domingo, novembro 01, 2009

ANCELMO GÓIS

A natimorta

O GLOBO - 01/11/09


Terça, dia 10, a CPI da Petrobras vai finalmente ouvir Sérgio Gabrielli, presidente da estatal.
Uma semana depois, o senador chapa-branca Romero Jucá apresentará seu relatório.
Tudo leva a crer que, antes do Natal, a “CPI Viúva Porcina”, aquela que foi sem nunca ter sido, será inumada.

Aliás...
Depois das cerimônias fúnebres da CPI da Petrobras, o Senado vai apreciar os projetos de exploração do pré-sal, em fase final de votação na Câmara. Senadores da oposição sonham com mudanças que, na Câmara, onde a maioria do governo é maior, foram impossíveis de se fazer.
Mas se o PP (Partido da Petrobras) usar no Senado o mesmo rolo compressor que tem usado no caso da CPI, nada muda.

Ficou só na festa
Em março, Lula bateu bumbo para sancionar a Lei do Gás.
Como até hoje não foi regulamentada, na prática, não entrou em vigor.

Fla até no xadrez
O chefe da Polícia do Rio, Alan Turnowski, rubro-negro roxo, orienta os auxiliares a nunca apresentarem bandidos com camisa do Flamengo, seu time.
A Rádio Xilindró diz que ele já tem guardada uma coleção de camisas do Fla. Maldade.

Morte da gata
Vera Fischer deu uma gata persa a seu cabeleireiro, Glecciano Luz, que levou a peluda, batizada de Lia, ao American Pet, no Leblon, para um banho.
Quando foi pegá-la, Lia havia morrido. O caso está na 14aDP.

O DOMINGO É DE Deborah Secco, a bonita atriz que faz 30 anos dia 26 agora cheia de motivos para festejar.

A bela estará na segunda temporada de “Ó paí, ó”, que estreia dia 13. Vai interpretar duas personagens — a baiana Keila, sua sósia na história, e ela própria. Deborah também será a protagonista do longa “O doce veneno do escorpião”, dirigido por Marcus Baldin, que deve chegar aos cinemas em julho de 2010. Para suportar a rotina de gravações, Deborah não dispensa as sessões diárias de pilates

Circuito E. Arden
Para registro histórico. Dos 31 países visitados nos 81 dias de viagens de Lula este ano, só um fica na África (Líbia).
Para EUA e Europa, foram 15 viagens.

Muro
O PP vai cozinhar o apoio à candidatura de Dilma até o PSDB resolver seus problemas.
Se o candidato for Aécio Neves, o partido pula para o barco tucano.

No mais
Além da “Hora do Brasil” e do programa “Café com o presidente”, a imprensa oficial agora produz também o “Bom dia, ministro”.
Neste ritmo, em breve, teremos o “Boa tarde, secretárioexecutivo”, “Boa tarde, chefe de departamento” e, por fim, “Durma bem, DAS”.

ZONA FRANCA

O boa gente Edney Silvestre lança terça “Se eu fechar os olhos agora”, às 19h, na Travessa do Leblon.

O Jardim da Saudade promove o Finados com Arte, espetáculo de balé, música e artes plásticas, amanhã.

A revista “S/N”, de Bob Wolfenson e Helio Hara, vai representar o Brasil na 100 Tokyo Design.

Morar Mais por Menos foi convidado pelo Sebrae para assinar a Casa Carioca na Construir Rio.

A peça “Contos de Fada”, de Danielle Fritzen, está no Teatro Abel.

No “Primeiramente boa noite” de terça, no Conversa Afinada, Barbara Mendes canta Rodrigo Lessa.

Abre dia 8 o III Encontro de Cinema Negro Brasil, África e Américas, homenageando o documentarista Saint Claire Bourne.

As obras de Van Gogh inspiraram o verão de Patricia Barreto.

O Mago e Tio Sam
A editora americana Harpercollins lança na terra de Obama a biografia de Paulo Coelho escrita por Fernando Morais (veja a capa).

Lá, o livro vai se chamar “A warrior’s life”. Sai dia 17 em versão de capa dura, a US$ 26, e em versão eletrônica, a US$ 20.

Deu água
Azedou a relação do nosso supercampeão olímpico dos 50m livres, Cesar Cielo, com Coaracy Nunes, presidente da Confederação de Desportos Aquáticos

Cabelos lisos
Uma mulata candidata à vendedora da loja Levi’s do BarraShopping, no Rio, diz ter ouvido na entrevista a pergunta: — Você se incomodaria de fazer chapinha todo dia? É que as moças da rede não trabalham de cabelos presos, e preferimos as de cabelos lisos.

Segue...

A Levi’s diz que houve má interpretação: nas entrevistas, como vendedor lida com o público, é dito que “cabelos tratados e outros cuidados estéticos são importantes”.
A empresa foi uma das primeiras no mundo a adotar políticas de inclusão de mulheres, gays etc.

Todo mundo nu Tem gente do suingue deixando a Praia do Abricó. Alega que o local “é muito gay”.
O point agora é a Praia da Reserva à noite.

Dom João VI e o pré-sal

Evaldo Cabral de Mello, nosso grande historiador, voltou a praticar um de seus esportes preferidos — o de cutucar os cariocas.
Enxerga incoerência na luta do Rio para não repartir os royalties do petróleo do pré-sal com estados não produtores: — Logo uma cidade que parasitou o Brasil de 1808 a 1889...
Evaldo se refere ao fato de que recursos de todos os cantos do país foram drenados para o Rio como forma de custear as despesas após a chegada da família real.
O pernambucano Cabral é um sábio. Como diplomata, conheceu o mundo inteiro e, aposentado, optou por um bom lugar para morar: o Rio. Mas aí é outra história

Pesquisa com 3.205 estudantes adolescentes mostra que as agressões entre casais não ocorrem somente entre adultos.
Começam ainda na fase do namoro.

Veja só. Nove em cada dez jovens que namoram praticam ou sofrem variadas formas de violência, como constatou a enquete do Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde, da Fiocruz.

Aos números: 85,3% disseram já ter dito coisas ruins em tom hostil, xingamentos ou feito depreciações, e 85% relataram ser vítimas destes três tipos de agressão.
As garotas são, ao mesmo tempo, mais agressoras e mais vítimas de provocações.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

Para onde vamos?

O GLOBO - 01/11/09


A enxurrada de decisões governamentais es drú xulas, frases presidenciais aparentemente sem sentido e muita propaganda talvez levem as pessoas de bom-senso a se perguntarem: afinal, para onde vamos? Coloco o advérbio “talvez” porque alguns estão de tal modo inebriados com “o maior espetáculo da terra”, de riqueza fácil que beneficia a poucos, que tenho dúvidas. Parece mais confortável fazer de conta que tudo vai bem e esquecer as transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes. Tornou-se habitual dizer que o governo Lula deu continuidade ao que de bom foi feito pelo governo anterior e ainda por cima melhorou muita coisa. Então por que e para que questionar os pequenos desvios de conduta ou pequenos arranhões na lei?

