domingo, outubro 11, 2009

AGAMENON MENDES PEDREIRA

Enem que a vaca tussa

O GLOBO - 11/10/09

Como todos os grandes líderes estudantis, nunca frequentei os bancos escolares.

Graças à minha ignorância completa, me destaquei dos outros estudantes e acabei entrando para o movimento estudantil. Foi nesse ambiente desprovido de cultura e educação que encontrei outros iguais a mim, que queriam mudar o Brasil.

Só não sabíamos se o nome do país se escrevia com S ou com Z.

Nessa época remota do século passado, conheci outros estudantes profissionais como eu: o José Dirceu, o Genoíno, o Serra, o Cabo Ancelmo Gois, Aldo Rebello e o atual prefeito de Caxias, Underbergh Farias. Como não tínhamos nada para estudar, passávamos o tempo todo organizando passeatas, fazendo pichações e invadindo as professoras gostosas. Não necessariamente nessa ordem.

Nossa maior luta foi pela inclusão do capim e da alfafa no bandejão da faculdade.

Mas Enem tudo está perdido! Esta fraude no exame nacional do Enem é a prova (oral e escrita) de que o movimento estudantil continua mais morto do que nunca! A nossa gloriosa UNE, União Nacional dos Encostados, não mexeu uma palha e ainda por cima exige que cada estudante pague meia-entrada para fazer a prova fraudada. O mais incrível disso é que não fui eu (nem ninguém ligado à Famiglia Sarney) que armou esta megafraude. O Enem, assim como a Mega-Sena, acumulou! Quem estava no comando da quadrilha era um DJ, e os estudantes acabaram todos dançando. A Polícia Federal só ainda não conseguiu descobrir qual foi o DJ que roubou as provas.

Os federais suspeitam do DJ Patife, do DJ Canalha e do DJ Marginal.

O fato é que o governo bobeou, e o ministro da Inducassão vai ter que ficar em recuperação quando o governo Lula entrar de férias.

Assim como a gravidez, toda essa roubalheira e pouca-vergonha poderiam ter sido evitadas. Era só rodar as provas do Enem na Gráfica do Senado.

AGAMENON MENDES PEDREIRA é fraudador de provas do Enema.

PLÍNIO FRAGA

Gente sem valor

FOLHA DE SÃO PAULO - 11/10/09

RIO DE JANEIRO - O iracundo Helmut Kohl, que em seus 16 anos à frente do governo alemão se tornou o mais duradouro chanceler daquele país, foi levado a conhecer a praia de Copacabana na primavera de 1996, quando de sua visita oficial ao país. Com a lógica fria de quem comandou a unificação alemã, ao avistar do calçadão milhares de pessoas sob o sol nas areais da zona sul, num dia de semana, ou seja, dia supostamente útil, questionou: "Essa gente não trabalha?".
O IBGE mostra que mais de 3 milhões de jovens entre 20 e 24 anos relatam não estudar nem trabalhar; no máximo se dedicam a afazeres domésticos. Poucos desses estão entre a juventude bronzeada que espantou Kohl.
São na realidade um exército de reserva de mão de obra do capitalismo, como afirmava Marx? Dificilmente. O capitalismo moderno já os dispensou. Quem os alista agora são os exércitos da marginalidade, do tráfico ou, na melhor das hipóteses, da economia informal.
O sociólogo polonês Zygmunt Bauman aponta como sinal da modernidade dois grandes grupos sociais: os turistas e os vagabundos. Os primeiros são sintoma de uma sociedade de consumo de grande circulação de dinheiro e mercadorias, sem nenhum apego ao chão onde pisam. Os segundos são os excluídos da força de trabalho e do mercado de consumo. São aqueles que foram feitos vagabundos; não escolheram ser vagabundos.
A hora de a gente bronzeada mostrar seu valor passou. O samba de 1940 do compositor baiano Assis Valente é de uma alegria ufanista que não combina com o autor -suicidou-se em 1958, aos 46 anos, e deixou nos bolsos um bilhete pedindo que Ary Barroso pagasse seus aluguéis em atraso. No Brasil, é assim: valente ufanista morre pobre e endividado; jovem já é descartado antes mesmo de começar a viver.

PEIDO ATÔMICO

JOSÉ SIMÃO

Rio 2016! Acende a tocha no bafo!

FOLHA DE SÃO PAULO - 11/10/09



Quem vai cantar o hino na Olimpíada? A Vanusa! Gringo não entende nada mesmo!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! É que em Santo André tem um urologista chamado Reinaldo Sacco. É o que eu digo: não é vocação, é predestinação! E a última da Lucianta Gimenez: "Não se pode colocar os BURROS na frente dos bois!". Rarará. Ela ficou com medo de levar uma chifrada! E o grande babado da semana: Rio 2016! Tiros por minuto! E Copa 2014 e Rio 2016! Vamos enforcar 2015! Essa é a nova campanha nacional: Vamos enforcar 2015!
E outra campanha nacional: Rio 2016! Vamos Pegar uma Gringa! Argentina não vale! Rarará! Podemos lançar uma outra também: Rio 2016! Vamos roubar um gringo. Sabe aqueles italianos que vêm com filmadora? Rarará! E aí eu liguei prum amigo meu no Rio: "Preparados pra Olimpíada?". "Sim, tamo em ponto de bala." Rarará. Tá tudo pronto. Inclusive o Complexo Esportivo Elias Maluco. O Brasil já tem três ouros garantidos: assalto triplo, corrida de 1.500 metros com bolsa de turista e revezamento de celular roubado.
E diz que no dia da vitória tinha 150 mil cariocas na praia. Normal. Cento e cinquenta mil cariocas na praia é dia normal! E adivinha quem vai cantar o Hino Nacional na Olimpíada? A Vanusa! Rarará. Gringo não entende nada mesmo! E quem vai acender a pira olímpica? O Marcelo D2! Ou então o Lula mesmo. Ele acende a pira olímpica no BAFO!
BUUUMF! Esse Lula tá com tudo. O LULA NASCEU COM O LU PRA LUA! Rarará! Agora só falta ele trazer a eleição do papa pra Aparecida!
E a entrega do Oscar pro Canecão! E o ENEM?! Sabe por que ninguém vai preso nesse episódio do Enem? Por absoluta FALTA DE PROVAS! E o órgão responsável pelo Enem é o INEP. INEPTO! O MEC tá mais pra MecDonald's. Pior: "Suspeito conta na PF que guardou Enem na cueca". Por isso que a prova foi pro saco. No Brasil tudo se esconde na cueca: dólares, drogas, diamantes, linguiça, lata de ervilha. Vou lançar outra campanha: Temos que resgatar o uso original da cueca! Rarará! E diz que a nova prova do Enem não pode vazar. Já sei, vai ser uma prova à prova d'água. Rarará. E diz que serão guardadas num lugar seguro. Na gaveta do Sarney ou na embaixada do Brasil em Honduras.
É mole? É mole, mas sobe! Ou, como diz aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece! E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Faxismo": regime politico pelo qual se obtém tudo através de fax. Rarará. O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. E vai indo que eu não vou!

