quinta-feira, janeiro 08, 2009

ILIMAR FRANCO

Enfrentar a crise

Panorama Político

O Globo - 08/01/2009
 

O governo Lula vai reunir empresários, trabalhadores e personalidades que integram o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social para atualizar a agenda de desenvolvimento do país. O governo espera que surjam propostas novas para superar os efeitos da crise. Seminário semelhante em 2006 resultou no PAC. Virão ao Brasil, em março, participar desse debate os economistas James Galbraith, Robert Guttmann e Ignacy Sachs.


Serra não quer nem marolinha 

Líder nas pesquisas de intenção de voto e com 90% de conhecimento, a tarefa eleitoral prioritária do governador José Serra, neste ano, é governar bem São Paulo. Acredita, dizem os serristas, que assim imporá com naturalidade sua candidatura ao PSDB. Com um programa de investimento de R$18 bilhões, Serra vai acompanhar com lupa a evolução das receitas estaduais. No campo político, já tem amarrado ao seu projeto o DEM, o PPS e parcela do PMDB. Internamente, agirá com cautela e paciência para costurar a aliança interna, sobretudo com o governador Aécio Neves (MG), que também postula concorrer à Presidência. 


A fragilidade jurídica impede que os senadores e partidos assumam compromisso" - Henrique Alves, líder do PMDB na Câmara (RN), sobre a reeleição do primo Garibaldi Alves (PMDB-RN) para a presidência do Senado 

PREOCUPAÇÕES DE LULA. No programa de rádio "Café com o presidente", canal direto de Lula com a população, o tema mais abordado por ele em 2008 foi a geração de empregos, citado 21 dias. Em segundo lugar está o PAC, bandeira do segundo mandato, levantado em 17 programas. Depois vem a crise internacional e a dos alimentos, acarretada pelo aumento do preço das commodities, presente em 15 dos 51 programas. 

Pragmatismo 


Além de prestar um serviço ao Palácio do Planalto, o PDT quer garantir um cargo de suplente na Mesa Diretora e a presidência de uma comissão ao apoiar Michel Temer (PMDB-SP) para presidente da Câmara, abandonando Aldo Rebelo (PCdoB-SP). "Somos intrépidos para defender nossos direitos", disse o deputado Mário Heringer (PDT-MG), que até o fim do mês passado era líder do Bloco de Esquerda. 

CNJ e cartórios 


Nota técnica do Conselho Nacional de Justiça recomenda a rejeição, pela Câmara dos Deputados, da proposta de emenda constitucional que permite a efetivação de titulares de cartórios sem concurso público. Para o CNJ, a proposta "caminha na contramão" do sistema de recrutamento de pessoal para o poder público e seria um "descompasso histórico". O documento afirma ainda que o STF já considerou a medida inconstitucional ao julgar outras matérias.

Bate-boca 

Michel Temer (PMDB-SP) ligou ontem para Osmar Serraglio (PMDB-PR) e pediu que ele retire sua candidatura à presidência da Câmara. "Se eu conversar muito com você, fico sem ânimo para fazer campanha", encerrou Serraglio. 

Sem discurso 

Serraglio, aliás, terminou o dia ontem desanimado. A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados discutiu e encampou uma de suas principais propostas de campanha: a concessão de plano de saúde para funcionários comissionados. 


A PREFEITA de Natal, Micarla de Sousa, declara hoje situação de calamidade pública na saúde, o que lhe permitirá dispensar licitação para a contratação de médicos e compra de material. 

TROCA-TROCA. Rogério Guedes assumiu ontem a diretoria-geral do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) no lugar de Marcelo Lopes, que será o novo superintendente do Sebrae no Rio Grande do Sul. 

O PRESIDENTE da Fundação Milton Campos, Francisco Turra, quer o PP fora do governo. Diz que o partido virou coadjuvante na política nacional.

MERDA NÃO AFUNDA


QUINTA NOS JORNAIS


Globo: Estados quintuplicam os gastos e investem menos

 

Folha: Fuga de dólares é a maior desde 1982

Estadão: Governo quer limitar uso do FAT em acordos

JB: Israel exige saída de civis e amplia ataque

Correio: Em alta - Preço da cesta básica no DF dá o maior salto desde 1997

Valor: Fundos de pensão têm o pior ano de sua história

Gazeta Mercantil: Saldo do fundo 157 pode superar R$ 1 bi

Estado de Minas: Mais dinheiro para quem vende 10 dias de férias

quarta-feira, janeiro 07, 2009

PARA....HIHIHIHI


SAUDADES

Depois de algum tempo viajando, o sujeito entrou num bordel, deu R$
2.000,00 para a cafetina e pediu:

- Eu quero a mulher mais feia da casa e um prato de macarrão bem
gorduroso!!
A tia, muito intrigada, disse-lhe:
- Olhe, cavalheiro, por esse dinheiro o senhor pode ter uma mulher
lindíssima, de belas pernas, bumbum redondinho e seios fartos, e um prato
finíssimo, com lagosta e muito champanhe!
- Minha senhora, eu quero que a senhora entenda:

eu não estou com tesão...

só estou com saudades de casa!!!

DORA KRAMER

Mentes opacas


O Estado de S. Paulo - 07/01/2009


O Congresso nem reabriu os trabalhos e já está cheio de ideias. Algumas até mereceriam comparação com fabulações produzidas em cérebros rudimentares, não fosse o risco de se entrar no perigoso terreno da injustiça. Para com os irracionais de nascença.

Não bastasse a ausência do item recuperação moral do Legislativo na agenda do debate sobre a eleição nas novas presidências da Câmara e do Senado, diante do quadro de autodesmoralização galopante aos parlamentares só ocorre abrir combate contra o Poder Judiciário.

Grosso modo, as propostas visam a retirar prerrogativas do Supremo Tribunal Federal e fixar mandato para o posto de ministro, hoje assegurado até a aposentadoria aos 70 anos de idade.

No detalhe, fala-se em garantir agilidade a julgamento de processos eleitorais, em modificar as regras de acesso ao cargo de juiz, em criar punições a procuradores que divulgarem denúncias infundadas, uma série de providências que à primeira vista parecem muito bem-intencionadas.

À segunda, entretanto, revelam-se o que realmente são: uma tentativa de vingança contra o chamado ativismo dos magistrados. O Congresso faz parecido quando se sente muito criticado e ameaça endurecer a lei de imprensa. Para intimidar, nada mais.

Sob a alegação de impedir a usurpação de poderes, o Legislativo se propõe a interferir diretamente no processo judicial, inclusive determinando o tempo de julgamento de uma ação; oito meses da primeira à última instância, no caso de crimes eleitorais.

Uma barbaridade que equivaleria ao Judiciário determinar ao Legislativo quanto tempo uma proposta deve tramitar - da apresentação à votação no plenário - na Câmara e do Senado. 

Não que o Poder Legislativo não possa - aliás, deve - corrigir distorções, interferir quando necessário sem que isso signifique extrapolação. Assim faz o Judiciário.

Mas o propósito aqui não é aprimorar processo nenhum, é retomar a situação anterior à qual o deputado Flávio Dino define como a de "um tribunal historicamente mais técnico que político". 

De maneira oblíqua, o deputado fala de episódios de omissão travestidos de respeito à independência dos Poderes - uma condição realmente bastante mais confortável que a fustigação permanente por parte do Judiciário, provocada não apenas pelo perfil dos magistrados, mas, sobretudo, pelo fato de o Legislativo abrir mão de suas prerrogativas de uma maneira tão leviana quanto preocupante.

O elenco de exemplos é farto e amplamente citado. Mas um pouco lembrado é o dos processos contra parlamentares. Critica-se o Judiciário pela ausência de punições a autoridades com foro privilegiado, mas hoje ao menos são abertos inquéritos e vários se transformam em processos.

Quando (até 2001) a Justiça dependia de autorização do Legislativo, na quase totalidade dos casos nem se iniciavam ações. O Congresso simplesmente não autorizava e ponto final.

Esse tipo de situação pode ser melhor para os parlamentares individualmente, mas é ruim para a instituição e bem pior para a República.

Fala-se do perigo de concentração de poder. Um sofisma, pois se todos os Poderes atuarem à altura do que lhes confere (e obriga) a Constituição não há ultrapassagem de limites. Há, sim, o cumprimento correto, e natural, do conceito de equivalência entre eles.

