sábado, agosto 17, 2013

BNDES-Tesouro, uma aliança, ruim - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADO DE S. PAULO - 17/08
Com previsão de desembolsos na faixa de R$ 185 bilhões a R$ 190 bilhões, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, e Social (BNDES) poderá precisar de mais ajuda do Tesouro no último trimestre do ano, segundo o presidente da instituição, Luciano Coutinho. O Tesouro já emprestou R$ 280 bilhões ao banco entre 2009 e 2012 e contribuiu neste ano com R$ 15 bilhões para aumentar seu capital, O novo auxílio, segundo fontes de Brasília, poderá ficar entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões. O governo tem aumentado sua dívida bruta para conceder esses empréstimos, sempre subsidiados, e o resultado dessa cooperação tem sido, para dizer o mínimo, preocupante»

Ao converter o Tesouro em fonte de caixa para o crédito oficial, o governo recria, com pequena variação, a famigerada conta movimento, extinta no fim dos anos 80 depois de muitos estragos nas áreas fiscal e monetária. A relação promíscua entre o Tesouro e os bancos federais é apenas parte, mas muito importante, da crescente desordem na gestão das contas públicas.

Uma prova dessa desordem é o recurso cada vez mais óbvio do governo à contabilidade criativa para ajeitar seu balanço. A acomodação promíscua é recíproca. Do cofre do governo sai dinheiro para reforçar o caixa dos bancos. Esses bancos, em contrapartida, fornecem dividendos crescentes, e, até antecipados, para maquiar o resultado final das contas.

Autoridades econômicas falam de política anticíclica para justificar a transformação do Tesouro em fonte de financiamento repassado a empresas pelo BNDES. Essa tem sido a; conversa desde 2009, quando foi instituído como instrumento provisório o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), prorrogado várias vezes e ainda em vigor. Mas seria preciso, no mínimo, repensar totalmente essa política, tão custosa, tão perigosa para as contas públicas e abaixo de medíocre em seus resultados. A economia brasileira encolheu 0,3% em 2009, cresceu 7,5% em 2010, 2,7% em 2011, 0,9% em 2012 e para este ano as projeções estão abaixo de 3%. A maior taxa de investimento, nesse período, foi pouco superior a 19% do Produto Interno Bruto (PIB) e as perspectivas para este ano e para o próximo continuam desanimadoras.

Segundo o novo relatório do BNDES, apresentado na quarta-feira passada por seu presidente, os desembolsos no primeiro semestre, de R$ 88,34 bilhões, foram 65% maiores que os de janeiro a junho do ano passado. Em 12 meses o aumento foi de 39%. Esses números parecem apontar uma elevação importante dos investimentos. Mas os dados ficam bem menos entusiasmantes quando examinados com um pouco mais de atenção.

A maior fatia desses financiamentos, de 33%, foi destinada à indústria; a segunda maior, de 31%, à infraestrutura; e a terceira, de 20%, ao conjunto comércio-serviços. Mas o uso foi muito menos diversificado do que tem dado a entender o governo. A maior fatia do dinheiro destinado a esses três grandes itens foi aplicada na fabricação e no comércio de caminhões e ônibus - R$ 15,31 bilhões num total de R$ 74,5 bilhões, ou 20,5%.

Boa parte dessa demanda é explicável pelo crescimento da produção agrícola: safra recorde exige investimento em meios de transporte. Não por acaso os desembolsos para a agropecuária, R$ 6,83 bilhões, foram 142% maiores que os de um ano antes. A maior parte desses créditos, no valor de R$ 3,73 bilhões, foi para a compra de tratores e colheitadeiras.

A demanda de outros bens de capital cresceu bem menos. Pesquisas têm mostrado muita insegurança entre empresários urbanos, principalmente da indústria. A confiança nas perspectivas da economia é muito baixa e isso inibe o envolvimento em projetos de expansão e de modernização da capacidade produtiva. É fácil de encontrar as causas dessa desconfiança na política econômica improvisada e conduzida com muita teimosia.

Além disso, o BNDES continua dando mais atenção às grandes empresas. Com apenas 2% das operações, estas absorveram 57% dos desembolsos. Nos últimos 12 meses, levaram 63%.

Transparência sempre - EDITORIAL ZERO HORA

ZERO HORA 17/08

São sempre constrangedores para a nação os bate-bocas entre ministros do Supremo Tribunal Federal transmitidos ao vivo pela TV Justiça. Um novo episódio dessa série foi ao ar na quinta-feira, durante o julgamento de mais uma rodada de embargos declaratórios apresentados pelos réus do mensalão. Embargos declaratórios são uma espécie de recurso interposto pelos réus depois de tomada a decisão judicial, a fim de esclarecer pontos obscuros ou omissos da sentença. Na prática, podem também servir para protelar a conclusão do julgamento, quando se dá o trânsito em julgado.
Na sessão de quinta-feira, o atual presidente do Supremo e relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, e o revisor, ministro Ricardo Lewandowski, entraram em atrito por conta do recurso do ex-deputado federal Bispo Rodrigues (ex-PL, atual PR). Resumidamente, Lewandowski questionou o motivo de Rodrigues ter recebido pena mais dura do que a de Valdemar Costa Neto, também deputado federal e presidente do PR. Ocorre que, enquanto o esquema funcionava, entrou em vigor um lei que punia corrupção com mais rigor. Os que cometeram o crime antes da mudança na legislação foram punidos de forma mais branda (para que alguém pratique crime de corrupção, basta pedir ou aceitar recebimento de vantagem indevida, como foi o caso de Costa Neto, que, no entanto, também recebeu dinheiro do esquema mais tarde). Tudo já havia sido discutido durante o julgamento, mas Lewandowski houve por bem trazer o debate outra vez à tona no momento dos embargos. Barbosa, por sua vez, disse que a Corte tinha por objetivo julgar e não fazer “chicanas” (sutilezas capciosas em questões judiciais), diante do que o colega, tomando para si a acusação, exigiu retratação. Em meio à troca de asperezas, encerrou-se a sessão.
Por mais revoltantes que pareçam as disputas de vaidade na Corte Suprema, por mais que choque um ou outro rompante de autoritarismo de um ministro ou a tentativa de embromação de outro, é sempre preferível acompanhar um julgamento importante ao vivo e de portas abertas do que conhecer as decisões apenas depois de tomadas. É por isso que transmissões como a de quinta-feira, por desagradáveis que possam parecer à primeira vista, revestem-se de alta relevância pedagógica em uma democracia. Ainda que cause desconforto e seja realmente indesejável, um bate-boca entre magistrados é preferível a uma Justiça fechada sobre si mesma, sem transparência e publicidade. Não há mecanismo legal que impeça ministros de tribunais superiores de divergir, tênue ou fortemente, sempre que resguardado o decoro esperado de tão elevados foros. Mais importante é que se transmita ao público a certeza de que não haverá impunidade nem excessos antidemocráticos. Sai ganhando, assim, a cidadania brasileira.

O Tribunal se encolhe - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 17/08

Na retomada do julgamento do mensalão, Barbosa e Lewandowski voltam a protagonizar altercações que depõem contra o Supremo


Errou quem esperava do ministro Joaquim Barbosa, agora na posição de presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), atitude diversa daquela que o caracterizou na primeira fase do julgamento do mensalão.

Repetiu-se nesta semana, contra o adversário de sempre, o hábito da nota acerba, do revirete ríspido, da desqualificação feroz. Não apenas o ministro Ricardo Lewandowski saiu vitimado pelos destemperos do colega. Também o ministro José Antonio Dias Toffoli, em geral entrincheirado no silêncio, arriscou-se em dura altercação.

Quem será o próximo alvo dos ataques de Barbosa? Os ministros, cabisbaixos, esperam; alguns se entreolham discretamente; o Tribunal se encolhe. Quem se atreve?

As atenções se voltam para Luís Roberto Barroso, o recém-chegado ao ambiente, que por zelo ou inocência de neófito já se adiantou em opiniões diversas sobre o caso, a rigor alheias ao previsto na pauta.

Como as ministras Cármen Lúcia e Rosa Weber, Barroso considera que o crime de formação de quadrilha não foi definido a contento pelos que condenaram José Dirceu, José Genoino e demais participantes do esquema. Há espaço para revisão do julgamento nesse item, caso os embargos infringentes venham a ser admitidos.

O ponto terá de ser enfrentado, mais cedo ou mais tarde. O clima político não deixará de se impor, sem dúvida, às ponderações do Supremo. Aceitar os embargos infringentes significa, na prática, recolocar todo o mensalão sob novo julgamento --com outros ministros e novas possibilidades de recomposição da maioria.

