quarta-feira, março 14, 2012

Ueba! Matusalém assume CBF! - JOSÉ SIMÃO


FOLHA DE SP - 14/03/12
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! CBF Urgente! Sai o Tutancâmon e entra o Matusalém! O Marin. O Medalhim. Vulgo Zé das Medalhas!
Idade mínima para assumir a CBF: 80 anos! Currículo: tenho 80 anos e já bafei uma medalha. Aceito! Sucessor do Ricardo Teixeira!
A CBF é uma capitania hereditária. Em 1500 e pedrada o rei de Portugal deu a CBF pro Ricardo Teixeira. Pessoalmente. Rarará!
E até o comércio festeja. Boletim da Sportfield: "Adeus, Ricardo Teixeira. Promoção Relâmpago de Comemoração. Camisa do Brasil 2010 Nike. Por apenas 79,90!".
E o Kibeloco dá o histórico; quando o Ricardo Teixeira assumiu a CBF, o Raul Seixas e Salvador Dali estavam vivos, o muro de Berlim tava em pé, o Faustão não estava na Globo e o Sarney era presidente.
Aliás, diz que o Sarney ligou pro Teixeira: sua decisão não foi precipitada? Rarará!
Outra bomba! Vai dar terremoto no Brasil. O Adriano caiu. Primeiro caiu o Teixeira com aquela barriga da falsa grávida de Taubaté. Rarará! Agora cai o Adriano, o Gordozilla!
"Adriano não joga mais no Corinthians." Não entendi esse "mais". Algum dia ele jogou? Rarará!
Diz que falavam pro Adriano: "amanhã vai ter treino". "Oba! Em que boate?" Rarará!
E um cara escreveu no meu Twitter: "o Adriano não era jogador do Corinthians, era paciente do clube!".
O Adriano vivia de atestado! E eu tenho a foto dum elefante sendo içado, com a legenda: "Adriano voltando da balada". Rarará!
Mas o fato mais marcante do futebol é a foto do grito de uma torcedora, o apelo de uma torcedora chorando, aos gritos, contra as grades do estádio e com um cartaz na mão: "Me engravida Neymar!". Rarará!.
Me engravida mas tira essa cueca Lupo! Cueca Lupo: segura um atacante e duas bolas. Rarará!
É mole? É mole mas sobe!
E olha a faixa numa igreja evangélica: "Dia da Libertação Total. Com as presenças do ex-defunto e do ex-aidético, relatando seus vibrantes testemunhos".
Igreja evangélica é tudo ex: ex-defunto, ex-detento, ex-drogado, ex-gay. Rarará!
Eu vou abrir uma igreja evangélica para ex-evangélicos. Rarará! Nóis sofre mas nóis goza
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Um chute no traseiro da Constituição - JOSÉ NÊUMANNE


O Estado de S.Paulo - 14/03/12


Ao decidir que o Instituto Chico Mendes não podia existir legalmente por ter sido criado por lei baseada em medida provisória (MP) que havia transitado pelo Congresso sem obediência à premissa, prevista na ordem jurídica vigente no País, de passar por comissão especializada antes de ir ao plenário, o Supremo Tribunal Federal (STF) cumpriu sua tarefa comezinha de julgar o que é constitucional ou não. E nessa condição estão todos os efeitos jurídicos e práticos de cerca de 500 MPs vigentes e ilegítimas. Ao recuar da decisão tomada no dia anterior, consciente de que, embora acertada, a jurisprudência poderia criar um caos jurídico sem precedentes na História da República, o órgão máximo do Poder Judiciário mostrou equilíbrio, sensatez e humildade, três virtudes políticas que faltam ao Executivo e ao Legislativo, cujos representantes são... políticos eleitos pelo povo.

Mas o STF não tinha alternativa à decisão que tomou de restabelecer o primado legal que havia sido abandonado por parlamentares e presidentes que, mesmo redigindo, votando, promulgando e assinando leis ou decretos, não podem descumprir cânones neles fixados. Deu, então, prazo de 14 dias para uma comissão especial composta por senadores e deputados analisar, antes de encaminhar à votação final, a providência administrativa que o governo federal considere urgente e de alta relevância e Câmara e Senado com isso concordem. Com a insensibilidade de ofício, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), teve o desplante de reclamar da insuficiência desse prazo, apelando para o débil argumento de que questões políticas postas em confronto na votação das medidas exigem prazo mais longo. "O Supremo não pode se meter nesse assunto", disse o ex-líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP).

A política, tal como praticada no Brasil, é a arte de submeter os fatos aos argumentos. Então, sempre que algum prócer parlamentar ou executivo quer mandar a realidade às favas, convém recorrer à História para restabelecer a verdade. As medidas provisórias são uma tecnologia parlamentar criada para amenizar um velho impasse entre gestão e negociação, comum em qualquer democracia, mas mais acirrado em sistemas parlamentares, em que cabe ao Parlamento gerir o interesse público.

Em princípio, ela foi acrescentada à Constituição como fórmula para permitir a instituição do parlamentarismo, alheio à tradição presidencialista da condução dos negócios públicos no Brasil. Os mandachuvas da Constituinte eram parlamentaristas e a Carta foi encaminhada no sentido de permitir um sistema de governo que tornasse viável a substituição do estilo americano pelo europeu. No meio do caminho, contudo, tinha uma pedra no sapato parlamentarista e esse mineral se tornou maior do que o calçado. Convicto de que a guinada do sistema de governo lhe furtaria mais poder para transferi-lo a Ulysses Guimarães, o então presidente José Sarney submeteu a Constituinte ao tacão do velho presidencialismo monárquico, adotando-o explicitamente.

Na prática, preparada para o parlamentarismo, mas entregue ao poder presidencial, a Constituição de 1988 permitiu a proliferação dos partidos e tolheu o poder do voto do cidadão: este só tem controle real sobre a escolha de seu representante nas eleições majoritárias para cargos executivos. A mixórdia do voto proporcional instala a confusão federativa, ao alterar o peso do voto da cidadania pelo conceito inverso na composição da Câmara, jogando no lixo o próprio princípio da representatividade. A representação do Estado menor é maior do que a do Estado maior, proporcionalmente, anulando o conceito elementar da democracia saxônica, de acordo com o qual cada cidadão tem direito a um voto.

A composição da Câmara dos Deputados foge ao controle do cidadão e é entregue de bandeja às oligarquias partidárias, que recriaram o velho esquema do coronelismo da República Velha se aproveitando dessa cusparada em Pitágoras e Aristóteles, pois em nosso sistema o mais vale menos e o menos vale mais. O neocoronelismo do voto eletrônico, instituído no Poder Legislativo tornado Constituinte, inventou o conceito cínico da governabilidade. Segundo este, o presidente eleito pela maioria real submete-se ao tacão dos oligarcas partidários: só lhe é permitido governar se fatiar a máquina pública e distribuir as porções da carniça às legendas cuja legitimidade como representação popular é, na prática, nula. Por isso estamos sob a égide de uma paráfrase do antigo axioma de Artur Bernardes: "Ao político, tudo; ao cidadão, o rigor da lei".

As medidas provisórias são o pacto do poder constituído no dilema entre o voto majoritário e o sufrágio desigual. Para governar o Executivo finge que tudo é "urgente e relevante" e encaminha ao Legislativo o que lhe convém, certo de que será aprovado em nome dos interesses do povo, que nunca chegou a ser cheirado nem ouvido. O Legislativo recheia a vontade imperial do governo central com a escumalha dos interesses paroquiais dos chefetes das miríades de bancadas e, como dizia Justo Veríssimo, "o povo que se exploda".

Os rompantes de Marco Maia e Cândido Vaccarezza sobre a única saída decente que restou ao STF adotar para descascar o abacaxi comprovam que, em nossa ordem vigente, na qual se trata a Constituição como subalterna ao regimento da Câmara, os barões dos partidos acham que têm a prerrogativa de cuspir nas normas que eles próprios redigiram, votaram e aprovaram. A cínica substituição da letra da lei pelo pacto tácito entre políticos, por eles decretada dos lugares mais altos do pódio da representação popular, é o maior chute no traseiro que uma Constituição levou em nossa História. Nem os plantonistas no poder do Almanaque do Exército haviam chegado a esse ponto. Se nem essa resolução do STF for cumprida, só nos resta passar unguento na contusão e chorar.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

FOLHA DE SP - 14/03/12


Distribuidores de remédios evitam abrir filial

Os distribuidores dos laboratórios farmacêuticos não pretendem investir na abertura de filiais em outros Estados do país.

