sexta-feira, maio 18, 2012

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 18/05


Portobello instala fábrica no NE após fusão fracassar

Após desistir da fusão com a empresa de cerâmica Eliane, a Portobello decidiu ampliar sua atuação com uma nova fábrica.

A planta será construída no Nordeste. Alagoas e Pernambuco são os Estados analisados pela companhia. A localização deverá ser definida em 90 dias.

As duas catarinenses haviam anunciado o processo de fusão em dezembro. O negócio acabou não sendo fechado quando os estudos apontaram que o custo de integração era alto e que não haveria o ganho em escala esperado.

Um fato relevante foi divulgado no início deste mês anunciando a desistência.

O vice-presidente da Portobello, Claudio Ávila, acredita que o novo empreendimento demandará R$ 200 milhões em investimentos.

A fábrica deve aumentar a capacidade de produção de revestimento cerâmico da companhia em até 30%.

Hoje, são fabricados dois milhões de metros quadrados do produto por mês.

O plano da Portobello é que a unidade atenda o mercado nordestino.

"Mas não se despreza a alternativa de exportar. Suape está ali", afirma Ávila.

A produção no local está prevista para começar no segundo semestre de 2014, após um ano e meio de obras.

Mesmo com a construção da planta e com o fracasso do negócio com a Eliane, a empresa continua com projetos de ampliar seus negócios através de fusões ou aquisições.

"Não abandonamos essa ideia. Mas decidimos priorizar neste ano um crescimento orgânico."

Altos executivos trocam mercado financeiro pelo de consumo

O nervosismo e a insegurança têm levado os altos executivos a deixar o mercado financeiro, de acordo com levantamento da Fesa, empresa de recrutamento.

Mais da metade (60%) dos executivos que saíram do setor passaram a trabalhar no mercado de consumo.

As empresas de infraestrutura e de indústria são as que aparecem em seguida, com 19% e 15%, respectivamente.

"O mercado financeiro vem fechando vagas e empregando menos gente, enquanto outros segmentos passaram a empregar mais com o crescimento da economia", diz Alfredo José Assumpção, sócio e presidente da Fesa, especializada em altos executivos.

Em 2011, o número de profissionais que migraram do mercado financeiro mais do que dobrou, de acordo com a companhia.

RANKING DE OPERADORAS

A TIM assumiu pela primeira vez a liderança do mercado de telefonia móvel na cidade de São Paulo, de acordo com dados da Anatel.

Em abril, a empresa passou a ter 31,30% de participação de mercado.

A Vivo, que até então ocupava a primeira posição do ranking, representa agora 30,96% das linhas de celulares da capital paulista.

Em seguida, aparecem Claro e Oi, com 19,64% e 18,09% do total, respectivamente.

O crescimento da TIM em São Paulo no mês passado foi de 0,40%, com a adição de 224 mil novas linhas.

Até março, a companhia tinha 30,9% de participação nesse mercado.

No início deste mês, a TIM confirmou o desligamento de seu presidente, Luca Luciani.

No Brasil, a operadora atribui o crescimento à sua estratégia de cobrança, que leva em conta o número de chamadas, e não o de minutos, como é mais comum.

SEGURANÇA FINANCEIRA

Os brasileiros estão menos preocupados com fraudes em cartões de débito e crédito, segundo estudo da Unisys, multinacional do setor de TI.

Em 2012, 74% dos brasileiros disseram ter muita preocupação com o assunto.

No ano passado, esse número era de 86%, maior índice registrado desde 2008.

Apesar da queda, a população brasileira se mantém como uma das quatro que mais se preocupam com o tema, de acordo com o estudo.

Hong Kong, Colômbia e México são os únicos que estão à frente do Brasil.

O levantamento foi realizada com cerca de 10 mil pessoas em 12 países.

No Brasil, foram 934 entrevistados entre 20 de fevereiro e 12 de março deste ano.

RISCOS FINANCEIROS

Crédito e liquidez são considerados os maiores riscos pelas instituições financeiras nos próximos 18 meses na Europa, segundo relatório da corretora Marsh.

Dos entrevistados, 69% citaram o risco de crédito como prioridade e 56%, o de liquidez. Em terceiro lugar está o risco operacional, com 25%.

"Os bancos aparentemente consideram que o gerenciamento do risco operacional é satisfatório para controlar perdas nessa área. Isso já foi um risco grande", diz Paulo Baptista, da Marsh Brasil.

Sobremesa canina A empresa paulistana Icepet vai instalar uma fábrica em Recife (PE) para produzir sorvetes para cães e gatos. Com a nova planta, a expectativa da companhia é ter mil pontos de venda no Nordeste até o final de 2013. Para o Brasil, a expectativa é que sejam 4.000 pontos.

Cantina O grupo Don Pepe Di Napoli, que reúne sete bandeiras de restaurantes, abrirá sua segunda unidade fora da cidade de São Paulo, em Santos (a primeira foi em São Caetano). Com a inauguração, que acontecerá em até 40 dias, a companhia chegará a 20 restaurantes no Estado.

Vaga aberta As ofertas de trabalho cresceram principalmente nos setores de vendas, administração e economia, segundo o site vagas.com.br, de recrutamento de profissionais.

Troca O presidente do grupo CPFL Energia, Wilson Ferreira Jr., assume a presidência do conselho curador da FNQ (Fundação Nacional da Qualidade) até o primeiro semestre de 2013. O executivo sucede Mauro Figueiredo, do grupo Bradesco Seguros.

Inovação A GE do Brasil vai reunir governo e presidentes de empresas nacionais e internacionais para uma discussão focada em inovação no dia 23 de maio em Brasília.

Exterior A Charlotte Regional Partnership, agência de investimento dos Estados Unidos, está no Brasil para ministrar workshops a empresas do país interessadas em investir na região americana.

Sinais de bagunça - LUIZ GARCIA

O GLOBO - 18/05


Uma das óbvias e indispensáveis atribuições dos governos é a fiscalização da honestidade nos negócios públicos. O que significa a vigilância sobre o comportamento dos senhores e senhoras que atuam nesses mesmos governos. Não deixa de ser, em muitos casos, um comportamento antropofágico.

No caso do governo fluminense, essa obrigação, tão desagradável quanto necessária, acaba de ser explicitada num código de conduta já publicado no Diário Oficial. Tem uma novidade importante em relação ao código anterior: exclui de qualquer investigação o governador e seu vice — Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão. A novidade foi explicada pelo chefe da Casa Civil de Cabral, Regis Fichtner, com o argumento de que o governador não pode ser investigado por membros de comissões que ele mesmo nomeou. “O controle deve ser feito pela sociedade e pelos parlamentares”, disse Fichtner. É um argumento extraordinário. Sugere, por exemplo, que presidentes da República não deveriam ser julgados por ministros do Supremo Tribunal Federal nomeados por ele.

Mais do que isso, a novidade tem um precedente pelo menos curioso. O governo estadual é, pelo menos em tese, fiscalizado pelo Sistema de Gestão de Ética do Executivo, dividido em duas comissões.

Uma delas, integrada por representantes desse mesmo Executivo, é presidida pelo ubíquo Fichtner. A outra é comandada por Marcus Faver, ex-presidente do Tribunal de Justiça. É, presume-se, mais isenta — e, talvez por isso mesmo, está no momento brigando com o governo estadual. Reclama que decretos supostamente destinados a balizar a vigilância do Executivo eram confusos e não contribuem para uma fiscalização eficiente do governo. Sem falar no já mencionado fato de que nem o governador nem o seu vice são explicitamente citados como possíveis alvos de qualquer investigação.

Há duas hipóteses para essas extraordinárias omissões. Ou são produto de uma extraordinária distração, ou não há distração alguma. Francamente, é difícil escolher a explicação mais merecedora da indignação do respeitável público. Ressalve-se que fontes palacianas, alertadas a respeito, prometeram corrigir os decretos.

Com ou sem promessa, não parece existir exagero na impressão de que se não há nesse imbróglio alguma dose de má-fé, pelo menos os sinais de bagunça são tristemente óbvios.

LIMPEZA MILITAR - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 18/05

O secretário da Segurança Pública de SP, Antonio Ferreira Pinto, está finalizando projeto que cria a Via Rápida para a punição de policiais militares envolvidos em crimes. "Ela já existe para a Polícia Civil. Está na hora de fazermos isso com a PM. Temos que depurar seus quadros."

PEGA LEVE

A nova lei, diz Ferreira Pinto, "suprimirá procedimentos" nas investigações internas da corporação. "A Polícia Militar tem sido tímida no combate aos crimes de seus integrantes", admite. "Há leniência e frouxidão para expulsar policiais."

