quarta-feira, novembro 30, 2011
Ueba! Palmeiras leva peruzão! - JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 30/11/11
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! E em Brasília tá tendo a Capital Fashion Week. Que dura três dias! Igual semana de deputado, que só dura três dias. A week de três dias! Virou moda! Virou fashion!
E um leitor me disse que o euro devia se chamar erro. Zona do erro. Isso! A Europa virou uma zona de erro! E o Egito virou Agito!
E diz que a torcida corintiana tava como esquilo da "Era do Gelo". A hora que ia alcançar a noz, veio tudo por água abaixo. Rarará.
E agora direto do País da Piada Pronta: "Primeira-dama de Limeira usa laranjas". Limeira usa laranja! E mais: "Primeira-dama de Limoeiro usa laranjas". Isso que é salada de fruta!
E mais: "Irmã laranja da primeira-dama de Limeira foi presa". E como se chama? Veronica Amador. Por isso que foi presa! E adorei essa: irmã laranja! Já tem Mulher Melão, Mulher Jaca, Mulher Melancia, mas Irmã Laranja é inédito! A fruta que tava faltando! Já imaginou você ter uma Irmã Jaca?!
E tô adorando os nomes das bandidas: A Xerifa da Rocinha, a Viúva da Mega-Sena! Vilãs de novela mexicana!
E o Brasileirão? E o Palmeiras? Olha essa: "Peru GG de Natal é incentivo pro Palmeiras". É verdade! Os dirigentes prometeram um Natal mais recheado: se ganhar do Corinthians, os jogadores levam um peru GG! Ganhe do Timão e leve um peruzão! Palmeiras vai levar um peruzão! E o dirigente confirma: "O peru vai ser GG. Vai ser difícil achar padaria pra assar". É o que eles vão ganhar de bicho: um peruzão!
E eu recebi uma foto da quadra da Escola de Samba Não Posso Me Amofiná, no Pará. E a quadra tem três banheiros: cavalheiros, damas e bibas. Já dividiram o Pará em três? Rarará!
É mole? É mole, mas sobe! Ou como diz aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
E corre na internet o ranking dos times cariocas. Flamengo, campeão brasileiro de 2009. Fluminense, campeão brasileiro 2010. Vasco, Copa Brasil 2011. E o Botafogo? Um bairro legal. Rarará.
O Brasil é lúdico! Em Itapecerica da Serra tem a Barraca do Cansei! Pomadas eróticas, catuaba e Viagra falso. Rarará!
E como escreveu aquele cara no meu Twitter: "Porra, hoje ainda é quarta-feira?". Rarará. Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
O setor elétrico refém da Petrobrás - ADRIANO PIRES e RAFAEL SCHECHTMAN
O ESTADÃO - 30/11/11
O Brasil ainda dispõe de um potencial hídrico de 165 GW para a geração de energia elétrica. Desse montante, 53% encontram-se na Região Norte, onde hoje se constroem grandes usinas, como as Hidrelétricas de Santo Antônio, Jirau e Belo Monte. A transformação em energia desse potencial, porém, se defronta com restrições à inundação de grandes áreas, que obriga as novas usinas a terem reservatórios pequenos comparados à sua capacidade degeração. Assim, as usinas são incapazes de estocar energia, dificultando a modulação e a regularização plurianual do sistema hidrelétrico.
Para compensar a perda da capacidade de regularização, será cada vez mais necessário complementar a geração hídrica com outras fontes de energia, como a eólica e a termo eletricidade a Bagaço de canae a combustíveis fósseis. Entre estas últimas, as termoelétricas a gás natural apresentam vantagens e terão papel importante na matriz elétrica futura. Logo, um modelo hidrotérmico poderá trazer benefícios, se as políticas do governo promoverem, ou pelo menos não atrapalharem, a concorrência das termoelétricas a gás entre si e com as demais fontes.
Não foi o que se viu no 11.º leilão de energia elétrica, em que a Petrobrás abusou de seu poder de mercado. Por produzir a maior parte do gás natural nacional e ser monopolista na importação do combustível, a estatal, ao contrário das empresas não verticalizadas, não precisa assinar contratos de fornecimento de gás para se habilitar a esses leilões. Além disso, pode criar barreiras à participação de concorrentes ao impor-lhes preços e condições de fornecimento desfavoráveis ou alegar indisponibilidade de gás ou de capacidade de transporte, para negar contratos de fornecimento. Como se não bastasse essa situação não isonômica do leilão, desconhece-se o preço implícito do gás fornecido pela Petrobrás a sua própria usina. Para o próximo leilão, em dezembro, não deveremos ter a participação de usinas a gás. A Petrobrás não se interessou em participar do certame nem assinou contrato com as 32 empresas interessadas, pois, segundo seu presidente, a estatal não tem gás disponível que permita assinar novos contratos de fornecimento.
O comportamento da Petrobrás ameaça o modelo do Setor elétrico, que, segundo seus criadores, tem como um de seus elementos centrais a promoção da competição pelo mercado, estabelecida pela obrigatoriedade da venda de energia às distribuidoras por meio de leilões públicos. Porém, a cada leilão, o comportamento da estatal desestimula a competição, ao inviabilizar a participação das concorrentes privadas não verticalizadas.
Essa atitude compromete ainda o objetivo de modicidade tarifária do governo, uma vez que a prática de preços diferenciados da Petrobrás para suas termoelétricas, ao eliminar a concorrência, alija dos leilões competidores mais eficientes na construção e operação de usinas termoelétricas.
Ao praticar preços diferenciados para afastar as concorrentes no leilão, a estatal passa a gozar de um ganho monopolista na geração de energia elétrica que pode vir a encarecer o seu preço.
O comportamento da Petrobrás no Setor elétrico acaba refletindo também na competição nas atividades de exploração e produção de gás natural. Além de ser a maior produtora brasileira de gás natural e a única transportadora e importadora do combustível, a estatal é grande consumidora de gás natural em suas refinarias e plantas de fertilizantes, e também tem participação acionária relevante na petroquímica e em 21 das 23 distribuidoras de gás canalizado operando no País. Até recentemente, a geração termoelétrica era a única importante âncora de consumo de gás em que a empresa não exercia poder de mercado. Assim, o domínio da estatal nessa atividade inibirá novos investimentos na produção de gás de empresas não verticalizadas, uma vez que elas terão mais dificuldades em comercializar o gás.
Cabe ao governo, como formulador da política energética, como regulador e como acionista majoritário da Petrobrás, regular e controlar o monopólio desregulado da estatal no gás natural e as consequências disso nas suas práticas no Setor elétrico. Do contrário, como se não bastasse o poder de monopólio exercido pela empresa na indústria do petróleo e do gás natural, a Petrobrás agora tornará o Setor elétrico refém de suas decisões.
Trem fantasma - DORA KRAMER
O Estado de S.Paulo - 30/11/11
Reza uma versão atribuída ao "Palácio do Planalto" que o governo resolveu não tomar conhecimento do fato de que seu ministro do Trabalho, Carlos Lupi, foi funcionário fantasma do gabinete da liderança do PDT na Câmara durante mais de cinco anos, porque em "todos os partidos" há contratados que não aparecem no trabalho.
Um adendo: como de resto se deixou para lá a escabrosa história de um mecânico petista que ao tentar registrar seu sindicato (cartório, guichê de arrecadação, como queiram, pois o objetivo é ter acesso ao dinheiro da contribuição sindical) no Ministério do Trabalho foi informado de que deveria pagar um "por fora" de R$ 1 milhão.
Recusou-se - até porque não tinha o dinheiro -, comunicou o ocorrido a parlamentares petistas, mandou e-mail ao gabinete da presidente, ao secretário-geral da Presidência, mas, como disse o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza, são muitas as mensagens que chegam todos os dias dizendo isso e aquilo.
Portanto, não havendo mãos a medir para atendê-las, a solução é deixar todas para lá.
A Presidência foi mais atenciosa na resposta: informou que o e-mail enviado a Dilma Rousseff chegou truncado, não dava para ler justamente o trecho da denúncia sobre a tentativa de extorsão. Do cinismo, uma obra de arte.
E as outras mensagens? E os avisos aos parlamentares? O senador Eduardo Suplicy disse que mandou um ofício à boca do lobo, ou melhor, ao Ministério do Trabalho. De onde menos se esperava que saísse uma providência é que não saiu nada mesmo.
Em Roma como os romanos, deixemos para lá. Voltemos ao caso da Câmara, de onde Carlos Lupi recebeu salário entre 2000 e 2006 sem aparecer para trabalhar, ato considerado aceitável porque há fantasmas para todo lado.
É a lógica da ilegalidade tornada legítima pela adesão à prática - a mesma aplicada ao uso do caixa 2 nas campanhas eleitorais. Se muita gente comete uma infração, ela passa a ser considerada, digamos, um hábito.
Em tempos menos estranhos à distinção entre o certo e o errado e em ambiente menos permissivo, tal revelação suscitaria dois tipos questionamentos: um ao ministro, cuja ficha já se assemelha a um boletim de ocorrências, outro à Câmara dos Deputados a fim de se verificar que bagunça é essa.
No lugar de admoestações, no entanto, o que tivemos foi a assinatura do líder do governo na Câmara em mais um atestado de desmoralização do Parlamento.
"A maioria dos funcionários (contratados pelos deputados) jamais pisou na Câmara", disse Vaccarezza. Ao defender o sagrado direito à boquinha, o deputado defendeu também a malversação.
Uma velha conhecida dele. Desde os idos de 1996, quando prestava o mesmo tipo de serviço no gabinete do vereador malufista Brasil Vita. Era, então, secretário-geral do PT, não tinha mandato parlamentar e ganhava a vida na base do ponto assinado sem comparecer ao trabalho.
Não fossem tão estranhos os tempos nem tão permissivo o ambiente, a afirmação do, note-se, líder do governo na Câmara requereria do presidente da Casa uma averiguação e dos partidos ali representados a apresentação da prova em contrário.
Não haverá uma nem outra. Os partidos serão comedidos nos protestos (se houver) a fim de não materializar seus fantasmas, Vaccarezza talvez se veja obrigado a consertar a declaração dizendo que foi entendida fora do contexto e Marco Maia, ah, o presidente da Câmara no dia anterior já havia explicitado a empresários paulistas qual é o seu padrão.
Reunido com o Grupo de Líderes Empresariais (Lide) na segunda-feira, foi instado a se manifestar sobre ética na política e cobrado por causa da absolvição de Jaqueline Roriz, filmada recebendo dinheiro de origem suspeita.
E o que disse o deputado aos homens de negócios? "A Câmara não é uma delegacia de polícia, embora muitos desejem que se transforme numa delegacia de polícia."
Engana-se ou se faz de desentendido o presidente da Câmara. Ninguém quer que o Legislativo seja uma delegacia. Bastaria que cumprisse direito sua delegação e não contribuísse para fazer da política um caso de polícia.
