quarta-feira, agosto 26, 2009

VINÍCIUS TORRES FREIRE

Odor de santidade


Folha de S. Paulo - 26/08/2009

Para oposição, Lina passou de "sindicalista" a "mártir'; para o governo, de "fiscal do grande capital" a "inepta ressentida"

NÃO FAZ MUITO tempo, Lina Vieira era a madrinha do assalto da "república sindicalista" aos postos-chave da Receita Federal. O tucanismo, na política e na mídia, e a oposição em geral estrilavam contra Lina, capataz de mais uma onda de "politização de um órgão técnico" no governo Lula.
"Meses depois...", como dizem aqueles letreiros de novela, Lina largou uma casca de banana no meio do caminho de Dilma Rousseff, que nela pisou e escorregou, afoita e esbaforida na manhã ainda de sua caminhada planaltina -para o Planalto. Então, a mesma torcida que espinafrava a ex-secretária da Receita faz dela uma espécie de mártir do serviço público, demitida em prejuízo do rigor tributário, pois Lina teria caído por multar demais grandes empresas e contrariar outros interesses, dentro e fora do governo.
Para o governo e o governismo, a nomeação de Lina representava, enfim, a mudança de um "esquema viciado" de poder, que predominaria na Receita Federal desde FHC. Agora, a ex-secretária da Receita não passa de uma inepta que não soube tocar as reformas pautadas pelo governo, que trocou as mãos pelos pés ao lidar com os casos da família Sarney e da Petrobras (empresa que "devemos amar", diz o governo), que cai atirando contra a premiê de Lula por ser uma tresloucada ressentida.
Mas não se sabe quase nada do que se passou na gestão Lina Vieira.
Não é possível, por ora, dizer que aquele banco, aquela montadora e aquela siderúrgica, supostamente multadas ou contrariadas pela Receita, tiveram algum papel na queda de Lina. Não se conhecem bem os lados e os motivos do tiroteio interno da Receita, que tem quase tantos partidos como a Polícia Federal.
Se o Congresso não fosse esse contubérnio de desclassificados ou, quando muito, de promotores da chacrinha politiqueira, poderíamos vir a saber algo. Mas a oposição, na falta de programa de oposição ao lulismo, tira apenas casquinhas de banana da infinita capacidade do lulismo de malversar a República.
Sabe-se apenas e mais uma vez que o indo e vindo da cara-de-pau de oposição e governo é infinito. Depois da transmutação da imagem de Lina, sobreveio a da senadora Marina Silva que, de "santa verde", "indiazinha", madrinha do boitatá, do curupira e defensora do reacionarismo ambiental, entre outros insultos (de governo e oposição, do DEM em especial), tornou-se "santa ética" e, por contraste, imagem viva da podreira política do PT, para alegria hipócrita da maioria da oposição.
Oposição que acordou apenas ontem, a seis dias da festa do pré-sal de Lula, para a necessidade de submeter a mudança das leis do petróleo a debates públicos, leis que o governo Lula quer aprovar com urgência suspeitíssima. Mas o que esperar de uma oposição, PSDB, DEM e cia., que fala contra a "gastança" de Lula e aprova todos os aumento de gastos com servidores propostos pelo lulismo? Que aprova sem piar o desbaratamento da reforma previdenciária de FHC (votando a indexação das aposentadorias do INSS etc.)? Que faz biquinho contra o estatismo e aprova o aumento da dívida pública a fim de dar fundos ao BNDES? Que faz lobby para que o BNDES ajude empresas amigas trumbicadas ou em processo "fusões & aquisições"?

COISAS DA POLÍTICA

A tortura, a fé e o Estado

Mauro Santayana

JORNAL DO BRASIL - 26/08/09

A Grécia, que descobriu a lógica e exaltou a ética como a essência do estado e da política, executava os condenados à morte atando-os a tábuas expostas ao sol. Ali, sob a vigilância de guardas, sem água e sem comida, dessecavam-se até o fim. Antes, na Babilônia, prisioneiros eram colocados no oco de estátuas de bronze, sob as quais ateavam fogo. Versão menos estética foi autorizada pelos invasores norte-americanos a seus aliados afegãos: entalar os presumíveis talibãs em contêineres, para que fossem asfixiados e assados, sob o sol do deserto.

Na Inquisição, os torturadores iam além do Estado: diziam agir em nome de Deus. Matar em nome de Deus é o mais terrível dos paradoxos: se Ele é onipotente e senhor de todos os destinos, não necessita que o homem, sua criatura, venha a defendê-lo. É em nome de Deus, do Estado, de uma ideologia, que alguns grupos humanos alugam torturadores e assassinos.

O presidente Obama está em uma esquina do labirinto. O procurador-geral, Eric Holder Jr., foi além do chefe de governo, ao nomear John Durham procurador especial, a fim de investigar os novos casos de tortura, revelados pelo diretor-geral da CIA, Leon Panetta. Obama tivera antes a iniciativa de retirar da agência a tarefa de interrogar “terroristas”, atribuindo-a ao FBI, sob a superintendência de um grupo de sua inteira confiança. Os republicanos, sob a liderança de Dick Cheney, acusam-no de ser “frouxo” na defesa da segurança do povo norte-americano, e exaltam a política dura de Bush. Soube-se também – por Leon Panetta – que agentes da CIA, e matadores contratados, gastaram milhões de dólares a fim de caçar e eliminar “terroristas” em todos os lugares do mundo. Quando Panetta diz que os resultados foram inexpressivos, convém saber em que julgam que falharam: se mataram menos do que pretendiam, ou se assassinaram ao acaso. Se, na Colômbia, os “falsos positivos”, inocentes recolhidos de forma aleatória, mortos e sepultados clandestinamente, serviram para gratificar militares criminosos, o mesmo procedimento é esperado de empresas privadas de segurança, como a Blackwater.

A CIA sempre procurou mercenários para o dirt job, o trabalho sujo de assassinar os que resistem contra o imperialismo americano. Nem sempre, os contratados são mais “eficientes” do que seus próprios agentes. Como narra – entre outros casos – Tim Weiner, em seu excelente estudo sobre a CIA (Legado de cinzas, edição brasileira da Record), a agência, mediante a máfia, entregou a Tony Varona, o principal de seus agentes em Havana, milhares de dólares e um frasco de veneno, a fim de liquidar Fidel Castro. Varona passou-o ao empregado da sorveteria, a fim de ser misturado ao sorvete a ser servido ao líder cubano. Semanas mais tarde, os homens da segurança cubana encontraram o veneno congelado, em um dos refrigeradores da sorveteria. O presidente que aprovou a operação foi o louvado John Kennedy, que, em seguida, intensificaria a guerra contra o Vietnã.

Será difícil aos norte-americanos descobrir que o maior inimigo está em sua atitude diante do mundo. Eles criam seus inimigos externos, quando esses escasseiam, e constroem conspirações para manter seus cidadãos permanentemente amedrontados, dispostos a reagir sem lucidez. A maioria dos eleitores de Obama o escolheu com a esperança de que a sua política de paz recuperasse o prestígio americano no mundo. Se faltar ao presidente o apoio de seu povo agora, no caso da CIA, Obama estará condenado ao malogro.

