FOLHA DE SP - 04/06
Consumidor poderá pesquisar empresa no SPC
Mais de 50 anos depois de ter sido criado para auxiliar empresas a fiscalizar consumidores, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) permitirá o caminho inverso.
Um site de comercialização de dados que será lançado na quinta-feira terá ferramentas para uma pessoa física acessar informações cadastrais e o comportamento de mercado de companhias antes de efetuar negócios.
Será possível verificar, por exemplo, se a empresa tem CNPJ ativo, quem são os sócios, casos de inadimplência e ações judiciais ligadas à falta de pagamentos.
"É uma solução na hora de fechar negócios com buffets' de casamento, estúdios de fotografia e agências de viagens", diz o gerente de produtos do SPC Brasil, Bruno Lozi.
"Só empresários tinham a possibilidade de consultar informações para evitar riscos", afirma o superintendente do SPC, Nival Martins.
"O consumidor precisava assinar um contrato de pelo menos um ano, com um valor significativo, o que era inviável para quem não faz transações com frequência."
O acesso será pré-pago. A compra de créditos varia de R$ 9,90 a R$ 199,90.
Além da consulta de empresas "fichas-sujas", haverá um canal para negociar dívidas.
O consumidor endividado poderá centralizar no site a conversa com variadas companhias. Aprovadas as condições, os boletos serão gerados ali mesmo para pagamento.
O usuário também poderá receber alertas se for incluído no cadastro de inadimplentes ou caso haja tentativas de fraudes com seu CPF.
Para Lozi, empresas que já usam o sistema também serão beneficiadas com a compra on-line, porque não precisarão mais passar por burocracias para ter acesso a dados.
PELE TROPICAL
A Fendi é a mais recente grife de luxo a operar sua marca diretamente no país, que conhece desde a década de 80 apenas com representantes, como a antiga Daslu.
Parte do grupo LVMH desde 2001, a Fendi é também a última grife importante do conglomerado a abrir uma loja em São Paulo (no shopping Cidade Jardim).
Por ora, não há planos para outras unidades.
"Vamos ver primeiro como se desenvolve essa loja", diz o CEO global Pietro Beccari. As taxas de importação no Brasil não são obstáculos pequenos, afirma. "Mas é possível que o Rio seja a próxima cidade [onde abrirá], embora Brasília também seja interessante para o luxo."
Todos os produtos da grife serão vendidos no país, inclusive aqueles que os brasileiros mais buscam no exterior: as bolsas e as peles.
"A pele é a essência do nosso luxo. Somos a única marca com ateliê próprio de alta peleteria, que produz 70% das peças. O restante é feito em outros locais, mas sempre na Itália", afirma.
"Por isso, Karl Lagerfeld [estilista da Chanel] nos escolheu e continua a desenhar para nós."
ECONOMIA AVALIADA
A parcela de brasileiros que consideram boa a situação econômica do país diminuiu de 48% em abril para 42% em maio --o menor índice desde o final de 2010, segundo pesquisa da Ipsos.
Desde dezembro, a avaliação registrou queda de 15 pontos percentuais. Argentina e México seguem um caminho semelhante, com retração de seis pontos cada um desde o último mês de 2012.
Também houve uma diminuição de dois pontos percentuais, de abril para maio, no número de brasileiros que dizem que a economia se fortalecerá nos próximos meses.
Apesar da queda, os consumidores do país foram os mais otimistas, com 68% confiantes no futuro. A média global foi de 23%. Na Argentina, no México e na China, 38% disseram que a economia deve melhorar.
Foram entrevistadas 18.331 pessoas em 24 países. No Brasil, 1.000 consumidores foram ouvidos. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos.
Observatório... O turismo de observação de baleias em Santa Catarina, realizado principalmente no litoral norte e proibido há pouco mais de 15 dias pela Justiça Federal, fez o governo do Estado convocar uma reunião na semana passada para discutir o assunto.
...de baleias A administração decidiu recorrer da decisão judicial, que considerou inseguras as condições para os turistas e os animais marinhos. Para o governo estadual, o serviço possui controle rigoroso e fiscalização frequente.
Brinquedo na linha A Ri Happy, rede de varejo de brinquedos, investirá cerca de R$ 15 milhões neste ano em seu e-commerce. Com o aporte, a empresa espera vender pela internet, em 2013, quatro vezes mais do que em 2012. Atualmente, as vendas on-line representam 5% do total.
Sociedade O BM&A - Barbosa, Müssnich & Aragão tem um novo sócio. Maurício Pessoa, que atuou no contencioso judicial, fará parte da equipe da área trabalhista do escritório de advocacia na cidade São Paulo.
Lençóis... As vendas do setor de cama, mesa e banho do comércio atacadista de São Paulo cresceram 1,1% em maio, ante abril, segundo o sindicato do setor. É a segunda alta consecutiva do segmento, após três meses de queda.
... em alta Em janeiro deste ano, o setor havia registrado uma retração de 8%. No mês seguinte, contabilizou resultado negativo de 3,8% e, em março, a retração foi de 2,7%, sempre na comparação com o mês anterior.
Apoio... O InCor (Instituto do Coração) e o HCor (Hospital do Coração) vão apoiar o Movimento Ame o Coração. Ações conjuntas irão estimular práticas saudáveis de vida dos consumidores para prevenir as doenças cardiovasculares.
...saudável Entre as iniciativas previstas, está a realização de um mutirão de avaliação de risco cardíaco da população na estação Sé do metrô de São Paulo, além de cursos gratuitos abertos ao público sobre a saúde do coração.
Recepção... Depois de lançar latas coloridas em alusão à Copa das Confederações, a Coca-Cola Brasil inaugurará nesta semana espaços personalizados tendo o torneio como tema nos aeroportos do Galeão, no Rio, e de Brasília.
...colorida A novidade estará na área das esteiras e dos corredores que dão acesso ao embarque e ao desembarque. A ação planeja aproveitar o grande fluxo de pessoas que circularão nos aeroportos durante a competição.
terça-feira, junho 04, 2013
FLÁVIA OLIVEIRA - NEGÓCIOS & CIA
O GLOBO - 04/06
MARICÁ VAI CONSTRUIR CONDOMÍNIO INDUSTRIAL
Município da Região dos Lagos quer atrair investidores do país e do exterior para a cadeia produtiva do pré-sal
Maricá estuda ainstalação de um condomínio industrial próximo ao futuro Terminal Ponta Negra, na Praia de Jaconé. Está de olho na cadeia de fornecedores do setor de óleo e gás. Mapeamento feito pela prefeitura local indica área de 2,44 milhões de metros quadrados para receber indústrias, explica Lourival Casula, secretário de Desenvolvimento: “Fizemos audiência pública para tratar do projeto. Agora, discutimos o tipo de negociação com o dono da área, além do licenciamento ambiental”. A ideia é oferecer benefícios fiscais para atrair empresas. “Vamos negociar com o governo do estado outros incentivos”, completa. Conceição Ribeiro, da Codin, diz que se o porto for viabilizado, faz sentido instalar um distrito industrial na retroárea. “Ainda não formos procurados, mas estamos à disposição. É nosso papel analisar projetos das cidades fluminenses", diz. De hoje a 5ª, comitiva liderada pelo prefeito Washington Quaquá participa da Expo Italia Real Estate, em Milão. Aposta na localização de Maricá, perto do Comperj e das bases logísticas do pré-sal, para atrair investidores. Uma carta de intenção com fabricante de barcos esportivos já teria sido assinada.
ATÉ 350 PROCESSOS POR SEMANA
É o número de pedidos de licenciamento ambiental recebidos pela Prefeitura de Maricá. Em 2010, eram de 20 a 30. A demanda fez o município criar plano diretor focado no setor de óleo e gás.
FOGUEIRA E PAIMO
A Leaderestreia campanha de Dia dos Namorados (foto) na TV, amanhã. Todas as lojas terão decoração, coleção e catálogos especiais para a data. A estimativa é aumentaras vendas em 20%. Nas 13 lojas davarejista no Nordeste, haverá também acampanha específica para as festas de São João. A rede espera vender 30% mais na região durante os festejos juninos. A Artplan assina.
FILÉ
O Frigorífico Frisa estreia amanhã, na TV, a campanha do hambúrguer Grã-Filé. Uma dona de casa dá o recado sobre o produto. A 11:21 assina.
No vermelho
O Brasil caminha para ter o primeiro déficit comercial com a Argentina, desde 2003. Quem diz é a AEB, entidade do comércio exterior. O superávit de US$ 6 bilhões, em 2011, caiu para US$ 1,5 bi, em 2012. As encomendas de autopeças, máquinas agrícolas, tratores e calçados despencaram.
Sem escala
As Aerolíneas Argentinas estrearam no domingo a rota Belo Horizonte-Buenos Aires. Com ela, passam a 78 os voos diretos de Rio, São Paulo, BH e Porto Alegre para a capital argentina. Em 1º de agosto, deve começar a ligação com Brasília.
Aluguel
A Azul fechou parceria com a Hertz. Clientes da aérea terão condições especiais em 130 lojas da locadora de veículos no país. A tarifa cai para quem alugar carro em Viracopos e Guarulhos e devolvê-lo em São Paulo capital em três horas.
Atraso
O deputado Otavio Leite (PSDB-RJ) analisou os números do Ministério do Planejamento sobre obras no Aeroporto Internacional do Rio, desde 2011. Os gastos não passaram de 21% da dotação no Orçamento. Foram R$ 126,7 milhões de R$ 600,1 milhões previstos.
Em tempo
Este ano, foram executados apenas R$ 19 milhões. A cifra está em 10% do orçado.
Armadas
A segurança do Maracanã, no domingo, não poupou nem maquiagem. Uma torcedora teve que deixar a máscara para cílios. Outra perdeu duas canetas. Nenhum objeto com ponta pode entrar no estádio.
Ingressos
A Jet Set & Tamoyo iniciou a venda de pacotes e ingressos para os Jogos de Inverno, em 2014, em Sochi (Rússia). Para Vancouver 2010 vendeu 1.500 tíquetes. Prevê o dobro agora.
Parou
O Itaú Unibanco parou de aceitar pagamento de contas de Light e Ampla no caixa das agências. Mexeu no contrato.
MAESTRO
A Orquestra Petrobras Sinfônica vai levar trechos dos pequenos documentários da TV Opes aos cinemas da UCI, a partirde julho. Isaac Karabtchevsky está neles.
SINERGIA
Um mês de parceria coma Maria Filó já rendeu às Filhas de Gaia mais 12 pontos de venda para a coleção do verão 2014. Hoje, a grife carioca só é vendida em multimarcas. A 1ª loja própria deve abrir no 2º semestre. Analu Araújo posou para Rodrigo Bueno. As fotos caem na web, a partir de agosto.
Tintim
A Vinícola Salton espera faturar 25% mais com o Dia dos Namorados. É que a data ganha importância no setor. Vendeu 290 mil caixas de espumantes e vinhos em 2012. Prevê 364 mil este ano.
Sampa
A Tidsy, de moda feminina, abre espaço no Showroom Contemporâneo (SP), nesta quinta. Quer chegar ao interior do estado e elevar o faturamento em 30%.
Qualificação
O Senac RJ renova parceria com o governo do Rio, na 5ª. Vai qualificar, em um ano, três mil moradores de áreas com LIPPs. É investimento de R$ 2 milhões. Em 2010-2012, formou 3.300 moradores de 15 comunidades.
Mutirão
O Procon Carioca espera duas mil pessoas no mutirão de conciliação, nesta 6ª, em Vila Isabel. Participam 24 empresas e concessionárias.
MARICÁ VAI CONSTRUIR CONDOMÍNIO INDUSTRIAL
Município da Região dos Lagos quer atrair investidores do país e do exterior para a cadeia produtiva do pré-sal
Maricá estuda ainstalação de um condomínio industrial próximo ao futuro Terminal Ponta Negra, na Praia de Jaconé. Está de olho na cadeia de fornecedores do setor de óleo e gás. Mapeamento feito pela prefeitura local indica área de 2,44 milhões de metros quadrados para receber indústrias, explica Lourival Casula, secretário de Desenvolvimento: “Fizemos audiência pública para tratar do projeto. Agora, discutimos o tipo de negociação com o dono da área, além do licenciamento ambiental”. A ideia é oferecer benefícios fiscais para atrair empresas. “Vamos negociar com o governo do estado outros incentivos”, completa. Conceição Ribeiro, da Codin, diz que se o porto for viabilizado, faz sentido instalar um distrito industrial na retroárea. “Ainda não formos procurados, mas estamos à disposição. É nosso papel analisar projetos das cidades fluminenses", diz. De hoje a 5ª, comitiva liderada pelo prefeito Washington Quaquá participa da Expo Italia Real Estate, em Milão. Aposta na localização de Maricá, perto do Comperj e das bases logísticas do pré-sal, para atrair investidores. Uma carta de intenção com fabricante de barcos esportivos já teria sido assinada.
ATÉ 350 PROCESSOS POR SEMANA
É o número de pedidos de licenciamento ambiental recebidos pela Prefeitura de Maricá. Em 2010, eram de 20 a 30. A demanda fez o município criar plano diretor focado no setor de óleo e gás.
FOGUEIRA E PAIMO
A Leaderestreia campanha de Dia dos Namorados (foto) na TV, amanhã. Todas as lojas terão decoração, coleção e catálogos especiais para a data. A estimativa é aumentaras vendas em 20%. Nas 13 lojas davarejista no Nordeste, haverá também acampanha específica para as festas de São João. A rede espera vender 30% mais na região durante os festejos juninos. A Artplan assina.
FILÉ
O Frigorífico Frisa estreia amanhã, na TV, a campanha do hambúrguer Grã-Filé. Uma dona de casa dá o recado sobre o produto. A 11:21 assina.
No vermelho
O Brasil caminha para ter o primeiro déficit comercial com a Argentina, desde 2003. Quem diz é a AEB, entidade do comércio exterior. O superávit de US$ 6 bilhões, em 2011, caiu para US$ 1,5 bi, em 2012. As encomendas de autopeças, máquinas agrícolas, tratores e calçados despencaram.
Sem escala
As Aerolíneas Argentinas estrearam no domingo a rota Belo Horizonte-Buenos Aires. Com ela, passam a 78 os voos diretos de Rio, São Paulo, BH e Porto Alegre para a capital argentina. Em 1º de agosto, deve começar a ligação com Brasília.
Aluguel
A Azul fechou parceria com a Hertz. Clientes da aérea terão condições especiais em 130 lojas da locadora de veículos no país. A tarifa cai para quem alugar carro em Viracopos e Guarulhos e devolvê-lo em São Paulo capital em três horas.
Atraso
O deputado Otavio Leite (PSDB-RJ) analisou os números do Ministério do Planejamento sobre obras no Aeroporto Internacional do Rio, desde 2011. Os gastos não passaram de 21% da dotação no Orçamento. Foram R$ 126,7 milhões de R$ 600,1 milhões previstos.
Em tempo
Este ano, foram executados apenas R$ 19 milhões. A cifra está em 10% do orçado.
Armadas
A segurança do Maracanã, no domingo, não poupou nem maquiagem. Uma torcedora teve que deixar a máscara para cílios. Outra perdeu duas canetas. Nenhum objeto com ponta pode entrar no estádio.
Ingressos
A Jet Set & Tamoyo iniciou a venda de pacotes e ingressos para os Jogos de Inverno, em 2014, em Sochi (Rússia). Para Vancouver 2010 vendeu 1.500 tíquetes. Prevê o dobro agora.
Parou
O Itaú Unibanco parou de aceitar pagamento de contas de Light e Ampla no caixa das agências. Mexeu no contrato.
MAESTRO
A Orquestra Petrobras Sinfônica vai levar trechos dos pequenos documentários da TV Opes aos cinemas da UCI, a partirde julho. Isaac Karabtchevsky está neles.
SINERGIA
Um mês de parceria coma Maria Filó já rendeu às Filhas de Gaia mais 12 pontos de venda para a coleção do verão 2014. Hoje, a grife carioca só é vendida em multimarcas. A 1ª loja própria deve abrir no 2º semestre. Analu Araújo posou para Rodrigo Bueno. As fotos caem na web, a partir de agosto.
Tintim
A Vinícola Salton espera faturar 25% mais com o Dia dos Namorados. É que a data ganha importância no setor. Vendeu 290 mil caixas de espumantes e vinhos em 2012. Prevê 364 mil este ano.
Sampa
A Tidsy, de moda feminina, abre espaço no Showroom Contemporâneo (SP), nesta quinta. Quer chegar ao interior do estado e elevar o faturamento em 30%.
Qualificação
O Senac RJ renova parceria com o governo do Rio, na 5ª. Vai qualificar, em um ano, três mil moradores de áreas com LIPPs. É investimento de R$ 2 milhões. Em 2010-2012, formou 3.300 moradores de 15 comunidades.
Mutirão
O Procon Carioca espera duas mil pessoas no mutirão de conciliação, nesta 6ª, em Vila Isabel. Participam 24 empresas e concessionárias.
DataDilma - VERA MAGALHÃES - PAINEL
FOLHA DE SP - 04/06
Um ano antes das eleições presidenciais, o Ibope e o instituto Análise dividirão a nova conta de cerca de R$ 7 milhões para fazer pesquisas de opinião sobre o governo. O Ibope será responsável pelas pesquisas quantitativas e telefônicas (tracking), e o Análise cuidará de levantamentos qualitativos. O resultado da licitação será divulgado hoje. Pelo edital, as sondagens têm de ser focadas em políticas e serviços públicos, e não podem auferir a popularidade de Dilma Rousseff.
