sexta-feira, março 13, 2009

MÍRIAM LEITÃO

Vitima ou não?


O Globo - 13/03/09

O economista Joseph Stiglitz disse que o Brasil foi uma vítima inocente da crise. Muita gente discorda. O professor de economia da PUC Márcio Garcia acha, pelo contrário, que o Brasil se beneficiou do período de expansão da economia mundial. O analista da Gávea Investimentos, Armando Castelar, acrescenta que o Brasil poderia ter feito mais nesse período das vacas magras.

O Brasil não é culpado, no sentido de que ele não montou aqui, como lá fora, um sistema explosivo como o do subprime. Mas essa ideia de que fizemos tudo certo e fomos atingidos por uma fatalidade é uma visão superficial do que se passou. Eu já achava isso, mas fiquei mais convencida na entrevista com os professores de economia num programa da Globonews, que foi ao ar ontem à noite.

“Nós nos beneficiamos, aumentamos nossas exportações, os altos preços das commodities contribuíram para o período de prosperidade, com várias vantagens para a economia brasileira”, disse Márcio Garcia.

“O Chile usou esse momento de vacas gordas e fez um enorme fundo, que está usando agora como política anticíclica”, disse Armando Castelar, alertando que não tem comparação com o nosso fundo soberano, muito menor e feito na última hora.

Os dois lembraram também que não só o país foi beneficiário do boom, como desperdiçou esse momento não fazendo as reformas e mudanças necessárias para o momento difícil. Pelo contrário. “O país aumentou os gastos correntes numa proporção duas vezes maior que o crescimento do PIB”, lembrou Castelar.

Márcio Garcia disse que a fotografia é muito boa e, olhando só para ela, fica-se com a impressão de que o país aproveitou bem os bons tempos. A dívida pública, por exemplo, caiu para 36% do PIB, mas a tendência é de deterioração fiscal. Armando concorda que o país não tem folga fiscal.

“Os setores que estão caindo mais são grandes arrecadadores de impostos. Por isso, a tendência é a receita cair muito rapidamente”, disse Castelar.

Sobre a queda dos juros, Márcio acha que o Banco Central poderia ter derrubado a Selic um pouco mais. Armando acha que o BC foi até ousado demais. Em outra conversa que tive ontem perguntei a dois outros analistas a avaliação sobre a decisão do Copom. Luiz Fernando Figueiredo, da Mauá Investimentos, acha que o Banco Central acertou perfeitamente na dose.

“Desde a divulgação da produção industrial de janeiro formou-se um consenso de que a queda seria de 1,5 ponto percentual. Tanto estava na medida que hoje a curva de juros nem mexeu. O Banco Central se mostrou flexível, e ao mesmo tempo mostrou que continua sendo o que sempre foi, tomando decisões com autonomia”, diz Figueiredo, que já foi diretor do BC.

Luiz Carlos Mendonça de Barros acha que o risco maior agora é de um agravamento da crise internacional. Portanto, independentemente do que o Banco Central fizer, pode haver uma segunda rodada de piora externa que faça com que o crescimento zero do país seja o melhor cenário. Ele acha que pode haver uma sensação de melhora nos próximos dois meses, e depois um rebote da crise ainda mais desestabilizador.

“Quando eu calculo crescimento zero para o Brasil este ano eu estou imaginando um cenário em que o nível de atividade vai melhorando até estar crescendo a 3% no fim de 2009. Isso dará um crescimento zero, mas num ano em que a situação vai melhorando. Porém, se houver um agravamento da crise externa, nem isso o país vai conseguir”, diz Luiz Carlos.

No programa da Globonews, Márcio Garcia disse que se houvesse imposição ao BC de um corte maior dos juros, seria um “desastre”, e o país estaria começando a voltar aos tempos pré-real. Armando acha que o país precisa da independência formal do BC, para que ele não fique sempre sob o risco de intervenção.

“Como Ulisses se amarrava nas pedras para não ouvir o canto da sereia, é preciso dar garantias institucionais ao Banco Central”, disse Armando.

Márcio acredita que o mix de políticas para sair do atual ambiente recessivo seria mais redução de juros, política fiscal apertada, com corte de gastos de custeio, e aumento do investimento. Mas como dificilmente haverá corte de gastos, ele acha que o superávit primário vai ser reduzido e que o fundo soberano vai ser convocado para aumentar investimento. O que talvez o governo não consiga realizar, como não conseguiu no passado.

Armando deixou claro que quando critica o aumento dos gastos correntes não está falando das políticas de combate à pobreza extrema.

“O gasto com o Bolsa Família pode e deve aumentar. Ele é uma parcela pequena do gasto social brasileiro, que é 25% do PIB, mas a maior parte dele é destinada aos não pobres”, disse.

Em resumo, o Brasil fez alguns movimentos corretos nos últimos anos, como acumular reservas, reduzir a dívida, aumentar o gasto com os mais pobres, mas, ao mesmo tempo, desperdiçou o melhor momento da economia mundial, não mudando estruturalmente seu gasto. Pelo contrário, aumentou exatamente as despesas públicas que não pode mudar. “Não reconhecer um tempo de bonança é um erro grave”, diz Castelar.

O IDIOTA


SEXTA NOS JORNAIS

Globo: Governo estuda suspender aumento dos servidores

 

Folha: Indústrias de SP fecham 237 mil vagas em cinco meses

 

Estadão: Crise fecha 236 mil vagas na indústria paulista

 

JB: Desordeiros de luxo

 

Correio: Após espancar a mulher, pai morre com a filha ao jogar avião em shopping

 

Valor: Cosan assume Nova América Empreiteira e reforça liderança no setor

 

Gazeta Mercantil: Biotecnologia, o novo negócio dos laboratórios

 

Estado de Minas: Nova tragédia na BR-381 traz de volta a pergunta que não quer calar: Quantos ainda terão de morrer?