Há muitos mistérios na História dos Estados Unidos, ainda não desvendados. Entre os mais recentes, há o do assassinato de Kennedy. E, mesmo com a confissão de Timothy Mc Veigh, permanecem dúvidas sobre a explosão do Edifício Federal de Oklahoma, em 1995. Ainda que Bin Laden tenha aplaudido o atentado de 11 de Setembro, restam coisas estranhas a serem esclarecidas. A mais inquietante delas é a falha dos serviços de monitoramento aéreo em detectar o desvio de três aviões de sua rota, a tempo de, pelo menos, tentar forçá-los a aterrissar. Enfim, sendo o mundo, em si mesmo, um mistério, é natural que a vida seja uma sucessão de mistérios. Alguma coisa é certa: todos os povos que se contaminaram pelo espírito de cruzada e pela ambição de domínio acabaram vencidos pela História.

GOSTOSAS


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ELIO GASPARI

Os "12 da Receita" preferiram ir embora


Folha de S. Paulo - 26/08/2009

Planalto gasta em chocolates e sorvetes do Aerolula o valor da preservação da memória anual de uma câmera

O GABINETE de Segurança Institucional, como a Receita Federal, serve ao Estado, não ao governo. Pois de lá veio a informação de que a cada 30 dias o sistema de monitoramento da circulação de pessoas pelo Palácio do Planalto apaga as imagens gravadas pelas câmeras colocadas nos seus corredores. Em benefício do GSI, admita-se que isso é verdade. Nesse caso, trata-se de um exemplo de incompetência ou de desinteresse pela preservação do que acontece na sede do governo. Indica que há mais interesse em apagar a memória do que lá acontece do que em preservá-la.
A preocupação com a capacidade de armazenamento de arquivos digitais é coisa de quem tem mais de 50 anos e há pelo menos dez não lê sobre o assunto. No século passado, para economizar espaço em seu arquivos, a Nasa apagou o vídeo da chegada de Neil Armstrong na Lua, mas as gravações estavam em fitas. Hoje o material caberia num iPod.
O GSI tem dezenas de câmeras espalhadas pelo Planalto. Supondo-se que elas sejam acionadas ao detectar movimentos e gravem 15 quadros por segundo, sua memória, comprimida, armazena 156 gigabytes por mês, ou 1,8 terabytes por ano. Parece muita coisa, mas uma caixinha capaz de guardar tudo isso sai por apenas US$ 200 na loja newegg.com. (Esse foi o custo dos chocolates e sorvetes colocado no Aerolula num de seus voos para os Estados Unidos.)
Admitindo-se que uma vigilância seletiva exija pelo menos 50 câmeras, a despesa vai para US$ 10 mil, ou R$ 19 mil. Em termos de segurança, trata-se de um cascalho, equivale ao custo anual de três cachorros treinados para farejar explosivos a serviço da Casa Branca. Na contabilidade dos companheiros do Planalto, a despesa cobre três meses de gastos do cartão corporativo de um agente a serviço de um familiar de Nosso Guia em 2007.
A explicação do Gabinete de Segurança Institucional decorreu de um pedido do deputado Ronaldo Caiado. Ele queria todos os registros de novembro e dezembro de 2008 para conferir se a secretária da Receita Federal, Lina Vieira, estivera no gabinete da ministra Dilma Rousseff. A solicitação era absurda, pois nenhum governo deve entregar todos os seus vídeos a curiosos. O GSI teria sólidos motivos para dizer que não atenderia à solicitação, em nome da segurança do Estado.
O Estado é aquela instituição a que serve a cúpula demissionária da Receita Federal. Doze servidores que ocupavam cargos cobiçados por empresários poderosos, ministros e parlamentares da base do governo, preferiram deixar as cadeiras, retornando ao chão de suas repartições. Nenhum deles suspendeu o serviço. Devolver cargo de confiança está mais para sacrifício do que para rebelião. Eles defendem o fortalecimento da instituição. (Vale lembrar que 2010 será um ano de eleições gerais.) Numa época em que o Planalto prefere se desmoralizar nas cavalariças do Senado, esses servidores preferiram defender seus nomes e os interesses do Estado.
Há os que saem, como os "12 da Receita", Marina Silva e Flávio Arns. Há os que, irrevogavelmente, ficam, como o senador Aloizio Mercadante. A letra do samba imortalizado por Jamelão mudou de significado. Ele dizia que "quem samba fica, quem não samba vai embora". Nosso Guia preside um governo onde é preferível não sambar.

CLÓVIS ROSSI

Brasil vê bases como irreversíveis, mas tenta reaproximar vizinhos

Folha - 26/08/09

O governo brasileiro já dá como certo que a cúpula da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), na sexta-feira em Bariloche, não provocará a reversão do acordo Colômbia/EUA para o uso de bases na Colômbia por militares americanos.
A reversão era o objetivo não explicitado da cúpula. Para a Venezuela, continua sendo, como se vê da seguinte declaração de seu chanceler, Nicolás Maduro: "Esperamos que da cúpula de Bariloche surjam importantes conclusões que permitam garantir ao continente sul-americano que as bases de paz se multiplicarão e que as bases militares dos EUA comecem um processo de reversão".
Se não haverá a reversão, quer dizer que a cúpula é um fracasso pré-anunciado? Não necessariamente.
Primeiro porque era absolutamente irrealista esperar a reversão. No mesmo dia em que anunciou a disposição do presidente Álvaro Uribe de participar do encontro, a Chancelaria colombiana já avisava que não condicionava o acordo com os EUA aos resultados da cúpula.
Segundo porque Bariloche pode ser o palco para começar a fechar a mais grave ferida aberta na pele da união sul-americana, que é o confronto Equador/Colômbia. Quito rompeu relações com Bogotá depois do bombardeio de um acampamento das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em território equatoriano, no ano passado.
No périplo que encerraram ontem pelas duas capitais, Marco Aurélio Garcia, assessor diplomático do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, encontraram, na versão de Marco Aurélio, "sangue doce" de parte a parte para "desatar o nó bilateral".
De fato, somando o que autoridades equatorianas e colombianas disseram aos dois brasileiros ao que a Folha ouviu na Chancelaria colombiana, parece haver espaço para ao menos iniciar a reaproximação.

Ponto a ponto:
1 - Extraterritorialidade - É a exigência equatoriana de que a Colômbia renuncie definitivamente a perseguir os terroristas das Farc em território de outros países. Marco Aurélio encontrou boa disposição entre os colombianos para atender o pedido.
2 - Combate às Farc - Os colombianos, sem mencionar nomes de países, queixam-se de que os vizinhos não colaboram no combate ao narcoterrorismo representado pelas Farc. É uma queixa que se dirige tanto à Venezuela como ao Equador.
Mas os equatorianos exibiram a Jobim e Marco Aurélio "dados muito significativos" sobre a repressão ao pessoal das Farc que cruza a fronteira.
Além disso, prometeram que processarão judicialmente todos os equatorianos acusados de vinculação com as Farc, inclusive pessoas que participaram da campanha eleitoral do presidente Rafael Correa.
3 - O caso Juan Manuel Santos - É o ex-ministro colombiano da Defesa, eventual candidato à sucessão de Uribe e o principal responsável pela repressão às Farc. A Chancelaria colombiana não aceita que o Equador queira processá-lo por conta do ataque ao acampamento das Farc.
Os equatorianos disseram aos brasileiros que o caso foi iniciado pelo Poder Judiciário, sem qualquer subordinação ao Executivo.
Resolver a pendência Equador/Colômbia é um passo no sentido de reafirmar que "nada é mais importante que a Unasul. Ela tem prioridade sobre qualquer outra questão", como diz Marco Aurélio.
Sem negar que a questão das bases continuará causando "desconforto" ao governo brasileiro, o assessor de Lula não deixa de dar relevo ao que Colômbia e EUA apontam como único objetivo do acordo entre eles (combate ao narcotráfico e ao terrorismo, umbilicalmente ligados): "O narcotráfico é um inimigo fundamental. Não pode pesar nenhuma suspeição sobre nenhum país de leniência no combate a ele".