A ofensiva do Legislativo contra o Judiciário é uma típica tentativa de criar um caso onde não existem desavenças nem deformação institucional alguma. Trata-se apenas da defesa unilateral do retrocesso em causa própria.

Acesa a chama

Ao que parece o deputado Aldo Rebelo se candidata a presidente da Câmara por motivos assemelhados aos que o levaram a se candidatar a prefeito de São Paulo, no ano passado, até tornar-se vice de Marta Suplicy.

No início de 2008, o deputado do PC do B justificou sua candidatura a prefeito dizendo que "a esquerda" não tinha muito mais o que fazer na base de apoio a Lula depois que o presidente optou por uma aliança preferencial com o PMDB, a "centro-direita" no jargão vigente. 

Quando os pemedebistas aderiram ao prefeito Gilberto Kassab, Aldo - muitíssimo a contragosto, diga-se - foi convencido a fazer o caminho de volta e ficou com o PT, sabendo que seu grupo acabaria engolido e continuaria sendo tratado como prata da casa, fava contada.

Se o critério agora for o mesmo adotado na época, a candidatura de Aldo Rebelo à presidência da Câmara tem a finalidade de preservar espaços dos pequenos, tradicionais, mas não necessariamente eternos aliados do PT.

Quanto ao desfecho, pode haver dois: se a disputa no Senado provocar um rompimento entre PT e PMDB, Rebelo será chamado a reforçar a tropa petista; na hipótese mais provável do entendimento entre os dois principais parceiros da coligação, fica mantida a candidatura.

ÉLIO GASPARI

Aposentadoria em meia hora, parecia piada


O Globo - 07/01/2009
 

Admita-se que em dezembro de 2003 uma pessoa resolvesse listar cinco coisas impossíveis e produzisse algo assim: 

1- Em 2008 os Estados Unidos elegerão um presidente negro com nome muçulmano. 

2- José Dirceu, o "capitão do time" de Lula, será defenestrado, terá o mandato cassado e ficará exposto até mesmo ao furto da memória de seu computador. 

3- Os Estados Unidos acabarão atolados numa guerra civil no Iraque e os dois lados pedirão a saída de suas tropas. 

4- O INSS concederá aposentadoria por idade em meia hora. 

5- Wall Street irá à garra. 

A previsão da boa-nova para os trabalhadores brasileiros talvez fosse a mais estapafúrdia. Todas aconteceram, mas a vitória obtida pelo governo de Nosso Guia merece respeito. É sucesso na veia do andar de baixo, precisamente numa faixa social onde "espera" e "INSS" significavam malogro, fraude e desrespeito. Ninguém se esquece do momento-Calígula do ministro Ricardo Berzoini, que convocou todos os velhinhos do país para um recadastramento. 

As paixões políticas turvam a cena em que ocorrem mudanças que beneficiam o andar de baixo. À esquerda e à direita há um certo desconforto para se reconhecer que o general Garrastazu Medici lançou a base do que é hoje a aposentadoria do trabalhador rural e que João Goulart defendeu e sancionou a lei que criou o 13º salário. 

O tempo de espera para quem busca a aposentadoria por limite de idade já estava na faixa decente dos 21 dias, mas uma tramitação de meia hora era coisa na qual ninguém seria capaz de acreditar. O sistema começou a funcionar nesta semana, com alguns enguiços. Talvez em um ano todas as outras modalidades de aposentadorias tramitarão com rapidez semelhante. 

Imagine-se a ridícula situação em que fica um daqueles médicos da rede privada que condenam seus pacientes a esperas intermináveis: "Doutor, sua consulta está demorando mais que tramitação de processo de aposentadoria no INSS." A patuleia se livrou de uma aporrinhação, numa época em que é chique ficar na fila para entrar em cercadinho VIP, para comprar jatinhos e reservar mesa em restaurantes que servem espumas. A maison Hermès gosta de dizer que a fila de espera para a sua bolsa Birkin é de dois anos. (Mentira, mas ficar numa fila-Hermès dá status.) 

A benfeitoria do INSS deriva de avanços tecnológicos, mas seria injusto atribuir a eles o êxito conseguido. Os computadores poderiam ter feito esse serviço há mais de dez anos. Basta ver que em São Paulo o governador Mário Covas criou em 1997 o Poupa Tempo, para a rápida obtenção de documentos que consumiam semanas. Num e noutro caso, havendo tecnologia, houve vontade de usá-la em benefício da choldra. 

Há questões em que há a tecnologia, mas, como faltam vontade e trabalho, nada acontece. É esse o caso do ressarcimento devido ao SUS pelas operadoras de saúde privada e da regularização da propriedade de lotes urbanos em terrenos públicos. 

Em outubro de 2005 Nosso Guia prometeu: "A ordem é acabar com as filas (do INSS), dando dignidade ao cidadão. A partir de março, começo de abril, podem me cobrar." Ninguém cobrou a bufonada, mas, três anos depois, pelo menos uma das esperas do INSS vai-se embora. As coisas boas também acontecem. 

FERNANDO RODRIGUES

A política como ela é


Folha de S. Paulo - 07/01/2009
 

A cada dois anos repete-se, em janeiro, uma novela manjada. Políticos se digladiam na disputa para presidir a Câmara e o Senado pelo biênio seguinte.
É raro, mas às vezes surge alguma novidade. Desta vez, a tentativa de ser o "fator diferencial" veio de Tião Viana, candidato a presidir o Senado -e eleito pelo PT do Acre.
O petista conseguiu produzir uma carta-compromisso com 1.527 palavras sem fazer uma única promessa concreta. Eclético, misturou Lei Áurea, Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves e Antonio Carlos Magalhães. No trecho obrigatório "vou-agradar-a-oposição", transbordou ambivalência ao mencionar sua posição a respeito do uso indecente de medidas provisórias pelo Poder Executivo:
"Enfatizo minha posição contrária à (...) gana legiferante do Executivo, de que o excesso de medidas provisórias seria a perfeita ilustração, prática que subverte terrivelmente a agenda legislativa".
E daí? Daí, noves fora, nada. Não ajuda muito considerar uma perfídia as MPs baixadas por Lula. O importante é alterar o sistema. Mas o tom melífluo de Tião Viana esclarece sua intenção a respeito. Ele afirma estar "convencido de que há saídas para o problema" e que vai "debatê-las com os colegas".
Em resumo, se vencer e vier a se sentar na cadeira de couro tingido de azul da presidência do Senado, Tião Viana já tem uma desculpa.
Depois de alguns meses de inação, será indagado por que não cumpre a promessa de alterar a regra das MPs. Responderá: "Eu tentei, mas meus colegas não quiseram".
O mais estapafúrdio nessa história é a empreitada de Tião Viana estar sendo, em grande parte, apoiada por senadores de oposição. PSDB e DEM não têm candidato próprio.
Acreditam ou fingem acreditar na promessa vaga do petista Viana contra o petista Lula. É difícil saber quem engana quem.

ANCELMO GOIS

Aécio vai à luta


O Globo - 07/01/2009
 

O governador Aécio Neves recebeu pesquisa na qual tem 83% de intenções de voto, em Minas Gerais, para a Presidência da República. Concluiu que não tem como abdicar da disputa para ser o candidato do PSDB. Neste ano, pretende tornar-se mais conhecido no país, e sua primeira investida será no Nordeste. Os aecistas já avisaram à cúpula tucana: os mineiros não vão votar naquele que derrotar Aécio Neves no PSDB. Muitas emoções. 

Múcio e Erenice cotados para o TCU 

Depois da indicação do ex-senador José Jorge (DEM-PE) para o Tribunal de Contas da União no final do ano passado, feita pelo Senado, haverá mais uma vaga para o TCU até o meio deste ano, com a aposentadoria do ministro Marcos Vilaça. Desta vez, a indicação cabe ao presidente Lula. Estão na roda os nomes do ministro José Múcio (Relações Institucionais) e da secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra. Ela esteve no centro do escândalo do dossiê com gastos do governo FH. É uma oportunidade para Lula tentar equilibrar a correlação de forças no tribunal. Ele tem reclamado da predominância da oposição no TCU. 

