sexta-feira, janeiro 07, 2011
CELSO MING
Não é só o que parece
Celso Ming
O Estado de S.Paulo - 07/01/11
Em política, o que parece é - dizia em seu tempo o ditador de Portugal, António de Oliveira Salazar.
O Banco Central está vendendo a decisão como "providência macroprudencial". Ou seja, destina-se a evitar que, lá pelas tantas, se fosse deflagrada nova crise global como a que foi detonada pela quebra do Lehman Brothers, um banco ou um punhado deles fossem pegos no contrapé, com forte posição vendida em dólares e, assim, obrigados a comprar moeda estrangeira a novo preço, arcando com fortes prejuízos. Ou seja, o Banco Central parece disposto a evitar que aconteça com os bancos o mesmo colapso cambial que, em 2008, atingiu grandes grupos empresariais brasileiros como Sadia, Aracruz e Votorantim.
No entanto, a instituição de uma retenção compulsória de 60% sobre as posições vendidas em moeda estrangeira não constitui apenas um seguro contra eventuais descasamentos de curto prazo no câmbio. Produz o inequívoco efeito colateral de conter a queda do dólar.
Até agora, o Banco Central avisava que as intervenções no câmbio se destinavam tão somente a neutralizar a excessiva volatilidade no câmbio. Neste momento, pelo menos está vendo o risco de excessiva exposição dos bancos a trancos cambiais.
A cada posição vendida, há sempre uma posição comprada. Por que, então, o Banco Central está restringindo suas medidas macroprudenciais apenas a posições vendidas dos bancos e não também às compradas? Aparentemente porque o quase único comprador é ele próprio. Porque conta com a permanente disposição do Banco Central em adquirir moeda estrangeira é que o mercado interno de câmbio não vinha temendo o aumento de suas posições vendidas em dólares. A decisão de ontem desmancha em parte esse jogo.
De todo modo, não dá para dizer que seja um devastador tiro de canhão. Ao contrário, é uma decisão de baixo calibre preocupada em vir marcada pelo gradualismo. O diretor de Política Monetária, Aldo Mendes, avisou que a posição vendida pelos bancos ao final do ano passado era de US$ 16,8 bilhões. O volume a ser submetido ao compulsório de 60% é o que exceder os US$ 3 bilhões em cada banco (ou o nível do Patrimônio de Referência, no caso das instituições pequenas). Ou seja, se dez grandes bancos tiverem, cada um, US$ 2,9 bilhões em posições vendidas, o total será de US$ 29 bilhões e, no entanto, nesse caso, nenhum deles seria obrigado a recolher depósito compulsório.
A entrada em vigor da nova decisão será apenas no dia 4 de abril. É o Banco Central mostrando flexibilidade no processo de ajuste bancário.
Alguém poderia perguntar se essa também não seria uma medida preventiva no sentido de que precede o novo aumento dos juros que inevitavelmente atrairá mais dólares. Esse tipo de consideração resvala para terrenos excessivamente conspiratórios e, por isso, não merece atenção demais. Não é tão seguro assim que nova alta dos juros atraia muito mais dólares do que os que já estão chegando e estão sendo coibidos pelo forte IOF.
E, mesmo que a decisão seja mesmo a de iniciar um novo ciclo de alta de juros, não parece que apenas a instituição desse compulsório sobre posições vendidas em dólares seja suficiente para neutralizar o efeito provocado por novas entradas de capital.
CONFIRA
Cotação do dólar
Aí vai a trajetória da cotação do dólar nos últimos 37 dias. Tanto o Ministério da Fazenda como o Banco Central foram suficientemente claros. Não vão tolerar cotações abaixo de R$ 1,65 por dólar. A subida do dólar nos dois últimos dias já é consequência da ação do governo.
Repeteco?
Esse tipo de reação já aconteceu no passado. As autoridades também avisaram que não tolerariam o dólar abaixo de R$ 1,80 e, depois, de R$ 1,70. E, no entanto, as cotações vieram para níveis inferiores a esses aí. A conferir.
DORA KRAMER
Sombra e água fresca
Dora Kramer
O Estado de S.Paulo - 07/01/11
A oposição recebeu 43 milhões de votos na eleição presidencial contra 56 milhões da situação que, assim, ficou por delegação popular encarregada de continuar no comando da Nação.Junto com a vitória, ganhou a responsabilidade de fazer frente aos desafios, resolver os problemas, responder à confiança que lhe foi depositada pela maioria da população, às expectativas de todos os brasileiros e se postar da melhor maneira possível diante do mundo.
É a função de governo, cujos bônus correspondem também aos ônus e para quem se voltam todas as atenções. O momento é da presidente Dilma Rousseff e sua equipe.
Essa realidade, no entanto, não significa que os perdedores estão liberados de seus deveres.
Ou pelo menos não deveria significar. O ainda principal partido de oposição, o PSDB, parece alheio ao fato de que tem um papel a cumprir além de curtir a ressaca da derrota, resmungar pelos cantos as razões do fracasso e de se dedicar às escaramuças internas tentando construir posicionamentos eleitorais para o futuro.
Não parece compreender duas coisas: que o exercício da política não se resume ao momento eleitoral e que o resultado da próxima eleição depende da relação que conseguir construir com a sociedade daqui até lá.
É cedo para cobrar da oposição uma atuação, quando o novo governo mal acaba de começar? Sim, se a perspectiva for exclusivamente a do embate em busca de votos.
Essa concepção das coisas mostrou-se equivocada na estratégia da candidatura presidencial do PSDB: José Serra foi desde sempre o candidato, mas achou que deveria abster-se da atuação política para se apresentar à disputa no momento "certo".
Revelou-se tardio, pois entre os números favoráveis de pesquisas e a candidatura em si tucanos e adjacências deixaram que se abrisse um imenso vazio que depois, no improviso, não souberam preencher.
E, pelo jeito, não souberam perceber ainda o erro e, mais grave, não valorizaram os votos recebidos. A oposição atua na lógica de murici: cada um trata de si. E a ninguém ocorre tratar das questões políticas já em pauta.
Cansados da luta árdua que travaram para perder a eleição, seguem indiferentes à discussão sobre o salário mínimo, à disputa pelo comando do Congresso, à indecente batalha fisiológica pela divisão do latifúndio governamental.
Sobre o mínimo, se esquecem da proposta de R$ 600. Se na campanha a consideraram exequível, deveriam agora defender a posição.
Sobre o Parlamento, rendem-se aos acordos entre PT e PMDB deixando de lado o debate sobre a desqualificação do Legislativo. Se tivesse alguma ideia a respeito, agora seria a hora de a oposição se manifestar.
Sobre os meios e modos da ocupação da administração federal, os oposicionistas tampouco têm algo a dizer, além da crítica fácil.
Ao se omitir, a oposição desdenha não apenas de seus eleitores como se mostra desprovida da noção de que é uma força política cujo dever primordial é participar da vida do País, se ainda se pretende no direito de voltar a governar o Brasil.
Pés de barro. Imaginemos, só para efeito de raciocínio comparativo, como seria visto um presidente da República do PSDB, do DEM, do PPS ou mesmo do PMDB, que tivesse deixado para um governante do PT um problema como a administração diplomática da não extradição de Cesare Battisti, decidida há pelo menos seis meses, mas só anunciada no último dia de governo. Obviamente, a atitude seria recebida como uma manobra covarde, com a única finalidade de livrar o autor de enfrentar as consequências de sua decisão.