Os chineses ensinam o ''huyou'' - ELIO GASPARI
FOLHA DE SP - 30/11/11
Os repórteres Patricia Campos Mello e Gustavo Henneman foram atrás dos números e descobriram que, numa lista de 24 grandes investimentos chineses anunciados para o Brasil num montante de cerca de US$ 20 bilhões, 25% não saíram do papel. Do total, metade vem de outros financiadores, às vezes brasileiros.
A joia dessa coroa é o investimento de US$ 12 bilhões da Foxconn para produzir equipamentos eletrônicos. Festejado em abril, quando a doutora Dilma foi a Pequim, nem ao papel chegou. A montadora JAC, que levaria US$ 450 milhões para a Bahia, será financiada em 80% pelo sócio local. O investimento de US$ 3,5 bilhões da Wisco na EBX de Eike Batista, para construir uma siderúrgica no porto do Açu ainda é apenas um acordo para "estudos de viabilidade".
Não se trata de pura empulhação. É apenas o matrimônio malandro de dois maus hábitos. Um, chinês, outro do empresariado e do governo brasileiros. Basta lembrar que o salão do Planalto onde são anunciados esses projetos é conhecido, há tempo, como "Cabo Kennedy", nome da base de lançamento de foguetes americana. De lá saíram os aviões não tripulados que vigiariam a fronteira, os números do "Minha Casa Minha Vida", o ProJovem e o programa de 100 mil bolsas de estudo no exterior até 2014.
Em português, o nome disso é empulhação. Em chinês, é "huyou". Num livro instrutivo, "China in Ten Words" ("China em Dez Palavras"), o renomado escritor Yu Hua reuniu pequenos ensaios, um deles dedicado ao "huyou". Pode ser traduzido como enganação, ou vigarice. Não chega a ser fraude, está mais para bravata do que para golpe. Segundo ele, "huyou" tornou-se "uma nova estrela no "firmamento do léxico" chinês.
Três exemplos:
1) Em 2008, às vésperas da Olimpíada, uma imobiliária anunciou que Bill Gates comprara um apartamento de 700 metros quadrados de frente para o Centro Aquático. Era "huyou", pois Gates não comprara coisa alguma. O golpe deu certo e o lançamento ganhou status.
2) A emissora estatal de TV leiloou seu espaço publicitário no horário nobre. Um sujeito arrematou a oferta e foi saudado como o "Rei do Leilão". Não tinha o dinheiro, mas voltou para sua cidade e avisou ao prefeito: "Eu dei notoriedade a vocês, não me deixem mal". Conseguiu um empréstimo oficial no valor de 25% do lance e, alavancado, foi atrás do resto.
Outro:
Em 2009, a casa de leilões Christie''s vendeu por US$ 18 milhões duas esculturas que foram roubadas em 1860 pelos ingleses, no saque e incêndio do Palácio de Verão. Os chineses insistiam na ilegalidade do leilão. Não lhe deram ouvidos. O comprador, Cai Minchao, não tinha um tostão, avacalhou a hasta e foi festejado como herói. Os grandes leiloeiros aprenderam a respeitar os protestos da China.
Como em todo conto do vigário, para que ele ocorra é necessário que haja alguém querendo acreditar no negócio (muitas vezes supondo que o vigarista é um otário).
Ninguém pode acusar os investidores chineses de empulhar seus parceiros brasileiros. A Foxconn nunca disse oficialmente que investiria US$ 12 bilhões em Pindorama. Pode ter sugerido, mas o "huyou", convertido em empulhação, foi oferecido aos brasileiros por brasileiros.
O risco para os outros de um PT na defensiva - ROSÂNGELA BITTAR
Quando o Partido dos Trabalhadores se volta contra a imprensa, de forma insistente e um tanto ansiosa, como agora, é porque que está na defensiva. Uma fase em que o partido não pode, ou não quer, assumir suas preocupações como elas são de fato: manter e se possível ampliar espaço na reforma ministerial, prevista para o início de 2012, a aproximação do julgamento do mensalão e o câncer de Lula. É disso que se trata, uma vez que controlar os meios de comunicação, seja sob que argumento, razão ou fórmula for - no momento é "proteger" o conjunto da mídia do domínio das empresas de telecomunicações -, não é um problema real nem premente.
Se conseguir pegar a mídia com seu afã, tanto melhor. É um desejo que acalenta desde que assumiu o poder federal e, no comando, passou a se incomodar com o contraditório. Mas esse é um desejo do PT e de petistas, alguns deles até ontem arautos da liberdade de imprensa. O controle da mídia, porém, não está na agenda do governo, desde que a presidente Dilma Rousseff assumiu o Palácio do Planalto.
O PT insiste porque marca uma presença fácil no debate, faz barulho, mantem-se na onda e pode desviar-se de compromissos ou exposição pública em questões que lhe são muito caras. O partido do governo federal ataca para criar uma crosta de proteção contra mísseis que ainda não foram atirados e outros que já passaram raspando sobre seus ombros. Defende-se, em primeiro lugar, da avaliação negativa do governo Lula que representou a queda em série, sob suspeita de corrupção, dos ministros indicados pelo ex-presidente a este governo. Decididamente, o PT abominou a faxina ética porque expôs as próprias mazelas e as da aliança partidária que o sustenta no poder.
Defende-se, também, da passada (para não expor Lula) e da futura (para não cair nela) reforma ministerial. Para o partido, melhor seria que não houvesse reforma alguma, mas, havendo, que fique com a melhor parte, amplie seus domínios. O PT quer, por exemplo, não perder absolutamente nenhum dos postos que ocupa entre os 38 cargos de ministro, o que engessará, se a presidente seguir esse caminho, qualquer tentativa de dar racionalidade administrativa ao governo. Isso, segundo o consultor de gestão Jorge Gerdau, exigiria o enxugamento da máquina.
O PT tem 15 ministros: Casa Civil, Ciência e Tecnologia, Educação, Justiça, Pesca, Saúde, Comunicações, Desenvolvimento Agrário, Desenvolvimento Social, Planejamento, Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fazenda, Defesa, Secretaria de Direitos Humanos, Secretaria da Igualdade Racial, Secretaria de Políticas para as Mulheres, Secretaria de Relações Institucionais, Secretaria-Geral da Presidência e verticalmente todos os cargos importantes desses ministérios e secretarias, além da presidência das principais estatais que, todos sabem, valem muito mais eleitoralmente que qualquer ministério.
O PMDB, parceiro de chapa de Dilma na eleição, ficou com a Agricultura, Previdência, Minas e Energia, Turismo, Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência. Na avaliação de um especialista em contagem de votos do partido, nenhum desses cargos permite ao PMDB fazer um só vereador nas eleições de 2012. Até porque o PMDB não conseguiu se impor, como o PT, e as áreas que comanda no topo estão ocupadas na base por aliados diversos, vetados pelo PT em seus ministérios.
O PSB ficou com 2: Integração Nacional e Secretaria de Portos; o PCdoB ficou com o Esporte e um só cargo importante, a presidência da Embratur; o PR recebeu os Transportes, o PP o Ministério das Cidades, e o PDT o Ministério do Trabalho.
Além de evitar a perda de alguns lotes pela junção de pastas que carecem de sentido desde o nascedouro, o PT cobiça a capitania alheia. É visível a complexa relação do partido com o Ministério do Trabalho que, nas mãos do PDT, teria favorecido mais a Força Sindical que a CUT, nos anos Lupi, embora todas elas tenham se locupletado não só pelo aumento dos recursos recebidos como pela dispensa de prestação de contas de sua aplicação.
Os partidos da base aliada estão ainda se medindo nessa reforma. O PMDB sabe que o PT não quer subtrações mas adições, e olha os movimentos do partido à distância. A qualquer momento, se chamado a conversar, o partido do vice-presidente Michel Temer dirá o que pretende: um ministério que possibilite fazer algo pelo país e por sí próprio, e o ministério que o PMDB gostaria de ocupar, como de resto todos os demais, PT inclusive, é o das Cidades.
O PT não quer deixar o ministério da Educação, de onde sairá seu ministro para disputar as eleições municipais. O ministro está trabalhando para emplacar em seu lugar o secretário executivo que, como ele, faz parte da entourage que o governador e ex-ministro Tarso Genro foi deixando por onde passou. Talvez o PT queira fechar questão nessa substituição.
O partido está na defensiva também porque não consegue se livrar do fantasma do mensalão, que pode surgir das cinzas no ano eleitoral. Agora, o principal réu, José Dirceu, já assumiu as rédeas partidárias, comanda o PT, orienta, é chamado a ajudar os que, denunciados, se enfraqueceram no cargo que ocupam, entre eles o mais notório é, hoje, Agnelo Queiroz, governador do Distrito Federal. O único nesse tipo de cargo atingido por denúncias, como ex-ministro de Lula. Não é momento, para o PT, de ter Dirceu novamente na berlinda.
O ministro relator do mensalão já concluiu a audiência de testemunhas e deve marcar julgamento para o primeiro semestre de 2012. Só para ouvir os advogados de defesa serão gastos três dias, prevê-se, e o PT quer chegar politicamente fortalecido, dono do governo, a esse momento.
Está também inseguro o partido com a doença do ex-presidente Lula, que precisou se afastar temporariamente da linha de frente do embate eleitoral e das garantias que o PT precisa para manobrar o governo. Quando o ex-presidente retomar a liderança do processo, no início do ano que vem, pode ser tarde para alguns pleitos.
Essas evidências demonstram que o que menos preocupa o partido, hoje, é fazer um marco regulatório para não deixar "o setor das telecomunicações, com seu poder econômico, sufocar a mídia tradicional", como alegou o presidente da legenda, Rui Falcão, em artigo no jornal "O Globo" desta segunda-feira. Mas é o que o ocupa.
Faca de dois gumes - RODRIGO MAIA
O GLOBO - 30/11/11
O vazamento na Bacia de Campos, a 1,2 mil metros de profundidade, evidencia os altos investimentos realizados em tecnologia, mas pouco em precaução pela indústria petrolífera. A sangria, localizada a 120 quilômetros da costa fluminense, corre o risco de prejudicar a biodiversidade de recantos ecológicos como áreas de mangue. Espécies de tartarugas, peixes e o passeio de baleias, que encantam turistas e moradores de Armação de Búzios, Cabo Frio e Arraial do Cabo, estão na berlinda.
A Região dos Lagos é uma das poucas que conseguiram conservar uma rica fauna e flora marinha em meio à exploração em alto-mar. Juntos, os municípios do litoral receberam R$243,079 milhões em compensações no ano passado. Se o óleo chegar à costa, qual órgão ou ente terá de arcar com a limpeza das praias e elaborar um plano de recuperação ambiental, caso a Chevron não consiga interromper o derramamento no Campo de Frade? O governo estadual com a contrapartida de prefeituras.
