A briga está boa”

 

Valor: Itaipu e térmicas trazem reajuste maior de energia

 

Gazeta Mercantil: BB vai liberar R$ 2,5 bi para estimular venda de carro usado

 

Estado de Minas: Quadrilha que clonava carros tinha até policial

quinta-feira, janeiro 29, 2009

SAÚDE PÚBLICA EM NATAL

ONDE ANDA A CHEFE DO PUTEIRO, QUE VIROU O GOVÊRNO DO RIO 

GRANDE DO NORTE?


RESPOSTA- FUDENDO O POVO

Médica não acredita em melhoria na saúde e pede exoneração

Aliviada. É assim que está a médica anestesiologista Aissa de França e Santana dois dias depois de entregar o pedido de exoneração imediata do cargo que ocupava há 12 anos no Hospital Santa Catarina. Em carta ela reclama dos ‘‘salários indignos’’ e das ‘‘condições insalubres’’ de trabalho. ‘‘Eu não tinha cama para dormir nos plantões. Nem lençol, travesseiros, papel higiênico, água para beber nem tomar banho’’, disse. 

A médica reclama ainda das condições técnicas de segurança para a realização do seu trabalho. ‘‘Temos uma porção de regras a cumprir de segurança. Se a gente não cumpre essas regras, determinadas por decreto, a vida dos pacientes é colocada em risco’’, disse. 

Depois que se exonerou do cargo, a médica disse que está se sentindo ‘‘aliviadíssima e digna’’. ‘‘A gente sempre acha que as coisas vão melhorar. Por issdo demora para tomar coragem, afinal emprego é emprego ainda mais quando do faz concurso’’, finalizou. 

CARTA 

Aos meus amigos guerreiros de todas as especialidades 

Eu, Aissa de França e Santana, médica concursada há 12 anos no estado do RN, entreguei hoje meu pedido de exoneração imediata do cargo de anestesista do Hospital Santa Catarina. Apesar da excelente e brava equipe que compõe o quadro daquele hospital, eu cheguei a conclusão nas últimas semanas que não valia a pena tanto suor. 

Trabalhamos com salários indignos, condições insalubres de trabalho, sem perspectivas de crescimento na carreira, e não conseguimos implantar as medidas e recomendações normatizadas pelo Conselho Federal de Medicina e pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia, com relação as condições técnicas mínimas pra realização de procedimentos, sejam ambulatoriais, eletivos ou de urgência. 

Deixo meus amigos de trabalho com muito pesar, e sei que esperam que esta situação humilhante a que somos submetidos diariamente no desempenho de nossas jornadas diárias, um dia mude . E foi pensando assim que a Dra. Oscalina Cavalcante, médica ginecologista recém aposentada pelo municipio, esperou a vida inteira! Mas os bons ventos não sopraram... e Dra Oscalina vai receber de soldo de sua aposentadoria, por tempo de serviço, a fortuna de R$ 700,00 (setecentos reais)!! 
Sem querer ser injusta com as outras profissões... mas nós estudamos e lutamos tanto pra isso? Que tipo de exemplo profissional eu estou dando para os meus filhos e os meus colegas idealistas que estão chegando ao mercado de trabalho agora, se eu me permito ser explorada e humilhada como estamos sendo agora pela imprensa, pelo Ministério Público, pelos gestores da saúde pública, e pelos oportunistas da hora? 

Eu, dignamente, e na propriedade de minha consciência, inteligência e sanidade, pedi minha demissão e escrevi minhas razões ao pedido, totalmente pessoal, e sem nenhum vínculo a movimento de classe; pois meus colegas com certeza, levarão uma eternidade investidos de muita esperança que a categoria um dia seja olhada com respeito! 

Eu? Eu cansei: “solicito exoneração do cargo de médica anestesiologista do Hospital Santa Catarina a partir de hoje, 26 de janeiro de 2009, devidos aos seguintes motivos: não há perspectivas de crescimento na carreira; condições insalubres de trabalho; salário indigno; condições técnicas em desacordo com as determinações do CFM e SBA”. 
Aos meus amigos guerreiros de todas as especialidades, boa sorte! 

Aissa de França e Santana, 
médica anestesiologista

ILIMAR FRANCO

Investir já

Panorama Político 
O Globo - 29/01/2009
 

O presidente Lula pediu aos governadores do Norte e do Nordeste que antecipem seus investimentos para o primeiro semestre. Ele disse que "a crise é real e profunda" e que os próximos seis meses serão críticos. O presidente quer manter e criar empregos tocando obras públicas. Lula não trata mais a crise como "marola", mas repetiu que seu efeito será mais danoso nas grandes economias que nos países emergentes. 

