domingo, outubro 02, 2011

RENATA LO PRETE - PAINEL


Tucanocídio, a missão
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 02/10/11

Adormecida desde a transição, a disputa entre os grupos de Geraldo Alckmin e José Serra ressurgiu com a proximidade das prévias para escolher o candidato à prefeitura paulistana. Antes circunscrito a divergências quanto à continuidade de programas de governo, o clima de confronto contaminou a base do PSDB. Alckmistas duvidam do empenho de Serra na campanha, a depender do nome escolhido. Serristas se queixam de isolamento progressivo. O recrudescimento das hostilidades preocupa o partido. Teme-se que o protagonismo da eleição na capital acabe dividido exclusivamente entre o PT e Gilberto Kassab.

Sobe-desce Ajuda a alimentar o quadro de tensão no PSDB o diagnóstico de que a semana dos pré-candidatos terminou com viés de alta para Guilherme Afif, agora seguro da legenda do PSD, e de baixa para o tucano Bruno Covas, que se atrapalhou no Assembleiagate.

Não entendi 1 Em resposta à queixa pública de Aloysio Nunes por ter sido excluído do programa de televisão tucano, o presidente do PSDB-SP, Pedro Tobias, diz: "É estranho que ele reclame do espaço dado a candidatos a prefeito que levaram a campanha dele ao Senado nas costas em 2010".

Não entendi 2 Tobias considera ainda que criaria constrangimentos caso permitisse a aparição de Aloysio, não-candidato declarado, no palanque eletrônico da capital. "E o que eu faria com os outros quatro que assumiram a candidatura?", indaga, referindo-se a Andrea Matarazzo, Bruno Covas, José Aníbal e Ricardo Trípoli.

O original De um cardeal petista, ao observar que a legenda de Eduardo Campos (PE) está em praticamente todas as máquinas estaduais, seja qual for a coloração partidária do governador: "Na verdade, é o PSB que não é nem de esquerda, nem de centro, nem de direita".

Agora não Entre outros motivos, Dilma torce para que a queda serial de ministros tenha de fato acabado para ter a liberdade de promover ampla reforma na Esplanada na virada do ano. Ela entende que, se alguém for nomeado a esta altura, dificilmente poderá ser removido em tão pouco tempo.

Carteirada 1 A lista de coisas que tiram Dilma Rousseff do sério é liderada atualmente pelo expediente de recorrer, diante da presidente ou de terceiros, a expressões como "eu falei com o Lula", "o Lula concorda" ou, pior, "o Lula se comprometeu".

Carteirada 2 Entre os que já deram esse mau passo estão o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli.

Ah, é? Recentemente, um interlocutor falava com Dilma sobre a Petrobras e a toda hora pronunciava um "mas o Gabrielli acha que...". Ela cortou: "Ele acha? Então que arrume 56 milhões de votos e sente na minha cadeira".

Presente Com Dilma na Europa em semana decisiva para a questão dos royalties, a pressão sobre a negociação cairá no colo do presidente em exercício, Michel Temer. Sobretudo porque a gritaria maior vem de seus correligionários do PMDB do Rio.

Ausente Governadores de Estados produtores, Sérgio Cabral (PMDB-RJ) à frente, bem que tentaram negociar diretamente com Dilma. A presidente, no entanto, manteve distância da encrenca. Temer dificilmente poderá fazer o mesmo.
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

tiroteio

"Dilma está igual a Pôncio Pilatos: lavou aos mãos e entregou o Rio de Janeiro, que lhe deu expressiva votação, aos que querem crucificar o Estado."
DO DEPUTADO EDUARDO CUNHA (PMDB-RJ), criticando a atitude da presidente, em seu entender de indiferença, diante da queda de braço em torno da distribuição dos royalties do petróleo.

contraponto

Quem diria!


A cerimônia, realizada na quinta-feira passada no Palácio do Planalto, de assinatura da medida provisória que estabelece mecanismos de fomento à indústria de defesa, estava repleta de militares.
Acomodado em uma das primeiras fileiras da plateia, o petista Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento e companheiro de Dilma Rousseff na luta contra a ditadura, fez graça com o general Enzo Martins Peri, comandante do Exército:
-Este tanto de milico aqui e a gente não sai algemado!

GOSTOSA


FERNANDO HENRIQUE CARDOSO - Incertezas



Incertezas
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
O ESTADÃO - 02/10/11

Para quem já sofreu as consequências de várias crises financeiras internacionais, não chega a ser surpreendente o que ocorre nos países mais desenvolvidos da Europa, contagiados pela crise financeira que tem origem nos menos desenvolvidos da região.

No passado recente, Bancos Centrais e ministros de finanças dos primeiros procuravam mostrar que não havia como equiparar a situação de seu país com a tragédia que ocorrera noutro. As situações fiscais não seriam as mesmas, a proporção da dívida com relação ao PIB não era tão grande assim, num caso a dívida interna estava nas mãos de agentes financeiros internacionais e se denominavam em dólares, noutros, ao contrário, eram os poupadores nacionais que emprestavam aos governos locais em moeda do país, etc. Mas, quase sempre, havia uma variável crítica: o mutável estado de confiança dos agentes do mercado financeiro internacional. Quando se instalava a desconfiança quanto à solidez das contas fiscais e/ou externas de um determinado grupo de países de alguma maneira correlacionados, os argumentos sobre as diferenças perdiam força. E viravam pó, se surgisse o fantasma do default – da moratória, como se dizia.

Reclamávamos maior regulação internacional para conter a especulação contra as moedas nacionais, ou seja: a criação de fundos de socorro maiores e de mais fácil acesso, o fortalecimento da base financeira do FMI e o aperfeiçoamento de suas práticas. Era preciso maior rapidez no atendimento dos países com crise de liquidez e menos “condicionalidades”, ou seja, as imposições restritivas à política econômica e fiscal dos países devedores, pois se o ajuste fiscal passasse de certo ponto impediria a retomada de crescimento econômico. Para financiar os novos fundos, alguns de nós relançamos a ideia de uma Taxa Tobin, apesar dos reclamos contínuos dos especialistas quanto aos efeitos desse tipo de imposto.O receituário do FMI tampouco era atento às diferenças. Exigia sempre mais do mesmo, às vezes não sem alguma razão: ajuste fiscal, reforma patrimonial do Estado etc. Mas fazia ouvidos moucos à demanda por maior regulação do mercado financeiro internacional. Era o que pedíamos à comunidade internacional os que dirigimos os países naquela época de aflições.