 

Jornal do Commercio: Tragédia familiar em queda de avião

quinta-feira, março 12, 2009

PAINEL

Braços cruzados


Folha de S. Paulo - 12/03/2009
 

Na esteira das demissões já feitas, dos números da indústria que apontam para novos cortes e de uma redução nos juros mais tímida do que reivindicavam os sindicalistas, as centrais programaram para o próximo dia 30 "a maior mobilização de trabalhadores do ano". Batizado informalmente de "minigreve", o protesto concentrará esforços em duas praças onde os sindicatos têm estrutura mais robusta: ABC paulista e Bahia, que abrigam, respectivamente, os setores automotivo e petroquímico. O formato da manifestação será definido na semana que vem. As centrais têm o apoio de federações sindicais sul-americanas, que pretendem repetir a dose em países vizinhos.

IPI do Pibinho
Se ainda existia um fiapo de dúvida dentro do governo, o cavalo-de-pau do PIB no último trimestre de 2008 selou a decisão de prorrogar por pelo menos mais três meses a redução de IPI para os carros. 

Must go on
Durante reunião com o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, Lula procurou afastar a nuvem negra do anúncio do PIB. Disse aos presentes que o governo manterá todos os programas da área. Em tempo: à luz da brutal revisão na expectativa de crescimento, está em curso uma lipoaspiração no Orçamento de 2009. 

Fale com ele
Além de fazer coro pela redução dos juros, Dilma Rousseff aproveitou sua participação num seminário sobre desenvolvimento em São Bernardo do Campo para dividir a conta da superação da crise com seu provável adversário na eleição de 2010: "Os Estados têm enorme capacidade de endividamento e investimento, não é, Serra?". O governador não chegou a sorrir nessa hora. 

Terceirização
Perdidos entre 11 volumes de processo e cinco CDs com arquivos de áudio e vídeo sobre a investigação paralela conduzida por Protógenes Queiroz na Operação Satiagraha, deputados da CPI dos Grampos passaram a defender o vazamento total à imprensa. "Assim os jornalistas nos ajudam a ver o que tem lá", escancarou o tucano Vanderlei Macris (SP). 

Sujou
Antes de bater boca com Geddel Vieira Lima (Integração), Eduardo Cunha (PMDB-RJ) já havia trombado com outro ministro de seu partido: Edison Lobão (Minas e Energia) prefere ver derrubada a MP do setor elétrico a ter de negociar com o correligionário, relator da medida.

Nua e crua 1
A opinião pública passou longe dos cálculos dos deputados quando decidiram, em reunião ontem, enterrar a proposta de incorporar a verba indenizatória aos salários. Na ponta do lápis, eles perderiam de R$ 7 mil a R$ 9 mil mensais, e ainda teriam de pagar mais IR. 

Nua e crua 2
Do desalentado Marcelo Ortiz (PV-SP), sobre a situação da "categoria": "Como advogado, eu ganhava R$ 40 mil. Agora, recebo R$ 12,5 mil líquidos e ainda levo a pecha de ladrão". 

Nua e crua 3
 Do primeiro-secretário Rafael Guerra (PSDB-MG), tentando justificar um tipo recorrente de uso da verba indenizatória: "Mas, também, se o deputado for dono de posto e não abastecer lá, o que vão dizer na cidade? Que a gasolina é batizada!". 

What?
Abordado por equipe do humorístico "CQC" que tentou lhe "vender" o castelo do deputado Edmar Moreira, o príncipe Charles saiu de fininho, acompanhado de Camilla, sem ter a menor ideia do que lhe perguntavam. 

Escolinha
Enquanto o Senado discute se 3.883 funcionários terão ou não de devolver R$ 6,2 milhões pagos em horas extras em pleno recesso, o Instituto Legislativo abriu inscrições para curso no qual se destaca o seguinte painel: "O Dilema da Ética - A Ética e o Jeitinho Brasileiro". 

Tiroteio

"Não vejo como mobilizar um milhão de filiados, nem como fiscalizar o processo. E, se o comparecimento for baixo, a candidatura pode não expressar a vontade das bases."

De JOSÉ HENRIQUE REIS LOBO , presidente do PSDB paulistano e secretário do governo Serra, contra as prévias defendidas por Aécio Neves.

Contraponto

Discurso único

Palestrante do seminário sobre desenvolvimento realizado ontem em São Bernardo do Campo, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, encerrou sua exposição com um prognóstico:
-Ainda neste semestre teremos juros de um dígito!
Ciente da popularidade desse bordão numa plateia repleta de sindicalistas, o apresentador repetiu:
-Vamos frisar: um dígito ainda neste semestre!
O auditório veio abaixo. A palavra foi então passada a Dilma Rousseff. Depois de recitar a lista de cumprimentos às autoridades presentes, a ministra da Casa Civil deu um puxão de orelhas bem-humorado em Barbosa:
-Ele praticamente esgotou o que eu ia falar...

ELIANE CANTANHÊDE

"Não se esqueçam de mim!"