O Brasil é o país mais ecológico do universo. O lugar das ONGs é na Holanda, na Alemanha..." - Reinhold Stephanes, ministro da Agricultura 

O ESTRANGULAMENTO. O trabalho apresentado pela Embrapa ao ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) revela que apenas 33,14% do território nacional (2,8 milhões de km²) podem ser explorados economicamente sem infringir a legislação ambiental. A área do país com maior disponibilidade de terras para a produção é o Centro-Oeste, com 1,1 milhão de km², ou 41,6% do Cerrado. A área total dos biomas brasileiros é de 8,5 mi de km². 

Cadeia para um milhão 

O grupo de trabalho formado pelos ministérios de Meio Ambiente, Agricultura e Desenvolvimento Agrário para a revisão do Código Florestal vive um impasse. O clima azedou de vez quando os ambientalistas propuseram pena de prisão de três anos para quem descumprir a legislação ambiental. Presente na reunião, o deputado Assis do Couto (PT-PR) deu um pulo. Disse que isso levaria à prisão de um milhão de pequenos e médios produtores no Centro-Sul do país. 

O governo Lula e o triunfalismo da crise 

O presidente Lula não é o único analista de mídia em seu governo. Numa entrevista para o Instituto Humanitas, da Unisinos (RS), o chefe-de-gabinete Gilberto Carvalho critica a cobertura da crise: "A reação de Lula é uma reação à maneira como a imprensa e a oposição estão abordando a crise (...). Mal disfarçam a torcida para que a crise venha e crie problemas para o governo. O ar triunfalista com que certos veículos da imprensa anunciam a chegada da crise trai essa atitude". 

Campanha 

O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), ligou para o líder do PDT, Osmar Dias (PR), pedindo apoio para ser reconduzido ao cargo. Não dele levar. "O apoio a Tião Viana é irreversível", adverte Cristovam Buarque (PDT-DF).

Cabo-de-guerra 

Em meio à briga para a validação automática do diploma de formados em medicina em Cuba, o PT abriu ontem seleção para bolsistas do curso na ilha. O governo Lula é a favor do reconhecimento; e o Conselho de Medicina, contra. 

O PRESIDENTE do PMDB, deputado Michel Temer (SP), esteve ontem com o vice-presidente, José Alencar. Pediu apoio para a presidência da Câmara. 

CABO ELEITORAL. O principal cabo eleitoral da eventual candidatura do senador José Sarney (PMDB-AP) para o Senado não é mais a ala do PMDB comandada por Renan Calheiros (AL), e sim o DEM. 

JOÃO SALGUEIRO está assumindo a Embaixada de Portugal no Brasil. Seu posto anterior foi representar os interesses portugueses na ONU.

COLUNA PAINEL

Alívio seletivo


Folha de S. Paulo - 07/01/2009
 

Diante do anúncio do maior baque na produção industrial em 13 anos, o governo fez chegar ontem às centrais sindicais que o aumento em duas parcelas do seguro-desemprego vai ocorrer, mas sem pressa. "Queremos primeiro ver como a economia está reagindo às medidas de estímulo à produção", disse o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que conversou com a Força Sindical e a CGTB. Março é a data provável, segundo ele, apesar de os sindicalistas pressionarem para que a medida entre em vigor ainda neste mês.
As parcelas extras -o teto subiria de cinco para sete- irão apenas para setores que mais têm demitido. Ministro e centrais concordam que três estão no começo da fila: metalurgia, construção civil e vestuário.

Mantra
Mensagem eletrônica de fim de ano enviada pelo governador Blairo Maggi (PR-MT): "Meu pai me falava: "Dizem que tem uma crise, aliás sempre ouvi falar de crise, mas nunca a encontrei"". 

Animal Planet
A Presidência da República lançou licitação para comprar 36 toneladas de alimentos para os peixes e aves do Palácio do Planalto, Alvorada e Granja do Torto, ao custo de R$ 45 mil. Só os avestruzes receberão 49 sacos com uma tonelada e meia de ração, ao todo. 

Arquibancada
Dilma Rousseff (Casa Civil) marcou ontem para o dia 15 uma reunião com os ministros Luiz Barretto (Turismo), Márcio Fortes (Cidades) e Alfredo Nascimento (Transportes) para definir o plano de investimentos para as cidades que devem ser sede da Copa-2014. 

Do baú 1
A assessoria jurídica da Câmara finalizará em duas semanas a resposta que o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), dará ao Supremo na polêmica sobre a criação de cargos de vereador. O Senado quer que o STF obrigue a Câmara a promulgar a emenda constitucional que cria as vagas. Chinaglia defende nova votação. 

Do baú 2
Será lembrada a emenda de 1999 que prorrogou a cobrança da hoje extinta CPMF. Com origem no Senado, ela foi modificada pela Câmara e depois promulgada. Na ocasião, o Supremo forçou nova votação pelos senadores.

Últimas
A Câmara dos Deputados lançou ontem a sua primeira licitação do ano: procura-se empresa para fornecer aos congressistas e aos órgãos técnicos da Casa 76 diferentes títulos de jornais e revistas durante 2009. 

Olho no...
O custo estimado aos cofres públicos é de R$ 1,8 milhão. Os deputados podem escolher entre receber as publicações em casa ou no gabinete. Entre os que solicitaram o mimo, dois incluíram na sua "lista de assinaturas" o diário esportivo "Lance!". 

Casa Alta
O Senado saiu na frente. Renovou no final de dezembro o serviço de fornecimento de jornais e revistas aos seus parlamentares. Embora tenha apenas 16% de cadeiras em comparação com a Câmara (81 contra 513), o custo previsto, R$ 764 mil, representa 43% do que os deputados esperam gastar. 

Fórmula
O prefeito de Osasco, Emídio de Souza (PT), decidiu criar duas subprefeituras na cidade. Elas serão batizadas de Norte e Sul. Também anunciará duas novas secretarias: a do Trânsito e a de Segurança Urbana. 

Cinto
Passada a euforia pela vitória sobre o PT, a nova prefeita de Natal, Micarla de Souza (PV), também avisou que fará um pacote de cortes em cargos na máquina e em contratos com terceirizados. 

Laboratório
O vice-governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), diz que os primeiros CEUs que oferecerão cursos técnicos noturnos -Parque Paulistano (norte) e Capão Redondo (sul)- servirão de teste para a intenção do Estado de expandi-los a todas as outras unidades.

Tiroteio 

"Já que o prefeito discursou sobre a importância da transparência, podia começar apoiando a criação de uma CPI sobre os fiscais da cidade." 
Do vereador 
ANTONIO DONATO (PT), relacionando a fala de Gilberto Kassab (DEM) no dia da posse com a prisão de funcionários da Subprefeitura da Mooca, em julho, acusados de extorsão contra ambulantes.

Contraponto 

Famoso quem?

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), recepcionava em um gabinete lotado os suplentes que tomaram posse ontem. Em dado momento, decidiu apresentar, um a um, os candidatos à sua sucessão. Anunciou Michel Temer (PMDB-SP) e Aldo Rebelo (PC do B-SP), a quem se referiu como "ex-presidentes da Casa". Osmar Serraglio (PMDB-PR) foi lembrado como o "primeiro-secretário da Mesa". Então chegou a vez de Ciro Nogueira (PP-PI), com quem o petista teve atritos.
-Ali está o Ciro, que é, que é...-travou Chinaglia.
Diante do silêncio, foi socorrido ao pé do ouvido:
-Ah, sim, é o segundo-secretário!

O IDIOTA


QUARTA NOS JORNAIS

Globo: Gastos com manutenção de rodovias despencam

Folha: Israel bombardeia escolas da ONU

Estadão: Israel ataca abrigos da ONU e mata ao menos 30 palestinos

JB: Caça-níqueis ainda livres

Correio: Que guerra é essa?

Valor: Mercados mostram 'bom humor' apesar da crise

Gazeta Mercantil: Aumentam os estoques no varejo da construção

Jornal do Commercio: Caem os índices de violência no Estado

terça-feira, janeiro 06, 2009

2000


ESTE BLOG É DO CARALH.....

O MEU BLOG É O MELHOR!