Que essa decisão venha antes do Sete de Setembro, para quando amplas manifestações estão previstas nas principais cidades do país, é algo que constitui certamente fator suplementar de agravamento para as tensões entre os ministros.

Terá sido esta, quem sabe, a razão para um brutal surto de impaciência por parte de Joaquim Barbosa? Tinha pressa, com bons motivos, para rejeitar um embargo, ao que tudo indica artificial e descabido, do ex-deputado conhecido como Bispo Rodrigues.

Sem nenhuma pressa, por sua vez, Lewandowski --contra o entendimento de todos e até contra o seu próprio voto na ocasião do julgamento-- perdia-se em minúcias extemporâneas, raspava palimpsestos de doutrina, emaranhava-se em revisões filiformes.

Chicanas, bradou Barbosa, após uma pausa em que se pôde ver a súbita obliteração da memória lexical, por força de emoção mal contida, ou o cálculo impiedoso da intimidação, da supremacia do grito sobre a compostura do cargo.

Péssimo momento, a atrair pela sensação barata, mais uma vez, os olhares da plateia para um espetáculo que se prorroga de modo exasperante.

Basta de adiar lei para a terceirização - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE

CORREIO BRAZILIENSE - 17/08
A terceirização é importante ferramenta do capital, capaz de aumentar a competitividade das empresas e, portanto, bem-vinda, desde que respeite os direitos do trabalhador. Mas, no Brasil, sem uma lei que a regulamente, a precarização das relações trabalhistas de terceirizados tem sido uma constante no setor público. E mais uma vez, esta semana, adiou-se uma solução para o imbróglio. Há quase uma década em tramitação na Câmara dos Deputados, falta consenso para fazer avançar o Projeto de Lei (PL) nº 4.330/04. A matéria seria apreciada quarta-feira pela Comissão de Constituição e Justiça, mas nem entrou na pauta nem teve nova data agendada.
A prática só tem como parâmetro legal hoje no país a Súmula nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho (TST), insuficiente para definir com clareza os direitos e deveres das partes: contratante, contratada e mão de obra envolvida. Com isso, o calote das prestadoras de serviços torna-se recorrente. Empresas recebem o pagamento e não repassam a parte dos empregados, que, às vezes, cruzam os braços em protesto. Ou seja, restam prejudicados, primeiro, o trabalhador, depois o órgão oficial e, em última instância, os contribuintes. Só ganham os inescrupulosos travestidos de empresários. Para agravar, multiplicam-se casos em que a estatal é multada pela Justiça ou, ainda, obrigada a incorporar em seus quadros o terceirizado mantido por períodos que extrapolam o que poderia ser entendido como serviço temporário.

Mesmo no que está definido pela Súmula 331 falta consenso entre os envolvidos. Exemplo é a restrição para a contratação de terceiros pelo serviço público para o exercício de funções de áreas da atividade fim - ou seja, eletricistas em empresas de fornecimento de energia elétrica; médicos e outros profissionais da área médica para trabalhar em hospitais; etc. Afinal, nem sempre há clareza na distinção entre o que é principal e o que é secundário numa estatal, o que abre brecha para a Justiça declarar ilícito um contrato de terceirização. Além disso, há quem simplesmente discorde da limitação.

Enquanto o debate não chega ao fim, toda a sociedade perde. Como o Correio mostrou na quinta-feira, firmas dão golpe no governo, voltam a ser contratadas por ministérios, autarquias e estatais - driblando os sistemas de controle com o uso de laranjas -, o dinheiro jamais é recuperado nem responsáveis são punidos. A farra seria interrompida, ou pelo menos controlada, com a definição de regras transparentes, por meio de lei. A hora é, pois, de convergir o debate para pôr fim às polêmicas e permitir que a terceirização cumpra seu papel de reduzir custos e melhorar a eficiência dos serviços públicos. Enquanto isso não acontece, o Brasil, mais uma vez, vai ficando para trás em matéria de competitividade.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“A economia está indo razoavelmente bem”
Ministro Guido Mantega (Fazenda) mostrando otimismo diante de resultados pífios


TSE: CÁRMEN LÚCIA SUSPENDE SETE CONVÊNIOS

A ministra Cármen Lúcia, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), assinou ato tornando sem efeito todos os convênios firmados com entidades para repasse de informações extraídas do cadastro de mais de 141 milhões de eleitores brasileiros. Segundo informação da área técnica do TSE, são sete convênios de repasse de dados com entidades como Caixa Econômica e Agência Brasileira de Inteligência.

PRÁTICA ANTIGA

O TSE assina convênios semelhantes aos do Serasa, já suspenso, desde o ano de 1996. Muitos já foram encerrados.

PASSANDO A LIMPO

Cármen Lúcia constituiu comissão, presidida pela ministra Laurita Vaz, a corregedora, para averiguar todos os acordos de repasse de dados.

ALÔ, INDEPENDÊNCIA

A rádio CBN do Recife voltará ao controle jornalístico do deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE) a partir de setembro.

APROXIMAÇÃO

O tucano José Serra pediu e vai jantar com senadores “independentes” do PMDB na casa de Jarbas Vasconcelos (PE), em Brasília, quarta, 21.

STJ REPASSA AO TJDF PROCESSO CONTRA ARRUDA

O processo em que o ex-governador do DF José Roberto Arruda é acusado de coagir testemunhas, que o levou à prisão em 2010, no âmbito da Operação Caixa de Pandora, seguirá agora à vara criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Em decisão do último dia 1º, o ministro Arnaldo Esteves Lima declinou da competência do Superior Tribunal de Justiça de julgar a ação penal transferindo-a ao TJDF.

MAIS DO MESMO

Além de Arruda, constam como réus na ação penal Geraldo Naves, Wellington Moraes, Antônio Bento, Rodrigo Diniz e Haroldo Carvalho.

É CANDIDATO

José Roberto Arruda negocia sua filiação ao Partido da República, para disputar a eleição de 2014.

RISCO DE EXTINÇÃO

O presidente do PDT, Carlos Lupi, está em pé de guerra com Paulinho da Força, que ameaça ceifar as bases do partido em São Paulo.

SUPREMO OCTÓGONO

O local do lanche dos ministros do Supremo Tribunal Federal foi apelidado de “octógono” (ringue de MMA), após os ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski quase irem às vias de fato, na quinta.

VIROU VÍTIMA

O cascudo de Joaquim Barbosa no colega Ricardo Lewandowski transformou seu desafeto em vítima. Até setores sempre simpáticos acharam inadequado o comportamento do presidente do STF.

REENCONTRO

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, almoçou ontem no Piantella, em Brasília, com o líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). São amigos há mais de trinta anos.

ISTO É BRASIL

A PF prendeu em São Paulo Edilson Neves, procuradíssimo no Japão. Estrangulou a namorada e os dois filhos dela em 2006 e fugiu para o Brasil, que não extradita nacionais e onde a pena máxima é 30 anos.

PROTOCOLAR

Dilma não estava febril e planejou voltar antes do almoço de posse do presidente do Paraguai, Horacio Cartes, já antevendo as vaias que recebeu ao anunciarem seu nome na cerimônia de posse, quinta (15).

#OCUPARENAN

Mais de 1.200 usuários do Facebook disseram que vão ao panelaço que promete importunar o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) neste sábado, a partir das 14h. Mas ele tem compromissos fora de Brasília.

JUSTIÇA VIRTUAL

Petição da OAB-RJ pede ao Tribunal de Justiça e ao Tribunal Regional do Trabalho que garantam a entrega de petições também em papel, vetadas pelo Conselho Nacional de Justiça, que liberou vista visual do processo só a advogados, prejudicando clientes de Juizados Especiais.

QUE PAPO É ESSE?

O deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) pediu à Comissão de Minas e Energia para convidar João Henriques, ex-diretor da BR Distribuidora, a esclarecer denúncia de repassar para o PMDB propina na Petrobras.

MENINO DE RUA

Fossem outros tempos e ele mais novo, Lula, que agora incentiva manifestações de rua, teria criado o grupo Black Blocs on the rocks.



PODER SEM PUDOR

TUCANOS USAM CANGA?

No calor da discussão sobre a reforma tributária, em 2003, o então presidente do PSDB, José Aníbal, estava preocupado com as traições em seu próprio partido e usou uma expressão bem nordestina para enfatizar a necessidade de controlar os correligionários:

- Tem que botar uma canga no pessoal do PSDB!

Eduardo Paes (RJ), na época um deputado tucano, não entendeu:

- Vai ser difícil, Zé...

