domingo, maio 22, 2011

JOÃO UBALDO RIBEIRO - A era do bedelho universal


A era do bedelho universal
JOÃO UBALDO RIBEIRO
O Estado de S.Paulo 22/05/11

Ou muito me equivoco, ou nunca passamos por um período tão rico em normas e prescrições quanto o presente. Acho que deveria até silenciar sobre o que, segundo li num jornal, vigora na Suécia, porque, para tudo quanto é novidade adotada na Suécia (menos a ausência de mordomias oficiais, pois quanto a isto preferimos nosso atraso mesmo), aparece logo um alegre querendo implantá-la aqui. Refiro-me ao fato de que lá, de acordo com o jornal, o homem que fizer sexo sem camisinha é considerado réu de estupro. Não lembro se isso ocorre mesmo quando a parceira concorda ou se os casados têm de obter um alvará especial, mas essa história de Suécia pega muito nos progressistas nacionais, de maneira que deve ser bom negócio começar a comprar ações de fabricantes de camisinhas.

Podemos ainda não ter adotado o estupro descamisado como figura delituosa, mas já marchamos para a existência de cuecas, calcinhas e sutiãs ilegais, ou seja, os que não tiverem etiquetas nos lembrando, conforme o caso, a necessidade de exames periódicos de próstata, útero e mamas. Como a lei ainda não foi regulamentada, é possível que venham a ser criados fiscais de roupa de baixo, com o direito de exigir, sob pena de pesada multa, a verificação da legalidade até do mais provecto ceroulão ou do mais venerável calçolão. Em matéria de geração de empregos, é uma medida de larguíssimo efeito, capaz de aliviar a pressão sobre os inúmeros militantes dos partidos da base aliada ainda desempregados. E é claro que a ideia deverá prosperar para outras áreas, pois o cidadão não sabe cuidar de si mesmo e precisa de orientação constante para não pôr em risco sua saúde ou a do semelhante, mesmo quando não queira ou não ache que está correndo risco nenhum.

A tecnologia necessária para o muito que poderá ser feito somente no setor de roupa de baixo desafia a imaginação, mas antecipo que pelo menos se adotará, por exemplo, a certificação da dedada. O homem que estiver em dia com seu exame de próstata deverá, antes de envergar a cueca, passar um cartão magnetizado nela, o que provará, junto à autoridade competente, o cumprimento desse dever médico. Se o sujeito não passar o cartão, ou se ele estiver vencido, a cueca começará a apitar sem cessar, forçando o infrator a submeter-se ao exame imediatamente ou a ter um problema com um índio querendo apito que esteja por perto. O mesmo, naturalmente, acontecerá com a calcinha da negligente que esquecer o exame de colo de útero e com o sutiã da réproba que não fizer mamografia. Para os recalcitrantes, as peças de roupa podiam acrescentar também avisos luminosos e assim saberemos que aquela senhora cujos peitos piscam em várias cores é na verdade alguém que vergonhosamente não cuida de sua saúde como o governo estabelece. E por que não um monitor eletrônico do governo em cada cueca e cada calcinha? Hoje em dia, qualquer um pode estar onde quiser, sem que o Estado se faça presente quando necessário, até mesmo para a cobrança de futuros tributos indispensáveis para o governo manter-se. Por exemplo, monitor indicando motel, dez por cento de taxa de sexo - a popular caixinha do corno.

Tão fantasticamente avança a tecnologia, que o Estado vai ingressar, mais dia menos dia, num terreno irresistível, que é o de regular a vida sexual do cidadão. Como está, sem normas e sujeita a todo tipo de distorção, preconceito e noção errônea, a vida sexual dos brasileiros segue desgovernada e sem parâmetros claros para se orientar. Isso só pode resultar em sérios problemas de saúde e de comportamento, no terreno delicado que já foi eloquentemente definido como nosso "plus". Ousaria mesmo dizer que os brasileiros e brasileiras, de todas a camadas sociais, não dispõem de padrões normais em que enquadrar sua conduta sexual, sendo, pois, infelizes, mesmo que não saibam.

Tenho certeza de que, na cabeça de algum tecnocrata, germina um mundo ideal, onde ninguém tivesse problemas sexuais, mediante a aplicação de medidas para as quais já existe tecnologia, ou está prestes a ser criada. Resta apenas definir o que é certo, o correto. A convicção de que existem verdades científicas imutáveis, inabaláveis e indiscutíveis, inclusive quando envolvem valores, parece bem arraigada nos tecnocratas que ora mandam em nós, da farmácia ao aeroporto. Ou seja, bastaria uma comissão especial ser formada pela Anvisa, para a coleta das últimas verdades científicas aplicáveis. Viriam daí a conjunção carnal otimizada e o complexo conceito legal de "ortocópula" ou, no dizer d"outros, "ortocoito". Todo brasileiro e toda brasileira, como agora se diz, teriam direito ao ortocoito, devendo dirigir-se ao posto de saúde mais próximo no caso de um discoito, ou, pior ainda, uma cacocópula. Certas práticas heterodoxas precisariam receber autorização especial, até que ficasse demonstrada compatibilidade com o ortocoito. Os celulares podiam ser programados (acho que alguns já podem) para monitorar funções orgânicas, tais como batimentos cardíacos, pressão arterial e respiração, assim denunciando com uma sinetinha que a mulher de alguém estava fingindo orgasmo. Não valeria dizer que fazia parte do brinquedo e que o casal estava satisfeito assim mesmo. Seriam os falsos felizes, para cuja inclusão na normalidade trabalharia um exército de técnicos e voluntários.

Sei que vocês pensam que brinco, mas não brinco. Brinco somente um pouco e o que parece mera fantasia pode muito bem não ser. Outro dia, li sobre uma hipotética "sociedade sem mentiras", tornada possível pela disseminação ilimitada de detectores de mentiras sofisticados, práticos e, ao contrário dos antigos, eficazes. Ingênuo, quem pensa que isso é bom. Já não vamos poder nos refugiar nem dentro de nós mesmos. E enlouqueceremos, claro.

RAUL JUSTE LORES - Fortaleza USP


Fortaleza USP
RAUL JUSTE LORES
FOLHA DE SÃO PAULO - 22/05/11

A USP quer mais segurança, mas sem a Polícia Militar. Até a próxima greve estourar, muitos ali vão exigir mais dos cofres públicos, mas sem admitir que a sociedade discuta como pagar a conta.
O Brasil mudou, mas a melhor universidade brasileira parece uma fortaleza conservadora antimudanças.
É tabu discutir cobrança de mensalidade, financiamento, participação da iniciativa privada e outras urgências -maior diálogo com o mundo, o acesso de mais estudantes vindos da escola pública e o fomento à inovação.
Enquanto o ProUni preenche a capacidade ociosa e enriquece várias universidades privadas, sem muito histórico de investimento em pesquisa ou formação de professores, as públicas estão carcomidas e sem fundos.
O gargalo de mão de obra é uma das mais sérias ameaças ao crescimento sustentado da economia brasileira. Mas governo e empresários reagem com pouca ação.
Nossos concorrentes no mundo emergente têm pressa para dar um salto acadêmico.
Na China, a Faculdade de Direito Transnacional em Shenzhen contratou um ex-presidente da Universidade Cornell como seu diretor. O governo quer graduandos "à altura dos melhores dos EUA".
A Índia tem os seus MITs desde os anos 50, mas só agora consegue promover o retorno de engenheiros indianos que conquistaram os EUA.
Há 128 mil chineses estudando em faculdades americanas -para a elite chinesa, mesmo o mimado filho único precisa se sacrificar para estudar em Harvard ou Yale.
Brasileiros são apenas 8.000, pouco mais que os colombianos nos EUA. Índia, Turquia, Taiwan, Vietnã e México também superam o número de brasileiros.
Dos 10 países com maior número de universitários nos EUA, 8 são asiáticos. A Malásia está atraindo filiais das maiores universidades britânicas para um polo de educação, vizinho a Cingapura, para aproveitar a demanda.
A China abriga 265 mil estrangeiros em suas universidades, 18 mil deles com bolsas do governo, que quer internacionalizar seus campi.
No Vietnã, a Universidade de Hanói até dá cursos inteiramente em inglês. "Nossos alunos serão competitivos no mundo", diz o reitor, sem aparentar trauma histórico.
Um professor estrangeiro que tente lecionar na USP, mesmo com diploma de Stanford, dificilmente vai resistir ao calvário burocrático.
Talentos uspianos parecem resignados ao imobilismo e aos recursos limitados.
A produção de patentes é pequena, a posição em rankings internacionais, decepcionante. Mas, no superprotegido ambiente universitário, passar por avaliação externa ainda soa a reprovação.

