sexta-feira, março 23, 2012

Escassez? Que escassez? - MOISÉS NAÍM


FOLHA DE SP - 23/03/12


Nos bairros mais pobres do mundo, falta tudo, menos armas, responsáveis pela morte de 500 mil ao ano

O que é que nunca falta? O que é que sempre parece haver em abundância, mesmo nos lugares mais pobres e remotos do mundo?

Armas.

Quando foi a última vez que soubemos que uma guerra, uma insurgência ou um movimento guerrilheiro parou ou se abrandou porque se esgotaram as munições de uma das partes no conflito?

Nunca.

Onde há guerra sempre aparece o dinheiro, e onde há dinheiro sempre aparecem as armas. E não aparecem só nas guerras e onde há dinheiro. Elas também são comuns nos lugares mais miseráveis do planeta. Nos centros urbanos mais pobres, onde reinam a escassez e a carestia, onde os bebês não têm leite, os jovens não têm livros e onde a fome é uma experiência cotidiana, o que nunca falta são armas.

Revólveres, fuzis, metralhadoras, lança-granadas e outras armas curtas são tragicamente comuns nos bairros pobres do mundo e nas zonas onde só há fome, sede e morte.

Nos vilarejos e nas cidades do Sudão ou do Iêmen, na selva colombiana ou no Sri Lanka, nas montanhas do Congo, do Afeganistão ou da Tchetchênia, falta tudo. Mas não faltam armas. Tampouco faltam armas nas favelas e nos bairros pobres que cercam as principais capitais do mundo. Armas que causam 500 mil mortes todos os anos.

A "Small Arms Survey" (pesquisa de armas pequenas) é uma iniciativa do Centro de Estudos Internacionais de Genebra, que se especializa na análise dos mercados, dos participantes e das consequências do comércio internacional desse tipo de armas. A pesquisa estima que haja 875 milhões de armas de pequeno porte em circulação em todo o mundo, produzidas por mais de mil empresas de quase cem países, que participam de um mercado que movimenta US$ 6 bilhões por ano.

As estatísticas não são fáceis de obter, porque os governos -os principais compradores e vendedores dessas armas- relutam em revelar os dados sobre produção, exportação e importação das armas.

Mas cada vez mais vêm aparecendo nesse mercado compradores e vendedores que não são governos, mas, sim, traficantes, que, por meio de roubo e suborno, conseguem acesso aos arsenais de alguns países ou compram as armas no muito bem abastecido e muito acessível mercado negro mundial.

É um grande paradoxo: apesar de um volume enorme de armas pequenas entrar nos mercados ilícitos através da corrupção, os maiores produtores -e exportadores- dessas armas são a União Europeia, os EUA, a Rússia e a China. Antes eles justificavam sua presença ativa no mercado com o argumento da Guerra Fria e a necessidade de armar os aliados. Hoje, salvo raras exceções, a motivação principal é o lucro.

Estamos acostumados com a hipocrisia nas relações internacionais. Às vezes seu único corolário são discursos entediantes que não têm maiores consequências. Mas, no caso da passividade da comunidade internacional com respeito à proliferação de armas pequenas e aos países e às empresas que lucram com elas, a indiferença e a hipocrisia têm consequências letais.

ABORTO EM PAUTA - MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SP - 23/03/12


O aborto voltará à pauta do STF (Supremo Tribunal Federal): o presidente da corte, Cezar Peluso, decidiu colocar em votação a proposta em que se discute se mulheres e médicos que interrompem a gestação em casos de anencefalia (má formação do encéfalo que impede o bebê de sobreviver após o parto) devem ser considerados criminosos.

ABORTO 2

O relator do caso, Marco Aurélio Mello, já se manifestou a favor da descriminalização do aborto em casos de anencefalia. A previsão é que a proposta seja aprovada. O aborto hoje é considerado crime penalizado com até três anos de prisão.

ABORTO 3

O STF retorna ao assunto no momento em que o aborto volta a ser esgrimido por grupos religiosos que pretendem transformá-lo em tema das próximas eleições.

DATA

Marcados para amanhã ou, no mais tardar, para o fim de semana, os exames de Lula foram adiados. Os médicos consideraram necessário aguardar um pouco mais para que os sinais de inflamação desapareçam da garganta do ex-presidente. Os testes devem ser realizados até o fim do mês.

EU GARANTO

O presidente da CBF e do Comitê Organizador Local da Copa, José Maria Marin, diz que "não têm procedência" as informações sobre a possível saída de Joana Havelange, filha de Ricardo Teixeira, do órgão responsável pelo Mundial. "Ela continua por sua competência e seu conhecimento do funcionamento do COL. É figura essencial no comitê e pessoa de minha confiança."

BRINDE

E Marin deve ser homenageado com um jantar pelo deputado estadual Campos Machado (PTB-SP) pela chegada ao comando da CBF.

O cartola é presidente de honra do PTB no Estado.

AQUI É O MEU LUGAR

Pelé tem recebido propostas de compra de sua casa em um condomínio fechado na praia Pernambuco, no Guarujá. Mas diz a todos que o procuram que "vai pensar".

RINDO À TOA
Os humoristas Marcelo Madureira, Renato Aragão, Tatá Werneck e Danilo Gentili foram à abertura do evento Risadaria no Pavilhão da Bienal, no Ibirapuera, anteontem. O artista norte-americano Billy the Mime e o palhaço Wellington Nogueira, fundador da ONG Doutores da Alegria, também participaram do encontro.

EM CASA
Marcelo Malvio Alvez de Lima, motorista do Porsche que colidiu com a advogada Carolina Santos, morta em acidente no ano passado, pedirá ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) permissão para voltar a sair à noite. A Justiça de SP determinou que ele se recolhesse diariamente no máximo até as 19h.

PENA ANTECIPADA
Os advogados do motorista afirmam que, com a restrição, ele na prática está cumprindo prisão domiciliar antes mesmo de ser julgado.

GRANDE MAÇÃ
O diretor Cacá Rosset vai montar a peça "Agonia e Êxtase de Steve Jobs", de Mike Daisey. O espetáculo "discute a tecnologia e o preço humano que se paga para ter esses produtos [da Apple]", define o brasileiro.

VIAGEM ECUMÊNICA
Os rabinos Nilton Bonder, do Rio, e Michel Schlesinger, de SP, embarcam para Washington no fim de semana. Vão a convite da Casa Branca participar da Missão de Líderes Islâmicos e Judaicos da América Latina, com outros oito líderes de ambas as religiões, que debaterão maneiras de "estreitar os laços entre as comunidades".

VAI, AMÉRICA
O ator americano Chris Evans ("Capitão América") chega ao Brasil no dia 9 de abril. Vem divulgar o longa "Os Vingadores".

MALUCO BELEZA
A pré-estreia para convidados do filme "Raul - O Início, o Fim e o Meio", sobre Raul Seixas, em São Paulo, contou com a presença de Kika Seixas, ex-mulher do músico. O diretor Walter Carvalho e Anderson Sabotinha, filho do rapper Sabotage, morto em 2003, também foram à sessão, no Cine Marabá, no centro da cidade.

CURTO-CIRCUITO
O livro "Ponto Chic - Um Bar na História de São Paulo", de Angelo Iacocca, será lançado amanhã, às 17h, no largo Padre Péricles, 139, em Perdizes.

A festa pernambucana Sem Loção volta hoje a São Paulo, no Bexiga. 18 anos.

A banda Letuce se apresenta hoje, às 23h, no Beco 203. Classificação: 18 anos.

A grife John John Denim inaugura hoje loja na rua Oscar Freire.

Emanoel Araújo criou o troféu do Festival Sesc Melhores Filmes.

O maquiador Rosman Braz acaba de lançar o blog Makeuprosman.

