segunda-feira, setembro 28, 2009

SEGUNDA NOS JORNAIS

- Estadão: Lula rejeita ultimato para definir status de Zelaya


- JB: Cruz Vermelha quer acesso a presídios


- Valor: União garante metade do aumento da renda no ano


- O Globo: Honduras barra OEA e faz ameaças ao Brasil

domingo, setembro 27, 2009

DANUZA LEÃO

Com que sonha Eike Batista?

FOLHA DE SÃO PAULO - 27/09/09


Sonha em ser o homem mais rico do mundo, e certamente o será. Agora, a pergunta que não quer calar: e depois?



É CURIOSO observar a vida das pessoas, e quando elas se tornam públicas, temos o direito de falar alguma coisa sobre elas -sem entrar em intimidades demais, claro.
A primeira vez que ouvi falar de Eike Batista foi há muitos anos; faltavam oito ou dez dias para ele se casar com uma bela moça das mais tradicionais famílias cariocas -convites expedidos, presentes recebidos-, quando ele conheceu Luma de Oliveira. A paixão foi fulminante, o casamento desfeito, os presentes devolvidos. Convenhamos: é preciso muita coragem e muita determinação para desmanchar um casamento dias antes de ele acontecer. Algum tempo depois ele se casou com Luma, tiveram dois filhos e viveram uma vida tranquila: não iam a festas, jantares, eram um casal dos mais pacatos. Pacatos, até que se começasse a ouvir o som dos tamborins.
Quando se conheceram, Luma já tinha sido rainha da bateria de mais de uma escola, e depois do casamento estabelecido, os filhos nascidos, ela continuou a fazer o que mais gostava: ser madrinha da bateria, e nunca houve nenhuma igual a ela. Quando Luma despontava, a avenida se levantava, e isso não é maneira de dizer. Ninguém conseguia ficar sentado vendo aquela moça linda, com o sorriso mais lindo, sambando melhor do que qualquer sambista de morro. Um verdadeiro espetáculo.
Enquanto Luma desfilava, nunca se soube do seu marido, Eike; se ele estava em casa vendo pela televisão, se estava viajando, se estava dormindo. A verdade é que nunca houve comportamento mais discreto do que o seu, e sua (pelo menos aparente) falta de ciúmes, de deixar a mulher desfilar praticamente nua na avenida foi, durante um tempo, o assunto da cidade. O tempo passou, o casal se separou, e começou a surgir o personagem Eike Batista.
Não vou falar de suas empresas de mineração, da TVX, que acumula 300 toneladas de ouro (os negócios de Eike têm sempre a letra X, sinal de multiplicação), dos negócios que só os homens de negócios compreendem, mas da diversificação dos novos empreendimentos do empresário. Eike decidiu abrir na Lagoa o restaurante Mr. Lam, e trouxe o cozinheiro do melhor restaurante chinês de Nova York. Foi um acontecimento, e o Rio de Janeiro durante um tempo só falou nisso.
Não contente, ele decidiu entrar no território do turismo e mandou adaptar um grande barco para fazer passeios na baía de Guanabara. Pensa que terminou? Não; Eike comprou o Hotel Glória, um ícone da cidade, tanto quanto o Copacabana Palace, com a vantagem de se situar a cinco minutos do aeroporto Santos Dumont. O hotel está fechado, e é um mistério o que vai acontecer com ele.
Recentemente, Renata Almeida Magalhães, mulher de Cacá Diegues, escreveu um artigo em "O Globo" ressentida com o pouco apoio que recebeu da Finep para terminar o filme do qual é produtora; faltavam R$ 500 mil, que ela não conseguiu obter. Tocado pelo artigo, Eike ligou para ela -não sei nem se se conheciam- e mandou um cheque de R$ 1 milhão.
Rodrigo Santoro também teve uma bela ajuda do empresário para fazer seu filme, sem esquecer que Eike tomou a si a responsabilidade de limpar a lagoa Rodrigo de Freitas e assegurou que em dois anos poderemos todos estar nadando nas suas águas, que estarão cristalinas; ah, e agora quer comprar os 30% do Bradesco na Vale. Eike Batista sonha em ser o homem mais rico do mundo, e certamente o será. Agora, a pergunta que não quer calar: e depois, Eike Batista?

GOSTOSA


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PAINEL DA FOLHA

G.I. Jane

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 27/0/9/09

Estacionada nas pesquisas num patamar inferior ao que o governo projeta como ideal para o início da campanha, Dilma Rousseff iniciará em outubro um treinamento intensivo. De que tipo? ‘De discurso, psicológico, mudança de visual, relacionamento com a imprensa, tudo’, adianta uma pessoa enfronhada na candidatura presidencial da ministra da Casa Civil.
O banho de loja será comandado pela equipe de João Santana. O marqueteiro de Lula usará profissionais que, em 2006, ajudaram a treinar o presidente para a propaganda de TV e para os debates. Quem viu conta que a preparação incluía sessões de gritos do candidato, assistido pela ‘coach’ Olga Curado, para aliviar as tensões e chegar tranquilo ao estúdio.

Dueto - Pesquisa qualitativa realizada pelo PT na periferia de São Paulo detectou abordagem curiosa para a questão de gênero, que a campanha de Dilma tem procurado enfatizar. Participantes dos grupos de discussão dizem que Lula ‘foi traído’ pelos homens à sua volta, e que uma mulher seria ‘mais leal’ e aceitaria os conselhos do presidente.

Ajuda quem... - De passagem por São Paulo, Aécio Neves encontrou João Santana por acaso num saguão de hotel. Todo simpático, o governador de Minas Gerais colocou-se à disposição do marqueteiro: ‘Se eu puder ajudar em alguma coisa...’.

...não atrapalha - Santana agradeceu ao tucano e respondeu com bom humor: ‘Você nos ajuda se não for candidato a presidente’.

Classificados - Nas palavras de um peemedebista envolvido na filiação de Mangabeira Unger, o ex-ministro e professor em Harvard está ‘à espreita de uma oportunidade’. De acordo com o mesmo cacique, a única visível no horizonte é a disputa por uma cadeira na Câmara.

Panelaço - Incansável no esforço para criar embaraços ao governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ), o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), organiza uma manifestação popular na Baixada Fluminense, no dia 31 de outubro, em defesa de ‘uma candidatura popular’. A dele próprio, bem entendido.

Em campanha 1 - Ao aprovar na surdina o envio de assessores do Senado para trabalharem nos Estados, líderes de bancada e integrantes da Mesa deliberaram em causa própria: dos 26 senadores que ocupam esses postos, apenas três não deverão ir às urnas no ano que vem.

Em campanha 2 - Embora o Senado não informe quantos servidores serão mantidos fora de Brasília no período eleitoral, a estimativa é de 84 enviados, entre secretários e assessores técnicos, ao custo aproximado de R$ 9 milhões por ano. Os funcionários trabalharão nos escritórios políticos, custeados com a verba indenizatória.

Chamuscado - José Eduardo Cardozo caiu na bolsa de cotações para substituir Tarso Genro no Ministério da Justiça. Lula esperava que, ao ser sondado para ocupar a pasta, o deputado imediatamente renunciasse à candidatura ao comando do PT, o que não ocorreu. Além disso, o presidente não gostou do vazamento da informação.

Filho pródigo - Ao herdar a cadeira de Carlos Menezes Direito no Supremo Tribunal Federal, José Antonio Dias Toffoli passa a ser, também, substituto no TSE. Ou seja, na ausência de algum ministro titular, pode ser chamado a julgar causas eleitorais, área na qual atuou como advogado.