 Hoje estou chegando a postagem de nº 2000

Essa VARANDA foi construída como uma forma de contribuir para a informação, de quem resolveu passar por aqui. No começo, sem entender porra nenhuma dos mistérios do computador, foi uma barra pesada e ao mesmo tempo muito gratificante.
Sei que o blog foca muito na política, mais esse é o objetivo, afinal, para entender o que acontece no país, precisamos nos politizar.
Aqui na VARANDA voce encontra diáriamente os principais colunistas e articulistas do Brasil. Voces não imaginam o trabalhão para publicar esse caralho todo.
Para o BLOG ficar melhor, preciso da colaboração de voces, mandem qualquer merda (uma merda boa) que publicarei.
As próximas novidades na VARANDA!

Uma enquete na próxima semana
Publicação diária da coluna de Arnaldo Jabor na CBN
Publicação de Video
Estou tentando montar a Rádio VARANDA

Essas são algumas novidades para o blog este ano.
Agora uma lamentação. Todo artista quer aplauso, o blogueiro quer comentário. Todo dia passa uma ruma de filho da puta por aqui, e nem um  caralhozinho de comentário. Vai pra porra....

Para mandar uma colaboração use cmuriloc@hotmail.com.

ESSE É O MELHOR BLOG DO BRASIL, É NOSSO.
 Estou emocionado, snif, snif, snif...


O BLOG ESTÁ DE PARABÉNS


Três gostosas para comemorar


Clique na foto para ampliar

DORA KRAMER

Gente que fala


O Estado de S. Paulo - 06/01/2009
 

Visto assim do alto, o incentivo à gastança do presidente Luiz Inácio da Silva parece só mais um exercício de oratória à deriva, ainda mais quando em contraste com a defesa da contenção de gastos feita pela maioria dos prefeitos em seus discursos de posse.

A menos que o governo federal estivesse em vias de criar algum tipo de programa beneficente para municípios, uma espécie de bolsa-prefeitura, o que o presidente da República diz não guarda a menor relação com o que a realidade financeira dos prefeitos permite.

Examinada mais de perto, porém, a manifestação de Lula revela uma precisa intenção de natureza política: pontuar uma diferença, marcar um contraponto, prorrogar a identificação da era Lula com os tempos de bonança na economia, manter colada a imagem de Lula à fortuna, preservar a associação de sua figura à fartura.

Assim, quando os ventos mudarem e os efeitos dessa mudança trouxerem um cotidiano mais difícil, Luiz Inácio reinará consolidado como o arauto da boa sorte, do Brasil exuberante.

Fixada desse modo a lembrança, no mínimo fica garantido o registro histórico para sempre favorável. No máximo, pavimentado com bom asfalto o caminho de volta mais à frente se as circunstâncias permitirem.

Seja qual for a agenda da crise, sejam quais forem as necessidades de prefeitos, governadores, candidatos e até do futuro presidente, Lula continuará passando ao largo da adversidade enquanto os outros se encarregam de transmitir ao País as notícias mais realistas.

Ficam assim divididas as tarefas: “eles” fazem o que é preciso fazer e Lula fala o que lhe convém dizer.

Tal distribuição de trabalho serve tanto para os dois últimos anos de governo quanto para a campanha eleitoral de 2010 e, se for o caso, para o PT na eventualidade de voltar a ser oposição no próximo mandato presidencial. 

A discrepância nos discursos não significa que os defensores da contenção sejam responsáveis e que Lula e a turma do todo vapor sejam desprovidos de juízo.

A estes talvez falte um pouco de escrúpulos quando vendem a exuberância, os investimentos, a melhoria da infraestrutura como se aqueles não abraçassem a mesma causa por ausência de sensibilidade ou de “vontade política”.

Detalhe que não chega a impressionar, muito menos a configurar novidade. Trata-se, aliás, de um dos aspectos em que Lula mantém a coerência. Sempre fiel à missão de renovar esperanças, não obstante a falta de compromisso com as circunstâncias objetivas. 

Lua de fel

Há mais de um mês o PMDB tenta produzir uma conversa “sigilosa” e “definitiva” entre Luiz Inácio da Silva e José Sarney. No dizer da cúpula do partido seria uma conversa de “presidente para ex-presidente”, com a finalidade de resolver a questão da presidência do Senado.

Questão esta, diga-se, transformada em problema - o primeiro da série “rumo a 2010” - porque o PMDB assim deseja. Se o partido preferisse uma convivência pacífica com o governo, deixaria as coisas no curso natural, disputando a presidência da Câmara com o apoio do PT e apoiando o parceiro para o comando do Senado.

Como investe na desarmonia, inventa obstáculos e transfere para Lula a tarefa de remoção. Se o presidente da República estivesse mesmo interessado em se avistar com Sarney ou se enxergasse nesse encontro a solução de fato, já teria chamado o senador.

O PMDB, da mesma forma. Se visse nisso uma saída real e se quisesse mesmo preservar o sigilo da conversa, não tomaria a iniciativa de manter o assunto vivo no noticiário.

Portanto, o objetivo do partido não é outro senão o de criar dificuldades para depois pôr preço nas facilidades.

O presidente da República tem clareza do quadro e o PMDB sabe que Lula enxerga a existência de ocultas intenções, mas ambos se fazem de mortos. Até o momento em que um dos dois resolva dar o bote no coveiro.



Tal qual

Pode ser só uma coincidência. Mas pode também ter sido fruto de um conselho de um antigo amado mestre, a visita de surpresa a um hospital público feita por Eduardo Paes no domingo, aos primeiros acordes de seu mandato como prefeito do Rio.

A presença física em filas e hospitais foi a forma escolhida por José Serra para inaugurar sua gestão à frente do Ministério da Saúde, no governo Fernando Henrique. Obedecendo à seguinte lógica: se um problema é de difícil solução, o agente público deve pelo menos transmitir à população interesse por ele.

Antes de se filiar ao PMDB, depois de sair do PFL, Eduardo Paes foi do PSDB, onde ocupou a secretaria-geral por obra de José Serra, a quem continua muito ligado.



Medida provisória

A nomeação do delegado Paulo Lacerda como adido policial da embaixada brasileira em Lisboa é da maior relevância. Além de urgente, claro.

ROBERTO FREIRE

Molambos golpistas


O Estado de S. Paulo - 06/01/2009
 
Mais do que ficar na superfície dos trapos juntados pelo deputado João Paulo Cunha (PT-SP) numa trouxa que vem sendo chamada indevidamente de reforma política, o País precisa estar alerta para a traça que se esconde dentro desse embrulho. Escolhido pelo governo relator da "reforma" - cuja admissibilidade já foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara -, ele deu vida a uma tese do fim da reeleição com prorrogação de todos os mandatos - tanto de parlamentares quanto de prefeitos, governadores e presidente da República. Feita a modificação, estaria consolidada uma situação nova que - sonham alguns golpistas - talvez pudesse, quem sabe, em vez da imoral prorrogação, viabilizar uma emenda que desse direito a Lula de se candidatar novamente.

A grande vitória do PT e de seus aliados na admissão da proposta de João Paulo Cunha é que neste ano se poderá instaurar uma comissão especial para tratar da "reforma" que eles querem. Na verdade, de alterações que interessam ao Palácio do Planalto, mas que em nada mudam a relação entre representantes e representados. Mudanças mais substanciais, que iriam fazer diferença na vida do País e aprofundar a democracia, foram propostas no relatório da Comissão Especial da Reforma Política ainda em 2008.

Mas a maioria dos deputados da base aliada impediu a aprovação delas. Esses parlamentares não viram vantagens para si e para suas candidaturas com o fortalecimento dos partidos e o fim da troca de favores entre os que investem em candidatos e aqueles que conseguem chegar ao posto de representantes - sabe-se lá se da sociedade ou daqueles que os financiaram. As propostas de adotar listas fechadas, financiamento público e outras, que trariam mudanças realmente importantes para a democracia no Brasil, quedaram-se derrotadas diante de um plenário lotado mais de interesses próprios que de deputados.

É de perguntar se o próprio PT - que votara a favor do relatório que visa à implantação dessa reforma profunda - e o governo, também, não se uniram a essa tese de que é melhor maquiar o ruim e apresentá-lo como novo do que realmente mudar algo em favor do futuro, da ética, da legitimidade da representação da cidadania, enfim, de novos tempos na política. Ao ver o teor da esfarrapada "reforma", não tenho dúvida: houve mais um retrocesso desse partido, que, não é de hoje, perdeu o constrangimento de cometer toda e qualquer ação que um dia condenou. Para comandar mais essa indignidade escolheram um homem dentre aqueles que já carregam a marca do governo Lula: o processado por corrupção. Assim, não paira dúvida alguma de que a coisa não é para ser séria.

