sexta-feira, maio 29, 2009

AUGUSTO NUNES

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SEÇÃO » Direto ao Ponto

O democrata exemplar é hostilizado no grotão do tirano aprendiz

29 de maio de 2009

Os policiais designados para a missão abjeta nem sabiam com quem falavam. Estavam no aeroporto de Caracas para interceptar o forasteiro no momento do desembarque, retê-lo pelo tempo que pudessem na área da alfândega, confiscar-lhe sem explicações o passaporte e, sobretudo, transmitir a ordem expedida pelo governo venezuelano:  enquanto estivesse no país, não poderia criticar o presidente Hugo Chávez. Se conhecessem a obra do escritor Mario Vargas Llosa, os agentes do arbítrio saberiam que aquilo tudo era obsceno.  Se conhecessem a biografia do cidadão peruano Mário Vargas Llosa, saberiam que aquilo tudo era inútil. Como não conheciam uma coisa nem outra, os figurantes do espetáculo de hostilidade concebido pelo lider da revolução bolivariana foram elegantemente desmoralizados já no saguão.

“Um funcionário amavelmente me me advertiu que, como estrangeiro, eu não teria direito de fazer declarações políticas”, resumiu a risonha vítima das demonstrações de boçalidade.  ”Eu, também com muita amabilidade, respondi que, estando na terra de Simón Bolivar, o libertador da América do Sul, ninguém podia impor restrições ao livre pensamento, à livre expressão, e que eu falaria com toda a liberdade, como sempre faço”.  E fez ─ antes,  durante e depois do seminário sobre democracia que reuniu dezenas de escritores do continente.  ”Este ex-intelectual deve ter perdido um pouco de sua inteligência para expressar-se de maneira desrespeitosa contra o presidente Chávez”,  rugiu  o ministro da Cultura, Héctor Soto. Não se pode esperar sinais de vida inteligente de quem ocupa esse cargo a serviço da revolução bolivariana.

Ex-intelectual ─ foi tudo o que Soto conseguiu dizer. Mesmo para cretinos fundamentais, é difícil desqualificar a obra de um romancista mundialmente festejado. Mesmo para um perfeito idiota latino-americano, é complicado aplicar a Vargas Llosa o repertório de adjetivos habitualmente despejados sobre quem recusa o pensamento único.  Não pode ser acusado de reacionário o autor de O dia do bode, uma devastadora revisita aos tempos em que o ditador  Rafael Leonidas Trujillo ultrajou a República Dominicana. Não pode ser acusado de golpista o homem que disputou a presidência do Peru com Alberto Fuminori. Derrotado pelo farsante populista que assassinou o regime e incontáveis adversários,  embolsou milhões de dólares, fugiu do país e acabou na cadeia, o tempo transformou-o em vitorioso.

Não pode ser acusado de elitista o ficcionista solidário com a gente humilde. Não pode ser acusado de amigo dos militares quem escreveuPantaleão e as Visitadoras. Não pode ser considerado conservador quem inspirou o personagem principal de Tia Júlia e o Escrevinhador, que narra o romance entre um jovem apaixonado e a parente por afinidade alguns anos mais velha. Mário Vargas Llosa é, essencialmente, um grande escritor e um democrata radical. Gente assim jamais será bem-vinda aos grotões dominados por tiranos aprendizes.

 ”Na Venezuela tem democracia até de sobra”, disse há meses o presidente Lula. Esse nunca sabe o que diz. Quem não lê sequer livros sobre o Corinthians entende tanto de Vargas Llosa quanto o vizinho que presenteou Barack Obama com um exemplar de As Veias Abertas da América Latina, tão profundo que, na imagem de Nelson Rodrigues, uma formiga poderia atravessá-lo com com água pelas canelas.  O romancista desconcerta Chávez. Intimida-o muito mais o democrata radical, que se distingue do simplesmente democrata pela disposição de enfrentar com ferocidade quaisquer liberticidas ─ venham de que extremidade vierem.

Essa tribo começa a expandir-se também no Brasil. Seus integrantes aprenderam que a ditadura militar é tão odiosa quanto a ditadura do proletariado. Aprenderam que dividir o mundo entre esquerda e direita é apenas uma simplificação malandra forjada para driblar distinções que devem precedê-la. Há os homens de bem e os desonestos, há os devotos do convívio dos contrários e a seita dos intolerantes.

Há o Brasil da cafajestagem e o Brasil que presta. Neste vivem os democratas radicais. Neste Vargas Llosa será sempre bem-vindo.

PARA...HIHIHI


O TOURO

Uma mulher, toda boazuda, vai ao médico: 

- Sr.Doutor: queria que fizesse algo pelo meu marido... Algo que o fizesse ficar como um touro! 

- Pois bem, dispa-se. Vamos começar pelos chifres...

GOSTOSA


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FIM DE SEMANA EM NATAL


ROTEIRO PARA O FIM DE SEMANA

Sexta-feira

Universiarte - A partir das 9h haverá a abertura dos trabalhos artísticos de alunos da UFRN, no Centro de convivência da instituição.

Aula-espetáculo - Os principais expoentes da arte barroca no Brasil serão representados em uma 'aula espetáculo' por um núcleo formado por 75 alunos do Ensino Médio, do Colégio Nossa Senhora das Neves, a partir das 17h, no auditório da escola. Entrada franca.

Oitoporquatro - O espetáculo terá sua última apresentação hoje, às 20h, no Teatro Alberto Maranhão. A apresentação usa o romance popular de Dona Militana e a música do compositor clássico Bach. Entrada: R$ 5

Mercado - Toda sexta-feira o Mercado de Petrópolis oferece o melhor do forró-pé-serra com Raimundo Flor e Forró Legal. Das 18h às 22h. Entrada franca.

Buraco da Catita - Toda sexta tem roda de choro e muita animação a partir das 20h. R. Câmara Cascudo, Ribeira - próximo à Praça Augusto Severo. Tel. 8802 1812. Entrada franca.

Festival - O 7º Festival de Inverno de Cerro Corá começa nesta sexta-feira no largo da prefeitura, das 18h às 3h, e segue até domingo. Hoje se apresenta Chibata de Couro, Santana, Três do Nordeste e Robson Semog.