Alguns países emergentes tiveram melhores condições para negociar com o FMI, como foi o caso do Brasil, que havia realizado o Plano Real por sua conta e risco, sem o aval do Fundo. Com o Plano Real modificamos drasticamente as bases da política fiscal, saneando as finanças da União e as dos estados, impusemos regras severas ao sistema financeiro, seguindo as recomendações de Basileia para controlar a “alavancagem”, isto é, os empréstimos sem uma base adequada de capital próprio nos bancos. Ao mesmo tempo não descuidamos de, ao privatizar, ampliar a concorrência e manter ativos os instrumentos públicos de crédito no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e no Banco do Brasil, tornando-os aptos a reestruturar empresas nacionais ou localizadas no país. Ao lado disso, desde 1994 até hoje, os diferentes governos sustentaram um aumento constante do salário mínimo real e, a partir de 2000, foi possível criar uma rede de proteção social, da qual as Bolsas Família, iniciadas com nomes diferentes, se tornaram símbolo de inclusão social, diminuindo a pobreza e reduzindo um pouco as desigualdades.

Pela primeira vez, os países mais desenvolvidos sentem as consequências da falta de regulação do sistema financeiro. Olhando agora o que ocorre na economia global deparamo-nos com uma situação incerta. A regulação financeira proposta nas reuniões do G-20 encontra dificuldades para se efetivar dada a diversidade de interesses nacionais. Cada banco central opera como melhor lhe parece. O Fed inunda os Estados Unidos e o mundo com dólares e faz operações típicas de bancos comerciais sem se preocupar com a ortodoxia. Os responsáveis pelos desmandos financeiros não são punidos, recebem bônus (ao contrário do que ocorreu com o programa brasileiro de saneamento do sistema financeiro, que puniu os banqueiros) e o desemprego não cede porque não há consumo nem investimento. O Banco Central Europeu e o FMI exigem dos países em bancarrota virtual sacrifícios fiscais que impossibilitam a retomada do crescimento e, portanto, a volta à normalidade. As taxas de juros se mantêm próximas de zero, sem previsão de mudança, e as economias não reagem. Na Europa cada país faz a política fiscal que deseja, não há mecanismos de unificação. O desemprego e o mal-estar político minam esses países, e a ameaça de default é seu parceiro constante.

Desse quadro escapam as economias emergentes, China à frente de todas. Até quando? É óbvio que uma recessão prolongada ou uma grande contração, como diz Kenneth Rogoff, transmitirá às economias emergentes seus maus fluídos pelo conduto do comércio internacional. É preciso, antes que isso ocorra e o desastre seja maior, que haja um entendimento global. Este deveria partir do reconhecimento de que as dívidas de alguns dos países europeus são impagáveis. Com o nome de reestruturação ou outro qualquer, à la Brady, é preciso aliviar já a situação da Grécia, de Portugal e eventualmente da Espanha e da Itália. Suas dívidas internas e externas e a penúria de seus bancos cheios de títulos de qualidade desconhecida não lhes dão alternativas de retomada do crescimento sem uma redução substancial dos valores de seus passivos.

Não haverá condições político-morais para proceder a tais reestruturações sem, ao mesmo tempo, distribuir melhor o custo da “socialização das perdas”. O grito de Warren Buffet, seguido por milionários de outros países, mostra o descalabro do Tea Party ao querer impor mais ônus aos mais pobres, com responsabilidade zero na crise. Por fim ou o euro se derrete pela falta de unificação fiscal, ou esta se faz, ou a União Europeia se encolhe, autorizando alguns de seus membros a desvalorizar e usar outra vez uma moeda nacional.

Nada disso pode ser feito sem lideranças políticas fortes, dispostas a redistribuir o poder global e reorganizar suas bases decisórias. Terão força para tanto? Eis o enigma.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO



Aluguel de máquina para construção registra queda
MARIA CRISTINA FRIAS 
FOLHA DE SP - 02/10/11

Os preços praticados pelas locadoras de equipamentos para construção, como empilhadeiras, andaimes e escavadeiras, registraram queda neste ano no Brasil.
"Houve uma redução dos preços em torno de 15% em valor real no mercado em geral", diz Eurimilson Daniel, da Sobratema (associação de tecnologia para equipamentos) e presidente da empresa de locação Escad.
À elevação no custo de crédito e manutenção das máquinas soma-se a entrada de asiáticos, que aumentou a oferta no país.
Além disso, o setor investiu muito na compra de máquinas nos últimos anos, de acordo com o presidente da Alec (Associação dos Locadores de Equipamentos para a Construção Civil), Durval Gasparetti.
Entre 2008 e 2010, o número de locadoras cresceu 30% no país. Hoje são cerca de 2.400. Além disso, as empresas que já existiam dobraram seus quadros de funcionários, afirma Gasparetti.
O setor de construção, porém, diminuiu o ritmo de expansão. Em 2010, o PIB do segmento cresceu 12%. Para este ano, a previsão é de 5%.
"Como resultado dos investimentos, atualmente temos máquinas ociosas. Quem tem uma posição favorável, pode fazer promoção e depois se recuperar", diz.
Gasparetti afirma que não tem como quantificar a queda de demanda, mas afirma que foi um declínio lento, que se iniciou em fevereiro e que foi até junho.
"Agora está estabilizado."