Folha de S. Paulo - 12/03/2009
 

As atenções latino-americanas estão voltadas para os interesses de Cuba, Bolívia, Equador e, sobretudo, Venezuela no encontro Lula-Obama, no sábado, mas Lula vai levar um apelo inesperado de um outro país: a Colômbia.
Numa conversa com Lula, o presidente Álvaro Uribe disse que estava preocupado com a guinada de Bush para Obama (e dos republicanos para os democratas), avaliando que os "esquerdistas" Raúl Castro, Evo Morales, Rafael Correa e até Hugo Chávez, tido como o inimigo número 1 de Washington no continente, podem até levar vantagem.
Mas e a Colômbia? E ele, Uribe? Na contramão do movimento político da região, Uribe é o "direitista", o contraponto a Chávez, o maior aliado norte-americano e o que embolsou um caminhão de dinheiro de Bush, dando de ombros para os vizinhos para fazer um TLC (Tratado de Livre Comércio) em separado com os EUA -que o Congresso ianque não aprovou.
Os "esquerdistas" anti-Bush e antirrepublicanos continuam devolvendo diplomatas norte-americanos e fazendo biquinho, mas todos sabem que Obama, até pela biografia, tem muito mais capacidade para compreender os problemas dos países pobres e negociar com eles.
Mas Uribe teme uma inversão da balança: que Obama se aproxime dos outros e corte o "Plan Colômbia" e a suculenta verba que despeja no país sob a rubrica "combate ao narcotráfico". Foi à custa dele, plano, e dela, verba, que Uribe enfraqueceu as Farc, acabou com os sequestros e reuniu condições de ser um dos mais populares presidentes da América do Sul, com índices que rivalizaram com os de Lula quando da libertação espetacular de Ingrid Betancourt.
Ele, é claro, não quer perder essa bocona, até porque sonha em conquistar o direito de re-reeleição. E pediu explicitamente a Lula para fazer um "lobby" a favor dele e da Colômbia com Obama. "Não se esqueçam de mim!"

MIGUEZIM DA PRINCESA

A MANSÃO DO ECONÔMICO AGACIEL

I
Por mais que a gente procure,
Seja no ar ou no chão,
Ninguém encontra a receita
De tostão virar milhão.
Abençoado do Céu,
O famoso Agaciel
Adquiriu uma mansão.
II
Ganhando R$ 18 mil
Na Direção do Senado,
Ele fez economia,
Veja só o resultado:
Nunca gastou o salário
E tornou-se milionário
Por viver sacrificado.
III
Coitado do Agaciel:
Nunca foi a restaurante,
Seus ternos são da Colombo,
Seu carro é uma Variant
E,no dia que quer gastar,
Come é carne de jabá
Na feira do Bandeirante.

IV
Usa perfume da Avon,
Roupa da Riachuelo,
Sapato da Polyelle,
Descansa o pé no chinelo,
Assiste filme pirata,
Toma caldo de batata
No Boteco de Tranguelo.

V
Possui ponte fixa-móvel
E meia chapa completa,
Compra shampoo de babosa,
Passeia de bicicleta
Comprada em segunda mão
Lá na feira do Varjão
Da prima de Dona Neta.
VI
Quando a esposa reclama
Que está passando mal,
Nunca mais comeram fora
Etc e coisa e tal,
Ele se irrita com a dona
E bota logo uma mesona
Bem no centro do quintal.
VII
Trinta anos trabalhando,
Juntando níquel pra feira,
Comendo calango assado,
Balaiada de fateira,
O homem virou barão
E comprou uma mansão
Pra aliviar a canseira.
VIII
Crucificam Agaciel,
Eu não sei por que razão!
Foi numa máquina Olivetti,
Amolegando o dedão,
Ajeitando senador,
Que Agaciel juntou
Dinheiro com as duas mãos.
IX
Quando comprou a mansão
No Lago Paranoá,
Parecia até um sonho
(Não quis nem acreditar).
Com  receio do povão,
Botou no nome do irmão
Pra ninguém desconfiar.

X
Por ordem de Zé Sarney,
Pediu exoneração.
Deixa o povo esculhambar,
Não lembram do Mensalão?
Cabra fica esculhambado,
Cingido e descachimbado,
Mas não perde o patacão.
Miguezim de Princesa


Colaboração enviada por Josué Teixeira 

ILIMAR FRANCO

A crise na crise

Panorama Político
O Globo - 12/03/2009
 

O ministro José Múcio está se preparando para administrar uma rebelião na base do governo no Congresso. Ela tem data marcada para ocorrer, 20 de março, quando o governo Lula anuncia um megacontingenciamento que vai atingir a totalidade dos R$19 bilhões de emendas parlamentares. Desta vez, a área econômica advertiu os articuladores políticos de que não se trata de um congelamento, mas de um corte para valer nos gastos públicos. 

"Marolinha": Lula chama governadores 

A cada dia o presidente Lula está mais apreensivo com a crise econômica. Por isso, ele chamou para uma conversa, na noite de ontem, no Palácio da Alvorada, os governadores Jaques Wagner (BA), Marcelo Déda (SE), Wellington Fagundes (PI) e Ana Julia Carepa (PA). Lula está inquieto com a incerteza, provocada pela ausência de um horizonte no tempo e no tamanho do buraco da crise. Para mitigar o desemprego, quer o setor público alavancando a economia. "Não podemos deixar a peteca cair", disse aos petistas, pedindo a eles que não parem de trabalhar e de empurrar a iniciativa privada. Outros governadores serão chamados. 

Dos nomes que estão aí, ele é o único que não tem rabo de palha" - Paulo Maluf, deputado federal (PP-SP), em apoio ao nome do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, para o governo de São Paulo 

VERDES. Na visita do príncipe Charles ao Congresso, o líder do PV na Câmara, Sarney Filho (MA), defendeu que os serviços ambientais prestados pela Amazônia sejam remunerados e sugeriu ao príncipe de Gales que lidere esse movimento. Já o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), aproveitou para defender seu projeto que cria um Fundo Mundial Ambiental, com a cobrança de taxa de até 1% sobre as importações. 

O caminho 

A comissão de sindicância da Câmara vai pedir a punição de Edmar Moreira (MG). A base será o artigo do Código de Ética que define como quebra de decoro usar a verba de gabinete em desacordo com o princípio da impessoalidade.

Está dominado 

Os ruralistas tomaram conta das comissões de Meio Ambiente da Câmara e do Senado. Na Câmara, são 16 dos 35 integrantes. No Senado, são 17 dos 34 membros, entre eles a presidente da CNA, senadora Kátia Abreu (DEM-TO). 