Em 2012, o principal foco do setor será a qualificação dos profissionais, para 33,3% das companhias, de acordo com levantamento da Abradilan (Associação Brasileira dos Distribuidores de Laboratórios Nacionais).

As distribuidoras nacionais devem manter sua estratégia de atuar em apenas um Estado do país.

Para operar em outro Estado, a maioria dos executivos opta por abrir nova empresa, em vez de ter uma filial, afirma o diretor-executivo da associação, Geraldo Monteiro.

"Depende muito da estratégia de cada um, mas há empresários com companhias diferentes em até oito Estados", diz Monteiro.

Entre os motivos que são alegados para o uso dessa prática está a facilidade para administrar separadamente cada operação.

"Em geral, os empresários registram nomes muito semelhantes para suas companhias. É uma questão burocrática", diz.

De acordo com a pesquisa, a segunda prioridade, para 16,7% das empresas, é a ampliação dos centros de distribuição já existentes.

Outros 11,1% das companhias do setor não pretendem fazer nenhum aporte em 2012.

A entidade, que diz ser responsável pela distribuição de cerca de 19% do mercado de genéricos no Brasil, ouviu 120 empresários durante o mês de janeiro deste ano.

Entre as associadas da Abradilan estão Dismed, JC Distribuidora, STI, Maxifarma, entre outras.

MERCADO DE TRABALHO

O Brasil está atrás apenas da Índia entre os mais otimistas em relação ao aumento do nível de emprego no segundo trimestre deste ano, de acordo com pesquisa do ManpowerGroup.

Em 32 países, de 41 pesquisados, foram registrados números positivos -que sinalizam otimismo. Na comparação com o mesmo período de 2011, no entanto, o índice teve queda na maioria dos países (em 24 de 39 analisados).

No Brasil, Paraná e Minas Gerais são os Estados com melhores indicadores (42% e 41%, respectivamente).

Foram ouvidos 65 mil diretores de recursos humanos.

RECUPERAÇÃO NA OBRA

O emprego na construção civil em janeiro no país cresceu 1,6% ante dezembro, com a contratação de 50,9 mil trabalhadores, segundo o SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo).

Com o aumento, o setor recuperou parte das perdas de vagas registradas nos últimos dois meses de 2011. Em dezembro haviam sido fechados 83,9 mil postos.

No Estado de São Paulo, o nível de emprego no mês subiu 1,63%, com o acréscimo de 13,3 mil trabalhadores.

Na rua As ações de despejo por falta de pagamento em São Paulo aumentaram 11,13% em fevereiro, ante o mês anterior, de acordo com o grupo Hubert. Foram registrados 1.219 casos, o que representa queda de 17,13% ante fevereiro de 2011.

Férias A operadora TAM Viagens terá cem novas unidades no país até o final de 2012. O investimento médio para abertura de cada franquia é de R$ 200 mil. Em 2011, foram inauguradas 115 lojas.

Gelado A Mr. Mix, rede especializada em milk shakes, abrirá fábrica até o final deste mês em Sumaré (SP). Em março, também serão inauguradas dez franquias da companhia, que passará a operar em Sergipe e Mato Grosso do Sul.

Poliglota A rede de idiomas YES! abriu 13 unidades em fevereiro. As escolas ficam em Rio, São Paulo, Maranhão, Espírito Santo e Mato Grosso. Para este ano, a empresa, que tem cerca de cem franquias, espera abrir mais 30.

Construção A OAS Empreendimentos fará três lançamentos em São Paulo até julho, sendo um deles na região do ABC. O investimento da companhia será de R$ 50 milhões.

Sacola As compras isentas de impostos dos brasileiros em nove unidades do grupo Chic Outlet Shopping, na Europa, em 2011, foram 36% maiores que as de 2010. Com a alta, o Brasil passou a ser o sexto país que mais têm visitantes nas lojas da companhia.

COMPRAS EMPRESARIAIS

O volume global de ações e aquisições aumentou 20% no ano passado, ante 2011, segundo indicador da Intralinks, empresa de troca de informações críticas.

A Ásia puxou o crescimento (alta de 66%), seguida pela América Latina, com 44%. A expansão no Brasil foi de 62%.

Os mercados emergentes atraem empresas que estão concentradas no longo prazo, segundo Matthew Porzio, vice-presidente de soluções para fusões e aquisições da Intralinks.

"Setores de energia, bens industriais e óleo e gás permanecerão em alta [no Brasil]", diz.

BAGAÇO

A Sermatec Zanini está prestes a iniciar a produção do que considera a maior caldeira do mundo para cogeração de bioeletricidade usando o bagaço de cana como combustível.

Especializada na montagem eletromecânica de equipamentos industriais para o setor sucroalcooleiro, além dos segmentos de óleo e gás, papel e celulose, mineração e siderurgia, a empresa faz desde o projeto de engenharia até à instalação do equipamento.

A máquina tem capacidade de 380 toneladas de vapor por hora, pressão de 100 kg e foi comprada pelo grupo indiano Renuka do Brasil.

A Renuka investe cerca de R$ 300 milhões nesse projeto, sendo mais de R$ 60 milhões só no equipamento.

Para Antonio Carlos Christiano, presidente da empresa de Sertãozinho (SP), este deve ser um ano de retomada das usinas. "O ano de 2013 será mais virtuoso."

NÚMEROS

R$ 319,7 milhões é o faturamento bruto da empresa

R$ 24,8 milhões é o Ebtida

1.300 é o número de funcionários

55 mil m2 de área construída tem a empresa, que está localizada em Sertãozinho (SP) 

A doação de Lula ao PanAmericano - ELIO GASPARI


O GLOBO - 14/03/12

Imagine-se um retorno ao dia 22 de setembro de 2010, em plena campanha eleitoral. Dilma Rousseff tinha 51% na pesquisa do Datafolha e o Planalto procurava se desvencilhar das traficâncias da ex-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra. Um grupo de intelectuais tucanos lançava um manifesto "Em defesa da democracia", denunciando o aparelhamento do Estado pelo PT.

Imagine-se a publicação da seguinte notícia naquele dia:

"O presidente Lula recebeu hoje o empresário Silvio Santos. Ele foi pedir ajuda para salvar o seu Banco PanAmericano, em cujas contas foi descoberto um rombo de R$ 2,5 bilhões. Em dezembro do ano passado, a Caixa Econômica comprou metade da instituição por R$ 739 milhões e Silvio Santos recebeu cerca de R$ 200 milhões por conta dessa operação.

"Para salvar o PanAmericano, será necessária uma injeção do Fundo Garantidor de Créditos, uma instituição privada.

"Lula recebeu Silvio Santos sem que o encontro estivesse previsto na agenda. O apresentador informou que foi ao presidente para pedir uma doação para o Teleton, uma maratona de filantropia popular destinada a ajudar a Associação de Assistência à Criança Deficiente. O Teleton deste ano acontecerá nos dias 5 e 6 de novembro."

Publicada, essa notícia, animaria a campanha eleitoral, mas tanto o empresário como o governo encobriram o verdadeiro propósito da visita.

A maratona do Teleton arrecadaria R$ 24 milhões, mas o encontro de Silvio Santos com Lula resultou em outra doação, de R$ 2,5 bilhões, da banca que sustenta o Fundo Garantidor de Crédito com o dinheiro que coleta na sua clientela.

Passados 18 meses da reunião no Planalto, os repórteres Flávio Ferreira, Julio Wiziack e Toni Sciaretta obtiveram de Luis Sandoval, ex-presidente do Grupo Silvio Santos, o tema da conversa com Lula:

"A conversa de que o Silvio tinha ido até lá para pedir uma participação dele no Teleton foi um discurso para a imprensa. Ele foi lá pedir a ajuda do presidente".

Em tese, Lula poderia fazer muito pouco, pois o dinheiro do FGC não era dele, nem do governo.

Os repórteres perguntaram a Sandoval: "Funcionou?".

"Quando cheguei lá, tive a sensação de que o acordo já estava pronto. Só negociei as condições."

