FOLHA DE SP - 29/11
O diálogo da moda em Brasília: "O que você vai fazer neste verão?" "Ah, vou pegar um semiaberto!"
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Socorro! Todos para o abrigo! Salve-se quem puder! "Grupo É o Tchan promete voltar em 2013"! Veta, Dilma! E em formação original! Se é que alguma do grupo ainda tem alguma coisa original!
E já imaginou a Scheila e a Carla Perez reumáticas tentando dançar na boquinha da garrafa? Rarará! Veta, Dilma! Sabe uma coisa que a Dilma devia vetar? Crocs verde-limão! Eu vi uma mulher hoje de manhã na padaria com um Croc verde-limão e gritei: "Veta, Dilma!" Rarará!
E com o Felipão, a seleção vai pra segunda divisão? Veta, Dilma! E escândalo no PT é como caixa de lenços de papel: você puxa um e vêm logo três. Você nunca consegue puxar um só!
E o chargista Frank revela o diálogo da moda em Brasília: "O que você vai fazer neste verão?" "Ah, vou pegar um semiaberto!" Pegar um semiaberto e tomar banho de sol no pátio! Rarará!
E a manchete do Piauí Herald: "Lula afirma que foi traído por Luís Inácio". E o Lula levou outra punhalada pelas costas? Vai virar uma peneira! O Lula já levou tanta punhalada pelas costas que vai virar uma peneira! Queremos a volta do "Teste de Fidelidade" do João Kléber!
E o PT vai mudar de sigla pra PC, Partidos dos Cornos, todo mundo traindo todo mundo! Rarará! E o Lula não pode mais dizer "Fui traído". Tem que dizer "Fui distraído!". Pega bem melhor!
E eu adoro a Rosemary! Emergente! A plástica deu errado e ela ficou com cara de zebra! Parece uma zebrinha. Lembra da zebrinha da Loteria Esportiva? "Ói eu aqui!" Rarará!
E atenção! O palmeirense é cordial: "Palmeirense arranca orelha de amigo com mordida e serra elétrica após provocação sobre rebaixamento". Porco Fofo! E jogou a orelha na feijoada? Olha o risco que estamos correndo!
E esta: "Líder do PCC define onde ladrão pode roubar". Melhor que rodízio! Rarará!
É mole? É mole, mas sobe!
O Brasil é Lúdico! Olha esse anúncio de sexo: "Barbara Travesti, não sou o que você pensa, mas tenho o que você gosta".
E esta placa numa casa em Moçambique: "Tira-se dente e faz circuncisão". A mesma pessoa faz os dois. E com o mesmo equipamento? Já imaginou se ele erra o local da extração? Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza! Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
quinta-feira, novembro 29, 2012
É hora de novos Jefferson - ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 29/11
BRASÍLIA - Fim da dosimetria do mensalão, enredo de gato e rato no Senado e surgimento de novos personagens do escândalo Rose a cada dia. Uma fartura de temas.
No derradeiro dia da dosimetria, inverteram-se as posições, com o duro presidente/relator Joaquim Barbosa amenizando a pena do delator Roberto Jefferson em um terço e o flexível revisor Ricardo Lewandowski acusando o réu de "colaboração zero". Venceu Joaquim mais uma vez.
No Senado, o relator da CPI do Cachoeira, Odair Cunha (PT), recua para retirar o procurador-geral Roberto Gurgel e o jornalista da revista "Veja" de um alvo onde não deveriam estar. Não satisfeitos, o PSDB pressiona para aliviar a barra do governador Marconi Perillo, e o PMDB, a do dono da Delta. Quanto antes esse espetáculo tétrico terminar, melhor.
E a turma da Rose, ou Rosemary Noronha, a poderosa ex-chefe de gabinete do escritório da Presidência em São Paulo, tem ramificações na Anac (aviação civil), na ANA (águas), na Antaq (transportes aquaviários), na Secretaria de Portos e na Advocacia-Geral da União. Por enquanto...
Se as lideranças governistas no Senado deram um jeitinho de aprovar o duplamente reprovado Paulo Vieira para a ANA, agora move montanhas para evitar convocar Paulo, o irmão dele da Anac, Rubens Vieira, o segundo da AGU, José Weber Holanda, e a própria pivô Rose.
Ué?! Por quê? Se Dilma afastou todo mundo e preza a transparência, que deixe que eles falem. Quem sabe um deles não venha a ter redução de um terço da pena, como Roberto Jefferson? Isso, sim, é uma faxina, passando tudo a limpo e garantindo que não continue nem se repita.
É interessante, aliás, como a história de Rose entrelaça novos personagens e outros de velhos carnavais, como o ex-senador Gilberto Miranda e o eterno presidente do PL/PR, Valdemar Costa Neto, réu do mensalão.
Isso só comprova: se é para moralizar, não basta demitir pessoas, é preciso explodir os esquemas.
BRASÍLIA - Fim da dosimetria do mensalão, enredo de gato e rato no Senado e surgimento de novos personagens do escândalo Rose a cada dia. Uma fartura de temas.
No derradeiro dia da dosimetria, inverteram-se as posições, com o duro presidente/relator Joaquim Barbosa amenizando a pena do delator Roberto Jefferson em um terço e o flexível revisor Ricardo Lewandowski acusando o réu de "colaboração zero". Venceu Joaquim mais uma vez.
No Senado, o relator da CPI do Cachoeira, Odair Cunha (PT), recua para retirar o procurador-geral Roberto Gurgel e o jornalista da revista "Veja" de um alvo onde não deveriam estar. Não satisfeitos, o PSDB pressiona para aliviar a barra do governador Marconi Perillo, e o PMDB, a do dono da Delta. Quanto antes esse espetáculo tétrico terminar, melhor.
E a turma da Rose, ou Rosemary Noronha, a poderosa ex-chefe de gabinete do escritório da Presidência em São Paulo, tem ramificações na Anac (aviação civil), na ANA (águas), na Antaq (transportes aquaviários), na Secretaria de Portos e na Advocacia-Geral da União. Por enquanto...
Se as lideranças governistas no Senado deram um jeitinho de aprovar o duplamente reprovado Paulo Vieira para a ANA, agora move montanhas para evitar convocar Paulo, o irmão dele da Anac, Rubens Vieira, o segundo da AGU, José Weber Holanda, e a própria pivô Rose.
Ué?! Por quê? Se Dilma afastou todo mundo e preza a transparência, que deixe que eles falem. Quem sabe um deles não venha a ter redução de um terço da pena, como Roberto Jefferson? Isso, sim, é uma faxina, passando tudo a limpo e garantindo que não continue nem se repita.
É interessante, aliás, como a história de Rose entrelaça novos personagens e outros de velhos carnavais, como o ex-senador Gilberto Miranda e o eterno presidente do PL/PR, Valdemar Costa Neto, réu do mensalão.
Isso só comprova: se é para moralizar, não basta demitir pessoas, é preciso explodir os esquemas.
Projeto piloto - DORA KRAMER
O ESTADÃO - 29/11
Para todos os efeitos, o governador Eduardo Campos não tem nada com isso: a decisão de entrar da disputa pela presidência da Câmara, atrapalhando o rodízio acertado entre PT e PMDB, é da bancada do PSB. Mas ele não só não fará nada para demover os 32 deputados do seu partido de lançar a candidatura de Júlio Delgado, como ficou de consultar Gilberto Kassab sobre a possibilidade de o prefeito de São Paulo liberar os 50 deputados do PSD para também decidirem como melhor lhes convier, deixando de lado o compromisso.
Se Kassab aceitar, começa a fazer água o acordo que até então garantia o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves, como candidato “natural” e haverá emoções fortes pela frente. Caso o projeto prospere, o Palácio do Planalto caminhará sobre ovos. Em tese está comprometido com o pacto pelo qual o PMDB sucede o PT no comando da Câmara para o período 2013/2014. Mas se o PSB – vale dizer, Eduardo Campos – entra no jogo, a coisa complica e põe o governo diante do seguinte dilema: ajudar a eleger o peemedebista e com isso contrariar o PSB ou manter distância provocando desagrado no PMDB.
Sem passar recibo, o governador de Pernambuco estaria na prática fazendo um movimento para testar suas relações com o Planalto. Se houver empenho da Presidência da República no cumprimento do acordo, ele interpretará como um sinal de descaso. Algo assim como se Dilma estivesse pagando o táxi de Eduardo Campos para fora da área de influência governista.
Por ora, o PSB faz o discurso da preservação da lealdade, mas marcando posição de autonomia político-eleitoral. Soa um tanto ambíguo, mas foi o que aconteceu na eleição para a prefeitura do Recife, entre outras cidades nas quais o partido se confrontou com o PT.
Já conversam abertamente com Júlio Delgado as bancadas do PV, PTB, PRB, PSC e parte do PDT, o equivalente a cerca de 100 parlamentares. Mais que isso, 174 deputados se reuniram com ele nesta quarta-feira em Brasília, a pretexto da comemoração do aniversário ocorrido há dez dias.
Discretamente, o PSDB estimula a candidatura por intermédio do senador Aécio Neves. Mineiro como Delgado, aliado regional do PSB do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, e interessadíssimo em qualquer movimento que possa produzir cizânia na base governista. Base esta já devidamente dividida quanto a esse assunto, a começar por um dos signatários o acordo, o PT.
Também aqui como em tudo nessa disputa, as coisas se passam em duas dimensões: uma no palco, outra no bastidor. Oficialmente os petistas estão firmes com o acordo, há candidatos na bancada a vice-presidente da Câmara e as declarações públicas são todas de apoio e entusiasmo. Longe dos microfones, no entanto, não são poucos os deputados petistas que olham com agrado para a possibilidade de o próximo presidente da Casa ser de outro partido.
Ocorre que, pelo critério da maior bancada, o PMDB deve ficar com a presidência do Senado, onde não se fez acordo algum. Se presidir também a Câmara, o partido vai concentrar todo o poder no Congresso. Isso sem contar a vice-presidência da República e os ministérios.
Essa concentração tem servido de argumento ao PSB para fazer ver ao governo que não seria mau negócio deixar que o Parlamento cuide de esvaziar a candidatura de Henrique Alves. Além de cortar parte das asas do PMDB, daria a Campos um recado de que a aliança para 2014 não está fechada desde já. Claro que não seria uma garantia de nada, embora desse ao governo um ganho de tempo.
A eleição da presidência da Câmara não é fator determinante para a decisão do governador sobre seu rumo, mas se não fosse uma variável importante no processo não haveria necessidade de o PSB dar tal demonstração de autonomia.
Para todos os efeitos, o governador Eduardo Campos não tem nada com isso: a decisão de entrar da disputa pela presidência da Câmara, atrapalhando o rodízio acertado entre PT e PMDB, é da bancada do PSB. Mas ele não só não fará nada para demover os 32 deputados do seu partido de lançar a candidatura de Júlio Delgado, como ficou de consultar Gilberto Kassab sobre a possibilidade de o prefeito de São Paulo liberar os 50 deputados do PSD para também decidirem como melhor lhes convier, deixando de lado o compromisso.
Se Kassab aceitar, começa a fazer água o acordo que até então garantia o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves, como candidato “natural” e haverá emoções fortes pela frente. Caso o projeto prospere, o Palácio do Planalto caminhará sobre ovos. Em tese está comprometido com o pacto pelo qual o PMDB sucede o PT no comando da Câmara para o período 2013/2014. Mas se o PSB – vale dizer, Eduardo Campos – entra no jogo, a coisa complica e põe o governo diante do seguinte dilema: ajudar a eleger o peemedebista e com isso contrariar o PSB ou manter distância provocando desagrado no PMDB.
Sem passar recibo, o governador de Pernambuco estaria na prática fazendo um movimento para testar suas relações com o Planalto. Se houver empenho da Presidência da República no cumprimento do acordo, ele interpretará como um sinal de descaso. Algo assim como se Dilma estivesse pagando o táxi de Eduardo Campos para fora da área de influência governista.
Por ora, o PSB faz o discurso da preservação da lealdade, mas marcando posição de autonomia político-eleitoral. Soa um tanto ambíguo, mas foi o que aconteceu na eleição para a prefeitura do Recife, entre outras cidades nas quais o partido se confrontou com o PT.
Já conversam abertamente com Júlio Delgado as bancadas do PV, PTB, PRB, PSC e parte do PDT, o equivalente a cerca de 100 parlamentares. Mais que isso, 174 deputados se reuniram com ele nesta quarta-feira em Brasília, a pretexto da comemoração do aniversário ocorrido há dez dias.
Discretamente, o PSDB estimula a candidatura por intermédio do senador Aécio Neves. Mineiro como Delgado, aliado regional do PSB do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, e interessadíssimo em qualquer movimento que possa produzir cizânia na base governista. Base esta já devidamente dividida quanto a esse assunto, a começar por um dos signatários o acordo, o PT.
Também aqui como em tudo nessa disputa, as coisas se passam em duas dimensões: uma no palco, outra no bastidor. Oficialmente os petistas estão firmes com o acordo, há candidatos na bancada a vice-presidente da Câmara e as declarações públicas são todas de apoio e entusiasmo. Longe dos microfones, no entanto, não são poucos os deputados petistas que olham com agrado para a possibilidade de o próximo presidente da Casa ser de outro partido.
Ocorre que, pelo critério da maior bancada, o PMDB deve ficar com a presidência do Senado, onde não se fez acordo algum. Se presidir também a Câmara, o partido vai concentrar todo o poder no Congresso. Isso sem contar a vice-presidência da República e os ministérios.
Essa concentração tem servido de argumento ao PSB para fazer ver ao governo que não seria mau negócio deixar que o Parlamento cuide de esvaziar a candidatura de Henrique Alves. Além de cortar parte das asas do PMDB, daria a Campos um recado de que a aliança para 2014 não está fechada desde já. Claro que não seria uma garantia de nada, embora desse ao governo um ganho de tempo.
A eleição da presidência da Câmara não é fator determinante para a decisão do governador sobre seu rumo, mas se não fosse uma variável importante no processo não haveria necessidade de o PSB dar tal demonstração de autonomia.
A tortura do "sopão dos pobres" - CLÓVIS ROSSI
FOLHA DE SP - 29/11
O aperto exagerado imposto por países europeus leva Espanha a recorrer a métodos de Terceiro Mundo
MADRI - A rede de lanchonetes Vips está lançando a campanha "Mesa para Todos". Pede a seus fregueses que, entre 10 e 16 de dezembro, levem alimentos não perecíveis, que serão entregues a "comedores sociais" das redondezas de cada loja.
