quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Drible - ILIMAR FRANCO

O GLOBO - 02/02/12


Para vencer as resistências à suspensão da Lei Seca nos estádios que abrigarão jogos da Copa, o ministro Aldo Rebelo (Esporte) vai propor restrições à venda de bebidas alcoólicas. Os torcedores só poderão consumir nos pontos de venda, antes, depois e no intervalo das partidas. Eles não poderão levar bebida para a arquibancada, nem ambulantes poderão circular vendendo o produto.

Agenda paralela
Na comitiva da presidente Dilma, os ministros Fernand Pimentel (Desenvolvimento) Alexandre Padilha (Saúde aproveitaram a visita a Cuba para negociar a implantação de indústria de fármacos brasileira na ilha, em associação com laboratórios cubanos.A ideia é aproveitar a experiência de Cuba na produção de remédios bioativos, considerados uma nova fronteira no setor. Pimentel também discutiu com seu contraparte, Rodrigo Mamierca, a associação de empresas dos dois países para entrar no mercado africano. Cuba, por exemplo, administra hospitais em Angola, e o Brasil poderia fornecer equipamentos e remédios.

“ A presidente queria um técnico e nomeou um político” — André Vargas, secretário de Comunicação do PT e deputado (PR), sobre a relação do ministro Marco Antonio Raupp (Ciência e Tecnologia) com o PMDB

PROCUREM O PALOCCI.Os líderes do PT no Senado, Humberto Costa (PE), e no Congresso, José Pimentel (CE), foram ao ex-presidente Lula tentar convencê-lo a apoiar o acordo que previa rodízio na vice-presidência do Senado e na presidência das comissões. Lula ouviu e depois deu de ombros, dizendo: “Quem articulou esse acordo?” Os petistas responderam: “Foi o (ex-ministro) Antonio Palocci.” Então, o ex-presidente deu aos senadores petistas o seguinte conselho: “Procurem o Palocci”.

Pelé

Em visita às obras do Museu Pelé, em Santos, o ministro Gastão Vieira (Turismo) propôs ao ex-jogador realizar uma exposição itinerante, com o acervo, pelas cidades-sedes da Copa. Seria uma forma de estimular o turismo regional.

Plantão médico
O ex-presidente Lula anda irritado nesta semana com os feitos colaterais da radioterapia. O tratamento afetou um pouco sua voz, e ele está falando baixo. Lula reclama de dores na garganta. Ele está combatendo um câncer na laringe.

Royalties e eleição municipal
Os líderes dos partidos do governo querem que o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), anuncie logo o relator da Lei dos Royalties do Petróleo. Eles querem agilizar as articulações e a votação de uma proposta. Avaliam que, quanto mais próximo das eleições municipais, mais tortuosa será a negociação. Aliás, em março, a Confederação Nacional dos Municípios fará marcha de prefeitos cobrando a votação dessa lei.

Tucanos pasmos
A Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional, que edita a “Revista de História”, onde os tucanos foram alvo de críticas, tem como um de seus diretores-executivos Winston Fritsch. Ele foi secretário de política econômica no governo FH.

Mea-culpa
O presidente da Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional, Jean-Louis de Lacerda Soares, enviou nota. Ela diz que a Revista de História “cometeu um erro ao publicar o artigo ‘O jornalismo não morreu’”. E pede “desculpas aos ofendidos”.

O EX-MINISTRO de Direitos Humanos Nilmário Miranda (PT) vai integrar a Comissão de Anistia. Ele vai compor também a coordenação executiva do comitê de implantação do Memorial de Anistia.

BENZEDEIRA. De mudança para o gabinete que era ocupado pela então senadora Marinor Brito (PSOL-PA), o líder do PTB, senador Gim Argello (DF), pediu para um padre ir lá fazer uma reza.

AGORA VAI. O ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia (PT-SP) desembarca em Niterói na sexta-feira. Vai pedir votos para o deputado Chico D’Ângelo nas prévias de domingo para a candidatura a prefeito

Satisfação garantida - DORA KRAMER

O Estado de S.Paulo - 02/02/12

Chama atenção em alguns ministros, aliados políticos e auxiliares da presidente Dilma Rousseff a reverente, e de certo modo até prazerosa, placidez com que se submetem a humilhações públicas.

Não é raro relatarem - entre si e a jornalistas - como vantagem episódios em que foram alvos da truculência verbal da presidente da República.

Tornou-se quase um motivo de deleite levar uma "bronca" de Dilma. Outro dia mesmo o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, fez muito sucesso em cerimônia no Palácio do Planalto, relatando como a chefe costuma "espancar" projetos apresentados a ela.

Eis que, assim, o exercício da descortesia de defeito passou a ser visto como qualidade.

Nesse aspecto, o ainda ministro das Cidades, Mário Negromonte, ocupa uma espécie de tribuna de honra no quesito orgulho de apanhar.

Negromonte já se configura um problema desde o ano passado, quando foi acusado por deputados do próprio partido de distribuir mesadas em troca de apoio na bancada do PP, e também apontado como responsável pela adulteração de parecer técnico em obra de infraestrutura da Copa, por causa de conveniências políticas.

Sua cerimônia do adeus se dá ao estilo Dilma: arrastado, tortuoso e torturante. Ela mesma não diz nada, vai deixando a vítima cair de podre. No caso em questão, poder-se-ia acrescentar com requintes de crueldade, não fosse a maneira impávida com que o alvo recebe o que para qualquer ser humano normal seria uma afronta à dignidade.

Dilma já fez de tudo com Negromonte: demitiu-lhe o chefe de gabinete, o chefe da assessoria parlamentar, mandou espalhar que o considera um mau gestor, permitiu que a assessoria caprichasse nos detalhes sobre a repulsa que a presença dele no ministério lhe provoca, e o homem, ali, fazendo-se de surdo no desfrute da condição de saco de pancadas.

Já viu seu partido lhe retirar apoio, já assistiu à cena de seu padrinho, o governador da Bahia, Jaques Wagner, ser prestigiado com convite para integrar a comitiva presidencial na viagem ao Caribe logo após deixá-lo ao sol e à chuva, já recebeu todos os sinais, mas não faz concessão alguma ao amor-próprio.

Problema dele? Em parte. O método de demitir fala também sobre da sistemática de admitir e isso diz respeito à Presidência da República, ao governo, ao País.

As cenas patéticas de apego à boquinha, as frituras degradantes, a administração de insatisfações que geram também soluções insatisfatórias, as próprias contrariedades da presidente em relação ao desempenho de sua equipe, tudo poderia ser resolvido de forma mais digna.

Se o critério para ocupação de cargos fosse o mérito e não o Quem Indica. Vale para quem sai e vale para quem fica, conforme atestam as permanências dos ministros "Fernandos", Bezerra e Pimentel, e a desistência da presidente de demitir o presidente da Transpetro ao se inteirar das implicações de se livrar de um afilhado de alguém tão notório quanto o senador Renan Calheiros.

Nada com isso. As constantes trocas de ministros têm servido, entre outras coisas, para levar ao arquivo morto "os malfeitos" causadores das demissões.

É a lógica da página virada combinada à teoria da responsabilização zero.

Exemplo é o caso, agora denunciado pelo Estado, do Ministério do Esporte que pagou de R$ 4,6 milhões (sem licitação) a título de consultoria a uma fundação sobre a Empresa Brasileira do Legado Esportivo - estatal extinta antes de ser criada.

O ministro Aldo Rebelo não quer nem ouvir falar no assunto. Sugere que embalem Mateus seus genitores.

"Não estava no ministério quando houve a decisão de fazer a estatal, nem estava quando houve a decisão de extingui-la", diz, acrescentando que as explicações devem ser dadas por aqueles "que tomaram as duas decisões".

Como se o governo não fosse o mesmo, o ministério idem, o atual titular da pasta pertencente ao partido do antecessor e a presidente da República uma implacável zeladora da excelência da gestão

Imigração na gaveta - CLAUDIA ANTUNES

FOLHA DE SP - 02/02/12

RIO DE JANEIRO - Dorme em alguma gaveta do governo federal uma proposta de Política Nacional de Imigração e Proteção ao Trabalhador Migrante que foi posta em consulta pública em 2010.

O debate voltou à tona com o afluxo recente de haitianos, um dos temas que seriam tratados ontem na visita de Dilma a Porto Príncipe.

