quinta-feira, setembro 13, 2012

Choque elétrico - EDITORIAL FOLHA DE SP


FOLHA DE SP - 13/09

Medidas do governo federal para reduzir peso da energia no custo Brasil seguem na direção correta, mas ainda causam incerteza no mercado

O anúncio oficial das medidas de redução dos preços da energia elétrica a partir de 2013 confirmou o que já se sabia: 16,2% de corte para consumidores residenciais e até 28% para indústrias.

Surpresa, mesmo, causaram a amplitude das mudanças na regulação do setor e a composição dos cortes -cerca de 70% decorrem diretamente de tarifas que serão diminuídas e apenas 30% correspondem à retirada de encargos sobre a conta de luz.

Mas não foi desta vez, ainda, que se falou de corte de impostos propriamente ditos. Continua incólume o ICMS, que onera o consumo de energia em até 40%.

Diante da dificuldade de convencer governadores a abrir mão de ao menos parte dessa receita, o governo Dilma Rousseff optou por prorrogar por 30 anos as concessões que venceriam a partir do ano que vem. E condicionou tal prorrogação a que os atuais concessionários rebaixem tarifas, além de aceitar a indenização a ser calculada pela União para investimentos realizados pelas empresas que a lei manda reembolsar-lhes no vencimento da concessão.

É possível inferir do que já se divulgou que o Planalto busca uma tarifa média de geração de R$ 30 a R$ 40 por MWh (megawatt-hora), valor que estima ser suficiente para cobrir custos operacionais das empresas. Em alguns casos, porém, em especial no da Eletrobras, o corte pode tornar a operação deficitária. Assim, ao concentrar o ônus da redução nas empresas (por meio das tarifas), e não nos impostos, o governo arrisca comprometer novos investimentos.

As indenizações devidas pela União poderiam evitar esse estrangulamento, mas o governo sinaliza que não pretende pagar muito pelos ativos que restam por indenizar. Parece acreditar que seriam suficientes para isso os R$ 21 bilhões do fundo criado para dar conta dos ressarcimentos (RGR, ou Reserva Global de Reversão).

Alguns concessionários têm entendimento diferente. A direção da Eletrobras, por exemplo, já fez saber que espera indenização de R$ 27 bilhões só para as suas usinas.

A conta final só será conhecida daqui a alguns meses, pois depende de cálculos da Agência Nacional de energia elétrica (Aneel) e de conversações com as geradoras. Não será uma negociação fácil. E a insegurança que paira sobre as empresas de energia já fez suas ações despencarem na Bolsa.

Existe ainda o risco adicional de questionamentos à constitucionalidade da prorrogação por meio de medida provisória. Há quem defenda que seria necessária uma emenda constitucional para tanto.

O governo federal definiu um objetivo correto para a renovação das concessões: diminuir o peso desse componente importante do custo Brasil. Mas ainda não deixou claro se a medida não vai minar a capacidade do setor de manter os investimentos necessários.

Até que os valores envolvidos e a legalidade do procedimento estejam estabelecidos, a boa-nova permanecerá envolta em incerteza.

Rodízio deletério - DORA KRAMER

O Estado de S.Paulo - 13/09


Se o Congresso tivesse um pingo de autonomia, de iniciativa, e de sensibilidade ao que se passa à sua volta, o assunto do momento no Poder Legislativo seria a mudança na regra de aposentadoria compulsória aos 70 anos para servidores públicos.

Se houvesse ali algum interesse em conjugar a pauta de votações com os imperativos da realidade, o tema estaria na ordem do dia.

Adormecido há seis anos na Câmara desde que o Senado aprovou proposta do senador Pedro Simon estendendo a vida útil do funcionalismo para 75 anos, o projeto de emenda constitucional adquiriu renovada relevância por obra da gritante discrepância entre as saídas dos ministros Cezar Peluso e Carlos Ayres Britto e os serviços que por muito tempo poderiam ainda prestar no Supremo Tribunal Federal.

Acrescente-se o curto prazo que terá no posto Teori Zavascki, indicado aos 64 anos de idade.

Serão seis anos e nem um minuto a mais. A menos que suas excelências saiam da letargia legislativa.

Atendendo a dois pré-requisitos: deixar de lado o lobby dos interessados na alta a rotatividade da fila de acesso de advogados às vagas nos tribunais e ignorar a conveniência do governo de ter sempre vagas à mão para preencher.

O Estado paga alguém que leva tempo para se preparar para a função e, quando essa pessoa está em seu melhor momento, paga para ela se retirar e paga de novo por um substituto que levará outra vez um tempo para chegar ao nível de conhecimento adquirido pelo antecessor.

Um rodízio burro. Não fosse, sobretudo, deletério aos cofres e ao serviço públicos.

Álibi. Os elogios, reverências e expectativas positivas em relação à indicação de Teori Zavascki para o STF compõem um álibi perfeito. Isso no caso de a escolha ter sido feita com rapidez na esperança de o julgamento ser suspenso antes das condenações e do anúncio das penas.

O Planalto divulga que gostaria de vê-lo sabatinado pelo Senado só após a eleição. Mas, a visita imediata de Zavascki ao presidente da Casa e automática disposição da Comissão de Constituição e Justiça de fazer o quanto antes a sabatina contradiz essa versão.

Para todos os efeitos, o Legislativo é um poder independente. Se resolver abreviar o processo o Executivo não pode ser acusado de nada. Em tese, se o novo ministro assumisse a tempo de votar e pedisse vista do processo não daria margem a questionamentos, pois estaria certo em não julgar sem conhecer a fundo os autos.

Procedimentos esses que levantariam suspeitas caso o indicado fosse alguém ligado diretamente ao PT e ao Planalto. O advogado-geral da União ou o ministro da Justiça. Com a indicação de alguém com o perfil de Zavascki, se manobra houver, terá sido engendrada sob a fachada perfeita.

Não necessariamente assim ocorrerá. Mas, diante do pânico vigente nas hostes governistas com a possibilidade de ver correligionários transformados em presidiários, é uma hipótese a considerar.

Cenografia. Como atriz, Marta Suplicy é uma política exímia.

Sua simulação de surpresa com o "convite" para ocupar uma vaga na Esplanada não passaria em teste de teatro amador.

Marta não apenas trocou a ida para o Ministério da Cultura pelo apoio explícito a Fernando Haddad, cuja candidatura em maio avaliava já ter ido "por água abaixo", como combinou nomeação imediata.

Desta vez não correu o risco de ocasiões anteriores em que ficou a ver navios na hora H.

Na muda. Antes desenvoltos nas noitadas brasilienses, desde o início da fase de votações no Supremo os advogados do mensalão sumiram dos restaurantes mais visíveis do circuito do poder.

Abraços e beijinhos - MARCELO COELHO

FOLHA DE SÃO PAULO - 13/09


Não falta saber nem rigor a Barbosa; falta disposição para não ver intenções malignas a todo instante


QUANDO SE fala em "bate-boca", a impressão é que todos os envolvidos são desequilibrados ou perderam o controle.

Se houve "bate-boca" na sessão de ontem do Supremo, a responsabilidade coube exclusivamente ao relator do mensalão, Joaquim Barbosa.

Podemos admirar muito a minúcia com que ele analisa o escândalo e concordar com todos os seus votos.

Mas traços desagradabilíssimos da sua personalidade confirmaram-se ontem. Qualquer pessoa, no lugar de Ricardo Lewandowski, teria reagido de forma muito mais violenta do que ele ao ser atacado como foi.

Lewandowski começou tratando de duas acusadas do crime de lavagem de dinheiro, cuja situação, disse, era completamente diferente da dos outros réus. Ou seja, anunciava que iria condenar muita gente no final de seu voto.

Ayanna Tenório já tinha sido absolvida na segunda-feira. O problema era Geiza Dias, funcionária da SMPB, agência de Marcos Valério.

Tratava-se, disse Lewandowski, de personagem menor, subalterna, "transeunte" nos feitos da organização. Era ela quem informava, junto ao Banco Rural, o nome das pessoas que iriam sacar os cheques emitidos por Marcos Valério.

Lewandowski distribui cópias da carteira trabalhista de Geiza: ela ganhava cerca de R$ 1.500 mensais.

Pouco, para um crime tão sofisticado como o de lavagem de dinheiro. Leem-se trechos da correspondência eletrônica entre Geiza e funcionários do Banco Rural. Terminavam com abraços e beijinhos.

Conclusão de Lewandowski: havia certa "candura" da parte de Geiza, mandando esses emails, sem ocultar nada.