"Comedores sociais" é um nome menos ultrajante que "sopão dos pobres", que a América Latina conhece tão bem mas que não se espera encontrar na rica Espanha, a quinta maior economia da Europa.
Não que não houvesse pobreza na Espanha antes da crise. Não que não houvesse favelas, aqui chamadas "chabolas". Mas eram situações localizadas, que, em geral, afetavam imigrantes, e ficavam longe dos olhos do grande púbico.
Agora, no entanto, a pobreza e os "comedores sociais" ficam "a algumas ruas daqui", informa a Vips, que não se instala nas Paraisópolis da Espanha ou nas Rocinhas, se é que existe algo parecido por aqui.
A pobreza se incrustou, pois, na pele de uma Espanha torturada por receitas de ajuste que só aprofundam a recessão e, até agora, não ajudaram a reduzir a dívida pública, que é a grande preocupação dos donos do capital, pouco ou nada interessados em "mesa para todos", a não ser que sejam os seus.
A essa crueldade intrínseca a programas como os que vêm sendo aplicados na Europa, soma-se agora a confissão de que a dose foi exagerada, pelo menos em relação à Grécia, contra a qual o assanhamento foi brutal.
As novas condições que a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional estão oferecendo à Grécia (prazo maior para reduzir a dívida, juros menores e, logo mais, algum tipo de perdão da dívida contraída com o setor público também, a exemplo do que se fez com os credores privados) -tudo isso era pedido desde o princípio por gente sensata e nada revolucionária.
O governo norte-americano, por exemplo, insistiu, desde o princípio da crise, que o urgente era estimular a economia, deixando o ajuste fiscal para o médio e longo prazo (tese também da presidente Dilma Rousseff, mas se nem Obama foi ouvido, imagine então um país ainda periférico como o Brasil).
Agora, o jornal "El País" diz, em editorial de ontem sobre as novas condições para a Grécia, que "é legítimo perguntar o que teria ocorrido se, desde o princípio, as condições do resgate europeu tivessem sido mais favoráveis aos credores".
Não é preciso ter pós-graduação em economia para supor que o desastre econômico e social teria sido menos duro. A Grécia não precisaria ter sofrido em cinco anos uma queda de 21,6 pontos percentuais em sua economia -porcentagem de país em guerra ou vítima de fenômenos naturais devastadores.
Vale para a Grécia, vale para a Espanha, até porque, nesta última, o desemprego é ainda maior (25,1% este ano, contra 23,6% na Grécia, de acordo com as mais recentes projeções da Comissão Europeia).
Como a previsão indica que o desemprego na Espanha aumentará ainda mais no ano que vem, chegando a obscenos 26,6%, o programa "Mesa para Todos" terá que ser estendido também para o Natal de 2013.
O aperto exagerado imposto por países europeus leva Espanha a recorrer a métodos de Terceiro Mundo
MADRI - A rede de lanchonetes Vips está lançando a campanha "Mesa para Todos". Pede a seus fregueses que, entre 10 e 16 de dezembro, levem alimentos não perecíveis, que serão entregues a "comedores sociais" das redondezas de cada loja.
"Comedores sociais" é um nome menos ultrajante que "sopão dos pobres", que a América Latina conhece tão bem mas que não se espera encontrar na rica Espanha, a quinta maior economia da Europa.
Não que não houvesse pobreza na Espanha antes da crise. Não que não houvesse favelas, aqui chamadas "chabolas". Mas eram situações localizadas, que, em geral, afetavam imigrantes, e ficavam longe dos olhos do grande púbico.
Agora, no entanto, a pobreza e os "comedores sociais" ficam "a algumas ruas daqui", informa a Vips, que não se instala nas Paraisópolis da Espanha ou nas Rocinhas, se é que existe algo parecido por aqui.
A pobreza se incrustou, pois, na pele de uma Espanha torturada por receitas de ajuste que só aprofundam a recessão e, até agora, não ajudaram a reduzir a dívida pública, que é a grande preocupação dos donos do capital, pouco ou nada interessados em "mesa para todos", a não ser que sejam os seus.
A essa crueldade intrínseca a programas como os que vêm sendo aplicados na Europa, soma-se agora a confissão de que a dose foi exagerada, pelo menos em relação à Grécia, contra a qual o assanhamento foi brutal.
As novas condições que a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional estão oferecendo à Grécia (prazo maior para reduzir a dívida, juros menores e, logo mais, algum tipo de perdão da dívida contraída com o setor público também, a exemplo do que se fez com os credores privados) -tudo isso era pedido desde o princípio por gente sensata e nada revolucionária.
O governo norte-americano, por exemplo, insistiu, desde o princípio da crise, que o urgente era estimular a economia, deixando o ajuste fiscal para o médio e longo prazo (tese também da presidente Dilma Rousseff, mas se nem Obama foi ouvido, imagine então um país ainda periférico como o Brasil).
Agora, o jornal "El País" diz, em editorial de ontem sobre as novas condições para a Grécia, que "é legítimo perguntar o que teria ocorrido se, desde o princípio, as condições do resgate europeu tivessem sido mais favoráveis aos credores".
Não é preciso ter pós-graduação em economia para supor que o desastre econômico e social teria sido menos duro. A Grécia não precisaria ter sofrido em cinco anos uma queda de 21,6 pontos percentuais em sua economia -porcentagem de país em guerra ou vítima de fenômenos naturais devastadores.
Vale para a Grécia, vale para a Espanha, até porque, nesta última, o desemprego é ainda maior (25,1% este ano, contra 23,6% na Grécia, de acordo com as mais recentes projeções da Comissão Europeia).
Como a previsão indica que o desemprego na Espanha aumentará ainda mais no ano que vem, chegando a obscenos 26,6%, o programa "Mesa para Todos" terá que ser estendido também para o Natal de 2013.
Investimentos: retração do instinto animal - NATHAN BLANCHE
O Estado de S.Paulo - 29/11
Ao contrário do que afirmou Lavoisier com relação à natureza, em Economia, tudo se cria e tudo se transforma. Nessa linha, são significativas as mudanças na condução da política econômica pelo governo Dilma, especialmente quanto ao tripé macroeconômico, que serviu de base para o crescimento sustentável na última década. O resultado negativo já é percebido nos indicadores de curto prazo: fraco crescimento econômico, investimentos em queda, inflação acima da meta e superávit primário menor.
O pior é que o bonde está passando e o Brasil não está aproveitando. Ainda que o cenário externo seja desafiador, marcado pela fraca demanda mundial, por outro lado, ele gera oportunidades. Primeiro, porque nos setores do agronegócio, mineração e siderurgia temos amplas vantagens comparativas e nossos principais compradores ainda mantêm ritmo importante de crescimento. Poderíamos aprofundar esses laços comerciais. E segundo, que poderíamos nos beneficiar da ampla liquidez internacional, na medida em que os investidores buscam alternativas de ganho. Assim, poderíamos elevar os investimentos.
Mas, em linhas gerais, o que temos? Especificamente, com relação à política cambial, o objetivo é evitar a apreciação do real para defender a indústria nacional do chamado "tsunami monetário". As medidas mais contundentes foram a cobrança de IOF de 1% na variação da exposição líquida vendida em derivativos, inclusive afetando exportadores, e a extensão do prazo médio dos empréstimos sujeitos ao IOF para cinco anos. Além das ações para controlar o influxo, as operações do Banco Central (BC) no mercado cambial resultaram, na prática, num regime de taxa de câmbio administrada. A taxa de câmbio nominal está 17% mais alta do que sugere nosso cálculo do câmbio de equilíbrio.
Mas o fato é que o governo deu um tiro no próprio pé, porque o fluxo cambial, a partir de maio, tornou-se negativo, levando o governo a revogar a maioria das medidas restritivas em 60 dias.
Quanto à política fiscal, ao constatar que a projeção inicial de crescimento, de 4,5%, para o PIB deste ano não iria se materializar - estando mais próxima, na verdade, de cerca de 1/3 dessa projeção inicial -, o governo lançou várias medidas, especialmente relacionadas a desonerações, com o objetivo de incentivar o consumo e a produção, de forma seletiva. Calcula-se o custo dessas desonerações fiscais em R$ 45 bilhões (1% do PIB). Isso sem levar em conta os créditos de médio e de longo prazos subsidiados pelo Tesouro para o BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. A queda da arrecadação, junto com o aumento de gastos, deve resultar num superávit primário de 2,4% do PIB, ante a meta de 3,1%. Esse resultado, de superávit abaixo da meta fiscal cheia, deve se repetir também nos próximos anos.
O fato é que, apesar das múltiplas medidas do governo, o crescimento não aparece e os investimentos estão se retraindo. Na realidade, a economia do País vem perdendo atratividade para investidores internos e externos. Para eles, são fundamentais a transparência e a manutenção das "regras do jogo", além de um marco regulatório consistente e duradouro. O BC e as agências reguladoras perderam autonomia e credibilidade. No jargão do mercado, tornaram-se "pau mandado" do Planalto.
O governo vem atuando no sentido contrário. Não é à toa que os investimentos estão em queda há quatro trimestres consecutivos. E vale dizer que as taxas de juros nunca foram tão baixas.
A expectativa não é de um cenário de ruptura para a economia do Brasil, mas, certamente, o País deve continuar atrás em relação ao crescimento de países emergentes como Chile, Peru e Colômbia, que caminham no sentido de aperfeiçoar a gestão macroeconômica e melhorar o ambiente de negócios, além de formalizar contratos bilaterais de comércio com grandes economias. Nós, por outro lado, estamos destruindo o tripé de política econômica, piorando o ambiente de negócios, com alterações tributárias e intervenções setoriais, e persistimos no Mercosul com Argentina e Venezuela. Diga-me com quem andas e te direi quem és e para onde vais.
FLÁVIA OLIVEIRA - NEGÓCIOS E CIA
O GLOBO - 29/11
Silêncio
A presidente Dilma não fala com o governador Sérgio Cabral há duas semanas. Mantém completo silêncio sobre a decisão que tomará sobre a lei dos royalties.
Quem vai
A Ortobom abriu a primeira loja fora do Brasil, na semana passada. Fica em La Paz (Bolívia). A marca de colchões terá 30 franquias no país até o fim do ano que vem. Estuda chegar à Argentina e ao Uruguai.
Pirataria 1
Após seis meses de investigações, ação conjunta da HP e da Polícia Federal apreendeu US$ 487 mil em componentes falsificados. A operação foi este mês, em quatro cidades do país. Uma delas é Maringá (PR).
Pirataria 2
A maioria das denúncias vem das regiões Nordeste e Sul, diz Márcio Furrier, gerente de desenvolvimento da empresa. Só na categoria impressão, de cartuchos e toner, a HP estima prejuízo de US$ 600 milhões nas Américas do Sul, Norte e Central com falsificações.
Competitividade
O Rio é a centésima de 300 metrópoles num ranking global de competitividade da Brookings Institution. Entre as brasileiras, está em quarto lugar. A lista será conhecida amanhã, durante evento do projeto Global Cities Initiative, parceria com o JP Morgan Chase, em SP.
RDC REDUZ PREÇO E DURAÇÃO DE LICITAÇÕES NA INFRAERO
Estatal diz que economizou de 12% a 15% nos 22 contratos firmados, desde 2011, no regime especial para Copa e Jogos
A Infraero tem conseguido reduzir o preço e o prazo de assinatura dos contratos licitados via Regime Diferenciado de Contratações. O RDC é o modelo de concorrência pública aprovado para as obras da Copa 2014, dos Jogos 2016 e, mais recentemente, aos projetos do PAC. Desde dezembro de 2011, a estatal responsável pelos aeroportos já homologou 22 concorrências, no valor total de R$ 883,7 milhões. Em média, os contratos estão saindo de 12% a 15% mais baratos que o valor estimado pela empresa, informa José Antonio Pessoa Neto, superintendente de Licitações e Compras da Infraero. O sistema de transporte de bagagens do Galeão custou R$ 59,5 milhões, 30% abaixo do previsto. A possibilidade de não divulgar o orçamento está entre as vantagens do RDC. “Os concorrentes precisam ter estrutura profissional de custos para chegar ao preço justo. Não podem aplicar deságio sobre valor conhecido, diz Pessoa. O RDC prevê inversão de fases em relação à licitação convencional. Primeiro, o órgão analisa a documentação. Só são abertas as propostas de preço dos habilitados. Com isso, caem os pedidos de recurso. As licitações on-line são feitas pelo BB e o TCU recebe as informações.
DIAS CORRIDOS
É o prazo médio entre a concorrência pública e a assinatura de contratos nas licitações convencionais da Lei 8.666. No RDC, já houve acordo formalizado em 78 dias, informa a Infraero.
RETROFIT NO SHOPPING
REX, braço imobiliário do Grupo EBX, e Concal inauguram hoje o R3X Corporate Leblon. O prédio comercial, inteiramente reformado pela dupla, fica no Shopping Leblon. Tem quatro andares de até 1.400 m2 para locação. BB Private, Mercatto Investimentos, Grupo Jereissati e Freitas Leite Advogados já fecharam.
COLORIDO
Vai custar R$ 3 milhões a pintura das 637 construções da comunidade Santa Marta, em Botafogo. Em parceria com o governo do estado, a Tintas Coral anuncia hoje o patrocínio. A obra deve durar dois anos.
Após o anúncio, o presidente da empresa, Jaap Kuiper, pedirá às autoridades a instalação no local de uma quadra de tênis, como já existe na Rocinha. O campeão Guga Kuerten vai.
Em falta
Consumidores reclamam da falta de frios da Sadia em supermercados do Rio. Funcionários já informam que os produtos só voltarão aos balcões depois do Natal. A BRF admite “desvios pontuais, devido à alta demanda”. E nega problemas de produção e distribuição.
É Natal
Em 14 dias da promoção de Natal, o BarraShopping emitiu 27,5 mil cupons para o sorteio dos seis automóveis BMW 320i. Foram cerca de 500 unidades a mais que nas duas primeiras semanas da ação de 2011. Este ano, R$ 500 em compras rendem um cupom; ano passado, eram R$ 400.
É preciso saber crescer - MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 29/11
COM ALVARO GRIBEL E VALÉRIA MANIERO
Depois de dez cortes seguidos nos juros, o Banco Central manteve a Selic em 7,25%. Deve deixar a taxa nesse patamar por um tempo, mesmo que a inflação não volte ao centro da meta. Isso vai estimular os bancos a concederem empréstimos e os consumidores a fazerem dívidas. Mas ainda não se sabe se vai destravar os investimentos. As projeções para o PIB de 2012 e de 2013 estão em queda.
