sexta-feira, agosto 14, 2009
SEXTA NOS JORNAIS
- Globo: Lula veta limite de gastos com diárias e publicidade em 2010
- Folha: Ministros atacam bancos privados por mais crédito
- Estadão: Grupo de Agaciel tentou legalizar atos secretos
- JB: Menos gripe em setembro
- Correio: Lula corta R$ 66 milhões em investimentos no DF
- Valor: Câmbio já devolve perdas bilionárias das empresas
- Estado de Minas: Pobres deixam para trás ricos e classe média
- Jornal do Commercio: Garota morre ao fazer chapinha
quinta-feira, agosto 13, 2009
MERVAL PEREIRA
Governo acuado
| O Globo - 13/08/2009 |
Justiça seja feita, a oposição desta vez está conseguindo colocar o governo contra a parede. Para uma oposição que é acusada de não ter iniciativa, de deixar o governo dar as cartas, não está nada mau o saldo dos últimos acontecimentos. Caberá à base política do governo, especialmente ao PT, o ônus de manter o arquivamento das representações contra o presidente do Senado, José Sarney, na Comissão de Ética. Se o PT não der os três votos de que precisa a oposição para reabrir pelo menos um dos processos arquivados, terá que arcar com as consequências políticas do gesto Há uma tendência da maioria da bancada petista para permitir investigação das nomeações por ato secreto, o que significa, em termos práticos, o afastamento do senador José Sarney da presidência do Senado, até que se encerre o processo na Comissão de Ética, de acordo com o regimento interno. |
KENNETH MAXWELL
Águas turvas
| Folha de S. Paulo - 13/08/2009 |
TRÊS DESDOBRAMENTOS recentes na América Latina revelam o perigo da continuada desatenção dos EUA à região. O primeiro foi a conferência de cúpula anual entre os três líderes da América do Norte realizada em Guadalajara, México (Nafta). O segundo foi a reunião dos líderes sul-americanos em Quito, Equador (Unasul). O terceiro é a crise que continua em Honduras. |
ELIANE CANTANHÊDE
Marina, o Cristovam de amanhã
| Folha de S. Paulo - 13/08/2009 |
Em meio ao rame-rame da polarização Dilma-Serra e de tudo acontecendo e nada acontecendo na crise Sarney, a possível candidatura de Marina Silva à Presidência é uma lufada de novidade e animação. Mas vamos com calma. |
BRASÍLIA - DF
PMDB na moita
| Correio Braziliense - 13/08/2009 | ||||||||
Mutirões
Cobertura
Sertões
Nó cego
Minuano
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CLÓVIS ROSSI
Os "coronéis" estão no ar
| Folha de S. Paulo - 13/08/2009 |
Um dia de 1986, aportei em Fortaleza, etapa de um périplo pelos dez principais Estados para acompanhar as eleições estaduais. A sensação da temporada chamava-se Tasso Jereissati, jovem empresário, dito "moderno", que entrara na política (no PMDB, então) para enfrentar os coronéis, essa praga "imexível" da política tapuia (e não apenas no Nordeste). |
VINÍCIUS TORRES FREIRE
Três meninas do Brasil
| Folha de S. Paulo - 13/08/2009 | |
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MÍRIAM LEITÃO
Como está a economia americana a esta altura? Ontem foi o dia de os economistas do mundo inteiro olharem com lupa a decisão do Fed para responder a essa pergunta. O que o Banco Central americano disse é que os juros vão ficar perto de zero por um longo tempo e que continuará injetando liquidez na economia. O PIB do terceiro trimestre já deve ser positivo, segundo economistas american
O economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, também acredita que o terceiro trimestre será sim de recuperação nos EUA. A leitura que ele fez do comunicado do Fed, e da decisão de manter os juros por um longo tempo, é que a situação econômica melhorou, mas as autoridades não querem correr o risco de perder um bom momento atuando prematuramente no aperto de liquidez.
Isso derruba a ideia de que em breve o país iria começar a reduzir o excesso de liquidez injetado na economia.
O Fed disse também que vai continuar comprando títulos do Tesouro americano e vai continuar comprando ativos lastreados em hipotecas, ou seja, continuará provendo liquidez.
Em que momento essa montanha de dinheiro jogada na economia através da ampliação dos gastos públicos e da atuação do Fed vai trazer para a economia o risco de inflação? Ilan acha que demora um pouco: — Primeiro, será preciso aumentar a utilização da capacidade instalada, que está muito baixa, e recuperar o mercado de trabalho. Hoje, ainda se comemora a queda menor do nível de emprego, a cada vez, mas não a volta da criação de empregos.