"Candura": o termo incluía uma provocaçãozinha amigável. Joaquim Barbosa já tinha estrilado quando o revisor usou a palavra em outra absolvição.

Tudo bem. Foi quando Lewandowski soltou o raciocínio fatal. Era importante ver o lado dos advogados, afirmou, porque é disso que se fala quando se requer a presença do "contraditório" no processo.

Barbosa interrompeu. "Vossa Excelência está insinuando que não levo em conta o contraditório no meu voto?" A pergunta não tinha razão de ser. Mas Barbosa foi daí para pior: reclamou de outros comentários de Lewandowski sobre o andamento "heterodoxo" do julgamento e pediu que ele se ativesse ao próprio voto, emitindo-o "de forma sóbria".

Como assim? Não estou sendo sóbrio? A reação de Lewandowski se fez sem elevar a voz. Explicou que estava dizendo isso apenas em atenção aos estudantes de direito que visitavam o tribunal etc...

Não era o lugar para preocupações acadêmicas, insistiu Barbosa. Houve panos quentes de Celso de Mello e Ayres Britto. Sempre fofinho, Lewandowski ainda disse que estava aprendendo com todos os votos, tal e coisa.

Barbosa continua, insaciável: todos temos suficiente saber para dar nosso julgamento.

Sem dúvida. Não falta saber, nem falta rigor, a Barbosa. Mas falta um mínimo de tranquilidade e disposição para não ver intenções malignas a todo instante. Qualquer hora, sentencia Lewandowski a vários anos de prisão também.

Brasil Medalhas terá R$ 2,5 bi - ILIMAR FRANCO

O GLOBO - 13/09


O governo anuncia hoje o programa Brasil Medalhas 2016. Serão investidos R$ 2,5 bilhões: R$ 1,5 bilhão em esportes de alto rendimento e R$ 970 milhões em bolsas para atletas de ponta, equipe técnica e centros de treinamento. Os recursos terão como destino só os esportes com maior probabilidade de medalhas. Os atletas e equipes técnicas começam a receber em janeiro de 2013.

Governo redistribui patrocínios
Dos R$ 970 milhões, R$ 690 milhões vão para os atletas, e R$ 280 milhões, para centros de treinamento. O Bolsa Pódio será R$ 15 mil e o Bolsa Técnico, R$ 10mil. O plano disciplina patrocínios das estatais. O Banco do Brasil ficará com vôlei, vôlei de praia, vela e pentatlo moderno. O Banco do Brasil e os Correios, com handebol. Os Correios terão também natação, tênis e maratona aquática. A Caixa patrocinará atletismo, ciclismo, futebol feminino, ginástica, lutas, tiro e modalidades paralímpicas; Petrobras, boxe e taekwondo; Eletrobras, basquete; Infraero e Petrobras, judô; e BNDES, canoagem e hipismo.

“Não há verbo que explique rodízio de líderes, mas é uma prerrogativa da presidente Dilma”.
Jorge Viana Senador (PT-AC)

Companheiros ganham aumento
A presidente Dilma cedeu à pressão e enviou para o Congresso emenda à lei orçamentária concedendo aumento aos cargos comissionados do Executivo. O reajuste será igual ao dos servidores de carreira: 15% em três anos.

Efeito Marta
O PMDB já está negociando apoio no segundo turno ao candidato do PT a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Para não migrar para o palanque de Celso Russomano (PP), o partido quer nada menos que o candidato peemedebista na disputa, Gabriel Chalita, seja indicado pela presidente Dilma para o Ministério da Educação.

Investigação da investigação
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) apresentou requerimentos à Comissão de Ética e à Corregedoria do Senado pedindo investigação da conduta da CPI do Cachoeira. Alega que PT, PMDB e PSDB estão impedindo que avance.

Reparando os estragos
Está pronto decreto presidencial que irá recompor o Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), desestruturado há três anos, quando as confederações tradicionais abandonaram o órgão após romperem com o ex-ministro Carlos Lupi. CNA, CNI, CNC e Consif retomarão suas cadeiras, no lugar de CNTur, CNServiços e CNSaúde.

Nova tentativa de acordo
Parlamentares da base articulam emenda ao Código Florestal para retomar texto do governo, ampliando de 15 para 20 metros a recomposição de médias e grandes propriedades. Se ruralistas aderirem, prometem pedir a Dilma que não vete.

Falcão não irá à posse
O presidente nacional do PT, Rui Falcão, não comparecerá à posse de Marta Suplicy, hoje, como ministra da Cultura. Ele está em campanha no Norte do país e, como a indicação saiu às pressas, não conseguiu desmarcar os eventos.

OS PROCURADORES DE GOIÁS pediram compartilhamento das informações da CPI do Cachoeira. Terão acesso a todas as quebras de sigilo.

Só pode piorar lá fora - ALBERTO TAMER


O Estado de S.Paulo - 13/09

Mais contrastes esta semana entre a economia brasileira e a mundial. Na Europa e nos Estados Unidos, eles estão perplexos e assustados. Os presidentes dos bancos centrais estiveram reunidos no fim de semana, em Basileia, e alertaram que a economia mundial está perto da recessão, informa o correspondente do Estado em Genebra, Jamil Chade. A situação está ruim, mas o pior está ainda por vir com revela "o enfraquecimento significativo da produção e da demanda" nos países avançados e a resistência de alto índice de desemprego.
O presidente do BC brasileiro, Alexandre Tombini, esteve lá e parece que não falou muito, mesmo porque não tinha nada a dizer aos seus colegas. Eles esperam por uma ação dos governos que não chega nunca.
Removendo obstáculos. Nesta semana, ao contrário dos outros países, o governo deu novos sinais de que vai enfrentar e remover obstáculos ao crescimento. Tem espaço para agir sem desequilíbrio fiscal, aumento da dívida, déficits crescentes e, mais, muito mais ainda, sem desemprego. Mais desonerações, corte de custos, crédito, subsídios - subsídios sim - para reanimar a economia e criar condições para terminar o ano crescendo 4%.
Bom humor no mercado. Essa decisão agora reafirmada pelo governo criou um clima favorável ao Brasil no exterior. Em meio a um mercado financeiro estressado, onde a palavra de ordem é "cautela", fuga para ativos de menor risco, o Tesouro e empresas brasileiras captaram US$ 3,4 bilhões na primeira semana do mês. Só o Tesouro, US$ 1,25 bilhão em bônus soberanos de 10 anos pagando a menor taxa da historia, 2,686% (!) E vai captar mais ainda este ano, afirmou ontem, em São Paulo, o subsecretario do Tesouro, Paulo Valle. E disse mais. "O próximo passo pode ser a emissão de títulos de 30 anos na moeda americana." A anterior foi de 10 anos.
Um sinal positivo dado ao mercado é que o governo não precisa captar mais. Tem reservas de US$ 377 bilhões, dívida de US$ 300 bilhões, mas só US$ 40 bilhões de curto prazo e, mais ainda, investimentos diretos de US$ 66 bilhões em 12 meses. O objetivo do Tesouro é abrir espaço para captações de bancos e empresas no exterior. Para os investidores estrangeiros, o risco agora não é o Brasil, é comprar títulos de outros países ameaçados pela recessão, como alertam os presidentes dos bancos centrais reunidos na Basileia. O Brasil tem apresentado sinais de resistência à nova desaceleração econômica. Isso se deve em grande parte ao crescimento da demanda interna, e da menor dependência do comércio exterior. A Europa, os Estados Unidos e a China importam menos e querem exportar mais, e o Brasil está aceitando o desafio e fortalecendo seu mercado interno.
E o risco? Um recuo do governo, mais difícil porque as medidas anunciadas deixaram de ser promessas para se tornarem um fato. Redução da tarifa de energia elétrica, desoneração da folha de pagamento, crédito maior. Em depoimento no Senado, o presidente do BC lembrou a redução da taxa básica de juros, a melhora das condições de liquidez do sistema financeiro, melhores condições de financiamento para famílias e empresas e incentivos fiscais e tributários. São medidas de difícil reversão, porque deram certo e não há sinal algum de que o governo pretende alterar. Ao contrario, só avança enquanto lá fora eles continuam paralisados, perplexos com uma crise que ainda não entenderam.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 13/09

Rede profissionalizante abre cem escolas em 2013

A rede de ensino profissionalizante Microlins vai abrir mais cem unidades até o fim de 2013, segundo o empresário Carlos Wizard Martins, presidente do grupo Multi, dono da marca.