As eventuais fotografias impactantes de animais chafurdados em óleo deveriam servir para mudar o juízo de valor dos deputados a respeito do substitutivo do senador Vital do Rego Monteiro (PMDB-PB), que ainda mantém as perdas para estados e municípios produtores. Esse episódio vai dar munição para a bancada fluminense defender a manutenção do atual regime de Distribuição aos estados produtores. Será que o óleo derramado vai chegar até Mato Grosso? Não, ele ficará na costa fluminense. Esse triste episódio deve servir de lição para os gananciosos, que só enxergam o dinheiro e esquecem o ônus.
O acidente traz à tona a falta de fiscalização da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), que não conseguiu dimensionar a quantidade de óleo lançado; a verdadeira eficácia das multas por ser alvo de contestação nos tribunais - hoje, o limite é de R$50 milhões. A multa é irrisória se comparada à condenação imposta pela Justiça do Equador, que multou a multinacional em R$13 bilhões pela poluição em área da Floresta Amazônica. Foi preciso o apoio de imagens de satélite da Nasa para dimensionar o estrago em alto-mar.
No derramamento no Golfo do México (EUA), o governo havia sido iludido pelo lobby das empresas petrolíferas - tanto na gestão de George Bush como na de Barack Obama. O equipamento usado não era adequado para aquele tipo de exploração, mas sua utilização era permitida na legislação. Não havia plano eficiente para conter o vazamento na área do desastre quanto na zona costeira.
O governo federal pregou que a riqueza do pré-sal resolveria o problema da educação e levaria o Brasil ao desenvolvimento pleno por conta da quantidade surpreendente dos estoques de "ouro negro". O que antes parecia trivial, retirar petróleo de maneira sustentável em águas profundas e gerar receitas de municípios, estados produtores e União, mostrou-se incoerente. Observa-se a necessidade de estimular outras fontes de energia e diminuir a dependência do petróleo.
A Região dos Lagos é uma das poucas que conseguiram conservar uma rica fauna e flora marinha em meio à exploração em alto-mar. Juntos, os municípios do litoral receberam R$243,079 milhões em compensações no ano passado. Se o óleo chegar à costa, qual órgão ou ente terá de arcar com a limpeza das praias e elaborar um plano de recuperação ambiental, caso a Chevron não consiga interromper o derramamento no Campo de Frade? O governo estadual com a contrapartida de prefeituras.
As eventuais fotografias impactantes de animais chafurdados em óleo deveriam servir para mudar o juízo de valor dos deputados a respeito do substitutivo do senador Vital do Rego Monteiro (PMDB-PB), que ainda mantém as perdas para estados e municípios produtores. Esse episódio vai dar munição para a bancada fluminense defender a manutenção do atual regime de Distribuição aos estados produtores. Será que o óleo derramado vai chegar até Mato Grosso? Não, ele ficará na costa fluminense. Esse triste episódio deve servir de lição para os gananciosos, que só enxergam o dinheiro e esquecem o ônus.
O acidente traz à tona a falta de fiscalização da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), que não conseguiu dimensionar a quantidade de óleo lançado; a verdadeira eficácia das multas por ser alvo de contestação nos tribunais - hoje, o limite é de R$50 milhões. A multa é irrisória se comparada à condenação imposta pela Justiça do Equador, que multou a multinacional em R$13 bilhões pela poluição em área da Floresta Amazônica. Foi preciso o apoio de imagens de satélite da Nasa para dimensionar o estrago em alto-mar.
No derramamento no Golfo do México (EUA), o governo havia sido iludido pelo lobby das empresas petrolíferas - tanto na gestão de George Bush como na de Barack Obama. O equipamento usado não era adequado para aquele tipo de exploração, mas sua utilização era permitida na legislação. Não havia plano eficiente para conter o vazamento na área do desastre quanto na zona costeira.
O governo federal pregou que a riqueza do pré-sal resolveria o problema da educação e levaria o Brasil ao desenvolvimento pleno por conta da quantidade surpreendente dos estoques de "ouro negro". O que antes parecia trivial, retirar petróleo de maneira sustentável em águas profundas e gerar receitas de municípios, estados produtores e União, mostrou-se incoerente. Observa-se a necessidade de estimular outras fontes de energia e diminuir a dependência do petróleo.
A mudança climática e a Rio+20 - LUIZ PINGUELLI ROSA
A crise financeira monopoliza emoções; a mudança climática, atualmente, não é prioridade mundial e, nesse cenário, será relativizada durante a Rio+20
Foi divulgada recentemente a proposta do Documento de Contribuição Brasileira à Conferência Rio+20. O Itamaraty teve papel importante, ao lado do Ministério do Meio Ambiente, na elaboração do documento, com base nos trabalhos de comissão que promoveu consultas à sociedade e a órgãos do governo. A julgar pelo texto, a questão da mudança climática não terá prioridade na parte oficial da Rio+20.
O documento a inclui no capítulo sobre desafios do desenvolvimento sustentável, entre 25 itens, cuja relevância é reconhecida como erradicação da pobreza extrema, que ocupa o primeiro lugar. Embora a mudança climática tenha influência entre vários desses itens, o documento não aponta como essa transversalidade será tratada e relativiza o tema na Rio+20.
A negociação na Convenção-Quadro da ONU, originada na Rio-92, não vai bem. A meta preliminar era de que, no ano 2000, os países desenvolvidos e ex-comunistas reduzissem suas emissões dos gases do efeito estufa ao valor que tinham em 1990, em particular o CO2, principal responsável pelo aquecimento global. Como as emissões não estavam sendo reduzidas, ao contrário, aumentavam, na Conferência de Kyoto, em 1997, mudaram-se as metas e o prazo, que se esgota em 2012, ano da Rio+20.
Os EUA nem mesmo ratificaram o Protocolo. Portanto, a redução mundial das emissões até 2012 ficará muito abaixo da necessária para se chegar ao fim do século dentro do limite de 2 graus Celsius de aquecimento. As mudanças climáticas trarão riscos para o futuro da humanidade. A redução das grandes geleiras é um indício dado pelo IPCC.
Os países em desenvolvimento tendem a aumentar emissões com o crescimento econômico, seguindo os padrões de produção e de consumo dos países desenvolvidos, que são trazidos pelas grandes empresas transnacionais. Por outro lado, as classes de renda mais alta têm alto Consumo de energiaper capita, enquanto a população pobre tem Consumo de energia muito baixo.
Assim, a desigualdade na emissão de gases do efeito segue a desigualdade na Distribuição de renda. Deve-se resolver o problema das emissões juntamente com o da exclusão. Doze milhões de brasileiros não tinham luz elétrica no início do Programa Luz Para Todos.
Na Conferência de Copenhague, em 2009, o Brasil assumiu o compromisso de reduzir, em 2020, voluntariamente -pois não está obrigado pela Convenção-Quadro-, as suas emissões em até 38,9% da emissão projetada para aquele ano.
A maior parte vem do desmatamento, que tem sido reduzido, embora haja dúvidas neste ano. Para se chegar a esse compromisso, houve um processo no qual o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas teve uma relevante contribuição.
O presidente Lula teve importante papel em Copenhague, onde compareceu com a futura presidente Dilma e protestou contra o rumo da Conferência em direção ao fracasso, que acabou ocorrendo, apesar do compromisso brasileiro.
A Conferência do ano seguinte, 2010, em Cancún, não avançou muito; possivelmente, esta é a tendência da Conferência de Durban, que ocorre agora.
A prioridade mundial, hoje, não é a mudança climática. A crise financeira monopoliza as emoções: basta ver a reação à possibilidade de a Grécia submeter a um referendo popular as condições exigidas pela Alemanha e pela França para renegociarem sua dívida.
Só faltou a União Europeia proibir a leitura de "A República", de Platão, como obra subversiva.
Foi divulgada recentemente a proposta do Documento de Contribuição Brasileira à Conferência Rio+20. O Itamaraty teve papel importante, ao lado do Ministério do Meio Ambiente, na elaboração do documento, com base nos trabalhos de comissão que promoveu consultas à sociedade e a órgãos do governo. A julgar pelo texto, a questão da mudança climática não terá prioridade na parte oficial da Rio+20.
O documento a inclui no capítulo sobre desafios do desenvolvimento sustentável, entre 25 itens, cuja relevância é reconhecida como erradicação da pobreza extrema, que ocupa o primeiro lugar. Embora a mudança climática tenha influência entre vários desses itens, o documento não aponta como essa transversalidade será tratada e relativiza o tema na Rio+20.
A negociação na Convenção-Quadro da ONU, originada na Rio-92, não vai bem. A meta preliminar era de que, no ano 2000, os países desenvolvidos e ex-comunistas reduzissem suas emissões dos gases do efeito estufa ao valor que tinham em 1990, em particular o CO2, principal responsável pelo aquecimento global. Como as emissões não estavam sendo reduzidas, ao contrário, aumentavam, na Conferência de Kyoto, em 1997, mudaram-se as metas e o prazo, que se esgota em 2012, ano da Rio+20.
Os EUA nem mesmo ratificaram o Protocolo. Portanto, a redução mundial das emissões até 2012 ficará muito abaixo da necessária para se chegar ao fim do século dentro do limite de 2 graus Celsius de aquecimento. As mudanças climáticas trarão riscos para o futuro da humanidade. A redução das grandes geleiras é um indício dado pelo IPCC.
Os países em desenvolvimento tendem a aumentar emissões com o crescimento econômico, seguindo os padrões de produção e de consumo dos países desenvolvidos, que são trazidos pelas grandes empresas transnacionais. Por outro lado, as classes de renda mais alta têm alto Consumo de energiaper capita, enquanto a população pobre tem Consumo de energia muito baixo.
Assim, a desigualdade na emissão de gases do efeito segue a desigualdade na Distribuição de renda. Deve-se resolver o problema das emissões juntamente com o da exclusão. Doze milhões de brasileiros não tinham luz elétrica no início do Programa Luz Para Todos.
Na Conferência de Copenhague, em 2009, o Brasil assumiu o compromisso de reduzir, em 2020, voluntariamente -pois não está obrigado pela Convenção-Quadro-, as suas emissões em até 38,9% da emissão projetada para aquele ano.
A maior parte vem do desmatamento, que tem sido reduzido, embora haja dúvidas neste ano. Para se chegar a esse compromisso, houve um processo no qual o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas teve uma relevante contribuição.
O presidente Lula teve importante papel em Copenhague, onde compareceu com a futura presidente Dilma e protestou contra o rumo da Conferência em direção ao fracasso, que acabou ocorrendo, apesar do compromisso brasileiro.
A Conferência do ano seguinte, 2010, em Cancún, não avançou muito; possivelmente, esta é a tendência da Conferência de Durban, que ocorre agora.
A prioridade mundial, hoje, não é a mudança climática. A crise financeira monopoliza as emoções: basta ver a reação à possibilidade de a Grécia submeter a um referendo popular as condições exigidas pela Alemanha e pela França para renegociarem sua dívida.
Só faltou a União Europeia proibir a leitura de "A República", de Platão, como obra subversiva.