Mercado O Análise tem como sócio o cientista político Alberto Carlos Almeida, autor do livro "A Cabeça do Eleitor''. O Vox Populi, um dos maiores institutos do país, não entrou da licitação.
Bodas... O PSDB vai aproveitar a efeméride conjunta de 25 anos do partido, 82 de Fernando Henrique Cardoso e 19 do lançamento do Plano Real para promover uma exposição em Brasília e lançar um portal de programas sociais na internet.
... de prata O site, que vai mostrar projetos implementados nos dois mandatos de FHC e nos governos estaduais e municipais tucanos, faz parte da estratégia de aproximar o partido do eleitorado mais pobre e mitigar a imagem de elitista da sigla.
Na ativa O governador Eduardo Campos (PSB) se reuniu ontem com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, para discutir a liberação de recursos já contratados de investimentos do PAC 2 para Pernambuco.
Barriga cheia Pelo menos a recepção afastou sinais de que o banco fecharia as torneiras para Estados governados pelo PSB: Coutinho mandou servir sanduíche e refrigerante a Campos, que não tinha almoçado.
Taba Brasil Entre as terras que podem ser demarcadas como indígenas estão obras do Minha Casa, Minha Vida, um colégio e assentamentos rurais. Estudo da Embrapa mostra que em metade das áreas o litígio dos índios se dá com os sem-terra.
Com lupa Por isso, Dilma determinou a força-tarefa de pareceres de outros ministérios, como Cidades e Desenvolvimento Agrário, para auxiliar a Funai a definir se os pedidos têm procedência.
Canetada Está marcada para hoje uma reunião no Planalto para discutir vetos à medida provisória aprovada pelo Congresso que altera regras para o setor portuário. Além de Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Leônidas Cristino (Portos), deve participar Arno Augustin (Tesouro).
Verão.... Em guerra com Lindbergh Farias (PT-RJ), peemedebistas do Rio têm divulgado um vídeo, publicado no YouTube, que mostra o senador na campanha de 2010 declarando apoio a Luiz Fernando Pezão para o governo do Estado em 2014.
...passado Na gravação, o petista diz, diante de Sérgio Cabral e outras autoridades, que "política tem fila'' e que Pezão "é uma grande liderança, que vai ser governador do Estado do Rio de Janeiro". E finaliza afirmando que o governador do Rio é um aliado para muitas batalhas.
Libera aí 1 A defesa de Duda Mendonça entrou com uma nova petição no STF pedindo o desbloqueio dos bens do publicitário, absolvido no mensalão. Joaquim Barbosa pediu parecer da PGR (Procuradoria-Geral da República), mas Roberto Gurgel ainda não se manifestou.
Libera aí 2 O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, cogitou levar a questão ao plenário por falta de decisão do presidente da corte. "Duda está absolvido há seis meses e sem acesso aos bens. O bloqueio não tem mais causa", afirma.
tiroteio
"Só na ditadura desavenças políticas eram punidas com cassações. O PSDB não pode renegar seu compromisso com a democracia."
DO LÍDER DO PSDB NO SENADO, ALOYSIO NUNES (SP), sobre seu partido apoiar a cassação do vice-governador Guilherme Afif por ocupar ministério de Dilma.
contraponto
Avô do Netinho
Depois de fazer um discurso formal durante cerimônia em comemoração ao Dia da África, o secretário municipal de Promoção da Igualdade Racial de São Paulo disse que ia adotar a linguagem "do gueto" e contou que "os manos" ligaram pra ele para celebrar a criação da pasta.
-- Eles disseram que se o Lula criou a secretaria nacional quando foi presidente e a minha secretaria é filha desta, então o Lula é avô da secretaria!
O prefeito Fernando Haddad saudou o parentesco'':
-- Quero cumprimentar o Netinho pela secretaria neta do Lula!
Um ano antes das eleições presidenciais, o Ibope e o instituto Análise dividirão a nova conta de cerca de R$ 7 milhões para fazer pesquisas de opinião sobre o governo. O Ibope será responsável pelas pesquisas quantitativas e telefônicas (tracking), e o Análise cuidará de levantamentos qualitativos. O resultado da licitação será divulgado hoje. Pelo edital, as sondagens têm de ser focadas em políticas e serviços públicos, e não podem auferir a popularidade de Dilma Rousseff.
Mercado O Análise tem como sócio o cientista político Alberto Carlos Almeida, autor do livro "A Cabeça do Eleitor''. O Vox Populi, um dos maiores institutos do país, não entrou da licitação.
Bodas... O PSDB vai aproveitar a efeméride conjunta de 25 anos do partido, 82 de Fernando Henrique Cardoso e 19 do lançamento do Plano Real para promover uma exposição em Brasília e lançar um portal de programas sociais na internet.
... de prata O site, que vai mostrar projetos implementados nos dois mandatos de FHC e nos governos estaduais e municipais tucanos, faz parte da estratégia de aproximar o partido do eleitorado mais pobre e mitigar a imagem de elitista da sigla.
Na ativa O governador Eduardo Campos (PSB) se reuniu ontem com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, para discutir a liberação de recursos já contratados de investimentos do PAC 2 para Pernambuco.
Barriga cheia Pelo menos a recepção afastou sinais de que o banco fecharia as torneiras para Estados governados pelo PSB: Coutinho mandou servir sanduíche e refrigerante a Campos, que não tinha almoçado.
Taba Brasil Entre as terras que podem ser demarcadas como indígenas estão obras do Minha Casa, Minha Vida, um colégio e assentamentos rurais. Estudo da Embrapa mostra que em metade das áreas o litígio dos índios se dá com os sem-terra.
Com lupa Por isso, Dilma determinou a força-tarefa de pareceres de outros ministérios, como Cidades e Desenvolvimento Agrário, para auxiliar a Funai a definir se os pedidos têm procedência.
Canetada Está marcada para hoje uma reunião no Planalto para discutir vetos à medida provisória aprovada pelo Congresso que altera regras para o setor portuário. Além de Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Leônidas Cristino (Portos), deve participar Arno Augustin (Tesouro).
Verão.... Em guerra com Lindbergh Farias (PT-RJ), peemedebistas do Rio têm divulgado um vídeo, publicado no YouTube, que mostra o senador na campanha de 2010 declarando apoio a Luiz Fernando Pezão para o governo do Estado em 2014.
...passado Na gravação, o petista diz, diante de Sérgio Cabral e outras autoridades, que "política tem fila'' e que Pezão "é uma grande liderança, que vai ser governador do Estado do Rio de Janeiro". E finaliza afirmando que o governador do Rio é um aliado para muitas batalhas.
Libera aí 1 A defesa de Duda Mendonça entrou com uma nova petição no STF pedindo o desbloqueio dos bens do publicitário, absolvido no mensalão. Joaquim Barbosa pediu parecer da PGR (Procuradoria-Geral da República), mas Roberto Gurgel ainda não se manifestou.
Libera aí 2 O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, cogitou levar a questão ao plenário por falta de decisão do presidente da corte. "Duda está absolvido há seis meses e sem acesso aos bens. O bloqueio não tem mais causa", afirma.
tiroteio
"Só na ditadura desavenças políticas eram punidas com cassações. O PSDB não pode renegar seu compromisso com a democracia."
DO LÍDER DO PSDB NO SENADO, ALOYSIO NUNES (SP), sobre seu partido apoiar a cassação do vice-governador Guilherme Afif por ocupar ministério de Dilma.
contraponto
Avô do Netinho
Depois de fazer um discurso formal durante cerimônia em comemoração ao Dia da África, o secretário municipal de Promoção da Igualdade Racial de São Paulo disse que ia adotar a linguagem "do gueto" e contou que "os manos" ligaram pra ele para celebrar a criação da pasta.
-- Eles disseram que se o Lula criou a secretaria nacional quando foi presidente e a minha secretaria é filha desta, então o Lula é avô da secretaria!
O prefeito Fernando Haddad saudou o parentesco'':
-- Quero cumprimentar o Netinho pela secretaria neta do Lula!
O diagnóstico - ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 04/06
Os dirigentes do Congresso já identificaram o motivo da desmobilização da base aliada nas votações. Na conversa com a presidente Dilma, mostraram que a antecipação da campanha presidencial também acelerou a da reeleição dos parlamentares. Estes sofrem intensa pressão das bases por resultados e estão tensos com o "engessamento" do governo, que não atende os seus pleitos.
Ministros sem autonomia
Os ministros setoriais não conseguem programar o pagamento das emendas parlamentares. Tudo depende do veredito do Planejamento. As grandes obras, e projetos, com liberação de recursos garantidos são os incluídos no PAC. Enquanto isso, com a campanha eleitoral se aproximando, deputados e senadores não conseguem mostrar serviço para as suas bases. "A presidente Dilma quer se reeleger, mas deputados e senadores aliados também", argumenta um dirigente do Congresso. Aliados dizem que a ministra Ideli Salvatti é vítima dessa engrenagem e que leituras "moralistas" são simplificações.
Ação e reação
O presidente de um partido governista diz que o PT é um dos responsáveis pelos problemas do Executivo no Congresso. Conta que "o PT tem linha direta com as prefeituras, passando por cima de deputados e senadores aliados".
Os dois lados
O governo Dilma quer que o Congresso determine quanto tempo as MPs terão de ser apreciadas pelas comissões especiais, para que elas sejam votadas com mais folga pelos plenários da Câmara e do Senado. O comando do Congresso quer que a presidente Dilma tenha um calendário de edição de MPs, para não congestionar o trabalho do Legislativo.
Memória
A decisão secreta do TCU, de conceder a seus ministros auxílio-refeição retroativo, resgata debate sobre sua utilidade. Na Constituinte, o ex-senador José Paulo Bisol propôs sua extinção e chamava seus ministros de príncipes.
O drama tucano
Os economistas liberais, ligados aos tucanos, continuam pregando que o Brasil precisa de reformas, da Previdência e trabalhista. Simpatizantes da candidatura Aécio Neves avaliam que os eleitores associam este discurso à redução de direitos de aposentados e trabalhadores. E, concluem: "Os tucanos têm plano de governo, mas não têm plano de eleição."
Marina e os verdes
O deputado Sarney Filho (PV-MA), a exemplo do ex-deputado Fernando Gabeira, também defende que os verdes tenham uma só candidatura e acredita que o melhor a fazer é concentrar a votação na ex-ministra Marina Silva (Rede).
A pergunta que não quer calar
Após o Senado não votar a MP 605, o governo anunciou que editaria decreto garantindo a redução da tarifa de energia. Aliados questionam: "Se era possível fazer por decreto, por que uma MP? Por que desgastar a base aliada?".
O PMDB trata a reunião de ontem, com a presidente Dilma, como institucional. Se fosse partidária, seus líderes e dirigentes teriam de participar.
Ministros sem autonomia
Os ministros setoriais não conseguem programar o pagamento das emendas parlamentares. Tudo depende do veredito do Planejamento. As grandes obras, e projetos, com liberação de recursos garantidos são os incluídos no PAC. Enquanto isso, com a campanha eleitoral se aproximando, deputados e senadores não conseguem mostrar serviço para as suas bases. "A presidente Dilma quer se reeleger, mas deputados e senadores aliados também", argumenta um dirigente do Congresso. Aliados dizem que a ministra Ideli Salvatti é vítima dessa engrenagem e que leituras "moralistas" são simplificações.
"Independentemente do patamar de avaliação da presidente Dilma, com Aécio, Campos e Marina no páreo, há 80% de chances de haver segundo turno"
Renato Pereira
Marqueteiro do senador Aécio Neves, do governador Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes
Ação e reação
O presidente de um partido governista diz que o PT é um dos responsáveis pelos problemas do Executivo no Congresso. Conta que "o PT tem linha direta com as prefeituras, passando por cima de deputados e senadores aliados".
Os dois lados
O governo Dilma quer que o Congresso determine quanto tempo as MPs terão de ser apreciadas pelas comissões especiais, para que elas sejam votadas com mais folga pelos plenários da Câmara e do Senado. O comando do Congresso quer que a presidente Dilma tenha um calendário de edição de MPs, para não congestionar o trabalho do Legislativo.
Memória
A decisão secreta do TCU, de conceder a seus ministros auxílio-refeição retroativo, resgata debate sobre sua utilidade. Na Constituinte, o ex-senador José Paulo Bisol propôs sua extinção e chamava seus ministros de príncipes.
O drama tucano
Os economistas liberais, ligados aos tucanos, continuam pregando que o Brasil precisa de reformas, da Previdência e trabalhista. Simpatizantes da candidatura Aécio Neves avaliam que os eleitores associam este discurso à redução de direitos de aposentados e trabalhadores. E, concluem: "Os tucanos têm plano de governo, mas não têm plano de eleição."
Marina e os verdes
O deputado Sarney Filho (PV-MA), a exemplo do ex-deputado Fernando Gabeira, também defende que os verdes tenham uma só candidatura e acredita que o melhor a fazer é concentrar a votação na ex-ministra Marina Silva (Rede).
A pergunta que não quer calar
Após o Senado não votar a MP 605, o governo anunciou que editaria decreto garantindo a redução da tarifa de energia. Aliados questionam: "Se era possível fazer por decreto, por que uma MP? Por que desgastar a base aliada?".
O PMDB trata a reunião de ontem, com a presidente Dilma, como institucional. Se fosse partidária, seus líderes e dirigentes teriam de participar.
O Supremo e seus fantasmas - ALOÍSIO DE TOLEDO CÉSAR
O ESTADÃO - 04/06
As pessoas costumam divergir sobre a existência de fantasmas, alguns achando que sim e outros, que não. Mas num ponto a grande maioria não tem dúvidas: o fantasma da impunidade anda a assombrar o resultado final do julgamento do mensalão.
É compreensível que o Supremo Tribunal Federal (STF) viva atolado de trabalho e que o processo seja o mais volumoso de nossa história, merecendo atenção especial, assim como os recursos de embargos de declaração propostos pelos condenados, todos com muitas páginas e argumentos. Mas seria perfeitamente razoável que um assunto dessa relevância, que prendeu a atenção do País e provocou um interminável suspense, recebesse dos ministros a necessária prioridade, a fim de concluir o julgamento antes que todos percam o fôlego.
Outros processos penais de direito público ou privado que estão no Supremo têm a sua importância e merecem também a necessária rapidez no julgamento. Mas o caso do mensalão apresenta particularidades próprias que o distinguem de qualquer outro e tornam importante e necessário um enfrentamento rápido, diferente dos demais.
Sim, a ordem cronológica dos processos que chegam ao Supremo merece respeito, mas não será violência alguma colocar na frente o mensalão, que é sem dúvida o que mais interesse tem para os brasileiros.
A demora nesse enfrentamento, compreensível para a parcela da população mais ligada ao Direito, é vista pela maioria dos brasileiros como o risco de repetição do velho chavão - aquele que admite prisão apenas para prostitutas, pobres e negros. Pessoas importantes e ricas não costumam ser vistas atrás das grades, mesmo as que tenham praticado os piores crimes.
A fazer crescer esse fantasma rondando o Supremo está a horripilante pressão do Congresso Nacional, que já chegou ao extremo de pretender que as decisões dos ministros só sejam consideradas válidas depois de examinadas a aprovadas pelos parlamentares. Sem nenhuma dúvida, foi um esforço torpe do grupo político aliado ao governo - e, certamente, dos condenados José Dirceu e José Genoino, este, inclusive, um dos principais protagonistas.
Realmente, alguém que teve seus direitos políticos cassados e que não poderia, portanto, exercer o mandato de deputado federal participou ativamente da votação que tinha por objetivo quebrar as pernas do Supremo e beneficiar a ele próprio. Enfim, uma vingança mesquinha, das piores já vistas na vida pública brasileira.
Por força de atitudes desse calibre, o fantasma da impunidade volta mesmo a assombrar. A demora no julgamento e a possibilidade de políticos aliados ao ex-presidente Lula buscarem influir no resultado final difunde insegurança e medo.
É nesse ponto que a escolha de um novo ministro do Supremo indicado pelos petistas também ajuda a assombrar o ambiente, porque, muito embora ele não tenha participado da parte inicial do julgamento, poderá votar e influir no resultado final.
Ainda que o relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, já tenha externado a convicção de que, após os embargos declaratórios, os pretendidos embargos infringentes, de feição modificativa, não encontram acolhida na legislação em vigor, a questão é tormentosa e poderá provocar divisões entre os ministros.
Se forem admitidos, os embargos infringentes encerrarão o risco de as divergências externadas pelos ministros Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli em favor dos condenados chegarem a um desfecho contrário, favorável à absolvição. Dois novos ministros, escolhidos após o julgamento, terão direito a voto e serão capazes, se assim quiserem, de virar o resultado.
Nesse ponto fica a impressão de que os fantasmas realmente existem. Caso um desastre desse calibre aconteça na mais preservada instituição do País, o exemplo desastroso poderá se propagar às instâncias inferiores e colocar o carimbo de descrédito na Justiça, aniquilando as esperanças daqueles que litigam nos tribunais.
O grupo de condenados políticos sempre foi muito poderoso e continua com a sua dose de poder, inclusive tendo aliados que não se furtariam a prestar um favor para poder receber em troca aqueles benefícios tão corriqueiros. Sim, a despeito da figura emblemática de Joaquim Barbosa, bem como do sentimento de justiça já externado por alguns ministros do Supremo, não há certeza alguma de que o julgamento do mensalão manterá a decisão de punir e enviar para a prisão os réus condenados.
Esse julgamento teve repercussão mundial e serviu para projetar interna e externamente uma imagem de respeito à Justiça e ao Direito, algo que parecia distante e em choque com o cotidiano brasileiro, que tem a marca da impunidade.