O objetivo da empresa, que tem hoje 650 unidades em quase todos os Estados do país, é ampliar a presença em municípios com menos de 100 mil habitantes.

Para colocar o projeto de expansão em prática, foi criado um novo conceito de lojas, segundo Martins.

"A estrutura das unidades será mais enxuta, para atender entre 200 e 300 alunos e ter equilíbrio entre a fonte de receita e o custo", diz.

As escolas convencionais da rede recebem entre 500 e mil alunos.

As novas unidades irão ampliar o foco do atendimento, além do ensino de profissionalizante.

"Faremos também curso de inglês para elevar o tempo de permanência do aluno na escola", afirma.

A estadia nos cursos profissionalizantes é geralmente curta, varia entre três e seis meses, o que eleva o trabalho de prospecção de novos clientes, segundo o empresário.

Em cursos de inglês, a permanência do cliente no sistema pode subir para até três anos em média.

100 é o número de novas escolas que serão abertas em municípios de até 100 mil habitantes

650 é a quantidade de unidades que formam a rede atualmente no país

300 é o limite de alunos que cada uma das unidades menores poderá receber

3 anos é o tempo médio calculado para permanência dos alunos nas escolas quando há ensino de inglês

ETANOL NO LABORATÓRIO

O IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) vai construir uma planta em Piracicaba (SP) para pesquisar o aproveitamento do bagaço de cana na produção de etanol por meio do processo de gaseificação de biomassa.

A estatal, vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, está em negociação com o BNDES para obter recursos para o projeto, orçado em R$ 80 milhões.

Os recursos seriam destinados a pesquisa.

A obra deverá ficar pronta em princípio em 2015.

O BNDES não entrará como financiador da planta. Os recursos ficarão no IPT, afirma o novo presidente do instituto de pesquisas, Fernando Landgraf.

"O desafio é baixar o custo pela metade para viabilizar o processo de gaseificação para o etanol", diz.

"Nosso foco não é hoje, quando até falta bagaço, mas a década de 20. A produção de cana continuará crescendo e o petróleo subindo de preço", afirma.

Landgraf projeta expansão de cerca de 25% também nas parcerias da estatal com companhias privadas. O IPT atende em média 4.000 empresas por ano.

Após a inauguração do laboratório de bionanomanufatura no mês passado, 30 empresas procuraram o instituto para pesquisar materiais em dimensões milhares de vezes menores que a espessura de um fio de cabelo.

"O IPT avalia as propostas para iniciar as parcerias, mas os interessados são sobretudo dos setores de cosméticos e farmacêuticos, a maioria, brasileiros."

FOLHA DE PAGAMENTO

Os investimentos em infraestrutura que têm sido anunciados pelo governo são relevantes para o setor industrial, mas ainda é preciso rever a estrutura tributária, segundo a CNI, que entrevistou 262 empresários no primeiro trimestre para levantar suas prioridades.

Aproximadamente 82% deles defendem a desoneração da folha de pagamentos, de acordo com o estudo.

A redução da burocracia para o pagamento de tributos é citada por 64% e a ampliação do prazo de recolhimento de tributos, por 48%.

A pesquisa aponta também que 50% desejam o fim da guerra fiscal entre os Estados.

Guerra... As mulheres ainda sentem diferenças no ambiente de trabalho por causa do sexo, segundo pesquisa da Ipsos. Entre as entrevistadas, 77% acham que a discrepância salarial é considerável. Apenas 7% disseram que as remunerações são iguais.

...dos sexos Pouco mais de 70% das executivas ouvidas afirmaram ainda que há uma divergência "notável" na frequência das promoções. Conciliar a família com o trabalho também foi apontado como o maior obstáculo para a carreira por 60% das entrevistadas. O levantamento foi realizado no Canadá.

Copa O estádio que abrigará os jogos da Copa em Natal, Arena das Dunas, em construção pela OAS, receberá amanhã as primeiras arquibancadas. Prevista para ser entregue no fim de 2013, a arena está com 30% do projeto concluído.

Compra eletrônica O Buscapé Company, dono de empresas de comércio eletrônico como SaveMe, Pagamento Digital e Brandsclub, adquiriu nesta semana a ShopCliq.it, que oferece indicações de compra on-line.

Federação de nações - MÍRIAM LEITÃO


O GLOBO - 13/09


A decisão da Corte Constitucional da Alemanha mostra que a Federação Alemã como um todo - com todos os seus poderes e forças políticas - está apoiando a moeda comum. Até a oposição comemorou. Foi mais do que um sinal do Judiciário, foi uma demonstração do país todo. O mesmo sinal foi dado na França, com o programa de austeridade do presidente François Hollande.

A crise está sendo longa e dolorosa, mas a cada momento de dificuldade mais aguda a Europa se une em torno do projeto de ter uma moeda comum. Ontem, dia 12, foi um desses momentos de reafirmação da vontade coletiva sobre as dificuldades e limitações. No final do dia, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, disse que a Europa precisa evoluir para uma federação de nações.

Todos reclamam: os alemães acham que pagam uma parte grande demais da conta; os países em crise acusam a Alemanha de ser inflexível; a França dizia ter um outro caminho, mas adotou um plano de austeridade; Portugal pediu mais prazo e conseguiu, mas veio junto um outro pote de sal. Mesmo assim, todos querem continuar e dobrar a aposta na moeda comum.

Um dos caminhos é o que vem sendo formatado por Durão Barroso. O Banco Central Europeu será uma espécie de super banco central, com poderes de supervisionar todo o sistema bancário no continente da moeda única.

O problema continua. Como lembrou a revista "Economist", mesmo a França do socialista François Hollande, que dizia que o real inimigo era o sistema bancário, resgatou uma centenária instituição de financiamento imobiliário, o Crédit Immobilier de France, garantindo os bilhões de euros da sua dívida.

A Comissão Europeia está apresentando seu plano para a construção da autoridade bancária única na região. Quando isso estiver em funcionamento, o BCE poderá financiar diretamente os bancos evitando que o problema numa instituição vire crise nacional. E isso poderá ser o caminho para a união fiscal que deveria ter sido a primeira pedra do edifício.

A Alemanha queria outra ordem para os fatores. Primeiro, a união fiscal, depois, a bancária. Portanto, a decisão da Corte Constitucional mostra que o país tem sabido absorver os choques de ter suas ideias derrotadas pela maioria. A Alemanha diz, e não sem razão, que o BCE não consegue supervisionar tantos bancos. Em alguns países o mercado é pulverizado. Na Espanha a crise começou pelas caixas imobiliárias das regiões autônomas.

Se o BCE conseguir controlar os 200 maiores bancos, no entanto, estará com o controle de 90% da indústria bancária da região. Ainda se discute o escopo, a forma de atuação, os poderes do novo BCE.

O que aconteceu ontem é maior do que parece. Não é apenas a aprovação pela Justiça do Mecanismo de Estabilidade Financeira e do fundo de resgate. É um reforço na ideia da moeda comum. A mesma reafirmação foi feita dias atrás pelo presidente francês. Hollande anunciou um aumento de 20 bilhões de euros em impostos e cortes de gastos de 10 bilhões de euros. O oposto do que disse que faria. É a tentativa de levar o déficit dos 5,2% do PIB para a meta europeia de 3% . Não parece um déficit tão grande, mas a dívida já está em 89% do PIB e a economia francesa está com crescimento zero a três trimestres e com uma taxa de desemprego que já de 11,3%.

A Alemanha, ao exibir unidade do executivo, legislativo e judiciário em torno dos mecanismos financeiros de saída da crise, e a França, alterando o programa com o qual Hollande se elegeu, estão dobrando a aposta no euro. Os europeus continuam querendo ser uma federação de nações.

O homem mais perigoso da Terra - DEMÉTRIO MAGNOLI


O ESTADÃO - 13/09


Seu nome é Mitt Romney, o candidato republicano à presidência dos EUA. Afável, propenso ao diálogo, oriundo da quase defunta corrente moderada do partido, o ex-governador do Estado liberal de Massachusetts não parece um homem perigoso. No caminho até a disputa com Barack Obama, todavia, ele sofreu uma mutação essencial. O Romney de hoje, que não se recorda mais do Romney original, é o homem mais perigoso da Terra. O diagnóstico, inevitável, deriva da abordagem adotada pela chapa republicana dos grandes temas de política externa.

Antes de tudo, há a China. Romney prometeu que "no primeiro dia na Casa Branca" declararia a China um "manipulador cambial". A consequência óbvia seria a imposição de tarifas protecionistas a produtos chineses, deflagrando uma guerra econômica entre as duas maiores potências mundiais. É a receita certa para provocar a quebra em série das lajes já tensionadas que sustentam o edifício da economia global.

