quinta-feira, novembro 01, 2012

Cassações em aberto - DORA KRAMER

O Estado de S.Paulo - 01/11


Desta vez parece que vai. A intenção do presidente da Câmara, Marco Maia, é levar o fim do voto secreto para cassação de mandatos à votação no plenário até dezembro. Como sua gestão termina em fevereiro de 2013, quer deixar esse legado.

A proposta, uma emenda constitucional, foi aprovada no Senado em julho último por amplíssima maioria - 55 votos a favor contra 1 - e agora está na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

O relator, deputado Alessandro Molon (PT-RJ), recebeu um pedido para que apressasse seu parecer a fim de que a votação ocorra o mais rápido possível, o que ele garante ocorrerá na próxima quarta-feira.

Da CCJ a proposta vai para uma comissão especial e de lá para o plenário. É bem verdade que o pedido foi feito a Molon antes das condenações no Supremo Tribunal Federal e antes também de surgir no PT a ideia de José Genoino, suplente, assumir o mandato no ano que vem no lugar de Carlinhos Almeida, eleito prefeito de São José dos Campos.

A não ser que haja uma mudança de orientação na base governista para tentar salvar da cassação Genoino e outros três deputados condenados - Valdemar Costa Neto, João Paulo Cunha e Pedro Henry - a expectativa é pela aprovação sem modificações.

Confirmada, a emenda entraria em vigor a tempo de alcançar os processos de cassação dos sentenciados, cujo pedido deve ser feito pela oposição.

A Constituição prevê perda de mandato para condenados em matéria penal, mas diz também que a iniciativa cabe aos partidos ou à Mesa da Câmara. Pela regra de hoje, a votação é secreta e por maioria absoluta, 257 votos.

O sigilo causa preocupação a ministros do Supremo cujo entendimento é o de que a perda não é automática como pediu o ministro Cezar Peluso em seu voto antes de se aposentar.

Não porque uma eventual absolvição confrontaria a decisão judicial, mas principalmente pelo fato de que esses deputados estariam imunes a medidas cautelares antes do trânsito do processo em julgado, e depois disso cumpririam suas penas - de prisão, inclusive - na posse dos mandatos.

Triste fim. Criada com tanto esmero, com direito a Lula como padrinho de luxo, a CPI do Cachoeira acabou no Irajá.

Enterrada feito indigente na cova de um acordão armado por gente que depois reclama quando é dito que o Parlamento em certos momentos se compara a um circo.

Intenção e gesto. Boatos sobre possível fuga para evitar ir para a prisão rondam José Dirceu. Uma hora se diz que vai para a Venezuela, outra que buscará abrigo em Cuba.

Especulações repetidamente desmentidas, que seriam deixadas de lado com a entrega antecipada dos passaportes, como fizeram Marcos Valério e Rogério Tolentino. Mas petistas acham que Dirceu não seguirá o exemplo, alegando que sua palavra basta.

Mercado futuro. O governador de Pernambuco comemora o crescimento do PSB em termos de número de prefeituras (42%), mas alerta que isso não se reflete em fortalecimento imediato.

"Prefeito é bom para eleger deputados", diz Eduardo Campos, cuja expectativa é eleger bancada de peso em 2014 para a Câmara dos Deputados.

Além de representar poder no Congresso e, em consequência, na relação com o Executivo, quanto maior a quantidade de deputados, mais robusta a fatia de recursos do fundo partidário e maior o tempo na propaganda eleitoral do rádio e da televisão.

Para a próxima sessão legislativa a se iniciar em fevereiro de 2013, na realidade, o PSB terá cinco deputados a menos. Dos 25 atuais, seis foram eleitos prefeitos e apenas um suplente pertence ao partido.

À deriva - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 01/11

Por ora, mudança na direção da Petrobras foi incapaz de levantar barreiras para elevar a produção, a começar pelo nó no preço de combustíveis

A nova direção da Petrobras busca dar rumo diferente à empresa, reduzindo as intervenções políticas que caracterizaram a gestão anterior. Levará tempo, porém, para que algum avanço seja perceptível.

Os resultados no terceiro trimestre não trouxeram boas novas. Verdade que o prejuízo de R$ 1,3 bilhão no período anterior evoluiu para um lucro de R$ 5,6 bilhões, mas tal avanço não reflete mais que um ajuste contábil.

No segundo trimestre, a desvalorização do real teve impacto negativo -da ordem de R$ 7,2 bilhões- no lucro. A Petrobras tem dívidas em dólares e, quando essa moeda se valoriza, o ajuste reduz o ganho.

Descontado tal efeito cambial, o lucro ficou no mesmo patamar do segundo trimestre. A persistir tal trajetória de rentabilidade no restante do ano, o retorno sobre o capital da empresa (ou ganho comparado com patrimônio) tangenciará 8%, aquém de anos anteriores.

Os principais vilões são os de sempre: baixa eficiência operacional e insistência do governo em manter os preços dos combustíveis defasados em relação aos custos de importação da gasolina, uma diferença que traz prejuízos à empresa.

Aumentos recentes nos preços internos do diesel (10,6%) e da gasolina (8%) não foram suficientes para compensar as perdas com a importação de derivados, que bate recordes. A preferência dada a equipamentos nacionais para explorar o Pré-sal, política até certo ponto justificável, também eleva os custos da Petrobras.

Do lado operacional, o desempenho é no mínimo preocupante e tem piorado nos últimos meses. A produção doméstica de petróleo em setembro, de 1,9 milhão de barris/dia, ficou 8% abaixo da verificada no mesmo mês de 2011.

Os custos, por sua vez, crescem acima do esperado. Subiram 15% na atividade de extração de petróleo e 18% no refino, neste trimestre.

No cômputo geral, é difícil escapar à conclusão de que algo continua errado. A União, acionista controladora, precisa agir com decisão para tornar a empresa mais eficiente. Parece inevitável que o Planalto aceite o custo político de fazer os preços internos dos combustíveis seguirem mais de perto os do mercado internacional.

Do contrário, a Petrobras continuará sangrando e não conseguirá cumprir as metas ambiciosas, custosas e arriscadas que foram traçadas para os próximos anos. 

Depois da tempestade - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 01/11


A tormenta que nos últimos dias sacudiu e inundou Nova York deixa várias lições que têm que estar na reflexão de todos. Adianta pouco perguntar aos climatologistas se Sandy é ou não um evento produzido pela mudança climática. Mais proveitoso é ler os sinais dos tempos. No futuro, haverá mais tormentas como esta, e o mundo todo, não apenas NY, precisa se preparar.

Quando perguntados, os cientistas costumam dizer que é preciso fazer mais estudos antes de garantir que qualquer desastre natural faz parte do cenário que eles estão descrevendo para o planeta. Mas o mais relevante não é saber a natureza do último evento, mas ter em mente que os próximos serão assim e mais frequentes.

O mais inusitado de Sandy foi atingir a costa leste dos Estados Unidos. Normalmente, furacões e tempestades ocorrem no Caribe e no Golfo do México. É o segundo ano que isso acontece, porque em 2011 a área foi sacudida pelo furacão Irene. Antes de chegar a Nova York, e ocupar a manchete dos jornais, ele provocou destruição e mortes no Haiti e em Cuba.

Em Nova York, há infraestrutura de qualidade. No Haiti, ainda há quem more em tendas e habitações precárias desde o terremoto. O que é preciso ter em mente é que, seja um país pobre ou a mais rica cidade do maior país do mundo, todos são vulneráveis à fúria da natureza quando ela vem. É com essa realidade que as cidades, principalmente as costeiras, têm que trabalhar.

Isso tem que estar no planejamento estratégico das empresas e nas análises de risco das grandes seguradoras e resseguradoras. Hoje, as empresas de seguro têm sistema de acompanhamento de eventos naturais e climáticos extremos. Trabalham com seus principais clientes na gestão de riscos climáticos, seja em termos de prevenção ou de relocalização da empresa para sair das áreas de risco. Algumas chegam a se recusar a segurar certas empresas localizadas em áreas vulneráveis.

É difícil saber onde há risco num cenário de mudanças climáticas, mas instalar empreendimentos industriais em áreas costeiras de alta probabilidade de furacões ou de atividade tectônicas não é hoje aconselhável. Mas isso tem implicações logísticas importantes. Levar a empresa mais para o interior, longe dos portos, é mais caro. A opção passa a ser áreas costeiras, mas de baixo risco.

Desde o acidente de Fukushima, ficou claro que ter usina nuclear que precisa da água do mar para a refrigeração não é uma boa opção. As usinas nucleares da costa leste americana foram desligadas, a começar do mais velho reator nuclear comercial dos EUA, que fica em Nova Jersey, Oyster Creek.