ANCELMO GÓIS

Ele é o cara

O GLOBO - 11/10/09


Lula, embora seja monoglota, tem seu nome lançado por alguns chefes de Estado para ser secretário-geral da ONU.

O choro de Lula
Quinta, na Rua Uruguaiana, Centro do Rio, mesmo debaixo de chuva, um camelô anunciava bem alto DVDs piratas do filme da candidatura brasileira às Olimpíadas de 2016.
— Aquele que emocionou os jurados do COI — gritava.

Porta aberta
A avaliação do governo é que o Senado aprova no fim do mês a entrada da Venezuela no Mercosul, em que pese Hugo Chávez ser alérgico a democracia.
Dois fatores pesam a favor da entrada. O primeiro é de ordem econômica: o saldo da balança comercial a favor do Brasil é de US$ 4,5 bi por ano

Segue...
O outro fator é político: até gente da oposição a Chávez na Venezuela começa a achar que o Mercosul pode ajudar a conter os desvios ditatoriais do falastrão.
Ou como diz um empresário interessado na aprovação: “Chávez um dia morre, e a Venezuela segue.” É pode ser.

Ivan, o terrível
Ivan Lins, único brasileiro indicado aos dois principais prêmios do Grammy Latino, excede em prestígio lá fora.
O CD “Love is the answer”, de Barbra Streisand, com sua música “Love dance” (dele, Gilson Peranzetta e Paul Williams), foi o mais vendido esta semana nos EUA, com 180 mil cópias.

Visão do paraíso
A Companhia das Letras vai editar textos inéditos de Sérgio Buarque de Holanda sobre o Brasil na época do Império.
A editora ainda relançará “Visão do paraíso”, livro do historiador sobre o Descobrimento e a colonização da América

O DOMINGO
É de Isabelle Drummond, a exEmília do “Sítio do Picapau Amarelo”, niteroiense de 15 anos que rouba a cena na novela “Caras e bocas”, da TV Globo. Como a espevitada Bianca, Isabelle lançou o bordão “é a treva”, que já caiu no gosto popular. Depois de aprontar poucas e boas na trama, agora, ela se disfarça de mulata (veja a foto) para sair de casa sem que a mãe, Dafne (Flávia Alessandra), descubra, e parte em uma nova aventura para provar a inocência do pai, Gabriel (Malvino Salvador)

H&M no Brasil
A sueca H&M mandou ao Brasil, semana passada, um grupo de executivos para prospectar uma locação para a primeira loja da rede de vestuário no patropi.
Os gringos voltaram para casa animados. A expectativa é inaugurar a filial brasileira em dois anos.

O novo Zé Luiz
Luiz Carlos Barreto, o produtor de cinema, numa roda onde se comentava o fato de Eike Batista já ter investido cerca de R$ 20 milhões em filmes brasileiros, não resistiu à comparação: — Eike é o novo José Luiz Magalhães Lins.

É que...
Discreto e influente, Magalhães Lins, na época em que comandava o finado Banco Nacional, foi o principal financiador do Cinema Novo na década de 1960.

ZONA FRANCA

O ministro Luís Felipe Salomão, do STJ, vai fazer palestra no Fórum Permanente de Direito do Consumidor (www.emerj.tjrj.jus.br), na Emerj, dia 19 de novembro, no TJ do Rio.

O Casa Cor termina terça-feira com a “Special Sale”, que liquida cerca de 500 itens de mobiliário, acessórios e eletrônicos.

Geraldo Carneiro lança “Como um cometa”, amanhã, no Planetário.

Emir Sader foi eleito para um segundo mandato de secretárioexecutivo de Clacso.

Fábio Bouillet e Rodrigo Jorge assinam um projeto no Cap Ferrat.

“Fundamentos de dermatologia”, de Márcia Ramos e Silva e Maria Cristina Ribeiro de Castro, ganhou o Prêmio Jabuti.

Fumaça global

Veja como a globalização muda o hábito do fumante no Brasil. Não faz muito tempo, marcas internacionais famosas, como Camel e Winston, eram esnobadas aqui. Cigarro, só local.
Hoje, nos grandes centros, marcas de fora, como Dunhill (foto), Vogue e Lucky Strike, todas da Souza Cruz, já têm uns 10% do mercado e não param de crescer

Espírito olímpico
Cláudia Costin, secretária de Educação do município do Rio, mandou comprar 1.065 bandeiras olímpicas.
Cada colégio da rede municipal terá uma para hastear às segundas-feiras com as bandeiras do Brasil e do Rio.

Museu da moda
O Museu do Primeiro Reinado, palacete que foi da Marquesa de Santos, em São Cristóvão, no Rio, pode ser transformado em... Museu da Moda.
Pelo projeto de Adriana Rattes, secretária estadual de Cultura, o lugar contará a história da moda a partir do Primeiro Reinado.

Ato secreto
Sarney & cia. acabaram na Lapa. Flávio Oliveira do Salgueiro inscreveu no concurso de marchinhas da Fundição Progresso a música “Ato secreto”.
Trechinho: “Vovô autorizou o meu mestrado/Tudo pago pelo erário/Pro seu neto tão dileto/Mas tudo é feito na boca miúda/Um jeitinho bem discreto/ De um tal ato secreto.”