Progressivo - A banda Sigma 6 (primeira banda cover de Pink Floyd de Natal) toca no Aprecie Pub (Rua das Algas, 2282, Ponta Negra) a partir das 22h.Ingresso a R$ 7 (até as 23h). Depois, R$ 10. Tel. 9117-1757.

Budda - Dom Joker e Boca de Sino estarão hoje no Budda Pub, a partir das 22h30. Tel. 3219-2328.

Artes - A mostra Infinita Estética Particular & Avulsos apresenta 34 obtras de potiguares e alhures no auditório o Colégio de Ciências Aplicadas (Rua Nossa Senhora de Lourdes, 56, Tirol, vizinho à Caern). Tel. 9983-5667.

Noite temática - A banda Dancing Days toca a partir das 22h30 no Taverna Pub, em Ponta Negra. No repertório, só sucessos das discotecas nos anos 70. Tel. 3236-3696. 

Grafith - O Maranello Bistrô terá festa vip com a banda Grafith a partir das 23h. A noite terá ainda o som do Dj Gabriel Sodré. Os ingressos custam R$ 30 (preço único). Tel. 3086-4049.

Sancho Pub - A partir das 22h, The Frois e Dj Robert animam o pessoal do Enfermagem Fest a partir das 22h. 

Ritmos latinos - A banda Camba, sob o comando dos músicos Sergio Groove e Gilberto Cabral, leva seu repertório de salsa, merengue, rumba e outros ritmos latinos para o Bar das Bandeiras (rua Chile, Ribeira), a partir das 22h. Entrada: R$ 8 (grátis drink cubano Mojito). Tel. 8705 4583 / 8878 3530.

Medievo - A boate recebe nesta sexta-feira a Dj Lu Vargas, especialista em House Pop Fusion. A noite terá ainda a presença do Dj Caverna (NOX - Recife), da banda João Teimoso e do Dj Shato. Atrações a partir das 23h. Tel. 8711-7777.

Arraiá no Facho - As atrações são Mastruz com Leite e Cavalo de Pau. O forró fica estrada de Macaíba entrando ao lado da Águia Piscinas. A senhas antecipadas estão sendo vendidas nas lojas Corbeluxe do Midway, Praia Shopping e Hiper da Prudente de Morais.

Sábado

MPBeco - Segundo eliminatória da quarta edição do Festival de Música do Beco da Lama (Cidade Alta) com Simona Talma, às 18h, seguida da apresentação das 14 músicas concorrentes, encerrando com Sueldo Soaress. Entrada franca.

Caliente - A banda Perfume de Gardênia anima o Budda Pub com o melhor da música latina, a partir das 23h. Ingresso a R$ 15. Tel. 3219-2328.

Latino - O som latino também invade o Taverna Pub Medieval Bar, em Ponta Negra com a Banda Camba. A festa começa às 22h30. Tel. 3236-3696 / 8705-4583.

Metal - A 2ª edição do Natal Metal Fest acontece sábado no Sancho Pub (Rua Aristides Porpino Filho, Ponta Negra, vizinho ao Rastapé). Atrações: Comando Etílico, Blackhalls, Vain'n Vains, Metallica Cover, Avlon Symphony. Ingresso a R$ 10. Tel. 3091-1991 ou 8803-9599.

Humor - O comediante Fábio Rabin apresenta o show Conexão do Riso no Teatro Alberto Maranhão, às 21h. Fábio ficou conhecido depois de apresentar o quadro Beijo na boca, tapa na cara, no Pânico na TV. Ingressos vendidos na Contém 1g do Midway e Natal Shopping. Tel. 3235-8130 e 8705-6969.

Global - O Centro Cultural Jesiel Figueiredo (Zona Norte) sediará o projeto Ação Global - iniciativa do Serviço Social da Indústria junto à Rede Globo para ações de cultura e lazer. Das 8h às 8h estarão disponíveis gratuitamente exposições de artesanato, capoeira, hip hop e contadores de histórias. Tel. 8807-0168.

Blues - O Mad Dogs toca no Aprecie Puba partir das 22h. Ingresso a R$ 10 (até 23h. Depois, R$ 15). Tel. 9117-1757.

Forró - Os Nonatos, de poética musical nordestina, se apresentam hoje, às 21h, no Forró do Jerimum (em frente ao posto Dudu, BR 101, em Paramirim). Atração local: Cristiane Velassy, Gugu Sanfoneiro e convidados. Ingresso a R 15. Tel. 3643-6665 e 8862-8832.

Cavaleiros Ice - Na Cervejaria Continental, a partir das 18h, show com as bandas Cavaleiros do Forró, Forró Pegação e participação de MC Sapão e Ricardo Chaves. Ingressos à venda na loja D. Hall do Shopping Midway Mall.

Aniversário do Tricor - A banda Tricor convidou amigos músicos para a comemoração do aniversário de cinco anos da banda. Show com Tricor , For Sale, Diogo Guanabara, CBI (Mad Dogs) e Rodrigo BS (Jane Fonda), a partir das 20h, no Sgt. Pepper's. 

Aniversário do Saideira - O bar Saideira, localizado na Av. Integração, comemora dois anos neste sábado. Para animar a festa, as bandas Pura Tentação, Deixe de Brincadeira e Saideira, a partir das 16h.

'Aprecie sem moderação' - Festa promovida pelo Aprecie Pub no último sábado de cada mês. Amanhã, tocam Mad Dogs e The Blue se Mountain, a partir das 23h. Os ingressos custam R$ 10 (até às 23h) e R$ 15 (após o horário).

Arraiá do Vavá - Tem início a temporada de festas do Arraiá do Vavá 2009, que neste ano acontece no Portal das Dunas, na Redinha. Show das bandas Cavaleiros do Forró, Chicabana e Banda Inala. Tel. 3232-3834.

Natal Metal Fest - A partir das 21h, no Sancho Pub, com Comando Etílico, Blackhalls, Vain´nVains, Metallica Cover e Avalon Symphony. Os ingressos custam R$ 10. Tel. 3091-1991.

