sexta-feira, dezembro 13, 2013

Pisa, (poucos) avanços - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 13/12

Nos últimos dias, dois fatos mostram que não estamos bem nos diversos níveis de nossa Educação. No Pisa (em português, Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), uma avaliação internacional comparada para alunos na faixa dos 15 anos, idade em que a escolaridade básica obrigatória na maioria dos países está encerrada, continuamos na rabeira do mundo, apesar de oficialmente termos melhorado em Matemática. E, na relação das melhores universidades do mundo emergente, o Brasil tem só quatro, e na parte inferior da tabela.

Se compararmos com China, Taiwan e outros, estamos realmente bem atrasados. Qual o diagnóstico? O que falta fazer? Procurei vários especialistas em Educação para uma análise da situação, que começo a publicar hoje, iniciando pelo resultado do Pisa.

O relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne os países desenvolvidos, afirma que a nota brasileira em Matemática foi a que teve maior aumento entre todos os países. E destaca que os avanços brasileiros foram conseguidos com a inclusão de alunos, o que é mais difícil.

Foi o que bastou para que o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, comemorasse, dizendo que, se a foto do momento ainda é ruim, nosso filme é bom. Mas, aparentemente, para os especialistas, não há razões para comemoração. Desde Arnaldo Niskier, ex-secretário de Educação do Rio e membro da Academia Brasileira de Letras, que lembra que nossa colocação no ranking continua vexaminosa : 58º lugar, numa lista de 65 nações. E pior, diz: Em Leitura e Ciências, continuamos na rabeira . Irônico, cita um amigo para dizer que o grande problema da educação nacional é a falta de tempo integral. Inclusive do ministro .

Para alguns, a melhora do Brasil em Matemática se deveu exclusivamente à mudança na composição de idade dos alunos que fizeram a prova (especialmente em 2009, quando houve um aumento maior), e, dentro de cada grupo de idade/série, não houve qualquer aumento. Priscila Cruz, diretora executiva do movimento Todos pela Educação, diz que, se avançamos em Matemática, foi bem menos do que deveríamos. E lembra que esse avanço tem sido muito questionado: se realmente foi avanço ou fruto de mudança na amostra.

Segundo a especialista Ilona Ferrão, seria um caso de contabilidade criativa aplicada à Educação. A questão da amostra continua controversa, com especialistas considerando as mudanças como válidas, e outros vendo problemas de critério. Para o sociólogo Simon Schwartzman, presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, que vem debatendo a questão em seu blog, o que parece pacífico é o seguinte: Se houve uma melhoria, ela foi muito pequena e se deve, sobretudo, à melhoria do fluxo escolar - o que em si não é mau, mas não há indicações de que o ensino melhorou. Há ainda, segundo ele, um número importante de jovens no grupo de idade do Pisa que ficaram fora da prova porque estão abaixo da série que entra na amostra - 18.8% do grupo de idade. Se eles entrassem na amostra, o resultado seria muito pior. Por fim, seja como for, não há como dizer que houve uma melhora na qualidade da educação proporcionada pelas políticas do governo federal .

Já o economista Fernando Veloso, da Fundação Getulio Vargas no Rio, acha que os resultados do Pisa são consistentes com os dados das avaliações nacionais. O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) também mostra uma evolução em relação ao início dos anos 2000, mas uma estagnação recente nos anos finais do ensino fundamental, que correspondem à faixa etária dos alunos que participam do Pisa. A Prova Brasil também revela que o maior progresso ocorreu em Matemática . Veloso explica que a principal característica dos países que se destacam no Pisa é que eles oferecem educação de qualidade para todos, independentemente de sua condição socioeconômica. Isso envolve a combinação de três elementos. Em primeiro lugar, é preciso estabelecer o que todas as crianças e jovens precisam aprender, e organizar o sistema educacional de forma a atingir esse objetivo .

Outro ponto importante são os instrumentos de avaliação, que devem ser utilizados de forma sistemática para obter informações sobre o desempenho dos alunos . São necessárias ainda políticas específicas de apoio aos alunos com pior desempenho.

Segundo ele, desde meados da década de 1990, o Brasil avançou nessa direção, com a criação de um sistema de avaliação abrangente e metas do Ideb para as escolas públicas. (Continua amanhã)

Os pontos-chave

1 Não estamos bem nem na escolaridade básica medida pela Pisa, nem entre as universidades nos países emergentes

2 A nota brasileira em Matemática foi a que teve maior aumento entre todos os países, mesmo assim continuamos na rabeira

3 Exames mostram evolução em relação ao início dos anos 2000, mas estagnação recente nos anos finais do ensino fundamental

Quem criminalizou a política que a embale - MARIA CRISTINA FERNANDES

VALOR ECONÔMICO - 13/12

Foi sob a ditadura que se proibiram doações de empresas

As doações de empresas e sindicatos a campanhas eleitorais foram proibidas por lei de 1971, ano em que a presidente Dilma Rousseff sangrou no pau de arara de Médici.

A ditadura tentou represar o que acabaria acontecendo no final da década, quando um grupo de empresários paulistas insatisfeitos com o regime militar fortaleceu lideranças pemedebistas no combate final à ditadura.

As doações permaneciam proibidas quando, na primeira eleição direta para presidente, o empresário Paulo César Farias montou esquema da campanha de Fernando Collor de Mello que acabaria por derrubá-lo.

Ante a consagração do caixa 2, decidiu-se que o melhor seria tentar trazer o dinheiro para dentro dos canais legais e liberar as doações no teto de 2% do faturamento das empresas.

Fernando Henrique Cardoso foi o primeiro presidente eleito depois da vigência da lei que liberou doações de empresas. As de sindicato permaneceriam proibidas, o que não impediu a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

Os últimos 20 anos foram marcados por gastos eleitorais crescentes. Recitam-se números impressionantes. Ninguém é capaz de chutar no ângulo as verdadeiras cifras desse mercado mas o acalorado debate sempre acaba por concluir que a política no Brasil não é apenas a pior como custa mais do que em qualquer outro lugar do mundo.

Assim como os patrocinadores dos regimes mais intolerantes do planeta desfilam pelo funeral de Nelson Mandela, beneficiários das mais diversas relações empresariais começam a desfilar seus argumentos contra os malefícios do dinheiro nas campanhas no julgamento que ora se inicia no Supremo por provocação da OAB.

A peroração da semana é que política se faz com ideias e não com dinheiro. Justiça também. Numa e noutra ponta do julgamento há duas instituições movidas por um e outro.

Desde que o financiamento privado foi liberado a legislação introduziu limites de doações, uma prestação de contas cada vez mais detalhada e penalidades pelo seu descumprimento.

De tão minuciosa, a prestação de contas dos eleitos é avaliada por amostragem. Nem se o Judiciário abrisse mão de suas aposentadorias integrais teria como pagar a auditoria das contas do meio milhão de candidatos que disputou as eleições do ano passado.

Centenas de prefeitos já perderam o cargo no Brasil pelo descumprimento à lei. As empresas que doam por dentro e são multadas movimentam uma milionária indústria de recursos. Aquelas que doam por fora e se abrigam na zona cinzenta de licitações burladas também sobrevivem graças à mesma indústria de recursos.

Muitos juízes já foram flagrados nesta ciranda de impunidade. Mas esta participação nunca será explicitada enquanto não se conhecerem as remessas de juízes ao exterior. As investigações tiveram o aval do Banco Central mas foram freadas no Conselho Nacional de Justiça.

Alguns defensores do fim do financiamento privado podem ser motivados por ingenuidade. Mas a maioria é movida mesmo por interesses.

Para se imaginar que o financiamento público possa acabar com o caixa 2 é preciso acreditar que se cura um alcoólatra subsidiando-lhe caldo de cana.

A ideia mais ingênua que move esse debate é a de que se faz democracia de massas sem dinheiro.

No Império só quem tinha dinheiro podia votar e ser votado. O colégio eleitoral era de 13% da população. O dinheiro só se fez necessário quando a política extrapolou o clube dos homens ricos. Pobres, mulheres e analfabetos levaram cem anos para ser admitidos. Custa uma fortuna conquistar o voto desse monte de gente que hoje representa 65% da população.

Uma parte desse dinheiro é pago com dinheiro de (poucas) empresas mas uma parte igualmente importante é paga pelo contribuinte, com o horário eleitoral gratuito e o fundo partidário.

O professor Bruno Speck, que acompanha as contas desse mercado há décadas, calcula que o horário eleitoral gratuito, pelo tempo ocupado na grade das emissoras, vale 20 vezes o fundo partidário e três vezes tudo que é doado pelas empresas.

Se toda essa discussão levar ao barateamento da campanha terá valido a pena, mas o grande risco é que, pelos interesses submersos no embate, a conta a ser paga fique ainda maior.

O financiamento de campanha é uma velha discussão em todo lugar que tem eleição livre. E em parte alguma se conseguiu uma boa solução. Nos Estados Unidos as empresas não podem doar diretamente mas, nas eleições, formam-se milhares de comitês associados a interesses privados que fazem campanha por seus candidatos.