Só que cada pequena transgressão, cada desvio vai se acumulando até desfigurar o original. Como dizia o famoso príncipe tresloucado, nesta loucura há método. Método que provavelmente não advenha do nosso Príncipe, apenas vítima, quem sabe, de apoteose verbal. Mas tudo o que o cerca possui um DNA que, mesmo sem conspiração alguma, pode levar o país, devagarzinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade, que pouco têm a ver com nossos ideais democráticos.

É possível escolher ao acaso os exemplos de “pequenos assassinatos”. Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal-explicada, mal-ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira “nacionalista”, pois se o sistema atual, de concessões, fosse “entreguista” deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública. Por que anunciar quem venceu a concorrência para a compra de aviões militares se o processo de seleção não terminou? Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental em uma companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas? Por que antecipar a campanha eleitoral e, sem qualquer pudor, passear pelo Brasil às custas do Tesouro (tirando dinheiro do seu, do meu, do nosso bolso...) exibindo uma candidata claudicante? Por que, na política externa, esquecer-se de que no Irã há forças democráticas, muçulmanas inclusive, que lutam contra Ahmadinejad e fazer mesuras a quem não se preocupa com a paz ou os direitos humanos?

Pouco a pouco, por trás do que podem parecer gestos isolados e nem tão graves assim, o DNA do “autoritarismo popular” vai minando o espírito da democracia constitucional. Essa supõe regras, informação, participação, representação e deliberação consciente. Na contramão disso tudo, vamos regressando a formas políticas do tempo do autoritarismo militar, quando os “projetos de impacto” (alguns dos quais viraram “esqueletos”, quer dizer obras que deixaram penduradas no Tesouro dívidas impagáveis) animavam as empreiteiras e inflavam os corações dos ilusos: “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Em pauta temos a Transnordestina, o Trem-Bala, a Norte-Sul, a Transposição do São Francisco e as centenas de pequenas obras do PAC que, boas algumas, outras nem tanto, jorram aos borbotões no orçamento e minguam pela falta de competência operacional ou por desvios barrados pelo TCU. Não importa: no alarido da publicidade, é como se o povo já fruísse os benefícios: “minha casa, minha vida”; biodiesel de mamona, redenção da agricultura familiar; etanol para o mundo e, na voragem de novos slogans, pré-sal para todos.

Diferentemente do que ocorria com o autoritarismo militar, o atual não põe ninguém na cadeia. Mas da própria boca presidencial saem impropérios para matar moralmente empresários, políticos, jornalistas ou quem quer que seja que ouse discordar do estilo “Brasil potência”. Até mesmo a apologia da bomba atômica como instrumento para que cheguemos ao Conselho de Segurança da ONU – contra a letra expressa da Constituição – vez por outra é defendida por altos funcionários, sem que se pergunte à cidadania qual o melhor rumo para o Brasil. Até porque o presidente já declarou que em matéria de objetivos estratégicos (como a compra dos caças) ele resolve sozinho. Pena que tivesse se esquecido de acrescentar “l’État c’est moi”. Mas não esqueceu de dar as razões que o levaram a tal decisão estratégica: viu que havia piratas na Somália e, portanto, precisamos de aviões de caça para defender “nosso pré-sal”. Está bem, tudo muito lógico.

Pode ser grave, mas, dirão os realistas, o tempo passa e o que fica são os resultados. Entre estes, contudo, há alguns preocupantes. Se há lógica nos despautérios, ela é uma só: a do poder sem limites. Poder presidencial com aplausos do povo, como em toda boa situação autoritária, e poder burocrático-corporativo, sem graça alguma para o povo. Este último tem método. Estado e sindicatos, Estado e movimentos sociais estão cada vez mais fundidos nos alto-fornos do Tesouro. Os partidos estão desmoralizados. Foi no “dedaço” que Lula escolheu a candidata do PT à sucessão, como faziam os presidentes mexicanos nos tempos do predomínio do PRI. Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições sobrará um sub peronismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são “estrelas novas”. Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam.

Ora dirão (já que falei de estrelas), os fundos de pensão constituem a mola da economia moderna. É certo. Só que os nossos pertencem a funcionários de empresas públicas. Ora, nessas, o PT que já dominava a representação dos empregados, domina agora a dos empregadores (governo). Com isso, os fundos se tornaram instrumentos de poder político, não propriamente de um partido, mas do segmento sindical-corporativo que o domina. No Brasil os fundos de pensão não são apenas acionistas – com a liberdade de vender e comprar em bolsas – mas gestores: participam dos blocos de controle ou dos conselhos de empresas privadas ou “privatizadas”. Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido no governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados, eis o bloco sobre o qual o sub peronismo lulista se sustentará no futuro, se ganhar as eleições. Comecei com para onde vamos? Termino dizendo que é mais do que tempo de dar um basta ao continuísmo antes que seja tarde.

DUAS MERDAS

ELIO GASPARI

Lula acha que chega à eleição em triunfo

FOLHA DE SÃO PAULO - 01/11/09



Com a economia rodando a 7%, desemprego em queda e consumo em alta, basta que Dilma não tropece


NA SEMANA PASSADA Lula teve uma conversa com empresários e parlamentares no Palácio da Alvorada e desenhou um cenário triunfante para a eleição de 2010.
Nosso Guia acredita que no segundo semestre a economia estará crescendo a 7%, com aumento da renda dos trabalhadores e expansão do consumo. Será um cenário de sonho para quem quer preservar seu patrimônio eleitoral no andar de baixo.
No campo político Nosso Guia convenceu-se de que a oposição será obrigada a aceitar uma eleição plebiscitária, cuja expressão mais simples será a comparação com os oito anos tucanos de Fernando Henrique Cardoso.
Lula pretende eleger Dilma Rousseff colando no candidato da oposição o rótulo de continuador da experiência tucana e apresentando-a como continuadora de seu governo.
Falta combinar com os russos, mas, olhando-se para o estado de paralisia física e cerebral em que caiu o PSDB, Lula conseguiu o melhor dos mundos. Falta um ano para a eleição e só há um jogador em campo: ele.
1989 E O MURO
Vem aí o 20º aniversário da queda do Muro de Berlim (dia 9, segunda feira da próxima semana). Na realidade, o que vem aí é muito mais que isso, é o 20º aniversário do ano glorioso de 1989.
Em pouco mais de um ano acabaram-se um império (o soviético), uma modalidade de organização política (a ditadura do partido comunista) e um modo de produção (o socialista). Extinguiu-se também a chama dos projetos revolucionários como instrumento de transformação das sociedades.
A "queda do Muro" foi o desfecho de um processo que começou seis meses antes, quando a Hungria abriu sua fronteira com a Áustria, drenando a população da Alemanha Oriental. Ao final de maio pedaços de arame farpado da fronteira austro-húngara já eram vendidos como souvenirs.
Aprende-se isso, e muito mais, no livro "1989 - O ano que Mudou o Mundo", do jornalista americano Michael Meyer. Ele testemunhou a mudança e presenciou a revolução tcheca, ao som do chacoalhar dos chaveiros. Quem tiver curiosidade pela grandeza de 1989 e pela ousadia da reunificação da Alemanha, pode dispor de 236 páginas de inteligente narrativa.
Quem quiser fechar o foco na revolução alemã estará bem servido com "O Muro de Berlim - Um Mundo Dividido, 1961-1989". Nele aprende-se o nome da pessoa que furou a barreira. Foi Harald Jaeger e comandava o posto policial da cancela da Bornholmer Strasse. Jaeger ergueu a barreira e deixou a multidão passar. Em 1997 comprou uma banca de jornais e trabalha nela, com a mulher.