O stress do PSDB 

Embora o PSDB esteja se esforçando para chegar a um consenso e evitar as prévias para escolha de seu candidato à Presidência da República, o stress no momento é outro: a montagem dos palanques estaduais. Os tucanos e seus aliados precisam unificar as candidaturas aos governos dos estados, sob pena de seu candidato à presidência ficar impedido de ir a alguns deles fazer campanha. Em Santa Catarina, por exemplo, DEM, PSDB e PMDB, que é um possível aliado, pretendem lançar candidatos. Nesse caso, quem tem três projetos não tem nenhum. Os tucanos querem evitar que esse descompasso entre os aliados se espalhe pelo país. 

O período de o PT lançar anticandidatura ficou no passado. Isso era na época de oposição" - Romero Jucá, líder do governo (PMDB-RR), sobre a candidatura de Tião Viana (PT-AC) à presidência do Senado 

DE VOLTA À CENA. Depois de passar meses negando que seria candidato à presidência do Senado, alegando inclusive que já tem quase 80 anos, José Sarney (PMDB-AP) não levava nenhum obstáculo em consideração, ontem, no almoço da bancada. Ele lembrou, segundo os presentes, que Magalhães Pinto, quando resolveu se candidatar à Presidência da República, aos 69 anos, foi questionado se não era muito velho. "Ele respondeu: "Não, aliás estou indo tomar vacina contra paralisia infantil agora"". 

A tiracolo 

O presidente Lula quer ir ao Espírito Santo em fevereiro inaugurar uma nova fase da Unidade de Tratamento de Gás de Cacimbas. E, claro, levará a presidenciável Dilma Rousseff a tiracolo. A unidade vai produzir 21 milhões de m³/dia.

Barganha 

Para garantir o apoio do PSDB, o candidato à presidência do Senado José Sarney (PMDB-AP) assumiu compromisso de criar uma comissão permanente para analisar vetos presidenciais. A presidência da comissão ficará com um senador tucano. 

O governo federal e os prefeitos eleitos 

Na reunião com os governadores, o presidente Lula explicou por que organizou uma reunião com os prefeitos eleitos para o dia 10 de fevereiro. "Vou me antecipar à Marcha dos Prefeitos. Todos os anos, eles me trazem uma pauta de reivindicações. Desta vez, eu é que vou cobrar deles alguns compromissos". As entidades municipalistas já tinham percebido a manobra. Adiaram sua tradicional marcha a Brasília para o meio do ano. 

Vem aí o terceiro turno 

O TSE deve retomar os julgamentos dos pedidos de cassação de mandatos de oito governadores ao voltar do recesso, na próxima semana. Os primeiros devem ser dos governadores Cássio Cunha Lima (PB) e Jackson Lago (MA). Uma decisão do tribunal poderá contrariar a opinião pública do estado. O Ibope fez pesquisa, em dezembro, na Paraíba. Lá, 61% dos entrevistados dizem que Cunha Lima não deveria perder o mandato em função das denúncias de mau uso da máquina. 

O PRESIDENTE do Equador, Rafael Correa, vai se hospedar na Granja do Icuí durante o Fórum Social Mundial. A governadora Ana Júlia se recusou a morar na residência oficial devido às goteiras e aos cupins. 

OS SENADORES Pedro Simon (RS) e Mão Santa (PI) não foram à reunião do PMDB, mas ligaram para José Sarney (AP) dizendo que o apoiarão. 

O GOVERNADOR Blairo Maggi (MT) e o prefeito de Cuiabá, Wilson Santos, resolveram fazer uma trégua. Tudo por causa da disputa com Campo Grande (MS) para ser uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. A FIFA dá ponto negativo quando não há entrosamento.

ANCELMO GOIS

R$34 bi para Copa


O Globo - 29/01/2009
 

A Copa de 2014 vai gerar investimentos, até lá, de uns R$34 bi. Deste total, R$5 bi se referem à construção de estádios. 

A conta é de estudo preliminar da FGV sobre os impactos da Copa no Brasil, a ser entregue hoje a Lula pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter, e pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

Aí, meu bolso 

O preço do pão nosso de cada dia pode subir com a decisão de Cristina Kirchner de suspender a exportação de trigo para cá. 

Para os moinhos, importar trigo dos EUA e do Canadá fica uns 30% mais caro. 

Caça ao tesouro 

O Ministério da Justiça rastreia, na tentativa de bloqueá-las, contas na Europa do empreiteiro Zuleido Veras, dono da Gautama, lembra?, acusado de fazer obras superfaturadas.

Ponto Final

Há bons argumentos para não extraditar Cesare Battisti, assim como há bons argumentos para entregá-lo à polícia italiana. Mas o preso tem contra si o apoio de Tarso Genro e Luiz Eduardo Greenhalgh. O ministro entregou a Fidel, em 48 horas, dois atletas cubanos que haviam fugido. O advogado foi flagrado num lobby no Palácio do Planalto a favor de Daniel Dantas. Com todo o respeito.

