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Sonha em ser o homem mais rico do mundo, e certamente o será. Agora, a pergunta que não quer calar: e depois? |
G.I. Jane
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 27/0/9/09
Estacionada nas pesquisas num patamar inferior ao que o governo projeta como ideal para o início da campanha, Dilma Rousseff iniciará em outubro um treinamento intensivo. De que tipo? ‘De discurso, psicológico, mudança de visual, relacionamento com a imprensa, tudo’, adianta uma pessoa enfronhada na candidatura presidencial da ministra da Casa Civil.
O banho de loja será comandado pela equipe de João Santana. O marqueteiro de Lula usará profissionais que, em 2006, ajudaram a treinar o presidente para a propaganda de TV e para os debates. Quem viu conta que a preparação incluía sessões de gritos do candidato, assistido pela ‘coach’ Olga Curado, para aliviar as tensões e chegar tranquilo ao estúdio.
Dueto - Pesquisa qualitativa realizada pelo PT na periferia de São Paulo detectou abordagem curiosa para a questão de gênero, que a campanha de Dilma tem procurado enfatizar. Participantes dos grupos de discussão dizem que Lula ‘foi traído’ pelos homens à sua volta, e que uma mulher seria ‘mais leal’ e aceitaria os conselhos do presidente.
Ajuda quem... - De passagem por São Paulo, Aécio Neves encontrou João Santana por acaso num saguão de hotel. Todo simpático, o governador de Minas Gerais colocou-se à disposição do marqueteiro: ‘Se eu puder ajudar em alguma coisa...’.
...não atrapalha - Santana agradeceu ao tucano e respondeu com bom humor: ‘Você nos ajuda se não for candidato a presidente’.
Classificados - Nas palavras de um peemedebista envolvido na filiação de Mangabeira Unger, o ex-ministro e professor em Harvard está ‘à espreita de uma oportunidade’. De acordo com o mesmo cacique, a única visível no horizonte é a disputa por uma cadeira na Câmara.
Panelaço - Incansável no esforço para criar embaraços ao governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ), o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), organiza uma manifestação popular na Baixada Fluminense, no dia 31 de outubro, em defesa de ‘uma candidatura popular’. A dele próprio, bem entendido.
Em campanha 1 - Ao aprovar na surdina o envio de assessores do Senado para trabalharem nos Estados, líderes de bancada e integrantes da Mesa deliberaram em causa própria: dos 26 senadores que ocupam esses postos, apenas três não deverão ir às urnas no ano que vem.
Em campanha 2 - Embora o Senado não informe quantos servidores serão mantidos fora de Brasília no período eleitoral, a estimativa é de 84 enviados, entre secretários e assessores técnicos, ao custo aproximado de R$ 9 milhões por ano. Os funcionários trabalharão nos escritórios políticos, custeados com a verba indenizatória.
Chamuscado - José Eduardo Cardozo caiu na bolsa de cotações para substituir Tarso Genro no Ministério da Justiça. Lula esperava que, ao ser sondado para ocupar a pasta, o deputado imediatamente renunciasse à candidatura ao comando do PT, o que não ocorreu. Além disso, o presidente não gostou do vazamento da informação.
Filho pródigo - Ao herdar a cadeira de Carlos Menezes Direito no Supremo Tribunal Federal, José Antonio Dias Toffoli passa a ser, também, substituto no TSE. Ou seja, na ausência de algum ministro titular, pode ser chamado a julgar causas eleitorais, área na qual atuou como advogado.
YouTube - O hit da campanha do governador Eduardo Campos (PSB-PE) pela repartição geral dos royalties do petróleo do pré-sal é um vídeo sobre a situação de duas cidades vizinhas no interior do Rio Grande do Norte. Uma recebe royalties e é rica. A outra não recebe e é miserável.
Tiroteio
O PMDB chegou ao Banco Central. O partido já tinha metade da máquina de fazer dinheiro. Agora está com a chave do cofre.
Do deputado federal CHICO ALENCAR (PSOL-RJ), sobre a iminente filiação de Henrique Meirelles ao PMDB em Goiás.
Tudo menos isso
A sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos com o ministro José Múcio, indicado por Lula para ocupar uma vaga no Tribunal de Contas da União, já ia longe quando os participantes notaram que a TV Senado não estava transmitindo a sessão. Vários foram reclamar com o diretor de Comunicação, Fernando César Mesquita.