A Fiesp e o dragão dos juros - ROLF KUNTZ
O Estado de S.Paulo - 30/11/11
Baixar os juros deve ser apenas o começo. A fórmula completa do bom governo, de preferência com a participação sempre eficiente, desprendida e patriótica do PMDB, deve ser revelada em breve - espera-se - pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O primeiro passo é mostrar ao povo como o Tesouro Nacional desperdiça dinheiro com o serviço da dívida pública. O instrumento para isso é o recém-criado jurômetro, parecido com o impostômetro da Associação Comercial e com o mostrador da dívida americana instalado em 1989 em Nova York. Graças à iniciativa dos líderes da indústria, o cidadão brasileiro dispõe agora de informações essenciais para avaliar a administração do País. Por exemplo: com os R$ 216,9 bilhões de juros pagos pelo Tesouro até as 14h22 de 29 de novembro, seria possível construir 3,7 milhões de casas populares ou manter 104,9 milhões de crianças na escola. Também se pode converter aquele dinheirão em estradas, aeroportos, cestas básicas e outros itens valiosos para o bem-estar e a prosperidade dos brasileiros. Mas o cidadão um pouco mais atento observará, naturalmente, um detalhe: os números apresentados só têm sentido se a despesa total de juros for substituída por aquelas aplicações. Será isso possível ou mesmo desejável?
Como a resposta deve ser negativa, alguém fica devendo alguns esclarecimentos. Em primeiro lugar, qual seria a taxa aceitável para o Brasil? Algo na faixa de zero a 0,25% ao ano, como nos Estados Unidos? Talvez 6,5%, como na Hungria? Nenhuma das anteriores? Definido um número, ou pelo menos um intervalo, outra questão se impõe: qual a taxa real desejável? A partir daqui o assunto se torna um tanto complicado.
A taxa real é a diferença entre a nominal e a inflação. Não se inventou ainda um meio de fixar as duas ao mesmo tempo. Essa é uma deficiência notória dos economistas e, de modo geral, das autoridades econômicas. Também não conseguem determinar simultaneamente os valores nominais e reais do câmbio, nem dos salários. Na falta de outra solução, já tentaram amarrar as duas séries de valores por meio de um mecanismo aparentemente engenhoso, conhecido como indexação. O resultado foi um tanto decepcionante. Uma das consequências, no Brasil, foi a inflação inercial, ainda não eliminada inteiramente.
Abandonados os truques e mágicas, a determinação do juro real continua sendo um desafio para os condutores da política. A pior parte, como em todo o mundo, é o controle da inflação. Qual o juro nominal necessário para se conseguir num prazo razoável uma alta de preços de 4,5% ao ano ou algo mais civilizado? A resposta pode variar, porque depende de uma porção de fatores, como o grau de indexação, o regime cambial, os preços internacionais, a organização e a extensão do sistema de crédito e, naturalmente, a situação das contas públicas e até a memória inflacionária.
Alguns desses fatores foram citados pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para justificar a redução de juros iniciada no fim de agosto. Vale a pena lembrar três pontos: 1) com o agravamento da crise internacional, os preços de vários produtos básicos tenderão a se estabilizar ou a diminuir; 2) a inflação brasileira perderia impulso a partir do fim do terceiro trimestre; e 3) o Executivo federal está comprometido com uma política orçamentária mais austera e já começou em 2011 e reforçar suas contas. Quanto ao primeiro item, ponto para o Banco Central - mas ninguém foi surpreendido pela piora da situação na Europa e nos Estados Unidos. Em relação ao segundo, os dados ainda não são bastante claros, especialmente porque a demanda interna continua sustentada pelo alto nível de emprego e pela expansão do crédito. Algum tempo será necessário para se confirmar o esfriamento da demanda, e não só da oferta industrial. Em relação ao terceiro item, a aposta ainda parece muito arriscada. Não houve de fato aperto fiscal e a tramitação da proposta orçamentária é cheia de perigos, a começar pelo apoio de notórios parlamentares à proposta de aumento salarial para o Judiciário.
Os líderes da Fiesp e de outras organizações privadas poderiam contribuir para a redução dos juros se criassem um bom debate sobre o orçamento. Isso poderia incluir a busca de eficiência no gasto federal, corte de subsídios e maior cautela para evitar a mistura de contas do Tesouro e do BNDES. Uma experiência semelhante, a da conta movimento, foi desastrosa. O presidente da Fiesp também poderia contribuir para a melhora das finanças públicas se propusesse a seu novo partido, o PMDB, uma campanha para limpar o governo do loteamento político. E ainda poderia dar um caráter bipartidário à iniciativa, pedindo apoio a um de seus aliados na luta contra os juros, o pedetista Paulo Pereira da Silva, líder da Força Sindical e defensor do ministro Carlos Lupi. Por que não tentar?
O exemplar Carlos Lupi - EDITORIAL O ESTADÃO
O ESTADÃO - 30/11/11
Mas a corrupção existe, sim, e em caráter quase que endêmico, ou institucional, e por isso não sai do noticiário.
Veja-se o caso do intrépido ministro Carlos Lupi.
Além de tudo o que se publicou a respeito da sua atuação como ministro do Trabalho, matéria publicada pela Folha de S.Paulo no último sábado revela que ele foi funcionário fantasma da Câmara dos Deputados entre dezembro de 2000 e junho de 2006, período em que se dedicou exclusivamente a atividades partidárias, como vice e depois presidente do PDT. Ou seja, o contribuinte brasileiro pagou, por quase seis anos, para que Lupi cuidasse dos interesses de seu partido.
Há mais. Sob o título Proliferação de sindicatos no Brasil vai na contramão mundial, o Estado publicou, em maio de 2010, matéria de Lu Aiko Otta que analisava o impressionante aumento do número de entidades sindicais registradas no País nos últimos anos, em contradição com a tendência universal de os sindicatos se fundirem para ganhar maior representatividade e força política.
Agora, reportagem publicada na revista Veja revela que "assessores do ministro Carlos Lupi são acusados de cobrar propina para legalizar sindicato". A partir daí entende-se qual tem sido o estímulo para a multiplicação de entidades sindicais no País.
Acrescenta a revista que a denúncia de que assessores do Ministério do Trabalho "só liberam o Registro Sindical se pagar por ele aos amigos da Força Sindical" foi feita pelo até agora não registrado Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Reparação de Veículos e Acessórios no Estado de São Paulo, em ofício dirigido à presidente Dilma Rousseff no dia 22 de fevereiro último. A Força Sindical é o braço sindical do PDT, partido que, sob o comando de Lupi, domina o feudo do Trabalho. O sindicato denunciante, com sede em Caieiras, município da Grande São Paulo, é presidido pelo mecânico petista Irmar Silva Batista. O ofício contendo a denúncia, que no dia 9 de março o Palácio do Planalto confirmou ter recebido, não teve nenhum efeito, por alegadas "questões técnicas": o trecho que continha o objeto da denúncia, reproduzido em fac-símile pelo semanário, acabou "cortado na mensagem recebida", segundo o texto da reportagem.
É possível, com boa vontade, acreditar que, em fevereiro, a denúncia sobre a exigência de propina tenha sido considerada pela Presidência da República apenas o resultado de conflito de interesses entre militantes petistas e aliados pedetistas. Hoje, depois de Carlos Lupi ter exibido fartamente seu estilo de administrar, não há como deixar de levar a sério as denúncias de que é alvo.
Resta saber o que Dilma Rousseff fará a respeito. Tudo leva a crer que a presidente está convencida de que precisa se livrar de mais essa herança do governo Lula, mas, por uma série de razões políticas - inclusive para não dar a impressão de que está sendo pautada pelo noticiário -, só o fará na anunciada reforma ministerial.
Então, a "faxina" se diluirá no conjunto da reorganização do Ministério. E tanto Lupi quanto o ministro das Cidades, Mario Negromonte, poderão deixar o governo de cabeça erguida.
Mas, se com a reforma ministerial não vier uma mudança radical desse modelo de feudalismo partidário que domina a administração pública, Dilma permanecerá até o fim de seu mandato refém dos interesses nada republicanos que hoje predominam em sua base de sustentação partidária. Pois outros Lupis virão.
Queda de juros não ameaça meta de inflação - PAULO SKAF
O nível de atividade no país dá sinais de desaceleração; temos boa oportunidade para reduzir restrições ao crédito e cortar mais agressivamente os juros
Não resiste à lógica a avaliação de alguns analistas de que o início de um ciclo de redução da taxa Selic signifique uma ruptura das autoridades monetárias com as metas da inflação. A nova posição deve-se às projeções do impacto doméstico da crise fiscal no hemisfério Norte, inclusive no tocante às exportações brasileiras, considerando a retração dos mercados internacionais.
É importante destacar que o nível de atividade no Brasil já vem mostrando sinais de desaceleração, reflexo das medidas de controle de crédito, aumento da taxa de juros e contenção das despesas públicas implementadas ao longo do ano.
Uma gama ampla de indicadores mostra que a desaceleração não se resume apenas à indústria, que, por sinal, há 18 meses vem registrando desempenho anêmico.
A produção manufatureira apresentou queda de 2% na passagem de agosto para setembro. Encerrou o terceiro trimestre com recuo de 0,8% ante o segundo, quando registrou redução de 0,6%. A retração observada no terceiro trimestre é a maior desde o primeiro trimestre de 2009, quando foi de 6,6%.
Já o comércio varejista, que vinha mostrando vigor, apresentou contração de 0,7% no terceiro trimestre em relação ao segundo. O decepcionante desempenho do Dia da Criança já provocou uma revisão para baixo das expectativas de venda para o fim deste ano.
Por fim, o mercado de trabalho e o crédito acumulam sinais de arrefecimento. Portanto, ao reduzir a taxa de juros, a autoridade monetária tenta mitigar os impactos negativos da deterioração do quadro internacional sobre o crescimento econômico brasileiro. Mas isso não significa que "jogou a toalha" com relação ao objetivo de trazer a inflação para a meta de 4,5% em 2012.
Pelo contrário, na última ata do Copom, o Banco Central explicitou que, no cenário com que trabalha, a taxa de inflação posiciona-se em torno da meta em 2012.
Essa análise ancora-se na hipótese de que a atual deterioração do quadro internacional deve causar um impacto sobre a economia brasileira equivalente a um quarto do observado durante a crise de 2008/2009. Além disso, o Copom supõe que a atual situação do cenário internacional seja mais persistente do que a verificada em 2008/2009, porém menos aguda.
Em resposta à piora do desempenho econômico mundial e doméstico, nos próximos meses, as expectativas de mercado para a inflação em 2012 deverão convergir para o cenário delineado pelo Banco Central. Além disso, é importante frisar que a redução da taxa de juros implicará economia adicional para os cofres públicos.
Cada ponto percentual da taxa Selic equivale a R$ 17 bilhões em gastos públicos adicionais. Por outro lado, o governo despenderá neste ano mais de R$ 240 bilhões com juros, enquanto a saúde recebe apenas R$ 70 bilhões e a educação, menos de R$ 60 bilhões.