Se não vai ter dinheiro de empresa, o Estado vai ter que bancar as campanhas. É preciso saber se o contribuinte está disposto a pagar essa conta.

Não é o Judiciário que faz essa consulta. Quem tem mandato para isso é o Congresso. E foi lá que o financiamento público ganhou espaço com o horário eleitoral e o fundo partidário, ainda que nunca se tenha conhecido um parlamentar eleito com essa plataforma.

Foi lá também que todas as tentativas de se tornarem mais transparentes as doações - a melhor mudança que poderia haver - foram abortadas.

O ministro Joaquim Barbosa já deixou claro que quer fazer a proibição para 2014. Talvez esteja frustrado porque o mensalão colocou políticos e intermediários das agências de publicidade e dos bancos em cana, mas não pôs a mão na origem privada do esquema.

Até abril, quando o ministro esclarecerá a dúvida geral da nação se será candidato, é preciso acreditar que é motivado por seu desejo de melhorar o país.

O que sua posição gerou, até aqui, foi uma improvável comunhão de interesses com o PT, emérito defensor do financiamento público exclusivo com voto em lista, o que vai redobrar o poder das cúpulas partidárias.

A proibição do dinheiro das empresas beneficia, de imediato, o partido no poder. Sem financiamento privado fica mais difícil para a oposição se confrontar com quem tem a máquina de governo nas mãos.

A oposição estribucha. Quem pariu a criminalização da política que a embale.

Terapia intensiva - MARINA SILVA

FOLHA DE SP - 13/12

Quando insistimos na necessidade de uma agenda estratégica, somos contestados pela visão reducionista de que basta ao nosso país uma gerência eficiente. Estamos vendo agora o resultado da separação entre estratégia e gestão: a excelência gerencial que anunciaram naufraga na enchente de problemas derivados da falta de planejamento.

As evidências estão em setores nos quais supúnhamos ter avançado. É o que mostra o relatório do Banco Mundial sobre o Sistema Único de Saúde, noticiado por esta Folha. Analisando mais de duas décadas dessa conquista histórica do povo brasileiro, o SUS, o relatório revela que os problemas da saúde pública não decorrem apenas da falta de verbas. Não esconde essa falta, pois mostra que o investimento público em saúde, de 3,8% do PIB, é inferior à média dos países em desenvolvimento, mas constata que o atendimento pode melhorar com mudanças na gestão.

Vivemos nos extremos. Os grandes hospitais estão superlotados, enquanto as unidades com menos de 50 leitos, que cobrem 65% do sistema, vivem quase sempre vazias, por motivos que incluem a falta de médicos especializados e de condições para atender às populações locais.

Boa parte das emergências poderia ser atendida em unidades básicas, cujo crescimento estagnou nos últimos anos. Conheço o problema na prática, por isso sempre insisti na importância de fortalecer o Programa de Saúde da Família e tornar o sistema mais humano e personalizado. Essa é uma definição estratégica que se traduz em investimentos na formação de médicos generalistas, enfermeiros, assistentes sociais e agentes comunitários que trabalhem de forma integrada junto da população.

A melhoria na gestão inclui necessariamente o combate à corrupção. Reportagens recentes na TV mostraram o desvio de verbas em acordos de cooperativas e Oscips com várias prefeituras. Precisamos de mecanismos que garantam a visibilidade desses processos e o acompanhamento da população e órgãos de fiscalização.

O SUS é uma conquista nossa, devemos cuidar dele e aperfeiçoá-lo. E isso é parte do esforço para reformar o Estado brasileiro. O mesmo combate deve ser travado em atividades como a produção de alimentos e de energia, nas quais muita riqueza se perde no caminho (ou na falta destes) até o usuário.

No final das contas, o Estado deve tornar-se mais responsável no uso dos impostos. E os governos não podem continuar acenando com o chapéu do contribuinte, em prejuízo de seus direitos, repetindo comportamentos perdulários que se agravam, como sabemos, em períodos eleitorais. Em todos os setores, a mudança exige tratamento continuado. Na saúde, terapia intensiva.

Equívocos sobre o financiamento de campanha - EDITORIAL O GLOBO

FOLHA DE SP - 13/12

O problema não é empresa gastar com política, mas a falta de conhecimento e controles eficientes sobre todas as finanças da vida pública brasileira



Costuma haver uma carga de exagero nas críticas à “judicialização da política”, quase sempre feitas com um viés contra o Judiciário. Afinal, o Supremo e o TSE, onde se delibera acerca de questões sobre partidos e mandatos, só atuam quando são acionados pelo Ministério Público ou, na maioria das vezes, pelos próprios políticos. Isso não significa uma absolvição prévia às decisões dos tribunais. Mesmo que sejam todas defensáveis do ponto de vista técnico-jurídico, não significa que sempre contribuam para o aperfeiçoamento do bom exercício da Política, com o devido “p” maiúsculo.

Há circunstâncias, inclusive, em que muita saliva e tempo são gastos em agendas desfocadas. No momento, por exemplo, transcorre no STF o julgamento de ação direta de inconstitucionalidade proposta pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contra o financiamento a candidatos e partidos por empresas.

Até a sessão de ontem, a posição do relator do processo, ministro Luiz Fux, pelo acolhimento da tese da ação foi seguida, em sua essência, por mais três magistrados: o presidente da Corte, Joaquim Barbosa, Dias Toffoli e Luis Roberto Barroso. Como o ministro Teori Zavaski pediu vista do processo, ganha-se tempo para uma discussão mais ampla do tema.

Proibir a contribuição de empresas para campanhas e partidos é o mesmo que investir quixotescamente contra moinhos de vento. Porque é ilusório imaginar que, sendo as pessoas jurídicas as grandes fontes de financiamento da vida política — e não apenas no Brasil —, deixará de ser encontrada uma forma de o dinheiro continuar a fluir. Ela até já existe: o caixa dois. Um efeito colateral deletério do alijamento de empresas é induzir a ampliação da parcela de dinheiro público na política. Que já não é pequena: apenas em rebate tributário às emissoras, devido ao programa eleitoral “gratuito”, foram pouco mais de R$ 600 milhões na campanha de 2012. Em 10 anos, R$ 4 bilhões, informa o site Contas Abertas. E falta acrescentar os milhões do fundo partidário.

Cortar os recursos das empresas apenas ajuda o lobby pela equivocada estatização completa das finanças da política — o “financiamento público de campanha”. Outro gesto ilusório em nome do fim do caixa dois.

O PT, particularmente, se bate pelo financiamento público, porque ele facilita a adoção do sistema de voto em lista, como deseja o partido, a favor da primazia dos caciques partidários na definição dos candidatos, cassando-se o direito do eleitor de escolher seus nomes. Além de ser mais um custo desnecessário para o contribuinte.

Em vez disso, deve-se é tornar eficientes os sistemas de fiscalização, punir o “conta-suja” (fraudador na prestação de contas), dar total transparência às doações e aos gastos, venha o dinheiro de pessoas físicas ou jurídicas. O problema não é empresa gastar com política, mas a falta de conhecimento e controles eficientes sobre todas as finanças da vida pública brasileira.

Ameaça ao Tesouro - EDITORIAL O ESTADÃO

O Estado de S.Paulo - 13/12

Acuada por seus aliados, a presidente Dilma Rousseff se rendeu e desistiu de vetar mais uma ameaça ao Tesouro Nacional - a obrigação de custear as emendas individuais de parlamentares, em geral paroquiais e eleitoreiras, incluídas no Orçamento-Geral da União (OGU). Essa obrigação foi inscrita, com apoio do presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A presidente havia ameaçado barrar esse dispositivo, mas, diante da reação da base, preferiu recuar. Essa decisão foi informada ao presidente da Câmara pela ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti. Sem o recuo, os aliados prometiam impedir a votação da proposta de Orçamento, o que forçaria o governo a atravessar os primeiros meses do ano sem dinheiro para investir, uma perspectiva temível em um ano de eleições.

Para começar, trata-se de uma situação quase surrealista. O Congresso deveria ter votado a LDO até o fim de junho ou, de qualquer forma, antes do recesso do meio do ano. A tramitação foi paralisada e houve recesso em julho, embora disfarçado. A LDO fixa prioridades e as linhas gerais da proposta do Orçamento anual. Mesmo sem essa base de orientação, a proposta da lei orçamentária foi encaminhada ao Congresso dentro do prazo, no fim de agosto.

Com isso se acrescentaram mais detalhes à paródia de surrealismo. Se der tudo certo (pelos padrões brasilienses), a presidente poderá examinar ao mesmo tempo os textos aprovados da LDO e do OGU.

Nenhuma explicação compatível com um mínimo de decência política foi apresentada para justificar o atraso na votação das diretrizes. Apesar disso, parlamentares cobram respeito em nome da instituição - como se a instituição se confundisse com as piores práticas adotadas no Congresso - e defendem sua avidez por verbas como se fosse a essência da democracia.