PRESSÃO NA MARGEM
A Eleva Brasil, locadora de equipamentos motorizados para construção civil, registrou queda de 15% a 20% nos preços que cobra de seus clientes.
"No terceiro trimestre, deu uma desacelerada. O mercado financeiro já prevê menores lucros para as construtoras, que são um dos setores que mais sofrem no mercado acionário em 2011", afirma Guilherme Bueno, sócio da Eleva, empresa do grupo Emit Brasil.
O empresário cita empilhadeiras e manipuladores telescópicos entre as máquinas que perderam preço.
As margens das vendas também foram pressionadas pela entrada de produtos de empresas chinesas e indianas, que passaram a vender diretamente para construtoras, o que atrapalha o mercado de locação.
A pressão foi sentida pela Emit Equipamentos, que importa e vende escoramentos metálicos e acessórios para andaimes.
"Com a subida do dólar, é provável que os preços se reajustem para cima, mas não por um aumento de margem, é meramente câmbio", afirma Murilo Santos, sócio da Emit.

INVASÃO DE CAPITAL
A participação de estrangeiros na carteira de ativos financeiros do mercado brasileiro dobrou nos últimos seis anos, de acordo com o Cemec (Centro de Estudos de Mercado de Capitais).
Desde 2005, o volume de investimento de pessoas de outros países no Brasil passou de 5,3% para 10,6%. "A isenção de Imposto de Renda para títulos públicos foi o principal motivo para esse aumento", diz o diretor do centro, Carlos Rocca.
Nos próximos anos, a tendência é que a participação dos investidores estrangeiros no mercado brasileiro cresça ainda mais, segundo a entidade. "Se o governo der continuidade ao processo de desoneração do Imposto de Renda também nos títulos de dívida privada, temos um potencial muito grande."
Em julho passado, a carteira de ativos financeiros atingiu R$ 5,4 trilhões no Brasil, sem contar os valores de companhias de capital fechado.
O Cemec, criado em 2008, mantém convênios com BM&FBovespa, Anbima, Cetip, Ibmec, entre outros.

O QUE ESTOU LENDO

Líbano Barroso, presidente da TAM

História e culinária chinesas são atualmente temas da leitura de Líbano Barroso.
"'O Último Chef Chinês', de Nicole Mones, [ed. Suma de Letras Brasi], é um romance que faz uma deliciosa narração sobre a culinária da China, desde o final do Império, passando pela Revolução Cultural, até os dias de hoje", afirma o presidente da TAM.
"O livro é uma mistura de história e ritual da comida daquele país, pois, para os chineses, comer é um evento e nunca apenas a nutrição."
Barroso lê também uma obra sobre gestão."'Não é Óbvio', de Eliyahu M.Goldratt, [ed. Nobel], é baseado na melhoria de processos do comércio varejista", diz.

ORÇAMENTOS EM XEQUE
A implementação de projetos costuma estourar em 66% o valor previsto no orçamento, na média mundial, segundo estudo da consultoria americana A.T. Kearney.
Entre as empresas de telecomunicação, os gastos chegam a ser o dobro do estimado inicialmente.
"É um setor que utiliza muito os novos recursos tecnológicos", afirma Dario Gaspar, sócio da consultoria que atua em mais de 30 países.
O valor dos orçamentos de obras de infraestrutura, por sua vez, é superado em 67%.
Na América do Sul, o montante desembolsado para viabilização de projetos é 67% superior ao orçado. Nos países da América do Norte, esse número é de 33%.
com JOANA CUNHA, VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ

EDITORIAL FOLHA DE SP - Juízes acima da lei


Juízes acima da lei
EDITORIAL 
FOLHA DE SP - 02/10/11

Tentativas de diminuir o poder de investigação do Conselho Nacional de Justiça conflitam com o espírito que orientou sua criação

Venda de sentenças, atrasos intencionais no andamento de processos, desvio de verbas: casos assim estão longe de constituir a regra geral no Judiciário brasileiro. Seria absurdo, todavia, dizer que inexistem -ou ofender-se, como parece ser a reação de alguns magistrados, quando alguém menciona o que acontece.
Trinta e cinco desembargadores -o cargo mais alto nas magistraturas estaduais- estão sob suspeita de ter cometido irregularidades desse tipo.
Instalado em 2005, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) tem tido papel determinante para investigar e coibir tais desvios de conduta. Desde sua criação, 25 já foram punidos.
Como seria de esperar, a atuação do CNJ encontra resistências dentro da própria magistratura. Foi assim que a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) recorreu ao Supremo Tribunal Federal para limitar os poderes do Conselho.
Defende-se que o CNJ só intervenha depois de esgotados os recursos cabíveis nas instâncias fiscalizatórias estaduais. Não é difícil prever que, com isso, as pressões corporativas das cúpulas locais aumentariam o risco da impunidade e da omissão.
O STF encontra-se dividido sobre o tema, que envolve interpretações diversas da Constituição. Pelo texto em vigor, entretanto, parece claro que os poderes do CNJ predominam sobre as instâncias estaduais -e que foi exatamente no espírito de evitar o corporativismo local que o Congresso lhe conferiu tais prerrogativas.
Segundo a Constituição, o CNJ pode receber diretamente denúncias e reclamações "de qualquer interessado". Pode "receber e conhecer" queixas contra membros e órgãos do Poder Judiciário, "sem prejuízo da competência disciplinar e correcional dos tribunais". Pode "avocar", ou seja, reivindicar para seu âmbito, quaisquer processos disciplinares em curso.
O CNJ, vale lembrar, zela apenas pelos processos administrativos. O juiz, como qualquer servidor público, responde por seus atos perante seu empregador, que é o Estado. Pode ser inclusive afastado num processo administrativo, a despeito de ações correlatas que corram no âmbito judicial.
Se há, nos dispositivos que criaram o CNJ, excesso de centralização de poderes, ou qualquer empecilho à atuação de outros órgãos de fiscalização, caberia ao Congresso rever o texto da Constituição.
Mais uma vez, entretanto, a tendência no Supremo é a de sobrepor uma carga interpretativa e regulatória própria ao texto constitucional. Suspensa temporariamente a decisão sobre o recurso da AMB, os ministros procuram chegar a uma solução de compromisso. É de perguntar, entretanto, se há compromisso possível entre as conveniências corporativas dos magistrados, muitas vezes recobertas de suscetibilidades incompatíveis com o ideal de transparência republicana, e as expectativas dos cidadãos -que veem, a despeito dos avanços já conquistados pelo CNJ, ainda muito por ser feito.