A palavra é... Olimpíadas

O evento que o Rio vai abrigar em 2016 chama-se Olimpíadas — assim mesmo, no plural. Apesar de ser uma só, recebe a denominação por ser, na verdade, um apelido. O que vai acontecer daqui a sete anos pela primeira vez na América do Sul são os Jogos da 31aOlimpíada, que, no singular, é o período entre as competições — quatro anos, como os que vão se passar a partir de Londres-2012.
A explicação vem da Grécia antiga. Os Jogos foram criados em 776 a.C. para estancar as guerras entre as cidadesEstados. Só que, como os atletas precisavam chegar com segurança a Olímpia, capital das competições, decretou-se uma trégua, chamada... Olimpíada. Ao fim dela, com todos sãos e salvos no destino, começavam os Jogos Olímpicos.
— A confusão entre plural e singular ocorre só no Brasil.
Em inglês, são Olympic Games. Em francês, Jeux Olympiques.
E por aí vai — diz o coleguinha Marcelo Barreto, autor (com Armando Freitas) do “Almanaque Olímpico Sportv”.
O professor Sérgio Nogueira observa que não está errado chamar os jogos pelo singular. Mas quem quiser a medalha de ouro no uso correto da língua deve usar o plural: — É a forma mais próxima da origem da palavra, porque vem de Jogos Olímpicos — ensina.

Betinho olímpico

Veja este cartaz. Em 1996, quando o Rio se candidatou às Olimpíadas de 2004, o saudoso Betinho, um santo a serviço do semelhante, idealizou uma agenda social para a cidade, com cinco metas, uma para cada anel olímpico.
Eram elas: educação de qualidade; ninguém morando na rua; favelas urbanizadas; alimentação de qualidade para todas as crianças e jovens; e esporte e cidadania jogando no mesmo time.
Passados 13 anos, a agenda continua atual.

GOSTOSA


ELIO GASPARI

Protejam o Enem-2010 do educateca inepto

FOLHA DE SÃO PAULO - 11/10/09



O exame de 2009 fez água, mas se o MEC começar a trabalhar, o do ano que vem poderá ser um sucesso


EDUCATECA é o sujeito que toma decisões relacionadas com a vida dos estudantes, manda alguém cuidar do assunto e vai para casa jantar. Por exemplo: um educateca achou que devia mudar o nome da velha e boa prova de português e inventou que ela se chamaria "teste de linguagens, códigos e suas tecnologias". Assim se chamava a prova mostrada à repórter Renata Cafardo. Em geral, o educateca acumula o justo orgulho por seus títulos e um sacrossanto horror a dar aula.
Os delinquentes prestaram um serviço ao MEC. A prova vazou a tempo de permitir o cancelamento do exame. Se tivesse vazado depois, o desastre seria maior. Estudado com atenção, o processo de remessa das provas aos locais dos exames tinha outras vulnerabilidades. Os educatecas tiveram uma ideia grandiosa, terceirizaram o serviço e foram jantar.
O primeiro sinal de que se caminhava para uma armadilha acendeu-se quando a burocracia do Inep sustentou que, por falta de tempo, não poderia oferecer dois exames aos estudantes. Esse mimo ficaria para 2010. Quando se tratou de apressar o projeto desprezando o interesse da garotada, exerceram seus superpoderes. Quando se tratou de rolar na lama para garantir a segurança da prova, prevaleceu o ócio. Para a garotada, sobrou a redução das opções de curso de 5 para 3.
Se os educatecas não atrapalharem, o exame do próximo ano poderá ser feito on-line, como as melhores provas do gênero pelo mundo afora.
O Enem poderá ser aplicado em vários dias, com questões estocadas num banco de perguntas, transmitidas aos candidatos de acordo com um processo de seleção aleatória. A prova do sábado será uma, a do domingo, outra.
Esse sistema permite que o MEC ofereça dois ou três exames por ano, dando ao estudante a oportunidade de mandar a melhor nota às universidades.
Fica uma pergunta: haverá terminais para todos os candidatos? Como o exame pode se estender por dez dias esse problema é menor do que parece. Sua solução exige um tipo de trabalho que não pode ser passado adiante.

QUEBRA-QUEBRAS
Diante de três dias de protestos, do incêndio de um vagão de trem de subúrbio e da depredação em quatro estações da SuperVia, a palavra vai para o leitor Paulo Saturnino, do Rio de Janeiro: "É lamentável que ocorra um tumulto deste porte para que o lado bem vivido do Rio perceba que a Cidade Maravilhosa precisa de reparos enormes do lado pobre. Enfim, em vez de metrô para a Barra vindo de Ipanema, precisamos criar um sistema de transporte decente para o subúrbio carioca. Moro em Copacabana e vejo a pressão dos moradores da zona sul por metrô para a Barra próxima do imoral".
Desde 2004, os moradores de São Paulo têm o bilhete único, criado pela prefeita Marta Suplicy para os ônibus. A rede paulista expandiu-se, chegando ao metrô e aos trens e hoje é a segunda maior do mundo, perdendo só para Hong Kong. Todas as outras capitais brasileiras têm essa modalidade de tarifa, menos o Rio.
Em janeiro de 2007, o governador Sérgio Cabral prometeu implantar o bilhete único até o final de 2008. Nada. Quando ia ao subúrbio pedir votos, o prefeito Eduardo Paes defendia essa ideia. Em matéria de transporte, o governo do Rio é uma fábrica de fantasias. Há poucas semanas, no Dia Mundial Sem Carro, Paes pedalou dez quilômetros da Gávea Pequena (285 metros de altitude) a Botafogo (nível do mar). Não há registro de que, na volta para casa, tenha encarado a subida.

SERRA 2010
O governo encharcou o Enem, quer ressuscitar a CPMF e decidiu reter a devolução do Imposto de Renda para fazer caixa. Deve ser coisa de um comitê secreto da campanha Serra 2010.

OABANZÉ
A Ordem dos Advogados do Brasil gosta de dar palpite sobre tudo. Há pouco tempo, propôs a renúncia coletiva do Senado. (O Conselho de Ética de sua filial paulista absolveu sete advogados acusados de dupla militância com a bandidagem do PCC.) Na semana passada os doutores tomaram um tiro na linha d'água, vindo do Supremo Tribunal Federal. A Segunda Turma do STF devolveu a lista sêxtupla enviada pela Ordem para o preenchimento de uma vaga no Superior Tribunal de Justiça. Na votação, um episódio burlesco: a cada escrutínio aumentava o número de votos em branco. De duas uma: a Ordem não sabe fazer listas ou não sabe litigar.

REAL COBIÇA
Depois de amanhã, o Conselho da Fundação Real Grandeza escolherá o presidente e o diretor financeiro do fundo. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, revelou que está neutro, esclarecendo que o PMDB quer as cadeira$. O PMDB do Rio, é bom lembrar.