Dependente e refém de uma base essencialmente fisiológica, a presidente Dilma Rousseff já havia decidido aceitar a instituição do orçamento impositivo por meio de emenda à Constituição. Incapaz de resistir, o Executivo chegou a contribuir para a elaboração do projeto, sugerindo um piso de despesas com saúde - 13,2% da receita corrente líquida no primeiro ano, com elevação gradual até 15% no quinto ano.

A sugestão foi incluída no texto, no Senado, mas a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dividiu a proposta, separando a criação do orçamento impositivo da instituição de um piso de gastos com saúde. A Frente Parlamentar da Saúde defende um mínimo de 18,7% da receita corrente líquida no prazo de cinco anos.

O projeto do orçamento impositivo só deverá ser submetido à votação final no próximo ano. Isso daria ao governo um argumento para vetar o dispositivo da LDO sobre os gastos obrigatórios com as emendas, mas a reação da base, especialmente do PMDB, fez a presidente recuar.

Começar mais um ano sem Orçamento aprovado seria duplamente ruim - pela impossibilidade de investir e também pelo risco de rebaixamento da nota de crédito do País. Diante dessa ameaça, o governo tem procurado pelo menos encenar um compromisso com a seriedade na administração das contas públicas, embora a precária situação fiscal, nesta altura, seja indisfarçável. Não se pode deixar nenhuma dúvida quanto ao empenho do governo em produzir um superávit primário maior, disse na quarta-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Curiosamente, pela mesma razão parlamentares aliados decidiram adiar para 2014 a votação da mudança da indexação e dos juros das dívidas de Estados e municípios. Essa mudança, retroativa, abrirá um rombo na Lei de Responsabilidade Fiscal. O atraso na votação em nada mudará esse fato. Mas a conveniência de fingir seriedade parece ter motivado até parlamentares da base.

Mesmo sem uma séria disposição de bem administrar o dinheiro público, o governo poderia pelo menos dosar melhor a despesa, se continuasse desobrigado de bancar as emendas. O recuo da presidente é mais um sinal preocupante sobre a o futuro das contas públicas.

Negligência com segurança nos veículos - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE

CORREIO BRAZILIENSE - 13/12
"Todos os anos deveriam ser eleitorais", repete o povo escaldado com águas passadas. A ironia procede. É tal o número de bondades anunciadas pelo governo, que fica a impressão de que o país se tornou sucursal do paraíso. Ou, talvez, a antessala da morada divina. Passada a corrida às urnas, porém, fica o dito pelo não dito.
O eleito, confiante na memória curta do cidadão, se esquece das promessas que lhe garantiram o mandato e avança com novos compromissos de olho na próxima eleição. A prática se banalizou e deixou de ser levada a sério. Não é, porém, o que sugere declaração do ministro da Fazenda. Concretizada a ameaça, as consequências vão além das palavras.

Alegando preocupação com salto inflacionário, Guido Mantega falou em adiar norma de segurança em veículos. Em 2009, duas resoluções do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) tornaram obrigatória a instalação de air bags e freios ABS em todos os carros novos. Segundo a proposta de prorrogação, em vez de elevar para 100% o percentual de veículos com os equipamentos em 2014, poderia haver aumento gradual, que se completaria em "um ou dois anos".

A procrastinação é inaceitável. Testes de impacto efetuados pelo Latin NCAP - programa de avaliação de veículos novos - apresentaram resultados preocupantes. O nível de segurança dos compactos sem air bags foi classificado de precário. Em batida frontal a 64km/h, como simulado, eles não protegem adequadamente os ocupantes. Ferem, aleijam e matam.

Em bom português: agrava-se a tragédia que banha o asfalto de ruas e estradas com o sangue de milhares de brasileiros vítimas de acidentes de trânsito. É retrocesso que a sociedade não pode aceitar. Pune-se com o passo atrás a população de menor poder aquisitivo, forçada pela renda e pela insensibilidade governamental a adquirir veículos inseguros.

As montadoras, vale lembrar, não podem alegar surpresa ou casuímos. Tiveram quatro anos para se adaptar às novas regras. Boa parte delas o fez. Modelos de projetos mais antigos, como a Kombi, o Gol G4 e o Fiat Mille, ignoraram a lei. A prorrogação lhes dará sobrevida. Não só. Automóveis que passaram a oferecer os itens de segurança deverão também retroceder. Air bags frontais e freios ABS voltarão a ser opcionais. Quem quiser pagará por eles.

O embaixador Roberto Campos costumava repetir que o Brasil não perde oportunidade de perder oportunidade. O jeitinho anunciado pelo ministro Mantega lhe dá razão. Além de desperdiçar a ocasião de melhorar o nível de segurança dos carros produzidos e consumidos no país, reforça a percepção de que os produtos nacionais devem ser vistos com desconfiança - tanto no mercado interno quanto no internacional. É tiro nas rodas.

Meta penal - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 13/12

Acompanhamento feito pelo CNJ mostra que Judiciário está longe de conseguir julgar casos antigos de homicídio, que deveriam ter prioridade


De pouco adianta a legislação estabelecer penas severas para determinados crimes se, na prática, a punição quase nunca for aplicada.

A célebre lição do criminalista italiano Cesare Beccaria data do século 18, mas resume grave problema que ainda hoje se verifica na Justiça criminal do Brasil.

Na hierarquia do Código Penal brasileiro, a pena mais rigorosa, de 30 anos de cadeia, é com razão reservada aos homicídios --ou seja, nenhum bem jurídico mereceu, por parte do legislador, proteção maior do que a dedicada à vida.

Estima-se, contudo, que menos de 10% dos assassinatos sejam resolvidos e tenham seus autores presos. Nos demais casos, a impunidade apresenta-se em diferentes momentos do caminho que deveria levar à prisão dos culpados.

Muitas investigações decerto resultam infrutíferas, mas o Judiciário, com sua conhecida lentidão, também contribui para um quadro que estimula a violência.

Há boas razões, portanto, para o Conselho Nacional de Justiça, o Conselho Nacional do Ministério Público e o Ministério da Justiça buscarem agilizar o julgamento de ações criminais de homicídios.

Em setembro, decidiram que as Justiças estaduais deveriam julgar, até outubro de 2014, os processos dessa natureza iniciados há pelo menos quatro anos e que ainda não tenham sido julgados.

Já foram identificadas nada menos que 63 mil ações nessa categoria. A cifra é espantosa --não pelo impacto que sua resolução teria no gargalo do Judiciário (o estoque total da Justiça é de 64 milhões de processos), mas pelo que significa em termos de injustiça.

A cada uma delas corresponde pelo menos um assassinato cometido antes de dezembro de 2009 e que até hoje permanece impune.

Daí por que é bem-vinda a iniciativa do Conselho Nacional de Justiça de disponibilizar em seu site um "processômetro", ferramenta que torna públicos os dados sobre julgamentos desses processos criminais.

Pela mesma razão, o instrumento do CNJ provoca desalento: apenas 3.855 --6,1% do total-- daquelas ações foram julgadas até agora. Nesse ritmo pífio, soa implausível que o objetivo possa ser atingido.

Apenas dois Estados já julgaram mais de 25% desses processos antigos, mas, neles, o baixo número de casos explica o desempenho: Acre tem 32 ações, e Amapá, 16.

Em São Paulo, o índice está abaixo de 10%: de 1.757 ações, somente 166 foram julgadas. Na Bahia, Estado com maior estoque de processos (9.804), apenas 78 casos foram julgados --o equivalente a meros 0,8% do total.

É grave a situação de uma Justiça que demonstra tamanha ineficiência em tarefa que merece tratamento prioritário.

México derruba um tabu econômico, o do petróleo - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 13/12

O Brasil terá agora pela frente forte competidor na atração de investimentos para o setor e, por isso, precisará rever regras que fizeram o país caminhar para trás



O México passou por uma grande transformação econômica nos anos 1990, que tirou o país da estagnação. Herança da revolução zapatista no início do século XX, a agricultura mexicana mantinha uma estrutura arcaica de produção que a fazia só definhar, a ponto de parte do milho consumido (alimento básico na dieta da população, acreditando-se até mesmo que o nome México derive da palavra que identificava o cereal na língua nahuatl, falada pelos astecas) ser importado dos Estados Unidos. O excesso de intervencionismo estatal determinava que uma autorização de instalação de um simples posto de gasolina era prerrogativa do presidente da República. Caminhões que transportavam mercadorias voltavam vazios porque não lhes era permitido aceitar outros tipos de carga, e assim por diante.

As reformas mudaram o quadro, e a economia mexicana se revitalizou, pavimentando caminho para o país ingressar em um tratado de livre comércio com dois parceiros poderosíssimos, os Estados Unidos e o Canadá (Nafta). Não fossem tais mudanças, a economia mexicana teria sido esmagada mais tarde pela avalanche industrial chinesa. Mas o México sobreviveu a esse massacre e tem atraído grande volume de capitais estrangeiros para atividades importantes, como, por exemplo, o setor automobilístico (o Brasil importa muitos modelos de lá) e a petroquímica.