Essas e outras configuram a herança maldita deixada por um presidente que, pautado exclusivamente pela construção do próprio mito, não arbitrou contenciosos, não administrou adversidades, não comprou uma só briga que pudesse abalar sua popularidade.
Diferente de Lula, que só fez bajular os militares, Dilma Rousseff impôs autoridade civil ao cobrar compostura histórica do general José Elito, chefe do gabinete de Segurança Institucional, nas declarações sobre brasileiros desaparecidos durante a ditadura.
RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA
Falou, ouviu
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 07/01/11
Ministro responsável pela articulação política, Luiz Sérgio (PT) não vê sentido em dar ao PMDB um assento além do ocupado pelo vice Michel Temer na coordenação do governo de Dilma Rousseff. O recado foi transmitido ao líder peemedebista na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), porta-voz da reivindicação.Luiz Sérgio argumentou que ministros de áreas específicas sempre serão chamados a participar de decisões ligadas a suas pastas. Alves rebateu: a política é "feita de símbolos", disse, e a atual fotografia da reunião de coordenação faz o PMDB se sentir "excluído". A próxima reunião do grupo será na segunda-feira.
Cumulativo Cheio de motivos para reclamar do PT, o PMDB encontrou mais um: trata-se do desejo, manifestado por Aloizio Mercadante, de levar para a Ciência e Tecnologia a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), hoje abrigada no Ministério da Agricultura, do quinhão peemedebista.
Semente O PMDB detectou que Mercadante já teria candidato à presidência do órgão: Evaristo Miranda, respeitado quadro da Embrapa e autor de um projeto de zoneamento agropecuário.
Inevitável Assessores de Dilma foram alertados para a necessidade de atender PSC e PTB, partidos não contemplados no primeiro escalão, sob pena de reflexos na eleição do presidente da Câmara, em 1º de fevereiro.
Segura aí Embora a criação da Secretaria de Aeroportos esteja decidida, Dilma não quer anunciá-la neste mês, para evitar novo foco de tensão entre os aliados antes da eleição na Câmara.
Por que não? Apesar da pressão da cúpula do PR, o deputado Sandro Mabel (GO) avisou aos colegas que mantém em aberto a possibilidade de enfrentar o candidato oficial, Marco Maia (PT-RS).
Em etapas O empresário Jorge Gerdau, que fará uma espécie de auditoria na Saúde, definiu ontem com o ministro Alexandre Padilha suas três primeiras missões: avaliar a atuação dos hospitais federais no Rio, criar metas na Anvisa para agilizar o registro de medicamentos e melhorar o desempenho da Funasa, sobretudo no que diz respeito às obras do PAC.
Protocolo Na passagem de ontem pelo Bandeirantes, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) levou a Geraldo Alckmin um convite de Dilma para que o governador visite em breve o Planalto.
Fome zero Paulo Barbosa (Desenvolvimento Social) será o primeiro secretário a testar a "parceria federativa" com o governo petista pregada por Alckmin. Encarregado de diminuir o número de paulistas abaixo da linha de pobreza, ele irá à ministra Tereza Campello tratar do tema na próxima semana.
Piquete Funcionários do Procon ameaçam inaugurar a temporada de greves do novo governo em SP. A paralisação, marcada para segunda, envolveria 500 funcionários. Serviços da sede e nos postos do Poupatempo podem ser afetados. A categoria quer reajuste salarial.
Na mesa Escalada para conter o movimento, a secretária de Justiça, Eloísa Arruda, recebeu ontem comissão de trabalhadores do órgão.
Caixa postal Após a primeira reunião com o secretariado, Alckmin baixou norma que arrepia seus assessores no Bandeirantes: quer resposta imediata a toda as queixas enviadas por eleitores via e-mail e redes sociais e em cartas endereçadas a veículos de comunicação.
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI
tiroteio
"Ao que tudo indica, além do ex-presidente, também sua família terá sérias dificuldades para "desencarnar" das regalias do Planalto."
DO DEPUTADO FEDERAL ANTONIO CARLOS PANNUNZIO (PSDB-SP), sobre a concessão de passaportes diplomáticos a Luís Cláudio e Marcos Cláudio, filhos de Lula, dois dias antes do encerramento do mandato do petista.
contraponto
Serviço de bordo
Em viagem oficial a Juiz de Fora (MG) ainda durante o governo Lula, o piloto do avião da FAB que levava os ministros Alexandre Padilha e Luiz Dulci teve de arremeter duas vezes por causa do mau tempo.
Com o prolongamento do voo, a fome começou a atormentar os passageiros até que um assessor conseguiu providenciar biscoitos, bombons e barras de cereal. Dulci, o primeiro a se servir, comentou:
-Não sei como ainda ousam dizer que o governo federal não tem planejamento...
KENNETH ROGOFF
Armagedon pode esperar
Kenneth Rogoff
O Estado de S.Paulo - 07/01/11
Para onde se dirigem as moedas globais em 2011? Depois de três anos de enormes oscilações cambiais provocadas pela crise, é útil fazer uma avaliação dos valores das moedas e do sistema cambial como um todo. Estou convicto de que veremos uma mistura de guerras monetárias e colapsos, mas não vão significar o fim da recuperação econômica, muito menos o fim do mundo.Para começar, temos de reconhecer que o moderno sistema de taxas de câmbio flutuante tem, no geral, se comportado surpreendentemente bem.
Na verdade, diante dos complexos fatores de risco e preferências políticas peculiares, tem sido um desafio adivinhar a lógica subjacente a essas grandes oscilações cambiais. Mas, mesmo que as taxas de câmbio funcionem de maneiras misteriosas, seu efeito protetor é inegável. A drástica desvalorização do euro após a crise ajudou a sustentar as exportações alemãs e, com isso, manter a zona do euro à tona.
As moedas dos mercados emergentes também sofreram quedas, mesmo em economias com imensas reservas em moeda estrangeira e relativamente pouco endividadas. Desde então, muitas moedas desses mercados tiveram uma forte recuperação. Numa retrospectiva, essas oscilações cambiais espelharam o colapso inicial e a subsequente recuperação do comércio global, ajudando a atenuar a recessão.
Inversamente, a crise financeira dificilmente foi um aviso para se expandir o escopo das taxas de câmbio fixas. Os países da periferia da zona do euro, incluindo Grécia, Portugal, Irlanda e Espanha, presos ao mastro da moeda comum, não foram capazes de ganhar competitividade por meio de uma desvalorização da taxa cambial.
O pai intelectual do euro, Robert Mundell, da Universidade Columbia, disse certa vez que o número ideal de moedas no mundo é um número ímpar, preferivelmente menor que três.
Difícil ver a razão disso neste momento.
Talvez se tivermos um dia um governo mundial, ter uma moeda mundial terá sentido. Mas, mesmo deixando de lado os benefícios, em termos de equilíbrio, das moedas flexíveis, a perspectiva de um único banco central, onipotente, não é atraente. Prova disso foi a virulência e a histeria que acompanharam a política adotada pelo Federal Reserve do chamado "afrouxamento quantitativo". Imagine o pânico que se seguiria num mundo onde o ouro, commodities e arte fossem as únicas saídas para os investidores fugirem do dólar.