A situação é grave e não há riscos inflacionários. Estamos, sim, diante de excelente oportunidade para remoção das restrições de crédito e para um corte mais agressivo na taxa de juros.
Bê-á-bá na Justiça - EDITORIAL FOLHA DE SP
FOLHA DE SP - 30/11/11
Por força de uma duvidosa resolução do Conselho Estadual de Educação que estabelece que só podem ser inscritas no primeiro ano crianças que completarem seis anos até 30 de junho, várias instituições privadas vêm impedindo alunos nascidos no segundo semestre de seguir na mesma turma de seus colegas de pré-escola na passagem para o primeiro ano.
Inconformados com a exclusão do grupo de amigos e com a anuidade extra com que teriam de arcar, pais foram ao Judiciário, que vem concedendo liminares permitindo a matrícula.
O conselho, amparado pelo Ministério Público, afirma que a resolução, de 2008, deu às instituições prazo suficiente para adaptar-se à situação. Deveriam ter aplicado a nova regra a suas turmas de pré-escola para evitar a materialização do problema agora. Sustentam que evitar grandes disparidades de idade é importante para o desenvolvimento pedagógico e social da criança.
As escolas, por seu turno, alegam que, em muitos casos, os pais têm razão. Dizem, porém, que não podem aceitar a matrícula porque o descumprimento da resolução poderia sujeitá-las a sanções administrativas. Não mencionam, é claro, a anuidade extra, mas isso seria exigir demais da natureza humana.
Embora o argumento do conselho faça sentido em suas linhas gerais -aos seis anos, seis ou sete meses podem fazer bastante diferença em termos de desenvolvimento neurológico-, é um contrassenso estabelecer uma data arbitrária e a partir dela dividir as crianças, sem olhar para as situações individuais.
Se é verdade que alguns meses podem importar, também é verdade que indivíduos variam bastante. Não é impossível encontrar uma criança de cinco e meio mais preparada para a alfabetização que uma de seis. A única forma de decidir é julgando caso a caso, o que escolas e pais podem fazer, mas os burocratas do conselho, não.
A melhor forma de resolver a questão seria rever a resolução, transformando-a numa diretriz em vez de regra inquebrantável.
É ruim para crianças, pais, escolas e também para a própria Justiça que questões como essa tenham de ser judicializadas.
Os ratos do PSDB - FERNANDO RODRIGUES
BRASÍLIA - É difícil construir um discurso na oposição quando o país vive em estabilidade econômica e a presidente da República tem a fama de incorruptível. Nesta semana, foi a vez de a "New Yorker" perfilar Dilma Rousseff, elogiada no texto pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Coincidência atroz para os tucanos. Ontem, o PSDB veiculou um comercial de 30 segundos atacando o governo do PT e de Dilma Rousseff.
O filme começa com uma imagem da famosa propaganda dos ratos comendo a bandeira do Brasil, usada pelo PT em 2002 -a primeira incursão de Duda Mendonça pró-Lula.
No comercial de ontem do PSDB, surge então um locutor interpretando o seguinte texto: "Há nove anos, nessa propaganda, o PT anunciava que, se o Brasil não acabasse com a corrupção, a corrupção iria acabar com o Brasil. Há nove anos, o PT está no poder... e o que era apenas uma propaganda do PT [aparece um rato comendo um pedaço da bandeira, arrotando e dando risada]... virou a realidade deste governo".
Propaganda boa é a que vende o produto. O PSDB está fazendo uma aposta. Os tucanos devem imaginar que exista um caldo de cultura no Brasil hoje semelhante ao visto no início da década passada: fadiga de material do governo e muitos eleitores aflitos com a corrupção.
Essa conjuntura era verdadeira em 2002, mas havia, à época, o desalento da estagnação econômica.
É possível, de fato, muitos eleitores se incomodarem com ministros demitidos em série por causa da corrupção endêmica em Brasília. Mas esses mesmos eleitores estão à espera de propostas para melhorar
sua vida. A oposição não conseguiu ainda explicar por que faria melhor se voltasse ao Planalto. Os ratos do PSDB de ontem podem ser uma boa sacada. A imagem choca. Só que pode não servir para vender a mercadoria dos tucanos.
CLAUDIO HUMBERTO
“Por que Lupi é fantasma? É porque existe campanha contra ele”
Cândido Vaccarezza (PT-SP) defendendo o ministro que mentiu e recebeu sem trabalhar
EX DE MARTA, ‘LUIS FAVRE’ RACHA GOVERNO NO PERU
O petista argentino Felipe Belisario Wermus, que se identifica como “Luis Favre”, pôs o presidente esquerdista Ollanta Humala numa fria: oposição e até líderes do governo o acusam de ser a “sombra” do governo, com poder excessivo. Até a vice-presidente Marisol Espinoza quer saber quanto ganha e quem paga o ex-coordenador da campanha de Humala, e ex-marido da senadora Marta Suplicy (PT-SP).
MINA DE OURO
Manchete de jornais peruanos, como o Perú 21, ‘Favre’ estaria defendendo negócios brasileiros, auxiliado pelo serviço secreto.
DIPLOMÁTICO
Ameaçado de investigação, o milongueiro virou persona non grata no Peru, onde transita com passaporte diplomático brasileiro.
‘LUIS MONTESINOS’
Favre seria um novo Montesinos, homem forte do ex-presidente Alberto Fujimori. O petista-trotskista diz que é “xenofobia da ultradireita”.
DOENDO NA CARNE
Com câncer na garganta, muitas dores e sem voz, a prima de Lula, Ana Silva (72), aguarda cirurgia num hospital público em Santo André (SP).
PESCA QUER A SAÍDA DE ‘MONUMENTO À INUTILIDADE’
O ministro peixe morto Luiz Sérgio (Pesca), verdadeiro monumento à inutilidade, virou alvo do setor, que não se sente representado por ele e agora pede sua cabeça. O presidente do Conselho Nacional de Pesca e Aquicultura, Fernando Ferreira, desancou o ministério. Revelou que o governo faz políticas sem ouvir o setor e morre afogado. E que é uma falácia o Programa de Financiamento da Frota pesqueira.
VEXAME NO JAPÃO
Empresas brasileiras tiveram de alugar 17 barcos do Japão para pescar o atum que é vendido no Brasil. O preço ficará salgado à mesa.
PORTA NA CARA
Fernando Ferreira ficou irritado com o desdém: o secretário-geral de Dilma, Gilberto Carvalho, cancelou a reunião em que ouviria queixas.
CONVERSA DE PESCADOR
Governo prometeu mas, desde que Lula virou presidente, não tirou do papel qualquer terminal pesqueiro. A logística encarece o pescado.
PEDÁGIO E CAFÉ
A deputada Liliane Roriz (DF), agora no PSD, revelou que o PRTB, seu ex-partido, agora a processa porque “eles queriam 25% dos cargos do meu gabinete e porcentagem do meu salário”. Levy Fidélix, presidente do PRTB, nega. E se queixa que ela jamais o convidou “para um café”.
PAPELÃO
O ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento Industrial) pisou na bola na visita a Angola. Prometeu visitar a TV Zimbo, única privada do país, que se preparou para recebê-lo. Mas, na hora H, ele deu bolo.
GREVE CONTRA QUEM?
Juízes do Trabalho querem segurança para trabalhar, plano de saúde, política previdenciária e recomposição salarial. Eles têm razão, mas a perdem quando cruzam os braços contra aqueles que não têm culpa de nada: o trabalhador, cujos impostos pagam inclusive seus salários.
E NA COPA?
Quem utiliza o aeroporto de Brasília torce pela sua privatização, porque pior não pode ficar: atualmente, sob gestão da Infraero, aguardam até uma hora pelas malas. Se chove, as recebem molhadas.
GOLPE BAIXO
Dona de um lobby agressivo em Brasília, Taiwan mostrou seus métodos, derrotando a capital do Brasil para sediar a Universíades (Jogos Universitários Mundiais) oferecendo vantagens: vai pagar as dez mil passagens dos participantes do evento, que acontece em 2017.
DIREITO ELEMENTAR
O senador João Capiberibe (PSB-AP) tomou posse ontem, mostrando serviço: vai apresentar projeto de lei para que consumidores sejam informados dos impostos sobre cada produto adquirido.
O RABO ESPICHA...
Indicado pelo deputado Olair Francisco (PRTB) para a Administração de Águas Claras (DF), Manoel Carneiro andou cochichando com o ex-governador do DF Rogério Rosso (PSD), no bar Bier Fass, em Brasília.
ELE SABE DAS COISAS
O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) afirmou que a maioria dos servidores não põe os pés na Câmara. Ele conhece bem os favores da burocracia: pagou R$ 28 mil da verba pública do seu gabinete pela “consultoria” da advogada que o defende em processo no TSE.
PERGUNTA NO GABINETE
Se o líder do governo Cândido Vaccarezza diz que a maioria dos assessores de deputados não trabalha, onde estão os dele agora?
PODER SEM PUDOR
OOOPS, ERREI
Em junho de 1991, deputado tucano, o desligado José Serra visitava Washington e foi almoçar na casa do embaixador Marcílio Marques Moreira. Desceu do táxi, bateu à porta e entrou. A empregada, cucaracha, avisou que o embaixador ainda não havia chegado. À vontade, Serra disparou telefonemas por conta da embaixada e, após folhear livros e mexer em papéis, descobriu meia hora depois que entrara na casa vizinha, do embaixador da Bolívia.
Cândido Vaccarezza (PT-SP) defendendo o ministro que mentiu e recebeu sem trabalhar
EX DE MARTA, ‘LUIS FAVRE’ RACHA GOVERNO NO PERU
O petista argentino Felipe Belisario Wermus, que se identifica como “Luis Favre”, pôs o presidente esquerdista Ollanta Humala numa fria: oposição e até líderes do governo o acusam de ser a “sombra” do governo, com poder excessivo. Até a vice-presidente Marisol Espinoza quer saber quanto ganha e quem paga o ex-coordenador da campanha de Humala, e ex-marido da senadora Marta Suplicy (PT-SP).
MINA DE OURO
Manchete de jornais peruanos, como o Perú 21, ‘Favre’ estaria defendendo negócios brasileiros, auxiliado pelo serviço secreto.
DIPLOMÁTICO
Ameaçado de investigação, o milongueiro virou persona non grata no Peru, onde transita com passaporte diplomático brasileiro.
‘LUIS MONTESINOS’
Favre seria um novo Montesinos, homem forte do ex-presidente Alberto Fujimori. O petista-trotskista diz que é “xenofobia da ultradireita”.
DOENDO NA CARNE
Com câncer na garganta, muitas dores e sem voz, a prima de Lula, Ana Silva (72), aguarda cirurgia num hospital público em Santo André (SP).
PESCA QUER A SAÍDA DE ‘MONUMENTO À INUTILIDADE’
O ministro peixe morto Luiz Sérgio (Pesca), verdadeiro monumento à inutilidade, virou alvo do setor, que não se sente representado por ele e agora pede sua cabeça. O presidente do Conselho Nacional de Pesca e Aquicultura, Fernando Ferreira, desancou o ministério. Revelou que o governo faz políticas sem ouvir o setor e morre afogado. E que é uma falácia o Programa de Financiamento da Frota pesqueira.