Embora as reformas tenham sido amplas, eliminando antigos e ineficientes monopólios estatais, um deles permaneceu intocado: o do petróleo. “Nacionalizado” pelo presidente Lázaro Cárdenas, em 1938, o petróleo permanecia como um velho símbolo da revolução mexicana. É preciso entender a dificuldade de se ultrapassar barreiras culturais envolvendo o tema naquele país. O México nunca superou o trauma da conquista espanhola, que se superpôs a uma civilização já existente (a então capital asteca tinha um número de habitantes similar ao de Paris na época da chegada dos espanhóis). No século XIX, quase 50% do seu antigo território foi vendido aos Estados Unidos, e a relação com o país vizinho nem sempre foi amistosa. O ditador Porfírio Diaz proferiu uma célebre frase: “Pobre México, tão longe de Deus, tão perto dos Estados Unidos”.

O tabu caiu por força da realidade — como caem todos. Sob as rédeas da Pemex, a estatal petrolífera, o México perdeu posições no ranking dos grandes produtores mundiais. Há décadas a produção não cresce — ao contrário, caiu — e, para recuperar reservas, o país terá de multiplicar investimentos. Apoiado pelo PRI, partido que está no poder (cuja sigla significa Partido Revolucionário Institucional), o Congresso mexicano acaba de aprovar a lei que admite a entrada de novos investidores no seu mercado de petróleo.

O Brasil, que andou para trás nas regras referentes à indústria do petróleo, agora terá um forte competidor na disputa por investimentos. Se quiser atrai-los terá de repensar o modelo de partilha de produção que foi adotado para o pré-sal.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Pessoas jurídicas somente deveriam contribuir para fundo partidário”
Senador Eduardo Suplicy (PT-SP) discursando contra doações privadas a campanhas


CONTRA LULA, DILMA QUER SUBSTITUIR MINISTROS JÁ

Apesar da pressão do ex-presidente Lula para manter nos cargos os ministros candidatos até março, a presidente Dilma está ansiosa para promover uma reforma ministerial entre 20 de dezembro e 15 de janeiro. Ela está irritada com ritmo lento dos ministros, preocupados demais com suas campanhas, e planeja substituí-los o quanto antes, até para ter o que mostrar em sua própria campanha à reeleição.

DEIXA ELE

A pressão maior de Lula é por Alexandre Padilha (Saúde). Acha que prolongar sua permanência é vital para a disputa pelo governo paulista.

TODOS IGUAIS

Partidos aliados cobram “isonomia” de Dilma: querem que seus ministros fiquem nos cargos até março, como os do PT.

BOQUINHA

Na expectativa de faturar ministérios, PTB e PROS, dos irmãos Cid e Ciro Gomes, pressionam por imediata reforma ministerial.

ALVO DE COBIÇA

O PMDB também não vê a hora de ver a posse ao senador Vital do Rêgo (PB) na Integração, também cobiçado por PT, PTB, PP, PROS...

PT APOSTA NO ‘PROPINODUTO’ DO METRÔ CONTRA PSDB

O governo Dilma aposta que as denúncias sobre esquema de corrupção dos trens de São Paulo vão gerar desgaste eleitoral maior ao PSDB do que o “mensalão tucano”, a ser julgado em 2014 pelo Supremo Tribunal Federal. Na avaliação do Palácio do Planalto, além do fator “novidade”, o escândalo atinge em cheio o núcleo duro do PSDB, incluindo governador Geraldo Alckmin e antecessor José Serra.

SAIU OFUSCADO

Denúncias do “propinoduto” paulista tiraram do noticiário o mineiro Eduardo Azeredo (PSDB), estrela do “mensalão tucano”.

MANGALÔ

Não é maldade do calendário: hoje é sexta-feira 13, de 2013, combinação numerológica que assombra petistas supersticiosos.

CARA-LISA

No final do seu segundo governo no Rio, Sérgio Cabral (PMDB) culpou as “décadas de abandono” pelas enchentes na Baixada Fluminense.

LULA EM CAMPANHA

Horas antes da convenção, ontem, em Brasília, o PT já incomodava centenas de trabalhadores das duas torres do centro empresarial Brasil 21, com um carro de som tocando loas ao ex-presidente, incluindo a musiquinha “Lula lá”. E sem qualquer referência à reeleição de Dilma.

A BANCA DO DISTINTO

À espera do trânsito em julgado da pena no mensalão, o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha aproveita a mão aberta do contribuinte: já gastou R$ 62 mil em cota parlamentar após a sentença, em agosto.

EXPLICA, MINISTRO

Entre as medidas dos ministros José Eduardo Cardozo e Aldo Rebelo está a criação de uma “câmara técnica” no Ministério da Justiça para combater a violência nos estádios. Igual àquela que Cardozo extinguiu em 2011, em decisão que até hoje ele enrola, enrola, e não explica.

SINAL VERMELHO

Brasil, Indonésia e África do Sul estão no mapa de risco de investidores estrangeiros por possíveis medidas populistas após as eleições nesses países, segundo aponta mapa da consultoria inglesa Maplecroft.

ÁGUA NO CHOPE

Alemães da Volks ainda não entenderam a piada: a Kombi teve de sair de linha no Brasil por falta de airbags e freios ABS – itens de segurança que o governo agora dispensa para “não encarecer” as carroças.

PELA HORA DA MORTE

Referência em planos de saúde “top”, a Casa de Saúde São José, no Rio, tem camas com ferrugem, lençóis furados e cobertores fedidos. “Sem fins lucrativos”, recebe incentivos e isenções do governo.

INSTINTO PRIMITIVO

O Conselho Nacional de Justiça recomendou rigor na fiscalização da presença de crianças nas cidades-sede da Copa. Quanto a animais em estádios com barras de ferro, só mesmo consultando o Ibama.

DIREITOS DOS ANIMAIS

A pedido do PV, o presidente da Câmara, Henrique Alves, autorizou a criação de comissão especial para elaborar marco sobre direitos dos animais. Hoje, 550 projetos sobre o tema tramitam Casa.

PENSANDO BEM...

...o ministro Guido Mantega criou a “economia Frankenstein”: além das “duas pernas mancas” que citou, tem cabeça avariada e língua presa.


PODER SEM PUDOR

GESTO INUSITADO

Num país onde autoridade não pede demissão, Segadas Vianna o fez. Ministro do Trabalho de Vargas em 1953, avisou que derrotaria a greve dos marítimos com a lei que considerava deserção faltar ao trabalho. João Goulart foi contra e convenceu Getúlio. Segadas não titubeou:

- Se a opinião dele é tão importante, faça-o ministro do Trabalho.

Pediu o boné em seguida.

SEXTA NOS JORNAIS

Globo: Enchente anunciada: Estado já tem seis mil desalojados pelas chuvas
Folha: Bancos também pagaram propina, afirma delator
Estadão: Inquérito do cartel chega ao STF e cita 3 secretários de SP
Correio: Cem mil brasileiros a mais na malha fina
Estado de Minas: Ameaçados pela chuva
Zero Hora: Estado tem projeção de safra recorde em 2014
Brasil Econômico: Indústria dividida sobre investimentos no próximo ano
Jornal do Commercio: Governo age contra caos em aeroportos

quinta-feira, dezembro 12, 2013

Dossiê Siemens: aloprados e poderosos - CARLOS SAMPAIO

FOLHA DE SP - 12/12

O PSDB não se curvará inerte. Enquanto os responsáveis por mais essa fraude não forem afastados, não descansaremos


É fácil reconhecer que o caso Siemens segue o roteiro de praxe do PT para prejudicar seus adversários.

No enredo petista, sempre tem um dossiê com documentos falsos contra a oposição e, quando descoberta a fraude, nega-se até a morte. Coisa de artista.

O PT se especializou nessa arte. Começou na eleição de 1998, quando estimulou a divulgação do dossiê das Ilhas Cayman contra tucanos. Em 2005, em meio à CPI do Mensalão, surgiu a Lista de Furnas, encomendada por dois deputados petistas.

No episódio dos "aloprados", em 2006, dois petistas foram presos com mais de R$ 1 milhão para a compra de um dossiê contra o então candidato ao governo do Estado de São Paulo, José Serra.

Já na CPI dos Cartões Corporativos, em 2008, que avançava na investigação dos gastos do então presidente Lula, a imprensa descobriu um dossiê contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

E na campanha eleitoral de 2010, dados sigilosos da família de Serra foram encontrados num dossiê em posse da equipe da pré-campanha de Dilma Rousseff.

Agora, em meio às prisões dos mensaleiros, eis que o PT consegue engendrar mais uma fraude. O enredo, desta vez, não envolve mais o churrasqueiro preferido de Lula ou seu faz-tudo, como no episódio dos "aloprados", mas o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, seu subordinado, o presidente do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), Vinícius Carvalho, e um deputado estadual de alta patente no partido, Simão Pedro.

Carvalho havia sido chefe de gabinete de Simão Pedro, autor de denúncias de cartel em obras do PSDB de São Paulo, e, anos mais tarde, foi alçado à presidência do Cade. Chegou lá, registre-se, escondendo sua filiação ao PT. Depois de alguns encontros com seu ex-chefe, revelados pela imprensa, promoveu um acordo de leniência com a Siemens e abriu a investigação tão almejada por Simão Pedro.