VIDA BOA

A lentidão e o fato de que PMs cumprem pena no presídio militar Romão Gomes, "sem as agruras do sistema penitenciário normal", são um "estímulo ao crime dentro da corporação", diz ainda Ferreira Pinto. De 196 presos do Romão Gomes, 54 já nem são mais PMs -foram expulsos. Um deles, condenado a 97 anos por triplo homicídio, está lá há sete anos.

PARA SEMPRE

Entre 88 homicidas, 33 ladrões, 15 estupradores e cinco traficantes do Romão Gomes, entre outros condenados por crimes graves, há um PM que se diferencia: está preso por não pagar pensão à ex-mulher.

OMBRO

José Dirceu teve longa conversa com Lula há alguns dias. O ex-ministro está abatido com a proximidade da análise do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal). Ele será o primeiro, entre os 38 réus, a ser julgado.

PLANO B

A W/Torre, que constrói e vai gerenciar o estádio do Palmeiras por 30 anos, negocia com a AEG Live a realização de um festival, já apelidado de "Sampa Rock", na Copa de 2014. Uma das ideias em curso é trazer Andrea Bocelli e Elton John para cantarem juntos na arena.

RESCALDO

E segue na Justiça ação do PT contra José Serra (PSDB-SP), que acusou o partido, na campanha presidencial de 2010, de ligação com as Farc e de quebrar o sigilo fiscal de dirigentes tucanos. José Eduardo Dutra, então presidente do PT, depõe hoje.

FILÉ MIGNON
"Fanático" por carnes, o chef Jefferson Rueda, 34, que foi açougueiro na adolescência em São José do Rio Pardo (SP), vai misturar seus dotes caipiras e a influência da culinária italiana no restaurante Attimo, que inaugura em junho, na Vila Nova Conceição. "Sei a anatomia de toda a bicharada aí, mas fico branco quando vejo um dedo [humano] sangrando", afirma.

PÉS NAS NUVENS

O saxofonista americano Charles Lloyd, que se apresenta no BMW Jazz Festival em junho, fez uma exigência à produção. Ele só se apresenta em cima de tapetes persas de 12 metros quadrados, antigos e originais.

ESCRITO NAS ESTRELAS

Maria Eduarda Ferreira, filha de Amaury Jr., se casa amanhã com Rubem Comini no salão de festas do prédio do pai. O astrólogo Oscar Quiroga falará na celebração, às 17h37. O noivo é adepto da numerologia.

PALCO ILUMINADO

O Fringe, mostra paralela do Festival de Teatro de Curitiba, foi convidado a participar de encontro da World Festival Network, que congrega 159 eventos semelhantes ao redor do mundo. Eles devem ser incluídos no mapa da rede internacional, o que pode permitir que as peças sejam apresentadas em outros países.

AQUARELA

Toquinho e Elifas Andreato estão fazendo um projeto para criar canções com o tema "Sentimentos". As composições do músico darão origem a trabalhos do artista plástico que ilustrarão não apenas um disco, mas também "um musical, um especial, tudo", diz Toquinho.

ABRAM AS CORTINAS

O espetáculo "Véspera", da dramaturga Camila Appel, teve pré-estreia para convidados anteontem, no Teatro Itália. Os atores Cris Nicolotti, Silvia Lourenço e Tadeu Di Pyetro integram o elenco.

MOMENTO ITÁLIA

A exposição "Modigliani - Imagens de Uma Vida" foi inaugurada anteontem no Masp. O cônsul da Itália em SP, Mauro Marsili, com a mulher, Carla, os atores Leopoldo Pacheco e Bruno Barros e a colecionadora Patricia Olivetto estiveram no vernissage.

CURTO-CIRCUITO

O colecionador José Olympio comemora 50 anos com festa hoje, às 21h30, no Espaço Villa Lobos, em Jaguaré.

O artista francês Christian Boltanski comanda workshop gratuito, às 17h, sobre vida e obra, no Espaço Citroën Oscar Freire.

Zé Ramalho se apresenta amanhã, às 22h, no Skyline Hall, em Alphaville.

A maquiadora britânica Sarah-Jane Froom, que já trabalhou em desfiles de Chanel e Vivienne Westwood, está no país para o lançamento da marca BareMinerals em São Paulo. Hoje, encontra colegas brasileiros, em Pinheiros.

com ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER e LÍGIA MESQUITA

Comissão da Verdade para quê? - JOÂO MELLÃO NETO


O ESTADÃO - 18/05


O termo, em si, já causa calafrios. Que verdade seria essa que a recém-nomeada comissão de sete membros - a maioria de esquerda, mas dotada de currículo respeitável - pretende apurar? Por suas primeiras declarações se percebe que haverá muitos atritos no seio desse colegiado e a maior parte deles permanecerá insanável.

O escopo inicial da comissão é trazer à luz todos os atentados aos direitos humanos ocorridos durante a assim chamada ditadura. Só por aí já se prevê uma discussão interminável: serão investigados também os crimes cometidos pela guerrilha de esquerda ou a intenção é considerar hediondos só os que foram praticados pelo aparato repressivo da direita? Esta teria sido responsável pela morte ou pelo desaparecimento de 379 militantes das organizações marxistas (números oficiais). Bastaria isso para que todos os repressores fossem condenados ao inferno. Acontece que o problema não é tão simples assim. As esquerdas, no período, também trucidaram muita gente. Foram mais de 130 pessoas, grande parte desavisados e inocentes transeuntes que estavam no lugar errado quando as bombas explodiram. As esquerdas nem sequer os reconhecem como "baixas de guerra". Preferem denominá-los como meros "acidentes de percurso". D e qualquer forma, o fato é que eles morreram. Quem haverá de responder por isso?

O dilema poderá ser resolvido com a fórmula simplista de sempre: tudo o que a esquerda faz é para o bem; tudo o que a direita faz é para o mal. Esse tipo de discurso podia ser atraente décadas atrás, no alvorecer de nossa democracia. Agora, após uma década de PT no poder, não só não faz mais sentido, como ofende a inteligência das pessoas. Esse relativismo poderá levar os membros da comissão a um impasse existencial: afinal, neste mundo em que vivemos, quem é de fato mocinho e quem é bandido?

Para ilustrar este texto, vale a pena registrar a surpresa de Hannah Arendt quando, na condição de jornalista, cobriu o julgamento de Adolf Eichmann, em Israel. Ben Gurion, então primeiro-ministro da nação judaica, chamou a imprensa do mundo inteiro e tratou de preparar um espetáculo irretocável. Chegou ao requinte de enjaular Eichmann numa gaiola de vidro blindado, como se a "fera alemã" oferecesse algum perigo aos espectadores.

Arendt escreveria depois suas impressões sobre o réu (A Banalidade do Mal). Ele fora o principal responsável pela solução final, o morticínio em massa dos judeus, e para isso, obviamente, não havia desculpa. Mas durante todo o julgamento em momento algum demonstrou arrependimento pelo que fizera. Ao contrário, demonstrava até certo orgulho por ter conseguido realizá-la da forma mais racional e inteligente possível. Eichmann surpreendentemente não era cruel. Era apenas um burocrata engenhoso que se desincumbira bem da tarefa que lhe fora ordenada. O mérito da decisão, a seu ver, não lhe cabia questionar. Ordens não se discutem, cumprem-se.

Outra passagem expressiva no seio do nazismo foi o discurso proferido em Posen por Heinrich Himmler, comandante-chefe das temidas SS e designado responsável pela execução da solução final. Após vangloriar-se por nenhum soldado de suas tropas jamais se ter apropriado de qualquer bem de valor daqueles judeus marcados para morrer, conclui: "Ter presenciado as filas de cadáveres - 500, 1.000 amontoados - e mesmo assim termos permanecido firmes, só podemos concluir que realizamos essa tarefa por amor ao nosso povo. E nós fizemos tudo isso sem causar danos ao nosso interior, à nossa alma, ao nosso caráter".

Crueldades desse naipe só se dão em regimes de direita? Não. Alguns anos antes, na União Soviética - que nascera com o objetivo de acabar de vez com a exploração do homem pelo homem -, ocorreu um massacre na Ucrânia de dimensões equivalentes ao Holocausto. Foi o Kolomodor. Determinado a acabar com o campesinato soviético, Stalin tomou uma série de medidas para exterminá-lo. Em novembro de 1932 o ditador impôs aos kolkhozes uma série de multas no caso de "descumprimento" do plano de coleta.

Após recolher as multas, em gêneros alimentícios, os camponeses ficam sem ter o que comer. Logo a seguir, foi proibida a importação de alimentos. Os camponeses ficaram também proibidos de sair da Ucrânia. A fome foi tal que se registraram inúmeros casos de canibalismo. De 1931 a 1933, calcula-se que de 3 a 5 milhões de ucranianos tenham morrido em razão do Kolomodor. Se os burocratas soviéticos da época fossem questionados s obre o episódio, é quase certo que responderiam que só estavam cumprindo ordens superiores, não sem uma pontinha de satisfação. Afinal, cumpriram bem a tarefa que lhes fora designada.