"SE FUDEU-SE"



MARCELO NOBRE, BRUNO DANTAS, WELLINGTON SARAIVA, GILBERTO VALENTE MARTINS, JORGE HÉLIO CHAVES E JEFFERSON KRAVCHYCHYN - O CNJ faz de cada cidadão um fiscal


O CNJ faz de cada cidadão um fiscal
MARCELO NOBRE, BRUNO DANTAS, WELLINGTON SARAIVA, GILBERTO VALENTE MARTINS, JORGE HÉLIO CHAVES E JEFFERSON KRAVCHYCHYN
FOLHA DE SP - 02/10/11

Uma das principais razões para a criação do conselho foi o deficit de atuação das corregedorias dos tribunais locais; é preciso fortalecê-las

Nos 23 anos da jovem, porém sólida democracia brasileira, poucas notícias foram recebidas com tanto entusiasmo pela população como a criação, em 2004, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), instituição que recebeu dupla missão: democratizar o Poder Judiciário por meio de políticas de gestão, modernização e transparência, e fiscalizar os deveres funcionais dos juízes, punindo aqueles que se desviassem da pauta ética e das obrigações previstas na Constituição e nas leis.
Dificilmente haverá no Brasil um cidadão informado que não saiba o que é e o que faz o CNJ. Colecionamos mais acertos do que erros: proibimos o nepotismo, regulamentamos o teto salarial, demos transparência aos gastos dos tribunais, divulgamos os números da estrutura do Judiciário, investimos em informatização dos processos, limitamos obras e contratações desnecessárias, denunciamos e combatemos o descalabro do sistema prisional, fixamos metas de produtividade e cortamos na carne, suspendendo e banindo juízes ímprobos.
Nesse contexto, a Corregedoria do CNJ vem desempenhando papel crucial no aperfeiçoamento da magistratura brasileira, o que estimula a enorme maioria de juízes honestos e trabalhadores. É inegável o protagonismo do CNJ na construção da credibilidade da Justiça.
A previsibilidade, a celeridade e a intolerância com a corrupção são fundamentais na busca da segurança jurídica como estratégia do Estado para firmar-se no cenário internacional. Aspectos como tempo de duração do processo, grau de respeitabilidade dos contratos, percepção da corrupção e previsibilidade da decisão judicial entram na análise dos investidores internacionais.
O CNJ está atento e atuante a essa preocupação. A maior contribuição do CNJ, contudo, foi dar à população sedenta de justiça a esperança de ver o país se afastar gradualmente de um passado de privilégios, impunidade e corporativismo. O Brasil de hoje, estimulado pelo ambiente democrático e pela imprensa livre, já não suporta desmandos e exige fiscalização permanente dos Poderes e das instituições.
Mais do que fiscalizar o Judiciário, o CNJ tem criado as condições e fornecido os instrumentos para que a sociedade civil também cumpra esse papel. Temos estimulado o surgimento de uma cultura de zelo pela coisa pública, que permitirá a cada brasileiro ser fiscal.
É justamente nesse contexto que se encaixa o atual debate sobre a competência concorrente ou subsidiária do CNJ para processar e punir desvios funcionais.
Para além da interpretação que se possa dar ao texto constitucional acerca da autoridade do CNJ em matéria disciplinar -o STF o fará da maneira sábia e equilibrada que o caracteriza-, há uma finalidade a informar o microssistema de controle administrativo do Judiciáriointroduzido pela emenda constitucional 45, que criou o CNJ: o direito atribuído ao cidadão de denunciar e obter julgamento célere e efetivo de eventuais desvios funcionais.
É notório que uma das principais razões para a criação do CNJ foi o histórico deficit de atuação das corregedorias dos tribunais. Elas, porém, não devem ser extintas, mas fortalecidas. Não se iniciariam as mudanças desejadas no Poder Judiciário sem as firmes e necessárias decisões tomadas pelo CNJ. O único "dono" do CNJ é a sociedade brasileira. As pessoas passam!
Nesse sentido, parece-nos que a questão em debate está fora de foco. Não se trata propriamente de recusar ou afirmar a competência originária do CNJ em matéria disciplinar, pois ela é inegável a nosso ver, embora respeitemos qualquer decisão do STF. O que se deve discutir são formas procedimentais para que o funcionamento do conselho represente também o fortalecimento das corregedorias dos tribunais.
MARCELO NOBRE, da Câmara dos Deputados, BRUNO DANTAS, do Senado Federal, WELLINGTON SARAIVA, do Ministério PúblicoFederal, GILBERTO VALENTE MARTINS, do Ministério PúblicoEstadual, JORGE HÉLIO CHAVES , da OAB, e JEFFERSON KRAVCHYCHYN, da OAB, são membros do CNJ.

CLAUDIO HUMBERTO

“Não, vai baixar se for possível”
PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF, SOBRE A TAXA SELIC DE JUROS.

ANTT DEIXA FISCAIS EM APUROS NAS ESTRADAS 
Correm risco de vida os fiscais de estrada da Agência Nacional de Transportes Terrestres. Eles realizam operações para aplicar multas em vans e ônibus interestaduais sem a presença de policiais, principalmente no Centro-Oeste. Sem a segurança, recebem ameaças de morte dos motoristas que andam armados, e são proibidos de registrar as infrações. A ANTT é omissa, apesar das reclamações.

DE TUDO 
Os fiscais encontram de tudo nos flagrantes: drogas, contrabandos, prostituição e principalmente o transporte clandestino.

CORPORAÇÃO DO MAL 
O transporte clandestino de vans e até carros particulares é dominado em muitos lugares por policiais civis e militares.

ARREGO 
Em casos relatados por fiscais, eles são obrigados por motoristas armados a entrarem no carro e sumirem da vista.

