E o PT não é mais aquele
| Correio Braziliense - 20/03/2009 | ||||||||||
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BRASÍLIA - De novembro a fevereiro, foram fechadas 789 mil vagas de trabalho. De novembro a fevereiro/março (o Datafolha foi entre os dias 16 e 19 deste mês), Lula caiu 5 pontos. Não é, pois, por acaso. É a "marolinha" chegando não apenas à economia real e ao desemprego como também à sempre sólida popularidade do presidente.
O emprego vinha caindo, caindo, mas a queda estancou em fevereiro. Para os aliados do governo, é o início da recuperação. Mas, para os adversários, trata-se ainda do pior resultado no mês desde 1999. E a pesquisa Datafolha de hoje mostra cristalinamente que a popularidade de Lula vinha subindo, subindo, mas a subida estancou de fevereiro para março. Para os aliados do governo, ele ainda tem o recorde de 65%. Para os adversários, o que vale é que o "bom" e o "ótimo" de Lula caíram de 70% em novembro para 65% agora, recuando aos níveis de setembro.
Isso certamente vai acelerar o Bolsa Habitação, o Bolsa Geladeira, o Bolsa PAC e, quem sabe, até mesmo o Bolsa Família. Principalmente cruzando a popularidade de Lula com os dados sobre a disposição do digníssimo eleitor em relação aos candidatos até agora colocados para a sucessão em 2010. Depois de tanta exposição, com a plástica, os elogios públicos de Lula, as viagens, entrevistas e o encontro de prefeitos, a ministra Dilma não deu o salto previsto. Seja com Serra ou com Aécio na parada, ela avança, mas devagar.
Com Serra, que continua estável em 41%, Dilma passou de 3% em março de 2008 para 8% em novembro e está com 11%. Se o adversário é Aécio, que continua com 17%, ela foi de 4% para 9% e está com 12%. Devagar ou devagar e sempre?
É cedo para dizer. Mas a equação está formada: se a crise corrói empregos, tende a corroer a popularidade de Lula, que é fundamental para Dilma. Se, com Lula em alta, ela vai passo a passo, como irá se Lula começar a cair? Você conclui.
Chumbo trocado
O Estado de São Paulo - 20/03/09
São eles, os senadores, que dizem: as desventuras que desabam em série sobre a Casa têm origem nas sequelas da disputa entre PT e PMDB pela presidência do Senado. Os correligionários da candidatura Tião Viana, inconformados com a derrota e decididos a atazanar a vida de José Sarney e companhia até, quem sabe, o desgaste fatal, seriam, na versão dos adversários, os sujeitos ocultos por trás das denúncias das irregularidades administrativas do Senado.
Explícito, Viana dispensou intermediários: responsabilizou direta e pessoalmente Sarney pela divulgação da informação de que tentara espetar na conta do respeitável público a fatura do telefone celular funcional usado pela filha em viagem ao México.
Consta que Viana estaria disposto a contar muito mais sobre o grupo oponente, que, em retaliação, prometia revelar detalhes sobre a participação do senador petista no episódio da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, testemunha ocular das andanças do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci na casa de lobby montada pela chamada República de Ribeirão Preto em Brasília.
Um charivari de proporções amazônicas. Potencialmente só comparado em impacto a outro tumulto entre parceiros de coalizão governista: aquele que fez o então deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB, denunciar o mensalão para se vingar do PT, que, afirmou Jefferson, na figura do à época ministro da Casa Civil José Dirceu, tentava atribuir aos petebistas toda a culpa pelo esquema de corrupção operado a partir do loteamento partidário dos Correios.
O estrago quase custa ao presidente Luiz Inácio da Silva a reeleição. Não fosse o então ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos sair a campo levando a oposição a pesar, medir e concluir pela impropriedade política de um pedido de impeachment, Lula poderia ter aberto mão do segundo mandato.