No caso dos haitianos, o governo improvisou uma solução com vistos especiais de trabalho, mas ainda não deu conta dos que já estavam a caminho e chegaram à Amazônia sem documentos. Tendo pago os coiotes que os trouxeram, eles resistem a voltar para o país mais pobre do hemisfério.

Elaborada pelo Conselho Nacional de Imigração, ligado ao Ministério do Trabalho, a proposta lançada há dois anos é coerente com a convenção da ONU sobre o tema. À espera de ratificação pelo Congresso, o texto internacional baseia-se na defesa da livre circulação de trabalhadores.

Hoje, o assunto é regido no Brasil pelo Estatuto do Estrangeiro, de 1980, que proíbe, por exemplo, que estrangeiros se envolvam em atividade política, incluindo a difusão de programas partidários do seu país de origem. Um projeto de lei para substituí-lo tramita no Legislativo, mas é considerado restritivo por defensores dos direitos dos imigrantes.

Segundo especialistas como Deisy Ventura, da USP, o assunto não sai do limbo porque há divergências significativas. A visão mais tolerante está em confronto com outras que privilegiam enfoques de segurança ou de mercado, incluindo a que advoga a seleção só de profissionais qualificados.

O problema é que, pelo peso crescente em sua região, o Brasil tende a atrair imigrantes pobres em maior número, ainda que comecem a surgir candidatos fugidos da crise no sul da Europa. É preciso buscar meios de conciliar os dois movimentos, fazendo jus à tradição de acolhimento que o país vende como parte do seu "poder brando".

HOMENS ou MULHERES? - CONTARDO CALLIGARIS

FOLHA DE SP - 02/02/12


Em matéria de gênero e orientação sexual, os caminhos não são fixos e claros desde a infância



Há três anos, Laerte, 60, cartunista da Folha, usa roupas femininas e maquiagem em seu dia a dia. Na terça retrasada, pelo protesto de uma cliente que o reconheceu como Laerte (e, portanto, como homem), ele foi proibido de ter acesso ao banheiro feminino de uma pizzaria paulistana.

Quem está certo, Laerte ou a cliente que protestou? A questão é, no mínimo, complexa.

Em regra, na nossa cultura, na hora de usar um banheiro público, a gente se divide em HOMENS e MULHERES. Por quê? Perguntei ao meu redor e obtive dois tipos de respostas.

1) Na hora em que nos dedicamos a funções que são naturais, mas das quais nos envergonhamos, é mais confortável saber que não seremos objetos de desejo sexual.
Problema: segundo esse princípio, os homossexuais masculinos deveriam frequentar os banheiros femininos e vice-versa. E os bissexuais fariam xixi em qual banheiro?

2) A divisão dos banheiros públicos não teria a ver com o sexo, mas com o gênero. Seja qual for o objeto de nosso desejo, na hora de exercer as funções excretórias, preferiríamos estar entre pessoas com uma anatomia igual à nossa. Nesse caso, Laerte, que só se veste de mulher, não poderia usar o banheiro feminino.

Problema: o que aconteceria com um(a) travesti ou com um(a) transexual, ou seja, com alguém que transforma seu corpo até encarnar o gênero oposto? Yasmin Lee, Lea T ou um transexual de mulher para homem iriam para qual banheiro?

Simplificando ao máximo, na esperança de esclarecer:

"Cross-dresser" é quem gosta de se vestir com roupas do outro sexo -ocasionalmente ou, como Laerte, o tempo inteiro. Isso não implica uma preferência sexual específica. Muitos "cross-dressers" masculinos desejam só mulheres. Outros se mantêm castos, porque seu único prazer está no fato de habitar, por assim dizer, a pele do outro gênero.

"Travesti" implica uma transformação do corpo (hormônios, implantes) e a presença de uma fantasia sexual, que é diferente para cada um, mas na qual a "ambiguidade" do travesti funciona como um fetiche (para ele mesmo e para os outros).

Ser "transgênero" ou "transexual" significa ter a clara sensação de que seu corpo é inconciliável com seu sentimento profundo de identidade: você nasceu num corpo errado, que você odeia, sobretudo a partir da puberdade, quando ele desenvolve seus atributos de gênero. Os primeiros capítulos do livro de João Nery, "Viagem Solitária, Memórias de um Transexual 30 Anos Depois" (Leya), são perfeitos para entender o drama de quem descobre que ele discorda de seu próprio corpo.

A condição de transexual é independente de orientação ou preferência sexuais. Posso nascer num corpo de mulher e desejar homens, mas viver esse corpo como uma prisão e querer (ou melhor, precisar) me tornar homem; mudando de gênero, continuarei desejando homens. No fim, nascido mulher, eu me tornarei homem homossexual. Só para atrapalhar: qual banheiro frequentarei?

Na realidade complexa (e confusa) de sexo, gênero e orientação sexual, as categorias que descrevi se misturam e não designam destinos -ainda menos destinos claramente reconhecíveis desde a infância.
No lindo, delicado (e imperdível) filme de Céline Sciamma, "Tomboy" (maria-rapaz), a jovem Laura (extraordinária Zoé Héran) se vale de sua bonita figura andrógina (a puberdade ainda não chegou) para passar por menino entre seus novos amigos.

No fim, o espectador decide: o que foi que a gente viu? O começo de um mal-estar transexual? O nascimento de uma homossexualidade? Ou apenas a brincadeira de um verão, que permanecerá como uma lembrança divertida num futuro heterossexual e sem incertezas? Não sabemos e, de fato, nada permite dizer.

Aos nove anos, a menina que seria João Nery foi levada a uma terapeuta. A razão era que ela agia e pensava como um menino, e a mãe gostaria que lhe explicassem o porquê dessa conduta e lhe dissessem como ela deveria se comportar diante disso.

Nery escreve: "O diagnóstico indicou que era fixado no meu pai, com uma necessidade de imitá-lo por ser a filha do meio. Assim, tentava me sobressair para ter mais atenção e afeto. Minha mãe não deveria me forçar, impingindo-me roupas femininas ou coisas do gênero, pois tudo passaria com a idade".

Com a idade, nada passou. A terapeuta se enganou? Não exatamente: ela não tinha mesmo como saber.

Questão de autoridade - ROGÉRIO GENTILE


FOLHA DE SP - 02/02/12


SÃO PAULO - "Ninguém vai me fazer refém dentro do meu gabinete." Geraldo Alckmin, pelo jeito, se esqueceu da lição que ouviu em 2000 de Mário Covas, seu padrinho polí tico, quando o então governador paulista foi questionado por jornalistas sobre o motivo de ter ido à sede da Secretaria da Educação, mes mo sabendo que havia um protesto de professores no local.

Diferentemente de Covas, Alckmin (PSDB) modificou por duas vezes nos últimos dias sua agenda a fim de se desviar -para usar um eufemismo- de manifestantes.

Primeiro, deixou de participar da missa na catedral da Sé pelo aniversário da cidade, ao saber que estava previsto um ato contra a reintegração de posse do Pinheirinho, em São José dos Campos. Achou melhor solicitar ao seu vice, Guilherme Afif, que o representasse. Foi na saída dessa missa que o prefeito Kassab acabou virando alvo de ovadas e palavrões.

Depois, Alckmin preferiu faltar à inauguração da nova sede do MAC (Museu de Arte Contemporânea da USP), um dos principais projetos de seu governo na área da cultura, por temer um novo protesto. Andrea Matarazzo, seu secretário, pagou o pato, sendo alvejado por frutas e legumes.

É óbvio que ninguém precisa bancar o machão, como Covas, que, à época dos protestos, resolveu intempestivamente furar o cerco organizado pelos professores acampados na frente da Secretaria da Educação, na praça da República, e acabou covardemente agredido. Mas será que simplesmente abdicar de seus compromissos resolve o problema?

Como já é praxe no Brasil, em ano de eleição, os protestos ditos populares se multiplicam, instrumentalizados por partidos políticos. Manifestações pacíficas fazem parte do jogo. As agressivas, claro, são um problema para a polícia resolver.

Se optar simplesmente por evitá-las, Alckmin corre o risco de se apequenar no cargo e acabar como uma espécie de anti-Covas, sem poder sair do seu próprio gabinete.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

FOLHA DE SP - 02/02/12
Diante da crise, europeus querem emprego no Brasil

Para fugir de uma taxa de desemprego de 23%, os espanhóis passaram a procurar emprego no Brasil e hoje são umas das principais nacionalidades a enviar currículos.