Para o carioca Paes, "canga" era só aquela manta que o mulherio usa como saída de praia.

SÁBADO NOS JORNAIS

- Globo: Efeito câmbio: Dólar dispara, vai a R$ 2,39 e ameaça controle da inflação
- Folha: Haddad desiste de obras viárias do Arco do Futuro
- Estadão: Apesar da ação do BC, dólar tem maior cotação em 4 anos
- Correio: Alta do dólar já restringe uso de cartão de crédito
- Estado de Minas: Rir e o melhor negócio
- Zero Hora: Jovens e trânsito: Novatos na direção, campeões em multas
- Jornal do Commercio: Gasolina já está a R$ 2,89

sexta-feira, agosto 16, 2013

Alucinações - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 16/08

A Petrobras criou ontem uma Comissão de Investigação para apurar a conduta do funcionário Clóvis Correa, que estava como assessor da Transpetro, o braço da estatal comandado pelo PMDB.

É que segundo o lobista João Augusto Rezende Henriques, em entrevista à “Época”, Clóvis participou do esquema de propina na venda da refinaria de San Lorenzo, quando era diretor da Petrobras Argentina.

Veja só...
Num corredor da Petrobras, houve quem justificasse as declarações de João Augusto como alucinações provocadas pelo transplante de fígado que ele realizou.

Mas...
Em Frei Paulo, esse tipo de alucinação tem outro nome...

Inflação do tomate
Em Paty do Alferes, a cidade fluminense do tomate, o fruto está estragando no pé.

É que depois da alta de preço, no início do ano, o tomate está tão barato que eles preferem não fazer a colheita.

Quanto vale o show?
A Beija-Flor, que em 2014 vai homenagear Boni, o grande diretor de TV, foi autorizada pelo MinC a captar R$ 8.529.190 pela Lei Rouanet.

Família Scolari
Dona Olga, mulher do técnico Felipão, foi convidada a estrelar uma campanha de uma rede de varejo.

Jogo que segue...
Por falar em Felipão, ele será o garoto-propaganda do Dia do Profissional de Educação Física, em 1º de setembro.

O pibão de Chico
O professor Francisco Lopes, que provocou polêmica, no mês passado, ao dizer no “Valor” que a economia brasileira estava crescendo ao ritmo de 4% ao ano, comemorou ontem o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br):

— O número mostra que, quando comparamos o segundo trimestre de 2013 com o mesmo período de 2012, houve um crescimento de 3,97%.

E mais...
Quanto vai crescer no resto do ano, o ex-presidente do BC no governo FH diz que ninguém pode saber ao certo:
— Talvez desacelere um pouco no terceiro trimestre e volte a crescer forte no quarto. Mas isso é questão de projeção e opinião. Eu acho que para o total do ano, como o primeiro trimestre foi meio ruim, vai crescer entre 3 e 3,5%.

Quadrinhos
Um livro inédito com os quadrinhos de “O Fantasma”, ícone dos anos 1930, chega hoje às bancas pela Pixel Media e pela Coquetel. Criado pelo americano Lee Falk (1911-1999), o mascarado combate o crime com um anel de caveira, duas pistolas e o lobo Capeto.

Nos trilhos
Ontem, foi assinado o contrato, entre a CNR Changchun Railway Vehicles Co. Ltd e o MetroBarra, de compra dos 15 trens para a Linha 4.

Segue...
O Rio tem negociado trens na China. Até agora, tem sido mais barato.

A Alstom, que está no meio de um escândalo em São Paulo, chegou a apresentar proposta 51,32% mais cara do que a dos vencedores asiáticos.

Aliás...
A SuperVia foi condenada a indenizar em R$120 mil a família de um passageiro que morreu ao cair de um trem, em São Cristóvão, que trafegava com as portas abertas.

A decisão foi da 18ª Câmara Cível do Rio.

Mudança de bairro
Depois de 19 anos no Fashion Mall, o Joe & Leo’s decidiu sair do shopping. A matriz da rede está de mudança para Ipanema, onde o custo de ocupação é mais baixo, e o fluxo de clientes, mais intenso.

AlO, ministro Padilha!
O Hospital Geral de Ipanema, referência nacional em cirurgias de alta complexidade, já vai completar um mês sem tomógrafo, fundamental para o diagnóstico dos pacientes.

Sem conserto...
O aparelho quebrou, o Ministério da Saúde prometeu consertar até o dia 7, mas até agora nada.

Outra máquina, a que realiza exames de ecodopler, também está quebrada.

Flatulência
Ontem, na Avenida Chile, quase dez agentes que chegavam para ajudar a pôr ordem no trânsito no Centro do Rio gritavam de dentro de uma van branca:

— Peidou, peidou, peidou!

Exilados sem língua materna - MILTON HATOUM

O Estado de S.Paulo - 16/08

O encontro de dois amigos exilados aconteceu em Paris, no outono de 1981.

Alberto L. era franco-argentino; Jaime D. era cubano e queria ser escritor, mas se recusava a falar e a escrever em espanhol. Naquele outono ele pediu para que eu lesse o manuscrito de um romance. Li o texto em francês e disse que Alberto também devia lê-lo, pois meu amigo argentino era bilíngue e podia avaliar melhor a linguagem da narrativa, que me pareceu intrincada e, em certas passagens, obscura.

Eles se encontraram no Café des Beaux Arts e depois Alberto me confidenciou:

"O começo da nossa conversa foi um monólogo. Disse a Jaime que eu tinha lido o manuscrito porque tu gostaste do romance. Disse que foi o primeiro manuscrito que li na minha vida de leitor e quase com certeza o último. Não sou um escritor frustrado, eu disse, sou um leitor de bons livros e isso basta. Depois fiz um comentário sobre o romance: uma história assombrosa e algo alegórica sobre a ditadura de Fulgencio Batista; uma história que, na minha visão pessimista, talvez pudesse ser lida em perspectiva. Comentei outras coisas que me interessaram e disse: Você escreveu diretamente em francês, o que não deixa de ser uma ousadia ou uma façanha. Mas a linguagem do manuscrito parece órfã, como se fosse uma tradução de um texto sem uma língua de origem. Um bom tradutor talvez possa cortar os excessos de preciosismo, porque seu estilo é um pouco pomposo. Não é preciso dizer que gostei muito do romance e que eu sinto inveja de você. Percebi que tinha exagerado, mas Jaime reagiu bem e disse que ia pensar nas minhas observações. Depois me agradeceu com uma única palavra: gracias. Um agradecimento seco, com a mesma voz que pediu uma dose de conhaque ao garçom. Teu amigo cubano não foi caloroso comigo. Talvez seja desconfiado quando se encontra com um desconhecido. Mas acho que ele vai reescrever o manuscrito com um tradutor".

Como conseguiste isso?, perguntei.

"Duas pessoas banidas de sua pátria se entendem", disse Alberto. "Quer dizer, se entendem quando não conversam sobre política, um assunto que queima o coração. Falamos um pouco sobre a nossa infância, e bem mais sobre nossas leituras. Nossa infância quase nada tem em comum. Infâncias muito diferentes, como são diferentes os países da América Latina. Ele morou em lugares paupérrimos de La Habana, bairros que não têm ou não tinham equivalentes em Córdoba. Começou a trabalhar ainda menino, e eu só tive que trabalhar quando me diplomei em ciências econômicas. Jaime não conheceu os pais deles. Eu convivi intensamente com os meus até os 11 anos de idade. Nossas leituras são mais ou menos afins, com preferências diferentes. Conversamos mais de uma hora sobre essas leituras e discrepâncias. Quando eu disse que devia ir embora, ele tamborilou nervosamente sobre a mesa, como se os dedos golpeassem o teclado de uma máquina de escrever. Jaime quis pagar a bebida, mas acho que blefava. Disse a ele que eu era um funcionário bem remunerado do Crédit Agricole, mas teria preferido ser um escritor e levar uma vida modesta. 'Não acredito nisso', reagiu Jaime, 'a vida modesta é geralmente uma vidinha de merda, e eu não sou esse romântico'. Concordei, para não ser indelicado. E também porque ele falou com raiva. Não protestou quando eu paguei a conta; nos despedimos com um aperto de mão. Jaime pegou o metrô para Barbès, e eu, para Gare d'Austerlitz".

Nenhum dos dois se empenhou em manter uma amizade. Eram amargos demais com o passado, e talvez discordassem sobre a revolução cubana.

O tempo e a distância nos separaram. Sei que ainda moram em Paris. E só dez anos depois conheci o destino do manuscrito de Jaime D.