Acelerar os acordos eleitorais 

O governador José Roberto Arruda (DF) foi anfitrião de almoço ontem que reuniu os presidentes do DEM, Rodrigo Maia (SC), e do PSDB, Sérgio Guerra (PE). A oposição quer acelerar a definição de chapas conjuntas nos estados. Os dirigentes nacionais temem que, se deixarem por conta dos líderes regionais, as rejeições locais se consolidem. Os maiores problemas, entre PSDB e DEM, estão na Bahia, no Rio Grande do Sul e em Goiás. 

Tarso e os pugilistas cubanos 

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) vai exibir reportagem do "Fantástico" hoje, na Comissão de Relações Exteriores do Senado. O ministro Tarso Genro (Justiça) foi convidado para explicar o envio, para Cuba, de dois pugilistas cubanos. Na reportagem, um deles, que vive nos Estados Unidos, declarou que eles rejeitaram oferta do governo brasileiro para permanecerem no Brasil depois do Pan. O ministro acredita que com isso o episódio terá um ponto final. 

EM DEFESA do governador Aécio Neves (MG), fala o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE): "Em Minas há uma excitação grande pela candidatura a presidente; a situação dele é difícil". 

O PRESIDENTEda Câmara, Michel Temer (SP), sai em defesa do governador Luiz Henrique (SC): "Estou estarrecido com seu processo de cassação. Ele foi o único que deixou o cargo para concorrer à reeleição". 

CÓDIGO CIVIL. José Genoino (PT-SP) está coletando assinaturas para apresentar projeto que reconhece a união estável de pessoas do mesmo sexo.

CLÓVIS ROSSI

Recompensar o fracasso

Folha de São Paulo - 12/03/09

LONDRES - Duas iniciativas que deveriam merecer a atenção do serviço público brasileiro: 1 - O Reino Unido está lançando um endereço na internet para que os usuários de alguns serviços públicos se manifestem sobre a atenção recebida (ou a falta dela).
A ideia é um pouco imitar resenhas de livro que aparecem, por exemplo, na Amazon.com. Quem quer comprar um livro pode, antes, ler o que dizem dele. Por que não ler o que dizem usuários de clínicos gerais e serviços policiais, dois dos setores que estarão na linha de frente da experiência?
Explica o primeiro-ministro Gordon Brown: "Alguma coisa está errada quando negócios on-line têm padrões de transparência mais elevados do que serviços públicos pelos quais pagamos e apoiamos".
As escolas também entrarão no esquema, de tal forma que a satisfação dos pais de alunos passará a ser parte importante da avaliação delas -e dos professores.
É bom explicar que, no Reino Unido, ninguém vai diretamente a um médico especialista. Tem que passar, antes, por um clínico geral, claro que do NHS (a sigla em inglês para Serviço Nacional de Saúde, público). Daí a importância da opinião dos pacientes sobre quem os atende em primeiro lugar.
2 - O programa de aperfeiçoamento da educação dos Estados Unidos, lançado anteontem pelo presidente Barack Obama, apoia-se em uma frase que me parece irretocável: "Se a um professor é dada uma oportunidade, ou duas, ou três, e ele continua sem melhorar, não há desculpa para que essa pessoa siga educando. Rechaço um sistema que recompense o fracasso".
Se você pensou na penca de professores nota zero que continuam "educando" em São Paulo, saiba que eu pensei a mesmíssima coisa ao ler a frase de Obama.
Já não passou da hora de o serviço público brasileiro buscar -e recompensar- o sucesso?

DORA KRAMER

O eleitor no nevoeiro


O Estado de São Paulo - 12/03/09

Quando se especula sobre o efeito político da crise econômica que se materializa por aqui na queda de 3,6% no PIB do último trimestre de 2008, o que se pretende é saber se a popularidade do presidente Luiz Inácio da Silva sobrevive em ambiente adverso.

Em tese, o grau de resistência tenderia a cair na proporção direta do aumento das dificuldades decorrentes da crise, numa palavra, o desemprego. Na prática, Lula já enfrentou ao longo desses quase sete anos de governo momentos muito ruins e conseguiu superar todos eles. Nenhum deles, porém, guardou relação com o bolso das pessoas.

Houve crises políticas, há uma crise moral endêmica, mas nunca nada que afetasse a sensação de bem-estar geral traduzida na garantia dos lucros dos mais ricos, no crescimento do poder de compra dos remediados e na sobrevivência assegurada aos mais pobres.

Essa maioria foi indiferente enquanto o jogo disse respeito a valores abstratos. Como se comportará diante do risco de prejuízos objetivos é a questão em torno da qual não há, por ora, nada além de apostas, intenções e adivinhações.

Não por carência de massa crítica com capacidade de análise nem por falta de experiência na área.

Na visão de um ex-presidente da República com larga vivência no assunto, os dados disponíveis ainda são insuficientes. Tanto a crise é inédita, quanto a condição de Lula é específica.

Fernando Henrique Cardoso governou o Brasil por oito anos e enfrentou sete crises econômicas: em 1996, a do México; em 1997, da Ásia; em 1998, da Rússia; em 1999, a do câmbio; em 2001, a do apagão elétrico e a retração pós-11 de setembro nos Estados Unidos; em 2002, a turbulência resultante dos receios a respeito do que faria o PT no poder.

No período, lembra, o PIB oscilou negativamente junto com as crises, apresentando resultados positivos duas vezes, exatamente nos anos de calmaria: 1996 e 2000. Mas, se os números reagem automaticamente, a reação das pessoas depende de outros fatores. Na opinião de Fernando Henrique, basicamente de dois: a durabilidade da crise e a politização do assunto.