Depois de tão traumática experiência, natural que ao Palácio do Planalto não apeteça correr novos riscos por causa de desavenças em sua base parlamentar. Enquanto as disputas de poder não produzem consequências para além das fronteiras do Congresso Nacional, tudo é suportável.
Enquanto as denúncias de irregularidades ficam circunscritas ao terreno do Parlamento, o Palácio assiste de camarote ao aprofundamento da desmoralização sem grandes desconfortos. Antes uma boa crise na política que um desagradável debate na economia em tempos de crise.
Mas, quando as coisas começam a tomar o rumo do imponderável, aí a situação requer providências.
Depois de 15 dias de intenso tiroteio, entrou em ação a turma do deixa-disso. O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, e o senador Aloizio Mercadante começaram a “negociar uma trégua” entre PT e PMDB, o senador Tião Viana subiu à tribuna exclusivamente para se defender, não repetiu as acusações do dia anterior e criticou a “onda de denúncias”.
Se a esses movimentos se seguir a estiagem nas revelações, estará comprovado não só que foram produtos de encomendas, mas que os contendores se acertaram em nome de um objetivo comum: impedir que haja desdobramentos e, de preferência, que nada se altere substancialmente.
Evidente, alguma coisa mudará. Serão extintas as diretorias mais absurdas, os funcionários passarão a ter suas entradas e saídas controladas por meio de ponto eletrônico, as barbaridades sofrerão os efeitos de um freio de arrumação.
Vantagem nenhuma, mérito algum, apenas um roçar de leve naquilo que seria mera obrigação: a administração, senão austera – seria pedir demais – pelo menos razoavelmente correta do Congresso Nacional. O chumbo trocado entre PT e PMDB não doerá de imediato na pele de nenhum dos dois. Também impedirá o “constrangimento geral” invocado pelo senador Heráclito Fortes como algo a ser evitado.
Mas a conta do abafa fica em aberto para, mais adiante, voltar a ser cobrada na forma de novos escândalos na vulnerável instituição do Parlamento.
Face oculta
Os publicitários responsáveis pela propaganda institucional do PMDB alegam que o partido não exibe seus políticos nas peças por objeção ao “culto à personalidade”. Na verdade, é por falta de personalidades que possam ser cultuadas. Como os de boa fama e imagem razoável constituem exceção no PMDB e, em geral, são dissidentes, optou-se por não mostrar ninguém.
Símbolo
O deputado Edmar Moreira reapareceu no Congresso mudo, escondendo-se atrás dos seguranças.
Muito diferente do ser desenvolto que durante a primeira entrevista do recém-eleito presidente da Câmara, Michel Temer, exigiu do locutor o registro de sua presença no recinto, aproveitando o ensejo para defender a já notória tese do “vício insanável da amizade”.
- Globo: Receita cai, governo corta R$ 21 bi e adia concursos
- Folha: Com crise, cai aprovaçãode Lula
- Estadão: Lula avisa Supremo que não vai extraditar Battisti
- JB: Governo aperta o cinto
- Correio: Muito arrocho e nada de concurso
- Valor: Salários atenuam queda da receita no 1º bimestre
- Gazeta Mercantil: DRT investiga terceirizados na Embraer
- Estado de Minas: Temporada de caça aos monstros
- Jornal do Commercio: Governo faz cortes e adia concursos
NÁUFRAGOS
Depois de um naufrágio, restaram oito sobreviventes numa ilha deserta: sete homens e uma mulher.
Depois de um tempo até se adaptarem à nova situação, ficou tudo beleza. Ciente de sua situação muito peculiar, a mulher se esforçava e dava conta de satisfazer aos sete. Estava, na verdade, todo mundo feliz.