Será inadmissível que pagamentos de favores políticos tenham influência no julgamento final e concorram para desmoralizar uma instituição que cresceu aos olhos de todos e difundiu credibilidade e admiração até mesmo entre as pessoas de menor escolaridade, que representam a grande maioria dos brasileiros. O procurador-geral da República já chegou a externar sua preocupação e a dizer que teme pelo resultado do julgamento do mensalão.
A imagem de Joaquim Barbosa e a forma corajosa com que enfrentou aquele julgamento merecem ser confirmadas nesta fase final. O desfecho da Nação é tão somente que os culpados paguem pelos seus crimes na forma da lei.
É inacreditável que os políticos condenados, em vez de estarem sob a custódia do Estado, cumprindo pena, estejam atuando claramente com o objetivo de desmoralizar exatamente a instituição que os condenou, sempre sob o argumento enganoso de julgamento político. Curiosamente, nunca negam que tenham avançado no dinheiro público naqueles tempos, quando pareciam impunes e tudo lhes era fácil.
As pessoas costumam divergir sobre a existência de fantasmas, alguns achando que sim e outros, que não. Mas num ponto a grande maioria não tem dúvidas: o fantasma da impunidade anda a assombrar o resultado final do julgamento do mensalão.
É compreensível que o Supremo Tribunal Federal (STF) viva atolado de trabalho e que o processo seja o mais volumoso de nossa história, merecendo atenção especial, assim como os recursos de embargos de declaração propostos pelos condenados, todos com muitas páginas e argumentos. Mas seria perfeitamente razoável que um assunto dessa relevância, que prendeu a atenção do País e provocou um interminável suspense, recebesse dos ministros a necessária prioridade, a fim de concluir o julgamento antes que todos percam o fôlego.
Outros processos penais de direito público ou privado que estão no Supremo têm a sua importância e merecem também a necessária rapidez no julgamento. Mas o caso do mensalão apresenta particularidades próprias que o distinguem de qualquer outro e tornam importante e necessário um enfrentamento rápido, diferente dos demais.
Sim, a ordem cronológica dos processos que chegam ao Supremo merece respeito, mas não será violência alguma colocar na frente o mensalão, que é sem dúvida o que mais interesse tem para os brasileiros.
A demora nesse enfrentamento, compreensível para a parcela da população mais ligada ao Direito, é vista pela maioria dos brasileiros como o risco de repetição do velho chavão - aquele que admite prisão apenas para prostitutas, pobres e negros. Pessoas importantes e ricas não costumam ser vistas atrás das grades, mesmo as que tenham praticado os piores crimes.
A fazer crescer esse fantasma rondando o Supremo está a horripilante pressão do Congresso Nacional, que já chegou ao extremo de pretender que as decisões dos ministros só sejam consideradas válidas depois de examinadas a aprovadas pelos parlamentares. Sem nenhuma dúvida, foi um esforço torpe do grupo político aliado ao governo - e, certamente, dos condenados José Dirceu e José Genoino, este, inclusive, um dos principais protagonistas.
Realmente, alguém que teve seus direitos políticos cassados e que não poderia, portanto, exercer o mandato de deputado federal participou ativamente da votação que tinha por objetivo quebrar as pernas do Supremo e beneficiar a ele próprio. Enfim, uma vingança mesquinha, das piores já vistas na vida pública brasileira.
Por força de atitudes desse calibre, o fantasma da impunidade volta mesmo a assombrar. A demora no julgamento e a possibilidade de políticos aliados ao ex-presidente Lula buscarem influir no resultado final difunde insegurança e medo.
É nesse ponto que a escolha de um novo ministro do Supremo indicado pelos petistas também ajuda a assombrar o ambiente, porque, muito embora ele não tenha participado da parte inicial do julgamento, poderá votar e influir no resultado final.
Ainda que o relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, já tenha externado a convicção de que, após os embargos declaratórios, os pretendidos embargos infringentes, de feição modificativa, não encontram acolhida na legislação em vigor, a questão é tormentosa e poderá provocar divisões entre os ministros.
Se forem admitidos, os embargos infringentes encerrarão o risco de as divergências externadas pelos ministros Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli em favor dos condenados chegarem a um desfecho contrário, favorável à absolvição. Dois novos ministros, escolhidos após o julgamento, terão direito a voto e serão capazes, se assim quiserem, de virar o resultado.
Nesse ponto fica a impressão de que os fantasmas realmente existem. Caso um desastre desse calibre aconteça na mais preservada instituição do País, o exemplo desastroso poderá se propagar às instâncias inferiores e colocar o carimbo de descrédito na Justiça, aniquilando as esperanças daqueles que litigam nos tribunais.
O grupo de condenados políticos sempre foi muito poderoso e continua com a sua dose de poder, inclusive tendo aliados que não se furtariam a prestar um favor para poder receber em troca aqueles benefícios tão corriqueiros. Sim, a despeito da figura emblemática de Joaquim Barbosa, bem como do sentimento de justiça já externado por alguns ministros do Supremo, não há certeza alguma de que o julgamento do mensalão manterá a decisão de punir e enviar para a prisão os réus condenados.
Esse julgamento teve repercussão mundial e serviu para projetar interna e externamente uma imagem de respeito à Justiça e ao Direito, algo que parecia distante e em choque com o cotidiano brasileiro, que tem a marca da impunidade.
Será inadmissível que pagamentos de favores políticos tenham influência no julgamento final e concorram para desmoralizar uma instituição que cresceu aos olhos de todos e difundiu credibilidade e admiração até mesmo entre as pessoas de menor escolaridade, que representam a grande maioria dos brasileiros. O procurador-geral da República já chegou a externar sua preocupação e a dizer que teme pelo resultado do julgamento do mensalão.
A imagem de Joaquim Barbosa e a forma corajosa com que enfrentou aquele julgamento merecem ser confirmadas nesta fase final. O desfecho da Nação é tão somente que os culpados paguem pelos seus crimes na forma da lei.
É inacreditável que os políticos condenados, em vez de estarem sob a custódia do Estado, cumprindo pena, estejam atuando claramente com o objetivo de desmoralizar exatamente a instituição que os condenou, sempre sob o argumento enganoso de julgamento político. Curiosamente, nunca negam que tenham avançado no dinheiro público naqueles tempos, quando pareciam impunes e tudo lhes era fácil.
Prioridade ao investimento - CELSO MING
O Estado de S.Paulo - 04/06
Sob o impacto do avanço decepcionante do PIB no primeiro trimestre, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou no último dia 29 que há mudança na política econômica: o governo federal não vai mais incentivar o consumo, dará prioridade ao investimento. É hora de avaliar o que é preciso fazer para garantir sucesso nessa virada.
Primeiro convém saber até que ponto há sinceridade nisso. Se é verdade, por exemplo, que o governo prepara uma prorrogação de isenção ou redução tributária para a venda de veículos e aparelhos domésticos, então já não é para levar tanto a sério o anúncio do ministro.
Mas, se for para dar toda força ao investimento, então muita coisa tem de mudar. É importante levar em consideração que turbinar o investimento não significa necessariamente reprimir o consumo.
Todo investimento implica uma lista enorme de contas a pagar bem antes da criação de riqueza prevista nele. Uma hidrelétrica, por exemplo, começa a gerar despesas no momento em que o primeiro técnico faz o esboço do projeto no computador. Essas despesas se multiplicam com levantamentos geológicos, engenharia, licenciamento ambiental, materiais, mão de obra. São, digamos, entre 8 e 10 anos só de despesas, sem faturamento correspondente, porque o primeiro quilowatt/hora apenas será gerado quando a primeira turbina vier a ser acionada. Ou seja, um grande programa de investimentos gera também forte demanda, que precede os resultados.
Caso seja mesmo para criar condições para a multiplicação do investimento, então é necessário propiciar regras constantes de jogo que, por sua vez, garantam remuneração adequada aos operadores dos projetos. E isso é diferente do que vem acontecendo sob coordenação de um governo que ainda não se livrou de certos preconceitos ideológicos, segundo os quais iniciativas desse tipo configuram o que alguns lá em Brasília continuam chamando de privataria.
Para assegurar regras confiáveis de jogo é preciso, também, fortalecer as agências reguladoras, para impedir desvios. Ou seja, têm de ser organismos de Estado, vacinados contra contaminações políticas e não, como são hoje, instrumentos de governo e, nessas condições, sujeitos ao jogo político.
Para abrir espaço ao investimento, será necessário também desenvolver o mercado de capitais fornecedor de financiamentos de longo prazo para que aconteçam duas coisas. Primeira, redução de sobrecarga do BNDES, que não dá conta nem do que já tem para financiar, e segunda, disponibilidade de financiamentos em volume e juros compatíveis com o custo dos projetos. Isso tudo exige mais estímulos à poupança.
As regras estáveis de jogo mencionadas, por sua vez, pressupõem estabilidade da política econômica. Um operador de projetos que não sabe qual inflação vai enfrentar, com que tipo de câmbio vai lidar, que juros vai pagar e que todos os dias está sujeito aos vaivéns do governo não pode mesmo trabalhar direito. Em outras palavras, um ambiente favorável ao investimento exige clima de confiança e este, por sua vez, firmeza e estabilidade na condução da economia. Está o governo Dilma disposto a isso?
Sob o impacto do avanço decepcionante do PIB no primeiro trimestre, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou no último dia 29 que há mudança na política econômica: o governo federal não vai mais incentivar o consumo, dará prioridade ao investimento. É hora de avaliar o que é preciso fazer para garantir sucesso nessa virada.
Primeiro convém saber até que ponto há sinceridade nisso. Se é verdade, por exemplo, que o governo prepara uma prorrogação de isenção ou redução tributária para a venda de veículos e aparelhos domésticos, então já não é para levar tanto a sério o anúncio do ministro.
Mas, se for para dar toda força ao investimento, então muita coisa tem de mudar. É importante levar em consideração que turbinar o investimento não significa necessariamente reprimir o consumo.
Todo investimento implica uma lista enorme de contas a pagar bem antes da criação de riqueza prevista nele. Uma hidrelétrica, por exemplo, começa a gerar despesas no momento em que o primeiro técnico faz o esboço do projeto no computador. Essas despesas se multiplicam com levantamentos geológicos, engenharia, licenciamento ambiental, materiais, mão de obra. São, digamos, entre 8 e 10 anos só de despesas, sem faturamento correspondente, porque o primeiro quilowatt/hora apenas será gerado quando a primeira turbina vier a ser acionada. Ou seja, um grande programa de investimentos gera também forte demanda, que precede os resultados.
Caso seja mesmo para criar condições para a multiplicação do investimento, então é necessário propiciar regras constantes de jogo que, por sua vez, garantam remuneração adequada aos operadores dos projetos. E isso é diferente do que vem acontecendo sob coordenação de um governo que ainda não se livrou de certos preconceitos ideológicos, segundo os quais iniciativas desse tipo configuram o que alguns lá em Brasília continuam chamando de privataria.
Para assegurar regras confiáveis de jogo é preciso, também, fortalecer as agências reguladoras, para impedir desvios. Ou seja, têm de ser organismos de Estado, vacinados contra contaminações políticas e não, como são hoje, instrumentos de governo e, nessas condições, sujeitos ao jogo político.
Para abrir espaço ao investimento, será necessário também desenvolver o mercado de capitais fornecedor de financiamentos de longo prazo para que aconteçam duas coisas. Primeira, redução de sobrecarga do BNDES, que não dá conta nem do que já tem para financiar, e segunda, disponibilidade de financiamentos em volume e juros compatíveis com o custo dos projetos. Isso tudo exige mais estímulos à poupança.
As regras estáveis de jogo mencionadas, por sua vez, pressupõem estabilidade da política econômica. Um operador de projetos que não sabe qual inflação vai enfrentar, com que tipo de câmbio vai lidar, que juros vai pagar e que todos os dias está sujeito aos vaivéns do governo não pode mesmo trabalhar direito. Em outras palavras, um ambiente favorável ao investimento exige clima de confiança e este, por sua vez, firmeza e estabilidade na condução da economia. Está o governo Dilma disposto a isso?
A força do dólar - ILAN GOLDFAJN
O GLOBO - 04/06
De repente, o dólar ganha força. Aprecia-se contra quase todas as moedas do mundo, sem discriminação de localização, tamanho ou grau de desenvolvimento. Pode parecer aleatório; às vezes movimentos rápidos de câmbio não têm o “fio terra” com os fundamentos econômicos. Mas, nesse caso, há uma razão fundamental para o movimento: os EUA parecem sair da estagnação econômica (pós-crise do Lehman) antes do resto do mundo. A economia brasileira terá de navegar por essa nova fase da economia mundial, que ainda está no início.
Economias que crescem mais tendem a apreciar mais também. Em parte, porque a taxa de juros começa a subir, antecipando uma normalização das políticas de estímulos adotadas durante a estagnação. A lógica é: se a recuperação está a caminho, já em breve serão retirados os estímulos excepcionais, incluindo os juros anormalmente baixos. Os fluxos de capital mudam de direção, buscando não somente retornos maiores vindos dos juros mais elevados, mas também do crescimento maior. Com os influxos, vem a apreciação do câmbio.
Os EUA crescem a uma taxa em torno de 2%, e as perspectivas são de que o crescimento acelere para 2,5% no ano que vem. O desemprego está caindo e deve alcançar a taxa de 6,5%, marco para o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) avaliar subir os juros mais rapidamente que o esperado. As últimas comunicações do Fed sugerem que o mais tardar em setembro (vários membros do comitê de política monetária — FOMC, na sigla em inglês — sugerem antes) serão retirados gradualmente os estímulos monetários atuais. O setor privado nos EUA está com força para crescer mais, depois que as empresas e, agora, as famílias reduziram seu endividamento. Os sinais são claros, o crédito voltou a fluir, os preços das casas tornaram a subir. O que ainda deve limitar o crescimento são os ajustes — via aumento de imposto ou redução de gastos — para reduzir o endividamento público, que deve se prolongar por exigir decisões políticas complicadas.
O contraste é grande com a Europa. A zona do euro permanece em recessão. Tudo indica que será o segundo ano de crescimento negativo na região. O Banco Central Europeu (BCE) continua preocupado e sinalizou que se a situação piorar pode considerar definir taxas de juros negativas nos depósitos que recebe dos bancos. Riscos ainda existem, os ajustes ainda não estão concluídos nos países periféricos da Europa e nem iniciados na França, próximo foco de atenção dos mercados.
A política monetária no Japão está indo na contramão da americana. Os estímulos monetários estão sendo aumentados de forma acelerada; se implementados como divulgados, serão maiores. A consequência desse contraste entre as políticas é uma depreciação forte do ien em relação ao dólar.
Os emergentes eram o último bastião do crescimento. Após uma recuperação rápida pós-Lehman Brothers, as economias sustentaram taxas elevadas de crescimento nos últimos anos. Mas a desaceleração está agora se espalhando, como se fosse uma reação defasada, em câmera lenta, à estagnação das economias maduras. A China desacelera para um crescimento perto de 7,5%, de quase 12% no seu auge. O resto da Ásia emergente está indo no mesmo caminho. As economias emergentes do Leste Europeu já desaceleraram há mais tempo em função da crise europeia dos últimos anos. Na América Latina diversas economias resistiram bem à desaceleração global (Chile e Peru, por exemplo), mas mostram sinais de desaceleração.
É nesse ambiente econômico de recessão na Europa e desaceleração nos emergentes que a economia americana destoa com perspectivas de crescimento maior e queda mais rápida no desemprego. Isso faz com que as moedas e os juros no mundo equilibrem-se de forma a permitir que a recuperação americana seja transmitida para o resto do mundo (com mais depreciação e menos juros).
Como os outros países vão reagir à força do dólar? Muitos deverão permitir que suas moedas depreciem, assim como deixaram que apreciassem no caso inverso (EUA mais fraco e o resto do mundo, principalmente emergentes, mais forte). A princípio, uma depreciação das outras moedas em um ambiente de fraco crescimento é bem-vinda, desde que a inflação não seja um problema também.
No Brasil, a inflação mais elevada (e perto da banda superior da meta) é uma consideração adicional que torna mais complexa a avaliação de política, podendo inclusive justificar uma intervenção maior no câmbio no curto prazo, enquanto se aguardam possíveis mudanças nas políticas macroprudenciais (retirada de IOF?) e o efeito do aumento recente de juros na inflação. A economia brasileira terá de navegar por mais essa fase da economia mundial.
De repente, o dólar ganha força. Aprecia-se contra quase todas as moedas do mundo, sem discriminação de localização, tamanho ou grau de desenvolvimento. Pode parecer aleatório; às vezes movimentos rápidos de câmbio não têm o “fio terra” com os fundamentos econômicos. Mas, nesse caso, há uma razão fundamental para o movimento: os EUA parecem sair da estagnação econômica (pós-crise do Lehman) antes do resto do mundo. A economia brasileira terá de navegar por essa nova fase da economia mundial, que ainda está no início.
Economias que crescem mais tendem a apreciar mais também. Em parte, porque a taxa de juros começa a subir, antecipando uma normalização das políticas de estímulos adotadas durante a estagnação. A lógica é: se a recuperação está a caminho, já em breve serão retirados os estímulos excepcionais, incluindo os juros anormalmente baixos. Os fluxos de capital mudam de direção, buscando não somente retornos maiores vindos dos juros mais elevados, mas também do crescimento maior. Com os influxos, vem a apreciação do câmbio.