Rock - O estúdio Frutos, em frente ao Teatro Alberto Maranhão, recebe no sábado (30/05), as bandas Irados 1234 (cover de Raimundos) e outras oito atrações.Dentre elas, banda Pen is driver, fazendo cover dos Mamonas Assassinas. A festa rola a partir das 16h e os ingressos custam R$ 5.

Fazenda Olho D'água - O forrozeiro Dorgival Dantas é a atração. O pé-de-serra começa às 22h e terá também a participação de Assum Preto.

Domingo

Aniversário da Mandala Viva - A ONG comemora seu primeiro ano com oficinas de reciclagem, palestra de Educação Ambiental, debates e intervenções artísticas, no Parque das Dunas, a partir das 9h30. Show com as bandas Hora Absurda, Maverick 67, Letto, Rani e Artigo 5º. R$ 1.

MPBeco - Terceira e última eliminatória da quarta edição do Festival de Música do Beco da Lama (Cidade Alta), a partir das 18h, com apresentação das 12 músicas concorrentes, encerrando com Os Grogs. Entrada franca.

Artes marciais - O Ginásio de Esportes da Cidade da Esperança recebe o 'Sportmix Fighter Original de Artes'. O evento tem início às 20h e terá lutas de Jiu-Jitsu, MMA, Kick-Boxing. Os ingressos serão vendidos no local por R$ 10. Tel. 8805-1613.

CQC - O apresentador do humorístico CQC, da Band, Rafinha Bastos está em Natal para apresentar o show Arte do Insulto, dentro da linha Stand-up: banquinho e microfone. Será no Centro de Convenções (Via Costeira), às 20h. Ingresso vendido no Pitts Burg da Prudente de Morais: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (estudante).

Música - O areiabranquense com carreira internacional, Tico da Costa, apresenta nesta segunda-feira na Escola de Música da UFRN, às 19h, o show Vou na Oda do Mar. O repertório é do Cd Mar, gravado na Itália. Senhas a R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

Teatro - A peça Encanta Brasil, de teatro de bonecos de Curitiba, chega a Natal nesta segunda-feira, com apresentações no Teatro Alberto Maranhão (ribeira). Sessões às 8h30, 10h, 14h e 15h30, mais uma sessão beneficente às 20h, com entrada sendo 1 kg de alimento não-perecível. 

BRASÍLIA - DF

O tom de 2010

Denise Rothemburg

Correio Braziliense - 29/05/2009
 


Um manifesto assinado por 54 deputados do PT em defesa da apresentação de um candidato único à presidência do partido soa como os primeiros acordes da campanha presidencial de 2010. “Estará em jogo o nosso projeto, com toda a concepção de resgatar nossa enorme dívida social (…), e o do PSDB/DEM, ancorado numa lógica privatizante, rendido à exclusividade do mercado e avesso à distribuição de renda (…).” A ideia é deixar os tucanos na defensiva, dedicados a explicar que não é bem assim. 

*** 
Quanto ao processo interno, os parlamentares alertam que o partido não pode se render “à luta dos cargos na máquina partidária, nem ser patrono de carreiras individuais”. Apelam ainda à generosidade de seus filiados para eleger Dilma Rousseff presidente e citam essa proposta vinculada à capacidade de “aglutinar os movimentos populares, solidificar um bloco de esquerda e agregar forças políticas de centro, principalmente o PMDB”. Pelo menos, no papel e na bandeira de Dilma, dizem alguns, o PT vai de PMDB. Só quem não assinou foi a turma do ministro da Justiça, Tarso Genro, a tal Mensagem ao Partido, e o grupo Articulação de Esquerda. 

*** 
Em tempo: a exposição excessiva de Dilma no programa do PT que foi ao ar ontem à noite tinha um motivo subliminar: mostrar que essa história de terceiro mandato de Lula não conta com o apoio do partido e não passa de um tema recorrente levantado pela oposição.


Sinais

O mercado considera a eleição do presidente da CPI da Petrobras o primeiro teste do governo no colegiado. Se for 8 a 3, quer dizer que tudo irá correr sem sobressaltos nos preços das ações da empresa. Todo o esforço daqui para frente será nesse sentido: de manter os oito governistas ou quase governistas fechados em torno dos desejos do Planalto. 

Demora incômoda 

A Polícia Federal reiterou ao Senado o pedido de envio do material sobre o casal Zoghbi apurado pelas autoridades da Casa. Há entre os policiais a sensação de que a lentidão para envio da papelada é proposital. 

Poderia ser pior 

O PSB levará ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), um trecho da pesquisa encomendada para avaliar o cenário de 2010. O levantamento aponta que, a despeito dos recentes escândalos — como o das passagens e de casos de gastos indevidos com verba indenizatória — a atuação dos parlamentares ainda é avaliada como satisfatória. Os entrevistados deram nota média de 6,3 aos deputados em quem votaram. Por outro lado, 40% dos ouvidos não tinham uma resposta na ponta da língua. 

Bombeira

A presidente nacional do PMDB, deputada Iris de Araújo (GO), encontra-se hoje com o ex-governador Joaquim Roriz em busca de uma solução para o racha no partido no DF. Na semana que vem, deve ser a vez de um tête-à-tête com o deputado Tadeu Filippelli, com quem Roriz trocou indelicadezas no fim de semana. Iris se queixa de “interferências externas na legenda”. 

No cafezinho...


 
 


Pau de arara 
Ao encerrar ontem um inflamado discurso sobre a degradação das estradas no Pará, o senador Mário Couto (foto) virou-se para as câmeras da TV Senado e bradou: “Atenção, paraenses. Amanhã estarei aí! E vou de ônibus pela Belém-Brasília!”, rodovia castigada pelas recentes chuvas. 

Comerciais 
Uma leva de adesivos “O Brasil quer Aécio” pode ser vista estampando carros de entusiastas da candidatura do governador mineiro à Presidência da República. Não, como se poderia imaginar, no trânsito de Minas Gerais. O adereço foi confeccionado no Distrito Federal e circula pelas ruas de Brasília. 

No ar 
O ministro da Justiça, Tarso Genro, saiu-se com esta quando perguntado se havia “deputados piratas” no Parlamento: “Pelo que vocês escrevem por aí parece que tem, né?”. Xiii…. 