IDH DO B
Um curioso reprocessou os números dos países listados pelo Índice de Desenvolvimento Humano da ONU e achou duas situações interessantes. 1) Entre as 12 nações com população superior a 100 milhões de habitantes, o Brasil está na sexta posição. Dos quatro Brics, só a Rússia está em posição melhor. 2) Das 74 nações que estão acima do Brasil, 21 têm menos de 2,5 milhões de habitantes. Se 12 delas fossem empacotadas sob uma só bandeira, formariam um país com população inferior à de Brasília. Liechtenstein (36 mil habitantes) e as ilhas de Saint Kitts e Nevis (52 mil) cabem na Rocinha.

O SAPO DA PRIVATARIA VIROU PRÍNCIPE

Ao tempo da privataria tucana, duas distribuidoras de energia encarnaram o choque do progresso com o atraso.
De um lado, em nome da modernidade, estava a Light do Rio de Janeiro. O tucanato leiloou-a em 1996. Como faltavam interessados, bombaram o edital, aceitaram papéis podres e conseguiram R$ 2,2 bilhões de um consórcio liderado pela estatal francesa EDF. Em apenas três anos, a Light da EDF pagou R$ 722,5 milhões aos seus acionistas.
Do outro lado, pelo atraso, estava a Centrais Elétricas de Minas Gerais, a Cemig. Como faltou clima para privatizá-la, o governo mineiro vendeu 33% da empresa a um consórcio liderado pela companhia americana AES, por R$ 1,1 bilhão. Aos novos sócios foi concedido um poder de veto leonino nas operações da companhia.
Em 1999, o ex-presidente Itamar Franco assumiu o governo de Minas, disse que só privatizaria a Cemig diante da força militar de uma intervenção federal e denunciou os poderes concedidos aos novos sócios. Dinossauro atrasado, foi acusado de abalar a credibilidade externa do Brasil. Ele dizia assim: "Sou nacionalista, burro e mais o que quiserem, mas não vendo quilowatt existente". Itamar prevaleceu e a AES, metida num calote em São Paulo, saiu da Cemig, vendendo sua participação a um consórcio brasileiro.
Enquanto isso, no Rio, a EDF perdeu dinheiro com o câmbio, meteu os pés pelas mãos na gerência e, depois de receber boa ajuda do BNDES, caiu fora da Light em 2006.
A suprema vingança está em curso. O sapo atrasado do tempo da privataria (a Cemig) está na reta final das negociações para se tornar principal acionista da Light, a princesinha da modernidade.

JOÃO UBALDO RIBEIRO

O ideal olímpico


O GLOBO - 11/10/09


Aqui na ilha, depois do advento da televisão e das transmissões por satélite, acompanhamos de perto todos os eventos esportivos em que o Brasil se envolve, mantendo nossa intransigente tradição patriótica. Bem verdade que, de início, ocorreu certa estranheza quanto a alguns esportes a que não estávamos afeitos. Nos primeiros jogos de vôlei aqui exibidos, houve aqueles que comemoravam quando o Brasil metia uma bola na rede, na convicção de que, como no futebol, vôlei é bola na rede. A marcha, para citar apenas um outro exemplo, é desdenhosamente designada por muitos como "o remelexo" e a crença geral é de que o brasileiro não entra nessa modalidade porque pega muito mal aparecer rebolando na televisão para todo mundo ver, inclusive ou principalmente a sogra.

A questão do espírito olímpico também ocasionou mal-entendidos, como aconteceu com meu saudoso amigo Luiz Cuiuba, a cuja figura de filósofo, autor da máxima "pior seria, se pior fosse", já tive oportunidade de me referir inúmeras vezes. Depois de assistir a diversos eventos atléticos e ouvir os narradores falando no ideal olímpico, ele me confessou que não podia aceitar esse ideal. Como é que um burro de uma mulher daquele tamanho, que ele vira arremessando peso, mais fortezinha do que a zaga do Bahia toda junta, ia ser o ideal de alguém? "Pode ser o ideal olímpico, lá deles", me disse ele. “O meu é que nunca vai ser, o diabo é que queria chegar da rua com uma elefanta dessas esperando para tirar pergunta, Deus é mais.” Tentei esclarecer esse ponto, mas receio não ter tido muito êxito, porque acho que ele morreu desconfiado do ideal olímpico.

Os tempos são outros e a ilha também. No bar de Espanha, a escolha da cidade-sede dos jogos olímpicos foi acompanhada com grande interesse e o resultado final devidamente brindado e comemorado. Mas o primeiro dever do jornalista é para com a verdade, e a verdade é que o aplauso, embora amplamente majoritário, não contou com a adesão dos setores da opinião pública que seguem de perto as opiniões de Zecamunista. Mas que é isso, Zeca, você está contra o Rio de Janeiro?

– Não botem más palavras na minha boca! – bradou ele, levantando-se indignado. – Não façam o jogo sórdido dos manipuladores! A capital da minha República Socialista Brasileira vai ser o Rio de Janeiro! O Rio de Janeiro está no meu coração! O Rio de Janeiro é o maior símbolo do Brasil, depois aqui da ilha!

Sim, como não, continuou ele, podia mesmo considerar-se um carioca honorário, mais carioca do que muitos que no Rio nasceram e não sabem amá-lo, carioca desde os bons tempos do Cassino da Urca e da inigualável boate Bolero e seus lindos amores fugazes. Carioca do Maracanã, carioca do samba, mangueirense fanático, era isso o que ele era.

- Sim, meus caros senhores, brasileiro que sou, meu coração também bate forte no peito, quando o nome da grande cidade do Rio de Janeiro é evocado! E é por isso que comunico em primeira mão que estou inaugurando, assim que ultimar os preparativos, o Movimento Morda Aqui, com sede no Rio de Janeiro, na minha querida Lapa, que sempre será a Lapa!

- Como é mesmo o nome do movimento?

- Morda Aqui! O nome completo é Morda Aqui para Ver se Sai Leite, mas, para fins de mobilização, abrevia-se para Morda Aqui somente. Eles acham que o carioca é otário, mas o carioca não é otário, nem o da gema, nem o honorário.

- Mas o carioca não está sendo otário.

- Pode não estar, mas eles acham que está. Aliás, não somente os cariocas, mas todos os brasileiros que vão morrer na grana que rolará.

- Não sei por que, os jogos só vão trazer benefícios.