Nada do que está acontecendo deixará de criar uma enorme ressaca mais adiante. A dívida pública vai aumentar exponencialmente.
Ilan acha que sai de 40% do PIB para mais de 80%: — Em algum momento eles terão que lidar com isso, mas agora o mais importante é colher os frutos da estratégia antirrecessão.
A Europa também começa a colher dados melhores em função de fortes programas governamentais como os incentivos alemães à compra de carros. Ilan avalia que Brasil e China, e outros países asiáticos, se recuperaram mais cedo e já demonstraram bons números no segundo trimestre. Bem atrás vêm os países do leste europeu que ainda estão mergulhados na recessão.
Mesmo assim, está melhor que sua vizinha Letônia, que encolheu 20%. A Rússia enfrentou a queda do preço do petróleo e gás natural — e a alta desses preços ainda não permitiu sua recuperação, até porque a queda do preço do petróleo pegou suas empresas muito alavancadas.
A economista Monica de Bolle, da Galanto Consultoria, acha que o objetivo do Fed de manter a compra dos títulos é derrubar a curva de juros futuros. O mercado estava imaginando que a redução de liquidez começaria mais cedo para evitar os riscos inflacionários decorrentes da ampliação do déficit público.
— Os juros futuros é que têm mais impacto sobre os contratos firmados na economia real — explicou ela.
A economia americana já melhorou em função de programas como o “dinheiro por sucata” que recompra carros velhos. Começa a sair da recessão, mas o presidente do Fed, Ben Bernanke, não está interessado em entrar em nenhuma polêmica a curto prazo, nem correr o risco de ser acusado de abortar qualquer recuperação. Ele é candidato a permanecer no cargo, recebeu o apoio de inúmeros economistas, mas o presidente Barack Obama é que decidirá sobre isso no começo do ano que vem.
Portanto, entre um risco de médio prazo — que é a alta da inflação e o crescimento exponencial da dívida — e o risco de ser acusado de impedir a recuperação, Bernanke ontem deu o recado de que deixará o depois para depois. Sua primeira preocupação é manter o ritmo de recuperação da economia que pode resultar, segundo as previsões de economistas consultados pelo “Wall Street Journal”, em dois trimestres positivos neste final de ano.
PAINEL DA FOLHA
À espera de Lina
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 13/08/09
O governo pretende usar o tempo de que dispõe, até terça-feira, para tentar, no dizer de um ministro, ‘reverter’ o depoimento de Lina Maria Vieira à CCJ do Senado. Mas a oposição se preveniu: a sessão de ontem foi suspensa, e não encerrada, pelo presidente da comissão, Demóstenes Torres (DEM-GO). Isso significa que o quorum de terça estará garantido ainda que o governo tente esvaziar a audiência com a ex-secretária da Receita, que afirma ter recebido de Dilma Rousseff pedido para apressar investigação sobre empresas da família Sarney. Resta a tática de tentar desqualificar Lina. Ontem, o líder do governo, Romero Jucá, dizia que a audiência servirá para saber a ‘real razão’ de sua saída do cargo. A oposição usará como escudo seus 30 anos de serviço público.
Mudos - A governadora Wilma Faria (PMDB-RN) e o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) até agora não disseram palavra em defesa da ex da Receita Federal, que foi secretária da Fazenda de ambos, sempre elogiada.
Submundo - Enquanto o Conselho de Ética vai arquivando tudo, o PMDB continua a coletar informações contra adversários de Sarney, caso o acordão não vingue. Nessa frente opera o ex-senador Gilberto Miranda, que alega ter munição contra o tucano Sérgio Guerra e o petista Aloizio Mercadante, da época da CPI do Orçamento.
Bigodes - Parecia mais um discurso de Sarney, mas ontem quem estava sentado na Mesa Diretora do Senado prometendo lutar e resistir era o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya.
Chancela - Entre os atos secretos que a Mesa poderá validar hoje está o que deu ao braço direito de Sarney, Osvaldino Brito, cargo efetivo de secretário parlamentar. O caso é único. Dezenas de não-concursados já tentaram o mesmo na Justiça, sem sucesso.