DANUZA LEÃO - Responda, se tiver coragem



Responda, se tiver coragem
DANUZA LEÃO
FOLHA DE SÃO PAULO - 22/05/11

Até porque a felicidade é sempre coisa do passado ou do futuro -ah, como foi bom, ah, como vai ser bom


VOCÊ É FELIZ? A essa pergunta, tão curta e aparentemente tão simples, ninguém responde rápido, nem que sim nem que não.
A resposta costuma ser tipo "bem, quando penso na situação da maioria dos brasileiros, não dá para dizer que eu seja infeliz". Não foi essa a pergunta, as pessoas sempre se enrolam.
É difícil mesmo, até porque a felicidade é sempre coisa do passado ou do futuro -depois que o apartamento for comprado, as férias foram maravilhosas, quando a filha se casar, quando arranjar um namorado ou quando me separei, ah, como foi bom, ah, como vai ser bom. Sempre antes ou depois.
As pessoas têm um certo pudor de confessar que são felizes; somos todos supersticiosos, e se queixar um pouco da vida faz parte, para não despertar a inveja dos amigos e a ira dos deuses. E mais: na hora em que se é feliz não se tem consciência do que está acontecendo -complicada, essa tal de felicidade.
O que não se deve é confundir: acontecem às vezes momentos maravilhosos em lugares deslumbrantes, com pessoas incríveis, e se imagina que aquele é um dos grandes momentos da vida, se imagina até mesmo que aquilo é a felicidade.
Anos depois, desses momentos só vai sobrar uma foto, se sobrar, e na memória, quase nada; no coração, nem pensar. Bom mesmo é ser feliz e perceber; quando você come um chocolate bem gostoso, é melhor achar bom na hora ou dois anos depois?
Para isso é preciso um certo treino: o dia de hoje, por exemplo, está sendo bom, ruim ou regular? Pense um pouco: aconteceu alguma coisa boa desde que você acordou? Não? Mas nada mesmo? Será?
Para começar, você acordou, abriu os olhos e viu a luz do dia; quando abriu a torneira, tinha água, o jornal estava na porta, e os gatos brincando. E mais: com um dia inteiro pela frente, dá para tomar certas decisões, do tipo "hoje vou ser feliz". Já é um começo.
É bem verdade que às vezes a vida não dá trégua, mas com o tempo a gente aprende a se defender, e uma boa estratégia é evitar qualquer discussão, e dizer sim a tudo.
Quando ouvir um "você engordou um pouco", diga que é verdade, e que está péssima -dizer que está péssima atrai as simpatias gerais.
Ache graça em tudo o que disserem e peça opinião sobre tudo: do namorado com quem não sabe se deve se casar ou abandonar para sempre até qual a melhor dieta -o que não quer dizer que vai seguir quaisquer dos conselhos.
Com isso está comprando seu sossego, isto é, sua felicidade, o que não tem preço.
E sua personalidade, suas opiniões, onde ficam? Ora, não há nada mais insuportável do que pessoas que têm opinião; bom mesmo são as que concordam com a gente o tempo todo.
E pensando bem, não custa nada dizer sim, sim, sim. Afinal, não é um preço assim tão alto para que todos sejam felizes.
E você? Bem, querer que todos sejam felizes e você também é querer demais, mas mesmo assim, não custa lembrar: ser feliz, ao contrário do que dizem, não é pecado.
PS - O grande escândalo do diretor do FMI me fez pensar. A arrumadeira entrou para arrumar o quarto; ele, que estava no banheiro, abriu a porta (nu) e viu a moça.
Imagino que seja preciso um tempo para que o desejo masculino aconteça; tempo suficiente para ela sair correndo (e à visão do personagem em questão, nu, mais correndo ainda).
Lembro de Mike Tyson que, anos atrás, convidou uma moça para subir em seu quarto de hotel; ela, pobre inocente, aceitou, depois o acusou de tentativa de estupro, e o lutador foi condenado a seis anos de cadeia. Ah, essa América puritana.

GOSTOSA

JANIO DE FREITAS - Palocci explica Palocci


Palocci explica Palocci
JANIO DE FREITAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 22/05/11

Palocci promete para esta semana a explicação para seu atual atentado contra o bom andar governamental


ANTONIO PALOCCI, o homem-bomba, tem explicação para tudo. O que complicou nas atividades com o grupo de amigos, quando prefeito de Ribeirão Preto, não foi falta de explicações. Tanto que, passados alguns anos bem apropriados para o esquecimento, obteve as convenientes absolvições. O que complicou no escândalo quando ministro da Fazenda de Lula também não foi falta de explicações, no seu estilo. Fiel a si mesmo, ao menos a si, Palocci promete para esta semana a explicação pedida pela Procuradoria-Geral da República para seu atual atentado contra o bom andar governamental. O que vai complicar é o de sempre: a busca alheia de explicação factual ou documental para a explicação à maneira palocciana.
Sob a simpatia sorridente, com aquele ar de bebê dado a muitos volumosos não anabolizados, Roberto Gurgel é o terceiro na estirpe de procuradores-gerais, inaugurada por Cláudio Fontelles e continuada por Antonio Souza, que aliam firmeza, independência e serenidade (esta reviravolta na Procuradoria-Geral da República foi o que de melhor aconteceu às funções institucionais no país). Pois bem, do "olhar cuidadoso" que disse dirigir à notícia das incursões imobiliárias de Palocci, Roberto Gurgel passou a uma breve referência pessoal, paralela ao pedido de explicações mandado ao ministro: recebida a resposta, virá a análise da necessidade, ou não, de investigações ou mesmo de inquérito.
Explicações de Palocci, eis a segunda carga de explosivos. A nota que atribuiu a um assessor já deixou os traços paloccianos, como o relato completo dos bens feito à Comissão de Ética da Presidência da República, que se viu na constrangida contingência de informar que, completo, não era. E mais buracos, que nessas coisas o ex-ministro da Fazenda não é econômico.
Por falar em economia, há pouco apareceu a figura de um sobrinho viageiro a quem Palocci, "por não ser economista", pôs na direção formal de sua consultoria Projeto. Mas o registro e a direção de consultoria, mesmo se econômica, não requerem diploma em economia. O uso de nome alheio é uma prática comum para esconder a presença e a responsabilidade verdadeiras. Sugestão, por si só, da existência de motivo para o encobrimento.
O problema das explicações outra vez devidas por Palocci é que só valem se coincidirem com a explicação não apenas dada, mas provada pelo outro lado. O que promete surgirem "consultorias verbais" sem fim.
A Amil, uma das comadres do governo no seguro-saúde, já veio com sua parte de socorro ao consultor Palocci. Afirma que o contratou para palestras a seus clientes e executivos sobre a maneira de evitar a gripe aviária. Em sua especialidade de contato permanente com centenas ou milhares de médicos de todas as especialidades, a Amil escolheria, para prevenir a saúde de clientes e de seus executivos, um médico dedicado à política e a governos por mais tempo do que seu convívio real com a medicina.
Entre as características pessoais de Palocci está a de ser muito caseiro. Fechada por um depoente inesperado a casa civil que mantinha em Brasília com seu grupo de Ribeirão Preto, Palocci veio a acomodar-se na Casa Civil do Planalto. As repórteres Maria Lima e Isabel Braga, do "Globo", narraram que um dos presentes a uma reunião palaciana, quinta-feira, ouviu de Dilma Rousseff que vai "segurar Palocci no cargo "até o fim'".
Parece que a presidente não esclareceu, ou não prevê, "até o fim" de quê ou de quem. Embora as hipóteses não sejam muitas.