Te vira 
Quem entende do riscado da diplomacia estranhou a forma como o presidente da Câmara dos Senadores da Bolívia, Óscar Ortiz, chegou ao Congresso brasileiro ontem. Em vez de um carro oficial da embaixada boliviana, ele foi de táxi. Explica-se: Ortiz é ferrenho opositor do presidente Evo Morales.

GOSTOSAS


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ARI CUNHA

Estranhos dando aula


Correio Braziliense - 29/05/2009
 




Trágico receber informação oficial, do Ministério da Educação, dando conta de que mais de 382 mil professores não têm aptidão para ministrar aulas. Não possuem diploma adequado. O MEC, que tem a seu encargo a responsabilidade da educação, atalha a opinião pública com notícia desastrada. A notícia oficial do governo declara que, do total de 1.882.961 professores do país, 382.577 não têm formação para lecionar. Essa projeção deve ser antiga, pelos detalhes sobre o total dos professores de todo o Brasil. Num país opulento mas sem dinheiro, vê-se que a evasão de verbas aperta muita gente. O exercício mental leva o cidadão comum a pensamentos mais extensos. Se o Ministério da Educação transmite informação desse teor, imagine se os tribunais dos estados e municípios estiverem operando de forma ilegal. Calcule-se o que acontece nas Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores com relação à existência de pessoas fora das atividades. Se as Forças Armadas estivessem sofrendo do mesmo mal, estaria decretado o caos. Aqui vamos à ultima citação. Nas Forças Armadas, a disciplina jamais deixaria que ocorresse tamanha baixaria. O futuro é cada brasileiro olhar para o espelho da pátria e prever como estão indo as coisas a seu redor.


A frase que não foi pronunciada

“Ao bom leitor meia pala basta!”
Teste para o leitor.


Distinção 
Ministro José Carlos da Fonseca recebe homenagem em sua terra. Será empossado hoje na Academia Calçadense de Letras, de São José do Calçado. Depois da solenidade, receberá homenagem dos conterrâneos. 

Televisão 
Dos 22 canais de TV regular, na Califórnia, seis são voltados para a comunidade asiática e seis aos espanhóis. As colônias são populosas e autossustentáveis. Se não houver interesse em aprender o inglês, esses imigrantes são capazes de viver a própria cultura por toda a existência em terra estrangeira. 

Criatividade 
Onde a criatividade é parte do trabalho, sempre deve haver duas portas. Uma para laboratório, outra para museu. No laboratório para a produção; no museu, para a coleção. O mundo tem o direito de saber o que é estudado cientificamente. A opinião é de Matías Tarnopolsky, nomeado diretor da Cal Performances. 

Reduzir 
Na Califórnia, o consumo de energia é 49% menos que a média americana. Mary Nichols, da Comissão de Recursos Atmosféricos, afirmou na Universidade de Berkeley que o objetivo é reduzir a emissão dos gases que causam o efeito estufa aos níveis de 1990 até 2020. 

Lembrança 
Em 1949, a maioria dos intelectuais acreditava que o comunismo salvaria a China. Em 1969, eles acreditavam que a China salvaria o comunismo. Em 1979, o primeiro ministro Deng Xiao Ping percebeu que o comunismo só salvaria a China. Em 2009, o mundo acredita que somente a China salvará o capitalismo. 

Clima 
Centro das atenções em Berkeley, John Hofmeister trabalhou na Shell. A discussão girava em torno das indústrias petrolíferas e automóveis. Novas sugestões e projetos para mudanças significativas no combate das alterações climáticas. Hofmeister, que agora dirige uma organização sem fins lucrativos, termina a palestra com esta pergunta: “Se vamos gastar dinheiro de qualquer maneira, por que não trabalhar agressivamente para evitar o pior?" 

Lunáticos 
Há preparação para tentar provar que existe algo mais que crise na sociedade americana. Barack Obama, sobrecarregado com as agruras econômicas internacionais e a guerra do Afeganistão, quer se beneficiar de uma boa lembrança para afugentar os problemas que afligem a população. Há 40 anos, o homem pisou a lua.

História de Brasília


A espada do marechal Odilio Denys, à entrada do elevador da Câmara, antes da solenidade de posse, sofreu uma ligeira pane. O ministro da Guerra, num esbarrão, deixou-a cair e depois, para que a lâmina entrasse na bainha, foi preciso o auxílio de outro oficial. (Publicado em 1/2/1961)

PARA...HIHIHI

TERRORISTAS

- Qual é o seu nome? perguntou a professora de uma escola francesa para um garoto: 

- Mohammed, respondeu. 

-Aqui na França não existe Mohammed. - De hoje em diante seu nome será Jean-François, replicou a professora. 

Ao entardecer, Mohammad voltou para casa. 

-Passou o dia bem Mohammed? Perguntou sua mãe. 

-Meu nome não é mais Mohammed. Eu estou na França agora e meu nome é Jean-François. 

-Ah, você está com vergonha de seu nome? Você está tentando distratar seus pais??? Sua herança ??? Você devia se envergonhar! 

E bateu nele. 

Depois da surra chamou o pai que bateu mais forte ainda em Mohammed 

No outro dia Mohammed retornou a escola. 

Quando a professora o viu com todos aqueles machucados, perguntou : 

-O que aconteceu com você meu pequeno Jean-François? 

- Bem, Professora, duas horas apos me tornar Francês eu fui atacado por dois terroristas árabes. 

LUIZ GARCIA

Muros malvistos


O Globo - 29/05/2009
 

A construção de muros em favelas do Rio tem adversários e defensores no Rio, dentro e fora das comunidades. Mas é difícil negar que o projeto, patrocinado pelo governo estadual e a prefeitura, pode ter - se for cumprido direitinho, evidentemente - duas virtudes: conter o crescimento das favelas, protegendo as áreas verdes da cidade, e reduzir a mobilidade das quadrilhas de traficantes. 

Na Rua Álvaro Ramos, em Botafogo, já há muros cercando o conjunto Pio XII, e seus moradores só têm uma reivindicação: que sejam mais altos, para protegê-los dos bandidos. Na Rocinha, o governo estadual anuncia investimentos de R$21 milhões, dos quais R$2,5 milhões serão usados num muro. E muitos favelados locais parecem gostar da ideia. 