Crônico 1 - A lista de ressalvas às contas de 2008 do Senado, contida no novo relatório de gestão, também aponta irregularidades cometidas na gestão Sarney (2009). O documento de 243 páginas está no TCU, que dará parecer final.
Crônico 2 - Foram analisados 679 casos de acúmulo de cargos, problemas ‘graves’ na folha de pagamento e estouro do limite anual de gastos com suprimento de fundos.
Fiadora - O novo foco de interesse do Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul é o empréstimo de R$ 90 mil da assessora Walna Vilarins à governadora Yeda Crusius. A transação consta da declaração de IR de Vilarins, apontada pelos procuradores como suposta operadora de caixa-dois da campanha tucana.
Troco - Aliados de Yeda usaram reunião da Executiva Nacional tucana para reclamar da falta de apoio à governadora. Uma das próximas ações do PSDB gaúcho será procurar alguém que encampe pedido de afastamento do vice, Paulo Feijó (DEM), inimigo de Yeda, por suposta irregularidade em suas empresas.
Conforto - Mantida a greve na TV Cultura, o Sindicato dos Radialistas definiu que as assembleias continuarão a ser realizadas às 12h e às 16h, para que os participantes possam contornar o rodízio paulistano de veículos, classificado como ‘mais um atentado contra os trabalhadores’.
Portão - Na tarde de ontem, a Justiça concedeu liminar garantindo o acesso à sede da Cultura, que vinha sido bloqueado por piquetes. Manifestantes chegaram a riscar carros na frente da emissora.
Breu - O sinal da MTV no Amapá, domicílio eleitoral de Sarney, caiu anteontem durante a transmissão do Debate MTV, cujo teve foi a crise no Senado. A retransmissora, que pertence a um irmão do senador sarneysista Gilvam Borges, alegou queda de energia. Já a Companhia de Eletricidade do Amapá diz que não houve corte de luz na região.
Tiroteio
Estou ansioso para ver o Ministério Público Federal, no governo Lula, investigar as denúncias de Lina Vieira com o mesmo rigor demonstrado contra mim e Everardo Maciel.
De EDUARDO JORGE CALDAS sobre a investigação que enfrentou, quando secretário-geral da Presidência no governo FHC, por suspeita de ter pressionado a Receita a acelerar fiscalização em suas empresas.
Contraponto
Questão de perspectiva
Guido Mantega comandava ontem reunião do GAC (Grupo de Acompanhamento da Crise), que reúne ministros e empresários. Ao observar a composição da mesa, o titular da Fazenda brincou com os empresários:
- Às vezes a gente muda a configuração dos lugares. Quem está à direita num dia está à esquerda no outro.
- Viu, Mantega? Hoje eu estou à sua esquerda_ atalhou o presidente do Banco Central.
- Meirelles, isso é o que eu sempre quis. Veja só que paradoxo_ replicou Mantega.
Como o presidente do BC insistisse em dizer que estava à esquerda, o ministro da Fazenda concluiu:
- Daqui a pouco vão dizer que eu que sou ortodoxo!
COISAS DA POLÍTICA
Em 1710, aos 13 anos, John Peter Zenger, nascido na Alemanha, emigrou para Nova York. Começou logo a trabalhar como aprendiz na única tipografia da cidade, que pertencia ao impressor William Bradford. Em 1726, graças a suas economias e competência técnica, montou a própria oficina. Em 1733, fundou o semanário New York Weekly Journal, associado aos cidadãos que se opunham ao novo governador geral da colônia, William Cosby, que, nomeado pelo rei George III, se empossara no ano anterior.
Cosby foi governante corrupto. Dobrou seus próprios vencimentos, pagos pelos cidadãos da colônia; fez acordos secretos que o beneficiavam, até mesmo com os índios; privilegiou ricos comerciantes, na administração tributária, em troca de propinas. Ao mesmo tempo foi tirânico contra os colonos nacionalistas, que já formavam o pequeno mas influente Country Party, e protetor escancarado do Court Party, da monarquia inglesa.
Eminentes intelectuais e políticos passaram a atacar o governador nas páginas do jornal de Zenger. Em novembro de 1734, o jornalista foi preso, por ordem do governador, e, acusado de sedição, ficou preso até agosto do ano seguinte, quando foi levado ao tribunal. Esse foi o primeiro processo promovido contra a liberdade de imprensa nos Estados Unidos. Seu advogado, Andrew Hamilton, de Filadélfia, era considerado um dos mais importantes profissionais de seu tempo. Ele defendeu a tese de que Zenger só seria réu do crime de sedição se fossem falsas as denúncias de que se fizera responsável como impressor do semanário. Foi o primeiro caso em que se invocou a exceção da verdade em defesa de um jornalista. O júri decidiu que Zenger não falseara os fatos e, portanto, não poderia ser incriminado.