FERREIRA GULLAR - Saia justa


Saia justa
FERREIRA GULLAR
FOLHA DE SÃO PAULO - 22/05/11

A conclusão inevitável a que se chega é que a morte de Bin Laden tem limitadas consequências práticas


APÓS OS atentados de 11 de Setembro de 2001, a eliminação de Osama bin Laden tornou-se uma questão de honra para o presidente dos Estados Unidos, fosse ele quem fosse.
É evidente que a inusitada audácia do terrorista, ao alvejar pontos de alta significação simbólica do poder norte-americano, atingiu o orgulho e a segurança da nação, sem falar no massacre de milhares de inocentes.
Se se leva em conta que, depois disso, Bin Laden aparecia com certa frequência na televisão do país formulando novas ameaças, o resultado inevitável era, no povo, o pavor de que, a qualquer momento e em qualquer lugar, o terror o atingisse de novo e, no presidente, a necessidade de por fim àquilo, ou seja, devolver ao país, a qualquer preço, a tranquilidade e a autoestima.
Consegui-lo era uma missão irrevogável e o tornaria o salvador da pátria. Bush, apesar de todo o empenho, não o conseguiu.
Obama, ao ser informado de que o esconderijo do inimigo número um da nação fora descoberto, não hesitou, diante da oportunidade que a história lhe oferecia. A informação de que Bin Laden fora localizado era uma possibilidade, mas não uma certeza. No entanto, qualquer que fosse o risco a correr, desistir estava fora de cogitação.
Por isso, o passo seguinte foi assegurar o modo de chegar até a casa-fortaleza e cumprir a missão.
Pensaram em simplesmente lançar um foguete sobre o esconderijo e destruí-lo. Isso não apenas mataria indiscriminadamente quem ali estivesse, como tornaria difícil comprovar que Osama bin Laden fora eliminado. Venceu a proposta de invadir a casa.
Isso posto, passou-se aos meios de que se valeriam e à discussão de um problema político: deviam realizar uma ação militar em território do Paquistão sem a permissão de seu governo?
Obama diria, mais tarde, ao anunciar o fato, que obtivera a permissão do governo paquistanês, o que depois foi negado. De qualquer modo, jamais revelaria o objetivo de tal missão, que não revelou nem para sua mulher.
A possibilidade de vazamento de tão decisiva tarefa aconselhava total sigilo. Se tal possibilidade está presente em toda e qualquer circunstância, ninguém em sã consciência se arriscaria a confiar no governo paquistanês, infiltrado de aliados da Al Qaeda.
Bastava o fato de que Bin Laden ali se instalara e vivia, sem ser incomodado, nas vizinhanças de um quartel do Exército e a poucos quilômetros da capital do país.
Quem quer que tivesse por missão dar fim a Bin Laden jamais revelaria qualquer coisa às autoridades do Paquistão. Assim fizeram os norte-americanos e atingiram seu objetivo.
Foi, na verdade, um ajuste de contas, porque o terrorismo de Al Qaeda nunca significou uma possibilidade de mudança no equilíbrio de poder no mundo, uma vez que se trata muito mais de uma seita de fanáticos, movidos pelo propósito de impor à humanidade uma visão fundamentalista do islamismo.
Sem base territorial, sem Exército, tudo o que pode fazer é tramar e executar atentados contra o "inimigo": os países capitalistas ocidentais e, especialmente, o mais poderoso deles, os Estados Unidos.
Falando à Globonews, o jornalista inglês Robert Fisk, que entrevistara Bin Laden três vezes, antes e depois do 11 de Setembro, nos deu uma imagem bastante verossímil dele: vaidoso, convencido da missão de impor ao mundo a vontade de Maomé, atribuía-se o feito de ter destruído a União Soviética e a certeza de que faria o mesmo com o império norte-americano.
Vivendo desligado do que se passava no mundo, não se dava conta da complexidade da realidade internacional, chegando a afirmar que em breve haveria uma revolta do povo americano que acabaria com o regime capitalista nos Estados Unidos.
Para que isso acontecesse, bastaria consumar os atentados que planejava. Não se dava conta de que os golpes eventuais do terrorismo, por mais audaciosos que fossem, não teriam a capacidade de alterar a correlação de forças econômica, política e militar em escala mundial.
A conclusão inevitável a que se chega é que a morte de Bin Laden tem limitadas consequências práticas, como, aliás, o próprio terrorismo, particularmente agora, quando os povos árabes se levantam clamando por democracia.

SUELY CALDAS - Presidente, diga a que veio


Presidente, diga a que veio
SUELY CALDAS

O Estado de S.Paulo - 22/05/11

Uma boa notícia no front: o governo federal espera concluir e enviar ao Congresso, até junho, proposta para desonerar a folha de salários das empresas. A ideia é trocar um imposto (parte da contribuição previdenciária) por outro (sobre o faturamento da empresa). Não será mera troca de seis por meia dúzia, se tal exercício matemático for feito com inteligência e resultar em justiça tributária, distribuição mais equilibrada de encargos entre diferentes setores da economia e se o governo não aproveitar para enriquecer seu caixa.

A desoneração da folha é parte relevante das reformas trabalhista e tributária: ajuda a incluir trabalhadores hoje excluídos de direitos, reduz o custo das empresas de produzir no Brasil, atrai investimentos privados e expande o emprego. É tudo de bom, desde que feita com equilíbrio e cuidado para não piorar o déficit da Previdência e, ainda, não aumentar a já pesada carga tributária. É boa a ideia de diferenciar alíquotas do novo imposto por setores, desonerando exportadores e os que usam mão de obra intensiva e onerando os de capital intensivo que geram menos empregos. É algo na direção de melhor justiça tributária. Mas esperemos as regras. A ver.

A presidente Dilma Rousseff quer usar a estratégia de tocar as reformas em fatias, em vez de apresentar pacotes acabados. A primeira fatia é a da folha de salários. Trata-se de uma estratégia pragmática que tenta anular trapalhadas do passado do PT de demonizar as reformas. Mas não está nos planos de Dilma mudar regras - nem pontuais nem empacotadas - para desarmar a bomba que a cada ano multiplica o déficit previdenciário. A reforma da Previdência é difícil, é verdade, mas tocá-la é obrigação de um governante consciente e responsável, que não mira só sua popularidade. E, quanto mais demorar, pior será para um país como o Brasil, onde a população idosa (felizmente) tem crescido de forma acelerada. Os países europeus demoraram e hoje enfrentam oposição agressiva nas ruas e falta de dinheiro para pagar aposentadorias.

A decisão de reduzir o custo do trabalho deve ser festejada nem tanto pelo conteúdo das mudanças - ainda pouco conhecidas e não testadas -, e mais pela atitude de agir de olho no futuro, corrigindo estruturas que o tempo tornou ultrapassadas. Falta ao governo Dilma um programa, um rumo na direção de modernizar certas estruturas do País - o que FHC começou, mas não teve tempo de terminar, e Lula simplesmente ignorou, movido pelo interesse político de não abalar sua sagrada popularidade.

Dilma tem só cinco meses de governo. Mas já deveria ter apresentado aos brasileiros um plano de voo que seja - que pode até mudar de rota aqui e ali, mas é essencial para orientar decisões privadas que empurrem o País ao progresso. Seu anúncio era esperado na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), no final de abril, mas Dilma se limitou a divulgar os programas de erradicação da pobreza e capacitação profissional. Deixou de fora o saneamento básico, de que a população pobre é tão carente.

Seu governo deve ao País um programa de desenvolvimento focado, sobretudo, em remover os gargalos na infraestrutura, obstáculos ao tão proclamado desenvolvimento sustentado, sem riscos de recuos. Nesse setor a impressão é de que o governo age desorientado, a reboque dos acontecimentos, sempre correndo para apagar incêndio. É o caso dos aeroportos: Lula deixou rolar e nada fez, Dilma demorou a descobrir que a Infraero não dava conta, decidiu privatizar faltando três anos para a Copa e, agora, vive a encrenca de não conseguir concluir as obras a tempo. Em vez de reduzir, surpreende-se com um crescimento acelerado do desmatamento na Amazônia e corre para criar um gabinete de crise. Deixa a inflação prosperar e, diante da ameaça de descontrole, recorre a paliativos, não ataca o mal pela raiz.

Lula fez quase nada em infraestrutura. Politizou as agências reguladoras, transferiu poder para os ministérios e daí mesmo é que não saiu nada para melhorar a regulação e fomentar o investimento privado. Está na hora de Dilma dizer a que veio.

GOSTOSA

MÔNICA BERGAMO - anjo mau


anjo mau
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 22/05/11

Gabriel Braga Nunes, que substituiu Fábio Assunção em "Insensato Coração", volta à Globo após cinco anos na Record e é chamado de malvado por causa do vilão Léo


"Sempre vejo tudo o que você faz, sou sua fã! Mas eu estava torcendo para você vir para a Globo fazer um mocinho e você é mau", diz Arlete Pires, 72, para o ator Gabriel Braga Nunes durante uma pausa das gravações da novela das nove da Globo, "Insensato Coração". Ela, que é mãe de um dos atores coadjuvantes da trama de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, acompanhava os bastidores da novela no estúdio do Projac, no Rio, na última quarta-feira.

Gabriel, 39, diz à repórter Lígia Mesquita que ouve "umas 38 vezes" por dia as pessoas dizerem "como você é mau!", desde que começou a interpretar o vilão Léo Brandão. E, nos últimos dias, tem sido avisado sobre a aproximação de sua antagonista, Norma, interpretada por Gloria Pires. "As pessoas brincam: "Ela tá chegando, cuidado"." Os comentários, afirma, não atrapalham nunca. "Eu trabalho para provocar ódio. Acho que tem uma identificação gostosa das pessoas com os vilões. Onde pega com o Léo é que ele é um psicopata, não sente culpa. E ao mesmo tempo as pessoas acham ele fofo."