A empulhação convencional dos hierarcas do Planalto, do Banco Central e da direção do FGC sustentou que os R$ 2,5 bilhões foram injetados no PanAmericano a partir de critérios técnicos. Lorota.

O rombo, chamado inicialmente de "inconsistências contábeis", não era de R$ 2,5 bilhões, mas de R$ 4,3 bilhões. Ao final, custou R$ 3,8 bilhões ao FGC. O PanAmericano foi passado ao BTG Pactual em condições companheiras. Seu presidente, Rafael Palladino, e sete diretores estão indiciados em inquérito da Polícia Federal. Todos acumularam fortunas pessoais. Nenhum hierarca do Ministério da Fazenda, da Caixa ou do Banco Central reconheceu ter participado de uma negociação ruinosa.

Resta esperar para que se saiba como o FGC entrou na roda. As chances que isso apareça por iniciativa da oposição são nulas. Na contabilidade do PanAmericano, a Polícia Federal descobriu consultorias de grão-petistas e R$ 300 mil em doações legais para o partido. Dinheiro ilegal para políticos, só R$ 954 mil para o tucanato alagoano.

Silvio Santos não foi pedir dinheiro para o Teleton, mas para o seu banco, que acabara de quebrar.

BOLA NO PÉ - MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SP - 14/03/12
Os clubes querem aproveitar a transição na CBF para forçar mudanças no calendário dos campeonatos organizados pela entidade. A ideia é que, com a criação de uma liga de futebol que realize os torneios, os times tenham mais datas disponíveis para excursões no exterior.

PÉ NA ESTRADA

Um clube como o Palmeiras, por exemplo, pode chegar a receber 300 mil euros por partida jogada no estrangeiro, calcula seu presidente, Arnaldo Tirone.

VOZ

"A ideia da liga surgiu depois que o Clube dos 13 [que congrega os principais times do país] estava se desfazendo. Precisamos pensar. Mas os clubes têm que ter mais participação sobre o que é decidido", diz Tirone. Times como São Paulo e Santos apoiam a ideia.

LUZES E CORES

Má notícia para o PT de São Paulo: a TV Globo só começará a cobrir a campanha eleitoral diariamente a partir de agosto. O partido contava com a visibilidade na emissora para que Fernando Haddad, pré-candidato à prefeitura, se tornasse mais conhecido do eleitorado, que passaria a identificá-lo com a legenda e com Lula.

LUZES E CORES 2
No cálculo petista, entrevistas ou aparições de Haddad na Globo poderiam levá-lo a um patamar superior aos 10% das intenções de votos até agosto -mês em que começa o programa eleitoral, quando então o ex-presidente Lula deverá entrar para valer na campanha. Haddad hoje tem 3%.

É COM VOCÊS

Pedido de Lula aos poucos amigos que têm tido autorização para visitá-lo: "Fala bastante para eu ficar calado!". O ex-presidente precisa preservar a garganta, mas sua maior dificuldade é dispensar um bom papo.

DE PARIS

O Masp negocia uma exposição com 60 obras de arte renascentista alemã, da coleção do Louvre, de Paris. A ideia seria organizá-la ainda no segundo semestre, mas o museu paulistano não conseguiu patrocínio.

GRISALHO

Cabeleireiro de Silvio Santos, 81, há 36 anos, Jassa disse que o apresentador está "feliz da vida" com o novo visual grisalho. "O Silvio queria parar de tingir os fios há mais de um ano. E eu acho que nessa idade tava ficando pesada a aparência com a tinta. Ele saiu de férias em dezembro e eu falei pra ele não passar mais tinta", diz. Ele aplicava nas madeixas de Silvio um tom "loiro natural cinza". "É a luz da TV que deixava vermelho."

GRISALHO 2

Jassa diz que o "patrão" agora terá menos trabalho. "Facilitou a vida. Ele virá aqui a cada 40 dias fazer reflexo ao contrário, em que a gente pinta apenas alguns fios brancos."

CONSELHO

O consultor de etiqueta Fábio Arruda contou para a socialite Val Marchiori, ex-participante do reality show "Mulheres Ricas", que também foi criticado quando integrou o elenco de "A Fazenda" (Record): "Diziam que era coisa de pobre, e foi um sucesso".

O QUARTO DO PRÍNCIPE

Tetê, filha de Álvaro Coelho da Fonseca, ofereceu seu quarto no haras Larissa para que o príncipe Harry, do Reino Unido, ficasse no fim de semana. Ele dormiu em lençóis de algodão indiano e travesseiros de pluma de ganso da Polônia.

LEMBRANÇA

No domingo, Harry assistiu TV, deu um mergulho na piscina e foi à cozinha três vezes pegar iogurte na geladeira. Ao se despedir, deixou um retrato seu com bilhete escrito à mão.

Acabou esquecendo a caneta tinteiro.

TOMO GUARANÁ
As atrizes Beatriz Segall e Mel Lisboa foram à sessão para convidados de "Tim Maia - Vale Tudo, o Musical", anteontem, no teatro Procópio Ferreira. Cíntia e Vívian, mãe e irmã do protagonista, Tiago Abravanel, e o filho de Tim, Carmelo Maia, estavam lá.

ADEREÇO PARTICULAR

Thereza Collor abriu a exposição "Joias do Deserto", com peças de seu acervo pessoal, na Galeria Sesi, anteontem, acompanhada do namorado, o construtor Gustavo Halbreich. O secretário Andrea Calabi e a urbanista Marta Grostein, entre outros convidados, conferiram a mostra.

CURTO-CIRCUITO

O documentário "Modesto à Parte", em homenagem aos 80 anos de Modesto Carvalhosa, será exibido hoje, às 21h e às 22h, no MIS. Livre.

O livro "São Paulo, 1971-2011", com contos de Ignácio de Loyola Brandão, Tony Bellotto, Luiz Ruffato e Vanessa Bárbara, será lançado hoje, às 19h, na Livraria da Vila dos Jardins.

O livro "Tévye, o Leiteiro" será lançado hoje, a partir das 20h, no Centro da Cultura Judaica.

O Grupo Morena Rosa inaugura showroom hoje, às 18h, com suas marcas.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY 

A política dos puxadinhos - CELSO MING


O Estado de S. Paulo - 14/03/12


As manifestações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, como as desta terça-feira, no Senado, revelam avaliações nem sempre coerentes, sobre as causas mais profundas da falta de competitividade da indústria. E, por deficiência de diagnóstico, o governo fica sem estratégia, faz de tudo um pouco – e não faz nada. É a política dos puxadinhos.

Um dos discursos do governo repetidos nas últimas semanas é o de que há despejo enorme de moeda no mercado global pelos grandes bancos centrais, que chega ao câmbio brasileiro como tsunami, valoriza o real e enfraquece a indústria. "A estratégia única dos países avançados é a expansão monetária", disse Mantega.

Não é o mesmo que atribuir o problema do câmbio à especulação com a diferença de juros, prática que teria começado antes da produção de tsunamis pelos grandes bancos centrais. Também é discurso recorrente do governo Dilma.

Mas, logo após, Mantega prefere focar a "concorrência predatória" e "os subsídios disfarçados" praticados no comércio internacional. E, depois, parece reconhecer que o problema de fundo está no altíssimo custo Brasil. E segue se defendendo das dificuldades que enfrenta para fazer reformas; desonerar a folha de pagamentos; reduzir preços da energia; e da falta de investimentos em infraestrutura.

Em outras oportunidades, não só Mantega, mas outros ministros, sugeriram que o fraco desempenho da indústria se deve à ausência de inovação. Tanto é que preparam políticas destinadas a estimular a modernização e a incorporação de tecnologia.

Mas Mantega parece acolher também o argumento do seu amigo, o ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira – para quem o maior problema da indústria é a doença holandesa, ou seja, são as crescentes receitas com exportações de matérias-primas, alimentos e energia, que multiplicam receitas em dólares, valorizam o real e tiram competitividade da indústria.

Cada um desses diagnósticos pede tratamentos diferentes. O tsunami monetário, por exemplo, pode ser mitigado só com controle de capitais. Mas o governo gostaria que a Organização Mundial do Comércio reconhecesse esse jogo como dumping cambial para, assim, torná-lo passível de retaliação comercial. Mas isso não vai acontecer tão cedo.