SÓ NA LUA 
A ANTT diz que as operações têm o apoio das polícias rodoviári-
as ou de postos nos terminais de ônibus. Os fiscais acham que são invisíveis.

STF “CAIPIRA”: SETE MINISTROS SÃO DO INTERIOR 
Dos atuais dez ministros do Supremo Tribunal Federal, sete nasceram no interior e apenas três no Rio de Janeiro: Marco Aurélio, Ricardo Lewandowski e Luiz Fux. No interior paulista nasceram o presidente Cezar Peluso (Bragança Paulista), o decano Celso de Mello (Tatuí) e Dias Toffoli (Marília). Em Minas nasceram Joaquim Barbosa (Paracatu), e Cármen Lúcia (Montes Claros). Gilmar Mendes é de Mato Grosso (Diamantino) e Carlos Ayres Britto veio de Sergipe (Própria).

TEMPO É DINHEIRO 
Um conhecido senador do nordeste foi visto usando relógio Richard Miller. O modelo no pulso não sai por menos de US$ 400 mil.

DE QUEM SABE 
A reforma política não vai sair de novo porque os dois maiores partidos não se entendem em nada. É a profecia do senador Demóstenes Torres.
PSD-PSB O recém-nascido PSD já fechou acordo para chapa com o PSB em São Paulo e Recife para as campanhas municipais do ano que vem.

BOLA NAS COSTAS 
Lula estará em Brasília na quarta (5) para comandar reunião sobre reforma política. Escolheu bem a data. A presidenta Dilma estará na Bulgária, terra de seu pai. Lula também passou pela capital para fazer política no dia em que Dilma discursava na ONU, em Nova York.

CEGUEIRA 
O Brasil não têm o Instrument Landing Syste (ILS), que ajuda pilotos a aterrissarem por aparelhos, em todos os aeroportos. Já existe o ILS3 em grandes aeroportos do mundo e o país conta com apenas dois ILS2.

PAI DA IDEIA 
O brasiliense Kleber Ferriche ficou feliz ao ver o Governo do Distrito Federal divulgar o slogan Brasília, Capital da Copa, mas surpreso por ninguém ter dado o crédito a ele, autor da ideia.

LISTÃO 
A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) terá um tesouro em mãos. Vai receber da Receita a lista quantitativa das fortunas do país, por faixas. Ela relata projeto que taxa patrimônios para fomentar a saúde.

SAGRADO REENCONTRO 
Aconteceu numa igreja do Lago Sul em Brasília: a missa de reencontro de uma turma de 40 anos do Colégio Sacré Coeur de Marie foi tão comemorada pelas mulheres durante a celebração, que o padre desistiu do “saudai-vos uns aos outros”. A missa inteira foi uma festa só.

PONTE-BALA 
O ministro dos Transportes, Paulo Passos, titubeou diante do pedido da bancada gaúcha para a construção de nova ponte sobre o rio Guaíba em Porto Alegre, quando o presidente da Câmara, Marco Maia, soltou um “isso tá me cheirando a trem-bala”. Não vai sair do papel.

MEMÓRIA NACIONAL 
O compositor Paulo Sergio Valle lança em novembro o livro O homem que venceu Getúlio Vargas. Trata do ex-governador do Pará Eurico Freitas Valle, que mandou 
no Estado por três décadas após o golpe.

VODKA ON THE ROCKS 
O agora milionário “consultor” Luiz Inácio Lula da Silva ganhar o prêmio de Lech Walesa, que derrotou o comunismo arriscando a vida, prova que um dos dois bebeu.

PENSANDO BEM...
...O próximo prêmio de Lula deverá ser o Ig Nobel de como ser Honoris Causa sem Causa nem Honoris. 

PODER SEM PUDOR
BOM DE COPO 
Quando o governador pernambucano Miguel Arraes viajava pelo interior, um “kit” sempre o acompanhava: uísque Johnny Walker, gelo e água mineral. O ajudante-de-ordens recebeu recomendação de d. Madalena, preocupada senhora Arraes, para “batizar” as doses de uísque com muito gelo e muita água. O governador descobriu a armação logo no primeiro gole: 
– Capitão, o senhor está querendo me gripar?

DOMINGO NOS JORNAIS


O Globo: Prefeitura ameaça invadir 421 imóveis com focos de dengue

Folha de S. Paulo: Para Peluso, CNJ precisa investigar corregedorias

O Estado de S. Paulo: Arrecadação cresce e carga tributária deve bater recorde

Correio Braziliense: Um crime covarde e uma cidade perplexa

Jornal do Commercio: SUS salva plano de saúde

Zero Hora: 30% dos prefeitos já admitem concorrer





sábado, outubro 01, 2011

EDITORIAL O ESTADÃO - A austeridade do governo federal é apenas um mito


A austeridade do governo federal é apenas um mito
EDITORIAL 
O ESTADÃO - 01/10/11

O Relatório de Inflação deu grande destaque à normalização das finanças do governo federal, apontada como um fator que permitiu às autoridades monetárias reduzir a taxa básica de juros. Os Resultados do Tesouro Nacional, divulgados anteontem, e as contas do setor púbico, publicadas ontem, recomendam que os diretores do Banco Central contenham seu entusiasmo.

Os resultados do governo não podem ser avaliados apenas pelo superávit primário obtido para pagar uma parte dos juros. Maior atenção merecem o déficit nominal e o volume das despesas efetivas, que refletem uma menor ou maior liquidez do sistema financeiro. O governo está dando destaque ao fato de que, com um superávit primário de R$ 96,5 bilhões, 72,4% da meta para 2011 já está cumprida - e com isso quase se pode ter a certeza de que, neste ano, a meta será ultrapassada.

É preciso, porém, qualificar esse resultado. Em agosto, o superávit primário foi o pior registrado desde 2003 - para o mês -, enquanto os gastos com juros, de R$ 160,2 bilhões, foram os maiores da série histórica. Além disso, o superávit do governo central caiu de R$ 10,9 bilhões, em julho, para R$ 2 bilhões, em agosto, enquanto o superávit dos governos regionais (Estados e municípios) aumentou de R$ 1,6 bilhão para R$ 2,6 bilhões.