Passividade, nunca mais! - BARBARA GANCIA

FOLHA DE SP - 16/08

Só vale aplaudir aquela que é consentida por adultos, no bom sentido, é claro, entre quatro paredes


A esta altura, não deve existir mais nenhum paulistano disposto a engolir a versão de que as cinco pessoas da mesma família mortas na casa da Vila Brasilândia, na zona norte de São Paulo, tenham sido assassinadas pelo filho imberbe do casal de PMs.

Descrédito é mercadoria abundante, inclusive entre as tropas --e não é por menos. Existe decisão mais infeliz do que aquela que diz que policial não pode mais socorrer acidentados ou vítimas de violência? Ora, se um oficial armado há de ser encarado como ameaça pela população, com que ânimo ele vai sair de casa para trabalhar?

Moral das tropas em baixa e briga entre as duas forças não é exatamente a melhor maneira de se enfrentar uma guerra velada por pontos de tráfico de drogas. E qualquer morador da periferia sabe que viatura policial não ousa entrar em favela. Como cereja do bolo, agora temos mais essa da cara de pau da adulteração da cena do crime na Vila Brasilândia, com o delegado do caso posto na geladeira, e mais PMs passando pela casa em que as mortes ocorreram do que marines desembarcando na costa da Normandia no Dia D. E ninguém nem aí para dar satisfação.

Sei. Quais eram mesmo as maiores preocupações do paulistano levantadas naquela pesquisa mais recente? Pois é, na ordem: violência, transporte e saúde, né não? E olha que só quem tem câncer e é obrigado a esperar meses para ser atendido é que pode dizer como é que a violência e o transporte foram capazes de suplantar a saúde em matéria de maus serviços prestados à população.

As mudanças precisam ser estruturais e ligeiras, não dá para deixar o caldo esfriar. Seria necessário queimar uma mata atlântica inteira para reacender a chama das manifestações deflagradas em junho.

No dia em que os manifestantes foram à porta do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para protestar contra a internação naquela ilustre instituição de quem simboliza, melhor do que ninguém, a perpetuação de vícios que precisam ser erradicados da prática política tapuia, eu postei no Facebook uma frase que incomodou muita gente.

Disse: "A estratégia de nunca mais dar paz aos corruptos passa adiante do meu e do seu interesse pessoais. Manifestantes na frente do Sírio-Libanês me representam". Teve amigo meu de cabelo em pé: "Pô, Barbara, até na guerra zona de hospital é respeitada!"

Nesta semana, o colega Marcelo Coelho, que, por sinal, anda em fase inspiradíssima, escrevendo melhor do que nunca, trilhou a mesma estrada e criticou os dois sujeitos que estavam no avião com o Feliciano e resolveram importunar o deputado com provocações bobocas que depois postaram em vídeo no YouTube.

É claro que o limite do assédio continua sendo a lei. Violência, quebra-quebra, ameaça à integridade física, nada disso vale.

Mas revolta não é vandalismo. É preciso que essa distinção fique bem clara para que a gente saia da passividade e parta para o contra-ataque definitivo e sistemático. Fazer oposição à insensibilidade dos que praticam o verdadeiro vandalismo, aquele que castiga a população que deveria estar sendo beneficiada, doravante é bafo no cangote 24 horas.

Na porta do restaurante, na festa, no heliporto e no shopping. É preciso conscientizar de que é a presença do corrupto, e não a do manifestante, a que causa o constrangimento no hospital. Vamos mais é aplaudir e incentivar esta nova cultura política que está nascendo na esteira das manifestações.

UFC! Mensalão X Trensalão! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 16/08

'Serra diz que certamente será candidato a alguma coisa em 2104'. Presidente do Palmeiras? Miss Bumbum?

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Predestinado do dia: "Ministros do Supremo rejeitam recurso de JACINTO LAMAS". O Jacinto Lamas fez 40 saques no Banco Rural. Lamas só pode ser no Banco Rural mesmo, coerente.

E ele fez 40 saques? Eu acho que ele dava plantão na porta giratória. A porta girava, ele entrava e sacava de novo! Rarará.

Mensalão 2! Eu gosto dos ministros, os tiozinhos morcegos. O Lewandovsky parece o Vampiro de Dusseldorf, a Cármen Lúcia é o clone do Mr. Bean, e a Rosa Weber parece a Dona Clara dos Ovos.

E o Barbosa parece piloto de Formula 1. Só trabalha semideitado!

E já imaginou o cheiro de naftalina daquelas capas pretas?! Naftalina com cecê! Rarará!

E queria a reprise do escândalo Calheiros. Pelo menos a amante era gostosa. No mensalão só tem feios, sujos e malvados!

E o trensalão? O trilhão!

E o Alckmin processa a Siemens e o xampu antiqueda!

Mas o Piauí Herald revela que o "Alckmin processa a Ford pelo trânsito em São Paulo". Rarará!

O Alckmin processa a Siemens, a Ford, a GM, a Volks, o PT, o Passe Livre, a Mídia Ninja, o Pablo Capilé e o xampu antiqueda!

E essa: "Serra diz que certamente será candidato a alguma coisa em 2014". Presidente do Palmeiras? Miss Bumbum 2013? Porteiro de necrotério?

Olha, contanto que não seja pra síndico do meu prédio, tá valendo!

E o Egito Agito? Eu tenho uma teoria: o Exército quer jogar a Irmandade Muçulmana pra clandestinidade, aí explode uma bomba e o Exército tem que permanecer no poder pra combater o terrorismo!

E eu já disse que no mensalão tem tantos acusados que não é mais banco de réu, é arquibancada! Rarará.

É mole? É mole, mas sobe!

O Brasil é Lúdico! Olha o que eu vi no Placas Ridículas: "Sacolão 2 IRMÕES".

Mas não seria "Sacolães"? Sacolães Dois Irmões! Rarará!

E em Salvador tem um salão de beleza chamado "Salão Duas Irmães! Prancha e Escova".

Entendi, uma irmã se chama Prancha e a outra se chama Escova. Rarará!

Nóis sofre, mas nóis goza.

Hoje, só amanhã!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Broche, chicote e cipó - NELSON MOTTA

O GLOBO - 16/08

Com o encarceramento do deputado federal Natan Donadon, condenado pelo STF a 13 anos e 4 meses por corrupção, quebrou-se o tabu centenário de o Supremo não condenar um parlamentar à prisão, e abriu-se a temporada de caça a políticos corruptos, de todos os partidos. Um detalhe fofo: quando se entregou à polícia e deu entrada no presídio, Donadon fez questão de manter na lapela o broche da Câmara dos Deputados, que agora deve estar usando no seu macacão laranja.

Em seguida, o senador Ivo Cassol foi condenado pelo Supremo, por unanimidade, a 4 anos e 8 meses de prisão por fraudar licitações para empresas de parentes e amigos quando era prefeito de Rolim de Moura. Mas, assim que o Senado cassar seu mandato e o elemento começar a cumprir sua pena no regime semiaberto, dormindo na cadeia, a sua cadeira será ocupada, como se fosse hereditária, por Reditário Cassol, seu suplente e pai.

Em outubro de 2011, quando o filho se licenciou para lhe permitir desfrutar de três meses como senador da República, Reditário subiu à tribuna para defender que os presos sejam obrigados a trabalhar nos presídios para ajudar o Estado a pagar a sua manutenção, e, caso se recusem, devem ser chicoteados.

O senador Suplicy protestou: chicote não, é medieval.

Talvez Reditário nunca tenha ouvido a música “Cipó de aroeira”, de Geraldo Vandré, um clássico petista, e nunca imaginou que, se dependesse dele, um dia seu filho teria que pegar no pesado na cadeia ou receber “a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar”.

Darcy Ribeiro dizia que o Senado era o céu, com a vantagem de não se precisar morrer para chegar lá. Mas, ainda melhor do que ser senador, é ser suplente, sem precisar fazer campanha, sem votos, sem nenhum compromisso, a não ser os financeiros — muitos suplentes financiam a campanha e recebem em troca alguns meses ou até anos de mandato do titular —, sem qualquer qualificação ou legitimidade, e cobertos pela legalidade indecente que eles mesmos criaram, e que só agora, como medida marqueteira da “agenda positiva” do Senado, começa a acabar.

Mais espantoso que acabar é ter durado tanto.

Banho de sangue - HÉLIO SCHWARTSMAN

FOLHA DE SP - 16/08

SÃO PAULO - A culpa pelo massacre no Egito cabe obviamente às autoridades que determinaram a ação policial, mas o Ocidente tem lá sua parcela de responsabilidade ao não ter condenado com a veemência necessária o golpe militar que apeou a Irmandade Muçulmana do poder.