No meio da intervenção de Eduardo Suplicy, que mesmo afônico fez questão de exaltar as qualidades de Múcio, a sabatina finalmente passou a ser televisionada. Aloizio Mercadante resolveu provocar o colega:
- Veja, Suplicy, o Fernando César ficou com tanto medo do seu cartão vermelho que começou a passar a sessão!
O novo mundo e nós
FOLHA DE SÃO PAULO - 27/09/09
PITTSBURGH - Sou obrigado a voltar ao tema do descaso do Brasil para com assuntos internacionais. Brasil, nesse caso, somos todos, políticos, empresários, sindicalistas, acadêmicos, jornalistas, com as exceções de praxe.
Aliás, o governo é que não entra na lista porque até que faz a sua parte, graças a uma diplomacia qualificada e ao fato de os dois presidentes mais recentes se interessarem bastante pelo assunto. Falta uma estrutura de informação à altura do novo papel que o país vai assumindo, especialmente agora que o G20, de que o Brasil é sócio-fundador, passa a ser a primeira classe no voo da economia mundial para o século 21 (a grandiloquência não é minha, é do comunicado final de Pittsburgh). Vira covardia qualquer comparação entre o volume de informações sobre as posições do governo norte-americano (a respeito, aliás, de qualquer assunto) e o que o Itamaraty pode oferecer.
Haveria ao menos duas maneiras de suprir a carência oficial: que uma universidade brasileira imitasse a Universidade de Toronto, cujo Centro para Estudos Internacionais logo transformou o seu grupo específico para estudar o G8 em um braço mais amplo de modo a abraçar também o G20. Será que não dá para fazer algo parecido no Brasil?
Segundo ponto, o Congresso. Os Estados Unidos têm um excepcional Congressional Research Service, que produz dossiês da melhor qualidade e sem viés partidário sobre todos os temas da agenda norte-americana -e, por extensão, da agenda global, posto que os EUA têm interesses no mundo todo. Com a tonelada de funcionários que tem o Congresso brasileiro, será que suas excelências não poderiam alocar um punhado ao serviço da pátria em vez de usá-los para o serviço político-pessoal? OK, sou ingênuo, mas é sempre melhor do que ser conformista.
Total combate
O ESTADO DE SÃO PAULO - 27/09/09
A poucos dias da sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado que aprovará, ou não, o nome do advogado-geral da União, José Antonio Toffoli, para o Supremo Tribunal Federal, uma ofensiva de pressão tem alcançado os senadores de uma forma pesada, nunca vista por eles em se tratando de uma indicação ao STF.
Por telefone, e-mail ou pessoalmente eles têm sido assediados nos últimos dias por empresários amigos e/ou financiadores de campanhas, ministros do governo e do Supremo, juízes de primeira instância, governadores e até um núcleo de "campanha" montado pela Ordem dos Advogados do Brasil.
O volume, a contundência e os personagens mobilizados para o assédio dão a medida do quanto o governo receia a possibilidade de uma recusa e do quanto também é importante para o Planalto e para Toffoli vencer essa batalha.
A sabatina está marcada para a próxima quinta-feira e, na semana passada, foi detectada uma tendência de "racha" na base governista.
Muito em função da quantidade de senões que envolvem essa indicação, na percepção dos senadores: a ausência de reconhecido notório saber em contraposição à notória ligação com o PT, do qual foi advogado em três eleições presidenciais, insuficiência de desempenho no que toca ao currículo acadêmico, reprovação em dois concursos para juiz estadual, duas condenações em primeira instância, acusado por uso indevido de recursos públicos.
Alguns, ou até muitos, ministros do Supremo podem ter algum desses flancos em aberto, mas nenhum deles reúne, ou reuniu à época da indicação, tantos pontos fracos como Toffoli. Nem o atual presidente do STF, Gilmar Mendes, cuja nomeação foi intensamente combatida pelo PT porque ele era advogado-geral da União no governo Fernando Henrique Cardoso, que o indicou para o Supremo.
Os senadores definem o assédio em prol de Toffoli como um "verdadeiro massacre". Pelo menos três senadores de oposição e dois da base de apoio ao governo já comentaram sobre a pressão com colegas.