Arbitragem com juros se cura com derrubada interna dos juros, processo que está sendo intensificado desde agosto. O alto custo Brasil, por sua vez, exige reformas, desoneração da folha de pagamentos e investimentos – que são sempre adiados "para quando der".

A concorrência predatória se ataca com políticas de defesa comercial que implicam longos processos e custam caro. As deficiências de inovação pedem atualização tecnológica e mais investimento em tecnologia da informação, para os quais não há incentivo que chegue.

E a doença holandesa, avisa Bresser, tem de ser atacada com confisco das exportações de produtos primários. Em alguns momentos, o governo federal chegou a ameaçar com algo parecido. Quando tentou enquadrar os produtores de álcool, avisou que estava estudando a taxação das exportações de açúcar.

Enfim, o governo Dilma tenta fazer um pouco de tudo e não faz nada, porque nada sai bem feito.

Movimento de afirmação - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADÃO - 14/03/12


A pretexto de promover um rodízio nas lideranças do governo nas duas Casas do Congresso, a presidente Dilma Rousseff tirou o senador Romero Jucá, do PMDB de Roraima, do cargo no qual ele poderia se considerar como servidor estável do Planalto, por exercê-lo, com idas e vindas, desde o primeiro mandato do presidente Fernando Henrique, há 17 anos. A destituição de Jucá, na realidade, foi uma punição que começou a se desenhar desde a derrota pessoal sofrida pela presidente na semana passada, quando - para que ela soubesse com quem estava tratando - parte da base aliada no Senado se uniu à oposição e barrou a recondução do petista Bernardo Figueiredo, o coordenador do polêmico plano do trem-bala, ao comando da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Jucá havia garantido que o nome do amigo de Dilma, que trabalhou com ela na Casa Civil do governo Lula, seria aprovado sem problemas, apesar da zanga dos políticos por suas demandas não atendidas. Mesmo quando outro senador, o peemedebista amazonense Eduardo Braga, alertou para o risco de um revés, Jucá manteve a votação. Pior ainda, sopraram para o Planalto que ele próprio teria sido um dos mentores da traição que enfureceu a presidente.

Por fim, como se estivesse pedindo para sair, fez depois o contrário: tirou da pauta de deliberações a proposta que pune empresas que paguem salários mais baixos às mulheres nas mesmas funções que os homens.

Dilma queria sancionar o projeto na última quinta-feira, Dia Internacional da Mulher. Na segunda, trocou Jucá por Braga.

Para não esfregar sal na ferida do influente substituído, ela aparentemente inventou a mudança na Câmara, removendo o líder governista Cândido Vaccarezza, do PT de São Paulo. O seu substituto será outro companheiro. Não que a presidente não tivesse motivos de aborrecimento com Vaccarezza. Na primeira votação do projeto do código florestal (a segunda, aliás, está entalada), ele contrariou determinação do Planalto, transmitida pela ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, para sustar as negociações com a bancada ruralista. Na votação importante que se seguiria, a da prorrogação da Desvinculação de Receitas da União (DRU), quem conduziu as conversas, afinal bem-sucedidas, foi a ministra. Também pegaram mal para Vaccarezza os 47 votos pedetistas, socialistas e petistas contra a criação do fundo de previdência dos servidores, que passou a duras penas.

Mas se tudo fossem rosas na relação da presidente com os senadores aliados, como ao tempo de Lula, Jucá ficaria onde estava - e, decerto, Vaccarezza também. Se escolher um líder em começo de governo já é uma faina, substituí-lo é atiçar um vespeiro. Além disso, nos governos de alianças, o líder que não pertencer ao mesmo partido do presidente fica exposto a umconflito de interesse sempre que os seus correligionários entram em rota de colisão com o Executivo - do qual é ele uma espécie de ministro extraordinário para a Casa em que exerce o seu mandato, ou para o Congresso todo. (O líder do governo no Congresso é o senador petista José Pimentel. O anterior, Mendes Ribeiro, do PMDB, virou ministro da agricultura.) N0 segundo mandato de Lula, Jucá desagradou aos peemedebistas por ser, segundo eles, governista demais.

Mas é o que devem ser os líderes, embora arcando com a servidão de tornar aceitável para os correligionários o que é desejável para o Planalto.

Agora, ao que tudo indica, Jucá serviu antes aos seus do que à chefe.

Entenda-se por "seus", notadamente, o presidente do Senado, José Sarney, e o líder da bancada do partido, Renan Calheiros. Dilma, na sua vez de fazer saber com quem estão tratando, acertou-os com uma estocada adicional, além da saída de Jucá.

Pois o sucessor Eduardo Braga - que já governou duas vezes o Amazonas, é amigo do peito do ex-presidente Lula e só não se tornou ministro da Previdência de Dilma porque preferiu ficar no Senado - é um dissidente: desagradam-lhe os superpoderes de Sarney, Renan e Jucá.

Com a troca, Dilma calcou o acelerador para aprumar o carro da coalizão em vias de derrapar. Foi, portanto, um movimento de afirmação.

Resta saber se ela calculou os riscos da manobra.

Presos à velha economia - TASSO AZEVEDO


O GLOBO - 14/03/12


Os últimos números sobre a saúde do setor industrial brasileiro apontam indicadores de retrocesso no seu desenvolvimento. A participação da indústria no PIB nacional fechou 2011 em 14,6%, retornando aos níveis do fim da década de 50.

Desde o auge de 1985, quando chegou a mais de 1/4 do PIB (27,2%), esta participação vem caindo e na, direção contrária, a participação do setor de serviços e o consumo do governo e das famílias vem aumentando. Um agravante é que os resultados do setor industrial apontam uma participação cada vez maior de produtos primários ou de menor valor agregado. Na interpretação de vários analistas, estamos passando por um processo de desindustrialização.

Vários programas de desenvolvimento industrial foram propostos e implantados em menor ou maior grau desde o governo Collor/Itamar, passando por Fernando Henrique Cardoso, Lula, até o mais recente, o Programa Brasil Maior, lançado pela presidente Dilma em 2011. Embora o entendimento do problema e a abrangência das propostas tenham evoluído, inclusive na interlocução com o setor industrial, no seu objetivo fundamental de fortalecimento da indústria nacional tem deixado a desejar.

Nos 13 primeiros meses do atual governo foram lançadas pelo menos 16 medidas em benefício do setor industrial; ainda assim, o setor industrial recuou 5% em 2011.

Olhando para esta realidade o professor Ricardo Abramovay, da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (FEA/USP), chama atenção para o fato de as medidas estarem desconectadas do caminho da economia verde ou economia sustentável.

De fato, nenhuma das medidas de incentivo para a indústria nacional vieram acompanhadas de contrapartidas que apontem para esta nova economia que é inclusive, por proposta brasileira, tema central da Conferência Rio+20, da qual o Brasil é o anfitrião.

Um bom exemplo desta desconexão é a política de aumento do IPI dos carros importados das montadoras que não tivessem fábrica no Brasil, como forma de proteger a indústria nacional. No que isso contribui para competitividade brasileira? Deixou-nos mais distantes, por exemplo, dos carros híbridos e elétricos que são apontados como o futuro do setor, já que não há produção deles no Brasil. Pior, desde a implantação da medida, a produção brasileira de automóveis caiu em vez de aumentar.

Teria sido mais efetivo para nossa competitividade associar o aumento do IPI a todos os veículos que não sejam flex, híbridos ou elétricos (produzidos ou não no país) ou aplicar alíquotas diferenciadas de acordo com a eficiência dos motores. Mais de 90% dos veículos fabricados no Brasil são flex, proporção muito menor nos veículos importados. Ou seja, estaria sendo premiada a indústria nacional pela sua contribuição para uma economia mais sustentável.

Continuamos centrados na velha economia. A Conta Consumo Combustível permite subsidiar os derivados de petróleo para geração de energia em sistemas isolados, mas não permite o mesmo para fontes renováveis como a biomassa, mesmo quando esta é significativamente mais barata. O orçamento de 2012 do MME dispõe de R$ 250 milhões para investimento no desenvolvimento do setor de petróleo e gás e pouco mais de 10% disso para investimento em energias renováveis.