YouTube - O hit da campanha do governador Eduardo Campos (PSB-PE) pela repartição geral dos royalties do petróleo do pré-sal é um vídeo sobre a situação de duas cidades vizinhas no interior do Rio Grande do Norte. Uma recebe royalties e é rica. A outra não recebe e é miserável.

Tiroteio

O PMDB chegou ao Banco Central. O partido já tinha metade da máquina de fazer dinheiro. Agora está com a chave do cofre.
Do deputado federal CHICO ALENCAR (PSOL-RJ), sobre a iminente filiação de Henrique Meirelles ao PMDB em Goiás.

Tudo menos isso

A sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos com o ministro José Múcio, indicado por Lula para ocupar uma vaga no Tribunal de Contas da União, já ia longe quando os participantes notaram que a TV Senado não estava transmitindo a sessão. Vários foram reclamar com o diretor de Comunicação, Fernando César Mesquita.
No meio da intervenção de Eduardo Suplicy, que mesmo afônico fez questão de exaltar as qualidades de Múcio, a sabatina finalmente passou a ser televisionada. Aloizio Mercadante resolveu provocar o colega:
- Veja, Suplicy, o Fernando César ficou com tanto medo do seu cartão vermelho que começou a passar a sessão!

CLÓVIS ROSSI

O novo mundo e nós

FOLHA DE SÃO PAULO - 27/09/09



PITTSBURGH - Sou obrigado a voltar ao tema do descaso do Brasil para com assuntos internacionais. Brasil, nesse caso, somos todos, políticos, empresários, sindicalistas, acadêmicos, jornalistas, com as exceções de praxe.
Aliás, o governo é que não entra na lista porque até que faz a sua parte, graças a uma diplomacia qualificada e ao fato de os dois presidentes mais recentes se interessarem bastante pelo assunto. Falta uma estrutura de informação à altura do novo papel que o país vai assumindo, especialmente agora que o G20, de que o Brasil é sócio-fundador, passa a ser a primeira classe no voo da economia mundial para o século 21 (a grandiloquência não é minha, é do comunicado final de Pittsburgh). Vira covardia qualquer comparação entre o volume de informações sobre as posições do governo norte-americano (a respeito, aliás, de qualquer assunto) e o que o Itamaraty pode oferecer.
Haveria ao menos duas maneiras de suprir a carência oficial: que uma universidade brasileira imitasse a Universidade de Toronto, cujo Centro para Estudos Internacionais logo transformou o seu grupo específico para estudar o G8 em um braço mais amplo de modo a abraçar também o G20. Será que não dá para fazer algo parecido no Brasil?
Segundo ponto, o Congresso. Os Estados Unidos têm um excepcional Congressional Research Service, que produz dossiês da melhor qualidade e sem viés partidário sobre todos os temas da agenda norte-americana -e, por extensão, da agenda global, posto que os EUA têm interesses no mundo todo. Com a tonelada de funcionários que tem o Congresso brasileiro, será que suas excelências não poderiam alocar um punhado ao serviço da pátria em vez de usá-los para o serviço político-pessoal? OK, sou ingênuo, mas é sempre melhor do que ser conformista.

SEMPRE FALANDO MERDA

DORA KRAMER

Total combate

O ESTADO DE SÃO PAULO - 27/09/09


A poucos dias da sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado que aprovará, ou não, o nome do advogado-geral da União, José Antonio Toffoli, para o Supremo Tribunal Federal, uma ofensiva de pressão tem alcançado os senadores de uma forma pesada, nunca vista por eles em se tratando de uma indicação ao STF.

Por telefone, e-mail ou pessoalmente eles têm sido assediados nos últimos dias por empresários amigos e/ou financiadores de campanhas, ministros do governo e do Supremo, juízes de primeira instância, governadores e até um núcleo de "campanha" montado pela Ordem dos Advogados do Brasil.

O volume, a contundência e os personagens mobilizados para o assédio dão a medida do quanto o governo receia a possibilidade de uma recusa e do quanto também é importante para o Planalto e para Toffoli vencer essa batalha.

A sabatina está marcada para a próxima quinta-feira e, na semana passada, foi detectada uma tendência de "racha" na base governista.

Muito em função da quantidade de senões que envolvem essa indicação, na percepção dos senadores: a ausência de reconhecido notório saber em contraposição à notória ligação com o PT, do qual foi advogado em três eleições presidenciais, insuficiência de desempenho no que toca ao currículo acadêmico, reprovação em dois concursos para juiz estadual, duas condenações em primeira instância, acusado por uso indevido de recursos públicos.

Alguns, ou até muitos, ministros do Supremo podem ter algum desses flancos em aberto, mas nenhum deles reúne, ou reuniu à época da indicação, tantos pontos fracos como Toffoli. Nem o atual presidente do STF, Gilmar Mendes, cuja nomeação foi intensamente combatida pelo PT porque ele era advogado-geral da União no governo Fernando Henrique Cardoso, que o indicou para o Supremo.

Os senadores definem o assédio em prol de Toffoli como um "verdadeiro massacre". Pelo menos três senadores de oposição e dois da base de apoio ao governo já comentaram sobre a pressão com colegas.

Tasso Jereissati, que recebeu pedido do governador do Ceará, Cid Gomes (peça importante na renovação do mandato do senador), na condição de emissário do presidente da República; Marconi Perillo, de Goiás, ouviu solicitações de empresários, bem como o senador Álvaro Dias, do Paraná. Os três são do PSDB.

Walter Pereira, do PMDB de Mato Grosso, e Antonio Carlos Valadares, do PSB de Sergipe também foram instados a rever suas restrições a José Antonio Toffoli.

Se o movimento das tropas de choque dará certo ou não é uma questão em aberto. Os otimistas acham que a remoção de obstáculos com tal de participação e assertividade tem tudo para ser bem-sucedida. Os pessimistas consideram que a pressão pode ter efeito contrário e levar os senadores a reagir. Lembram que se estivessem recebendo com naturalidade os pedidos isso não seria objeto de comentário entre eles.

Já os realistas fazem a seguinte ponderação: na Comissão de Constituição de Justiça não há risco de derrota, mas no plenário a situação pode se complicar. Sempre lembrando que o voto é secreto nas duas ocasiões.

Na avaliação dos riscos, é citada como exemplo a recente aprovação do ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, para o Tribunal de Contas da União.

Consagrado na sabatina - na verdade, uma sessão de elogios - na Comissão de Assuntos Econômicos, com apenas um voto contrário, no plenário José Múcio teve 46 votos. Com seis a menos, teria perdido.

E isso com muita gente da oposição votando nele, o que dificilmente se repetirá no caso de Toffoli. Não apenas em virtude das restrições que vêm sendo expostas, mas também por conta de um trabalho de bastidores envolvendo gente do primeiríssimo time da oposição, de fora do Congresso.

Gente, governadores inclusive, que já perdeu causas em que Toffoli advogou, seja no TSE seja na Advocacia-Geral da União, e guarda rancor na geladeira.

Na sabatina, a oposição promete ser rigorosa. Só que o questionamento mais duro não deverá ser o que testará, como numa banca de mestrado ou doutorado, os conhecimentos jurídicos do indicado, pois, com raríssimas exceções, não há senadores com preparo suficiente para tal.

A prometida batalha dar-se-á no campo da exigência de reputação ilibada e nas contestações da militância partidária de Toffoli. Isso se até lá o assédio e a pressão não fizeram os senadores baixarem o tom e recuperarem a velha tendência de transformar as sabatinas em cerimônias de mero beija-mão.