A Serasa Experian contabilizou que 16 milhões de brasileiros deixaram a lista de maus pagadores de janeiro a outubro. Essa informação foi levantada a pedido da coluna e publicada na terça-feira. Perguntamos, agora, quantas pessoas entraram na lista, e o número foi surpreendente: 21,5 milhões. Ou seja, o saldo no ano é negativo, 5,5 milhões de brasileiros ficaram com o nome sujo na praça até outubro.
O economista da Serasa, Luiz Rabi, faz revelações importantes. Primeiro, há alguns sinais de melhora. No mesmo período de 2011, o saldo desse cadastro foi negativo em 5,9 milhões; houve inclusão de 19,6 milhões de pessoas e saída de 13,7 milhões. Então, em 2012, o quadro é um pouco melhor.
- O ano de 2012 está menos ruim do que 2011. O crescimento da lista de maus pagadores foi de 9,5%, mas o número de pessoas que limparam o nome cresceu 16,3% - afirma.
Segundo, que a melhora está ocorrendo, mas em ritmo lento, e que a sua continuidade depende de crescimento econômico "com qualidade". Rabi diz que grande parte do que acontece no mercado de crédito hoje é resultado do PIB de 2010, que disparou 7,5%. Houve muito estímulo a dívidas, principalmente para compra de carro e de bens duráveis:
- A inadimplência subiu muito nesses segmentos. Então, para que o mercado de crédito volte ao normal é fundamental que a economia cresça agora por outro caminho, que é o dos investimentos.
É aí que mora o perigo. Os economistas não estão seguros de que os investimentos vão subir. Amanhã, o IBGE divulgará o resultado do PIB do terceiro trimestre. A taxa deve ser a mais alta em mais de um ano. Ainda assim, os investimentos devem cair pelo quinto trimestre seguido.
Juros não garantem investimentos
A taxa de juros ficou estável ontem, mas caiu 5,25 pontos desde setembro de 2011. Ainda assim, os investimentos não deslancharam. O economista José Júlio Senna, da MCM Consultores, explica que os juros são apenas um dos fatores que estimulam os empresários a investir. Há outros que também pesam, mas eles têm jogado contra.
- O governo tem feito muitas interferências em setores, dado benefício a uns e a outros, não. Ao mesmo tempo, bancos e elétricas foram pressionados - disse.
Senna lembra que os países ricos estão com juros reais negativos há vários anos e nem por isso os investimentos dispararam. Não se pode esquecer também que os grandes empresários aqui no Brasil já convivem há muito tempo com juros mais baixos, porque têm um banco de fomento só para eles, o BNDES. O efeito da queda da Selic sobre o apetite por investimentos pode ser menor do que se imagina.
COM ALVARO GRIBEL E VALÉRIA MANIERO
Depois de dez cortes seguidos nos juros, o Banco Central manteve a Selic em 7,25%. Deve deixar a taxa nesse patamar por um tempo, mesmo que a inflação não volte ao centro da meta. Isso vai estimular os bancos a concederem empréstimos e os consumidores a fazerem dívidas. Mas ainda não se sabe se vai destravar os investimentos. As projeções para o PIB de 2012 e de 2013 estão em queda.
A Serasa Experian contabilizou que 16 milhões de brasileiros deixaram a lista de maus pagadores de janeiro a outubro. Essa informação foi levantada a pedido da coluna e publicada na terça-feira. Perguntamos, agora, quantas pessoas entraram na lista, e o número foi surpreendente: 21,5 milhões. Ou seja, o saldo no ano é negativo, 5,5 milhões de brasileiros ficaram com o nome sujo na praça até outubro.
O economista da Serasa, Luiz Rabi, faz revelações importantes. Primeiro, há alguns sinais de melhora. No mesmo período de 2011, o saldo desse cadastro foi negativo em 5,9 milhões; houve inclusão de 19,6 milhões de pessoas e saída de 13,7 milhões. Então, em 2012, o quadro é um pouco melhor.
- O ano de 2012 está menos ruim do que 2011. O crescimento da lista de maus pagadores foi de 9,5%, mas o número de pessoas que limparam o nome cresceu 16,3% - afirma.
Segundo, que a melhora está ocorrendo, mas em ritmo lento, e que a sua continuidade depende de crescimento econômico "com qualidade". Rabi diz que grande parte do que acontece no mercado de crédito hoje é resultado do PIB de 2010, que disparou 7,5%. Houve muito estímulo a dívidas, principalmente para compra de carro e de bens duráveis:
- A inadimplência subiu muito nesses segmentos. Então, para que o mercado de crédito volte ao normal é fundamental que a economia cresça agora por outro caminho, que é o dos investimentos.
É aí que mora o perigo. Os economistas não estão seguros de que os investimentos vão subir. Amanhã, o IBGE divulgará o resultado do PIB do terceiro trimestre. A taxa deve ser a mais alta em mais de um ano. Ainda assim, os investimentos devem cair pelo quinto trimestre seguido.
Juros não garantem investimentos
A taxa de juros ficou estável ontem, mas caiu 5,25 pontos desde setembro de 2011. Ainda assim, os investimentos não deslancharam. O economista José Júlio Senna, da MCM Consultores, explica que os juros são apenas um dos fatores que estimulam os empresários a investir. Há outros que também pesam, mas eles têm jogado contra.
- O governo tem feito muitas interferências em setores, dado benefício a uns e a outros, não. Ao mesmo tempo, bancos e elétricas foram pressionados - disse.
Senna lembra que os países ricos estão com juros reais negativos há vários anos e nem por isso os investimentos dispararam. Não se pode esquecer também que os grandes empresários aqui no Brasil já convivem há muito tempo com juros mais baixos, porque têm um banco de fomento só para eles, o BNDES. O efeito da queda da Selic sobre o apetite por investimentos pode ser menor do que se imagina.
MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO
FOLHA DE SP - 29/11
Redes hoteleiras buscam se instalar em cidades menores
A oferta de futuros empreendimentos hoteleiros no Brasil será mais descentralizada, com grande procura por municípios menores do interior do país, de acordo com especialistas.
Atualmente, os 515 hotéis de grandes redes estão concentrados em 110 cidades.
Nos próximos anos, os 195 novos hotéis de projetos em andamento serão distribuídos por 98 cidades, segundo dados do Fohb (que reúne operadores hoteleiros).
Aproximadamente 60% da oferta atual está localizada em municípios acima de 1 milhão de habitantes.
Após as novas construções, cidades de 150 mil habitantes, que tinham 10% de penetração, passarão a ter 16%.
Em municípios de 150 mil a 300 mil habitantes, a parcela crescerá de 11% para 22%, segundo Roberto Rotter, presidente do Fohb e dos Hotéis Vila Rica.
"Locais como Itaboraí (RJ), Palmas (TO) e Rio Branco (AC) terão três ou mais novos."
"Vários setores têm se desenvolvido. Nem estou falando de grandes eventos, que não chegam a afetar o interior", afirma Rotter.
"Muitas prefeituras do interior estão oferecendo incentivos para atrair investimentos", afirma Bruno Omori, presidente da associação do setor Abih-SP.
Em Jundiaí (SP), um projeto com dois hotéis foi lançado neste ano pela Accor.
A empresa também inaugurou três no interior de São Paulo nos últimos meses.
Há unidades ainda nas cidades de Jaboticabal, Itu e Presidente Prudente.
Neste ano, a Blue Tree Hotels assinou contratos para a administração de hotéis no interior de São Paulo, em Alphaville, São Carlos, Valinhos e Votorantim, que devem ser inaugurados em 2014.
A rede inaugurou também no interior de Goiás.
VAREJO EUROPEU
As vendas de produtos eletroeletrônicos em países da Europa, como a França, a Alemanha e a Espanha, aumentaram no terceiro trimestre deste ano, ante igual período de 2011, segundo a GfK.
O setor movimentou € 45,3 bilhões (cerca de R$ 122,5 milhões) de julho a setembro, 1,5% a mais do que o registrado no ano passado.
Os produtos do segmento de telecomunicações tiveram a maior alta (16,5%).
Em segundo lugar, ficaram os eletroportáteis, que subiram 4% no período.
A maior queda, de 11,1%, foi a de eletrônicos, como televisores e aparelhos de som. O volume de vendas da categoria naquele trimestre foi de € 8,2 bilhões (aproximadamente R$ 22,2 bilhões).
No acumulado deste ano, o setor como um todo teve uma ligeira queda de 0,1%.
CAUTELA DE VÉSPERA
Os brasileiros serão mais parcimoniosos nas compras para o final deste ano, segundo uma pesquisa da Deloitte.
Quase 40% dos entrevistados, principalmente das classes C, D e E, respondem que o 13º salário será usado para quitar dívidas. Outros 25% querem reservar o dinheiro para economizar, especialmente nas classes A e B.
No Natal deste ano serão trocados "presentes mais comedidos", afirma Reynaldo Saad, sócio da Deloitte para atendimento a empresas do setor varejista.
Metade dos consumidores pretendem gastar menos, de acordo com a pesquisa, que ouviu 750 pessoas neste mês.
O valor médio de cada compra deve ficar entre R$ 10 e R$ 30. No ano passado, o gasto médio foi de R$ 50 a R$ 99, segundo o estudo.
O levantamento também indica que cerca de 55% das pessoas querem pesquisar mais antes de comprar seus presentes.
Aproximadamente 45% dos entrevistados pretendem ir às lojas na primeira semana de dezembro, data que coincide com o recebimento do 13º salário.
Mais...
Santa Catarina pediu à Petrobras o aumento da oferta de gás natural em 1 milhão de metros cúbicos por dia para os próximos dez anos. O Estado recebe hoje 2 milhões de metros cúbicos, que vão para 60 cidades.
...gás
A distribuidora SCGás está investindo R$ 180 milhões na expansão do gasoduto da serra catarinense. Com o esperado maior volume de gás e as obras nos dutos, pretende distribuir o produto em todo o Estado.
Diploma...
O edifício comercial JK 1455, da Cyrela Commercial Properties, em SP, recebeu do U.S. Green Building Council a certificação Leed Gold (Liderança em Energia e Design Ambiental) em manutenção de prédios.
...ambiental
Para conquistar o selo, a companhia afirma ter implementado aferições e ajustes em eficiência energética, consumo de água, coleta de lixo, limpeza e controle de pragas. O processo durou dois anos, segundo a CCP.
CHOCOLATE RUMO AO NORTE
A Cacau Show planeja abrir 240 unidades no país em 2013. O número é 9% maior que o deste ano. De janeiro até agora, foram inauguradas 220 lojas.
"Norte e Nordeste são nossas prioridades", diz o presidente da companhia, Alexandre Costa.
A Cacau Show espera um incremento de 30% nas vendas de Natal, ante o mesmo período de 2012. Novembro e dezembro correspondem a 24% do faturamento anual da empresa, enquanto a Páscoa é responsável por 29%.
O grupo concorrente CRM, das marcas Kopenhagen e Brasil Cacau, produzirá 48% a mais neste final de ano. Em 2011, a data representou 26% da receita anual.
É pouco - CELSO MING
O Estado de S.Paulo - 29/11
O fraco crescimento do PIB em 2011 (2,7%) e neste ano (cerca de 1,5%) não pode ser tomado como fator isolado, que se esgotou somente na renda mais baixa do brasileiro. Configura um desempenho medíocre de toda a economia.
Implicou, por exemplo, uma arrecadação inferior à esperada e, portanto, teve sério impacto sobre as finanças públicas. Prejudicou o controle da inflação, à medida que reduziu a produção e ganhos de escala. Uma inflação acima da meta, por sua vez, além de derrubar o rendimento real das aplicações financeiras, impediu maior queda dos juros... e assim vai.
Pelo que se sabe das projeções do mercado, os agentes econômicos começarão 2013 com otimismo equivalente ao mostrado no início de 2012. Anunciam que apostam num avanço do PIB da ordem de 3,5% a 4,0%, mais ou menos enganchados nas previsões oficiais. (Para 2013, por exemplo, o mercado financeiro prevê um crescimento do PIB de 3,9%, como mostra a pesquisa Focus, do Banco Central.)
Mas nada assegura esse desempenho. A indústria nacional já está avisando que, sem nova prorrogação das isenções do IPI sobre veículos e aparelhos domésticos, cujo término está previsto para final de dezembro, 2013 começa com perspectiva de quebra de consumo e de produção.
Da economia externa também não se esperam progressos. Se for evitado o abismo fiscal, ou seja, se não vier uma forte recessão da economia americana (o que não é certo), o desempenho da principal locomotiva do mundo só repetirá o de 2012 (avanço de 2%). Enquanto isso, a economia da Europa seguirá marcando passo - andando mais para trás do que para frente. Somente a China acena com boas perspectivas, mas, ainda assim, não muito melhores. Também depende do que ocorrerá nos Estados Unidos e na Europa.
A economia brasileira não poderá contar com a Argentina, principal parceira na América do Sul. As perspectivas por lá não são alentadoras. As exportações para o Mercosul (cerca de 10% do mercado externo brasileiro) deverão ficar ainda mais prejudicadas.
Significa que o setor produtivo nacional ficará ainda mais dependente das respostas do mercado interno. Esse, graças às políticas distributivistas do governo e aos estímulos ao crédito, se expande vigorosamente. Mas aí também atuam certas limitações. Os juros básicos (Selic) deverão ficar estancados em 7,25% "por um período de tempo suficientemente prolongado" (como diz o Banco Central) - o que acarreta estancamento de estímulos monetários. O nível de inadimplência, alto demais, permanecerá contendo a expansão do crédito. A indústria, que não aproveitou a expansão da demanda em 2012, provavelmente também não dará conta do recado em 2013, porque também não desengaveta seus projetos de investimento. Não está investindo por três razões: (1) porque sente o impacto da perda de retorno de suas aplicações financeiras e ainda não se ajustou ao novo ambiente de juros bem mais baixos; (2) porque enfrenta uma aceleração dos seus custos, especialmente no emprego de mão de obra; e (3) porque não se sente segura diante do crescente intervencionismo do governo federal nos negócios.
Enfim, não está nem um pouco garantido o crescimento econômico superior a 3,0% em 2013, conforme promete o ministro da Fazenda, Guido Mantega. E se, apesar de tudo, esse crescimento acontecer, nada indica que será sustentável, porque o Brasil investe pouco.