BIGODES


ROBERTO DAMATTA

Você não vale nada, mas eu gosto de você!


O Globo - 26/08/2009

Toda novela diz muito. A de Gloria Perez, “Caminho das Índias”, tem uma música que é a mais perfeita fórmula para este Brasil que nos irrita, mas enreda e que, por isso mesmo e apesar de tudo, jamais tiramos da cabeça e do coração. Quando a Argentina chega ao auge de uma crise, eles largam o país afirmando que a grande nação do tango é “una mierda!” Nós, no período da hiperinflação, da moratória, do sequestro da poupança, do mensalão e das grandes roubalheiras, rasgávamos nossos passaportes e decidíamos ficar. Tal como os personagens da novela — o guarda de trânsito Abel, marido da traidora Norminha — nós tínhamos que esperar “para ver no que dava”. Para termos certeza de que o Brasil era mesmo um país sem solução; ou para sentirmos o dragão inflacionário nos devorar. Vivíamos ao pé da letra, a letra da música do Dorgival Dantas, gravada por Calcinha Preta, que registra graficamente o drama entre Norminha e Abel: “Você não vale nada, mas eu gosto de você.


(Mas) Tudo o que eu queria era saber por quê, tudo o que eu queria era saber por quê!” Aí está, numa fórmula popular e abstrata, o que os grandes interpretes do Brasil — Sílvio Romero, Nina Rodrigues, Paulo Prado, Euclides da Cunha, Oliveira Viana, Gilberto Freyre, SérGilgio Buarque de Holanda, Caio Prado Jr., Raymundo Faoro, Florestan Fernandes, Vianna Moog, Celso Furtado e quem mais você quiser — tentaram explicar ou compreender: as razões pelas quais este país tão erradamente construído (de nobres, escravos e capitalistas sem competição, impostos e mercado), tão malformado por “raças inferiores”, tão desprovido de elites honradas e de estruturas legais, financeiras e de um economia e uma vida política capazes de gerar equidade e honestidade; tão afeito a éticas anti-igualitárias como a da condescendência, do nepotismo e da malandragem, não se autodestruía ou inspirava somente ódio, mas interpolava, entre o “você não vale nada, mas eu gosto de você”, essa cláusula de todas as redenções, esse arrebatador, porque paradoxal e compassivo: “Tudo o que eu queria era saber por quê; tudo o que eu queria era saber por quê!” Sim, porque, enquanto houver o desejo de compreender o elo entre o traidor e o traído, enquanto existir a busca para as razões do comportamento de uma Norma sem normas (ou limites) e o puro pastor Abel (guarda de trânsito) que a deixou viver sem essa consciência de fronteiras, fonte de todas as sinceridades e foco indispensável de uma vida honesta, há que se ter consciência do que já experimentamos e realizamos. Refiro-me ao fato concreto de livrar o Brasil de alguns dos seus males ditos crônicos e seculares. Não foi o que fizemos quando, por exemplo, o tiramos da escravidão e do autoritarismo dos militares? Não foi o que realizamos quando, com o Plano Real, liquidamos o invencível dragão inflacionário? E não é o que hoje experimentamos neste governo do PT e do Lula que seria diferente, ideológico; que não roubava e deixava roubar; mas no qual vivemos uma extraordinária convergência não só de políticas econômicas, mas de estilos de governar no qual as coalizões espúrias e as ambições pessoais, a mentira e a mendacidade se repetem? A desgraça é que o Brasil, como a Norminha, tem muitas faces.

Há a que se livrou da hiperinflação com mais democracia, e há também a que corre o risco de liquidar-se no neocaudilhismo com a destruição de um partido ideológico, o PT, justo pelo seu líder mais importante, o Lula, na sua sofreguidão de fazer um sucessor. Eu não tenho a menor simpatia pelo radicalismo petista, mas estimo instituições. Tenho certeza de que o Brasil revela uma enorme carência de equilíbrio entre personalidades e valores internalizados indispensáveis ao seu bem-estar social.

Entre nós, basta um sujeito virar o “cara” para ele usar o execrável “Você sabe com quem está falando?” que, como eu (e não Gil berto Freyre, Caio Prado Jr ou Sérgio Buarque de Holanda) mostrei há trinta anos, coloca de quarentena as reflexões mais inocentes sobre a implantação da “cidadania” moderna, inseparável do liberalismo. É necessário fazer como os estudiosos do Brasil que não o abandonaram à sua sorte de país errado ou falido, mas amorosamente procuraram saber onde estava o elo entre o enganado e o enganador. O amor, a esperança e a eventual transformação estão na tentativa de saber por quê.

A beleza do laço entre Abel e Norminha reside no fato de que eles sabem que só se muda o que se ama. A tese do quanto pior melhor, que tanto animou a nossa esquerda, não funciona porque o conserto (ou a cura) é, entre os humanos, o limite. Não se trata somente de apontar a mendacidade do governo ou de enterrar o senador Mercadante. Não! É preciso descobrir, como manda o Dorgival, o porquê desse nosso amor por um tipo de poder que faculta a hipocrisia, a chantagem emocional, a roubalheira, a incúria administrativa e todos esses outros monstros que conhecemos tão bem. Se esses caras não valem mesmo nada, não basta execrá-los. É preciso saber por que nós — estão aí as estatísticas — os amamos tão apaixonadamente.

TODA MÍDIA

Até segunda, confusão

NELSON DE SÁ

FOLHA DE SÃO PAULO - 26/08/09

No alto do UOL e da Reuters Brasil, ao longo do dia, "Definição sobre exploração do pré-sal sai segunda, diz Lula". Porém no destaque do G1, portal da Globo, "Eu errei, diz Lula sobre valor destinado à União". Da Folha Online, "Após errar, Lula constrange Aloizio Mercadante e menciona correção pelo Twitter". Até ele faz piada com a renúncia "irrevogável".
Sobre o marco regulatório, a Reuters despachou e foi a notícia de maior repercussão sobre Brasil no Google News, ao longo do dia, que o "Governo avalia se cobra royalties no pré-sal", foco das divergências. Em "exclusiva", o ministro de Energia declarou que, "se houver cobrança, todos os Estados receberiam os recursos, não apenas os produtores", mas para tanto será preciso mais um projeto de lei, o quarto.

ELDORADO PETROLEIRO
Sob o título "Poço no Brasil põe Shell em boa posição" (spot), o "Wall Street Journal" deu longa reportagem anunciando que a "Royal Dutch Shell vai oficialmente se juntar hoje [ontem] a um grupo seleto de multinacionais que extraem petróleo no Brasil e espera que o projeto", no campo Parque das Conchas, na Bacia de Campos, "sirva de porta de entrada para uma das mais cobiçadas reservas do mundo", o pré-sal. O "Valor" deu na submanchete, "Pré-sal, um Eldorado para multinacionais".
O mesmo "Valor" informou que "algumas companhias petroleiras", convidadas para a cerimônia do pré-sal na segunda, "podem faltar". Estão "irritadas" por não terem participado da discussão do marco regulatório.