Existe luz no fim do túnel. O Plano Brasil Maior tem entre as suas 10 metas uma que dialoga ainda que de maneira indireta com a nova economia: diminuir consumo de energia por unidade de PIB industrial de 150 para 137 tep/R$ milhão (tonelada equivalente de petróleo por unidade de PIB) entre 2011 e 2014. Contudo, nenhuma das medidas anunciadas até o momento dialoga com esta meta.

É preciso aliar a nossa política de desenvolvimento com os desafios na nova economia.

A melhoria da competitividade da economia brasileira está diretamente ligada à capacidade de inovação e adaptação para o mundo que se desenha nas próximas décadas. Este mundo demanda hoje uma revolução na estrutura de produção e consumo.

Que as próximas medidas de estímulo à economia considerem, de forma objetiva, esta realidade e contribuam, de fato, para que o Brasil tenha a liderança que almeja no século XXI.

Microcrédito - ANTONIO DELFIM NETTO

FOLHA DE SP - 14/03/12
Talvez um dos fatos importantes a respeito da sociedade brasileira seja a afirmação de "identidade" de um enorme contingente populacional que gosta de imaginar-se como "classe média".

Isso, obviamente, não é acidente nem produto espontâneo. É consequência de um processo civilizatório recente em que as políticas sociais sujeitas a algumas condicionalidades foram mais bem focadas.

Paralelamente, houve uma "inclusão" desses cidadãos na economia de "mercado" devido ao forte aumento das oportunidades de emprego e ao acesso ao crédito.

Uma das características mais marcantes desses novos cidadãos é a "internalização" de que o fator mais importante para "subir na vida" é a conquista da educação para si e para seus filhos, ainda que lhes custe enormes sacrifícios.

Só não percebe essa ascensão social quem sofre de miopia. É tal ascensão que vai continuar a permitir a construção de um mercado interno capaz de garantir o mínimo de economicidade e "incluir" o Brasil, de forma adequada e relativamente segura, na globalização avassaladora que fragmentou o processo produtivo.

Esses fatos são visíveis na recente pesquisa feita pela Fondapol (Fondation pour l"Innovation Politique), em meados de 2011, com jovens de 25 países, em que se perguntou: 1º) Você acha seu futuro promissor ("prometteur")?; 2º) Você acha o futuro do seu país promissor?

À primeira pergunta 87% dos jovens brasileiros responderam afirmativamente, e à segunda, 72%. Isso contrasta com os EUA, onde à primeira pergunta 81% responderam afirmativamente, mas à segunda, apenas 37%. O curioso é que na China a coisa se inverte: 73% creem que têm futuro promissor, mas 82% creem no futuro promissor do seu país.

O governo decidiu estimular o Banco do Brasil -agora proprietário do Banco Postal- e a Caixa Econômica Federal -que controla as "lotéricas"- a expandirem cuidadosa e seguramente o microcrédito, com taxas de juros mais acessíveis e menor burocracia, o que deve aumentar a "inclusão" social.

É importante dizer que, para fazê-lo, não se cogita subsídio do Tesouro ou violação das garantias exigidas pelo Banco Central, mas, sim, redução da distância entre os bancos e o tomador de crédito, diminuindo o evidente constrangimento dos mais pobres de acessarem os bancos.

Isso vai ser feito aproveitando a "imagem" e a reputação secular do BB e da CEF -que, para os mais simples, significam segurança absoluta. A economia de escala deve tornar os seus "spreads" mais atrativos do que os dos bancos privados que só agora começam a "descobrir" os potenciais novos clientes e vão ter que disputá-los.

Rebelião na base: Crise mostra a falta que Lula faz para Dilma - ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE SP - 14/03/12

Presidente não percebeu os sinais de insatisfação dos partidos aliados



A crise do Planalto com o Congresso dá a dimensão da falta que faz Lula, que se trata de um câncer. Nos oito anos dele houve muitos problemas políticos, mas a condução era bem diferente.

Sem traquejo e sem gosto pela política, a presidente Dilma foi pega de surpresa pela maior derrota de seu governo no Senado e está sendo impetuosa na solução da crise.

Todos os sinais tinham sido dados, com o PMDB expondo seu descontentamento, o PT passivo na defesa da presidente, e os demais aliados (PP, PR, PDT, PSB, PTB e até o PC do B) ora ameaçando o Planalto, ora se aproximando do tucano José Serra em São Paulo. Dilma não viu.

Aliás, nem ela nem sua coordenação política: as ministras Ideli Salvatti e Gleisi Hoffmann, os líderes no Congresso, os líderes dos partidos. Será que estes viram e não falaram ou até ajudaram?

O fato é que Dilma teve dupla derrota quando o Senado vetou a recondução de Bernardo Figueiredo à ANTT. Foi indicação pessoal dela.

A presidente reagiu menos como política, mais como Dilma: irritada, decidiu medir forças com aliados. Após uma dúzia de demissões de ministros, derrubou os líderes do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB), e na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT). Uma no PMDB, outra no PT.

Há problemas, porém. Um é o "timing", já que um caiu anteontem e outro ontem, véspera e dia da ida tanto de Dilma como do ministro Guido Mantega ao Congresso. No fim os revoltosos enfiaram a viola no saco. E se mantivessem o clima belicoso? Ela correu um risco desnecessário.

Outro problema é que, com Lula ainda fora de combate, Dilma está seguindo sua própria (in)experiência e seus amigos gaúchos, esquecendo-se do equilíbrio regional.

A Bahia perdeu Sergio Gabrielli (Petrobras), Mário Negromonte (Cidades) e Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário), e os gaúchos (e naturalizados) caminham para o 8º ministério se Brizola Neto assumir o Trabalho. Só trocar líderes parece pouco para melhorar o ambiente. E excesso de gauchismo pode ser o gatilho da próxima crise.

Fim do fator previdenciário? Por que? - FABIO GIAMBIAGI

 VALOR ECONÔMICO - 14/03/12

O fator previdenciário é a Geni da política brasileira, a ponto de o próprio ministro da Previdência se manifestar contra ele. Parte da rejeição decorre do fato de que ele não tem sido bem explicado pelos sucessivos governos. Proponho ao leitor os seguintes pontos para reflexão:

a) Considere uma pessoa A, que começa a contribuir aos 20 anos e contribui ao longo de 35 anos, chegando aos 55 anos com a perspectiva de viver - pela expectativa de vida do IBGE - mais 25 anos, até os 80. Considere também uma pessoa B que tenha contribuído por 35 anos, mas por ter começado a contribuir mais tarde, se aposente aos 60, quando sua expectativa (pelo IBGE) será de viver até os 81 anos. Apesar de ambas terem contribuído pelo mesmo tempo, o INSS pagará benefícios a A durante 25 anos e a B durante 21. O fator previdenciário leva em conta não apenas o período contributivo, mas também o tempo esperado de aposentadoria, ajustando o benefício em função da expectativa de duração do mesmo. Qual é a injustiça disso?

b) Se valesse a idade mínima de 60 anos, sem fator previdenciário, com a exigência de 35 anos de contribuição para o homem, teríamos a seguinte situação: quem começou a contribuir aos 15 anos, com 45 de contribuição e quem começou aos 25, com 35 de contribuição, iriam receber, aos 60 anos, a mesma aposentadoria. Seria justo?

Parte da rejeição se origina da ausência de explicação do funcionamento do mecanismo

c) No Brasil, quem tem 35 anos de contribuição e menos de 60 anos de idade, aposenta-se com um fator inferior à unidade, ou seja, com um desconto em relação ao salário de contribuição. Já na Europa, em tais circunstâncias, a pessoa simplesmente não poderia se aposentar, por não respeitar a idade mínima - que em vários países começa a ser elevada acima de 60 anos - e/ou o tempo de contribuição - por vezes, de 40 anos.

O fator previdenciário aparece na tabela. Consideremos 3 situações diferentes, todas para um homem (para as mulheres, há algumas diferenças):

Um indivíduo começa a contribuir com 15 anos e se aposenta com 55 (40 de contribuição): o fator é de 0,82 (18% de desconto em relação à média). Pagando 31% do seu salário por 40 anos, receberá 82% dele por 23 anos, pela expectativa do IBGE.

Um indivíduo começa a contribuir com 20 anos e se aposenta com 55 anos (35 de contribuição): o fator é de 0,71. Pagando 31% do seu salário por 35 anos, receberá 71% dele pelos mesmos 23 anos do caso anterior.