Agora se fala por aqui numa tal de Comissão da Verdade. Cabe questionar: verdade de quê e de quem? Baseada em quê? O que é que essa comissão pretende realmente fazer?

Quem participou com alguma voz de comando dos fatos relativos aos tais "anos de chumbo" está hoje com pelo menos 80 anos de idade, dificilmente estará arrependido do que fez e juridicamente é inimputável. Mesmo que a Lei da Anistia viesse a ser revogada, o que faria com toda essa gente? Interná-la numa clínica geriátrica, submeter seus descendentes à execração pública?

Então, ficam no ar as perguntas: para que, afinal, a comissão? E se os octogenários responsabilizados por eventuais violações dos direitos humanos forem condenados, qual será o castigo reservado a eles? Ficarão proibidos de jogar cartas no Clube Militar? Serão obrigados a ouvir diariamente o repertório completo de Lady Gaga? Ou terão suspensa a sua medicação diuturna para hipertensão?

De qualquer forma, nada disso serve para nada. A não ser que a intenção por trás de tudo isso seja reescrever a História do Brasil. Agora pelo prisma da esquerda.

Hollande e socialismo - GILLES LAPOUGE


O Estado de S.Paulo - 18/05


Eis a esquerda no poder. Ou melhor, no poder, o Partido Socialista. O governo que foi formado pelo presidente François Hollande e pelo primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault abrange, na sua quase totalidade, socialistas.

Enquanto Sarkozy selecionou nomes também em outros partidos para compor seu governo, apropriando-se voluptuosamente de socialistas, Hollande abasteceu-se quase unicamente no "viveiro" de seu partido. Seria essa uma garantia de uma equipe homogênea, unida, voltada para um mesmo objetivo e dócil? Com certeza, não.

O Partido Socialista é enorme. Todas as sensibilidades ali se cruzam. No caso da Europa, por exemplo, embora a tendência seja a favor da integração, existem oposições. O novo ministro das Relações Exteriores é Laurent Fabius. Ora, em 2005, Fabius foi o líder do grupo dentro do partido que exigiu votar "não" à ratificação do tratado constitucional europeu.

Portanto, temos um "antieuropeu na pasta das Relações Exteriores. Devemos concluir que o Partido Socialista tornou-se eurocético? Absolutamente. O novo presidente e seu primeiro-ministro, há dois dias, dão declarações de lealdade à União Europeia. O encontro de Hollande com a chanceler alemã, Angela Merkel, não deixou a mínima dúvida sobre esse aspecto.

Se continuarmos a auscultar os novos ministros, observamos que a anomalia identificada no caso de Fabius não é isolada. Ao lado de um ministro das Relações Exteriores, há um "ministro delegado para Assuntos Europeus". Trata-se de Bernard Cazeneuve, um homem talentoso. Em 2005, ele também defendeu o "não" ao tratado constitucional europeu.

Estranho. Os dois futuros responsáveis pela diplomacia francesa, Laurent Fabius, no Quai d'Orsay, e Cazeneuve, no Departamento de Assuntos Europeus, foram políticos contrários ao tratado europeu. E não é tudo.

A ministra da Justiça, Christiane Taubira também batalhou em 2005 contra o tratado. Assim como também o exuberante Arnaud Montebourg, atual ministro da Recuperação Produtiva, que não só fez parte do grupo de inimigos do tratado europeu, mas tem se declarado ruidosamente contra a globalização.

Face a esse nó de contradições, podemos responder que a linha da diplomacia francesa será definida por Hollande e Ayrault. Fabius, Cazeneuve e outros simplesmente ficarão encarregados de implementar essa política.

Por isso, avançamos em uma outra hipótese: em 2005, os defensores do "não", que votaram contra o tratado, não eram hostis à Europa, mas a uma "determinada Europa", uma Europa liberal, submetida à concorrência e ao mercado. De acordo com eles, a integração europeia seria o triunfo do liberalismo econômico, que, a seus olhos, era detestável.

Se essa análise estiver certa, então podemos imaginar que, dentro do Partido Socialista e no centro do governo de Hollande e Ayrault, uma doutrina comum reunirá os partidários do não, liderados por Fabius, aos europeus de Hollande: o desejo de uma Europa menos submissa ao mercado, ao mundo financeiro e à concorrência. De uma Europa que adicione às suas ambições econômicas um projeto político e mesmo, como afirmam com ênfase alguns socialistas, "um projeto de civilização". / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Mais saci do que tripé - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 18/05


O tripé de política econômica, tal como o conhecemos no Brasil desde 1999, está se desfazendo. Sem aviso prévio e sem maior satisfação à sociedade, a política econômica mudou e provavelmente seguirá mudando, sabe-se lá para que formatação. Hoje, está mais para saci do que para tripé.

O câmbio flutuante não flutua mais. As cotações da moeda estrangeira são resultado das intervenções diárias do Banco Central e do governo, que tratou de taxar com Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) os afluxos de capital. O sistema de metas de inflação foi substituído por práticas, não muito claras, em que se misturam metas de juros, metas de crescimento econômico e alguma coisa de meta de inflação.

O único fator do tripé anterior que ainda continua vigorando é a obtenção de um superávit primário, agora de 3,1% do PIB, o que equivale neste ano a R$ 139,8 bilhões ou 14% da arrecadação da União. (O superávit primário é a sobra de arrecadação que se destina ao pagamento da dívida, com o objetivo de controlar as finanças do setor público.)

Em princípio, nada há de errado nas mudanças de direção. Se as coisas se tornam diferentes, não só as opiniões têm de mudar, como ensinou Keynes. Também as políticas têm de mudar. O diabo é que essas mudanças vêm acontecendo dia após dia e, no entanto, o discurso é de que continua tudo como dantes.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, por exemplo, repete a cada documento oficial e nas entrevistas que o sistema de metas continua de pé; que os juros básicos (Selic) seguem calibrados para obter uma inflação rigorosamente na meta (de 4,5% neste ano); que o Banco Central só intervém no câmbio interno para evitar a excessiva volatilidade das cotações da moeda estrangeira e tal.

Precisa vir a público o ex-ministro Delfim Netto para advertir que "só um idiota pode dizer que existe câmbio flutuante"; que a política de juros não existe para enfiar a inflação para dentro da meta, mas para trabalhar em "integração com a política fiscal e cambial". Delfim avisa, ainda, que "essa ideia de Banco Central independente já acabou". Em suma, está dizendo que é idiota quem crê nesse discurso. (Essas declarações foram dadas por Delfim, terça-feira, à Agência Estado e publicadas quarta-feira no Estado.)

As contradições entre as políticas colocadas em prática e o discurso oficial, especialmente do Banco Central, geram prejuízo para a credibilidade da instituição, que hoje não consegue mais, como antes, conduzir as expectativas. Ninguém mais acredita em que o Banco Central persiga a meta de inflação. Seu objetivo hoje é derrubar os juros primeiro, para ver depois o que se passa com a inflação. O levantamento semanal feito pelo Banco Central com cerca de 100 instituições (Pesquisa Focus) mostra que o mercado espera neste ano uma inflação mais próxima dos 5,5% do que dos 4,5%.

Pergunta: não seria melhor que, em vez de manter esse papo esquizofrênico, o governo federal ou o próprio Banco Central abrissem logo o jogo e avisassem o que mudou e o que pretendem agora da política econômica?

Se não for por outra razão, que isso aconteça pelo menos em nome da transparência, que o Banco Central evoca sempre e que, agora, está consagrada na Lei de Acesso à Informação.

E a Grécia está de volta - LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS


FOLHA DE SP - 18/05

Defensores da manutenção do euro vão poder construir um discurso equilibrando austeridade e crescimento

E os mercados voltaram a empurrar a Grécia e a Europa para o precipício da ruptura financeira. Para muitos investidores e analistas, isso já aconteceu e o enterro final tem data marcada: as eleições parlamentares na Grécia em junho.

Depois de alguns meses de tranquilidade, comprada à custa de  1 trilhão emprestados pelo Banco Central Europeu, a especulação voltou a dominar os mercados pelo mundo afora. O Brasil não foi exceção, e o índice Bovespa, em dólares, caiu mais de 30% nas últimas semanas.

Os investidores não dão mais a menor importância para dados macroeconômicos favoráveis que continuam a ser divulgados em alguns países importantes e poucos se emocionam com resultados positivos divulgados por empresas nas Bolsas.

A explicação para tal comportamento é simples: segundo os mercados, o capitalismo não tem futuro, e o que nos espera é uma depressão econômica do tipo da que ocorreu na década dos anos 30 do século passado.

Poucos investidores têm ainda coragem de olhar para a frente com otimismo e, aproveitando os preços de hoje, compor uma cesta de ações de qualidade e que garanta um retorno elevado à frente.