- Para os mesmos! Os mesmos! Nos jogos pan-americanos, não iam fazer tanta coisa? Não iam até despoluir a Baía da Guanabara? O que é que os jogos pan-americanos renderam? Vá perguntar no Tribunal de Contas! Se a cidade precisava disso tudo que eles dizem que vão fazer agora, por que não fizeram antes? Tem que haver pretexto? Dinheiro tinha, tanto assim que dizem que já está à disposição. Então não faziam, vamos dizer, por esquecimento, não é? Não tem nada a ver com as eleições de 2010, tem?

- Que é isso, o governo fez um grande esforço para trazer as olimpíadas.

- Fez, fez, e dizem que gastou somente algumas milhas, saiu barato, embora eu ache que não deu Chicago por causa de Atlanta, não deu Madri porque 2012 já vai ser na Europa e não deu Tóquio porque teve Ásia em 2008.

- De qualquer forma, houve um esforço, você não pode negar.

- Claro que houve e vai compensar! No pan-americano, eles disseram que iam gastar quatrocentos milhões, não foi? Gastaram quase quatro bilhões, dez vezes mais! Em quê? Pergunte de repente a qualquer carioca, assim para ele dizer na tampa: em quê? O que é que ele está vendo, que consumiu esses quatro bilhões?

- Tudo bem, mas agora vai ser diferente.

- Vai, sim, vai. Agora a previsão é de uns quarenta bilhões, não é uma beleza? E daqui pra lá deve aumentar bastante, são muitas boquinhas a alimentar e ainda tem que sobrar um restinho da grana, para fazer algumas obras.

- Assim também não é possível, Zeca, é preciso acreditar.

- Mas eu acredito. E acredito também em Papai Noel. Morda aqui.

GOSTOSA

ARI CUNHA

Raposa cuidando do galinheiro

CORREIO BRAZILIENSE - 11/10/09


O governo do presidente Lula vai adotar medidas diferentes para entregar decisões ao Ibama e ao Ministério do Meio Ambiente. Sugere o presidente, com apoio da ministra Dilma Rousseff, que autoridades dos tribunais devem encontrar meios para processos de concessões das licenças. O novo ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, diz que esses projetos devem ter regras próprias para licitações. A ideia inclui todas as obras, inclusive as do PAC e as vinculadas ao esporte, que serão construídas no Brasil. Se a burocracia emperra, a liberdade de ação se deteriora. Com leis as coisas não andam bem. Se for dada liberdade de ação, estarão na linha da lei de Deus, que proclama o livre arbítrio. Se for necessário adotar medidas, ainda que contra a vontade de alguém, o assunto se torna mais difícil, a menos que liberdade e retidão sejam regras para quem administra.


A frase que não foi pronunciada

“Se o espelho te olhar de cara feia, dê um supersorriso.”

Clodovil, de onde estiver, mostrando que viver feliz é bom.



Pacatuba
O município cearense, cujo nome tem origem no tupi-guarani, que significa abundância de pacas, comemora 140 anos. Os primeiros colonizadores chegaram em 1683, aproveitando a excelência do clima para produção agrícola. Tornou-se município ao ser desmembrado de Maranguape em 8 de outubro de 1869.

Resgate
A professora Herotildes Honório, da Unifor, resgata a história da radiodifusão no Ceará. Lembra Eduardo Campos, Wilson Machado, Afrânio Peixoto e Paulo Cabral. Entre os que vivem, aparecem Narcélio Lima Verde, Nazareno Albuquerque e Edilmar Norões, além de Wilson Ibiapina, que, mesmo dirigindo a sucursal do Diário do Nordeste em Brasília, jamais deixou o microfone, e recebe a homenagem.

Comunicação
Proposta do senador Aloizio Mercadante pode ser um empurrão para que os parlamentares trabalhem juntos não só a imagem do Senado, mas a solução de problemas. Trata-se de criar um colegiado de líderes para deliberar sobre assuntos que seguem para o plenário, Mesa e comissões, encaminhados pelo presidente da Casa.

Ventos
Tudo muda no tapete do Congresso. Quase passa a emenda dos cartórios, que permitia a contratação sem concurso. Enquanto isso, ainda está emperrada a CPI do MST.

Contra
Ronaldo Caiado, José Aníbal e até o líder do governo na Câmara, Vacarezza, deram um banho de água fria no lobby do cartório. A proposta não será aprovada. Seria um acinte para a opinião pública a Câmara compactuar com o contrato sem concurso.

MST
Por seu lado, panos quentes eram acomodados sobre a CPI do MST. Houve esforço concentrado para evitar a devassa. Até um infeliz dos sem-terra ter a ideia de derrubar o laranjal, enquanto alguém passava por cima na hora certa e registrou tudo.

Desamparo
De um lado, a deputada Maria do Rosário, que sempre apoiou o MST, começou a atinar que acende vela para defunto ruim. De outro, a senadora Kátia Abreu bradava sobre a hipocrisia do governo dizendo que o ministro Cassel e o presidente do Incra são os responsáveis pelo que aconteceu. E arrematou que estamos desamparados pelo Estado.

Lúdico
No tabuleiro do PT não merece posto de honra quem defende o partido. O senador Suplicy oferece seu nome para o governo de São Paulo. Marta, ex-Suplicy, e o ministro Haddad estão no jogo. Vamos acompanhar.

Transporte
Na Câmara dos Deputados foi aprovado projeto que isenta o serviço de transporte coletivo urbano e metropolitano de tributos federais. Ainda deve passar pelo Senado. Por falar em transporte, aumenta a preocupação do secretário Fraga com as vans camicases que rodaram graças à ineficiência dos ônibus de passageiros de Brasília. Elas vão voltar.