Além de atender a interesses de algumas lideranças e partidos, os farrapos da "reforma" vêm infestados de larvas, como a tentativa de prorrogação de mandatos, a esdrúxula e antidemocrática tese de coincidência das eleições em todos os níveis de representação. Não convém esquecer que tal propósito prorrogacionista e de coincidência de mandatos só foi concretizado uma única vez em toda a nossa história, pela ditadura que começou em 1964, no tristemente célebre Pacote de Abril. Quem diria: o governo de Lula e do PT, além de explicitar, várias vezes, admiração por generais e tecnocratas do regime ditatorial, passa a adotar os expedientes e casuísmos políticos que mandavam às favas os escrúpulos! Péssimo exemplo para nele se mirar.

Já seria trágico se essa enganação terminasse naquilo que o petista mensaleiro encalacrado no Supremo Tribunal Federal propôs. Mas, não. Aninhada onde a cidadania não pode enxergá-la e protegida da luz do sol e da decência está a traça do terceiro mandato, verdadeiro objetivo dessa variedade de molambos da "reforma" que passa a tramitar na Câmara este ano. Aliás, Chico Science, um grande e criativo pernambucano que sabia das coisas, já dizia: "Molambo, boa peça de pano pra se costurar mentira/ molambo boa peça de pano pra se costurar miséria..." Infelizmente, os molambos dessa "reforma" política que o Congresso vai digerir em 2009 podem servir para costurar um golpe!

É certo que a praga da tentativa de assalto ao poder está atacando candidatos a ditador na vizinhança. Exemplo clássico é o do coronel Hugo Chávez, que sonha com reeleição ilimitada. Insulta a democracia e tem o discreto apoio do amigo Lula, que contemporiza dizendo que o que não falta na Venezuela é eleição. Chávez apela para plebiscitos para se manter no poder. Perdeu o último, mas não desanimou. Já anunciou para este mês de janeiro uma nova consulta. Disse que não foi derrotado, que o resultado foi apenas um "por enquanto".

O "por enquanto" de Lula são duas propostas descaradas de deputados sobre plebiscito pelo terceiro mandato. Ele finge que não vê, desconversa, diz que é contra, mas, vira e mexe, reclama ao povo que oito anos são pouco tempo para fazer tudo o que o País necessita.

Enquanto a candidata anunciada pelo presidente à sua sucessão, a ministra Dilma Rousseff, não decola e as recentes eleições municipais demonstram que Lula não transfere voto, como seus aliados gostariam, os trapos de "reforma" acolhidos pela Câmara servem de cortina de marionetes que apontam para um outro caminho, digamos, alternativo: o fim da reeleição.

Até poderíamos discutir a possibilidade de acabar com a reeleição - embora, pessoalmente, eu seja favorável à sua vigência no País -, mas a condição sine qua non para isso seria que os princípios do respeito à democracia e à República presidissem o debate. O governo do PT, o presidente Lula e alguns partidos que o apoiam no Congresso, lamentavelmente, não possuem essa condição. Prova mais cabal disso é a própria "reforma".

Não é com molambos que iremos costurar as mudanças que o Brasil reclama.

ILIMAR FRANCO

A hora do emprego

Panorama Político 
O Globo - 06/01/2009
 

A crise fez os governos despejarem dinheiro em bancos e empresas. Agora, eles se preparam para garantir o emprego. Na próxima semana, o secretário da OIT, Juan Somalia, vai reunir os ministros do Trabalho de México, Brasil, Argentina e Chile para estudar medidas. No mês que vem, em Roma, o G-8 vai debater providências a favor do emprego, com a presença de ministros do Trabalho de países emergentes, entre os quais o do Brasil. 

Conflito de interesses 

Com o patrocínio do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, do Banco da Amazônia e das Centrais Elétricas do Pará, juízes se reunirão em Belém para o 5º Fórum Mundial, de 23 a 25 de janeiro. O evento ainda conta com o apoio da Unimed, da Federação das Indústrias do Pará, da Eletronorte e do Belém Convention and Visitors Bureau. O fórum é promovido pela Associação dos Juízes Federais (Ajufe), pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e pela Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra). A abertura será com o presidente do TSE e ministro do STF, Carlos Ayres Britto. 

Enfatizo minha posição contrária à gana legiferante do Executivo, de que o excesso de Medidas Provisórias seria a perfeita ilustração" - Tião Viana, senador (PT-AC), em carta aos senadores 

COISAS DA TRANSIÇÃO. Ao entrar no gabinete da prefeitura de Almadina (BA), a equipe do prefeito eleito, Raimundo Laudano (PMDB), se deparou com uma cobra coral. "Começou todo mundo a gritar: olha a cobra!", contou Laudano, que sucedeu a William Santana (PTB), seu adversário. "Eu sou católico, mas vou fazer uma prece colegiada. Vou chamar os evangélicos e vamos exorcizar o gabinete", afirmou o prefeito. 

Trampolim 

Os Picciani mudaram seus planos. O presidente da Assembleia, Jorge Picciani, não vai mais tentar o Senado em 2010. O filho, Leonardo, deputado federal e secretário estadual de Habitação, é quem irá tentar uma das duas vagas.

Point 

Além do presidente Lula, que ficou quatro dias, e de Carlos Minc (Meio Ambiente), que está lá desde sexta, outros dois ministros chegam a Fernando de Noronha esta semana, de férias: José Temporão (Saúde) e Guido Mantega (Fazenda). 

Será que o Bloquinho vai se unir? 

O PDT deve anunciar sua posição em relação à eleição para a presidência da Câmara em 22 de janeiro, data do aniversário de Leonel Brizola, quando haverá um ato em Brasília. O líder na Câmara, Vieira da Cunha (RS), afirma que havia uma tendência de apoiar Michel Temer (PMDB-SP), mas diz que a candidatura de Aldo Rebelo (PCdoB-SP) é um fato novo e tem que ser avaliado. Mas ele alerta: "O bloco nunca foi unanimidade no partido e não foi uma boa experiência nas eleições municipais". 

Anastasia na linha de frente 

O vice-governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, vai sair da casca. Os tucanos pretendem dar maior visibilidade ao vice, candidato a sucessor de Aécio Neves. Ele vai começar a viajar pelo interior do estado e será colocado à frente de importantes projetos de investimentos regionais. Um aecista informou que Anastasia, que vai concorrer ao cargo de governador, será, a partir de agora, "impulsionado e projetado". Os tucanos não querem deixar espaço aberto para 2010. 

ESTIMATIVA do Ministério do Trabalho para a redução do emprego em dezembro: "A expectativa é a de que fique na média histórica de 300 mil empregos". 
A CAIXA de e-mails do ministro Tarso Genro (Justiça) está congestionada. Tudo por causa do pedido de refúgio político para Cesare Battisti, cuja extradição é pedida pela Itália. 

O PRESIDENTE do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), vai procurar o PDT. Quer que os trabalhistas revejam o apoio ao senador Tião Viana (PT-AC).

ANCELMO GOIS

Réveillon do apagão


O Globo - 06/01/2009
 

Por pouco, um apagão não estraga o réveillon de paulistas, fluminenses e capixabas. Por causa das chuvas, várias torres de Furnas quase caíram no dia 31, perto de Cachoeira Paulista. 

O ministro Edison Lobão convocou uma força-tarefa de técnicos (veio gente até da Argentina) para instalar varas de proteção. 

Brancos e negros 

Marcelo Paixão, da UFRJ, que organiza relatórios de desigualdade racial, fechou o de 2007, que confirma a redução lenta e gradual da diferença do rendimento médio mensal do trabalho entre brancos e negros. 

Entre 2006 e 2007, a diferença a favor dos brancos, que era de 93,1%, caiu para 86,4%. 

Só que... 

Paixão teme o efeito da crise sobre a tendência de redução: 

"A diminuição da distância deve-se em boa parte à política do governo de reajuste do salário mínimo acima da inflação. Se a política mudar com a crise, pode estancar a melhoria." 

Padrão Roriz de ética 

O que se diz na Câmara é que o sucessor de Eduardo Cunha na Comissão de Constituição e Justiça será Tadeu Filippelli, do grupo de Joaquim Roriz. 