A partir daí começaram a vazar documentos à imprensa tentando envolver membros do PSDB na denúncia de cartel e de recebimento de propina.

E como o ministro Cardozo entrou na trama? Pressionado pela imprensa, ele admitiu ter enviado uma carta-denúncia sem assinatura que citava três governadores de São Paulo e quatro secretários de Estado à Polícia Federal dois dias depois de o Cade negar tê-lo feito. E a história fugiu do script petista, assim como no caso dos aloprados.

Descobriu-se, primeiramente, que na carta-denúncia apócrifa, recebida pelo ministro em sua residência, o tal "denunciante" dizia que estava denunciando o malfeito, mas pedia em troca um cargo na Vale do Rio Doce.

Depois, descobriu-se que na tradução do inglês para o português da tal denúncia foram enxertados os nomes dos tucanos. Com a trama descoberta, o ministro Cardozo reuniu a imprensa para dizer que cumpre a lei e que não se tratava de uma tradução, mas de documentos diferentes, embora no índice do processo entregue à PF conste como sendo uma tradução.

O que o ministro alega que fez a mando da legislação não passou de uma estratégia para emplacar uma denúncia contra o PSDB.

Em um governo sério, o presidente do Cade e o ministro já teriam sido afastados e se daria celeridade às investigações sobre o cartel, sobre o qual o PSDB tem total interesse. Mas, infelizmente, estamos diante de um governo que nutre verdadeira paixão por dossiês fajutos.

O PSDB não se curvará inerte. Enquanto os responsáveis por mais essa fraude não forem afastados de seus cargos, não descansaremos.

O nosso papel será o de impedir que essa fraude prevaleça e que as investigações sobre o cartel sejam seletivas e então denunciar o uso de órgãos do governo com finalidades político-partidárias.

Sou de esquerda ou de direita? - CONTARDO CALLIGARIS

FOLHA DE SP - 12/12

Tenho repulsa por qualquer tipo de tutela. Por isso, sou libertário. Isso é de direita ou de esquerda?


Li a pesquisa do Datafolha publicada na Folha de domingo passado, e tentei entender se sou de esquerda ou de direita. Não consegui concluir. As frases propostas à apreciação dos entrevistados me deixam hesitante; sempre preciso completá-las (com adversativas e reservas) para poder concordar ou discordar.

Por exemplo, o "governo deve ser o maior responsável por investir para a economia crescer". É uma ideia que deveria seduzir meu lado esquerdo. Mas"¦ não sei se houve uma época da minha vida em que eu não desconfiasse da intervenção do Estado na vida da gente. No Brasil de hoje, então, nem se fala: qualquer aumento da presença do governo agita visões pavorosas de corrupções crônicas e de burocracias acomodadas e ineficientes.

Em geral, a geração à qual pertenço, a dos baby boomers, não gosta de Estados e governos. Alguns de nós (uma pequena minoria) cresceram e militaram num isolamento cultural que os deixou à margem da revolução libertária dos anos 60 --isso, sobretudo em países que, na época, eram dominados por ditaduras, como o Brasil. Mas, para a grande maioria dos baby boomers, sonhar com justiça e dignidade para todos nunca significou confiar em Estados, governos, entidades coletivas, partidos e opiniões dominantes.

Conheci de perto (apesar do cheiro) alguns moradores de rua de Paris e Nova York que não se deixam levar para um abrigo nem nas piores noites do inverno, porque não aceitam ter que ouvir um sermão ou uma missa em troca de calor, sopa e colchão. Eles são meus heróis. Nossa tendência é outra: aceitamos facilmente a tutela moral de Estados e governos, como se fosse normal retribuir assim os benefícios da social-democracia.

Regra: o Estado que parece pagar a conta (embora ele pague com nossos impostos) sempre se sente autorizado a expandir sua tutela moral sobre nós. E eu tenho repulsa por qualquer tipo de tutela. Nisso e por isso, sou libertário. Como isso funciona com direita e esquerda?

Houve uma época em que, nos EUA, a direita era libertária (como se espera da direita, ela não gostava que o governo se metesse na vida da gente). Por exemplo, a direita libertária podia detestar gays e lésbicas, mas não por isso reconheceria ao Estado o direito de dizer o que se pode e o que não se pode na vida sexual e afetiva das pessoas.

Isso acabou: a direita de hoje adora tutelar os cidadãos (todos vulneráveis e meio incapazes, não é?) e tenta promover leis que regrem o comportamento de todos segundo seus "princípios".

Será que a esquerda, então, herdou o antigo espírito libertário da direita? Nem um pouco. Quando a direita começou a querer transformar suas crenças em legislação, a esquerda fez a mesma coisa, com um agravante: ela se tornou hipócrita (ela sempre declara querer o bem de todos, até dos que ela persegue).

Um exemplo. Hoje o Brasil recebe François Hollande, presidente da França. O governo (de esquerda) de Hollande é responsável por uma recente proposta de lei pela qual 1) é preciso abolir a prostituição e 2) o jeito é penalizar os clientes das prostitutas, com multas e prisão (leis parecidas já foram tentadas na Suécia e na Noruega, com resultados pífios e sinistros para as prostitutas).

Sugiro que nossa presidente ofereça a seu colega francês o livro de Adriana Piscitelli, "Trânsitos "" Brasileiras nos Mercados Transnacionais do Sexo" (Uerj).

Além de ser um bom exemplo da qualidade de nossas pesquisas, o livro lembraria a Hollande que somos menos hipócritas que seu governo: sabemos que o verdadeiro problema que o governo francês quer resolver não é a prostituição (e ainda menos a prostituição forçada), mas a imigração de mulheres, que tentam ser livres trabalhadoras do sexo e que, em geral, não são vítimas nem de traficantes, nem de cafetões, nem de seus clientes.

Cher M. Hollande, bem-vindo ao Brasil. A França pode tomar decisões erradas, como todo mundo, mas, pela cultura e pelas ideias que ela representa sobretudo nos últimos dois séculos, ela não pode, não deve se permitir ser ridícula. Merci.

Agora, uma palavra, em aparte, a Dilma Rousseff: Presidente, pode ser que a gente já tenha decidido comprar os Rafales, mas os franceses não sabem disso. Será que poderíamos negociar? Vamos comprar seus caças, mas vocês deixem suas prostitutas em paz? Seria generoso, e alguns brasileiros e brasileiras na França agradeceriam.

Esporte e identidade - MARTHA MEDEIROS

ZERO HORA - 11/12

Em 1994, Nelson Mandela tornou-se presidente de uma ainda problemática África do Sul. No ano seguinte, 1995, o país sediaria pela primeira vez a Copa Mundial de Rúgbi, conhecido como um esporte de brancos – tanto que a população negra sul-africana torcia contra sua própria seleção. Mandela percebeu que o evento poderia se tornar um importante aliado no processo de fim do apartheid e consequente pacificação da nação. Dedicou-se de corpo e alma a fazer com que a fraca seleção de seu país conquistasse o título, empurrada por negros e brancos unidos por patriotismo – uma utopia, na época.

O diretor de cinema Clint Eastwood contou essa história no filme Invictus, com Morgan Freeman no papel de Mandela. A epopeia teve um final feliz, bem ao gosto de Hollywood, com a vantagem de ter sido real: a seleção da África do Sul, pela primeira vez, sagrou-se campeã mundial de rúgbi, e a sabedoria de Mandela tornou-se ainda mais evidente ao conseguir unificar o país através do grito de uma torcida finalmente coesa.

Quando o filme estreou no Brasil, em 2009, Bernardo Buarque de Holanda escreveu uma resenha em que disse: “Estádios funcionam como uma caixa de ressonância por intermédio dos quais se exprimem, de alguma maneira ou em algum grau, as tensões constitutivas da sociedade a que pertencem”. Isso porque o esporte e a política sempre mantiveram laços.

Muitos ditadores usaram o esporte para impor a soberania de um povo sobre o outro, de uma raça sobre a outra, porém Mandela entendeu que o poder do esporte estava justamente em eliminar diferenças, agregando a população em torno de um único e salutar propósito. Fundou uma nova identidade nacional, minimizando as tensões advindas de brigas sem sentido e trocando-as por vidas com sentido.

No momento em que estamos de luto pela morte desse que foi um dos maiores humanistas do planeta, lamento que sua mensagem de paz não tenha se expandido até aqui. A julgar pelas cenas de demência vistas nas arquibancadas do jogo entre Vasco e Atlético-PR, seria preciso três dúzias de líderes com o poder de persuasão de Mandela para inibir brutamontes que chegaram a um nível de estupidez e ignorância alarmante, lesando nossa autoestima.

O que os leva a agir de forma tão extremada diante de um inimigo imaginário? A que ponto chega a provocação de uma torcida a outra para que o senso crítico seja totalmente banido e a selvageria se imponha? E, em termos menos filosóficos e mais práticos: por que não se resolve de vez a questão do policiamento nos estádios e não se punem rigorosamente esses animais?