Nem mesmo os juros reais negativos nas aplicações mais seguras -que, em passado recente, estimularam o investimento em ações- funcionam como antídoto ao pessimismo deletério que tomou conta de todos. Um dos poucos investidores que têm confrontado os pessimistas é o octogenário e carismático Warren Buffett.

Um dos principais acionistas de uma empresa de seguros e investimentos americana, além de ser seu comandante em chefe, Buffett acaba de informar à SEC que aumentou de forma significativa sua participação no capital da GM e da Viacon, uma importante empresa americana no setor de comunicações.

Aliás, Buffett ficou famoso por investir em momentos de pânico, quando a maioria dos investidores está vendendo seus investimentos. Não por outra razão, é um dos homens mais ricos do mundo.

Nos próximos meses, vamos saber quem está com a razão: Buffett ou os defensores do caos, como Nouriel Roubini, o economista das trevas, como é conhecido.

Sempre digo a meus interlocutores que estou velho demais para acreditar no colapso do sistema de economias de mercado, como é chamado o capitalismo nos dias de hoje. Acrescento sempre que aprendi -na minha convivência e leituras da história- que os chamados políticos adoram chegar perto do abismo, mas, uma vez lá, acabam por tomar medidas que evitem o pior. E ainda acredito que isso vá acontecer na Europa nos próximos meses.

Comecemos pela Grécia, onde a ambição pelo poder de um político do partido Nova Democracia mergulhou o país em uma eleição que não poderia ser realizada naquele momento. O resultado -previsto então há meses pelas pesquisas de opinião- foi um Parlamento dividido e o aparecimento de um demagogo de extrema esquerda, tão esperto quanto vazio. Ele é hoje considerado o virtual primeiro-ministro grego e o político que vai mergulhar a Grécia e a Europa no caos.

Mas as próximas eleições vão ser disputadas em outras condições. A mais importante delas é que os defensores da manutenção do euro vão poder construir um discurso diferente, equilibrando austeridade e crescimento.

A volta do pânico mexeu também com a chanceler alemã e abriu espaço importante para uma mudança no discurso oficial anterior e introduziu uma bem-vinda preocupação com o crescimento.

Nesse sentido, a vitória de Hollande na França foi uma bênção dos deuses gregos para todos, inclusive nós, brasileiros. Uma nova parceria entre esses dois países, que sempre representaram o eixo central do projeto da Europa unida, pode abrir finalmente um caminho mais auspicioso para se enfrentar as armadilhas estruturais criadas com a implementação errada do euro nos anos que se seguiram à queda do Muro de Berlim.

Espero sinceramente que isso aconteça e, se estiver certo, talvez o enterro do euro tenha de ser adiado mais uma vez...

O peso dos impostos na energia - NELSON FONSECA LEITE


O GLOBO - 18/05
Estamos nos aproximando da Rio+20 e, durante a realização do evento, o mundo inteiro voltará suas atenções para o Brasil. Entre os pontos de destaque está a matriz de geração de energia elétrica brasileira com mais de 85% de fontes renováveis. O setor elétrico é considerado pelo Banco Mundial como o mais bem estruturado entre os setores de infraestrutura. Operamos o maior sistema interligado do mundo, que permite a transferência de energia entre diferentes regiões. O Brasil fez o maior programa de eletrificação rural do mundo, que tirou da escuridão mais de 18 milhões de brasileiros.

Tudo isso seria fantástico se ainda não tivéssemos problemas estruturais para resolver. O debate sobre o preço da energia no Brasil está ganhando cada vez mais espaço na mídia, no Congresso e no Executivo. O tema é prato cheio para pessoas sem conhecimento técnico e, muitas vezes, serve de bandeira política, alimenta comentários superficiais de porta-vozes que utilizam argumentos infundados para se valer do tema de forma equivocada.

Hoje não é exatamente a tarifa de eletricidade que traz mais dor de cabeça aos industriais, comerciantes e consumidores residenciais. Na verdade, o que tem pesado no preço na energia são os encargos dos impostos. Na média, 45% da conta de luz vão para encargos e tributos. Somos o terceiro país do mundo que mais tributa energia elétrica.

Algumas comparações presentes nos discursos panfletários que volta e meia estão na mídia costumam desprezar as peculiaridades que um país como o nosso apresenta. A comparação pura e simples com o custo em outros países é uma delas. Num país de dimensões continentais como o Brasil, as características regionais tornam boa parte delas equivocadas. É preciso levar em consideração, por exemplo, a complexidade da atuação das empresas que atuam na Região Norte do país, não apenas em termos geográficos, mas, sobretudo, pelas características socioeconômicas da região.

Não é possível ignorar que as dificuldades extremas de locomoção e a carência de infraestrutura básica nas regiões Norte e Nordeste, por exemplo, já são condições suficientes para derrubar qualquer comparação com países europeus ou com os Estados Unidos.

No caso particular da Região Norte, inclusive, há um clamor das distribuidoras que ali atuam para que o agente regulador leve em consideração a realidade local nas metodologias das tarifas de energiaelétrica e também na fixação das metas de qualidade ao longo do tempo, que não podem ser as mesmas praticadas no Sul e no Sudeste. É preciso lembrar que a questão regulatória neste setor ainda não ficou bem resolvida no Brasil. Ainda hoje, o regulador está tentando aperfeiçoar os mecanismos de revisão tarifária, trazendo certa instabilidade ao setor.

A execução do programa federal Luz para Todos também pesa para as empresas. É uma iniciativa socialmente meritória, mas que se revelou, em muitos estados, danosa financeiramente para as concessionárias, obrigadas a drenar uma grande parte de seus recursos para dar conta das obrigações implícitas no programa. Isso colaborou para a deterioração dos indicadores de qualidade, tema que as distribuidoras das regiões mais pobres do país vêm discutindo nos últimos anos com a ANEEL, infelizmente sem sucesso.

Em suma, é preciso levar em consideração a viabilidade econômico-financeira das empresas que produzem e distribuem energia no país. A complexidade do tema requer um debate aprofundado, com exposição dos melhores argumentos, para que se chegue a um equilíbrio entre o que é desejável e o que é factível.

ExxonMobil - MOISÉS NAÍM


FOLHA DE SP - 18/05

Livro mostra como a empresa americana, na década de 1990, virou a gigante que é hoje

Na semana passada, a ExxonMobil, com receita de US$ 450 bilhões (isso mesmo, bilhões), desbancou a Wal-Mart na primeira posição da lista Fortune 500. A maioria dos países não tem receita dessas dimensões.

Também na semana passada, Stephen Coll, um dos jornalistas investigativos mais incisivos do mundo, lançou um livro sobre o qual vinha trabalhando havia anos: "Private Empire" (Império Privado).

O livro trata de como, na década de 1990, a ExxonMobil tornou-se a gigante que é hoje.

A essência dessa história é que a natureza do trabalho da ExxonMobil -encontrar óleo e gás em qualquer parte do planeta e levá-los a consumidores de energia em todo o mundo- é imensamente cara e requer investimentos de longo prazo.

Coll explica que "os investimentos da Exxon em um campo específico de óleo e gás podem ser baseados na premissa de um ciclo de vida produtivo de 40 ou mais anos. Durante esse tempo, os Estados Unidos podem mudar de presidente e de políticas externas e energéticas pelo menos meia dúzia de vezes."

No exterior, a situação é ainda pior, com golpes, revoluções e violência sendo ainda mais comuns. "Vemos governos irem e virem", observou certa vez Lee "Iron Ass" Raymond, legendário CEO da Exxon.

Esses grandes investimentos são muito vulneráveis à volatilidade, isto é, a mudanças nas regras impostas por governos, geradas pelas ações de empresas rivais ou de ONGs que lutam pelo meio ambiente, pelos direitos humanos e por outras causas sociais que podem se chocar com os interesses da companhia. A ExxonMobil tornou-se muito hábil em combater a volatilidade.

"Os lobistas da corporação moldaram e distorceram a política externa americana", escreve Coll, "além de sua regulamentação econômica, climática, química e ambiental". O livro também explica como a empresa foi bem-sucedida em limitar o êxito de cientistas e ativistas que lutaram para mudar regras relativas às emissões de carbono que levam ao aquecimento global.

As mudanças advindas nos anos 1990 foram muito boas para a companhia, na medida em que muitos países antes fechados a investidores estrangeiros passaram a lhes dar as boas-vindas. À medida que o alcance global da Exxon foi mudando, seus vínculos com o país de origem se tornaram ainda mais tênues.

"Em alguns momentos, os interesses amplamente dispersos da Exxon foram diferentes dos de Washington", observa Coll, e Raymond "não administrou a corporação como instrumento subordinado da política externa americana; seu império foi um império privado".

O próprio Raymond expressou isso com ainda mais franqueza: "Não sou uma companhia dos EUA e não tomo decisões com base no que é bom para os EUA".