História de Brasília

O primeiro bilhete de ontem do presidente Jânio Quadros foi endereçado a esta coluna, nos seguintes termos: ”Prezado Sr. Ari. Saudações. Li a notícia do erro que eu teria cometido. Muito bem o condicional, porque jamais o cometi... Asseguro-o. Releve, ainda, o autor material da cópia, eis que tudo foi feito às carreiras, e sem qualquer revisão de doutos. Quanto ao mais, obrigado, inclusive pelo ‘purista’. Quem sabe, essa a razão de não me entenderem, muitas vezes... Do J. Quadros. 10-2-61” (Publicado em 11/2/1961)

CLÓVIS ROSSI

Socorro, começou a campanha

FOLHA DE SÃO PAULO - 11/10/09



SÃO PAULO - Promete, ah como promete, a campanha eleitoral de 2010. A julgar pelo que estão dizendo os principais potenciais concorrentes, será de primeira classe.
De um lado temos Ciro Gomes, com sua habitual boca mole, dizendo que José Serra é mais feio na alma do que no rosto. Tem até alguma graça, mas com esforço, muito esforço, Ciro será capaz de dizer alguma coisa inteligente sobre os problemas da pátria, que, obviamente, não serão resolvidos com uma plástica n'alma de Serra.
Do outro lado, temos o PSDB dizendo que Ciro é "nanico de Dilma". Também é engraçado, mas, se Ciro crescer, o país fica melhor?
Aliás, não me parece que o tamanho de Ciro ou de Dilma, ou de quem quer que seja, esteja na lista dos problemas que puxaram o Brasil para o vexatório 75º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas.
Até porque, enquanto esteve no governo, o PSDB fez muito pouco para melhorar a classificação do pobre país tropical.
No meio desse tiroteio verbal de grande lucidez, coragem e inteligência, vem Dilma Rousseff, outra potencial candidata, para propor mais um PAC, desta vez para a Copa e para a Olimpíada. Beleza: o PAC original não conseguiu gastar nem a metade da verba prometida e à sua "mãe" não lhe ocorre mais do que mais do mesmo?
Não tem obra ou tem pouca obra?
Não importa. Chama um bom marqueteiro e tome PAC para cá, PAC para lá.
E olhe que nem apareceram, ainda, os nanicos de verdade, se é que é justo com eles chamá-los depreciativamente quando os "grandes" parecem tão pequenos.
Todos os envolvidos nesses episódios têm formação universitária.
Vai ver que é por isso que o país supostamente de primeira classe não consegue colocar uma só universidade, umazinha só, no ranking das 200 melhores do mundo.

JAPA GOSTOSA

PAINEL DA FOLHA

Arrastão

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 11/10/09


A semana terminou marcada pela maior contraofensiva da candidatura de Dilma Rousseff (PT) desde que a última rodada de pesquisas encheu a bola de Ciro Gomes (PSB), o outro governista nas considerações para 2010. No intervalo de poucos dias, a ministra da Casa Civil viu o PMDB se definir por uma pré-aliança em torno de seu nome, arrancou palavras de adesão do PDT - que vinha se oferecendo para dar um vice a Ciro - e participou de um convescote do PC do B no qual o mais antigo aliado petista deixou claríssimo que estará a bordo em 2010. Por pequeno que seja o PC do B, seu movimento, somado ao do PDT, indica que Ciro, a permanecer na cédula nacional, corre o risco de disputar com um tempo de TV quase nanico.

Se virando - Numa semana em que tudo deu certo para Dilma, Ciro conseguiu manter alto grau de visibilidade dando combate a José Serra (PSDB) em São Paulo.

O céu é o limite - O mundo pode achar que o PMDB já tem muito, mas o PMDB não acha. ‘Hoje somos periféricos’, diz um dos caciques que participaram do jantar para definir o pré-compromisso com o PT. ‘Num governo da Dilma nós vamos realmente participar.’

Jorge Amado - O esforço para se dividir entre os candidatos Jaques Wagner (PT) e Geddel Vieira Lima (PMDB), durante visita a Salvador na sexta-feira, rendeu à ministra o apelido de ‘Dona Dilma e Seus Dois Maridos’.

Gigantes... - Para o eleitor de SP, o embate de 2010 já chegou ao horário nobre. Por vezes um em seguida do outro, estão no ar comerciais do PSDB e do PT vendendo realizações dos governos estadual e federal, respectivamente.

...do ringue - Na sexta-feira, uma emissora exibiu inserção em que o PT batia bumbo para recursos injetados por Lula no metrô. Colada veio uma peça do PSDB com Serra, in loco, dizendo que as obras ‘estão sendo feitas com dinheiro só de São Paulo’.

Apertado 1 - A votação que mais preocupa o governo no Senado hoje é a da autorização para o ingresso da Venezuela no Mercosul. Mapeamentos em poder de líderes e ministros não permitem assegurar que a proposta vai passar. Sua eventual rejeição criaria saia justa sem precedentes com Hugo Chávez.

Apertado 2 - O problema é que fiéis governistas, como José Sarney (PMDB-AP) e Fernando Collor (PTB-AL), jogam pelo ‘não’. Lula pretende bater um papo com ambos para pedir que, em nome das boas relações no continente, relevem suas reservas a Chávez e votem a favor.

Na estrada - Dilma será a estrela de um encontro do PT com movimentos sociais, nos próximos dias 24 e 25 em SP. Irá com vários ministros.

Lei... A queda de braço entre ruralistas, em sua maioria ‘demos’, e o governo em torno da criação da CPI do MST esticou outra corda: a disputa pelo comando e pela relatoria da comissão especial que trata da mudança do Código Florestal. O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), foi chamado para tentar colocar panos quentes.

...da selva - Caberá à comissão especial analisar um catatau de mais de 300 projetos sobre legislação ambiental parados na Câmara. Ruralistas têm pressa em votar as alterações porque expira em 11 de dezembro o prazo imposto pelo governo para a regularização de propriedades.

Muvuca - Líderes partidários foram a Temer reclamar do excesso de manifestantes, que fazem um verdadeiro corredor polonês entre as salas das comissões e o plenário da Câmara. Pedem que o presidente coloque em pauta de uma vez todos os projetos ‘populares’ na esperança de esvaziar a Casa depois.

Contraponto

Meritocracia

Cerca de 50 pessoas almoçavam na semana passada nos apartamentos contíguos dos deputados Paulo Maluf (PP-SP) e Fábio Ramalho (PT-MG), refeição que acabou se transformando numa espécie de evento de boas-vindas para o novo ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha. As eleições dominavam a conversa.

- Olha que você vai acabar votando na Dilma.. - dizia José Genoino (PT-SP) para Maluf.

- Ela é a melhor candidata, sem dúvida - completou entusiasmado João Paulo Cunha (PT-SP).

Maluf não se fez de rogado:

- Bom, se o critério for esse, o melhor candidato sou eu!

Tiroteio

Lula estava controlando o jogo. Só que faltando um segundo o Obama fez uma cesta de três pontos do meio da quadra e ganhou.