A acusação é de um cinismo patente. A China foi admitida na Organização Mundial do Comércio há mais de uma década, apesar da "manipulação cambial". Os chineses sempre "manipulam" o câmbio, pois essa é uma característica inerente ao capitalismo de Estado. Os EUA nem sempre "manipulam" o câmbio, mas fazem isso sempre que precisam, notadamente desde 2009, por meio de sucessivas rodadas de quantitative easing, o eufemismo cunhado para descrever pudicamente a fabricação de dólares em escala industrial. Aos poucos a China valoriza sua taxa de câmbio real, como querem os EUA - e como requer o interesse chinês de ligar os motores do mercado interno a fim de engendrar um novo ciclo de crescimento.

O cinismo é um pecado menor perto da irresponsabilidade. A China é o principal fornecedor de manufaturados aos EUA e sofreria um golpe profundo com as represálias americanas. Contudo seus vultosos saldos comerciais são, em larga medida, investidos na aquisição de títulos do Tesouro americano. Isso significa que a China financia a política monetária expansionista dos EUA, assegurando espaço para a emissão de dólares em ambiente de juros e inflação baixos. Os chineses retaliariam Romney faltando a algumas rodadas de leilão dos títulos americanos. A ruptura do intercâmbio de manufaturas por papéis da dívida provocaria o pânico nos mercados financeiros, lançando o mundo na espiral regressiva de uma depressão.

Em segundo lugar, há o Irã. Na sua visita a Israel, o homem mais perigoso da Terra entregou-se à aventura de estimular um ataque unilateral israelense ao Irã. A hipótese está sobre a mesa faz tempo, provocando amargas discórdias no governo e nas agências de inteligência de Israel. Um ataque dificilmente eliminaria as instalações nucleares iranianas, mas degeneraria em conflito regional de incertas proporções. Ao mesmo tempo, certamente produziria um retrocesso fundamental na gramática política da Primavera Árabe, contaminando-a de antiamericanismo e antissemitismo.

Desde o início as revoltas populares contra os tiranos organizaram-se em torno dos valores das liberdades, dos direitos políticos e da responsabilidade dos governos perante o povo. Tais "valores ocidentais", que são aspirações humanas universais, impelem as correntes laicas e democráticas no mundo árabe e, mais além, no próprio Irã, que não é um país árabe. Eles também regam as sementes do reformismo no interior de organizações fundamentalistas, como a Irmandade Muçulmana. Toda essa evolução, de amplas repercussões, poderia ser comprometida pela guerra que Romney parece insuflar.

Os gastos militares ocupam o terceiro lugar. Paul Ryan, o representante da ala do Tea Party na chapa republicana, em palestra recente criticou a redução relativa do orçamento militar, que decorre da pressão dos gastos com a saúde. O vice traçou um paralelo com o declínio britânico, cem anos atrás, quando a antiga potência foi obrigada a transferir o cetro para os EUA, dada a sua incapacidade de conservar a primazia militar. A Grã-Bretanha deu lugar a uma potência que compartilhava seus valores, mas o declínio americano deixa entrever o espectro de ascensão de uma potência cujos valores conflitam com os dos EUA, sublinhou Ryan.

O paralelo está sustentado sobre premissas falsas. Os britânicos tinham a maior força naval, mas sua Marinha equivalia, apenas, à soma das duas frotas de guerra seguintes e as suas forças terrestres eram inferiores às das potências continentais europeias. Em contraste, o orçamento militar dos EUA representa dois quintos dos gastos militares globais e equivale aos orçamentos somados dos 14 países seguintes. Os gastos militares da China - o espectro mencionado por Ryan - ainda não alcançam um quinto dos gastos americanos. Há dez anos o comentarista neoconservador Charles Krauthammer consagrou um artigo à defesa do argumento de que a inabalável hegemonia militar dos EUA asseguraria mais um século de liderança americana. A hipótese contrária, do declínio americano, conta com arautos sérios - mas eles nunca utilizam o argumento militar.

Provavelmente Romney não acredita em nada do que diz sobre política externa. Ao que parece, o candidato republicano vestiu a indumentária preparada pelos alfaiates do Tea Party, reconhecendo que seu partido foi tomado de assalto pela corrente radical. Na Casa Branca, ele não pretenderia honrar os compromissos extravagantes - as "bravatas de oposição", na linguagem de Lula - proclamados ao longo da campanha eleitoral. Eis aí a razão definitiva para qualificá-lo como o homem mais perigoso da Terra. A palavra do presidente dos EUA deveria ter valor maior que o dos ativos podres do Lehman Brothers, ao menos na esfera dos temas estratégicos da ordem econômica e geopolítica mundial. Se Romney não pensa assim, ele representa mais perigo que a manipulação cambial chinesa ou o programa nuclear iraniano.

Marta! A Cultura quer gozar! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 13/09


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!

Hoje acordei animado! Diz que a Marta vai oxigenar a Cultura! Todas oxigenadas! Ué, o presidente do PT que disse: "A Marta vai dar uma oxigenada na Cultura". Rarará!

Marta! A Cultura Quer Gozar! E o primeiro projeto: lançar uma caixa com 12 CDs do Supla! E um vinil com o Suplicy cantando Bob Dylan! E ainda vai lançar o Leia Rápido! Antes que o botox despenque! Rarará!

Agora eu entendi porque o Haddad Nextel anda tanto no horário eleitoral. Tentando fugir daMarta! Rarará! Que tá parecendo uma gata persa sem bigodes!

Tudo vai ter o selo de qualidade: relaxa e goza. "Ministra, cadê a minha verba?" "Relaxa e goza!" "Ministra, e meu patrocínio da Petrobras?" "Relaxa e goza!" Vá ao teatro!

Ereções 2012! O Pleito Caído! E sabe por que o Serra tá caindo? Porque ele prometeu ir até o fim! Até o fim ninguém aguenta! Rarará! E agora não é mais corrida ao voto, é corrida aos evangélicos!

E o Russomanno, se eleito, vai criar um novo IPTU: Imposto Predial Territorial da Universal! E a Universal pediu que cada fiel arrume cem votos pro Russo! Conseguem fácil: duas vigílias com bolo e guaraná! Rarará!

E olha o que estava escrito no comercial do Russomanno na TV: "20 mil guardas metropolitanos". E será que se escreve Russomânno?!

E o Haddad parece velhinho subindo escada. Sobe um ponto, para e dá uma descansadinha. Sobe um, para e dá uma descansadinha! Sobe um, para e leva uma porrada da Dilma: "Vai subir ou não vai, caraca?!". Rarará!

E um amigo meu canta a musiquinha do Eymael no café da manhã! Tem cura?! Rarará! É mole? É mole, mas sobe!

A Galera Medonha! A Turma da Tarja Preta! A Micareta dos Picaretas! Este hilário é de Aiuruoca, Minas, terra da Isis Valverde, a Suelen de "Avenida Brasil": "Contra o chulé, bafo e cê-cê. Vote no Chubacê!".

Se é contra o chulé do Adriano, o bafo do Lula e o cê-cê do padre Marcelo , transfira o título e vote em Chubacê! Rarará!

E esta dupla de Guairaçá: Jane do Xiranha e Moscão. Nova dupla sertaneja: Jane do Xiranha e Moscão! Rarará! A situação está ficando psicodélica. O Brasil tomou um ácido no café da manhã. Nóis sofre, mas nóis goza!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

O grande silêncio - LUIS FERNANDO VERISSIMO


O Estado de S.Paulo - 13/09


É sempre bom investigar a origem dos fatos e das palavras. Você pode descobrir coisas surpreendentes. Por exemplo: o final abrupto de uma frase de jazz moderno, vocalizado, soava algo como "be-ree-bop". É daí que vem o nome do novo estilo de tocar jazz, "bop". O "biribop" foi usado numa música brasileira que falava da influência do novo jazz no samba - "eba biribop", lembra? - e não demorou para que o "biribop" do samba se transformasse em "biriba" e acabasse sendo o nome do cachorro mascote do Botafogo, segundo alguns um dos maiores responsáveis pela boa fase do time na época - e nome de um jogo de cartas. Hoje quem joga biriba (ainda se joga biriba?) não desconfia que tudo começou nos clubes de Nova York onde alguns músicos faziam uma revolução que não tinha nada a ver com o baralho.