No início de 2011, eles eram responsáveis por 4,5% do total de cadastros estrangeiros feitos na companhia de recrutamento Monster. Hoje, eles representam 8,2%.

"O número de currículos recebidos de outros países europeus cresceu, mas foi a Espanha que teve um incremento considerável", diz a gerente de marketing da empresa, Andreza Santana.

Grande parte dos trabalhadores espanhóis cadastrada no site é formada em engenharia, ainda segundo Santana. A Espanha sofre hoje as consequência do estouro de uma bolha imobiliária.

A vinda de grandes grupos do país para o Brasil também alavancou a procura por trabalho, de acordo com Rodrigo Vianna, diretor da empresa de recrutamento Hays.

O número de indianos em busca de vagas aqui também cresceu. "É consequência da entrada das companhias da Índia no Brasil, principalmente do setor de tecnologia", afirma Vianna.

Ainda há os franceses, que ampliaram as buscas consideravelmente, e os italianos, que aparecem de forma mais tímida. Os americanos, tradicionalmente os que mais procuram ocupação aqui, reduziram o envio de currículos.

No total, a Monster tem hoje 400 mil currículos de estrangeiros. Durante 2011, cerca de 86 mil pessoas de outros países se cadastraram.

Empresa baiana de laticínios investe R$ 40 mi em fábrica

Com aporte de R$ 40 milhões, a empresa de laticínios Davaca, de Ibirapuã, no sul da Bahia, irá dobrar o tamanho de sua fábrica para aumentar a produção de queijos, manteiga e requeijão.

A industrialização de leite deve passar de 200 mil litros por dia para 400 mil litros, segundo o diretor da companhia, Lutz Rodrigues Júnior.

A expectativa é que esse volume seja produzido a partir do final de 2013.

"Com a planta trabalhando em sua capacidade máxima, o faturamento anual deve chegar a R$ 150 milhões", afirma Júnior.

O número de produtores fornecedores terá um incremento de 47% e atingirá 2.400, ainda de acordo com o empresário. Do total investido, 70% são recursos da empresa e 30% de financiamento. No ano passado, a companhia faturou R$ 89 milhões.

DUAS FRANQUIAS POR HORA

O número de franquias abertas no Brasil no ano passado aumentou 44,4% em relação a 2010, de acordo com levantamento da consultoria Rizzo Franchise.

Em 2011, foram inauguradas, em média, 48 franquias por dia, com a abertura de 275,3 mil vagas de emprego. No Brasil, há cerca de 180 mil franquias e cada uma delas tem renda mensal média de R$ 131 mil, segundo o estudo.

BANQUEIROS NA ÁSIA

Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, trocou neste ano o Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), pelo encontro do BIS (Banco para Compensações Internacionais) na Ásia.

A instituição, considerada o BC dos bancos centrais, faz todos os anos uma reunião no Extremo Oriente. A deste ano, intitulada reunião especial de 'governors' ( banqueiros centrais) será em Hong Kong, no sábado e no domingo próximos.

Assumido o compromisso com o BIS, Tombini aproveitou para aceitar também o convite do Reserve Bank of India para uma conferência em Mumbai, que começou anteontem e termina hoje. Tema: "Política Monetária, Dívida Soberana e Estabilidade Financeira: o Novo Trilema".

PEQUENO SÓ NO TAMANHO

A Pitti Bimbo, sofisticada feira italiana para o setor de moda infantil, onde roupa de criança de grife chega a custar mais caro do que a de adulto, registrou crescimento do mercado externo e a presença de 10 mil visitantes.

Entre os compradores na edição de janeiro, destacou-se o desempenho de japoneses (alta de 80%), coreanos (20%), ucranianos (18%), americanos (17%), além de brasileiros e turcos (15%). Foram 61 visitantes do Brasil e 151 da Turquia.

O aumento da demanda de fora da Europa compensou o previsível recuo de executivos do continente, de acordo com Rafaello Napoleone, CEO da Pitti Immagine.

"Apesar da esperada queda de italianos, sabemos da situação do país, vieram à Florença todas as marcas importantes, de grifes a lojas. Esperamos a próxima estação com mais otimismo", afirma.

DA AMAZÔNIA PARA OS EUA

A Beraca, especializada no desenvolvimento de tecnologias para tratamento de água e fornecedora de ingredientes naturais e orgânicos da Amazônia para as indústrias de cosméticos e de alimentos, abrirá filial nos EUA, em Nova Jersey.

A companhia já contratou uma executiva local para comandar a nova unidade, que será lançada oficialmente neste mês.

"A escolha de Nova Jersey se deve ao fato de 70% do mercado de cosméticos dos EUA se concentrar a no máximo 200 milhas [320 km] da cidade", diz Ulisses Sabará, sócio da empresa.

A nova filial será aberta com o objetivo de agilizar a entrega de produtos aos clientes norte-americanos, de acordo com Sabará.

Em 2011, o faturamento da companhia, que também tem filial na França e exporta seus produtos para mais de 40 países, foi de R$ 118 milhões.

REGRAS E IMPOSTOS

Mais da metade dos executivos (60%) consideram a política tributária e a regulação financeira como as principais dificuldades ao comprar uma empresa em um país estrangeiro, segundo a Intralinks, que faz armazenamento de informações sigilosas.

A integração após a aquisição e a retenção de funcionários aparecem entre as outras preocupações, com 38% e 35%, respectivamente.

Para 39% dos entrevistados, os setores de energia e de óleo e gás são os mais prováveis para a realização de fusões e aquisições neste ano.

O estudo foi feito com 160 executivos de América Latina, EUA, Ásia e Europa.

com JOANA CUNHA, VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ

O descompasso - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 02/02/12


Há sinais de que as vendas do comércio perderam fôlego nos últimos dois meses. As vendas no Natal vieram abaixo do esperado, as lojas anteciparam promoções em janeiro e a confiança dos consumidores e dos empresários do comércio caiu. Ainda assim, o ano para o varejo pode ser tão bom quanto 2011, com um ritmo mais forte no segundo semestre.

A crise de 2008 atingiu em cheio a indústria e ela estagnou, mas o consumo das famílias foi um pilar importante de sustentação do PIB. O gráfico abaixo mostra como o varejo voltou rapidamente a crescer, e a indústria continuou patinando. Por isso, tem chamado atenção os últimos dados do comércio, que têm decepcionado. Ontem, a CNC divulgou queda de 2,3% na confiança dos empresários do setor. O que forçou a queda foi o item expectativas, que recuou 3,3%. A intenção de investir caiu 4,5% e a de contratar funcionários despencou 10,8%.

Por trás da queda do otimismo, há alguns fatos. As vendas no Natal não atingiram a meta esperada. Em janeiro, as promoções começaram mais cedo porque os estoques estavam elevados. É bom lembrar que o setor calculou uma meta para crescimento em relação ao ano anterior, que havia sido de forte alta. Portanto, crescer menos do que o projetado não é exatamente um problema. E é consistente com o quadro geral da economia que foi mesmo de desaceleração.

Segundo o presidente da CNC, Carlos Thadeu de Freitas, o esfriamento da economia no terceiro e no quarto trimestres também atingiu o varejo. Ele lembra que 2011 foi ano de inflação alta, que chegou a passar de 7%. Isso tirou renda dos consumidores:

- A economia andou devagar a partir do terceiro trimestre. O Natal foi mais fraco e a projeção de crescimento de 7,5% não foi atingida. Ficamos em 6,5%, o que é um ótimo resultado. Para este ano, prevemos o mesmo ritmo, com um primeiro semestre mais fraco sendo compensando por um segundo semestre mais forte.

A FGV mostrou uma queda forte na confiança dos consumidores em janeiro. O quesito que mais caiu foi a intenção de compras de bens duráveis. O economista Aloisio Campelo, coordenador de pesquisas da FGV, explica que o indicador de duráveis já havia caído nos dois meses anteriores, em faixas de renda mais baixas e nas capitais. Em janeiro, caiu nas faixas de renda mais altas e nas cidades com maior peso: Rio e São Paulo. Ele acha que pode estar diminuindo a demanda por bens duráveis, depois de dois períodos fortes de vendas, entre os anos 2007 e 2008; 2010 e 2011:

- Em dezembro, fizemos uma sondagem para entender o que as pessoas fariam com o dinheiro extra. Aumentou o percentual dos que iriam pagar dívidas ou fazer poupança, e caiu a taxa dos que iriam gastar com duráveis. Há uma postura maior de cautela por parte dos consumidores.