Dias atrás o tabloide britânico Daily Mail publicou uma reportagem boba em que demonstrava preocupação com a possibilidade de a seleção inglesa ter que deparar com jacarés circulando pelas ruas de Manaus. Jacaré não é nada, gringos.

Inspiradores - LUIS FERNANDO VERISSIMO

O GLOBO - 12/12

Mais do que qualquer outra personalidade parecida, Mandela reforçaria a tese de que são os grandes homens que fazem as grandes mudanças históricas



Velha questão: são os líderes providenciais que fazem a História ou é a História que providencia os líderes necessários? O apartheid resistiria por muito mais tempo se não existisse o Mandela ou fatalmente acabaria mesmo sem ele? A pergunta também serve para Gandhi e Martin Luther King, só para ficar em líderes inspiradores — ou convenientes — recentes.

Mandela preso transformou-se num símbolo que catalisou a reação internacional ao odioso sistema sul-africano e motivou o boicote econômico que puniu e finalmente derrotou o racismo oficial do país, e sua atitude conciliadora depois da prisão facilitou a transição para uma democracia, pelo menos de fachada. Mais do que qualquer outra personalidade parecida, Mandela reforçaria a tese de que são os grandes homens que fazem as grandes mudanças históricas. E o corolário inevitável: são os grandes bandidos que enegrecem a História com sua ambição ou loucura. Outra velha questão: o nazismo foi um surto de irracionalidade nacional personificada num maluco de bigodinho ou uma consequência mais ou menos lógica da história europeia até então, uma convulsão só esperando para acontecer, com ou sem o bigodinho?

Precisamos de heróis. Precisamos que eles tenham cara, biografia, retórica e martírio. Gostamos de pensar que os discursos de Luther King apressaram a dessegregação racial nos Estados Unidos, que a rebeldia de Gandhi correu com os ingleses da Índia e que foi o sacrifício de Mandela que acabou com o apartheid. E se isto não for verdade, se concluirmos que eles foram heróis de ocasião e as mudanças aconteceriam mesmo sem sua inspiração, restam os exemplos de coragem que legam. Não a nada tão grandiloquente quanto a história das nações, mas, pessoalmente, a cada um de nós.

Ueba! Obama causa em funeral! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 12/12

E essa piada pronta: 'Deputado é vítima de ladrões em Brasília'. Isso é restituição, não é furto


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Oba! Oba! Obama! O Obama causou no funeral do Mandela! Como disse um amigo: "O Obama estava igual ao arroz da minha mãe, soltinho, soltinho". E o grande babado: o Obama arrastando a asa pra loira, a primeira ministra da Dinamarca! Riram, tiraram foto no celular e aí a Michelle rodou a baiana.

Fotomontagem da samara7days: o Obama azarando a loira, e a Michelle: "Vou matar essa vadia". E o fã-clube da Michelle no Twitter: "Dá na cara da perua, Michelle". "O Obama vai dormir de couro quente!". "Hoje o Obama dorme no tanque". "Vai dormir no tapete do Salão Oval com aquele w de welcome estampado na bochecha!". "Hoje o negão apanha!". Rarará! Depois cumprimentou o Raúl Castro! Primeiro milagre do Mandela! Cumprimentou o Raúl Castro e deixou o mundo estarrecido. Ué, eles são civilizados. Não é Vasco e Atlético-PR.

E sabe o que os caras postaram no meu Twitter? "Civilizado, um cara que joga bomba e mata criança no Oriente Médio?". E outro: "Civilizado só o Obama, os Castro são uns animais". Esses não poderiam estar no funeral do Mandela. E nem em estádio de futebol! Rarará!

E teve americano no Twitter da "Time" xingando o Obama de muçulmano comunista. O Obama é muçulmano comunista. Rarará!

Ou seja, o Obama se comportou como se deve num funeral: cumprimentou o adversário, beijou a Dilma, azarou a loira e contou piada! Pior um amiga minha que foi a um velório e deixou o celular cair dentro do caixão. Rarará!

E essa piada pronta: "Deputado é vítima de ladrões em Brasília". Isso é restituição, não é furto. Os ladrões, em vez de gritarem "passa o seu dinheiro", gritaram: "devolve o nosso dinheiro". Rarará!

E essa, direto da China: "Homem se cansa de acompanhar namorada em lojas do shopping e se joga do sétimo andar". Isso é Natal! Quando a namorada ameaçou entrar na 18ª loja, ele se atirou do oitavo andar! É mole? É mole, mas sobe!

O Brasileiro é Cordial! Olha essa placa em Campos, cidade do Garotinho: "Proibido jogar lixo! Raça do cão gerada nos infernos". Então deve ser o Garotinho, gerado nos infernos! Rarará! E eu gosto dessas placas bem básicas: "Favor não mijar no chão, vá mijar no chão da sua casa". Rarará! Hoje, só amanhã.

Nóis sofre, mas nóis goza!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Calma, gente - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 12/12

Tem uma turma séria, ligada à luta contra a ditadura, que considera precipitada esta conclusão da
Comissão da Verdade da Câmara de Vereadores de São Paulo de que JK foi assassinado.
Não que a hipótese de crime seja descartada. Mas as provas, por enquanto, são tênues.

Veja só...
Maria de Lourdes Ribeiro, filha do motorista Geraldo Ribeiro, que teria, segundo o relatório, levado um tiro antes de o carro que levava JK bater, procurou gente da área de direitos humanos para manifestar dúvidas.

Aviso aos puxa-sacos
Dilma faz aniversário sábado.
Mas deve fugir da bajulação oficial de Brasília. Tende a se refugiar em Porto Alegre, só com a família.

Vida que segue
Dois filhos de Amarildo, morto por policiais na Rocinha, conseguiram tocar a vida depois da tragédia.
Além de Anderson, que é modelo e hoje estará em “Amor & sexo”, na TV Globo, Amarildo Júnior virou assistente da apresentadora Xuxa.

Greve no Natal
A ameaça se repete sempre que chega dezembro.
O Sindicato Nacional dos Aeroviários fará, amanhã, assembleias nos aeroportos, indicando greve no dia 20.O pessoal de terra pede 8% de reajuste para todos e 10% para quem ganha o piso. As voadoras só topam dar a inflação, em torno de 5,5%.

O Rio virou um rio I
Os passageiros que estavam ilhados em um ônibus na Avenida Brasil, ontem, foram resgatados por rapazes em botes infláveis.
A “passagem” até um lugar seguro custava R$ 4 por cabeça.

Chove processo
Veja como tem algo errado com a Justiça brasileira. A ministra Cármen Lúcia, do STF, alcançou, quinta da semana passada, a marca de 2.978 ações analisadas só este ano.
Em dez anos, como ministro do Supremo, Epitácio Pessoa (ele mesmo, que depois foi presidente da República entre 1919 e 1922) decidiu... 81 processos.

Aliás...
Cármen Lúcia, desde que assumiu o cargo em 2006, proferiu quase 80 mil decisões.

Anarquia pura
Domingos Oliveira, o diretor de 77 anos, está escrevendo sua biografia. Não seguirá os moldes tradicionais do gênero.
Será uma narrativa um tanto anárquica, misturando memória e ficção. Sai em abril, pela Record.

Clã Dauelsberg
A Dellarte fechou contrato para a quinta turnê do Ballet Kirov, do Teatro Marinsky, de São Petersburgo, pelo Brasil.
A mais importante companhia russa de balé clássico passará por diversas capitais em novembro de 2014 e trará “Corsário” no programa.

Leilão da Natan
A 7ª Vara Empresarial do Rio determinou a realização imediata do leilão de todos os bens arrecadados, inclusive pedras preciosas, da Natan Joias, que está em recuperação judicial.
A data será definida. A marca foi fundada em 1956 e chegou a ter 11 lojas espalhadas pelo país.

Touch é o cacete!
A João Fortes lançou, terça, o Touch, prédio comercial que será erguido na Rua Jardim Botânico, em frente ao Hospital da Lagoa, sabe?
Pois bem. Moradores do bairro, que temem o aumento do trânsito na região, farão novo protesto contra a construção, sábado agora, às 11h, na Praça Pio XI.

Diário de Justiça
A 10ª Turma do TRT do Rio condenou o Bradesco a indenizar uma ex-gerente em R$ 355 mil. Em 2009, ela foi cercada por bandidos quando chegava em casa, após o trabalho.
Os ladrões mantiveram a família dela como refém e só soltaram quando a gerente, na manhã seguinte, pegou o dinheiro que havia na agência.

Caos na Gama Filho
Alunos e professores do campus Piedade da Universidade Gama Filho, no Rio, têm sido assaltados dentro das salas.
A situação é tão grave que, segunda passada, os estudantes tiveram aula de anatomia com a porta da sala trancada.

A volta da portelense
Glória Pires vai interromper uma ausência de 20 anos e, neste sábado, voltará à Portela, sua escola do coração.
Estará no show que Paulinho da Viola e Marisa Monte farão na quadra.