Um indivíduo começa a contribuir com 20 anos e se aposenta com 60 anos (40 de contribuição): o fator é 1,00. Pagando 31% do seu salário por 40 anos, receberá 100% dele por 20 anos, face à expectativa do IBGE.

Não é claro onde está a injustiça, especialmente considerando que em geral a viúva do indivíduo herda uma pensão que é paga ainda por vários anos. Tenho recebido críticas dos leitores quando trato do tema e os questionamentos estão associados a três casos:

I) Os injustiçados. São pessoas que contribuíram sobre um teto de 20 salários mínimos (SM) e que foram prejudicadas pela mudança de regras. Aprendi no diálogo com os leitores que muitos têm razão em suas queixas, mas chamo a atenção para o fato de que a perda sofrida quando o teto caiu para 10 SM é independente do fator previdenciário. O ponto é que na opinião dessas pessoas a média está sendo mal calculada, mas o problema nesse caso é o cálculo da média e não o fator previdenciário em si;

II) Os que fizeram uma opção. São pessoas que escolheram se aposentar cedo, pela possibilidade de ter uma renda garantida, à qual passaram a somar a renda de uma atividade à qual começaram a se dedicar ao se aposentar. Anos depois, já inativos, tornam-se dependentes da renda do INSS, afetada pelo fator. É um problema sério, mas trata-se de uma realidade que era conhecida no momento da aposentadoria, uma vez que as pessoas já sabiam que a sua aposentadoria sofreria o desconto do fator; e

III) Os revoltados com o país. São indivíduos com alto grau de informação, indignados não pelo fato de terem que se submeter ao fator previdenciário, mas por isso acontecer ao mesmo tempo em que assistem a escândalos associados a políticos corruptos. Compreendo e compartilho a indignação cívica, mas não faz sentido que as regras de aposentadoria dependam do grau de corrupção do país.

Por essas razões, vale o mesmo que Churchill disse sobre a democracia: "É o pior dos regimes - excetuados todos os outros". O fator é amargo, mas necessário. Sem ele, o país teria virado uma Grécia.

A presidente sem amigos - FERNANDO RODRIGUES

FOLHA DE SP - 14/03/12

BRASÍLIA - Dilma Rousseff sempre teve uma relação conflituosa com sua base de apoio no Congresso. O azedume e a tensão aumentaram nas últimas semanas.

A presidente reagiu. Trocou seus líderes na Câmara e no Senado. É improvável que a mudança resulte em menos atritos. Os defenestrados iam mal porque não eram empoderados pela presidente. Figuras decorativas, Dilma os adstringia a obedecer suas ordens. Diálogo? Nem pensar. Os novos líderes tampouco têm intimidade com a titular do Planalto. Não é o estilo presidencial.

Dilma, aliás, segue fiel a esse seu estilo. Decide quase tudo de maneira solitária. Age de supetão, com aflição e paranoia por causa de vazamentos para a mídia. A responsabilidade integral é sempre dela.

Trata-se de uma grande diferença em comparação aos outros dois governos "mais normais" pós-ditadura, de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). Era comum os presidentes pré-Dilma compartilharem suas ações políticas com um grupo decisório mais próximo.

No caso de Dilma, não existe tal grupo. Pelo menos, não há assessores com poder de influência para tanger a presidente para um dos lados de uma discussão sobre manejo político. Aliás, ai de quem tentar.

Ontem, enquanto a presidente era homenageada no Senado, um petista lembrou-se de um encontro recente de congressistas de seu partido. Havia cerca de dez pessoas à mesa. Uma delas perguntou: "Alguém aqui pode dizer "a Dilma gosta de mim"?". Fez-se o silêncio.

Essa é a síntese da administração de Dilma Rousseff na política. Trata-se de uma presidente solitária. Não fez nem faz novos amigos. Toca o barco de maneira monocrática. Até agora, aprovou no Congresso poucos projetos de relevância para mudar a cara do país. A chance de ter sucesso com a troca de líderes é incerta, para dizer o mínimo.

CLAUDIO HUMBERTO

“Saio por política, não por incompetência”
Deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) ainda perplexo com sua dispensa como líder

NOVOS LÍDERES PODEM PIORAR SITUAÇÃO

A presidente Dilma acertou, trocando os líderes do governo na Câmara e no Senado, mas poucos apostam no êxito dos substitutos. O irritadiço Arlindo Chinaglia (PT-SP) colecionou desavenças quando presidiu a Câmara, e faltam ao senador Eduardo Braga (PMDB-AM) “jogo de cintura” e experiência. Tidos como arrogantes, eles não conhecem a paciência e a humildade, atributos essenciais a um líder de governo.

OPÇÃO PELA MINORIA

Chinaglia é de uma facção rival à liderada por Lula, no PT, e Eduardo Braga contesta Renan Calheiros, que lidera a maioria do PMDB.

PROBLEMAS NO QUINTAL

A escolha de Arlindo Chinaglia, político desprezado por Lula, pode agravar o desagrado do ex-presidente com algumas decisões de Dilma.

PROBLEMAS À VISTA

A troca do líder afrontou José Sarney e Renan Calheiros, cuja força no PMDB e no Senado a presidente Dilma faz mal em subestimar.

FALTOU CONSIDERAÇÃO

Sarney não se conforma: foi o último a saber da troca do amigo Romero Jucá por Eduardo Braga, na liderança do governo no Senado.

‘INDEPENDÊNCIA’ DE BRAGA NÃO RESISTIU AO CARGO

O senador “independente” Eduardo Braga (PMDB-AM) não resistiu ao primeiro aceno. Virou “independente” porque exigia que José Sarney e o líder do PMDB, Renan Calheiros, garantissem sua nomeação como ministro dos Transportes, em lugar do inimigo Alfredo Nascimento (PR-AM). Mas Dilma preferiu um amigo, Paulo Passos. Quis ser ministro da Agricultura depois. Mas Dilma nomeou outro amigo, Mendes Ribeiro.

COMO MINISTRO

Ajudou Eduardo Braga a aceitar o convite em segundos porque líder de governo tem assento nas reuniões ministeriais.

CONVICÇÃO ARQUIVADA

Contra bebidas alcoólicas na Copa, o novo líder do governo, Arlindo Chinaglia, já mudou de posição. Propõe agora aumentar a fiscalização.

PAULO COELHO, 65

O escritor Paulo Coelho convidou um grupo restrito de amigos para celebrar seus 65 anos na bela Bassano Del Grappa, no Vêneto, Itália.

SEMELHANÇAS

Romero Jucá (RR), apeado da liderança do governo no Senado, e Eduardo Braga (AM), que o substituiu, têm em comum, além da filiação ao PMDB, o mesmo criminalista: Antonio Carlos de Almeida Castro. Braga responde a processo por improbidade administrativa.

TROCA JUSTA

Para Edison Lobão (Minas e Energia), foi mais do que justo substituir Jucá pelo dissidente Eduardo Braga na liderança do governo: “São dois grupos dentro do partido, de tamanho quase igual”.

O PODER SUBIU À CABEÇA

Não convidem para o mesmo churrasco o governador Agnelo Queiroz e o presidente da Câmara Legislativa, deputado Patrício. Eles são do PT, mas já não se bicam. Patrício acha que manda mais que o governador.

INDECISÃO NO PT

Swedenberger Barbosa, o Berge, apesar de oficializado, ainda nem foi nomeado secretário da Casa Civil do governo do DF. Está matutando se vale a pena disputar poder com o rival Paulo Tadeu, secretário de governo. Mas o Palácio do Buriti se prepara para recebê-lo.

EM DESALINHO

A oposição irrisória nem fez cócegas em Guido Mantega, ontem, no Senado. Agora, o líder tucano na Câmara, Bruno Araújo (PE), promete convocar o ministro da Fazenda para se explicar aos deputados.

MORDOMIA RECUSADA

O deputado Chico Vigilante (PT) recusou o carro oficial que a Câmara Legislativa do Distrito Federal vai comprar para todos os parlamentares. Ele avisa que quando estiver insatisfeito com sua carroça, um Santana 2003, fará como qualquer cidadão: comprará outro com seus próprios recursos.

GUERRA DE GUERRILHA

Enquanto o ministro Guido Mantega (Fazenda) tentava se esquivar de denúncias, ontem, no Senado, Cristovam Buarque (PDT) distribuía exemplares do seu livro A Economia Está Bem, Mas Não Vai Bem.