Do deputado EDUARDO GOMES (PSDB-TO), sobre o Nobel da Paz dado ao presidente dos EUA uma semana depois do anúncio do Rio como sede da Olimpíada de 2016.



LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO

Nomes

O GLOBO - 11/10/09


“Bikini” dava medo. Era o nome de um remoto atol no Pacífico onde os americanos faziam seus testes com bombas nucleares. Especulava-se sobre os efeitos dos testes na atmosfera e da sua irradiação na humanidade. Lembro-me de um filme de ficção científica da época em que um iate desavisado passava muito perto da zona dos testes e seus ocupantes, quando voltavam para casa, começavam a virar monstros. E notícias de Bikini eram lembretes constantes da possibilidade de uma guerra nuclear que nos liquidaria a todos. Mas as notícias constantes também popularizaram o nome, que foi adotado para o maiô de duas peças reduzidas que começava a aparecer nas praias. Não sei de quem foi a ideia de chamar o novo maiô de bikini, nem se havia outro motivo para usar o nome além do fato de ele estar em evidência. Talvez uma alusão ao poder demolidor de um belo corpo exposto de maneira inédita? De qualquer maneira, o nome pegou. Dizem que o atol de Bikini ainda brilha no escuro e peixes mutantes nadam ao seu redor. A ameaça nuclear não terminou. Mas, para o consumo do mundo, a banalidade derrotou o terror.
Em 1957, para espanto de todos e embaraço dos Estados Unidos, a União Soviética pulou na frente na corrida espacial, lançando o primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik. Os americanos responderam acelerando o seu próprio programa espacial, que acabou colocando um homem na Lua, mas durante algum tempo tiveram que conviver com aquela prova da superioridade científica dos russos girando sobre suas cabeças. Mesmo se, como diziam os cínicos, a única vantagem dos russos sobre os americanos era que tinham ficado com melhores cientistas alemães no fim da Segunda Guerra Mundial, para todos os efeitos de propaganda e autoestima a competição era entre dois sistemas, e o comunista estava ganhando. Mas se sentiam-se ameaçados pela coisa, os americanos adoraram o seu nome. Em pouco tempo o sufixo “nik” passou a ser usado para tudo nos Estados Unidos. Membros da geração “beat” ficaram conhecidos como “beatniks”, embora em nada lembrassem uma bola dando voltas na Terra e fazendo “bip, bip”. Ou talvez, às vezes, lembrassem. No caso do Sputnik, também ganhou a banalidade.
BAI BAI
Vou tirar férias. Volto no dia 15 de novembro. Comportem-se.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

DORA KRAMER

Fora do foco e de propósito

O ESTADO DE SÃO PAULO - 11/10/09

A imagem da derrubada do laranjal da Cutrale no interior de São Pau lo conseguiu tirar da toca o presidente Luiz Inácio da Silva, que, loquaz para questões que o interessam, sabe ser discreto quando o assunto não lhe convém. Invasões e toda sorte de transgressões cometidas pelo dito movimento social dos sem-terra, por exemplo.

“Todo mundo sabe que sou defensor das lutas sociais e de que o povo se manifeste. Agora, entre uma manifestação para reivindicar alguma coisa e aquela cena de vandalismo feita na televisão. Obviamente que não posso concordar com aquilo, porque não tem explicação para a sociedade você derrubar tantos pés de laranja apenas para mostrar que você está reivindicando”, disse o presidente.

Como se vê, a imagem não foi suficiente para que o presidente abordasse o problema em sua real dimensão: a da opção pela transgressão à lei feita pelo MST, de forma premeditada desde o momento em que optou atuar sem ter configuração jurídica.

Lula, assim como seus ministros – à exceção do titular da pasta da Agricultura, Reinhold Stephanes –, continua fazendo de conta que não estamos diante de um problema de criminalidade. Para o presidente, o problema reside na forma, não no conteúdo. Enquanto o MST invadiu, depredou, feriu, houve casos em que matou, tudo certo. No momento em foi flagrada uma imagem que – como reza o lu gar-comum – fala por mil palavras, a coisa passou do limite. Ou seja, o problema não é o MST desrespeitar a lei, mas fazê-lo de maneira acintosa, taticamente incompetente. E mais grave: em pleno Jornal Nacional.

O fato de a transgressão ser sustentada com dinheiro público tampouco entra no rol de preocupações de Lula e seus ministros. Ao contrário, esse aspecto é liminarmente condenado. Na teoria, o governo critica o recurso ao vandalismo. Na prática, po rém, protege os vândalos quan do mobiliza os partidos governistas no Congresso para impedir a instalação de uma CPI para in vestigar os repasses de verbas públicas ao MST.

Entidades como o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União falam em transferências de milhões, mas ninguém sabe ao certo o que se passa nessa relação entre os cofres do Estado e o MST. Antes da divulgação das imagens que provocaram as de clarações de Lula, a “base” foi mo bilizada para enterrar a CPI Depois disso, a oposição voltou a coletar assinaturas, mas o governo não mudou de posição.

O líder na Câmara, Henrique Fontana avisa que continua contra, o ministro da Reforma Agrária, Guilherme Cassel, tergiversa: “Se quiserem uma CPI geral sobre a agricultura, in cluin do os repasses à CNA, tudo bem. Mas, uma CPI contra um movimento social, acho perseguição.”

Não sendo ignorância, é má-fé. Contra o Estado de Direito.

Fino trato

O presidente licenciado do PMDB informa: não briga com Orestes Quércia, muito menos cogita de intervenção no diretório paulista por causa do apoio do ex-governador à candidatura presidencial do PSDB.

Não porque não desejasse um enfrentamento que pudesse levar São Paulo para o lado dos defensores da aliança com o PT. O problema é falta de condições objetivas para tal.

Antes de vencido o prazo de filiações partidárias, Temer até tentou convencer o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, a se candidatar a governador pelo PMDB e enfrentar o grupo de Quércia na convenção.

Skaf medrou, foi para o PSB e a chance passou. Agora, Temer reafirma o acordo fechado há dias com Quércia: cada um cuida do respectivo rebanho e, lá na frente, voltam a conversar sob a luz das circunstâncias. Segundo a direção do PMDB, os apostadores do conflito ou não pertencem ao partido ou estão sendo mais realistas que o rei.

200%

O presidente do PT, Ricardo Ber zoini, avisa que Dilma Rousseff deve deixar o governo em fevereiro para se dedicar “100%” à campanha presidencial. Não informou quem, atualmente, se dedica 100% aos afazeres da Casa Civil enquanto Dilma roda o país em campanha.