ARI CUNHA

Difícil de entender


Correio Braziliense - 29/01/2009
 

Informação de que Barack Obama quer estender a mão aos muçulmanos em sinal de entendimento está zoando no mundo. Corajosa e desprovida de arrogância a declaração do presidente americano. Tudo está dentro do que disse e prometeu na campanha. Projeção de Barack Obama cresceu no mundo pelo comportamento e paciência no novo trabalho. Inteligente e humanista, viajou por muitos países. Nas universidades teve presença marcante. Como senador viveu experiência política e partidária e convívio com a intimidade do Poder Legislativo. Em leis é doutor. O perfil não é de quem deseja briga. Não foge dela, porém. Fiel aos pontos de vista, está enfrentando a maior crise econômica dos Estados Unidos e não concede favores a amigos ou políticos. Entender um muçulmano não é coisa fácil. Outro dia um cidadão disse com todas as palavras: “Eu queria que os árabes amassem tanto os filhos como os judeus preservam os seus”. Todos os povos merecem atenção, mesmo que extrapolem o destino. Ensinar a pescar é fato. Entregar o prato de peixe feito é desconforto para quem dá e recebe. Obama tem visão de estadista. Pode não se tornar agressivo. Passível de entendimento, abre caminho para manifestação humana.


A frase que foi pronunciada

“Os juros estão muito altos.”
Presidente Lula interpretando quais serão as primeiras palavra do vice-presidente José Alencar quando sair do hospital.


Rio-Santos 
Prognóstico confirmado. A BR-101, embora antiga, se entregou ao deslize de terras e afundamento do asfalto. No momento é dos maiores o movimento nessa pista para quem sai do Rio. Caminha para o sul ou praias. A recuperação levará 100 dias e vai custar R$ 245 milhões. Esta coluna defende plano duradouro para que se faça asfalto dentro das normas internacionais.

Automóveis 
Governo norte-americano deseja auxiliar a indústria automobilística. O pé no freio diz que o dinheiro será usado nos carros produzidos no país. Reduz a ganância do exterior. Os carros agora serão maioria de fabricação local. Empregam e dão lucros ao erário. 

Tempo mau 
Espanha está vivendo maus tempos. Acabou de inaugurar o trem de alta velocidade. O país está coberto de gelo e inundado pelos rios. Não há notícias se o comboio veloz está em atividade ou paralisado. 

José Alencar 
Impressionante o otimismo do vice-presidente José Alencar. Há 10 anos combate o câncer com determinação e denodo. A última cirurgia foi de 17 horas. Está entubado. As funções, sob cuidados médicos. 

Soberania 
Projeto da Praça da Soberania vai ofender o Eixo Monumental e a visão clássica do Congresso. Se a pergunta está no ar, soberania de que ou de quem? Os Três Poderes são autônomos e independentes entre si. Isso é no papel. Aqui e ali um está invadindo a área do outro. Soberania é para guardar no peito e no coração. 

Bloqueio 
Ministério do Desenvolvimento pode rever decisão. O Brasil quer reduzir importações. Indústrias precisam de peças estrangeiras para montar máquinas ou satisfazer empresas que vivem de importados. Talvez cortar as gorduras dos desvios fosse decisão mais a favor do país. 

De branco 
Glamour prometido no salão da Igreja N. S. do Lago, no Lago Norte. Haverá desfile de noivas para a comunidade. O padre Norbey é o grande entusiasta. Não pelo desfile em si. Mas para enaltecer a tradição do casamento. No primeiro dia de fevereiro, domingo, às 15h.

História de Brasília

A nomeação do sr. Juscelino Kubitschek para o Senado não deixa muito bem o presidente. Afinal de contas, um mandato não precisa ser conseguido por meio de favores e renúncias, quanto mais quando o candidato é um homem que seria eleito por qualquer estado da Federação, constituindo isso um fato único na história da nossa democracia. (Publicado em 21/1/1961)

MÓNICA BÉRGAMO

Queda livre


Folha de S. Paulo - 29/01/2009
 

A arrecadação de ICMS caiu 25% até meados de janeiro em São Bernardo do Campo, cidade onde estão instaladas algumas das principais montadoras do país, como Volkswagen, Ford, Scania, Mercedes-Benz e Toyota (a GM tem fábrica na vizinha São Caetano). Depois do susto, quase pânico, os números registraram melhora. A perspectiva é de que a queda, no mês, seja de 13%.

QUEDA LIVRE 2
O prefeito Luiz Marinho (PT-SP), de São Bernardo, que já ordenou contingenciamento de 10% no orçamento, vê como uma das possibilidades de negociação para a manutenção do emprego a diminuição do ICMS para as montadoras. A iniciativa teria que partir de governos estaduais e "os prefeitos teriam que apoiar a iniciativa, pois perderiam receita", diz. Caso a crise se agrave, ele acha que o diálogo se torna possível.