Tasso Jereissati, que recebeu pedido do governador do Ceará, Cid Gomes (peça importante na renovação do mandato do senador), na condição de emissário do presidente da República; Marconi Perillo, de Goiás, ouviu solicitações de empresários, bem como o senador Álvaro Dias, do Paraná. Os três são do PSDB.
Walter Pereira, do PMDB de Mato Grosso, e Antonio Carlos Valadares, do PSB de Sergipe também foram instados a rever suas restrições a José Antonio Toffoli.
Se o movimento das tropas de choque dará certo ou não é uma questão em aberto. Os otimistas acham que a remoção de obstáculos com tal de participação e assertividade tem tudo para ser bem-sucedida. Os pessimistas consideram que a pressão pode ter efeito contrário e levar os senadores a reagir. Lembram que se estivessem recebendo com naturalidade os pedidos isso não seria objeto de comentário entre eles.
Já os realistas fazem a seguinte ponderação: na Comissão de Constituição de Justiça não há risco de derrota, mas no plenário a situação pode se complicar. Sempre lembrando que o voto é secreto nas duas ocasiões.
Na avaliação dos riscos, é citada como exemplo a recente aprovação do ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, para o Tribunal de Contas da União.
Consagrado na sabatina - na verdade, uma sessão de elogios - na Comissão de Assuntos Econômicos, com apenas um voto contrário, no plenário José Múcio teve 46 votos. Com seis a menos, teria perdido.
E isso com muita gente da oposição votando nele, o que dificilmente se repetirá no caso de Toffoli. Não apenas em virtude das restrições que vêm sendo expostas, mas também por conta de um trabalho de bastidores envolvendo gente do primeiríssimo time da oposição, de fora do Congresso.
Gente, governadores inclusive, que já perdeu causas em que Toffoli advogou, seja no TSE seja na Advocacia-Geral da União, e guarda rancor na geladeira.
Na sabatina, a oposição promete ser rigorosa. Só que o questionamento mais duro não deverá ser o que testará, como numa banca de mestrado ou doutorado, os conhecimentos jurídicos do indicado, pois, com raríssimas exceções, não há senadores com preparo suficiente para tal.
A prometida batalha dar-se-á no campo da exigência de reputação ilibada e nas contestações da militância partidária de Toffoli. Isso se até lá o assédio e a pressão não fizeram os senadores baixarem o tom e recuperarem a velha tendência de transformar as sabatinas em cerimônias de mero beija-mão.
Ainda mais que, aos 41 anos de idade, José Antonio Toffoli, em tese tem quase 30 anos pela frente de assento no Supremo.
Dilminha, Serrinha, Cirinho
FOLHA DE SÃO PAULO - 27/09/09
BRASÍLIA - Quando se olha em volta e vê Honduras, por exemplo, com aquele Zelaya e aquele Micheletti, é preciso concordar com Lula: os pré-candidatos à sua sucessão são muito bons, animadores.
Daí a fazer como Paulo Bernardo (Planejamento) e sair chamando Dilma Rousseff de "Dilminha" já são outros 500. Não há Dilminha, nem Serrinha, nem Cirinho, porque nenhum deles é uma flor. Aliás, Bernardo foi um dos brindados pela chefe da Casa Civil com gritos e adjetivos, digamos, pouco carinhosos, no meio de reuniões de trabalho. A lista é grande. Vai do presidente da Petrobras ao ex-presidente da Infraero, passando pelo o ex-secretário-geral do Ministério da Integração. Dilma só é Dilminha na pele de candidata.
José Serra não fica atrás. Não é de gritos nem de chamar os outros de "burro" e "imbecil" (ao menos cara a cara), mas é egocentrado, dono da verdade, irascível. E se acha no direito de telefonar para as pessoas -e não apenas subordinados- no meio da madrugada. Só é Serrinha em campanha, ou no Twitter.
E Ciro Gomes? Produziu um manancial de impropérios na eleição de 2002 e, depois de aguentar firme alguns anos, lá foi dizer que Fortaleza "é um puteiro", chamar procuradores e deputados de "babacas" e responder a jornalistas aos palavrões em pleno Congresso. Agora diz que Serra "é feio pra caramba, mais na alma do que no rosto".
Aécio Neves é bem mais leve, mas ainda não emplacou, e Marina Silva, ex-católica fervorosa, hoje evangélica convicta, fica meio deslocada nessa turma aí. Heloísa Helena comporia bem melhor o quadro, especialmente depois de processada por, docemente, chamar uma colega de "porca trapaceira". Mas nada disso importa. De antemão, todo mundo já sabe: a culpa é sempre da imprensa!