VEXAME NO JAPÃO
Empresas brasileiras tiveram de alugar 17 barcos do Japão para pescar o atum que é vendido no Brasil. O preço ficará salgado à mesa.
PORTA NA CARA
Fernando Ferreira ficou irritado com o desdém: o secretário-geral de Dilma, Gilberto Carvalho, cancelou a reunião em que ouviria queixas.
CONVERSA DE PESCADOR
Governo prometeu mas, desde que Lula virou presidente, não tirou do papel qualquer terminal pesqueiro. A logística encarece o pescado.
PEDÁGIO E CAFÉ
A deputada Liliane Roriz (DF), agora no PSD, revelou que o PRTB, seu ex-partido, agora a processa porque “eles queriam 25% dos cargos do meu gabinete e porcentagem do meu salário”. Levy Fidélix, presidente do PRTB, nega. E se queixa que ela jamais o convidou “para um café”.
PAPELÃO
O ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento Industrial) pisou na bola na visita a Angola. Prometeu visitar a TV Zimbo, única privada do país, que se preparou para recebê-lo. Mas, na hora H, ele deu bolo.
GREVE CONTRA QUEM?
Juízes do Trabalho querem segurança para trabalhar, plano de saúde, política previdenciária e recomposição salarial. Eles têm razão, mas a perdem quando cruzam os braços contra aqueles que não têm culpa de nada: o trabalhador, cujos impostos pagam inclusive seus salários.
E NA COPA?
Quem utiliza o aeroporto de Brasília torce pela sua privatização, porque pior não pode ficar: atualmente, sob gestão da Infraero, aguardam até uma hora pelas malas. Se chove, as recebem molhadas.
GOLPE BAIXO
Dona de um lobby agressivo em Brasília, Taiwan mostrou seus métodos, derrotando a capital do Brasil para sediar a Universíades (Jogos Universitários Mundiais) oferecendo vantagens: vai pagar as dez mil passagens dos participantes do evento, que acontece em 2017.
DIREITO ELEMENTAR
O senador João Capiberibe (PSB-AP) tomou posse ontem, mostrando serviço: vai apresentar projeto de lei para que consumidores sejam informados dos impostos sobre cada produto adquirido.
O RABO ESPICHA...
Indicado pelo deputado Olair Francisco (PRTB) para a Administração de Águas Claras (DF), Manoel Carneiro andou cochichando com o ex-governador do DF Rogério Rosso (PSD), no bar Bier Fass, em Brasília.
ELE SABE DAS COISAS
O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) afirmou que a maioria dos servidores não põe os pés na Câmara. Ele conhece bem os favores da burocracia: pagou R$ 28 mil da verba pública do seu gabinete pela “consultoria” da advogada que o defende em processo no TSE.
PERGUNTA NO GABINETE
Se o líder do governo Cândido Vaccarezza diz que a maioria dos assessores de deputados não trabalha, onde estão os dele agora?
PODER SEM PUDOR
OOOPS, ERREI
Em junho de 1991, deputado tucano, o desligado José Serra visitava Washington e foi almoçar na casa do embaixador Marcílio Marques Moreira. Desceu do táxi, bateu à porta e entrou. A empregada, cucaracha, avisou que o embaixador ainda não havia chegado. À vontade, Serra disparou telefonemas por conta da embaixada e, após folhear livros e mexer em papéis, descobriu meia hora depois que entrara na casa vizinha, do embaixador da Bolívia.
QUARTA NOS JORNAIS
- Globo: Reino Unido ameaça o Irã após invasão de embaixada
- Folha: FGTS lucra mais do que instituições bancárias
- Estadão: Petrobras produz abaixo da meta
- Correio: Senado recua e proíbe a violação de e-mails
- Valor: Custos em alta e mercado arredio freiam captações
- Estado de Minas: Interior de MG terá 24 novos hotéis até 2015
- Jornal do Commercio: Golpe no mercado negro de remédios
- Zero Hora: Estiagem já força adoção de medidas para poupar água
terça-feira, novembro 29, 2011
Minerim - SONIA RACY
O ESTADÃO - 29/11/11
Aécio pediu para seu assessor enviar e-mail a Paulo Mathias, na quinta-feira. Elogiando texto do presidente da juventude do PSDB paulista, publicado no Rio, em que critica programa pró-jovem do PT. "Brilhante, atual, bem fundamentado", foram algumas das palavras. "À altura das melhores tradições da juventude tucana."
Um agrado de Minas, visto que Serra armou briga pública com Mathias no dia 19.
Fim da novela
Benjamin Steinbruch largou em primeiro, foi ultrapassado por Jorge Gerdau, mas quem venceu foi o "azarão" argentino. Paolo Rocca arrematou a participação de Votorantim e Camargo Corrêa, mais um pedaço pertencente ao fundo dos funcionários da Usiminas, por R$ 5 bilhões.
Conforme antecipado, domingo à tarde, no blog da coluna.
Novela 2
Pelo que se apurou, não foi preço que impediu Steinbruch de chegar à frente. E Gerdau também ofereceu bom número, só que em ativos
Gosto se discute?
Ao listar quem, dos quatro candidatos a prefeito de São Paulo, iria falar primeiro na reunião de domingo, Alckmin ouviu do pré-candidato Ricardo Tripoli: "Tenho direito a discursar por último, pois sou o único ING da turma".
E explicou: Indivíduo Não Governamental, já que não faz parte do secretariado do Estado.
Humam economics
Está pronta biografia do chamado "fundador da teoria econômica no Brasil". Feito pela Insight Comunicação, revela histórias curiosas sobre o personagem. Exemplo? Eugênio Gudin não bebia água, só vinho. Dizia que água enferruja.
Verdade ou não, viveu até os 100 anos.
Human 2
Em seu cartão de visita, Gudin não se apresentava como economista, mas "Floricultor de Petrópolis", pois adorava jardinar orquídeas e dálias.
O livro sai em janeiro.
Back on track
Quinze anos depois da última martelada,Renato Magalhães Gouvêa volta aos leilões. Comandará, aos 82 anos, venda de 167 lotes. Dia 5, em seu Escritório de Arte.
Bomba, bomba
Passageiro brasileiro se assustou ontem. Teve de tampar os ouvidos, seguindo instrução policial, antes de explosão que detonou artefato suspeito no Charles de Gaulle, em Paris. O que atrasou o voo AF456 para Guarulhos.
Lá em casa
Albino Rubim acaba de sair do bolso do Grupo Setorial de Cultura do PT. Para suceder Ana de Hollanda na reforma ministerial de fevereiro.
O atual secretário de Cultura da Bahia é saudado por aliados das principais áreas do ministério.
Nuvem carregada
Pipocou ontem na web vídeo-resposta de Sebastião de Amorim e seus alunos de engenharia na Unicamp. Diferentemente do Gota D"Água, defendem a Usina Belo Monte. Nome do movimento? Tempestade em Copo D"Água.
Carregada 2
Maria Paula Fernandes, cabeça do Gota D"Água, não se aborrece. "Um dos objetivos era levantar a discussão." Ela junta recursos para deflagrar um segundo vídeo.
Força total
O Procon-SP não gostou das regras da Aneel para tarifas diferenciadas em horário de pico. E pediu esclarecimentos. ParaPaulo Arthur Góes, do órgão de proteção, "a falta de investimentos na rede elétrica não pode onerar ainda mais os consumidores".
Direto de Interlagos
José Sérgio Gabrielli passou pelo Paddock mais rápido que Mark Webber. O presidente da Petrobrás deu uma volta na área VIP em ritmo de treino e não quis comentar o caso Chevron, sócia da estatal na Bacia de Campos.
Piquet pai acertou o prognóstico: deu Vasco sobre o Flu. Já Nelsinho. garantiu à coluna que Vettel "ganharia fácil" o GP de Interlagos.
Estreante no circuito, Fabiana Murer torcia pelos brasileiros - em vão - e disse estar confiante em ganhar uma medalha olímpica em Londres, ano que vem. Vitaly Petrov, seu técnico, é o ex-preparador da supercampeã Yelena Isinbayeva. "Estou com o melhor."
Ronaldo foi com os filhos Ronald e Alex ao box da Williams. E nem viu Piquet desfilar com bandeira do Vasco pela pista. "Estava com o Rubinho. Corintiano com corintiano, né?"
Discreto, braço da família real Saudi compareceu. A delegação do Bahrein, liderada pelo sheik Abdullah al Khalifa, gostou tanto de Sampa que quer voltar para passar. mais 30 dias. /DANIEL JAPIASSU
Na frente
Francis Mallmann, prestigiado chef argentino, desembarca em SP. Motivo? Lançar seu livro Sete Fogos: Churrasco ao Estilo Argentino e acertar, com o sócio Jan Milan, a abertura de restaurante em Trancoso.
A bela Aline Muniz, filha de Angelina Muniz, faz show de seu novo CD. No Teatro Frei Caneca, dia 1º.
Nelson Eizirik lança, amanhã, seu novo livro. No escritório que divide, em Sampa, com Modesto Carvalhosa.
O Anacã, de Ana Diniz, promove, quinta-feira, palestra com Mirca Ocanhas. Renda revertida à AACD.
Rafael Costa lança livro com direito a exposição de suas fotos. Hoje, no Espaço Contraponto.
Isabella Suplicy autografa livro. Hoje, na Livraria da Vila do Cidade Jardim.
Jornal da USP Livre, da semana passada, chama a atenção para a Marcha das Vadias, ato contra a violência sexual. Qual foi a banda escolhida para encerrar a programação? A. Bom q Dói.
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Murilo, uma retificação na nota sobre o retorno dos leilões de Renato Magalhães Gouvêa: o local do leilão é Nacional Club, à rua Angatuba, 703 - Pacaembu - São Paulo, SP.
Ao trabalho - ANCELMO GOIS
O GLOBO - 29/11/11
Um amigo que visitou Lula domingo diz que ele deseja voltar ao trabalho ainda esta semana.
Cabral da cuíca
O mangueirense Cabral combinou com Lula de desfilar em 2012 na Gaviões da Fiel, cujo enredo é o amigo ex-presidente.
Tchau
Ministros que têm revelado a jornalistas, em papos reservados, chateação com o modo como são tratados por Dilma serão procurados por assessores com o seguinte recado: “Se quiserem ir embora, tudo bem.”
‘Muy amigos’
Desabafo de um analista econômico argentino ao saber que o empresário Paulo Rocca, espécie de Gerdau portenho, comprou 43% da Usiminas:
— Rocca se reuniu com a presidente Cristina Kirchner e saiu fazendo elogios ao modelo econômico do país. Mas, na hora de investir, preferiu o Brasil.
Na verdade...