Outra lição do Sandy é que será necessário desenvolver novos sistemas de armazenamento de energia, novas soluções e energias não convencionais. O mundo do futuro dependerá de baterias de alta duração e de alta carga. Carregador solar para celulares, por exemplo. Esse cenário pode ser um estímulo para as novas tecnologias. O que ficou claro é que o mundo ficou mais vulnerável a eventos que interrompem o abastecimento de energia.

Na campanha eleitoral americana, o Sandy iluminou o debate. Ficou evidente o pensamento completamente ultrapassado do candidato republicano, Mitt Romney. Na terça-feira, ele não respondeu às insistentes perguntas feitas a ele sobre o fato lembrado no editorial do jornal "New York Times". Ele havia proposto que o serviço nacional de gerenciamento de desastres fosse devolvido aos estados ou privatizado. Os gastos públicos serão cortados, mas quem for eleito terá que saber quais são as áreas prioritárias. Proteção contra desastres naturais certamente é uma delas.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 01/11


Baixada Santista atraiu maior parte dos investimentos no Estado de SP
A Baixada Santista é a região que mais recebeu investimentos no Estado de São Paulo nos últimos quatro anos, segundo levantamento da Investe São Paulo, agência do governo que atua na atração de recursos.

A área recebeu mais de R$ 4 bilhões, seguida pela região de Sorocaba, para onde foram direcionados cerca de R$ 3,76 bilhões.

São José dos Campos aparece em terceiro lugar, com R$ 3,1 bilhões.

Mais distante, Campinas foi destino de R$ 2,5 bilhões no período.

Ainda que não tenha recebido o maior valor, a cidade atraiu a maior quantidade de projetos. Foram 12 desde 2008, segundo a pesquisa, ante apenas dois na baixada.

"A baixada é só o quinto em quantidade. Lá estão os projetos de setor naval, logístico, com valores mais significativos", afirma Luciano Almeida, diretor-presidente da Investe SP.

A maior parte dos projetos acaba localizada em um raio de 130 km a 200 km da cidade de São Paulo, segundo o executivo, exceto nos casos em que há uma vocação específica dependente de outra localização.

"Percebemos que agora os grandes projetos estão escasseando e as cadeias de produtos estão ganhando força em investimentos", afirma Almeida.

"A proximidade dos consumidores e da cadeia é o que define o equilíbrio de custo dos projetos, daí a distribuição geográfica", diz.

IDIOMA EXCLUSIVO
A rede de idiomas CNA vai lançar uma nova marca para atender a classe alta, a CNA Prime. A primeira unidade do novo segmento deve ser inaugurada no Rio, em dezembro, em Ipanema.

O Rio de Janeiro é considerado um mercado estratégico para a companhia.

"Nossa marca se deu muito bem lá, onde temos a melhor média de alunos por escola", diz Décio Pecin, presidente da empresa.

A rede também traçou um plano agressivo de marketing, no qual serão investidos R$ 20 milhões em 2013 -quase três vezes o valor de 2012.

A empresa também abrirá, até o final de 2012, 64 unidades no país. Elas se somarão às 501 atuais.

Para 2013, estão previstas mais cem unidades.

"O novo foco é expandir a atuação na faixa etária infantil. Para isso, lançamos um curso para crianças de sete e oito anos. Na próxima fase, será para cinco e seis anos."

A concorrente Cultura Inglesa abrirá sua 32ª unidade no próximo ano, no Morumbi, em São Paulo.

Cofres... 
Após fechar 20 parcerias com laboratórios públicos e privados, o governo federal pretende poupar quase R$ 1 bilhão por ano. O acordo foi assinado ontem e envolve a fabricação no país de 19 medicamentos e duas vacinas.

...da saúde 
As parcerias são estimuladas pela expansão da lista de remédios oferecidos na rede pública. De 2010 para 2011, houve alta de 47%.

Tecido 
As vendas do comércio atacadista de tecidos e armarinho subiram 2,2% em outubro, ante setembro, segundo o sindicato da categoria.

4% de crescimento do PIB em 2013? - ROBERTO MACEDO


O ESTADÃO - 01/11


Há muita gente apegada à previsão de que o produto interno bruto (PIB) brasileiro crescerá 4,00000% em 2013. Coloquei a vírgula e esses zeros porque previsões como essa têm a ilusão de querer acertar na mosca. Mesmo que o resultado final começasse com 4, depois da vírgula seria possível acrescentar um número infinito de algarismos, zeros ou não, o mesmo valendo para qualquer outro número relativo a essa taxa. Assim, acertar na mosca é praticamente impossível, o que retira de tal previsão um caráter científico, pois não terá chances efetivas de se ver correta.

Por isso mesmo, a análise estatística recomenda que previsões desse tipo sejam feitas por intervalos. Por exemplo, um número entre 3,8% e 4,2%. Mas do lado da demanda de previsões, como a dos jornais, insiste-se sempre num único valor e o próprio mercado financeiro também segue essa linha. A seguir examinarei o que sustenta tal previsão para o PIB de 2013, pois nisso há fragilidades que revelam outros motivos pelos quais ela e outras de números precisos não devem ser levadas muito a sério.

No âmbito governamental, vi previsão de que o PIB de 2012 deve apresentar crescimento perto de 1,6%, com a agropecuária recuando 1,4%, a indústria caindo 0,1% e os serviços crescendo 2,2%. A estimativa de 4% para o aumento do PIB de 2013 apoia-se em números como 4,6% para a agricultura e 3% para a indústria e os serviços.

Quanto à agricultura, espera-se que seu desempenho seja bem melhor, pois em 2012 sofreu seca que prejudicou a produção na Região Sul. E nesta época em que começa o plantio das maiores culturas há o estimulo de preços bem favoráveis, como os da soja e do milho, cujas safras recentes nos EUA foram muito afetadas por uma seca também nesse país.

Ainda sobre secas, ontem me assustei com a manchete do caderno de Economia deste jornal: Com o outubro mais seco em 83 anos, reservatórios do Nordeste estão no limite. A matéria também diz que os do sistema Sudeste/Centro-Oeste tiveram fortes perdas no mesmo mês e sei de agricultores que já atrasaram o plantio no Centro-Oeste. Essa situação foi atribuída, particularmente no Nordeste, ao El Niño, fenômeno atmosférico-oceânico marcado por um aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico tropical e que repercute noutras regiões, inclusive no Brasil. Felizmente, a mesma matéria diz que o fenômeno está perdendo força. E consultando fontes especializadas em previsões do tempo vi que se espera de novembro em diante uma precipitação normal nas áreas que respondem pela maior parte da produção de grãos.

É na indústria que o quadro se revela muito sério. Há tempos próxima da estagnação, para levá-la à recuperação o governo conta com outra safra, que já deveria ter começado no terceiro trimestre deste ano, mas há sinais de que essa esperança agora ficou para o quarto. Refiro-me ao resultado de vários estímulos dados ao setor e a seus consumidores, como o crédito a menores taxas de juros - que também estimula a economia como um todo -, e outros específicos, como a desoneração de encargos sociais sobre a folha de salários de alguns ramos industriais e a redução do IPI de veículos e da chamada linha branca de eletrodomésticos.

Inegavelmente, há aí o estímulo de impostos menores, mas há reações dos consumidores que não foram convenientemente ponderadas pelos radares, governamentais ou não. Uma delas, para a qual eu também não havia atinado e da qual soube por empresários do comércio varejista, é que, por exemplo, quando as pessoas compram mais automóveis, elas tendem a reduzir a aquisição de bens de outros ramos industriais, o que reduz o impacto das medidas tomadas. E permanece também o problema do maior endividamento dos consumidores, que inibe em parte a opção por dívidas adicionais.

A demanda também pode fluir para mais produtos importados, e há ainda outro fator imponderável. A venda de produtos industriais tende a crescer sazonalmente no fim do ano, com as festas natalinas. O resultado dependerá da reação dos consumidores. Se ocorrer de tal forma que no final de dezembro se verifique uma frustração de vendas, com estoques imprevistos, isto vai prejudicar a indústria em 2013, pois já começaria o ano sem a necessidade de repor prateleiras esgotadas ou abaixo do normal.

Os serviços, por sua vez, vêm crescendo persistentemente e uma das razões é que grande parte desse setor não sofre concorrência do exterior, pois não há como importar serviços que vão dos de cabeleireiros aos prestados pela administração pública e pelo comércio varejista. Uma das exceções é o turismo, no qual é forte a concorrência externa. De qualquer forma, o setor presta muitos serviços à agricultura e à indústria e se beneficia também da renda que ambos geram para seus empresários e trabalhadores.