Pelo visto... deixa pra lá... 

Forma legal 

Lula saiu de Fernando de Noronha. Mas deixou Carlos Minc por lá. Ontem, o ministro foi às compras. Arrematou 100 cabeças de gado na ilha e revendeu a um frigorífico de Recife. 

Foi a forma legal que Minc achou para livrar a ilha dos bois que destroem ninhos de tartaruga. Ficaram 80 cabeças. 

Por falar nele... 

Minc, que adora bicho, viveu ontem uma cena emocionante. Com um grupo de ilhéus, o fofo tentava salvar uma baleia-piloto (um pouco maior que um golfinho), encalhada na praia, que, no meio do resgate, deu à luz. 

Mãe e filho passam bem.

Melhor assim 

Sérgio Cabral diz que sua posição em defesa do Galeão não pode ser entendida como uma defesa de menos concorrência na aviação: 

- Sou o primeiro a defender a concorrência. Por isso pedi ao David Neeleman (dono da Azul) que vá para o Galeão. 

Aliás... 

O governador já manifestou a Solange Vieira, diretora da Anac, sua opinião de que o Brasil deveria acabar com a reciprocidade nas linhas internacionais. 

As empresas americanas poderiam, por exemplo, abrir novas linhas para o Brasil sem depender necessariamente de que as nacionais façam o mesmo. 

EMPACOU


TERÇA NOS JORNAIS

Globo: Ação contra a desordem no Rio começa com demolições

Folha: Israel amplia a ofensiva e descarta cessar-fogo

Estadão: Cresce pressão por trégua, mas Israel amplia invasão

JB: Choque de ordem derruba 34 imóveis

Correio: O vilão dos preços

Valor: Termelétricas vão triplicar a emissão de CO2

Gazeta Mercantil: Renault troca cinco meses de salário por garantia de emprego

Estado de Minas: Baixa renda terá ajuda para comprar casa

Jornal do Commercio: Governo bate de frente com a Celpe

segunda-feira, janeiro 05, 2009

NAS ENTRELINHAS

Yes, nós temos nosso subprime


Correio Braziliense - 05/01/2009
 


A versão brasileira da crise mundial pode se realizar pela farra de um ano e meio de empréstimos camaradas às pessoas físicas

Passo a mão no telefone e ligo para o Bandeira, isso já faz uns três meses. — Alô, grande mestre!, digo. — Fala, cabra da peste, responde, revigorando o sotaque pernambucano, que gosta de praticar, embora já o quase tenha perdido. — E essa crise?, arrisco, em nome do ofício de repórter. — Qual, a marola?, diverte-se, já sorrindo, e segue: hoje mesmo demiti 15. — Mas por quê?, provoco. — Rapaz, os bancos pararam de soltar dinheiro, ninguém mais está pegando. Tô vendendo quase nada. Vou fechar o escritório. 

O Bandeira é um velho amigo. Sujeito experiente, prático. Não perde tempo com bobagens. Uma das virtudes de que lhe invejo é o gosto pelos negócios. Mesmo aposentado, quando a economia começou a bombar, meados de 2006, ele abriu um pequeno escritório de empréstimos. Não punha capital próprio. O serviço era captar clientes no meio da rua — para tanto, recorria a panfleteiros espalhados nas esquinas da cidade com folders onde se lia CRÉDITO FÁCIL ou DINHEIRO NA HORA — e os entregar a um grupo de seis grandes bancos. Levava uma comissão e vivia feliz. 

— Como assim, pararam de soltar dinheiro?, continuei, para não deixar o papo morrer. — É, agora a gente manda os documentos para o cadastro e eles recusam, não querem nem saber. Já viu disso? Até a semana passada, eles nem olhavam, a gente mandava e o dinheiro saía com um ou dois dias. Agora deram para fazer doce. Demiti todos os panfleteiros. Vou fechar o escritório. 

Naquela época, os jornais andavam aflitos. Dias e dias de manchete revelavam o derretimento do preço das ações, o encarecimento do dólar, a derrocada de bancos gigantes e de empresas enormes. Li, aqui no Correio, do gerente de uma revendedora de veículos, a explicação de que as vendas haviam caído porque os bancos já não estavam financiando qualquer um que lhes pedisse. 

Desde então, a temperatura do noticiário mudou. Só o presidente da República mantém-se irredutível. Onde quer que vá, não faz outra coisa que não inflamar as massas. Insta-as a consumir, a gastar. Promete obras e despesas por parte de seu governo. Exorta os prefeitos recém-empossados a segui-lo. Vendo-o, acho tudo meio exagerado e penso: há algo errado. 

E há mesmo. A curta declaração do gerente da agência de veículos e meu diálogo com o amigo Bandeira revelam que os sólidos e bem-apessoados bancos nacionais passaram mais de um ano e meio dando vazão a empréstimos sem se preocupar muito com o cadastro do tomador. Ou seja, o sujeito estava desempregado, mas conseguiu um emprego há três meses, o que é ótimo. Contracheque na mão, foi lá, pegou um dinheiro e comprou um carro usado, melhor ainda. Mantém-se regular e pontual no pagamento, excelente. 

Acontece que esse camarada faz parte da camada flutuante do mercado de trabalho — quão seja, quem tem menos de um ano de trabalho, contrato temporário e afins. Se alguém puxar o freio da economia, ele vai voltar ao estoque de mão-de-obra desocupada. Perderá renda. E dará calote em quem lhe emprestou dinheiro, isto é, nos bancos. 

Trata-se da mesma engenhoca produtora do pecado original, os tais subprimes dos EUA. Lá, a coisa se criou nos empréstimos habitacionais e se alastrou no mercado de derivativos. É o gênese da crise e motivo de estarmos todos menos animados do que estávamos há 12 meses. 

Na versão brasileira, porém, temos boas razões para manter a confiança no sistema. Em primeiro lugar, o montante de crédito fornecido pelo setor privado do sistema financeiro é relativamente pequeno. Anda em torno de R$ 522 bilhões, dos quais pouco mais de R$ 200 bilhões tiveram como destino as pessoas físicas e desses, R$ 80 bilhões para a compra de carros, novos ou usados, e R$ 11 bilhões para outros bens. São valores altos, capazes de criar dificuldades, mas não de levar nenhum dos grandes bancos brasileiros à lona, como aconteceu nos EUA. 

De mais a mais, é baixo o índice de securitização desses créditos, se comparado o que houve lá fora. Assim, a capacidade de metástase é bem menor. 

Lula e seus auxiliares vêm tratando de pôr lenha na fornalha para manter o ritmo da locomotiva. Trabalham com a lógica de que se o ciclista parar de pedalar, a bicicleta cai. Louvável a atitude, mas há um pecadilho: a melhor forma de o governo ajudar não é gastando a poupança pública adquirida nos últimos anos, mas preservando-a. Assim, cria expectativa de redução nas taxas de juros de longo prazo e ilumina o caminho à frente, em vez de cobri-lo com a fumaça negra do déficit público, como está fazendo. 

Por fim, o telefonema para Bandeira. Terminou assim: — Vais fechar o escritório para fazer o quê? — Ah, já mandei o contador preparar a papelada. Vou reabrir como empresa de cobrança.

REINALDO AZEVEDO


SIM OU NÃO À EXISTÊNCIA DE ISRAEL? ESSA É A PRIMEIRA QUESTÃO. EU DIGO “SIM”

O Hamas rompeu a trégua com Israel — a rigor, nunca integralmente respeitada —, e aqueles que ora clamam pelo fim da reação da vítima — e a vítima é Israel — fizeram um silêncio literalmente mortal. Hipócritas, censuram agora o que consideram a reação desproporcional dos israelenses, mas não apontam nenhuma saída que não seja o conformismo da vítima. É desnecessário indagar como reagiria a França, por exemplo, se seu território fosse alvo de centenas de foguetes. É desnecessário indagar como responderia o próprio Brasil. O Apedeuta e seus escudeiros no Itamaraty — que vive o ponto extremo da delinqüência política sob o comando de Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães — aceitam, de bom grado, que Evo Morales nos tungue a Petrobras, mas creio que defenderiam uma resposta militar se o Brasil passasse a ser alvo diário de inimigos. Há dias, Lula afirmou que o Brasil precisa ser uma potência militar se quiser ser respeitado no mundo. Confesso que, dada a moral ora vigente no Planalto e na diplomacia nativa, prefiro que o país tenha, no máximo, aqueles fogos Caramuru, os únicos que, no nosso caso, não podem dar xabu... Lula merece, no máximo, ter um rojão ou aqueles fósforos coloridos de São João para brincar.