A EXXON É VERDE?
A revista "Forbes" anunciou a Exxon como "a empresa verde do ano", na capa, por sua aposta em gás natural no Qatar . Mas sites de mídia como o CJR já questionam, dizendo não passar de "window dressing", exposição enganosa

OUTRAS MARAVILHAS
Já vem de algumas semanas, andou até pelo site do "New York Times", e voltou ontem às agências uma votação mundial das sete maravilhas naturais. Entre os concorrentes estão, do Brasil, junto com outros, a floresta amazônica e as cataratas do Iguaçu. Também entre os pré-selecionados no painel chefiado por um ex-presidente da Unesco, o mar Morto, que precisou de entendimento entre Israel e a Autoridade Palestina, o Grand Canyon, a Grande Barreira de Coral (Austrália) e o Vesúvio.
A escolha é realizada no site New 7 Wonders, de um "aventureiro suíço", e só deve terminar no ano que vem, quando se espera que atinja um bilhão de votos.

DE VOLTA AOS JUROS
Na primeira página do "Financial Times", "Israel eleva as taxas de juros", com seu banco central, dirigido por Stanley Fischer, sendo "o primeiro" pós-crise.
No mesmo "FT", a coluna Lex alerta que o movimento de Israel, "deixando a ordem unida", poderá ser seguido por bancos centrais de outros países de "leve recuperação", listando a Noruega, a Coreia do Sul e a Austrália.

DOS EUA AOS BRICS
Ontem Obama indicou Ben Bernanke para novo mandato no BC americano -e o "Wall Street Journal" postou, logo abaixo na home page, como o "Dólar vem de forma estável perdendo influência".
Avisa que "a economia dos EUA pode estar dando sinais de recuperação, mas o futuro do dólar segue em questão". E ouve investidores privados "cada vez mais confortáveis" nos quatro Brics.

TELES NOVAS?
Enquanto os portais Terra, da Telefônica, e iG, da Oi, seguiam passo a passo as notícias de "Lina e Dilma", o portal, G1, da Globo, mudou sua manchete subitamente para "Aneel aprova internet e TV por assinatura via rede de energia". A agência de energia liberou "distribuidoras" para a concorrência com as teles.

"CORREÇÃO"
A Reuters despachou, "Pênis de girafa de Lego é roubado na Alemanha", de manhã. À tarde, novo despacho "informa que a parte roubada foi a cauda"

MÍRIAM LEITÃO

O desmonte

O GLOBO - 26/08/09

A rebelião na Receita Federal não é um fato isolado.

A carta dos demissionários toca na ferida que será a marca da atual administração: a confusão entre o Estado e o governo. Isso nunca havia ocorrido na Receita. Nunca havia acontecido no Ipea, no BNDES, no Itamaraty. É um tempo em que há perseguição política e quebra de regras de ouro, como a de que os funcionários servem ao país, os governos passam.

Esta semana o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou mais um dos seus “Comunicados da Presidência”, que o órgão inventou na atual gestão. O texto comete um erro crasso na opinião dos economistas José Roberto Afonso e Samuel Pessoa, que analisaram o estudo. O documento sustenta que a produtividade do setor público cresceu mais do que a do setor privado, mas compara alhos e bugalhos. É muito diferente o cálculo da produtividade do setor privado, que tem o que contabilizar como produção, e o mesmo cálculo do setor público.

Afonso e Pessoa explicam que o conceito de valor agregado usado pelas Contas Nacionais do IBGE, seguindo padrões internacionais, estabelece que a produção no setor público é calculada pelo aumento dos salários e das despesas. A metodologia não permite a comparação com o setor privado. E dão um exemplo: se uma empresa contrata empregados e os deixa em casa dormindo, perde produtividade; se o setor público fizer isso, a produtividade não cai. O estudo da presidência do Ipea tem conclusões esquisitas como a de que a produtividade de Roraima, por exemplo, aumentou 136%; a de São Paulo, 0,7%; e a do Espírito Santo caiu 7,4%. Os estados que fizeram choque de eficiência e gestão não tiveram ganhos de produtividade.

Ou até perderam.

O estudo feito de encomenda para justificar o crescimento dos gastos de pessoal e de custeio, e para sustentar o discurso estatista é um exemplo, mais um, do que foi feito no Ipea.

No começo, uma caça às bruxas, depois um concurso público viciado e dirigido, e por fim, o uso da marca Ipea para apresentar estudos de critérios técnicos duvidosos e endereço certo.

Os bons funcionários do órgão, os que estão lá servindo ao Estado, são postos na geladeira.

O Ipea foi criado para fazer avaliações críticas e independentes das políticas públicas, e assim ajudar os governos a corrigir rumos e evitar erros.

O governo Lula interferiu nas carreiras de Estado de forma sistemática. Fez isso tantas vezes que ao longo de sete anos o país foi achando natural o que não se pode aceitar. A carta dos superintendentes e funcionários da Receita Federal serviu como um grito de alerta contra o desmonte que deixará sequelas nas próximas administrações.

Foi assim também no BNDES no começo do governo.

Tem sido assim no Itamaraty.

Da patética lista de livros obrigatórios que lembrava os regimes fascistas, passou-se para uma política seletiva de promoção e envio para postos relevantes.

Os leais ao atual grupo no poder foram nomeados para as principais embaixadas mesmo que não tivessem acumulado experiência para tal. O Brasil tem perdido com a subutilização de brilhantes diplomatas encostados em “exílios”.

O governo Lula ficará na história como o que mais aumentou o gasto de pessoal, o que mais contratou funcionários, e o que mais profundamente feriu a ideia de que os funcionários de carreira servem ao Estado e não a governos. O que aconteceu na Receita Federal não foi uma briga de um grupo, uma rebelião liderada pela ex-secretária Lina Vieira. Funcionários de carreira, com anos de serviço público divulgaram uma carta séria sobre a qual o país deve refletir. A ingerência política na Receita é inaceitável, por isso o protesto dos superintendentes é tão valioso. Eles recusaram a postura passiva de “deixa como está porque eles logo vão embora”, em troca de uma atitude altiva de denúncia de destruição de critérios básicos. A impessoalidade por exemplo.

A Receita não pode escolher processos para “apressar”.

No caso da Petrobras, a nota inicial da Receita foi clara: a empresa podia mudar o regime contábil desde que isso fosse feito previamente, e não a posteriori. O entendimento foi mudado sob encomenda.

Agora, as outras empresas estão usando essa mudança dos critérios da Receita para ter crédito tributário.

Na época da nota da Receita, que se seguiu à publicação sobre a mudança contábil da Petrobras no jornal O GLOBO, a imprensa registrou que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ficou irritado por saber pelos jornais, já que é do conselho de administração da empresa.

Espero sinceramente que os jornais tenham errado porque essa reação mostra um conflito de interesse. Uma empresa não pode ter privilégios fiscais e tributários porque o ministro que chefia a Receita faz também parte do seu conselho.