Porém um belo dia, como um golpe do destino, a mulher veio a falecer. Na primeira semana tudo bem… Veio a segunda semana… Tudo bem, dava pra levar…. Na terceira semana o bicho comecou a pegar… a situação começou a ficar feia. Até que, na quarta semana, não dava mais pra levar…
Um dos marmanjos falou:
- É, galera… Não dá pra suportar mais! Vamos enterrar a mulher!
| O Estado de S. Paulo - 19/03/2009 |
O que há numa palavra? Semanas atrás, um editorial da Folha de S.Paulo usou o termo "ditabranda" para fazer referência à ditadura brasileira. Ato contínuo, a abóbada celeste caiu sobre o jornal. Um manifesto encabeçado por ícones da esquerda como Antônio Cândido e Dalmo Dallari acusou o editorial de promover "uma fraudulenta revisão histórica" e "insultar" e "aviltar" a memória dos que lutaram pela redemocratização. Em erupções paralelas de fúria santa, a socióloga Maria Victoria Benevides crismou o texto como uma "infâmia" e o jurista Fábio Comparato sugeriu que os responsáveis por ele sejam "condenados a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro". O jornal reconheceu a impropriedade do termo e depois, nas cordas, reagiu acusando Benevides e Comparato de complacência com a ditadura cubana, o que faria da indignação deles uma manifestação "cínica e mentirosa". Eugênio Bucci, por sua vez, lembrou que a história brasileira é feita de rupturas pouco violentas, quase doces, e perguntou, desolado: "Será que só as nossas brigas irracionais precisam ser tão sanguinárias, tão incendiárias, tão alucinadamente inúteis?" A indagação tem o seu interesse, mas se orienta pelo propósito utilitário de promover uma reconciliação. No editorial, a Folha empregou o termo maldito num implícito contexto comparativo, apenas para distinguir o regime brasileiro de seus congêneres no Cone Sul, que assassinaram muito mais gente. Não é uma blasfêmia digna de excomunhão sugerir uma tipificação de ditaduras, que são sempre intoleráveis. O erro de princípio do jornal só pode ser evidenciado por meio da análise histórica. Na Argentina e no Chile, as ditaduras foram desafiadas por grupos em armas com amplas raízes nos sistemas políticos previamente existentes. No Brasil, uma resistência armada pífia se articulou entre organizações minoritárias de uma esquerda esfacelada, impotente. Não existiam diferenças ideológicas cruciais entre os regimes militares da região. Apenas, por aqui, a estabilização da ordem ditatorial não demandava o mesmo grau de violência aplicado alhures. Por que os intelectuais indignados não usaram seu acesso irrestrito às páginas dos jornais, inclusive da própria Folha, para explicar isso? Eu sugiro uma variante mais esclarecedora da indagação de Bucci: qual é a racionalidade, a utilidade política, da ofensiva incendiária conduzida pelos intelectuais sob o pretexto de protestar contra um erro tão óbvio quanto obviamente involuntário cometido pelo editorial do jornal? A ditadura militar já se convertia em objeto de investigação histórica quando o advento do governo Lula a reativou como fonte de transações simbólicas inscritas nas lutas políticas atuais. No seu percurso evolutivo, o lulismo transfigurou-se em poderoso alicerce da ordem vigente. Lula estabeleceu promissoras alianças com as altas finanças e trançou uma rede política abrangente, que incorpora personagens icônicos dos tempos do regime militar. Os bancos financiam as campanhas de Lula e do PT. Delfim Netto e José Sarney figuram como conselheiros privilegiados do novo "pai dos pobres". Entre a fidelidade a Lula e o apego a suas próprias biografias políticas, os intelectuais de esquerda escolheram os dois. A opção oportunista solicita cíclicos rituais de descontaminação simbólica, como o empreendido a partir do providencial equívoco da Folha. Mais de uma vez Lula elogiou a "capacidade de planejamento estratégico" da ditadura militar, debaixo de um silêncio sólido, quase palpável, da intelectualidade de esquerda. Num plano mais prático, o governo Lula conservou intocados os dogmas abomináveis