A ONU acabou, o G20 passou. E a reunião que "o cara" articulava de Obama com a Unasul?
Socuerro! Dia Mundial sem o Galvão!
FOLHA DE SÃO PAULO - 27/09/09
Ele vai pro programa do Raul Gil participar do quadro: pra quem você tira o chapéu!
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
A Múmia voltou! Voltei! Do Egito e Jordânia! Yala Habib! Tradução: Vamo Macacada! E sabe quem mandou um abraço pra vocês? Tutankamon! Rarará!
E o personagem da semana: Zelaya! O clone do Ratinho! Quem tá refugiado na embaixada brasileira não é o Zelaya, é o Ratinho! Só falta ele fazer comercial de carro! E o Zelaya devia ser reempossado como presidente da Festa de Peão de Boiadeiro!
E ele devia ficar gritando pros golpistas da janela da embaixada: aqui tem café no bule! Aqui tem café no bule! E aquele chapelão incrível? Ele vai pro programa do Raul Gil participar do quadro: pra quem você tira o chapéu! E o site Éramos Seis revela a ameaça: se vocês não devolverem o Zelaya a gente vai tocar o hino cantado pela Vanusa. No máximo!
E diz que tem até senha pra usar o banheiro da embaixada! E o ministro Celso Amorim com aquele cabelo e barba espetados? Celso Ouriço! Sabe como ele vai resolver o impasse? Dizendo: "Se vocês não se entenderem, eu espeto todo mundo!".
E tem gente dando ideia para o Brasil anexar Honduras e virar um protetorado como Porto Rico. Puerto Rico. Ops, Puerto Pobre!
E essa semana ainda teve o Dia Mundial sem Carro. Devíamos estender a ideia e criar o Dia Mundial sem o Lula. O Dia Mundial sem o Galvão Urubueno. O Dia Mundial sem a Sonia Abrão. E roubaram o carro do meu vizinho justo no Dia Mundial sem Carro. Aí virou Dia Mundial sem o Meu Carro. Acho que era um ladrão ecológico.
Os bicicleteiros adoraram esse dia. Aliás, fazer sexo com bicicleta se chama PEDALFILIA! Rarará! O primeiro a aderir ao Dia Mundial sem Carro foi o Piquet. Rarará!
E o Kassab, que andou de ônibus? Não sei como ele passou pela catraca. Diz que ele perguntou para um passageiro: "Como você resolveria o problema dos transportes?". "Fazendo o ônibus sumir com você dentro." Rarará!
E adorei o Egito e a Jordânia! Fui até visitar o rio onde Jesus foi batizado. Um córrego. Parecia o córrego Pirajuçara. Jesus foi batizado no córrego Pirajuçara!
E o passaporte brasileiro é o Ronaldo. Se você diz que é do Brasil, eles começam a gritar: "Ronaldo! Ronaldo!". De onde você é? Brasil. "Ronaldo! Ronaldo!"