Formado em teatro na Unicamp, ele começou a fazer televisão na Globo na novela "Anjo Mau", mas passou os últimos cinco anos na emissora concorrente, a Record. Lá, estrelou cinco produções -em três delas foi protagonista. Em dezembro, o diretor Dennis Carvalho o convidou para retornar à TV dos Marinho para uma missão de última hora: substituir Fábio Assunção na novela. O ator, que em 2008 foi internado numa clínica de reabilitação por problemas com drogas, já havia começado a gravar suas cenas no folhetim quando pediu para sair. Ele alegou "não ter disponibilidade para cumprir a carga horária" do protagonista.

"Eu já tinha diversos indícios de que esse trabalho seria legal. Um vilão do Gilberto, a direção do Dennis, um personagem do Fábio, que é um dos caras que eu mais admiro pessoal e profissionalmente. Não conhecia ele muito bem, mas no ano passado fizemos um filme juntos ["O País do Desejo", de Paulo Caldas, em que interpretam irmãos]. Enfim, o Léo vinha com vários atestados. Achava que o momento não era ideal porque precisava de umas férias, mas não tive como dizer não." Ao longo da conversa com a coluna, ele elogia diversas vezes autor e diretor. E gesticula, passa a mão nos cabelos e termina frases com "sacou?".

Enquanto almoça um carpaccio com salada verde em um restaurante italiano de Ipanema, explica por que até hoje só assina contrato por obra nas emissoras em que trabalha. "É uma necessidade de controle de cada passo. E me agrada mais a ideia de ser convidado do que ser escalado. É muito difícil fazer uma coisa que você não tá a fim, levar um personagem durante dez meses que não tem a ver com seu momento de vida. Sempre tive receio de contratos longos. O que não significa que eu seja contra. Só significa que, quando eu fizer, ele precisa ser interessante."

Questionado se o assédio aumentou da última trama para a atual, responde com números. ""Poder Paralelo" [da Record] tinha média de 11 pontos [de audiência no Ibope]. E até aqui estamos tendo uma média de 38 [em "Insensato Coração']. Três vezes mais. Tá dito."

"Gostei muito de fazer "Poder Paralelo". Hoje tô numa empresa que está há muitos anos fazendo novela. É difícil dizer isso em termos comparativos de emissora, por isso estou evitando. É uma comparação infeliz, não dá pra botar isso em termos de Globo e Record, sacou? Vai ficar uma coisa tendenciosa. Torço muito e acho que o início da produção de teledramaturgia na Record é muito importante. Foi muito bom pra mim e possivelmente pode ser ainda. E vai ser muito bom pra muita gente." Encerra o debate: "Você está insistindo nessa questão".

Sobre o retorno à Rede Globo, diz: "Posso falar da produção em que estou. É muito estruturada, profissional, tem know-how. Temos poucos imprevistos, os horários são respeitados. Eu funciono com horários, a espera me atrapalha demais. Muitas vezes tenho um mau dia por conta de duas horas de espera". No momento atual, afirma, "acordo de manhã e vou trabalhar feliz".

Um motorista busca o ator paulista no restaurante para o levar ao Projac. No percurso de uma hora, checa e-mails no iPhone e lê notícias. "Olha, um site está dizendo que o Léo vai ser assassinado." Chega ao estúdio às 16h, de calça jeans com alguns rasgos, camisa e All Star brancos, um anel em forma de caveira e uma pulseira de correntes prateadas. Vai para o camarim e sai com o terno do personagem. Passa rapidamente pela maquiagem e aguarda sua vez de entrar em cena. Anda de um lado para o outro e relê rapidamente o texto. "Não preciso de concentração. Sou como um suco de laranja já concentrado e natural."

A paixão pela TV foi algo que, diz, "demorou 15 anos para acontecer" e o levou a deixar o teatro de lado. "Eu era contra a televisão, mas me apaixonei. No ano passado fiz três filmes ["O País do Desejo", "O Homem do Futuro" e "Garibaldi'] e senti falta de TV artisticamente, não tô falando de dinheiro. Gosto de novela, no entanto acho que já estou num lugar em que você precisa pensar bem um personagem, porque hoje tem muita história boba. E novela boba é muito cansativa."

O diretor pede para Gabriel se posicionar, pois o ensaio vai começar. No estúdio estão Gloria Pires, Herson Capri, José de Abreu, Tarcísio Meira, Paola Oliveira e Eriberto Leão, entre outros.

O ator conta que seus maiores conselheiros são os pais, a atriz Regina Braga e o diretor teatral Celso Nunes. "Nem sempre eles acompanham o que faço, não tem essa coisa assim tão família perfeita. Mas gosto de conversar com os dois", fala. "Fiz a peça "À Margem da Vida" com minha mãe e foi um dos momentos fortíssimos como ator. Tivemos uma química impressionante. É uma das maiores químicas de cena que já encontrei na vida [risos]. A outra é a Paloma Duarte, minha ex-namorada. Fiz três novelas com ela e parecia que a gente tava em casa." Os dois terminaram recentemente o relacionamento. Antes de Paloma ele namorou a cantora Danni Carlos, participante do reality show "A Fazenda".

Gabriel vive em um flat no Leblon, no Rio, por conta do trabalho, mas não abre mão de sua casa em São Paulo. "Nos dez anos em que não tive minha base lá fiquei carioca demais [gargalha]."

A invasão de privacidade e a superexposição a que muitos artistas estão sujeitos, principalmente no Rio, não o incomodam. "Não faz parte do meu repertório [pensar em superexposição]. Sou ator! Meu repertório são os trabalhos que tenho. Eu moro na Dias Ferreira [rua cheia de paparazzi]. Preciso te dizer mais? Isso não é um assunto pra mim. Quando você trabalha com comunicação de massa, não pode ter incômodo com superexposição."

CARLOS ALBERTO CAIO DANTAS - Os cursos noturnos e a segurança na USP


Os cursos noturnos e a segurança na USP
CARLOS ALBERTO CAIO DANTAS
O Estado de S.Paulo - 22/05/11
A organização geográfica das atividades na Cidade Universitária é fundamental para a reformulação dos serviços de segurança

O trágico assassinato do estudante Felipe Ramos de Paiva, do curso de Ciências Atuariais, na Cidade Universitária, deve precipitar a busca de soluções para o problema dos cursos noturnos na USP, no qual o da segurança tem caráter primordial. Deve-se, no entanto, evitar soluções pontuais e imediatistas.

A extensão territorial da Cidade Universitária e a maneira aleatória com que foram construídos os prédios dos institutos e faculdades colocam obstáculos sérios para uma solução tanto dos problemas de segurança quanto dos acadêmicos e administrativos no período noturno. Os instrumentos de apoio ao ensino não funcionam no período noturno como no diurno: as bibliotecas, em geral, fecham às 21h; os serviços de apoio à graduação e os de secretaria e sessões de alunos também não funcionam durante todo o período das aulas.

Na maioria dos câmpus das universidades americanas, as aulas teóricas são ministradas quase que exclusivamente em um prédio ou conjunto de prédios vizinhos. Para essa área se deslocam quase todos os estudantes. Aulas de laboratório são dadas nas unidades em horários convenientes.

A adoção de um sistema de uso do espaço nesses moldes na Cidade Universitária daria condições para a implantação de um efetivo sistema de segurança, mantendo-se uma guarda fixa nessa área e uma móvel nas outras cujo horário de atividades deveriam ser comunicados previamente. Essa reorganização do espaço físico facilitaria também a reformulação dos currículos e dos serviços de apoio acadêmico aos estudantes, principalmente para os do noturno.

Hoje em dia é quase impossível montar uma grade curricular flexível e interdisciplinar, pois a dispersão geográfica atual das unidades no câmpus torna inviável o deslocamento dos estudantes.

A discussão sobre a segurança na Cidade Universitária é antiga. Na gestão Hélio Guerra Vieira, este articulista foi membro de uma comissão do Conselho Universitário da USP encarregada de propor diretrizes para um plano de segurança do câmpus. Essa comissão entrevistou-se com o secretário de Segurança na época, Manoel Pedro Pimentel, e elaborou um documento que foi entregue ao reitor. Uma das recomendações era a de constituir guarda universitária que não portaria armas, mas que seria treinada por membros da Polícia Militar, que também lhe dariam retaguarda. Para esse fim, seria firmado convênio entre a USP e a Secretaria de Segurança. A guarda foi constituída, mas o convênio e o treinamento da guarda não foram realizados.