Os EUA crescem a uma taxa em torno de 2%, e as perspectivas são de que o crescimento acelere para 2,5% no ano que vem. O desemprego está caindo e deve alcançar a taxa de 6,5%, marco para o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) avaliar subir os juros mais rapidamente que o esperado. As últimas comunicações do Fed sugerem que o mais tardar em setembro (vários membros do comitê de política monetária — FOMC, na sigla em inglês — sugerem antes) serão retirados gradualmente os estímulos monetários atuais. O setor privado nos EUA está com força para crescer mais, depois que as empresas e, agora, as famílias reduziram seu endividamento. Os sinais são claros, o crédito voltou a fluir, os preços das casas tornaram a subir. O que ainda deve limitar o crescimento são os ajustes — via aumento de imposto ou redução de gastos — para reduzir o endividamento público, que deve se prolongar por exigir decisões políticas complicadas.
O contraste é grande com a Europa. A zona do euro permanece em recessão. Tudo indica que será o segundo ano de crescimento negativo na região. O Banco Central Europeu (BCE) continua preocupado e sinalizou que se a situação piorar pode considerar definir taxas de juros negativas nos depósitos que recebe dos bancos. Riscos ainda existem, os ajustes ainda não estão concluídos nos países periféricos da Europa e nem iniciados na França, próximo foco de atenção dos mercados.
A política monetária no Japão está indo na contramão da americana. Os estímulos monetários estão sendo aumentados de forma acelerada; se implementados como divulgados, serão maiores. A consequência desse contraste entre as políticas é uma depreciação forte do ien em relação ao dólar.
Os emergentes eram o último bastião do crescimento. Após uma recuperação rápida pós-Lehman Brothers, as economias sustentaram taxas elevadas de crescimento nos últimos anos. Mas a desaceleração está agora se espalhando, como se fosse uma reação defasada, em câmera lenta, à estagnação das economias maduras. A China desacelera para um crescimento perto de 7,5%, de quase 12% no seu auge. O resto da Ásia emergente está indo no mesmo caminho. As economias emergentes do Leste Europeu já desaceleraram há mais tempo em função da crise europeia dos últimos anos. Na América Latina diversas economias resistiram bem à desaceleração global (Chile e Peru, por exemplo), mas mostram sinais de desaceleração.
É nesse ambiente econômico de recessão na Europa e desaceleração nos emergentes que a economia americana destoa com perspectivas de crescimento maior e queda mais rápida no desemprego. Isso faz com que as moedas e os juros no mundo equilibrem-se de forma a permitir que a recuperação americana seja transmitida para o resto do mundo (com mais depreciação e menos juros).
Como os outros países vão reagir à força do dólar? Muitos deverão permitir que suas moedas depreciem, assim como deixaram que apreciassem no caso inverso (EUA mais fraco e o resto do mundo, principalmente emergentes, mais forte). A princípio, uma depreciação das outras moedas em um ambiente de fraco crescimento é bem-vinda, desde que a inflação não seja um problema também.
No Brasil, a inflação mais elevada (e perto da banda superior da meta) é uma consideração adicional que torna mais complexa a avaliação de política, podendo inclusive justificar uma intervenção maior no câmbio no curto prazo, enquanto se aguardam possíveis mudanças nas políticas macroprudenciais (retirada de IOF?) e o efeito do aumento recente de juros na inflação. A economia brasileira terá de navegar por mais essa fase da economia mundial.
Flertar com a recessão - BENJAMIN STEINBRUCH
FOLHA DE SP - 04/06
Aumentar juros para conter uma demanda já pífia é espancar a lógica; venceu a pressão do setor financeiro
Antes do feriadão, havia me programado para escrever sobre a burocracia que ainda assola o país e corrói a sua competitividade. Mas, na quarta-feira, duas notícias caíram como bomba.
Uma foi a variação do PIB no primeiro trimestre, de 0,6%, o que projeta crescimento de 2,2% neste ano, muito abaixo da expectativa.
A outra, um novo aumento na taxa básica de juros além das previsões do próprio mercado financeiro, que naturalmente gosta de juros altos --a Selic foi ajustada em 0,5 ponto percentual, para 8% ao ano.
Deixo o tema da burocracia para uma próxima coluna, porque entendo que não se pode espancar a lógica. Não é preciso ser economista para observar que as duas notícias acima espelham uma contradição.
Por que os bancos centrais aumentam as taxas de juros? Em português compreensível para civis mortais, pode-se dizer que o aumento dos juros se dá para reduzir a demanda da economia, ou seja, para que as pessoas moderem o consumo de bens e serviços. Assim, com a diminuição da demanda, tende a haver uma redução de preços e uma queda geral da inflação.
A lógica dos mortais levaria à conclusão de que, se os juros foram aumentados na última quarta-feira, estaria havendo no país uma elevada pressão de demanda, certo?
Errado. Em letras garrafais, esta Folha estampou, na última quinta-feira, a informação de que "o consumo, último motor a dar força à economia, rateia".
Depois de sustentar o crescimento do PIB no ano passado, o consumo das famílias cresceu apenas 0,1% no primeiro trimestre.
O modesto crescimento trimestral do PIB brasileiro foi gerado basicamente pela expansão dos investimentos, no valor de 4,6%, o que é uma boa notícia, e também da agricultura, de 9,7%.
Ora, se não há crescimento do consumo, é lógico concluir que a inflação --na faixa dos 6% ao ano-- não está sendo alimentada por esse consumo. E que não haveria necessidade de elevar os juros para conter uma demanda que já é pífia.
Além disso, são claros os sinais de que a pressão inflacionária, muito sustentada pelos preços dos alimentos no início do ano, está neste momento arrefecendo.
Vários índices já registraram inflação zero ou deflação no mês de maio. No primeiro quadrimestre, o Índice de Preços ao Produtor (IPP), pelo qual o IBGE mede a inflação de produtos na saída das fábricas em 23 setores, registrou uma variação negativa de 0,06%, resultado até então inédito. Em geral, pode-se dizer que os preços no atacado estão estáveis ou mesmo em queda, tendência que deve se refletir no varejo nas próximas semanas.
A lógica diz, portanto, que a decisão de elevar os juros não se deu em razão da pressão inflacionária, mas, sim, da pressão de setores financeiros, que vivem de juros, e não de atividades produtivas.
Prevaleceu a tese de que o ajuste seria necessário para recuperar a credibilidade da autoridade monetária, que estaria sendo leniente com a inflação. É uma pena que seja assim. A credibilidade da autoridade monetária nunca foi tão alta, porque vem se mostrando sensível, nos últimos anos, ao impacto de sua atuação na produção e no emprego. A alta dos juros tenderá a esfriar ainda mais a economia, com diminuição não só do consumo, mas também de investimentos produtivos.
Autoridades monetárias não podem ser lenientes com inflação. Mas precisam ter coerência.
O Brasil caminha na contramão das demais grandes economias, que adotam a flexibilização monetária para estimular a volta do crescimento. Como companheiros nessa viagem perigosa, o Brasil tem hoje Rússia, Argentina e Venezuela, países que ainda adotam taxas básicas de juros superiores à nossa.
Expliquem-se como quiserem os economistas de bancos e analistas do setor financeiro que defenderam a alta da Selic. Publiquem fórmulas, invoquem a necessidade de atuar sobre expectativas, mas nem a famosa velhinha de Taubaté vai acreditar que faz sentido elevar juros num momento conjuntural de PIB estagnado e de consumo e preços em queda.
Isso é brincar com fogo e flertar com a recessão. Se a recessão vier, trará indiscutíveis efeitos econômicos, sociais, políticos e, naturalmente, eleitorais.
Aumentar juros para conter uma demanda já pífia é espancar a lógica; venceu a pressão do setor financeiro
Antes do feriadão, havia me programado para escrever sobre a burocracia que ainda assola o país e corrói a sua competitividade. Mas, na quarta-feira, duas notícias caíram como bomba.
Uma foi a variação do PIB no primeiro trimestre, de 0,6%, o que projeta crescimento de 2,2% neste ano, muito abaixo da expectativa.
A outra, um novo aumento na taxa básica de juros além das previsões do próprio mercado financeiro, que naturalmente gosta de juros altos --a Selic foi ajustada em 0,5 ponto percentual, para 8% ao ano.
Deixo o tema da burocracia para uma próxima coluna, porque entendo que não se pode espancar a lógica. Não é preciso ser economista para observar que as duas notícias acima espelham uma contradição.
Por que os bancos centrais aumentam as taxas de juros? Em português compreensível para civis mortais, pode-se dizer que o aumento dos juros se dá para reduzir a demanda da economia, ou seja, para que as pessoas moderem o consumo de bens e serviços. Assim, com a diminuição da demanda, tende a haver uma redução de preços e uma queda geral da inflação.
A lógica dos mortais levaria à conclusão de que, se os juros foram aumentados na última quarta-feira, estaria havendo no país uma elevada pressão de demanda, certo?
Errado. Em letras garrafais, esta Folha estampou, na última quinta-feira, a informação de que "o consumo, último motor a dar força à economia, rateia".
Depois de sustentar o crescimento do PIB no ano passado, o consumo das famílias cresceu apenas 0,1% no primeiro trimestre.
O modesto crescimento trimestral do PIB brasileiro foi gerado basicamente pela expansão dos investimentos, no valor de 4,6%, o que é uma boa notícia, e também da agricultura, de 9,7%.
Ora, se não há crescimento do consumo, é lógico concluir que a inflação --na faixa dos 6% ao ano-- não está sendo alimentada por esse consumo. E que não haveria necessidade de elevar os juros para conter uma demanda que já é pífia.
Além disso, são claros os sinais de que a pressão inflacionária, muito sustentada pelos preços dos alimentos no início do ano, está neste momento arrefecendo.
Vários índices já registraram inflação zero ou deflação no mês de maio. No primeiro quadrimestre, o Índice de Preços ao Produtor (IPP), pelo qual o IBGE mede a inflação de produtos na saída das fábricas em 23 setores, registrou uma variação negativa de 0,06%, resultado até então inédito. Em geral, pode-se dizer que os preços no atacado estão estáveis ou mesmo em queda, tendência que deve se refletir no varejo nas próximas semanas.
A lógica diz, portanto, que a decisão de elevar os juros não se deu em razão da pressão inflacionária, mas, sim, da pressão de setores financeiros, que vivem de juros, e não de atividades produtivas.
Prevaleceu a tese de que o ajuste seria necessário para recuperar a credibilidade da autoridade monetária, que estaria sendo leniente com a inflação. É uma pena que seja assim. A credibilidade da autoridade monetária nunca foi tão alta, porque vem se mostrando sensível, nos últimos anos, ao impacto de sua atuação na produção e no emprego. A alta dos juros tenderá a esfriar ainda mais a economia, com diminuição não só do consumo, mas também de investimentos produtivos.
Autoridades monetárias não podem ser lenientes com inflação. Mas precisam ter coerência.
O Brasil caminha na contramão das demais grandes economias, que adotam a flexibilização monetária para estimular a volta do crescimento. Como companheiros nessa viagem perigosa, o Brasil tem hoje Rússia, Argentina e Venezuela, países que ainda adotam taxas básicas de juros superiores à nossa.
Expliquem-se como quiserem os economistas de bancos e analistas do setor financeiro que defenderam a alta da Selic. Publiquem fórmulas, invoquem a necessidade de atuar sobre expectativas, mas nem a famosa velhinha de Taubaté vai acreditar que faz sentido elevar juros num momento conjuntural de PIB estagnado e de consumo e preços em queda.
Isso é brincar com fogo e flertar com a recessão. Se a recessão vier, trará indiscutíveis efeitos econômicos, sociais, políticos e, naturalmente, eleitorais.
Política fiscal austera - ANTONIO DELFIM NETTO
Valor Econômico - 04/06
Há um movimento de parlamentares que deseja engessar a execução orçamentária para garantir o cumprimento automático das suas emendas, o que teria alguma vantagem institucional do ponto de vista da relação entre os poderes da República. Mas a prática do "orçamento impositivo" esconde um enorme perigo, porque a manipulação do orçamento no Congresso deixa muito a desejar, uma vez que 90% das despesas já são impositivas. Por outro lado, as estimativas da "receita" vão sendo alegremente ajustadas ao longo das discussões no Parlamento e a aprovação final do orçamento é feita na 25ª hora do último expediente, o que acaba incorporando despropósitos.
É importante compreender que uma política fiscal séria, que contemple o equilíbrio fiscal nominal ao longo do ciclo econômico e mantenha a relação dívida pública bruta/PIB relativamente estável, é a base de tudo: do crescimento robusto sem pressões inflacionárias e capaz de sustentar uma política de aumento da igualdade de oportunidades para todos os cidadãos. O exercício abaixo pretende mostrar isso.
Como é intuitivo, o volume da produção de um país é resultado da combinação de muitas variáveis. No curto prazo, digamos um ano, a maioria delas (as instituições, por exemplo) são praticamente constantes. O mesmo acontece com o estoque de capital físico - os bens de produção, as estradas, os portos etc... O único fator de produção ajustável é o nível de uso da mão de obra determinado pela oferta e demanda no mercado de trabalho. Se há um estresse nesse mercado porque toda a mão de obra disponível está (para efeitos práticos) empregada, a produção física, no curto prazo, estará limitada por ela. A coisa é um pouco mais complicada porque parte da mão de obra pode estar "estocada" no setor industrial devido ao alto custo de sua dispensa quando comparado com a "esperança" que um eventual aumento da demanda setorial permitirá utilizá-la. Mas isso exige uma mudança de preços relativos, particularmente das taxas reais de câmbio e juros.
Levando a simplificação ao extremo, sem prejudicar o efeito para o qual queremos chamar a atenção, podemos dizer que, no curto prazo, o volume físico do PIB que pode ser produzido é praticamente constante. Esqueçamos o complicado problema da unidade em que ele é medido e vamos fazê-lo igual a 100. Para produzi-lo temos (por hipótese) de importar 14 unidades físicas, na mesma unidade complexa. Logo a "oferta" total disponível é igual a 100 + 14 = 114. Suponhamos que ela ("demanda") seja utilizada da seguinte forma que mimetiza a economia brasileira:
Oferta e procura globais estão em equilíbrio contábil. Todos os componentes podem variar, menos o PIB = 100. Este é determinado pelas restrições dos fatores de produção, particularmente, da mão de obra. Pelos números do exercício vemos que o saldo em conta corrente (exportação menos importação) é igual a -2. Podemos, portanto, escrever:
Como o PIB é constante e igual a 100, qualquer mudança de seu uso (por exemplo, um aumento do investimento) terá que ser, necessariamente, compensada por uma redução equivalente dos outros componentes. Suponhamos que o investimento seja de 22 (mais 4). Então, o corte no consumo das famílias e do governo e o aumento do saldo negativo das transações correntes teriam que somar 4. Isso, obviamente, não acontece pela "vontade" de alguém. Será resultado das "forças" que determinam cada tipo de uso.
Quais são essas forças? O consumo das famílias é, basicamente, determinado pelo nível de renda disponível (PIB = 100, menos a carga tributária, receita do governo). O consumo do governo é determinado discricionariamente. O investimento depende da taxa de juros real. O saldo em conta corrente, da taxa de câmbio real. Nesse exercício, simplificado pela circunstância do PIB ser constante, não é preciso ser um físico quântico para intuir que a taxa de juro real e a taxa de câmbio real devem variar com sinais contrários: quando o investimento cresce (porque a taxa de juro real caiu) o déficit em conta corrente deve aumentar, o que significa que a taxa de câmbio real deve valorizar-se. Em outras palavras, câmbio real e juro real são ligados por uma relação inversa.
Vamos agora ao que interessa. Numa situação como a atual, em que o PIB é praticamente constante por restrições físicas, qual é o resultado de uma política fiscal expansionista que aumenta a despesa discricionária do governo? Sobre o consumo o efeito será nulo porque o PIB é constante e não houve aumento de tributação. Aliás, a redução de impostos pode até ampliá-lo. Logo, o corte será sobre o investimento (controlado pela taxa de juros real) e/ou a ampliação do déficit em conta corrente (controlado pela taxa de câmbio real).
Sem entrar nos mecanismos de transmissão nos mercados que produzirão tais resultados, é intuitivo que os efeitos produzidos pela ampliação das despesas do governo (PIB constante) serão: 1º) um aumento da taxa de juros real para cortar o investimento e/ou 2º) uma valorização do câmbio real para aumentar o déficit em conta corrente. Portanto, tudo que o Brasil precisa neste momento para aumentar a potência da política monetária sem prejudicar o crescimento é de uma política fiscal mais austera.
Há um movimento de parlamentares que deseja engessar a execução orçamentária para garantir o cumprimento automático das suas emendas, o que teria alguma vantagem institucional do ponto de vista da relação entre os poderes da República. Mas a prática do "orçamento impositivo" esconde um enorme perigo, porque a manipulação do orçamento no Congresso deixa muito a desejar, uma vez que 90% das despesas já são impositivas. Por outro lado, as estimativas da "receita" vão sendo alegremente ajustadas ao longo das discussões no Parlamento e a aprovação final do orçamento é feita na 25ª hora do último expediente, o que acaba incorporando despropósitos.
É importante compreender que uma política fiscal séria, que contemple o equilíbrio fiscal nominal ao longo do ciclo econômico e mantenha a relação dívida pública bruta/PIB relativamente estável, é a base de tudo: do crescimento robusto sem pressões inflacionárias e capaz de sustentar uma política de aumento da igualdade de oportunidades para todos os cidadãos. O exercício abaixo pretende mostrar isso.
Como é intuitivo, o volume da produção de um país é resultado da combinação de muitas variáveis. No curto prazo, digamos um ano, a maioria delas (as instituições, por exemplo) são praticamente constantes. O mesmo acontece com o estoque de capital físico - os bens de produção, as estradas, os portos etc... O único fator de produção ajustável é o nível de uso da mão de obra determinado pela oferta e demanda no mercado de trabalho. Se há um estresse nesse mercado porque toda a mão de obra disponível está (para efeitos práticos) empregada, a produção física, no curto prazo, estará limitada por ela. A coisa é um pouco mais complicada porque parte da mão de obra pode estar "estocada" no setor industrial devido ao alto custo de sua dispensa quando comparado com a "esperança" que um eventual aumento da demanda setorial permitirá utilizá-la. Mas isso exige uma mudança de preços relativos, particularmente das taxas reais de câmbio e juros.