O desmonte de vários órgãos através do aparelhamento é sério, é perigoso. Já o caso do conflito Lina versus Dilma é patético. Um Palácio do Planalto que apaga fitas de visitantes, uma Casa Civil que embaralha compromissos na agenda da ministra, um governo que persegue uma exchefe de gabinete da ex-secretária da Receita está, por atos, confessando o que tenta desmentir por palavras.

GOSTOSA



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PAULO ROBERTO FALCÃO

O prazer de ver

ZERO HORA - 26/08/09

Um amigo me perguntou quais os jogadores em atividade no futebol brasileiro que me dão prazer por vê-los jogar. Sinceramente, não são muitos. Não cheguei a fazer uma pesquisa com todos os clubes. Posso estar esquecendo de alguém, mas, pelos jogos que vi do Brasileirão, fico com quatro nomes apenas: Hernanes, do São Paulo; Guiñazu, do Inter; Victor, do Grêmio; e Kléberson, do Flamengo. Não estou dizendo que esses jogadores são os melhores, nem que são os destaques do campeoanto. Hernanes, inclusive, estava na reserva do São Paulo recentemente, agora é que está recuperando seu melhor futebol. Kléberson está lesionado.

Por que gosto deles? Hernanes é o jogador de meio campo mais completo do futebol brasileiro atualmente. Bate bem com os dois pés, faz a bola andar, parte para o drible quando é necessário, marca sem fazer muitas faltas e aparece na frente com frequência. É o volante que desempenha todas as funções do setor. Kléberson também joga neste time, sabe marcar e sair para o jogo, aparece de surpresa na frente, corre muito e joga com objetividade. Sempre me agrada.

Guiñazu tem um estilo bem diferente, mas é gratificante ver o seu espírito de luta, a sua entrega ao jogo, a pressão que faz sobre os adversários. Ele passa o tempo todo correndo, lutando para tirar a bola do outro time, forçando o erro e estimulando os próprios companheiros. E Victor amadureceu muito, é um goleiro seguro, tem muito reflexo e ajuda bastante na saída de jogo. Não dá balão, dá no máximo um dirigível, pois quase sempre que opta pelo chute para a frente o faz na direção de algum companheiro. Quando pode, lança com a mão. É merecida sua convocação para a Seleção Brasileira.

Paro por aqui, embora reconheça qualidades de vários outros jogadores como Diego Souza, Guiñazu, Sandro, Kléber, do Cruzeiro, e mais alguns. Mas eles não estão neste grupo restrito de atletas que exigem a atenção do espectador sempre que participam de algum lance.

Volta

O Santos é inferior ao Internacional, tanto o time quanto o grupo. Mas esta é uma constatação teórica, embora baseada nos valores individuais e nas campanha. O que vale mesmo é como os dois times se comportarão em campo, esta noite.

CRISTIANO ROMERO

O Banco Central acertou

VALOR ECONÔMICO 26/08/09

Passado quase um ano da crise financeira mundial, é possível afirmar que o Brasil saiu inteiro da turbulência. O país sobreviveu, pela primeira vez, a uma grave crise internacional. Ter bons fundamentos, conquistados ao longo de quase uma geração, foi crucial, mas, sem uma boa gestão do Banco Central (BC), a economia não teria se salvado.

Até a quebra do Lehman Brothers, a economia brasileira estava superaquecida, com a demanda crescendo a 9,3% ao ano e o investimento, a 18%. O uso da capacidade instalada da indústria era superior a 85%. Os índices de confiança de consumidores e empresários eram recordes. Com a queda do LB, o mundo desabou e o Brasil não tinha como escapar do contágio.

O primeiro canal de transmissão foram as linhas de crédito internacional, que respondiam por 8% do crédito oferecido no país e que foram imediatamente cortadas. Lá fora, o pânico se disseminou rapidamente, levando a um processo de ajuste de estoques. No Brasil, a crise trouxe problemas de liquidez para bancos pequenos e médios, que se financiavam no atacado.

O BC entrou em ação para normalizar os mercados e evitar que a crise de liquidez provocasse uma crise bancária. No mercado de reais, a primeira medida foi "jogar dinheiro do helicóptero", ou seja, reduzir os compulsórios do sistema financeiro - na prática, liberou-se o equivalente hoje a R$ 120 bilhões. A medida deu certa tranquilidade ao mercado, mas não foi suficiente porque não resolveu o problema dos bancos pequenos, que continuavam perdendo depósitos.

O BC passou à ação seguinte, que foi direcionar compulsório dos grandes bancos para a compra de carteira dos pequenos. Com isso, estabilizou a situação desses bancos, que permaneceram, no entanto, sem receber novos depósitos por causa da crise de confiança. A terceira ação foi instituir o DPGE (Depósitos a Prazo com Garantia Especial), que são papéis, semelhantes aos CDBs, emitidos pelos bancos com proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) até R$ 20 milhões. O alvo eram os bancos pequenos e médios. A medida foi um sucesso, os bancos captaram R$ 9 bilhões e, com isso, voltaram a operar suas carteiras.

No mercado de dólar, o BC brasileiro se tornou referência ao fazer leilões em que passou a emprestar recursos das reservas cambiais para financiar o comércio exterior - basicamente, ACCs, e depois outros produtos da dívida externa. O BC chegou a emprestar US$ 10 bilhões, sendo que US$ 6 bilhões já foram pagos. O que chama atenção é que tudo foi feito em tempo recorde - o governo baixou medida provisória, o Congresso a aprovou rapidamente, o CMN baixou as resoluções necessárias e o BC montou estrutura de crédito. Aquela foi uma vitória não da autoridade monetária, mas da sociedade brasileira.

Nos primeiros meses da crise, defendeu-se que o BC deveria atuar de forma mais firme no mercado para conter a desvalorização do real. O BC considerou que o câmbio se ajustaria ao tamanho da crise. Além do mais, avaliou que não deveria gastar reservas para defender os que fizeram aposta errada com derivativos cambiais. Este foi o pior momento da crise. Por causa dos derivativos, criou-se uma forte pressão política para intervenção no câmbio e socorro das empresas. Para o BC, o problema não envolvia risco sistêmico. Num dado momento, quando o câmbio bateu em R$ 2,05, dirigentes da instituição avaliaram que, se houvesse intervenção pesada, o país veria suas reservas cambiais desmancharem. Isso aconteceu na Rússia e o resultado foi desastroso.

No momento seguinte, veio a decisão do Federal Reserve (Fed) de abrir uma linha especial de crédito, por meio de uma operação de "swap", de US$ 30 bilhões. Foi a maior conquista internacional do Brasil em muitos anos, mais importante, talvez, que o "investment grade". Os "swaps" do Fed só beneficiaram 15 bancos centrais, mostrando a importância sistêmica do Brasil.

Na contramão de outros bancos centrais, o BC brasileiro não reduziu os juros no primeiro momento da crise. A pressão política cresceu e, em dezembro, preocupado ainda com um possível efeito do câmbio ("pass-through", na linguagem técnica) sobre os preços, o BC, em decisão unânime da diretoria, manteve os juros inalterados. Na mesma ocasião, sinalizou que iniciaria o alívio monetário na reunião seguinte. O mercado entendeu a mensagem e, com isso, a estrutura a termo da taxa de juros despencou. Na prática, portanto, os juros começaram a cair.