Ainda mais que, aos 41 anos de idade, José Antonio Toffoli, em tese tem quase 30 anos pela frente de assento no Supremo.

ELIANE CANTANHÊDE

Dilminha, Serrinha, Cirinho

FOLHA DE SÃO PAULO - 27/09/09



BRASÍLIA - Quando se olha em volta e vê Honduras, por exemplo, com aquele Zelaya e aquele Micheletti, é preciso concordar com Lula: os pré-candidatos à sua sucessão são muito bons, animadores.
Daí a fazer como Paulo Bernardo (Planejamento) e sair chamando Dilma Rousseff de "Dilminha" já são outros 500. Não há Dilminha, nem Serrinha, nem Cirinho, porque nenhum deles é uma flor. Aliás, Bernardo foi um dos brindados pela chefe da Casa Civil com gritos e adjetivos, digamos, pouco carinhosos, no meio de reuniões de trabalho. A lista é grande. Vai do presidente da Petrobras ao ex-presidente da Infraero, passando pelo o ex-secretário-geral do Ministério da Integração. Dilma só é Dilminha na pele de candidata.
José Serra não fica atrás. Não é de gritos nem de chamar os outros de "burro" e "imbecil" (ao menos cara a cara), mas é egocentrado, dono da verdade, irascível. E se acha no direito de telefonar para as pessoas -e não apenas subordinados- no meio da madrugada. Só é Serrinha em campanha, ou no Twitter.
E Ciro Gomes? Produziu um manancial de impropérios na eleição de 2002 e, depois de aguentar firme alguns anos, lá foi dizer que Fortaleza "é um puteiro", chamar procuradores e deputados de "babacas" e responder a jornalistas aos palavrões em pleno Congresso. Agora diz que Serra "é feio pra caramba, mais na alma do que no rosto".
Aécio Neves é bem mais leve, mas ainda não emplacou, e Marina Silva, ex-católica fervorosa, hoje evangélica convicta, fica meio deslocada nessa turma aí. Heloísa Helena comporia bem melhor o quadro, especialmente depois de processada por, docemente, chamar uma colega de "porca trapaceira". Mas nada disso importa. De antemão, todo mundo já sabe: a culpa é sempre da imprensa!
A ONU acabou, o G20 passou. E a reunião que "o cara" articulava de Obama com a Unasul?

A VAGABUNDA E O IDIOTA

JOÃO UBALDO RIBEIRO

Dialética da banana


O GLOBO - 27-09-09


Enganam-se os apressados ou levianos, se pensarem que em Itaparica nós não acompanhamos de perto os acontecimentos nacionais. Foi-se o tempo em que as notícias chegavam com um certo atraso, como ocorreu, para citar somente um caso, logo depois da Independência. D. Pedro deu o brado retumbante em 1822, mas se esqueceram de avisar à portuguesada do Recôncavo e, em 1823, tivemos de sair no braço para garantir os raios fúlgidos, nunca nos deram moleza. Agora é diferente, agora a gente vai de internet e não é possível mais contar nos dedos o número de estabelecimentos especializados de que já dispomos. Ouço até dizer que o multimilionário Gugu Galo Ruço está à frente de um empreendimento revolucionário, a AxeWeb, mas ele não revela detalhes, apenas ri – o que não quer dizer nada, pois desde tempos imemoriais que se sabe que rico ri à-toa.
Não tenho certeza de que os recursos de hoje nos põem em melhores condições que as de 1822. Esse negócio de estar sempre por dentro dos acontecimentos é, passe o lugar-comum, uma faca de dois legumes. A sucessão dos acontecimentos, cada vez mais veloz, é muito estressante. Além disso, o acúmulo de informações, às vezes conflitantes ou de exegese dificultosa, inevitavelmente gera mal-entendidos, alguns deles de certa monta. É o que eu soube, através de conversa telefônica havida com meu amigo Toinho Sabacu. Ele me falou de problemas na ilha, causados pela entrada em vigor de uma lei paulista muito divulgada nos noticiários de tevê, a já famosa lei segundo a qual não se pode vender nem comprar banana à dúzia, mas a quilo.
Inicialmente, por um erro de interpretação, circulou no bar de Espanha, cenáculo onde se desenrolam alguns dos debates mais momentosos da ilha, a versão segundo a qual, doravante, estava valendo no grande Estado de São Paulo, Deus tivesse piedade de nós, a lei da banana. Ou seja, escreveu não leu, leva uma banana bem dada. Houve quem ponderasse que isso devia ser uma coisa circunscrita a políticos, que doravante passariam a apartear-se ou a debater entre bananas para lá e para cá – olhe aqui pra Vossência, tome aqui, Excelência etc. Coisa seríssima, ainda mais quando se sabe que o paulista não brinca em serviço e é capaz até de entrar num curso para aprender a melhormente dar bananas. As consequências para a nossa vida política seriam incalculáveis. E a discussão já ameaçava atiçar fogo aos ânimos, quando Zecamunista, sempre atualizado e certeiro, chegou de sua turnê de carteado e esclareceu tratar-se somente da fruta mesmo.
– Atenção! – acrescentou ele. – Vou aproveitar para dar uma aula de materialismo dialético!
Houve quem pensasse que ele ia falar no materialismo de Arlete e quisesse logo saber quem era ela e se era dessas comunistas safadas que dormem com todo mundo. Materialista, sabe como é, é mais até do que existencialista e este último tipo, vamos e venhamos, é o da Chiquita Bacana. Xepa, sempre um exemplo de sensibilidade e boa educação, chegou a sugerir que se inquirisse com discrição se não haveria entre os presentes algum parente ou amigo dessa Arlete, que pudesse melindrar-se com um comentário ou outro. Mas logo esse ponto também se elucidou e todos silenciaram, porque se pode discordar das ideias de Zecamunista, mas não se pode negar que é um crânio respeitado.
– O velho Carlos Marques na cabeça mais uma vez! O que os senhores presenciaram é mais um demonstração clara de que a economia é o grande motor da História!
– Motor de popa, Zeca?
– Pode até ser. Eu posso até usar essa imagem. A economia é o motor de popa da História.
– A história da banana, Zeca?
– A história da banana, isso mesmo. Aparentemente, é uma tentativa de proteger o consumidor, não é? A classe dominante se preocupa com consumidor, não é? Nunca, meus caros senhores! Não há caso, é impossível! O que aconteceu foi uma vitória do lobby antibananinha, do agronegócio imperialista! Agora ninguém mais vai vender aquela bananinha pequenininha, aquela mais saborosa, porque é preciso juntar muitas para conseguir um quilo, vai dar prejuízo ao feirante, a começar pelo transporte. Acabaram com a bananinha, acabaram com o pequeno produtor, agora só vai ter daquelas bananonas de americano, a banana má expulsa a boa do mercado. Quem quiser comer bananinha em São Paulo vai ter que sair do Estado, ou então recorrer ao mercado negro de banana proibida. Senhores, o paulista que comprar bananinha em dúzia para comer em casa estará levando a família à ilegalidade! A que ponto chegará a opressão? A que ponto chegará a ousadia dos plutocratas?
A essa altura, o orador foi interrompido, por um quase tumulto. Vindo lá de dentro, Espanha manifestou sua estranheza em relação ao vocabulário empregado, no que foi apoiado pela maioria. Zeca se encontrava arroubado demais, destemperado demais, estava certo que denunciasse quem quisesse, vivemos numa democracia, mas chamar os caras de putocratas já era um pouco demais, tirava a razão do denunciante. Ele fez menção de que ia protestar, mas acabou concordando.
– Tudo bem – disse ele. – De qualquer maneira, não é com essa banana que eu estou preocupado.
– E existe outra banana para causar preocupação?
– Pois é, a gente nem sente mais, não é? É essa a minha preocupação.