O presidente do Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV), Fernando de Castro, também enxerga uma desaceleração ao longo de 2011. Mas acredita que ela foi interrompida pela redução do IPI de linha branca, adotada pelo governo em novembro, e pela antecipação das promoções em janeiro:

- Nossos indicadores fechariam o ano em 4% não fosse a redução do IPI. Fechou em 5,5%. A antecipação das promoções deve levar a taxa para 6,5% em janeiro. Houve uma quebra no processo de desaceleração.

A redução do IPI sustentou a venda de itens de linha branca e ajudou os resultados das grandes redes. O presidente do conselho de administração da Máquina de Vendas, Luiz Carlos Batista, holding que controla as marcas Ricardo Eletro, Insinuante, City Lar e Eletro Shopping, conta que o grupo não notou redução de consumo neste início de ano:

- O segmento de eletroeletrônicos teve em janeiro deste ano um crescimento muito superior a janeiro de 2010, na casa de 7%. No Natal, também batemos a nossa meta. O crescimento da classe C tem mantido o consumo forte desses itens, as pessoas estão montando a casa.

O presidente da Associação dos Lojistas de Shoppings, Nabil Sahyoun, espera um crescimento entre 5% e 6% do setor este ano, mantendo a tendência de uma alta duas vezes maior que o PIB . Ele explica que alguns setores estão com ritmo mais forte, como calçados, perfumaria e cosméticos e eletroeletrônicos. Em ritmo mais fraco, Sahyoun aponta o vestuário:

- O setor têxtil está sofrendo pelo aumento de custos e também pelos gastos dos brasileiros no exterior. O real forte estimula as viagens e gasta-se muito com roupas fora do país. Esse dinheiro deixa de ser gasto aqui.

Mas quem realmente está com passo preocupante é a indústria. Veja abaixo o descolamento entre varejo e indústria. A distância tem aumentado, mostrando um crescimento sustentado pelo incentivo ao consumo e não à produção.

De olho nas Cidades - RENATA LO PRETE

FOLHA DE SP - 02/02/12
Seja qual for o representante do PP colocado nas Cidades, o Planalto trabalha para alçar Inês Magalhães, atual secretária de Habitação, ao segundo posto na hierarquia do ministério. A petista, que na prática carregou a pasta durante a longa agonia de Mário Negromonte, daria maior segurança ao palácio na condição de secretária-executiva. O PP já decidiu que, se for esse o desejo de Dilma Rousseff, não oporá resistência.

Uma saída dada como certa na cúpula do ministério é a do secretário de Mobilidade Urbana, Luiz Carlos Bueno, herança do deputado pepista José Janene, expoente do mensalão que morreu em 2010.

Barba e cabelo Prestes a virar ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro (PB) conseguiu fechar o nome do aliado Arthur de Lira (AL) para substituí-lo na liderança da bancada do PP na Câmara.

Do coração 1 Perfil de Roberto Kalil Filho publicado na revista "Piauí" que chega amanhã às bancas relata a indignação de Dulce Figueiredo (1928-2011), mulher do último presidente militar e íntima da família do cardiologista, por vê-lo atender Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Guiomar Kalil, mãe do "médico do poder", este costumava explicar à ex-primeira-dama: "Dona Dulce, eu sou médico. Fiz um juramento, preciso atender todo mundo".

Do coração 2 Na reportagem, o renomado cardiologista Fúlvio Pileggi, tio de Kalil, lembra de como, no início dos anos 90, o sobrinho incluiu Lula entre seus clientes: "Ele tem uma percepção muito grande, deve ter pensado: 'Deixa eu pegar esse cara, ele vai ser presidente'. E pegou".

Cabeceira Em encontro anteontem, Fidel Castro disse a Dilma que está lendo "A Vida Quer É Coragem", biografia da presidente escrita pelo jornalista Ricardo Amaral.

Na foto O governador Jaques Wagner (PT-BA) participou de todos os encontros de Dilma em Cuba -inclusive os com Raúl Castro e Fidel.

Veja bem Observação de quem assistia ao julgamento sobre os limites da atuação do CNJ: ao suspender a sessão, Cezar Peluso garantiu destaque para sua declaração de que não há crise no Judiciário. Para registro: pela lei, o presidente o Supremo precisava interromper os trabalhos de modo a permitir que o TSE realizasse sua primeira sessão de 2012.

Capitania O secretário de Governo de Minas, Danilo de Castro, disse que a irmã de Aécio Neves, Andrea, é "opção real" para a sucessão de Antonio Anastasia (PSDB). A declaração foi dada em entrevista que iria ao ar ontem à noite na TV Assembleia.

Protocolar Horas depois de anunciar sua pré-candidatura a prefeito, anteontem, Guilherme Afif se reuniu com Geraldo Alckmin. Entre um e outro item de agenda administrativa, o governador elogiou a declaração pública do vice em defesa da agonizante aliança PSD-PSDB na capital.

Data-limite Se o projeto Afif decolar, ele terá de se desincompatibilizar no final de março do comando do Conselho Gestor de PPPs. O órgão gerencia fatia expressiva dos investimentos estaduais em mobilidade e infraestrutura programados até 2014.

Laboratório O início dos trabalhos na Câmara paulistana testará o humor petista em relação à possibilidade de aliança com o PSD. Na escolha do seu líder, o PT optou por Chico Macena, combativo na oposição a Gilberto Kassab, em detrimento de Arselino Tatto, simpático ao prefeito. Hoje, Macena atua no QG de Fernando Haddad, em namoro com kassabistas.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio

"O clima é de esbórnia, e a farra agora é na Casa da Moeda. Felizmente, não temos moedeiro falso, apenas mais uma autoridade do governo petista envolvida em corrupção."
DO PRESIDENTE DO PPS, ROBERTO FREIRE, sobre a demissão do presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci, investigado sob suspeita de cobrar propina de fornecedores e remeter U$ 25 milhões para o exterior.

Contraponto

Bala perdida

Em evento no Rio Grande do Sul, o governador Tarso Genro e o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) deram juntos a martelada para destruir uma pistola, gesto que marcaria o início de campanha pelo desarmamento.
A dupla fracassou na primeira tentativa. Na segunda, a arma foi jogada tão longe que quase atingiu deputados aliados da administração petista. Preocupado, Tarso virou-se para Cardozo e disse:
-Você está inovando mesmo nesta campanha! Não só acaba com as armas como faz vítimas na base aliada!

A arma - LUIZ FERNANDO VERISSIMO

O GLOBO - 02/02/12
Nessa discussão sobre baixarias na TV e a má qualidade generalizada do que vai ao ar, ninguém se lembra de que toda casa brasileira – pelo menos toda casa brasileira com TV – tem uma arma eficaz de autodefesa. É uma arma poderosa. Com ela, se cala a boca do político embromador e do apresentador gritão, se elimina o programa que choca ou desagrada e o troca por outro, se chega até, em casos extremos, a cortar a força do aparelho ofensivo e silenciá-lo, para sempre ou por algum tempo, para aprender. E tudo isto sem sair da poltrona.

O nome da arma é Controle Remoto. É movida a pilhas e cabe na palma da mão. Não é uma invenção muito antiga (sim, crianças, houve um tempo em que, para ligar e desligar a TV ou mudar de canal, você precisava sair do sofá e ir até lá. Inconcebível, eu sei). Mas minha neta começou a usar o controle remoto antes de começar a andar, e pelo menos duas gerações se criaram usando-o sem se dar conta da mágica que tinham nas mãos. O poder de mover as coisas a distância e comandar o mundo sem precisar sair do lugar é uma ambição humana desde as primeiras bruxas, mas as gerações que se criaram com ele usam o CR com a inconsciência de um cachorro brincando com uma bola de césio.

Se não se dão conta do seu poder mágico, muito menos se dão conta de que o CR é uma arma. Porque o CR também representa essa outra coisa potente que temos para nos defender das agressões da TV: o livre-arbítrio. A capacidade de decidir por nós mesmos. De procurar uma alternativa, outro canal, ou o silêncio. Em vez de dizer “isto deveria ser proibido” e incentivar, indiretamente, a censura, e negar o direito dos outros de gostarem de porcaria, deveríamos exercer, soberanamente, a liberdade de escolha do nosso dedão. 

TATUAGEM

Já que falei na neta: ela gosta de me tatuar. Fica rabiscando meu braço com uma caneta e descrevendo o que está desenhando. “Uma bailarina... Um copo... Um foguete...”. Todos os rabiscos são iguais. Só ela vê a bailarina, o copo, o foguete. E eu também, claro. 