“Se a oposição não falar nada, fica mais fácil o governo administrar o mau humor geral. No meu caso, o PT gritou muito, transformou a adversidade num cenário mais grave do que a realidade.” Atributo, analisa, em boa medida ausente no modo de operação dos atuais oposicionistas.

Politicamente, este seria um ponto favorável ao governo. Não o único, na percepção de FH. “Lula tem uma capacidade enorme de se adaptar às situações. Além disso, não tem compromisso com a coerência. Diz uma coisa hoje, o contrário amanhã e fica tudo por isso mesmo.”

Em outubro, o presidente Lula previa nada mais que uma “marolinha”, depois decretou o fim da crise e, com a divulgação dos novos números, já comemora por antecipação o fato de que no Brasil, “ao contrário de outros países”, não haverá recessão.

“Para mudar o discurso de novo, não custa.” Aliás, Fernando Henrique aposta que, se o quadro se agravar, Lula mudará de estilo. Abandonará o tom ufanista para assumir uma atitude mais sóbria. “Fará o estilo sério.” Quando instado a examinar o cenário do ponto de vista estritamente eleitoral, Fernando Henrique lembra que aí não se fala mais da figura de Lula, mas da candidatura de Dilma Rousseff.

“Como escreveu o Marcos Lisboa (diretor do Unibanco, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda), biografia não se transfere. Na eleição, será Dilma em julgamento. Se o eleitor transferir seu mal-estar para o governo, haverá prejuízo porque ela é o governo.”

Então, nessa hipótese, bastaria a oposição aguardar a transferência das expectativas positivas do eleitorado para contar com a vitória em 2010? Nem por um só instante, Fernando Henrique acha que o PSDB pode esperar ganhar a eleição por gravidade. “Se o partido não for capaz de se apresentar com projeto confiável e consistente não será, necessariamente, visto como a solução.”

Essa necessidade de se mostrar como um contraponto, um porto mais seguro, em função do agravamento da situação econômica é um dos motivos pelos quais FH passou a defender a entrada do PSDB no debate eleitoral propriamente dito.”O outro é que Lula tomou a iniciativa de abrir o jogo.”

Até então, o ex-presidente achava que o governador de São Paulo, José Serra, estava certo em adiar a entrada em cena para 2010 e via na proposta do governador Aécio Neves de antecipação do processo de escolha do candidato do PSDB à Presidência uma precipitação indevida.

Sobre as prévias tucanas, FH acha mais prudente se pronunciar só depois da manifestação da Justiça Eleitoral sobre prazos, prevista para hoje. Mas agora considera que o partido, por meio dos dois pré-candidatos, deve começar a falar. De forma “dura” na responsabilização do governo e de maneira consistente ao apresentar suas credenciais como alternativa de poder. “Se não fizermos grandes besteiras, ganhamos a eleição.”

O IDIOTA



QUINTA NOS JORNAIS

Globo: Depois do tombo do PIB... Juros têm queda recorde

 

Folha: Crise faz BC acelerar corte nos juros

 

Estadão: Tombo da economia faz BC reduzir juro em 1,5 ponto

 

JB: Uma reação tímida

 

Correio: O menor juro da história

 

Valor: Marubeni banca refinaria de US$ 20 bi da Petrobrás

 

Gazeta Mercantil: BC reduz Selic para 11,25%, no maior corte dos juros desde 2003

 

Jornal do Commercio: Regras para camelôs só no próximo verão

quarta-feira, março 11, 2009

ESTRANHAS GOSTOSAS


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ELIANE CANTANHÊDE

Uma atrás da outra


Folha de São Paulo - 11/03/09

Folha deu três importantes "furos de reportagem" seguidos, desses de deixar o eleitor definitivamente desanimado com o Congresso Nacional, pensando em mudar de país, ou de planeta.

Primeiro, foi a história do castelo não declarado e nem sequer justificado do deputado Edmar Moreira, que seria não apenas vice-presidente como corregedor da Câmara, veja só!

Depois, foi a do casarão também não declarado e não muito bem justificado do então diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, que entrou no Congresso como datilógrafo e sem concurso, mas fez toda essa fortuna, veja só!

Agora, os repórteres Adriano Ceolin e Andreza Matais informam que o Senado pagou pelo menos R$ 6,2 milhões em horas extras para seus funcionários em... janeiro, quando o Congresso está em recesso, veja só!

Pelo Siafi, que é o sistema de acompanhamento de gastos do governo, seria ainda mais: R$ 8 milhões.

Não bastasse a decisão de dar hora extra durante janeiro, quando não há sessões, votações, decisões, a hora extra do recesso parece ainda mais especial, porque teve um reajustezinho de 111%. O limite, segundo documentos que os repórteres conseguiram, foi de R$ 1.250,00 para R$ 2.641,93.

Isso tudo, castelo, casarão e "hora extra sem hora normal", está dando no quê? Em nada, ou melhor, em espuma. Meias soluções, meia poeira empurrada para debaixo do tapete. E a vida continua.

Edmar Moreira caiu do cavalo, da Vice-Presidência e da Corregedoria, mas continuou no castelo e no mandato. Agaciel renunciou à direção-geral, mas fica no Senado, aguardando uma gorda aposentaria em dois anos. E o presidente do Senado, José Sarney, diz que vai moralizar e manda os funcionários do seu próprio gabinete devolverem a grana, mas ninguém explica, nem justifica como foi tomada a decisão. Aliás, quem, como, onde e por quê?

É assim, com uma atrás da outra, que o descrédito do Congresso está chegando a um ponto insuportável.