Reside, nesse aspecto, a torrente de críticas ao BC, afinal, o "pass-through" não se materializou e a atividade estava em queda livre. Em sua defesa, o BC alega que evitou gastar munição antes do tempo, como ocorreu, inclusive, com o Fed (sobre o tema, recomenda-se a leitura de "Sustaining a Global Recovery", do economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard).

Nos meses seguintes, o BC cortou cinco pontos percentuais da taxa Selic e, agora, o Brasil começa a sair da crise antes da maioria dos países. Tudo isso mostra as vantagens de se ter um BC autônomo, que resiste a pressões políticas. O ideal seria tê-lo independente de direito, mas, talvez, nesse caso, seja exigir muito de um país que conquistou estabilidade política há menos de 30 anos e econômica, há menos de 20.

COM GRAU

FERNANDO CALAZANS

Batata quente

O GLOBO - 26/08/09

Admirador do Andrade que sou, escrevi aqui que não era hora de ele assumir o cargo de técnico do Flamengo, como uma espécie de teste.
Como admirador do Paulo César Carpegiani que sou, escrevo que não é hora de ele assumir o mesmo cargo. Porque falaram na dupla Carpegiani-Andrade para carregar essa batata quente, quentíssima, que é hoje o futebol do Flamengo.
O presidente do clube (efetivo, em exercício, não sei), Delair Dumbrosck, e o vice-presidente de futebol garantiram, porém, que Andrade permanece.

Seria mesmo injustiça jogar em seus ombros a responsabilidade e a culpa por tanta coisa que está errada há tanto e tanto tempo — incluindo a atual gestão do presidente (titular, em exercício, não sei) Márcio Braga.

E a garotada que está subindo — está subindo porque Andrade não tem outra coisa a fazer — parece decidida a comprovar o que tenho escrito e reescrito aqui: como andam maltratadas nossas divisões de base, mesmo a do Flamengo, clube que se vangloriava de fazer craques em casa.
Não quero desestimular de modo algum os jovens que estão entrando no time neste momento difícil, que evidentemente não é o momento deles, mas parece que, em vez de craques, o Flamengo está fabricando pernas de pau.

Além das contusões (que não têm culpados) e das suspensões (culpa dos próprios jogadores), outro pretexto para campanha tão ruim, este utilizado por Andrade, é a falta de tempo para treinar.
Ele tem razão, em parte. O tempo é curto, por causa das rodadas seguidas, mas é igual para todos os clubes que trocaram de técnicos durante a competição — e que não foram poucos.

Além do mais, não pode reclamar de pouco tempo para treinar um clube que libera seu principal jogador (ou que deveria ser o principal) Adriano, por qualquer motivo: aniversários, festas, churrascos, compromissos sociais etc, etc... (deve ser por isso que até hoje ele não entrou em forma, como provam suas últimas atuações).

Saiu dirigente, entrou dirigente, e o futebol do Flamengo continua sem direção.
Mas é só o futebol do Flamengo que passa por esses contratempos no outrora poderoso Rio de Janeiro? Que nada!

Querem ver outro exemplo? Por onde anda Fred, o centroavante de renome internacional contratado para fazer os gols que o Fluminense não faz? Há quanto tempo não dá o ar de sua graça nas Laranjeiras ou no CFZ? Ah, dirão os contemporizadores de plantão, ele está se tratando em Belo Horizonte...

Ora, até Ronaldo Fenômeno, que também está em recuperação, pelo menos assiste aos jogos do Corinthians, como vimos domingo, contra o Botafogo. Lá estava ele, torcendo, ao lado do presidente. E é o Ronaldo Fenômeno, hein!
E Fred, meu Deus do céu, o que foi feito do Fred, cuja carinha o Fluminense e os dirigentes do Fluminense não veem há semanas e semanas?

A histórica dupla Fla-Flu sofre um problema comum: ausência absoluta de direção e comando, no futebol e no clube.
Em duas rodadas do segundo turno, os três times do Rio na Série A disputaram 18 pontos. Sabem quantos eles ganharam? Dois. Dois pontinhos...

PAINEL DA FOLHA

Memória seletiva

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 26/08/09

Embora o GSI diga que ‘as especificações do contrato’ do sistema de segurança do Planalto impeçam o armazenamento de imagens por mais de 30 dias, é o próprio palácio, e não a empresa fornecedora dos equipamentos, quem gerencia o conteúdo gravado.
Adquirido por R$ 3,2 milhões em 2004 da Telemática, o sistema, com 225 câmeras, reúne o que há de mais moderno em tecnologia de segurança no país. Quem o conhece desconfia da explicação fornecida pelo GSI. Um dos motivos é que o prazo de 30 dias se refere apenas à memória de cada câmera, mas essa não é a única etapa de arquivamento dos dados, geralmente transferidos para outra plataforma.

Além da prancheta - No mesmo pacote, foram adquiridas da Telemática câmeras que fotografam a entrada de carros nas cancelas do palácio. Para deslocamentos em áreas consideradas restritas, são usados cartões com dados biométricos do portador.

Retiro - Nesta semana, Dilma Rousseff só está despachando em casa e sobre um único assunto: pré-sal, cujo marco regulatório será anunciado com pompa na segunda.

Nervos - Em meio ao acalorado bate-boca com Eduardo Suplicy (PT-SP) ontem no plenário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI) mandou que enviassem ao petista um copo de suco de maracujá.

Stand up - De um senador do bloco de apoio ao governo, sobre o cartão vermelho para Sarney exibido por Suplicy na tribuna: ‘São os movimentos históricos, individuais e sempre eficientes do Suplicy’.

Menas - A primeira versão mostrada a Lula da carta em que pede que Aloizio Mercadante fique na liderança do PT continha mais elogios ao senador. O presidente pediu uma desidratada no texto.

Postal - Na passagem por São Bernardo do Campo, Lula foi conhecer o gabinete de Luiz Marinho (PT). Ao ver o imenso painel com foto da cidade ao fundo da sala, aproveitou para cutucar seu fotógrafo oficial, Ricardo Stuckert: ‘Bem que você podia fazer uma dessas em Brasília para mim!

Sondagem - Guido Mantega (Fazenda) telefonou para o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), para conversar sobre o pré-sal. Ouviu um pedido aberto pela compensação aos Estados produtores devido ao ‘impacto social e ambiental’ da prospecção dos novos campos.

Pilatos - Ganhou força no grupo que finaliza os projetos do pré-sal a ideia de deixar a cargo do Congresso definir eventual compensação a Estados e municípios. ‘Isso é querer que esse debate empaque como a reforma tributária’, protesta Hartung.

Leitura de bordo - Exemplares de ‘Companheiro Delúbio’, a recém-lançada revista do tesoureiro do mensalão, foram distribuídos em quantidade generosa aos petistas que participaram, ontem no Congresso, do lançamento da candidatura de José Eduardo Dutra à presidência da sigla.

Piada pronta - Está na pauta da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara um projeto do deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE) para estabelecer o ‘dia do quadrilheiro’. Aquele que dança quadrilha, bem entendido.

Tiroteio

Duvido que o PT peça meu mandato na Justiça. Aí haveria sentença provando que o partido traiu seu estatuto, e muitos poderiam sair.
Do senador FLÁVIO ARNS (PR), que anunciou sua saída do PT, sobre a ameaça da disposição da direção partidária de requerer seu mandato na Justiça Eleitoral.

