sábado, janeiro 05, 2013

A indústria brasileira sofre uma crise estrutural - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADÃO - 05/01


A notícia segun­do a qual as festas do final do ano de 2012 foram marca­das por uma forte redução dos esto­ques - o que leva­ria a indústria a re­ceber grandes en­comendas para repô-los - pode não se concretizar. É o que se depreende da análise da produção industrial nos últimos meses.

Em outubro houve alguma esperan­ça, com a recuperação nítida do setor, mas agora ela foi frustrada, porque os dados de setembro em relação a agosto e de setembro a outubro foram revisados para baixo, especialmente nes­te último mês (de zero para 0,1% positivo). E em novembro voltamos a uma redução de 0,6%, Com esses no­vos dados, em 11 meses de 2012 a pro­dução cai para 2,6% negativos.

A reduçao tributária de alguns seto­res, juros fortemente reduzidos e empréstimos subsidiados do BNDES não conseguiram vencer a apatia do setor industrial, apesar de um consu­mo familiar robusto, nem levaram as empresas aos investimentos necessá­rios. Apenas aumentaram as importa­ções de bens intermediários, mais ba­ratos do que os produzidos no Brasil.

Para oferecer produtos mais bara­tos com maior conteúdo tecnológi­co, a indústria precisaria investir em bens de capital, cuja produção caiu 16,6% em 11 meses, ante igual período de 2011. A indústria não está prepara­da para produzir mais bens de quali­dade em 2013. Os bens de consumo duráveis tiveram queda de 3,3%; os semiduráveis e não duráveis, de 0,3%; e os intermediários, de 1,6%.

Em termos mais desagregados re­gistra-se queda de 13,3% para veícu­los automotores e igual recuo para material de informática, de 4,2% para a metalurgia básica, onde detemos uma vantagem natural.

Como se verifica, a eliminação de alguns fatores que eram considera­dos empecilhos ao aumento da pro­dução industrial não apresentou o efeito esperado. De fato, nossa indús­tria enfrenta uma crise estrutural. Malgrado a recessão nos países avan­çados, a Ásia continua exportando seus produtos manufaturados para eles. O que a Ásia exporta são bens de alta tecnologia, com inovações que suas indústrias souberam desen­volver graças a um sistema de educa­ção e treinamento bem orientado. É verdade que são produzidos com mão de obra mais barata, mas o que não se leva em conta suficiente é que se trata de operários com alto nível de produtividade.

Conseguindo aumentar nossa pro­dutividade, poderemos oferecer pro­dutos a preços mas baixos ao mesmo tempo que teríamos redução nos cus­tos das obras de infraestrutura e a possibilidade de reduzir impostos.

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