LUIS FERNANDO VERISSIMO

Perigo de gol


O GLOBO - 27/09/09


Acho que está na hora de se desagravar a expressão “em cima do muro”. Ficar em cima do muro significa não ter opinião, não querer se comprometer, tentar agradar todo o mundo – enfim, ser uma plasta assumida. Mas o topo do muro também pode ser o lugar ideal para se estar, numa controvérsia. Em cima do muro você e seus argumentos estão sobre uma base sólida (o muro), você pode examinar os dois lados da questão de uma posição privilegiada e ver mais longe do que qualquer um – e ainda ficar a salvo em caso de briga. Ou seja: também existe “em cima do muro” no bom sentido.

Por exemplo: Cuba. Há anos a esquerda brasileira é obrigada a preservar sua admiração pela pequena ilha que se transformou de bordel dos Estados Unidos numa imperfeita mas válida experiência de equalização social, com ênfase em educação e saúde públicas (e de independência, nas barbas dos seus antigos donos) de fatos inegáveis da ilha como a repressão à dissidência, a falta de pluralismo político e o culto à personalidade de um infindável Fidel. E fica fazendo repetidas variações em torno da velha máxima de que fins nobres justificam meios sujos. De cima do muro pode-se admirar o admirável e lamentar o lamentável sem ter que recorrer a máximas. Em cima do muro não há julgamentos absolutos.

A direita brasileira está num dilema parecido em relação a Honduras. Não pode, sem o risco de ser chamada de hipócrita, dizer que o golpe não foi golpe, foi apenas um soluço nas formalidades democráticas. Mas o desrespeito às formalidades democráticas condena qualquer regime, para a direita. Pelo menos da sua boca para fora. Teria sido uma ação preventiva em defesa da democracia ameaçada? Quando um juiz de futebol apita uma falta que ninguém viu dentro da área, diz-se que apitou “perigo de gol”, para evitar problemas. Em Honduras inauguraram uma nova expressão para o léxico político das Américas: perigo de venezuelização. Zelaya estaria se preparando para ser o Chávez de Honduras e as instituições se autogolpearam para impedi-lo. Uma espécie de suicídio profiláctico. Contra uma assombração também vale qualquer meio. E, depois das políticas de segurança nacional dos tempos da Guerra Fria, o conservadorismo latino-americano encontra um novo pretexto para se mobilizar.

Subamos todos no muro. Em cima do muro não é preciso muita ginástica intelectual para explicar tantas contradições – mesmo porque não há muito espaço. E, olha: até o clima é melhor.

SEMPRE NA MERDA

JOSÉ SIMÃO

Socuerro! Dia Mundial sem o Galvão!

FOLHA DE SÃO PAULO - 27/09/09


Ele vai pro programa do Raul Gil participar do quadro: pra quem você tira o chapéu!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
A Múmia voltou! Voltei! Do Egito e Jordânia! Yala Habib! Tradução: Vamo Macacada! E sabe quem mandou um abraço pra vocês? Tutankamon! Rarará!
E o personagem da semana: Zelaya! O clone do Ratinho! Quem tá refugiado na embaixada brasileira não é o Zelaya, é o Ratinho! Só falta ele fazer comercial de carro! E o Zelaya devia ser reempossado como presidente da Festa de Peão de Boiadeiro!
E ele devia ficar gritando pros golpistas da janela da embaixada: aqui tem café no bule! Aqui tem café no bule! E aquele chapelão incrível? Ele vai pro programa do Raul Gil participar do quadro: pra quem você tira o chapéu! E o site Éramos Seis revela a ameaça: se vocês não devolverem o Zelaya a gente vai tocar o hino cantado pela Vanusa. No máximo!
E diz que tem até senha pra usar o banheiro da embaixada! E o ministro Celso Amorim com aquele cabelo e barba espetados? Celso Ouriço! Sabe como ele vai resolver o impasse? Dizendo: "Se vocês não se entenderem, eu espeto todo mundo!".
E tem gente dando ideia para o Brasil anexar Honduras e virar um protetorado como Porto Rico. Puerto Rico. Ops, Puerto Pobre!
E essa semana ainda teve o Dia Mundial sem Carro. Devíamos estender a ideia e criar o Dia Mundial sem o Lula. O Dia Mundial sem o Galvão Urubueno. O Dia Mundial sem a Sonia Abrão. E roubaram o carro do meu vizinho justo no Dia Mundial sem Carro. Aí virou Dia Mundial sem o Meu Carro. Acho que era um ladrão ecológico.
Os bicicleteiros adoraram esse dia. Aliás, fazer sexo com bicicleta se chama PEDALFILIA! Rarará! O primeiro a aderir ao Dia Mundial sem Carro foi o Piquet. Rarará!
E o Kassab, que andou de ônibus? Não sei como ele passou pela catraca. Diz que ele perguntou para um passageiro: "Como você resolveria o problema dos transportes?". "Fazendo o ônibus sumir com você dentro." Rarará!
E adorei o Egito e a Jordânia! Fui até visitar o rio onde Jesus foi batizado. Um córrego. Parecia o córrego Pirajuçara. Jesus foi batizado no córrego Pirajuçara!
E o passaporte brasileiro é o Ronaldo. Se você diz que é do Brasil, eles começam a gritar: "Ronaldo! Ronaldo!". De onde você é? Brasil. "Ronaldo! Ronaldo!"
E o condutor de camelo me gritando: "Raul! Raul!" Pensava que ele tava gritando em árabe com o camelo: "Rahul, rahul". Que nada. Era o Raul que joga na Espanha! Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

CLÁUDIO HUMBERTO

“Ele (Serra) é feio para caramba, mais na alma do que no rosto”
CIRO GOMES (PSB-CE), QUE, SEGUNDO PESQUISAS, SÓ PERDE PARA JOSÉ SERRA NA DISPUTA DE 2010