Um aspecto interessante do relatório Focus, do Banco Central, que toda semana levanta as previsões do mercado financeiro, é que por muitas semanas recentes ele mostrou uma contínua queda da previsão de crescimento do PIB em 2012, mas manteve sua previsão de 4% em 2013. A sensação é que quem responde à pesquisa trabalha com horizontes muito curtos e se ancora num número para o ano que vem à frente, sobre o qual vão refletir melhor apenas na virada do ano.

Por essas e outras razões, entre elas as incertezas que ainda mantêm nebuloso o quadro da economia mundial, desconfio da previsão dominante quanto ao PIB de 2013, principalmente no caso da indústria. Mas para não se dizer que eu mesmo não me arrisco nesse jogo, diante desse quadro e mesmo sem recorrer a um arsenal econométrico entendo mais provável uma taxa entre 3 %e 3,5%. E não os 4% que muitos estão apregoando, ou até mais, como o ministro Mantega. Mas torço para que estejam certos.

Conflito de poderes - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 01/11


Pelo jeito, vamos ter, encerrado o julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, uma disputa entre poderes para o cumprimento de penas pelos réus que têm mandato parlamentar. Crise que pode ser agravada pelo PT se insistir na tese, legal, mas aética, de que o ex-presidente do partido José Genoino deve assumir um mandato no lugar do deputado Carlinhos Almeida, eleito prefeito de São José dos Campos.

Genoino, que foi condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha, tem direito a assumir uma cadeira na Câmara dos Deputados por ser o primeiro suplente do PT paulista. Pela Constituição, ele pode assumir, pois a sentença ainda não tramitou em julgado, o que só ocorrerá depois da publicação do acórdão com a decisão final e a análise dos diversos embargos que sua defesa deve impetrar junto ao STF.

Toda essa tramitação terá início no mínimo seis meses depois do término do julgamento e da definição das penas, tempo previsto para a publicação do acórdão, o que deve ser atrasado também pelo recesso de fim de ano do Judiciário, que começa a 20 de dezembro e vai até início de fevereiro.

Esses prazos tornam previsível que os réus condenados só começarão a cumprir as penas a partir de agosto do ano que vem. Até lá, o deputado federal João Paulo Cunha poderá continuar no seu papel de deputado federal, e Genoino poderá assumir o mandato.

Há diversos exemplos de deputados que, embora já condenados, continuam trabalhando normalmente no Congresso. No caso do deputado federal Asdrúbal Bentes, do PMDB do Pará, acusado de trocar laqueaduras por votos em Marabá, o acórdão demorou quase dez meses para sair no Diário da Justiça. Falta ainda o STF analisar o embargo infringente da defesa.

Outro deputado, Natan Donadon, do PMDB de Roraima, condenado por peculato e formação de quadrilha, está há um ano e meio aguardando a decisão do STF sobre um embargo de declaração de sua defesa, embora esteja condenado a 13 anos de prisão, o que implica regime fechado.

E há ainda o caso recente do vereador Tiago Kriesel, do PTB, que, mesmo preso, foi reeleito em Bom Progresso, no noroeste do Rio Grande do Sul.

Quando o ex-ministro Cezar Peluso deixou seu voto por escrito antes de se aposentar, incluindo nele a pena de perda do mandato parlamentar de João Paulo Cunha, começou um debate sobre a independência dos poderes da República.

Os ministros do Supremo Tribunal Federal consideram que, se a posição de Peluso prevalecer, a Câmara dos Deputados terá que cumprir a decisão. O ministro Marco Aurélio Mello chegou a declarar que “é impensável” o Legislativo não cumprir uma determinação do órgão máximo do Poder Judiciário.

Já Marco Maia (PT-RS) usa a Constituição Federal para garantir que a decisão final é da Câmara dos Deputados. da qual é presidente. De fato, o artigo 55 determina que, entre outros casos, perderá o mandato o deputado ou senador “que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado” ou que “perder ou tiver suspensos os direitos políticos”.

No primeiro caso, a perda de mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal “por voto secreto e maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa”.

Já no caso de perda ou suspensão dos direitos políticos, “a perda será declarada pela Mesa da Casa respectiva, de ofício ou mediante provocação de qualquer de seus membros, ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa”. Dependendo da decisão final do STF, a Câmara terá o direito de apoiá-la ou não por votação secreta, ou terá apenas que declarar a perda do mandato.

Se o ex-presidente do PT José Genoino, mesmo condenado, decidir assumir seu mandato de deputado federal até que a sentença transite em julgado, estará apenas colocando um complicador a mais na questão, em uma tentativa de tumultuar o julgamento, dificultando suas consequências.

Ativos à venda - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 01/11


A piora de seu desempenho operacional e a queda de sua produção devem tornar ainda mais complicada para a Petrobrás a venda de ativos no exterior, que a empresa considera essencial para assegurar o equilíbrio financeiro do plano de negócios dos próximos cinco anos, que envolvem investimentos vultosos em exploração, produção e refino. Mas as persistentes dificuldades financeiras e operacionais da Petrobrás, que, no segundo trimestre deste ano, registrou seu primeiro prejuízo em muitos anos, vêm sendo acompanhadas pelos investidores, e, muito provavelmente, os interessados na compra dos ativos colocados à venda pela empresa estão aguardando que, com o agravamento de seus problemas, seus preços caiam. O balanço do terceiro trimestre deve ter reforçado a resistência desses interessados, pois mostrou que a empresa continua com problemas de baixa eficiência, altos custos e dificuldades para obter recursos.

Entre os ativos à venda estão 175 blocos de exploração de petróleo no Golfo do México, refinarias nos EUA e no Japão e negócios na Argentina. Em alguns casos, como o da refinaria de Pasadena, no Texas, a venda poderá implicar pesadas perdas para a Petrobrás, que pagou US$ 1,18 bilhão (incluídos os US$ 820,5 milhões desembolsados em junho, na compra das ações que estavam em mãos de outros investidores) por uma unidade avaliada em menos de um décimo desse valor.

O Plano de Negócios 2012-2016 prevê receita de US$ 14,88 bilhões com a venda desses ativos, a maior parte da qual deveria entrar no caixa da empresa neste ano. O diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, prefere não fixar datas. Em encontro com investidores e analistas, Barbassa prevê que o plano de desinvestimento, como ele designa o programa de venda de ativos, será concluído na primeira metade do período 2012-2016. "Temos que ter um parceiro do outro lado e ele tem que ter seu tempo também", justificou.

O tempo tem ajudado os interessados nos ativos da Petrobrás, pois eles veem que os problemas persistem, quando não, se agravam. Embora tenha alcançado lucro líquido de R$ 5,567 bilhões no terceiro trimestre de 2012, que representa uma melhora substancial em relação ao trimestre anterior, quando teve prejuízo de R$ 1,346 bilhão, a empresa continua a mostrar ineficiências que corroem a já abalada confiança dos acionistas.

O lucro do terceiro trimestre é 12,1% menor do que o de igual período de 2011. O resultado acumulado nos nove primeiros meses de 2012, embora positivo (lucro de R$ 13,435 bilhões), é 52% menor do que o de janeiro a setembro de 2011. Num período em que o consumo interno de combustível cresce contínua e rapidamente, graças aos estímulos oferecidos pelo governo para a compra de automóveis, a produção da Petrobrás está estagnada - rigorosamente, há um declínio, pois a produção média diária de 2012 é de 2,592 milhões de barris, contra 2,605 milhões de barris em 2011. Sem conseguir aumentar a produção nem sua capacidade de refino, a empresa está importando cada vez mais, e exportando cada vez menos, derivados de petróleo para atender ao crescimento da demanda interna. As importações aumentaram 7% nos nove primeiros meses do ano, na comparação com 2011, e as exportações diminuíram 5%.

Por interesse político do governo, o preço interno dos combustíveis, especialmente gasolina e diesel, não acompanha o preço internacional. Assim, a Petrobrás importa derivados em volumes crescentes, a preços que variam constantemente, mas os vende a preços autorizados pelo governo. O reajuste concedido no primeiro semestre não foi suficiente para eliminar o problema. Quanto mais a Petrobrás importa derivados, mais cresce sua dívida, como reconheceu seu diretor financeiro. Sobre a defasagem de preços dos combustíveis, a presidente da empresa, Maria das Graças Foster, diz apenas que o aumento virá "certamente, em algum momento".

Até la, é inútil esperar resultados melhores da Petrobrás, mesmo que consiga conter seus custos - o que até agora não vem conseguindo, apesar das seguidas promessas de sua diretoria.