BOA NOTÍCIA
Uma grande operadora de telefonia quer oferecer aos consumidores ligações gratuitas em troca de mensagens publicitárias que seriam ouvidas antes do início da ligação. Quem quiser adere ao plano. Quem não quiser fica como está.

MÁ EMENDA
A turma do mensalão acredita que se for aprovado o projeto que acaba com o foro privilegiado, os 39 companheiros se livram da lâmina do ministro Joaquim Barbosa. Podem estar cometendo um grave erro. Se os processos dos mensaleiros que não têm mandato parlamentar caírem nas mãos de um juiz malvado na 1ª instância, os doutores poderão ter a prisão preventiva decretada. Terão saudade de Joaquim Barbosa.

NOSSO GUIA
Alguém precisa avisar a Lula que catador de lixo não é profissão. No limite, poderia ser um ofício, mas é apenas ocupação.

TERMÔMETRO
Vai a leilão no dia 17 de novembro, na casa Christie's de Nova York, um desenho de Hélio Oiticica da série concretista dos Metaesquemas. Está avaliado entre US$ 60 mil e US$ 80 mil. Em maio um guache parecido tinha a mesma estimativa e foi arrematado por US$ 186 mil. (Oiticica exigia que essas obras não fossem chamadas de "desenho".) O desempenho da peça será um bom termômetro para que se avalie o efeito do incêndio de uma parte do acervo de Oiticica sobre a cotação de sua obra no mercado.

BASTA PUXAR O FIO
Se o ministro Tarso Genro quiser, estoura as malfeitorias de uma rede de fornecedores de equipamentos de segurança. Houve uma época em que ela se cevou na Infraero.

PSDB, O EXTERMINADOR DA OPOSIÇÃO

Quem não gosta de Nosso Guia precisa se mobilizar para impedir que o PSDB destrua a oposição brasileira. O tucanato tornou-se um ingrediente tóxico tanto no atacado como no varejo.
No atacado, o governador José Serra quer paralisar o partido, jogando para março o anúncio do nome do candidato à Presidência da República. Se o problema fosse apenas de prazo, Serra teria argumentos para justificar sua posição. Lamentavelmente, a questão é outra: ainda não se sabe se Serra quer trocar uma reeleição certa para governador por uma candidatura a presidente que a cada dia parece mais pedregosa. Talvez nem ele mesmo saiba.
Recordar é viver: durante todo o ano de 2005 a popularidade de Lula sofreu uma forte erosão. Entre agosto e dezembro as pesquisas do Datafolha indicavam que ele perderia a eleição do ano seguinte para Serra. Em janeiro de 2006 o quadro começou a virar e no final de fevereiro Nosso Guia botou oito pontos de frente. Em março Serra tirou o time de campo.
Serra quer esperar até março sem que haja qualquer garantia de que irá para a briga. Já o governador Aécio Neves quer uma decisão rápida, caso contrário disputará uma cadeira de senador. Não se poderia esperar que o neto de Tancredo Neves fosse a uma disputa de mato-ou-morro, mas o ultimato de Aécio indica que ele já achou a saída de emergência.
O PSDB tornou-se um tóxico também no varejo. Em vez de fazer oposição, sua bancada no Congresso associa-se às piores iniciativas da bancada governista e da banda esperta do PMDB.
O tucanato denuncia as maracutaias petistas, mas é incapaz de levantar a voz diante das malfeitorias dos seus hierarcas. Noves fora o mensalão mineiro, em cujo processo está denunciado pelo Ministério Público o ex-presidente do partido, senador Eduardo Azeredo, o tucanato teve um governador e um senador cassados pelo Supremo Tribunal Federal (Cássio Cunha Lima e Expedito Júnior). Isso deixando-se de lado a ruína de Yeda Crusius no Rio Grande do Sul.
O PSDB deu os votos necessários para que o Senado e a Câmara aprovassem a Bolsa IPI que borrifaria os exportadores com créditos de R$ 34 bilhões, pelo menos. Fez isso mesmo depois do Supremo Tribunal Federal ter derrubado a pretensão dos empresários. Vexame final: Lula vetou o mimo.
Na semana passada, iniciativas de três tucanos (Flexa Ribeiro, Marcos Monte e Roberto Rocha) puxaram os interesses do ruralismo das trevas para aprovar um projeto de anistia para desmatadores. A moralidade foi defendida por militantes do movimento Greenpeace que, acorrentados a poltronas do plenário da Câmara, fizeram um escarcéu e transferiram a votação do projeto.

JOSÉ SIMÃO

Buemba! Finados ou Desafinados?