A presença do Estado - MARCELO MITERHOF
FOLHA DE SP - 29/11
O gasto público cria empregos e dá estabilidade ao capitalismo porque representa demanda efetiva
Na semana passada, reclamei de serviços públicos prestados sem compromisso com a população. A repercussão em comparação com as colunas anteriores foi grande, o que ocorreu em razão da homenagem à menina catarinense Isadora Faber e porque houve uma identificação com as experiências de muita gente que se sente desamparada diante de serviços públicos ruins.
Essa repercussão reforça a principal conclusão do artigo, a de que a validação do Estado de Bem-Estar Social precisa ocorrer na prática. No entanto, a forma de lidar com tal constatação difere conforme as orientações políticas e econômicas.
O liberalismo econômico prega o papel primordial do mercado, instância livre e impessoal que permite a cada um fazer as melhores escolhas possíveis. Em oposição, a atuação do Estado sofre com uma dificuldade intrínseca à tarefa de centralizadamente prever o que é o melhor para as pessoas.
Assim, a atuação do Estado deveria ser reduzida ao indispensável -educação, segurança e, quando muito, saúde e infraestrutura- para permitir que o dinamismo privado faça os negócios se expandirem até o pleno emprego. Esse seria obtido desde que o mercado de trabalho fosse livre, sendo os salários nominais flexíveis, de maneira que seus valores seriam determinados pela interação entre a oferta de mão de obra dada pelos trabalhadores e sua demanda pelas empresas.
A intervenção estatal -estabelecendo salário mínimo, num exemplo extremo, ou cobrando altos impostos- só criaria rigidezes que prejudicam a obtenção do melhor equilíbrio possível, o que é dado pelas condições de oferta: espírito empreendedor, capacitação da mão de obra, disciplina para poupar etc.
Não foi à toa, portanto, que parte das mensagens de apoio que recebi foi de pessoas identificadas com a agenda liberal. Como disse na semana passada, diante de serviços públicos ruins, é difícil tirar-lhes a razão, pelo menos em alguma dose.
Ainda assim, um contraponto é necessário. Keynes foi um dos primeiros a apontar que a teoria econômica convencional erra quando supõe que a flexibilidade nominal dos salários existe no mundo real (ainda bem), o que significa que o pleno emprego não pode ser obtido por ajustes no mercado de trabalho.
A determinação do nível de produção e emprego depende da propensão a consumir e das expectativas dos empresários acerca da demanda futura, que os farão tomar decisões de investimento. Assim, o equilíbrio no pleno emprego não é automático. O espírito inovador do capitalismo colabora para ter boas perspectivas para os negócios. Mas também o Estado é fundamental para o desenvolvimento.
Por exemplo, políticas de distribuição de renda favorecem o crescimento porque as pessoas mais pobres têm uma maior propensão a consumir. O gasto público cria empregos e ajuda a dar estabilidade ao capitalismo porque representa demanda efetiva que impulsiona as expectativas empresariais acerca dos negócios futuros, levando-os a investir e, assim, a aumentar a produtividade, a renda e o emprego.
O Estado é gerador de empregos também no setor privado.
Não existe uma dicotomia entre Estado e mercado como há na teoria convencional. Keynes percebeu que a superação da crise de 1929 foi feita por aumentos dos gastos públicos em obras de infraestrutura, previdência, seguro-desemprego, ampliação das coberturas de saúde e educação etc.
Assim, a discussão sobre o seu papel não passa por reduzir os impostos ou pela dicotomia entre investimentos públicos e gastos correntes. Botar todo mundo numa boa escola, construir hospitais, ter uma polícia eficiente, previdência, pagar bem professores, médicos, enfermeiros, policiais, entre outras coisas, dão robustez à economia. Contudo, haverá diferenças na forma de prestar tais serviços.
A forma de elevar a produtividade do setor público não se dá preferencialmente por reduções de seu custo de atuação, mas sim pelo aumento da qualidade dos serviços prestados. Isso certamente depende de crescimento. Nem por isso a vigilância em torno deles deve ser relaxada, em especial em países que já não são pobres, como o Brasil.
Tal vigilância contribui para validar a atuação do Estado como uma forma de organização coletiva ao menos tão importante quanto o mercado. Essa é uma tarefa crucial para que o país ingresse de vez numa trajetória virtuosa de desenvolvimento.
O gasto público cria empregos e dá estabilidade ao capitalismo porque representa demanda efetiva
Na semana passada, reclamei de serviços públicos prestados sem compromisso com a população. A repercussão em comparação com as colunas anteriores foi grande, o que ocorreu em razão da homenagem à menina catarinense Isadora Faber e porque houve uma identificação com as experiências de muita gente que se sente desamparada diante de serviços públicos ruins.
Essa repercussão reforça a principal conclusão do artigo, a de que a validação do Estado de Bem-Estar Social precisa ocorrer na prática. No entanto, a forma de lidar com tal constatação difere conforme as orientações políticas e econômicas.
O liberalismo econômico prega o papel primordial do mercado, instância livre e impessoal que permite a cada um fazer as melhores escolhas possíveis. Em oposição, a atuação do Estado sofre com uma dificuldade intrínseca à tarefa de centralizadamente prever o que é o melhor para as pessoas.
Assim, a atuação do Estado deveria ser reduzida ao indispensável -educação, segurança e, quando muito, saúde e infraestrutura- para permitir que o dinamismo privado faça os negócios se expandirem até o pleno emprego. Esse seria obtido desde que o mercado de trabalho fosse livre, sendo os salários nominais flexíveis, de maneira que seus valores seriam determinados pela interação entre a oferta de mão de obra dada pelos trabalhadores e sua demanda pelas empresas.
A intervenção estatal -estabelecendo salário mínimo, num exemplo extremo, ou cobrando altos impostos- só criaria rigidezes que prejudicam a obtenção do melhor equilíbrio possível, o que é dado pelas condições de oferta: espírito empreendedor, capacitação da mão de obra, disciplina para poupar etc.
Não foi à toa, portanto, que parte das mensagens de apoio que recebi foi de pessoas identificadas com a agenda liberal. Como disse na semana passada, diante de serviços públicos ruins, é difícil tirar-lhes a razão, pelo menos em alguma dose.
Ainda assim, um contraponto é necessário. Keynes foi um dos primeiros a apontar que a teoria econômica convencional erra quando supõe que a flexibilidade nominal dos salários existe no mundo real (ainda bem), o que significa que o pleno emprego não pode ser obtido por ajustes no mercado de trabalho.
A determinação do nível de produção e emprego depende da propensão a consumir e das expectativas dos empresários acerca da demanda futura, que os farão tomar decisões de investimento. Assim, o equilíbrio no pleno emprego não é automático. O espírito inovador do capitalismo colabora para ter boas perspectivas para os negócios. Mas também o Estado é fundamental para o desenvolvimento.
Por exemplo, políticas de distribuição de renda favorecem o crescimento porque as pessoas mais pobres têm uma maior propensão a consumir. O gasto público cria empregos e ajuda a dar estabilidade ao capitalismo porque representa demanda efetiva que impulsiona as expectativas empresariais acerca dos negócios futuros, levando-os a investir e, assim, a aumentar a produtividade, a renda e o emprego.
O Estado é gerador de empregos também no setor privado.
Não existe uma dicotomia entre Estado e mercado como há na teoria convencional. Keynes percebeu que a superação da crise de 1929 foi feita por aumentos dos gastos públicos em obras de infraestrutura, previdência, seguro-desemprego, ampliação das coberturas de saúde e educação etc.
Assim, a discussão sobre o seu papel não passa por reduzir os impostos ou pela dicotomia entre investimentos públicos e gastos correntes. Botar todo mundo numa boa escola, construir hospitais, ter uma polícia eficiente, previdência, pagar bem professores, médicos, enfermeiros, policiais, entre outras coisas, dão robustez à economia. Contudo, haverá diferenças na forma de prestar tais serviços.
A forma de elevar a produtividade do setor público não se dá preferencialmente por reduções de seu custo de atuação, mas sim pelo aumento da qualidade dos serviços prestados. Isso certamente depende de crescimento. Nem por isso a vigilância em torno deles deve ser relaxada, em especial em países que já não são pobres, como o Brasil.
Tal vigilância contribui para validar a atuação do Estado como uma forma de organização coletiva ao menos tão importante quanto o mercado. Essa é uma tarefa crucial para que o país ingresse de vez numa trajetória virtuosa de desenvolvimento.
O pior no Brasil já passou - ALBERTO TAMER
O Estado de S.Paulo - 29/11
A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) está pessimista com o crescimento das principais economias mundiais que integram a organização, e mais otimista com o Brasil.
Este ano, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve ficar em 1,5%, bem abaixo da média mundial de 2,9%, mas acredita que no próximo ano pode chegar a 4% por causa das medidas de estímulos fiscais e monetários anunciadas pelo governo.
Muito mais, porém, terá de ser feito para atenuar o cenário depressivo da economia mundial. Um cenário que, prevê a OCDE, deve durar dois anos e somente será atenuado se os governos e os bancos centrais agirem imediatamente. O apelo da OCDE é para mais liquidez - só os bancos europeus vão precisar de US$ 500 bilhões.
Por que essa diferença de visão entre o Brasil e o mundo? Para a organização, o governo já começou a agir e a economia não sofre os mesmos efeitos negativos do desemprego elevado e crescente dos outros países. Mas o governo deve persistir, ir mais adiante, porque a economia não deixará se ser afetada pelo clima depressivo mundial.
O que falta? A OCDE não vai mais adiante em sua análise, mas aponta a falta de investimento aqui e lá fora. O governo deu os primeiros passos para incentivá-lo, mas os resultados ainda demorarão para vir. Como os investimentos privados não reagem, os do governo caminham lentamente. Todas as previsões , do mercado, da OCDE, se baseiam no contínuo crescimento atual do consumo interno, e não no aumento da produção industrial. É uma saída, mas não uma solução sustentável a médio prazo. Mas podemos confiar nela pelo menos por mais um ano? Dados divulgados pelo IBGE e do mercado dizem que sim, mas com distorções porque a renda média dos assalariados continua crescendo - não pela produção industrial e sim pelas importações. Um fato que não é novo, mas vem se agravando de forma impressionante, como assinalou o Instituto de Estudos e Desenvolvimento Industrial, nesta semana. É de tal forma significativo que e merece destaque especial da coluna. É um desafio que está longe de ter sido enfrentado, apesar da nova taxa de câmbio. As vendas do varejo, diz o estudo, cresceram 8,9% em termos reais nos três primeiros trimestres deste ano sobre igual período do ano passado. Esta é uma indicação de que está em curso uma aceleração do nível de atividade do setor no corrente ano. Os dados são referentes ao "comércio restrito" de bens, não englobando o comércio de automóveis, autopeças e de material de construção. Considerando o "varejo ampliado", que inclui essas atividades, o avanço no ano é inferior, mas, mesmo assim, muito expressivo: 7,8%.
Ainda que o desempenho do último trimestre venha a ser mais fraco, o resultado deste ano será excepcional porque se dá em um contexto de aumento de apenas 1,5% do PIB e de um impulso modesto do crédito ao consumidor se comparado aos anos anteriores.
A análise dos segmentos que mais vêm se destacando é reveladora das atuais tendências de consumo. A elevação de vendas no acumulado do ano em "equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação" (+13,5%) e em "móveis e eletrodomésticos" (+13,1%) corresponde à diversificação do consumo por parte das dezenas de milhões de novos consumidores que ingressaram no mercado consumidor desde 2005. Inovações de produtos nesses setores e incentivos tributários, como a redução de IPI na compra de móveis e de bens duráveis da chamada linha branca, concorreram para renovar e intensificar as vendas.
Indústria não. Há um contraste muito acentuado entre os índices do varejo e os da indústria, diz o Iedi, citando o IBGE. A industria brasileira continua sendo incapaz de atender ao mercado interno, cedendo espaço ao produto importado a despeito da taxa de câmbio mais favorável.
Por quê? Isso refle o tempo necessário para que várias políticas já adotadas tenham efeito para reduzir o custo industrial e reposicionar a competitividade da indústria. Em 2011, os dados de variação do varejo e da produção industrial foram de: 6,7% e 6,6%, respectivamente, e de 0,4% e -0,5%, para a indústria geral e indústria de bens de consumo. Em 2012, até setembro, o varejo evoluiu 8,9% e 7,8%, enquanto a produção industrial caiu 3,4% e 2% (indústria geral e de bens de consumo). Ou seja, o desafio de aumentar a produção industrial e atender à expansão da demanda interna , não só está aí, mas vai demorar ainda para ser superado.
Novos líderes, velhos problemas - KENNETH MAXWELL
FOLHA DE SP - 29/11
Neste sábado, Enrique Peña Nieto tomará posse como presidente do México. A ocasião marcará o retorno ao poder do Partido Revolucionário Institucional (PRI).
O partido conquistou a Presidência com apenas 38% dos votos e não terá maioria no Legislativo, mas a vitória de Peña Nieto representa uma notável recuperação.
O PRI controlou o México durante 71 anos e foi definido pelo romancista peruano Mario Vargas Llosa como "a ditadura perfeita".
Não surpreende que o recentemente reeleito presidente dos EUA, Barack Obama, tenha recebido o presidente eleito do México segunda-feira, na Casa Branca.
A vitória eleitoral de Obama foi muito auxiliada pelos eleitores hispânicos, que representam o grupo de mais rápido crescimento no eleitorado norte-americano, e o Partido Democrata pretende manter esse apoio.
Peña Nieto alega representar um novo partido. Descobrir se o PRI, de fato, se reformou é algo que só o tempo dirá. Contudo os problemas que os presidentes Obama e Peña Nieto precisam enfrentar são antigos e já se provaram intratáveis no passado. A imigração é apenas um deles. Muito mais grave é a guerra continuada contra os traficantes de drogas, para os quais os EUA continuam a ser o maior mercado.
O poder do crime organizado desconsidera fronteiras. Dadas as imensas quantias envolvidas, não surpreende que grandes bancos internacionais tenham se envolvido em lavagem de dinheiro.
Os EUA também continuam a ser a principal fonte para as armas utilizadas pelas quadrilhas de tráfico de drogas, um problema que os políticos norte-americanos hesitam em confrontar. É muito mais fácil, afinal, bancar guerras contra as drogas em terras alheias, à custa de vidas alheias.
E o problema tampouco se confina ao relacionamento entre o México e os EUA.