Como todo ateu, tenho horror a agendas religiosas e pânico de teocracias. Temo, porém, que a solução fácil de cortar pelas armas os destemperos de governos de inspiração islâmica, como o era o de Mohammed Mursi, contribua mais para perenizar o problema do que para resolvê-lo.

O precedente clássico é o da Argélia. Em 1992, o partido religioso FIS (Frente Islâmica de Salvação) estava prestes a vencer as eleições, o que levou o governo a cancelar o pleito, num gesto que foi aplaudido por várias democracias ocidentais. O golpe, contudo, deu lugar a uma sangrenta guerra civil que durou quase uma década e produziu 100 mil cadáveres.

A grande verdade é que países não se tornam democracias porque um dia acordam dispostos a virar uma. O processo é bem mais conturbado e exige que os principais atores meçam forças e concluam que a busca da hegemonia política seria mais custosa que um acordo que permita, em princípio, a todas as partes exercer o poder por prazo limitado. O fato de um dos grupos acreditar-se legitimado por uma força superior só complica a equação. No Ocidente, levamos uns 500 anos para promover a revolução secular, que enfim destronou a igreja do reino da política.

Pode-se argumentar que golpe no Egito, ao mostrar aos religiosos que não poderiam mandar sozinhos, inscreve-se nesse esquema. Talvez, mas um avanço real teria exigido que os egípcios, com apoio do Ocidente, tivessem passado esse mesmo recado sem recorrer à força. A democracia, afinal, só vem quando todos aceitam que as regras de disputa controlada com alternância no poder e continuidade institucional são a forma menos custosa de administrar conflitos.

'Puxadinhos' na política energética - ADRIANO PIRES E ABEL HOLTZ

O Estado de S.Paulo - 16/08


A busca míope pela modicidade tarifária e pelo controle da inflação tem levado o governo a tomar medidas, no setor energético, sem coerência e sem avaliação plena das suas consequências, tornando necessária a realização de remendos que desconfiguram o marco regulatório, sacrificam as empresas, criam instabilidade e dificultam o planejamento e o investimento. O marco regulatório resultante de todos esses "puxadinhos" não atribui a lógica necessária ao bom funcionamento do setor, enfraquecendo as empresas, criando conflito entre as partes e aumentando a perspectiva de judicialização das decisões.

Um exemplo é a judicialização da questão do rateio do custo das térmicas. Antes, as despesas criadas pela ligação das térmicas eram rateadas entre os consumidores de energia, tanto no mercado livre (indústrias e comércio de grande porte) quanto no mercado cativo (clientes das distribuidoras). Agora, a divisão da conta passou a contar com a participação das comercializadoras e das próprias geradoras de energia elétrica, para que com isso o governo possa cumprir a promessa de reduzir as tarifas do consumidor final. As geradoras foram à justiça e conseguiram uma liminar para serem excluídas do rateio do chamado Encargo para Segurança do Sistema (ESS). A União tentou derrubar tal liminar, mas o pedido foi indeferido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Outros "puxadinhos" têm sido construídos para financiar as desonerações fiscais, que incentivam artificialmente a atividade econômica no curto prazo. As empresas "estatais", por exemplo, estão sendo mobilizadas para aumentar seus pagamentos de dividendos. Entre 2007 e 2012, o montante dessas receitas saiu de 0,26% do PIB (R$ 6,9 bilhões) para 0,64% do PIB (R$ 28 bilhões). Com isso, a participação dos dividendos no superávit do governo central passou de 11,74% para 32,6%.

Não por outro motivo, a contabilidade criativa do governo chegou à Petrobrás. A empresa divulgou um fato relevante ao comunicar que, a partir de meados de maio, passou a aplicar às suas exportações a prática contábil conhecida por contabilidade de hedge. Essa ação contábil permite que empresas reduzam impactos provocados por variações cambiais em seus resultados periódicos, desde que gerem fluxos de caixa futuros em moeda de outro país que se equivalham e tenham sentidos opostos. Assim, 70% do total da dívida líquida exposta à variação cambial serão protegidos por 20% das exportações, por um período de sete anos. Dessa forma, ao compensar prejuízos com a dívida de exportações futuras projetadas, a empresa diminui a transparência do seu resultado e acrescenta um novo risco ao seu valuation. Embora a prática seja permitida, o resultado prático será o aumento dos dividendos pagos principalmente nas ações ON, beneficiando o caixa da União.

No caso da Eletrobrás, o empréstimo de R$ 2,5 bilhões tomado por ela no BNDES no final de junho foi feito, ao menos em parte, para possibilitar o pagamento de dividendos aos acionistas da estatal, entre eles a União e o próprio BNDES. Para viabilizar esses pagamentos, a Eletrobrás teve de pagar juros "acima do esperado em operações com garantia da União", conforme avaliação do próprio Tesouro Nacional.

Se vasculharmos as notícias publicadas na imprensa, encontraremos outros exemplos de arranjos, como o uso da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) para financiar o desconto nas contas de energia, o uso dos recebíveis de Itaipu para compor a CDE e a possibilidade de colocar os índios como sócios das hidrelétricas.

O foco no populismo deixará como herança um setor energético desconstruído e cheio de remendos. Isso resultará em empresas sem capacidade de investimento e agências reguladoras enfraquecidas, que serão substituídas pela justiça na arbitragem dos conflitos criados pelo próprio governo. As consequências do modelo de "puxadinhos" serão o desabastecimento, o aumento da dependência externa e a criação de grandes "esqueletos" para os futuros governos.

* Adriano Pires e Abel Holtz são, respectivamente, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) e diretor da Holtz Consultoria.

O delírio megalômano do trem-bala descarrilou - ROBERTO FREIRE

BRASIL ECONÔMICO - 16/08

Em mais uma demonstração da falta de rumo da atual gestão, o governo de Dilma Rousseff anunciou, pela terceira vez, o adiamento do leilão para o Trem de Alta Velocidade (TAV), que ligaria São Paulo,Campinas e Rio de Janeiro.Embora se trate, desta vez, de um recuo bem-vindo, o mais correto seria que a presidente cancelasse este projeto faraônico elaborado ainda durante o governo Lula e utilizasse um montante estimado em mais de R$ 60 bilhões para construir metrô nas principais regiões metropolitanas do país.

A concorrência que definiria o fornecedor dos equipamentos e o operador da concessão havia sido marcada para esta sexta-feira (16) e acabou adiada diante da falta de interesse dos investidores estrangeiros pelo projeto. O dado estupefaciente é que a iniciativa privada arcaria com apenas 20% dos investimentos, restando nada menos que 80% ao Estado (10% do Tesouro Nacional e 70% do BNDES, por meio de empréstimos subsidiados). Mesmo assim, as empresas não compareceram. Uma das explicações para o novo fracasso está justamente na subestimação do custo total da obra.

Ao contrário do que anunciou o governo, que projeta um investimento de R$ 33 bilhões, uma reportagem publicada pela revista “Veja” em novembro de 2010 já estimava um gasto de R$ 63,4 bilhões, pois não teriam sido incluídos nas previsões orçamentárias itens como subsídios fiscais e obras complementares necessárias em algumas cidades onde não há infraestrutura adequada. A recente onda de manifestações pelo Brasil foi desencadeada a partir da mobilização ocorrida em São Paulo em torno do transporte coletivo.

A questão da mobilidade urbana foi alçada, enfim, a tema prioritário da pauta nacional, mas infelizmente o governo petista segue investindo pouco e mal no setor, alimentando delírios megalomaníacos e estipulando prioridades equivocadas. Com os mais de R$ 63 bilhões que serão gastos no trem-bala, a administração federal poderia resolver o problema do transporte ferroviário no país. Para isso, bastaria destinar R$ 25 bilhões em novos investimentos em metrô e trens urbanos, o que beneficiaria mais de três milhões de pessoas por dia em capitais como São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Brasília, Salvador, Recife, Fortaleza e Goiânia.

Outros R$ 35 bilhões seriam aplicados na área de transporte ferroviário de carga, com obras que conectariamos principais portos brasileiros aos fluxos produtivos, facilitando o transporte de soja, milho, fertilizantes, combustíveis, álcool etc. E ainda sobraria dinheiro. São Paulo é hoje uma exceção entre os estados brasileiros, pois conseguiu expandir consideravelmente sua malha de transporte sobre trilhos mesmos em contar com um centavo sequer do governo do PT. Todos os recursos federais obtidos pelo estado são, na verdade, empréstimos que terão de ser pagos.