E o condutor de camelo me gritando: "Raul! Raul!" Pensava que ele tava gritando em árabe com o camelo: "Rahul, rahul". Que nada. Era o Raul que joga na Espanha! Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
- Globo: FGTS: trabalhador perdeu 13% nos últimos 10 anos
- Folha: Contrariando Lula, Zelaya prega revolta
- Estadão: Devastação do Cerrado agora avança para o norte
- JB: Droga rende R$ 30 milhões por mês, apenas na Zona Sul
- Correio: A família encolheu
Teerã pode produzir urânio para uso militar
O ESTADO DE SÃO PAULO - 26/09/09
O Irã pode, sim, produzir o urânio enriquecido necessário para a construção de armas nucleares. A dúvida é se a comunidade científica do país teria desenvolvido a capacidade de miniaturizar os componentes de forma a produzir as ogivas dos mísseis com alcance na faixa de 2 mil quilômetros. O arsenal envolve três tipos, eventualmente novas versões do mesmo modelo, o Shahab-3, o Ghadr-1 e o Sejil-2. A carga de ataque varia entre 750 kg e 1,2 tonelada. Engenheiros paquistaneses e norte-coreanos trabalham no programa. Em abril de 2008 o chefe do projeto atômico iraniano, Ali Akbar Salehi, estimou em 8 mil unidades o número de ultracentrífugas em atividade em 4 diferentes centros - Arak, Isfahan, Bushehr e Natanz. Nada disse das avançadas instalações de Qom, enterradas sob uma montanha de pedra sólida, protegidas de bombardeios convencionais e limitadas a 3 mil máquinas - certamente as melhores do lote. A tecnologia é tosca e oferece risco. O mecanismo da maioria das peças é contido em um cilindro de alumínio e, embora tenha havido cuidado com a estabilização, a rotação se dá por meio de mancais o que resulta em atrito em alta velocidade. Ainda assim, a escala de milhares de ultracentrífugas é suficiente para elevar o índice de enriquecimento do urânio para a faixa dos 90% exigida por artefatos militares. A geração de eletricidade ou propulsão de navios implica 3,5% a 5% de enriquecimento. O processo é linear. Na forma de gás, o mineral é injetado na máquina. As moléculas mais pesadas do urânio U238 (energeticamente "pobre") movem-se próximo da parede, enquanto as do U235 (mais "rico") sobem e são transferidas para outra centrífuga, em um efeito cascata que segue até o armazenamento. O produto final é obtido na forma de varetas. O analista John Miller, do Foreign Political Center, de Washington, acredita que o poder nuclear iraniano "só será uma ameaça mundial a partir de 2013". Forças israelenses poderiam lançar agora uma ação preventiva contra as instalações do Irã usando a aviação de precisão e bombas de penetração B61-11 fornecidas pelos EUA. Cada uma pesa 900 kg, e destrói 6 metros de concreto reforçado antes de detonar 240 quilos do super explosivo tritonal.
| Decisão na Brawn BOM DIA - 26/09/09 |
Que tal falar um pouco de corrida, para variar? Afinal, há um campeonato em curso. E a corrida de Cingapura vai dizer se Barrichello continua na luta pelo título, ou se Button conseguirá fazer valer a vantagem que abriu nas primeiras corridas do ano. É tudo que importa nesta prova noturna, que será para sempre lembrada pelo escândalo do ano passado. Por isso mesmo é difícil fazer qualquer prognóstico. Tudo que aconteceu em 2008 foi fruto de uma manipulação. As paradas de quase todos nos boxes durante o safety-car produzido por Nelsinho foram feitas fora da hora, embaralhando o roteiro. E pode chover, o que deixa as coisas ainda mais indefinidas — no molhado, de noite, esse GP se transforma numa loteria danada. Em tese, a Brawn deve andar bem em Cingapura. Afinal, ganhou em Mônaco e Valência, as outras duas pistas urbanas do calendário. Olho na Williams de Rosberguinho, também, que pode se meter entre os favoritos. A Force India, atração das últimas duas provas, em Spa e Monza, tende a despencar para o bloco de trás por conta das características de seu carro. Liuzzi não conhece o traçado e certamente vai andar atrás. Sutil tem chances um pouco melhores, mas não deve fazer nada parecido com o que se viu nas pistas de alta. A Renault, com Alonso, andou muito bem em Marina Bay no ano passado. Falcatruas à parte, é bom lembrar que o espanhol dominou os treinos livres e era favorito à pole quando a bomba de gasolina de seu carro pifou, fazendo com que largasse em 15º — detonando as ideias de jerico de Briatore & Cia. Ele não se conformou, porque sabia que se largasse lá na frente teria chances enormes de ganhar pela primeira vez na