Soluções de caráter acadêmico precisam ser precedidas pela ampliação dos serviços acadêmicos no período noturno e, primordialmente, pela reformulação dos serviços de segurança, para os quais é fundamental a reorganização geográfica das atividades no câmpus.

FOI PRÓ-REITOR DE GRADUAÇÃO DA USP DE 1994 A 1997

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

JOSÉ SIMÃO - Ueba! Neymar vai ter gansinho!


Ueba! Neymar vai ter gansinho!
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SÃO PAULO - 22/05/11

E o Neymar vai ser papai! Diz que ele engravidou a menina porque não deu aquela paradinha. Rarará!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
Direto do País da Piada Pronta: "Lula dá palestra na Ambev". Na Ambev? Então não foi palestra, foi degustação! E ele fez permuta? Recebeu em espécie? Diz que ganhou R$ 200 mil. Líquido! Rarará!
E esta do Jornal da Cidade de Bauru: "Descoberta! Planta do cerrado cura úlcera e até câncer". Como é o nome da planta? Pau de tucano.
Por isso que o Serra só fala em saúde. Pau de tucano pode curar úlcera. Mas um tucano inteiro DÁ úlcera! E aqui em São Paulo a gente leva pau de tucano desde os tempos do Covas. Rarará!
E o Flamengo agora está com dois times: um pra jogar no Rio e outro pra jogar fora. E o Dentinho vai pra Ucrânia! Só que lá não tem Mulher Samambaia. Tem Mulher Gelo. E Mulher Gelo é bom porque derrete à toa!
E em homenagem às pessoas diferenciadas, o estádio do Corinthians vai se chamar Diferenciadão! E a estrela da semana: PALOFI! Com aquela cara de Nhá Barbina! Aumentou 20 vezes o patrimônio em quatro anos.
E comprou um apê de R$ 6,6 milhões! Ministro da Mansão Civil! Muda o nome pra Palácio. Antonio Palácio! Ou então Jesus: o milagre da multiplicação.
"Senhor Jesus, acabou o peixe e o pão." E o Jesus: "Peraí que eu dou um jeito, PALOOOOFI". Rarará! Multiplica aí! E adorei a defesa dele. Se defendeu com muita propriedade.
E a manchete do "Piauí Herald": "Palocci aumentou em dez vezes a língua presa". Não consegue mais falar nem obséquio e nem estetoscópio. "Por obféquio, me pafa o esfefoscópio." E quando ele fala Sudam e Sudene? Fudam e Fudene. Nova dupla sertaneja. Fudam e Fudene! Rarará!
Agora ele tá com a língua e o rabo plesos! O Palofi tem a língua plesa e a Dilma, língua de sogra! Rarará!
E o Neymar vai ser papai! Com aquele topete vassoura de churrasqueira. Ele parece o seu Galeão Cumbica. Da "Escolinha do Professor Raimundo"!
Diz que ele engravidou a menina porque não deu aquela paradinha. Rarará! Engravidou a menina porque não sabe usar o ganso!
E o diretor do FMI? Preso por agressão sexual. Sacanagem é com o FMI mesmo! E a ex-amante que se chama Piroska? Piroska Nagy!
Ele se chama Kahn. Muda o nome pra Krau. Krau na piroska, krau na camareira, krau no Terceiro Mundo e se cansou de dar krau no Fernando Henrique Boca de Suvaco!
Como diz o chargista Duke: "FMI agora é Fornicar Mulher Ilegalmente!" Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza.
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA


Arquibancada
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 22/05/11

Na semana em que o ministro do Esporte acusou São Paulo de "ainda não ter atingido o seu limite" no esforço para realizar a abertura da Copa de 2014, Geraldo Alckmin recebeu pesquisa que indica amplo apoio da população à decisão do governo estadual de não colocar dinheiro público na construção de estádio privado, optando por investir na infraestrutura do entorno. Segundo levantamento encomendado pelo Palácio dos Bandeirantes, 70% dos paulistas endossam essa política mesmo que o jogo inaugural venha a ser levado para outra praça. Dias atrás, a Odebrecht disse ao governador que o "Itaquerão", até recentemente orçado em R$ 650 mi, custará cerca de R$ 1 bi.

Comparações 
Comentário de um remanescente da administração passada: uma crise com o principal ministro de Dilma não é igual a uma crise com o principal ministro de Lula. Primeiro, pela diferença de quilometragem entre os dois presidentes. Depois porque nenhum ministro -nem mesmo Antonio Palocci- teve, no reinado de Lula, a centralidade do atual chefe da Casa Civil na equipe de Dilma.

Baixa 
A bancada do PV na Câmara está de luto diante dos apuros de Palocci. Os verdes contavam com o ministro, agora enredado em seus próprios problemas, para suavizar os termos do relatório elaborado pelo deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) sobre o novo Código Florestal, cuja votação foi marcada para a próxima terça-feira.

Me aguarde 
Pouco antes da reunião de sexta no Planalto sobre código, um participante disse a Dilma: "Acham que a senhora anda muito sumida". E ela: "Vai voltar já a normalidade".

Monitoramento 
De acordo com pessoas próximas a Franklin Martins, o ex-ministro foi ao encontro de Dilma, na sexta, disposto a sondá-la sobre o andamento do polêmico marco regulatório das comunicações, capitaneado por ele no final do governo Lula e engavetado pela nova administração.

Repaginado 
O governo discute incluir, na fase 2 dos projetos do "Minha Casa Minha Vida", melhorias nas unidades adaptadas para portadores de deficiência. As novas unidades poderão contar, ainda, com muros e sistemas de aquecimento.

Exportação 
De um deputado aecista, sobre o quebra-cabeças tucano: "Esperto é o Geraldo. Liquidou a presença do Serra no PSDB de São Paulo e agora quer colocá-lo na presidência do Instituto Teotônio Vilela".

Tô fora 
Alckmin acalentou a ideia de instalar Serra no ITV como forma de equilibrar as forças. Mas, diante da resistência estridente da dupla Aécio Neves-Sérgio Guerra, resolveu submergir.

Fotossíntese 
De início refratário à ideia de disputar a sucessão de Gilberto Kassab, o secretário Eduardo Jorge (Meio Ambiente) já admite a colegas do PV que sua candidatura, confirmada a preferência do prefeito paulistano, seria "natural".

Calendário 
Além do risco de indenizar os consórcios cujos contratos estavam assinados, a manutenção da licitação da Linha 5-Lilás do metrô foi definida sob a perspectiva de conclusão da obra em dezembro de 2014, crepúsculo do atual mandato.

Rota do sol 
Em análise na Artesp, agência reguladora de transportes, a PPP da duplicação da Tamoios terá modelagem definida até o dia 3. Alckmin planeja anunciar o cronograma da licitação durante a segunda edição de seu governo itinerante, em São José dos Campos.
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

tiroteio

"O governo tem sua razão quando diz que Palocci é "caso encerrado". Afinal, encerrar é cercar, bloquear, prender, vedar..."
DO DEPUTADO FEDERAL CHICO ALENCAR (PSOL-RJ), sobre o esforço do Planalto para sepultar sumariamente qualquer iniciativa do Congresso de investigar a multiplicação do patrimônio do ministro da Casa Civil.

contraponto

Amor, supremo amor

Na sessão do STF que reconheceu a união homoafetiva, Ricardo Lewandowski citou debate que ocorrera anos antes na Corte. Marco Aurélio Melo pediu aparte:
-Esse caso era diferente. Ali se discutia a pensão de um homem que era casado e tinha uma concubina.
Carlos Ayres Britto interveio:
-E havia ainda outra curiosidade sobre esse caso...
Todos se voltaram para o ministro, que prosseguiu:
-Os nomes! Ele se chamava Valdemar do Amor Divino. E sua concubina era Joana da Paixão Luz.
Com o plenário às gargalhadas, Britto concluiu:
-Estava escrito nas estrelas que se encontrariam!

GOSTOSA

GAUDÊNCIO TORQUATO - A ''espertocracia'' educacional


A ''espertocracia'' educacional
GAUDÊNCIO TORQUATO
O ESTADO DE SÃO PAULO - 22/05/11

Machado de Assis, mulato, gago e epilético, um dos mais ilustrados e respeitados cultores do idioma pátrio, conseguiu de modo exemplar unir o erudito ao popular. Em seus irretocáveis escritos, ensinava que a democracia deixa de ser uma coisa sagrada quando se transforma em "espertocracia" - "o governo de todos os feitios e de todas as formas". Já de Rui Barbosa, pequena estatura, advogado, diplomata, político e jornalista, cujo nome está inscrito nos anais da história do Direito internacional, pode-se extrair uma singela lição de seu celebrado patrimônio intelectual: "A musa da gramática não conhece entranhas". Pois bem, esses dois curtos arremates dos renomados mestres de nossa língua escrita e falada vêm a calhar neste momento em que a perplexidade assoma ante a barbaridade, patrocinada pelo Ministério da Educação (MEC), de uma "nova gramática", cuja autora assim ensina: "Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado", como frase adequada à linguagem oral, está correta ao ser usada em certos contextos.