FOLHA DE SÃO PAULO - 01/11/09



Por que a novela tem intervalo? Pra esfriar o pingolim do Zé Mayer. Já engravidou duas!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
Continuo com a série Os Predestinados. É que um amigo foi se casar no cartório de Perdizes e adivinha o nome da escrevente? Claudia CARRASCO! E um outro foi prestar concurso, pegou uma apostila resumida e adivinha o nome da professora?
CARLA PEREZ! Rarará. A Carla Perez virou apostila. Carla Perez é aquela que botou fogo na "iscola" com o "esqueiro". E foi no programa do Silvio Santos e disse que o Alasca é uma praia. É tudo branco mesmo, neve e areia. Ela faz esquibunda nas dunas do Alasca. E aí o Silvio Santos: "Você pelo menos fez o ensino fundamental?". Eu acho que ela fez o Ensino Loreal. Rarará.
E o Lula que fez aniversário? Fez 64 anos. Com aquela cara de 51. Corpinho de 64 e cara de 51. O Lula fez 64 anos e a dona Marisa 64 plásticas. A boca virou um bico de tênis Conga!
E eu tenho uma amiga tão baixinha, mas tão baixinha, que foi colocar o O.B. e tropeçou no barbante! E sabe por que a novela tem intervalo? Pra esfriar o pingolim do Zé Mayer. Já engravidou duas. Se tivesse antidoping de Viagra, a novela sairia do ar! Hoje é Finados! E, mesmo sendo Finados, uma boate gay vai dar uma festa: A Ressaca dos Mortos! Ou seja, gay não deixa de festejar nem morta.
Rarará. E a Vanusa devia reunir um grupo e cantar o hino na porta do cemitério: Os desaFINADOS! Rarará! E aí encontraram uma velhinha fazendo xixi no túmulo do marido. "Mas, minha senhora, isso é coisa que se faça?". "Cada um chora por onde tem saudade." Rarará!
Sujão na Venezuela! O Chávez, pra economizar água, proibiu banho de mais de três minutos. Já sei, quem toma banho é um inimigo de la pátria, ianque de mierda! Pensar na namorada ou na vizinha no chuveiro, nem pensar. Como disse aquele venezuelano: não dá nem pra bater uma no chuveiro. Na Venezuela, só pode bater continência. E pro Chávez. Rarará. Manda o Chávez botar aquela placa no chuveiro: "Favor lavar só o que for usar HOJE!". Rarará.
Venezuelano que não toma banho não é porco, é patriota.
E ontem foi Halloween! Acorda, Serra! Pega a vassoura, Dilma. E umas sapatas fizeram uma festa de Halloween chamada Rala-o-Hímen! Rarará! É mole? É mole, mas sobe! E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Manada": monte de mano em disparada. Indo pro jogo do Corinthians! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza! Hoje só amanhã!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! E vai indo que eu não vou!

GOSTOSA


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DANUZA LEÃO

Poder compartilhar

FOLHA DE SÃO PAULO - 01/11/09

Se a alegria era tão grande, por que ela não me bastava, por que precisava contar? Não posso ser feliz sozinha?

QUANDO ACONTECE uma coisa bem boa, qual é meu primeiro impulso? Contar para alguém; aliás, contar para vários alguéns, contar para o mundo. Eu pego o telefone e vou ligando, pela ordem de amizade, só que nem sempre o universo conspira a meu favor.
Outro dia, às 2h da tarde, tive uma boa notícia e corri para o telefone. Na primeira chamada, atendeu a secretária eletrônica, mas nem deixei recado. Na segunda, o celular estava fora de área, na terceira, ouvi um "não está dando para falar agora, te ligo mais tarde"; a partir daí, nem lembro mais. Só poderia contar minha alegria a alguém muito íntimo, e tive aí o primeiro susto: quantos amigos íntimos eu tenho? Poucos, muito menos do que eu imaginava.
Será que Roberto Carlos conseguiu ter 1 milhão de amigos? Se eu tenho tão poucos, a culpa deve ser minha, claro, que não procuro ninguém, e quando me convidam para alguma coisa, com raras exceções, arranjo uma desculpa e digo que não posso ir. Aí fico pensando: preciso mudar. Vou começar abrindo minha agenda e ligando para pessoas que não vejo há séculos para dar um alô, dizer que estou com saudades, perguntar pela vida e terminar a conversa com o inevitável "vamos combinar de almoçar, te ligo". E aí, vou ligar? Já sei que não, e se a pessoa me ligar, talvez diga que estou cheia de trabalho, na segunda-feira vou viajar, que telefono quando voltar. Difícil ser difícil, e difícil deixar de ser.
Com tudo isso até me esqueci do principal: continuei sem ter ninguém com quem compartilhar minha alegria. E é curioso: se minha alegria era tão grande, por que ela não me bastava, por que a necessidade de contar para o mundo? Será que não posso ser feliz sozinha? Por que será que quando se trata de boas coisas preciso que o universo saiba, e quando estou triste prefiro ficar muda, sozinha? Fiquei pensando em tudo isso, mas continuei sem ter com quem falar sobre minha alegria, que àquelas alturas nem era mais tão grande assim.
O dia foi passando e eu esperando que meus poucos amigos íntimos chegassem em casa para poder contar. Às 7h recomecei a telefonar, e mesmo sem todo aquele entusiasmo, fui logo contando o "acontecido".
A reação foi morna. "Ah, mas que ótimo, parabéns, você deve estar feliz". Mais uma ou duas frases sobre o assunto, e a conversa passou a ser a de sempre: a violência do Rio, o quanto vão roubar com as obras da Olimpíada, a próxima eleição, a dieta que não se consegue fazer, a ginástica que vai mal, e daí a pouco a conversa acabou, com um "vamos ver se a gente almoça no fim de semana", e ponto.
Um pouco mais, um pouco menos, foi igual com todos os meus poucos amigos íntimos, e minha alegria, que tinha sido tão grande, murchou. Eu é que sou louca, pensei, afinal não havia motivo para tanta euforia.
Ou será que havia? E lembrei de meu pai e de minha mãe; os pais são as únicas pessoas que têm todo o tempo do mundo para nos ouvir e são solidárias não só nas nossas tristezas como também nas nossas felicidades.
Estou sendo injusta, nossos analistas também nos ouvem;
mas às vezes a gente precisa mais do que de quem nos ouça. Precisa que nos ouçam com afeto.

ARI CUNHA

Nas mãos das agências reguladoras

CORREIO BRAZILIENSE - 01/11/09


Difícil entender a função das agências reguladoras no Brasil. Foram criadas para descentralizar as decisões das estatais, entre outras missões. Na verdade, o que se vê são parceiras que avalizam todas as normas e condutas tomadas, inclusive quando são contra os usuários. Sem muito holofote, a CPI das Tarifas de Energia Elétrica pede explicações sobre os valores cobrados indevidamente nas contas de luz. O problema foi apontado pelo TCU. Para Adalberto Vasconcelos, secretário de Fiscalização do tribunal, o erro ocorre há sete anos e trouxe por volta de R$ 1 bilhão em reajustes a mais nas contas de luz. Pelo Código do Consumidor é possível solicitar a restituição em dobro do valor cobrado indevidamente. Mas se até para o presidente da CPI, Eduardo da Fonte, não há respostas da Aneel e do Ministério de Energia sobre a indenização, imagine para quem pagou pelo erro.


A frase que não foi pronunciada

“Nem no Dia de Finados os fantasmas aparecem no Senado.”
» Gasparzinho, pensando na solidão.



Mudanças
» Um dos últimos atos do senador Expedito Júnior foi retirar as duas emendas à PEC 87/03 que tiveram parecer contrário. A proposta trata da transferência dos servidores civis e militares do ex-território de Rondônia para os quadros da União. O relator da matéria foi o senador Valdir Raupp.

Marcha
» SOS Clima Terra é uma iniciativa que prepara protestos ecológicos por todo o país. Dia 2 de dezembro vai ocupar o Eixo Monumental em Brasília. No gabinete da senadora Serys Slhessarenko, uma representante prendeu a atenção de todos os funcionários com um discurso bem preparado. Mas ninguém quis broches nem camisetas.