Mas, fora do Brasil, só se ouvem críticas enfáticas. Segundo o "Times", de Londres, os muros transformarão as favelas em guetos. É uma opinião curiosa: parte do princípio que favelas não muradas não são guetos. 

Esta semana, em Genebra, a ONU promoveu uma espécie de sabatina do governo Lula, e o pau comeu solto. Técnicos da organização criticaram a corrupção no Brasil, definido como "país da impunidade", e condenaram a falta de acesso da população à Justiça. Até aí, não se pode realmente dizer que o pessoal esteja mal-informado. 

Mas um perito, Álvaro Tirado Meijin, parece ter sido o crítico mais enfático, e seu tema principal foi exatamente a construção de muros nas favelas. O principal representante brasileiro, Paulo Vannuchi, ministro de Direitos Humanos, estava preparado para reconhecer problemas históricos - como o genocídio de indígenas e os excessos da ditadura militar - mas deixou claro que sabia muito pouco sobre favelados, traficantes e muros no Rio de Janeiro. 

É até curioso. Não faltam problemas sociais no Brasil, alguns sendo enfrentados com alguma eficiência, outros nem tanto. O problema da população pobre do Rio - que circunstâncias principalmente geográficas fizeram vizinha tanto dos bairros de classe média como dos redutos dos muito ricos - tem características particulares. 

Até hoje, nem remoção nem urbanização deram certo em larga escala - apesar do bom resultado recentemente obtido no Morro Dona Marta. E os muros, aparentemente antipáticos, podem ter dupla vantagem: tanto proteger a comunidade de guerras entre traficantes locais e invasores, como impedir o crescimento das favelas nas florestas locais. 

A delegação do governo Lula em Genebra não sabia nada disso. Não é exagero imaginar que o presidente também ignore aquilo que o ministro de Direitos Humanos não sabe sobre um tema que toca muito de perto sua área de ação. 

As autoridades do Rio bem poderiam fazer um dossiê sobre favelas e muros e mandar uma cópia para Genebra e outra para Brasília.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO


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MERVAL PEREIRA

Brics abrem o jogo


O Globo - 29/05/2009
 

Do desarmamento nuclear à substituição do dólar como moeda de reserva internacional; da reorganização dos organismos internacionais ao papel do G-20, todos esses assuntos estarão na mesa de negociação em junho, quando haverá um encontro de chefes de Estado dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) em Yekaterinburgo, na Rússia. Para prepará-la, começa hoje em Moscou uma reunião com os responsáveis pelos assuntos estratégicos dos quatro países. 

Já há reuniões de chanceleres e dos ministros da Fazenda, mas esta é a primeira vez em que se reúnem os estrategistas daqueles quatro países apontados como os líderes futuros do mundo para tratar de uma agenda geopolítica muito ampla, inovadora e de longo alcance. 

A Rússia será representada pelo general Nikolai Patrushev, secretário do Conselho de Segurança da Federação Russa; a Índia, por M.K. Narayanan, conselheiro de Segurança Nacional; a China, por Dao Bingguo, um dos cinco conselheiros de Estado da China e o responsável por supervisionar as relações da China com o mundo. Mangabeira Unger, ministro de Assuntos Estratégicos, representará o Brasil. 

Cinco temas básicos estarão em discussão: 

O que fazer com o G-20 e o G-8 + 5. Antes de qualquer coisa, segundo Mangabeira Unger, é importante decidir a forma de regulamentar estruturalmente tais uniões como o G-20, que é um fórum muito amplo, ou G-8, se reunindo com os líderes de China, Índia, México, Brasil e África do Sul. E qual deve ser a relação desses novos organismos com a ONU. 

Como podemos evitar que as regras e as organizações existentes tendam a impor, em nome da abertura econômica e da estabilidade política, uma determinada fórmula institucional. 

Para Unger, o regime mundial do comércio tem evoluído para um maximalismo institucional, que tende a impor aos países comerciantes, em nome do livre comércio, não só o compromisso com a economia de mercado, mas com uma determinada variante da economia de mercado. 

"Tende a proibir, sob o rótulo de subsídios, todas as formas de coordenação estratégica entre governos e empresas que os países hoje ricos usaram para enriquecer", resume Mangabeira Unger. 

Essa fórmula, segundo ele, provoca resistências entre os Brics, que querem cada vez menos se sujeitar a ela. 

Os estrategistas dos Brics discutirão também o papel do dólar como moeda de reserva internacional. A discussão surge com a China, que tem enormes reservas de dólar e teme que seu tesouro se desvalorize, e já propôs trocar o dólar pelo Direito de Saque Especial, do FMI. 

Mas o tema é mais amplo, adverte Mangabeira Unger. Ele diz que, embora seja muito comum se comparar o dólar com o padrão ouro, há uma grande diferença: o ouro não estava sob o comando de um Estado. 

Ele lembra que nas transações comerciais já há uma evolução empírica e bilateral: Brasil e China organizam um sistema administrado pelos dois bancos centrais para toda noite fazer um balanço em yuan e em reais, sem passar pelo dólar. O desejo de começar a encontrar uma alternativa ao dólar deve evitar, no entanto, que se caia em uma burocracia pesada, como a do Banco Central Europeu. 

Segundo Mangabeira, ninguém nos Brics quer uma nova autoridade monetária internacional: "Não queremos substituir a ditadura do dólar pela ditadura de uma burocracia internacional". 

As opções mais aceitas seriam ou uma cesta de moedas, de maneira que a dependência de qualquer uma delas fosse atenuada, ou uma "quase-moeda", organizando um sistema o mais simples e mecânico possível, de maneira a reduzir os poderes discricionários das autoridades que o manejassem. 

O tema mais delicado para Mangabeira Unger é como fortalecer o único sistema oficial de segurança que existe, o do Conselho de Segurança da ONU. 

"Um sistema frágil e falho, um sistema defeituoso", na definição de Unger, mas que é a "única alternativa à anarquia internacional". 