Pouco antes de ser preso, e diante da perseguição que lhe movia o governador geral, o jornalista escreveu que “a supressão da liberdade de imprensa é seguida da perda da liberdade em geral. A liberdade de imprensa é parte essencial de todas as liberdades e preserva o seu todo”. Talvez nesse precedente se funde o respeito dos cidadãos por essa liberdade nos Estados Unidos.
A liberdade de imprensa não é a de uma ideologia, como supõem alguns bem intencionados militantes da esquerda, e outros, talvez não tão bem intencionados, militantes da direita. Ela não está só a serviço dos poderosos, nem apenas dos oprimidos. Ela é um instrumento da sociedade, composta de conservadores e empedernidos reacionários; de humanistas dispostos a morrer pelos homens de modo geral e pelos oprimidos, de forma particular. Ela é dos ricos e dos pobres, dos feios e dos belos, dos castos e dos devassos, dos trabalhadores#e dos vagabundos. É instrumento que se legitimará como bom ou mau, de acordo com os que o utilizem, ou os interesses que defenda. Assim como uma faca tanto serve para matar como para descascar laranjas, os meios de comunicação podem ser usados tanto em uma direção quanto na outra.
Os presidentes da Venezuela e do Equador – com suas razões respeitáveis – estão incomodados com os meios de comunicação que lhes são adversários, e falam em limitar a liberdade de imprensa. É certo que, na Venezuela, os senhores da mídia participaram diretamente de um golpe contra Chávez, eleito democraticamente, mas isso não o autoriza a limitar a liberdade. No Brasil, importante jornal está impedido de escrever sobre uma suspeita de atos de corrupção.
Como no caso de Zenger, aos acusados de cometer calúnia e difamação, deve caber a exceção da verdade. Se não puderem comprovar o que divulgarem, que enfrentem a lei penal, em todo o seu rigor. Não se pode, sob nenhum pretexto, admitir a censura prévia e, muito menos, criar legislação que venha a limitar a liberdade de informar e de opinar, consagrada em todas as constituições brasileiras.
Membros do governo Lula têm sussurrado ao presidente a intriga de que se arma contra ele o mesmo complô dos meios de comunicação que se articularam contra Vargas. Os tempos são outros e, mesmo que fossem os mesmos, há formas legais de resistência e de punição contra os eventuais caluniadores. Como disse, certa vez, Paulo Pinheiro Chagas, ao advertir Juscelino, a quem se pedia amordaçar Lacerda na televisão, é melhor o excesso do que a rolha. O excesso atinge um governo ou outro, uma pessoa ou outra; a rolha emudece a sociedade, desonra a nação e avilta a condição humana.
ANCELMO GÓIS
A eventual candidatura de Marina Silva a presidente pelo PV parece animar católicos ligados ao PT. Frei Betto, por exemplo, diz que ainda não decidiu se vai apoiá-la. Mas acha positiva a candidatura:
– Ela vem politizar a campanha e obrigar os outros candidatos a debaterem a questão do desenvolvimento sustentável.
TAMBÉM...
O teólogo Leonardo Boff vai no mesmo tom:
– Marina me ligou e disse que a questão que quer suscitar é a da sustentabilidade e pôr no centro do debate a vida, a humanidade e a terra, o que nenhum dos partidos põe, nem o PT.
RODOVIARISMO SUJO
Veja como o País do transporte rodoviário polui. Estudo do Ministério do Meio Ambiente revela que a emissão de C0² por ônibus e caminhões pulou de 380 milhões de toneladas em 1994 para 580 milhões em 2007.
C0² é o gás que mais contribui para o aquecimento global.
DERIVATIVO ELEITORAL
Lula vai hoje a Goiás bater bumbo pela candidatura de Henrique Meirelles a governador. Mas um amigo diz ter ouvido do presidente do BC, em economês, a explicação de seus planos:
– Filiação não quer dizer candidatura. É uma opção (derivativo), pode ser exercida ou não...
Ah, bom!
PAREM AS MÁQUINAS
A Câmara de Caruaru, PE, aprovou moção do vereador Adolfo da Modinha para envio de pesar e condolências à família de... Michael Jackson.