negociados pela ditadura na hora da passagem do bastão para os civis. Os arquivos da repressão não devem ser expostos à luz do dia. A anatomia dos porões não pode ser escrutinada pela via judicial. O cone de sombra da Lei de Anistia continua a ocultar a cadeia hierárquica que manejava os botões da tortura. Os intelectuais ultrajados condenam a Folha num tribunal moral de ocasião para não dar combate à muralha remanescente do castelo da ditadura. "Grite sobre o passado; cale sobre o presente" - eis o dístico dos heroicos líderes do levante contra o editorial. O ministro Tarso Genro, numa das recorrentes piruetas vazias promovidas pelo governo Lula, difundiu a proposta de processar os ratos dos porões preservando a Lei de Anistia, que protege na sua redoma os altos figurões da cadeia de comando da tortura. Um Manifesto dos Juristas firmado por Dallari e Comparato se alinhou com o ministro e ofereceu um álibi histórico para a ditadura militar. Referindo-se aos crimes de tortura e ao desaparecimento forçado, o texto utiliza sua patente ilegalidade como artifício jurídico para justificar uma absolvição prévia dos generais estrelados: "Tais crimes são, portanto, crimes de lesa humanidade, praticados à margem de qualquer legalidade, já que os governos da ditadura jamais os autorizaram ou os reconheceram como atos oficiais do Estado." Ao escrever "ditabranda", a Folha comete um erro de avaliação histórica, mas não um atentado contra princípios sagrados. Na moldura da democracia, Lula tem o direito moral de se aliar a Delfim e Sarney - e mesmo de atribuir à ditadura um projeto nacional benigno. A vigência das liberdades políticas também assegura aos intelectuais de esquerda a oportunidade legítima de fabricar monstros imaginários, a fim de desviar os olhares para o passado e confundir os debates do presente. No fim das contas, o que eles estão fazendo é só sentar ao redor do fogo, no convívio sem dissidências dos fiéis, purificando-se pela leitura de um livro de memórias seletivas e exibindo aos mais jovens as cicatrizes de uma batalha justa travada muito tempo atrás. Fogueiras aquecem e aproximam. A luz das chamas ofusca o entorno desagradável |
| Folha de S. Paulo - 19/03/2009 |
O novo presidente de El Salvador, Maurício Funes, e sua mulher, a brasileira Vanda Pignato, visitarão o Brasil antes de sua posse, para alguns dias de descanso na Bahia. Será hóspede do jornalista João Santana, que coordenou o marketing da campanha presidencial. ZUMBI FEDERAL |
| Correio Braziliense - 19/03/2009 | |
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| Panorama Político |
| O Globo - 19/03/2009 |
A cúpula do PMDB quer o partido participando da coordenação de governo. Alega que o comando de seis ministérios e das presidências do Senado e da Câmara criaram essa necessidade. Os peemedebistas dizem que executam, mas não participam das decisões das políticas de governo. "Queremos nos aproximar e interagir com o governo Lula cada vez mais", diz o líder Henrique Alves (RN). Mobilização |
| Valor Econômico - 19/03/2009 |
Difícil acreditar que as sucessivas denúncias contra o uso que os senadores fazem da máquina administrativa do Senado, e que os diretores da Casa fazem em favor próprio e dos eleitos, seja uma onda moralizante. As denúncias que pipocam nas páginas dos jornais se assemelham mais a uma guerra interna deflagrada pela disputa pela mesa diretora da Casa. A briga de poder tem como objeto uma instituição com um enorme orçamento e uma grande burocracia "técnica" e altamente politizada - ela é em sua maior parte concursada, mas apenas consegue subir hierarquicamente se ligada a algum grupo político. Se o processo de sucessão para a mesa da Casa não segue a lógica de negociação interna por espaços de poder na máquina burocrática, os conflitos tendem a transbordar para as páginas dos jornais em denúncias alimentadas pelos grupos rivais. Uma estrutura de 136 diretores, quase dois para cada Senador, serve a uma "tradição" de negociação, capaz de acomodar