É dever de todo governo defender o seu território e a sua gente. Mas, curiosamente (ou nem tanto), pretende-se cassar de Israel o direito à reação. Por quê? O que grita na censura aos israelenses é a voz tenebrosa de um silêncio: essa gente é contra a existência do estado de Israel e acredita que só se obteria a paz no Oriente Médio com a sua extinção. Mas falta a essa canalha coragem para dizer claramente o que pretende. Nesse estrito sentido, um expoente do fascismo islâmico como Mahamoud Ahmadinejad, presidente do Irã, é mais honesto do que boa parte dos hipócritas europeus ou brasileiros. Ele não esconde o que pretende. Aliás, o Hamas também não: o fim da Israel é o segundo item do seu programa, sem o qual o grupo terrorista julga não cumprir adequadamente o primeiro: a defesa do que entende por fé islâmica.

Será que exagero? Que outra consideração estaria na origem da suposição de que um país deve se quedar inerme diante de uma chuva de foguetes em seu território? “Não, Reinaldo, o que se censura é o exagero, a reação desproporcional”. Tratarei desse argumento, essencialmente mentiroso e de ocasião, em outro post. Neste artigo, penso questões mais profundas, que estão na raiz do ódio a Israel. Como se considera que aquele estado é essencialmente ilegítimo, cobra-se dele, então, uma tolerância especial. Aliás, exigem-se dos judeus duas reações particulares, de que estariam dispensados outros povos.

Como os hipócritas do silêncio consideram que a criação de Israel foi uma violência, cobram que esse estado viva a pedir desculpas por existir e jamais reaja. Seria uma espécie de suicídio. Israel faria por conta própria o que várias nações islâmicas — em grupo, em par ou isoladamente — tentaram sem sucesso em 1956, em 1967 e em 1973: eliminar o país do mapa. Dói na consciência e no orgulho dos inimigos do país a constatação de que ele adquiriu o direito de existir na lei e na marra, na diplomacia e no campo de batalha.

A segunda reação particular guarda relação com o nazismo. Porque os judeus conheceram o horror, estariam moralmente proibidos de se comportar como senhores: teriam de ser eternamente vítimas. Ao povo judeu seria facultado despertar ódio ou piedade, mas jamais temor. Franceses, alemães, espanhóis, chineses, japoneses e até brasileiros cometeram ou cometem suas injustiças e violências — e todos esses povos souberam ou sabem ser impressionantemente cruéis em determinadas ocasiões e circunstâncias. Mas os judeus?! Eles não!!! Esperam-se passividade e mansidão pouco importa se são tomados como usurpadores ou vítimas. A anti-semitismo ainda pulsa, eis a verdade insofismável.

Tudo seria mais fácil se as posições fossem aclaradas. Acatar ou não a legitimidade do estado de Israel ajudaria muitas nações e muitas correntes político-ideológicas a se posicionar e a se pronunciar com clareza: “Sim, admito a existência de Israel e penso que aquele estado, quando atacado, tem o direito de se defender”. É o que pensa este escriba. Ou: “Não! Fez-se uma grande bobagem em 1948, e os valentes do Hamas formam, na verdade, uma frente de resistência ao invasor; assim, quando eles explodem uma pizzaria ou um ônibus escolar ou quando jogam foguetes, estão apenas defendendo um direito”. Mas os hipócritas não seriam o que são se não cobrissem o vício com o manto da virtude. Como não conseguem imaginar uma solução para alguns milhões de israelenses que não o mar — e, desta feita, sem Moisés para abri-lo —, então disfarçam o ódio a Israel com um conjunto pastoso de retóricas vagabundas: “pacifismo”, “antimilitarismo”, “reação proporcional”, “direito à resistência” etc.

Na imprensa brasileira, um jornalista como Janio de Freitas chegou a chamar o ataque aéreo a Gaza de “genocídio”, dando alguma altitude teórica à militância política anti-Israel — embora o próprio Hamas admita que a maioria das vítimas seja mesmo composta de militantes do grupo. Trata-se, claro, de uma provocação: sempre que Israel é acusado de “genocida”, pretende-se evocar a memória do Holocausto. Em uma única linha, sustenta-se, então, uma farsa gigantesca:
a) maximiza-se a tragédia presente dos palestinos;
b) minimiza-se a tragédia passada dos judeus:
c) apaga-se da história o fato de que o Hamas é a força agressora, e Israel, o país agredido;
d) equiparam-se os judeus aos nazistas que tentaram exterminá-los, o que, por razões que dispensam a exposição, diminui a culpa dos algozes;
e) cria-se uma equivalência que aponta para uma indagação monstruosa: não seria o povo vítima do Holocausto um tanto merecedor daquele destino já que incapaz de aprender com a história?
E pouco importa se os que falam em genocídio têm ou não consciência dessas implicações:

 o mal que sai da boca dos cínicos não vira virtude porque na boca dos tolos.

Em junho de 2007, esse mesmo Hamas foi à guerra contra o Fatah na Faixa de Gaza. E venceu. O grupo preferiu não fazer prisioneiros. Os que eram rendidos ou se rendiam eram executados com tiros na cabeça — muitas vezes, as mulheres e filhos das vítimas eram chamados para presenciar a cena. “O que ocorreu no centro de segurança [as execuções] foi a segunda liberação da Faixa de Gaza; a primeira delas foi a retirada das tropas e dos colonos de Israel da região, em setembro de 2005", disse então Sami Abu Zuhri, um membro do Hamas. “Estamos dizendo ao nosso povo que a era do passado acabou e não irá volta. A era da Justiça e da lei islâmica chegou", afirmou Islam Shahawan, porta-voz do grupo. Nezar Rayyan, também falando em nome dos terroristas, não teve dúvida: “Não haverá diálogo com o Fatah, apenas a espada e as armas. Desde 2006, quase 700 palestinos foram assassinados por rivais... palestinos.

Ódio a Israel
O ódio a Israel espalhado em várias correntes de opinião no Ocidente é caudatário da chamada “luta contra o Império”. O apoio ao país nunca foi tão modesto — em muitos casos, envergonhado. Não é coincidência que assim seja no exato momento em que se vislumbra o que se convencionou chamar de “declínio americano”. Israel é visto como uma espécie de enclave dos EUA no Oriente Médio. As esquerdas do mundo caíram de amores pelos vários sectarismos islâmicos, tomados como forças antiimperialistas, de resistência. Eu era ainda um quase adolescente (18 anos)— e de esquerda! — quando se deu a revolução no Irã, em 1979, e me perguntava por que os meus supostos parceiros de ideologia se encantavam tanto com o tal aiatolá Khomeini, que me parecia, e era, a negação, vejam só!, de alguns dos pressupostos que deveriam nos orientar — e o estado laico era um deles. Mas quê... A “luta antiimperialista” justificava tudo. O que era ruim para os EUA só poderia ser bom para o mundo e para as esquerdas. No poder, a primeira medida de Khomeini foi fuzilar os esquerdistas que haviam ajudado a fazer a revolução...

É ainda o ódio ao “Império” que leva os ditos “progressistas” do mundo a recorrer à vigarice intelectual a mais escancarada para censurar Israel e se alinhar com as “vítimas” palestinas. Abaixo, aponto alguns dos pilares da estupidez.

Mas o que é terrorismo?
Pergunte a qualquer “progressista” da imprensa ou de seu círculo de amizades se ele considera o Hamas um grupo “terrorista”. A resposta do meliante moral virá na forma de uma outra indagação: “Mas o que é terrorismo?” A luta “antiimperialista” torna esses humanistas uns relativistas. Eles dirão que a definição do que é ou não terrorismo decorre de uma visão ideológica, ditada por Washington, pela Otan, pelo Ocidente, pelo capitalismo, sei lá eu...