Quando os Estados Unidos e seus aliados se julgam ameaçados no seu interesse vital, e julgam não receber da ONU o apoio necessário, eles simplesmente saem do sistema, fazendo com que "o único sistema de segurança que temos seja como um balão, que às vezes é cheio de gás, outras vezes é esvaziado". 

Segundo Mangabeira Unger, há uma convicção crescente de que são necessárias duas séries de iniciativas convergentes: reforçar o sistema oficial de segurança para que seja mais eficaz, e aumentar o preço político que uma potência teria que pagar se decidisse atuar por fora dele. 

Por fim, o desarmamento nuclear, "que é do interesse especial do Brasil". O Brasil é, sob muitos aspectos, o menos poderoso dos Brics, ou pelo menos assim é percebido, embora o nosso PIB e a nossa população sejam maiores do que o da Rússia. Isso ocorre, na visão de Unger, por havermos solitariamente renunciado aos armamentos nucleares. "O Brasil renunciou duas vezes, por adesão a tratados e por mandamento constitucional. Ao reafirmar essa posição no recente tratado estratégico nacional, o país expressa sua decisão de estar na vanguarda da ciência e da tecnologia nucleares, por conta do amplo espectro do uso pacífico da energia nuclear, mas também porque queremos que a nossa renúncia seja sempre a expressão da nossa vontade política, e não a conseqüência de uma incapacidade científica ou tecnológica". 

A premissa maior do tratado de não proliferação nuclear é o desarmamento progressivo, e até agora essa premissa não foi honrada, o que cria uma situação crescentemente perigosa, avalia Unger. 

Temos agora o governo dos Estados Unidos disposto a retomar a agenda do desarmamento nuclear, e essa é uma oportunidade que o Brasil quer levar para a mesa dos Brics.

OVOS DA SERPENTE


PANORAMA POLÍTICO

Curió: júri popular

Ilimar Franco
O Globo - 29/05/2009
 

O coronel Sebastião Curió, da Guerrilha do Araguaia, vai a júri popular no próximo dia 5, em Sobradinho (DF). É acusado de assassinar um menor de rua, com um tiro nas costas, de pistola Beretta, em 1993. O militar alega que agiu em legítima defesa. O Ministério Público o denunciou por homicídio qualificado. Curió seria julgado em 2008 no TJ do Pará. Era prefeito de Curionópolis, mas perdeu o foro privilegiado. Teve o mandato cassado. 

O militante reencontra o militar 

Do lado da acusação, no julgamento de Curió, vai estar o advogado Augustino Veit (foto), um militante dos direitos humanos. Veit, pode-se assim dizer, é um antigo conhecido do réu. Esteve sob a mira de seus soldados, e frente a frente com o coronel, na Encruzilhada Natalino (RS), no ato inaugural do MST, nos anos 80. Foi uma ação de resistência de sem-terra contra o governo militar. Em 93, quando ocorreu o assassinato do menor, Veit, já em Brasília, assessorava o Movimento de Meninos e Meninas de Rua. Assumiu o caso. O advogado integra e presidiu a Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos do governo. 

Não vamos repetir o erro de PSDB e PFL, que aprovaram a reeleição do Fernando Henrique com o jogo em andamento" - Henrique Fontana, líder do governo na Câmara (PT-RS), sobre o terceiro mandato 

Cotas eleitorais 

Curiosidades da pesquisa Diap/Inesc sobre reforma política. Dos 150 parlamentares ouvidos, 16,7% defendem uma cota para representantes dos povos indígenas; 12% apoiam políticas afirmativas para garantir mais negros no Congresso.

Olha o Nordeste aí 

O governador Jaques Wagner mostrou para o presidente Lula uma pesquisa presidencial feita na Bahia. A ministra Dilma Rousseff tem 30% de intenções de voto no interior e está empatada com o governador José Serra em Salvador. 


Empreiteiras apostam na Arábia Saudita 

As grandes empreiteiras estão soltando foguete com a recente passagem do presidente Lula pela Arábia Saudita. O rei Abdullah bin Abdul Aziz disse a Lula que há espaço para as empresas brasileiras na construção de três novas megacidades na península arábica. Uma das obras previstas é a construção de uma Medina II. Se as construtoras nacionais pegaram 5% das obras, avalia um especialista, significa US$100 bilhões até 2020. 

A elite da Câmara decolou 

Há um fosso hoje entre os líderes partidários na Câmara e a maioria dos deputados. Durante os últimos 30 dias, os líderes tentaram emplacar uma reforma política que tinha como carro chefe a adoção do voto em lista. Ontem, a pesquisa Diap/Inesc revelou que a preferência da maioria dos entrevistados é pelo voto distrital misto (46% de apoio). Nesse sistema, 50% das vagas de cada estado seriam preenchidas pelo sistema proporcional; outros 50%, pelo distrital.

Coalhada 

Um repórter pergunta para o governador Aécio Neves: "Em 2014, na Copa do Mundo, onde o senhor gostaria de estar?" A resposta: "No Mineirão, vendo a abertura". O repórter insiste: "Mas em que cargo?" Aécio: "Na arquibancada". 

Junina 

Vem aí a temporada de festas de São João, no Nordeste. O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, está chamando os senadores para uma festança, em 12 de junho, com direito a show de Dominguinhos, em sua fazenda em Limoeiro (PE). 


ESTIMULADO pelo governador José Serra, o conselheiro da Sabesp e presidente do PPS, Roberto Freire, vai concorrer a deputado federal em 2010. 

O TRATAMENTO médico mudou a rotina da ministra Dilma Rousseff. Ela não passa mais o dia todo na Casa Civil. Tem ido almoçar diariamente em casa. 

O LÍDER do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), futuro relator da CPI da Petrobras, informa que não vai mais visitar a Boeing nos EUA. "Não estou podendo nem ir a Roraima", explica. 

CELSO MING

Câmbio e juros


O Estado de S. Paulo - 29/05/2009
 
As queixas são totalmente procedentes. A forte valorização do real (queda do dólar no câmbio interno) é um fator que prejudica o desempenho do setor produtivo e das exportações.

Um dólar mais barato em reais incentiva a importação e enfraquece as exportações. Em outras palavras, tira a competitividade do produtor brasileiro.