OBAMA BRASIL
Ao saudar o presidente Lula e dizer que pode visitar o Brasil, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse: "Sei que se eu andar pelas ruas de seu país ninguém vai perceber que não sou brasileiro. Só na hora em que eu abrir a boca".

DIÁLOGO
O ex-primeiro-ministro italiano Massimo D"Alema telefonou há alguns dias para Marco Aurélio Garcia, assessor especial de Lula para assuntos internacionais. Falaram sobre o caso Battisti e compartilharam a preocupação com os riscos de seu desfecho para as relações entre Brasil e Itália. "Eu disse a ele que era uma decisão legal do governo brasileiro, que só pode ser modificada juridicamente", diz Garcia. "Determinadas questões não têm solução. Vai ficar como ponto de desacordo, mas as relações internacionais têm isso."

TODO OUVIDOS
Ministros do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e representantes de operadoras de telefonia se reuniram ontem em Brasília para discutir uma metodologia para a contabilização do número de grampos no Brasil. Um levantamento ainda inédito feito pela Anatel entre 1º de janeiro e 5 de dezembro de 2008, e enviado ao conselho, mostra que os pedidos de interceptação chegaram a 409 mil -número maior que os 375 mil feitos em 2007 e divulgados pela CPI das escutas telefônicas.

TODO OUVIDOS 2
O problema é que este dado não corresponde ao número de telefones grampeados, já que a Justiça pode renovar várias vezes o grampo num mesmo aparelho; e também porque um mesmo mandado, por outro lado, pode conter pedidos de quebra de sigilo de vários números. O CNJ e as teles tentam concluir se os dados devem ser divulgados por número de telefones grampeados ou por número de mandados judiciais e de interceptações, independentemente de serem ou não renovações de um mesmo grampo.

ELIANE CANTANHÊDE

Obama e Lula


Folha de S. Paulo - 29/01/2009
 

Pela expectativa mundial, até 2050, ou pelo menos até 2030, 80% da energia consumida no planeta ainda será de origem fóssil. É importante investir em pesquisa, tecnologia e produção de energias alternativas, como os biocombustíveis, mas não se pode ficar só nisso. A canetada ambiental de Barack Obama merece aplausos.
Os países mais ricos são também os maiores poluidores, daí por que George W. Bush brincou ao sair de uma reunião internacional: "Adeus do maior poluidor do mundo!".
Adeus e já vai tarde. Para compensar o tempo perdido, Obama defendeu o Protocolo de Kyoto e seus sucedâneos e deve fazer moções para China e Índia seguirem a mesma linha de apoio.
E vai da assinatura à prática, liberando os Estados para endurecerem nas exigências ambientais e exigindo que as empresas deem tratos à bola para entregar ao mercado carros com capacidade para 14,9 quilômetros por litro. O que, segundo ele, poderá economizar 2 milhões de barris de petróleo por dia, algo correspondente à importação do produto do golfo Pérsico.
Nesse tema, como de resto em todo tema ambiental, o Brasil está sempre no foco. Em energia tradicional, tornou-se autossuficiente em petróleo, já exporta e acaba de anunciar ao mundo o pré-sal. Em energia alternativa, tem recursos naturais, proporções continentais, clima e tecnologia de ponta.
Essas circunstâncias, aliadas à projeção do Brasil, facilitam a agenda e a aproximação entre Obama e Lula, que se falaram depois da eleição e depois da posse e estão prontos para ter um encontro em Washington. Eis a chance de repetirem o bom diálogo de FHC e Clinton e do próprio Lula e Bush. Com a facilidade de que Hillary Clinton, a secretária de Estado, tem bons conhecidos no país. Se Lula relevar os laços dela com os tucanos, tem tudo para dar certo. Melhor ainda se for capaz de tirar proveito disso.

PAINEL

Trincheira


Folha de S. Paulo - 29/01/2009
 

Candidato favorito à presidência do Senado, José Sarney (PMDB-AP) recorreu a um tema caro à oposição no pacote de promessas apresentado nos últimos dias a DEM e PSDB: comprometeu-se a dificultar a aprovação da inclusão da Venezuela no Mercosul. O aceno foi um dos argumentos usados, especialmente por tucanos, para tentar convencer os que na bancada preferem votar em Tião Viana (PT-AC).
Já aprovado na Câmara, o aval ao país de Hugo Chávez depende do Senado. Chegará à Casa com o apoio do PT e será analisado, primeiro, por comissão chefiada por Aloizio Mercadante (PT-SP). O governo tentou manobrar para que lá houvesse a decisão final, sem envio ao plenário, mas não houve acordo.

Memória
De Sarney, em 21 de dezembro do ano passado: "Se a Venezuela dá seguidas demonstrações de desapreço pela democracia, não faz sentido violar as regras do Mercosul para acolhê-la". 