DILMA COM BLATTER

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, cuja briga com Ricardo Teixeira foi decisiva na renúncia do ex-presidente da CBF, chega em Brasília quinta-feira à noite em jatinho particular. Na sexta, será recebido pela presidente Dilma.

DESCARGA DE MONTÃO

Ricardo Teixeira caiu na CBF apenas sete meses depois de declarar à revista Piauí, em julho de 2011: “Caguei montão [para as denúncias]. 

PODER SEM PUDOR

SUSTO NA CAMPANHA

Aloysio Nunes Ferreira era líder do governo na Assembleia e confessou ao governador Orestes Quércia que, sem tempo para a campanha, temia ser derrotado para deputado. O pior é que o prefeito de Rio Preto, Manoel Antunes, era seu concorrente na mesma base. Quércia ligou para Antunes:

– Soube da sua candidatura. Parabéns! Conte comigo!

Aloysio quase tem um infarto. Quércia tentou acalmá-lo:

– Tenho algo melhor para você.

De fato, ele foi eleito vice-governador na chapa de Luiz Antônio Fleury Filho. 

QUARTA NOS JORNAIS


Globo: Cúpula do bicho sofre o maior golpe em 19 anos
Folha: Governo proíbe venda de cigarro com sabor no país
Estadão: Troca de líderes no Congresso amplia crise na base de Dilma
Correio: No país das mordomias
Valor: Empresas abertas mantêm mais de R$ 280 bi em caixa
Estado de Minas: Leis de inutilidade pública
Zero Hora: Uso de sabores na produção de cigarro é proibido no país

terça-feira, março 13, 2012

O troco de Dilma - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 13/03/12


Romero Jucá, afastado ontem por Dilma do posto de líder do governo, não foi a única vítima da votação em que o Senado rejeitou a recondução, a pedido da presidente, de Bernardo Figueiredo para a Agência Nacional de Transportes Terrestres.
Pelas contas do Planalto, o PDT foi, proporcionalmente, o partido mais infiel. Seus cinco senadores votaram contra.

Segue...
Foi o que levou Dilma a desistir de nomear o deputado Vieira da Cunha para o Ministério do Trabalho.
Em cima da hora, a presidente nomeou, como se sabe, o deputado Brizola Neto, que não era o preferido do PDT.

A segunda renúncia
Não foi a primeira vez que Ricardo Teixeira renunciou à presidência da CBF.
Em 2001, depois de depor na CPI da Nike, que investigava o contrato da empresa com a entidade, Teixeira chegou a jogar a toalha, mas voltou atrás, convencido por João Havelange.

Bença, Papa
Bento XVI, em sua visita ao Rio, em 2013, vai rezar uma grande missa campal na Base Aérea de Santa Cruz, de 27 para 28 de julho, na noite de vigília do Encontro da Juventude Católica.

Viva João Bosco!
João Bosco, o grande cantor, ficou um dia internado na Clínica São Vicente, no Rio, com crise de labirintite. Foi na sexta.
Nosso João atribui ao estresse pelo fim da gravação de seu DVD de 40 anos de carreira, que a Universal lança dia 8 de maio.

Wilde para inquietos
A editora Sextante comprou os direitos do livro “Oscar Wilde para inquietos”, do espanhol Allan Percy. Lança em abril.
É carona no sucesso de “Nietzsche para estressados”, do mesmo autor, já perto de 100 mil exemplares vendidos no país.

A IGREJA DE N. S. do Rosário, no Leme, espera desde outubro o aval da prefeitura do Rio para ser restaurada. É que o projeto do arquiteto Alcides Horácio Azevedo é polêmico. Prevê uma proteção de vidro (veja a simulação na foto de baixo) ao redor do templo, e a Subsecretaria de Patrimônio Cultural não aprova. O problema é que frei Antônio sofre com furtos constantes em sua igreja, de estilo neogótico, construída entre 1929 e 1939. Já levaram, acredite, até uma batina, além de objetos de adorno do altar. Segundo o religioso, também acendem velas à porta da igreja — e, outro dia, quase houve um incêndio. Frei Antônio reclama ainda que a população de rua faz xixi e cocô nas escadarias, e que ele mesmo tem de lavar

Peito brasileiro
Os EUA, onde as moças têm fama de carregar seios fartos, vão importar... próteses de silicone da brasileira Silimed.
A FDA, sisuda agência controladora de produtos médicos de lá, aprovou a venda do modelo de “peito brasileiro”, em formato de “gota”, em vez de redondo.

Projeto verão
Os senadores Aécio, Lindberg, Eduardo Azeredo, Rodrigo Rollemberg, e os deputados Romário e Popó se matricularam numa academia vip de Brasília.

Óculos para longe
As Óticas do Povo, rede preferida da classe C, com mais de 90 lojas no país, vai se expandir e tentar reposicionar a marca. Quer atrair todas as classes.
Planeja abrir este ano 20 novas lojas no Rio, em Minas, Espírito Santo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Retratos da vida I
A 2ª Câmara Criminal do Rio decide hoje se autoriza uma grávida de seis meses a abortar.
O bebê dela, caso a gestação prossiga, nascerá sem cérebro.

Aí, não!
A 2ª Turma do TRT-RJ condenou a Viação Andorinha a indenizar em R$ 8 mil um ex-motorista que, no exame de admissão, foi obrigado com outros colegas a... abaixar as calças, virar de costas e deixar um médico examinar o seu... você sabe.
Quem tinha hemorróida era dispensado. O relator do processo foi o desembargador José Geraldo da Fonseca.

Apito final
O complexo esportivo Rio Ativa, na Av. Presidente Vargas, no Rio, fechou as portas.
A juíza Gisele Guida de Faria, da 9a- Vara de Fazenda Pública, determinou a devolução da área ao Metrô Rio.

Retratos da vida II
A estudante Luciana Gonçalves, 29 anos, baleada num campus da Estácio de Sá, em 2003, lembra?, vive novo drama.
Precisa de um carro adaptado, no valor de R$ 70 mil, para seus deslocamentos, mas não pode comprar. Por dia, gasta R$ 80 com táxi. Este ano, forma-se em serviço social na Ulbra.

Deputado sofre
Com a derrubada prevista do anexo da Assembleia do Rio, os gabinetes dos deputados devem ir para o prédio da Bolsa de Valores, a uns 200m.
Uma turma cansada, para não ter de andar em dias de votação, tenta que se faça... um plenário regra três lá também. 

PROGRAMAÇÃO ESPORTIVA NA TV


15h - Masters 1.000 de Indian Wells, tênis, Sportv 2

15h30 - Mackenzie x Rio de Janeiro, Superliga fem. de vôlei (quartas de final), Sportv

16h45 - Bayern de Munique x Basel, Copa dos Campeões, ESPN e ESPN HD

16h45 - Inter de Milão x Olympique, Copa dos Campeões, ESPN Brasil

18h45 - Vôlei Futuro x Praia Clube, Superliga fem. de vôlei (quartas de final), Sportv

19h45 - Lanús (ARG) x Emelec (EQU), Taça Libertadores, Fox Sports

20h - New Jersey Devils x Philadelphia Flyers, hóquei, ESPN HD

21h - Minas x Sesi, Superliga fem. de vôlei (quartas de final), Sportv

22h - Internacional x The Strongest (BOL), Taça Libertadores, Fox Sports

23h - Masters 1.000 de Indian Wells, tênis, Sportv 2

0h - Chivas (MEX) x Defensor (URU), Taça Libertadores, Fox Sports

Quem paga o pacto - CARLOS HEITOR CONY


FOLHA DE SP - 13/03/12
RIO DE JANEIRO - Não sei se é verdade, mas sempre ouvi dizer que o pessoal da Máfia, para receber um novo membro, obriga o candidato a fazer um furinho no dedo indicador da mão direita e espremer até que saia pelo menos uma gota de sangue.

Por sua vez, o mestre que o recebe faz o mesmo. Com o sangue dos dois, é assinado um pacto que deverá valer até a morte -e, às vezes, até depois da morte do novo agente da Cosa Nostra.

Estou me lembrando da cerimônia mafiosa porque ignoro se a Fifa e o governo brasileiro fizeram um pacto semelhante, na ocasião em que escolheram o Brasil para sediar a próxima Copa do Mundo. Acredito que não chegou a haver derramamento de sangue, mas que houve algum compromisso, houve.