temporada. Button corre para marcar Barrichello. Será sua sombra o fim de semana todo, já que o brasileiro está numa fase melhor e atua, nesta reta final do campeonato, como franco-atirador. Para o inglês, o importante é não correr o risco de não pontuar. Vai precisar de alguma cautela. Chegar atrás de Rubens, uma ou duas posições, estará de bom tamanho. O companheiro não tem opção. Precisa partir para o ataque. E torcer para Jenson se atrapalhar numa corrida propícia a confusões. Os primeiros treinos livres deram algumas pistas daquilo que pode acontecer em Marina Bay. A pista continua muito ondulada, mais do que no ano passado, e foi modificada na curva 10, que se tornou mais lenta. A Red Bull foi a surpresa do primeiro dia, porque Vettel, o mais rápido, meio que tinha desistido de andar demais nos treinos livres, por conta da escassez de motores até o fim da temporada. A McLaren teve bom desempenho com Kovalainen, e foi discreta com Hamilton. Quem não andou nada foi a Ferrari. O chefe da equipe, Stefano Domenicali, confirmou que o time “congelou” o desenvolvimento do carro há dois meses. Assim, os vermelhos vão até o fim do campeonato sem nenhuma perspectiva de melhora. Nesse cenário, Raikkonen tem feito milagre. Em Maranello, os engenheiros só pensam no carro do ano que vem. O fato tragicômico do dia foi a batida de Grosjean, substituto de Nelsinho Piquet, no mesmo lugar em que o brasileiro se estatelou de propósito no ano passado. E o francês ainda repetiu o famoso “sorry, guys”, pelo rádio. Parecia mentira... A Renault, para quem não percebeu, está correndo sem as logomarcas de dois de seus maiores patrocinadores. O banco holandês ING e a seguradora Mutua Madrileña rescindiram seus contratos. Não querem mais seus nomes associados a um time que fez o que fez. Fala, Fernandinho Raikkonen ameaçado |
Ações arriscadas
O GLOBO - 26/09/09
No momento em que cresce a importância do Brasil no cenário mundial, nossa diplomacia ganha visibilidade, mas se comporta de forma errática, com alguns acertos e erros preocupantes. Estes acontecem quando a política externa passa a ser conduzida mais por simpatias ideológicas do que por uma visão de Estado. Quando isso ocorre, o Itamaraty perde percepção estratégica. O equilíbrio, o profissionalismo e a sensatez, característicos da diplomacia do país desde o Barão do Rio Branco, são sobrepujados por ações arriscadas como esta, em Honduras, da qual o Brasil pode sair com a pecha de subimperialista.
No governo Lula, a ação diplomática brasileira se complica diante do forte apelo terceiro-mundista do presidente, de seu assessor internacional, Marco Aurélio Garcia, do chanceler Celso Amorim e do secretáriogeral Samuel Pinheiro Guimarães.
Um dos principais objetivos do país é obter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, algo acertado no contexto de uma reforma da ONU. Mas nem por isso os fins justificam os meios, como tem acontecido, neste caso específico, com a política externa, que evitou, para não perder votos árabes, condenar o regime genocida do Sudão. E, pelo mesmo motivo, chegou ao ponto de preterir duas candidaturas de brasileiros ao posto mais alto da Unesco em favor de um postulante egípcio com inclinações antissemitas, afinal derrotado.
O espírito “compañero” nas relações com a área “bolivariana” da América do Sul tem frequentemente deixado o país em desvantagem, como no caso da nacionalização das instalações da Petrobras na Bolívia, pelo governo Evo Morales.
Em outra época, o profissionalismo e a visão de Estado do Itamaraty falaram mais alto, como deve ser. Um dos melhores exemplos foi o reconhecimento, em plena ditadura militar, do governo de esquerda do MPLA em Angola, apoiado pela URSS. Por ser a costa ocidental da África área de interesse prioritário brasileiro, o país foi o primeiro a reconhecer aquele governo, defendido inclusive por tropas cubanas, e hoje o Brasil tem presença econômica e política de peso no país. Graças à não interferência ideológica do então presidente Geisel (197479) e dos militares no Itamaraty. Era o tempo do “pragmatismo responsável”, conduzido pelo chanceler Azeredo da Silveira, com a ajuda, entre outros, do embaixador Italo Zappa.
Com Lula, o profissionalismo do Itamaraty foi engavetado, e o país pagará um preço por isso. Só com muita sorte o país não sairá chamuscado do episódio em Honduras, onde até é possível considerar um contragolpe a expulsão de Zelaya do poder, em junho.