Cadeia nacional - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 01/11


Apesar das reiteradas manifestações federais oferecendo ajuda a São Paulo no combate ao crime, o governo paulista se queixa de pelo menos quatro tentativas malsucedidas de obtenção de recursos no setor. Entre julho e setembro do ano passado, o Estado teve rejeitados pedidos de recursos para aquisição de equipamentos de informática, transporte e capacitação de pessoal para seu sistema prisional, que abriga líderes de facções envolvidas na onda de assassinatos em curso.

Guerra... Nos pedidos negados, o Departamento Penitenciário Nacional alegou contingenciamento orçamentário ou documentação em desacordo com normas do Ministério da Justiça.

... de versões Para interlocutores de Geraldo Alckmin, as negativas contradizem o ministro José Eduardo Cardozo, que tem reafirmado disposição em cooperar nas áreas de inteligência e suporte aos presídios.

Bis Alckmin deve convidar José Serra para ocupar a Secretaria de Desenvolvimento, retribuindo gesto do ex-governador após a eleição de 2008. A tendência é que Serra rejeite a oferta, mas sugira nomes para a pasta, de orçamento robusto. Alberto Goldman encabeça a lista.

Navalha Após mudar o visual " mullet"com Celso Kamura, Fernando Haddad diz que vai voltar a cortar o cabelo no barbeiro de seu bairro. "Não tenho dinheiro para bancar o Kamura", brinca.

Instagram Circula no Bandeirantes foto do chefe de gabinete da CDHU, Guilherme Ribeiro, abraçado a Haddad na festa da vitória sobre Serra. O assessor da estatal paulista de Habitação é da cota de Paulo Maluf (PP).

Videoteca Ex-diretor da Dersa na gestão Serra, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, diz que votou em Haddad e começou a distribuir 400 DVDs com cópias de seu depoimento à CPI do Cachoeira.

Não vai... Dilma Rousseff disse ontem, em conversa com ministros, que não fará nenhuma mudança na Esplanada até o fim do ano. A presidente também afirmou que não pretende promover reforma ampla no primeiro escalão nem a médio prazo.

... rolar Eventuais mexidas para acomodar aliados serão feitas só depois das eleições das Mesas da Câmara e do Senado. Sobre os nomes ventilados até agora, Dilma diz que só quem fala sobre escalação da equipe é ela.

Lá e cá O tucano Aécio Neves (MG) sai em defesa do DEM, aliado vital a seu projeto presidencial: "ACM Neto foi o gigante da eleição. Até porque enfrentou campanha de baixa estatura", diz, em alusão ao ataque de Dilma ao prefeito eleito de Salvador.

DNA Guido Mantega (Fazenda) afirma que não reivindica a autoria da decisão de parcelar o DPVAT. O ministro diz que concede de bom grado o crédito do projeto ao governador Eduardo Campos (PSB-PE), que vinha apontando "plágio" de sua ideia.

Agora vai? Passada a eleição, o PT quer retomar a discussão do marco regulatório das comunicações na Executiva do partido, que ocorre hoje. A ideia é, a partir de críticas à cobertura do mensalão, levar o projeto adiante.

Cabresto O secretário de Comunicação do PT, André Vargas, nega relação com o julgamento no STF, mas diz que mecanismos como direito de resposta são meios de "controlar excessos'' e defender "a honra'' de políticos.

Túnel do tempo Em exposição do PT montada na Câmara com painéis dos anos 90 até hoje, José Dirceu é citado como deputado atuante no combate à corrupção.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio

"O Detran precisa cassar a CNH de Serra: ele trombou com dois postes e continua dirigindo como se nada tivesse acontecido."

DO DEPUTADO FERNANDO MARRONI (PT-RS), sobre as derrotas do tucano, para Dilma em 2010, e agora para Haddad, candidaturas apoiadas por Lula.

contraponto

Genealogia do voto

Os irmãos Arselino e Jair Tatto, vitoriosos na disputa por vagas na Câmara paulistana, viraram o centro das atenções durante café da manhã oferecido por Fernando Haddad a aliados, domingo. Ao encontrar a dupla, Lurian Cordeiro da Silva, filha do ex-presidente Lula, disse:

-Olha, vou trocar meu sobrenome. Acho que tenho mais chances de me eleger sendo da família Tatto que da família Lula da Silva...

Além dos vereadores, a "dinastia Tatto" conta com dois deputados: o estadual Enio e o federal Jilmar, todos com base eleitoral na zona sul de São Paulo.

Recado aos afoitos - ILIMAR FRANCO

O GLOBO - 01/11


A presidente Dilma não está gostando das especulações pós-eleitorais sobre mudanças em seu governo. Aos que procuram falar sobre o assunto, a presidente Dilma avisa que não vai fazer reforma agora, que não autoriza que tratem do tema em seu nome e que esta não é a agenda dela. Alerta que não fará grande reforma alguma e que, no ano que vem, poderá promover mudanças pontuais.

Um pouco de História
Os tucanos festejam a eventual candidatura à Presidência do governador Eduardo Campos (PSB). Imaginam dividir os votos do campo governista e sequer cogitam da divisão de votos na oposição. Em 2002, o PSB teve um candidato popular ao Planalto, Anthony Garotinho, e o PSDB quase ficou de fora do segundo turno. Para evitar a derrota, o candidato José Serra chamou o economista José Roberto Afonso e ordenou: "Faça uma proposta de reajuste do salário mínimo melhor que a do Garotinho". Serra exibiu o seu supermínimo no programa de TV, deteve a sangria em seus votos, segurou o crescimento de Garotinho e foi para o segundo turno.

“O que irrita é a versão para a plateia. Liga a luz da câmera: todos querem a prorrogação. Fecha a porta: a conversa é outra, até na oposição” 
Miro Teixeira
Deputado federal (PDT-RJ), integrante da CPI do Cachoeira

Os ruralistas estão reagindo
O governo comprou nova briga com os ruralistas. O Ministério da Justiça incluiu artigo, no Código de Processo Civil, que impede a reintegração de posse imediata quando concedida liminarmente e obriga a prévia audiência de conciliação.

Na contramão
A bancada do PSB na Câmara oficializou, na noite de terça-feira, seu apoio à candidatura do deputado Júlio Delgado (PSB-MG) à presidência da Casa. Agora só falta o aval do presidente do partido, o governador Eduardo Campos. Este terá de decidir se vale a pena, tendo em vista seu futuro político, contestar as direções do PMDB e do PT.

Guerrinha nos bastidores
Alguns deputados do PMDB querem antecipar a eleição do novo líder da bancada. Eles avaliam que, se a escolha ficar para depois da sucessão da presidência da Câmara, o atual líder, Henrique Alves (RN), terá força para impor sua preferência.

A política não socorre quem dorme
Uma falha na Taesa, empresa da Cemig, gerida pelo governo de Minas Gerais, provocou o apagão da última sexta-feira. Ontem, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) sugeriu que o Ministério de Minas e Energia dê explicações ao Senado. Irritação no Planalto: "E a Cemig?" A constatação: Aécio Neves deita e rola, e o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), enrola-se.

De olho na concorrência
Pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PMDB, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, anda reclamando da eventual nomeação do deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP) para um ministério.

Mensalão, o "best-seller"
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) se submeteu a sessão de autógrafos de cinco horas, anteontem, em Porto Alegre, ao lançar o livro "O momento supremo do Brasil - A justiça conquistada: das CPIs ao julgamento do mensalão".

VITORIOSO, o governador Eduardo Campos (PE) vai para Fernando de Noronha descansar no feriado e pensar na sua candidatura a presidente em 2014.

#2014 feelings - SONIA RACY


O ESTADÃO - 01/11


Em meia à sua aproximação de Dilma e Haddad, o PSD de Kassab começa a trabalhar seu “programa de nação” – documento que reúne as diretrizes do partido.

Militantes e simpatizantes serão divididos em 27 grupos, representando os 26 estados mais o DF. E Henrique Meirelles, Kátia Abreu, Ricardo Patah e Fábio Feldman coordenam os trabalhos.

O texto será conhecido no Congresso Nacional do PSD, em junho do ano que vem.

Escolhas
Nádia Campeão,vice de Haddad, está bem cotada com o petista para assumir a pasta dos Esportes.
Já Marcelo Frisoni, candidato a vereador pelo PP, está entre os poucos que acompanharam o candidato do PT em suaperegrinação pela cidade de SP.
Terá cargo na Prefeitura?

Expertise
De olho no caso Nardoni, o TJ de Minas Gerais pediu consultoria ao de São Paulo - – para definir a cobertura do julgamento do goleiro Bruno, marcado para dia 19.

Afinal, o desaparecimento de Eliza Samúdio chama tanta atenção do público quanto a morte de Isabella Nardoni.