A convergência entre o tráfico de drogas, o contrabando e a guerrilha também afeta a América Central e a América do Sul.
Atinge a fronteira tríplice entre a Argentina, o Paraguai e o Brasil, a fronteira entre o Brasil e a Venezuela, a fronteira entre o México e a Guatemala, a fronteira entre a Colômbia e o Equador e, acima de tudo, a fronteira entre a Colômbia e a Venezuela, onde ocorreram cerca de 30 mil mortes nos dez últimos anos.
Organizações criminosas mexicanas e colombianas lutam pelo controle das lucrativas rotas clandestinas de comércio de drogas para a América do Norte, o Caribe, a África ocidental e a Europa.
Tradução de PAULO MIGLIACCI
Neste sábado, Enrique Peña Nieto tomará posse como presidente do México. A ocasião marcará o retorno ao poder do Partido Revolucionário Institucional (PRI).
O partido conquistou a Presidência com apenas 38% dos votos e não terá maioria no Legislativo, mas a vitória de Peña Nieto representa uma notável recuperação.
O PRI controlou o México durante 71 anos e foi definido pelo romancista peruano Mario Vargas Llosa como "a ditadura perfeita".
Não surpreende que o recentemente reeleito presidente dos EUA, Barack Obama, tenha recebido o presidente eleito do México segunda-feira, na Casa Branca.
A vitória eleitoral de Obama foi muito auxiliada pelos eleitores hispânicos, que representam o grupo de mais rápido crescimento no eleitorado norte-americano, e o Partido Democrata pretende manter esse apoio.
Peña Nieto alega representar um novo partido. Descobrir se o PRI, de fato, se reformou é algo que só o tempo dirá. Contudo os problemas que os presidentes Obama e Peña Nieto precisam enfrentar são antigos e já se provaram intratáveis no passado. A imigração é apenas um deles. Muito mais grave é a guerra continuada contra os traficantes de drogas, para os quais os EUA continuam a ser o maior mercado.
O poder do crime organizado desconsidera fronteiras. Dadas as imensas quantias envolvidas, não surpreende que grandes bancos internacionais tenham se envolvido em lavagem de dinheiro.
Os EUA também continuam a ser a principal fonte para as armas utilizadas pelas quadrilhas de tráfico de drogas, um problema que os políticos norte-americanos hesitam em confrontar. É muito mais fácil, afinal, bancar guerras contra as drogas em terras alheias, à custa de vidas alheias.
E o problema tampouco se confina ao relacionamento entre o México e os EUA.
A convergência entre o tráfico de drogas, o contrabando e a guerrilha também afeta a América Central e a América do Sul.
Atinge a fronteira tríplice entre a Argentina, o Paraguai e o Brasil, a fronteira entre o Brasil e a Venezuela, a fronteira entre o México e a Guatemala, a fronteira entre a Colômbia e o Equador e, acima de tudo, a fronteira entre a Colômbia e a Venezuela, onde ocorreram cerca de 30 mil mortes nos dez últimos anos.
Organizações criminosas mexicanas e colombianas lutam pelo controle das lucrativas rotas clandestinas de comércio de drogas para a América do Norte, o Caribe, a África ocidental e a Europa.
Tradução de PAULO MIGLIACCI
Paris diz 'sim' a palestinos - GILLES LAPOUGE
O Estado de S.Paulo - 29/11
O presidente François Hollande é tido como uma pessoa indecisa, insegura e medrosa. A fama é justa? Em política externa, ele não corresponde a esse retrato. Ao contrário. Hollande consegue resistir ao impacto de buldôzeres como a alemã Angela Merkel, de se atirar de peito aberto, por exemplo, no Oriente Médio, esse formigueiro de problemas, de hostilidades, de fronteiras e trincheiras, enquanto a maior parte das outras potências corre para o abrigo.
Foi o que o presidente fez, dias atrás, ao reconhecer na frente de todos a Coalização Nacional Síria, que agrupa os rebeldes em luta contra o ditador Bashar Assad. E agora ele recomeça. Anunciou que votará na ONU em favor da solicitação apresentada pelo presidente da Autoridade Palestina, o líder da Fatah, Mahmoud Abbas.
O que pede Abbas? Ele reclama para a Palestina o status de Estado observador da ONU, conceito ambíguo e nebuloso, melhor do que o simples assento provisório de observador, que a Palestina já ocupa há anos, mas bem inferior a uma verdadeira cadeira na ONU.
A questão é bem delicada. A Palestina está dilacerada entre duas tendências, o Fatah, de Abbas, que exerce a diplomacia e reprova a luta armada e o terrorismo. E o Hamas, que controla a Faixa de Gaza e jamais renunciou à luta armada. Por que Abbas apela à Assembleia-Geral e não ao Conselho de Segurança da ONU? Porque na Assembleia ele dispõe de uma maioria, graças aos países do sul, enquanto no Conselho de Segurança, os EUA, que são o principal aliado de Israel, vetariam imediatamente qualquer solicitação da Fatah.
Para Abbas, seria importante nesse embate contar com o apoio de algumas potências ocidentais, particularmente na Europa. Por isso, a posição da França faz sentido: Paris poderá convencer, pelo exemplo, outros membros da União Europeia.
A decisão de Hollande já mostrou um primeiro resultado. A Espanha apoia agora a solicitação de Abbas. Madri reconhece que a decisão de Paris funcionou como uma alavanca e levou a Espanha a dar o grande passo. A Grã-Bretanha será a próxima? O premiê David Cameron hesita. Mas ele precisa levar em conta a opinião pública do seu país- 54% dos britânicos aprovam a reivindicação palestina.
Duas ou três outras capitais europeias afirmam estar dispostas a dar também seu apoio a Abbas. Mas há um grande bloco do países favoráveis à abstenção, com a Alemanha à frente.
Em Israel, predomina a moderação. Em primeiro lugar, porque Abbas é uma pessoa confiável, ao contrário dos líderes do Hamas da Faixa de Gaza. Em segundo lugar, porque a mudança de estatuto da Palestina não mudaria profundamente a atual situação. Certamente, o novo status palestino permitiria acesso às agências da ONU, como a Unesco. Mas, para o governo israelense, isso não constituiria um motivo para declarar guerra.
Passos para a paz - EDITORIAL FOLHA DE SP
FOLHA DE SP - 29/11
Mudanças provocadas pela Primavera Árabe reabrem possibilidade de negociações entre Israel e palestinos, travadas há mais de dez anos
Entra hoje na pauta da Assembleia-Geral da ONU a controversa reivindicação da Autoridade Nacional Palestina pela condição de Estado observador, último degrau antes da aceitação como membro pleno das Nações Unidas. Dá-se como certo que a medida será aprovada -uma mudança pequena na prática, mas com efeito simbólico para debilitar a posição de Israel.
As peças do xadrez no Oriente Médio já tinham voltado a se mover com o recente conflito na faixa de Gaza. Uma trégua entre Israel e o Hamas foi rapidamente alcançada, com a mediação do Egito e dos EUA, e vem sendo respeitada.
Negociações sérias estão emperradas há mais de uma década, quando fracassou a cúpula de Camp David, em 2000. De lá para cá, ocorreram apenas iniciativas malogradas, entremeadas por explosões de violência.
Ainda que mantendo algum ceticismo, é preciso reconhecer que, nos últimos dois anos, uma importante reconfiguração geopolítica teve lugar na região, com impacto sobre israelenses e palestinos.
O principal evento foi a Primavera Árabe. Ditadores perenes, como Zine Ben Ali, da Tunísia, Hosni Mubarak, do Egito, e Muammar Gaddafi, da Líbia, foram tirados do trono. Outro ditador, Bashar Assad, da Síria, é confrontado. Monarcas que resistiram aos ventos liberalizantes, como na Jordânia e na Arábia Saudita, estão enfraquecidos e hoje atuam com muito mais cautela do que há alguns anos.
Os regimes derrubados foram substituídos por governos formados por grupos islâmicos, como a Irmandade Muçulmana no Egito -agremiação que é uma espécie de irmã mais velha do Hamas. Isso favorece a retórica anti-Israel na região, mas, paradoxalmente, abre uma janela de oportunidade.
O Hamas se afastou do Irã e da Síria, mergulhados em seus próprios problemas, para reaproximar-se do Egito. Por razões econômicas (ajuda dos EUA e do FMI) e de política interna (acordos com os militares), o presidente egípcio, Mohamed Mursi, dificilmente romperá os acordos de paz com Israel.
Nesse cenário, é do interesse de Mursi aproveitar a tensão para exibir-se como uma liderança confiável para o Ocidente. Foi o que ele fez ao intermediar o cessar-fogo entre Israel e os palestinos.
Outros atores que vêm ganhando destaque na região são a Turquia e o Qatar. Os dois países já nutriram boas relações com Israel, mas recentemente se distanciaram do Estado judeu e vinham reforçando vínculos com o Hamas. Agora podem se somar ao Egito para conduzir o grupo palestino a uma rota menos belicista.
Já a Autoridade Nacional Palestina, de Mahmoud Abbas, enfraqueceu-se ainda mais na crise, mas pode ganhar algum alento na ONU.
A combinação de um Israel mais isolado com um Hamas fortalecido e menos radical pode abrir uma nova fase, em que cada lado pelo menos reconheça o outro como interlocutor. Isso, evidentemente, não dá garantia de paz, mas é um passo necessário para chegar a ela.
Mudanças provocadas pela Primavera Árabe reabrem possibilidade de negociações entre Israel e palestinos, travadas há mais de dez anos
Entra hoje na pauta da Assembleia-Geral da ONU a controversa reivindicação da Autoridade Nacional Palestina pela condição de Estado observador, último degrau antes da aceitação como membro pleno das Nações Unidas. Dá-se como certo que a medida será aprovada -uma mudança pequena na prática, mas com efeito simbólico para debilitar a posição de Israel.
As peças do xadrez no Oriente Médio já tinham voltado a se mover com o recente conflito na faixa de Gaza. Uma trégua entre Israel e o Hamas foi rapidamente alcançada, com a mediação do Egito e dos EUA, e vem sendo respeitada.
Negociações sérias estão emperradas há mais de uma década, quando fracassou a cúpula de Camp David, em 2000. De lá para cá, ocorreram apenas iniciativas malogradas, entremeadas por explosões de violência.
Ainda que mantendo algum ceticismo, é preciso reconhecer que, nos últimos dois anos, uma importante reconfiguração geopolítica teve lugar na região, com impacto sobre israelenses e palestinos.
O principal evento foi a Primavera Árabe. Ditadores perenes, como Zine Ben Ali, da Tunísia, Hosni Mubarak, do Egito, e Muammar Gaddafi, da Líbia, foram tirados do trono. Outro ditador, Bashar Assad, da Síria, é confrontado. Monarcas que resistiram aos ventos liberalizantes, como na Jordânia e na Arábia Saudita, estão enfraquecidos e hoje atuam com muito mais cautela do que há alguns anos.
Os regimes derrubados foram substituídos por governos formados por grupos islâmicos, como a Irmandade Muçulmana no Egito -agremiação que é uma espécie de irmã mais velha do Hamas. Isso favorece a retórica anti-Israel na região, mas, paradoxalmente, abre uma janela de oportunidade.
O Hamas se afastou do Irã e da Síria, mergulhados em seus próprios problemas, para reaproximar-se do Egito. Por razões econômicas (ajuda dos EUA e do FMI) e de política interna (acordos com os militares), o presidente egípcio, Mohamed Mursi, dificilmente romperá os acordos de paz com Israel.
Nesse cenário, é do interesse de Mursi aproveitar a tensão para exibir-se como uma liderança confiável para o Ocidente. Foi o que ele fez ao intermediar o cessar-fogo entre Israel e os palestinos.
Outros atores que vêm ganhando destaque na região são a Turquia e o Qatar. Os dois países já nutriram boas relações com Israel, mas recentemente se distanciaram do Estado judeu e vinham reforçando vínculos com o Hamas. Agora podem se somar ao Egito para conduzir o grupo palestino a uma rota menos belicista.
Já a Autoridade Nacional Palestina, de Mahmoud Abbas, enfraqueceu-se ainda mais na crise, mas pode ganhar algum alento na ONU.
A combinação de um Israel mais isolado com um Hamas fortalecido e menos radical pode abrir uma nova fase, em que cada lado pelo menos reconheça o outro como interlocutor. Isso, evidentemente, não dá garantia de paz, mas é um passo necessário para chegar a ela.
De estatal para estatal - EDITORIAL O ESTADÃO
O ESTADÃO - 29/11
A concessão do maior financiamento da história do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o Consórcio Norte Energia - responsável pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu -, embora prevista contratualmente, confirma a interpretação de que o leilão dessa usina, anunciado como a forma ideal para atrair capitais privados e baratear custos de construção e de geração de energia elétrica, não passou de um embuste político.
Já por ocasião do leilão, em abril de 2010, era evidente para as empresas privadas experientes que as condições exigidas dos interessados - preço máximo da energia, custo das obras, prazos, além de eventuais restrições ambientais - não recomendavam sua participação na disputa. Mesmo assim, o governo Lula, por razões políticas - era um ano eleitoral -, manteve o leilão. Para realizá-lo com a participação de empresas privadas, anunciou empréstimos generosos do BNDES, que agora se concretizam, e deduções do Imposto de Renda. Mesmo assim, teve de forçar empresas estatais a liderar a constituição de dois consórcios, para dar a impressão de disputa.
Em ambos, era notória a presença estatal. Num deles, o Belo Monte Energia, duas estatais da área energética (Furnas e Eletrosul) respondiam por 49% da composição; em outro, o Norte Energia, a Chesf detinha exatamente 49,98% do capital, o que teoricamente não lhe assegurava o controle. Venceu o liderado pela Chesf, que em sua composição tinha também sete empresas privadas, quase todas da área de construção. As vendas de participações ocorridas desde então ampliaram ainda mais a porcentagem de recursos públicos na Norte Energia.
As construtoras privadas saíram do consórcio. Empresas privadas ou não estatais brasileiras como Neoenergia, Vale e a siderúrgica Sinobrás participam dele. Mas a entrada da Eletronorte, responsável pelos estudos de viabilidade da Usina de Belo Monte, da Eletrobrás (controladora da Eletronorte e da Chesf) e de fundos de pensão de estatais, como o Funcef (dos funcionários da Caixa Econômica Federal) - que há dois meses ampliou para 10% sua participação no consórcio, com a compra da participação de uma construtora privada - e o Petros (dos funcionários da Petrobrás), o tornam um empreendimento nitidamente estatal.