O Rio virou um rio II
A decolagem de um voo Rio-Miami, da American Airlines, ontem, no aeroporto Galeão-Tom Jobim, atrasou 40 minutos.
É que a tripulação ficou retida num engarrafamento causado pela chuva.

A PENSÃO DE PELÉ - MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SP - 12/12

Dois netos de Pelé conseguiram, na Justiça, obrigá-lo a pagar pensão de sete salários mínimos para cada um (ou R$ 4.746). Eles são filhos de Sandra Arantes do Nascimento Felinto, que travou batalha judicial para ser reconhecida pelo ex-jogador. Ela morreu em 2006 e o pai dos garotos alega não ter condições, sozinho, de prover o sustento das crianças.

COMO TODOS
Os advogados disseram que os netos não conseguiam, sem a ajuda, comprar "uma roupa melhor", morar em casa "confortável", ter alimentação "adequada" nem viajar, ir a um clube e ter médicos e dentistas razoáveis. Ao apoiar o pleito, os desembargadores consideraram que os jovens "passam privações não suportadas pelos outros netos" de Pelé. A assessoria do ex-jogador afirma que ele não pretende se manifestar.

CASTELO
O caso de Pelé foi analisado por três desembargadores. Um deles, num voto divergente, e derrotado, considerou que o dinheiro pedido pelos netos não se destinará à subsistência, mas, sim, à melhoria de suas "condições sociais". Frisou a insistência deles em obter ajuda para "conhecer a Disney".

É POSSÍVEL
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, tem negado, sempre que perguntado, a intenção de se candidatar a qualquer cargo em 2014. Já não diz o mesmo sobre 2018.

SOBRE RODAS
Pesquisa recente a que o prefeito Fernando Haddad teve acesso, e que fala das áreas críticas e das que são bem avaliadas na administração, traz uma informação que causou espanto: nenhum entrevistado apontou a corrupção como um problema da cidade.

CIRCUITO
Os brasileiros que viajaram para SP para assistir ao GP de Fórmula 1, no mês passado, ficaram 2,3 dias na capital e gastaram R$ 2.444 no período, em média. Os estrangeiros permaneceram 3,58 dias e deixaram R$ 3.786 na cidade, entre hospedagem, alimentação, compras, lazer e transporte. Os dados são de pesquisa feita pela SPTuris e pela organização do evento com 983 entrevistados, procedentes de 18 países e 266 municípios.

CIRCUITO 2
Entre os itens bem avaliados pelos turistas estão "opções de compras" e "gastronomia", com 70% de notas positivas. Já "limpeza urbana" teve aprovação regular.

ALARME
Os problemas que culminaram no incêndio do Memorial da América Latina ficaram evidentes na entrega do Prêmio Vladimir Herzog, em outubro. Os equipamentos pifaram depois de um curto-circuito. O evento só foi realizado porque foi providenciado um gerador.

TRÊS VEZES
Nathalia Timberg está ensaiando novo espetáculo que marcará sua volta aos palcos paulistas. No ar em "Amor à Vida", a atriz vai encenar "Tríptico Samuel Beckett", com estreia prevista para 21 de janeiro, no Centro Cultural Banco do Brasil.

Ela dividirá o palco com Juliana Galdino e Paula Spinelli. As três interpretarão a mesma personagem na infância, maturidade e velhice.

NADA DE CHOCOLATE
Stevie Wonder, que toca no próximo sábado no Circuito Banco do Brasil, em SP, já avisou que vai precisar de um umidificador de ar com cheiro de eucalipto e dez toalhas em seu camarim.

DE PARAR O TRÂNSITO
O visual platinado que Giovanna Ewbank, 27, adotou para atuar em "Joia Rara" (Globo) faz sucesso com o marido, o ator Bruno Gagliasso.

"Se dependesse do Bruno, eu ficaria assim para sempre", diz ela à revista "Boa Forma" deste mês. "O cabelo superloiro chama muito a atenção. Estão buzinando mais para mim na rua."

A atriz, que fez aulas de ritmos variados para interpretar uma dançarina, afirma que o exercício é uma alternativa à academia. "Queima calorias, ajuda a definir o abdômen e as pernas."

NOITE DOS BOÊMIOS
A escritora Patrícia Melo e o diretor de teatro Jorge Takla estiveram na estreia da ópera "La Bohème", anteontem, no Theatro Municipal. O diretor-geral da instituição, José Luiz Herencia, o secretário municipal de Comunicação, Nunzio Briguglio, com a mulher, Rejane, o publicitário André Gustavo e a diretora do Instituto Brasileiro de Gestão Cultural, Isabela Galvez, também assistiram ao espetáculo.

UM RIO QUE PASSOU EM MINHA VIDA
O artista plástico Bené Fonteles e o jornalista Marcelo Delduque, com o filho, Martim, receberam convidados no lançamento do livro "Prata - São Francisco - Amazonas", anteontem, na Livraria da Vila da alameda Lorena. A cantora Tetê Espíndola, o diretor de arte Gustavo Godoy e a produtora cultural Veridiana Aleixo cumprimentaram os autores.

CURTO-CIRCUITO
Boni e Ricardo Amaral autografam "O Guia dos Guias", na Livraria Cultura do shopping Iguatemi, hoje, às 19h.

Ignácio de Loyola Brandão conta histórias, com trilha sonora de Rita Gullo e Edson José Alves, hoje, às 20h30, no Tatu Bar & Palco, nos Jardins. Livre.

A Câmara Portuguesa comemora 101 anos com jantar hoje, às 19h30, no hotel Unique.

Victor & Leo iniciam temporada de quatro shows no Citibank Hall, hoje, às 21h30. 14 anos.

O hotel Emiliano lança hoje CD com coletânea de músicas selecionadas pelo DJ Tony Montana, às 20h30, na galeria Renot, nos Jardins.

O berço e o resto - DENISE ROTHENBURG

CORREIO BRAZILIENSE - 12/12

Na véspera do congresso do PT, petistas de outros estados registravam os movimentos do ex-presidente Lula no sentido de buscar novas lideranças apenas dentro do diretório paulista, onde ele incensa o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, da mesma forma que alavancou o atual prefeito da capital, Fernando Haddad. Ninguém até agora viu gestos semelhantes em outras unidades da Federação. Por isso, muitos estão com a ideia de que Lula não quer ver o PT paulista perder a primazia do comando partidário nacional para outros estados. Segue assim a filosofia dos sindicalistas, onde a prioridade sempre foi a aldeia. No caso do PT, a aldeia é o berço do partido, São Paulo.

Explica-se aí também a corrida de Lula para a filiação de Josué Alencar, filho do falecido vice-presidente José Alencar, ao PMDB de Minas Gerais. Ali, o empresário passa a servir de contrapeso para evitar o fortalecimento das lideranças petistas do estado, inclusive do ministro de Indústria e Comércio, Fernando Pimentel. Sabe-se hoje que, lideranças fortes do PT, num estado como Minas Gerais, poderiam levar a um deslocamento do eixo de poder petista. Isso Lula não quer. O que vale hoje ali é todo poder à aldeia, no caso, São Paulo.

Em campanha
O atual líder do PT, José Nobre Guimarães, deixa o cargo no ano que vem e já começa a se movimentar para substituir Arlindo Chinaglia (PT-SP) na liderança do governo na Câmara. Em várias reuniões ele tem dito que a articulação do Planalto na Casa é falha.

Pressão total
O alto comando do PT de Minas Gerais baixou em peso na presidência da Confederação Nacional do Transporte (CNT) para um jantar com o senador Clésio Andrade na terça-feira. Foram tentar buscar o apoio do peemedebista para a candidatura de Fernando Pimentel ao governo do estado. Como bom mineiro, Clésio não fechou a porta, mas deixou claro que a prioridade do PMDB é lançar um candidato próprio.

Mãos atadas
O vice-presidente Michel Temer conversou, mas evitou assumir compromissos que permitissem a votação do Orçamento da União. Não quis fechar nada que pudesse ser, posteriormente, desfeito pela presidente Dilma Rousseff.

Conversa dos presidentes
Nas 10 horas de voo dos presidentes até a África do Sul, Lula, de saída, cortou as conversas mais sérias: “Estamos numa posição em que não podemos censurar ninguém, nem discutir assuntos controversos. Estamos todos representados”. Assim, a conversa foi light. Na ida, a vida de Mandela. Fernando Henrique Cardoso puxou assunto sobre a Academia Brasileira de Letras, da qual é integrante, assim como José Sarney. Dilma, uma amante da literatura, logo se interessou. Lula e Fernando Collor entraram depois.

“O prazo para votação do Orçamento é 17 de dezembro. Falta, entretanto, combinar com os russos, gregos, alemães, enfim, todos” - Lobão Filho (MA), senador e presidente da Comissão Mista de Orçamento, ao comentar as dificuldades de aprovar a lei orçamentária na última semana de funcionamento do Congresso.

Parecia anfitrião/ Quem chegava à casa de Eunício Oliveira na noite de terça-feira via logo na primeira mesa, a principal, o senador Aécio Neves, do PSDB. Sentado ao lado do senador e primo Francisco Dornelles (PP); de Vital do Rêgo, do PMDB; e do ex-deputado Geddel Vieira Lima, ele recebia todos distribuindo simpatia. E não tinha jeito, era passar por ele ou cair na piscina.