MERVAL PEREIRA

Tempos difíceis


O Globo - 11/03/2009
 

A tese antiga de que a parte mais sensível do corpo humano é o bolso pode ser resumida na frase de James Carville, marqueteiro do ex-presidente americano Bill Clinton: "É a economia, estúpido". A economia determina o resultado político de uma eleição, a derrota ou a vitória de um candidato. Não há nada que indique que essa norma não seja válida no Brasil, ao contrário. Sempre que a economia está bem, o governo da ocasião tende a ser vitorioso. Lula foi derrotado duas vezes no primeiro turno pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que tinha no Plano Real um instrumento eficaz de melhoria da vida dos cidadãos. 

Por sua vez, Lula foi eleito duas vezes no rastro da promessa de mudança, quando a crise econômica dominou os dois últimos anos do governo tucano, e encontrou nos programas sociais, especialmente no Bolsa Família, instrumentos de manutenção do poder político. 

O presidente Lula é um exemplo do reflexo do econômico no político, está com 84% de popularidade porque a economia vem melhorando ao longo de seu governo e, no ano passado, chegou a um ponto excepcional de crescimento perto de 7% ao ano. 

O resultado foi a criação de milhões de empregos pela iniciativa privada, que o governo Lula habilmente tratava como uma vitória de suas políticas. Hoje, com a crise trazendo o desemprego, ele tenta se distanciar de seus efeitos. 

Mas o fato é que, até setembro do ano passado, o ambiente econômico estava propício ao crescimento, à criação de riqueza. A política de aumentos reais do salário mínimo, embora seja causadora do aumento do déficit da Previdência devido à relação do mínimo com o aumento dos aposentados, e os programas sociais como o Bolsa Família ajudaram a aumentar o consumo interno, a melhorar a distribuição de renda. 

A queda do PIB de 3,6% no último trimestre de 2008, puxando para baixo o PIB daquele ano, que mesmo assim acabou crescendo 5,1%, indica que o ano de 2009 será muito ruim para a economia brasileira. 

Se antes da crise era tido como certo que o crescimento mínimo do país em 2009 seria de 2,5% apenas devido ao efeito estatístico do crescimento forte do ano anterior, a queda dos últimos meses de 2008 carregará um efeito negativo para a estatística deste ano equivalente a -1,5%. 

As previsões agora são de crescimento próximo de zero para este ano, repetindo, de maneira até mais agravada, o que aconteceu em 2001, quando a economia brasileira crescia num ritmo de 6% ao ano e , com o apagão e os atentados terroristas nos Estados Unidos, o crescimento PIB ficou em 1,3%. 

Há fatores que atenuarão esse encolhimento do PIB, como a inflação sob controle, os preços dos alimentos sem tendência de alta, e o aumento do salário mínimo, aquecendo mais um pouco a economia. Além disso, o Banco Central deve cortar os juros em níveis nunca antes vistos, o que pode estimular a economia. 

Mas não é preciso ser um especialista para saber que uma taxa de crescimento próxima de zero representa menos empregos e redução da renda média dos cidadãos. 

Tudo indica, portanto, que no final deste ano, o clima no país não será semelhante ao que existia até recentemente, e a popularidade do presidente deve ser afetada, o que veremos refletido nas pesquisas de opinião dentro de alguns meses. 

A questão é saber se, com relação ao presidente Lula, é possível utilizar-se os mesmos parâmetros com que avaliamos os políticos de maneira geral. É sempre bom ter cautela quando se trata de fazer previsão política, ainda mais quando está em jogo um político diferenciado como Lula. 

Não se sabe qual será a reação do povo brasileiro às consequências da crise econômica. Pode ser que haja uma grande frustração diante da postura do governo de minimizar o tamanho do problema, o que continuou-se fazendo ontem. 

Para cada momento, o governo tem uma postura, mesmo que elas sejam diametralmente opostas. Quando a economia não conseguia deslanchar, crescendo menos do que a média do mundo, especialmente dos emergentes, o governo defendeu a tese de que não deveríamos nos comparar com os demais países, mas sim conosco mesmo. 

Como se isso fosse possível em um mundo de economia globalizada, onde todos competem com todos pelos mercados. 

Mesmo quando a economia brasileira crescia apenas mais do que a do Haiti, o governo Lula via motivos para comemorar. Agora, que tudo indica que o crescimento brasileiro, depois de dois anos seguidos em torno de 5%, terá interrompida essa evolução como consequência da crise internacional, o contágio da economia globalizada é ressaltado pelo governo, numa justificativa, aliás correta, de que o nosso crescimento foi interrompido por fatores externos, fora do controle do governo. 

E o governo já prepara um discurso diametralmente oposto ao anterior. Ontem, o presidente Lula disse que, mesmo que o crescimento do país seja próximo de zero, será melhor do que o da maioria, inclusive dos países desenvolvidos, que terão uma recessão que ele ainda acredita que não chegará por essas bandas. 

Pode ser que o presidente Lula consiga convencer a maioria da população de que a culpa pela crise não é de seu governo, mas dos países ricos, dos Estados Unidos, do neoliberalismo, seja lá do que for. 

Mas, mesmo nesse caso, é improvável que ele consiga sustentar uma popularidade tão alta quanto a que obteve nas últimas pesquisas. 

Mais que isso, a tarefa de transferir para a ministra Dilma Rousseff os votos necessários para que ela se torne uma candidata competitiva à sua sucessão ficará mais difícil do que já é, pois, se nos tempos das vacas gordas responsabilizá-la pelos êxitos da política econômica lhe dava respaldo político, no tempo das vacas magras, a economia será um ônus que ela carregará.

ANCELMO GOIS

Se queixou ao bispo


O Globo - 11/03/2009
 

O ministro Gilmar Mendes, presidente do STF, foi se queixar com Dom Dimas Lara Barbosa, secretário-geral da CNBB. 

Tudo por causa da nota do presidente da Pastoral da Terra, Dom Xavier d"Ableiges, que o acusou de ser parcial no tratamento dos conflitos agrários.