Subsídios
» Como toda ideia simples, o senador Osmar Dias resolveu ouvir o povo para preparar a plataforma de governo. Cento e trinta rádios do Paraná transmitem ao vivo por uma hora bate-papo do senador com ouvintes que participam com perguntas. O assunto eleição é proibido no ar. O Projeto Paraná está na 8ª edição.

Desaparecimento
» Transformações no Orkut. A rede social mais popular do Brasil é reestruturada na aparência e aplicativos. Apesar das modernidades aplicadas, o portal não tolera críticas. Foi assim quando o repórter Ullisses Campbell, do Correio, denunciou que comunidades no Orkut estimulavam o suicídio. Misteriosamente o
perfil do jornalista desapareceu.

Sintonia
» Depois do superávit de quase R$ 4 bilhões, as contas do governo foram fechadas em setembro com deficit de quase R$ 8 bilhões. Os gastos são diferentes, mas a contabilidade na finança doméstica do brasileiro, resguardadas as proporções, é similar.

Definitivo
» O senador Mão Santa ameaça. Quem votar contra o projeto dos aposentados terá o nome divulgado. Pediu que os subordinados ao rei mostrassem a cara. Depois perguntou a Lula: “Lula, por que persegues os aposentados?” Quarta-feira será o dia D.

Absurdo
» Sobre segurança pública, o senador Mário Couto denunciou que o estado do Pará não usou os R$ 21 milhões que recebeu para combater a violência. Apenas R$1,9 milhão ficou no estado. O restante da verba foi devolvida para o governo federal. E ilustrou: pelo menos 15 pessoas morrem por semana como resultado da falta de política pública em segurança.

Mão aberta
» Enquanto hospitais universitários de todo o país agonizam, o Brasil repassa a Moçambique R$ 13 milhões para uso na Saúde daquele país. O senador Arthur Virgílio protestou e lembrou que o Hospital Getúlio Vargas em Manaus não teve a mesma sorte.

Oportunidade
» A Comissão do Trabalho da Câmara dos Deputados aprova a concessão de benefício para empresas que tenham pelo menos 2% de ex-presidiários no quadro de pessoal. O deputado Rodovalho pretende que esse seja um critério de desempate previsto pela Lei de Licitações.


História de Brasília

Na mesma SQS, há, ainda, as seguintes alterações: há três dias estão tirando as fechaduras da porta principal. As companhias encarregadas da limpeza não dão bola para o serviço. Faltam lixeiras e os moradores são obrigados a varrer as escadas e os vestíbulos. (Publicado em 16/2/1961)

GOSTOSAS


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O CRACK MATA

DORA KRAMER

Vícios insanáveis

O ESTADO DE SÃO PAULO - 01/11/09

O senador José Sarney to mou posse pela terceira vez na presidência do Senado há dez meses. Quase um ano, a mesma idade da crise que só não o derrubou porque o Congresso Nacional é um anexo do Palácio do Planalto, de onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comanda os trabalhos.

Admitamos para efeito de raciocínio que Sarney não soubesse de nenhuma das ilegalidades, não tivesse conhecimento de nenhuma das irregularidades e tampouco fizesse ideia das leviandades que fizeram da administração da Casa uma “verdadeira bagunça”, para usar a expressão do primeiro-secretário da Mesa Diretora, Heráclito Fortes, em relação ao pagamento de horas extras.

Ainda assim, é de se supor que, no processo de tomada de providências de que tanto se orgulha o presidente do Senado, ele tivesse tido tempo para se inteirar dos acontecidos. É de se imaginar também que tenha acompanhado pari passu o trabalho da Fundação Getúlio Vargas e, ao final, tenha examinado detidamente todos os relatórios e as propostas que compõem a reforma por ele anunciada na semana passada.

Outro dia mesmo Sarney afirmou que estava tudo sendo acompanhado por uma comissão e pelo conjunto dos senadores. Como, então, nenhum deles percebeu que no texto da reforma havia um artigo que permitia aos servidores do Senado ganhar salários acima do teto (R$ 25,7 mil) do funcionalismo instituído por lei?

Está escrito sem deixar margem a dúvidas: “A remuneração do servidor do Senado Federal terá como limite máximo o subsídio mensal, em espécie, dos ministros do Supremo Tribunal Federal, ressalvadas as parcelas de caráter indenizatório e a devida pelo exercício da função comissionada.” Quando identificado e denunciado o contrabando, o presidente do Senado se fez de desentendido. “Foi alguma introdução, coisa de última hora, que deve ter sido feita com um certo viso corporativista, mas não vai vingar. É inconstitucional, não podemos fazer de jeito nenhum.”

Que é inconstitucional, mostra-se óbvio. Agora, que tenha sido posta na proposta à revelia do presidente e do conjunto dos que acompanhavam o processo na Casa já é mais difícil de aceitar. Admitido tal fato, é de se concluir que o presidente do Senado formalizou a apresentação da reforma diante do Senado em transmissão direta pela TV da Casa sem saber direito a respeito do que falava. Ou seja, se não mentiu, negligenciou.

Em qualquer das hipóteses, repetem-se os velhos vícios: dissimulação, lassidão, cumplicidade e tantos mais, num quadro que não contribuiu em nada para a recuperação da confiabilidade da instituição. Ao contrário, só alimenta a suspeita de que o que é dito não é verdade e o que é feito esconde sempre escusas intenções.

Por essas e muitas outras, entre as quais o adiamento da redução do número de cargos em comissão para 2011 a fim de preservar os “direitos” dos atuais senadores, é que essa reforma nasce sob a égide do descrédito.

Data DEM

Para justificar a cobrança ao PSDB por pressa na definição da candidatura e início da campanha presidencial, o DEM leva consigo dados de pesquisas feitas nos estados, mostrando números desfavoráveis à oposição. Há quatro amostras: Distrito Federal, Bahia, Rio Grande do Sul e Bahia. Na capital federal, Ciro Gomes aparece em primeiro lugar, Dilma Rousseff em segundo e José Serra em terceiro. Em Salvador, Dilma empata com Serra e abre vantagem na região metropolitana. No Rio Grande do Sul, a candidata do presidente Lula também aparece na frente e, em Minas, diz o DEM, o quadro é de “aperto”. Con fron tado com os dados, o PSDB só contesta este último.

Fator Rio

Nos próximos dias o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, desembarca no Rio de Janeiro para tentar compor uma solução para a até agora insolúvel situação dos oposicionistas.

Se o governo peca por excesso de candidatos, com Sérgio Cabral, Lindberg Farias e Anthony Garotinho brigando pelo palanque de Dilma, a oposição sofre da mais absoluta escassez.

Mantida a decisão do deputado Fernando Gabeira (PV) de disputar o Senado, o PSDB não tem candidato ao governo e o ex-prefeito César Maia vê se reduzir a chance de se eleger senador.