A cota de Cardozo - DEMÉTRIO MAGNOLI


O GLOBO - 02/02/12
Anos atrás, o ministro da Justiça, Tarso Genro, determinou a deportação de dois pugilistas cubanos que tentavam fugir de seu país. Há pouco, o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, seu companheiro de partido, estabeleceu cotas restritivas para a concessão de vistos a imigrantes haitianos, anunciando a possibilidade de deportação dos que entrarem ilegalmente no Brasil.
Genro fez um agrado asqueroso à ditadura dos Castro. Cardozo curvase a reações preconceituosas que operam nas esferas superpostas das marcas social e de cor. Obviamente os atos não são idênticos, mas ambos se inscrevem numa moldura similar de desprezo pelos direitos humanos.
Ministério da Deportação – é essa a placa de bronze que pretendem inaugurar sobre o espelho d"água do Palácio da Justiça? No site de um jornal, sob a notícia de que o governo federal liberou um repasse de verbas para o Amazonas e o Acre destinado a apoiar o atendimento aos imigrantes haitianos, comentários de leitores funcionam como súmulas do preconceito. A marca da cor, indizível, oculta-se sob a da pobreza: "Lindo, Brasil! Ao invés de gastar esse dinheiro com os nossos pobres, vamos gastar com os pobres dos outros." O complemento, na mensagem seguinte: "Mais bolsa miséria a caminho.
Vamos lá, Brasil." Há uma narrativa comum, insuflada pela ignorância sobre a história: "Qual país do mundo paga para receber brasileiros? Por que o governo brasileiro não olha para o Norte e aprende como os EUA agem nessas ocasiões? Somos mais ricos que eles?" Ao longo de sua história, os EUA receberam 75 milhões de imigrantes, um fenômeno sem igual que funcionou como a alavanca decisiva na configuração da maior economia do mundo.
O principal ciclo imigratório, no meio século anterior a 1920, criou a agricultura farmer do Meio-Oeste e ergueu as plataformas industriais do Nordeste e dos Grandes Lagos. Eram pobres, quando não miseráveis, os europeus que desembarcavam em Nova York minutos depois de singrar ao largo da Estátua da Liberdade, fincada em 1886 numa ilha desabitada da baía.
Cardozo deveria, de fato, "olhar para o Norte" antes de impor uma cota insignificante de cem vistos mensais para os haitianos. Nos EUA, o maior fluxo imigratório do mundo prossegue a taxas médias anuais superiores a um milhão, desde 1990. No lugar dos irlandeses, que fugiam da an Gorta Mór, a crise de fome deflagrada por uma praga nas plantações de batata, os novos imigrantes são latino-americanos ou asiáticos. Os mexicanos e seus descendentes somam 25 milhões, dois quintos dos quais residem na Califórnia. Nova York é o núcleo de uma comunidade expatriada de 600 mil haitianos, fonte principal dos recursos que, circundando a teia parasitária de ONGs internacionais atuantes no Haiti, sustentam os milhões de deslocados internos pelo terremoto de 2010.
O nome de Madison Grant está associado à única descontinuidade na história das migrações para os EUA. Grant escreveu um célebre tratado histórico sobre raças, promoveu a exibição de um pigmeu do Congo na jaula dos macacos do Zoológico do Bronx e formulou a Lei de Integridade Racial da Virgínia, de 1924. No mesmo ano, sob sua inspiração, o Congresso americano aprovou a Lei de Imigração que interrompeu o grande influxo migratório das décadas precedentes. Em nome da pureza racial da nação, a lei estabelecia cotas restritivas ao ingresso de europeus orientais e meridionais e proibia a entrada de asiáticos.
Da raça à cultura, é só um passo. Há sete anos, o cientista político Samuel Huntington publicou "Quem somos nós? Os desafios à identidade nacional americana", uma obra nativista na qual caracteriza a imigração hispânica como um ácido corrosivo que ameaça a integridade cultural dos EUA. O livro ocupa um lugar destacado na biblioteca de Newt Gingrich, o pré-candidato republicano que promete deportações em massa de mexicanos.
Quando o ministro Cardozo seleciona os haitianos como alvos de restrições inéditas, está "olhando para o norte" – mas enxergando a porção ignóbil de uma longa história.
No primeiro semestre do ano passado, 330 mil imigrantes portugueses conseguiram regularizar seus papéis no Brasil. Cerca de 4 mil haitianos cruzaram ilegalmente a fronteira brasileira no último ano. Mas a bússola do ministro da Deportação Anunciada são as sondagens de opinião, não os fatos. Na entrevista consagrada a informar sobre a política de cotas, Cardozo invocou o imperativo da segurança nacional, dissertou sobre o conluio de "coiotes" com narcotraficantes e, astuto como uma raposa, mencionou o caso específico da entrada de um haitiano foragido de um presídio que desabou durante o terremoto.
Nenhum jornalista solicitou que ele estabelecesse uma relação positiva entre a cota restritiva de vistos e o controle policial das fronteiras brasileiras. Também não se indagou o motivo para o contraste entre o tratamento dispensado aos imigrantes haitianos e portugueses.
Imigrantes são uma riqueza, um recurso social, para os países receptores.
A economia ensina que eles diversificam e dinamizam o mercado de trabalho, sem aumentar as taxas de desemprego. A antropologia ensina que eles deflagram novos intercâmbios culturais, contribuindo para a criatividade geral da sociedade. Deriva do estereótipo a noção de que os haitianos que ingressam no Brasil formam uma massa homogênea de indivíduos sem qualificações profissionais.
Como no caso da comunidade haitiana nos EUA, parcela significativa dos imigrantes que cruzaram nossas fronteiras é constituída por trabalhadores qualificados que abandonam um país entregue à desordem, à corrupção e à violência dos poderosos.
O Brasil não tem tradição de estabelecer distinções de origem entre os imigrantes. Cardozo criou um precedente vergonhoso – que, aliás, só beneficia os "coiotes". Felizmente, ao contrário do episódio dos pugilistas, ainda há tempo para corrigi-lo.

Haiti! A Dilma virou zumbi! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 02/02/12


E o paredão do "Big Bagaça Brasil"? Ficou o veterinário. UFA! Os habitantes da casa agradecem! Rarará!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O Esculhambador-geral da República!
Piada Pronta direto do Rio Grande do Sul: "Feira Agropecuária de Santo Ângelo: Concentração de Machos". Piada pronta direto de São Paulo: "Construtora vai empregar detentos em obras do estádio do Corinthians". Mutirão da Casa Própria! Minha Casa! Minha Vida!
E o paredão do "Big Bagaça Brasil"? Ficou o veterinário. UFA! Os habitantes da casa agradecem! Rarará! E o Bial começou a surtar. Ontem ele xingou os participantes de "homo ludus". Eu acho que ele quis dizer "HOMO BURRUS"! "Homo Bombadus"! Rarará!
As frases do Bial têm que ser traduzidas e legendadas! Duro vai ser encontrar o tradutor! Especializado em texto chinês de cabeça pra baixo. Rarará!
E o "Mulheres Bizarras"? A Lydia Sayeg, aquela que faz curso de tiro, declarou: "Só mato se for preciso". UFA! Agora fiquei mais calmo! Já posso ficar ao lado dela. Se for preciso, claro! Rarará!
E a Dilma no Haiti! Vai virar zumbi. Se a Dilma virasse zumbi ia atormentar todo mundo, é melhor deixar como ela tá mesmo. Ou seja: atormentando todo mundo.
Essa viagem Cuba-Haiti devia se chamar Tour Saia Justa. Em Cuba tem que falar sobre direitos humanos e no Haiti sobre migração!
E adorei a charge do Aroeira com a Dilma e o Fidel. Fidel: "Usted no és barbudito. Que pasó?". Dilma: "Ah, é que nós tivemos eleições e eu...". Fidel: "Perdón?". Dilma: "Elecciones". Fidel: "Vacaciones?". Dilma: "No, elecciones". Fidel: "Ah, comichones". Dilma: "Elecciones, pô". Fidel: "Non compreendo". Dilma: "ELECCIONES, PÔ!". Rarará!
E a Dilma tá muito chique toda em rendas, mas continua andando como John Wayne em "Sangue de Heróis". Tiraram o cavalo e ela não percebeu! Rarará!
E a manchete do Sensacionalista: "Dilma diz algo que não te interessa, mas que vai virar manchete amanhã". Rarará!
Os Predestinados! É que em Salto, interior de São Paulo, tem uma nutricionista chamada Arlene Feijão. E em Belo Horizonte, o ortopedista Túlio Canela. E na empresa dum amigo meu tem um motoboy chamado Joaquim Avanço! Avanço o retrovisor, avanço o para-lamas. E avanço o sinal. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Tudo em família - MERVAL PEREIRA