"Conciliar não era o modo de agir da Exxon", afirma Coll. Uma de suas conclusões mais reveladoras é que "a ExxonMobil obedece às leis, sim. Estou convencido de que ela realmente se atém às regras."

É claro que é fácil para uma empresa ater-se às regras quando, como mostra este livro, em muitos casos é ela própria quem as redige.

Falta um motorista ou uma secretária para reavivar a CPI - FERNANDO RODRIGUES


FOLHA DE SP - 18/05


Ainda é cedo para prever o desfecho da CPI do Cachoeira. Mas a investigação acumula sinais de que pode ter final melancólico.

A regra de ouro numa CPI é simples: quando muita gente precisa ser investigada, ninguém o será. Os extremos se anulam. Forma-se um cenário similar ao de antigos filmes de faroeste: pistoleiros na taberna se olhando, em silêncio, sem que ninguém tenha coragem para sacar a arma do coldre.

O caso dos governadores de Estado que não serão convocados nem convidados a depor é o exemplo dessa situação. "Não convoque o meu que eu então convocarei o seu" foi o tom das declarações nos últimos dias entre oposição e situação. Ninguém foi chamado.

A partir de agora, há duas hipóteses principais para incendiar a CPI e ampliar o escopo dos trabalhos. Primeiro, a descoberta (improvável, mas não impossível) de alguma prova contundente no material já coletado pela Polícia Federal sobre as atividades de Carlinhos Cachoeira.

A outra possibilidade é o depoimento revelador de dentro do esquema. Um motorista, uma secretária, um contador. Alguém que se sinta pressionado e resolva testemunhar sobre as operações de Cachoeira e suas relações com o poder.

Tanto a prova material como o depoimento de algum desafeto são fatos imponderáveis. Nas CPIs mais rumorosas dos últimos 20 anos as provas testemunhais foram vitais.

Fernando Collor de Mello em 1992 viu sua condição de presidente ameaçada quando um de seus irmãos, Pedro Collor, deu uma entrevista.

No caso dos Anões do Orçamento, em 1993, vários deputados foram cassados porque uma testemunha presa contou como eram desviadas as verbas públicas.

No governo de Fernando Henrique Cardoso, só não houve uma CPI para apurar a compra de votos a favor da emenda da reeleição, em 1997, porque o governo distribuiu cargos e nenhum dos envolvidos aceitou contar o que sabia.

À época, o então deputado federal Delfim Netto brincou: "Nunca vi ganhar um boi para entrar e uma boiada para sair".

Sob Luiz Inácio Lula da Silva, a CPI do Mensalão prosperou porque um dos participantes do esquema revelou publicamente o que se passava -Roberto Jefferson, em entrevista à Folha.

Agora, o roteiro é semelhante. A CPI do Cachoeira é uma investigação em busca de uma prova ou testemunha.

PROGRAMAÇÃO ESPORTIVA NA TV


7h - Masters 1.000 de Roma, tênis, Sportv 2

7h - Torneio de Roma, tênis, Bandsports

15h45 - Real Madrid x Banca Cívica, Liga Espanhola de basquete, Bandsports

16h - Masters 1.000 de Roma, tênis, Sportv 2

17h30 - Mundialito de futebol de praia, semifinal, Sportv

19h - São José x Flamengo, NBB, Sportv 2

20h - Washington Nationals x Baltimore Orioles, beisebol, ESPN HD

21h - Ceará x América-MG, Série B, Sportv (menos CE)

21h - Brasil x Polônia, Liga mundial de vôlei, Sportv 2

23h30 - LA Lakers x Oklahoma City Thunder, NBA, ESPN e ESPN HD

1h10 - Cuba x Sérvia, Liga mundial de vôlei, Sportv

O os números do ensino médio - EDITORIAL O ESTADÃO


O ESTADO DE SP - 18/05


Os últimos números do Ministério da Educação (MEC) revelam que, em 2011, o índice de reprovação na rede pública e privada de ensino médio foi de 13,1% - o maior dos últimos 13 anos. Em 2010, foi de 12,5%. Os alunos reprovados não conseguem ler, escrever e calcular com o mínimo de aptidão, tendo ingressado no ensino médio com nível de conhecimento equivalente ao da 5.ª série do ensino fundamental.

O Estado com o maior índice de reprovados foi o Rio Grande do Sul - 20,7% dos alunos. Em segundo lugar aparecem, empatados, Rio de Janeiro e Distrito Federal, com índice de 18,%, seguidos pelo Espírito Santo (18,4%) e Mato Grosso (18,2%). A rede municipal de ensino médio na região urbana de Belém, no Estado do Pará, foi a que apresentou o maior índice de reprovação do País (62,5%), seguida pela rede federal na zona rural de Mato Grosso do Sul (40,3%). No Estado de São Paulo, o índice pulou de 11% para 15,4%, entre 2010 e 2011.

Os Estados com os menores índices de reprovação foram Amazonas (6%), Ceará (6,7%), Santa Catarina (7,5%), Paraíba (7,7%) e Rio Grande do Norte (8%). Os indicadores também mostram que 9,6% dos estudantes da rede pública e privada de ensino médio abandonaram a escola - em 2010, a taxa foi de 10,3%; em 2009, ela foi de 11,5%; e em 2008, de 12,8%.

Já na rede pública e privada de ensino fundamental, o movimento foi inverso ao do ensino médio. Entre 2010 e 2011, a taxa média de reprovação caiu de 10,3% para 9,6% e o índice de abandono diminuiu de 3,1% para 2,8%, no período. Os Estados com os maiores índices de repetência foram Sergipe (19,5%), Bahia (18,5%), Alagoas (15,2%), Rio Grande do Norte (14,9%) e Rondônia (14,2%). Se forem consideradas apenas as escolas públicas, as redes de ensino fundamental da Bahia e Sergipe foram as que registraram os mais altos índices de reprovação do País - 26,6% e 22,5%, respectivamente. Os Estados com as menores taxas foram Mato Grosso (3,6%), Santa Catarina (4,4%), São Paulo (4,9%), Minas Gerais (7,3%) e Goiás (7,6%).

Esses números, que atestam o fracasso da política educacional dos governos Lula e Dilma, foram divulgados na última segunda-feira, pelo site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao MEC. Como não havia nada para comemorar ou para ser explorado politicamente pelo governo na campanha eleitoral deste ano, a divulgação foi feita de maneira muito discreta - evidentemente, para não prejudicar a imagem do ex-ministro Fernando Haddad, candidato à Prefeitura de São Paulo.

Ao depor na Câmara dos Deputados, em 2007, Haddad afirmou que o ensino médio vivia uma "crise aguda" e reconheceu que as políticas até então adotadas pelo governo federal para estimular os governos estaduais a modernizarem o ensino médio não vinham surtindo efeito. Em 2008, quando integrou um grupo interministerial com o então secretário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, ele pediu ao CNE novas diretrizes curriculares para tentar melhorar a qualidade do ensino médio - o mais problemático de todos os ciclos de ensino.

Homologadas no final de março por seu sucessor, essas diretrizes sugerem a adoção de "procedimentos que guardem maior relação com o projeto de vida dos estudantes". A ideia é tornar o ensino médio mais atraente, valorizando a correlação entre trabalho, ciência, tecnologia e cultura. Quando as diretrizes foram anunciadas, em meio a mais uma polêmica sobre o desvirtuamento do Exame Nacional do Ensino Médio, por causa das mudanças introduzidas por Haddad nesse mecanismo de avaliação, vários pedagogos afirmaram que elas não eliminarão os gargalos do ensino médio. Para esses pedagogos, as novas diretrizes são mais retóricas do que práticas e estimulam a oferta de um grande número de disciplinas.

As taxas de reprovação e abandono no ensino médio divulgadas pelo Inep são mais um sinal de alerta sobre a má qualidade da educação brasileira. E pelas políticas adotadas até agora, dificilmente esse quadro mudará tão cedo.

CLAUDIO HUMBERTO

“Em nenhum lugar a Delta cresceu tanto como lá, e ninguém faz nada”
Senadora Kátia Abreu (PSD-TO) , inconformada com a blindagem do governo do Rio de Janeiro

DEPUTADO PAGA DOMÉSTICA COM VERBA DA CÂMARA

Crítico ferrenho da família Sarney e atual presidente da Comissão de Direitos Humanos, o deputado federal Domingos Dutra (PT-MA) é acusado de pagar uma empregada doméstica com dinheiro da Câmara. Regiane Abreu dos Anjos foi contratada em setembro de 2010, mas só descobriu que era funcionária fantasma do gabinete três meses depois, quando, demitida, procurou a 5ª Vara do Trabalho. Dutra alega ser vitima de adversários e disse que processa Regiane por “calúnia”.