Os tucanos não fazem a menor ideia de como resolver o problema que, na opinião deles, é mais um entre os vários fatores que levaram o presidente do DEM e filho de César Maia, Rodrigo, a confundir o meio de campo manifestando-se a favor da candidatura Aécio Neves.

O PSDB teme que o DEM do Rio esteja criando um pretexto para tomar outro rumo.

Melhor assim

Antes o presidente da República reclamando sempre da imprensa que a imprensa satisfazendo constantemente o presidente da República.

CLÓVIS ROSSI

Pão, queijo e muito mais

FOLHA DE SÃO PAULO - 01/11/09

SÃO PAULO - Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva diz querer uma eleição plebiscitária, um "nós contra eles, pão, pão, queijo, queijo", está apenas descrevendo uma situação que é a regra no mundo civilizado e até na América Latina, sobre cujo teor de civilização política há séria controvérsia.
Nos Estados Unidos, é o "pão" republicano contra o "queijo" democrata; na Alemanha, é o "queijo" social-democrata versus o "pão" democrata-cristão; na Inglaterra, é o "pão" conservador contra o "queijo" trabalhista -e por aí vai. Claro que, aqui e ali, aparecem terceiras ou até quartas partes, mas que são apenas coadjuvantes, ainda que por vezes relevantes. Caso, por exemplo, dos liberais alemães que desde a eleição de setembro fazem parte da coalizão governante, ao lado da vitoriosa DC.
Que haja esse mano a mano é natural: não há, no supermercado ideológico, mais do que duas prateleiras realmente dominantes. Aliás, está ficando difícil achar uma só que seja consistente.
O "plebiscito" é, pois, um avanço, ainda mais se comparado ao pleito de 1989, em que havia quase duas dúzias de candidatos. Era pão, queijo, mortadela, sabonete, melão, melancia, quase tudo, menos detergente, que é incompatível com certos nomes da vida pública.
O avanço fica embaçado no entanto pela anomalia que é a eleição congressual. Nela, entram todas as mercadorias, algumas com prazo de validade vencida, outras de procedência duvidosa. Exceto na eleição de 1986, em que o PMDB, cavalgando o Plano Cruzado, conseguiu maioria absoluta na Câmara, em todas as demais nem a soma dos dois partidos mais votados consegue 50% mais um.
Da atomização nasce inexoravelmente a compra de partidos, um dos muitos fenômenos associados a essa sopa de letrinhas que qualquer supermercado decente se recusaria a pôr à venda.

GOSTOSA


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ELIANE CANTANHÊDE

Quem pode pode

FOLHA DE SÃO PAULO - 01/11/09

BRASÍLIA - A crise de Honduras foi um marco em vários sentidos, mas o principal deles foi reavivar a memória latino-americana e brasileira, em particular, para um dado da realidade: os EUA são os EUA.
Com Bush, a potência perdeu gradativa importância na América Latina e sobretudo na América do Sul, onde o Brasil vem emergindo e ocupando o vácuo norte-americano em sucessivos episódios. O mais simbólico deles foi quando a Colômbia invadiu o território do Equador para aniquilar uma base e o segundo principal líder das Farc.
O Brasil aproveitou para reforçar a parceria com Argentina e Chile, neutralizar a influência da Venezuela e baixar a bola dos EUA na OEA. Pela primeira vez, Washington ficou isolado, e todos os demais países se uniram na condenação à Colômbia. Assim ganhou gás a Unasul, que reúne os países sul-americanos num grupo paralelo à OEA. Ou seja: sem os EUA.
Até que... entram em cena o peculiar Zelaya, que não é nenhuma flor que se cheire, e Roberto Micheletti, o golpista que cheira pior ainda. Um teste para os limites de autonomia da América do Sul, para os arroubos de liderança do Brasil e para os EUA pós-crise e com Obama.
Desde cedo, ficou claro que só os EUA tinham de fato os recursos -em seus vários significados- para resolver a crise. Tanto que Lula telefonou para Obama, em 21 de agosto, e pediu que "aumentasse a pressão" por uma solução em Honduras. Um pedido na direção oposta aos da crise Colômbia-Equador.
Por sorte, o personagem central da negociação se chama Thomas Shannon. Vem a ser o homem para o Hemisfério Sul do governo Bush e o futuro embaixador no Brasil do governo Obama. Uma ponte importantíssima entre o poder que os EUA nunca deixaram de ter e a liderança que o Brasil almeja. Agora, é combinar com os russos. Quem confia na palavra e nas ações de tipos como Zelaya e Micheletti?

JOÃO UBALDO RIBEIRO

Plugue deles, tomada nossa

O GLOBO - 01/11/09


Dá gosto ver como velam e zelam por nós. Faz uns dias, de passagem pelo aeroporto de Congonhas, pude observar como um policiamento atentíssimo garantia inteira proteção contra os males do tabaco. Os infelizes que ainda persistiam no feio vício eram obrigados a sair para o ar livre. Se achassem que já estavam ao ar livre e não notavam que um pedaço de marquise os cobria a vários metros de altura, um policial os repreendia com polidez e fazia ver que debaixo de marquise não era ar livre, pelo menos juridicamente. E, assim, não deixava de ser objeto de uma boa foto a visão de uma porção de gente olhando para cima para checar a marquise, e se postando a um passo de sua margem exterior, para só então acender os cigarros.

Claro, não tenho nada com isso e muito menos entendo de questões policiais. Mas, diante da aplicação com que essa lei vem sido posta em prática, não posso evitar uma sugestão, que modestamente passo adiante. Seriam necessários estudos adicionais, mas tenho certeza de que funcionaria. A idéia é induzir os assaltantes a fumar. Uma propaganda cientificamente elaborada e dirigida poderia conseguir isso, a par com iniciativas dos próprios cidadãos, tais como sempre carregar no bolso o cigarrinho do assaltante, assim como muita gente faz com dinheiro. Não há a menor dúvida de que é tamanho o aparelhamento, do ostensivo ao secreto, das brigadas paulistas antitabaco, que os fumantes meliantes seriam capturados em ritmo vertiginoso. É só ter um pouco de imaginação e os problemas mais rebeldes se resolvem.

De algum tempo para cá, havemos testemunhado muitos exemplos de como, seja em nome de nossa proteção, seja por conta de nossa maior comodidade e felicidade, nos regulam a conduta ou nos obrigam a alguma coisa. Já me esqueci dos detalhes, mas a Anvisa andou tomando diversas medidas de vasto alcance, dispondo sobre as mercadorias que serão expostas nas farmácias e assim resolvendo a grave questão da automedicação. Soube também, não sei se é fato, que a venda de cânfora está proibida nas farmácias, bem como a importação de cola de aeromodelismo foi banida. Força para ela, cobertura completa, não se pode querer mais.