Lembrai-vos de 1992 

A conta é de quem é do ramo. Com o resultado divulgado ontem pelo IBGE, aumentou muito o risco de o Brasil ter crescimento negativo do PIB em 2009. 

A última queda do PIB no país foi em 1992. 

No mais 

Para o livro de registro de frases infelizes da nossa história. Assim falou Lula no dia 3 de outubro do ano passado: 

- Lá nos EUA, ela (a crise) é uma tsunami. Aqui, se chegar, vai chegar uma marolinha que não dá nem para esquiar.


Palácio dos horrores 

Não foi por acaso que Lula decidiu reformar do Palácio do Planalto, apesar do transtorno. 

O elevador exclusivo do presidente deixou de funcionar várias vezes, há vazamentos, alguns gabinetes já inundaram e até princípio de incêndio houve por causa da fiação velha. 

Collor ama Lula 

Fernando Collor foi ontem à tribuna do Senado elogiar Lula: 

- O Brasil se encontra em melhor condição do que nas outras crises, pois Lula manteve a política econômica, aprofundou suas bases com o aumento do superávit primário e a composição das reservas. 

O herói Vargas 

A Comissão de Educação do Senado aprovou, sem necessidade de ir a plenário, a inclusão do nome de Getúlio Vargas no Livro dos Heróis da Pátria.

Novela Paraty-Cunha 

Em abril faz três anos que a então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, anunciou o "fim dos obstáculos ambientais" à pavimentação de um trecho de 9km da Estrada Paraty-Cunha, que corta o Parque Nacional da Bocaina. 

De lá para cá... 

Segundo o vice-governador Luiz Fernando Pezão, R$25 milhões do governo federal já estão há mais de um ano na conta do governo do Rio, mas as autorizações ambientais não saíram. 

Aliás... 

Um deslizamento interditou a estrada desde janeiro.


A revolta do trema 

O movimento Acordar Melhor, encabeçado pelo gramático Ernani Pimentel, faz manifestação hoje contra o novo acordo ortográfico, no Senado. 

Cristovam Buarque gravou vídeo de apoio ao movimento.


"Yes, we can" 

O presidente não tem azia quando lê jornais. Aliás, ele adora jornais. O presidente Obama, bem entendido, já que Lula confessou que o estômago lhe dói quando faz isso. 

Em entrevista ao "New York Times", Obama afirmou: 

- Eu não leio clipping (resumo do noticiário). Leio os próprios jornais. Gosto de sentir os jornais. Leio também a maioria das revistas semanais. Não vejo muita televisão, confesso. E, raramente, leio blogs.

ILIMAR FRANCO

Governo quer dois pontos

Panorama Político
O Globo - 11/03/2009
 

São intensas as pressões para que o Copom reduza em dois pontos percentuais a taxa de juros Selic. A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou proposta do líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), convidando o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para falar da política monetária. O governo não esperava uma redução da atividade econômica de 3,6% do PIB no quarto semestre de 2008. "Foi uma paulada que nos surpreendeu", disse um ministro palaciano. 

São Paulo: O PT ruma para o isolamento 

Os aliados viraram as costas para o PT paulista. PSB, PCdoB, PDT, PP e PR se articulam em torno da candidatura do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ao governo do estado. Do outro lado, a oposição (PSDB-DEM-PPS) atraiu PMDB, PTB e PV, para lançar Aloysio Nunes Ferreira ou Geraldo Alckmin. A candidatura de Skaf teria como alicerce o fim da CPMF e a redução dos impostos. Apesar de Skaf ser identificado com a oposição, os partidos que podem apoiá-lo dizem que suas bandeiras são populares, seu discurso é nacionalista e que ele dirige o sistema Sesi/Senai em São Paulo, que formou 1,2 milhão de pessoas em 2008. 

Não se constrói um projeto para o país de alguns gabinetes ou da Avenida Paulista" - Aécio Neves, governador de Minas, em resposta às críticas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso às prévias no PSDB 

A FARRA DAS HORAS EXTRAS. O ex-primeiro-secretário do Senado Efraim Morais (DEM-PB) revelou que os 81 senadores têm responsabilidade no pagamento de R$6,2 milhões em horas extras para funcionários da Casa no recesso, em janeiro. Em aparte, Tião Viana (PT-AC) contou que o fato se repete há 15 anos. Os líderes e a maioria dos senadores, no plenário, preferiram fazer de conta que não tinham nada com isso. 

Terras de Marinha 

O governo prepara uma medida para regularizar a ocupação de terrenos da Marinha, concedendo isenção para pessoas de baixa renda. O texto está sendo negociado pela Secretaria de Patrimônio da União em conjunto com o Senado.

Pedofilia 

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado pode votar hoje projeto polêmico do senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS). A proposta criminaliza os operadores de laboratórios de fotografia que não denunciarem a prática de pedofilia. 

A CPI abandonada 

O líder do PMDB, Henrique Alves (RN), retirou seu apoio à iniciativa de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que coleta assinaturas para criar a CPI dos Fundos de Pensão. "O governo é contrário a esta CPI, pois ela criaria instabilidade num momento em que o país precisa de tranquilidade para enfrentar a crise", explicou Alves. Cunha e o PMDB do Rio propuseram a CPI com o objetivo de pressionar por mudanças no Real Grandeza. 

Para a Caixa, é intriga do PMDB 

A assessoria da Caixa Econômica contestou dados divulgados por autoridades presentes à reunião para tratar do novo programa de habitação. "É intriga do PMDB", disse um assessor. Nota de esclarecimento diz que "o prêmio de seguro/prestação total para mutuários com idade na faixa de 50 anos é de 8,32%"; "a relação percentual superior a 35% verificava-se para mutuários com idade acima de 60 anos"; e que "a prática de tabelas, de acordo com a faixa etária dos mutuários, é uma regra mundialmente consagrada". 