Em nome desse compromisso, parece que a Fifa está fazendo exigências que ameaçam a soberania do Brasil. Coisas pequenas, detalhes de detalhes, sobre meia-entrada para os idosos, bebidas alcoólicas, franquias publicitárias etc. Não sabemos ainda no que a briga vai dar. Há gente que acredita no cancelamento da Copa, inclusive porque, além do pacto furado, há considerável atraso nas obras necessárias para o grande evento esportivo.

Se os mafiosos obedecem aos pactos na base do sangue, os países e as entidades, profanas em relação à Máfia, sempre dão um jeito de escamotear os compromissos assumidos. No caso da Copa, não sei ainda quem está violando o quê.

Pulando de cenário: no final do regime militar, houve um pacto entre a ditadura e a oposição, do qual resultaram a anistia política e a redemocratização do país. Nesse pacto houve também derramamento de sangue, não apenas de um dedo, mas de todo um corpo. A Comissão da Verdade, para apurar os crimes daquele tempo, não violará o pacto. Apenas dará nome aos bois.

Gigante adoecido - DORA KRAMER


O Estado de S. Paulo - 13/03/12


Há o velho dito costumeiramente aplicado à política: esperteza quando é muita, cresce, vira bicho e come o dono. Resume mais ou menos a situação do governo que, sem oposição que o preocupe e, principalmente, com a qual seus aliados se ocupem, é alvo de si mesmo.

Vive o que podemos chamar de uma crise aguda de hipertrofia, resultado de um plano ainda em andamento de ocupar todos os espaços possíveis. E aqui vamos nos ater ao campo da política partidária, onde os danos começam a ficar evidentes.

A coalizão governista cresceu demais de maneira anômala, cooptou, açambarcou as forças disponíveis, reduziu a oposição à insignificância na Câmara, na última eleição levou a termo o projeto de varrer do mapa os adversários mais combativos a fim de virar o jogo no Senado.

O governo estufou, tornou-se um gigante. De seus antecessores, desde José Sarney até Lula, Dilma Rousseff é quem menos oposição nominal tem no Congresso. Na Câmara os partidos de oposição ocupam 17,5% das cadeiras e no Senado mal chegam a 20%.

Para ficar bem claro: o governo em tese domina 80% do Parlamento. Segundo levantamentos correntes sobre o comportamento dos aliados em votações, o índice de fidelidade é alto na média.

Não serve para ganhar todas, mas assegura boa margem de vitórias Ainda mais se nelas forem incluídas as operações salva-vidas montadas por ocasião de convocações de integrantes do governo ao Congresso.

Não obstante todas essas condições favoráveis, o que se tem é um ambiente de permanente conturbação entre os partidos aliados ao Palácio do Planalto.

A razão chega a ser elementar. Junte-se a amplitude amazônica, a heterogeneidade, a competitividade natural entre diferentes e a ausência de amálgama sólido, o que se tem não é propriamente uma base.

Não há um alicerce de sustentação do governo, mas um amontoado de interesses cujos conflitos naturalmente se expressam com mais contundência em época de eleições.

E na carência de oponentes para se combater, o embate acaba correndo internamente. De onde se concluiu que oposição de mais é ruim para qualquer governo, mas oposição de menos afeta o equilíbrio ecológico e pode ser ainda pior.

Tempo de estio

O PT anda jururu, literalmente na muda à espera de uma definição sobre o quadro de saúde do ex-presidente Luiz Inácio da Silva para ver se a candidatura de Fernando Haddad pode vir a deslanchar ou se é melhor pular essa etapa deixando para mais adiante a tentativa de tirar São Paulo das mãos do PSDB.

Um candidato a aliado, o PSD, já adiou seus planos. Outro parceiro em potencial para a empreitada anunciada pelos petistas como prioritária neste ano, o PSB, também examina a hipótese.

O presidente do partido, governador Eduardo Campos (PE), diz abertamente que a montagem de alianças tem como horizonte muito mais importante a eleição de 2014.

Fala como quem ensaia uma justificativa para movimentos táticos a fim de preservar projetos estratégicos. Em português claro: desenha a possibilidade de ficar com o prefeito Gilberto Kassab agora, ao lado dos tucanos em São Paulo, alegando necessidade de preservar apoio do PSD ao campo hoje governista na eleição presidencial.

Um detalhe ainda mantém no PT a esperança de retomar a posição de conforto presumido: a inesgotável capacidade do PSDB de patrocinar tiroteios no próprio pé.

Ainda assim, na dependência de uma recuperação de Lula à altura das exigências da tarefa, pois não se pode perder de vista um fator. Sendo a candidatura Haddad uma obra de autor, só ele é capaz de imprimir sentido à narrativa.

Fala baixo

Frase dita nas conversas de queixas à presidente Dilma e companhia na cúpula do PMDB/Senado: "O matriarcado pirou". É de se perguntar se os valentes repetiriam a impertinência de corpos presentes.

Matar crianças, perder a guerra - CLÓVIS ROSSI


FOLHA DE SP - 23/03/12

O crime do soldado dos EUA evidencia que a invasão do Afeganistão é um imenso fracasso


JAMAIS ESQUECI frase do notável escritor argentino Ernesto Sábato (1911-2011), quando apadrinhou a associação "Abuelas de Plaza de Mayo", um grupo de bravas senhoras dispostas a lutar para reaver os netos desaparecidos junto com os pais tragados pela máquina de matar montada pelos militares argentinos entre 1976 e 1983.

"Nós, adultos, de algo sempre somos culpados. Mas as crianças, que culpa podem ter as crianças?", perguntava Sábato.

A frase voltou à cabeça ao ler a análise no "Financial Times" da morte de afegãos (nove crianças) por um militar norte-americano. Escreveu Ahmed Rashid, autor de best-sellers sobre a região: "As centenas de civis já mortos neste ano em todo o país ficam quase esquecidos agora, na esteira de crianças mortas por um "farengi" (estrangeiro)".

O sofrimento de crianças tem esse condão de sacudir consciências e, com isso, tornar mais evidente o que se sussurrava quando as vítimas eram adultos, estrangeiros ou nacionais: a guerra do Afeganistão é um colossal fracasso.

Para fazer afirmação tão redonda basta voltar no tempo e recuperar o objetivo declarado pela Otan, em 2001, ao se atirar à intervenção no Afeganistão: era "reconstruir, democratizar e desenvolver" o país.

Impossível discordar de Marwan Bishara, analista político-sênior da rede Al Jazeera, quando escreve:

"Em face de um governo cada vez mais corrupto e incompetente, os afegãos estão vendo poucos progressos no terreno. A chamada "nation building" (construção do país) está paralisada, a justiça e a obediência à lei são inalcançáveis e um terço da população está sofrendo de desnutrição".

Que os afegãos estejam fartos é óbvio. Até porque, como continua Bishara, "invadir outro país e ocupá-lo por mais de uma década não pode sair barato, moral ou humanamente". Não está saindo nem para os afegãos nem para os soldados dos Estados Unidos.

Como é descrito pela revista "Time" na sua edição eletrônica, "evidências iniciais sugerem que as repetidas mortes de soldados norte-americanos tornaram-se demais para um deles, que aparentemente tentou obter sua própria e perversa vingança, teorizam funcionários do Pentágono", aludindo ao soldado que saiu domingo ao ataque alucinadamente.

Nesse ambiente, a única saída parece ser recuar dez anos e trazer de volta o Taleban, escreve Bruce Riedel, ex-CIA, hoje pesquisador-sênior na Brookings Institution: "Depois da série de incidentes deste ano, não deveria haver nenhuma dúvida em Washington de que a única saída é buscar um acordo negociado com o Taleban para pôr fim à guerra o mais depressa possível".

Reforça o autor Ahmed Rashid no "Financial Times": "O melhor desenlace no Afeganistão [é] um processo político cuidadosamente desenvolvido que traga todos ou alguns dos talebans para um cessar-fogo e um arranjo de divisão de poder, respaldado pelos vizinhos [alusão óbvia a Paquistão e Irã, principalmente]".

Mas, adverte Rashid, um processo como esse demanda tempo e paciência -condições que parecem ter desaparecido com a morte das crianças.