Atualmente, os paulistas usufruem de uma rede de 329 km, sendo 74,3 km de metrô e 254,7km da CPTM, que transporta 7,3 milhões de passageiros por dia. Ainda é pouco. Se houvesse ajuda federal, a realidade seria outra. A presidente Dilma agiria com responsabilidade caso sepultasse o projeto mirabolante do trem-bala e trabalhasse com afinco para melhorar este cenário, mas é difícil imaginar que tenha a grandeza necessária para tanto. Fora dos trilhos há dez anos, o Brasil precisa reencontrar seu caminho.

O jogo do tempo - DENISE ROTHENBURG

CORREIO BRAZILIENSE - 16/08


As mulheres da pré-campanha presidencial do ano que vem são as únicas que correm contra o relógio. Dilma Rousseff, para fazer a economia deslanchar, e Marina Silva, para montar a Rede. Para quem está de olho em 2014, são esses os fatos que merecem mais atenção no atual momento da disputa

Voltar de férias sempre dá aquela avidez por novidades. O pior é constatar a escassez de boas novas. Na base governista, o PMDB manda dizer à presidente da República que não brinque com os protegidos do partido, porque, senão, virá algo pior do que orçamento impositivo. Leia-se a derrubada de vetos. Basta que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMBD-AL), e o da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), acertem colocar os temas mais controversos em pauta. No maior partido de oposição, o PSDB, acirra a guerra interna pela candidatura, o que só ajuda os adversários (as). E, no mais, a economia balança e as CPIs estão por aí a ameaçar o governo. As passeatas arrefeceram em relação ao que se viu em junho, mas, por toda a parte, crescem as preocupações com o futuro.

Mas vamos por partes. Afinal, a história que se desenha para frente nos permite tirar algumas conclusões nada precipitadas para o momento. O PMDB não vai querer largar a vaga de vice na chapa da presidente Dilma Rousseff à reeleição. E ainda que muitos dentro do governo queiram aproveitar as últimas denúncias de tráfico de influência em estatais para balançar o barco da aliança, o partido não pretende deixar que isso sirva de desculpa para que a petista afaste o parceiro. Principalmente, agora que ela dá sinais de recuperação nas pesquisas de intenção de voto. Ainda que Lula converse com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB, candidato ora sim, ora também.

Eduardo Campos, por sua vez, está mais reservado e não é para menos. Em política, a hora é de continuar meio mergulhado, respirando pelo canudinho. Afinal, exposição demais em tempos de crise pode dar problema. Ele não tem pressa. E sabe que não tem o que perder sendo candidato. Afinal, por pior que se saia, sempre será um aliado importante ao governo num segundo turno. E é aí que Lula joga para mantê-lo na órbita petista. Não quer apostar num descuido que leve o aliado para o ninho do presidente do PSDB, Aécio Neves, que não deixa de procurar o governador pernambucano com acenos ao futuro.

Enquanto isso, na ala feminina da pré-campanha…
Nessa ciranda, todos trabalham com o tempo, esse senhor da razão, como certa vez estampou numa camiseta o então presidente Fernando Collor nos anos 1990. As mulheres inseridas nessa disputa são as únicas que correm contra o relógio. Marina Silva, para montar a Rede, e a presidente Dilma, para tentar acelerar as obras e dar um visual mais atraente ao governo.

Não por acaso, a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, passou o dia de ontem em reuniões com investidores e o presidente da Empresa Brasileira de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo. Diante do Orçamento insuficiente para levar avante o plantel de obras, o governo recorre à iniciativa privada para alavancar o crescimento. Se der certo, obviamente, ampliam as esperanças petistas de continuar no poder.

Dilma não vê a hora de, com a economia respirando sem a ajuda de aparelhos, degustar aquela sensação de dona do jogo e senhora absoluta do tempo de cada ministro em seu governo e das verbas que destinará a cada pasta no Orçamento a ser enviado ao Congresso no fim deste mês.

A presidente não mexeu uma palha no sentido da reforma ministerial, contrariando a torcida de muitos que esperavam a queda da ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, ou da própria Gleisi. As mudanças só virão em dezembro. E ninguém hoje, à exceção do presidente Lula, conversa sobre esse tema com Dilma. A não ser, é claro, se ela tocar no assunto, o que dificilmente acontece. Nesse quesito, a presidente se vê senhora da razão e não admite interferência de terceiros. Ainda que os partidos indiquem, se o ministro é aceito, a escolha final cabe a ela.

E o Supremo, hein?
O julgamento do mensalão marca a história do Supremo Tribunal Federal sob diversos aspectos. Um deles é o fim da era dos punhos de renda e do fino trato entre os ministros, algo que imperava inclusive na maioria das divergências. E, em termos de boa convivência e exemplo aos mais jovens, nada mais impróprio do que a derrocada da cordialidade. Vejamos os próximos capítulos.

No Senado, são 464 - ILIMAR FRANCO

O GLOBO - 16/08

São 464 funcionários do Senado que recebem acima do teto. Quando o TCU mandou cortar os vencimentos de 1,1 mil servidores, os deputados se irritaram por o Senado ter ficado de fora. As teorias da conspiração proliferaram. Relator do processo, o ministro Raimundo Carreiro explicou que não recebeu todos os dados e deu prazo de 15 dias para o Senado enviar as informações.

A ordem é derrubar
Convencido de que não tem condições de ganhar tudo no voto e que terá de ceder, a orientação do governo é trabalhar para derrubar a sessão de terça-feira do Congresso, quando serão apreciados os vetos da presidente Dilma. O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT- SP), está ligando para todos os líderes aliados fazendo a recomendação. Ontem foi a vez do líder do PP, Arthur Lira (AL). Chinaglia afirmou: "Se não houver acordo na votação, nós derrubamos a sessão." Lira ouviu e perguntou: 
"Nós, quem?". "Nós, a base aliada", respondeu. "Não conte comigo para derrubar a sessão. Quero derrubar os vetos", encerrou o progressista.



"Não sou candidato . Estou pensando em desembarcar . É muita turbulência. É "fora, fulano "; é "fora, sicrano ". Eu é que estou fora "
Garibaldi Alves
Ministro da Previdência , ex-governador e senador

Mesmo compasso
Os tucanos não são os únicos fechados com a candidatura do senador Aécio Neves (MG) à Presidência da República. O DEM, tradicional aliado do PSDB, também já se definiu. O partido, presidido pelo senador José Agripino Maia (RN), avisou que não há hipótese de apoiar o ex-governador José Serra (SP), se ele for o candidato.

Com a bola toda
A residência do presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB), tem sido palco de muitas reuniões com os líderes Eduardo Cunha (PMDB) e José Guimarães (PT). Fecham a agenda e depois vão negociar com PSDB e DEM, da oposição.

Cenário montado
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), mandou imprimir ontem as cédulas de votação dos vetos. Em uma delas, consta o projeto que permite transferir a concessão de táxi por herança. Não houve ainda entendimento prático.

O drama das eleições de 2014
Muitos políticos estão repensando suas candidaturas à reeleição no ano que vem. Preveem que será uma das mais difíceis e imprevisíveis. E que um candidato pode ser surpreendido num comício, pois, ao invés de reunir um grupo que o apoia, poderá encontrar um grupo para protestar contra a sua reeleição.

Superexposição
O PSB avisou que não concorda com a redução da campanha eleitoral de TV de 60 para 30 dias, como quer o Senado. Busca garantir o máximo de exposição e de tempo de convencimento ao seu candidato a presidente, Eduardo Campos (PE).

Agência de viagens
Os ministros reunidos no Planalto, anteontem, defenderam que a presidente fique mais próxima de sua base. Sugeriram que ela programe um avião reserva e carregue os deputados aliados no seu roteiro pelo país.

NA CONTRAMÃO do Senado, os deputados não estão com pressa alguma de colocar em votação a PEC dos Mensaleiros.

'Multissecular' - VERA MAGALHÃES - PAINEL

FOLHA DE SP - 16/08

A pior briga entre Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski desde o início do julgamento do mensalão continuou no Salão Branco, atrás do plenário do Supremo Tribunal Federal. "Vossa Excelência não vai fazer comigo o que fez com o ministro Britto!", interpelou o presidente do STF, dedo em riste, acusando Lewandowski de tentar atrasar o julgamento lendo "artigos de jornal". O revisor do mensalão rebateu: "O senhor me respeite! Isto aqui é uma corte de tradição multissecular!".

Tem mais Na mesma discussão, Lewandowski perguntou se Barbosa achava que seu voto era de "moleque". O presidente do STF respondeu afirmativamente, o que acirrou os ânimos.

Calma, gente Gilmar Mendes e Celso de Mello tentaram acalmar a dupla. Mais tarde, alguns ministros foram prestar solidariedade a Lewandowski em seu gabinete, como Luiz Fux.