Para o grande Rui, a letra da gramática não entra em curvas e evita estratagemas. E o aforista Machado puxa a orelha dos "espertocratas", aqueles que bagunçam ao escrever tal como falam, usando todos os feitios e formas. E arremata de maneira cortante: "A primeira condição de quem escreve é não aborrecer". Aborrecimento é o que não falta quando vemos "sábios pareceristas", contratados pelo MEC, exibindo o argumento: seja na forma "nós pega o peixe" ou "nós pegamos o peixe", o pescado estará na rede. Se assim é, ambas estão corretas. Para dar mais voltas no quarteirão da polêmica, a pasta da Educação alega que não é o Ministério da Verdade. Donde se conclui que um doidivanas qualquer, desses que se encontram no feirão das ofertas gramaticais estapafúrdias, pode vir a propor um texto sobre a História do Brasil sem nexo, com figurantes trocados e português estropiado. Basta receber o imprimatur de outra figura extravagante que seja docente de Português para ser adotado nas escolas. Com esse arranjo, o pacote educacional tem condições de receber o endosso da instância mais alta da educação no País para circular nas salas de aula. Esse é o caminho percorrido pelo acervo didático que faz a cabeça da estudantada.

Analisemos as questões suscitadas pela obra Por uma Vida Melhor, a começar pela indagação filosófica que se pinça do título da série. Terá uma vida melhor o estudante que se obriga a aprender numa gramática alternativa, onde a "norma popular" se imbrica à norma culta? Ou, para usar a expressão da professora Heloisa Ramos, autora do livro, sofrem os alunos que escrevem errado "preconceito linguístico"? Primeiro, é oportuno lembrar que, mesmo concordando que a língua é um organismo vivo, evolutivo, não se pode confundir uma coisa com a outra, a forma oral e a norma escrita. Cada compartimento deve ser posto em seu devido lugar. Quem troca uma pela outra ou as junta na mesma gaveta gramatical o faz por alguma intenção, algo que ultrapassa as fronteiras linguísticas. E é nesse campo que surgem os atores, aqui cognominados de doidivanas. Mais parece um grupo que considera a língua instrumento para administrar preconceitos, elevar a cidadania e o estado de espírito dos menos instruídos. Como se pode aduzir, embute-se na questão um viés ideológico, coisa que se vem desenvolvendo no País na esteira de um populismo embalado com o celofane da demagogia.

Ora, os desprotegidos, os semianalfabetos, os analfabetos funcionais, enfim, as massas ignaras não serão elevadas aos andares mais altos da pirâmide se lhes for dada apenas a escada do pseudonivelamento das regras do idioma. Esta é, seguramente, um meio de ascensão social. Mas seus usuários precisam entender que a chave do elevador está guardada nos cofres normativos. Igualmente, as vestimentas, os modos e costumes, a teia de amigos, as referências profissionais são motores dessa escalada. Por que, então, os doidivanas da cultura e da educação investem com tanta força para elevar a linguagem popular ao patamar da norma culta? Não entendem que são objetos diferentes? Por que tanto esforço para defender uma feição que valida erros grosseiros? Não há outra resposta: ideologização. Imaginam o uso da língua como arma revolucionária. O sentimento que inspira os cultores da ignorância só pode ser o de que para melhorar a autoestima e ter uma vida melhor a população menos alfabetizada pode escrever como fala. Como se a gramática normativa devesse ser arquivada para dar lugar à gramática descritiva. Sob essa abordagem, sorver a sopa fazendo barulho, à moda dos nossos bisavós, também poderia ser recomendável...

As concessões demagógicas que se fazem em nome de uma "educação democrática" apenas reforçam a estrutura do atraso que abriga o ensino público básico do País, responsável pelo analfabetismo funcional que atinge um terço da população. Avolumam-se os contingentes de jovens de 9 a 14 anos que, além de não saberem interpretar um texto, se restringem ao exercício de copiar palavras sem entender o seu significado. Os copistas constituem os batalhões avançados da "revolução" empreendida pela educação brasileira. Pior é constatar que os "revolucionários" creem firmemente que a escalada social deve continuar a ser puxada pela carroça do século 17, fechando os olhos à "mobralização" da universidade. E assim, passada a primeira década do século 21, no auge das mudanças tecnológicas que cercam a Era da Informação, emerge um processo de embrutecimento do tecido social. Alicerçado pela argamassa de escândalos, desprezo às leis, violência desmesurada, promessas não cumpridas.

O grande Rui bem que profetizara: "A degeneração de um povo, de uma nação ou raça começa pelo desvirtuamento da própria língua".

VINÍCIUS TORRES FREIRE - Quanto vale o show de consultoria?



Quanto vale o show de consultoria?
VINICIUS TORRES FREIRE
FOLHA DE SÃO PAULO - 22/05/11

Palocci dava consultoria quando deputado? Se não, quem era o funcionário de tanto 'valor no mercado'?


A CARTA destrambelhada que um assessor de Antonio Palocci enviou ao Congresso a fim de explicar a consultoria do ministro ainda dá o que pensar. O assessor da Casa Civil lá deduz o seguinte: quem passa por Fazenda, Banco Central ou BNDES vive uma experiência que lhe confere algo como notória especialização ("experiência única"), o que leva, pois, o mercado a atribuir "enorme valor" a esses profissionais.
Curiosa ou desastradamente, o assessor do ministro diz que são o "mercado de capitais e outros setores" que fazem o preço do serviço. "Mercado de capitais"? Passemos, pode ser só outro deslize do assessor. Interessa mesmo é saber o que Palocci (ou a consultoria) vendeu.
O saber de uma "experiência única" no alto escalão do governo, diz a carta. Comparável à de Pedro Malan (economista acadêmico e funcionário público por muito tempo), de André Lara Resende (economista reputado e banqueiro antes de ir ao governo, aliás com relutância) ou de Mailson de Nóbrega (que fez carreira no Banco do Brasil).
Malan é alto funcionário de um grande banco -vende o serviço que pode valer a sua "experiência única", porém plasmada pelo conhecimento de economia. Lara Resende vende o serviço da sua capacidade única de financista, o que fazia antes de passar pelo governo. Mailson tem empresa com dúzia de sócios, dezenas de funcionários, endereço e telefones conhecidos, além de história na praça, mas fatura mais ou menos como a Projeto de Palocci.
Palocci é muito inteligente, mas a única experiência que tem de economia é de orelhada, embora seja um administrador muito hábil de economistas e executor único de políticas, afora nos momentos desnorteados (surto?) em que se envolve em coisas como a devassa da conta bancária do caseiro Francenildo.
Não se trata de discriminar Palocci, impedir apenas esse funcionário do Estado de vir a fazer a parceria da experiência pública com o empreendimento privado (frase que, aliás, conta a história política e pessoal de quase todo alto tucanato, que saiu da vida no partido para fazer história no mercado).
Francamente, que empresa não gostaria de ter conselhos de Palocci? O então ex-ministro da Fazenda poderia muito bem fazer dinheiro como GPS do caminho das pedras, desde que não construísse viadutos e pontes sobre os pedregulhos.
Mas não se sabe o que o ministro vendia, nem como, quando e onde. Essa pergunta apenas tem cabimento porque: 1) ele era deputado federal quando sua consultoria vendia serviços; 2) ele coordenava a campanha da futura presidente; 3) ele agora é o premiê do governo; 4) essas condições podem levantar a suspeita de conflito de interesses.
Palocci trabalhava sozinho (aliás, não podia fazê-lo)? Se não, quem trabalhava para ele? Como esse(s) funcionário(s) incorporava(m) a "experiência única" de Palocci? Se apenas Palocci dava consultoria, o fazia nas horas vagas do cargo de deputado e de consultor da campanha de Dilma Rousseff?
Como era feito o preço da consultoria? Por hora, como a de advogados americanos de filme? Ou havia taxa de sucesso? Em caso de sucesso, o que ganhavam as empresas?
Palocci merece o benefício da dúvida, até pelo fato curioso de ter escancarado seu enorme valor de mercado. Mas há dúvidas enormes.