A banda Viva Noite se apresenta amanhã no Na Mata Café. 18 anos.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY 

GOSTOSA


Ragnarök, a danação de Thor - HÉLIO SCHWARTSMAN


FOLHA DE SP - 23/03/12


SÃO PAULO - Por que todos amam odiar Thor Batista? A resposta curta é: porque ele é podre de rico. Mais, desempenha com competência o papel de garoto mimado, que dirige carros estupidamente caros, enquanto vai distraidamente acumulando pontos em sua carteira de habilitação.
Já a explicação longa está enterrada bem no fundo de nossos cérebros pré-históricos, forjados numa época em que cada membro do bando era, ao mesmo tempo, um aliado indispensável e um concorrente impiedoso. Para navegar em meio a essa e outras ambiguidades sociais, acabamos desenvolvendo nosso senso moral.
Jonathan Haidt sugere que ele pode ser decomposto em seis sentimentos básicos: proteção, justiça, lealdade, autoridade, pureza e liberdade, que constituiriam uma espécie de tabela periódica do instinto moral. O mapa ético de cada indivíduo seria uma combinação de diferentes proporções desses "ingredientes".
A revolta para com Thor se deve ao fato de que sua situação privilegiada (e que não é atenuada por "boas obras" como fazer filantropia) ofende nosso sentimento de justiça. O problema é que, como temos dificuldade para defini-la, recorremos a aproximações, às vezes esdrúxulas, como identificar o fraco a bom e o forte a ruim. Nietzsche explorou bem o que chamou de "moral do escravo".
Quantos de nós já não nos pegamos torcendo pela débil seleção de Camarões contra a poderosa Alemanha? Basicamente, temos uma vontade irrefreável de "equilibrar o jogo".
Não é preciso quebrar a cabeça para vislumbrar a utilidade do mecanismo. No passado darwiniano, quando ajudávamos o fraco a enfrentar um forte, livrávamo-nos de um rival ou, ao menos, contribuíamos para enfraquecê-lo. Foi nesse espírito que os gregos criaram o instituto do ostracismo, que agora consideramos cruel.
A questão é que, no mundo não pré-histórico de hoje, não deveríamos julgar pessoas com base em sentimentos, mas apenas em evidências.

E a polícia? - LUIZ GARCIA


O Globo - 23/03/12


Os melhores momentos de ficção e realismo da televisão nos últimos tempos foram apresentados pelo "Fantástico" de domingo.

A ficção esteve a cargo do repórter da TV que vestiu a pele de administrador de um hospital federal; o realismo correu por conta dos representantes de quatro empresas que prestam serviços a hospitais federais.

Os empresários — e é bom não esquecer os nomes das firmas: Locanty, Toesa, Rufolo e Bella Vista — negociaram, com a tranquilidade de quem faz isso o tempo todo, o pagamento de propina para ganhar licitações para a venda de refeições e outros serviços.

Não é pouco dinheiro. A Bella Vista, por exemplo, recebe R$ 1 milhão para fornecer duas mil refeições por mês ao Hospital do Andaraí. O seu representante na reunião propôs aumentar um real por refeição para pagar o suborno ao suposto funcionário do hospital. É dinheiro que não acaba mais.

A reportagem do "Fantástico" — certamente um belo momento do jornalismo denunciativo — produziu resultados óbvios. A prefeitura do Rio e o governo estadual já correram atrás do prejuízo.

Que não é pequeno. Na área municipal, os contratos com a Locanty somam mais de R$ 6 milhões. Com a Bella Vista, o total é de mais de R$ 14 milhões.

E o governo estadual gasta cerca de R$ 80 milhões por ano com três das empresas.

O cancelamento dos contratos é inevitável e já foi anunciado. Mas nenhuma autoridade federal, estadual ou municipal até agora — possivelmente porque o pessoal ainda não se refez da surpresa — sequer tentou explicar a inexistência de medidas óbvias que garantissem a honestidade dos fornecedores.

A presidente Dilma teve a reação óbvia de exigir providências concretas nas fraudes em concorrências. Por aqui, o governo estadual e a prefeitura anunciaram estudos para encontrar uma forma de cancelar os contratos sem prejudicar os serviços. No Congresso, a oposição começou a colher assinaturas para a abertura de uma CPI que investigue fraudes em licitações na área de saúde pública, mas a iniciativa pode não ir adiante, porque a bancada governista é contra: alega que o governo já está fazendo tudo que é necessário. É um argumento capenga: as autoridades com certeza não vão investigar a tranquilidade com que os empresários achavam que suas ofertas de suborno seriam aceitas por seus interlocutores.

Pelo menos até ontem, aqui no Rio ninguém falou em chamar a polícia.

Ueba! Juiz bota o Pinto pra fora! - JOSÉ SIMÃO


FOLHA DE SP - 23/03/12

Dia Mundial da Água! A Dilma tá levando uma lavada! Da base aliada. Ops, "muy aliada"!



Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Dois fatos abalaram o planeta: o juiz botou o Pinto pra fora, e o DiCaprio fede! Dia Mundial da Água! DiCaprio só toma dois banhos por semana. Pra economizar água! Ele é muito sustentável, mas o fedor deve ser insustentável! Rarará! O sustentável com "cecê" insustentável. E a manchete do jornal "Meia Hora": "Galã que pegou até a Gisele Bündchen não gosta de banho". A última vez que ele viu água foi quando o Titanic naufragou!

Dia Mundial da Água! O Adriano só bebe cerveja.

Dia Mundial da Água! Sabe o que uma modelo faz pra economizar água? Lava o cabelo no salão. Rarará! É verdade! Perguntaram pruma modelo: "O que você faz pra economizar água?". "Lavo o cabelo no salão!".

E todo Dia Mundial da Água eu boto este cartaz no box: "Lave só o que for usar hoje". Mas eu só vou usar o cartão de crédito!

E o DiCaprio não lava nem o que usou ontem!

Dia Mundial da Água! A Dilma tá levando uma lavada! Da base aliada. Ops, "muy aliada"! Faz o seguinte: volta o mensalão que eles ficam quietos num segundo! Vota tudo a favor! Isso é síndrome de mensalão! Rarará!

Adorei a charge do Jorge Braga com a Dilma de Chapeuzinho Vermelho. Perguntando pra base aliada: "Pra que essa boca tão grande?". Adivinha, "chapelucha"!

De birra, emperraram a Lei da Copa e o código florestal. Libera a birita e cimenta a Amazônia!

E bola pra frente! Eu quero encher a cara no Itaquerão.

É mole? É mole, mas sobe!

Socuerro! Bafo na Libertadores! O juiz botou o Pinto pra fora! No jogo Corinthians x Cruz Azul. Ops, Cruz Credo x Cruz Azul!

É que tem um jogador mexicano chamado Fausto Pinto. Não é falso, é fausto! Aí o Pinto mexicano entrou, se machucou e levou cartão. Deve ser o pinto do seu Madruga!

O Pinto amarelou e levou vermelho. E o juiz expulsou. Botou o Pinto pra fora! Covardia dos mano! Ganhar dum time sem pinto.

E o Timão tá em primeirão! A vaca subiu na árvore. Ninguém sabe como ela foi parar lá, mas todo mundo sabe que vai cair. Rarará!

E se faltar água no planeta, eu bebo Coca-Cola. Rarará.

Nóis sofre, mas nóis goza!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Desordem e regresso - DORA KRAMER


O Estado de S.Paulo - 23/03/12


No momento não há como se falar em base aliada do governo no Congresso. Retrato mais fiel da realidade daria a expressão "base adversária", tal a animosidade reinante (e crescente) no ambiente.

A cada movimento do Palácio do Planalto corresponde uma reação na direção oposta à harmonia relatada na quarta-feira de manhã pelo secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

"O desgaste está superado, está tudo ótimo", disse, enquanto o Parlamento o desmentia: adiou a votação da Lei Geral da Copa, aprovou emenda em comissão para retirar do governo o poder de demarcar terras indígenas e resolveu chamar dois ministros para dar explicações.

Guido Mantega, da Fazenda, sobre problemas na Casa da Moeda e no Banco do Brasil, Miriam Belchior, do Planejamento, sobre os atrasos nas obras do PAC e cortes no Orçamento.

Nessa altura já estava convocado o presidente da Comissão de Ética Pública, Sepúlveda Pertence, para tratar da investigação a respeito das consultorias privadas dadas pelo ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento), numa reabertura de pauta que a presidente Dilma Rousseff julgava fechada.