Aproveito a oportunidade para não perder o hábito e mencionar o que muitos já esqueceram, mas não vocês e eu. Trata-se do famoso kit de primeiros socorros para motoristas, vocês se lembram. Tornou-se compulsório, da noite para o dia, levar em cada carro o tal kit, sob pena de multas severas e sabe-se lá mais o quê. Claro, já havia kits à venda, quando saiu a medida. Mais ainda, não se podia montar o kit, comprando seus itens individualmente. A tipoia, ou que outro nome se dava a uma tira de pano que compunha o kit, só era fabricada por uma empresa, por coincidência a mesma que produzia o kit. Se não foi assim, foi quase assim. Depois se descobriu que o kit não servia para nada e, ao contrário, podia até matar mais gente. Aí ele foi banido. Todo mundo já tinha morrido nos quinze reais do kit, o fabricante recebeu o seu e nunca mais se falou nisso. O dinheiro deve ter ido para a conservação de nossas estradas.

Há uns dois anos, tentaram também nos ensinar a falar e escrever com propriedade. Oficialmente não era bem isso, mas ia acabar redundando em todo mundo se ver, de uma maneira ou de outra, coagido a usar a politicamente correta nova linguagem, definida numa cartilha. Acabou não dando em nada, mas o mesmo destino não teve o acordo ortográfico a que hoje estamos submetidos. Não conheço quem seja a favor dessas mudanças bestas e, no caso, por exemplo, do hífen, meio sem pé nem cabeça. No Brasil, a obediência foi imediata, mas os portugueses não aceitam que lhes digam mais uma vez o que está certo ou errado e continuam a ignorar o acordo. E, sim, minto ao dizer que não conheço ninguém que seja a favor dele. Quem ganha dinheiro com ele é a favor.

A última novidade já deve ser do conhecimento de todos, embora sem muitos pormenores. O Brasil mostra mais uma vez sua originalidade e independência e adota um tipo de tomada elétrica existente somente aqui. Nenhum aparelho elétrico brasileiro, que eu saiba, poderá ser ligado numa tomada estrangeira. Vice-versa, nenhum aparelho estrangeiro poderá ser ligado em tomada brasileira. No começo, vai haver alguns pequenos transtornos, como, por exemplo, o aumento do número de notebooks jogados pelas janelas de hotéis, mas isso passa depressa e não é por ninharias que o progresso e a afirmação nacionais serão detidos. É evidente que não iríamos nunca aprovar modelos estrangeiros, temos personalidade. Além disso, os governantes são previdentes e a venda de adaptadores para as tomadas antigas estará limitada a três anos. Depois, quem quiser tomada elétrica que mude as velhas que tem em casa, mande fazer nova fiação e tome outras providências que acabarão por tornar-se necessárias. Como no caso do kit de primeiros socorros, deve haver alguém, no momento, esfregando as mãos na antecipação de vendas às nossas expensas, pois não só quem baixa e fiscaliza essas medidas é pago com nosso dinheiro, como todos os custos nos serão repassados, inclusive os que terão os fabricantes de eletrodomésticos exportados, com a produção de vários tipos de plugue para o mesmo aparelho.

Não sei onde será dado o próximo passo, mas creio que uma área ainda não visada poderá vir a tornar-se objeto de legislação protetora e reguladora. O homem é o que ele come e sabe-se que talvez a maior parte dos problemas de saúde pode ser evitada ou minorada por uma alimentação natural e sadia. Meu único receio é que, baseados em nossa índole, eles nos prescrevam grama.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

PAINEL DA FOLHA

Tapete vermelho

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 01/11/09


A despeito das exibições marcadas para o próximo dia 14 em Recife e 17 em Brasília, as atenções do governo e dos responsáveis pelo filme ‘Lula, o Filho do Brasil’ estão voltadas para a pré-estreia do dia 28 em São Bernardo do Campo, a única até agora com presença confirmada do presidente. ‘Dá para entender’, diz o produtor Luiz Carlos Barreto. ‘O nascimento político dele se deu no ABC.’

Em São Bernardo, administrada pelo petista Luiz Marinho, um pavilhão nos antigos estúdios da Vera Cruz está sendo preparado para receber 2.800 pessoas na sessão. A prefeitura aproveitará a oportunidade para anunciar uma reforma que pretende transformar o lugar num complexo dedicado ao audiovisual.

Hermanos 1 - Amanhã Luiz Carlos Barreto estará em Buenos Aires para negociar com o grupo Constantini, que já atuou em parceria com brasileiros em ‘Tropa de Elite’, a distribuição da cinebiografia de Lula na América Latina.

Hermanos 2 - A ideia inicial, segundo Barreto, era lançar o filme no exterior em abril ou maio. Mas, devido à demanda dos argentinos, a operação deve ser antecipada para fevereiro num circuito de capitais latino-americanas. No Brasil, a estreia comercial será em 1º de janeiro.

Projac - Estrela do programa do PT que irá ao ar em dezembro, Dilma Rousseff aparecerá somente em gravações de estúdio. Por receio de ações na Justiça Eleitoral, o partido não exibirá nenhuma imagem da ministra-candidata em inaugurações de obras e outros eventos de governo.

Cruzada - O PSDB inicia no próximo dia 14 uma espécie de treinamento para colocar 2.500 militantes nas ruas no Nordeste, fortaleza eleitoral do lulismo. Identificados com carteirinhas do Instituto Teotônio Vilela, ligado ao partido, os ‘multiplicadores’ receberão apostilas sobre como abordar e vídeos com mensagens dos governadores.

Last call 1 - Após avisar ao Planalto que muito provavelmente estará com a oposição em 2010, o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) começou a reclamar da demora nas obras do aeroporto de Natal.

Last call 2 - Lula, que não gosta de ser contrariado, se pôs a falar o diabo de Garibaldi depois de ver recusado o pedido de apoio a Dilma. Mas, dada a importância do PMDB para a aliança nacional, talvez as obras em Natal ainda tenham chance de vingar.

Free - José Antonio Toffoli deve participar do julgamento desta quarta. Pouco depois de ser indicado por Lula para o STF, ele comentou com amigos que até poderia se declarar impedido no caso do mensalão federal, por ter trabalhado na Casa Civil sob José Dirceu, mas que o mensalão mineiro era outra história.

Termômetro 1 - É consensual entre os ministros do Supremo a avaliação de que o colega Joaquim Barbosa, relator do caso do chamado mensalão mineiro, deverá acolher a denúncia no julgamento marcado para esta quarta-feira.

Termômetro 2 - Barbosa, porém, não deverá arrastar os votos do plenário com a mesma facilidade verificada em agosto de 2007, no julgamento do mensalão federal, quando, nas palavras célebres de Ricardo Lewandovsky, os ministros votaram ‘com a faca no pescoço’. Espera-se mais discussão desta vez, e até um eventual pedido de vista.