interesses os mais variados. O problema é que, na hora do conflito, sobra para todo mundo. O tiroteio tem potencial de atingir gregos e troianos. O senador José Sarney, eleito pela terceira vez presidente do Senado, domina parte dessa máquina. Construiu essa hegemonia, que praticamente não foi abalada por seus sucessores, ao longo de seus mandatos na presidência da Casa. A lógica desse poder quase sempre foge ao domínio partidário. Não existem divergências na condução do Senado, por exemplo, entre o senador maranhense, que é da base de apoio de Lula, e o primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), um extremado oposicionista. É em nome de um grupo "suprapartidário" que venceu a disputa para a mesa diretora que Fortes defende a senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), filha do presidente da instituição, acusada de distribuir passagens de sua cota parlamentar para levar amigos a Brasília, e de hospedá-los na residência oficial do Senado. "Não posso ser bedel de passagem. Cada um assume a responsabilidade por isso", disse Fortes, afirmando que, se for investigar o uso de passagens, deixaria a descoberto vários jornalistas beneficiados por senadores. A denúncia contra o senador Tião Viana (PT-RO), de que teria emprestado um celular da Casa para a filha levar a uma viagem no México, pode ser entendida como uma contra-ofensiva. Viana disputou contra Sarney a presidência do Senado e teve o apoio do PSDB, que é oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e do grupo dissidente do PMDB, que também não vai estar no mesmo time da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff na disputa pela Presidência da República em 2010. O fato de a oposição ter fechado com Viana pode dar conteúdo eleitoral à briga interna que chega aos jornais; o fato de Viana ser do PT desmente essa leitura. Mas, se há alguma intencionalidade que transcende a luta pela máquina do Senado, certamente ela mira o poder que a estrutura burocrática e orçamentária da Casa pode oferecer aos que detêm a hegemonia interna. Um senador Renan Calheiros, mesmo líder do PMDB no Senado, tem menos poder que um Renan Calheiros líder do PMDB e aliado do presidente da máquina partidária. O poder que o grupo sarneyzista do PMDB voltou a desfrutar na Casa conta a favor dele, quer para cooptar aliados, quer para massacrar adversários. Essas denúncias, pelo menos, servem para desmistificar a ideia de que o Senado é um oásis cercado de imoralidades de deputados por todos os lados. O fato de ter menos representantes, e da maior parte deles se eleger por meio de uma política tradicional, favorece uma certa divisão de benefícios, dos quais se apropriam mais os representantes que são mais dependentes de políticas de clientela. As denúncias que vazaram até agora da disputa interna mereceriam uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Renderiam mais do que a investigação, seriamente investigada pelo Senado, de que o ministro dos Esportes, Orlando Silva, teria gasto R$ 8,30 na compra de uma tapioca. |
| Jornal do Brasil - 19/03/2009 |
A crise financeira mundial saiu do papel, desceu o Atlântico e chegou forte ao campo brasileiro. Pelos rincões, o primeiro setor a sentir a lâmina do corte de crédito e investimentos foi o pecuário. Foi o que constatou a Comissão de Agricultura e Pecuária do Senado. O Brasil é um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo. E pode perder lugar no ranking. Constatou-se que, só nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde pastam os mais gordos rebanhos, mais de 50 frigoríficos já fecharam as portas desde o início do ano – isso, em três meses. E, na esteira, a degola de milhares de trabalhadores. "O governo precisa agir rápido, para evitar uma contaminação sistêmica do setor", adverte o novo presidente da comissão, o senador Valter Pereira (PMDB-MS). Elle voltou...O ex-presidente da República Fernando Collor, hoje senador pelo PTB de Alagoas, avesso nos últimos anos às aparições, gravou ontem à tarde boa