Cabide
PSDB, PTB e PR disputam palmo a palmo três secretarias da Mesa do Senado, cujas estruturas reúnem gabinete de luxo e fartura de cargos. De acordo com o regimento, as únicas atribuições das secretarias são "contar votos" quando eles são em cédulas de papel, anotar nomes, organizar listas e fazer leitura das atas das sessões. 

Corrente
Com os votos do PSDB dados como certos, Roseana Sarney (PMDB-MA) telefonou ontem para alguns senadores "demos" pedindo que, mais do que manifestação de líderes, o partido oficialize o apoio da bancada. 

Fio do bigode
Diante da ameaça de traições na segunda-feira, coordenadores e aliados da campanha do deputado Michel Temer (PMDB-SP) asseguram que ele terá mais de 300 votos. "No PSDB eu asseguro que ele terá pelo menos 53 dos 56 votos", diz o líder da bancada, José Aníbal (SP), que nega informações sobre dissidentes tucanos. 

Murchou
O debate que a TV Câmara pretendia realizar entre os quatro candidatos à presidência da Casa acabou virando uma rodada de entrevistas individuais, no dia da eleição, com... representantes dos candidatos.

No mundo da...
Líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS) foi visto no Fórum Social Mundial, em Belém. Questionado sobre as articulações governistas nas eleições do Congresso, desculpou-se: afirmou que passou os últimos 20 dias de férias, sem ler jornal. 

Business 1
Apesar da crise diplomática, uma delegação de italianos está no Brasil tentando abocanhar parte do contrato do trem-bala entre Rio e São Paulo, uma das estrelas do PAC. Representam as empresas Ansaldo, Italferr e Ferrovie dello Stato -sendo as duas últimas estatais. 

Business 2
Os empresários se encontraram ontem com o vice-líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), e ainda iriam ao BNDES e à ANTT (agência de transportes terrestres). 

Trégua
Depois de se atacarem pela imprensa por causa das demissões no país, Carlos Lupi (Trabalho) e o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, tiveram encontro ontem em Brasília para acertar os ponteiros. 

Casa cheia
Para o jantar que oferecerá no dia 13 a Dilma Rousseff (Casa Civil), Marta Suplicy (PT) está convidando todos os senadores, deputados federais, estaduais e vereadores do PT de São Paulo, além de prefeitos da região metropolitana. 

Dia de fama
O governador José Serra (PSDB-SP) sai de férias hoje por uma semana, mas o vice, Alberto Goldman (PSDB), e o presidente da Assembleia, Vaz de Lima (PSDB), viajarão ao Chile. Comandará o Estado por um dia o presidente do Tribunal de Justiça, Roberto Bellocchi. 

Tiroteio

"Enquanto o governo não tiver uma política clara para a questão ambiental, continuará batendo cabeça, sem rumo e sem solução." 
Do deputado 
RICARDO TRIPOLI (PSDB-SP), sobre a divergência pública dos ministros do Meio Ambiente, Carlos Minc, e da Agricultura, Reinhold Stephanes, em torno da reforma do Código Florestal.

Contraponto

Realpolitik

Com uma bancada de quatro senadores, o PR virou um dos alvos da ofensiva do senador José Sarney (PMDB-AP) sobre os votos que foram prometidos a seu concorrente, Tião Viana (PT-AC). No meio da semana, apenas João Ribeiro (TO) mantinha-se fiel ao petista, enquanto Expedito Junior (RO), Magno Malta (ES) e Cesar Borges (BA) inclinavam-se para Sarney. Abordado por um jornalista, Ribeiro prometeu mudar o voto dos colegas:
-O sr. não teme ficar sozinho...-, insistiu o repórter.
Ao que o senador respondeu:
-Meu filho, na vida você até faz sexo sozinho. Mas política sozinho, jamais.

QUINTA NOS JORNAIS

Globo: Lula amplia Bolsa Família um dia após cortar o Orçamento

 

Folha: Lula amplia Bolsa Família e dá merenda para jovens

 

Estadão: FMI derruba previsão de crescimento para o Brasil

 

JB: O choque da violência

 

Correio: Debate sobre praça chega ao Planalto

 

Valor: Distribuição de lucros cresce em plena crise

 

Gazeta Mercantil: CVM quer mais transparência nas assembléias

quarta-feira, janeiro 28, 2009

ILIMAR FRANCO

A cabeça de Jucá

Panorama Político 
O Globo - 28/01/2009
 

Com a derrota anunciada para a presidência do Senado, os petistas têm um novo alvo: o cargo do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Sem força para desbancar José Sarney (PMDB-AP) e sem o apoio que esperavam do presidente Lula, estão dizendo que, com o PMDB no comando das duas Casas, a liderança no Senado é um bom espaço para o PT. Para serem atendidos, precisam de um único voto: o do presidente Lula. 