Isso e mais duas ocorrências paralelas: a vaia ao líder do PT na Câmara ao se referir em plenário aos ruralistas como "predadores da agricultura" e a manobra de José Sarney no Senado convocando discussão extemporânea sobre reforma política que impediu a realização de reunião onde o novo líder do governo na Casa trataria do interesse do Planalto em apressar a aprovação do fundo de previdência dos servidores públicos.

Demais para um dia apropriadamente chamado "de cão"? Não, se olharmos bem para a seguinte discrepância de procedimentos: enquanto os partidos da coalizão se organizam, o Palácio do Planalto se desorganiza, bate cabeças e é pego de surpresa a cada novo lance.

E nem falemos mais na fantasia otimista do secretário-geral da Presidência, porque pode ter sido apenas a expressão de um desejo.

Tomemos fatos concretos: o desacerto sobre a venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante a Copa, a insistência em ir a votações sem o exame prévio das condições objetivas de vitória ou derrota, a troca intempestiva de lideranças, a ausência de comunicação (civilizada) entre os integrantes do governo e deles com o Congresso, a evidente desinformação do Palácio sobre as estratégias engendradas do outro lado da Praça dos Três Poderes e, daí, a impossibilidade de se antecipar às manobras.

Já os partidos ditos governistas só fazem se afinar, atuando em consonância seja nos movimentos de plenário ou nas comissões e seguir ordenadamente a construção da desordem.

O governo, por sua vez, age às tontas, anda às cegas sem saber com quantos paus hoje poderia fazer uma base de real sustentação correspondente ao número de partidos e parlamentares supostamente aliados.

Teoricamente o governo dispõe de muitos, mas realisticamente pode contar com poucos. Quem e quantos são eles, eis a questão. A ser resolvida por um urgente freio de arrumação.

Margens do Ipiranga. Será efêmera a fase de independência por que passa o Poder Legislativo em relação às vontades do Executivo.

Fosse mais sólido e decorrente de convicções não de circunstâncias, seria o campo fértil para o Parlamento exercitar suas prerrogativas e o respeito à Constituição pondo em prática o rito indicado pelo Supremo Tribunal Federal para a tramitação de medidas provisórias: a recusa de todas que não sejam relevantes ou urgentes, mediante exame em comissão especial.

Estica e puxa. A quem interessar possa na militância pela derrubada de Ana de Hollanda do Ministério da Cultura: quanto mais pressão, quanto mais especulação, quanto mais "plantação" na imprensa de nomes de possíveis substitutos, mais firme a ministra fica no cargo.

Quem pisca - VERA MAGALHÃES - PAINEL

FOLHA DE SP - 23/03/12
Reunida ontem e hoje em Recife, a cúpula do PSB discute que caminho adotar na eleição paulistana. Eduardo Campos e Roberto Amaral, presidente e vice do partido, ouviram de Márcio França (SP) a ideia de candidatura alternativa para escapar de aliança com Fernando Haddad (PT) ou José Serra (PSDB).

O governador pernambucano visitará Lula na terça-feira. Nas conversas por telefone, relatou ao ex-presidente a dificuldade de intervir na capital, mas pessoas próximas duvidam que ele dirá "não" se Lula insistir no apoio a Haddad. Nesse caso, Campos negociaria acordo com o PT em praças como João Pessoa (PB).

Enquete Ligada ao PRB de Celso Russomanno, a TV Record será a primeira emissora a explorar o episódio do "papelzinho" de Serra. A emissora consultará os pré-candidatos à prefeitura sobre a importância do cumprimento integral do mandato.

Abstenção Protagonista do evento que lançou, em outubro, a campanha pelas prévias tucanas em São Paulo, FHC viajou ontem para Manaus e disse não ter certeza se voltará a tempo de votar no domingo. Dirigentes do PSDB insistirão na sua presença.

Rumo norte 1
 Cinco dias depois de Serra visitar o Acre, onde obteve sua vitória mais expressiva em 2010, ontem foi a vez de Aécio Neves desembarcar em Rio Branco para reuniões com aliados.

Rumo norte 2 Diante da invasão tucana no Estado governado pelo PT, o deputado petista Sibá Machado (AC) brincou no Twitter: "Serra veio tomar um tacacá; agora Aécio chega para provar um açaí de Feijó. Olho vivo!".

Corpo fechado Sob artilharia pesada de setores do PT ligados à área cultural, a ministra Ana de Hollanda (Cultura) ganhou ontem, em visita ao mercado do Ver-o-Peso, em Belém (PA), dois perfumes com propriedades afrodisíacas: "Atrativo do Amor" e "Atrativo da Sorte".

Tio Sam 1 Dilma Rousseff irá à Universidade de Harvard e ao Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), em Cambridge, em 10 de abril, segundo dia de sua visita oficial aos EUA. As instituições podem receber alunos brasileiros do programa Ciência sem Fronteira.

Tio Sam 2
 Na véspera, a presidente brasileira será recebida para almoço na Casa Branca por Barack Obama.

Caos aéreo O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, trocou três vezes de avião para chegar a Brasília para a reunião de Dilma com empresários. Dois jatos sofreram panes.

Tricô Única mulher na reunião, Luiza Trajano ganhou afago da presidente, que disse que ela "valia por muitas". No início do governo, a dona do Magazine Luiza foi cotada para o Ministério das Micro e Pequenas Empresas, que não saiu do papel.

Nó Mendes Ribeiro (Agricultura) foi chamado ao Planalto ontem para reunião com Ideli Salvatti e Izabella Teixeira (Meio Ambiente) sobre o Código Florestal. O ministro tem dito que é uma "temeridade" deixar a votação para depois da Rio + 20.

Diário Oficial Entre diversas promoções de militares feitas pela presidente está a do coronel Antonio André Cortes Marques a general de brigada. Em 2008, ele pediu a deserção do sargento Laci de Araújo, que assumiu na TV ser homossexual.

Visita à Folha Mário de Magalhães Papaterra Limongi, candidato a procurador-geral de Justiça de São Paulo, visitou ontem a Folha.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio

É um erro de meus irmãos deputados trocar votos em assunto de interesse permanente, como é o Código Florestal, pela Copa do Mundo, que é importante, porém passageira.

DO VEREADOR PAULISTANO CARLOS APOLINÁRIO (DEM), evangélico e autor da lei seca em São Paulo, sobre a articulação da bancada evangélica com a bancada ruralista para condicionar as duas votações no plenário da Câmara.

contraponto

Tendência fashion


Conhecido pelos paletós de cores exóticas, o deputado Domingos Dutra (PT-MA) presidia reunião da Comissão de Direitos Humanos na quarta-feira passada. Chico Alencar (PSOL-RJ) ironizou o traje do colega:

-Estamos todos protegidos pelo manto azul celeste que Vossa Excelência veste!

Jean Wyllys (PSOL-RJ) corrigiu, assinalando que a peça era da cor "azul cerúleo". O petista, então, respondeu:

-Sabia que ele era bonito, mas não que tinha esse nome. Vou anotar para contar para todo mundo! 

Dilma já está no outono - JOÃO MELLÃO NETO


O Estado de S.Paulo - 23/03/12


Eu me recordo bem dos anos 1970, foi neles que passei toda a minha juventude. E me lembro, por exemplo, da passagem do governo do general Garrastazu Médici ao general Ernesto Geisel. A despeito de nuvens negras no horizonte, a autoconfiança nacional era inabalável. Enquanto o ministro do Planejamento, Reis Velloso, tratava de redigir o Segundo Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND) - tão megalomaníaco quanto o PAC 2 -, o novo ministro da Fazenda, Mário Henrique Simonsen, declarava solenemente que o Brasil era "uma ilha de tranquilidade em meio a um mar revolto".

Quanto ao mar revolto, não havia a menor dúvida. A então famosa Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) estabeleceu um aumento de quatro vezes no preço do petróleo e pegou todo o mundo de surpresa. Lembro-me de que até então gasolina era barata. Eu morava no interior de São Paulo, possuía um Ford Galaxie que fazia 4 km por litro na estrada e sempre que nosso grupo ia participar de um baile em alguma cidade próxima todo mundo se oferecia para pagar o combustível. De repente isso acabou. Até o Galaxie, que tratei de vender por uma mixaria.