O problema é que, quando a valorização do real se acentua, os exportadores exigem o remédio que pouca eficácia tem na reversão da situação. Pedem invariavelmente redução dos juros.

Quem defende essa redução afirma que um dos principais fatores que atraem dólares no Brasil e levam à valorização do real, que vem em seguida, é o jogo financeiro da arbitragem com juros. Simplificadamente, os especuladores tomam moeda estrangeira a juros baixos lá fora (digamos que seja a 3% ao ano), trazem para cá, compram reais e os aplicam no mercado financeiro a juros superiores a 10% ao ano. 

São inúmeras as formas de arbitragem que podem até dispensar a entrada de dólares. Basta que os recursos que naturalmente sairiam permaneçam por aqui para tirar proveito dos juros altos. No entanto, é improvável que as operações de arbitragem expliquem a valorização do real.

Desde 1999, os juros vêm caindo no Brasil. Se esse movimento fosse importante para explicar a entrada de dólares, o tombo posterior deveria ao menos sinalizar arrefecimento na queda das cotações do dólar em relação ao real. O gráfico mostra que isso não ocorre. Os juros vêm arrastando o dólar para baixo junto com eles. Esse movimento sugere que a forte queda dos juros aumenta a confiança na qualidade da economia brasileira e atrai mais dólares.

Uma conta tosca mostra que a juros básicos, que em pouco mais de uma semana irão para a faixa dos 9,5% ao ano, as operações de arbitragem não são tão atrativas quanto se propala. A esse nível de Selic, um grande aplicador talvez consiga um retorno de 10% ao ano sobre os quais incidirá um Imposto de Renda na fonte de 15%. Isso significa que o resultado líquido da operação seria de 8,5% ao ano. Como a inflação é de 4,5%, o lucro líquido desse aplicador não seria superior a 4% ao ano, que cairia para 1% ao ano se for levado em conta o "seguro" estabelecido pelo índice de risco Brasil, de 3 pontos porcentuais.

Este não é um retorno relevante, considerando que o aplicador corre o risco do câmbio, o mesmo que estragou a saúde financeira de Sadia, Votorantim e Aracruz.

As aplicações em curto prazo (só US$ 2,2 bilhões no quadrimestre) parecem demonstrar que as operações de arbitragem com juros não explicam a atração que o mercado brasileiro exerce sobre os afluxos de moeda estrangeira. 

Os juros vão continuar caindo, mas ninguém espere que mais dia menos dia se transformem em fator importante para garantir uma virada na trajetória do câmbio. 



Confira

Não aconteceu - No depoimento que deu ontem no Senado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não chegou a contestar o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, na questão do câmbio, como alguns anunciaram.

Mantega limitou-se a dizer que os juros estão altos no Brasil, mas que continuarão caindo. Não chegou nem a enfatizar que os juros altos estimulam a especulação com moeda estrangeira.

E avisou que as reservas subirão bem mais do que seu nível atual de US$ 205 bilhões. Isso aumentará a percepção de solidez da economia.

GOSTOSA


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PAINEL

Power point 2.0

RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 29/05/09

Após um período de maior recolhimento, Dilma Rousseff comandará na semana que vem o balanço consolidado de dois anos do PAC, com direito a power point, exibição de vídeos e lançamento de nova campanha publicitária. Duas parciais já foram apresentadas pela ministra-candidata no Rio Grande do Sul e no Amazonas. Dado o atraso das obras mais vistosas, como hidrelétricas e estradas, o carro-chefe da numeralha será o saneamento básico. Dilma prometerá a conclusão de 470 obras nessa área até o fim do ano.
O evento também servirá para mostrar a ministra a todo vapor, a despeito do tratamento contra o câncer. Para enfatizar esse aspecto, será retomada a agenda de viagens pelos Estados com a caravana do PAC.



Adiou. Relator no STF do caso da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, Gilmar Mendes recuou da disposição de realizar em 4 de junho o julgamento do pedido de abertura de processo criminal contra o ex-ministro Antonio Palocci. Além de Menezes Direito, em licença, outros ministros indicaram que estarão ausentes na próxima semana. Mendes considera que o caso não deve ser resolvido com quórum baixo. 

Tô dentro. José Eduardo Dutra procurou Ricardo Berzoini para se apresentar como candidato à sucessão do presidente do PT, caso a vaga não fique com Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula. 

Tô fora. Se viabilizar sua candidatura, Dutra deixará o comando da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, bem no início da CPI, cujas investigações deverão incluir seu período na presidência da estatal (2003-2005). 

Nem te ligo 1. Enquanto o governo apronta a numeralha do PAC, a oposição intensifica suas vistorias das obras nos Estados. Na semana que vem, PSDB e PPS irão se juntar à iniciativa do DEM. 

Nem te ligo 2. A ordem no DEM é ignorar o fato de que deputados do partido assinaram a PEC de Jackson Barreto (PMDB-SE) abrindo a porta para o terceiro mandato de Lula. "Essa PEC não existe. Se o Jackson quer aparecer, não vamos servir de escada", afirma o presidente do partido, Rodrigo Maia (RJ). 

Eu não. José Sarney (PMDB-AP) nega ter pedido a cassação das credenciais da equipe do humorístico "CQC", que o chamou de "dinossauro". O assunto, diz, é de responsabilidade da primeira-secretaria do Senado.

Tem jogo. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse ao ministro José Múcio (Relações Institucionais) que é possível reverter a nomeação de Arthur Virgílio (PSDB-AM) para a relatoria da CPI das ONGs. Segundo Jucá, a base teria até como destituir Heráclito Fortes (DEM-PI) da presidência. 

Buraco do tatu. Ao instalar Virgílio na CPI das ONGs, como resposta à blindagem do governo na comissão da Petrobras, a oposição acertou o empréstimo de técnicos do TCU para vasculhar dados da estatal que o ex-relator Inácio Arruda (PC do B-CE) varrera para debaixo do tapete. 

Padrinhos mágicos. A oposição espera ainda contar com alguma camaradagem dos ministros que emplacou no TCU, maioria no tribunal. 