Atrasado, PSDB vai de Sarney 

O PSDB perdeu o timing e anunciará hoje apoio a José Sarney (PMDB-AP) quando seus votos já não são mais decisivos para elegê-lo presidente do Senado. Perdeu a oportunidade de faturar no papel de noiva. O roteiro está pronto. Para evitar a imagem de decisões centralizadas na cúpula, o PSDB reunirá hoje sua bancada. O passo seguinte é tentar afastar a impressão de que a decisão está atrelada a 2010. Dirá que o apoio foi decidido com base em uma lista de compromissos, como independência em relação ao Palácio do Planalto, direito de obstrução garantido e posição contrária a um terceiro mandato para o presidente Lula. 

Obama, quando fui eleito, o primeiro presidente dos trabalhadores, disse que meu governo não poderia errar. Você, como primeiro negro presidente dos Estados Unidos, tem uma grande responsabilidade, não tem o direito de errar" - Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no telefone com o americano Barack Obama 

APOIO INTERNACIONAL
O refúgio concedido a Cesare Battisti também rende elogios para o ministro Tarso Genro, além das críticas. O filósofo francês Bernard-Henri Lévy enviou mensagem: "Nós todos, intelectuais moderados na Europa, apoiamos e apoiaremos vossa excelência". O sociólogo português Boaventura de Souza Santos elogiou: "Trata-se de uma decisão importante para a democracia e para a defesa do primado do Direito". 

É a crise 

O secretário estadual de Trabalho do Rio, Ronald Ázaro, vai à CSN hoje tentar evitar uma segunda onda de demissões. Vai sugerir a suspensão dos contratos de trabalho, o que pouparia gastos com pagamento de multa e aviso prévio.

Simon contrariado 

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) não vai hoje à reunião da bancada para homologar a candidatura de José Sarney. "Não pediram minha opinião na hora de tomar a decisão, então não vou a uma reunião de consagração", disse ele. 

Saúde precária 

Os diretores da Sociedade Brasileira de Urologia entregarão ao ministro José Temporão (Saúde), terça-feira, um dossiê sobre a situação do paciente urológico no SUS. O paciente espera, em média, cinco meses para fazer uma cirurgia de próstata. Nesse período, ele é obrigado a usar uma sonda que o impede de ter vida social. Os médicos vão solicitar melhores condições de trabalho nos hospitais públicos. 

Na Câmara, surge um blocão 

O PMDB e o PT, mais o PSDB e o DEM, formalizam hoje um blocão de 14 partidos em apoio à chapa liderada por Michel Temer (PMDB-SP) à presidência da Câmara. Com isso, o PP de Ciro Nogueira (PI) ficará fora da Mesa Diretora, e ao bloquinho PSB-PCdoB, de Aldo Rebelo (AL), restará a última suplência. Um dos articuladores da campanha de Temer dizia ontem que ele terá mais de 290 votos na eleição. Cautelosos, os articuladores trabalham com uma margem grande de traições. 

O GOVERNADOR do Rio, Sérgio Cabral, orientou o senador Paulo Duque (PMDB-RJ) a votar em José Sarney (PMDB-AP) para a presidência do Senado. 

A DIREÇÃO do PCdoB decidiu que o senador Inácio Arruda (CE) também dará seu voto a Sarney. 

O GOVERNO brasileiro não crê em mudanças a médio prazo na política dos EUA para a Rodada de Doha.

AUGUSTO NUNES

O bravo vencedor da luta no açougue

Coisas da Política
Jornal do Brasil - 28/01/2009
 

O ITALIANO LINO SABBADIN, dono de um açougue na cidadezinha de Santa Maria di Sala, foi condenado à morte por ignorar a diferença entre um assalto a mão armada e uma expropriação revolucionária. Em janeiro de 1979, quando rechaçou à bala o bando que invadiu o açougue na cidadezinha de Santa Maria de Sala, nem desconfiou de que matara não um ladrão, como tantos, mas um guerrilheiro incorporado à tropa incumbida de confiscar parte do capital de um comerciante burguês  e usar o dinheiro para financiar a guerra contra o regime movida pelo grupo Proletários Armados para o Comunismo.

O tribunal do PAC precisou de alguns minutos para decidir-se pela aplicação da pena capital ao "contra-revolucionário" que simulava desinteresse por política para camuflar a paixão pelo fascismo. Fuzilado em 16 de fevereiro pelos mesmos assaltantes que repelira no mês anterior, Lino morreu sem saber que, aos 46 anos, deixara de ser apenas açougueiro. Aos 17, Sabbadin testemunhou parcialmente a execução do pai. O que viu e ouviu o adolescente tinha cara de assassinato, jeito de assassinato, modos de assassinato.