O déficit nominal do setor público, de R$ 17,1 bilhões, cresceu 241,5% em um mês, e o governo central é o grande responsável por ele (déficit de R$ 17,2 bilhões), pois os governos regionais foram superavitários.

Se em oito meses o superávit primário equivale a 3,65% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 2,06% no mesmo período de 2010, isso não ocorreu em razão de uma política de austeridade, mas graças ao aumento da arrecadação do governo central, cujas receitas líquidas cresceram 18,8%, no período, enquanto as despesas aumentaram 10,6%.

As despesas que menos aumentaram foram as de capitais, como notou um diretor do Banco Central, por causa da incapacidade do governo de administrar proficuamente os investimentos na infraestrutura. O governo concentra suas despesas em custeio e no pagamento do funcionalismo, o que causa uma liquidez excessiva.

O superávit primário cobre em oito meses apenas 53% dos juros do governo central, que, a despeito de seu endividamento custar cada vez mais caro, não consegue imprimir maior velocidade aos investimentos em infraestrutura que poderiam aumentar a capacidade de concorrência da indústria brasileira.

JORGE BASTOS MORENO - Nhenhenhém - Efeito Kassab


Efeito Kassab
JORGE BASTOS MORENO - Nhenhenhém
O GLOBO - 01/10/11

O político importante do país, hoje, é Kassab. Metade dos governadores conseguiu maioria graças a ele. A outra metade está atrás dele.

Kassab vive de imagem. Vai apoiar Dilma, mas rejeitará cargos. Essa é a imagem que quer passar à sociedade.

Mas é no plano municipal que está a chave do poder.

Os dois vices de Alckmin, no governo anterior e no atual, foram indicados por ele.

E Kassab quer fazer do atual, Afif Domingos, candidato do PSD a prefeito de SP.

Se Alckmin topar, Kassab dará sua palavra de honra de que o PSD apoiará o candidato tucano à Presidência, seja ele quem for. Sonhei com Kassab me dizendo às sete da manhã de ontem:

— Acordo de 2012, Kassab cumpre em 2014.

Engole o choro!

Dilma recebeu, fora da agenda, a senadora Marta Suplicy. Marta deve ter chorado feito Gabrielli da Petrobras.

O poder da Dilma

Lembram o João Paulo, não o deputado paulista, mas o ex-prefeito de Recife?

Vou clarear vossas memórias: é aquele que quase causou um incidente diplomático de tanto falar que não tinha medo de "Suriname", quando, na verdade, queria dizer tsunami?

Sim, ele mesmo. O coitado foi tão perseguido pelo senador Humberto Costa, que, finalmente, resolveu sair do PT e anunciar sua filiação ao PCdoB. Foi chamado pela Dilma e, em 20 minutos de conversa, desistiu.

Depois neguinho vem dizer que a Dilma não tem envergadura política e que Lula, sim, é que era o sedutor.

Dona Flor

Dilma inicia amanhã um roteiro de viagem a três países: Bélgica, Bulgária e Turquia.

E, mais uma vez, Pimentel e Mercadante serão os únicos ministros partidários da comitiva. Não tem mais para ninguém. Só dá os dois.

Onde está o veado do Palácio do Planalto?

O Itamaraty exigiu do governo búlgaro documentação minuciosa dos candidatos a parentes da presidente Dilma que querem cumprimentá-la durante sua visita ao país.

Vai que de repente aparece um Stevie Wonder por lá dizendo que é primo da Dilma. Aqui, no Rock In Rio, foi um vexame: autoridades e celebridades caíram que nem patinhos.

Mas a maior preocupação da nossa diplomacia é com o presente que Dilma vai receber do governo da Bulgária. Sim, porque, na posse, recebeu uma estatueta enorme de um veado dourado, que não cabia nem no gabinete (gozado, acho que a reforma do Palácio reduziu a sala da Dilma, porque nos governos FH e Lula caberiam vários).

Só que o veado sumiu do Palácio. Não ouso dizer que foi roubado, mas alguém levou o bicho para casa. Só notaram isso durante uma reunião ministerial, quando alguém perguntou: onde estava o veadinho? Foi um silêncio constrangedor.

Nessa época, Jobim ainda era ministro, mas, graças a Deus, não acusou nenhum colega de nada.

Permanece o mistério: onde está o veadinho búlgaro? Espero que o Eduardo Cunha, que vive se preocupando com o meu armário, não invente que a estatueta esteja lá. Se estivesse nos cofres da República, Cunha, com certeza, saberia.

Tilápia & Macadâmia

Se inveja matasse, Sérgio Cabral e Eduardo Paes estariam mortos.

Pezão, como o melhor governador em exercício (claro, no Brasil só tem ele na função), e Zelão, de Silva Jardim, como o melhor prefeito do Estado do Rio, estão sendo homenageados na Espanha.

Só que, por praga dos invejosos, sumiu a mala do Zelão. Ele reclamou no Ancelmo que ficou até sem cuecas.

Coitado do Zelão. Essa é a única peça do Pezão que não cabe nele.

O resto é tudo do Pezão, até os sapatos.

Aécio In Rio 2014

Aécio Neves vai hoje, pela primeira vez, ao Rock In Rio.

Está atrasado apenas 26 anos, quando uma chuva o impediu de desembarcar no palco e ler uma mensagem do avô eleito naquele dia.

A vitória coincidiu com a apresentação do Barão e foi saudada por Cazuza, no "Pro Dia Nascer Feliz".

Por um triz

E quase que o Barão não se apresenta, conta-me Lucinha Araújo.

Cazuza, Frejat e outros da banda foram de jipe e, no caminho, foram fechados por um motorista maluco. E gritaram: Veado! Veado! Veado! De arma nas mãos, o motorista perguntou:

— Quem é o veado aqui?

— Eu! Eu! Eu!