REGISTRO POLICIAL

Regiane fez ocorrência na Polícia Civil, onde disse ter confiado seus documentos à mulher do deputado Dutra para abrir conta na Caixa.

FANTASMINHA CAMARADA

A documentação foi usada para nomear a doméstica como assessora parlamentar na Câmara, com salário que chega a R$ 3,1 mil por mês.

SEM CONCILIAÇÃO

Domingos Dutra foi obrigado a indenizar a doméstica com seis parcelas de R$ 1,5 mil, em razão de direitos trabalhistas negligenciados.

PRECEDENTE

Em março de 2009, o então deputado Alberto Fraga (DEM-DF) foi acusado de pagar uma babá nomeando-a assessora do seu gabinete.

DEPOIMENTOS VÃO OCUPAR A CPI POR SEIS MESES 

As 51 pessoas convocadas ontem pela CPI mista do Cachoeira, sem mencionar o próprio bicheiro, vão prestar os respectivos depoimentos sempre às terças-feiras, segundo ficou definido. Isso permite estimar que, na melhor hipótese, de dois depoimentos por terça-feira, a comissão levará ao menos 25 semanas (ou seis meses) para ouvir os convocados, avançando, inclusive, no período de campanha eleitoral.

FAÇA O QUE DIGO...

O PSDB exige rapidez do governo contra corruptos, mas embroma no caso do deputado tucano Carlos Leréia (GO), o amigão de Cachoeira.

BLINDAGEM

Como os governadores, foram poupados de convocação à CPI o ex-diretor do Dnit, Luiz Antônio Pagot, e Fernando Cavendish, ex-Delta.

EVENTO JURÍDICO

O ministro Cesar Asfor Rocha será homenageado na terça (22) no Superior Tribunal de Justiça, do qual é decano, e vai lançar seis livros.

PERDEU, HADDAD

O PMDB perdeu a paciência com o secretário municipal de Esporte em São Paulo, Bebeto Haddad. Ele não deixou a boquinha na prefeitura de Gilberto Kassab e o PMDB interveio nos diretórios sob sua influência, em Guarulhos, Catanduva e em bairros como Santana e Vila Maria.

BUMBUM DE FORA

DEM anunciou apoio ao tucano José Serra na expectativa de indicar o vice de sua chapa, mas ele só definirá isso após a Justiça decidir sobre o tempo de TV. Se não der para o PSD, fará chapa “puro sangue”.

MICO DO CQC

A deputada estadual paulista Vanessa Damo (PMDB) vai pagar um mico dos gordos no próximo CQC. Assinou um papel pela redução do orçamento da Assembleia, mas não viu letras miúdas abrindo mão do salário. “Maldade à parte, a brincadeira foi boa”, disse esportivamente.

AVISO PRÉVIO

A blindagem do governador Sergio Cabral e de Fernando Cavendish, ex-Delta, não deveria surpreender. O relator da CPI, deputado Odair Cunha, sinalizou isso há três semanas, em seu plano de trabalho.

ESTRELA PARAIBANA

Senador há pouco tempo, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) tem se revelado uma das estrelas na CPI mista do Cachoeira. Atua no exame de documentos com o mesmo empenho que demonstra no plenário.

FRUSTRAÇÃO À VISTA

A Comissão da Verdade fará reuniões quinzenais a partir de segunda. Como são dois anos de trabalho, vai ser uma proeza sete pessoas avaliarem 42 anos (de 1946 a 1988) em 48 reuniões. Os otimistas podem se frustrar com o tamanho da tarefa e a pobreza da estrutura.

CONTRA AMNÉSIA

Do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) sobre a possibilidade de a Comissão da Verdade investigar e punir quem lutou contra a ditadura: 

“Não se pode rasgar a anistia, mas também sou contra a amnésia”.

MESMA ESCOLA

O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) e o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) têm discursado em pé na CPI do Cachoeira. Logo surgiram comparações com o ministro Joaquim Barbosa, do STF.

TV CHUCHU

Enquanto pegava fogo na CPI mista de Cachoeira, a TV Senado transmitia uma sessão ordinária da Comissão de Relações Exteriores. 


PODER SEM PUDOR

NÃO TE FRESQUEIA, TCHÊ 

O líder gaúcho Flores da Cunha era do tipo que não guardava papas na língua e zelava pela reputação dos machos do Rio Grande do Sul. Mas, certa vez, num comício em Uruguaiana, ao ser saudado, um orador local exagerou nos elogios:

– Bravo general, corpo de espartano, cérebro ateniense, coração de pomba, alma de dama...

Ele chama o chefe político e ordena, interrompendo o discurso:

– Tira esse demente daqui antes que ele me chame de fresco.

SEXTA NOS JORNAIS


Globo: Lei de Acesso – Executivo sai na frente e manda divulgar salários
Folha: CPI poupa senadores e Delta, e senadores falam em pizza
Estadão: Dilma publicará salários do Executivo e irrita servidores
Correio: # Abaixo A Mordomia
Valor: Governo avalia corte de IOF no crédito de carros
Zero Hora: Dilma divulgará salários de servidores e Piratini promete fazer o mesmo

quinta-feira, maio 17, 2012

Desafio de Luciano - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 17/05

O pernambucano Luciano Coutinho, 65 anos, presidente do BNDES, dedica-se a um projeto de grande envergadura tecnológica. A ideia é montar em Minas, veja que legal, uma fábrica avançada de semicondutores com tecnologia da IBM.

A volta de Sauer...

A IBM ficaria com uns 16% do negócio. Os outros sócios seriam o próprio BNDES, o mineiro BMG, Eike Sempre Ele Batista e o alemão Wolfgang Sauer. A Finep entra com parte do financiamento. Sauer, 80 anos, foi o poderoso presidente da Autolatina, a finada joint venture que, nos anos 1980, reunia a Ford e a Volkswagen.

Ahmadinejad vem

A confirmação do Irã chegou ontem à noite. Mahmoud Ahmadinejad vem à Rio+20.

Protestos...

A comunidade judaica deve organizar protestos contra o iraniano.

À la Zózimo

E o Sérgio Machado, hein? Não é que o presidente da Transpetro decidiu fazer mais uma festa, dia 25, para o navio João Cândido? A primeira foi há dois anos, no dia 7 de maio de 2010, com a presença de Lula. Mas o navio nunca saiu do estaleiro pernambucano.

Refúgio de Coben
A Editora Arqueiro comprou os direitos de “Refúgio”, novo livro do mestre americano do suspense Harlan Coben. Traduzido para 41 idiomas, Coben já vendeu mais de 50 milhões de livros mundo afora, 500 mil só aqui.

PRETA GIL, 37 anos, a fogosa cantora, inicia em seu Twitter, hoje, Dia Internacional do Combate à Homofobia, uma campanha contra a discriminação. Veja a imagem que a artista vai postar no microblog, onde tem 2,2 milhões de seguidores. “Homofobia é crime, é desumano. Sou bissexual assumida, sou casada e estou lutando por igualdade”, desabafa. Aliás, desde que Obama deu seu apoio ao casamento gay, o tema ganhou as redes sociais. Eu apoio

Abandono afetivo
Depois da condenação de um pai pelo STJ por abandono afetivo, revelada aqui, a Justiça do Rio tomou decisão semelhante. A desembargadora Maria Regina Nova condenou um pai em R$ 50 mil por não ter reconhecido a paternidade nem dado apoio material ou emocional ao filho.

Segue...

Na ação, o pai confirmou saber da existência do menino, mas disse que não nutria nenhum sentimento por ele. Meu Deus...

Nome clonado

O Itaú/Unibanco ganhou ontem na Justiça a briga contra a Valdery dos Santos Decorações, que registrou os nomes de domínio itauunibancoholding.com.br e unibancoholding.com.br. A empresa terá de devolver os nomes e pagar R$ 12 mil. Causa do escritório Montaury Pimenta, Machado & Vieira de Melo.

Cobertura do Peixe
O ministro Luís Felipe Salomão, do STJ, negou o último recurso do Golden Green, condomínio de bacanas na Barra, no Rio, numa ação contra Romário. O condomínio queria que o Baixinho desfizesse uma obra em sua antiga cobertura, já leiloada, para pagar dívidas.

Diário de Justiça

O advogado Raphael Reimol Domenech, superintendente de relações comerciais de Docas e auditor-relator do STJD, é réu em uma ação por furto de energia num prédio comercial, onde era síndico. Corre na 36 Vara Criminal do Rio.

Viva a professora!

Dilma entrega hoje à economista Maria da Conceição Tavares, 82 anos, o Prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia.

O palhaço, o que é?

O Rio foi escolhido para receber o 1, Festival Internacional de Circo. Começa dia 21 de junho. Será realizado em todas as favelas com UPPs.