Mas o sucesso contínuo do sistema de taxas cambiais flutuantes não implica um curso tranquilo em 2011. Para começar, podemos esperar uma continuação das chamadas guerras monetárias, em que os países lutam para impedir uma valorização das suas taxas de câmbio e uma queda das suas exportações. Em 2011, os governos na Ásia provavelmente perderão "gradativamente" sua batalha nesta guerra, permitindo uma valorização das suas moedas, diante das pressões inflacionárias e ameaças de retaliações comerciais.
Quanto ao colapso monetário, o mais importante candidato é o euro. Num mundo ideal, a Europa resolveria o problema das dívidas excessivas através de uma reestruturação do passivo contabilizado pela Grécia, Irlanda e Portugal.
No momento, contudo, os estrategistas políticos europeus parecem preferir que o volume dos empréstimos-ponte para a periferia continue crescendo, não reconhecendo que os mercados acabarão por exigir uma solução mais durável e sustentável.
O dólar, por outro lado, parece ser uma aposta mais segura em 2011. Em primeiro lugar, seu poder de compra já chegou a um patamar muito baixo globalmente. Assim, um reequilíbrio normal da "paridade do poder de compra" deverá dar ao dólar um leve impulso de alta.
No caso do yuan da China, ele continua sustentado por um regime cambial altamente político. No final, o crescimento rápido da China terá que se refletir numa valorização significativa da sua moeda, no nível de preços domésticos, ou em ambos. Mas, em 2011, grande parte da busca do equilíbrio provavelmente ocorrerá por meio da inflação.
Finalmente, o caos monetário é a aposta mais segura de todas em 2011 e muito além, com oscilações imprevisíveis e drásticas das taxas de câmbio flutuante em todo o mundo. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO
É PROFESSOR DE ECONOMIA E POLÍTICAS PÚBLICAS NA UNIVERSIDADE HARVARD
ANCELMO GÓIS
Calma, Jorge
ANCELMO GÓIS
O GLOBO - 07/01/11
SEGUE...
Quando soube que o possante ia para um depósito em Bonsucesso, Seu Jorge esbravejou:
ALAN E EIKE
BENÇA, VÔ
O embaixador Ruy Nogueira se emocionou, ontem, ao tomar posse na Secretaria-Geral do Itamaraty. É que seu avô, Hildebrando Accioly, já ocupou o posto
COISAS DE MINAS
Há quem diga que o novo presidente da CNI, o mineiro Robson Andrade, não se bica com o conterrâneo Clésio Andrade, da CNT, que assumiu no Senado a cadeira de Eliseu Resende.
NO MAIS
THE FEATHER MEN
A Record comprou os direitos do livro The feather men, de Ranulph Fiennes (irmão do ator Ralph Fiennes), que originou o filme The killer elite, com Robert de Niro e Clive Owen. Livro e filme serão lançados ao mesmo tempo no Brasil.
A VEZ DO CINEMA
Segunda, a ministra Ana de Hollanda se reúne no Rio com o pessoal do cinema.
CLUBE DO MILHÃO
A comédia De pernas pro ar, de Roberto Santucci, entrou no clube dos filmes brasileiros com mais de l milhão espectadores.
TODO CUIDADO É...
O Sindicato Nacional dos Aeroviários denunciou à Anac que uma empresa de táxi aéreo tem obrigado seu pessoal a trabalhar 35 dias seguidos sem folgas, acredite, em troca de dez de recesso depois.
MIAMI BEACH
Aécio Neves, nestes dias de férias, trocou Ipanema pelas praias de Miami.
FINEP FICA NO RIO
O ministro Aloizio Mercadante, que ontem nomeou o professor Glauco Arbix para comandar a Finep, desmentiu (que bom) os rumores de que a estatal de fomento à pesquisa vai sair do Rio:
— O Rio é um polo de pesquisa importante.
ALIÁS...
O PT do Rio chegou a tentar emplacar na Finep o professor Luís Pinguelli Rosa.
GILBERTO É FOFO
Gilberto Braga contou a Nana Caymmi que deu à próxima novela das oito da TV Globo o nome de Insensato coração em homenagem ao pai dela, o grande Dorival, autor da música Só louco. “Ó, insensato coração”, diz um verso da canção de Caymmi, que deve estar presente na trilha da trama.
ELIANE CANTANHÊDE
Nasceu o PACzinho
Eliane Cantanhêde
FOLHA DE SÃO PAULO - 07/01/11
BRASÍLIA - Depois da ira dos italianos por causa do Battisti, das provocações do PMDB, da suspensão das nomeações de segundo escalão, do veto a um mínimo superior a R$ 540, do general Elito dizendo que "não há vergonha" nos desaparecimentos da ditadura...
...Dilma Rousseff conseguiu finalmente criar ontem um factoide, ops!, uma notícia positiva para saciar a imprensa e a sociedade neste início de ano e de governo com chuvas, desmoronamentos, confusões e rebeldias de aliados.
Foi-se o Fome Zero de morte morrida, consolidou-se o Bolsa Família e nasce o "PAC da Miséria", com os chatos de galocha lembrando aquele detalhe constrangedor de que nem tudo o que reluz na propaganda governista é ouro nas obras do PAC PAC, o primogênito.
O anúncio do caçula -que ainda não tem nome, só apelido- foi feito ontem em reunião da presidente com 12 ministros, alguns poderosos, como Palocci e o próprio Mantega, e outros nem tanto, que não precisamos citar aqui.
Votos de sucesso para o rebento, porque o Brasil tem milhões de miseráveis, mesmo com os inegáveis avanços com Lula. Mas, pelo visto, e apesar das negativas, trata-se do mesmo DNA do PAC PAC, o filho de Dilma que nasceu para a campanha de 2010: junta-se o que existe, somam-se as verbas, azeita-se o monitoramento e carimba-se com uma boa marca que dê título na imprensa e caia na boca do povo.
É questão de gestão e de marketing. A engrenagem precisa funcionar, ser checada e cobrada. E o cidadão precisa ver, ouvir, elogiar. Logo, logo, vem pesquisa sobre a popularidade da presidente. PMDB, Battisti, general falastrão, ditadura e mínimo baixo não dão ibope.
"The End" - Ao se despedir de Hillary Clinton na posse de Dilma, Amorim resumiu a relação de bate-e-assopra do Brasil com os EUA nesses anos: "Tediosa é que não foi". Ele e Hillary caíram na risada.
ROBERTO LUIS TROSTER
Medida deve pressionar câmbio, mas efeito será tênue
ROBERTO LUIS TROSTER
FOLHA DE SÃO PAULO - 07/01/11
A valorização cambial é um problema grave que está tirando a competitividade do setor produtivo brasileiro com um custo fiscal crescente. O BC anunciou mais uma medida para reverter a apreciação do real, limitando a posição vendida dos bancos.
A ação terá algum impacto positivo, pois diminui a demanda por divisas estrangeiras e, com isso, sua cotação tem uma pressão de alta.