Santinho 1 A relação de Dilma Rousseff com a base aliada ainda tem seus percalços. Na reunião com líderes da Câmara, segunda-feira, o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS) disse que o projeto do governo sobre royalties só previa recursos para a educação após quatro anos.

Santinho 2 "Isso é conversa fiada!", reagiu a presidente, se levantando. Albuquerque retorquiu: "Espero que a senhora não esteja dizendo que a conversa fiada é minha". Já sentada, Dilma negou: "Que é isso, Betinho?".

O que é isso... Queixa de Ideli Salvatti durante reunião com Michel Temer anteontem irritou parlamentares. Segundo relatos, a ministra reclamou ao vice que Henrique Alves (PMDB-RN) pautava temas sob pressão, como a votação do piso de agentes de saúde para setembro.

... companheira? Cobrado, o presidente da Câmara explicou que só agendou o tema porque o ministro Alexandre Padilha (Saúde) estava com ele e concordou.

Púlpito Lula vai conversar com o apóstolo Valdemiro Santiago, fundador da Igreja Mundial. Segundo aliados, o ex-presidente tenta pavimentar uma relação com líderes religiosos antes da eleição de 2014. O encontro aconteceria esta semana, mas foi adiado.

Muita calma... A Executiva do PSDB reagiu com cautela aos sinais de que José Serra pode disputar com Aécio Neves a candidatura do partido à Presidência.

... nessa hora "A demanda por prévias pressupõe a participação de dois candidatos. Assim, ficamos felizes em saber que Serra vai ficar no partido'', diz o vice-presidente da sigla, Bruno Araújo (PE), ligado a Aécio.

Cronômetro A Rede vai entrar com representações nas corregedorias eleitorais contra o atraso na validação de suas assinaturas de apoio. O partido também decidiu protocolar hoje ou segunda-feira seu pedido de registro.

Tempo Lula pediu ao TSE a restituição do prazo para pagar uma multa por campanha antecipada, em 2010. Ele informou a corte que, ao fim de seu mandato, afastou a AGU de sua defesa e não regularizou sua representação. A ministra Cármen Lúcia decidiu prorrogar para o dia 30 o pagamento da multa, de R$ 10 mil.

Revoada Dirigente de um governo do PSDB foi recebido com desconfiança em evento do setor ferroviário, após as denúncias de formação de cartel em São Paulo. "Olham como se eu fosse um pavão misterioso", conta.

Visita à Folha Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), visitou ontem a Folha.

com ANDRÉIA SADI e BRUNO BOGHOSSIAN

Tiroteio
"Nem mesmo o cavalheirismo do ministro Lewandowski conseguiu suportar a grosseria do presidente do Supremo Tribunal Federal."
DE ALBERTO TORON, advogado do deputado João Paulo Cunha (PT-SP) no mensalão, sobre o bate-boca entre os ministros do STF na sessão de ontem.

Contraponto


Quem diria
Internado desde o dia 31 de julho no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o senador José Sarney (PMDB-AP) recebeu na semana passada a visita do vice-presidente, Michel Temer, que aproveitou para ver o deputado José Genoino (PT-SP), também internado no local.

Durante a conversa com Temer, Sarney fez piada sobre os diagnósticos que recebeu dos médicos, que apontaram que o senador teve pneumonia e dengue.

--Enfrentei tantas feras na minha vida e fui derrubado logo por um mosquitinho! -- brincou o senador, em referência ao inseto transmissor da doença.

Escrito nas estrelas - LUIZ CARLOS AZEDO

CORREIO BRAZILIENSE - 16/08

O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu o julgamento do recurso do ex-deputado federal Bispo Rodrigues (PR-RJ), ontem, após o primeiro bate-boca entre o presidente da Corte, Joaquim Barbosa, e o ministro Ricardo Lewandowski na nova etapa do julgamento. Rodrigues recebeu pena de seis anos e três meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Os dois ministros se digladiam desde antes de o julgamento começar.

Foi uma espécie de trombada anunciada. Joaquim Barbosa e o revisor, Ricardo Lewandowski. Os dois têm
opiniões quase opostas sobre vários aspectos da Ação Penal 470, o processo do chamado mensalão.

O bate-boca começou porque Barbosa disse que o ministro Lewandowski, que estava com a palavra, queria rediscutir a condenação do réu, fato que não é possível nos embargos de declaração, segundo o presidente da Corte. “Não acho ponderável o que Vossa Excelência está querendo, reabrir uma discussão”, disse Barbosa. Lewandowski indagou:
“Para que servem os embargos?”. Foi o estopim para a discussão, que resultou na suspensão do julgamento.

Da pena
Bispo Rodrigues, segundo o Ministério Público, recebeu R$ 150 mil do esquema, em uma agência do Banco Rural, em dezembro de 2003. A defesa alega que houve uma falha no cálculo da pena de corrupção passiva: ele foi condenado com base em uma legislação mais dura sobre o crime de corrupção passiva, mas o recebimento do dinheiro teria ocorrido na vigência da legislação mais leve. A questão pode abrir precedente para a redução das penas de outros réus, já na apreciação dos embargos declaratórios.

Unânime
Nem tudo, porém, gera divergências no Supremo. Por unanimidade, os ministros negaram o recurso apresentado pelo presidente licenciado do PTB Roberto Jefferson, que foi condenado a sete anos e 14 dias de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, além de multa de R$ 720 mil. Jefferson foi o denunciante do mensalão e confirmou ter recebido R$ 4 milhões do esquema e distribuído o valor aos deputados de seu partido.

Coligação
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (foto), trabalha para consolidar uma coligação do PSDB com seis partidos que hoje apoiam o governo dele: DEM, PPS, PTB, PRB, PSC e PSB. DEM e PPS talvez se coliguem também nas eleições proporcionais. Alckmin está sob ataque do PT, em meio ao escândalo do metrô.

Assustou
O dólar fechou ontem em R$ 2,3385, com alta de 0,58%. Durante o dia, assustou o Banco Central (BC), que entrou no mercado vendendo para segurar a alta da meada norte-americana. Chegou a ultrapassar os R$ 2,35.

Tem volta
O governo pretende alterar o projeto do orçamento impositivo aprovado na Câmara, que vincula somente 30% de cada emenda à saúde. Quer fazer as alterações no Senado, onde a base aliada é menos rebelde. O líder da bancada do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (foto), do Rio de Janeiro, promete derrubar o que for mudado no Senado quando o projeto voltar à Câmara.

Verdade// A Comissão da Verdade “Rubens Paiva”, do estado de São Paulo, realizará hoje uma audiência pública com Mariana Joffily, doutora em história pela Universidade de São Paulo (USP), que estudou o funcionamento da Operação Bandeirante (Oban) no DOI-Codi: quem eram os participantes, quem financiou e quais os objetivos do centro de repressão.

Candidato
O ex-governador José Serra almoçou ontem na casa do deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP), em São Paulo, com o líder da legenda na Câmara e seu secretário geral, deputado Rubem Bueno (PR), além de outros integrantes da cúpula do partido. Queria saber a situação da legenda estado a estado. Participou da conversa o veterano dirigente do PPS paulista Moacir Longo.

Barrado/ O deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ) atrasou a audiência da ex-senadora Marina Silva com a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, na quarta-feira, por causa do demorado credenciamento na portaria do órgão. Quase foi barrado.

Guarda/ Ao saber do incidente com Sirkis, a ministra Cármen Lúcia contou que passou por situação muito pior no dia da sua posse no Supremo Tribunal Federal (STF). Chegou a falar que era ministra a ser empossada, mas o segurança não acreditou: “então eu sou o Roberto Carlos”, disparou. Cármem Lúcia entrou de carona no carro oficial de um deputado de Minas Gerais.

CAMPO ABERTO - MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SP - 16/08

Palmeiras, Corinthians e São Paulo estão entre os 3.500 clubes beneficiados por decisão da 25ª Vara da Justiça Federal que suspende o recolhimento de INSS, por parte do empregador (26,5%), sobre salário-maternidade e férias de seus funcionários. A liminar, concedida em 9 de julho, foi obtida pelo Sindi-Club contra a Delegacia da Receita Federal em SP.

CAMPO 2
A liminar segue entendimento do STJ (Superior Tribunal de Justiça) de que não cabe contribuição à Previdência Social sobre o salário-maternidade e férias. Para a corte, tais pagamentos têm caráter de indenização e não salarial, pois não há a efetiva prestação de serviço a ser remunerado. A decisão beneficia também agremiações sociais que fazem parte do Sindi-Club.