Bem, apesar da promessa de bonança, o fato é que a tempestade demorou um pouco, mas nos pegou em cheio. O Brasil produzia apenas 20% do petróleo que consumia e não eram poucos os que diziam que a "Petrobrás só era um gigante do chão para cima". De fato, a empresa tinha time de futebol, vôlei, basquete e muitos outros esportes, reunidos em seu departamento desportivo. Explorava hotéis e restaurante, indústrias e comércio. Tinha monopólio na aquisição de petróleo e derivados e também no refinamento. A única coisa que não fazia - ou fazia pouco - era explorar petróleo.

Como hoje, naquela época não acreditávamos que a crise chegaria até nós. E, de fato, seu impacto foi atenuado por um axioma da economia: para algum lugar o dinheiro vai. O dinheiro fez um caminho tortuoso, mas acabou voltando para nós. O seu trajeto foi o seguinte: com a multiplicação dos preços do petróleo, os países da Opep ficaram com os cofres abarrotados. Como não tinham onde aplicar centenas de bilhões de dólares em seus próprios territórios, eles trataram de colocá-los nos bancos europeus. Estes tinham de garantir alguma remuneração aos capitais aplicados. E a opção deles foi oferecer crédito em abundância aos países do então Terceiro Mundo.

O dinheiro, dessa forma, acabou voltando para nós, só que na forma de dívidas. A aposta do governo Geisel foi a de que, realizados todos os projetos previstos no II PND, o Brasil teria recursos suficientes para quitar as dívidas assumidas sem comprometer o desenvolvimento. Mas a aposta falhou. Em 1981, por uma série de razões, iniciou-se nova crise do petróleo e os preços se multiplicaram novamente. Aí não tinha mais jeito. O Brasil mergulhou numa recessão, da qual só viria a sair mais de uma década depois.

Se há alguma lição nessa história, é a de que quando há uma crise mundial nenhum país sai ileso dela.

Agora, uma nova crise econômica se aproxima de nós: ela se iniciou nos Estados Unidos, multiplicou-se pela Europa, contagiou o Japão e atinge até mesmo a China. É ingenuidade acreditar que não aportará por aqui. O índice de crescimento do nosso produto interno bruto (PIB) em 2010 (7,5%) ficou acima da média histórica nacional, mas não alcançou os índices de países vizinhos como Argentina, Peru e Chile. O que houve por aqui foi muita propaganda ufanista. A queda em 2011, agora para 2,7%, é um prenúncio de que nuvens carregadas estão chegando por aí.

Como fica o governo Dilma nessas circunstâncias?

Se estivéssemos num regime parlamentarista, uma crise econômica de tal magnitude com certeza derrubaria o governo. O povo não está disposto a oferecer "sangue, suor e lágrimas". O que todos esperam do governo é que continue a proporcionar bonança e prosperidade para todos. Mas no Brasil tudo se dá de forma diferente.

A presidente Dilma Rousseff conta com a maior base parlamentar da História recente da Nação. Anteriormente, só no regime militar algo similar foi possível. Proporcionalmente, o seu arco de apoios no Legislativo é maior que o de Hugo Chávez, na Venezuela. Não obstante, Dilma vem colhendo seguidas derrotas no Parlamento. O Senado rejeitou até mesmo uma indicação do Executivo para o preenchimento de um cargo numa agência estatal. Por um acordo de cavalheiros, indicações desse naipe são aprovadas sem nenhum questionamento. Que eu me recorde, a última vez que vexame semelhante ocorreu foi quando o então presidente Jânio Quadros indicou um nome para preencher uma embaixada. Esse fato selou o rompimento definitivo entre o Executivo e o Legislativo. E logo em seguida Jânio renunciou à Presidência.

A impressão que fica é a de que o Senado, bem como a Câmara dos Deputados quiseram passar um recado muito duro à presidente: apesar de seus 55 milhões de votos, não dá para ela governar sozinha. Mais cedo ou mais tarde, vai precisar do Congresso Nacional. E quando o procurar, vai ouvir o sinal de ocupado.

Dilma parece não pensar assim. Escorada em estratosférica popularidade, a presidente faz questão de demonstrar a sua ojeriza aos políticos e realçar a sua condição de "técnica". Reside aí um imenso equívoco. Técnicos do nível dela existem milhares. Em condições de exercer a Presidência da República, no momento, só existe ela. Afinal, ela foi eleita para isso.

Enquanto a borrasca não vem, o governo, ao que parece, não acredita que ela chegue aqui. Já faz um ano e três meses que este governo tomou posse e de efetivo nada aconteceu.

Com todo o respeito à sra. presidente, quando é ela que pretende começar a governar?

UMA VACA NO BALCÃO


O jogo de chantagens da ´base aliada´ - EDITORIAL O GLOBO


O GLOBO - 23/03/12



O esperado aconteceu e o Planalto foi derrotado quarta-feira, na Câmara, em várias frentes, numa evidente manobra de chantagem da "base aliada", para avisar à presidente Dilma dos perigos que corre na tentativa de conter o fisiologismo no relacionamento com os partidos.

O choque está anunciado há tempos, desde que, na reposição de ministros abatidos a golpes de escândalos, a presidente passou a demonstrar alguma preocupação com a qualidade de gestão e a lisura no manejo de orçamentos, algo inexistente nos oito anos de hegemonia lulopetista em Brasília. Tão hegemônico que Lula elegeu, com a força do nome, sua chefe da Casa Civil, neófita em palanques.

Por uma dessas trapaças da política, Dilma, por necessitar de um Ministério à altura das dificuldades econômicas que a cercam, e até, suponhamos, por estilo pessoal, decidiu pôr alguma ordem na casa. Pelo menos, tentar. Há oito anos acostumados ao estilo Lula de conversas fáceis sobre acertos fechados sem preocupações com limites financeiros do Tesouro, tampouco com a ética, os partidos da base parecem ter passado do estado de choque para o de rebelião.

A destituição do eterno Romero Jucá (PMDB-RR) do posto de líder do governo no Senado, ato contínuo à provocação feita por ele ao permitir a rejeição, em plenário, da recondução indicada por Dilma de Bernardo Figueiredo à diretoria-geral da Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT), elevou de patamar a crise política do desencontro entre Palácio e bases. Foi aproveitada a ocasião para a troca, no mesmo cargo na Câmara, de Cândido Vaccarezza por Arlindo Chinaglia, dois petistas de São Paulo, mudança, comenta-se, ao gosto da ministra Ideli Salvatti, das Relações Institucionais. Nem o PT se entende.

O troco contra Dilma foi de profissionais. Tem grande impacto impedir a votação da Lei da Copa - assunto de Estado e não só de governo -, ameaçar desfazer o bom acordo feito no Senado em torno do código florestal, aprovar em comissão projeto de emenda constitucional para subtrair do Executivo o poder de delimitar terras indígenas e de antigos quilombos e, ainda, permitir a convocação da ministra do Planejamento, Míriam Belchior, pela Comissão de Trabalho, para explicar cortes no Orçamento. Guido Mantega, ministro da Fazenda, também teve um "convite" aprovado como retaliação. Antes, a defenestração de Jucá teve imediata resposta, dada pela dupla que controla o Senado, Sarney e Renan, com a nomeação, em nome do PMDB, do senador rejeitado por Palácio para relator do Orçamento de 2013, um posto-chave.

Assim como os analistas políticos, Dilma não pode se considerar surpreendida pelas salvas de tiros que recebeu de volta, um fogo que nada tem de "amigo". Chinaglia e o substituto de Jucá, Eduardo Braga (PMDB-AM), têm muito trabalho a fazer, para impedir que o governo Dilma encalhe nos obstáculos que a "base aliada" saudosa do toma lá dá cá lulopetista começa a erguer no Congresso.

Este é um desses testes decisivos com que governantes se defrontam. Se Dilma Rousseff recuar, e logo na primeira grande batalha, abdicará de seu governo. O Brasil tem um regime presidencialista forte. Mas, para exercer o poder, o presidente precisa fazer política, não se fechar no alto da torre do Executivo. Dilma tem testes importantes pela frente.