O empréstimo recorde do BNDES, no valor de R$ 22,5 bilhões, representa 78% do atual custo previsto da obra, de R$ 28,9 bilhões (recorde-se que, inicialmente, o custo total era estimado em R$ 19,6 bilhões, considerado irreal por empresas especializadas em construção de usinas hidrelétricas). O valor corresponde a mais do dobro dos empréstimos concedidos às duas hidrelétricas em construção no Rio Madeira (Santo Antônio e Jirau), que, juntas, obtiveram financiamento de R$ 15,6 bilhões.
Canalizado para um empreendimento estatal, o empréstimo à Norte Energia - embora esteja dentro das limitações legais de operação do banco, como a de a operação não ultrapassar o equivalente a 25% do patrimônio de referência, isto é, R$ 23,06 bilhões - reduz substancialmente a disponibilidade de recursos que a instituição pode oferecer para empresas privadas que necessitam modernizar suas instalações ou ampliar seu parque produtivo, para aumentar sua competitividade.
O financiamento gigantesco concedido pelo BNDES é mais um item polêmico que se soma aos muitos envolvendo Belo Monte. Até a realização do leilão, o projeto era questionado na Justiça sob o argumento de que comunidades indígenas não tinham sido consultadas.
Igualmente o modelo de geração adotado em Belo Monte - de fio d"água, que não exige grandes reservatórios - tem sido criticado, pois assegurará a geração média equivalente a 40% de sua capacidade total, inferior à média de 55% de outras usinas hidrelétricas construídas de acordo com o modelo tradicional.
Há pouco, reações violentas dos trabalhadores envolvidos em sua construção forçaram a paralisação das obras. Mesmo assim, o consórcio garante que a primeira unidade geradora entrará em operação em fevereiro de 2015.
A desatenta vigilância do governo federal - EDITORIAL O GLOBO
O GLOBO - 29/11
Se alguém tivesse lido a folha corrida de Weber Holanda, é possível que o Planalto não passaria pelo dissabor de destituir o advogado-adjunto da União
Os mecanismos do Estado de defesa dos interesses da sociedade, com base na Constituição, têm dado demonstrações de eficácia, na atuação da Polícia Federal em certas investigações e no julgamento do mensalão, o exemplo mais radiante. Porém, já no cotidiano da administração federal, os sistemas de vigilância não conseguem ter a mesma eficácia.
Só quando "malfeitos" vêm à tona na forma de escândalos, providências são tomadas — de afogadilho, sempre sob pressão como um gesto de satisfação à opinião pública. Não se pode sequer ter a certeza de que inquéritos serão de fato aberto, e, se instaurados, punirão alguém. O vírus da impunidade não está inoculado apenas no Poder Judiciário, mas também nos inquéritos abertos na esfera administrativa. Por sinal, eles são instaurados quase instantaneamente, e sempre constam do primeiro anúncio de providências diante do escândalo do momento. Já o desfecho, com a punição, esta é notícia rara.
É sugestiva a ascensão na máquina burocrática de José Weber Holanda Alves, advogado-geral adjunto da União, destituído ao aparecer como uma das escalas nas rotas usadas pelo esquema de corrupção montado a partir da chefe de gabinete da Presidência em São Paulo, Rosemary Noronha, próxima de Lula.
Pelo que se sabe até agora sobre a apuração da PF na Operação Porto Seguro, Weber teria agido na AGU para livrar o ex-senador Gilberto Miranda de dissabores pelo fato de ter feito edificações ilegais em uma ilha no litoral paulista.
A AGU não seria tocada pelo escândalo se alguém consultasse com um mínimo de atenção a folha corrida de Weber, antes de contratá-lo. Saberia que, na passagem pelo INSS, ele começou a ser investigado pela Controladoria Geral da União (CGU) devido à atuação lesiva aos cofres públicos na assinatura de dois contratos do instituto com a Fundação Universidade de Brasília (FUB).
Mesmo que Weber tivesse, por via judicial, impedido a CGU de prosseguir nas auditorias, a simples abertura dos inquéritos não aconselhava Luís Inácio Adams a nomeá-lo seu segundo. Alguém deveria tê-lo alertado.
Há muitos outros exemplos de desatenção oficial. Um deles, a nebulosa lerdeza da fiscalização do Banco Central diante das fraudes cometidas pelo BMG e Banco Rural nas operações de lavagem de dinheiro do mensalão.
Apenas durante o julgamento do processo, na leitura da acusação e do voto do relator, ministro Joaquim Barbosa, teve-se a dimensão da delinquência financeira dos dois bancos, crimes cometidos sob as barbas do BC. Com o detalhe de que o Banco Rural, especificamente, frequenta o submundo da baixa política muito antes do governo Lula.
E os casos que não prosperam por óbvias interferências políticas nos bastidores do governo? O que causa espanto porque o divulgado pode ser a menor parte de algo bem maior.
Se alguém tivesse lido a folha corrida de Weber Holanda, é possível que o Planalto não passaria pelo dissabor de destituir o advogado-adjunto da União
Os mecanismos do Estado de defesa dos interesses da sociedade, com base na Constituição, têm dado demonstrações de eficácia, na atuação da Polícia Federal em certas investigações e no julgamento do mensalão, o exemplo mais radiante. Porém, já no cotidiano da administração federal, os sistemas de vigilância não conseguem ter a mesma eficácia.
Só quando "malfeitos" vêm à tona na forma de escândalos, providências são tomadas — de afogadilho, sempre sob pressão como um gesto de satisfação à opinião pública. Não se pode sequer ter a certeza de que inquéritos serão de fato aberto, e, se instaurados, punirão alguém. O vírus da impunidade não está inoculado apenas no Poder Judiciário, mas também nos inquéritos abertos na esfera administrativa. Por sinal, eles são instaurados quase instantaneamente, e sempre constam do primeiro anúncio de providências diante do escândalo do momento. Já o desfecho, com a punição, esta é notícia rara.
É sugestiva a ascensão na máquina burocrática de José Weber Holanda Alves, advogado-geral adjunto da União, destituído ao aparecer como uma das escalas nas rotas usadas pelo esquema de corrupção montado a partir da chefe de gabinete da Presidência em São Paulo, Rosemary Noronha, próxima de Lula.
Pelo que se sabe até agora sobre a apuração da PF na Operação Porto Seguro, Weber teria agido na AGU para livrar o ex-senador Gilberto Miranda de dissabores pelo fato de ter feito edificações ilegais em uma ilha no litoral paulista.
A AGU não seria tocada pelo escândalo se alguém consultasse com um mínimo de atenção a folha corrida de Weber, antes de contratá-lo. Saberia que, na passagem pelo INSS, ele começou a ser investigado pela Controladoria Geral da União (CGU) devido à atuação lesiva aos cofres públicos na assinatura de dois contratos do instituto com a Fundação Universidade de Brasília (FUB).
Mesmo que Weber tivesse, por via judicial, impedido a CGU de prosseguir nas auditorias, a simples abertura dos inquéritos não aconselhava Luís Inácio Adams a nomeá-lo seu segundo. Alguém deveria tê-lo alertado.
Há muitos outros exemplos de desatenção oficial. Um deles, a nebulosa lerdeza da fiscalização do Banco Central diante das fraudes cometidas pelo BMG e Banco Rural nas operações de lavagem de dinheiro do mensalão.
Apenas durante o julgamento do processo, na leitura da acusação e do voto do relator, ministro Joaquim Barbosa, teve-se a dimensão da delinquência financeira dos dois bancos, crimes cometidos sob as barbas do BC. Com o detalhe de que o Banco Rural, especificamente, frequenta o submundo da baixa política muito antes do governo Lula.
E os casos que não prosperam por óbvias interferências políticas nos bastidores do governo? O que causa espanto porque o divulgado pode ser a menor parte de algo bem maior.
COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO
“Nunca se queixe, nunca se explique, nunca se desculpe”
Ex-deputado Roberto Jefferson, ao comentar sua condenação em regime semiaberto
PT E LULA TENTAM BLINDAGEM CONTRA CPI DA ROSE
Lideranças do governo e do PT e o próprio ex-presidente Lula estão trabalhando intensamente, nos bastidores, conversando inclusive com dirigentes da oposição, para barrar eventual proposta de Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar corrupção e tráfico de influência de servidores federais, incluindo a ex-chefe do Gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, a “Rose”.
VOTO DE CONFIANÇA
Lula tem telefonado a políticos oposicionistas, pedindo “voto de confiança” até que as investigações da Porto Seguro sejam concluídas.
PEGANDO LEVE
O empenho de Lula pode estar por trás da decisão do PSDB de “pegar leve” com o ex-presidente enquanto não surgirem “fatos novos”.
URTICÁRIA
Ao Palácio do Planalto tampouco interessa uma CPI fuçando eventuais maracutaias que envolvam a Advocacia Geral da União no escândalo.
NOITES INSONES
Não se perde sono no governo com a sorte dos irmãos Paulo e Rubens Vieira, diretores da ANA e Anac, que estão em cana. Já com Rose...
LULA AUTORIZAVA A ‘CARONA’ DE ROSE NAS VIAGENS
Nas quase trinta viagens nacionais e internacionais na comitiva do ex-presidente, a ex-chefe de gabinete e amiga íntima de Lula, Rosemary Nóvoa de Noronha, raramente constava do “manifesto” – a lista oficial de passageiros em aviões militares, no caso, o Air Force 51 da Força Aérea Brasileira. Obrigatória na aviação comercial, a lista era “furada” por Lula, que tinha a palavra final sobre o assunto, não o comandante.
MANDA QUEM PODE
Comum na FAB, a “carona” se institucionalizou com Lula: “Só doido decidiria desautorizá-lo”, diz, sob anonimato, ex-autoridade militar.
VIDA PRIVADA
Os jornais franceses, que gostam do “esporte”, ignoraram o escândalo Lula-Rose. Os americanos, que gostam mas disfarçam, também.
TUDO LEGAL
A FAB diz que o Diário Oficial publica a lista da comitiva presidencial, previamente identificada e autorizada, e cumpre normas de segurança.
NEGÓCIO DA CHINA
Lula foi à China em 2010 (sem Rose) pedir investimentos de US$ 2 bilhões no complexo portuário Barnabé-Bagres, em Santos (SP), alvo do inquérito da Polícia Federal. Lá, como se sabe, corrupção acaba em tiro.
SEGREDO DE POLICHINELO
“Se o avião caísse sem Rose na lista, todos saberiam que estava lá”, diz figura constante à época das viagens de Lula”, acrescentando que a então primeira-dama, Marisa, sabia das viagens, “mas não de todas”.
ACORDO POR PERILLO
Em troca do apoio do PSDB a Renan Calheiros (AL) e Henrique Alves (RN) para as presidências do Senado e da Câmara, o PMDB se comprometeu a tentar livrar o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, indiciado pelo relator da CPMI do Cachoeira. O PT é contra.
NÃO DÁ IDEIA
Se os deputados condenados continuarem com seus mandatos – como diz o regimento da Câmara –, os agentes penitenciários terão direito a pedir isonomia salarial com os funcionários dos gabinetes deles.
O APLAUSO DE EJ
A atuação do ministro revisor do mensalão mereceu surpreendentes elogios do tucano Eduardo Jorge Pereira. O ex-ministro de FHC acha que Ricardo Lewandowski fundamenta muito bem os seus votos.
RAPOSA EM GALINHEIRO
Os deputados de Rondônia escolheram o ficha-suja Nilton Capixaba (PTB) para coordenar as ações da bancada. Ele é acusado de receber propina para favorecer quadrilha no escândalo dos sanguessugas.
EXPECTATIVA DE UNS...
Palestinos esperam que nesta quinta a ONU cumpra, 65 anos depois, a resolução 181, de 1947, criando os estados de Israel e da Palestina e aquela, de 1967, que determina a devolução das áreas ocupadas.
...E DE OUTROS
O grupo Hamas, que controla a Autoridade Palestina, tornaria mais dignificante sua luta abandonando o terrorismo, que faz o mal sem olhar a quem, e acabando a férrea censura prévia à sua imprensa.
PENSANDO BEM…
…ao contrário do que previu Delúbio Soares, foi Lula e não os mensaleiros que acabou em “piada de salão”.
PODER SEM PUDOR
LATINHA NA CABEÇA
Secretário de Educação do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, Gabriel Chalita ganhou uma excelente oportunidade de ficar calado. Mas não ficou. Para dar uma mãozinha ao então ministro Paulo Renato (Educação), que bateu boca com a prefeita Marta Suplicy, Chalita a atacou por manter cinquenta "escolas de latinha", em calorentas instalações de metal. Um assessor o cutucou, na frente de jornalistas:
- O governo do Estado tem 200 escolas como essa, secretário.
Chalita engoliu seco e mudou de assunto.
Ex-deputado Roberto Jefferson, ao comentar sua condenação em regime semiaberto
PT E LULA TENTAM BLINDAGEM CONTRA CPI DA ROSE
Lideranças do governo e do PT e o próprio ex-presidente Lula estão trabalhando intensamente, nos bastidores, conversando inclusive com dirigentes da oposição, para barrar eventual proposta de Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar corrupção e tráfico de influência de servidores federais, incluindo a ex-chefe do Gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, a “Rose”.
VOTO DE CONFIANÇA
Lula tem telefonado a políticos oposicionistas, pedindo “voto de confiança” até que as investigações da Porto Seguro sejam concluídas.
PEGANDO LEVE
O empenho de Lula pode estar por trás da decisão do PSDB de “pegar leve” com o ex-presidente enquanto não surgirem “fatos novos”.
URTICÁRIA
Ao Palácio do Planalto tampouco interessa uma CPI fuçando eventuais maracutaias que envolvam a Advocacia Geral da União no escândalo.
NOITES INSONES
Não se perde sono no governo com a sorte dos irmãos Paulo e Rubens Vieira, diretores da ANA e Anac, que estão em cana. Já com Rose...
LULA AUTORIZAVA A ‘CARONA’ DE ROSE NAS VIAGENS
Nas quase trinta viagens nacionais e internacionais na comitiva do ex-presidente, a ex-chefe de gabinete e amiga íntima de Lula, Rosemary Nóvoa de Noronha, raramente constava do “manifesto” – a lista oficial de passageiros em aviões militares, no caso, o Air Force 51 da Força Aérea Brasileira. Obrigatória na aviação comercial, a lista era “furada” por Lula, que tinha a palavra final sobre o assunto, não o comandante.