Levando a simplificação ao extremo, sem prejudicar o efeito para o qual queremos chamar a atenção, podemos dizer que, no curto prazo, o volume físico do PIB que pode ser produzido é praticamente constante. Esqueçamos o complicado problema da unidade em que ele é medido e vamos fazê-lo igual a 100. Para produzi-lo temos (por hipótese) de importar 14 unidades físicas, na mesma unidade complexa. Logo a "oferta" total disponível é igual a 100 + 14 = 114. Suponhamos que ela ("demanda") seja utilizada da seguinte forma que mimetiza a economia brasileira:
Oferta e procura globais estão em equilíbrio contábil. Todos os componentes podem variar, menos o PIB = 100. Este é determinado pelas restrições dos fatores de produção, particularmente, da mão de obra. Pelos números do exercício vemos que o saldo em conta corrente (exportação menos importação) é igual a -2. Podemos, portanto, escrever:
Como o PIB é constante e igual a 100, qualquer mudança de seu uso (por exemplo, um aumento do investimento) terá que ser, necessariamente, compensada por uma redução equivalente dos outros componentes. Suponhamos que o investimento seja de 22 (mais 4). Então, o corte no consumo das famílias e do governo e o aumento do saldo negativo das transações correntes teriam que somar 4. Isso, obviamente, não acontece pela "vontade" de alguém. Será resultado das "forças" que determinam cada tipo de uso.
Quais são essas forças? O consumo das famílias é, basicamente, determinado pelo nível de renda disponível (PIB = 100, menos a carga tributária, receita do governo). O consumo do governo é determinado discricionariamente. O investimento depende da taxa de juros real. O saldo em conta corrente, da taxa de câmbio real. Nesse exercício, simplificado pela circunstância do PIB ser constante, não é preciso ser um físico quântico para intuir que a taxa de juro real e a taxa de câmbio real devem variar com sinais contrários: quando o investimento cresce (porque a taxa de juro real caiu) o déficit em conta corrente deve aumentar, o que significa que a taxa de câmbio real deve valorizar-se. Em outras palavras, câmbio real e juro real são ligados por uma relação inversa.
Vamos agora ao que interessa. Numa situação como a atual, em que o PIB é praticamente constante por restrições físicas, qual é o resultado de uma política fiscal expansionista que aumenta a despesa discricionária do governo? Sobre o consumo o efeito será nulo porque o PIB é constante e não houve aumento de tributação. Aliás, a redução de impostos pode até ampliá-lo. Logo, o corte será sobre o investimento (controlado pela taxa de juros real) e/ou a ampliação do déficit em conta corrente (controlado pela taxa de câmbio real).
Sem entrar nos mecanismos de transmissão nos mercados que produzirão tais resultados, é intuitivo que os efeitos produzidos pela ampliação das despesas do governo (PIB constante) serão: 1º) um aumento da taxa de juros real para cortar o investimento e/ou 2º) uma valorização do câmbio real para aumentar o déficit em conta corrente. Portanto, tudo que o Brasil precisa neste momento para aumentar a potência da política monetária sem prejudicar o crescimento é de uma política fiscal mais austera.
O peso do dólar - MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 04/06
Um evento isolado não é detonador de inflação. Normalmente, os preços sobem como resultado de um conjunto de problemas. A alta do dólar agora é um complicador porque se soma a todos os fatores que têm mantido a inflação alta, apesar do baixo crescimento do PIB. O trabalho do Banco Central ficará um pouco mais difícil a partir do salto de 7% que o câmbio deu no mês de maio.
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse no fim de semana em Istambul que a alta do dólar é um fenômeno mundial e que o "repasse do dólar para a economia brasileira é limitado".
O fato de ser um fenômeno mundial, ou seja, a moeda americana estar subindo no mundo inteiro, não significa que não nos afeta. Complica mais um pouco. Mas o Banco Central nem por isso tem que tentar intervir para derrubar o dólar; pode fazê-lo - como explicou o presidente do BC - para evitar o excesso de volatilidade.
O câmbio é uma relação delicada. Se sobe muito, encarece o endividamento externo dos países e das empresas; se cai muito, prejudica a balança comercial. Quando o governo decide defender uma dada taxa de câmbio acaba enfrentando corridas contra a moeda local. O dólar incomoda quando sobe, incomoda quando cai. Basta ver as declarações das autoridades a cada movimento mais acentuado.
Desde o final do ano passado houve vários desses momentos assim. O dólar subiu bastante no ano passado, e o ministro da Fazenda sempre comemorou o fato como um sinal de que isso ajudaria os exportadores. Chegou a dizer, em novembro, que o câmbio acima de R$ 2 tinha vindo para ficar. A ideia geral que passou foi de que se tentaria desvalorizar mais o real. Quando o dólar se aproximou de R$ 2,15, o Banco Central entrou derrubando e isso inverteu totalmente a curva. E o entendimento geral foi que o BC estava tentando derrubar o dólar para melhorar a inflação.
Quando, no final de janeiro, chegou a ameaçar ficar abaixo de R$ 2,00, o ministro Guido Mantega disse que o governo não estava mudando a política cambial e que não permitiria a "valorização especulativa" da moeda. Na época, Mantega disse: "É verdade que no passado tivemos elevação do dólar e nós apoiamos. Tivemos 20% de desvalorização do real e isso afeta a inflação", disse.
O "apoio" dado à alta do dólar quando ele estava fraco no resto do mundo foi dado na convicção de que isso afetaria favoravelmente a balança comercial e não teria maior impacto na inflação. Ocorre que o Brasil está com déficit na balança comercial e inflação alta.
O resultado da balança comercial de maio foi o melhor número do ano, mas foram magros US$ 760 milhões de superávit. No ano, o déficit está em US$ 5,4 bilhões. A Associação do Comércio Exterior do Brasil (AEB) vai rever a projeção da balança comercial só em julho, mas o presidente da associação, José Augusto de Castro, disse que dá para explicar esse resultado pelas exportações de soja, minério de ferro e petróleo. Só de petróleo, em quantidade, a queda é de 45%, em grande parte pela produção menor da Petrobras.
O real mais fraco é uma das causas da inflação mais alta. Desde 2011, nossa moeda vem perdendo valor ano a ano. Em janeiro de 2011, o dólar valia R$ 1,65. Chegou a cair para R$ 1,55 em abril daquele ano, mas fechou em R$ 1,87, numa valorização de 13% no período. No ano seguinte, nova alta do dólar, que fechou em R$ 2,04, ganhando 9%. Na sexta-feira, fechou em R$ 2,14, com valorização de 5% desde janeiro e alta de 7% em maio. Ao todo, a moeda americana ficou 30% mais forte desde que a presidente Dilma tomou posse e escolheu a política de uma moeda mais desvalorizada.
Um evento isolado não é detonador de inflação. Normalmente, os preços sobem como resultado de um conjunto de problemas. A alta do dólar agora é um complicador porque se soma a todos os fatores que têm mantido a inflação alta, apesar do baixo crescimento do PIB. O trabalho do Banco Central ficará um pouco mais difícil a partir do salto de 7% que o câmbio deu no mês de maio.
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse no fim de semana em Istambul que a alta do dólar é um fenômeno mundial e que o "repasse do dólar para a economia brasileira é limitado".
O fato de ser um fenômeno mundial, ou seja, a moeda americana estar subindo no mundo inteiro, não significa que não nos afeta. Complica mais um pouco. Mas o Banco Central nem por isso tem que tentar intervir para derrubar o dólar; pode fazê-lo - como explicou o presidente do BC - para evitar o excesso de volatilidade.
O câmbio é uma relação delicada. Se sobe muito, encarece o endividamento externo dos países e das empresas; se cai muito, prejudica a balança comercial. Quando o governo decide defender uma dada taxa de câmbio acaba enfrentando corridas contra a moeda local. O dólar incomoda quando sobe, incomoda quando cai. Basta ver as declarações das autoridades a cada movimento mais acentuado.
Desde o final do ano passado houve vários desses momentos assim. O dólar subiu bastante no ano passado, e o ministro da Fazenda sempre comemorou o fato como um sinal de que isso ajudaria os exportadores. Chegou a dizer, em novembro, que o câmbio acima de R$ 2 tinha vindo para ficar. A ideia geral que passou foi de que se tentaria desvalorizar mais o real. Quando o dólar se aproximou de R$ 2,15, o Banco Central entrou derrubando e isso inverteu totalmente a curva. E o entendimento geral foi que o BC estava tentando derrubar o dólar para melhorar a inflação.
Quando, no final de janeiro, chegou a ameaçar ficar abaixo de R$ 2,00, o ministro Guido Mantega disse que o governo não estava mudando a política cambial e que não permitiria a "valorização especulativa" da moeda. Na época, Mantega disse: "É verdade que no passado tivemos elevação do dólar e nós apoiamos. Tivemos 20% de desvalorização do real e isso afeta a inflação", disse.
O "apoio" dado à alta do dólar quando ele estava fraco no resto do mundo foi dado na convicção de que isso afetaria favoravelmente a balança comercial e não teria maior impacto na inflação. Ocorre que o Brasil está com déficit na balança comercial e inflação alta.
O resultado da balança comercial de maio foi o melhor número do ano, mas foram magros US$ 760 milhões de superávit. No ano, o déficit está em US$ 5,4 bilhões. A Associação do Comércio Exterior do Brasil (AEB) vai rever a projeção da balança comercial só em julho, mas o presidente da associação, José Augusto de Castro, disse que dá para explicar esse resultado pelas exportações de soja, minério de ferro e petróleo. Só de petróleo, em quantidade, a queda é de 45%, em grande parte pela produção menor da Petrobras.
O real mais fraco é uma das causas da inflação mais alta. Desde 2011, nossa moeda vem perdendo valor ano a ano. Em janeiro de 2011, o dólar valia R$ 1,65. Chegou a cair para R$ 1,55 em abril daquele ano, mas fechou em R$ 1,87, numa valorização de 13% no período. No ano seguinte, nova alta do dólar, que fechou em R$ 2,04, ganhando 9%. Na sexta-feira, fechou em R$ 2,14, com valorização de 5% desde janeiro e alta de 7% em maio. Ao todo, a moeda americana ficou 30% mais forte desde que a presidente Dilma tomou posse e escolheu a política de uma moeda mais desvalorizada.
Medindo o vento - MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 04/06
Essa confusão na base aliada, que só fez recrudescer nas últimas duas semanas, vai continuar até que se tenha definição do quadro econômico. O que está agitando muito a base é a formação de palanques e acordos estaduais para a eleição de 2014. Como a presidente Dilma antecipou muito a campanha eleitoral, problemas que só apareceriam ano que vem começaram a aparecer agora, com a companhia desagradável de problemas econômicos: PIB que não cresce, inflação precisando de controle e déficit recorde da balança comercial.
Então, todo mundo está querendo saber para que lado o vento soprará; os partidos para tomarem posição que possa lhes garantir a continuidade no poder, e a presidente Dilma para que possa contar com os apoios políticos de que precisa para a reeleição, sem ter que fazer concessões, que não é do seu estilo.
A inflação já está afetando sua popularidade, não em caráter definitivo, mas mostrando que tem potencial para atrapalhar os planos, caso não seja controlada. Está todo mundo inquieto, querendo interpretar as nuvens da política. Se a oposição entrar em 2014 com chances de interromper a sequência do PT no poder, de nada adiantará ter base formal de 80% do Congresso, que tudo irá pelos ares.
No fundo, no fundo, essa base aliada não é do governo, muito menos do PT. É de conveniência, inclusive o PMDB. E não será surpresa se o PMDB voltar a se dividir. A união do PMDB só aconteceu no momento em que parecia infindável a predominância petista no cenário político nacional. Se houver alguma indicação de que isso pode não acontecer, vários setores regionais importantes podem se desgarrar.
A sensação de que o modelo pode ter esgotado sua capacidade de atuação, decadente sem ter chegado ao apogeu, pode estimular traições. É impossível contar com uma lealdade da base se o que une a maioria dos partidos ao governo não é uma questão ideológica, mas interesses específicos, imediatos ou de longo prazo, mas sempre interesses políticos que independem da lealdade para se realizar. Às vezes, dependem até de uma traiçãozinha básica.
A culpa desse relacionamento esquizofrênico é do governo, que não perde a oportunidade para demonstrar desprezo por esses aliados de ocasião e, sobretudo, pela atuação do Congresso, que considera mero instrumento de seus desejos, e não um Poder em igualdade de condições.
O ex-presidente Lula, embora tenha saído de sua única experiência congressual na Constituinte de 1988 convencido de que havia 350 picaretas entre os deputados, logo entendeu que, além de cooptá-los através de favores diversos, teria também que fingir considerá-los honoráveis parceiros de jornada, dar-lhes espaço e apoio político para que atuassem sem serem incomodados.
Sua compreensão de como se dá esse jogo de toma lá dá cá faz muita falta hoje nesses dias em que, provavelmente reproduzindo o sentimento da presidente, os articuladores políticos do governo dão aos parlamentares a importância que julgam que têm, isto é, nenhuma.
No momento em que Renan Calheiros é o presidente do Senado, quem dá lições institucionais à chefe do Gabinete Civil, Gleisi Hoffmann, fica estabelecido que as relações entre Planalto e base não andam às mil maravilhas. E é só de uma desculpa que políticos precisam para saltar do barco se for prudente, diante não de uma honra atingida, mas da perspectiva de perda de poder. Nada funciona mais nesse mundo de relações tão superficiais do que a expectativa de poder ou, melhor dizendo, a expectativa de perda de poder.
Este mês faz 20 anos da morte de Carlos Castello Branco, o Castelinho, o mais importante jornalista político de uma geração. Junto com o aniversário de seu falecimento, os últimos dias trouxeram más notícias para o jornalismo, as mortes de Ruy Mesquita, do Estadão, e de Roberto Civita, da Abril. São marcos na história do jornalismo brasileiro que o tornam mais pobre.
Essa confusão na base aliada, que só fez recrudescer nas últimas duas semanas, vai continuar até que se tenha definição do quadro econômico. O que está agitando muito a base é a formação de palanques e acordos estaduais para a eleição de 2014. Como a presidente Dilma antecipou muito a campanha eleitoral, problemas que só apareceriam ano que vem começaram a aparecer agora, com a companhia desagradável de problemas econômicos: PIB que não cresce, inflação precisando de controle e déficit recorde da balança comercial.
Então, todo mundo está querendo saber para que lado o vento soprará; os partidos para tomarem posição que possa lhes garantir a continuidade no poder, e a presidente Dilma para que possa contar com os apoios políticos de que precisa para a reeleição, sem ter que fazer concessões, que não é do seu estilo.
A inflação já está afetando sua popularidade, não em caráter definitivo, mas mostrando que tem potencial para atrapalhar os planos, caso não seja controlada. Está todo mundo inquieto, querendo interpretar as nuvens da política. Se a oposição entrar em 2014 com chances de interromper a sequência do PT no poder, de nada adiantará ter base formal de 80% do Congresso, que tudo irá pelos ares.
No fundo, no fundo, essa base aliada não é do governo, muito menos do PT. É de conveniência, inclusive o PMDB. E não será surpresa se o PMDB voltar a se dividir. A união do PMDB só aconteceu no momento em que parecia infindável a predominância petista no cenário político nacional. Se houver alguma indicação de que isso pode não acontecer, vários setores regionais importantes podem se desgarrar.
A sensação de que o modelo pode ter esgotado sua capacidade de atuação, decadente sem ter chegado ao apogeu, pode estimular traições. É impossível contar com uma lealdade da base se o que une a maioria dos partidos ao governo não é uma questão ideológica, mas interesses específicos, imediatos ou de longo prazo, mas sempre interesses políticos que independem da lealdade para se realizar. Às vezes, dependem até de uma traiçãozinha básica.
A culpa desse relacionamento esquizofrênico é do governo, que não perde a oportunidade para demonstrar desprezo por esses aliados de ocasião e, sobretudo, pela atuação do Congresso, que considera mero instrumento de seus desejos, e não um Poder em igualdade de condições.
O ex-presidente Lula, embora tenha saído de sua única experiência congressual na Constituinte de 1988 convencido de que havia 350 picaretas entre os deputados, logo entendeu que, além de cooptá-los através de favores diversos, teria também que fingir considerá-los honoráveis parceiros de jornada, dar-lhes espaço e apoio político para que atuassem sem serem incomodados.
Sua compreensão de como se dá esse jogo de toma lá dá cá faz muita falta hoje nesses dias em que, provavelmente reproduzindo o sentimento da presidente, os articuladores políticos do governo dão aos parlamentares a importância que julgam que têm, isto é, nenhuma.
No momento em que Renan Calheiros é o presidente do Senado, quem dá lições institucionais à chefe do Gabinete Civil, Gleisi Hoffmann, fica estabelecido que as relações entre Planalto e base não andam às mil maravilhas. E é só de uma desculpa que políticos precisam para saltar do barco se for prudente, diante não de uma honra atingida, mas da perspectiva de perda de poder. Nada funciona mais nesse mundo de relações tão superficiais do que a expectativa de poder ou, melhor dizendo, a expectativa de perda de poder.