Mas o efeito será tênue. Os bancos estão endividados, liquidamente, em US$ 16 bilhões, e o razoável é que esse número deixe de aumentar, caia em US$ 4 bilhões e volte ao nível de dois meses atrás.
A bem da verdade, parte do aumento da posição vendida veio por conta de outra ação do BC, o aperto do compulsório em dezembro. Com o enxugamento da liquidez interna, os intermediários financeiros tiveram um incentivo a se endividar mais no exterior para captar recursos.
A medida anunciada ontem vai encarecer essa operação, e o custo do dinheiro interno vai subir. Ganha quem tem, perde quem deve.
O país tem quase US$ 300 bilhões em reservas. Como as divisas rendem 10% menos que os juros da dívida, em números redondos, oneram o país em 1,5% do PIB.
Ou seja, metade do superavit primário é gasta na política de reservas. São recursos que saem do bolso dos contribuintes locais e vão para os investidores estrangeiros.
Cada brasileiro vai pagar meio salário mínimo neste ano por conta dessa política.
Quanto mais divisas o BC tem, mais garantias o investidor estrangeiro tem de que o governo é solvente. Com isso, mais títulos brasileiros vão para suas carteiras, agravando ainda mais o quadro.
O câmbio, diferentemente de outras mercadorias, não tem a cotação dada só por oferta e demanda, mas sim pela expectativa de fluxos futuros. Embora, num primeiro momento, a compra de divisas possa ter ajudado o país, agora está prejudicando.
A solução é abandonar as compras de dólares e atuar rapidamente em três frentes:
1) melhorar os mecanismos de transmissão da política monetária (leia-se acabar com as "jabuticabas" ou "heterodoxias" existentes); 2) aprimorar a dinâmica fiscal; e 3) elevar a competitividade do setor produtivo com reformas e infraestrutura. Afinal, ano novo, vida nova!
*ROBERTO LUIS TROSTER, 60, consultor, é doutor em economia pela USP. Foi economista-chefe da Febraban, da ABBC e do Banco Itamarati.
CLÁUDIO HUMBERTO
“É tão absurda a ideia (...) que nem cogito a possibilidade”
FRANCISCO REZEK, EX-MINISTRO DA CORTE DE HAIA, SOBRE O BRASIL DESCUMPRIR SUA DECISÃO
DILMA PISA NO FREIO: ELA DECIDE COMPRA DE CAÇAS
O ministro Nelson Jobim (Defesa) levou à presidente Dilma o pacote fechado, para a compra dos aviões-caça, tentando estabelecer o fato consumado que favorece os franceses Rafale, mas ela surpreendeu. Chamou o comandante da Aeronáutica, pediu relatórios, para estudá-los detidamente, e decidiu mandar cópia de tudo ao ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento Industrial), a quem pediu um parecer.
WIKILEAKS AMBULANTE
O ministro francês da Defesa, Alain Juppé, ao chegar de volta da posse de Dilma relatou publicamente suas conversas reservadas no Brasil.
PREFERÊNCIAS
Alain Juppé contou que o chanceler Antonio Patriota e Nelson Jobim garantiram preferir os Rafale. Faltaram combinar com a presidente.
ELA MANDA
Aos poucos, auxiliares mais próximos de Dilma firmam a certeza de que a presidente não abre mão de suas prerrogativas. Nem para Lula.
SERVIÇAL
A concessão de passaportes diplomáticos à família de Lula diz bem o que era o Itamaraty, serviçal e áulico, na gestão Celso Amorim.
SENADORES ELEITOS RECUSAM HERANÇA MALDITA
Senadores eleitos têm recebido pedidos para contratar funcionários dos colegas que não foram reeleitos. Um senador eleito em primeiro mandato até recebeu proposta indecorosa de um colega derrotado: ficar com o seu gabinete, de porteira fechada, incluindo 31 assessores. O problema é que a maioria dos eleitos já tem suas equipes formadas. Pelo jeito, a fila dos desempregados vai continuar aumentando.
USINEIROS NO PODER
Com a reeleição ao governo de Alagoas, o tucano Teotonio Vilela nem disfarça mais: os usineiros estão no poder de fato, sem intermediários.
FINALMENTE
No Distrito Federal, o governador Agnelo Queiroz (PT), mandou limpar a ponte JK, sobre o lago Paranoá, considerada uma das mais bonitas do mundo.
EDUARDO 2014
A bancada federal de Pernambuco não esconde o jogo: quer o governador Eduardo Campos (PSB) candidato a presidente, em 2014.
RECORDE
Em seis dias de governo, Dilma não aplicou puxões de orelha em ministros, não exclamou o temido “meu santinho!”, não chamou jornalistas de “minha santa!”, nem expulsou ninguém do seu gabinete.
ESTÁ DIFÍCIL
Dilma pode até ceder a Chesf ao PMDB, mas quer um técnico de sua confiança na Eletronorte. Em Furnas também, para desespero de xiitas fisiológicos do PMDB, liderados pelo deputado Eduardo Cunha (RJ).
REMAKE
O jantar do vice Michel Temer com cardeais do PMDB lembrou aqueles de Ulyses Guimarães com ministros do PMDB para conspirar contra o governo José Sarney – que reclamava e Ulysses fazia ouvidos moucos.
CANETA NA GAVETA
O Diário Oficial da União está magrinho, magrinho. A caneta ainda não começou a ser acionada. Os ministros se entreolham para saber quem nomeia primeiro. Ninguém sabe a reação da chefa. Ou chefe?
RAPOSA DESTRONADA
O ministro Paulo Bernardo (Comunicações) assumirá a presidência do conselho de administração dos Correios, que antes era exercida pelo presidente da estatal. Antes, era a raposa tomando conta das cartas?
EIKE SE ENROLA
Ministério Público Federal investiga doações supostamente ilegais do bilionário Eike Batista à campanha da deputada Beth Rose, mulher do prefeito de São Gonçalo do Amarante (CE), onde ele tem negócios.
GENRO ‘EMPAREDOU’ LULA...
Lula tem dito a amigos próximos que seu ex-ministro da Justiça Tarso Genro o “emparedou”, deixando-o sem saída no caso do bandidão Cesare Battisti. Genro lidera uma das facções mais obtusas do PT.
...COMO PROIBIA LIVROS
Ministro da Educação, Tarso Genro proibiu a distribuição gratuita, em evento do MEC, de um livro editado pela UniverCidade, do Rio, sobre a revolução da Coréia do Sul pela educação. Se fosse a do Norte...
CLASSIFICADOS
O ex-jornalista e ex-ministro da Propaganda Franklin Martins procura emprego em empresas de comunicação que tentou ferrar.
PODER SEM PUDOR
QUAL O PROBLEMA?
Menezes Pimentel era interventor no Ceará, na era Getúlio Vargas, quando soube que um prefeito do interior desviou dinheiro público para sua campanha. Mandou chamar o homem:
– Disseram-me que o senhor, vejam só, estaria usando verba da prefeitura na campanha política! O que o senhor tem a dizer?
O prefeito coçou a orelha e ponderou:
– Mas, doutor Pimentel, é que eu já estava gastando até do meu...
WIKILEAKS AMBULANTE
O ministro francês da Defesa, Alain Juppé, ao chegar de volta da posse de Dilma relatou publicamente suas conversas reservadas no Brasil.