A procura de origens pode levar por caminhos errados, é verdade. Ainda no campo da música: quando a Bossa Nova começou a ser tocada nos Estados Unidos uma das curiosidades dos nativos era o significado do termo "bossa". Quem procurou num dicionário leu que "bossa" era a protuberância nas costas de um corcunda, não podia estar certo. Aí alguém se lembrou de um LP gravado pelo guitarrista Laurindo de Almeida nos Estados Unidos anos antes, junto com três americanos, uma saxofonista, uma baterista e um contrabaixista, que incluía ritmos brasileiros. E surgiu a teoria que o disco do Laurindo de Almeida teria sido muito ouvido no Brasil e a marcação do baixo nos sambas muito impressionara os músicos locais. Claro, "bossa" era uma corruptela de "bass", contrabaixo em inglês. Tudo esclarecido. (Não foi a única injustiça que fizeram com o João Gilberto, o verdadeiro criador da batida da bossa. Ainda inventaram que ele roubara o jeito de cantar do Chet Baker.)

Mas tudo isto, acredite ou não, tem a ver com o mensalão. Ouvi dizer que a origem do esquema que está sendo condenado no Supremo é uma eleição em Minas que envolveu alguns dos mesmos personagens de agora, só que o partido favorecido foi o PSDB. Se a origem é esta mesmo, ou - como no caso da origem da bossa nova - há um mal-entendido, não sei. Mas não deixa de surpreender a absoluta falta de curiosidade, da grande imprensa inclusive, sobre esta suposta raiz de tudo. Só o que há a respeito é um grande silêncio. O barulho com o esquema precursor mineiro ainda está por vir ou o silêncio continuará até o esquecimento? É sempre bom investigar a origem dos fatos e das palavras. Inclusive porque dá boas histórias.

Dinheiro não é tudo - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 13/09



O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) está sendo insistentemente pressionado a "fazer algo mais" para reverter o alto nível de desemprego nos Estados Unidos, que vai atingindo 8,1% da força de trabalho. Não é desprezível a probabilidade de que hoje, após a reunião do comitê de política monetária, seu presidente, Ben Bernanke, anuncie nova rodada de expansão de moeda.

O Fed vem inchando dramaticamente seu balanço com compras de ativos (especialmente títulos), mecanismo pelo qual injeta dinheiro no mercado. Desde 2008 já emitiu US$ 2,3 trilhões (veja histórico de medidas tomadas pelo Fed, na tentativa de recolocar em movimento a economia americana).

Alguns críticos insistem em que essas operações não alcançam o efeito pretendido. A economia cresce pouco e o desemprego segue lá em cima. Bernanke tem respondido que, não fossem as intervenções do Fed, o desastre seria descomunal. Portanto, essas operações produziram, sim, argumenta ele, efeitos muito importantes.

A questão seguinte consiste em saber se mais emissões de moeda mudarão significativamente as coisas. E é aí que as dúvidas persistem.

O que talvez não esteja sendo levado em conta é o fato de que, nas circunstâncias, o único objetivo dos grandes bancos centrais é o aumento do emprego e não propriamente a estabilidade do valor da moeda (controle da inflação). E o aumento do emprego está esbarrando em importante revolução, a da redistribuição global do trabalho, promovida tanto pela incorporação da mão de obra dos emergentes (especialmente asiáticos) quanto pelo uso intensivo de tecnologia da informação, ferramenta que dispensa contratação de pessoal.

A importância dessa redistribuição do mercado internacional do trabalho foi percebida antes da crise pelas grandes centrais sindicais dos países avançados, manifestadas por meio de queixas recorrentes de que o crescimento do comércio exterior vinha gerando mais empregos na China e fechando postos de trabalho no Ocidente. No entanto, enquanto o PIB dos países industrializados crescia entre 3% e 4% ao ano, esse fenômeno foi entendido como chorumela dos dirigentes sindicais. Agora se vê que essa redução do emprego nos países avançados pode ter vindo para ficar, sobretudo depois que o empresário percebeu que pode produzir mais com menos gente, bastando, para isso, que invista mais em tecnologia da informação.

Outra explicação para a aparente falta de eficácia da ação dos grandes bancos centrais foi, em parte, apontada pelos economistas Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, no livro This time is different. De modo resumido, diferentemente do que aconteceu nas grandes crises anteriores, desta vez a pronta e rápida ação dos bancos centrais amorteceu o ajuste. Em contrapartida, exigiu mais tempo para a distribuição da conta.

A questão principal não é técnica. As consequências do desemprego são exasperantes. Por mais que se argumente que os grandes bancos centrais não têm a força que lhes é atribuída, os políticos e todo o mercado financeiro querem mais ação. Quando nada, querem sentir, pelo menos por certo tempo, a impressão de que alguma coisa pode mudar. E é a esse tipo de pressão que Bernanke deve hoje responder.

Heterodoxia cá e lá - ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE SÃO PAULO - 13/09


BRASÍLIA - O Supremo parecia recuperado das crises, mas teve uma recaída ontem, com um novo bate-boca entre o relator Joaquim Barbosa e o revisor Ricardo Lewandowski e uma pitada adequada de ironia por parte de Gilmar Mendes.

Segundo ele, citar entrevista de delegado a jornal em favor do réu, como fez Lewandowski, é bastante "heterodoxo". Ao que o relator reagiu: para ele, o próprio julgamento do mensalão não está sendo "dos mais ortodoxos". Uma crítica e tanto, que macula o processo.

Esse clima beligerante, com troca de ironias e acusações -ou "jogo de intrigas", como acusou Joaquim- tende a piorar quanto mais o julgamento avança, a tendência de condenações em massa se confirma, José Dirceu e José Genoino jogam a toalha e o mensalão entra definitivamente na campanha mais nervosa do país, a de São Paulo.

Como previsto, o julgamento e a eleição estão se entrelaçando. Mas as campanhas parecem tatear no escuro, pois não dá para saber ainda qual o potencial de estrago dos esquemas descritos no STF na disposição dos eleitores.

É mais razoável atribuir o fraco desempenho do PT em Recife e Belo Horizonte, por exemplo, à força dos padrinhos locais -Eduardo Campos (PSB) numa e Aécio Neves (PSDB) na outra- do que ao desgaste causado pelo mensalão em disputas com características tão peculiares como as municipais. São Paulo, porém, sempre foge aos padrões.

Com o E.T. Russomanno cristalizado na dianteira, Serra e Haddad disputam palmo a palmo quem vai para o segundo turno e entram no vale-tudo. Nesse contexto, o mensalão cai como uma luva para os ataques tucanos, mas há enormes riscos: em vez de se beneficiar, Serra pode estar reforçando o desgaste mútuo do PT e do PSDB e, assim, favorecendo indiretamente Russomanno, o "novo". Afinal, o mensalão não é exclusividade do PT.

CLAUDIO HUMBERTO

“Vamos parar com esse jogo de intrigas”
Ministro Joaquim Barbosa, perdendo a paciência com o colega Ricardo Lewandowski

TIM JURA SEGUIR CARTILHA DA ANATEL

Presidente da Telecom Itália (controladora da TIM Brasil), Franco Barnabé disse ao vice-presidente Michel Temer, em Roma, que “tem muito interesse” no mercado brasileiro e que seguirá à risca as determinações da Anatel. A TIM foi flagrada enganando os clientes do plano Infinity, que pagam por ligação e não pela duração delas, derrubando os telefonemas de propósito para faturar mais.

ASSALTO

A Anatel atestou que, ao derrubar ligações dos clientes, forçando-os a fazer outras, a TIM faturou até R$ 4,1 milhões num só dia, em março.

AINDA RECLAMA

Franco Barnabé se queixou a Michel Temer da dificuldade de obter licenças ambientais para instalar torres nos municípios. 

DE BARRIGA CHEIA

Apesar dos 70 milhões de clientes no Brasil e do golpe das ligações derrubadas, Barnabé diz que “o brasileiro gasta pouquíssimo”.

IMPUNIDADE

Apesar do flagrante, a Anatel não interveio na TIM, nem determinou inquérito, processo etc. É como se nada tivesse acontecido.

IRÃ PEDE AO BRASIL PARA LIVRAR ASSASSINO PRESO

Embaixador do Irã, Mohammad Ali Ghanezadeh pediu transferência para prisão domiciliar do empresário iraniano Farhad Marvizi, acusado de mandar matar o auditor fiscal José de Jesus Ferreira, que o investigava em esquema de contrabando. Em carta, o embaixador pediu ajuda ao deputado Marco Feliciano (PSC-SP), alegando que ele estaria em “condições inapropriadas, enfermo, com insuficiência renal”.