Este mês faz 20 anos da morte de Carlos Castello Branco, o Castelinho, o mais importante jornalista político de uma geração. Junto com o aniversário de seu falecimento, os últimos dias trouxeram más notícias para o jornalismo, as mortes de Ruy Mesquita, do Estadão, e de Roberto Civita, da Abril. São marcos na história do jornalismo brasileiro que o tornam mais pobre.
A má notícia nossa de cada dia - ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 04/06
BRASÍLIA - A presidente Dilma que vá nos perdoando, mas já virou rotina: todo dia é dia de má notícia, sobretudo na economia.
A de ontem veio da balança comercial, que voltou ao azul em maio, mas com um saldo positivo 74,3% menor do que há um ano e acumulando um resultado em 2013 que é simplesmente o pior da história.
É ou não é preocupante? Ainda mais dentro de um contexto em que tudo parece desandando. A previsão de crescimento do PIB de 2013 era de 4,5%, caiu para 3,5% e acaba de ser revista para 2,77%. Onde vai parar? Ou melhor, onde vamos parar?
Há convergência de crescimento baixo com inflação sempre no teto da meta, juros subindo, indústria acuada, famílias consumindo menos, superavit primário (economia para pagar juros) decepcionante e dólar disparando --a cotação da semana passada foi a mais alta desde 2009.
Tudo, então, fica assim: o pior desde não sei quando, o mais baixo da história, a maior queda em tantos anos... E o governo respondendo sempre com um mesmo dado: os altos níveis de emprego, o que é de fato muito bom e tem efeitos eleitorais certeiros, mas não é suficiente para salvar a lavoura.
(Aliás, a imagem não é adequada, porque, se há alguma coisa positiva, além do emprego, é a lavoura --que salva o PIB e mantém a balança comercial ainda positiva.)
Em meio às más notícias na economia, uma atrás da outra, a presidente agora está à volta com duas tabas em pé de guerra. Uma é literal, a dos índios, que se rebelam de norte a sul. Outra é o Congresso, onde índio quer apito e os caciques exigem muito mais.
Não bastasse, setores conservadores articulam-se em torno de temas como aborto e união gay para passeatas em Brasília e demonstrações de força em todo o país, mirando as urnas de 2014. Estão crescendo.
Esse cenário e o clima não são bons para a imagem de Dilma hoje e não ajudam a reeleição amanhã.
BRASÍLIA - A presidente Dilma que vá nos perdoando, mas já virou rotina: todo dia é dia de má notícia, sobretudo na economia.
A de ontem veio da balança comercial, que voltou ao azul em maio, mas com um saldo positivo 74,3% menor do que há um ano e acumulando um resultado em 2013 que é simplesmente o pior da história.
É ou não é preocupante? Ainda mais dentro de um contexto em que tudo parece desandando. A previsão de crescimento do PIB de 2013 era de 4,5%, caiu para 3,5% e acaba de ser revista para 2,77%. Onde vai parar? Ou melhor, onde vamos parar?
Há convergência de crescimento baixo com inflação sempre no teto da meta, juros subindo, indústria acuada, famílias consumindo menos, superavit primário (economia para pagar juros) decepcionante e dólar disparando --a cotação da semana passada foi a mais alta desde 2009.
Tudo, então, fica assim: o pior desde não sei quando, o mais baixo da história, a maior queda em tantos anos... E o governo respondendo sempre com um mesmo dado: os altos níveis de emprego, o que é de fato muito bom e tem efeitos eleitorais certeiros, mas não é suficiente para salvar a lavoura.
(Aliás, a imagem não é adequada, porque, se há alguma coisa positiva, além do emprego, é a lavoura --que salva o PIB e mantém a balança comercial ainda positiva.)
Em meio às más notícias na economia, uma atrás da outra, a presidente agora está à volta com duas tabas em pé de guerra. Uma é literal, a dos índios, que se rebelam de norte a sul. Outra é o Congresso, onde índio quer apito e os caciques exigem muito mais.
Não bastasse, setores conservadores articulam-se em torno de temas como aborto e união gay para passeatas em Brasília e demonstrações de força em todo o país, mirando as urnas de 2014. Estão crescendo.
Esse cenário e o clima não são bons para a imagem de Dilma hoje e não ajudam a reeleição amanhã.
Pingos nos is - DORA KRAMER
O Estado de S.Paulo - 04/06
"Alguém precisa furar esse tumor, explicitar a questão. Até para que o debate saia do campo da intriga e aconteça à luz do dia", diz o ex-ministro da Integração Nacional e atualmente um dos vice-presidentes da Caixa Econômica Federal, Geddel Vieira Lima, sobre sua decisão de falar publicamente e sem ambiguidades sobre os atritos entre governo, PT e PMDB.
E o que diz ele? Em resumo, que os conflitos se avolumam, cresce a tendência de os pemedebistas lançarem candidatos próprios nos Estados em 2014 e, se continuar nesse ritmo, mais adiante há o risco de a convenção do PMDB não aprovar a renovação da aliança com o PT.
"Não acho salutar esse jogo nebuloso em que prospera a rasteira em prejuízo do diálogo. É uma situação muito ruim para todo mundo. Administrativamente devo lealdade ao governo, mas não posso esquecer que politicamente milito no PMDB."
Não tem nada combinado com a direção do partido, Geddel não se intitula porta-voz dos insatisfeitos nem carrega a bandeira da ruptura. "Faço uma constatação, não uma pregação." Trata-se, segundo ele, de uma resolução unilateral com dois propósitos: sentir o "pulso" do PMDB sobre a consistência das crescentes reclamações e levar a uma solução do problema.
Para o bem ou para o mal. Ou se estabelece com transparência o entendimento ou se chega à conclusão de que em 2014 os dois maiores parceiros da aliança que sustentam o governo vão brincar separados. Uma terceira hipótese é a de essa manifestação cair no vazio e as coisas continuarem como estão - na base da intriga de bastidor em clima de tensão permanente.
Nesse terreno meio movediço ninguém sabe direito qual o tamanho real da encrenca nem se o que move os queixosos é a política ou o fisiologismo em estado bruto.
Se a opção for recorrer aos panos quentes, se a escolha for por "abafar o caso", isso vai significar que o partido prefere atuar na dinâmica do estresse para não se arriscar a perder algumas benesses que ainda lhe rende a condição de aliado preferencial, mas sem abrir mão do gestual de protesto.
"Digo isso claramente porque as pessoas estão com medo de falar sobre os efeitos da antecipação do processo eleitoral, que antecipou também a explosão das angústias estaduais."
Em miúdos: o PMDB se vê alijado do centro do poder federal. Embora ocupe a vice-presidência da República, ministérios e um punhado de cargos, não participa das decisões de governo.
Com isso, fica regionalmente desguarnecido para montar palanques fortes, eleger governadores e formar grandes bancadas no Congresso de onde vem a força do partido desde que desistiu de construir seu próprio projeto nacional mediante a disputa da Presidência da República.
Na última eleição municipal o número de prefeituras do PMDB foi reduzido significativamente. Segundo avaliação interna, isso ocorreu muito em função de o partido ter-se colocado a reboque dos interesses eleitorais do PT.
A se repetir esse padrão em que aos pemedebistas fica sempre reservado o papel de coadjuvantes, a consequência pode ser a redução da representação do partido no Parlamento e daí a perda de influência em decorrência do esvaziamento do principal ativo do partido.
A proposta de Geddel Vieira Lima é que as cartas sejam postas na mesa com franqueza: o PMDB diga ao governo que precisa de instrumentos e autonomia para preservar sua condição de partido com presença importante no cenário nacional e o governo diga ao PMDB se há espaço para convivência ou se ao PT o que interessa mesmo é ser o dono absoluto da bola.
Postos os pingos nos is, cabe aos brigões decidir se vão, se racham ou se preferem continuar aos trancos para ver como é que na hora H ficam os barrancos.
"Alguém precisa furar esse tumor, explicitar a questão. Até para que o debate saia do campo da intriga e aconteça à luz do dia", diz o ex-ministro da Integração Nacional e atualmente um dos vice-presidentes da Caixa Econômica Federal, Geddel Vieira Lima, sobre sua decisão de falar publicamente e sem ambiguidades sobre os atritos entre governo, PT e PMDB.
E o que diz ele? Em resumo, que os conflitos se avolumam, cresce a tendência de os pemedebistas lançarem candidatos próprios nos Estados em 2014 e, se continuar nesse ritmo, mais adiante há o risco de a convenção do PMDB não aprovar a renovação da aliança com o PT.
"Não acho salutar esse jogo nebuloso em que prospera a rasteira em prejuízo do diálogo. É uma situação muito ruim para todo mundo. Administrativamente devo lealdade ao governo, mas não posso esquecer que politicamente milito no PMDB."
Não tem nada combinado com a direção do partido, Geddel não se intitula porta-voz dos insatisfeitos nem carrega a bandeira da ruptura. "Faço uma constatação, não uma pregação." Trata-se, segundo ele, de uma resolução unilateral com dois propósitos: sentir o "pulso" do PMDB sobre a consistência das crescentes reclamações e levar a uma solução do problema.
Para o bem ou para o mal. Ou se estabelece com transparência o entendimento ou se chega à conclusão de que em 2014 os dois maiores parceiros da aliança que sustentam o governo vão brincar separados. Uma terceira hipótese é a de essa manifestação cair no vazio e as coisas continuarem como estão - na base da intriga de bastidor em clima de tensão permanente.
Nesse terreno meio movediço ninguém sabe direito qual o tamanho real da encrenca nem se o que move os queixosos é a política ou o fisiologismo em estado bruto.
Se a opção for recorrer aos panos quentes, se a escolha for por "abafar o caso", isso vai significar que o partido prefere atuar na dinâmica do estresse para não se arriscar a perder algumas benesses que ainda lhe rende a condição de aliado preferencial, mas sem abrir mão do gestual de protesto.
"Digo isso claramente porque as pessoas estão com medo de falar sobre os efeitos da antecipação do processo eleitoral, que antecipou também a explosão das angústias estaduais."
Em miúdos: o PMDB se vê alijado do centro do poder federal. Embora ocupe a vice-presidência da República, ministérios e um punhado de cargos, não participa das decisões de governo.
Com isso, fica regionalmente desguarnecido para montar palanques fortes, eleger governadores e formar grandes bancadas no Congresso de onde vem a força do partido desde que desistiu de construir seu próprio projeto nacional mediante a disputa da Presidência da República.
Na última eleição municipal o número de prefeituras do PMDB foi reduzido significativamente. Segundo avaliação interna, isso ocorreu muito em função de o partido ter-se colocado a reboque dos interesses eleitorais do PT.
A se repetir esse padrão em que aos pemedebistas fica sempre reservado o papel de coadjuvantes, a consequência pode ser a redução da representação do partido no Parlamento e daí a perda de influência em decorrência do esvaziamento do principal ativo do partido.
A proposta de Geddel Vieira Lima é que as cartas sejam postas na mesa com franqueza: o PMDB diga ao governo que precisa de instrumentos e autonomia para preservar sua condição de partido com presença importante no cenário nacional e o governo diga ao PMDB se há espaço para convivência ou se ao PT o que interessa mesmo é ser o dono absoluto da bola.
Postos os pingos nos is, cabe aos brigões decidir se vão, se racham ou se preferem continuar aos trancos para ver como é que na hora H ficam os barrancos.
Virtudes e vícios da democracia - HÉLIO SCHWARTSMAN
FOLHA DE SP - 04/06
SÃO PAULO - Reportagem de Valdo Cruz e Natuza Nery publicada no domingo naFolha sugere que uma queda na popularidade de Dilma Rousseff por causa da inflação foi decisiva para fazer a presidente mudar de posição e apoiar um aumento mais agressivo nos juros.
É meio assustador descobrir que a política econômica do país é definida por pesquisas de opinião, e não por um projeto de governo. Receio, porém, que lidemos aqui com uma limitação intrínseca da democracia.
Por um lado, é desejável que dirigentes estejam em sintonia com a população e respondam a seus anseios. A ideia mestra da democracia é que ela constitua uma espécie de autogestão coletiva --o tal do governo do povo, para o povo e pelo povo.
Não se pode, por outro lado, desprezar os riscos de um entrosamento muito profundo entre governantes e a população. O mais óbvio é o populismo, no qual se sacrificam objetivos de longo prazo em troca de aprovações momentâneas, geralmente programadas para coincidir com eleições. Embarcar nesse tipo de lógica compromete a racionalidade econômica de um governo, que se torna incapaz de definir prioridades e passa a perseguir metas inconciliáveis, gerando pequenos e grandes desastres.
Isso significa que a democracia é uma miragem? A pergunta é capciosa. Penso que ela funciona, mas não porque maiorias sejam portadoras da verdade. A democracia vem dando certo porque consegue canalizar os conflitos sociais para formas não violentas de disputa. Tem ainda o dom de fazer com que as visões mais extremadas do espectro político se anulem pelo voto, deixando a decisão para os setores moderados.
Ela também transforma a sociedade num grande experimento em que os atores podem aprender com seus erros. Até há pouco, a inflação era o resultado de políticas populistas que, hoje, para manter-se efetivas precisam incluir o controle da aceleração dos preços.
SÃO PAULO - Reportagem de Valdo Cruz e Natuza Nery publicada no domingo naFolha sugere que uma queda na popularidade de Dilma Rousseff por causa da inflação foi decisiva para fazer a presidente mudar de posição e apoiar um aumento mais agressivo nos juros.
É meio assustador descobrir que a política econômica do país é definida por pesquisas de opinião, e não por um projeto de governo. Receio, porém, que lidemos aqui com uma limitação intrínseca da democracia.
Por um lado, é desejável que dirigentes estejam em sintonia com a população e respondam a seus anseios. A ideia mestra da democracia é que ela constitua uma espécie de autogestão coletiva --o tal do governo do povo, para o povo e pelo povo.
Não se pode, por outro lado, desprezar os riscos de um entrosamento muito profundo entre governantes e a população. O mais óbvio é o populismo, no qual se sacrificam objetivos de longo prazo em troca de aprovações momentâneas, geralmente programadas para coincidir com eleições. Embarcar nesse tipo de lógica compromete a racionalidade econômica de um governo, que se torna incapaz de definir prioridades e passa a perseguir metas inconciliáveis, gerando pequenos e grandes desastres.
Isso significa que a democracia é uma miragem? A pergunta é capciosa. Penso que ela funciona, mas não porque maiorias sejam portadoras da verdade. A democracia vem dando certo porque consegue canalizar os conflitos sociais para formas não violentas de disputa. Tem ainda o dom de fazer com que as visões mais extremadas do espectro político se anulem pelo voto, deixando a decisão para os setores moderados.
Ela também transforma a sociedade num grande experimento em que os atores podem aprender com seus erros. Até há pouco, a inflação era o resultado de políticas populistas que, hoje, para manter-se efetivas precisam incluir o controle da aceleração dos preços.
Combinação explosiva - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR
GAZETA DO POVO - PR - 04/06
O risco numa situação de PIB baixo e inflação em alta é o governo ficar tentado a fazer estripulias que terminam por danificar o organismo produtivo para o futuro
O Conselho de Política Monetária do Banco Central (Copom) elevou a taxa básica de juros, a Selic, de 7,5% para 8% ao ano. O argumento é que a elevação foi necessária para combater a inflação. Para 2013, a meta de inflação fixada pelo Banco Central (BC) é de 4,5%, medida pelo IPCA. A resolução do BC fixando essa meta prevê a margem de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo, ou seja, de 2,5% a 6,5%. Mas a inflação vem teimando em superar o teto desde o início do ano e, embora o IPCA seja calculado com base em 365 itens de bens e serviços de consumo, o grupo “alimentação”, aquele que mais atinge as famílias, chegou a atingir 14% de elevação no acumulado de 12 meses.
Diante desse quadro, nada mais normal que o Copom eleve a taxa Selic, pois ela é o principal instrumento à disposição do BC para combater a escalada dos preços. O problema não está na conexão lógica e aceitável entre elevação de preços e subida na taxa de juros, mas sim em outro ponto: a coexistência perversa entre inflação em alta e Produto Interno Bruto (PIB) em baixa. Essa combinação é explosiva e capaz de provocar duas consequências altamente negativas para o bem-estar social: a perda de poder de compra dos salários (efeito da inflação) e o aumento do nível de desemprego (efeito do PIB em baixa).
O PIB do ano passado cresceu à taxa pífia de 0,9% (embora o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tenha começado o ano prevendo crescimento de 4%) e as previsões feitas por instituições do mercado para 2013 estão jogando a estimativa para baixo – algumas falam em 2,5%, longe da previsão do governo de 4% para este ano. O PIB está em queda por algumas razões, entre elas a redução do consumo das pessoas resultante do endividamento nos anos anteriores e da inflação recente.
Tendo em conta o atual panorama econômico, a coexistência de inflação alta (que corrói o poder de compra), PIB em baixa (que gera desemprego) e juros subindo (o que encarece as dívidas e desestimula investimentos) constitui um conjunto de indicadores com potencial de empobrecer a população e corroer a popularidade do governo. A presidente Dilma Rousseff somente aceitou hipotecar seu apoio à decisão do BC de elevar os juros por ter sentido queda em seus índices de popularidade.
Tanto para fins de confiança no governo quanto para o otimismo das pessoas, as duas situações mais graves – portanto, a serem evitadas a qualquer custo – são a inflação e o desemprego. Juntas, essas duas doenças econômicas têm o potencial de jogar a população contra o governo e tirar votos de um presidente candidato à reeleição. Como Dilma é candidata, em 2014, a um segundo mandato, ela corre contra o tempo e, para não correr riscos eleitorais, precisa trazer a inflação para baixo em poucos meses (sem apelar à solução argentina de maquiar os índices) e, ainda por cima, tentar evitar que a taxa de desemprego aumente.