Ai, minha coluna

Terça, no Circuito Brasileiro de Degustação, evento de vinho, no Rio, Nelson Sargento ameaçava jogar uma bolinha de papel no lixo quando um intrometido duvidou: “Consegue fazer a cesta?" E o nosso Nelson: “Consigo. Mas... não vou tentar. Porque, se eu errar, vou ter de abaixar para pegar a bolinha. E, se abaixar, não levanto mais!” Maravilha.

As Diretas da Verdade - DENISE ROTHENBURG

CORREIO BRAZILIENSE - 17/05




Faltou a senhora Verdade para acompanhar o senhor Diretas, nos anos 1980. Espera-se que agora, ela surja linda e majestosa por essa comissão que leva seu nome. Só assim fecha-se o ciclo aberto pelo Movimento Diretas Já

No ano que vem, o Movimento Diretas Já completa 30 anos. Ali, os personagens que tanto lutaram pela democracia encheram as ruas, as praças, os palanques. Eram brasileiros lutando de corpo e alma pelo direito de escolher seus representantes pelo voto direto e pôr um fim à farsa promovida pelos militares que indicavam o candidato e ponto. Naqueles palanques, estavam na linha de frente Ulysses Guimarães, conhecido como o “senhor Diretas”, e Tancredo Neves. Ao lado deles, dois personagens que ontem desceram a rampa interna do Palácio do Planalto, meio que escoltando a presidente Dilma Rousseff. À direita de Dilma, Luiz Inácio Lula da Silva, a quem ela deu o braço. À esquerda, Fernando Henrique Cardoso.

Ok, você do PT vai dizer que os dois ex-presidentes estavam nos lugares errados em termos ideológicos, os petistas vão dizer que Lula está à esquerda e Fernando Henrique Cardoso, à direita. Isso hoje pouco importa. Os três sempre estiveram do mesmo lado da política, embora seus partidos tenham promovido um “divórcio” na luta pelo poder, que, invariavelmente, deixa em lados opostos quem deveria estar junto. Eles choraram juntos a derrota da Emenda Dante de Oliveira, no Congresso Nacional. O PT ficou tão revoltado que decidiu não votar em Tancredo no Colégio Eleitoral.

Mas voltemos ao simbolismo da solenidade de ontem no Planalto. Poucos passos atrás de Lula, Dilma e Fernando Henrique desceram José Sarney e Fernando Collor. Há 29 anos, quando começou o movimento das Diretas, não compunham aquele palanque com Ulysses e Tancredo. Sarney, entretanto, logo se juntaria ao grupo quando foi construído o Partido da Frente Liberal, o PFL. Foi o que deu a maioria que Tancredo precisava para vencer Paulo Maluf no Colégio Eleitoral. Ufa! Finalmente os militares estavam fora.

Por falar em Sarney…
O governo Sarney consolidou a democracia, mas não democratizou os arquivos. Collor saiu antes de poder pensar em qualquer atitude nesse sentido. Fernando Henrique Cardoso e Lula também não o fizeram. O máximo que se conseguiu até agora foi que cada um conhecesse a sua ficha no Dops ou documentos vazados aqui e ali que garantem prêmios a muitos jornalistas estudiosos do assunto. Mas fantasma das versões — tanto do lado daqueles que lutavam pela redemocratização, quanto daqueles escritos por quem comandava o país — continua perambulando. O Movimeto Diretas Já derrotou a ditadura — ainda que com a primeira eleição pós-militares tenha sido por vias indiretas —, mas não se concluiu. Faltou a senhora Verdade para acompanhar o senhor Diretas. Espera-se que agora, ela surja linda e majestosa por essa comissão que leva seu nome. Não por acaso, Dilma falou em liberdade para trabalhar, um recado aos militares dito de viva-voz pela chefe suprema das Forças Armadas, a presidente da República.

Por falar em militares…
A presença dos quatro ex-presidentes também é cercada de simbolismos. Eles fizeram questão de comparecer para que fique claro aos militares, em especial, os da reserva que não querem revelar o passado, que apoiam a Comissão da Verdade. Estavam ali como escudeiros de Dilma, um recado claro de que a Comissão da Verdade não é obra de uma ex-guerrilheira que, vez por outra, é irascível com alguns de seus ministros, assessores e presidentes de estatais. Mas é algo que vem de uma geração que precisa saber da sua vida. No Alvorada, ela aproveitou o almoço para agradecer e reforçar esse gesto. Juntos, os ex-presidentes também fizeram uma análise da situação mundial, das apreensões com a situação da Europa, da doença do venezuelano Hugo Chavez, oportunidade em que Lula aproveitou para dizer que sua saúde está em dia, salvo por uma tendinite no pé.

Por falar em irascível…
A presidente Dilma não consegue ficar seis meses sem mexer no primeiro escalão. Numa roda de políticos no Planalto, um deles deixou escapar que tinha ouvido de gente ali de dentro que o ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, deixou de integrar a lista de preferidos. É fato que o PT sempre reclama que ele não é político como o era Celso Amorim, hoje ministro da Defesa. Diz-se que a sucessora — isso mesmo, mais uma mulher no governo! — viria de Washington. Se não for boato, em breve saberemos. Mas essa conversa rola nas salas onde muitos se encontram ao entrar e sair de audiências palacianas.

A crise europeia está em plena forma - GILLES LAPOUGE


O Estado de S.Paulo - 17/05


O euro vai mal. Registrou uma queda em relação ao dólar, valendo agora US$ 1,2696. Desde as eleições gregas, no dia 6 de maio, a moeda única europeia perdeu quatro centavos. Não é uma queda catastrófica. Ela agrada os exportadores, prejudicados com o vigor do euro em relação ao dólar ou ao iene. Mas na realidade o recuo da moeda é sinal da péssima saúde da União Europeia e da zona do euro.

Os especialistas, claro, culpam a Grécia por essa debilidade do euro.

Esse país se dirige irremediavelmente para o abismo e atrai todos os seus parceiros europeus para baixo. De fato, é toda a Europa que se afunda no marasmo. Os últimos dados publicados pelo Eurostat são consternadores para a União Europeia e em especial para a zona do euro.

No primeiro trimestre de 2012, os 17 países que adotaram a moeda comum tiveram um crescimento nulo. Zero.

É verdade que o desempenho foi melhor do que no ano passado, quando o recuo foi de 0,3%. Mas todos os presságios eram de que o ano de 2012 seria o da retomada. A crise não seria mais do que uma triste lembrança. Mas não! A crise não é uma lembrança. Está em "plena forma".

E causa estragos.

Examinando mais de perto os dados, descobrimos uma outra razão de inquietação.

A zona do euro, essa entidade cujo objetivo é reunir as economias discrepantes do Velho Continente, está dividida em duas zonas: ao norte, os "virtuosos", com a Alemanha e a Finlândia, que prosseguem sua marcha para a frente. Ao sul, os "estropiados", Grécia, Itália, Portugal, Espanha, todos em recessão.

Entre essas duas zonas, e em igual distância uma da outra, a França, que registrou um crescimento nulo.

Esses resultados são angustiantes. Como relançar a máquina europeia se todos os indicadores estão no vermelho?

Mas há ainda pior: o instrumento que deveria permitir unificar pouco a pouco o nível de vida, as atividades, as trocas comerciais, das duas metades da Europa, a do norte e a do sul, mostrou-se incapaz de cumprir sua missão. Sem a moeda única, os países do sul capotam. E com a moeda única eles capotam da mesma maneira.

Outra constatação: a Grécia, que em parte está na origem do drama da zona do euro, é um país muito pequeno. Sua economia representa somente 2% do Produto Interno Bruto (PIB) do conjunto da zona do euro.

Ora, os 98% foram incapazes de salvar os 2%. Ou seja, caso a Grécia seja obrigada a sair da zona do euro e retomar sua antiga moeda, o dracma, o resultado do combate que a zona do euro empreende há dois anos seria desastroso não só em termos de economia, mas em termos de imagem.

Se isso se produzir, o grande projeto da zona do euro sofrerá uma derrota psicológica. Que zona do euro é essa, que se apresenta como o futuro, que quer mostrar sua força, que incha o peito, mas se confessa impotente para socorrer um país cujo PIB é cinquenta vezes menor que o da própria zona do euro?

Será a pergunta levantada. É o que leva à reflexão dos especialistas que começam a imaginar a saída da Grécia, entre eles a própria Christine Lagarde, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em compensação, no contato menos rude do que o previsto, entre a chanceler alemã, Angela Merkel, e o novo presidente da França, François Hollande, em nenhum momento foi considerado que a Grécia pode levantar as amarras e zarpar - ou, mais exatamente, naufragar. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Como apagar o desejo de consumir drogas - FERNANDO REINACH


O Estado de S.Paulo - 17/05


Cada vez que trazemos à consciência uma lembrança, ela passa a ter maiores chances de se manter em nossa memória. Cada vez que você se lembra do telefone da sua mãe, a memória do número é reforçada no seu cérebro. Se uma memória não é trazida à consciência, aos poucos ela vai se perdendo.