SERRA PERDE FÔLEGO NA CORRIDA PRESIDENCIAL
As últimas pesquisas para a sucessão presidencial de 2010 abateram os ânimos dos defensores da candidatura da ministra Dilma Rousseff (PT), mas também acenderam o sinal de alerta entre os partidários do tucano José Serra: apesar de liderar a corrida com folga, o governador paulista é o único candidato que perdeu pontos em todas as pesquisas realizadas até agora (Vox Populi, Ibope, Sensus e Datafolha).
LÍDER CADENTE
Entre junho e agosto, segundo o Vox Populi, José Serra despencou 6%. Pelo Ibope, entre junho e setembro a queda foi de 4%.
DINHEIRO NA FRENTE
Na reta final de filiação partidária para 2010, partidos nanicos vendem suas legendas nos Estados. Rolando grana, nem é preciso ter votos.
É FOGO
Só parafraseando o Juca Chaves, diante da galhofa diplomática em Honduras: “O Brasil já vai à guerra, já comprou caça Rafale”.
CAROS AMIGOS
Candidato a uma vaga no Supremo, o ministro José Antonio Tofolli já tem um fã-clube pedindo apoio em http://toffolistf.blogspot.com.
CASAL AMORIM É ESPECIALISTA EM TRAPALHADAS
A jovem deputada Manuela d’Ávila (PCdoB-RS) participava de evento no Serpro, do Ministério da Fazenda, quando foi alvo de grosseria da chefe do cerimonial, Ana Beatriz Amorim, afastando-a de ministros, rispidamente, por confundi-la com jornalista. Manuela e o colega Marco Maia (PT-RS) foram embora inconformados. Depois, ficaram sabendo tratar-se da mulher do chanceler Celso Amorim, rei das trapalhadas.
NA RETRANCA
PSDB e DEM decidiram fechar questão na Câmara contra o projeto de tributação das cadernetas de poupança.
SUGESTIVO
Desde o bafafá pelo lançamento do marco do pré-sal, quando se procura “Brazil” no Google, “brazil oil” é a primeira sugestão de busca.
TAMBÉM QUERO
Tem gaiato na internet pleiteando hospedagem em embaixada brasileira no exterior, junto com 70 amigos. De preferência em Paris.
TAL E QUAL
O presidente do PPS, o pernambucano Roberto Freire (PE), professor de ética na política, e, como José Sarney no Amapá, transferiu seu domicílio para São Paulo. Tentará eleger-se deputado federal.
LUIZIANNE NA REPETÊNCIA
Administrada pela petista Luizianne Lins há anos, Fortaleza aparece em 104º lugar numa lista de 184 municípios, em pesquisa sobre o desempenho de alunos da segunda série do ensino fundamental.
MUY AMIGA
A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy tem forçado a barra para que o senador Aloizio Mercadante dispute o governo do Estado. Para perder, claro: o tucano Geraldo Alckmin está disparado nas pesquisas.
ELE ACREDITOU
Faz falta a ironia do professor Delfim Netto em Brasilia. Há semanas, ele assinou artigo chamando Lula de “mestre em economia”. Escreveu com tanta dissimulação, que Lula acreditou. Lula não para de elogiá-lo.
EXÉRCITO MUNICIPALISTA
O PT programa para novembro um encontro da ministra Dilma Rousseff com prefeitos do partido. Pretende formar um “exército municipalista” para defender a candidatura dela na campanha presidencial de 2010.
AGORA VAI
Quem sabe agora o Mercosul deslanche? Cinco alunos da UnB foram a Buenos Aires, de sexta (25) e ficam por lá até 3 de outubro, com tudo pago por nós. Vão mostrar teses sobre “a antropologia do Mercosul”.
COM VARA CURTA
O ex-prefeito do Rio Cesar Maia, que se encalacrou com o custo astronômico da Cidade da Música, critica dispensa de licitação de R$ 67 milhões da prefeitura para comprar livros e folhetos da Sangari do Brasil.
OS RECURSOS DA LEI
O secretário-geral da Ordem do Advogados do Brasil, Alberto Toron, não vê “atitude protelatória ilegal da defesa, que age conforme a lei”. Mas critica “a demora na análise dos recursos”, beneficiando Pimenta Neves.
PERGUNTA PARA O LULA
Está chegando a primavera ou a primadilma?

PODER SEM PUDOR
CACIFE DE CACIQUE
No início dos anos 90, a esquerda tentava crescer no Acre. Dirigentes do PT e do PCdoB tentaram filiar lideranças indígenas, numa reunião na cidade de Tarauacá. Nilson Mourão, ex-deputado federal, atacou:
– Venham para o PT, que é um partido democrático e não aceita caciques!
Maior mal-estar na plateia de caciques de verdade. Traído pelo vício de usar o termo “cacique” de forma pejorativa, no sentido de “caudilho”, Mourão não filiou um só índio ao PT. Enquanto isso, os comunistas cochichavam sua adoração por um cacique e filiaram todos no PCdoB.

DOMINGO NOS JORNAIS

- Globo: FGTS: trabalhador perdeu 13% nos últimos 10 anos


- Folha: Contrariando Lula, Zelaya prega revolta


- Estadão: Devastação do Cerrado agora avança para o norte


- JB: Droga rende R$ 30 milhões por mês, apenas na Zona Sul


- Correio: A família encolheu

sábado, setembro 26, 2009

ROBERTO GODOY

Teerã pode produzir urânio para uso militar


O ESTADO DE SÃO PAULO - 26/09/09


O Irã pode, sim, produzir o urânio enriquecido necessário para a construção de armas nucleares. A dúvida é se a comunidade científica do país teria desenvolvido a capacidade de miniaturizar os componentes de forma a produzir as ogivas dos mísseis com alcance na faixa de 2 mil quilômetros. O arsenal envolve três tipos, eventualmente novas versões do mesmo modelo, o Shahab-3, o Ghadr-1 e o Sejil-2. A carga de ataque varia entre 750 kg e 1,2 tonelada. Engenheiros paquistaneses e norte-coreanos trabalham no programa. Em abril de 2008 o chefe do projeto atômico iraniano, Ali Akbar Salehi, estimou em 8 mil unidades o número de ultracentrífugas em atividade em 4 diferentes centros - Arak, Isfahan, Bushehr e Natanz. Nada disse das avançadas instalações de Qom, enterradas sob uma montanha de pedra sólida, protegidas de bombardeios convencionais e limitadas a 3 mil máquinas - certamente as melhores do lote. A tecnologia é tosca e oferece risco. O mecanismo da maioria das peças é contido em um cilindro de alumínio e, embora tenha havido cuidado com a estabilização, a rotação se dá por meio de mancais o que resulta em atrito em alta velocidade. Ainda assim, a escala de milhares de ultracentrífugas é suficiente para elevar o índice de enriquecimento do urânio para a faixa dos 90% exigida por artefatos militares. A geração de eletricidade ou propulsão de navios implica 3,5% a 5% de enriquecimento. O processo é linear. Na forma de gás, o mineral é injetado na máquina. As moléculas mais pesadas do urânio U238 (energeticamente "pobre") movem-se próximo da parede, enquanto as do U235 (mais "rico") sobem e são transferidas para outra centrífuga, em um efeito cascata que segue até o armazenamento. O produto final é obtido na forma de varetas. O analista John Miller, do Foreign Political Center, de Washington, acredita que o poder nuclear iraniano "só será uma ameaça mundial a partir de 2013". Forças israelenses poderiam lançar agora uma ação preventiva contra as instalações do Irã usando a aviação de precisão e bombas de penetração B61-11 fornecidas pelos EUA. Cada uma pesa 900 kg, e destrói 6 metros de concreto reforçado antes de detonar 240 quilos do super explosivo tritonal.

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CLÓVIS ROSSI

Imperdoáveis incoerências

FOLHA DE SÃO PAULO - 26/09/09


Se o governo Luiz Inácio Lula da Silva pretende ser realmente um ator de peso na cena global, vai ter que definir-se mais claramente em relação a determinados temas e abandonar a parte "amor" do slogan "Lulinha, paz e amor".
Paz, tudo bem. Amor, reserva-se apenas para quem o merece.
Vejamos o caso do Irã. Tudo bem que Lula tenha cobrado, em privado, a negação do Holocausto, esse crime que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, comete com inquietante frequência. Mas o que adianta se, depois, em público, diz aos jornalistas que negar o Holocausto "é problema dele"?
Passemos agora a Marco Aurélio Garcia, o assessor diplomático de Lula, que reclama que, na falta de uma "atitude enérgica" em relação ao golpe em Honduras, o mau exemplo vai se disseminar pela América Latina.
Bom, nesse caso todo o mundo fica autorizado a imaginar que o mau exemplo de negar o Holocausto vai se disseminar pelo mundo muçulmano. Não obstante, o governo Lula, em vez de uma "atitude enérgica", convida Ahmadinejad para visitar o Brasil e se dispõe a ir ao Irã, como a natural contrapartida.
Claro que não é o caso de romper relações com Teerã, até porque há poucos santos no mundo real para que as relações de Estado sejam apenas com eles.
Mas tampouco é o caso de lavar as mãos, o que vale também para o problema nuclear. Marco Aurélio justificou a aceitação pelo Brasil da explicação iraniana de que seu programa é exclusivamente para fins pacíficos, alegando que o Brasil não é a Agência Internacional de Energia Atômica, xerife nesse âmbito.
Não é mesmo, mas acabou passando por bobo quando se revelam instalações nucleares antes ocultas, o que levou o presidente Nicolas Sarkozy -aliado estratégico do Brasil- a dizer que "já estamos em uma séria crise de confiança".