NO AR
Amilcare Dallevo, sócio da RedeTV!, questiona o pedido de cassação da emissora enviado à Presidência da República pelo Sindicato dos Radialistas de SP. "Não tem nem respaldo jurídico", diz. Ele afirma estar resolvendo as irregularidades apontadas --"detalhes", segundo ele. O sindicato informa que nada de prático foi feito até agora.

TUDO NOVO
Segundo Dallevo, o faturamento da RedeTV! no primeiro semestre cresceu 8% em relação ao mesmo período de 2012. O canal, afirma o empresário, estreará dez programas até o fim do ano.

ESCREVO E ATUO
A atriz Suzana Pires, uma das autoras da novela das seis da Globo, "Flor do Caribe", vai entrar na reta final da trama. Será Aurora, advogada de uma entidade de caça a nazistas. Terá papel decisivo no desfecho do vilão Dionísio (Sergio Mamberti).

LÁ VEM O PATO
A proibição da venda de foie gras (tradicional prato francês feito à base de fígado de aves) em São Paulo entrou em discussão na Câmara Municipal. "A produção é um processo de verdadeiro sofrimento para os patos e gansos [alimentados à força]", afirma o vereador Laércio Benko (PHS), autor do projeto. Segundo ele, o alimento "não traz nenhum beneficio à saúde humana". Nos EUA, o Estado da Califórnia baniu a iguaria no ano passado.

BEM NA FOTO
Artistas vão emprestar os perfis no Instagram por oito dias a moradores de comunidades carentes. Bruno Gagliasso e Sabrina Sato começam hoje a publicar as fotos para chamar a atenção para a extrema pobreza.

Deborah Secco, Edson Celulari, Fábio Porchat e Thiaguinho também estão entre as 19 personalidades que participam do "Invisigram", em parceria com a ONG Teto.

PAPEL PASSADO
Roberto Justus e Ticiane Pinheiro assinaram o divórcio na sexta. Eles continuam sob o mesmo teto até o novo apartamento dela ficar pronto. A apresentadora vai se mudar para uma das torres residenciais do shopping Cidade Jardim, onde moram dois dos filhos do publicitário, Ricardo e Fabiana. A escolha foi definida para que a caçula Rafaella continue a conviver com os irmãos.

NÃO CHORES POR MIM
Réplicas das joias de Evita Perón feitas pelo argentino Marcelo Toledo, único designer a receber autorização da família para recriar as peças, chegam para exposição no Brasil neste mês. A mostra, que já passou por Nova York, Moscou e Xangai, será aberta em Belo Horizonte na quarta. Em setembro, entra em cartaz em SP.

CHAMPANHE
O musical "A Madrinha Embriagada", dirigido por Miguel Falabella, teve pré-estreia para convidados anteontem, no teatro do Sesi. O diretor teatral José Possi Neto assistiu ao espetáculo, que tem no elenco Stella Miranda, Luana Zenun, Sara Sarres, Kiara Sasso e Saulo Vasconcelos. A apresentadora Daniela Albuquerque e o marido, o empresário Amilcare Dallevo, também compareceram.

CURTO-CIRCUITO
Luciana Souza, cantora paulistana que mora nos EUA há 30 anos, faz show com repertório brasileiro, hoje e amanhã, às 21h, no Sesc Belenzinho. 12 anos.

O promotor de Justiça Silvio Marques recebe na segunda o título de cidadão paulistano, na Câmara. A proposta foi do vereador Gilberto Natalini (PV).

Lucas Santtana faz show de lançamento do disco "O Deus que Devasta mas Também Cura", amanhã, às 21h, no Memorial da América Latina. 12 anos.

FLÁVIA OLIVEIRA - NEGÓCIOS & CIA

O GLOBO - 16/08

Brasil vende material radioativo para a China
INB assinou acordo com empresa de Taiwan. A exportação de 16 mil toneladas de Torta II teve aprovação da Cnen

As Indústrias Nucleares do Brasil (INB) assinaram acordo com a Global Green Energy Science, de Taiwan. A empresa adquiriu 16 mil toneladas de Torta II, coproduto do tratamento químico da monazita para produção de compostos de terras-raras, da antiga usina de Santo Amaro (SP). "Há duas saídas para o material: estocar, como fazemos desde a década de 1940, ou processar e retirar terras-raras. Mas isso é custoso demais e não dominamos a tecnologia necessária", explica Aquilino Senra, presidente da INB. O processamento de monazita foi suspenso no país nos anos 1990. Desde 2012, governo federal e setor privado discutem a extração de terras-raras no Brasil. Os metais são usados na indústria de alta tecnologia, e têm produção concentrada na China. "O lote que vamos exportar tem só 880 toneladas de terras-raras. Não há conflito com o projeto em discussão", afirma. A exportação, aprovada pela Cnen, deve ocorrer em novembro. O negócio está avaliado em R$ 65 milhões. O pagamento virá em crédito de urânio. "É reserva estratégica para a indústria nuclear nacional. Se o preço for confirmado, equivale à 50% da nossa produção anual de urânio", diz Senra.

R$ 35 milhões
É o aporte que a INB teria de fazer na reestocagem, com segurança, do material radioativo Torta II, segundo Aquilino Senra. Quase todo o lote (80%) está estocado na antiga Mina de Caldas (MG).

Cresceu 1
O BNDES emprestou R$ 8,684 bilhões a empresas fluminenses no 1º semestre. Foi salto de 59,7% sobre um ano antes. Ao todo, foram fechadas 19.859 operações, contra 21.437 nos seis primeiros meses de 2012.

Cresceu 2
Infraestrutura foi o setor que mais recebeu recursos. Foram R$ 4,850 bilhões, alta de 68,6%. Na indústria, os desembolsos dobraram (+118,3%), para R$ 2,454 bi.

Cosméticos
A francesa Expanscience, de dermocosméticos, quer quintuplicar o número de pontos de venda no Rio, até o fim de 2014. Hoje, tem 38. O laboratório chegou ao Brasil em janeiro; em três anos, deve investir R$ 15 milhões no país. É dono da marca Mustela, de produtos para mães e bebês.

Óleo e gás
BR Offshore e DHL Supply Chain serão parceiras na prestação de serviços de logística integrada. A BR está investindo R$ 450 milhões em terminal de logística e estaleiro da Barra do Furado, em Campos (RJ).

Novata
A GNS, braço da Gas Natural Fenosa em negócios não regulados, estreia mês que vem no setor elétrico. Vai vender planos de assistência técnica para instalações e equipamentos residenciais. A meta é ter 13 mil clientes até o fim de 2014.

EU TE OMO
Unilevere Whirlpool, dona das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid, são parceiras na nova campanha de OMO, que estreia hoje na TV. O filme, criação da Borghi/Lowe, traz uma máquina de lavar Brastem p se declarando ao sabão. Éa primeira vez que marcas de detergente e lavadora aparecem juntas num mesmo anúncio, sublinha Paula Lopes, gerente de marketing de OMO

Porto
A 2ª edição da Semana Porto Empreendedor, realizada em julho, na Zona Portuária, dev totalizar R$ 3,43 milhões em contratos na rodada de negócios. Participaram seis âncoras, entre elas, Cdurp, MAR e Porto Novo, além de 4 fornecedores locais. Sebrae/R e Cdurp promoveram.

Centro
O Sebrae/RJ vai atuar no Centro e na Cruz Vermelha. Quer transformar negócios tradicionais, chapelarias e restaurantes, por exemplo, em empresas-âncoras para atrair a clientela. O projeto terá de consultoria para recuperação dos imóveis a ações de gestão e marketing.

É DO RIO
O Forum Ipanema estreia amanhã a última etapa da campanha publicitária do outono-inverno 2013.O conceito “A garota Forum é de Ipanema, é do Rio de Janeiro”. A ação, criada pela agência Kindle, começou há dois meses. O cenário da vez é a Lagoa Rodrigo de Freitas.

VERÃO EM DOBRO
AVon Der Völke, de camisetas, lança hoje, na web, duas campanhas para o verão 2014. Nos estados detemperatura mais amena, sairão fotos feitas na Serra Catarinense (acima). Para os de clima quente, o cenário foi Florianópolis. Agrife espera vender 40% mais.

É micro
O mercado de microsseguros arrecadou R$ 2 milhões no 29 trimestre, segundo a Susep. É crescente a procura por cobertura de morte acidental e despesa funeral.

Capitalização
O setor de capitalização distribuiu R$ 1,5 milhão em prêmios por dia útil no 19 semestre. Foi alta de 27,8% sobre 2012, diz a Fenacap.