Contraponto

Exclusividade perdida

No final da tarde de ontem, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, chegava ao Palácio da Alvorada para reunião com Lula quando foi abordado por um pequeno grupo de repórteres, que de imediato lhe perguntaram se o assunto do encontro era a liberação de emendas parlamentares, demanda permanente do Congresso.
- Não sei. O presidente me chamou, e eu vim_ desconversou Paulo Bernardo, já seguindo seu caminho.
- O senhor fala com a gente na saída?
- Lógico_ respondeu o ministro.
Ao que um dos repórteres emendou, preocupado:
- Não põe nada no Twitter, tá? Fala só com a gente...

GOSTOSA


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TOSTÃO

Festival de lugares-comuns

JORNAL DO BRASIL - 26/08/09

No passado, um dos ditados mais falados era: “Quem corre é a bola”. Os grandes jogadores, em vez de correr com a bola para entregá-la ao companheiro, fa ziam a bola correr, com passes de primeira, longos e curtos.

Evidentemente, só fazia isso quem tinha talento. No passado, mesmo nos grandes times, havia jogadores medianos. Hoje, tem mais.

Os atletas atuais correm muito mais que antes. Algumas tevês já mostram quantos quilômetros cada um correu. Brevemente, haverá prêmios para os que correm mais.

Vejo isso como uma evolução física, técnica e tática, desde que o jogador tenha talento, saiba para aonde e por que corre e não corra demais com a bola, a não ser em lances especiais. Kaká evoluiu porque aprendeu a esperar o momento certo para dar suas belíssimas arrancadas em direção ao gol.

A diferença hoje entre as me lhores equipes da Europa e as me lhores brasileiras é que lá a bola corre mais, de pé em pé. É uma delícia ver o Barcelona jogar, a equipe que faz isso melhor.

No Brasil, os jogadores correm demais, com ou sem a bola, e têm muita pressa para chegar ao gol. Importamos da Europa a correria e as jogadas ofensivas aéreas, e eles, em troca, levaram o toque de bola. Saíram ganhando.

Hoje, o futebol que se joga no Brasil se parece mais com o da Europa do passado, e o deles se pa rece mais com o brasileiro de outras épocas. Isso ocorre somente pela qualidade dos jogadores ou é também um estilo dos técnicos?

É preciso separar o futebol europeu de poucas equipes, no máximo dez, que contratam os melhores jogadores do mundo, das outras equipes, que, tecnicamente, não são melhores que as melhores equipes brasileiras.

Os técnicos europeus abandonaram há muito tempo alguns conceitos que continuam presentes no Brasil. Viraram chavões. Um deles é que é preciso três za gueiros para marcar dois atacantes. Como os zagueiros brasileiros marcam muito atrás, não há espaço entre eles e o goleiro. Os times brasileiros não jogam com dois zagueiros e um terceiro na sobra, e sim com três zagueiros em linha.

Outro chavão é que é necessário ter três zagueiros para os laterais (alas) apoiarem. Corinthians e Cruzeiro, as duas melhores equipes do primeiro semestre, jogaram com dois zagueiros e com os laterais avançando, alternadamente. A seleção faz o mesmo. Os técnicos estão acabando com os laterais que marcam e apoiam, uma virtude brasileira. É lateral ou ala, desde as escolinhas.

Enquanto os principais times europeus copiam o jeito brasileiro de jogar, de outras épocas, com dois zagueiros e dois laterais que avançam, um de cada vez, os técnicos brasileiros copiam o jeito torto e ruim dos europeus, de anos atrás, de jogar com dois zagueiros e um lateral-zagueiro.

O zagueiro brasileiro está cada dia mais mimado, mais su perprotegido. Só querem jogar na sobra, ao lado de dois outros zagueiros.

A moda brasileira é o zagueiro especializado. Há os que só atuam bem pela direita, os que só atuam bem pela esquerda, e os que só atuam bem na sobra. E assim caminha o futebol, de chavão em chavão.

ANCELMO GÓIS

PRÉ-SAL DA DISCÓRDIA

O GLOBO - 26/08/09

Os governadores Sérgio Cabral e Paulo Hartung decidiram ontem recusar o convite de Lula para participar, dia 31, segunda, em Brasília, do lançamento do modelo regulatório do pré-sal.
– Não posso participar de algo que não sei do que trata. Não quero ser pego de surpresa – diz Cabral, um dos mais próximos aliados do presidente.
Rio e Espírito Santo produzem 87% do petróleo do País.
SEGUE...
A decisão foi tomada um dia após o governador do Rio ter deixado claro, num seminário promovido pelo Globo, que iria lutar “com todos os instrumentos democráticos” contra eventuais mudanças na arrecadação de royalties e participações especiais do petróleo na nova regulamentação do pré-sal.
ALIÁS...
Lula pretende transformar a cerimônia do modelo do pré-sal, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, num grande ato político.
PAPAI NOEL
Do apresentador Luciano Huck, em seu Twitter, ontem:
– As imagens de segurança das câmeras do Palácio do Planalto só duram 30 dias!!! Então, tá. Poxa, seria a prova de que Papai Noel existe.
GERENTE VANDERLEI
O técnico Vanderlei Luxemburgo amadurece a ideia de abandonar a profissão.
A meta do treinador do Santos é virar um supergerente e, em dois anos, passar a administrar todo o futebol de algum grande clube brasileiro.
ROCK DO SARNEY
O Biquini Cavadão, em seus shows País afora, aderiu à onda de protestos contra Sarney. Bruno, o vocalista da banda, que regravou sucessos dos anos 1980, incluiu um caco em Inútil, do Ultraje a Rigor, no show do Biquini, domingo, em Vitória da Conquista, BA.
FICOU ASSIM...
Trechinho da nova versão: “A gente escreve música e não consegue gravar/A gente escreve livro e não consegue publicar/A gente escreve peça e não consegue encenar/A gente põe o Sarney, mas não consegue tirar”.
FABI VIRTUAL
A Olympikus lançará nos próximos dias um jogo de computador das meninas supercampeãs do vôlei brasileiro. Na quadra virtual, estarão Jaqueline, Fabi, Sheila, Mari... E até o técnico Zé Roberto Guimarães. O jogo vai estar disponível no site www.supervoleibrasil.com.br.
PROCURA-SE ELIZ
Geraldo Azevedo, viva ele!, está desesperado atrás de uma mulher chamada Eliz Separovic. É que, num voo São Paulo-Rio, o cantor pôs suas coisas no banco do avião e, ao recolhê-las, levou, sem querer, um iPod da tal Eliz, que o havia esquecido. O músico já tentou achá-la no Google, no Orkut, na Telelistas...
PT X PSDB
Veja como a crise no Senado já virou piada até por lá. Ontem, na CPI da Petrobras, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, disse que o PSDB foi responsabilizado pela crise na Casa. “E quero dizer que o PSDB nunca conseguiu eleger um presidente aqui”, emendou. O presidente da CPI, o petista João Pedro, ainda respondeu: “Nem o PT!”. “Mas o PT até teve a chance de dividir a presidência, mas depois se atrapalhou...”, tripudiou o tucano, provocando risos entre os senadores.