BRASIL S/A

O império reage

CORREIO BRAZILIENSE - 26/09/09


Recado de Obama é que ou governos do G-20 alinham as economias ou EUA vão ajustar-se pelo dólar


As propostas e negociações do G-20, a cúpula das vinte maiores economias do mundo que se reuniu em Pittsburgh, EUA, são sutis. O anfitrião Barack Obama trouxe a proposta de “avaliação mútua” pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) das políticas econômicas de cada país do Grupo dos 20. Sua proposta vale pelo que esconde.

A intenção é equilibrar os desequilíbrios globais, evitando-se, por exemplo, os enormes superávits da China, construídos sobre os deficits comerciais dos EUA. A narrativa das bolhas de liquidez é essa: os EUA reduzidos a importadores de mercadorias, compensadas com a exportação de ativos financeiros. O resto foi consequência.

Com muito dólar na mão da China — mas também do Japão, Alemanha, Brasil depois de 2003, quando se avolumam as reservas de divisas do país —, o dinheiro, tal como na época dos choques do petróleo das décadas de 70 e 80, precisava ser reciclado. E a banca o fez.

Mas desta vez, ao contrário dos árabes, que se satisfaziam com os juros recebidos pela aplicação da receita do petróleo, a China fez mais: chumbou o renminbi ao dólar, ergueu uma indústria financiada pelas próprias empresas americanas atraídas pelos custos baixos da economia chinesa, convenceu-as de que seria rendoso trazer dos EUA suas linhas industriais, produzir lá e exportar de volta. E fechou o circuito aplicando as receitas cambiais diretamente nos EUA.

A estratégia foi boa para a China, que saiu de um estágio agrário para o industrial de ponta. E também para os EUA, que tiveram por conta disso mais de duas décadas de inflação controlada pelos bens chineses vendidos baratinhos. Mas à custa de fábricas fechadas e empregos cortados, que agora descobrem fazer falta e os querem de volta. O vodu durou até ruir a fantasia da “grande moderação”: a ficção de economistas segundo a qual EUA e China seriam economias complementares uma à outra, e assim seria até o fim dos tempos.

Não é que os EUA se desindustrializaram por completo. Perderam a indústria mais comoditizada, como a automobilística e eletrônica, para os países de mão de obra barata e de baixa exigência ambiental.

Mas a que ficou escalou em produtividade, investindo em automação e processos, resultando menos emprego por produto/hora. A soma dos dois fenômenos levou à queda absoluta do emprego industrial, em parte compensada pelo aumento no setor de serviços, o que implicou a precarização do trabalho, pois salários e horas trabalhadas são menores nestas atividades. Tudo isso vem desde o fim dos anos 70.

Das bolhas à crise

A circularidade da crise em formação se completou com a expansão do crédito, devido aos juros baratos e à enorme liquidez, suprindo a perda de poder aquisitivo dos EUA. É quando o assalariado médio pôs o pescoço na forca, graciosamente estimulado pelos bancos e o governo Clinton, endividando-se não só no cartão de crédito, mas também hipotecando a casa própria. Veio a bolha final. E a crise.

Prática e retórica

Como os EUA saem dela? Como um país de terceiro mundo: exportando mais e importando menos, para encolher o déficit externo, e muita receita fiscal para desinflar o déficit fiscal. Alguma inflação no início é esperada, seguida de aumento de juros para esfriá-la. Foi o que se fez no Brasil dos anos 90 para frente. Deu certo. Para os EUA também dará, salvo se o mundo recusar a corrosão do dólar, que é o meio abrangente e mais rápido de ajuste. Obama deu o recado.

Aos colegas do G-20, ele foi claro: ou há alinhamento de objetivo entre os governos ou o corretivo virá no seco. É como se avisasse que só lhe resta o ajuste pelo dólar se sua tese cair no vazio. A defesa do dólar forte, porém, está mantida na retórica oficial.

Atos sem escrúpulos

É difícil supor outro caminho aos EUA. O déficit fiscal está indo de 2% do PIB para 12%. O desemprego oficial vai bater em 10,8% até o fim do ano, o maior desde a 2ª Guerra, ou 6 milhões de demissões — mais 3 milhões reempregados em meio período. A capacidade ociosa em algumas indústrias está abaixo de 60%, como a automotiva. E ano que vem há eleições parlamentares. A desvalorização cambial, neste quadro, é o meio sub-reptício e eficaz de protecionismo comercial.

Obama já mostrou que não se prende a escrúpulos do livre mercado, ao taxar importações de pneus da China. Na retórica, o comunicado final do G-20 contempla o “crescimento mais equilibrado”, conforme o apelo de Obama. Na prática, o provável é que a China, Alemanha, Japão, produtores de petróleo, todos superavitários contra os EUA, façam cara de paisagem. E Obama terá de fazer mais que discursar.

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FLÁVIO GOMES

Decisão na Brawn

BOM DIA - 26/09/09

Que tal falar um pouco de corrida, para variar? Afinal, há um campeonato em curso. E a corrida de Cingapura vai dizer se Barrichello continua na luta pelo título, ou se Button conseguirá fazer valer a vantagem que abriu nas primeiras corridas do ano. É tudo que importa nesta prova noturna, que será para sempre lembrada pelo escândalo do ano passado.

Por isso mesmo é difícil fazer qualquer prognóstico. Tudo que aconteceu em 2008 foi fruto de uma manipulação. As paradas de quase todos nos boxes durante o safety-car produzido por Nelsinho foram feitas fora da hora, embaralhando o roteiro. E pode chover, o que deixa as coisas ainda mais indefinidas — no molhado, de noite, esse GP se transforma numa loteria danada.

Em tese, a Brawn deve andar bem em Cingapura. Afinal, ganhou em Mônaco e Valência, as outras duas pistas urbanas do calendário. Olho na Williams de Rosberguinho, também, que pode se meter entre os favoritos. A Force India, atração das últimas duas provas, em Spa e Monza, tende a despencar para o bloco de trás por conta das características de seu carro. Liuzzi não conhece o traçado e certamente vai andar atrás. Sutil tem chances um pouco melhores, mas não deve fazer nada parecido com o que se viu nas pistas de alta.

A Renault, com Alonso, andou muito bem em Marina Bay no ano passado. Falcatruas à parte, é bom lembrar que o espanhol dominou os treinos livres e era favorito à pole quando a bomba de gasolina de seu carro pifou, fazendo com que largasse em 15º — detonando as ideias de jerico de Briatore & Cia. Ele não se conformou, porque sabia que se largasse lá na frente teria chances enormes de ganhar pela primeira vez na temporada.