PREFERÊNCIAS
Alain Juppé contou que o chanceler Antonio Patriota e Nelson Jobim garantiram preferir os Rafale. Faltaram combinar com a presidente.
ELA MANDA
Aos poucos, auxiliares mais próximos de Dilma firmam a certeza de que a presidente não abre mão de suas prerrogativas. Nem para Lula.
SERVIÇAL
SENADORES ELEITOS RECUSAM HERANÇA MALDITA
Senadores eleitos têm recebido pedidos para contratar funcionários dos colegas que não foram reeleitos. Um senador eleito em primeiro mandato até recebeu proposta indecorosa de um colega derrotado: ficar com o seu gabinete, de porteira fechada, incluindo 31 assessores. O problema é que a maioria dos eleitos já tem suas equipes formadas. Pelo jeito, a fila dos desempregados vai continuar aumentando.
USINEIROS NO PODER
Com a reeleição ao governo de Alagoas, o tucano Teotonio Vilela nem disfarça mais: os usineiros estão no poder de fato, sem intermediários.
FINALMENTE
No Distrito Federal, o governador Agnelo Queiroz (PT), mandou limpar a ponte JK, sobre o lago Paranoá, considerada uma das mais bonitas do mundo.
EDUARDO 2014
A bancada federal de Pernambuco não esconde o jogo: quer o governador Eduardo Campos (PSB) candidato a presidente, em 2014.
RECORDE
Em seis dias de governo, Dilma não aplicou puxões de orelha em ministros, não exclamou o temido “meu santinho!”, não chamou jornalistas de “minha santa!”, nem expulsou ninguém do seu gabinete.
ESTÁ DIFÍCIL
Dilma pode até ceder a Chesf ao PMDB, mas quer um técnico de sua confiança na Eletronorte. Em Furnas também, para desespero de xiitas fisiológicos do PMDB, liderados pelo deputado Eduardo Cunha (RJ).
REMAKE
O jantar do vice Michel Temer com cardeais do PMDB lembrou aqueles de Ulyses Guimarães com ministros do PMDB para conspirar contra o governo José Sarney – que reclamava e Ulysses fazia ouvidos moucos.
CANETA NA GAVETA
O Diário Oficial da União está magrinho, magrinho. A caneta ainda não começou a ser acionada. Os ministros se entreolham para saber quem nomeia primeiro. Ninguém sabe a reação da chefa. Ou chefe?
RAPOSA DESTRONADA
O ministro Paulo Bernardo (Comunicações) assumirá a presidência do conselho de administração dos Correios, que antes era exercida pelo presidente da estatal. Antes, era a raposa tomando conta das cartas?
EIKE SE ENROLA
Ministério Público Federal investiga doações supostamente ilegais do bilionário Eike Batista à campanha da deputada Beth Rose, mulher do prefeito de São Gonçalo do Amarante (CE), onde ele tem negócios.
GENRO ‘EMPAREDOU’ LULA...
Lula tem dito a amigos próximos que seu ex-ministro da Justiça Tarso Genro o “emparedou”, deixando-o sem saída no caso do bandidão Cesare Battisti. Genro lidera uma das facções mais obtusas do PT.
...COMO PROIBIA LIVROS
Ministro da Educação, Tarso Genro proibiu a distribuição gratuita, em evento do MEC, de um livro editado pela UniverCidade, do Rio, sobre a revolução da Coréia do Sul pela educação. Se fosse a do Norte...
CLASSIFICADOS
O ex-jornalista e ex-ministro da Propaganda Franklin Martins procura emprego em empresas de comunicação que tentou ferrar.
PODER SEM PUDOR
QUAL O PROBLEMA?
Menezes Pimentel era interventor no Ceará, na era Getúlio Vargas, quando soube que um prefeito do interior desviou dinheiro público para sua campanha. Mandou chamar o homem:
– Disseram-me que o senhor, vejam só, estaria usando verba da prefeitura na campanha política! O que o senhor tem a dizer?
O prefeito coçou a orelha e ponderou:
– Mas, doutor Pimentel, é que eu já estava gastando até do meu...
SEXTA NOS JORNAIS
- Globo: Dilma usará modelo do PAC para enfrentar a pobreza
- Folha: Político não deve ganhar TV e rádio, diz ministro
- Estadão: Atrasos em voos nas festas de fim de ano cresceram 33,6%
- JB: Enfim, o verão
- Correio: BC tira dólares de bancos para desvalorizar o real
- Valor: Investidores pacientes tem melhor resultado nos IPOs
- Estado de Minas: Minas fica fora de verba para chuva
- Zero Hora: Autuações por álcool ao volante sobem 19%
quinta-feira, janeiro 06, 2011
JOSÉ SIMÃO
Ueba! Dilma vai pro Jaburu!
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SÃO PAULO - 06/01/11
E a mulher do Temer? Diz que ela falou: "Vocês podem não Credicard, mas foi amor à primeira Visa"
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
E a manchete do Sensacionalista: "Psicóloga do porta-malas fará ensaio sensual para a revista "Quatro Rodas'". Rarará! A mulher some, mobiliza o Rio de Janeiro inteiro e depois descobrem que ela se enfiou num porta-malas. Passou o fim de semana no porta-malas dum Fiat Palio WEEKEND! Rarará!
Tão dizendo que ela não queria passar o Ano-Novo com os malas da família. "Ai, que namorado mala, prefiro um porta-malas!".
E sabe por que o Lula negou a extradição do italiano Battisti? Porque o italiano era membro do grupo de ultraesquerda Proletários Armados pelo Comunismo: PAC! Com o PAC ninguém mexe! E o que o Lula vai fazer agora? Diz que o Lula fica brincando de reunião ministerial com os netos! Rarará!
E o chargista Pelicano conta que o Lula tava num boteco tomando umas quando toca o celular. "Deve ser a Dilma." Que nada. Era a voz da dona Marisa: "Quer fazer o favor de vir jantar?". Rarará! É a tal da vida normal!
E a mulher do Temer? A Paquita do Temer. Diz que ela falou pra imprensa: "Vocês podem não Credicard, mas foi amor à primeira Visa". O problema não é a idade do Temer. É a cara do Temer. Cara de mordomo de filme de terror! Eu acho que antes de ser vice ele fazia papel de mordomo em peça da Agatha Christie! Rarará!
E como é que aquela gata vai morar no Palácio do Jaburu? Não combina! Diz que ela ligou pra Dilma: "Vamos trocar de palácio?". Rarará. "Eu fico no Alvorada e você vem pro Jaburu!" E nunca se esqueça que PMDB quer dizer Pomos a Mão no Dinheiro do Brasil! Partido das Mutreta do Brasil! Rarará!
E um amigo meu foi passar o fim de ano em Fortaleza e disse que teve uma vida sexual superagitada: comeu três caranguejos. E eu que passei o Ano-Novo na Bahia perto de um rio chamado SONRISAL! Rarará. É verdade!
O Brasileiro é Cordial! Olha a placa que eu vi numa escola infantil: "Não vale jogar pedra nos colegas". Rarará. Brasileiro é cordial desde criancinha.