CHAME O LADRÃO
Terça, um grupo de 50 delegados da Polícia Federal se reuniu num seminário no Hotel São Paulo Inn, no Centro da cidade, perto do Viaduto Santa Ifigênia.
No fim do evento, um dos delegados se deu conta de que tinham roubado seu laptop.
GOL NAS ALTURAS
A Gol atingiu ontem R$ 4,1 bilhões em valor de mercado e passou a concorrente TAM (R$ 3,9 bilhões).
A FORÇA DO FLA
Veja o poder econômico da marca Flamengo.
Desde que passou a fabricar as camisas oficiais do clube, o grupo Vulcabrás, dono da Olympikus, já precisou contratar, acredite, 1.080 novos funcionários, ampliou sua fábrica em 820m² e teve de comprar 250 equipamentos novos.
CRISE? QUE CRISE?
O lucro da SulAmérica no segundo trimestre cresceu mais de 50% em relação ao mesmo período de 2008.
O cofre cheio é decorrência de aumento nas vendas no período, quando a gigante ultrapassou a marca de 2 milhões de carros segurados e teve crescimento de 21,8% nas vendas de seguro saúde a pequenas e médias empresas.
PARREIRA E A COPA
Veja como Carlos Alberto Parreira ainda excede em prestígio lá fora.
O técnico vai trazer Brian McClair, diretor do Manchester United, o clubão tricampeão inglês, para a sexta edição do seu fórum internacional de futebol Footecon, dias 8 e 9 de dezembro, no Riocentro. O tema este ano será a Copa de 2014.
LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO
É claro que a substituição de políticos por barbeiros e motoristas de táxis poderia trazer uma contrapartida assustadora: a substituição de barbeiros e motoristas de táxi por políticos desempregados. Imagine-se num táxi dirigido pelo Sarney, espremido no banco de trás com toda a família dele, ou numa cadeira de barbeiro, sem possibilidade de fuga, obrigado a ouvir o Mão Santa falando sem parar enquanto corta seu cabelo – ou vendo o Collor se aproximar com aquele seu olhar furioso e uma navalha. Imagine-se numa corrida longa com o Suplicy na direção, cantando. Imagine a confusão no trânsito com a indecisão dos motoristas entre direita e esquerda, muitas vezes passando de um lado para o outro sem qualquer sinalização. Políticos substituindo motoristas de táxi e barbeiros aumentariam os engarrafamentos e os acidentes, inclusive os de orelhas cortadas sem querer. E no fim da corrida em táxi dirigido por políticos ainda haveria a questão do pagamento: o preço seria o que aparece no taxímetro mais um adicional por estresse, auxílio moradia, subsídio para alimentação, verba de representação, diária de viagem...
Apesar deste perigo, acho que vale a pena proporcionar aos barbeiros e motoristas de táxi a oportunidade de darem um jeito no Brasil e no mundo.
A teoria, e a certeza das suas convicções, eles já têm. E se a atual crise do sistema financeiro mundial nos ensinou alguma coisa é jamais confiar o que quer que seja nos profissionais da matéria. Os economistas falharam em tudo, das previsões às soluções. De agora em diante deve-se proibir os economistas de se meterem na economia. Deve-se dar vez aos amadores e aos palpiteiros. Que venham os leigos! Com os barbeiros e os motoristas de táxi à frente.
CLÁUDIO HUMBERTO
ARTHUR VIRGÍLIO (PSDB-AM), APÓS A REPRESENTAÇÃO CONTRA ELE SER ARQUIVADA NO SENADO
JOSÉ SERRA QUER MARINA SILVA COMO VICE
O governador tucano de São Paulo, José Serra, articula com o Partido Verde a possibilidade de a senadora Marina Silva (AC) compor sua chapa, como candidata a vice-presidente, caso ela se filie mesmo ao PV. A aliança PSDB-PV chegou a ser discutida há meses, com Fernando Gabeira de vice, mas o sonho de Serra era ter alguém como Marina: mulher, negra, de origem pobre e heroína da causa ambiental.
POR QUE MARINA
Dilma disse que quanto mais mulher, melhor. O PV e José Serra também acham isso, por isso buscam Marina Silva.
ESPETO
O governo do Acre finalmente tirou o nome da senadora Marina Silva da Biblioteca da Floresta. A lei proíbe vivos batizando prédios públicos.