MANDA QUEM PODE
Comum na FAB, a “carona” se institucionalizou com Lula: “Só doido decidiria desautorizá-lo”, diz, sob anonimato, ex-autoridade militar.
VIDA PRIVADA
Os jornais franceses, que gostam do “esporte”, ignoraram o escândalo Lula-Rose. Os americanos, que gostam mas disfarçam, também.
TUDO LEGAL
A FAB diz que o Diário Oficial publica a lista da comitiva presidencial, previamente identificada e autorizada, e cumpre normas de segurança.
NEGÓCIO DA CHINA
Lula foi à China em 2010 (sem Rose) pedir investimentos de US$ 2 bilhões no complexo portuário Barnabé-Bagres, em Santos (SP), alvo do inquérito da Polícia Federal. Lá, como se sabe, corrupção acaba em tiro.
SEGREDO DE POLICHINELO
“Se o avião caísse sem Rose na lista, todos saberiam que estava lá”, diz figura constante à época das viagens de Lula”, acrescentando que a então primeira-dama, Marisa, sabia das viagens, “mas não de todas”.
ACORDO POR PERILLO
Em troca do apoio do PSDB a Renan Calheiros (AL) e Henrique Alves (RN) para as presidências do Senado e da Câmara, o PMDB se comprometeu a tentar livrar o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, indiciado pelo relator da CPMI do Cachoeira. O PT é contra.
NÃO DÁ IDEIA
Se os deputados condenados continuarem com seus mandatos – como diz o regimento da Câmara –, os agentes penitenciários terão direito a pedir isonomia salarial com os funcionários dos gabinetes deles.
O APLAUSO DE EJ
A atuação do ministro revisor do mensalão mereceu surpreendentes elogios do tucano Eduardo Jorge Pereira. O ex-ministro de FHC acha que Ricardo Lewandowski fundamenta muito bem os seus votos.
RAPOSA EM GALINHEIRO
Os deputados de Rondônia escolheram o ficha-suja Nilton Capixaba (PTB) para coordenar as ações da bancada. Ele é acusado de receber propina para favorecer quadrilha no escândalo dos sanguessugas.
EXPECTATIVA DE UNS...
Palestinos esperam que nesta quinta a ONU cumpra, 65 anos depois, a resolução 181, de 1947, criando os estados de Israel e da Palestina e aquela, de 1967, que determina a devolução das áreas ocupadas.
...E DE OUTROS
O grupo Hamas, que controla a Autoridade Palestina, tornaria mais dignificante sua luta abandonando o terrorismo, que faz o mal sem olhar a quem, e acabando a férrea censura prévia à sua imprensa.
PENSANDO BEM…
…ao contrário do que previu Delúbio Soares, foi Lula e não os mensaleiros que acabou em “piada de salão”.
PODER SEM PUDOR
LATINHA NA CABEÇA
Secretário de Educação do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, Gabriel Chalita ganhou uma excelente oportunidade de ficar calado. Mas não ficou. Para dar uma mãozinha ao então ministro Paulo Renato (Educação), que bateu boca com a prefeita Marta Suplicy, Chalita a atacou por manter cinquenta "escolas de latinha", em calorentas instalações de metal. Um assessor o cutucou, na frente de jornalistas:
- O governo do Estado tem 200 escolas como essa, secretário.
Chalita engoliu seco e mudou de assunto.
QUINTA NOS JORNAIS
- Globo: O maior golpe na impunidade
- Folha: Mensalão o julgamento – Jefferson escapa de regime fechado
- Estadão: STF condena João Paulo à prisão e alivia Jefferson
- Correio: Sabe quem é o culpado pelos vôos de R$ 5mil?
- Valor: Menor tarifa vai definir as concessões em portos
- Estado de Minas: 600 prefeitos na mira do MP
- Zero Hora: STF poupa delator do mensalão
quarta-feira, novembro 28, 2012
A COLUNA DU MURILO - LULLA E SUA AMANTE
COLUNA DU MURILO
MANCHETES QUE OS JORNAIS NÃO PODEM PUBLICAR!
O GLOBO: Amante de Lula faz tráfico de influência
FOLHA DE SP: Rapariga de Lula tinha passaporte diplomático
O ESTADÃO: Mulher que Lula come tinha caso com José Dirceu
O DIA: Marisa indaga Lula e ele diz que não comeu, só botou nas coxas
VALOR ECONÔMICO: A prostituta de Lula negociou contratos do Porto de Santos
ESTADO DE MINAS: Lula e Rose, trepam há mais de 10 anos
ZERO HORA: O sapo e a vagabunda: No amor e na corrupção!
PAULO HENRIQUE AMORIM: É mentira, é mentira, é mentira - Patrocínio Caixa Econômica Federal
Pulsantes - MARTHA MEDEIROS
ZERO HORA - 28/11
Assisti à peça Vermelho, encenada pelo extraordinário Antonio Fagundes e por seu filho Bruno, que conta uma parte da vida do pintor Mark Rothko, expoente do expressionismo abstrato nos anos 50 e 60. O texto é tão bom, que saí do teatro com a cabeça fervendo.
Vontade de escrever sobre o dilema entre o que é artístico e o que é comercial, sobre as diferentes maneiras de vermos a mesma coisa, sobre a função da arte abstrata (que nunca me comoveu, mas à qual a partir da peça passei a dar outro valor) e sobre a desproteção das obras quando expostas (Mark Rothko era hiperexigente quanto à luz das galerias, assim como quanto à distância que o visitante deveria ficar da tela, e por quanto tempo esse visitante deveria observá-la até ser atingido emocionalmente... enfim, um chato, esse Rothko, mas fascinava).
No entanto, como não sou conhecedora de pintura, resolvi destacar aqui um outro aspecto da montagem, que diz respeito não só a artistas plásticos, mas a todos os que lidam com criação. Pensando bem, até com os que não lidam.
Muitos entre nós ainda acreditam que trabalho e prazer são duas coisas distintas que não se misturam. O dia, em tese, é dividido em três terços: oito horas trabalhando, oito horas aproveitando a vida (até parece: e as filas? e o trânsito?) e oito horas dormindo. Cada coisa no seu devido lugar. Apenas os artistas teriam a liberdade de subverter essa ordem.
Pois o mundo mudou. O trabalho está deixando de ser aquela atividade burocrática e rígida cuja finalidade era ganhar dinheiro e nada mais. Queremos extrair prazer do nosso ofício, seja ele técnico, artístico, formal, informal. O conceito de estabilidade perdeu força, as hierarquias já não impressionam.
A meta, hoje, é aproveitar as novas tecnologias e as oportunidades que elas oferecem. Atuar de forma mais flexível, autônoma e motivada. Trocar o “chegar lá” pelo “ser feliz agora”. Ou seja, amar o trabalho do mesmo jeito que se ama ir ao cinema, pegar uma praia e sair com os amigos.
Rothko respirava trabalho, e considerava que estava igualmente trabalhando quando lia Dostoievski, quando filosofava, quando caminhava pelas ruas, quando amava, quando dormia, quando conversava. Defendia a vida como matéria-prima da inspiração, sem regrar-se pelo horário comercial. Não se dava folga – ou folgava o tempo inteiro, depende do ponto de vista. Quando não estava pintando, estava alimentando sua sensibilidade, sem a qual nenhuma pintura existiria.
Nos anos 50, só mesmo um artista poderia viver essa fusão na prática. Depois que cruzamos o ano 2000, porém, é uma tendência que só cresce, em todas as áreas profissionais, nas que existem e, principalmente, nas que estão sendo inventadas.
Como pintor, Mark Rothko valeu-se de uma vasta cartela de cores, mas expressou-se magistralmente em vermelho – na verdade, ele viveu em vermelho. Paixão, sangue, vinho, pimenta, calor, sedução. Ele sabia que essa era a cor que pulsava. E segue moderno, pois, como ele, são os pulsantes que estão fazendo a diferença.
Assisti à peça Vermelho, encenada pelo extraordinário Antonio Fagundes e por seu filho Bruno, que conta uma parte da vida do pintor Mark Rothko, expoente do expressionismo abstrato nos anos 50 e 60. O texto é tão bom, que saí do teatro com a cabeça fervendo.
Vontade de escrever sobre o dilema entre o que é artístico e o que é comercial, sobre as diferentes maneiras de vermos a mesma coisa, sobre a função da arte abstrata (que nunca me comoveu, mas à qual a partir da peça passei a dar outro valor) e sobre a desproteção das obras quando expostas (Mark Rothko era hiperexigente quanto à luz das galerias, assim como quanto à distância que o visitante deveria ficar da tela, e por quanto tempo esse visitante deveria observá-la até ser atingido emocionalmente... enfim, um chato, esse Rothko, mas fascinava).
No entanto, como não sou conhecedora de pintura, resolvi destacar aqui um outro aspecto da montagem, que diz respeito não só a artistas plásticos, mas a todos os que lidam com criação. Pensando bem, até com os que não lidam.
Muitos entre nós ainda acreditam que trabalho e prazer são duas coisas distintas que não se misturam. O dia, em tese, é dividido em três terços: oito horas trabalhando, oito horas aproveitando a vida (até parece: e as filas? e o trânsito?) e oito horas dormindo. Cada coisa no seu devido lugar. Apenas os artistas teriam a liberdade de subverter essa ordem.
Pois o mundo mudou. O trabalho está deixando de ser aquela atividade burocrática e rígida cuja finalidade era ganhar dinheiro e nada mais. Queremos extrair prazer do nosso ofício, seja ele técnico, artístico, formal, informal. O conceito de estabilidade perdeu força, as hierarquias já não impressionam.
A meta, hoje, é aproveitar as novas tecnologias e as oportunidades que elas oferecem. Atuar de forma mais flexível, autônoma e motivada. Trocar o “chegar lá” pelo “ser feliz agora”. Ou seja, amar o trabalho do mesmo jeito que se ama ir ao cinema, pegar uma praia e sair com os amigos.
Rothko respirava trabalho, e considerava que estava igualmente trabalhando quando lia Dostoievski, quando filosofava, quando caminhava pelas ruas, quando amava, quando dormia, quando conversava. Defendia a vida como matéria-prima da inspiração, sem regrar-se pelo horário comercial. Não se dava folga – ou folgava o tempo inteiro, depende do ponto de vista. Quando não estava pintando, estava alimentando sua sensibilidade, sem a qual nenhuma pintura existiria.
Nos anos 50, só mesmo um artista poderia viver essa fusão na prática. Depois que cruzamos o ano 2000, porém, é uma tendência que só cresce, em todas as áreas profissionais, nas que existem e, principalmente, nas que estão sendo inventadas.
Como pintor, Mark Rothko valeu-se de uma vasta cartela de cores, mas expressou-se magistralmente em vermelho – na verdade, ele viveu em vermelho. Paixão, sangue, vinho, pimenta, calor, sedução. Ele sabia que essa era a cor que pulsava. E segue moderno, pois, como ele, são os pulsantes que estão fazendo a diferença.
O cara errado no lugar certo - TUTTY VASQUES
O Estado de S.Paulo - 28/11
Faltando ainda 17 dias para completar um ano que deixou a presidência do Corinthians para assumir o cargo de diretor de Seleções da CBF, Andrés Sanchez tem boas chances de comemorar a data já nomeado secretário de Esportes de São Paulo pelo prefeito eleito Fernando Haddad.
Com um currículo desses, francamente, a gente tem de tirar o chapéu para o nome mais cotado pelo PT para comandar a abertura da Copa de 2014 no Itaquerão.
Dizem que ele se dá bem porque é amigo do Lula, mas não custa lembrar que o José Dirceu e o Genoino também o são!
Menos até que o poder, Andrés tem como seu maior patrimônio a pose! Pode até não ter sido chamado a decidir porcaria nenhuma desde que saiu do Corinthians, mas ninguém finge mandar tão bem quanto ele.
Agora mesmo, tem feito uma ginástica danada para manter a altivez em sua saída humilhante da CBF. Não é fácil nem para ele encerrar uma conversa para a qual nunca foi chamado.
Em meio à crise que deixou a seleção sem técnico, Sanchez vai acabar dando um jeito de empurrar com a barriga seu destino de cartola pela primeira vez para um posto de governo.
Cá pra nós, tem tudo pra dar certo, né não?!
Falha de comunicação
Se soubessem que haveria protestos contra Sérgio Cabral na passeata pelo veto da Dilma ao projeto de redistribuição dos royalties do petróleo, os cariocas teriam no mínimo dobrado o público da manifestação.
Trem-bala perdida
A notícia enguiçada do trem-bala Rio-São Paulo-Campinas andou: o governo brasileiro anunciou que vai estender o projeto até Belo Horizonte, Brasília e Curitiba. Depois é só ir adiando o edital de licitação, e pronto!
Perguntar não ofende
Se os preços das passagens não param de subir e nunca antes na história deste País o brasileiro viajou tanto de avião, por que diabos as companhias aéreas nacionais estão sempre em crise?
Festival de más notícias
Os pessimistas estão em festa: começou na segunda-feira em Doha mais uma daquelas conferências da ONU fadadas ao fracasso sobre mudanças climáticas!
Preconceito bobo
O Google não precisa ter vergonha de dizer que caiu! Teve torcedor do Palmeiras que ficou ofendido com a desfaçatez da empresa na segunda-feira.
Boas festas
Confirmado: vai haver Natal na Grécia! Com os 43,7 bilhões de ajuda que acaba de receber dá para fazer uma festa e tanto!
Quem?
Mantendo a tradição brasileira de envolvimento de pessoas com nomes estranhos em escândalos de corrupção, chama-se Cyonil Júnior o ex-auditor do TCU que delatou o esquema descoberto pela Operação Porto Seguro da Polícia Federal.
Tá explicado
Tem muito torcedor por aí que quer o Felipão na seleção só para não correr o risco de vê-lo em seu clube. Entendeu agora?
Com um currículo desses, francamente, a gente tem de tirar o chapéu para o nome mais cotado pelo PT para comandar a abertura da Copa de 2014 no Itaquerão.
Dizem que ele se dá bem porque é amigo do Lula, mas não custa lembrar que o José Dirceu e o Genoino também o são!
Menos até que o poder, Andrés tem como seu maior patrimônio a pose! Pode até não ter sido chamado a decidir porcaria nenhuma desde que saiu do Corinthians, mas ninguém finge mandar tão bem quanto ele.
Agora mesmo, tem feito uma ginástica danada para manter a altivez em sua saída humilhante da CBF. Não é fácil nem para ele encerrar uma conversa para a qual nunca foi chamado.