entrevista nos estúdios da TV Brasil, em Brasília – que foi transmitida às 22h. ... e ele tambémVeja como o mundo dá voltas. Sabem quem trabalha na Empresa Brasil de Comunicação, sede da TV Brasil? Eriberto França (foto), o motorista pivô da queda de Collor. Ontem, estava de folg a. Vida nova Segundo colegas, Eriberto trabalha na Radiobrás. Foi nomeado em 2003. Pega no volante um dia e folga outro. Na rifa O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, quer ser o candidato do PT ao Senado pela Bahia. Mas está nas mãos de Geddel Vieira Lima, que pode, ou não, fechar acordo com petistas. Saideira Na cúpula do PMDB, é dada como certa a saída de Geddel do Ministério da Integração Nacional dia 31 de dezembro. Holofote Outra certeza dos caciques: Geddel já mira o discurso para virar líder da bancada na Câmara no seu retorno ao plenário. Pé do ouvido O presidente Lula e o governador Sérgio Cabral tiveram um breve papo ontem, a sós, antes de o chefe da nação embarcar para Brasília depois de um evento. Enfim O delegado da PF Protógenes Queiroz será candidato a deputado federal pelo PSOL do Rio. Filiação é questão de tempo. Mumm x Cocoricó O senador Jayme Campos (DEM-MT), dono de grande rebanho, provocou risadas no plenário da audiência pública da Comissão de Agricultura do Senado que discutia a crise da pecuária e dos frigoríficos. O toque de seu celular, que varou o ambiente, era um canto de galo. Longe de casa Perdido no Salão Verde ontem à tarde, procurando a quem cumprimentar, o novo governador da Paraíba, José Maranhão, era a única autoridade a perambular pela Câmara atrás de agenda, enquanto o plenário estava de luto. Herança A bela casa de Clodovil Hernandes em Ubatuba, litoral norte paulista, vai virar uma ONG, seguindo os trabalhos das Casas Clô. O deputado foi enterrado em São Paulo. Briga do ar A Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara promove amanhã, na Associação Comercial do Rio, debate sobre a polêmica em torno dos aeroportos Tom Jobim e Santos Dumont. "O debate ficou torto", explica o presidente da comissão, deputado Edmilson Valentim (PCdoB). Briga do ar 2 O encontro promete ferver. Vão participar Anac, Infraero, Aéreas e representantes do governo do estado. Xô, crise O governador do Piauí, Wellington Dias, anunciou pacotão de medidas anticrise para poupar o cofre. Diante de uma perda na arrecadação do estado de R$ 50 milhões no primeiro trimestre, determinou corte no custeio. E vai priorizar obras de infraestrutura. |
Atalhos para lugar nenhum
O Estado de São Paulo - 19/03/09
O Parlamento anda tão mal das pernas que erra até quando tenta acertar. O afastamento de todos os diretores do Senado e a decisão de passar em revista os meios e modos adotados na Casa parecem uma boa medida do presidente José Sarney.
Teria sido ótima se tomada por livre e espontânea vontade, antes de o mesmo presidente que agora anuncia mudanças ter qualificado como “coisas pequenas” as irregularidades denunciadas e visto nas denúncias a intenção de se transformar o Senado em “boi de piranha”.
Anunciada na marra, sob o peso da pressão e do escândalo, a providência entra em cena com baixo de teor de credibilidade.
Não obstante bem recebida, a medida deve ser vista também com alguma reserva, sem comemorações apressadas. De loas, cumpre lembrar, foi cercado o anúncio do corte de 10% nas despesas da Casa. Foi no primeiro discurso de Sarney, depois do qual ocorreu o que se viu.
De reformas convém esperar os resultados, conforme nos informam as inúmeras vezes em que a reforma política foi anunciada com o único e artificial objetivo de desviar a discussão dos erros do presente para a presunção de correções futuras.
Por ora, a decisão dá duas notícias. A boa revela ao país a existência de 136 diretores para 81 senadores. A má conta que o afastamento não tem prazo para acontecer. A direção do Senado vai esperar a conclusão de um levantamento da Fundação Getúlio Vargas sobre “os problemas estruturais” da instituição para oficializar exonerações.