Há menos de um ano foi descoberto que o processo de trazer à consciência uma lembrança pode ser dividido em duas etapas. Na primeira, a informação é "copiada" para a consciência; na segunda, a informação, que está na consciência, é "reescrita" na nossa memória. Esse processo de "reescrever" apaga parcialmente a memória anterior e a substitui pela nova versão. É devido a esse fato que as memórias mudam com o tempo. Cada vez que elas são relembradas existe a chance de elas serem "reescritas" de forma ligeiramente modificada. Isso faz com que as memórias fiquem frágeis (sujeitas a modificação) por um breve período de tempo (alguns minutos), durante o qual elas estão sendo "reescritas" no nosso cérebro.

Essa descoberta abriu a possibilidade de modificar ou apagar memórias desagradáveis - conforme foi relatada na coluna de 5 de janeiro ("Como apagar memórias sem deixar traços").

Agora, um grupo de cientistas chineses e norte-americanos demonstrou que é possível apagar da memória de ratos lembranças relacionadas ao consumo de cocaína e heroína e dessa maneira diminuir o desejo de consumir drogas. E, mais impressionante, repetiram o experimento em pessoas dependentes de heroína e demonstraram que esse procedimento também é capaz de reduzir o desejo dos pacientes de consumir a droga.

O experimento em ratos é muito simples. Eles foram habituados a viver em uma gaiola com dois ambientes (diferentes formatos e diferentes pisos). Os ratos receberam durante 8 dias doses frequentes da droga. Sempre que recebiam uma dose eram colocados no ambiente 1 por algumas horas. Assim eles se habituaram a sentir os efeitos da droga nesse ambiente 1 - o qual associaram ao recebimento da droga, ficando mais tempo nessa parte da gaiola. Por mais que eles fossem colocados no ambiente 2, eles insistiam em voltar para o local onde poderiam receber a droga. Após dois dias sem acesso à droga, os ratos receberam uma única dose e foram colocados brevemente no ambiente 1 (este passo do experimento tem como função trazer para a memória as experiências relacionadas ao consumo da droga). Em seguida, eles foram divididos em três grupos. No primeiro grupo, os cientistas esperaram 10 minutos e colocaram os ratos no ambiente 2. No segundo grupo, os cientistas esperaram 1 hora antes de colocar os ratos no ambiente 2;. E, no terceiro grupo, a espera foi aumentada para 6 horas. Nos três casos, os ratos foram forçados a ficar 45 minutos no ambiente 2 (essa etapa tem como função fazer eles esquecerem a associação entre a droga e o ambiente 1). Dias depois os ratos foram soltos na gaiola com dois ambientes para testar se eles ainda preferiam o ambiente 1 (associado ao consumo de droga). O resultado foi claro. Os ratos que haviam sido submetidos ao ambiente 2 logo após receberam a droga (grupo de 10 minutos), haviam esquecido a associação entre o ambiente 1 e a droga, deixando de preferir o ambiente 1. Mas se a exposição ao ambiente 2 ocorria duas ou seis horas depois da experiência de receber a droga, a memória que associava o ambiente 1 às drogas não era apagada e os animais continuavam a preferir o ambiente 1. Isso demonstra que é possível remover a associação entre o ambiente 1 e o consumo da droga.

Experimento semelhante foi feito com ratos treinados para se autoinjetar drogas e o mesmo efeito, de apagar as associações de consumo de droga, foi obtido.

Um procedimento semelhante foi utilizado em 66 pacientes dependentes de heroína. Neste caso, o estímulo capaz de trazer à memória as lembranças relacionadas ao consumo da droga foi a apresentação de um filme de 5 minutos contendo cenas explícitas de consumo de droga. Quando apresentados ao filme, os pacientes reportavam um desejo muito alto de consumir a droga, um aumento no batimento cardíaco e na pressão sanguínea. Mas, se nos 10 minutos seguintes ao filme, os pacientes fossem colocados em contato com diversos objetos associados ao consumo de droga (como seringas, cachimbos e agulhas), mas na ausência da droga propriamente dita, a memória que era "reescrita" nos seus cérebros deixava de conter a lembrança da sensação causada pela heroína. Nos dias subsequentes estes pacientes, quando submetidos ao mesmo filme já não sentiam tanta vontade de consumir a droga e sua pressão e batimentos cardíacos não subiam tanto. O estímulo visual de pessoas consumindo drogas já não despertava um desejo tão forte.

Estes resultados são impressionantes pois mostram que um método relativamente simples e não invasivo pode alterar memórias associadas ao consumo de drogas e consequentemente o desejo de consumir drogas.

Contagem regressiva - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE  - 17/05

Começaram a desaguar esta semana no STF memoriais do processo do mensalão, encaminhados por advogados dos réus. Como o documento comumente é entregue às vésperas dos julgamentos para, nas palavras de especialistas, "deixar a defesa mais fresca na memória dos juízes'', a movimentação fez crescer entre os ministros a expectativa de que Ricardo Lewandowski, responsável pela revisão do processo, entregue seu relatório até o fim da próxima semana.

A ansiedade aumentou depois do presidente Ayres Britto agendar para terça-feira nova sessão administrativa para discutir a logística do julgamento.

Vips Os advogados dos protagonistas do mensalão, no entanto, só pretendem entregar suas peças quando o STF definir a data do julgamento. Assim, esperam que os ministros deem atenção total aos seus argumentos.

Más notícias Prefeitos que foram a Brasília para a marcha aproveitaram para sondar caciques petistas sobre prognósticos do mensalão. Voltaram para a casa desanimados com o potencial de dano do caso nas eleições.

Econômica Na véspera da instalação da Comissão da Verdade, Lula quis convidar FHC para viajarem juntos a Brasília, mas desistiu quando soube que o avião colocado à sua disposição era pequeno.

Bem na foto Lula pediu para Marco Aurélio Garcia ampará-lo ao descer a rampa do Planalto com Dilma Rousseff e os demais ex-presidentes porque não queria usar bengala no ato histórico.

Não rola Petistas que integram a CPI do Cachoeira pediram apoio dos peemedebistas para convocar e quebrar o sigilo de jornalistas da revista "Veja", mas o partido aliado disse não topar a ideia.

Sobrevida Dilma deu carta branca para Graça Foster tirar Sergio Machado da Transpetro, mas a presidente da Petrobras pretende mantê-lo no cargo por ora e começar as mudanças pelas diretorias.

Plano B O governador Eduardo Campos (PSB-PE) disse a interlocutores que está disposto a reativar a candidatura do ministro Fernando Bezerra se João da Costa vencer a prévia do PT em Recife, marcada para domingo.

Palanque Aliados incentivam Aécio Neves (PSDB) a abraçar a causa municipalista no vácuo na vaia sofrida por Dilma. O tucano, que saiu em defesa dos prefeitos, quer se tornar mais conhecido nos rincões do país.

#oioioi O QG de Geraldo Alckmin viu como provocação de Gilberto Kassab nota informando que 103 pessoas foram atendidas em hospitais municipais devido ao acidente do metrô. O governo falava em 33 feridos.

Vuvuzela Além do estrago eleitoral, a colisão no metrô preocupou o Bandeirantes porque a linha 3 é a que levará torcedores ao Itaquerão, sede da abertura da Copa. As imagens do acidente correram o mundo ontem.

Arrastão Vereadores do PSDB paulistano preparam caravana para abordar José Serra hoje à noite na Associação Comercial de Pinheiros. Pedirão veto à coligação proporcional com o PSD, exigência de Kassab.

Rédea curta Pressionado a ajudar o PSDB nas 100 maiores cidades paulistas, Alckmin assumiu a costura onde o partido corre risco. No início da semana, recebeu Emanuel Fernandes, ex-secretário de Planejamento, e apelou para que se candidate em São José dos Campos.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio

"Lula e Dilma nunca se negaram a atender a nenhum pedido de Serra e Alckmin. É que eles não querem o governo federal em São Paulo, porque têm uma mentalidade tacanha."

DO PRÉ-CANDIDATO A PREFEITO FERNANDO HADDAD (PT), que tem falado em "apagão dos transportes", ao responder ao argumento do PSDB de que o governo federal não investe na ampliação do metrô em São Paulo.

contraponto

Interpretação de texto

Durante sessão na Assembleia paulista, deputados discutiam a relação de Geraldo Alckmin com Dilma Rousseff. O petista Donisete Braga afirmou:

-O governador será envenenado pelo espírito republicano da nossa presidente.

José Bittencourt (PSD), da base governista, interveio:

-Dilma chama o governador de 'excelente parceiro'.

Braga tentou corrigir:

-Ela disse, na verdade, que teve excelentes encontros com o governador. É questão de semântica.