A democracia twittelada - ROBERTO FREIRE

BRASIL ECONÔMICO - 23/03/12


O TSE não deve se contrapor ao movimento amplo e profundo do uso da internet sem que fira o direito à informação 


A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), também presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), perguntou na semana passada, em reunião plenária do TSE: "O Twitter é uma conversa que, em vez de ser em uma mesa de bar tradicional, é em uma mesa de bar virtual. Nós vamos impedir que as pessoas se sentem numa mesa de bar e se manifestem?". Claro que não. Mas esse não é o entendimento do TSE que proibiu manifestações de cidadãos que pretendam ser candidatos nas eleições de 2012, interagindo e divulgando entre os seus seguidores na rede social sobre o que pretendem fazer, antes do dia 6 de julho-data em que já foram realizadas as convenções partidárias e se inicia a campanha propriamente dita.

Em vista disso entramos com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no STF para impedir que o direito individual, garantido pela Constituição, seja violado. Entendemos que a proibição estabelecida pelo TSE tem caráter de cercear a liberdade de pensamento e de expressão. Nunca devemos esquecer dos governos autoritários que tentam, em vão, controlar a internet.

Maior exemplo de fracasso é o da ditadura teocrática do Irã, que buscou proibir a divulgação, via Twitter, das manifestações populares, logo após as eleições fraudadas, e que foram violentamente reprimidas pelo regime dos aiatolás. Não é possível admitir que no Brasil democrático se pretenda tal insensatez.

Não é demais lembrar que o inciso IV do artigo 57-B, da Lei nº 9.504/97, com as alterações introduzidas pela Lei nº 12.034/09, estabelece que a propaganda eleitoral na internet pode ser realizada através de redes sociais, inclusive por iniciativa de qualquer cidadão. Há dois fenômenos que temos que ficar atentos.

O primeiro diz respeito a velocidade com que as formas de comunicação se expandem, na era da internet. Nos últimos 20 anos a expansão de redes virtuais e instrumentos de troca de informação têm crescido em uma velocidade vertiginosa, alterando inclusive as formas tradicionais de se fazer política. O outro, é sobre a capacidade de interação dos cidadãos, articulados por redes sociais, que os alcançam via celular, por exemplo, proporcionando formas inéditas de participação na esfera política da vida em sociedade, bem como troca de informações e meios de conhecimento dos problemas das cidades e do mundo.

O TSE não deve se contrapor a um movimento amplo e profundo como o uso da internet,em suas diversas formas, sem que se fira o "direito à informação" e à "livre manifestação", regras pétreas do Estado Democrático de Direito. A nosso ver a resolução do tribunal coloca-se contra o desenvolvimento natural do uso dos equipamentos postos à disposição da cidadania, na difusão de informação.

Vivemos numa época de revolução permanente na área da informação, alargando as possibilidades de intervenção cidadã, diminuindo as distâncias entre as pessoas. Não será criando obstáculos contra as formas de comunicação entre os cidadãos que seremos "contemporâneos do futuro". Sabemos quão lenta é a Justiça em sua capacidade de adaptação às novas demandas sociais postas pela revolução da internet, e pelo conflituoso processo democrático. Seguramente não será proibindo o uso de Twitter por possíveis candidatos que seremos participantes do presente. Seremos contemporâneos do passado.

Jornada de vexames - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 23/03/12


Foi um caso exemplar de junção da fome com a vontade de comer. Interesses objetivos de parcelas ponderáveis do Congresso deram anteontem aos políticos que supostamente formam a base parlamentar do governo o clássico leque de oportunidades por que ansiavam para mostrar à presidente Dilma Rousseff, em português claro, quem é que manda no pedaço. Não sobrou nada para o Planalto se consolar - e, de passagem, resgatar do ridículo completo o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Ele entrou para o rodapé da história com a memorável declaração "Está tudo ótimo", enquanto do outro lado da Praça dos Três Poderes a autoridade política de sua chefe estava para ser dizimada.

Pode-se começar por onde se queira a crônica da jornada de vexames para a presidente que não apenas não consegue sair da crise com os seus volúveis aliados, como parece nela soçobrar cada vez mais, por não ter a menor ideia de como administrar a sua relação com esses calejados políticos dos quais, queira ou não, depende. O baque mais fragoroso foi o adiamento da votação da Lei Geral da Copa na Câmara dos Deputados, que encabeça a agenda de prioridades de Dilma. O PMDB aderiu gostosamente à resistência da bancada ruralista a deliberar sobre a matéria e ela ficou para as calendas. O que liga uma coisa à outra é o destino do projeto do Código Florestal - em torno do qual tudo mais gira para os 230 parlamentares que representam o agronegócio na Casa de 513 membros.

Não fosse a mala sangre entre o governo e a bancada dita governista (noves fora o PT e companheiros de viagem), essa seria uma queda de braço normal no cotejo de forças do Legislativo com o Executivo. A presidente, temendo que os ruralistas reconstituam o substitutivo ao projeto do governo que haviam conseguido aprovar e que foi desfeito no Senado, quer empurrar a decisão final para depois da conferência ambiental Rio+20, a se realizar em junho. Do contrário, saindo os ruralistas vencedores, Dilma correria o risco de receber o Troféu Motosserra com que os verdes distinguem aqueles a quem querem desmoralizar. E os ruralistas, na deles, condicionam a votação da Lei da Copa à antecipação do exame do Código. Tivesse Dilma de verdade a maioria numérica na Casa, o texto que a Fifa cobra seria votado.

A presidente amargou ainda a aprovação, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, onde o governo também é em tese majoritário, da proposta de emenda constitucional que transfere para o Congresso a prerrogativa do Executivo de demarcar terras indígenas e áreas de preservação ambiental. Dado que o projeto tem longa tramitação pela frente, a derrota de Dilma foi antes simbólica do que substantiva - mas equivaleu a uma descompostura pública. Somem-se a isso a convocação da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, para depor na Comissão do Trabalho da Casa, e os convites para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência, Sepúlveda Pertence, falarem à Comissão de Fiscalização e Controle sobre assuntos embaraçosos - respectivamente, os problemas na Casa da Moeda e no Banco do Brasil, e as "consultorias" do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel.

E não é que, tendo a matilha do PMDB e companhia bela demarcado o seu território no condomínio do poder, se pode considerar virada a página e aplainada a crise. Dilma, que começou a vida fazendo a política do confronto direto com a ditadura militar, mas não tem gosto nem aptidão para as pedestres negociações com os políticos sôfregos por sua parte no butim, carece dos atributos necessários para fazer valer as "novas práticas" de que fala o seu recém-escolhido líder no Senado, Eduardo Braga. Os índices de aprovação da presidente nas pesquisas não parecem conferir-lhe autoridade no trato com a base aliada. Ao contrário do que se passava ao tempo do presidente Lula, simplesmente não fazem parte da equação política de Brasília.

Enquanto Dilma não dissolver esse paradoxo - e não se veem no horizonte indícios de que o consiga -, o seu desgaste persistirá. As consequências, já dizia o Conselheiro Acácio, virão depois.

A herança do radicalismo - GILLES LAPOUGE

 O Estado de S.Paulo - 23/03/12


Ele está morto. Na véspera, disse que não queria morrer e "adorava matar", mas não ser morto. Preferia viver. Depois corrigiu. Afirmou: "Se eu morrer, será sorrindo". Mais tarde, disse: "Morrerei de arma na mão".

Os policiais e políticos fizeram de tudo para evitar sua morte. Queriam ouvi-lo. Esperavam que a fadiga e a angústia conseguissem dobrá-lo, mas, depois de 32 horas de reclusão em seu apartamento em Toulouse, ele ainda resistia. Então os homens da tropa de elite francesa entraram. Cinco minutos de inferno. Tiros. O homem que quis "colocar a França de joelhos" caiu por terra, sem vida.