TROCA-TROCA: O líder do governo José Serra, Barros Munhoz (PSDB), vai presidir a Assembléia Legislativa paulista. O atual presidente, Vaz de Lima (PSDB), vai substituí-lo como líder do governo. 

EFEITO CASCATA: O presidente da Assembleia de Minas Gerais, Alberto Pinto Coelho (PP), vai colocar na internet, em maio, a prestação de contas, com notas e CNPJ, da verba indenizatória dos deputados. 

O MINISTRO José Temporão (Saúde) foi anunciado, na posse da deputada Íris Araújo (GO) na presidência do PMDB, como "o ministro das mulheres".

DORA KRAMER

Maculadas conceições


O Estado de São Paulo - 11/03/09

Aconteceu com o PMDB, aconteceu com o PSDB e está acontecendo com o PT: premidos pelas circunstâncias de governo, por compromissos assumidos no período e o peso de um presidencialismo quase absolutista, partidos que passam pelo poder pagam por isso um pedágio caro.

Se de um lado crescem, de outro perdem vigor, identidade e capacidade de fazer as escolhas mais afinadas com a rua, não necessariamente as mais convenientes para as cúpulas. Numa visão otimista, seria a arte de engolir sapos em nome de um projeto maior. Na percepção do que ocorre de fato, tomando como exemplo as experiências do PMDB e do PSDB, os partidos voltam à oposição perdidos, sem referência.

Depois de anos fazendo todo tipo de concessão, acostumando-se a considerar os vícios como parte do jogo, o preço pago ao exercício da governabilidade, saem do poder, no mínimo, mais cínicos, altamente compassivos e muito menos combativos.

A distância entre a expectativa que cercou o primeiro governo civil pós-ditadura e a mixórdia em que se transformou o partido fiador da Nova República dispensa maiores apresentações sobre a trajetória do PMDB.

Bateu cabeça durante um tempo sem saber se era governo ou oposição, até que decidiu ser – ao mesmo tempo e alternadamente – governo e oposição, vivendo do aluguel da legenda. Da sua costela nasceu o PSDB, cuja chegada ao governo central ocorreu prematuramente aos seis anos de vida. Passou oito anos da Presidência de Fernando Henrique Cardoso atendendo a todas as conveniências do Palácio do Planalto.

Diante das queixas dos correligionários, o então ministro das Comunicações, Sérgio Motta, informava que a obediência era o preço que o partido deveria pagar por ter chegado ao poder. Na coalizão formada com o PMDB e o PFL prevalecia o raciocínio de que o “dono da casa” deveria tratar bem os convidados. O apoio do partido do presidente era fava contada; o dos parceiros precisava ser constantemente conquistado.

O resultado foi um partido encolhido, tolhido e, na volta à oposição, destreinado, desagregado, sem discurso e em boa medida anestesiado para deformações correntes no âmbito da máquina governamental.

O entendimento de que a Presidência obriga partidos nos quais militam presidentes à obediência acrítica prevalece também no PT, e com muito mais força, pois o peso da liderança de Lula é infinitas vezes maior que a influência dos antecessores nos respectivos partidos.

O PT – aqui entendido em sua totalidade, não apenas na representação parlamentar – engoliu todas as mudanças, todos os pragmatismos, todos os vexames, alianças, e, mais recentemente, engoliu também a candidatura de Dilma Rousseff sem entender direito aonde quer chegar o chefe e se prepara para engolir candidaturas politicamente complicadas aos governos dos estados.

Obedece por instinto de sobrevivência, mas esquece o dia de amanhã. Lula será para sempre ex-presidente; já o PT sairá da Presidência sem saber direito quem é.

Madame X

A apresentação das mulheres ligadas ao MST e denominações adjacentes na série de infrações cometidas à guisa de “comemoração” do Dia Internacional da Mulher, com lenços escondendo os rostos, é própria imagem da (auto) “criminalização dos movimentos sociais”.

A adoção do modelo ré misteriosa demonstra plena ciência do caráter infrator do movimento.

Diferentemente do governo, o MST reconhece a ilegalidade de sua natureza. Nasceu sem personalidade jurídica para fugir do alcance da lei como entidade. Agora começa a querer dificultar identificações pessoais e, para isso, fantasia seus integrantes de bandidos.

Todas as letras

O processo de severinização que o líder do PMDB, Renan Calheiros, impõe ao Senado já é evidente. Líder da maior bancada da Casa, usa os instrumentos de poder recém-readquiridos para distribuir testas-de-ferro no comando de comissões por onde transitam interesses cruciais: Infraestrutura, Orçamento e Constituição e Justiça.

Só não é patente, por ora, a existência no Senado de homem ou mulher com coragem para pôr os pingos nos is com todos os efes e erres. Prepondera na Casa a consciência de que Calheiros não tem mais nada a perder, nome a zelar nem imagem a preservar.

Os mais amigos de José Sarney acrescentam a preocupação de que a associação reserve percalços que venham a impedi-lo de levar a bom termo o mandato de dois anos na presidência do Senado.

No deserto

Dia chegará em que a excomunhão deixará de impressionar, tão apartados do mundo real são certos dogmas da Igreja Católica.

Ela fala à luz de suas leis – é um direito e um dever –, mas vai falando cada vez mais sozinha – é uma escolha.

O IDIOTA


QUARTA NOS JORNAIS

Globo: Indústria desaba, consumo cai e já se teme 2009 com recessão

 

Folha: Queda do PIB no Brasil é uma das piores do mundo

 

Estadão: PIB desaba no 4° trimestre e risco de recessão aumenta

 

Valor: País fica mais perto da recessão

 

Gazeta Mercantil: PIB cresce 5,1% no ano, mas cai no 4º trimestre

 

Estado de Minas: Marajá do TCE age em causa própria

 

Jornal do Commercio: Mais crédito para os aposentados