ROYAL FLUSH
Consta que a ex-secretária da Receita, Lina Vieira, tem na manga uma prova irrefutável do encontro com a ministra Dilma, que nega.
Felizmente fica só na grande semelhança o presidente deposto Ze (laya), com o senador Zé (Sarney) jovem. Já imaginou se fosse filho?
MARINA NO PV DEVOLVE CIRO À DISPUTA FEDERAL
Com a provável candidatura da senadora Marina Silva à presidência pelo PV, ganha força no Planalto a ideia de recolocar Ciro Gomes (PSB) no tabuleiro federal. Ele, acreditam os petistas, poderia fazer estrago para a candidatura de José Serra (PSDB), a exemplo do que Marina fará no PT. Com Ciro fora da disputa pelo governo de São Paulo, o favorito pelo PT é o prefeito de Osasco, Emídio de Souza.
REENCONTRO
Na visita que fará a Lima, o presidente Lula vai reencontrar um velho amigo e entusiasta do governo: o embaixador do Brasil, Jorge Taunay.
VAMOS DANÇAR!
As más línguas da internet dizem que a cantora britânica de pop dance Lady GaGa já tem seu Mr.GaGa. É o senador Paulo Duque.
ABRINDO O CARTÃO
O Banco Central anuncia este mês mudanças nos cartões de crédito: estímulo à concorrência e diferenciação de preço no comércio.
GUSHI NO PEDAÇO
O ex-ministro Luiz Gushiken (Comunicação Social) reapareceu ontem em Brasília. Tomou café da manhã no hotel Meliá com o advogado Ari Bergher, o empresário Paulo Marinho, ex-diretor do Jornal do Brasil, e Carlos Daltro, funcionário da empreiteira OAS. A conversa foi longa.
PALANQUE POTIGUAR
Apesar da programação inclemente, a ministra Dilma Rousseff aprovou o trabalho do líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN), como coordenador de sua campanha presidencial no Rio Grande do Norte
O governador do Rio, Sérgio Cabral, continua sabotando decisões da Agencia Nacional de Aviação Civil sobre o aeroporto Santos Dumont – na ânsia de valorizar o Galeão, para estranhamente vendê-lo depois.
...E DESRESPEITA O CIDADÃO
Sérgio Cabral todo dia inventa algo. Proibiu voos sobre rotas usadas desde a construção do Santos Dumont, depois acusa a Infraero de não ter “licença ambiental”, ofendendo a Anac e desrespeitando o cidadão.
BESTEIROL NA CÂMARA
A Câmara fará “audiência pública” sobre a utilização de bases militares da Colômbia pelos EUA. Bobagem: trata-se de um ato de soberania e a tradição do Brasil é não se meter em assuntos de outros países.
TRANSFERÊNCIA DE ÔNUS
O senador Valdir Raupp (PMDB-RO) confia na aprovação do projeto que fará o governo federal absorver 12 mil servidores, cuja tutela deveria ter assumido por dez anos após a transformação do Território em Estado de Rondônia. Atualmente custam R$ 30 milhões por mês.
FATO CONSUMADO
Rogério Abdalla tentou ser presidente da Infraero no grito, mas não tinha nem o apoio que alegava, no PMDB. Afinal, Murilo Marques Barboza, indicado de Nelson Jobim (Defesa), será empossado no cargo hoje, contra a vontade da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).
DIÁLOGO INSTITUCIONAL
Apontado como dono da chave das soluções no Banco do Nordeste, o deputado José Guimarães (PT-CE) nega que tenha ingerência no BNB; apenas “dialogo institucional” como coordenador da bancada cearense.
QUASE, QUASE
Por pouco, muito pouco, pouco mesmo, esta sexta-feira não caiu num dia 13. E de agosto.
PODER SEM PUDOR
BRIOSO CACHACEIRO
No início dos anos 1960, o então tenente-coronel Paulo Cesar Castelo Branco tinha no batalhão um corneteiro, o “Brioso”, alcoólatra e pau-mandado de um oficial de tradicional família cearense, das que resolvia tudo a bala. Castelo escondia a garrafa de cachaça num dia, repunha no outro, até que o corneteiro, que jamais desafinou, reclamou que “suas coisas sumiam” no serviço do tenente. Castelo foi rápido no gatilho:
– Brioso, estou preocupado. Tem um “cabra” rondando minha casa.
– Meu tenente, onde o senhor quer que eu enterre?, respondeu de chofre o corneteiro, briosamente esquecido do sumiço da cachaça.