Em 2008, Nestor Kirchner, marido de Cristina, ajudou o empresário do aço a enfrentar a fúria de Hugo Chávez, que estatizara a Sidor (de Rocca). No fim, a Venezuela topou pagar US$ 1,97 bi ao argentino.
Retratos da vida
No ponto de ônibus mais próximo da Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação, no Jardim Botânico, no Rio, uma mulher de uns 40 anos passa o dia ajudando pessoas com deficiência a embarcarem nos coletivos.
Cobra R$ 1 por ajuda. Jânio, o livro
O coleguinha Augusto Nunes está escrevendo uma biografia de Jânio Quadros. Vai sair pela Editora Record.
Aliás, o político da vassoura, que prometia varrer a corrupção, também era chegado, como diria Dilma, a um “malfeito”.
Navio de ouro
A conta pode sair mais salgada. Segundo o consultor Adriano Pires, se o navio João Cândido, petroleiro construído no estaleiro Atlântico Sul, for entregue em dezembro, terá custado US$ 180 milhões, três vezes mais que a média do mercado mundial. É que seu prazo de entrega foi de 50 meses: “Lá fora, um navio desses fica pronto em um ano.”
Telona
O filme “Paraísos artificiais”, de Marcos Prado, estreia dia 17 de abril com 300 cópias.
Já...
“Heleno”, a cinebiografia de José Henrique Fonseca sobre o craque do Botafogo, participa do Festival de Havana.
Bíblia de Horta
Vai para segunda edição “A Bíblia: um diário de leitura”, de Luiz Paulo Horta.
Amor no ar
Sábado, passageiros do voo 5430 da Trip (Belo Horizonte-Porto Velho) foram surpreendidos pelo comandante Maurício, que, via sistema de som, declarou seu amor a uma aeromoça. O piloto declamou um poema e... “quer casar comigo?”. O avião foi ao delírio aos gritos de “sim!”. A comissária aceitou.
Vira casaca
Patrocinadora do Vasco, a Ale, distribuidora de combustível que virou casaca (em 2009, patrocinava o Flamengo, lembra?), vai levar ao jogo com o Fla, domingo agora, o vascaíno que morar no país mais distante do Engenhão.
É só ir à página da Ale no Facebook e seguir instruções.
Ele é Flamengo
Nizan Guanaes virou sócio honorário do Flamengo.
A fila anda
Úrsula Corona, a linda atriz que arrancou suspiros como a detetive toda-toda Elizabeth na reedição de “O astro”, a novela da TV Globo, está solteira.
Alô, Edison Lobão
Furnas regateia o pagamento de R$ 100 mil à ABI por uma promoção que teve no show do centenário da casa dos jornalistas, em 2008.
‘Literatura de quinta’
Numa entrevista à revista “Contigo”, Boni, mestre na arte da TV, criticou o “BBB”, dirigido pelo filho Boninho:
— É meia hora de uma literatura de quinta categoria. Prefiro Dias Gomes, Walter George Durst ou Janete Clair.
Relações exteriores: análise e previsão - JARBAS PASSARINHO
CORREIO BRAZILIENSE - 29/11/11
Otávio Frias Filho escreveu, recentemente, um ensaio sobre o decorrer da política diplomática do Brasil desde o Império de D. Pedro II até os dias de hoje, prevendo o horizonte geopolítico em 2050. O objetivo básico de nossa política diplomática foi preservar a integridade territorial imensa e mal ocupada no Império. Apesar de pacifistas, fomos à guerra três vezes pela disputa do Uruguai antes que Estado tampão entre Brasil e Argentina.
Proclamada a República, em 1889, o Barão do Rio Branco, ouvido Ruy Barbosa, fixou a estratégia perante os Estados Unidos, não muito diferente da mantida até então com a Grã-Bretanha, pelas elites do Império. Estabelecia um relacionamento estreito com a potência norte-americana. Ante o fascismo e o comunismo na 2ª Grande Guerra, o presidente Getúlio Vargas teve inicialmente uma relação ambígua com Washington, equidistante dos Estados Unidos e da União Soviética. O embaixador Sérgio Corrêa da Costa, que serviu na Argentina, revelou documentos preciosos do governo de Juan Perón, que se manteve comprometido com o fascismo até a véspera do armistício de 1945.
O plano de Perón era reconstruir o Vice- Reinado da Prata, ampliado com parte do Brasil, se os alemães vencessem a guerra. Por isso Getúlio simulou neutralidade até que nossos navios costeiros foram torpedeados por submarinos alemães e um italiano. Negociou com Roosevelt a utilização das bases aéreas de Belém e Natal para que suas tropas pudessem sobrevoar o Atlântico Sul, rumo a Dacar. Em troca, garantiu financiamento para a construção da siderúrgica de Volta Redonda.
Para demonstrar falso afastamento da política de aliança automática, fez aprovar a lei que criou a Petrobras, com o cuidado de enviar ao Congresso um projeto de lei que não adotava o monopólio da pesquisa, refino e exploração de petróleo, satisfazendo a apreensão das companhias internacionais que dominavam o mercado mundial do petróleo. Instruiu, em silêncio, seu líder na Câmara a votar a favor da emenda da oposição pelo monopólio da empresa estatal.
O advento da Guerra Fria separou o mundo ideologicamente em dois hemisférios. De um lado, a União Soviética; do outro, os Estados Unidos, em aliança com as democracias.
Após o golpe preventivo de março de 1964, o governo Castello Branco voltou ao alinhamento automático com a política externa americana. No governo Ernesto Geisel, o Acordo Nuclear Brasil-Alemanha foi severamente combatido pelo presidente Carter. No dia imediato à sua posse, mandou oficialmente seu vice-presidente à Alemanha pressionar o primeiro-ministro social-democrata alemão para tentar denunciar unilateralmente o acordo, sem lograr êxito. Com o mesmo fim, determinou ao Departamento de Estado enviar ao Brasil o diplomata Warren Christopher. Não foi recebido. Igual desavença já ocorrera com a decisão do presidente Médici de decretar as 200 milhas de soberania marítima ao longo do litoral. Alta patente militar americana veio ao Brasil com a missão de pleitear junto ao presidente Médici a anulação do decreto. Não obteve acolhimento. Vários anos depois, o decreto foi modificado, mas o domínio econômico das 200 milhas foi mantido. Devido a isso, a Petrobras pesquisa off shores soberanamente.
Décadas se passaram desde então. O conflito ideológico da Guerra Fria desvaneceu-se com o colapso da URSS. Novas formas de antagonismo surgiram nas tensões do Leste-Oeste. O Brasil, a partir de 1985,consolidou autêntica democracia, venceu a inflação, equilibrou suas contas internas e eliminou o deficit da dívida externa. Venceu o vaticínio pessimista de Malthus, segundo quem o desencontro entre o aumento da população e a produção de alimentos será fatal. Frias contesta, afirmando que teremos em 2050, no que tange ao Brasil, uma população altamente miscigenada, de imigrantes africanos e latino-americanos, estabilizando-a perto de 250 milhões. No plano econômico, consolidou a oitava posição no ranking das economias do mundo e, segundo a previsão de Frias Filho, chegará a quarta ou quinta economia do mundo e a um PIB de US$ 12 trilhões. Alcançará o nível de potência tropical pacífica e sem armas nucleares, mas provida de recursos militares capazes de dissuadir potências superiores, se cobiçosas.
A China e os Estados Unidos disputarão a primazia econômica nos próximos anos. Correto será uma política de equidistância de ambos, pois são parceiros importantes de importação e exportação. No que tange ao desenvolvimento cultural, o Brasil do futuro imediato deverá voltar-se para incrementar o soft power, a cultura e a tecnologia essenciais a qualquer poder nacional na era digital de 2050.
As relações do Brasil com os Estados Unidos deixam uma lição para 2050. Desde as diretrizes do começo da República, nossa política externa com os Estados Unidos variou de alinhamento automático aos confrontos cordiais sem quebra da soberania. Pela primeira vez, o confronto chegou à beira da hostilidade diplomática, nos oito anos de governo petista de Lula, buscando conquistar, em oposição aos Estados Unidos, um lugar vitalício no Conselho de Segurança da ONU. Politicamente, prever o Brasil em 2050, só seria possível fazer se ouvido o Oráculo de Delfos, da Grécia antiga, que fazia profecias consultando a ondulação das águas e o sussurro das folhas das árvores.
Saiu de moda - ALON FEURWERKER
Correio Braziliense - 29/11/2011
Todo mundo acha lindo estimular a consciência ambiental, mas todo mundo quer mais energia, mais matéria-prima, mais comida. E não dá para condenar. Você, que condena, está disposto a andar para trás se isso for indispensável a que outros possam ir adiante?
A cúpula sobre mudanças climáticas em Durban, África do Sul, acontece num momento ingrato. Se o alerta sobre os efeitos do aquecimento global eclodiu anos atrás num período de bonança, o debate agora se dá em meio à ameaça de estagnação global prolongada, uma curva em "U".
E os mais pessimistas arriscam dizer que será em "L", sem data para voltar a subir a ladeira. Um modelo japonês.
De três anos para cá o mundo passou a preocupar-se mais com o crescimento e o emprego do que com a elevação da temperatura do planeta e os efeitos nocivos.
Pois há os não tão nocivos. Os russos e canadenses, por exemplo, devem estar loucos para aquelas terras todas descongelarem e virarem plantações.
As dúvidas científicas jogam um papel, mas menor. Os céticos do clima não estão com essa bola toda.
O xis do problema aparece na falta de horizontes para o combate radical à pobreza e na falta de oportunidades suficientes para quem mais precisa delas.
Ninguém diz, na real, como fazer as duas coisas ao mesmo tempo. 1) Crescer e combater fortemente a pobreza e 2) reduzir a emissão de CO2 e congêneres.
O tempo foi passando e a luta contra o aquecimento global foi ficando com cara de coisa de quem já tem tudo e propõe que quem não tem nada continue sem ter.
Sem falar na realidade que mudou.
Quando surgiu a onda, o crescimento chinês era apontado pela militância como paradigma do que não fazer, como caminho a combater, pela subordinação das variáveis ambientais às econômicas.
Hoje, o mundo se preocupa ao contrário. Teme que a desaceleração chinesa resulte, com a estagnação europeia e a lentidão americana para decolar, em soma vetorial desastrosa.
A agenda virou do avesso. No Brasil, a fúria mercadológica do etanol ficou na poeira. Pois o mercado mundial para biocombustíveis micou.
Da invencível armada da cana sobrou a fatura, com produtores atrás de garantias para produzir e o governo atrás de garantias de que produzam.
A conta, naturalmente, restará para o contribuinte. O novo proálcool terá o destino do velho.
E agora só se fala no petróleo do pré-sal, cuja extração, aliás, produz bem mais gases do efeito-estufa, dizem. E ninguém está nem aí.
Pode até dar uma vazadinha, a turma fará algum barulho, mas no fim vai ficar por isso mesmo.
Proponha suspender a retirada do petróleo sob a camada de sal, para ajudar a salvar o planeta, e candidate-se a uma vaga na galeria dos folclóricos, dos lunáticos.