GOSTOSA COM MUITO COLESTEROL

CARLOS HEITOR CONY - Ficção não científica



Ficção não científica
CARLOS HEITOR CONY
FOLHA DE SÃO PAULO 22/05/11

RIO DE JANEIRO - Não é de hoje que proclamo minha total ignorância sobre quase tudo neste mundo de Deus e do Diabo, principalmente sobre política.
Daí que não me surpreendi quando um amigo bem informado, em voz baixa e conspiratória, pintou-me um quadro da atual situação, magnífica peça de ficção não científica.
Com a blindagem do caso Palocci, as turbulências na área dos ministérios da Cultura e da Educação, a ameaça da inflação que começa a fazer estragos, com tal receita de bolo acrescida com problemas de saúde que estão alterando sua proverbial agenda de trabalho, e aconselhada pelo grupo que formou o "PT profundo", a nossa presidente renunciaria ao cargo para o qual foi brilhantemente eleita.
Apelando para a solidariedade do PMDB, da qual o PT está louco para se livrar, o vice-presidente Michel Temer ficaria um ou dois meses no poder, comprometendo-se a convocar eleições para a Presidência, independentemente da Constituição que poderia ser apressadamente mudada, dada a esmagadora maioria que o governo mantém no Congresso.
Ficaria aberta a possibilidade de Lula ser novamente eleito, cumprida a moratória que o impediu de disputar a Presidência pela terceira vez consecutiva. Ou, na absoluta impossibilidade de nova eleição de Lula, apresentar um candidato do "PT profundo" comprometido com os 20 anos do pretendido domínio petista.
Como se vê, tudo é possível tanto na realidade como, principalmente, na ficção. Se dependesse de mim, Dilma estaria vendendo saúde, Palocci provaria tudo o que dele se espera, as áreas da educação sem livros comprometedores, e da cultura sem marolas forjadas ou não. A lei me facultou a abstenção no último pleito eleitoral, mas não me impede de torcer para que tudo dê certo.

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE


Dedão
SONIA RACY
O ESTADO DE SÃO PAULO - 22/05/11

Russos querem a tecnologia das urnas eletrônicas brasileiras. Mais precisamente a mais avançada: a de registro biométrico, que permite identificação do eleitor via impressão digital, usada em algumas cidades na última eleição.

Foi, ao menos, o que manifestou a comissão eleitoral russa a Ricardo Lewandowski, ministro do STF. Durante encontro, em Moscou, semana passada.

Com quem será... Lula e Dilma faltaram à megafesta de Luiz Marinho, regada a frango e polenta, quinta-feira. Mas ligaram para cumprimentar o prefeito de São Bernardo.

Quem vem

O Brasil virou rota da realeza. Depois do príncipe Albert II, de Mônaco, Marie-Christine de Kent, e da rainha Silvia, chega em novembro a princesa Haya, da Jordânia.

Irmã da rainha Rania, aterrissa no Rio para liderar a assembleia anual da Federação Equestre Internacional, instituição que preside. É a primeira vez da reunião no Brasil.

Linha bem traçada
Amós Oz vem ao Brasil no fim do ano. O escritor israelense participará de conferência que celebra os 25 anos da Cia das Letras. Além dele, Alex Ross, António Damásio e Ricardo Piglia também disseram sim.

Boa causa

Velejar com Lars Grael ou jogar tênis com Gustavo Kuerten. Esses e outros "itens" serão leiloados em prol do Movimento Live Wright. A ONG capta investimentos da iniciativa privada para apoiar esportes olímpicos. Acontece na terça, na casa que foi de Roger Wright, no Morumbi.

Responsabilidade social

A Scania comemora. Entrega, quinta, as 50 primeiras unidades de ônibus movidas a etanol para a cidade de São Paulo. O combustível é capaz de reduzir em 90% a emissão de poluentes se comparado aos derivados fósseis.

Ricardo Espírito Santo, do Espirito Santo Investment Bank, participa do lançamento da Corrida da Amizade 2011, na Hebraica, quarta. A maratona é pilotada pela Iniciativa, Caminho de Abraão. Em julho.

Lu Alckmin participou domutirão do Programa Visão do Futuro, ontem. Além de exames grátis, o projeto oferece óculos para crianças carentes. O próximo é sábado, no Centro Tadeu Cvintal.

Os ribeirinhos da região da hidrelétrica Santo Antônio são tema de documentário de Pedro Martinelli, que acaba de ser lançado. Os depoimentos reúnem percepções sobre a construção da usina. Fará parte do acervo do empreendimento.

No embalo da polêmica sobre o uso do português, o Instituto Rukha promove o evento Soltando o Verbo, sobre o papel do educador social na periferia. Com palestras de Ferréz e Yusaku Soussumi. No CEU Casablanca. Sábado.

A Ahpas arma jantar para arrecadar recursos. A ONG realiza transporte de crianças carentes com câncer. Amanhã, no restaurante Grand Cru.

Isabeli Fontana abraçou a causa. Está divulgando as capinhas de celular da Abrale em forma de adesivo.

Issao Imamura faz show de ilusionismo em jantar da Associação F.A.C.E. Amanhã, no Museu da Casa Brasileira.


Detalhes nem tão pequenos...

1. Araras compostas por anos de dedicação de Pierre Cardin.

2. Nada de bem-casado. No desfile Noivas, de Gloria Coelho, só eram vistos doces corações.

3. Toque rústico para celebrar a estreia de Piratas do Caribe 4.

4.Arco-íris para ver Gisele desfilar de lingerie.

5. À prova de pisão no pé, os sapatos percorreram a Mendes Wood. Para ver mostra de Jen Denike e Thiago Martins.

6."...ou se põe o anel ou se calça a luva...", já dizia Cecília Meireles. Nesse caso, opção acertada, mesmo em noite fria.

O JAPONÊS VAI MORRER

EDITORIAL - O ESTADO DE SÃO PAULO - A 'PEC do Peluso'


A 'PEC do Peluso'
EDITORIAL
O Estado de S.Paulo - 22/05/11

A proposta de mudança constitucional inspirada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, que considera transitadas em julgado as ações que tiverem sido examinadas em segunda instância, desencadeou um vivo debate sobre o processo judicial no País. Antecipada pelo ministro há dois meses, em um seminário sobre os meios de tornar o Judiciário mais eficiente, e apresentada pelo senador Ricardo Ferraço, a chamada "PEC do Peluso" enfrenta pesada barragem de críticas de advogados e de diversos juristas.

Dois são os argumentos invocados pelos opositores da iniciativa - um de fato, outro de direito. O primeiro contesta as suas razões de ser: reduzir a impunidade e desafogar o sistema, criando condições para o provimento da justiça rápida e acessível que a sociedade demanda. O que trava o Judiciário, retrucam os advogados, não são as inúmeras oportunidades abertas aos cidadãos de apelar das sentenças de instâncias inferiores, mas a quantidade dos recursos impetrados pelo setor público, que lidera de longe as estatísticas dos maiores litigantes, como autor (em 77% dos casos) ou réu (69%) dos processos.

Já o segundo - e mais importante - argumento sustenta que a proposta atropela o direito de defesa e o princípio da presunção de inocência, ambos assegurados pela Constituição, ao determinar o cumprimento das sentenças, civis e criminais, proferidas pelos tribunais colegiados de segundo grau, nos Estados e no âmbito federal, quando ainda sujeitas a recursos especiais ou extraordinários impetrados, respectivamente, junto ao STJ e ao Supremo. A execução de uma sentença criminal, com a privação da liberdade do réu, antes de esgotados todos os recursos previstos no Código de Processo Penal, reforçaria "a cultura punitiva que tomou conta do País", pensa o criminalista Antonio Claudio Mariz de Oliveira.

Mas essas teses não são irrefutáveis. O ministro Peluso lembra, por exemplo, que "o Brasil é o único país do mundo que tem, na verdade, quatro instâncias recursais", sendo a terceira os tribunais superiores e a quarta, o STF. De seu lado, o senador Ferraço cita o exemplo da Lei da Ficha Limpa. Ela torna inelegíveis os políticos condenados, entre outros, por ilícitos eleitorais, no entender de um tribunal colegiado, embora lhes seja facultado recorrer da decisão. É bem verdade que uma coisa é alguém ser impedido de participar da disputa eleitoral e depois acabar, afinal, inocentado, e outra coisa é alguém ser privado da liberdade quando ainda existe chance de que a condenação seja invalidada na mais alta Corte de Justiça. O problema, argumenta o ministro Peluso, é que a chance é antes teórica do que efetiva.