O outro. Ex-prefeito de São José dos Campos, o deputado Emanuel Fernandes (PSDB-SP) coletou 150 assinaturas na Câmara em favor da indicação do ex-diretor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) Márcio Barbosa para a direção geral da Unesco. O governo apoia o egípcio Farouk Hosny. 

Visitas à Folha. Lázaro de Mello Brandão, presidente do Conselho de Administração do Bradesco, visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Luiz Carlos Trabuco Cappi, diretor-presidente do Bradesco, e Márcio Artur Laurelli Cypriano, membro do Conselho de Administração. 

Andres L. Valencia, embaixador do México, visitou ontem a Folha. Estava com Salvador Arriola, cônsul-geral.

com VERA MAGALHÃES e SILVIO NAVARRO

Tiroteio

"Agora que foi aprovada a portabilidade na telefonia celular, vem aí a portabilidade de deputados e senadores." 


Do deputado VIC PIRES (DEM-PA), sobre as manobras em curso nos bastidores da Câmara para aprovar uma "janela da infidelidade", que permita trocas de partido antes da próxima eleição.

Contraponto

Tamanho G Durante encontro na terça-feira em Salvador, Lula brincava com Hugo Chávez dizendo que, de tanto visitar a Bahia, o venezuelano passou a ser presenteado pelo governador Jaques Wagner (PT) com camisas que antes eram destinadas ao presidente brasileiro.
Lula ficou um instante quieto, enquanto Chávez sorria, e então completou:
-Mas eu não sinto ciúmes... Como você está engordando, acabaria herdando as minhas camisas de qualquer jeito!

BRINCADEIRA DE MAU GOSTO

EDITORIAL

O Estado de S. Paulo - 29/05/2009
 
Segundo os jornais de Buenos Aires, a presidente argentina, Cristina Kirchner, ficou "furiosa" com a promessa do venezuelano Hugo Chávez ao seu colega Luiz Inácio Lula da Silva de não nacionalizar empresas brasileiras em operação no seu país, embora as estatizações devam prosseguir. Dias antes, ele havia encampado três siderúrgicas argentinas, por sinal do mesmo Grupo Techint que já sofrera na Venezuela uma intervenção do gênero em 2008. A promessa a Lula, feita numa conversa a portas fechadas no encontro em Salvador, na terça-feira, foi captada por microfones inadvertidamente ligados e divulgada pela imprensa. Interpelado em seguida, por telefone, pela presidente Cristina, que exigiu que desmentisse publicamente a sua declaração, Chávez mandou a chancelaria venezuelana divulgar uma nota segundo a qual a frase tinha sido dita "em tom de brincadeira". Broma, em espanhol. Embromação, em português. 

A presidente fez saber que estava "satisfeita". Claro que não está, nem poderia. Às voltas com uma difícil eleição parlamentar, em 28 de junho, tida como uma prévia do pleito nacional do próximo ano, que poderá apear os Kirchners da Casa Rosada, Cristina considerara as estatizações da semana passada "um ato soberano" do governo de Caracas. Mas essa resignação contrastou com os protestos das maiores entidades empresariais do país e da própria CGT, a poderosa central sindical argentina, que agora exigem que a Casa Rosada se oponha ao ingresso da Venezuela no Mercosul. Decerto, para se mostrar desta vez mais valente na defesa dos interesses nacionais, antes de inquirir o interlocutor sobre as garantias dadas a Lula, ela atacou: "Essa afirmação, se existiu, implica um grau de discriminação que ultrapassa a soberania de cada Estado." A investida não tem pé nem cabeça: quem pode o mais (estatizar) pode o menos (estatizar seletivamente).

A fúria de Cristina com quem a dinastia Kirchner sempre se mostrou submissa não significa que ela tenha se cansado dos bolivarianismos do muy amigo. É como se tivesse estrilado: encampe as nossas empresas, se quiser, mas onde já se viu poupar as do Brasil? Ou seja, ela se voltou contra o país que é o polo passivo da pendenga - o que não é propriamente engraçado. O Planalto nunca reclamou de Chávez ter aplicado 9,2 bilhões dos petrodólares venezuelanos em títulos encalhados da dívida pública portenha. E, se as firmas brasileiras de fato estiverem a salvo do cutelo chavista, não será apenas, ou principalmente, porque o coronel tema se indispor com o presidente Lula. Quando, há poucos anos, ele deu de mudar as regras da exploração do petróleo na Bacia do Orenoco, a Petrobrás perdeu sua concessão - e ficou por isso mesmo. 

A verdade é que, hoje em dia, como observa o ex-secretário de Comércio da Argentina Raúl Ochoa, as empresas brasileiras estão começando a fazer grandes investimentos na Venezuela - devem ser as únicas das quais se possa dizer isso -, ao passo que as portenhas já o fizeram tempos atrás, tendo perdido, portanto, a principal serventia. De qualquer modo, a alegação de Chávez de que estava brincando com Lula o equipara ao brasileiro quando, na mesma reunião, este lhe disse, desprevenidamente - a propósito do acordo que não sai entre a Petrobrás e a venezuelana PDVSA para a construção de uma refinaria em Pernambuco -, que se conseguir eleger, como sua sucessora, a ministra Dilma Rousseff, "vou ser presidente da Petrobrás". E arrematou, dirigindo-se ao titular da estatal, Sérgio Gabrielli: "Você vai ser meu assessor e o acordo vai sair."

Pelo visto, fazendo reviver antigos juízos sobre a pouca propensão para a seriedade dos dirigentes desta parte do mundo, Lula e Chávez parecem ter se comportado em Salvador como se estivessem disputando um concurso humorístico. Enquanto permanecerem no terreno da galhofa, menos mal. Mas a realidade é que, pelo menos na Venezuela, as coisas não são de fazer rir. O caudilho histriônico que pretende ocupar até o fim de seus dias o Palácio Miraflores não brinca em serviço quando trata de garrotear a liberdade de seus desafortunados concidadãos. Na quarta-feira, o escritor peruano Mario Vargas Llosa, de passagem por Caracas, foi advertido no aeroporto, onde o retiveram durante hora e meia, que estrangeiros não têm o direito de falar de política na Venezuela. Se depender de Chávez, nem os nacionais - a não ser para louvar a sua ditadura em acelerado processo de "aperfeiçoamento".

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