QUINTA NOS JORNAIS
- Globo: Ex-secretária que contesta Dilma vai depor no Senado
- Folha: BB passa Itaú e é maior banco do país
- Estadão: Líder tucano é poupado após acordo no Senado
- JB: Segurança particular é maior do que polícia
- Correio: Efeitos da gripe suína: Grávidas recebem licença/deputados pedem Tamiflu/risco em hospitais lotados
- Valor: Mudança contábil eleva patrimônio de empresas
- Estado de Minas: Perderam, bandidos...
- Jornal do Commercio: TCE manda baixar o preço da limpeza do Recife
quarta-feira, agosto 12, 2009
AUGUSTO NUNES
Dilma aprendeu cedo que negar a verdade é o preço da sobrevivência
Dilma Rousseff lembra com orgulho que se negou a dizer verdades perigosas mesmo sob tortura. Tinha pouco mais de 20 anos mas sabia muito quando foi presa pela polícia política. Mesmo confrontada pelos inquisidores com copiosas evidências, não confessou que havia participado de assaltos a banco e outras ações armadas, desmentiu o envolvimento com grupos de extrema-esquerda, escondeu os nomes dos parceiros de vida clandestina, não admitiu sequer que era quem era.
A mãe do PAC gosta de contar que, apesar do desamparo e da insegurança, não permitiu que os inquisidores arrancassem qualquer informação que a prejudicasse, ou colocasse em risco os companheiros. Hoje amparada pelo presidente Lula, protegida pela blindagem que merece uma candidata à sucessão, pode mentir sem sobressaltos. Foi o que fez quando alquimistas da Casa Civil, para desviar do Planalto a catarata de despesas com cartões de crédito, produziram um dossiê que transformava o ex-presidente Fernando Henrique e Ruth Cardoso no mais perdulário dos casais.
Sobram provas de que a ministra encomendou o serviço à chefe de gabinete, Erenice Guerra. Pilhada em flagrante, Dilma promoveu registros policialescos a banco de dados e afirmou que não fizera o que fez com a mesma convicção aparente da juventude. A performance foi reprisada quando se descobriu que o currículo oficial da ministra era ornamentado, entre outras fantasias, por um inexistente doutorado em economia pela Unicamp.
A doutora de araque garantiu que não sabia de nada. Nunca havia lido o próprio currículo. Algum subordinado fizera aquilo por conta própria. Não identificou o culpado, não puniu ninguém, queixou-se da perseguição da imprensa e pediu ajuda a Lula, advogado-geral dos pecadores companheiros. Além de expedir o habeas corpus perpétuo, Lula ordenou ao deputado José Genoíno que avalizasse a absolvição com um discurso na Câmara.
Num país sério, alguém socorrido por Genoíno ─ parceiro de Delúbio Soares e Marcos Valério nas bandalheiras do mensalão, irmão do chefe do cearense da cueca dolarizada, enfiado no pântano até o pescoço ─ seria punido mesmo que fosse inocente. Como isto é o Brasil, Genoíno desceu da tribuna sem receber voz de prisão. E o currículo fraudado saiu do noticiário.
A última da Dilma foi revelada por Lina Vieira, demitida da secretaria da Receita Federal por honestidade. No fim do ano, contou, a ministra pressionou-a para “agilizar” a auditoria em curso nas empresas da família Sarney. A secretária fez de conta que não ouviu direito a ordem para encerrar o caso. Subtraiu-se ao papel de cúmplice, mas perdeu o emprego mais cedo.
Na entrevista à Folha de S. Paulo, Lina informou que foi convocada para o encontro com Dilma pela onipresente Erenice Guerra, reproduziu o diálogo no gabinete, descreveu a cena do crime, detalhou as vestes da protetora de Fernando Sarney. ”Não fiz esse pedido a ela”, retrucou Dilma. Lula precisou de dois segundos para emitir a sentença: “Duvido que a Dilma tenha mandado recado ou conversado com alguém a esse respeito. Não faz parte da formação política da Dilma”.
Escorregou na ignorância malandra. Faz parte, sim. Na cadeia, ela aprendeu que a mentira pode ser o preço da sobrevivência física. No poder, descobriu que negar a verdade é também o preço da sobrevivência política.
VINÍCIUS TORRES FREIRE
Exportador quer um dinheiro aí
| Folha de S. Paulo - 12/08/2009 | |
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