Na prática, em 80% das vezes, o Supremo tende a ratificar as sentenças de segundo grau. Quanto aos recursos extraordinários em ações criminais, especificamente, os números esgrimidos por Peluso são ainda mais contundentes. Dos 5.307 apelos do gênero interpostos entre 2009 e 2010 (8% do total) o STF deu provimento a apenas 155. Destes, 77 vinham do Ministério Público. Ou seja, o resultado foi o agravamento das penas. "Houve apenas um caso em que se deu provimento em favor do réu. Um caso!", ressaltou o ministro numa longa entrevista a Laura Greenhalgh, publicada domingo passado no Estado. "Isso mostra que não há risco para a liberdade do indivíduo." Sendo assim, diríamos, mal não faria às instituições que os juízes passassem a responder por eventual desídia, incompetência ou negligência, como qualquer pessoa no exercício de sua profissão. De mais a mais, assim como mantém os recursos extraordinários, a PEC não afeta o habeas corpus.

Não é de excluir que, à parte o eventual mérito de suas posições e do histórico de sua mobilização em favor das liberdades civis, advogados empenhados em derrubar a proposta estejam julgando em causa própria. Disso, evidentemente, Peluso não fala. Ele prefere observar, com plena razão, que existe no Brasil uma cultura da litigância. "Nossos estudantes de direito são preparados para litigar, não para usar instrumentos de negociação", comenta. À objeção de que os órgãos públicos são os litigantes por excelência nos tribunais superiores, atravancando-os, o ministro nota que nenhum deles criticou a PEC. E deixa uma pergunta no ar: "Curioso, não"?

ELIO GASPARI - A porta giratória de Palocci foi só dele


A porta giratória de Palocci foi só dele

ELIO GASPARI
O GLOBO - 22/05/11


A comparação do desempenho do ministro com seus antecessores acerta no atacado, mas engana no varejo


O MINISTRO ANTONIO Palocci voltou a ficar radioativo. Quando estourou a encrenca da República de Ribeirão Preto, quem estava à sua volta, mesmo assessorando-o, foi carbonizado. Na terça-feira, Luiz Azevedo, subchefe de Assuntos Parlamentares da Secretaria de Relações Institucionais, expediu uma mensagem às lideranças partidárias com uma defesa do chefe da Casa Civil: "No mercado de capitais e em outros setores, a passagem por Ministério da Fazenda, BNDES ou Banco Central proporciona uma experiência única que dá enorme valor a esses profissionais no mercado".
Fulanizou o raciocínio com quatro precedentes: Pedro Malan, Mailson da Nóbrega (ex-ministros da Fazenda), André Lara Resende (ex-presidente do BNDES) e Pérsio Arida (ex-presidente do BNDES e do Banco Central).
No dia seguinte, foi transferido de função. Admitir que Palocci não leu o texto, deixa mal a máquina do palácio. Repete-se o "não sabia" de Lula/José Dirceu e de Dilma Rousseff/ Erenice Guerra.
A nota universalizava a defesa da velha "porta giratória". Acertou no raciocínio genérico, mas, quando foi aos exemplos, produziu uma analogia enganadora.
Malan e Mailson chegaram ao primeiro escalão do governo com mais de 20 anos de serviço público na área econômica. Um está no conselho do Itaú, tem empregador conhecido. O outro fundou, há 15 anos, a consultoria Tendências, tem 11 sócios e dezenas de funcionários. Palocci empregou apenas uma pessoa, que não se sabe o que lá faz.
André Lara Resende foi para o BNDES depois de ter trabalhado em dois bancos (Garantia e Unibanco) e fundado um terceiro (Matrix). Veio do mercado e a ele retornou. Pérsio Arida foi o único a chegar ao governo sem experiência pública ou empresarial. Depois, tornou-se sócio do banco Opportunity e hoje está no Pactual. Todos os quatro estudaram economia. Palocci é médico.
Salvo Mailson, todos passaram pelo Departamento de Economia da PUC do Rio e estiveram na ekipekonômica tucana. Desde a fundação da Sorbonne, em 1257, nenhuma equipe de professores de uma universidade amealhou patrimônio semelhante à do punhado de mestres da Gávea.
Como diria o companheiro José Genoino, uma coisa foi uma coisa e outra coisa é outra coisa.

OS FLEX

A professora americana Janine Wedel deu um novo nome ao que se chama de "porta giratória" para designar a turma que vai do governo para o mercado. Ela diz que essa é a "Rede Flex", pois não só cada um faz seu percurso, como também operam em grupos.
No Brasil, um Flex do esplendor tucano já conseguiu US$ 10 mil por um almoço com uma diretoria de empresa.
Wedel expôs sua teoria, bastante amparada no que aprendeu com as privatarias russa e polonesa, no livro "Shadow Elite" ("A Elite da Sombra - Como novos operadores do poder corroem a democracia, o governo e o livre mercado".)
É médio, a edição eletrônica, em inglês, sai por US$ 9,99.

O BOFE
Assim como há monumentos aos soldados desconhecidos, deveria ser criado um ao "Bofe Desconhecido". Não se sabe seu nome, é um oficial da PM do Rio que reagiu assim à notícia de que soldados da corporação poderiam ir fardados à parada gay:
"Homem meu não vai".

VIVE LA FRANCE

Se Christine Lagarde for para a direção do FMI, o mundo terá duas francesas de suprema elegância na primeira fila das celebridades competindo em estilo com a dupla Kate-Pippa Middleton.
Aos 43 anos, Carla Bruni tem uma elegância deliberadamente fria. Aos 55, Mme. Lagarde é conservadoramente criativa. Suas echarpes são um barato. Sempre bronzeada, alta e magra, (foi campeã de balé aquático) e criou dois filhos. Ela pode não mudar a economia do mundo, mas será uma lição de presença feminina sem tintura nos cabelos nem bisturi na estampa.

O FILHO COBROU
O empresário Lula Freire, filho do senador Vitorino Freire (1908-1977), fechou o tempo na terça-feira num corredor do Congresso. Numa conversa ríspida e em voz alta, entregou a José Sarney uma carta em que repele as referências ao seu pai incluídas na sua biografia, escrita pela jornalista Regina Echeverria.
A carta diz assim: "A leitura do livro causou-me reações e sentimentos diversos, como decepção, surpresa, indignação e asco".
Sarney disse a Lula Freire que não leu o livro. Pode ser que não tenha lido o volume impresso, mas leu o manuscrito, porque assim está registrado pela autora à página 569.

MACAQUICE
O ministro Gilmar Mendes não gosta que se compare o sistema legal brasileiro ao americano, mas se em 2009 tivesse libertado o médico Roger Abdelmassih, acusado de ter estuprado 36 pacientes, nas condições monetárias impostas pelo juiz Michael Obus a Dominique Strauss-Kahn, a Viúva teria embolsado US$ 6 milhões ( US$ 1 milhão da fiança, em dinheiro, e US$ 5 milhões de garantia).
Strauss-Kahn é acusado de ter estuprado uma camareira negra de 32 anos. Abdemassih orgulhava-se de não usar embriões de "qualquer neguinha de rua" em sua clínica. Livre, Abdelmassih escafedeu-se. Em 2010, ele foi condenado a 278 anos de prisão.

MADAME NATASHA
Natasha defende a norma culta da "última flor do Lácio" e acredita que pronome e verbo devem andar juntos. (Quando ela não consegue, sempre encontra almas piedosas para colocá-la na boa trilha.) Ela não entende porque se considere, normal dizer o seguinte: "Peguei meu pen drive para download o clip para o tablet".

O DELÍRIO DO FILÓSOFO-CELEBRIDADE FRANCÊS
O filósofo-celebridade francês Bernard Henry-Levy, velho amigo de Dominique Strauss-Kahn, saltou em sua defesa com um artigo típico dos bem-pensantes pernósticos da França.
Ele aderiu à teoria da conspiração contra o sátiro do FMI com dois argumentos:
1) "Não sei, e gostaria de saber, rapidinho, como uma camareira pode ter entrado sozinha (no quarto), contrariando a prática habitual dos grandes hotéis de Nova York, que mandam uma "brigada de limpeza" com duas pessoas".
Falso. Não existe essa prática.
2) "Não quero entrar em considerações da psicologia barata que pretende entrar na cabeça das pessoas, observando, por exemplo, que o número do quarto (2.806) corresponde à data do início das prévias das primárias do Partido Socialista na França (28/06)".
No campo da numerologia, Henry-Levy poderia ter recorrido a coisa melhor. O episódio ocorreu em 15 de maio, dia em que, em 1817, começou a funcionar o primeiro manicômio privado dos Estados Unidos.
Os intelectuais franceses se consideram divindades. Se um sujeito diz que em 1980 o filósofo Louis Althusser estrangulou a mulher, ouve que o doutor estava maluco. Se o sujeito acrescenta que o desequilíbrio do professor foi diagnosticado em 1947, 23 anos antes de ele escrever seu festejado "Aparelhos Ideológicos do Estado", trata-se de um mal-educado, quem sabe, um provocador direitista.