O GLOBO - 02/02/12

Quando todos são culpados, ninguém tem culpa. Foi mais ou menos isso o que a presidente Dilma Rousseff tentou fazer em sua visita a Cuba: tirar a responsabilidade do regime ditatorial sobre as transgressões aos direitos humanos, passando a ideia de que esse é um problema generalizado, inclusive no Brasil e nos Estados Unidos, como se as barbaridades que acontecem em Cuba fossem comuns na maioria dos países do mundo e, portanto, uma questão que tem de ser tratada globalmente.
É um raciocínio político absurdo, porque iguala democracias e ditaduras.
Já havia tratado do assunto no meu blog no site do GLOBO com a seguinte nota: "Alhos com bugalhos "O raciocínio da presidente Dilma sobre os direitos humanos faria até sentido se ele comparasse regimes políticos semelhantes. Mas ela simplesmente está misturando alhos e bugalhos.
"Uma democracia como a brasileira tem de ser criticada, e frequentemente o é, pelas falhas nos direitos humanos nas suas prisões, por exemplo, que são vergonhosas, ou nas comunidades pobres.
"Ou os Estados Unidos, como a própria presidente brasileira lembrou, quando abusam dos direitos dos prisioneiros de Guantánamo.
"E a imprensa internacional não se cansa de denunciar esses abusos, lá e em outras regiões do mundo onde os Estados Unidos, através de seus agentes, cometem qualquer tipo de barbaridade.
"E geralmente, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos — mais lá do que aqui, temos que admitir —, os agentes públicos que abusaram de seu poder e mancharam o nome do país são punidos, e o sistema judiciário costuma atuar com rigor.
"O mesmo não se pode dizer de Cuba, onde o abuso dos direitos humanos é uma política de Estado, e onde dissidentes morrem de fome por falta de um mínimo de atuação do Estado, que é uma ditadura de mais de 50 anos, sem Parlamento livre nem liberdade de imprensa, e, portanto, não pode ser comparada com outros países democráticos que falham na proteção dos direitos humanos." Mas é preciso retomar o assunto, para que pelo menos fique claro que não é possível enganar todo mundo sempre.
Na primeira visita de Lula a Cuba como presidente, logo após a crise em que alguns dissidentes que tentaram fugir da ilha foram fuzilados, Frei Betto, que era assessor especial da Presidência, garantiu que Lula conversara com Fidel sobre o assunto, a ponto de irritá-lo.
O velho ditador, como reação, cobrara de Lula atuação mais firme na reforma agrária, a favor do MST.
O fato é que Lula e todos os membros do governo que têm uma relação pessoal com Cuba consideram que não devem fazer críticas públicas ao governo cubano.
Tilden Santiago, que foi embaixador do Brasil em Cuba durante um período do governo Lula, quando era petista — depois aceitou uma boquinha no governo tucano de Aécio Neves e teve que sair do partido —, disse claramente certa vez que não se sentia bem em criticar o governo cubano, pois era sua "família". Ou seria "famiglia"? Alegam os petistas que é mais eficiente tratar de assuntos delicados discretamente.
É uma tática de quem trata com um amigo, e não de Estado para Estado.
E os resultados, até o momento, têm sido nulos. A Espanha, por exemplo, um dos maiores financiadores de Cuba, trabalhando junto à Igreja Católica de Cuba, representada por seu ministro das Relações Exteriores, Miguel Ángel Moratinos, conseguiu obter do governo ditatorial cubano o compromisso de libertar 52 dos 167 presos políticos do país, em junho do ano passado.
Essa atitude brasileira já produziu fatos vergonhosos, não condizentes com o Estado democrático, como a entrega ao governo cubano dos pugilistas cubanos Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara, que haviam fugido da concentração durante os Jogos Pan-Americanos no Rio, em 2007, e queriam ficar no Brasil asilados.
Meses depois, desmentindo o governo brasileiro, que disse que os cubanos pediram para voltar ao seu país, Erislandy Lara, bicampeão mundial amador da categoria até 69 quilos, chegou a Hamburgo, na Alemanha, depois de ter fugido em uma lancha de Cuba para o México.
Em 2009, Rigondeaux acabou fugindo para Miami, nos Estados Unidos.
O prestígio internacional do então presidente Lula ficaria abalado depois de sua atitude diante da morte do dissidente cubano Orlando Zapata Tamayo em uma prisão, após 85 dias de greve de fome.
Lula posou sorridente ao lado de Fidel e Raúl Castro, e, quando questionado sobre a greve de fome, fez diversas declarações, todas elas defendendo o governo cubano e acusando os presos políticos.
"Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano de prender as pessoas em função da legislação de Cuba, como quero que respeitem a do Brasil." Mais uma vez a confusão proposital entre leis de uma ditadura e as de uma democracia.
Pois a presidente Dilma repete a mesma tática, ela que vendia a ficção de que sua política externa se diferenciava da de Lula pelo respeito aos direitos humanos quando deu uma entrevista ao jornal "Washington Post" antes mesmo de tomar posse, condenando o apedrejamento de mulheres no Irã.
Não se diga que ela foi específica com relação à condenação por apedrejamento por se tratar de uma questão que envolve preconceito contra a mulher.
O jornal destacou o fato de Dilma ter lutado contra o regime militar no Brasil e ter sido torturada, e a presidente eleita afirmou que tinha "compromisso histórico" com aqueles que foram ou estão na condição de presos políticos.
Depois de tomar posse, a presidente deu novos passos no sentido de reparar essas violações dos direitos humanos dos presos políticos brasileiros.
Em novembro de 2011sancionou a lei que instituiu a Comissão da Verdade. Segundo suas declarações na ocasião, a sanção significava que o Estado deve subordinar-se aos direitos humanos, mas enfatizou que não se tratava de uma "revanche histórica", mas uma garantia do direito à memoria, à verdade e à cidadania.
Todas essas belas palavras valem para o Brasil, para os Estados Unidos, para o Irã, mas não valem para Cuba?

Sobram dólares lá fora - CELSO MING



O Estado de S. Paulo - 02/02/12


A forte valorização do real (baixa do dólar), de 7,8%, e a alta da Bolsa brasileira, de 11,1%, em janeiro, são montanhas da mesma paisagem.

O fator mais importante que puxou esses números para cima foi a extinção do principal foco de incêndio na Europa. Os bancos já não correm mais sério risco de quebrar, como se temia até o fim de dezembro.

Foi o despejo de quase meio trilhão de euros pelo Banco Central Europeu em empréstimos de três anos e juros de 1% ao ano para mais de 500 bancos a novidade que removeu a maior fonte de insegurança e turbulência financeira. E, confirmada nova operação no fim de fevereiro que pode alcançar 1 trilhão de euros (conforme estimativas), ficará quase definitivamente sacramentada a percepção de que não se repetirá na Europa catástrofe semelhante à do Lehman Brothers, em 2008 - embora a crise do euro continue sem solução.

Também o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) faz de tudo para garantir farta liquidez. Seu presidente, Ben Bernanke, acaba de avisar não só que os juros básicos seguirão perto de zero ao menos até o fim de 2014, mas que pode colocar em marcha nova operação de recompra de títulos do Tesouro americano (afrouxamento quantitativo) - o que implicaria novas emissões de moeda.

Essa atuação dos grandes bancos centrais, que restabeleceu no mercado financeiro internacional o apetite por aplicações de risco, é a principal explicação para o grande afluxo de moeda estrangeira ao mercado de câmbio do Brasil.

Mas não é a única. Contribui para isso o aumento da percepção de que, comparada com as demais, a economia brasileira vem tendo bom desempenho. Não é nada, exibiu em 2011 crescimento das exportações de nada menos que 26,8%, num ambiente paralisado pela crise; avanço do PIB de cerca de 2,7% (os números finais não estão disponíveis); e situação de pleno emprego como nunca se viu por aqui.