De estudos encomendados à FGV também é bom esperar o que, de fato, é feito com eles. Vários já foram pedidos em outras ocasiões no Parlamento, para servir de base para planos de reestruturação jamais executados.
Em situações de crise o mundo político costuma confundir alhos com bugalhos, misturar todas as farinhas no mesmo saco e, quando a opinião pública está bem perplexa, mas já sem entender direito o que se passa, anunciam-se “medidas duras”.
Isso vale para o Legislativo e vale também para o Executivo. Vale para o Senado e vale para a Câmara, onde o presidente Michel Temer resolveu inovar. Abandonou sua ideia inicial de alimentar a cultura do respeito à Constituição – “devemos nos submeter às ordens do Livrinho”, dizia em fevereiro, dois dias depois de eleito – e achou sua solução para o problema das medidas provisórias numa lacuna constitucional.
Disse que agiu “politicamente” para dar “uma resposta à sociedade”. Vamos por partes e com muita calma porque o negócio é forte. Ainda que o presidente licenciado do PMDB, na ocasião no exercício do cargo, estivesse pleno de autoridade moral por ter dado à sociedade “uma resposta” às acusações do senador Jarbas Vasconcelos de que o fisiologismo e a corrupção grassam no partido, o assunto em destaque no momento não são as medidas provisórias.
São os procedimentos adotados pelo Legislativo, em boa medida relacionados ao tema levantado – e solenemente ignorado – pelo senador Jarbas Vasconcelos. Se quisesse mesmo resolver a questão e ser fiel aos seus propósitos iniciais, o presidente da Câmara poderia simplesmente fazer cumprir a Constituição. Ela não fala da restrição do poder de trancar a pauta de votações às leis ordinárias. Fala do poder do Parlamento de devolver todas as MPs que não sejas urgentes ou relevantes.
Como Sarney com seu plano de reformulação do Senado ao tempo adequado, Michel Temer teria mais trabalho, mas estaria escolhendo o caminho certo. Ambos, porém, preferiram tomar atalhos que, salvo engano passível de remissão a qualquer tempo, não levarão a lugar algum.
Melhor dizendo
Preocupado em manter linha direta com a filha que viajou para o México, o senador Tião Viana emprestou à moça um telefone do Senado. “Foi uma atitude de pai”, disse ele. De pai senador que não separa o público do privado e cultua o privilégio, bem entendido.
Aos fatos
No universo político mineiro prevalece a tese segundo a qual Minas Gerais defenderá a todo custo a candidatura presidencial de Aécio Neves e acorrerá, furiosa, às ruas caso o governador seja preterido em seu partido, o PSDB.
Era o que se dizia, no mesmo ambiente, sobre a disposição do mineiro de eleger liminarmente em primeiro turno, e com honras de chefe de Estado, Márcio Lacerda para a prefeitura de Belo Horizonte.
O tucanato leva a sério, pois trata-se do segundo colégio eleitoral do país e não convém deixar de se prevenir porque depois pode ser tarde para remediar.
Agora, para efeito de análise do cenário convém também levar em conta, em cotejo com o desejo, o seguinte fato: Márcio Lacerda quase perde a eleição, ganha em segundo turno mediante esforço colossal para desfazer, junto ao eleitor, a impressão de que aonde Aécio Neves vai o mineiro vai atrás.
- Globo: Senado recua e não demite diretores, que agora são 181
- Folha: Arrecadação cai e governo revê PIB
- Estadão: Indústria ainda demite, mas serviços contratam
- JB: Emprego freia recessão
- Valor: Queda no comércio derruba atividade nos portos do país
- Gazeta Mercantil: Emprego reage após três meses em queda
- Estado de Minas: Ministério Público abre guerra à farra do TRT em Minas
- Jornal do Commercio: Crise ameaça até o reajuste do servidor