Em meio à crise que deixou a seleção sem técnico, Sanchez vai acabar dando um jeito de empurrar com a barriga seu destino de cartola pela primeira vez para um posto de governo.
Cá pra nós, tem tudo pra dar certo, né não?!
Falha de comunicação
Se soubessem que haveria protestos contra Sérgio Cabral na passeata pelo veto da Dilma ao projeto de redistribuição dos royalties do petróleo, os cariocas teriam no mínimo dobrado o público da manifestação.
Trem-bala perdida
A notícia enguiçada do trem-bala Rio-São Paulo-Campinas andou: o governo brasileiro anunciou que vai estender o projeto até Belo Horizonte, Brasília e Curitiba. Depois é só ir adiando o edital de licitação, e pronto!
Perguntar não ofende
Se os preços das passagens não param de subir e nunca antes na história deste País o brasileiro viajou tanto de avião, por que diabos as companhias aéreas nacionais estão sempre em crise?
Festival de más notícias
Os pessimistas estão em festa: começou na segunda-feira em Doha mais uma daquelas conferências da ONU fadadas ao fracasso sobre mudanças climáticas!
Preconceito bobo
O Google não precisa ter vergonha de dizer que caiu! Teve torcedor do Palmeiras que ficou ofendido com a desfaçatez da empresa na segunda-feira.
Boas festas
Confirmado: vai haver Natal na Grécia! Com os 43,7 bilhões de ajuda que acaba de receber dá para fazer uma festa e tanto!
Quem?
Mantendo a tradição brasileira de envolvimento de pessoas com nomes estranhos em escândalos de corrupção, chama-se Cyonil Júnior o ex-auditor do TCU que delatou o esquema descoberto pela Operação Porto Seguro da Polícia Federal.
Tá explicado
Tem muito torcedor por aí que quer o Felipão na seleção só para não correr o risco de vê-lo em seu clube. Entendeu agora?
Tomou no Orkut - ANCELMO GOIS
O GLOBO - 28/11
Falar mal de ex-patrão nas redes sociais pode render condenação até mesmo na Justiça do Trabalho.
É isso mesmo. A 5ª Turma do TST condenou a ex-funcionária de uma pet shop de Curitiba a indenizar os donos do negócio em R$ 2 mil por ofensas no Orkut.
Segue...
Em sua página na rede social, a mulher confessou que maltratava os animais da loja com chutes e detergente nos olhos (meu Deus...), além de se referir aos patrões com palavrões e comentários ofensivos sobre a vida íntima deles.
O ministro Emmanoel Pereira, relator do caso, considerou as ofensas “graves” — sobretudo, “sabendo-se que o número de acessos em tais redes sociais é tão desconhecido quanto incontrolável”.
Cinema espírita
A Conspiração, que acaba de lançar o elogiadíssimo “Gonzaga — De pai para Filho”, vai produzir uma nova biografia.
Desta vez, do francês Allan Kardec (1804-1869), criador da chamada doutrina espírita, que no Brasil faz um tremendo sucesso.
Aliás...
Impressiona como tem gente com nome de Allan Kardec por aqui.
Vai de jogador de futebol até diretor da ANP.
No mais
Lula, apesar dos avanços sociais de seu governo, promoveu, de certa forma, a “sarneyzação” do Brasil.
A capacidade dessa ex-secretária petista Rosemary Noronha de arranjar empregos públicos para amigos e parentes, inclusive a filha e o genro, pagos com o meu, o seu, o nosso dinheiro, é de matar de inveja grande parte da nossa elite política mais atrasada. Com todo o respeito.
Veta, Dilma
De Pedro Malan, ao saudar Andrea Calabi na festa dos 70 anos de Régis Bonelli, na FGV, segunda, mesmo dia da passeata dos royalties.
— Calabi veio ao Rio não só homenagear nosso amigo Régis, mas também para protestar contra a quebra de contrato dos royalties fluminenses.
Segue...
Surpreendido, o secretário da Fazenda de São Paulo fez um sinal positivo com o polegar.
O nosso Kafka
Alexandre Kafka (1917-2007), que representou o Brasil no FMI por mais de 30 anos, era mesmo parente de Franz Kafka (1883-1924), autor de “A metaformose”. O pai do economista era deputado no Parlamento tcheco e primo em segundo grau do escritor.
A curiosidade está no novo livro do economista Gustavo Franco, “As leis secretas da economia”, da Zahar.
Diário de Frida
A José Olympio vai relançar, após 18 anos, “O diário de Frida Khalo”, a pintora mexicana (1907-1954).
ESQUINA DO PECADO
Fiscais da prefeitura do Rio visitaram ontem o Galitos Grill, na esquina das ruas Farme de Amoedo e Visconde de Pirajá, em Ipanema. Mas não pelo cardápio. O simpático restaurante é acusado de pôr este cercadinho da foto de cima sobre a calçada... sem autorização. Aliás, mesmo se tivesse pedido, receberia “não” como resposta. O trecho agora deformado pela grade (veja na foto de baixo como era antes) faz parte do programa Rio Cidade, que deu a Ipanema um visual todo especial ao colorir os cruzamentos das ruas e o território sagrado dos pedestres. A prefeitura mandou o Galitos remover o cercadinho em 72 horas. Melhor assim
Mão naquilo, aquilo na...
Sexta, Horácio Ernani vai fazer um leilão de arte erótica, incluindo esta escultura chinesa em marfim, do século XIX. Entre as peças mais cotadas, a pintura “Aguardente chupeta”, de Rubens Gerchman, e desenhos da coleção de Jean Bazin, com mulheres em cenas quentes, como a que se chama “Duas mulheres em estado de graça”, que retrata... deixa pra lá.
Três Maracanãs
Em apenas um mês, a exposição “Impressionismo: Paris e a modernidade” já levou mais de 253 mil pessoas ao CCBB do Rio.
O número deve explodir com os
turistas que vierem para o réveillon.
De fora
O arquiteto Sérgio Dias não vai continuar como secretário municipal de Urbanismo do Rio no segundo mandato de Eduardo Paes.
Blitz, documento
Dia 16, a Blitz, de Evandro Mesquita, vai gravar seu DVD de 30 anos na Praia de Ipanema, com participações especiais da Mangueira e do saxofonista Rodrigo Sha.
Show esgotado
Com a lotação esgotada, a cantora portuguesa Carminho fará um show extra no próprio dia 17, na Miranda, no Rio.
Falar mal de ex-patrão nas redes sociais pode render condenação até mesmo na Justiça do Trabalho.
É isso mesmo. A 5ª Turma do TST condenou a ex-funcionária de uma pet shop de Curitiba a indenizar os donos do negócio em R$ 2 mil por ofensas no Orkut.
Segue...
Em sua página na rede social, a mulher confessou que maltratava os animais da loja com chutes e detergente nos olhos (meu Deus...), além de se referir aos patrões com palavrões e comentários ofensivos sobre a vida íntima deles.
O ministro Emmanoel Pereira, relator do caso, considerou as ofensas “graves” — sobretudo, “sabendo-se que o número de acessos em tais redes sociais é tão desconhecido quanto incontrolável”.
Cinema espírita
A Conspiração, que acaba de lançar o elogiadíssimo “Gonzaga — De pai para Filho”, vai produzir uma nova biografia.
Desta vez, do francês Allan Kardec (1804-1869), criador da chamada doutrina espírita, que no Brasil faz um tremendo sucesso.
Aliás...
Impressiona como tem gente com nome de Allan Kardec por aqui.
Vai de jogador de futebol até diretor da ANP.
No mais
Lula, apesar dos avanços sociais de seu governo, promoveu, de certa forma, a “sarneyzação” do Brasil.
A capacidade dessa ex-secretária petista Rosemary Noronha de arranjar empregos públicos para amigos e parentes, inclusive a filha e o genro, pagos com o meu, o seu, o nosso dinheiro, é de matar de inveja grande parte da nossa elite política mais atrasada. Com todo o respeito.
Veta, Dilma
De Pedro Malan, ao saudar Andrea Calabi na festa dos 70 anos de Régis Bonelli, na FGV, segunda, mesmo dia da passeata dos royalties.
— Calabi veio ao Rio não só homenagear nosso amigo Régis, mas também para protestar contra a quebra de contrato dos royalties fluminenses.
Segue...
Surpreendido, o secretário da Fazenda de São Paulo fez um sinal positivo com o polegar.
O nosso Kafka
Alexandre Kafka (1917-2007), que representou o Brasil no FMI por mais de 30 anos, era mesmo parente de Franz Kafka (1883-1924), autor de “A metaformose”. O pai do economista era deputado no Parlamento tcheco e primo em segundo grau do escritor.
A curiosidade está no novo livro do economista Gustavo Franco, “As leis secretas da economia”, da Zahar.
Diário de Frida
A José Olympio vai relançar, após 18 anos, “O diário de Frida Khalo”, a pintora mexicana (1907-1954).
ESQUINA DO PECADO
Fiscais da prefeitura do Rio visitaram ontem o Galitos Grill, na esquina das ruas Farme de Amoedo e Visconde de Pirajá, em Ipanema. Mas não pelo cardápio. O simpático restaurante é acusado de pôr este cercadinho da foto de cima sobre a calçada... sem autorização. Aliás, mesmo se tivesse pedido, receberia “não” como resposta. O trecho agora deformado pela grade (veja na foto de baixo como era antes) faz parte do programa Rio Cidade, que deu a Ipanema um visual todo especial ao colorir os cruzamentos das ruas e o território sagrado dos pedestres. A prefeitura mandou o Galitos remover o cercadinho em 72 horas. Melhor assim
Mão naquilo, aquilo na...
Sexta, Horácio Ernani vai fazer um leilão de arte erótica, incluindo esta escultura chinesa em marfim, do século XIX. Entre as peças mais cotadas, a pintura “Aguardente chupeta”, de Rubens Gerchman, e desenhos da coleção de Jean Bazin, com mulheres em cenas quentes, como a que se chama “Duas mulheres em estado de graça”, que retrata... deixa pra lá.
Três Maracanãs
Em apenas um mês, a exposição “Impressionismo: Paris e a modernidade” já levou mais de 253 mil pessoas ao CCBB do Rio.
O número deve explodir com os
turistas que vierem para o réveillon.
De fora
O arquiteto Sérgio Dias não vai continuar como secretário municipal de Urbanismo do Rio no segundo mandato de Eduardo Paes.
Blitz, documento
Dia 16, a Blitz, de Evandro Mesquita, vai gravar seu DVD de 30 anos na Praia de Ipanema, com participações especiais da Mangueira e do saxofonista Rodrigo Sha.
Show esgotado
Com a lotação esgotada, a cantora portuguesa Carminho fará um show extra no próprio dia 17, na Miranda, no Rio.
Vou te dar um anel - RUY CASTRO
FOLHA DE SP - 28/11
RIO DE JANEIRO - Descendo em Congonhas e já caindo num engarrafamento, achei graça quando o taxista, apontando para o quilômetro de carros parados à nossa frente, me disse: "Olhe só para isso, senhor. A que horas está marcado o seu apontamento?". Apontamento, do inglês "appointment", é o que, no Brasil, chamamos de encontro, compromisso. Talvez o taxista estivesse sendo irônico. Não. Era a sério, mesmo.
Nossa paixão pela língua inglesa atinge agora um novo e importante estágio: passamos a falar inglês diretamente em português. Basta ver como se tem usado a palavra "plant", fábrica -como planta. "Plantation", fazenda, como plantação. "Office", escritório, como ofício. "Support", apoiar, como dar suporte. "Actually", de fato, como atualmente. E "style", elegância, como estilo ("Fulano é cheio de estilo").
Em breve, as piadas com que zombávamos do falso domínio da língua pelos pedantes serão realidade. "I'll give you a ring", vou te telefonar, se transformará em "Vou te dar um anel". "I can't help myself", não posso evitar, se tornará "Não posso ajudar a mim mesmo". E não será surpresa se, diante de "It's raining cats and dogs", está chovendo paca, começar a chover gatos e cachorros.
Não se vê essa infestação linguística na França, na Espanha ou em Portugal. Com ou sem coerção oficial (de resto, inútil) aos estrangeirismos, é o povo daqueles países que prefere preservar as formas de falar com as quais nasceu e que identifica como suas.
Você dirá que esse problema é velho entre nós, e que "football" tornou-se futebol quando o certo seria -Deus me livre- ludopédio. Mas não é a mesma coisa. O futebol era uma disciplina nova, trazida de fora, e era normal que seu léxico, implantado aqui, fosse uma adaptação do original. Mas por que "button", botão, se tornou no Brasil "bottom", nádega, bunda?
RIO DE JANEIRO - Descendo em Congonhas e já caindo num engarrafamento, achei graça quando o taxista, apontando para o quilômetro de carros parados à nossa frente, me disse: "Olhe só para isso, senhor. A que horas está marcado o seu apontamento?". Apontamento, do inglês "appointment", é o que, no Brasil, chamamos de encontro, compromisso. Talvez o taxista estivesse sendo irônico. Não. Era a sério, mesmo.
Nossa paixão pela língua inglesa atinge agora um novo e importante estágio: passamos a falar inglês diretamente em português. Basta ver como se tem usado a palavra "plant", fábrica -como planta. "Plantation", fazenda, como plantação. "Office", escritório, como ofício. "Support", apoiar, como dar suporte. "Actually", de fato, como atualmente. E "style", elegância, como estilo ("Fulano é cheio de estilo").
Em breve, as piadas com que zombávamos do falso domínio da língua pelos pedantes serão realidade. "I'll give you a ring", vou te telefonar, se transformará em "Vou te dar um anel". "I can't help myself", não posso evitar, se tornará "Não posso ajudar a mim mesmo". E não será surpresa se, diante de "It's raining cats and dogs", está chovendo paca, começar a chover gatos e cachorros.
Não se vê essa infestação linguística na França, na Espanha ou em Portugal. Com ou sem coerção oficial (de resto, inútil) aos estrangeirismos, é o povo daqueles países que prefere preservar as formas de falar com as quais nasceu e que identifica como suas.
Você dirá que esse problema é velho entre nós, e que "football" tornou-se futebol quando o certo seria -Deus me livre- ludopédio. Mas não é a mesma coisa. O futebol era uma disciplina nova, trazida de fora, e era normal que seu léxico, implantado aqui, fosse uma adaptação do original. Mas por que "button", botão, se tornou no Brasil "bottom", nádega, bunda?
Assinar:
Postagens (Atom)