Depende da posição de quem olha as coisas, corrigiram os panfletos distribuídos pelo PAC para festejar a vitória na Batalha do Açougue. Visto da extremidade esquerda da platéia, por exemplo, o que parece assassinato não passa de um justiçamento revolucionário, e o que se assemelha a um grupo de extermínio se transforma num comando de heróicos guerrilheiros. "Eram quatro e meia quando eles chegaram", lembra Adriano. Enquanto os pais atendiam um freguês no balcão, ele conversava pelo telefone na parte dos fundos do açougue quando os tiros começaram. "Fiquei apavorado e subi correndo para o segundo andar, onde ficava a casa da família. Esperei uns dois ou três minutos intermináveis até me aproximar da janela que dava para a rua". Dali, viu três jovens saindo às pressas pela porta da frente e entrarem num carro estacionado metros além. Quando partiram, o adolescente voltou ao açougue.

Com o avental branco desfigurado por manchas vermelhas, a mãe estava ao lado do corpo do pai, estirado numa poça de sangue. Meses mais tarde, ele se espantou com os depoimentos prestados à Justiça pelos matadores: achavam que haviam cometido um "crime político". É o que continua achando o governo brasileiro, descobriu Adriano quase 30 anos depois daquela tarde.

Como 83% dos italianos, como milhões de brasileiros que vêem as coisas como as coisas são, Adriano está inconformado com a absolvição de Cesare Battisti pelo juiz ocasional Tarso Genro. Condenado à prisão perpétua na Itália pela participação no assassinato de Sabbadin e de mais três "contra-revolucionários", Battisti livrou-se da extradição graças ao ministro da Justiça, que o promoveu a "refugiado político" e pôs na conta das motivações ideológicas o prontuário de um ladrão vocacional diplomado em latrocínio na escolinha do PAC.

Segundo a discurseira recorrente do próprio Tarso, do presidente Lula e de toda a companheirada, devem ser anistiados, aplaudidos e indenizados os que lutam de armas na mão contra a ditadura e pela ressurreição da liberdade. Não se encaixam no palavrório os Proletários Armados para o Comunismo, que sempre couberam em quatro ou cinco camburões. Na Itália dos anos 70, não havia regimes totalitários a combater, nem tiranos a derrubar. Muito menos houve guerrilheiros dispostos a matar ou morrer pela pátria livre.

Se os textos produzidos entre 1976 e 1979 traduziram o que pensavam, Battisti e seus comparsas roubaram e mataram para destruir a república democrática, esquartejar a liberdade e implantar a ditadura. Se mentiram, os revolucionários de araque queriam só enriquecer sob as bênçãos dos nostálgicos da Guerra Fria. Nas duas hipóteses, o PAC foi um caso de polícia.

A adoção de Battisti pela companheirada reafirma o menosprezo pelas liberdades democráticas e outros caprichos burgueses, e a certeza de que não há salvação fora do partido único que saberá reconstruir o socialismo em frangalhos. O que espera o PCC para trocar o Primeiro Comando da Capital da certidão de batismo por um oportuníssimo Partido dos Comunistas Convertidos? O primeiro nome pode dar cadeia. O segundo permite roubar e matar sob a proteção do governo brasileiro.

COLUNA PAINEL

Corrente pra frente


Folha de S. Paulo - 28/01/2009
 

Já em plena atividade para se tornar a candidata do PT à sucessão de Lula, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) trabalha para manter sob suas asas o "PAC da Copa" de 2014, a ser anunciado em abril ou maio. Um decreto nomeando-a coordenadora das ações de infraestrutura do mundial de futebol, de óbvio potencial eleitoral, está em discussão na Presidência.
Mas há resistências dentro do governo. O argumento é que poderia ocorrer uma "politização" do evento, o que prejudicaria parcerias com os governadores tucanos Aécio Neves (MG) e José Serra (SP), também presidenciáveis. Dilma quer anunciar o novo PAC assim que as 12 cidades-sede da Copa forem escolhidas pela Fifa, no final de março.

Planos
A Casa Civil diz que o modelo do PAC da Copa ainda está sendo avaliado, mas afirma que a responsabilidade da ministra Dilma sobre ele é uma "possibilidade". 

2010 chegou
Ministério do Planejamento divulgou ontem estudo para tentar provar que o governo Lula não promoveu "inchaço" da máquina. O texto coteja a evolução do pessoal da União com o aumento dos servidores do governo de São Paulo e conclui: "A comparação (...) aponta taxa de crescimento menor no Poder Executivo Federal que no Estadual". 

Pulo
O maior salto em São Paulo, de acordo com o estudo, acontece em 2007 (14,4%), primeiro ano da gestão de José Serra (PSDB). 

Alhos e... 
O que o texto não ressalta é que a comparação usa parâmetros distintos: para a União são levados em conta só os 
servidores civis; no caso de São Paulo, entra o aparato militar, incluído no contingente de 187 mil integrantes da segurança pública. 

Arte da guerra 1
Logo após a posse de Geraldo Alckmin na Secretaria de Desenvolvimento, o diretório paulistano do PSDB, que apoiou veladamente a reeleição de Gilberto Kassab (DEM), se reuniu. José Henrique Reis Lôbo, presidente do partido na cidade, abriu o encontro: "Não é preciso relembrar aqui o que aconteceu porque os fatos são recentes [...] Toda vez que nos dividimos pagamos caro pela nossa insensatez". 