Button corre para marcar Barrichello. Será sua sombra o fim de semana todo, já que o brasileiro está numa fase melhor e atua, nesta reta final do campeonato, como franco-atirador.

Para o inglês, o importante é não correr o risco de não pontuar. Vai precisar de alguma cautela. Chegar atrás de Rubens, uma ou duas posições, estará de bom tamanho. O companheiro não tem opção. Precisa partir para o ataque. E torcer para Jenson se atrapalhar numa corrida propícia a confusões.

Os primeiros treinos livres deram algumas pistas daquilo que pode acontecer em Marina Bay. A pista continua muito ondulada, mais do que no ano passado, e foi modificada na curva 10, que se tornou mais lenta. A Red Bull foi a surpresa do primeiro dia, porque Vettel, o mais rápido, meio que tinha desistido de andar demais nos treinos livres, por conta da escassez de motores até o fim da temporada.

A McLaren teve bom desempenho com Kovalainen, e foi discreta com Hamilton. Quem não andou nada foi a Ferrari. O chefe da equipe, Stefano Domenicali, confirmou que o time “congelou” o desenvolvimento do carro há dois meses. Assim, os vermelhos vão até o fim do campeonato sem nenhuma perspectiva de melhora. Nesse cenário, Raikkonen tem feito milagre. Em Maranello, os engenheiros só pensam no carro do ano que vem.

O fato tragicômico do dia foi a batida de Grosjean, substituto de Nelsinho Piquet, no mesmo lugar em que o brasileiro se estatelou de propósito no ano passado. E o francês ainda repetiu o famoso “sorry, guys”, pelo rádio. Parecia mentira... A Renault, para quem não percebeu, está correndo sem as logomarcas de dois de seus maiores patrocinadores. O banco holandês ING e a seguradora Mutua Madrileña rescindiram seus contratos. Não querem mais seus nomes associados a um time que fez o que fez.

Fala, Fernandinho
Alonso ficou irritado em Cingapura e não quis emitir nenhum juízo de valor sobre o escândalo que lhe deu a vitória na corrida noturna do ano passado. Preferiu dizer que é tudo passado e que ele não teve nada a ver com aquilo. Pode até ser. Mas continuo achando que deveria entregar a taça a Rosberg. Seria um ato simbólico, sem efeito prático algum. Poderia até ser encarado como demagogo, mas seria uma forma de dizer, pelo menos, que não concorda com nada do que foi feito.

Raikkonen ameaçado
Kimi Raikkonen, apesar das últimas ótimas atuações (é o piloto que mais fez pontos nas últimas quatro corridas), continua com o emprego em risco. Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, deu indicações, pela primeira vez, de que o finlandês será descartado em favor de Alonso. A McLaren pode ser seu destino.

EDITORIAL - O GLOBO

Ações arriscadas

O GLOBO - 26/09/09

No momento em que cresce a importância do Brasil no cenário mundial, nossa diplomacia ganha visibilidade, mas se comporta de forma errática, com alguns acertos e erros preocupantes. Estes acontecem quando a política externa passa a ser conduzida mais por simpatias ideológicas do que por uma visão de Estado. Quando isso ocorre, o Itamaraty perde percepção estratégica. O equilíbrio, o profissionalismo e a sensatez, característicos da diplomacia do país desde o Barão do Rio Branco, são sobrepujados por ações arriscadas como esta, em Honduras, da qual o Brasil pode sair com a pecha de subimperialista.

No governo Lula, a ação diplomática brasileira se complica diante do forte apelo terceiro-mundista do presidente, de seu assessor internacional, Marco Aurélio Garcia, do chanceler Celso Amorim e do secretáriogeral Samuel Pinheiro Guimarães.

Um dos principais objetivos do país é obter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, algo acertado no contexto de uma reforma da ONU. Mas nem por isso os fins justificam os meios, como tem acontecido, neste caso específico, com a política externa, que evitou, para não perder votos árabes, condenar o regime genocida do Sudão. E, pelo mesmo motivo, chegou ao ponto de preterir duas candidaturas de brasileiros ao posto mais alto da Unesco em favor de um postulante egípcio com inclinações antissemitas, afinal derrotado.

O espírito “compañero” nas relações com a área “bolivariana” da América do Sul tem frequentemente deixado o país em desvantagem, como no caso da nacionalização das instalações da Petrobras na Bolívia, pelo governo Evo Morales.

Em outra época, o profissionalismo e a visão de Estado do Itamaraty falaram mais alto, como deve ser. Um dos melhores exemplos foi o reconhecimento, em plena ditadura militar, do governo de esquerda do MPLA em Angola, apoiado pela URSS. Por ser a costa ocidental da África área de interesse prioritário brasileiro, o país foi o primeiro a reconhecer aquele governo, defendido inclusive por tropas cubanas, e hoje o Brasil tem presença econômica e política de peso no país. Graças à não interferência ideológica do então presidente Geisel (197479) e dos militares no Itamaraty. Era o tempo do “pragmatismo responsável”, conduzido pelo chanceler Azeredo da Silveira, com a ajuda, entre outros, do embaixador Italo Zappa.

Com Lula, o profissionalismo do Itamaraty foi engavetado, e o país pagará um preço por isso. Só com muita sorte o país não sairá chamuscado do episódio em Honduras, onde até é possível considerar um contragolpe a expulsão de Zelaya do poder, em junho.

"ESCOVA REGRESSIVA"

SALÃO DE BELEZA

FOTO DE 1930

J. R. GUZZO

REVISTA VEJA
J.R. Guzzo

Ponto de partida

"Nosso desastre educacional mostra que o Brasil
aprendeu a gastar, mas não aprendeu a ensinar;
continua confundindo o ponto de partida com
o ponto de chegada"

Não é toda hora que o Brasil aparece num bom lugar nessas listas internacionais em que se relacionam os países que estão fazendo alguma coisa melhor que os outros. O normal, na verdade, é acontecer justamente o contrário: estamos quase sempre no topo da tabela quando se medem desgraças como homicídios, falta de esgoto ou trabalho infantil e no fim da fila quando a classificação se refere a honestidade na política, qualidade dos serviços públicos ou distribuição de renda. Somos ruins, também, ou muito ruins, em prostituição de crianças, demora para o cidadão ser atendido no sistema de saúde pública, excesso de impostos, mortes no trânsito, burocracia, mandados de prisão não cumpridos, rebeliões em penitenciárias, ferrovias, rodovias, outras vias – enfim, é um desfile que vai longe e, no fundo, diz quase tudo sobre a extraordinária dificuldade que os governos brasileiros, de qualquer época, têm para cumprir a sua obrigação de resolver problemas básicos da vida real. É uma surpresa e um alívio, assim, ver uma mudança nessa escrita, e numa questão essencial: de acordo com o mais recente levantamento internacional feito na área, com dados de 2006, o Brasil é o segundo país, em todo o mundo, que mais investe dinheiro público em educação, como porcentagem sobre o total dos gastos do governo. Fica atrás apenas do México – e, entre os países que ocupam os primeiros quinze lugares da lista, foi o que mais aumentou o seu investimento no setor de 2000 a 2006.