GOSTOSAS DO TEMPO ANTIGO

RUY CASTRO

Errando no analógico


FOLHA DE SÃO PAULO - 26/08/09

Outro dia, uma amiga pediu licença e tirou o celular da bolsa. Manuseando-o com abismal intimidade, ouviu recados, pagou uma conta no banco, acertou um trabalho em São Paulo, abriu uma foto do namorado, “baixou” uma canção de Sinatra e ligou para casa para dar instruções à criadagem. Tudo isso em minutos, e vindo de uma pessoa que, até anteontem, não sabia nem como clicar o botão de “play” da vitrola.

Diante do meu pasmo por sua atualização tecnológica, ela me disse que usa o celular como computador, internet, câmera, vídeo, cinema, TV, filmadora, MP3, iPod, FM, videogame e, por fim, telefone. E não entende como já foi capaz de viver sem aquele treco que faz tudo, exceto tirar-lhe as cutículas.

Como sou dos três ou quatro no Brasil que não usam celular, até hoje preciso de máquinas específicas, ancoradas em consoles, cômodas ou escrivaninhas, para desfrutar de tais serviços. Algumas dessas máquinas ainda são equipadas com, pode crer, válvulas.

Outro dia, abrindo uma página na internet sem saber para onde ia, deparei com uma frase na tela: “Ruy Castro está no twitter”. Embora estivesse sozinho em casa, olhei em volta para ver se havia mais alguém ali com o meu nome. Não, não estou no twitter. E, sem me gabar ou me envergonhar, também não tenho site, blog, MSN, Facebook, Orkut, MySpace, Last.fm, Ning, Vimeo, Flickr, Tumblr ou rraurl. Estou para a blogosfera como o presidente Lula está para a fenomenologia de Husserl.

Sei bem que, acorrentado ao mundo analógico, posso logo me tornar inviável. Mas pretendo evoluir – sem cometer o recente erro do senador Mercadante. Entusiasta do twitter, ele prometeu algo no mundo digital que não cumpriu no mundo analógico. E deu-se mal, porque, na vida real, o analógico ainda é irreversível.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Que demissões?”
MINISTRO GUIDO MANTEGA (FAZENDA), COM “LULITE AGUDA”, NA CRISE DA CÚPULA DA RECEITA

CPI DA CONTA DE LUZ JÁ ESTÁ SOB SUSPEITA
Suspeitava-se que a CPI da Conta de Luz na Câmara nascera com o objetivo de intimidar empresários para depois dar uma aliviada e passar o chapéu. A desconfiança pode se confirmar: a CPI convocou dez dos maiores dirigentes de empresas de energia para depor sobre formação de tarifas, quando até os postes sabem que essa é atribuição exclusiva da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que regula o setor.
COMANDO
A CPI da Conta de Luz é presidida por Eduardo da Fonte (PP-PE) e o relator, Alexandre Costa, é da bancada de Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
NOVO ESCÂNDALO
Especialista em energia, o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) acha que a CPI da Conta de Luz “é o embrião de um novo escândalo”.
MINA DANDO SOPA
Fábio Resende pediu demissão da diretoria de Operações da estatal Furnas Centrais Elétricas. O PMDB já está de olho nessa mina de ouro.
TÔ FORA
Delfim Netto, 81, conselheiro informal de Lula, colocou stents no coração. Passa bem, mas se livrou do Conselho Curador da TV Brasil.
LOTERIA RASPADINHA ENVOLVIDA EM POLÊMICA
Vencedora de licitação para imprimir 150 milhões de bilhetes da nova Loteria Raspadinha, da Caixa, uma gráfica do Rio, a Minister, está sob suspeita de não ter condições de executar o contrato. A própria Caixa inspecionou a empresa para verificar isso, mas o diretor da área, Roberto Desiee, tem sido especialmente paciente com a empresa, esticando-lhe prazos. Contactada, a Caixa não quis se pronunciar sobre o assunto.
GOVERNO DO IMPOSTO
Entrou no ar ontem o site contra o novo imposto que substituiria a CPMF: www.xocss.com.br tem abaixo-assinado eletrônico e mural de protestos.
O DE SEMPRE
CCS (Contribuição Social para a Saúde) quer dizer mesmo é “Cês Sabem... Sifu”.
CORRIDA DO CRÉDITO
Praticando taxas de juros que esmagam a concorrência, Banco do Brasil e Caixa já dominam 28% do crédito no País.
E querem mais.
BOCA BNDES
O BNDES abre escritório em Montevidéu para “contatos com países do Mercosul”, como se isso não pudesse ser feito da sede, no Rio. Mas aí não haveria boquinhas para a “cumpanheirada” ganhar em dólares.
TUTTI BUONA GENTE
Defensores do italiano Cesare Battisti pressionam o Supremo Tribunal Federal para conceder “refúgio político” ao terrorista. Contra a provável absolvição de Antônio Palocci, nem “aí” pelo caseiro Francenildo.
EM CAMPANHA
O ministro José Pimentel (Previdência), do PT, nega que esteja em campanha para o Senado. Mas está. Abandona Brasília sempre quarta à tarde para fazer a ronda no Ceará, de onde só volta na segunda.
O FREI DO CABIDÃO
Ex-aspone do Planalto, Frei Betto cospe no cálice em que bebeu: diz que Lula se afastou “dos movimentos sociais que o elegeram” (não foram os eleitores?), e que o PT “virou um cabidão, como o PMDB”.
O PREÇO DO IRREVOGÁVEL
O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) renunciou à renúncia porque Lula insinuou que ele pode ganhar o direito de disputar a reeleição, o que o PT paulista decidira negar-lhe. Insinuou, mas não prometeu.
FIM DO AMADORISMO
A Infraero deve devolver sua área de comunicação a profissionais. O setor está entregue à mulher de um coronel da Aeronáutica, protegida do ex-presidente da estatal, brigadeiro Cleonilson Nicácio da Silva.
UM PAÍS DE TODOS
Depois da Associação dos Magistrados Brasileiros, manifesto de pastores evangélicos conclama o Congresso a não aprovar o acordo do governo com a igreja, que ameaçaria o Estado laico.
GIRAMUNDO
O ex-presidente FHC está em Jerusalém com vários líderes internacionais, como o bispo Tutu, da África do Sul, e o ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter, para “promover a paz no Oriente Médio”.
SANTA CEIA
Lula, que diz não temer urucubaca, vai culpar Judas pela coincidência: com Lina Vieira, foram 13 a sair da Receita. O número do PT.

PODER SEM PUDOR
SANTA PROMESSA
Em 1994, Esperidião Amin fazia campanha em Laguna, na sua Santa Catarina, quando foi interpelado por uma eleitora:
– O que o senhor vai fazer por mim?
Amin começou a citar pontos do seu programa, mas ela o interrompeu:
– Não é isto. Eu quero que o senhor me arrume um marido bonito e rico...
Ele se lembrou que Santo Antônio dos Anjos era padroeiro local e tascou:
– Vou agora mesmo à igreja ver se arrumo um despacho direto com o santo, para encaminhar o seu pedido.
E seguiu célere para a igreja.

O IDIOTA

QUARTA NOS JORNAIS

- Estadão: PMDB cobra ainda mais do governo e paralisa Câmara


- JB: Voltam as obras na Cidade da Música


- Correio: Senado em crise amplia regalias


- Valor: Grandes empresas firmam compromissos ambientais