Arte da guerra 2
Lôbo continua: "Sou contra o "apartheid". Repudio a estratégia nazista dos que são as fontes, não tão anônimas assim, que abastecem a imprensa com notícias que visam dividir o partido em guetos".

Luz amarela
Deputados do PSDB que concluíram ontem contabilidade da bancada para a eleição na Câmara se alarmaram. O placar indica que Michel Temer (PMDB-SP), a quem o partido apoia oficialmente, teria entre 30 e 35 dos 57 votos. O dado seria levado pelo presidente da sigla, Sérgio Guerra (PE), ao governador José Serra (SP) na noite de ontem. 

Compasso
Outro tema da conversa seria a eleição no Senado, onde Tasso Jereissati (CE), pró-Tião Viana (PT-AC), troca cotoveladas com Marconi Perillo (GO), pró-José Sarney (PMDB-AP), pela vice-presidência da Casa. 

Novela
Na Câmara, o deputado Nilson Mourão (PT-AC) vai propor formalmente na reunião da bancada petista, domingo, a rediscussão do apoio do partido a Temer. 

Inflação
O PT anunciou ontem na reunião dos apoiadores de Temer que terá apenas 6 ou 7 dissidências. Mas elas devem ser mais numerosas. Ontem mesmo surgiram mais dois deputados "em dúvida": Décio Lima (SC) e Nazareno Fonteles (PI). 

Confessionário
Com medo de serem culpados por uma eventual derrota de Temer, os líderes partidários mostraram os mapas de suas bancadas reservadamente aos peemedebistas, em diferentes cantos da reunião. 

Tiroteio

"São Paulo precisa de parques. Mas é absurdo Kassab beneficiar quem não paga imposto e manter, em área pública, apostas em cavalos." 
Do vereador 
JOÃO ANTÔNIO (PT), sobre a intenção da Prefeitura de São Paulo de desapropriar o Jockey Clube, que tem dívida milionária com o município, para a construção de um parque. A ideia inicial prevê que as corridas continuariam sendo realizadas.

Contraponto

Tempo nublado

Animado com a operação que patrocinou na tentativa de pacificar o PSDB paulista, o governador José Serra levou um estoque de piadas à solenidade de posse de Geraldo Alckmin na secretaria de Desenvolvimento, anteontem. De cara, chamou o vice de Alberto "Montoro" Goldman, em referência à fama do ex-governador Franco Montoro de embaralhar nomes -Goldman havia repetido o "Geraldo Kassab" da eleição municipal. No final, sobrou para o secretário Xico Graziano (Meio Ambiente):
-Finalmente eu o vejo depois de algumas semanas. E todo queimadinho. O governador aqui pálido e ele queimadinho e cheio de saúde!

FERNANDO RODRIGUES

Políticos analógicos


Folha de S. Paulo - 28/01/2009
 

Quando o assunto são novas tecnologias de comunicação e uso da internet, há pouca divergência entre os candidatos a presidente da Câmara e do Senado. Todos são a favor do uso intensivo da rede mundial para aproximar o Congresso dos eleitores, mas ninguém sabe direito o que fazer.
O conhecimento tecnológico comum dos candidatos se resume a saber enviar e receber e-mails. Alguns preferem terceirizar essa tarefa para assessores. Os senadores José Sarney e Tião Viana e os deputados Michel Temer, Ciro Nogueira, Aldo Rebelo e Osmar Serraglio têm páginas convencionais na web. Nada aproximado de endereços pessoais em redes de relacionamento social, com espaço interativo. Nenhum deles têm página própria no Orkut, um site detentor de espantosos 37 milhões de brasileiros registrados.
Canal próprio no YouTube? Nem pensar. Isso é sofisticação para o norte-americano Barack Obama. O máximo disponível em vídeo dos candidatos na internet são transmissões repetidas das TVs Câmara e Senado. No site do Senado, só terá vida fácil o usuário de Windows.
Sem pagar royalties a Bill Gates é difícil assistir aos eloquentes discursos de Sarney e de Tião Viana. A proposta mais objetiva entre todos os candidatos é a de Osmar Serraglio. Ele deseja colocar ao vivo na web todas as sessões das comissões de trabalho da Câmara. Já seria um avanço. E como fazer para os cidadãos interagirem nos debates sobre uma lei usando a internet? Ninguém tem uma boa resposta.
Ciro Nogueira, Osmar Serraglio e Tião Viana são os únicos adeptos dos chamados "smartphones".
Usam o celular para conversar, ler sites noticiosos, enviar e receber e-mails. Sintomático do estado analógico da política brasileira, nenhum desses três pode ser apontado como favorito na disputa pelo comando do Congresso.