Ou dos traidores da pátria.
Epíteto que um dia foi aplicado a quem duvidava do "projeto etanol". Pois o impatriotismo é um rótulo sempre à disposição de governos que precisam justificar o que fazem.
Os otimistas apostam num novo Kyoto, desta vez subscrito por todos, inclusive por nós.
O realismo adverte que, se acontecer, será suficientemente vago e flexível para acomodar interesses antagônicos, oferecer uma photo-op aos protagonistas e resultar em efeito prático nenhum.
Mais ou menos como o primeiro.
A coordenação global contra as mudanças climáticas esbarra numa barreira até agora intransponível.
Para abrir espaço ao crescimento das emissões nos países que vêm atrás, os que vão na frente precisariam não apenas desacelerar, mas reduzir em valores absolutos.
Um impasse político insolúvel, pois quem já saboreia os confortos da civilização não abrirá mão. No máximo engrossará correntes bem intecionadas, propagandísticas.
Para polir a imagem, sempre bom.
Todo mundo acha lindo estimular a consciência ambiental, mas todo mundo quer mais energia, mais matéria-prima, mais comida.
E não dá para condenar. Você, que condena, está disposto a andar para trás se isso for indispensável a que outros possam ir adiante?
Desespero
As Farc começaram a executar reféns.
Já os presidentes da Colômbia e da Venezuela transformaram-se em amigos de infância. Sob aplausos brasileiros e americanos.
O isolamento aumenta muito a tendência ao desespero. E o desespero costuma ser péssimo conselheiro.
Relatório sobre Síria desafia ONU - CLÓVIS ROSSI
FOLHA DE SP - 29/11/11
O relatório é duríssimo: diz que as forças de segurança sírias cometeram "graves violações dos direitos humanos", o que inclui execuções sumárias, prisões arbitrárias, desaparições forçadas, torturas, violência sexual, violação dos direitos das crianças -enfim o catálogo completo a que recorrem as ditaduras mais selvagens.
Para o Brasil, não dá mais para repetir a torpe declaração emitida após visita de uma delegação do Ibas (Índia, Brasil e África do Sul) a Damasco, na qual condenaram "a violência de todas as partes". Equivalia a igualar vítimas e algozes.
Agora, há um relatório com a chancela de Paulo Sérgio Pinheiro, o brasileiro que preside a comissão, descrito por Tovar Nunes, porta-voz do Itamaraty, como homem de "absoluta competência e lisura".
O que fazer então? É o que se começou a discutir na Comissão de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, logo após a leitura do relatório por Paulo Sérgio. Há, em princípio, três possibilidades:
1 - Aprovar resolução que convoque a Síria a cooperar com a comissão de inquérito, o que ela não fez até agora, a ponto de não ter permitido a entrada do grupo no país. Como o prazo para o relatório final vai até março, seria uma janela de oportunidade para a Síria mudar de comportamento.
2 - Enviar o relatório ao Conselho de Segurança da ONU -único organismo capaz de tomar decisões- e/ou também ao Tribunal Penal Internacional, já que há menções a crimes contra a humanidade.
3 - Mandar o documento diretamente ao secretário-geral para que este decida o passo seguinte (necessariamente seria consultar o CS, afinal de contas o coração do sistema).
Até ontem à tarde, não havia uma definição do Itamaraty a respeito do que fazer, mas meu palpite é o de que preferirá a opção número 1, a mais branda.
Acho um caminho inócuo, por dois motivos: o próprio chanceler Antonio Patriota já pediu a seu colega sírio, Walid al-Moulam, durante encontro em setembro, em Nova York, que permitisse a entrada da missão da ONU. Foi inútil.
A diplomacia brasileira também fez apelos para que o regime cessasse a violência. Foi igualmente inútil. Os parceiros da Síria na Liga Árabe até elaboraram um plano para pôr fim à crise, que o presidente Assad desprezou. Acabou expulso da Liga.
A aparente inutilidade dos apelos não quer dizer, no entanto, que os outros dois caminhos em exame em Genebra possam de fato resolver a questão.
Fechar a suposta janela de oportunidade seria colocar Assad contra a parede, não lhe deixando outra escolha que não matar e eventualmente morrer, como Gaddafi.
Mesmo que o CS imite a Liga Árabe e imponha sanções, a história prova que estas não comovem ditaduras a não ser a longuíssimo prazo (exemplo da África do Sul do apartheid). Conclusão inescapável: os sírios continuarão entregues à sua própria sorte (horrível, aliás).
Pelotão de fuzilamento na Europa - VINICIUS TORRES FREIRE
FOLHA DE SP - 29/11/11
Isto é, de um decisão que induziria o Banco Central Europeu a, na prática, bancar a dívida dos governos semiquebrados e a expandir ainda mais seu programa, já em curso, de socorrer bancos.
Tal solução política é transformar os países mais pobres e financeiramente frágeis da zona do euro em protetorados fiscais e orçamentários da União Europeia -da Alemanha e da França, em suma. Trocando em miúdos, significa que os governos teriam de submeter suas contas e Orçamentos a alguma instituição da União Europeia. A pressão maior recairia sobre Grécia, Portugal, Itália e Espanha.
O rumor era que Alemanha, França e parceiros menores poderiam chegar a um acordo antecipado de intervenção da União Europeia em governos deficitários demais, de modo a obrigá-los a reduzir suas dívidas. A novidade aqui é a palavra "antecipado".
A princípio, tal mudança dependeria de uma difícil e demorada reforma legal da União Europeia, que não teria efeito prático, se viável, antes do final de 2012.
Os eurocratas do Executivo da União Europeia, a Comissão Europeia, Alemanha e França, porém, cozinham novo acerto, sobre o qual não havia detalhes ontem.
O boato era que os países financeiramente mais sólidos da eurozona poderiam firmar acordos entre eles mesmos, obrigando os países mais frágeis a aderir ao pacto do arrocho. Caso contrário, seriam relegados ao inferno da indiferença dos mercados e da eurozona: quebrariam de vez.
Quebradeira em qualquer lugar da Europa não é uma solução, mas a ameaça de represálias sobe de tom desde que, na prática, Alemanha e cia. derrubaram os governos da Itália e da Grécia, trocando-os por interventores capazes de implementar o arrocho, imaginam.
Quais, porém, as diferenças da atitude de agora e das outras pressões de Comissão Europeia, Alemanha e Banco Central Europeu, que vêm desde o início da crise, em 2009-2010, e não funcionaram?
Segundo a diplomacia francesa, um "pacto fiscal" entre países sólidos não deixaria alternativa aos mais fracos. Os programas de corte de gastos e limitação de dívidas ganhariam "credibilidade" (isto é, o arrocho estaria sob fiscalização de um pelotão de fuzilamento político-financeiro). Nesse caso, ficariam amolecidas as restrições alemãs e do Banco Central Europeu a:
1) Que o fundo europeu de socorro a países semiquebrados garantisse mais dívida desses países: que a União Europeia (os países ricos e mais sólidos) se tornasse "fiadora" dos países em dificuldades. Assim, talvez, os credores talvez voltassem a emprestar a taxas menos extorsivas pelo menos para Itália e Espanha, ora quase no bico do corvo;
2) Que o Banco Central Europeu expandisse seu programa de compra de dívidas (empréstimo) a países em dificuldades, "imprimindo" dinheiro, e emprestasse ainda mais dinheiro aos bancos asfixiados do continente, mas em troca de garantias ainda menos valiosas.
Capitalismo à brasileira - HÉLIO SCHWARTSMAN
FOLHA DE SP - 29/11/11
SÃO PAULO - Embora o Brasil tenha uma economia baseada na livre concorrência, muitos não resistem à tentação de pegar carona na autoridade do Estado para colher os lucros do capitalismo sem a necessidade de correr riscos ou conquistar mercado pela qualidade de seus produtos e serviços.
O caso da Controlar, responsável pela inspeção veicular em São Paulo, é um bom exemplo. Por meio de muito lobby, doações de campanha e sabe-se lá mais o que, o consórcio obteve uma fórmula infalível: ser o fornecedor exclusivo de uma certidão que cada dono de um dos 7 milhões de carros de São Paulo precisa, por força de lei, renovar anualmente, pela bagatela de R$ 61,98.
Não é um caso isolado. Há golpes contra o bolso do cidadão com chancela oficial em todas as áreas. A troca das tomadas foi uma jogada de mestre. Numa única canetada, fabricantes de plugues e adaptadores criaram "ex nihilo" todo um novo mercado. Mais interessante, conseguiram um raro equilíbrio: a mudança causa um inconveniente que não é grande o bastante para provocar muita mobilização, mas basta para gerar lucros fabulosos.
No mesmo nível, só a iniciativa das autoridades de trânsito que, alguns anos atrás, obrigou todos os motoristas a adquirir e carregar para cima e para baixo um pedaço de gaze, um rolo de esparadrapo e um par de luvas. Com isso, queriam nos fazer crer, estávamos prontos a atender a emergências médicas viárias.
Mais recentemente, esses mesmos administradores impuseram a todos os compradores de carros a obrigação de pagar por um chip de localização e bloqueio, agora exigido em todos os veículos novos, mas que é inútil a menos que o proprietário seja cliente de uma seguradora.
Se vamos ser capitalistas, deveríamos tentar jogar o jogo direito. E sermos um pouco mais republicanos. Não vale sequestrar o poder do Estado para gerar benefícios privados.
O caso da Controlar, responsável pela inspeção veicular em São Paulo, é um bom exemplo. Por meio de muito lobby, doações de campanha e sabe-se lá mais o que, o consórcio obteve uma fórmula infalível: ser o fornecedor exclusivo de uma certidão que cada dono de um dos 7 milhões de carros de São Paulo precisa, por força de lei, renovar anualmente, pela bagatela de R$ 61,98.
Não é um caso isolado. Há golpes contra o bolso do cidadão com chancela oficial em todas as áreas. A troca das tomadas foi uma jogada de mestre. Numa única canetada, fabricantes de plugues e adaptadores criaram "ex nihilo" todo um novo mercado. Mais interessante, conseguiram um raro equilíbrio: a mudança causa um inconveniente que não é grande o bastante para provocar muita mobilização, mas basta para gerar lucros fabulosos.
No mesmo nível, só a iniciativa das autoridades de trânsito que, alguns anos atrás, obrigou todos os motoristas a adquirir e carregar para cima e para baixo um pedaço de gaze, um rolo de esparadrapo e um par de luvas. Com isso, queriam nos fazer crer, estávamos prontos a atender a emergências médicas viárias.
Mais recentemente, esses mesmos administradores impuseram a todos os compradores de carros a obrigação de pagar por um chip de localização e bloqueio, agora exigido em todos os veículos novos, mas que é inútil a menos que o proprietário seja cliente de uma seguradora.
Se vamos ser capitalistas, deveríamos tentar jogar o jogo direito. E sermos um pouco mais republicanos. Não vale sequestrar o poder do Estado para gerar benefícios privados.
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