Esses canalhas são capazes de defender o “direito” que os ditadores islâmicos têm de definir os seus homens viciosos e virtuosos — “democracia não se impõe”, gritam —, mas, por qualquer razão que não saberiam explicar, acreditam, então, que Washington, a Otan, o Ocidente e o capitalismo não podem fazer as suas escolhas. E essas escolhas, vejam que coisa!, costumam ser justamente aquelas que garantem as liberdades democráticas. Se você disser que explodir bombas num ônibus escolar ou num supermercado, por exemplo, é terrorismo, logo responderão que isso não é diferente da ação de Israel na Faixa de Gaza, confundido a guerra declarada (e reativa!!!) com a ação insidiosa contra civis. Para esses humanistas, a ação contra Dresden certamente igualou os Aliados aos nazistas... Falei em nazistas? Ah, sim: os antiisraelenses gostam de comparar as ações do Hamas, do Hezbollah ou das Farc aos atos heróicos dos que lutaram contra o nazismo. Ao fazê-lo, não só igualam, então, os vários “terrorismos” como também os várias “estados da ordem”. No caso, o nazismo não se distinguiria dos governo de Israel, da Colômbia ou de qualquer outro estado que sofra com a ação terrorista.

Só querem a paz
Aqui e ali, leio textos indignados em nome da “paz”. E penso que o pacifismo pode ser uma coisa muito perigosa. Chamberlain e Daladier, que assinaram com Hitler o Acordo de Munique, que o digam. Como observou Churchill, entre a desonra e a guerra, escolheram a desonra e tiveram a guerra. Argumentos que remetem ao nazismo, sei disto, costumam desmoralizar um tanto o debate porque apelam sempre a uma situação extrema, que se considera única, irreproduzível. A questão, então, é como Israel pode fazer a paz com quem escolheu o caminho da guerra e só aceita a linguagem das armas e da morte. O Hamas é o inimigo que mora ao lado — e, com freqüência, dentro de Israel. Mas há os que estão um pouco mais distantes, como o Irã por exemplo. O que vocês acham que acontecerá quando (e se) os aiatolás estiverem prestes a ter uma bomba nuclear? Em nome da paz, senhores pacifistas, espero que Israel escolha a guerra.E ele escolherá, fiquem certos, concordem os EUA ou não.

A ação de Israel só fortalece o Hamas
Israel deixou o Sul do Líbano, e o Líbano foi entregue — sejamos claros — aos xiitas do Hezbollah. Israel deixou a Faixa de Gaza, e o Hamas expulsou de lá os corruptos moderados da Fatah, não sem antes fuzilar todos os que foram feitos prisioneiros na guerra civil palestina. Isso indica um padrão, pouco importa a vertente religiosa dos sectários. A guerra desastrada contra a facção xiita no Líbano, muito mais poderosa do que o inimigo de agora, significou, de fato, uma lição amarga aos israelenses: se a ação militar não cumpre o propósito a que se destina, ela, com efeito, só fortalece o inimigo. Na prática, é o que pedem os que clamam pela suspensão dos ataques à Faixa de Gaza: querem que Israel dispare contra a sua própria segurança.

O argumento de que os ataques só fortalecem o Hamas porque fazem do grupo heróis de uma luta de resistência saem, não por acaso, da boca de intelectuais palestinos ou de esquerda. Cumpre perguntar se, no status anterior, havia algum sinal de que os palestinos de Gaza estavam descontentes com os terroristas que os governam. Mais uma vez, está-se diante de uma leitura curiosa: a única maneiras de Israel não fortalecer o Hamas seria suportar os foguetes disparados pelo... Hamas! Como se vê, os argumentos passam pelos mais estranhos caminhos e todos eles cobram que os israelenses se conformem com os ataques.

A volta a 1948
Aqui e ali, leio que o estado de Israel só é defensável se devolvido à demarcação definida pela ONU em 1948. Digamos, só para raciocinar, que se possa anular a história da região dos últimos 60 anos... Os inimigos do país considerariam essa condição suficiente para admitir a existência do estado judeu? A resposta, mesmo diante de uma hipótese improvável, é “NÃO”. Mesmo as facções ditas moderadas reivindicam a volta do que chamam “os refugiados”, que teriam sido “expulsos” de suas terras — terras que, na maioria das vezes, foram compradas, é bom que se lembre. Tal reivindicação é só uma maneira oblíqua de se defender que Israel deixe de ser um estado judeu — e, pois, que deixe de ser Israel. E isso nos devolve ao começo deste texto.

Aceita-se ou não a existência de um estado judeu? Israel está muito longe, no curtíssimo prazo, dos perigos que, com efeito, viveu em 1967 e em 1973. Não obstante, sustento que nunca correu tanto risco como agora. Desde a sua criação, jamais se viu tamanha conspiração de fatores que concorrem contra a sua existência:
- a chamada “causa palestina” foi adotada pela imprensa ocidental — mesmo a americana, tradicionalmente pró-Israel, mostra-se um tanto tímida;
- o antiamericanismo, exacerbado pela reação contra a guerra no Iraque, conseguiu transformar o terrorismo em ação de resistência;
- os desastres da era Bush transferem para os aliados dos EUA, como Israel, parte da reação negativa ao governo americano;
- os palestinos dominam todo o ciclo do marketing da morte e se tornaram os “excluídos” de estimação do pensamento politicamente correto: o que são 300 mil mortos no Sudão e 3 milhões de refugiados perto de 500 mortos na Faixa da Gaza, a maioria deles terroristas do Hamas? A morte de qualquer homem nos diminui, claro, claro, mas a de alguns homens excita mais a fúria justiceira: a dos sudaneses não excita ninguém...;
- um estado delinqüente, como é o Irã — que tem em sua pauta a destruição de Israel —, busca romper o isolamento internacional aliando-se a inimigos estratégicos dos EUA;
- a Europa ensaia dividir a cena da hegemonia ocidental com os EUA sem ter a mesma clareza sobre o que é e o que não é aceitável no que concerne à segurança de Israel;
- atribui-se ao próprio estado de Israel o fortalecimento dos seus inimigos, num paradoxo curioso: considera-se que o combate a seus agressores só os fortalece, ignorando-se o motivo por que, afinal, ele decidiu combatê-los...

Sim ou não à existência de Israel? Sem essa primeira resposta, não se pode começar um diálogo. Ou romper de vez o diálogo. Sem essa resposta, o resto é conversa mole.

MOYSES BRAKARZ

Trato quebrado


O Globo - 05/01/2009
 

TEMA EM DISCUSSÃO: Previdência

A Previdência Social surgiu no Brasil em 1923, quando foram criadas as caixas de aposentadorias e pensões. Em 1931, ela foi reformulada, estendendo seus benefícios a empresas de serviços públicos. Em 1960, foi feita a unificação administrativa da Previdência. O recolhimento de contribuições sobre os salários era feito para um cofre único. Sabia-se que a contribuição efetuada por todo trabalhador e empregador serviria para o seu sustento 35 anos após. Quando deixasse de trabalhar, receberia um valor compatível com as contribuições efetuadas. 

Com o correr do tempo, o contribuinte constatou a quebra do trato inicial: os reajustes não correspondiam ao aumento do custo de vida. O que deveria ser uma caixa única, administrada com seriedade, passou a ser utilizada por sucessivos governos para aplicações em outros setores, movidos por diferentes interesses políticos. 

Milhares de agricultores foram incluídos como beneficiários da Previdência Social sem nunca terem contribuído, recebendo um valor simbólico. Com a Constituição de 1988, esse valor passou a ser um salário mínimo. 

Enquanto isso, os aposentados que recolhiam acima de um salário mínimo, de 1980 a 2000, hoje têm uma perda considerável em seus ganhos, comparados aos da época de sua aposentadoria. Aqueles que contribuíram na faixa mais elevada, hoje com 55 a 80 anos, estão sendo penalizados pelo que não fizeram. O achatamento para eles continua, pois o último reajuste foi de 9% para quem recebia um salário, e de 5% para os da faixa mais alta. 

É verdade que é tarefa difícil para o atual governo equilibrar a Previdência, diante dos desmandos de governos passados. Mas os contribuintes lembram que suas contribuições foram destinadas a obras, construções de pontes etc. Enfim, áreas totalmente diversas de sua destinação inicial. Resta a esses cidadãos, que ainda têm dignidade, lucidez e o desejo de viver em paz, a esperança de uma reparação, ainda que tardia, por parte da Previdência oficial. 

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