Portanto, a baixa do dólar no câmbio interno não é provocada por especuladores que trazem moeda estrangeira para tirar proveito dos juros bem mais baixos - como muita gente ainda pensa.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem repetido não tolerar uma excessiva valorização do real. Em direção aparentemente oposta, o Banco Central já não compra moeda estrangeira como antes. Isso sugere que o barateamento das importações e a consequente redução das pressões inflacionárias causadas pela valorização do real sejam parte do plano do governo que viabiliza a meta dos juros de um dígito (abaixo de 10% ao ano). Assim, a queda dos juros na economia (hoje possível a partir de melhores resultados das contas públicas) atua para atrair mais dólares. Ainda que a agonia do euro vigore em 2012, o despejo de moeda forte no mercado internacional não será reduzido nos próximos meses - tenderá a crescer. Ou seja, a valorização do real deve prosseguir.

Melhorar a competitividade do setor produtivo do País com virada no câmbio é projeto de alta probabilidade de insucesso. E, se está mesmo mais empenhado nisso, Mantega obteria melhores resultados se agisse mais eficazmente para derrubar o custo Brasil. É o caminho das reformas e dos investimentos em infraestrutura.

COM A BÊNÇÃO DE MARTINHO - MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SP - 02/02/12
A pianista Maíra Freitas, 25, se apresenta com seu pai, Martinho da Vila, amanhã, sábado e domingo no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. Os dois só haviam subido ao palco juntos quando ela ainda era uma estudante de piano, há alguns anos, no Rio. A carioca, que também é cantora e compositora, lançou seu primeiro disco no ano passado, com direção musical da irmã Mart'nália. Neste Carnaval, Maíra sairá pela primeira vez como destaque na Vila Isabel, por sugestão do pai. "Não sei se vou me acostumar com a ideia de ir em cima de um carro, nunca experimentei essa sensação. Já avisei ao meu pai que só vou se for mais cobertinha (risos). Não quero saber de fazer dieta, de ficar sem comer e me divertir só pra desfilar mais peladinha", diz.

TEMPO FECHADO
De novo às voltas com problemas de insolvência da Varig Log, a empresária Lup Ohira, que controla a transportadora de cargas, deve sugerir aos credores da companhia a aprovação da venda de sua parte "boa", como marca
e pontos de venda.

SUSPENSÃO
Quando Ohira assumiu o controle da Varig Log, há três anos, a empresa tinha cerca de 1.300 funcionários. Atualmente, tem 400, com os contratos de trabalho suspensos desde ontem, depois que ela comunicou à Justiça a paralisação temporária das operações da transportadora.

SUSPENSÃO 2
A empresária diz que já pagou os salários de janeiro e que a suspensão das atividades é necessária "para que se tente salvar a empresa". "Se Deus quiser, não irá além de fevereiro." Ela deve discutir com os credores plano de enxugamento da estrutura da companhia e relatar conversas com possíveis novos investidores.

CURINGA
O deputado Ricardo Trípoli, um dos pré-candidatos do PSDB à Prefeitura de SP, ameaça ir à convenção do partido, em junho, caso o vencedor das prévias tucanas abra mão da vaga em favor de outro nome (por exemplo, José Serra) ou aceite ser vice de Guilherme Afif, do PSD. Diz ter assinaturas de 150 integrantes da legenda para disputar contra o indicado se houver tal virada.

REFORMA
Fernando Haddad foi a Brasília nesta semana entregar a casa em que morava ao proprietário. A imobiliária exigia que ele pintasse novamente os muros do imóvel. Mas o dono chegou a um acordo com o ex-ministro, que fará nele pequenas obras de reparos.

PRÉ-SAL PAULISTA
A Saipem, empresa italiana que fabrica dutos e opera logística de exploração de petróleo para a Petrobras, vai investir mais R$ 100 milhões na Bacia de Campos. Assina hoje protocolo de intenções com o secretário estadual de Energia, José Aníbal, em que prevê criar 1.000 postos de trabalho. O aporte complementa os R$ 522 milhões anunciados em uma fábrica na Baixada Santista.

LAVAGEM DO COPAN
Oito baianas da escola de samba Camisa Verde e Branco e músicos da Vai-Vai comandam a Lavagem do Copan na segunda, regada a água de cheiro e champanhe, ao estilo da Lavagem do Bonfim, na Bahia.

Uma mãe de santo vai cozinhar bobó de camarão e manjar de coco no bar da Dona Onça, de Janaina Rueda, que organiza a festa.

ABADÁ
Claudia Leitte assinará linha de camisetas para a marca Huck, do apresentador Luciano Huck. As peças terão frases inspiradas no Carnaval e parte da renda será revertida a instituição de combate ao câncer infantil.

AZUL NA TELA
A TV Cultura economizou R$ 60 milhões no ano passado. O orçamento caiu 25% de 2010 para 2011 (R$ 175 milhões). Cortes de despesas com prestadores de serviços e redução de pessoal explicam a economia, segundo a emissora.

CAMPINHO
E a atriz Cristina Mutarelli vai apresentar o programa infantil "Cartãozinho Verde", na Cultura.

A estreia dela no comando da nova atração ainda não tem data marcada.

REPÚBLICA
A brasileira F/Nazca Saatchi & Saatchi foi eleita a segunda melhor agência internacional de 2011 pelo site Advertising Age, dos EUA. A publicação destaca ações como a República Popular do Corinthians, criada para a Nike. A agência do ano foi a japonesa TBWA/Hakuhodo.

À ESPERA DO FRIO
A grife Mixed, de Riccy Souza Aranha, apresentou sua coleção de inverno, anteontem, com coquetel na Vila Nova Conceição. As estilistas Carol Porto e Ciccy Halpern, a empresária Maricy Trussardi e a blogueira de moda Lalá Rudge estiveram presentes.

CURTO-CIRCUITO
O cantor Mayer Hawthorne será um dos DJs da festa Groovelicious, hoje, no clube Lions. A partir das 23h30. Classificação etária: 18 anos.

A peça "Olá, Pessoa", da cia. Odeon, estreia hoje, às 21h, no teatro Studio 184, na praça Roosevelt. Classificação etária: 14 anos.

O livro "Design + Artesanato", de Adélia Borges, será lançado hoje, às 19h30, no espaço A Casa, em Pinheiros.

Mana Bernardes lança no dia 8, às 19h, o livro "Mana e Manuscritos", na galeria Firma Casa. Fará também uma performance.

A Embaixada da Venezuela promove de hoje até o dia 5, no Museu Nacional da República, em Brasília, mostra de cinema do país.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

Indústria deprimida - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 02/02/12


A produção da indústria brasileira quase não aumentou em 2011. A manufatura de bens duráveis (veículos e eletrodomésticos, por exemplo) chegou a encolher em relação a 2010, fenômeno verificado na última década apenas nos anos 2001 e 2009, de crise doméstica e mundial.

O desempenho deprimido das fábricas se deve em parte relevante a freios transitórios impostos à atividade econômica. O ano passado foi de redução de crédito e prazos de financiamento, de impostos maiores sobre compras a prazo e de altas nos juros, além de desaceleração devida ao ritmo menor de aumento de gasto público.

A modorra industrial deve-se também às forças contrárias liberadas pela crise mundial, de quase meia década. O maciço relaxamento monetário nos EUA, e agora mesmo na zona do euro, acelerou a valorização do real, o que encareceu os produtos brasileiros.

Tal vetor veio somar-se ao da artificialmente desvalorizada moeda chinesa. O sucesso das exportações brasileiras de produtos primários e a onda de investimentos estrangeiros à procura de um mercado crescente reforçam o caudal de divisas para o Brasil e realimentam a pressão sobre o câmbio.

O crescimento brasileiro contribui para aumentar ainda mais os custos domésticos. Preços industriais não sobem, premidos pela concorrência estrangeira. Mas há custos crescentes no setor de serviços, além de uma inflação geral alta. A oferta de trabalho qualificado é escassa, e os salários sobem.

Na contramão, a superoferta de produtos nos centros industriais derruba os preços da manufatura no comércio internacional. E, por fim, há custos excessivos de longa duração, como os dos impostos e os da logística cara e escassa.

A resultante dessas forças que operam no curto, no médio e no longo prazos não afeta de modo idêntico toda a indústria. Têxteis, madeiras, calçados e couros decerto encolheram na década passada.

O país recebe, no entanto, investimentos vultosos em diversos setores industriais -vários deles subsidiados ou protegidos por tarifas, como o de automóveis. Sem controle e metas, tais proteções podem reduzir a eficiência da economia.