Não é toda hora que o Brasil aparece num bom lugar nessas listas internacionais em que se relacionam os países que estão fazendo alguma coisa melhor que os outros. O normal, na verdade, é acontecer justamente o contrário: estamos quase sempre no topo da tabela quando se medem desgraças como homicídios, falta de esgoto ou trabalho infantil e no fim da fila quando a classificação se refere a honestidade na política, qualidade dos serviços públicos ou distribuição de renda. Somos ruins, também, ou muito ruins, em prostituição de crianças, demora para o cidadão ser atendido no sistema de saúde pública, excesso de impostos, mortes no trânsito, burocracia, mandados de prisão não cumpridos, rebeliões em penitenciárias, ferrovias, rodovias, outras vias – enfim, é um desfile que vai longe e, no fundo, diz quase tudo sobre a extraordinária dificuldade que os governos brasileiros, de qualquer época, têm para cumprir a sua obrigação de resolver problemas básicos da vida real. É uma surpresa e um alívio, assim, ver uma mudança nessa escrita, e numa questão essencial: de acordo com o mais recente levantamento internacional feito na área, com dados de 2006, o Brasil é o segundo país, em todo o mundo, que mais investe dinheiro público em educação, como porcentagem sobre o total dos gastos do governo. Fica atrás apenas do México – e, entre os países que ocupam os primeiros quinze lugares da lista, foi o que mais aumentou o seu investimento no setor de 2000 a 2006.
Não se trata, no caso, de conversa do PAC, ou de cifras fabricadas nos serviços de modelagem estatística do governo. Os dados são da OCDE, ou Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, órgão internacional com reputação de competência técnica, precisão e neutralidade nas pesquisas que realiza. Ou seja: é isso mesmo. O Brasil, que descobriu tarde a necessidade de investir em educação, e depois de ter descoberto passou décadas sem fazer grande coisa a respeito, é hoje um país que está pondo mais recursos do que nunca em seu sistema de ensino público; mais, proporcionalmente, do que campeões mundiais da educação como Coreia do Sul ou Estados Unidos, e mais do que a média atual dos trinta países-membros da OCDE. O problema, como de costume, está em quando se passa dos números para os resultados práticos. Se o Brasil, em termos de esforço financeiro para educar a sua população, é o segundo melhor país do mundo, por que a educação brasileira é tão ruim? É óbvio que houve ganhos. Nos últimos quarenta anos, a população brasileira aumentou em 100 milhões de habitantes, experiência desconhecida por qualquer país desenvolvido do planeta; foi preciso, de um jeito ou de outro, criar lugares na escola para essa gente toda, e o fato é que os lugares foram criados, tanto assim que cerca de 95% das crianças e jovens em idade escolar frequentam hoje as salas de aula. Criou-se, a partir das prefeituras, um vasto sistema de transporte para os alunos da escola pública – algo fundamental e que simplesmente não existia. Da mesma forma, passou a haver distribuição em massa de material didático. A merenda escolar foi universalizada. A maioria dos pais, entre os brasileiros pobres, acha que a educação recebida hoje por seus filhos é melhor do que a educação que eles receberam.
Tão real quanto isso tudo é a espetacular ruindade do sistema em seu conjunto, do primário à universidade, no ensino público e em boa parte do particular. Com todo o dinheiro que gasta, o Brasil continua tendo mais de 14 milhões de analfabetos. Nenhuma universidade brasileira está entre as 100 melhores do mundo. Os níveis de aproveitamento em matemática, física e outras disciplinas-chave para a capacitação tecnológica estão entre os piores. Não temos conhecimento de métodos didáticos eficazes. Não sabemos como ensinar, nem o que ensinar. O sistema todo, na educação pública, está armado de forma a atender aos interesses, às ideias e às pressões de professores e funcionários, principalmente na universidade. Não é nenhuma surpresa que as universidades americanas, na sua maioria entidades privadas, prestem muito mais conta de suas atividades do que as universidades públicas do Brasil.
Nada disso, como provam os números, acontece por falta de verba. É resultado, ao contrário, da ilusão de que se pode resolver problemas só com dinheiro – mas sem trabalho, talento e coragem. Nosso desastre educacional mostra que o Brasil aprendeu a gastar, mas não aprendeu a ensinar; continua confundindo o ponto de partida com o ponto de chegada.
Caixa dois, o regresso
Luiz Carlos Azedo
CORREIO BRAZILIENSE - 26/09/09
Projeto que pretende legalizar e recambiar recursos enviados ilegalmente ao exterior acaba de chegar à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. A proposta extingue os crimes graves cometidos contra a economia nacional, como remessa ilegal de recursos, evasão de divisas e sonegação fiscal. Na última quarta-feira, saltou o primeiro obstáculo: foi aprovada pela Comissão de Finanças e Tributação (CFT). De autoria do deputado José Mentor (PT-SP), a matéria levantou suspeitas da oposição, que desconfia que o dinheiro repatriado poderá ser usado na campanha eleitoral.