Hora extra
Se Aldo Rebelo está feliz com o andamento das obras no Mineirão e no Castelão – palcos da Copa das Confederações, em 2013 –, confidenciou a assessores preocupação com a situação de outras arenas.
O ministro do Esporte pretende cobrar mais agilidade em Natal, Curitiba e Manaus.

Hora extra 2
Notado: a cúpula do Comitê Organizador Local percebeu que Rebelo tem visitado muitos estádios em construção, obras que não são de responsabilidade do governo.
E nenhum... aeroporto.

Bibi Noel
Bibi Ferreira finaliza CD com clássicos de Natal, tendo como parceira Marília Pêra em um dueto. Além de representantes da nova MPB – na faixa Um Novo Tempo. Pela Biscoito Fino.

Milagre existe?
E Jaime Pinsky, da Contexto, promete trazer Yoani Sánchez, a blogueira cubana, para o Brasil no começo do ano.
Para uma série de palestras.

Dança das cadeiras
Mudança no comando da P&G Brasil. Promovido Tarek Farahat – que pa s sa a pre sidir a empresa na América Latina e a integrar o conselho global da companhia.
Em seulugar entraAlberto Carvalho – que está na Gillette dos EUA. Trata-se do primeiro executivo nascido no Brasil a ocupar esta posição no País.

Caminho do mar
Fernando Gabeira está em missão na histórica Paraty. Foi avaliar o impacto da licença ambiental que o Ibama concedeu para que a rodovia RJ-165 corte o Parque Estadual da Serra do Mar.
Suas observações resultarão em um especial para a Band.

Difícil competir
Em Salvador, Antonio Lins - – o poeta baiano Toninho Lins, personagem de Jorge Amado em TendadosMilagres–seráo secretário de Cultura de ACM Neto.
Em SP, continua a incógnita.

Na hora certa
De passagem pelo Brasil para a abertura da primeira loja da Cartier no Rio, Bernard For-nas, CEO da grife, foi centro de jantar na casa do empresário carioca Olavo Monteiro de Carvalho, em Santa Tereza, semana passada. E respondeu a algumas perguntas da coluna.

•O Brasil é a bola da vez? Temos de lembrar que a Cartier foi a primeira marca de luxo a chegar aqui, nos anos 80. E sempre acreditamos no País, que vem experimentando crescimento constante.

•Marcas de luxo estão priorizando investimento em lojas próprias. É uma política adotada pela Cartier ou há interesse em firmar mais parcerias? Temos dois mecanismos para crescer: um é por meio de nossas próprias butiques; o outro são os concessionários especializados. Acreditamos que ambos os caminhos são fundamentais. O mais importante é que o consumidor sinta a experiência Cartier, seja nas nossas lojas ou nas de nossos parceiros.

•A Fundação Cartier é um projeto que abriga grandes exposições. Alguns artistas brasileiros já expuseram seus trabalhos lá, como Beatriz Milhazes.

O senhor é um apreciador das artes? Investir em cultura faz parte do DNA da marca? Gosto de arte de forma geral, mas, principalmente, de arte contemporânea. Conheci Inhotim durante minha visita, é um lugar extraordinário! Es-
se tipo de arte e a altajoalheria têm muito em comum. Toda joia é também arte.

•Joia é investimento?
Sim, com certeza. Assim como uma obra de arte, ela passa de geração para geração.

•Gostou do Rio? É sua primeira vez no País?
É a segunda. Estive no Brasil em 2004, para a celebração dos 100 anos de nosso relógio Santos Dumont. Organizamos um evento no aeroporto Santos Dumont. Adoro o Rio e estou impressionado com as boas mudanças desde minha primeira visita.

Protecionismo e defesa - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 01/11



Ontem, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, advertiu que as autoridades globais - a começar pela chanceler da Alemanha, Angela Merkel - estão equivocadas ao denunciar o crescente protecionismo comercial do Brasil: "Não é protecionismo", avisa ele. "É legítima defesa."

Essa é a percepção vitimalista da questão mantida tanto pelo governo brasileiro como por um grande grupo de lideranças dos empresários. O risco maior é que esse tipo de defesa pode tornar o Brasil mais vulnerável ao jogo comercial global.

Os relatórios da ONU, da OCDE e da OMC tendem agora a insistir com acusações de protecionismo contra o Brasil. Mais do que rótulo, é uma tatuagem. Uma vez impregnada à pele, ficará muito difícil de removê-la.

Como mostra a matéria do correspondente em Genebra, Jamil Chade, publicada hoje noEstadão das 77 medidas antidumping desde maio destinadas a reverter supostas práticas comerciais desleais, 35% delas foram adotadas pelo Brasil. Parece número suficientemente alto para criar clima de má vontade nos fóruns internacionais contra o Brasil, não só em torno das demandas legítimas encaminhadas aos painéis da OMC, mas também de outras iniciativas de liberação do comércio mundial.

Uma das maiores fragilidades da indústria brasileira é a ausência de acordos comerciais com o resto do mundo que abram mercados externos que realmente contam. E, se a carga protecionista se intensifica, mais difícil fica para o governo brasileiro a tarefa de negociar acordos. Movimentos defensivos provocam mais movimentos defensivos. Nesse ambiente, iniciativas multilaterais têm grande chance de definhar.

A atual política comercial brasileira é ambígua e incoerente. Dos argentinos, por exemplo, aceita todos os desaforos, sob a alegação de que é preciso ser tolerante com os hermanitos em dificuldades. E, embora não tenham uma indústria exportadora, os venezuelanos também têm recebido o mesmo tratamento condescendente, como se comprova pela excessiva indulgência com que o governo brasileiro aceita o descumprimento dos acordos de parceria nos investimentos na Refinaria Abreu e Lima, do Recife. E, no entanto, o Brasil não mostra a mesma tolerância em relação a outros igualmente hermanitos latino-americanos, caso de mexicanos e chilenos, ou com outras economias fortemente açoitadas pela crise internacional.

A indústria brasileira vai perdendo peso no PIB brasileiro, como ontem mais uma vez denunciou o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini. E esse raquitismo progressivo pouco tem a ver com o jogo desleal de parceiros comerciais brasileiros. Tem a ver, sim, com a baixa capacidade de competição da indústria, pelas razões já exaustivamente expostas por esta Coluna e conhecidas resumidamente pelo excessivo custo Brasil - cuja responsabilidade está aqui dentro e não lá fora.

Melhor e mais eficiente defesa da indústria brasileira do que a proporcionada pelas frágeis salvaguardas comerciais montadas pelo governo federal seria obtida pelo desenvolvimento de um programa sério, que derrubasse esses custos e que provesse uma rede moderna de logística e infraestrutura.

Trem-bala na cabeça - VINICIUS TORRES FREIRE

FOLHA DE SP - 01/11


Governo oferece mais subsídio para obra inviável enquanto cidades e infraestrutura apodrecem



O GOVERNO promete bancar mais prejuízos da operação do trem-bala-fantasma de Dilma Rousseff, informava ontem esta Folha. Páginas adiante, a gente lia a respeito dos prejuízos causados pela falta de trens decentes para transportar os produtos brasileiros.

O trem-bala não sai da cabeça de Dilma. A ideia veio de um lobby de empreiteiras nacionais e empresas estrangeiras que vendem equipamento e tecnologia de trem-bala, criado em 2006.

O projeto terá parceria de estatal, subsídios diretos e vários indiretos, como financiamento do BNDES e seus juros baratinhos, bancados por dinheiro de impostos. Sem dinheiro público, nem o orçamento criativo do projeto faz sentido.

Segundo estudo da Fundação Dom Cabral, estradas ruins, ferrovias podres e a necessidade de usar a congestionada infraestrutura das grandes cidades levam 13% da receita das empresas. Admita-se que elas exagerem. Mas sabe-se muito bem que a produção de soja, por exemplo, é a mais eficiente do mundo até sair das fazendas do Centro-Oeste. Quando chega aos portos do leste, ela já tem preço brasileirinho.

Quais os setores mais prejudicados?

Bens de capital, o de bens de investimento, setor que pede ajuda do governo porque padece devido à concorrência estrangeira.

Construção. O custo de morar cresce. O custo da infraestrutura (estrada, porto etc.) aumenta.

Agricultura, setor que banca as contas externas com exportações, que fornece comida e matéria-prima para uma vastidão de produtos.

Dilma prometeu em agosto chamar empresas para construir rodovias e ferrovias. Deve anunciar as concessões por agora.

Afora promessas, na realidade a Ferrovia Norte-Sul está em construção desde 1987 (25 anos). Em parte, tem de ser refeita, pois a obra era porca e não havia pátios de carga e descarga ao longo do caminho!