Contraste
No jantar dos deputados, Aécio alega que não se lançou. Apenas mostrou que o PSDB tem projeto, aproveitando para cutucar Lula:

— Não sei quem serão os candidatos, mas o debate bom seria com meu amigo Lula. As diferenças ficariam mais claras. Seria a gestão eficiente versus o aparelhamento do Estado: a política pragmática a favor do Brasil versus a política ideológica a favor dos amigos: o futuro versus o passado.

Eu posso até acreditar.

Mas o Serra não!

TUTTY VASQUES - A vida como ela não é!


A vida como ela não é!
TUTTY VASQUES
O Estado de S.Paulo - 01/10/11


Ah, bom!

O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, deu uma explicação convincente para a votação relâmpago em sessão-fantasma da Comissão de Constituição e Justiça: "É assim mesmo!"

O Guido do Medvedev

A presidente Dilma devia dar graças a Deus pelo Guido Mantega que tem! O similar russo foi demitido dia desses por "insubordinação".

Boletim médico

Parentes e amigos de Aloizio Mercadante estão preocupados! A notícia de que a produção de iPad no Brasil subiu no telhado deixou o ministro em estado de choque. O tablet de Jundiaí é praticamente um filho para ele!

Passo a passo

Estrategista nato, o ministro Celso Amorim, da Defesa, traçou para as tropas brasileiras no Haiti uma retirada nem tão rápida que pareça fuga nem tão devagar que possa parecer provocação.

Inútil

Muamar Kadafi deu de ombros para a prisão de seu porta-voz pelas forças rebeldes da Líbia. Pra que diabos ele precisa de um porta-voz agora, caramba?

Mal comparando

Quem é melhor: Lula ou Pelé? Só se fala disso nos corredores da Science-Po de Paris. Os acadêmicos franceses perderam inteiramente a noção das coisas!

De novo!

Periga ser a notícia enguiçada da década: a Justiça Federal mandou suspender outra vez o leilão de licitação do trem-bala Campinas-SP-Rio.

Por mais sem sentido que seja a vida de celebridade, certas coisas na biografia da Gretchen que se escreve no noticiário não resistem a uma simples conferência de datas.

Como pode alguém que no dia 12 de julho internou-se numa clínica de SP para turbinar bumbum e seios no embalo de uma lipoaspiração de barriga reaparecer nesta semana no Facebook trabalhando de garçonete num café de Orlando (EUA)?

Diz ela que não se envergonha disso - provavelmente nem daquilo -, coisa que em nenhuma circunstância vem aqui ao caso.

O fato é que, em sã consciência, ninguém recorre à cirurgia plástica para servir hambúrguer numa lanchonete qualquer da chamada "Flórida profunda".

Seguindo as pegadas que deixou no Google, descobre-se que, entre o pós-operatório e o bico de trabalho na vizinhança da Disney, a rainha do rebolado se apaixonou, se casou e se separou de um chef de cozinha conhecido como Fernandez.

Para a irmã - a cantora Sula Miranda -, Gretchen disse que foi morar nos EUA para "fugir do assédio e ter uma vida normal".

Pense nisso antes de sair por aí reclamando da própria rotina. Melhor a vida como ela é!

Iriny nela!

Luana Piovani usou o Twitter para criticar o anúncio de lingerie de Gisele Bündchen mas, na mesma rede social, admitiu que já aplicou botox entre as sobrancelhas. Deixa a ministra de Políticas para Mulheres saber disso! Capaz de tirar a atriz do ar.

PAULO SANT’ANA - O papel de Deus


O papel de Deus
 PAULO SANT’ANA
ZERO HORA - 01/10/11

Ouvi na televisão, num desses programas religiosos, um fiel fazer a seguinte prece: “Deus, sei que és o criador do Céu e da Terra. Sei que és a síntese de todas as compreensões e que deténs todas as misericórdias. Sei que é de ti que provêm toda a luz, toda a sabedoria. Mas, cá para nós, Deus, tu não estás me atendendo, tu estás me sacaneando.

Há tempo que venho te pedindo para solucionar a minha grande aflição e tu te finges de desentendido, Deus. Pô, Deus, te flagra que eu estou necessitado de ti!”.

Já ouvi outras preces iguais a esta. Há pessoas que acham que Deus foi feito para servi-las e solucionar todos os seus problemas.

E, assim, se frustram com Deus.

Por sinal, o mesmo aconteceu exatamente com Jesus Cristo, filho de Deus, filho único de Deus, unigênito, também Jesus Cristo se decepcionou com Deus. Quando estava pregado ao lenho e antes de desfalecer diante da crucificação, disse, segundo consta na Bíblia: “Pai, por que me abandonaste?”.

Ocorre-me que, fosse tarefa precípua de Deus socorrer os homens quando estes estivessem em dificuldade, o mundo seria um campo maravilhoso de lazer, ninguém mais teria qualquer problema.

A qualquer dificuldade, o fiel oraria a Deus e este viria em seu socorro, acabando com o problema.

Evidentemente que não é assim, e as pessoas não podem colocar na conta de Deus as suas frustrações.

A relação entre os homens e Deus tem de ser colocada noutro plano.

Não pode ser vista como imediatista, quando Deus estaria de plantão para socorrer todas as emergências dos homens.

Melhor que se tenha Deus como fonte de meditação sobre a nossa condição filosófica perante a vida, o passado, o futuro do que como quebra-galho eventual das nossas dificuldades.

Da minha parte, erigi Deus como reserva nas minhas meditações. Ele está lá, distante, remoto, como um ímã oculto no infinito e eu estou aqui na luta da vida, me virando para sobreviver.

Envio-lhe minhas orações para que me auxilie na façanha de viver, mas não sou direto com ele, cobrando-lhe sobre determinados problemas.

A relação que tenho com Deus, em quem creio, é, digamos assim, institucional. Ele lá no infinito, eu aqui na Terra. Ele como espírito supremo, eu como mero terráqueo sujeito a todas as intranquilidades da vida.

O caso daquele fiel que diz que Deus o está sacaneando ao não atender o seu pedido é literalmente o da pessoa que elegeu Deus como parceiro: a cada tropeção seu, ele pede que Deus interceda e normalize o seu caminho.