Em cena

Avaliação do cineasta Fernando Meirelles de que o presidente Lula é o “maior ator do Brasil” não significa necessariamente um elogio.

Emblema

A propósito da leniência do poder público com as invasões o MST, o leitor S.P. conta a seguinte história: “Sete anos atrás, pedi à prefeitura de São Paulo que cortasse um ‘ficus’, que eu mesmo plantei e que destruía minha calçada, meu muro e parte da rua.

Passaram-se três anos e ninguém apareceu. “Resolvi acabar com o problema, pois a árvore crescia. Cortei a árvore e 15 dias depois recebi da prefeitura uma multa de R$ 289.

“Quanto ao MST, nem Ministério Público nem os defensores do meio ambiente nem ninguém causa dano algum.”

CLÁUDIO HUMBERTO

“Eu não vou deixar que eles enganem o povo de novo”
PRÉ-CANDIDATO À PRESIDÊNCIA, CIRO GOMES (PSB), SOBRE O GOVERNO E A ELEIÇÃO DE 2010

CADA LEI “CUSTA” R$ 34 MILHÕES NO SENADO
O plenário do Senado votou e aprovou apenas 81 projetos até agora, em 2009. Além disso, também foram enviados à sanção do presidente Lula 25 projetos aprovados por decisões terminativas de comissões, sem que precisem passar pelo plenário da Casa. Ou seja, cada senador, que custa mais de R$ 34,1 milhões ao Erário por ano, como revela a ONG Transparência Brasil, criou em média apenas 1,3 leis este ano.
ENCABULADOS
A Câmara dos Deputados se recusou a fornecer o número de matérias votadas em 2009. Talvez seja a vergonha...
DIFERENÇAS EM CASA
A maior parte das leis aprovadas pelo Senado em 2009 é de iniciativa de deputados. São 30 projetos de deputados e apenas 15 de senadores.
UMA CHANCE...
O Tribunal de Justiça da Bahia é o primeiro a empregar presos em regime aberto e semiaberto.
...REMUNERADA
Os presos vão trabalhar durante oito horas no TJ-BA em serviços gerais, por 75% do mínimo, alimentação, transporte, etc.
REVISTA EM PRESÍDIO DEIXA MENORES NUS
O presídio federal de Campo Grande (MS) determinou que maiores de 12 anos devem ser revistados na visita a parentes. Segundo a ONG Brasil Verdade, do delegado Paulo Magalhães, devem se agachar diante do espelho para verificação íntima, com revista do ânus e vagina. Tudo aprovado pela Justiça Federal e o Ministério Público, para evitar a entrada de drogas e armas no presídio de segurança máxima.
UM MODELO
A revista de menores já vale para o Dia da Criança, neste domingo, na penitenciária considerada “modelo” na América Latina.
UM TRAUMA
Paulo Magalhães lembra que as 300 câmeras, detectores de metais, raios X, etc, dispensariam o “vergonhoso trauma” em crianças.
QUEM PAGA?
O deputado estadual Sargento Soares (PDT-SC) quer ônibus de graça para PMs e bombeiros fardados. No Rio de Janeiro, virariam “alvo”.
TAREFEIRO
Ao elogiar o governador Aécio Neves como “o candidato mais forte” do PSDB em 2010, Ciro Gomes (PSB) cumpre a missão de cutucar o tucano paulista José Serra, este sim, o mais forte. E o menos provável.
TIRA QUEM PODE
O senador gaúcho Pedro Simon (PMDB) lembra que o governo não reteria a restituição do imposto de renda, se a Câmara tivesse votado seu projeto de lei determinando prazo para a devolução do imposto.
NOSSA GRANA EM GANA
Falta no IR, sobra em Gana, onde o Brasil vai entrar com US$ 250 milhões para construir hidrelétrica: US$ 50 milhões são do país africano. Odebrecht e Andrade Gutierrez (surpresa!) farão a obra.
FOGUEIRA DAS VAIDADES
O acordo para o deputado pedófilo cassado Wallace Souza (PP) se entregar virou palco iluminado em Manaus (AM): no Estado, a cúpula de Segurança se digladia com juízes e promotores por uma fala na TV.
MERCHANDISING NEGATIVO
A novela Viver a Vida, da Globo, tem bronca dos carros Audi. Após a cena da colisão frontal de um A3 dirigido pela atriz Aline Morais, sem que o air-bag abrisse, o belo Audi TT do ator Mateus Solano não pegou e ainda foi xingado (com a marca em close) de “carrinho imprestável”.
FICHA SUJA
O deputado estadual do Mato Grosso José Riva (PP) tem a ficha suja, logo, já pode disputar o Senado, como quer: foi condenado pela Justiça a ressarcir os cofres públicos em R$ 2,65 milhões por pagamento indevido a empresa fantasma, e teve os direitos políticos suspensos.
OLIMPÍADA DOS NEGÓCIOS
Todo cuidado é pouco. Dos R$ 29 bilhões previstos no orçamento da Rio 2016, R$ 23 bilhões virão da esfera pública. E onde tem verba pública, impera o superfaturamento.
DISPUTA NUCLEAR
Agora são três os Estados candidatos a receber a nova unidade das centrais nucleares no Nordeste. Além de Pernambuco e Alagoas, Sergipe entrou na disputa mais estúpida das últimas décadas.
PERGUNTAR NÃO ATRASA
Para que o governo do Rio de Janeiro quer trem-bala se já tem o trem-bala-de-borracha?

PODER SEM PUDOR
BAGUNÇA NO AR
A bordo de um voo da então TAM/Varig, em 2003, como quase toda a bancada federal do Rio, o deputado Fernando Gabeira (PT-RJ) ficou impressionado com a bagunça que levou a comissária a informar que estavam cancelados os lugares marcados:
– Por enquanto, a TAM e a Varig estão compartilhando os voos. Espero não estar aqui quando resolverem implantar assentos compartilhados.
Felizmente nunca aconteceu.

O IDIOTA

DOMINGO NOS JORNAIS

- Globo: MPF investiga contratos do COB sem licitação


- Folha: Grampos revelam ação de filho de Sarney no governo


- Estadão: Eike Batista negocia fatia na Vale e critica Angelli


- JB: Vem aí maior rigor no trânsito


- Correio: Lavagem de dinheiro sob investigação