Outro aspecto com capacidade para estimular o pessimismo econômico é a repetição do chamado “voo da galinha”, ou seja, o crescimento do PIB em uns poucos anos para, na sequência, perder fôlego e cair. Aplicado à economia, o conceito de crescimento sustentado significa ter o PIB crescendo todos os anos a uma taxa superior à taxa de aumento da população. Em 2012, verificou-se uma situação muito ruim: o PIB cresceu apenas 0,9% contra um aumento de 1,1% da população, diminuindo, assim, a fatia média de cada habitante (renda per capita).
O risco numa situação como a atual – quadro econômico ruim à véspera de eleição presidencial – é o governo ficar tentado a tomar medidas heterodoxas e não convencionais e acabar fazendo estripulias que, além de não resolverem o problema, terminam por danificar o organismo produtivo para o futuro. Exemplo disso foram os planos econômicos dos anos 80 que, tentando resolver os dramas econômicos por meio de mágicas não funcionais, deixaram de atacar os verdadeiros problemas do país, especialmente os déficits públicos, o inchaço do Estado, o intervencionismo, o protecionismo e a emissão de dinheiro.
Quando o governo Lula conseguiu manter o PIB em crescimento, especialmente por um conjunto de medidas fiscais e creditícias, novamente foi cometido o erro de serem postergadas as reformas estruturais (a trabalhista, a tributária e a previdenciária), as privatizações e a falta de investimentos em infraestrutura. Esgotada a possibilidade de puxar o aumento do PIB pelo aumento do consumo das pessoas, o Brasil está sentindo que os entraves internos ao crescimento econômico estão todos aí.
O risco numa situação de PIB baixo e inflação em alta é o governo ficar tentado a fazer estripulias que terminam por danificar o organismo produtivo para o futuro
O Conselho de Política Monetária do Banco Central (Copom) elevou a taxa básica de juros, a Selic, de 7,5% para 8% ao ano. O argumento é que a elevação foi necessária para combater a inflação. Para 2013, a meta de inflação fixada pelo Banco Central (BC) é de 4,5%, medida pelo IPCA. A resolução do BC fixando essa meta prevê a margem de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo, ou seja, de 2,5% a 6,5%. Mas a inflação vem teimando em superar o teto desde o início do ano e, embora o IPCA seja calculado com base em 365 itens de bens e serviços de consumo, o grupo “alimentação”, aquele que mais atinge as famílias, chegou a atingir 14% de elevação no acumulado de 12 meses.
Diante desse quadro, nada mais normal que o Copom eleve a taxa Selic, pois ela é o principal instrumento à disposição do BC para combater a escalada dos preços. O problema não está na conexão lógica e aceitável entre elevação de preços e subida na taxa de juros, mas sim em outro ponto: a coexistência perversa entre inflação em alta e Produto Interno Bruto (PIB) em baixa. Essa combinação é explosiva e capaz de provocar duas consequências altamente negativas para o bem-estar social: a perda de poder de compra dos salários (efeito da inflação) e o aumento do nível de desemprego (efeito do PIB em baixa).
O PIB do ano passado cresceu à taxa pífia de 0,9% (embora o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tenha começado o ano prevendo crescimento de 4%) e as previsões feitas por instituições do mercado para 2013 estão jogando a estimativa para baixo – algumas falam em 2,5%, longe da previsão do governo de 4% para este ano. O PIB está em queda por algumas razões, entre elas a redução do consumo das pessoas resultante do endividamento nos anos anteriores e da inflação recente.
Tendo em conta o atual panorama econômico, a coexistência de inflação alta (que corrói o poder de compra), PIB em baixa (que gera desemprego) e juros subindo (o que encarece as dívidas e desestimula investimentos) constitui um conjunto de indicadores com potencial de empobrecer a população e corroer a popularidade do governo. A presidente Dilma Rousseff somente aceitou hipotecar seu apoio à decisão do BC de elevar os juros por ter sentido queda em seus índices de popularidade.
Tanto para fins de confiança no governo quanto para o otimismo das pessoas, as duas situações mais graves – portanto, a serem evitadas a qualquer custo – são a inflação e o desemprego. Juntas, essas duas doenças econômicas têm o potencial de jogar a população contra o governo e tirar votos de um presidente candidato à reeleição. Como Dilma é candidata, em 2014, a um segundo mandato, ela corre contra o tempo e, para não correr riscos eleitorais, precisa trazer a inflação para baixo em poucos meses (sem apelar à solução argentina de maquiar os índices) e, ainda por cima, tentar evitar que a taxa de desemprego aumente.
Outro aspecto com capacidade para estimular o pessimismo econômico é a repetição do chamado “voo da galinha”, ou seja, o crescimento do PIB em uns poucos anos para, na sequência, perder fôlego e cair. Aplicado à economia, o conceito de crescimento sustentado significa ter o PIB crescendo todos os anos a uma taxa superior à taxa de aumento da população. Em 2012, verificou-se uma situação muito ruim: o PIB cresceu apenas 0,9% contra um aumento de 1,1% da população, diminuindo, assim, a fatia média de cada habitante (renda per capita).
O risco numa situação como a atual – quadro econômico ruim à véspera de eleição presidencial – é o governo ficar tentado a tomar medidas heterodoxas e não convencionais e acabar fazendo estripulias que, além de não resolverem o problema, terminam por danificar o organismo produtivo para o futuro. Exemplo disso foram os planos econômicos dos anos 80 que, tentando resolver os dramas econômicos por meio de mágicas não funcionais, deixaram de atacar os verdadeiros problemas do país, especialmente os déficits públicos, o inchaço do Estado, o intervencionismo, o protecionismo e a emissão de dinheiro.
Quando o governo Lula conseguiu manter o PIB em crescimento, especialmente por um conjunto de medidas fiscais e creditícias, novamente foi cometido o erro de serem postergadas as reformas estruturais (a trabalhista, a tributária e a previdenciária), as privatizações e a falta de investimentos em infraestrutura. Esgotada a possibilidade de puxar o aumento do PIB pelo aumento do consumo das pessoas, o Brasil está sentindo que os entraves internos ao crescimento econômico estão todos aí.
O PIB, choque de realidade - EDITORIAL O ESTADÃO
O Estado de S.Paulo - 04/06
O governo pretende fazer do investimento o motor da expansão econômica - e com urgência, para colher resultados eleitorais em 2014. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já havia chamado a atenção para uma provável mudança do padrão de crescimento, baseado em informações parciais.
Mas a nova orientação ficou clara só no último fim de semana, depois de anunciado o fiasco econômico do primeiro trimestre. Nesse período, o Produto Interno Bruto (PIB) foi apenas 0,6% maior que o dos três meses finais de 2012. O consumo das famílias ficou praticamente estável, com expansão de 0,1%, apesar da manutenção de vários estímulos fiscais.
Uma revisão dos números dificilmente mudará os pontos essenciais do quadro. Diante do desastre inegável, e pressionada pelo desafio da reeleição, a cúpula do governo decidiu, como primeira providência, atribuir a máxima importância ao programa de concessões na área de infraestrutura.
A maior ênfase ao investimento foi confirmada pelo ministro da Fazenda e pelo presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, depois de publicados os números do primeiro trimestre. A preocupação com as eleições de 2014, além de evidente, foi reconhecida por fontes do governo.
A mudança de ênfase poderá fortalecer a política econômica, se a equipe responsável se mostrar capaz, a partir de agora, de executar o programa. Será uma notável metamorfose. Anunciado em agosto de 2012, o programa de concessões ficou empacado até agora. Deveria ter sido prioritário desde o lançamento, mas só há pouco tempo a cúpula brasiliense parece haver descoberto sua real importância.
O começo das licitações estava previsto para o fim do ano passado, mas só deverá ocorrer, na melhor hipótese, em setembro. Para evitar mais um fracasso, o governo teve de vencer o preconceito contra o lucro, melhorando as condições de rentabilidade dos projetos.
Aquelas oferecidas inicialmente foram baixas demais para atrair investidores. Em vez de se perguntar se o País precisa realmente de infraestrutura mais ampla e mais eficiente, as autoridades concentraram a atenção na lucratividade do investimento. A decisão inicial de limitar severamente o retorno para os investidores inverteu as prioridades e deixou a expansão e a modernização da infraestrutura em plano inferior.
Quando o programa de concessões foi anunciado, há quase um ano, o primeiro obstáculo foi logo apontado por alguns analistas: já nas licitações o governo poderia tropeçar, por falta de realismo na fixação de critérios e por despreparo técnico. Esse despreparo já foi reconhecido até por autoridades, em momentos de rara franqueza na discussão de problemas de política econômica e de execução de programas e de projetos.
Com a mesma franqueza, seria preciso reconhecer o voluntarismo e a teimosia como algumas das piores marcas da atual administração federal. Esses defeitos explicam por que o governo insistiu até recentemente em tratar o consumo como principal motor da economia. De fato, o governo só decidiu pensar em nova estratégia quando a estagnação do consumo tornou evidente o fracasso da escolha inicial da presidente Dilma Rousseff e de seus conselheiros mais importantes.
Esse fracasso é também explicável, em parte, pela tolerância à inflação, outro erro fundamental da política seguida até agora. Mesmo com os incentivos setoriais e com a inegável expansão do crédito, os consumidores tiveram dificuldade crescente para conviver com a alta de preços e consequente erosão de seu poder de compra. A percepção desse fato levou a outra importante mudança, traduzida no recente aperto monetário. Depois de muito tempo, a inflação parece haver-se tornado, afinal, assunto importante para a cúpula da administração petista.
O governo sofreu um choque de realidade. Daí a conversa sobre um novo padrão de crescimento. Mas é cedo para medir esse choque e suas consequências. A política fiscal, até agora marcada pela irresponsabilidade, será um indicador muito importante para essa avaliação.
O governo pretende fazer do investimento o motor da expansão econômica - e com urgência, para colher resultados eleitorais em 2014. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já havia chamado a atenção para uma provável mudança do padrão de crescimento, baseado em informações parciais.
Mas a nova orientação ficou clara só no último fim de semana, depois de anunciado o fiasco econômico do primeiro trimestre. Nesse período, o Produto Interno Bruto (PIB) foi apenas 0,6% maior que o dos três meses finais de 2012. O consumo das famílias ficou praticamente estável, com expansão de 0,1%, apesar da manutenção de vários estímulos fiscais.
Uma revisão dos números dificilmente mudará os pontos essenciais do quadro. Diante do desastre inegável, e pressionada pelo desafio da reeleição, a cúpula do governo decidiu, como primeira providência, atribuir a máxima importância ao programa de concessões na área de infraestrutura.
A maior ênfase ao investimento foi confirmada pelo ministro da Fazenda e pelo presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, depois de publicados os números do primeiro trimestre. A preocupação com as eleições de 2014, além de evidente, foi reconhecida por fontes do governo.
A mudança de ênfase poderá fortalecer a política econômica, se a equipe responsável se mostrar capaz, a partir de agora, de executar o programa. Será uma notável metamorfose. Anunciado em agosto de 2012, o programa de concessões ficou empacado até agora. Deveria ter sido prioritário desde o lançamento, mas só há pouco tempo a cúpula brasiliense parece haver descoberto sua real importância.
O começo das licitações estava previsto para o fim do ano passado, mas só deverá ocorrer, na melhor hipótese, em setembro. Para evitar mais um fracasso, o governo teve de vencer o preconceito contra o lucro, melhorando as condições de rentabilidade dos projetos.
Aquelas oferecidas inicialmente foram baixas demais para atrair investidores. Em vez de se perguntar se o País precisa realmente de infraestrutura mais ampla e mais eficiente, as autoridades concentraram a atenção na lucratividade do investimento. A decisão inicial de limitar severamente o retorno para os investidores inverteu as prioridades e deixou a expansão e a modernização da infraestrutura em plano inferior.
Quando o programa de concessões foi anunciado, há quase um ano, o primeiro obstáculo foi logo apontado por alguns analistas: já nas licitações o governo poderia tropeçar, por falta de realismo na fixação de critérios e por despreparo técnico. Esse despreparo já foi reconhecido até por autoridades, em momentos de rara franqueza na discussão de problemas de política econômica e de execução de programas e de projetos.
Com a mesma franqueza, seria preciso reconhecer o voluntarismo e a teimosia como algumas das piores marcas da atual administração federal. Esses defeitos explicam por que o governo insistiu até recentemente em tratar o consumo como principal motor da economia. De fato, o governo só decidiu pensar em nova estratégia quando a estagnação do consumo tornou evidente o fracasso da escolha inicial da presidente Dilma Rousseff e de seus conselheiros mais importantes.
Esse fracasso é também explicável, em parte, pela tolerância à inflação, outro erro fundamental da política seguida até agora. Mesmo com os incentivos setoriais e com a inegável expansão do crédito, os consumidores tiveram dificuldade crescente para conviver com a alta de preços e consequente erosão de seu poder de compra. A percepção desse fato levou a outra importante mudança, traduzida no recente aperto monetário. Depois de muito tempo, a inflação parece haver-se tornado, afinal, assunto importante para a cúpula da administração petista.
O governo sofreu um choque de realidade. Daí a conversa sobre um novo padrão de crescimento. Mas é cedo para medir esse choque e suas consequências. A política fiscal, até agora marcada pela irresponsabilidade, será um indicador muito importante para essa avaliação.
Presos demais - EDITORIAL FOLHA DE SP
FOLHA DE SP - 04/06
Apesar do acréscimo de vagas carcerárias, prisões paulistas ainda exibem superlotação; falta um esforço para libertar quem não precisa ficar detido
Mais de duas décadas após o massacre do Carandiru, a realidade dos presídios paulistas é outra. Megarrebeliões e matanças como aquela ficaram no passado. A superlotação, contudo, permanece.
O Carandiru chegou a ter 2,3 presos por vaga. A média do Estado de São Paulo, hoje (1,95), se acerca disso: são 205 mil detentos para 105 mil lugares. Nos Centros de Detenção Provisória de Pinheiros e Santo André, já foi ultrapassada a marca incivilizada de 3,5.
São número deprimentes. O encarceramento em prisões repletas, ainda que "pacificadas" pelo terror imposto por facções criminosas, se equipara às penas cruéis vedadas pelo artigo 5º da Constituição. O Estado mais rico do Brasil não pode lavar as mãos diante dessa injustiça flagrante.
Construir presídios é a reação óbvia, mas insuficiente. Desde 2010 foram abertas 9.284 vagas em São Paulo, que mal dão conta da demanda. De 12 instalações inauguradas desde então, dez já ultrapassam a capacidade estipulada.
O Estado tem a maior população carcerária do Brasil, com 37% do total, e uma taxa de encarceramento de 486 detentos por grupo de 100 mil habitantes, acima da média nacional de 287 por 100 mil. Ao menos quatro fatores ajudam a explicar tal liderança carcerária.
Dois deles são indicativos de maior eficiência paulista. Em primeiro lugar, aumentou aqui o número de prisões --eram 8.447 ao mês em 2011 e neste ano já chegam a 10.234. Além disso, o governo estadual promete cumprir em dois anos a meta de zerar o número de presos mantidos irregularmente em delegacias (restam 4.903).
Os outros dois fatores são velhas mazelas nacionais: morosidade da Justiça, que mantém encarcerados presos que poderiam já gozar de progressão de pena, e excesso de rigor de magistrados contra acusados de tráfico de drogas.
Um estudo de 2011 do Núcleo de Estudos da Violência da USP mostrou que muitos dos presos como traficantes na cidade de São Paulo eram de baixa periculosidade. Apenas 3% portavam uma arma no momento da prisão, por exemplo, e a quantidade média de droga apreendida com eles era baixa.
Apesar disso, nove entre dez acusados responderam ao processo todo na prisão. Embora mais da metade das condenações fosse inferior a quatro anos de reclusão, requisito para o juiz conceder substituição por penas alternativas, isso só ocorria em 5% dos casos.
Prisões existem para afastar criminosos violentos do convívio social. Encher cárceres de dependentes e pequenos traficantes, onde ficarão sob o jugo de facínoras e em condições subumanas, não é o modo mais eficiente de deter o crime.
Apesar do acréscimo de vagas carcerárias, prisões paulistas ainda exibem superlotação; falta um esforço para libertar quem não precisa ficar detido
Mais de duas décadas após o massacre do Carandiru, a realidade dos presídios paulistas é outra. Megarrebeliões e matanças como aquela ficaram no passado. A superlotação, contudo, permanece.
O Carandiru chegou a ter 2,3 presos por vaga. A média do Estado de São Paulo, hoje (1,95), se acerca disso: são 205 mil detentos para 105 mil lugares. Nos Centros de Detenção Provisória de Pinheiros e Santo André, já foi ultrapassada a marca incivilizada de 3,5.
São número deprimentes. O encarceramento em prisões repletas, ainda que "pacificadas" pelo terror imposto por facções criminosas, se equipara às penas cruéis vedadas pelo artigo 5º da Constituição. O Estado mais rico do Brasil não pode lavar as mãos diante dessa injustiça flagrante.
Construir presídios é a reação óbvia, mas insuficiente. Desde 2010 foram abertas 9.284 vagas em São Paulo, que mal dão conta da demanda. De 12 instalações inauguradas desde então, dez já ultrapassam a capacidade estipulada.
O Estado tem a maior população carcerária do Brasil, com 37% do total, e uma taxa de encarceramento de 486 detentos por grupo de 100 mil habitantes, acima da média nacional de 287 por 100 mil. Ao menos quatro fatores ajudam a explicar tal liderança carcerária.