Será que pode ser assim? Será que Deus é um pronto-socorro? Será que Deus é como uma emergência de hospital, capaz de nos curar de todas as doenças, males, infortúnios, de todas as urgências danosas que nos atacam?

Se fosse assim, seria uma barbada viver: toda vez que tivéssemos qualquer contrariedade, fosse ela suave ou de vulto, chamaríamos por Deus, que viria nos socorrer e nos livraria de todos os contratempos, desde os menores até as desgraças.

Não é assim.

Deus é um grande reforço. Mas não é remédio pronto para todos os males.

Tem de haver uma melhor conscientização do papel de Deus.

GOSTOSA


ANCELMO GOIS - Volta da pasta rosa



Volta da pasta rosa
ANCELMO GOIS
O GLOBO - 01/10/11


Um dos mistérios do remake de O Astro é o conteúdo de uma “pasta rosa” que sumiu do cofre de Salomão Hayalla.
Na vida real, em dezembro de 1995, houve um mistério envolvendo o mesmo objeto, da mesma cor. O BC, na intervenção no Banco Econômico, descobriu numa “pasta rosa” uma lista de 25 políticos que receberam doações ilegais para a campanha de 1990 de US$ 2,4 milhões. 
Na lista, os atuais senadores José Sarney e Renan Calheiros.

MAS... 
Como é comum na realidade brasileira, o escândalo da pasta cor-de-rosa não deu em nada.

PUXA, THIAGO 
A ONG Fala Bicho fez uma campanha, com sucesso, para tirar Thiago Gagliasso, irmão do global Bruno, de A Fazenda. 
É que o ator confessou ter batido e dado chutes em animais.

BELOS OLHOS AZUIS 
A princesa Madeleine, 28 anos, terceira na linha de sucessão da Suécia, estará segunda agora em Pernambuco, em viagem particular. Os belos olhos da moça são sucesso entre reis e plebeus.

VOCÊ ABUSOU 
Não foi surpresa Stevie Wonder cantar Você abusou, de Antônio Carlos e Jocafi.
O samba, de 1971, também é um sucesso internacional, e esteve no repertório de Ella Fitzgerald, deusa do jazz, no Festival de Montreaux de 1975.

LINGERIE VERMELHA 
Hildete Pereira de Melo, do Fórum Feminista do Rio, discorda da coluna, que ontem pediu um pouco mais de calma e humor, ao comentar a reação do governo, através da Secretaria das Mulheres, sobre o anúncio da Hope com Gisele Bündchen:
– Essa crítica de falta de humor das feministas é recorrente. Mas como ser bem-humorada com desrespeito? Toda vez que se protesta contra brincadeiras machistas, esta crítica é jogada em nossa cara.

ANÚNCIO CHOCHO 
Para Hildete o anúncio é “chocho” e só reforça a tão lamentada submissão feminina:
– É pena que a Gisele tenha se submetido a isso. Além da má qualidade, o anúncio é ofensivo à dignidade das mulheres.

NO MAIS 
Calma, gente...

ELA É DO RIO 
O brasileiro Carlos Ghosn, 57 anos, presidente mundial da Renault e Nissan, se encontra hoje com Dilma.
Anuncia a expansão da Renault no Paraná e a nova fábrica da Nissan em Resende, RJ.

CASO MÉDICO 
Antônio Pedro de Souza Silva, o Russo, famoso assistente de palco do Chacrinha, está internado no hospital Rio Mar desde o último dia 23.
Russo, 80 anos, teve um infarto e vai ser operado nos próximos dias.

COMIDA DA ONU 
A Abia (Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação) recebeu, quinta, representantes do Itamaraty e da ONU para entender os processos de concorrência e contratos da entidade internacional, que atinge US$ 2.4 bilhões.
Quase tudo é enviado para forças pacificadoras e grupos civis, em ações humanitárias.

RUY CASTRO - Menos um



Menos um
RUY CASTRO 
FOLHA DE SP - 01/10/11

RIO DE JANEIRO - Outro dia, um amigo me disse que levaria para o túmulo uma chaga impossível de cicatrizar: a de, por estar fora do Rio ou fora de si (ele não se lembra), ter perdido o show dos Rolling Stones na praia de Copacabana, em fevereiro de 2006. Aquele que reuniu 1,3 milhão de pessoas, para a polícia, ou 2 milhões, para os organizadores, e que, dizem, foi a maior multidão num espetáculo de rock.
Precisei me refrear para não lhe contar que, embora não tenha assistido ao show, fui um daqueles 1,3 milhão ou 2 milhões em Copacabana, e que isso não me alterou a mínima -exceto tornar-me desconfiado desses números que as pessoas apresentam segundo suas conveniências. Afinal, quem conta -e como?
Eu sei, os observadores estabelecem a metragem do cenário, calculam sete pessoas por metro quadrado e tiram um número para a posteridade. Mas isso não é uma ciência exata. E se houver crianças montadas em garupas? E os obesos que ocupam, cada um, um metro quadrado?
Lembro-me de ter ido do Leblon a Copacabana, a pé, pela orla, naquele dia. Às duas da tarde, havia muita gente na praia, mas concentrada diante do Copacabana Palace, onde ficava o palco. Prossegui até o Leme e, pelas seis horas, passei de volta pelo palco. A turba dobrara de tamanho, mas já ia ficando rala ali pelo posto 5. Fui embora. Mais tarde, em casa, espiando de relance pela TV, ficou claro que os fãs dos Rolling Stones nem de longe ocupavam a areia e a rua como fazem os de Iemanjá que, todo Réveillon, tomam Copacabana de ponta a ponta, do Leme ao posto 6.
E, ah, sim. Se os propalados 1,3 milhão ou 2 milhões incluem os que apenas flanaram pela praia em algum momento do dia, rogo em nome do rigor histórico que cancelem minha presença. Não assisti ao show. Portanto, é 1,3 milhão ou 2 milhões menos um.

GOSTOSA