É A DEMOCRACIA

O embaixador apelou ao chanceler Antonio Patriota, ignorando que, no Brasil democrático, governo não interfere na Justiça, ao contrário do Irã.

CRIMES BÁRBAROS

Além do auditor, morto com cinco tiros no rosto, Farhad Marvizi é acusado de mandar matar pelo menos onze pessoas em Fortaleza.

JUSTIÇA FEITA

Farhad Marvizi responde por contrabando, furto, lavagem de dinheiro, estelionato, receptação e está preso na penitenciária de Mossoró (RN).

SEM PRECEDENTES

Novamente, o longo voto de Ricardo Lewandowski deu a certeza, entre ministros do Supremo Tribunal Federal, de que ele tem dois objetivos: prolongar o julgamento e fazer parecer que revisor é mais importante que relator – o que não encontra precedentes na história do STF.

O ROTO E O ESFARRAPADO

Só com a vitrine da gestão na Educação e com Lula honoris causa no palanque, Fernando Haddad está lascado: um errou todas as provas do Enem, o outro ignora plural, concordância e verbos.

PARA CHÁVEZ VER

Boazinha, a presidente da Petrobras, Graça Foster, retomou a confiança na parceria com estatal venezuelana PDVSA na refinaria Abreu e Lima (PE). O prazo acaba em novembro, mas ela diz que deve estendê-lo, mesmo com o “beiço” de US$ 3,6 bilhões.

RECONHECIMENTO

A atuação do deputado Luiz Pitiman (PMDB-DF) no fortalecimento da gestão pública fez dele o único político de Brasília a receber ontem, em Diamantina, a Medalha JK, conferida pelo governo de Minas Gerais.

O PAÍS EM DUAS RODAS

Quem reclama de motocicletas demais nas ruas, não viu nada ainda. Em agosto foram fabricadas 178.084 motos somente no polo de Manaus. Foi um aumento de 134,8% em relação a julho.

FOI GERALDO QUE FEZ?

Internautas criaram uma fan page, no Facebook, para ironizar os supostos feitos de Geraldo Julio (PSB), um poste que o bem avaliado governador Eduardo Campos converteu em forte candidato à Prefeitura do Recife. A gozação “Foi Geraldo que fez” ganhou nove mil seguidores em horas.

FEIRA DE ILUSÕES

O anúncio da redução da tarifa de energia é apenas um dos muitos factoides que a presidente Dilma lançará nos próximos dias para desviar o foco dos estragos do julgamento do mensalão. E são grandes.

VINGANÇA CRUEL

Com rejeição de 92% em Natal, a prefeita Micarla Sousa declarou que votará no pedetista Carlos Eduardo, seu algoz, para sucedê-la à frente da prefeitura. Ele quase teve um infarto com o “apoio”.

PENSANDO BEM...

...pelo tempo interminável de leitura do voto do ministro Lewandowski, o julgamento do mensalão deveria ser receitado para a cura da insônia. 

PODER SEM PUDOR

O BIFE QUE SUMIU


O ex-governador mineiro Newton Cardoso tem um jeito muito peculiar de manejar recursos públicos, por isso enfrentou acusações quando chefiou o Executivo de Minas Gerais no início dos anos 90. Certa vez, às voltas com graves denúncias de desvio de toneladas de carne destinadas à penitenciária de Contagem, seu principal reduto eleitoral, o então governador não se apertou quando um repórter quis saber o que ele pensava do seu impeachment, pretendido pela bancada do PT.

- Não sei porque esses petistas fazem tanta questão por causa de uns bifinhos...

QUINTA NOS JORNAIS


Globo: Terror no consulado – Atentado no 11/9 deixa EUA em alerta
Folha: Dilma não deve ‘meter o bico’ em SP, ataca Serra
Estadão: Diplomata dos EUA é morto na Líbia e Obama reage
Valor: Ações de elétricas desabam e perdem R$ 14 bi em um dia
Estado de Minas: Uma avenida chamada perigo
Zero Hora: Morte de embaixador desafia Obama a dois meses das eleições

quarta-feira, setembro 12, 2012

Parabéns, mamãe - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 12/09


Regina Casé acaba de adotar um menino.
Na contramão da maioria dos pedidos, chegada a sua vez na lista de adoção no Juizado do Rio, ela só fez uma exigência: um menino mais velho e negro.

Em gringo, ninguém toca

Se depender dos EUA, a Justiça brasileira não vai julgar o turista americano Robert Scott Utley, de 63 anos. Em maio, ele deixou o hotel Porto Bay, em Copacabana, sem pagar a conta de R$ 15 mil — sendo R$ 6 mil só em caipirinhas.
É que o IV Juizado Especial Criminal do Rio recebeu um documento assinado pelo cônsul americano, Brendan Mullarkey, informando que não poderia passar informações sobre o paradeiro de Robert por causa da... Lei de Privacidade dos EUA.

Aliás...
Até hoje não foram julgados os pilotos americanos Joseph Lepore e Jan Paladino, que pilotavam o jatinho Legacy que se chocou com um Boeing da Gol, em setembro de 2006, matando 154 pessoas.

História de Beto
A Zahar lança em outubro o livro "Seu amigo esteve aqui’,’ de Cristina Chacel. Conta a história de Carlos Alberto Soares de Freitas, o Beto, dirigente da VAR-Palmares que incentivou Dilma a entrar na luta contra a ditadura.
Beto, lembrado pela presidente em discurso emocionado na campanha presidencial, teria sido morto na Casa da Morte, em Petrópolis, em 1971.

Pintou sujeira
Os banheiros públicos e particulares de uso comum do Rio, como os dos shoppings, não precisarão mais fornecer revestimento descartável de assento de vaso sanitário, por decisão do Órgão Especial do TJ do Rio.

CHAFARIZ RECUPERADO

A Ilha do Governador recebe hoje recuperado e com esta nova iluminação cenográfica o chafariz da Estrada do Galeão, na altura do bairro da Portuguesa. Será o único da via. O outro, que ficava a metros deste, foi retirado para dar lugar à estátua de Renato Russo, como saiu aqui. Inaugurado nos anos 1990, como parte do projeto Rio Cidade, o equipamento acabou deixado de lado e, depois de virar alvo de vândalos por diversas vezes, foi desativado pela prefeitura. Agora, após reforma da Secretaria de Conservação e da Rioluz, o chafariz de vidro ganhou sete projetores azuis, dois verdes e 16 brancos.
Além disso, todas as películas coloridas foram substituídas.

Toma lá, dá cá

Na conversa com Ana de Hollanda, Dilma disse precisar do cargo para fortalecer a campanha de Fernando Haddad, candidato à prefeitura de São Paulo.
Ana disse entender a situação. No encontro, Dilma estava emocionada. As duas se despediram em bons termos.

Numa boa...
Na saída, a ex-ministra da Cultura afirmou a colaboradores que continua "vibrando’ com o governo Dilma e que faz questão de transmitir o cargo de ministro a Marta Suplicy "numa boa”

Não bata
Angélica Goulart, diretora da Fundação Xuxa Meneghel e coordenadora da rede Não bata, Eduque!, assume hoje a Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente.

O breve

O presidente da Fundação Vale, Ricardo Piquet, deixou ontem o cargo.
Ficou pouco tempo no lugar, levado já na gestão de Murilo Ferreira.

Passo o ponto
O maestro Florentino Dias, 87 anos, que fundou a Orquestra Filarmônica do Rio, em 1978, jogou a toalha. Está oferecendo a orquestra para alguma empresa, inclusive os instrumentos e a documentação.
Cansado de bancar o grupo, ele organiza uma espécie de concerto de despedida no dia 29 de outubro. É pena!

‘Estranhou o quê?’
O segundo DVD do Samba do Trabalhador, que será gravado dia 24 agora, no Renascença Clube, no Rio, terá uma música reforçando a igualdade entre negros e brancos.
É a inédita "Estranhou o quê?’,’ de Moacyr Luz. Um trecho: "Estranhou o quê?/Preto pode ter o mesmo que você.”

Virou polêmica
Um grupo de vereadores cariocas conseguiu adiar, em pelo menos um mês, a votação do projeto que concede a Medalha Pedro Ernesto a Dias Toffoli, o ministro do STF.

Imagina na Copa
O metrô do Rio vai criar uma gerência de megaeventos.
Há duas semanas, uma equipe do metrô foi a Londres estudar o esquema de transporte nos Jogos.