Não se trata, no caso, de conversa do PAC, ou de cifras fabricadas nos serviços de modelagem estatística do governo. Os dados são da OCDE, ou Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, órgão internacional com reputação de competência técnica, precisão e neutralidade nas pesquisas que realiza. Ou seja: é isso mesmo. O Brasil, que descobriu tarde a necessidade de investir em educação, e depois de ter descoberto passou décadas sem fazer grande coisa a respeito, é hoje um país que está pondo mais recursos do que nunca em seu sistema de ensino público; mais, proporcionalmente, do que campeões mundiais da educação como Coreia do Sul ou Estados Unidos, e mais do que a média atual dos trinta países-membros da OCDE. O problema, como de costume, está em quando se passa dos números para os resultados práticos. Se o Brasil, em termos de esforço financeiro para educar a sua população, é o segundo melhor país do mundo, por que a educação brasileira é tão ruim? É óbvio que houve ganhos. Nos últimos quarenta anos, a população brasileira aumentou em 100 milhões de habitantes, experiência desconhecida por qualquer país desenvolvido do planeta; foi preciso, de um jeito ou de outro, criar lugares na escola para essa gente toda, e o fato é que os lugares foram criados, tanto assim que cerca de 95% das crianças e jovens em idade escolar frequentam hoje as salas de aula. Criou-se, a partir das prefeituras, um vasto sistema de transporte para os alunos da escola pública – algo fundamental e que simplesmente não existia. Da mesma forma, passou a haver distribuição em massa de material didático. A merenda escolar foi universalizada. A maioria dos pais, entre os brasileiros pobres, acha que a educação recebida hoje por seus filhos é melhor do que a educação que eles receberam.

Tão real quanto isso tudo é a espetacular ruindade do sistema em seu conjunto, do primário à universidade, no ensino público e em boa parte do particular. Com todo o dinheiro que gasta, o Brasil continua tendo mais de 14 milhões de analfabetos. Nenhuma universidade brasileira está entre as 100 melhores do mundo. Os níveis de aproveitamento em matemática, física e outras disciplinas-chave para a capacitação tecnológica estão entre os piores. Não temos conhecimento de métodos didáticos eficazes. Não sabemos como ensinar, nem o que ensinar. O sistema todo, na educação pública, está armado de forma a atender aos interesses, às ideias e às pressões de professores e funcionários, principalmente na universidade. Não é nenhuma surpresa que as universidades americanas, na sua maioria entidades privadas, prestem muito mais conta de suas atividades do que as universidades públicas do Brasil.

Nada disso, como provam os números, acontece por falta de verba. É resultado, ao contrário, da ilusão de que se pode resolver problemas só com dinheiro – mas sem trabalho, talento e coragem. Nosso desastre educacional mostra que o Brasil aprendeu a gastar, mas não aprendeu a ensinar; continua confundindo o ponto de partida com o ponto de chegada.

BRASÍLIA - DF

Caixa dois, o regresso

Luiz Carlos Azedo

CORREIO BRAZILIENSE - 26/09/09


Projeto que pretende legalizar e recambiar recursos enviados ilegalmente ao exterior acaba de chegar à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. A proposta extingue os crimes graves cometidos contra a economia nacional, como remessa ilegal de recursos, evasão de divisas e sonegação fiscal. Na última quarta-feira, saltou o primeiro obstáculo: foi aprovada pela Comissão de Finanças e Tributação (CFT). De autoria do deputado José Mentor (PT-SP), a matéria levantou suspeitas da oposição, que desconfia que o dinheiro repatriado poderá ser usado na campanha eleitoral.

O líder do PPS, Fernando Coruja (SC), denuncia a manobra e diz que a origem desses valores é “obscura”. Avisa que a oposição não assinará pedido de urgência para a matéria ir a plenário. “Vamos trabalhar para derrubar esse texto, que privilegia um capital que não foi tributado e que pode ter ligação com o crime organizado”, reforça. Segundo ele, em 2002, o PT teria pago R$ 10 milhões a Duda Mendonça, marqueteiro de Lula, que revelou à CPI dos Correios que recebeu o dinheiro de uma conta em paraíso fiscal.


Honduras// A comitiva de Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados aguarda autorização especial do legislativo de Honduras para entrar no país. Como o Brasil não mantém relações diplomáticas com o governo de fato do país, os parlamentares tiveram de pedir vistos de cortesia para acompanhar a mediação entre o presidente Roberto Micheletti e o deposto, Manuel Zelaya, e inspecionar a situação da embaixada brasileira.


Esqueletos

Há muita controvérsia em relação ao repatriamento de recursos aplicados ilegalmente no exterior. Nos governos Sarney, por causa da rápida desvalorização da moeda, e Collor, devido ao confisco das cadernetas de poupança, muita gente utilizou serviços de doleiros para fazer caixa dois e aplicar recursos no exterior, inclusive grandes empresas. Após o lançamento do Plano Real, o governo de Fernando Henrique Cardoso facilitou o reingresso de grande parte desse dinheiro, através dos bancos de investimento, principalmente durante o programa de privatizações. Mas ainda restam muitos esqueletos nos armários, pois os bancos de investimento brasileiros também operam em paraísos fiscais.


Na mídia

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (foto), caiu nas graças da imprensa internacional. Ontem, para desobstruir a agenda congestionada por pedidos de entrevistas de jornais do exterior, concedeu longa coletiva aos correspondentes estrangeiros, em São Paulo. Os assuntos mais abordados foram o novo marco regulatório do petróleo e a candidatura à Presidência da República, que a ministra admite apenas como uma possibilidade, embora fale com postura de candidata oficial do PT.


Retirada

Governador cassado da Paraíba, Cássio Cunha Lima deixou o PSDB e assinou a ficha de filiação ao PSB. O ex-tucano entrou em choque com o partido por apoiar a candidatura do prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho (PSB), ao governo paraibano. O candidato do PSDB ao governo será o senador Cícero Lucena.


Lixo

A Receita Federal enviará ao Congresso Nacional um projeto de lei prevendo a tributação de lixo doméstico e hospitalar importado por empresas no Brasil para tornar proibitiva essa prática comercial. O órgão tentou passar a proposta na MP 462, mas a emenda foi retirada a pedido do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc (foto), porque o texto abria brechas para que os resíduos permanecessem em solo brasileiro para serem destruídos.


Água

Empenhada em engordar sua fatia no Orçamento de 2010 para o desenvolvimento do submarino nuclear brasileiro, a Marinha fez uma apresentação do projeto à Comissão Mista do Orçamento (CMO). Estão previstos, para o ano que vem, investimentos na construção da embarcação da ordem de R$ 293 milhões


Perdido/ Recém-filiado ao PSC, o senador Mão Santa (PI) chegou a ensaiar um namoro com o PSDB piauiense. Abortou a ideia de tucanar quando as portas do partido se fecharam. A vaga na aliança com DEM-PSDB será do senador Heráclito Fortes (DEM). Mão Santa também bateu com a cara na porta do PPS.

Juntos/ Os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves, participam do seminário Educação e Inclusão Social que o PSDB nacional promove hoje em Natal. Será transmitido ao vivo no site da legenda. O evento será aberto pelos deputados Luiz Paulo Vellozo Lucas (ES), presidente do Instituto Teotônio Vilela, e Rogério Marinho (RN).

Banco/ Preterido pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que se filiará ao PMDB, o PP goiano alçará o secretário estadual de Fazenda, Jocelino Braga, como principal nome progressista para concorrer ao governo do estado. De perfil técnico, como Meirelles, Braga assinará a ficha de filiação na segunda-feira.

Pequim/ O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, está na China, em visita oficial. O que mais desperta interesse da alta magistratura chinesa é a transmissão ao vivo das sessões plenárias do STF. A China tem 4 mil tribunais, 46 mil juízes, 55 mil jurados e 10 milhões de processos em tramitação.