Dois deles são indicativos de maior eficiência paulista. Em primeiro lugar, aumentou aqui o número de prisões --eram 8.447 ao mês em 2011 e neste ano já chegam a 10.234. Além disso, o governo estadual promete cumprir em dois anos a meta de zerar o número de presos mantidos irregularmente em delegacias (restam 4.903).
Os outros dois fatores são velhas mazelas nacionais: morosidade da Justiça, que mantém encarcerados presos que poderiam já gozar de progressão de pena, e excesso de rigor de magistrados contra acusados de tráfico de drogas.
Um estudo de 2011 do Núcleo de Estudos da Violência da USP mostrou que muitos dos presos como traficantes na cidade de São Paulo eram de baixa periculosidade. Apenas 3% portavam uma arma no momento da prisão, por exemplo, e a quantidade média de droga apreendida com eles era baixa.
Apesar disso, nove entre dez acusados responderam ao processo todo na prisão. Embora mais da metade das condenações fosse inferior a quatro anos de reclusão, requisito para o juiz conceder substituição por penas alternativas, isso só ocorria em 5% dos casos.
Prisões existem para afastar criminosos violentos do convívio social. Encher cárceres de dependentes e pequenos traficantes, onde ficarão sob o jugo de facínoras e em condições subumanas, não é o modo mais eficiente de deter o crime.
Funai amplia insegurança jurídica - EDITORIAL O GLOBO
O GLOBO - 04/06
O foco de tensão que já esteve concentrado na atuação de organizações ditas sociais de trabalhadores sem terra se transfere, no momento, para a ação de ONGs, da Igreja (Cimi, Conselho Missionário Indigenista), promotores e procuradores na militância junto a povos indígenas. Com um objetivo duplo: paralisar o programa estratégico de aproveitamento do potencial hidrelétrico na Amazônia e ampliar ao máximo reservas indígenas ao arrepio de normas em fase final de fixação pelo Supremo.
E, para espanto de não iniciados na forma como o governo é loteado, a Funai (Fundação Nacional do Índio) não atua, no setor, como órgão governamental, mas na função de instrumento desta militância. Repete-se o modelo do Incra, com os sem-terra.
Este é o pano de fundo da série de invasões do canteiro de obras da usina de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. Detalhe esclarecedor é que os mundurukus, por viverem a 800 quilômetros do local, são transportados de ônibus para fazer as ocupações. Alguém, por óbvio, paga as viagens...
O conflito, já com a morte de um índio terena, na Fazenda Buriti, em Mato Grosso do Sul, é outro caso emblemático. A Justiça, como se espera, tem concedido aos proprietários o direito à reintegração da posse, mas a pressão continua, com a Funai ao lado dos invasores.
A autarquia tem trabalhado para ampliar a insegurança jurídica nas áreas de conflito entre índios e produtores agrícolas. A situação seria outra se a Funai seguisse as regras estabelecidas pelo Supremo, no julgamento da legalidade da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, por meio do voto do ministro, já falecido, Carlos Alberto Direito, dado depois de um pedido de vista. A Advocacia Geral da União chegou a baixar portaria, em julho do ano passado, para instruir os diversos órgãos públicos a agir nos litígios com base nas diretrizes aprovadas pelo Supremo. Depois, diante das pressões, voltou atrás.
Funai e aliados se aproveitam da demora no fechamento formal do processo sobre a reserva de Roraima e atuam como se nada tivesse acontecido. Não por acaso, forem impetrados inúmeros embargos ao acórdão do processo, cujo relator, Ayres Britto, caiu na “expulsória” dos 70 anos de idade. O indicado para seu lugar, o advogado Luís Roberto Barroso, terá de ser sabatinado, aprovado pelo Senado e tomar posse para avaliar os embargos e encerrar o caso.
Segundo as regras aprovadas, por exemplo, nenhuma reserva já demarcada pode ser ampliada (já representam 13% do território nacional), nem haverá restrição — como desejam Funai e aliados — à atuação das Formas Armadas e Polícia Federal nas áreas.
Preocupada com a tensão, a presidente Dilma convocou ministros e determinou a criação de programas sociais específicos para os índios. Mas, em vez de instituir um “Bolsa índio”, a prioridade da presidente deveria ser enquadrar a Funai e reintegrá-la ao Estado brasileiro.
O foco de tensão que já esteve concentrado na atuação de organizações ditas sociais de trabalhadores sem terra se transfere, no momento, para a ação de ONGs, da Igreja (Cimi, Conselho Missionário Indigenista), promotores e procuradores na militância junto a povos indígenas. Com um objetivo duplo: paralisar o programa estratégico de aproveitamento do potencial hidrelétrico na Amazônia e ampliar ao máximo reservas indígenas ao arrepio de normas em fase final de fixação pelo Supremo.
E, para espanto de não iniciados na forma como o governo é loteado, a Funai (Fundação Nacional do Índio) não atua, no setor, como órgão governamental, mas na função de instrumento desta militância. Repete-se o modelo do Incra, com os sem-terra.
Este é o pano de fundo da série de invasões do canteiro de obras da usina de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. Detalhe esclarecedor é que os mundurukus, por viverem a 800 quilômetros do local, são transportados de ônibus para fazer as ocupações. Alguém, por óbvio, paga as viagens...
O conflito, já com a morte de um índio terena, na Fazenda Buriti, em Mato Grosso do Sul, é outro caso emblemático. A Justiça, como se espera, tem concedido aos proprietários o direito à reintegração da posse, mas a pressão continua, com a Funai ao lado dos invasores.
A autarquia tem trabalhado para ampliar a insegurança jurídica nas áreas de conflito entre índios e produtores agrícolas. A situação seria outra se a Funai seguisse as regras estabelecidas pelo Supremo, no julgamento da legalidade da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, por meio do voto do ministro, já falecido, Carlos Alberto Direito, dado depois de um pedido de vista. A Advocacia Geral da União chegou a baixar portaria, em julho do ano passado, para instruir os diversos órgãos públicos a agir nos litígios com base nas diretrizes aprovadas pelo Supremo. Depois, diante das pressões, voltou atrás.
Funai e aliados se aproveitam da demora no fechamento formal do processo sobre a reserva de Roraima e atuam como se nada tivesse acontecido. Não por acaso, forem impetrados inúmeros embargos ao acórdão do processo, cujo relator, Ayres Britto, caiu na “expulsória” dos 70 anos de idade. O indicado para seu lugar, o advogado Luís Roberto Barroso, terá de ser sabatinado, aprovado pelo Senado e tomar posse para avaliar os embargos e encerrar o caso.
Segundo as regras aprovadas, por exemplo, nenhuma reserva já demarcada pode ser ampliada (já representam 13% do território nacional), nem haverá restrição — como desejam Funai e aliados — à atuação das Formas Armadas e Polícia Federal nas áreas.
Preocupada com a tensão, a presidente Dilma convocou ministros e determinou a criação de programas sociais específicos para os índios. Mas, em vez de instituir um “Bolsa índio”, a prioridade da presidente deveria ser enquadrar a Funai e reintegrá-la ao Estado brasileiro.
COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO
“Eurico Tejera foi ‘suicidado’. Mataram ele”
Claudio Fonteles, da Comissão da Verdade, sobre a morte do ativista em 1972
ACUSADO DE ASSÉDIO, EMBAIXADOR GANHA SALA ‘VIP’
Em pleno regime de contenção de despesas, o Itamaraty gastou R$ 30 mil com uma sala “privativa” no consulado-geral em Sidney (Austrália) para o embaixador Américo Fontenelle e seu adjunto César Cidade, acusados de assédio moral e sexual a funcionários, ficarem mais “à vontade” no interrogatório de testemunhas e advogados de defesa deles no processo administrativo emperrado desde fevereiro.
MAIS DO MESMO
Fontenelle havia sido acusado de assédio quando era cônsul-geral em Toronto (Canadá), mas acabou premiado com o posto na Austrália.
‘EMBROMATION’
O Itamaraty empurra com a barriga a nova denúncia contra Américo Fontenelle desde sua publicação nesta coluna, em 14 de fevereiro.
TOP SECRET
A assessoria do chanceler Antonio Patriota não informa o andamento da suposta investigação “sigilosa” contra o embaixador Fontenelle.
QUE TRABALHEIRA...
Cinco líderes sindicais vão passar quase 20 dias por nossa conta em Genebra, na Suíça, para a Conferência Internacional do Trabalho.
DEFESA DA EXPO 2020
A atriz portuguesa Maria de Madeiros, cujo trabalho é muito elogiado na Europa, será a madrinha da candidatura de São Paulo a sediar a Expo 2020. “Apaixonada” pela cidade, ela a defenderá diante dos 146 delegados do Bureau of International Expositions (BIE) dia 12, em Paris. Dois dias antes, a cantora Daniela Mercury fará um show privado para os delegados em um coquetel na embaixada do Brasil.
DIVERSIDADE
A candidatura paulistana para a Expo 2020 terá como mote “São Paulo, capital do novo mundo – a diversidade como força do crescimento”.
MONSTRO FAMINTO
Ele não sai do lugar, mas tem fome no estaleiro: a Marinha gastou R$ 7 milhões para abastecer a despensa do porta-aviões São Paulo.
BOLSA-CEMITÉRIO
A moda pegou entre coveiros do Rio: pedem “caixinha” para adiantar o serviço. Sem ela, enterros marcados atrasam até duas horas.
FALTA DE APETITE
O PT não mais esconde que o “mau momento” de Dilma na economia e na base aliada abre a porta para a candidatura de Lula em 2014. Ela anda dizendo por aí que “não tem mais estômago” para o cargo.
ALVO A ABATER
Em conversas reservadas, petistas influentes ameaçam o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ). Acham que o deputado não resistiria a um “mapeamento” de suas operações e relações de influência. A influência de Cunha avança inclusive no próprio PT.
ENEM SABE
A nova presidente da UNE, Virgina Barros, lamentou no Twitter “o maior aeroporto do Brasil chamar-se GRU Airport”. Alguém precisa ensinar a moça que se trata de convenção internacional.
ASSUNTOS ALEATÓRIOS
Conselheiro de administração da Caixa Seguros, o aspone-mor top-top Marco Aurélio Garcia está em Paris representando o Brasil na reunião da holding e no Fórum Internacional da America Latina e Caribe.
TAMOS AÍ
Deputados do PTB garantem que 90% da bancada da Câmara e do Senado querem apoiar a reeleição da presidente Dilma. Em troca, o presidente interino, Benito Gama, está louco para assumir o cargo.
COM CAUTELA
Para evitar confusão como a da MP dos Portos, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) defende o envio ao Congresso no dia 17 de junho, em forma de projeto de lei, e não de medida provisória, o marco regulatório da mineração. A matéria tramitará em regime de urgência.
PAUTA
Indicado para o Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso terá de enfrentar temas polêmicos na sabatina do Senado, como royalties do petróleo, mensalão, terrorista Cesare Battisti e casamento gay.
SÓ LOVE
A governadora Rosalba Ciarlini (DEM), quem diria, rasgou seda para a presidente Dilma, em Natal. Dilma foi simpática com Rosalba e a vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria (PSB), que prepara o palanque potiguar do presidenciável Eduardo Campos, em 2014.
EPAX!
O bilionário Eike Batista terá que explicar ao Ministério Público do Trabalho irregularidades na OSX Construção Naval, em Campos (RJ).
(((((( ))))))
PODER SEM PUDOR
A ARTE DO ENFRENTAMENTO
Tancredo Neves sustentou nos anos 80, em palestra a estudantes, que às vezes o enfrentamento é necessário. Contou que era vereador em São João Del Rey, e, atacado por adversário, escreveu-lhe uma furiosa carta de três páginas. "Qual foi a reação dele?", perguntou um rapaz.
- Ah, não mandei. No dia seguinte, reduzi para uma página.
- E como ele reagiu?
- Não mandei a carta. Achei melhor transformá-la em bilhete.
- Ele ficou irritado?
- Não mandei o bilhete. Optei por um telegrama.
- E como ele reagiu ao telegrama? - os garotos já se impacientavam.
- Pensei bem e vi que aquilo era bobagem. E joguei-o no lixo.
Claudio Fonteles, da Comissão da Verdade, sobre a morte do ativista em 1972
ACUSADO DE ASSÉDIO, EMBAIXADOR GANHA SALA ‘VIP’
Em pleno regime de contenção de despesas, o Itamaraty gastou R$ 30 mil com uma sala “privativa” no consulado-geral em Sidney (Austrália) para o embaixador Américo Fontenelle e seu adjunto César Cidade, acusados de assédio moral e sexual a funcionários, ficarem mais “à vontade” no interrogatório de testemunhas e advogados de defesa deles no processo administrativo emperrado desde fevereiro.
MAIS DO MESMO
Fontenelle havia sido acusado de assédio quando era cônsul-geral em Toronto (Canadá), mas acabou premiado com o posto na Austrália.
‘EMBROMATION’
O Itamaraty empurra com a barriga a nova denúncia contra Américo Fontenelle desde sua publicação nesta coluna, em 14 de fevereiro.
TOP SECRET
A assessoria do chanceler Antonio Patriota não informa o andamento da suposta investigação “sigilosa” contra o embaixador Fontenelle.
QUE TRABALHEIRA...
Cinco líderes sindicais vão passar quase 20 dias por nossa conta em Genebra, na Suíça, para a Conferência Internacional do Trabalho.
DEFESA DA EXPO 2020
A atriz portuguesa Maria de Madeiros, cujo trabalho é muito elogiado na Europa, será a madrinha da candidatura de São Paulo a sediar a Expo 2020. “Apaixonada” pela cidade, ela a defenderá diante dos 146 delegados do Bureau of International Expositions (BIE) dia 12, em Paris. Dois dias antes, a cantora Daniela Mercury fará um show privado para os delegados em um coquetel na embaixada do Brasil.
DIVERSIDADE
A candidatura paulistana para a Expo 2020 terá como mote “São Paulo, capital do novo mundo – a diversidade como força do crescimento”.
MONSTRO FAMINTO
Ele não sai do lugar, mas tem fome no estaleiro: a Marinha gastou R$ 7 milhões para abastecer a despensa do porta-aviões São Paulo.
BOLSA-CEMITÉRIO
A moda pegou entre coveiros do Rio: pedem “caixinha” para adiantar o serviço. Sem ela, enterros marcados atrasam até duas horas.
FALTA DE APETITE
O PT não mais esconde que o “mau momento” de Dilma na economia e na base aliada abre a porta para a candidatura de Lula em 2014. Ela anda dizendo por aí que “não tem mais estômago” para o cargo.
ALVO A ABATER
Em conversas reservadas, petistas influentes ameaçam o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ). Acham que o deputado não resistiria a um “mapeamento” de suas operações e relações de influência. A influência de Cunha avança inclusive no próprio PT.
ENEM SABE
A nova presidente da UNE, Virgina Barros, lamentou no Twitter “o maior aeroporto do Brasil chamar-se GRU Airport”. Alguém precisa ensinar a moça que se trata de convenção internacional.
ASSUNTOS ALEATÓRIOS
Conselheiro de administração da Caixa Seguros, o aspone-mor top-top Marco Aurélio Garcia está em Paris representando o Brasil na reunião da holding e no Fórum Internacional da America Latina e Caribe.
TAMOS AÍ
Deputados do PTB garantem que 90% da bancada da Câmara e do Senado querem apoiar a reeleição da presidente Dilma. Em troca, o presidente interino, Benito Gama, está louco para assumir o cargo.
COM CAUTELA
Para evitar confusão como a da MP dos Portos, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) defende o envio ao Congresso no dia 17 de junho, em forma de projeto de lei, e não de medida provisória, o marco regulatório da mineração. A matéria tramitará em regime de urgência.
PAUTA
Indicado para o Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso terá de enfrentar temas polêmicos na sabatina do Senado, como royalties do petróleo, mensalão, terrorista Cesare Battisti e casamento gay.
SÓ LOVE
A governadora Rosalba Ciarlini (DEM), quem diria, rasgou seda para a presidente Dilma, em Natal. Dilma foi simpática com Rosalba e a vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria (PSB), que prepara o palanque potiguar do presidenciável Eduardo Campos, em 2014.
EPAX!
O bilionário Eike Batista terá que explicar ao Ministério Público do Trabalho irregularidades na OSX Construção Naval, em Campos (RJ).
(((((( ))))))
PODER SEM PUDOR
A ARTE DO ENFRENTAMENTO
Tancredo Neves sustentou nos anos 80, em palestra a estudantes, que às vezes o enfrentamento é necessário. Contou que era vereador em São João Del Rey, e, atacado por adversário, escreveu-lhe uma furiosa carta de três páginas. "Qual foi a reação dele?", perguntou um rapaz.
- Ah, não mandei. No dia seguinte, reduzi para uma página.
- E como ele reagiu?
- Não mandei a carta. Achei melhor transformá-la em bilhete.
- Ele ficou irritado?
- Não mandei o bilhete. Optei por um telegrama.
- E como ele reagiu ao telegrama? - os garotos já se impacientavam.
- Pensei bem e vi que aquilo era bobagem. E joguei-o no lixo.
TERÇA NOS JORNAIS
- Globo: O fim de uma era: Consumo menor e calote fazem banco frear crédito
- Folha: Índios fecham 4 rodovias e invadem sede do PT no Sul
- Estadão: Indústria faz pressão por mais acordos internacionais
- Correio: Neymar, o novo astro na catedral do futebol
- Valor: Forte expansão atrai novos grupos ao setor de cimento
- Estado de Minas: Quanto custo o dólar das férias
- Jornal do Commercio: A volta das organizadas
- Zero Hora: Frota velha põe em risco transporte escolar no RS
- Brasil Econômico: Eike venderá parte de exploração para fazer caixa na OGX
Assinar:
Postagens (Atom)