A Norte-Sul deve ligar, no fim das contas, o noroeste de São Paulo ao Maranhão. Em Tocantins, solta um ramo para o sul da Bahia, a Ferrovia Leste-Oeste. É a segunda maior obra do PAC. Está atrasada.

A Norte-Sul e a Leste-Oeste, com as devidas conexões a outros modos de transporte e terminais, desafogariam as artérias do país, que anda devagar porque o sangue não circula direito.

Dilma diz que o trem-bala não vai atrapalhar essa e outras obras. Vai. Já atrapalha. Tira energia e atenção do essencial. Vai concentrar capital e energia pública e privada num projeto de baixo retorno econômico e social. Vai ocupar recursos que poderiam ser utilizados na reforma logística de São Paulo e Rio. A Grande São Paulo, onde vive 10% da população do Brasil, está parando.

Prevê-se que o trem-bala fique pronto em seis anos. Para fazer sua primeira linha, que tinha metade da extensão da brasileira, a Coreia do Sul levou dez anos.

A obra não tem projeto de verdade; seu custo é uma aposta. Custos estouram até em reforma de cozinhas, que dirá numa obra monstruosa. Desconhece-se o preço de desapropriações, de túneis, viadutos, nada se sabe sobre terreno, os problemas de solo e outras complicações de engenharia.

O projeto é uma ficção, aventura subsidiada por dinheiro de impostos num país com infraestrutura em ruínas e metrópoles em colapso.

Eleitores que faltam - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 01/11


Não sem razão, a ministra Cármen Lúcia, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), declarou-se preocupada com o alto percentual de abstenção nas eleições deste ano. No segundo turno, o índice médio chegou a 19,1%.

Diante do que parecia denotar a ausência de quase um em cada cinco eleitores, a ministra conclamou analistas e pesquisadores a explicar o fenômeno e sugerir meios de atrair cidadãos às urnas.

Ao que tudo indica, porém, o elevado índice de abstenção não reflete um desalento coletivo com os políticos e seus partidos. Trata-se, na verdade, de um problema menos abstrato -e talvez mais constrangedor: o cadastro de eleitores do TSE está desatualizado.

As distorções daí decorrentes são graves. Pessoas que trocaram de endereço sem notificar a Justiça Eleitoral, ou até algumas que já morreram, continuam na lista de eleitores em várias praças, inflando artificialmente as ausências.

Se consideradas só as cinco capitais que fizeram o recadastramento de eleitores (Aracaju, Curitiba, Goiânia, Maceió e Porto Velho), a média das abstenções no primeiro turno ficou em 9,9%. Nas demais 21 capitais, o índice foi de 17,4%.

Além disso, essas capitais que atualizaram as listas tiveram neste ano taxas de não comparecimento menores que as de 2008. Em Maceió, por exemplo, a abstenção caiu de 14,9% para 8,5%. Em São Paulo, que não renovou o cadastro (a previsão é a de que o faça até 2018), o índice no primeiro turno passou de 15,6%, há quatro anos, para 18,5%, agora.

A distorção traz uma dificuldade extra para quem se dispõe a analisar os dados. Mais inquietante, abre uma janela para fraudes com os títulos de pessoas mortas.

A Justiça Eleitoral minimiza essa possibilidade. Seu procedimento padrão é excluir da lista quem deixa de votar em três eleições consecutivas; além disso, busca informação sobre mortes com outros órgãos, como cartórios.

Ainda assim, em Curitiba o recadastramento concluído em janeiro pelo Tribunal Regional Eleitoral cancelou mais de 200 mil títulos (de um total de 1,3 milhão).

O TSE, que se destaca por apurar em poucas horas os votos de uma das democracias mais populosas, precisa adotar medidas para garantir a correção dos dados e, assim, propiciar a interpretação fiel do comportamento do eleitorado.

Nova tentativa de limitação do MP - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 01/11


Prestes a ser votada no Congresso a emenda constitucional que impede Ministério Público de fazer investigações e concentra poder nas polícias 


É hora, nesta fase final de ano, de mutirões nos poderes Legislativo e Executivo. Nos governos e no Congresso, corre-se para aprovar medidas que dependem do calendário fiscal — geralmente, gastos — e aproveita- se o quórum nas Casas legislativas a fim de se desengavetar algum projeto polêmico.

Em um desses casos, tentou-se ontem, sem êxito, colocar em pauta de comissão especial a proposta de Emenda Constitucional n° 37, destinada a cassar o poder de investigação do Ministério Público, deixando-o como monopólio das polícias. É sugestivo que seus adversários a chamem de “PEC da impunidade”. Não por coincidência, o autor do projeto, deputado Lourival Mendes (PTdoB-MA), é delegado.

Há um grande choque de lobbies no Congresso. Na tentativa de chegar a um meio termo, o relator da proposta, deputado Fábio Trad (PMDB-MS), incluiu no seu parecer duas exceções em que o MP poderia atuar em investigações: em crimes contra a administração pública (corrupção) e naqueles cometidos por organizações criminosas.

Não equaciona bem a questão. Há uma cerrada discussão sobre as prerrogativas dadas ao Ministério Público pela Constituição de 88, pela qual promotores e procuradores ganharam importante espaço institucional para atuar como representantes da sociedade, sem subordinação aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. O debate está, também, na pauta do Supremo Tribunal Federal, em que tramita o julgamento do processo movido pelo ex-prefeito de Ipanema (MG), Jairo de Souza Coelho, para sustar sua condenação por crime de responsabilidade. Por ter sido investigado pelo MP, Coelho quer a anulação da pena.

O ainda ministro Cezar Peluso, relator do caso, deu razão ao ex-prefeito, mas votaram contra Gilmar Mendes, Celso de Mello, Joaquim Barbosa e Ayres Britto, os dois primeiros, porém, na linha do relator da PEC: entendem que o MP não pode investigar qualquer crime. O julgamento foi suspenso por um pedido de vista de Luiz Fux.

A depender do desfecho deste processo, muitos inquéritos podem vir a ser anulados, e isto num país em que a impunidade é eficaz mola propulsora da criminalidade.

Durante todo este tempo em que o MP patrocinou investigações, o saldo é bem positivo. Há desvios, mas que podem ser coibidos por um Conselho Nacional do Ministério Público (CNJ do MP) mais atuante.

A competência técnica do Ministério Público pode ser medida pela qualidade da denúncia encaminhada pela Procuradoria-Geral da República contra os mensaleiros. Além disso, não convém conceder qualquer monopólio de investigação às polícias. Tanto quanto o MP, elas são organismos de Estado, mas, como parte do Poder Executivo, têm excessiva proximidade de governos, e podem cair na tentação de ser mais fiéis a eles do que à Constituição.

EUA lideram investimentos - ALBERTO TAMER


O Estado de S.Paulo - 01/11


Os Estados Unidos são os maiores investidores e importadores do Brasil, com exceção dos períodos de embarque de commodities para a China, US$ 20,6 bilhões de janeiro a setembro, 11% do total. E vem aumentando. No mesmo período do ano passado, representavam 10,1%.

São os maiores importadores não só do Brasil, mas do mundo. As vendas para o mercado americano desaceleraram fortemente na crise financeira. Totalizavam 18% do total em 2006, recuaram para 14% em 2008, mas voltaram a crescer este ano ao contrário da China.

O mesmo ocorre com os investimentos diretos, onde os Estados Unidos mantêm a liderança, representando mais de 18%. Mas a liderança não é só no Brasil. Eles são também os maiores importadores e investidores mundiais. A economia mundial só vai reagir se a americana voltar a crescer. Daí a importância da eleição nos Estados Unidos na próxima semana. É preciso que o novo governo não caia na armadilha da União Europeia, de austeridade pela austeridade, em plena recessão ou tentando se livrar dela. Nada de aumento de impostos, redução de gastos e de investimentos quando o PIB recua, o desemprego é alto, a demanda interna não reage, o comércio mundial desacelera e não há sinais de pressão inflacionária. Os Estados Unidos, como maior economia mundial isolada tem de voltar a crescer. Ou isso, ou se confirmará que 2013 poderá ser mais um ano perdido.

A recessão nos Estados Unidos, provocada pela crise financeira terminou tecnicamente em junho de 2009. Durou um 1 ano e meio. Foi a maior nos últimos 70 anos.