É o que sabemos. O resto é mistério. As raras pessoas que o encontraram se contradizem. Alguns se recordam do seu "olhar frio". Bastava olhar para ele para sentir medo. Mas Christian Etelin, que o conheceu melhor, pois foi seu advogado nas várias altercações que Merah teve com a Justiça desde a adolescência, fala de "uma beleza fascinante", uma "voz doce", "um rosto de anjo".

Agora, muitas questões serão levantadas. Uma delas é técnica. Como o serviço secreto francês, que tinha a ficha de Merah em seus arquivos e o conhecia bem, jamais agiu para neutralizá-lo? Enquanto ele não passasse à ação, isso é normal. Não se prende qualquer um só porque viajou ao Afeganistão. Mas deveria ter sido vigiado. Além disso, decorreu mais de uma semana entre o assassinato do primeiro soldado e a morte das crianças judias. Não seria prudente levantar sua ficha, procurá-lo?

Um outro aspecto, mais importante: na França todos achavam que o perigo do terrorismo extremo tinha desaparecido. Não é verdade. Uma disputa já se desenha no horizonte. A extrema direita de Marine Le Pen critica Nicolas Sarkozy pela sua excessiva tolerância em relação à imigração. Os amigos de Sarkozy, por seu lado, acusam os socialistas e a esquerda de gritar de indignação e citar sempre os direitos humanos cada vez que o governo quer reforçar os controles, expulsar os imigrantes clandestinos, expurgar as "áreas difíceis" (subúrbios de imigrantes).

Sarkozy já anunciou novas medidas drásticas para derrotar o terrorismo. Ninguém duvida que, na sua campanha eleitoral, ele vai "radicalizar seu discurso, mais à direita", para esvaziar o reservatório de votos de Marine Le Pen e cercar o socialista Hollande, retratando-o como um frouxo, um fraco.

Radicalismo. A mórbida aventura de Merah e o despertar do terrorismo levanta um outro ponto, que raramente é discutido há mais de um ano do início das revoluções da Primavera Árabe. Três países se livraram dos seus tiranos: a Líbia, a Tunísia e o Egito. Esses ditadores eram inimigos do terrorismo islâmico.

Os três países atravessam hoje um período de transição, tentando desenvolver uma democracia. Não é fácil. A desordem e o quase caos reinam na Líbia, no Egito, na Tunísia. Os islâmicos retornaram. Estão prestes a dividir a Líbia em duas. Na Tunísia, os salafistas tornam a vida dura, muito dura, para as autoridades. No Egito, a Irmandade Muçulmana ressurge com toda força. Seus membros sustentam que se tornaram democráticos, mas ninguém duvida que sonhos obscuros povoem suas noites e a sharia faça parte do seu pequeno teatro mental.

Claro que o personagem estirado no chão na manhã de ontem, o imbecil, o cretino que espalhou a morte em Toulouse não tem nenhuma relação com esses três países. Mas é evidente que o discurso, a pregação, o sermão, o messianismo islâmico encontraram nesses países mergulhados na desordem e no sofrimento novas reservas de mortífera eloquência. E essas vozes serão ouvidas, durante meses, talvez anos, pelos espíritos fracos e abandonados que atormentam as cidades da Europa. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Rebeldia e desalento - EDITORIAL FOLHA DE SP


FOLHA DE SP - 23/03/12

A opinião pública vê-se relegada a segundo plano a cada momento em que os atores políticos se entregam a negociações fisiológicas

Para amplos setores da população, pouca coisa será mais enfadonha e previsível do que as periódicas rebeliões da base governista no Congresso Nacional.

O que surpreendeu, nestes dias, foi a intensidade do fenômeno, com a imposição de derrotas em série ao Executivo -e isso num momento em que economia e popularidade presidencial são favoráveis.

Num único dia, o governo Dilma Rousseff viu adiada a votação da Lei Geral da Copa, sentiu mais uma vez a força da bancada ruralista no tema do código florestal, experimentou a possibilidade de perder sua prerrogativa na demarcação de terras indígenas e teve dois de seus ministros chamados a dar explicações no Congresso.

A mera menção a esses assuntos já é suficiente para atenuar o sentimento de tédio e mesmice que o espetáculo provoca.

Temas como a permissão para consumo de bebida alcoólica nos estádios da Copa do Mundo ou a proteção de áreas florestadas em propriedades agrícolas não deixam de ter consequências reais e, bem ou mal, suscitam em vários grupos sociais movimentos de apoio ou de repúdio.

Nada mais legítimo, desse ponto de vista, que a bancada evangélica queira evitar a venda de álcool nos estádios. Ou então que ruralistas pressionem para transferir às mãos do Congresso o poder de demarcar os territórios indígenas.

Tudo seria sinal de vigor democrático, não fosse a circunstância de que movimentos dessa natureza tendem a ser aplacados não tanto pela negociação concreta em pontos doutrinários como pela distribuição de novos cargos e verbas.

Apesar do tom menos conciliador e mais "gerencial" com que Dilma procura distinguir-se do antecessor e testar um apoio que vá além da antiga fiança lulista, na prática o governo deu sinais de leniência. Nada houve de "gerencial", por exemplo, na nomeação do senador Marcelo Crivella, da bancada evangélica, para o Ministério da Pesca. Só isso já serviria como um sinal de que estava reaberta, passe o termo, a temporada de caça por cargos e concessões.

Outro fator complica ainda mais a situação. Com sua base partidária inchada, o governo negocia não apenas as vagas e emendas de sempre, mas também as alianças com vistas às eleições municipais. É quase impossível satisfazer a todos e a tantos interesses. O fisiologismo cobra seu preço.

A opinião pública, que não é nenhuma abstração quando se trata de Copa do Mundo ou ecologia, vê-se minimizada a cada momento em que os atores políticos se entregam a suas negociações fisiológicas; natural, então, que o desalento e a despolitização, mesmo em assuntos de grande relevância, saiam vencedores.

CLAUDIO HUMBERTO

“Até reunião ministerial atrasa no Brasil”
Ministro Aldo Rebelo (Esporte) sobre atrasos nas obras da Copa do Mundo de 2014

DILMA SINALIZA QUE NÃO SE IMPORTA COM REELEIÇÃO

A atitude de Dilma é de quem não disputará a reeleição. Suas broncas que impressionam pela ferocidade, além de ministros, atingem aliados e “eleitores” importantes. Em recente visita ao Rio de Janeiro, ela embarcou com o governador e o prefeito num passeio que se tornaria desagradável, no teleférico de uma favela. Fechada a porta, ela se dirigiu a Sérgio Cabral tão asperamente que Eduardo Paes, sem saber o que fazer, colou o rosto na janela oposta, insinuando não testemunhar a cena degradante.

NORDESTINO REAGIU...

Ao contrário de Sérgio Cabral, que não respondeu, o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), interrompeu a bronca áspera que ouvia de Dilma.

...EXIGIU RESPEITO...

Olho no olho, Cid Gomes exigiu respeito, deu as costas e saiu da reunião. Surpresa, Dilma não reagiu; ficou pálida. Quase catatônica.

...GANHOU SOLIDARIEDADE...

Eduardo Campos (PSB), governador de Pernambuco, correu atrás de Cid Gomes e pediu que voltasse à reunião. Ou ele também não retornaria.

...E DILMA FICOU GENTIL

Mais tarde, no almoço, Dilma afagou a cabeça de Cid Gomes, sentado, e perguntou: “Ainda está zangado?” Era Dilminha paz e amor de volta.

RIO: DONO DA LOCANTY FATUROU NO MEC, ANP ETC.

A SCMM Serviços de Limpeza e Conservação faturou R$ 2,4 milhões em 2010, em “contrato emergencial para contratação de porteiros” na Universidade Federal do Rio de Janeiro, do Ministério da Educação. A empresa é de João Alberto Barreto, dono da Locanty, denunciada por corrupção na Saúde e alvo de devassa. A Locanty também levou R$ 12 milhões num contrato com a Agência Nacional de Petróleo, em 2011.

TEM PARA TODOS

A SCMM também faturou R$ 670 mil no Ministério da Ciência e Tecnologia, e quase R$ 600 mil na Petrobras, em 2010.

DESOBEDIÊNCIA

A Defesa Civil do Rio de Janeiro ignorou o governador Sérgio Cabral e contratou a Ruffolo, denunciada no Fantástico, por R$ 483 mil, sem licitação.