E um amigo me disse que a mulher dele é tão feia, mas tão feia, que quando ela descasca cebola quem chora é a cebola.
Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
Vou passar o resto do ano num porta-malas!
ANCELMO GÓIS
| Nos trilhos Ancelmo Góis O Globo - 06/01/2011 Sérgio Cabral desistiu de construir a chamada Linha 3 do metrô, que ligaria o Centro do Rio aos municípios de Niterói e São Gonçalo. Em seu lugar, fará um monotrilho, solução considerada mais rápida e barata. Liga não, Temer O fato de Michel Temer, 70 anos, casado com uma moça de 26, ter um filho de 2 lembra frase de Otto Lara Resende: — Ter filhos na maturidade é como ser avô sem a antipática intermediação de um genro. Sem memória Do historiador Marco Antonio Villa sobre Lula ter levado Sarney a São Bernardo no dia em que deixou o governo: — Lula, realmente, não gosta de história. Esqueceu que Sarney era presidente do PDS quando Figueiredo determinou sua prisão e destituiu a diretoria do sindicato. Olho grande Tem gente querendo a cadeira de vice-presidente do BNDES, hoje com Armando Mariante. País das bombas O Itamaraty, sob nova direção, decidiu que, em abril, voltará a ocupar fisicamente sua embaixada em Bagdá. Viva la France! A França festejou queda de uns 10% no número de carros queimados no réveillon. Ainda assim, foram de 900 a 1.000. Perto dessa frota incinerada, a confusão que antecedeu a operação na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão é pinto. Cidade Negra Vai ser no feriado de São Sebastião o show que marcará a volta de Toni Garrido como vocalista do Cidade Negra, o grupo de reggae que começou em Belford Roxo, Baixada Fluminense. A apresentação será em Vigário Geral. Santa atrai pouco Pelo visto, o público de cinema prefere Chico Xavier a Nossa Senhora. O filme católico “Aparecida — O milagre” atraiu 194,6 mil espectadores país afora desde a estreia, dia 17 de dezembro, bem menos que os recentes filmes espíritas. Filme de Mel Gibson O compositor Antônio Pinto entregou a trilha do próximo filme de Mel Gibson, “How I spent my summer vacations”, ainda sem título em português. O diretor Adrian Grunberg veio finalizar a trilha em São Paulo. Perigo é lá O carioca Rodrigo Paiva, coleguinha da CBF, teve sua carteira e seu passaporte furtados em... Miami. Deve ser terrível... você sabe. Delegacia dos gays A prefeitura do Rio vai construir em Madureira, para o governo do estado, uma nova Delegacia Legal. Será especializada no atendimento a gays. Ana no Alemão O primeiro evento público da ministra Ana de Hollanda será segunda, no Alemão. Em pauta, um ponto de cultura na comunidade carioca. Pela cultura O ator Sérgio Mamberti, que vai deixar a presidência da Funarte para dar lugar a Antônio Grassi, continuará na equipe do Ministério da Cultura. Assumirá a Secretaria de Políticas Culturais. Museu dos Blocos Eduardo Paes está para assinar a desapropriação de um imóvel da prefeitura, na Lapa, para abrigar o Centro de Memória dos Blocos do Rio. Será administrado pela Sebastiana, a associação dos blocos do Centro e da Zona Sul, autora da ideia. Clínica da Família O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, vem ao Rio amanhã conhecer o projeto Clínicas da Família, da prefeitura. Vaso rosa Fernando Gabeira desistiu de cortar a fita do banheiro para gays que a Unidos da Tijuca inaugura sábado, em sua quadra. O padrinho, agora, será Milton Cunha, o carnavalesco. O nome da casinha GLS está entre “Dasbi” e “Madame Satã”. Não é fofo? |
ALON FEUERWERKER
Íntimos e desconfortáveis
ALON FEUERWERKER
CORREIO BRAZILIENSE - 06/01/11
Talvez os ex-profissionais do PMDB tenham acreditado em algum momento que seriam tratados como iguais na coalizão. Pela aritmética, até deveriam ser
Se havia dúvida sobre aptidões político-midiáticas da nova presidente, as nuvens começam a dissipar-se. É um estilo algo diferente, mais silencioso. Nem por isso menos eficaz. A ocupação maciça de espaços pelo PT de Dilma Rousseff aparece ao público como sacrossanta missão destinada a impedir que a máquina estatal seja tomada pela "fisiologia". Dos outros, naturalmente.
E não só. O assunto agora vem acoplado a um também caríssimo à elite, essa pobrezinha tão maltratada nas campanhas eleitorais: a necessidade imperiosa de evitar o aumento "irresponsável" do salário mínimo. E tem também a privatização dos aeroportos.
Quem é a vítima da vez? O PMDB, colhido na armadilha como um animal indefeso.
Talvez os ex-profissionais do PMDB tenham acreditado em algum momento que seriam tratados como iguais na coalizão. Pela aritmética, até deveriam ser. Têm mais ou menos o mesmo tanto, tudo somado, de deputados, senadores, governadores. Têm o vice.
Há porém outra variável. Diante de uma oposição em dificuldades no plano federal, sobrou para o PMDB o papel de principal ameaça potencial ao poder. Desde a campanha, passando pela transição e montagem do governo, nota-se o trabalho metódico para desossar o que seria aliado em situação de ameaça externa, mas que toma cores de rival na ausência de uma.
Há algo de replay nisso. Na largada do governo anterior o PMDB foi escanteado pelo então recém-presidente, pessoalmente.
A legenda estivera coligada com o PSDB em 2002, a cotovelada até fazia algum sentido na política, apesar da aritmética. Com o andar da carruagem e a eclosão de seguidos constrangimentos e necessidades aritméticas, o tempo acabaria recolocando a realpolitik no merecido lugar.
Mais ou menos como ocorrera nos governos do PSDB na década anterior.
A lógica da operação política de Dilma parece ser provocar a primeira batalha da guerra de movimentos agora, quando está num ápice de poder. "Nunca teremos outra chance como esta para enquadrar o PMDB", diz um articulador do governo no Congresso.
Meio atordoado, o PMDB reage algo estabanadamente, sem saber se morde ou assopra. O mais sensato seria assoprar (talvez dando umas mordidinhas no bastidor), para evitar maiores perdas materiais.
Recuar para não ser sangrado em excesso. Mas, como escrevi outro dia, o bom senso é muito útil em quase todas a situações. Só não ajuda muito nas mais importantes. Vai que o PMDB peita e se dá bem? Sei lá. Mas os sinais vão no sentido contrário.
De triste, apenas a infelicidade de o salário mínimo ter sido colhido pelo fogo cruzado da luta interna na Esplanada. Talvez a coisa mude de figura quando as centrais sindicais voltarem das férias e receberem a informação sobre o aumento mixuruca, casadinho com o congelamento da tabela das deduções do imposto de renda.
Vai saber...
Político-partidáriaO governador reeleito de Sergipe, Marcelo Déda (PT), sugere que a reforma política mude de nome, para reforma político-partidária.
Um motivo é a necessidade de a lei prever mecanismos de democracia interna nas legendas. Elas recebem dinheiro estatal e todos são obrigados a entrar num partido se quiserem disputar eleição. Então será natural que uma eventual reforma cuide de garantir vida mais democrática dentro das siglas.