No Brasil, durou seis meses porque o governo reagiu aos primeiros sinais. O sistema financeiro foi mais afetado pela redução na entrada de recursos externos, rapidamente enfrentada pela injeção de liquidez do Banco Central, e a economia vinha sendo sustentada apenas pelo consumo interno. No fundo, a economia brasileira sentiu de forma menos intensa os efeitos retardados da recessão mundial. Recessão que volta a se instalar na Europa, onde não só nada se fez, mas se faz tudo ao contrário. Os países da zona do euro criaram a própria crise da dívida, não estimularam a demanda e desde o Eurotrem, em 1994 não realizaram nenhuma obra importante. Não apenas isso, em plena crise da zona do euro, que já dura três anos, a Comissão Europeia estuda um corte de 50 bilhões no orçamento do próximo ano em que se volta à recessão.

Depende deles. É neste clima que vai se realizar a eleição presidencial nos Estados Unidos, na próxima semana. Quem assumir, receberá uma economia com leve sinal de reação. No terceiro trimestre do ano o PIB cresceu à taxa anualizada de 2%, contra 1,3% do anterior. Esse resultado poderia servir de lição para o próximo presidente. Os 2% foram sustentados pelo aumento dos gastos governamentais de 3,7%. As compras dos consumidores, principalmente de carros, também ajudaram, mas não foram decisivas e se explicam mais pela antecipação das pessoas a um possível aumento de impostos no próximo ano. Isso mostra a importância do papel dos governos - americano, europeu e brasileiro também - em fases de recessão ou forte e desaceleração econômica, como aconteceu aqui.

É para isso que existe o instrumento da política fiscal para superar crises. Ao contrário do que aconteceu em 2008, no Brasil se demorou alguns meses para entender isso. Como lembra o economista-chefe do Oportunity, em artigo no Valor, Alessandro Bassoli. "Não há nada de errado em se usar a política fiscal para suavizar as flutuações da atividade econômica (como Dilma e Obama estão fazendo e a União Europeia, não). Déficits mais elevados em momentos difíceis, porém, devem ser compensados com reduções de gastos e aumento de impostos nas fases de expansão."

O problema nos EUA é que Obama enfrentou um Congresso liderado pelos republicanos hostil às medidas que ele propunha para reanimar a economia e reduzir o déficit. Hoje, seja quem assumir, republicano ou democrata, encontra o país em meio ao que se chama de "abismo fiscal", o desafio de dívida pública e déficit elevados que vão dificultar a adoção de medidas - que são urgentes - para que a economia volte a crescer.

E o mundo precisa disso. O que se pode esperar? Pouco. Ou como diz Alexandra Bassoli em seu artigo, "o mais provável é que se faça (republicanos e democratas) o suficiente se evite o cataclismo na maior economia do mundo". O retorno à recessão que já se instala na Europa.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Meu medo é que ele se mate na prisão”
Clara Becker sobre condenação do ex-marido José Dirceu no mensalão


FRAGATAS: BRASILEIROS INSINUARAM COMISSÃO DE 3%
Durante as tratativas para a venda de fragatas ao Brasil, em 2010, no valor de 2,5 bilhões de euros, sob investigação do Ministério Público da Itália, negociadores brasileiros insinuaram comissão de 3% sobre a transação, segundo confessou em depoimento o ex-diretor da estatal Finmeccanica, Giuseppe Bono. Ele disse ter ficado claro que o dinheiro (70 milhões de euros) seria destinado a políticos brasileiros e italianos. 

ESCÂNDALO DA HORA
As investigações sobre a negociação das fragatas, no governo de Silvio Berlusconi, merecem atualmente grande destaque na imprensa italiana.

GORDA COMISSÃO
Os 70 milhões de euros de comissão, insinuados por negociadores brasileiros na Itália, correspondem a cerca de R$ 184,1 milhões.

EL CID
Dilma reconhece, em papos reservados, que a eleição do candidato do PSB em Fortaleza foi uma vitória pessoal do governador Cid Gomes.

ESTRAGO
Ainda prevalece, no Pará, o trauma da gestão de Ana Júlia Carepa (PT) no governo estadual: o partido elegeu apenas 14% dos prefeitos.

STF: MINISTROS PREPARADOS CONTRA ATAQUES À HONRA
Ministros do Supremo Tribuna Federal foram avisados e já adotam providências para enfrentar possíveis tentativas de desmoralização, em redes sociais, de supostos militantes inconformados com a condenação dos réus do mensalão como o ex-ministro José Dirceu e o ex-presidente do PT José Genoino. As ameaças envolvem a difusão de mentiras sobre a conduta profissional e até pessoal dos ministros.

INUTILIDADE
Faltou dizer: o recorde de 20% de votos nulos, brancos e abstenções no 2º turno mostraram também a desaprovação ao voto obrigatório. 

GELEIA GERAL
Dilma tentar incluir, nas negociações para reforma ministerial, os espaços dos partidos aliados nas mesas da Câmara e do Senado.

FEIURAS OU GOSTOSURAS?
Faltou “assessoria de imagem” na Petrobras, escalando a presidente Graça Foster para palestra a mulheres na véspera do Dia das Bruxas.

APOSTA DA SACRISTIA
A diplomacia do Vaticano, considerada uma das mais eficientes do mundo, trabalha com a certeza de que o republicano Mitt Romney vencerá a eleição presidencial americana. Por pouco, mas vencerá.

IDEIA DE JERICO
Em vez de pagar melhores salários e acabar com regalias nas escalas de folga, botando polícia na rua, o governador Geraldo Alckmin enviou projeto à Assembleia oficializando o “bico” de PMs fora do serviço.

RECURSO A PGR
Sem esperança de vê-las acolhidas na CPI do Cachoeira, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que vai entregar suas conclusões sobre o assunto à Procuradoria Geral da República, na semana que vem.

SEM HADDAD
O Palácio do Planalto negou ontem que o Airbus usado por Dilma tenha ido buscar o prefeito eleito Fernando Haddad (PT) em São Paulo. O avião foi para São Carlos (SP) na segunda, para fazer manutenção. Voltou na terça.

BOA IDEIA
O botafoguense Agnaldo Timóteo, vereador em São Paulo, pediu ao ministro Aldo Rebelo (Esporte) o aproveitamento de craques campeões do mundo, muitos em dificuldades, na promoção da Copa de 2014.

É para sempre
José Dirceu não deve ter gostado da ex-mulher, Clara Becker, dizer ao Estadão que teme o suicídio dele na cadeia. Uma rasteira na imagem que cultiva, com têmpera de incansável “guerreiro buscando Justiça”. 

IN DUBIO PRO 
Professor de matemática, Delúbio Soares continua brigando com as letras no Twitter: o condenado no mensalão reproduziu assim uma notícia: “Os tucanos de SP não garante segurança a população”(sic).

ELE SE ACHA
Nas ruas de Brasília, Celso Amorim (Defesa) tem o carro escoltado por outro, de segurança, bloqueando a todos que tentem ultrapassar sua excelência, mesmo nas seis pistas na Esplanada dos Ministérios. Não por acaso, os próprios colegas chamam Amorim de “megalonanico”.

PENSANDO BEM...
...brasileiros foram a Nova York ver a Mabcy’s e encontraram a Sandy. 

PODER SEM PUDOR

ENCARANDO O PROVOCADOR

Jânio Quadros fazia campanha para o governo paulista, em 1982, quando um mendigo, com toco de cigarro pendurado na boca, gritou:
- Fujão! Fujão! Fujão!
Jânio ignorou o homem, enquanto seus assessores tentavam silenciá-lo. Mas, ao descer do palanque, ele se viu frente a frente com o mendigo, que, claro, gritava a plenos pulmões: "Fujaããão!".
Jânio olhou-o fixamente e se dirigiu a ele, resoluto. Todos temiam que o ex-presidente, aos 65 anos, decidira esmurrar o homem, que se calou de repente e ficou paralisado de medo. Jânio levantou o braço sobre um segurança e, num golpe rápido, ao invés do soco, retirou o toco de cigarro dos lábios provocadores, colocou-o na própria boca e foi embora.
O mendigo permaneceu inerte. E emocionado.

QUINTA NOS JORNAIS


Globo: Quadrilha nas estradas – Polícia Rodoviária tem 80 denunciados no Rio
Folha: Polícia acha túnel usado para levar droga à USP
Estadão: Valério depõe ao MPF e cita Lula, Palocci e Celso Daniel
Correio: As marcas da covardia
Valor: Estados sentem impacto de desonerações tributárias
Estado de Minas: BR-381: No mínimo mais três anos de transtorno
Zero Hora: RS tem ao menos 33 denúncias de crimes eleitorais

quarta-feira, outubro 31, 2012

Trailer do fim do mundo - TUTTY VASQUES


O ESTADÃO - 31\10



Podia ter sido pior se o furacão não virasse tempestade antes de chegar a Nova York, mas do jeito que foi já deu para perceber que a televisão não está preparada para a grande cobertura do fim do mundo.