SEM COMENTÁRIOS

Com 668.279 seguidores e assíduo no Twitter, o bilionário Eike Batista deu um tempo no microblog para evitar mais polêmica com o filho Thor.

PRIMEIRO LUGAR

Pesquisa anual do Instituto FSB revelou que esta coluna é a favorita dos parlamentares do Congresso Nacional, com 68% das citações, seguida das colunas de Dora Kramer (66%) e Miriam Leitão (64%). Cada entrevistado foi solicitado a citar três nomes.

NÃO DÁ IDEIA

Denunciar e investigar, é só começar: o tempo pode fechar para o governador Sérgio Cabral se esmiuçarem os contratos com o amigão de Miami, Arthur Soares Filho, o “rei Arthur”, da Facility.

MICO DOMINICAL

O ministro Alexandre Padilha (Saúde) pode ser submetido a um mico, domingo (25), em Maringá (PR), ao inaugurar a Central do Samu: ambulâncias entregues em 2010 estão paradas por falta de grana.

FURNA DA ONÇA

Furnas Centrais Elétricas não se emenda: o Tribunal de Contas da União quer a relação dos contratados em lugar dos terceirizados. O rolo se arrasta há anos e já rendeu multa trabalhista de R$ 200 mil.

SOZINHA NO BARCO

O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) criticou a atitude dos ministros, que “ajudam pouco a presidente Dilma” na crise com a base aliada no Congresso. Também acha que eles não ajudam a ministra Ideli Salvatti.

REGRA NÃO ESCRITA

Sob a condição de tratar apenas de economia, o deputado Vaz de Lima (PSDB) aprovou convite ao ministro Guido Mantega (Fazenda) à Câmara. Mas os deputados são livres para perguntar o que quiserem...

CUMPRA-SE A LEI

Advogados da União precisaram ir à Justiça para que a Advocacia Geral da União cumpra a lei. Agora, a Justiça Federal mandou demitir todos os não concursados que ainda atuam nos ministérios como se fossem procuradores. A AGU, é claro, deve recorrer.

TREM DOIDO

Para o líder do PR, deputado Lincoln Portela (MG), foi o “governo que derrotou o governo” ao condicionar a votação da Lei Geral da Copa ao Código Florestal: “Arlindo Chinaglia já pegou o trem descarrilando”.

PENSANDO BEM...

...março é o agosto de Dilma. 

PODER SEM PUDOR

CAMINHO DA FELICIDADE

Representante da Associação Amazonense de Municípios, Beto Mafra expôs na Comissão de Educação do Senado, nesta semana, as razões pelas quais a bola da Copa deve se chamar Caramuri: é que se trata de uma fruta que só pode ser colhida de quatro em quatro anos.

Ao final da exposição, ofereceu um brinde à Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). A senadora declinou e sugeriu que o mimo fosse oferecido a Roberto Requião (PMDB-PR). Constrangido, Mafra explicou que se tratava de uma camisa feminina. Requião não se fez de rogado:

– Sou heterossexual convicto, mas se, por força do destino, vier a me apaixonar por um rapagão, não terei o menor preconceito em seguir o caminho da felicidade... 

SEXTA NOS JORNAIS


Globo: Dilma pede a empresários pressão sobre Congresso
Folha: Alckmin põe fim às aulas de reforço nas escolas de SP
Estadão: Dilma promete a empresários mais estímulo à indústria
Correio: PF aborta massacre a alunos da UnB
Valor: Aumento das dívidas deve retirar fôlego do consumo
Estado de Minas: Copa à mineira
Zero Hora: Alta do petróleo já eleva preços e deve chegar à gasolina

quinta-feira, março 22, 2012

Minuto de silêncio - TUTTY VASQUES


O ESTADÃO - 22/03/12

Pela foto dos machucados que Thor Batista postou no Twitter dá pra ver bem: os arranhões provocados pelo atropelado atingiram em cheio os 45 centímetros de pelo menos um dos bíceps que o primogênito do Eike apresentou como cartão de visitas em célebre reportagem da Veja Rio sobre a fórmula de sucesso do cara: “Nunca li um livro inteiro!” – lembra disso?
Não à toa, Luma de Oliveira – mãe é mãe! – está preocupada: toda vez que a família do bilionário ocupa a rede social para exaltar o exemplo de cidadania de Thor diante da fatalidade causada “inadvertidamente” pelo ciclista morto no local, o povo – o, raça! – desconfia. “Aí tem!”
Afora o preconceito indisfarçável com os ricos, brasileiro nenhum acredita na existência de alguém tão politicamente correto circulando em território nacional, ainda mais num sábado à noite qualquer. Muito menos com os antecedentes do motorista em questão.
Se pudesse, ninguém duvida disso, Eike Batista compraria logo 10 ciclistas pobres para repor a perda com sobras e minimizar o sofrimento da tia da vítima, mas o melhor que pode fazer agora é seguir o exemplo da ex-mulher: um minuto de silêncio, por favor, não há mais o que fazer!

Efeito ThorO rapper MV Bill se defende da acusação de ter agredido a irmã a pauladas:
“O air bag dela nem abriu!”

Ponto de bala“QUEM DISSE QUE O ADRIANO ESTÁ FORA DE FORMA?!”
Ronaldinho Gaúcho, ao pedir dispensa do treino matinal de terça-feira no Flamengo, depois de uma noitada com o Imperador em pagode na Barra da Tijuca.

Mercado paraleloSe persistir por longo tempo a proibição sobre a comercialização de próteses mamárias no Brasil, a namorada do cantor Belo, Gracyanne Barbosa, vai acabar desmembrando para colocar a venda seus 450 ml de silicone distribuídos em 98 cm de busto.
Vão valer uma fortuna no câmbio negro.

Basta!A Saúde Pública no Rio é mesmo uma pouca vergonha, mas daí a culpar a rede hospitalar do município pela morte de uma baleia na terça-feira em São Conrado, peralá!
Oposição também tem limite!

Não é sério!Não importa a forma final que tome no Congresso, a tal Lei da Copa – como tantas outras no Brasil –, não vai pegar mesmo na prática.
Não perca seu tempo com essa discussão que está rolando em Brasília. 

Bando de loucosO porco que hoje de manhã caiu de um carro em movimento e foi atropelado na avenida 23 de Maio pode ter sido atirado por integrantes da Gaviões da Fiel.
Só se fala disso na Mancha Verde!

SaudosismoEntreouvido num cafezinho de humoristas na redação da Piauí Herald:
“Falta ao governo Dilma uma primeira-dama como dona Marisa Letícia. Na época do Lula, Brasília era muito mais engraçada!”
Há controvérsias! 

Chantagem e radicalismos - CAROLINA BAHIA

ZERO HORA - 22/03/12

O Planalto pagou para ver e saiu derrotado do primeiro embate com os aliados na Câmara. Descontente com o pouco espaço no governo e com emendas congeladas, o PMDB é um aliado poderoso que cobra a fatura cedo ou tarde. O líder Henrique Eduardo Alves comandou com gosto o motim que impediu a sessão sobre a Lei Geral da Copa. O que está em jogo é a votação do Código Florestal, uma bandeira da bancada peemedebista, que exige uma data para apreciar o projeto, em troca das regras da Copa. É chantagem, mas uma resposta à radicalização do Planalto. Dilma não admite mudanças no texto do Senado. E não há nem clima para negociação. Há quase um ano, o PMDB derrotou o Planalto na votação do mesmo Código. A novela se repete, agora em meio a uma grave crise política. O ministro Mendes Ribeiro (Agricultura) avisa que a votação ficará para depois da Páscoa. E quem paga a conta é o produtor rural, que vive na insegurança jurídica.

País do jeitinho
É uma atitude covarde do Planalto e do Congresso jogar para os Estados a decisão sobre a venda de bebidas na Copa. O compromisso foi assumido pelo governo com a Fifa. Se a própria presidente Dilma disse que o Brasil precisa cumprir seus contratos, deixando de ser o país do jeitinho, é só passar do discurso à prática.