Crise na educação

A Universidade Candido Mendes, por causa de uma dívida de R$ 25 mil, teve penhoradas quatro estátuas de sua propriedade, entre elas a de Cândido Mendes de Almeida, senador do Império.
A decisão é do juiz Marcelo Moura, da 19^ Vara do Trabalho do Rio.

Anderson no Rio

A modelo e atriz Pamela Anderson, a louraça peituda que ficou famosa no seriado S.O.S. Malibu, desembarca hoje no Rio.
Fará uma participação no "Caldeirão do Huck” sábado.

Big operação - SONIA RACY


O ESTADÃO - 12/09

E cresce a imaginação fértil do mercado. Corria ontem que o BTG e Roger Agnelli estariam conversando com o Bradesco para comprar a parte do banco na gigante Vale. O BTG, há tempos, tentou fazer o mesmo associado a Eike Batista.

Mas por que o Bradesco venderia agora tão valioso ativo? Para, por sua vez, fazer oferta firme pelo Santander Brasil. Haja criatividade…

Dindin
Valter Mainetti, do fundo imobiliário italiano Sorgente, assegurou em Roma a Michel Temer: investirá 1 bilhão de euros aqui. Parte em restauro de prédios no centro de SP.

O vice-presidente, em viagem oficial, chegou a desmaiar anteontem. Não, não pelo montante. E sim por causa do sol escaldante do verão italiano.

Nada com isso
E Danilo Miranda, um dos nomes mais citados para o MinC durante o ano, está alheio ao troca-troca no ministério. Encontra-se em Londres, com extensa programação.

Teori-a
Quando passou por São Paulo para palestra no Instituto dos Advogados, Teori Zavascki trouxe estatísticas detalhadíssimas sobre os tribunais e o que emperra o seu bom funcionamento.

Imagina-se, agora, que possa contribuir com soluções.

Teori-b
Observadores do STF destacam: tanto Zavascki quanto Rosa Weber estão à beira da aposentadoria compulsória – aos 70 anos.

Isto é, não chegarão a assumir a presidência da corte.

Teori-c
Caso Dilma não consiga emplacar Zavascki no STF, advogados sugerem Ari Pargendler. Eles são tão parecidos fisicamente que chegam a ser até confundidos.

Impedimento
José Maria Marin e Andrés Sánchez aguardam convocação para falar à CPI da Exploração Sexual, em Brasília.

Para dar depoimento sobre supostos casos de abuso de menores em escolinhas de futebol e nas categorias de base dos grandes clubes.

Impedimento 2
Aliás, Erika Kokay, deputada que preside a CPI, tem reclamado da constante falta de quórum nas últimas reuniões, que vem impedindo a votação do requerimento.

Cadê CVM?
Ontem, as ações do Banco Cruzeiro do Sul subiram, na parte da manhã, nada menos que 20%.

Até tu, Brutus
Ao entrar na Hermès em Cannes, fonte da coluna soube: toda a equipe da loja foi trocada.

Acreditem ou não, as funcionárias armaram um esquema para vender bolsas… falsificadas.

Saque e voleio
Com o clima bem mais tranquilo entre as partes, as negociações para a saída de Abilio Diniz do Pão de Açúcar se transferiram para as quadras do US Open.

Onde estavam Pércio de Souza e Ricardo Lacerda.

Raquetada
Toni Nadal desembarca no Brasil a convite da loja Babolat. Vem falar, em outubro, sobre como ajudou a fazer de seu sobrinho, Rafael Nadal, um dos principais tenistas do mundo.

Estrela
Ao ganhar de Novak Djokovico US Open, anteontem, Andy Murray triplicou o faturamento. Saltou de 7 milhões de libras ao ano para entre 20 e 25 milhões.

Conta de Nigel Currie, da Brand Rapport – que cuida de patrocínios de grandalhões como Jaguar e Vodafone.

Na frente
Andrea Matarazzo lança, hoje, campanha “cavalete virtual” no Facebook, pedindo votos sem sujar a cidade. Ex-secretário das subprefeituras, se desdobra para ser coerente com a Lei Cidade Limpa, da qual foi fiscalizador.

Bettina e Luiz Paulo Cipolatti recebem hoje, em sua casa, para celebrar parceria entre Santa Marcelina Cultura e Juilliard School. Com direito a concerto.

A Farm comemora 15 anos, com coquetel em todas as lojas. Hoje.

Luciano Zanette abre mostra na Galeria Virgílio. Hoje.

O livro Marilia Brunetti de Campos Veiga – Interiores será lançado hoje na Livraria da Vila do JK Iguatemi.

Não prosperaram ontem as conversas, em Brasília, sobre o setor automotivo. Marcada nova reunião para terça-feira.

Levanta defunto - TUTTY VASQUES


O Estado de S.Paulo - 12/09


Mano Menezes acordou ontem do amistoso com a China sem aquela sensação desagradável de que foi vaiado a noite inteira. Pulou da cama pela primeira vez sem medo de cair após sei lá quantos pesadelos com a seleção. Parecia-lhe um sonho sobreviver a mais este 11 de setembro! "Me belisca, me belisca!" - pediu ao doutor Runco no café da manhã.

Mal comparando o bem-estar do técnico ao prazer de alguém que desperta revigorado pela luxúria de longa crise de inapetência sexual, bobagem tentar aqui desqualificar os 8 a 0 de véspera apontando a falta de intimidade da convidada com o esporte praticado.

O futebol nunca foi um negócio da China, mas isso, pelo visto, só tira o entusiasmo do torcedor que não teve oportunidade de também meter seu golzinho no Recife.

Pode ter sido monótono pra você assistir, mas parece que foi bom pacas pro Mano, pro Neymar, pro Hulk, pro Oscar, pro Lucas, pro Ramires...

A tal "raiva gostosa" que, diz o técnico, todos levaram a campo para retribuir o carinho dos pernambucanos foi plenamente saciada.

Resta agora torcer para que ninguém vire pro lado e durma quando chegar a vez de pegar a Argentina.

Coisa de marica

Menos de 24 horas após o esculacho que passou no baixista Champignon durante show do Charlie Brown Jr. no Paraná, o vocalista Chorão pediu desculpas públicas no YouTube. Isso quer dizer o seguinte: não se faz mais roqueiro macho como antigamente!

Ânimo novo

Além de um novo técnico, o Vasco está tentando acertar um jogo amistoso com a seleção da China. Não tem coisa melhor para acalmar a torcida!

Xiiiii!!!

A exemplo do que já acontece na língua portuguesa, "xi" está virando interjeição de espanto também em mandarim. Xi Jinping, o mais provável futuro presidente da China, sumiu! Só se fala disso em Pequim!

Mal comparando

Convidado por Dilma Rousseff para o STF, o ministro Teori Zavascki leva sobre Ricardo Lewandowski a vantagem de não ter só o sobrenome incomum. Não se encontra outro Teori no Google!

Denúncia

Milícias do Rio estão inscrevendo seu pessoal no serviço voluntário para a Olimpíada de 2016. Se bobear, elas tomam conta da coisa!

Melhor assim!

A seleção brasileira teve bons motivos para não enfrentar a China no Morumbi! A vaia da comunidade chinesa em São Paulo estragaria a festa.

Ideia fixa

FHC mandou e-mail a Fidel Castro associando o apagão de domingo em Cuba à "herança maldita" do governo Lula. Será?

Castigo a caminho

A ministra Ana de Hollanda caiu de madura, mas a classe artística que tanto fez para derrubá-la do cargo não perde por esperar! A presidente Dilma não escolheu Marta Suplicy (foto) para comandar a Cultura por acaso: vai ter volta! Bem feito!

Lula discute saídas para evitar prisão de petistas - Raymundo Costa, Fernando Exman e Rosângela Bittar

Valor Econômico - 12/09


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está no comando das articulações políticas e jurídicas para tentar salvar da prisão os acusados de montar o esquema do mensalão. Lula e a cúpula do PT avaliam que já não há mais o que fazer para evitar a condenação dos réus, cujo contorno tomou forma ao longo de mais de um mês de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas que ainda é possível trabalhar a prescrição das penas.

Esses assuntos foram discutidos em uma reunião realizada no dia 2 de setembro, um domingo, no instituto que leva o nome do ex-presidente. Participaram do encontro, a convite de Lula, os ex-ministros José Dirceu e Márcio Thomaz Bastos, o presidente do PT, Rui Falcão, o advogado Sigmaringa Seixas, amigo de longa data de Lula, além do anfitrião. Lula foi claro ao fazer os convites: queria uma análise do julgamento do mensalão, qual poderia ser o resultado, o que restaria ser feito e seus reflexos nas eleições.