O governador defende que o debate não fuja de assuntos delicados. Um deles: exigir que para concorrer à eleição o partido esteja definitivamente organizado no nível específico, com convenção feita.
Hoje em dia o cacique nomeia uma comissão provisória e sai com a pastinha embaixo do braço negociando o tempo de televisão.
Boas ideias há. O novo líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), defende o fim das coligações nas proporcionais (deputado, vereador) e a perda do tempo de televisão (e rádio) se o partido não lançar candidato próprio.
O partido poderia coligar-se, mas não carregaria com ele os minutos (ou segundos) na telinha.
Se o governo quiser um debate para avançar, e não para piorar, tem por onde seguir.
EDITORIAL - O ESTADO DE SÃO PAULO
O governo como banquete
EDITORIAL
O ESTADO DE SÃO PAULO - 06/01/11
A primeira crise política do novo governo é assunto exclusivo do próprio governo. A oposição fica a distância, enquanto o partido da presidente Dilma Rousseff, o PT, se engalfinha com seu maior aliado, o PMDB, na disputa de cargos do segundo escalão. Fisiologismo? Sem dúvida, mas a história é mais complicada e envolve o próprio sentido da palavra "governo". Para o espectador superficial, essa briga é apenas mais um aspecto singular da cena política brasileira, tão peculiar e tão própria do País quanto a jabuticaba. Não se governa o Brasil sem alianças, por causa do sistema partidário, e alianças pressupõem um arranjo parecido com um condomínio. Até aí, nenhum mistério, mesmo para o observador estrangeiro. Mas a singularidade da política nacional vai muito além desse ponto. Uma de suas manifestações foi a entrevista do ministro Guido Mantega, na terça-feira.
O governo, disse o ministro, vetará qualquer aumento do salário mínimo superior àquele proposto pelo Executivo. Por essa proposta, o salário básico nacional passa de R$ 510 para R$ 540. Esse valor está embutido, por exemplo, na projeção dos gastos da Previdência Social. Cada real a mais ocasiona um acréscimo de R$ 286,4 milhões na despesa orçamentária. Se o Congresso mexer na medida provisória relativa ao salário mínimo e aprovar um valor acima dos R$ 540, agravará o desequilíbrio das contas públicas e tornará mais difícil o controle da inflação, uma das dores de cabeça do novo governo.
A quem se dirigia Mantega? Não só à oposição, mas principalmente ao PMDB e aos demais partidos da chamada base aliada. Parlamentares do PMDB já haviam manifestado a disposição de propor um salário superior aos R$ 540. Se o fizerem, terão com certeza o apoio de outros "governistas", especialmente daqueles vinculados ao sindicalismo. Mas a disposição dos peemedebistas é interpretada principalmente como chantagem de quem se sentiu esbulhado pelo partido da presidente Dilma e exige uma reparação.
Algum fisiologismo pode parecer normal na relação entre partidos aliados. O mesmo se pode dizer sobre a disputa de poder num condomínio político. Mas o caso é muito mais grave na relação entre PT e PMDB. Não se trata, nesse episódio, de uma disputa secundária entre grupos unidos, essencialmente, por uma proposta comum de governo. Essa proposta compartilhada não existe. Ou existe, na melhor hipótese, apenas como um compromisso nominal, necessário para a confecção de uma bandeira de campanha. O fisiologismo e o desejo de controlar instrumentos de poder - e, portanto, de conquista de vantagens de todo tipo - são os únicos cimentos dessa aliança. Não há nada além disso.
A presidente Dilma Rousseff e seus principais assessores anunciaram como uma de suas prioridades uma arrumação fiscal em 2011. Anunciaram também a disposição de conter as pressões inflacionárias, muito fortes desde o ano passado. Em países com tradição política diferente, esses objetivos seriam partilhados por todos os participantes da aliança de poder - e até por uma oposição à altura do seu papel institucional.
Ao ameaçar o governo com a apresentação de medidas incompatíveis com a política fiscal, peemedebistas deixaram claro seu absoluto desinteresse em relação aos objetivos do governo. De tão escandalosa, essa realidade acabou provocando uma reação do vice-presidente Michel Temer. O PMDB, segundo ele, só apoiará uma proposta de salário mínimo "compatível com as possibilidades do erário". O ministro da Previdência, Garibaldi Alves, peemedebista como Temer, declarou-se disposto a assumir o papel de moderador no debate entre Executivo e Legislativo.
Segundo Garibaldi, o PMDB, "como qualquer outro partido", vai lutar pela melhoria do salário mínimo. Mas tem sentido considerar o PMDB um partido como qualquer outro? Sim, tem sentido, no singularíssimo sistema brasileiro. Em outros países, participar do governo significa assumir responsabilidades comuns em relação a um projeto comum. No Brasil, significa participar das vantagens do poder, em troca de um apoio ocasional e sujeito a nova negociação, com novo preço, em cada circunstância. O fisiologismo, nesse caso, não é acidente, mas a essência.
ILIMAR FRANCO
Pagando para ver
Ilimar Franco
O Globo - 06/01/2011
O líder do PDT na Câmara, Paulo Pereira da Silva (SP), aposta na briga por cargos entre PT e PMDB para aprovar a emenda que eleva o salário mínimo para R$ 580. Ontem ele pediu apoio ao líder do PMDB, deputado Henrique Alves (RN). “Nós só temos chance quando eles brigam”, comentou. Os que apoiam um mínimo maior do que os R$ 540 do governo não acreditam em veto. Dizem que a presidente Dilma Rousseff não tomaria uma atitude impopular no início do governo.
O livro
Nos próximos meses, o cientista político João Francisco Meira, do Instituto Vox Populi, consultor da campanha petista, vai escrever um livro sobre “a construção da candidatura e da imagem da presidente eleita Dilma Rousseff”.
Go home!
A turma do PMDB foi mandada toda embora do Ministério da Integração. O ministro Fernando Bezerra Coelho (PSB) fez uma lipoescultura. O futuro secretário do Centro- Oeste, Marcelo Dourado, pediu a sala do ainda secretário Carlos Henrique, dizendo: “Nada contra vocês. Mas é determinação superior. É do Geddel (Vieira Lima), é do PMDB, tenho que passar o rodo”. Já estão exercendo suas novas funções o secretárioexecutivo, Alexandre Navarro, os secretários da Defesa Civil, Humberto Vianna; Hídrico, Augusto Wagner; Desenvolvimento Regional, Sergio Duarte; e Programas Regionais, Gener Guimarães do Rego.
Pinga-pinga
Na viagem que fará à Argentina, a presidente Dilma Rousseff aproveitará para visitar também Uruguai e Paraguai. A América do Sul foi uma das prioridades da política externa do ex-presidente Lula e continuará tendo o mesmo tratamento.
Está circulando o primeiro dossiê
Indicado para presidir a Funasa pelo grupo político do ex-ministro Patrus Ananias (PT), o empresário Gilson Carvalho Queiroz Filho é alvo de um dossiê. Ele está sendo distribuído por funcionários da fundação e dele consta que a empresa de Gilson, a Carvalho Queiroz Engenharia Ltda, está sendo investigada pelo TCU por irregularidades cometidas em obras de saneamento nos municípios mineiros de Pescador e Carbonita.