Quando enfim chegar nossa hora, ainda que a luz por aqui custe um pouco mais a se apagar, não vai dar para assistir pela CNN à aproximação da grande onda do mar ou de radiação solar típicas do apocalipse no cinema.

As emissoras de TV não estão aparelhadas para o apagão final! O máximo que vai dar pra ver será o último repórter de capa e galocha nas ruas, com água pelos joelhos, iluminado pelo farol do próprio carro, sendo soprado de repente pra fora da imagem! Vupt!

Depois disso, vai depender muito da carga acumulada no celular e no iPad de cada correspondente que conseguir chegar em casa com vento a favor!

O que mais me deixou apavorado no trailer produzido na madrugada de ontem em Nova York foi a ideia de um dia testemunhar o fim de tudo pela imagem fantasmagórica do jornalista Jorge Pontual dizendo que nunca viu nada igual na vida!

Tomara que eu já esteja dormindo quando entrar no ar o Jornal Nacional em edição extraordinária.

Onda fiel

A Fifa está esperando 20 mil corintianos no Mundial de Clubes, em Tóquio. É quase um tsunami! Ainda bem que eles estão acostumados com isso por lá.

Oposição em festa

Como já virou tradição em ano eleitoral, Aécio Neves deve comemorar o resultado das urnas em Minas durante o feriadão de Finados no Leblon!

Espera só!

Se você tem algum amigo fazendo turismo em Nova York, prepare-se para aturá-lo na volta contando um monte de cascata sobre a longa noite da supertempestade Sandy.

No bom sentido

O senador Álvaro Dias disse ontem em Brasília que o colega tucano Mário Couto "talvez não tenha sido bem entendido" quando abriu o bico na tribuna para dizer que está cheio de ladrão no Congresso roubando o dinheiro do povo. Esse pessoal leva logo tudo pra maldade, né não?

Fora do script

Ao menos em respeito à tormenta, a prefeitura de Nova York deveria ter mandado desligar também os letreiros da Times Square. O clima de festa nas ruas desertas parecia provocação com o vento!

Sem brincadeira!

Comentário do meteorologista que anunciou a transformação do furacão em tempestade tropical na costa leste dos EUA: "Este Sandy é júnior!"

Nas alturas

O prefeito eleito ACM Neto já anuncia medidas de austeridade em Salvador: todo baiano acima de 1,70 m sofrerá cortes!

Despedida de solteiro

É cedo ainda para se dizer como será a relação de São Paulo com Ana Estela Haddad! Há seis anos a capital vive sem primeira-dama e, cá pra nós, não tem se queixado disso!

Pela harmonia - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 31\10



Dilma tem ouvido conselhos de gente próxima, ligada ao Judiciário, para ir à posse de Joaquim Barbosa, dia 22, na presidência do STF.

Primavera árabe
Dilma recebe semana que vem a ativista e jornalista do Iêmen Tawakkol Karman, Nobel da Paz de 2011, que luta pelos direitos da mulher no mundo árabe.

Projeto Solimões
A CVM abriu investigação para apurar eventual uso de informações privilegiadas com ações da HRT.
A petroleira privada selou acordo com a Petrobras para ajudar a extrair óleo na região do Solimões, no Norte do país.

De saída
O produtor cultural Emílio Kalil pediu para deixar o cargo de secretário municipal de Cultura do Rio.
Mas vai continuar ajudando o governo Eduardo Paes como presidente da Fundação da Cidade das Artes, que administrará o novo equipamento cultural.

Apaga isso...
Por falar em Eduardo Paes, o prefeito anda fumando muito.

Publicidade e cultura
A Petrobras inovou no seu edital de patrocínio cultural. Os projetos que ganharão recursos liberados por renúncia fiscal (dinheiro meu, seu, nosso) terão de destinar de 15% a 20% do total recebido para... “despesas com publicidade”.
A razão é... não se sabe.

Salve Jorge
DJ Batata e MC Mingau, celebridades do Complexo do Alemão, vão gravar uma participação em “Salve Jorge”, a novela da TV Globo. 

Suruba partidária
Da cientista política Maria Celina D’Araújo sobre a pulverização partidária ocorrida nas eleições municipais deste ano:
— Foi uma suruba partidária. Mais tolerante até do que o “Vale tudo” do Tim Maia.

Dia seguinte...
Para Maria Celina, resta saber, depois “dessa saliência eleitoral, quantos prefeitos eleitos ficarão na oposição a Dilma”.
Faz sentido.

Moda e política
Denner Pamplona, o famoso costureiro (1937-1978), receberá de Dilma, “in memoriam”, a Ordem do Mérito Cultural, dia 5.
O estilista morreu aos 41 anos. Até o golpe de 1964, era quem vestia, por exemplo, a primeira-dama Maria Teresa Goulart.

Anistia...
Aliás, na ditadura, Denner defendia a volta da família Goulart do exílio em entrevistas e até no microfone do programa de Flávio Cavalcanti, do qual era jurado, na extinta TV Tupi.

O desfile
O quadro “O desfile” (veja ao lado), óleo sobre tela da carioca Beatriz Milhazes, foi vendido segunda no leilão do acervo de
Anna Maria Niemeyer, a filha do mestre Oscar Niemeyer falecida em junho. O valor: R$ 2.140.000.

A estrela de Madureira
Zaquia Jorge (1924-1957), avedete do subúrbio da Central, no Rio, cuja morte inspirou o clássico samba “Madureira chorou” (Carvalhinho e Júlio Monteiro), gravado por vários cantores, vai ganhar mais uma biografia.
Além da que é escrita por Vagner Fernandes, a Rocco lançará outra, autorizada pela família, já em preparação, assinada por Marcelo Moutinho.

Careca
O pagodeiro Belo está à procura de uma prótese capilar.

Nem da Rocinha
Outro bandidão carioca trancado em prisão federal longe do Rio será interrogado por videoconferência.
Antônio Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, preso em Mato Grosso do Sul, será ouvido dia 12 de novembro pela juíza Alessandra de Araújo Bilac no processo por tráfico de drogas.

Verdi e Wagner
Para entendidos no assunto, a temporada de ópera do Teatro Municipal do Rio, em 2012, tem sido “desastrosa”.
Já 2013 marca o bicentenário de Verdi e Wagner, os dois monstros da ópera. Mas, até agora, não se falou uma linha sobre o que o teatro fará no ano que vem.

AS CURVAS DA BELA
Luana Piovani, a linda atriz, posa para a próxima edição da revista“Nosso Caminho”, criada por Oscar Niemeyer e editada por sua mulher, Vera. A atriz, aqui fotografada por Kadu Niemeyer, neto do genial arquiteto, exibe, no ensaio, na Praia de Ipanema, as curvas de seu corpo. É alusão às curvas da obra de Niemeyer 

PARA RIR E CANTAR
Andréa Beltrão, a talentosa atriz, brinca com Branco Mello, o roqueiro da banda Titãs, nos ensaios da comédia musical “Jacinta”. O músico compôs as canções da peça, que estreia dia 15 de novembro, no Teatro Poeira, em Botafogo


MESSIAS, O CAMELÔ DA SAUDE
Um sintoma de que o sistema de saúde vai mal salta aos olhos numa esquina da Avenida Rio Branco, no Centro do Rio. Das 10h às 16h, o “doutor” Messias Marques de Souza, enfermeiro amazonense de 63 anos, dá expediente na calçada. Faz isso há três anos. Tira pressão, mede frequência cardíaca, taxas de açúcar e até de gordura no sangue, serviços que custam entre R$ 4 e R$15. Formado pela Universidade Federal do Amazonas, Messias, entrevistado pelo nosso Daniel Brunet, contou que atende a cerca de 300 pessoas por semana. Não revela quanto ganha, mas, se fizer num mês só o exame mais barato, terá recebido, ao fim de 30 dias, uns R$ 5 mil — seis vezes mais que seus colegas da rede estadual. O engraxate José Garcia, 58 anos, vizinho de calçada, elogia: “Ele já salvou muitas vidas. Uma vez, uma pessoa passou mal no banco, ele foi lá e prestou o socorro.” O presidente do Conselho Regional de Enfermagem, Pedro de Jesus Silva, não o condena, mas lamenta. “Infelizmente, salários baixos e aposentadorias de fome podem levar o trabalhador a apelar para o mercado informal.” É. Pode ser 

Ponto Final
No mais, é o que se comenta nas redes sociais do planeta: os candidatos à Presidência dos EUA não enfrentaram na campanha a mudança climática. Então, a mudança climática decidiu enfrentá-los.