Um dos presentes ao encontro disse ao Valor que o nome do ministro do STJ Teori Zavascki, indicado pela presidente Dilma Rousseff para a vaga de Cezar Peluso no Supremo, nem chegou a ser mencionado durante a reunião. Durante o dia, circulou a informação de que Dilma antecipara a indicação de Teori para que ele assuma o cargo de ministro no Supremo ainda a tempo de votar no mensalão - para isso, ele pediria vistas da Ação Penal nº 470, processo com mais de 50 mil páginas. Ou seja, o julgamento seria interrompido por longo tempo.

"É um absurdo. O Lula acha que não tem mais o que fazer", contou um dos presentes ao encontro. Consultado, o advogado Sigmaringa Seixas foi da mesma opinião, segundo disse ao Valor um interlocutor assíduo do advogado, que tem ajudado a cúpula do PT nas avaliações sobre o andamento do processo.

No Palácio do Planalto, auxiliares da presidente Dilma Rousseff asseguraram que a indicação do ministro Teori Zavascki não teve como objetivo influenciar o julgamento do processo do mensalão, mas justamente abater no nascedouro pressões de alas do PT para que Dilma usasse o peso do governo para ajudar os líderes do partido denunciados. Além de poder ser considerado um ministro de "direita", argumentam autoridades do governo, Teori é ligado ao ministro Gilmar Mendes e ao ex-ministro da Defesa Nelson Jobim.

Se ocorrer, o movimento é considerado como um "golpe branco", talvez com reflexos eleitorais já na eleição municipal. Mas há outra hipótese sendo considerada para livrar os condenados da prisão: primeiro, os advogados embargam as decisões dos ministros, o que não muda as condenações, mas depois atuariam fortemente para a aplicação de penas mínimas, na fase chamada dosimetria das penas, o que só deve ocorrer no próximo ano. Isso permitiria a prescrição de penas e impediria que os réus fossem efetivamente presos. Algo absolutamente dentro das regras do direito.

Quando tomar posse, Teori ouvirá a pergunta do presidente do Supremo, Carlos Ayres Britto, se ele se considera apto a votar. Se ele responder que sim, vota, embora ministros do próprio STF tenham manifestado dúvidas sobre essa possibilidade, em conversas com o Valor. A expectativa do grupo que se reuniu no Instituto Lula é a de que Teori Zavascki opte por votar nos embargos ou somente na dosimetria das penas. Apesar de todos os desmentidos, uma coisa é certa: o PT quer o ministro Ayres Britto fora da presidência do STF quando o tribunal for aplicar a dosimetria.

O fato de Lula assumir as articulações para tentar amenizar as perdas do PT em função de um fato que, em sua opinião, "nunca existiu", deixou José Dirceu menos tenso, segundo interlocutores do ex-ministro. Não pelo fato de ser Lula e seu enorme prestígio, mas porque foi um peso que estava apenas sobre suas costas. Lula e Dirceu tratam de tudo referente ao mensalão, mas o PT é hoje um partido mais unido, em virtude de estar sob o fogo cerrado permitido pela Ação Penal nº 470.

A simples composição da reunião no Instituto Lula já é um sinal dessa reaproximação entre grupos e pessoas. Outra é a nomeação da senadora Marta Suplicy para o Ministério da Cultura, logo após ela entrar efetivamente na campanha do candidato do PT a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

Dilma, que estava ao largo do mensalão e do processo eleitoral também adotou uma postura mais atuante - a indicação de Zavascki foi meteórica, para os padrões da presidente. No PT há quem diga que foi uma retaliação de Dilma a um comentário do futuro presidente do STF, Joaquim Barbosa, que teria se insinuado a indicar nomes nas substituições de ministros.

A reinserção de Dilma no PT e sua promessa de apoiar nomes do PMDB para as presidências do Senado e da Câmara tornam mais forte o projeto de reeleição da presidente da República. Isso se o julgamento do mensalão não fragilizar o PT nas eleições de outubro. De acordo com um dos presentes ao encontro dominical, foi dito que o julgamento do grupo petista não está afetando o desempenho petista entre os eleitores.

Depois da euforia (V): a demografia - FÁBIO GIAMBIAGI

Valor Econômico - 12/09


Encerro hoje a série de artigos acerca do meu livro com Armando Castelar ("Além da euforia", Editora Campus) sobre os problemas que todos sabem que caracterizam a economia brasileira, mas diante dos quais agimos como se não existissem. Além da apresentação inicial das principais ideias do livro, os artigos trataram das questões da produtividade, da poupança doméstica e da educação. Hoje iremos abordar o desafio demográfico. As regras de aposentadoria no Brasil são o nosso "lado grego".

O que se disse da Grécia nos últimos 2 ou 3 anos? "Eles não aproveitaram a bonança de anos anteriores para fazer o dever de casa", "continuaram se aposentando muito cedo", "o resto do mundo se cansou de sustentar os gregos" e toda sorte de comentários de teor similar.

É evidente que o Brasil não é a Grécia. Basta dizer que a dívida pública bruta grega como proporção do PIB é da ordem de duas vezes a nossa, além do nosso setor público ser credor líquido do exterior e de termos flexibilidade cambiária, todos esses elementos que representam diferenças cruciais. Ninguém, em sã consciência, pode argumentar que o Brasil está nas proximidades de correr risco de "default". Tendo deixado isso claro, porém, proponho ao leitor um exercício: já percebeu como ficam aquelas frases se substituirmos a expressão "os gregos" por "os brasileiros"?

Diz J. Kennedy que a melhor época para consertar o telhado é quando o tempo está bom

O leitor ouviu falar da "crise da Áustria"? Não, porque não houve crise. Menos ainda de "crise da Alemanha", cuja economia teve um desempenho estupendo depois de 2008/2009. Pois bem, quem olha para os dados da tabela pode ter uma pequena pista de por que Portugal entrou em crise e a Alemanha não: em Portugal, as pessoas podem antecipar a aposentadoria já com 55 anos, enquanto que na Alemanha isso só pode ocorrer aos 63.

Ocorre que a tabela mostra também a idade em que, na média, as pessoas se aposentam por tempo de contribuição no Brasil pelo INSS: aos 54 anos os homens e aos 52 as mulheres. Vamos ser francos: dado algum dos que foram tão citados na crise grega nunca foram novidade. O mercado sabia dos fatos há muito tempo - e, não obstante isso, com a miopia própria das bonanças, ignorou a realidade durante anos, comprando alegremente títulos gregos a taxas pouco acima das associadas aos títulos germânicos. Foi só quando as labaredas da crise estavam chegando no quarto andar que tais números passaram a ser expostos em alto e bom som como prova do desleixo dos países da periferia da União Europeia na época das "vacas gordas". O leitor já pensou o que podem dizer do Brasil no futuro, se o mercado se tornar hostil? A pergunta que não quer calar (e que ninguém quer ouvir) é: há alguém que não esteja informado acerca da última linha da tabela?

As projeções demográficas estão no site do IBGE para qualquer um que se dispuser a analisar os dados. Elas nos informam que no Brasil o número de pessoas com 60 anos ou mais de idade passará de 19 milhões para 64 milhões de pessoas entre 2010 e 2050, ao mesmo tempo em que a população de 15 a 59 anos vai encolher ligeiramente. E o que fizemos diante desse mega-desafio? Duas coisas: a) aumentamos as aposentadorias nas duas pontas da escala social, dando fortes aumentos reais ao longo de quase 20 anos a 2 de cada 3 aposentados do INSS (os que ganham o salário mínimo) e aos próximos aposentados da administração pública, que com os aumentos reais dos últimos anos vão passar para a inatividade com uma renda muito superior à média dos seus salários de contribuição; e b) houve um empenho firme e deliberado no sentido de convencer a população em peso de que mudar as regras de aposentadoria seria uma ideia "neoliberal". Isso, para não falar dos projetos divorciados da matemática elementar do senador Paulo Paim, aprovados com apoio unânime no plenário quando levados a votação e dependentes do veto presidencial.

O livro com Armando Castelar se inicia com uma epígrafe de J. Kennedy, segundo o qual "a melhor época para consertar o telhado é quando o tempo está bom". À luz das tendências demográficas e da benevolência das nossas regras de aposentadoria, nesse sentido pode-se afirmar que nos últimos anos não colocamos nem um mísero prego no telhado do Regime Geral da Previdência Social. No dia em que chover, poderemos pagar as consequências.