Joia da coroa
Para o PMDB, a presidência da Funasa é mais importante que a secretaria que eles perderam no Ministério da Saúde. A Funasa executa por ano um orçamento em obras de saneamento de R$ 1 bi. O partido controla 1.175 prefeituras.
Pop
Uma das metas do ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia) é popularizar a ciência, sobretudo entre os jovens. O ministro e equipe estão empenhados em bolar atividades e eventos que deem visibilidade a esse setor.
● O JORNALISTA - Thomas Traumann, com passagem pela “Folha de S. Paulo” e pela revista “Época”, entre outros, vai cuidar da relação do ministro Antonio Palocci (Casa Civil) com a imprensa. Ele assume em fevereiro.
● MAL-ESTAR - A ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) demitiu por telefone a subsecretária de Promoção de Direitos da Pessoa com Deficiência.
● QUARENTENA - Após deixar a Casa Civil acusada de tráfico de influência, a ex-ministra Erenice Guerra pretende advogar, depois de cumprir uma quarentena.
DEMÉTRIO MAGNOLI
Dilma, interrompida
Demétrio Magnoli
O Estado de S.Paulo - 06/01/11
Ah, o exagero - a sombra monstruosa do exagero. "Lula estará conosco." "Sei que a distância de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza e generosidade": "o maior líder que este país já teve." "Seu nome já está cravado no coração do povo." Não é o elogio incisivo, mesmo mais que protocolar, ao presidente que saiu, companheiro de partido, responsável por seu triunfo. É a louvação desmedida, o adjetivo incontido, o culto despropositado, a metáfora de ressonâncias religiosas. "Sob sua liderança, o povo brasileiro fez a travessia para uma outra margem da história." É Moisés, na travessia das águas e na jornada pelo deserto. Nos seus dois discursos de posse, Dilma Rousseff apalpou a linguagem das tiranias personificadas.Condutor? Comandante? Eterno Presidente? Líder Genial dos Povos? Grande Timoneiro? A linguagem faz diferença, pois a política, em tempos de paz, é feita de palavras. Democracia é o regime das instituições, não dos líderes. Nas Repúblicas democráticas, nenhum líder sintetiza o povo - e exatamente por isso existem oposições legais. Delinquindo nos interstícios da lei, a Petrobrás batizou com o nome de Lula o campo petrolífero de Tupi. O culto a Lula é uma ferida na alma da democracia. Dilma subiu a rampa fazendo as orações desse culto bizarro.
Os discursos de posse de Dilma devem ser lidos como harmonias interrompidas. A presidente tenta desabrochar, insinua-se e esboça um aceno; ansiosa, tropeça e cai. Aqui e ali, por todos os lados, encontram-se os indícios da sua vontade de governar "para todos os brasileiros e brasileiras". Mas o propósito se estiola no caminho, sempre que colide com um dogma do lulismo.
Há o desejo discernível e, contudo, frustrado de construir uma narrativa realista do período pós-ditadura militar. "Um governo se alicerça no acúmulo de conquistas realizadas ao longo da história. Por isso, ao saudar os avanços extraordinários recentes, é justo lembrar que muitos, a seu tempo e seu modo, deram grandes contribuições às conquistas do Brasil de hoje." Ela poderia ter dito: José Sarney consolidou as liberdades políticas, Fernando Collor iniciou a abertura comercial, Itamar Franco fez o Plano Real, FHC ergueu o edifício da estabilidade econômica. Mas não disse, pois pronunciar o nome de um predecessor seria incorrer no pecado da apostasia: a negação da primazia de Lula.
Lula falou quase sempre como chefe de uma facção - e, no dia de passar a faixa, referiu-se ainda aos opositores como "inimigos". Dilma, ao contrário, almeja falar como a "presidente de todos". Ela estendeu a mão aos partidos de oposição, sem pedir a ninguém "que abdique de suas convicções". Com o olho posto nas lições da campanha eleitoral, enfatizou o imperativo do combate à corrupção e declarou um compromisso "inegociável" com as liberdades individuais, de religião, de imprensa e de opinião. "Prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras", assegurou, reproduzindo a fórmula empregada no discurso de vitória. A declaração será posta à prova logo mais, quando a presidente abrir a gaveta onde repousa o projeto de controle estatal de conteúdos dos meios de comunicação, um presente de grego deixado por Franklin Martins, em nome de Lula.
Dilma prometeu uma política externa "baseada nos valores clássicos da diplomacia brasileira", oferecendo uma justificativa cifrada para o afastamento de Celso Amorim. Recitou, um a um, os princípios inscritos na Constituição: promoção da paz, não intervenção, defesa dos direitos humanos. "Direitos humanos", ela disse! É uma censura indireta a Lula, que elogiava ditaduras e traçava paralelos abomináveis entre presos políticos e criminosos comuns.
Entretanto, os interditos pontilham a estrada como campos minados. Logo depois dos direitos humanos, apartando-se do texto constitucional, Dilma mencionou o "multilateralismo". Em tese, o termo significa, apenas, o fortalecimento das instituições multilaterais, como a ONU, o FMI e o G-20. Na linguagem codificada do lulismo, condensa o impulso antiamericano que moldou a desastrada aproximação com o Irã. O "multilateralismo", nessa acepção pervertida, combina com a permanência de Marco Aurélio Garcia no posto de chanceler fantasma. "Lula estará conosco", lembrou a presidente que se sabe tutelada.
"Eu troquei meu nome e coloquei Dilma lá na cédula", avisou Lula na campanha eleitoral. O ex-presidente interpreta o novo governo como seu terceiro mandato e para exercer a tutela nomeou dois primeiros-ministros informais: Antônio Palocci, tutor externo, e Gilberto Carvalho, tutor interno. Ambos cometeram atos falhos antes do encerramento do primeiro dia de governo. Palocci dirigiu um pedido aos ministros: "Tenham-me como um de vocês, um da equipe, um do time." Ninguém que é "um de vocês" fala assim. Carvalho declarou em entrevista: "Lula não precisa de mim. Seria muita pretensão querer ser o espião do Lula no Planalto." O sarcasmo involuntário continua a ser sarcasmo.
Marta Suplicy nunca aprendeu a arte política da sublimação do desejo: a senadora proclama, gritando, o que deve ser sussurrado. Certa vez, nos bastidores de uma reunião da Direção Nacional do PT, incorporou a persona da rainha de Alice para exigir, aos berros, a expulsão imediata de uma corrente minoritária. Agora, na posse da presidente, alertou para a presença perene de Lula - "ele estará sempre disposto a ajudar Dilma no que ela precisar" - e enviou uma mensagem a interlocutores genéricos: "Há uma parceria entre Dilma e Lula que ninguém quebra."
Ninguém quebra? Se Marta tiver razão, Dilma não será, jamais, a "presidente de todos" - e não será nem mesmo a chefe de uma facção. Mas ela pode estar errada, pois a infalibilidade é um atributo exclusivo de Lula. Nessa hipótese, para o bem da democracia, o Brasil terá uma presidente, não um governo subterrâneo.
SOCIÓLOGO, É DOUTOR EM GEOGRAFIA HUMANA PELA USP.
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