Parecia incomodada/ Eis que, de repente, chega a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti. Ela cumprimenta o senador tucano, mas não consegue esconder a expressão de desconforto. Vai para uma mesa ao fundo. E assim seguiu o jantar. Aécio solto. Ideli com ares de incômodo. Gleisi Hoffmann, entretanto, não passou recibo.

Todo mundo notou/ …Que o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o da Câmara, Henrique Eduardo Alves, conversaram pouco na festa de confraternização na casa de Eunício Oliveira, na noite de terça-feira. Para completar, os dois fizeram ontem recepções distintas de fim de ano para as bancadas do partido.

Observadores/ Convidado a acompanhar o segundo turno das eleições presidenciais no Chile, no próximo domingo, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, designou para a missão o vice-presidente, Dias Toffoli, e o assessor internacional do TSE, o diplomata Tarcísio Costa. Disputam o pleito a ex-presidente Michelle Bachelet e a candidata governista, Evelyn Matthei.

Cruzando os dedos - VERA MAGALHÃES - PAINEL

FOLHA DE SP - 12/12

O Palácio do Planalto monitorou ontem o julgamento no Supremo Tribunal Federal sobre doações de empresas para campanhas eleitorais. A expectativa de auxiliares de Dilma Rousseff é que a regra de proibição do financiamento seja aprovada, e a dúvida é se ela valerá já para 2014. A avaliação dos assessores é que a vedação, na prática, favorecerá candidatos que estão no poder, como a petista. Os adversários terão menos recursos para viabilizar a tarefa de se tornar conhecidos.

Vai que cola O governo ainda vai tentar "vender" a proibição como fruto dos cinco pactos lançados por Dilma após os protestos de junho.

Olho... O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Marco Aurélio Mello, indicou os ministros auxiliares que vão fiscalizar propaganda antecipada de pré-candidatos à Presidência.

... na tela Dois são do STJ: os ministros Maria Thereza e Humberto Martins. O terceiro é Admar Gonzaga, que foi advogado do PSD e hoje é ministro substituto.

Agrega valor Eduardo Campos (PSB) falou por telefone na terça-feira com José Luiz Penna, presidente nacional do PV. O presidenciável, que busca o apoio dos verdes, combinou de conversar com o dirigente pessoalmente.

Noivado Roberto Freire vai ao Recife na segunda-feira para anunciar a decisão do PPS de indicar seu apoio ao governador pernambucano. Freire quer que o partido ajude a elaborar o programa de governo de PSB e Rede.

Ponto final O presidente do PPS responde às críticas feitas por tucanos à indicação de apoio a Campos, em detrimento de Aécio Neves: "O PPS tem independência e faz o que bem entender. Não precisamos dar satisfação a outros partidos".

Aleluia 1 O líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque (RS), procurou deputados da bancada evangélica para negar que Campos, se eleito, vai acabar com a imunidade tributária das igrejas.

Aleluia 2 O boato foi difundido nas redes sociais a partir de proposta feita por um eleitor no site Mudando o Brasil, que recolhe ideias para o plano de governo.

Tá... José Eduardo Cardozo ofereceu queixa-crime anteontem no Tribunal Regional Federal da 3ª Região contra José Anibal (PSDB-SP), por ter utilizado "expressões injuriosas" sobre ele para rebater denúncias de corrupção em licitações de metrô do governo de São Paulo.

... registrado Anibal chamou o ministro da Justiça de "vigarista" e o acusou de falsificar documentos. A queixa, a cargo do escritório Bottini e Tamasauskas, pede condenação criminal do secretário de Energia paulista.

Chega mais Dilma vai convidar Joaquim Barbosa para o coquetel de fim de ano com líderes partidários, no Palácio do Alvorada, que acontece semana que vem.

Em tempo O gesto é interpretado como uma tentativa de desfazer o mal-estar com o presidente do STF, que não foi chamado para compor a comitiva brasileira no funeral de Nelson Mandela.

Cérebro Gilberto Kassab (PSD) incentiva, nos bastidores, a aproximação de PSB e Rede com o pré-candidato do PMDB ao governo paulista, Paulo Skaf. O plano inclui lançar Walter Feldman como vice de Skaf. Tudo para atrapalhar a aliança de Geraldo Alckmin (PSDB) à reeleição.

Lado B Pessebistas que negociam com Alckmin já admitem aderir a Skaf como opção. O receio é que Michel Temer (PMDB) intervenha para evitar dar palanque a Eduardo Campos em São Paulo.

Visita à Folha Celso Lafer, presidente da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), visitou ontem a Folha. Estava acompanhado de Carlos Eduardo Lins da Silva, consultor em Comunicação e ouvidor da Fapesp.

com ANDRÉIA SADI e BRUNO BOGHOSSIAN

tiroteio
"A nova Executiva do PT quebra a lógica do colegiado e retoma o hegemonismo que foi a razão das nossas crises recentes."

DO DEPUTADO PAULO TEIXEIRA (PT-SP), candidato derrotado à presidência do partido, sobre o predomínio do campo majoritário na nova direção petista.

contraponto


A má educação
Em sessão da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, ontem, Esperidião Amin (PP-SC) se posicionou contra a realização de um seminário para debater financiamento de campanha. Chico Alencar (PSOL-RJ) brincou:

--Esperidião, me admira você, católico praticante, ser contra seminário.

--Só estive por dois anos em seminário, Chico, ainda menino. Não tenho compromisso de ser a favor deles pelo resto da vida! --respondeu Amin, rindo.

Ciro Gomes vem aí - ILIMAR FRANCO

O GLOBO - 12/12
Os petistas estão contrariados, mas não há muito mais o que fazer. Eles perderam a batalha para escalar o secretário-executivo Mozart Sales para suceder a Alexandre Padilha na Saúde. A presidente Dilma deu sinais de que quer um ministro do tamanho do cargo, do maior orçamento da Esplanada, e que tenha estofo para enfrentar o debate político com a oposição no ano eleitoral.

Mandela fez milagre
Os ex-presidentes, e gladiadores em público, Fernando Henrique e Lula trocaram gentilezas e conversaram civilizadamente nas mais de 30 horas de voo, ida e volta, para o funeral de Nelson Mandela, na África do Sul. Sentados na cabine da presidente Dilma, o ambiente ficou descontraído no começo da viagem quando Lula definiu, brincando, as regras do jogo: "Aqui ninguém pode tratar de assuntos controversos, porque estão todos representados". Já que não podiam falar mal uns dos outros, passaram o tempo recordando seus encontros com Mandela, a grandiosidade do funeral, o peso diplomático da cerimônia e o papel e a popularidade do ex-presidente africano.

Dividindo o mesmo teto
Para chegar aos carros que os levaria do funeral de Mandela para o aeroporto, a presidente Dilma e o ex-presidente Fernando Henrique dividiram o mesmo guarda-chuva. Em outro, estavam lado a lado os ex-presidentes Lula e José Sarney.


"A candidatura do Pezão é inegociável. Ninguém tenha ilusão em relação a isso. Ele assume o governo em abril"
Sérgio Cabral
Governador (RJ), sobre a candidatura do vice Luiz Fernando Pezão ao Palácio Guanabara



Cochicho
Em recente viagem à China, o vice Michel Temer ouviu do vice chinês, Li Yuanchao, a promessa de que o seu país vai reduzir a compra de soja dos Estados Unidos para ampliar a importação do grão do Brasil. "Só espero que o Obama não esteja ouvindo a gente combinar isso", brincou o chinês, sobre o escândalo da arapongagem americana.

Quando pimenta vira colírio
A crença no governo Dilma é que o escândalo Siemens/Alstom, em São Paulo, vai ganhar asas e voar agora que a Polícia Federal assumiu o caso. Um ministro resume: "Pau que dá em Chico bate em Francisco". O caso foi batizado de "tremsalão".

Figurinha carimbada
Cassada pelo TRE de seu estado, a governadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN) é velha conhecida no TSE. Quando foi eleita senadora, em 2006, e governadora, em 2010, dois pedidos de cassação chegaram ao TSE. Em ambos ela foi absolvida. O relator e voto vencido, nos dois casos, foi o atual presidente do Tribunal, Marco Aurélio Mello.

A palavra final
Mesmo os mais ardorosos defensores da candidatura do senador petista Lindbergh Farias ao governo do Rio reconhecem que é preciso deixar as portas abertas. Um deles explica a posição do PT: "Vai depender muito do Lula".

As grifes
O DEM faz suas apostas para 2014. No programa de TV que será exibido hoje, brilham o senador José Agripino (RN), o ex-governador Paulo Souto (BA) e os deputados Ronaldo Caiado (GO), Onyx Lorenzoni (RS) e Mendonça Filho (PE).


CAFUNÉ. A presidente Dilma só se refere ao líder do PT no Senado, Wellington Dias (PI), chamando-o carinhosamente de "meu indiozinho".