Gula
Antes de deixar a Feira do Polo Naval, em Rio Grande, o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, passou pelo estande de Pelotas. Como o tempo foi curto para provar mais de um docinho, a equipe do ministro perguntou se podia levar algumas das delícias para viagem. Passos saiu de lá com uma caixa de bem-casados e ninhos.

Approach
No lançamento da exposição sobre os 90 anos do PC do B, ontem, o candidato do PMDB à prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita, conversava com o ex-ministro Orlando Silva, na tentativa de estreitar laços na eleição paulista. No clima de chega pra cá com os comunistas, Chalita se aproximou de Manuela D"Ávila e disparou:
- Veja o caso de Porto Alegre. Lá, a minha candidata é a Manuela!

Agora vai
Diante da choradeira de autoridades que não conseguem pagar o piso dos professores, o MEC aposta no Congresso para chegar a um acordo. À frente de uma comissão especial, a deputada Fátima Bezerra (PT-RN) convocará prefeitos e governadores para discussão. Fátima, aliás, é aliada do ministro Aloizio Mercadante (Educação, foto) na defesa do aumento de 22% concedido pela União.

Sonho teu
As ameaças da bancada do PTB ao governo Dilma não são à toa. Deputados estão de olho na secretaria executiva do Ministério do Trabalho. Quem conhece a presidente já avisou que a bancada ficará só na vontade. 

Um ano depois - ROGÉRIO GENTILE


FOLHA DE SP - 22/03/12
SÃO PAULO - Eduardo Braga assumiu a liderança de Dilma no Senado proclamando que a presidente decidiu dar um basta ao fisiologismo. "Chegou o momento de novas práticas na política. A política do toma lá dá cá está no passado."
Se verdadeira, a disposição saneadora da presidente merece, claro, ser elogiada. Mas é necessário um pouco de cautela. Primeiro porque não faz um mês que Dilma nomeou para o Ministério da Pesca alguém (Marcelo Crivella, da Universal) que não entende nada do assunto só para evitar críticas dos evangélicos ao PT na eleição. Isso é a nova política? Outro dado a ser considerado é o fato de que, ao anunciar o "basta", o governo acabou admitindo que o tal "toma lá dá cá" existiu até então. Sendo assim, seria importante que o Senador explicitasse quais são essas práticas com as quais Dilma não aceita mais conviver após sete anos como ministra de Lula e um ano depois do início do seu mandato. Em tempos de julgamento do mensalão, pode ser uma boa contribuição.
Além disso, por mais que o marketing oficial louve a "faxina" que Dilma fez no ministério, a bem da verdade, ela, na maioria das vezes, apenas reagiu ao noticiário. Só demitiu quando a imprensa apontou problemas contra esse ou aquele ministro.
Limpeza, de fato, teria feito a presidente se não tivesse nomeado ou reconduzido ao cargo muitos dos quais foi posteriormente obrigada a demitir e sobre quem há muito já se conhecia a fama ou o currículo. Ou será que Dilma, ao resgatar Palocci, ignorava a história da quebra do sigilo do caseiro? E ao nomear Pedro Novais, não sabia que ele era acusado de gastar verba pública em motel?
Dilma tomou posse prometendo ser rígida na defesa do interesse público.
As declarações do seu líder e a atual crise no Congresso são animadoras na medida em que apontam para essa direção. Mas só o tempo vai dizer se a presidente está efetivamente dando um basta ao fisiologismo ou apenas redividindo o bolo.

Calma, gente - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 22/03/12

Um grupo de “ativistas culturais” convoca pelas redes sociais (http://on.fb.me/GHH0e4) um ato dia 29, às 14h, em frente ao Clube Militar, no Centro do Rio, pela democracia e a favor da Comissão da Verdade. Prometem ir de pijamas em protesto contra militares da reserva que programaram, também ali e no mesmo horário, o painel “64 — A verdade”, pelos 48 anos do golpe militar.

A festa é fora

Um Pelé dos negócios da Copa concorda que a Budweiser, patrocinadora da Fifa, perderá pouco, em vendas, se proibirem cerveja nos estádios. Onde a loura da InBev deve encher o cofrinho é nos Fan Fest Fifa, fora dos estádios. Neles, telões exibem os jogos, com muita música, suor e... cerveja.

Segue...

Estima-se que, na Copa de 2006, cerca de 18 milhões de pessoas tenham passado pelos Fan Fest em 12 cidades alemãs.

CBF continua no Rio

É muito difícil tirar a CBF do Rio, independentemente de o paulista José Maria Marin, seu novo presidente, ter garantido a Paes que a entidade não sai. É que o estatuto da CBF estabelece que eventual mudança da sede tem de ser aprovada por unanimidade, incluído o voto da Federação de Futebol do Rio.

No mais

Esta semana, bares e botequins paulistas oferecem três opções de petiscos no São Paulo Boteco Week. Bom apetite. Mas... Boteco Week é o cacete. Com todo o respeito.

Música clássica
Nelson Freire, nosso pianista maior, acaba de gravar um CD pelo selo Decca só com compositores brasileiros. Aliás, seu recital em Paris, dia 10 de abril, terá Villa-Lobos e Lorenzo Fernandez, com Beethoven, Schumann e Chopin.

O CAMINHO DO VALONGO, no Morro da Conceição, no Rio, que abrigava um mercado de escravos no século XVIII, vai virar mirante, com vista até para o Redentor. Asobras da prefeitura acabam ainda este mês. Antes cheio de lixo e mato, o local agora tem rede de drenagem, pavimentação, mureta e rampas. Os novos bancos de concreto foram revestidos com granito. Nos próximos dias, o mirante vai receber iluminação. Vamos torcer, vamos cobrar.

Complexo de vira-lata
Economistas parceiros da coluna não sabem por que o governo Dilma apoia, para o Banco Mundial, um ex-ministro da Colômbia (José Antonio Ocampo) e uma ex-ministra da Nigéria (Ngozi Okonjo-Iweala), e descarta o nosso ex-ministro Pedro Malan. — O complexo de vira-lata de que Lula falava ainda ataca o governo? — pergunta um deles.

Na verdade...

Esta é uma briga de cachorro grande. Os EUA, tradicionalmente, têm indicado o presidente do Banco Mundial. Desta vez, o candidato oficial parece ser o ex-ministro Lawrence Summers. Mas na internet já há a campanha Parar Summers.

Cine Dilma

A convite de Dilma, Selton Mello e Paulo José inauguram hoje, às 17h, em Brasília, o Cine Planalto, para que servidores da Presidência assistam a filmes que “ajudem a pensar”. A turma vai ver “O palhaço”.

O perfume de Joel
Joel Santana é a nova vítima dos aeroportos brasileiros. O técnico do Flamengo teve a mala arrombada, sábado, no Santos Dumont, ao despachá-la no voo da Trip fretado pelo clube para levar o time a Macaé, RJ. Só descobriu quando chegou ao hotel. O larápio fez a limpa.

O preju...

O ladrão levou duas calças e três camisas (uma branca e outra preta, de seu uniforme nos jogos, mais uma rubro-negra, que carrega “para dar a amigos”). Joel ficou chateado ao ver até a necessaire arrombada: “O cara levou meu perfume, pô! Um francês, que o vidro é um belo corpo de mulher, Jean Paul Gaultier!”

De volta ao Brasil

Lee Bollinger, presidente da Universidade de Columbia, que chega hoje ao Rio, diz que abrir o Centro Global de Columbia no Brasil tem “sabor especial”. É que, com 16 anos, em 1963, passou um ano em Belo Horizonte, num intercâmbio.

O outro lado

Policiais da Delegacia do Consumidor foram ontem ao Gero, em Ipanema, e checaram as validades dos produtos sem encontrar qualquer irregularidade. O restaurante estranha que a vovó intoxicada supostamente ao jantar ali, motivo de nota aqui ontem, não o tenha procurado.

Retratos da vida

Não quer dizer nada, é só uma coincidência. O carro que Thor, filho de Eike Batista, dirigia ao atropelar o ciclista, um Mercedes SLR McLaren, coisa só para ricos, teria sido comprado do dono da Locanty.