Monsieur - Tão logo se aposente do Supremo, em 2010, Eros Grau quer realizar um antigo sonho: abrir um escritório de consultoria em Paris.

Contraponto

Parábola eleitoral

Em palestra no encontro anual da Anpocs (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais), Antonio Lavareda usou uma série de metáforas para analisar o quadro de 2010. O sociólogo, que assessora campanhas da oposição, comparou Lula a um ‘pai amado que vai para o céu’. As opções de sucessão na família seriam ‘restritas, todas sem o carisma do patriarca’.

Haveria ‘a tia distante, às vezes durona, irmã favorita do pai’ (Dilma), ‘o dono da farmácia do bairro, competente e responsável (Serra), ‘o tio jovial e irrequieto’ (Ciro) e ‘uma tia doce e frágil, quase religiosa’ (Marina).

Mensagem de Dilma: ‘Vote em mim em nome do pai’. E o pai, por sua vez, ‘estará na TV apontando seu nome’.

Tiroteio

Se isso for verdade, trata-se de uma nomeação de Cristo para Judas.

De ARTHUR VIRGÍIO (AM), líder do PSDB no Senado, sobre a troca de comando na Fundação Real Grandeza, fundo de pensão dos funcionários de Furnas, creditada à pressão do deputado peemedebista Eduardo Cunha (RJ).



CLÁUDIO HUMBERTO

“Foi a melhor coisa que Lula trouxe”
PRESIDENTE DA VENEZUELA, HUGO CHÁVEZ, SOBRE O INGRESSO DO SEU PAÍS NO MERCOSUL

ELLEN GRACIE ARTICULA CARGO NO EXTERIOR
A ministra Ellen Gracie, do Supremo Tribunal Federal, articula com discrição um posto no exterior, em organismo internacional, de preferência com sede em Genebra, na Suíça, onde esteve duas vezes em duas semanas. A discrição é para evitar um novo vexame: indicada pelo governo brasileiro para integrar a corte internacional, no âmbito da Organização Mundial do Comércio, a ministra acabou preterida.
OITO EM ONZE
Se for confirmada a renúncia da ministra Ellen Gracie a dez anos de sua aposentadoria, Lula indicará o oitavo dos onze ministros do STF.
FAZ-DE-CONTA
O governo prorrogou a isenção de IPI, mas “exigiu” que a indústria faça o que faria mesmo sem isso: manter e aumentar o nível de emprego.
POUCAS ARMAS
A apreensão de armamento na fronteira com o Paraguai pela Polícia Federal foi de 213 nos últimos 18 meses. Mas a PF acha pouco.
AGORA AGUENTE
O Itamaraty caiu na besteira de topar a proposta venezuelana de fazer os dois presidentes se reunirem ao menos uma vez a cada três meses.
SUÉCIA ADOTA ÁLCOOL NOS TRANSPORTES COLETIVOS
O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) organiza uma visita a Estocolmo dos prefeitos de pelo menos três importantes capitais – São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. É que na capital sueca já circulam 500 ônibus movidos a etanol, o nosso álcool, ao contrario de qualquer grande cidade brasileira. A Suécia não produz combustíveis e persegue a meta de se livrar de derivados de petróleo a partir de 2020.
CORRIDA MALUCA
Senador petista, sobre o ritmo de ano pré-eleitoral para os políticos: “É preciso mexer o doce e botar o pé na estrada”.
MUNDO, ME AGUARDE
Além de dominar a cidade, os bandidos do Rio têm outro grande poder: grudar na cadeira o governador e o prefeito, sem viajar há mais de mês
O MAMUTE VEM AÍ
A Casa Civil despachou um servidor para o 8º Congresso de Arquivologia do Mercosul, no Uruguai. E a história nem começou.
AÉCIO DESARRUMA
O governador tucano Aécio Neves encontrou por acaso num hotel em São Paulo, casualmente, o marqueteiro de Lula e de Dilma, João Santana, e logo perguntou se poderia ajudar. Santana respondeu na bucha, divertido: “Ajudaria muito se não fosse candidato a presidente...”
BUMERANGUE
O ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia é sempre visto no Instituto Legislativo Brasileiro, onde voltou a trabalhar, fazendo “campanha”: ele não para de falar nas eleições de 2010.
ASSOMBRAÇÃO BAIANA...
Parece mentira, mas a Controladoria-Geral da União devassa as contas da prefeitura petista de Cruz das Almas, Recôncavo Baiano. É a segunda vez, após o Tribunal de Contas apurar suposto desvio de R$ 11,4 milhões.
...ANTES DA ELEIÇÃO
Em julho, o governador Jaques Wagner (PT-BA) inaugurou um posto de saúde com UTIs, que está na pedra fundamental. O prefeito Orlando Pereira nem pode culpar o anterior. Ele tenta a reeleição.
CHAPA OFICIAL IMPUGNADA
Pega fogo a campanha para a OAB-DF: representação à comissão eleitoral pediu a impugnação do registro da chapa liderada por Ibaneis Barros Jr, apoiada pela atual direção, por utilizar funcionários da entidade na campanha, como demonstram fotos no site dos acusados.
PROGRESSO DO ATRASO
Guarulhos (SP) pode ter de volta os abomináveis rodeios – fonte inesgotável de faturamento humano. A Câmara quer alterar lei do líder do PT, deputado José Luiz Guimarães, que proibiu maltratar animais.
FRAUDE AMBIENTAL
A Frente Ambientalista tenta derrubar na Câmara o substitutivo do deputado Marcos Montes (DEM-MG) ao projeto do Senado que legaliza áreas desmatadas. A matéria beneficia proprietários ou ocupantes ilegais de mais de 35 milhões de hectares desmatados.
APOIO VERDE
O PV tenta conseguir o apoio do PT para não deixar que o projeto que beneficia ocupantes ilegais de mais de 35 milhões de hectares desmatados seja aprovado na próxima quarta-feira (4) na Câmara.
PIE HELADO
Lula tem competição: foi só pousar seu Air Force 51 na Venezuela, que a aeronave quebrou.

PODER SEM PUDOR
CONVERSA DE BÊBADO
Presidente com fama de beber todas, Jânio Quadros certa vez foi surpreendido por uma senhora, que driblou a segurança e chegou até ele para expor um drama pessoal: o marido, alcoólatra, precisava de tratamento. Jânio prometeu ajudar. Depois que a mulher se afastou, ele arrancou gargalhadas dos assessores, testemunhas de seu hábito:
– Aguentar bêbado é fogo...

CAGÃO

DOMINGO NOS JORNAIS

- Globo: Lei Seca não reduz número de mortes de jovens no trânsito


- Folha: CEF patrocina com R$ 40 mil festa para novo ministro do STF


- Estadão: Após crise, MEC vai adotar modelo da Fuvest no Enem


- JB: O perigo mora em casa


- Correio: TCU abre caminho para suplente ganhar mais dinheiro