Não há remédio de curto prazo. Lidar com custos e câmbio depende de um projeto de reorganização de gastos públicos. Isso significa contenção de despesas, redução acelerada da dívida, da taxa de juros e da despesa com eles, aumento do investimento em infraestrutura e um programa de emergência na educação para o trabalho.

Nada de novo.

Pressões e democracia - ELIANE CANTANHÊDE


FOLHA DE SP - 02/02/12
BRASÍLIA - O presidente do Supremo, Cezar Peluso, tem razão ao criticar "pressões impróprias tendentes a constranger juízes e ministros a adotarem interpretações que lhes repugnam à consciência". Mas será que defender o CNJ original caracteriza "pressões impróprias"? E será que "pressões são manifestação de autoritarismo e desrespeito à convivência democrática"?
O que está em votação é se o CNJ tem poderes para iniciar investigações sobre juízes e aplicar-lhes penas, ou deve contentar-se em ratificar as decisões das corregedorias regionais, que ficam ali, lado a lado, olho no olho, com o juiz suspeito?
O debate é alimentado pelo borbulhão de "novidades" que surgem do Judiciário desde que a AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) decidiu questionar e desidratar o CNJ. São supersalários, liberações de quantias bilionárias em tempo recorde e vantagens indevidas transformadas em "direitos" por atos administrativos. Sem contar o principal e mais constrangedor: o comércio de sentenças.
É óbvio que isso não significa que o Judiciário seja corrupto, mas que é exercido por pessoas e que uma minoria ameaça contaminar a imagem do todo. Logo, são as práticas em geral e os juízes suspeitos em particular que devem ser investigados e punidos por um órgão independente.
Parece tão simples que as posições estão desequilibradas. De um lado, isolados, AMB e boa parte dos juízes -incluindo, curiosamente, alguns honestos e dignos- acham um absurdo o sistema ser investigado. De outro, fica todo o resto: advogados, políticos, formadores de opinião, entidades as mais diversas e, claro, muitos juízes e funcionários do Judiciário que exigem transparência.
Não há nisso nenhuma "pressão imprópria" nem "manifestação de autoritarismo". Ao contrário, trata-se de um movimento profundamente democrático para que ninguém aja -nem se sinta- acima da Justiça.

CLAUDIO HUMBERTO

“Constituição tem de ser viva”
José Sarney, presidente do Senado, ao defender a atualização da Carta Magna

DILMA DIRÁ A NEGROMONTE QUE ACEITA DEMISSÃO

A presidente Dilma dirá ao ministro Mario Negromonte (Cidades), nesta quinta, que aceita a demissão que ele pediu domingo (29), em rápida conversa na Bahia. Na ocasião, ela não respondeu, mas o abraçaria e elogiaria depois, em discurso. Ele vai alegar que a sua capacidade de ajudar politicamente o governo está prejudicada pela falta de apoio do PP, seu partido, na Câmara, e que sairá do cargo sem guardar rancor.

CARTA NO BOLSO

Negromonte levará ao despacho com Dilma sua carta de demissão redigida há dias. A carta dela, agradecida, também já está minutada.

O INCONFIDENTE

O ministro se aconselhou reservadamente com o governador Jaques Wagner (PT), e se surpreendeu depois com o vazamento da conversa.

NOVO MINISTRO

O deputado Aguinaldo Ribeiro (PB), que mostrou sua esperteza ao tomar a liderança do PP, é o mais provável substituto de Negromonte.

DIA DA VERDADE

O governo cubano prometeu que nesta sexta decide se permite ou não a saída da blogueira Yoani Sánchez, já com visto de turista do Brasil. 

ILEGAL, AMIGO DE LULA GANHOU DIÁRIAS DO GOVERNO

Além de ter sido naturalizado a jato, como revelou esta coluna, José Lopez Feijoo, espanhol amigo pessoal de Lula, ex-CUT, recebeu R$ 7 mil em diárias no Conselho da Secretaria de Desenvolvimento Social da Presidência da República, entre 2009 e 2011 – ano em que deixou de ser imigrante da Galícia. Pela Constituição, ele não poderia ocupar cargo público, por ser estrangeiro, nem tampouco embolsar diárias. 

ILEGALIDADE CONFIRMADA

A Secretaria-Geral diz que só depois da naturalização vapt-vupt José Feijoo tomou posse no cargo... para o qual fora nomeado ilegalmente. 

O ESPANHOL VOADOR

O Portal da Transparência mostra que Feijoo embolsou R$ 5,6 mil em diárias de viagens entre SP-Brasília e Brasília-Rondônia, em 2010. 

PARA OS AMIGOS...

...Os favores da Lei: o Ministério da Justiça diz que a naturalização a jato de Feijoo “está prevista na jurisprudência e na doutrina”. Ah, bom.

DILMA NÃO LIBEROU GABAS

O governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), decidiu recriar o cargo de chefe do Gabinete Civil e convidou para ocupá-lo o secretário-executivo do Ministério da Previdência, Carlos Eduardo Gabas, que construiu uma reputação de gestor público competente. Mas Dilma não o liberou.

FICA PARA A PRÓXIMA

O embaixador aposentado Roberto Abdenur tentou, mas perícia médica do Hospital Gafrée & Guinle, no Rio, negou doença ou acidente de trabalho que justifique seu pedido de isenção de imposto de Renda.

IMPRENSA QUE EU GAMO

Ditadura na casa dos outros é refresco: jornalistas que acompanharam Dilma em Cuba não puderam visitar as obras do porto de Mariel, pagas com nosso dinheiro. No Brasil, o Sindicato dos Jornalistas do DF disse “desconhecer”. A Federação Nacional dos Jornalistas também calou. 

QUEM DISSE?

Num congresso promovido pela Associação Nacional de Jornais, em 2010, a então candidata Dilma foi veemente: “Prefiro um milhão de vezes o som de críticas duras ao silêncio dos calabouços da ditadura.”

LULALÂNDIA

A área que o prefeito paulistano Gilberto Kassab (PSD) pretende ceder ao Instituto Lula, na região da Nova Luz, já permite a mudança de nome da extinta Cracolândia... para Cachaçolândia. 

DURA LEX, SED LEX

O deputado Maurício Rands, secretário do governo de Pernambuco, briga com regras de viagem. Na quarta (25), tentou entrar no Panamá sem passaporte; certa vez, armou barraco no aeroporto do Recife ao ser impedido de embarcar com o filho menor sem autorização da mãe.

VOU DE TÁXI

O senador João Capiberibe (PSB-AP) abriu mão do carro oficial e só utiliza táxis em Brasília. E, diante de proibição recente da segurança, pediu em ofício a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) para que o táxi o aguarde à saída, sempre que for a reuniões no Palácio do Planalto. 

CANSEI

Autuado em Brasília na terça (31) por suposta bebedeira, o deputado Gladson Cameli (PP-AC) achou um porre a conferência da ONU sobre mudanças climáticas na África do Sul, em novembro: convidado, passou um dia por lá e escafedeu para suposto safári com a mulher.

PENSANDO BEM...

...Dilma foi pedir a bênção a Fidel. O Papa dará a extrema-unção. 

PODER SEM PUDOR

O CÓDIGO DE NABUCO

Feito embaixador em Bruxelas, nos anos 1960, o ex-deputado Cirilo Júnior achava que o esperavam apenas os prazeres da vida, mas logo percebeu que havia deveres, quase sempre chatíssimos. Um assistente contou que um antigo embaixador, Maurício Nabuco, batia três vezes sobre a perna quando queria encerrar uma audiência maçante. Ao receber diretores da Vasp, Cirilo imitou Nabuco, mas os interlocutores nem percebiam o “código”. Impaciente, ele foi aumentando a força das pancadas até que se viu esmurrando a própria perna e gritando “Nabuco! Nabuco!”. Os visitantes foram embora, assustados, e o embaixador comemorou com o assistente:

– Esse Nabuco é formidável!

QUINTA NOS JORNAIS


- Globo: Presidente do STF: degradar o Judiciário leva à barbárie
- Folha: Briga entre torcedores mata 74 em jogo no Egito
- Estadão: Presidente do STF diz que degradar Judiciário é ‘suicídio’
- Correio: Juízes vão ao Supremo por reajuste
- Valor: Brasil vai romper acordo automotivo com o México
- Estado de Minas: Perigo e transtorno em Confins
- Jornal do Commercio: De volta às aulas e ao caos
- Zero Hora: Liminar põe Justiça gaúcha sob impasse