terça-feira, maio 15, 2012

Síndrome de abstinência - JOSÉ PAULO KUPFER


O Estado de S.Paulo - 15/05



São evidentes, a esta altura, as resistências ao esforço de redução das taxas de juros na economia brasileira. Nisso, os argumentos usados para desclassificar a ação do governo, nele incluído o Banco Central, apresentam analogias com as razões levantadas, em tempos passados, para desqualificar os esforços de controle da inflação e estabilização da moeda, mesmo no caso do bem-sucedido Plano Real.

Há muitos paralelos entre uma situação e outra. A começar do fato de que, apesar do lero-lero de que todos perdem com juros altos e inflação alta, tanto o controle da inflação quanto a queda dos juros produzem ganhadores e perdedores. Se não fosse assim, não faria sentido temer, como muitos temem, que os bancos, ao reduzir taxas, percam rentabilidade e até tenham prejuízos. Uma lógica de botequim seria suficiente para indicar que, se todos ganhassem com a queda dos juros e da inflação, não haveria nem inflação nem juros altos.

Esse medo, exposto aqui e ali como motivo para apostar na ineficácia do atual ataque aos juros altos, permite levantar a suspeita de que não há um entendimento pacífico de como operam as empresas em geral. E muito menos de como elas adaptam suas estratégias às características de seus respectivos mercados, em ambientes mutantes.

Em qualquer mercado, incluindo o setor bancário, é possível obter rentabilidade com preços altos ou baixos. A margem será determinada pelo tamanho da demanda, a estrutura dos custos de produção, o grau de essencialidade ou do valor intangível da mercadoria/serviço, conveniência do atendimento etc. etc.

Dizer que, com juros mais baixos, haverá uma fatal redução de rentabilidade e um aumento da inadimplência é, no mínimo, esquecer os conceitos de ganhos de escala e de diluição de custos unitários. Pode ser que sim, pode ser que não. Depende de uma série de fatores e de como o negócio é administrado.

Em relação à inadimplência, dependendo das medidas de prudência na concessão de empréstimos, ainda que em conjuntura de volumes ampliados de crédito, o que se conhece é que a tendência, com juros menores, é de redução de riscos. Se isso ocorrer, as provisões também podem diminuir e, se elas se reduzem, abrem espaço para ampliar lucros.

Outro paralelo entre os esforços atuais para reduzir juros excessivamente altos e aplicados na luta contra a inflação excessivamente alta é que, tanto num como no outro, o conhecimento sobre as causas dos fenômenos foi se acumulando, ao longo do tempo, com base num intenso debate teórico e em ações práticas de limpeza do terreno.

Foram anos e anos, no caso da inflação, de tentativas frustradas. Mas, a experiência acumulada e as discussões em torno do "mistério da inflação alta" levaram, finalmente, ao brilhante diagnóstico de que a chave do problema se localizava na "inércia inflacionária", reflexo de um longo período de gradual generalização da indexação na economia. Nem por isso, a Unidade Real de Valor (URV), artifício que carregava o gene da nova moeda desindexada, mas empurrava a inflação para cima, foi bem compreendida e ficou imune a críticas e previsões do fracasso da experiência.

Muita saliva, tinta e papel, analogamente, tem sido gasto na busca da solução do "mistério dos juros altos". Parte das causas já apontadas, como alguns resquícios do período de hiperinflação, que conectam a política monetária à administração da dívida pública, estão sendo removidos. Também se aprendeu que a própria estrutura do mercado bancário - um oligopólio que se poderia entender como "natural" na prática -, estimula a cobrança de juros acima dos "normais". O diagnóstico é o de que, não sendo o caso de enfrentar a natureza, é o caso de controlar seus efeitos - como se faz com os diques de contenção das marés.

Deve-se reconhecer que há elementos ainda a enfrentar, antes que sejam asseguradas as condições para que os juros caiam e permaneçam baixos. Mas, com a crise global, que lançou as economias num ciclo deflacionário, surgiu uma janela de oportunidade para cortar a taxa básica e abrir espaços a um recuo geral dos juros.

Ainda não foram removidos, quase duas décadas depois, todos os entulhos inflacionários que impregnaram a economia a partir de fins dos anos 50 até o Plano Real. Nem por isso a inflação voltou ao que era. Insistindo nas analogias, o mesmo se poderia dizer das ações para levar os juros a níveis civilizados.

Vencer o vício dos juros altos, assim como tem sido superar o da inflação alta, exige diagnósticos inovadores e, obviamente, corretos. Mas, além de medidas técnicas, exige também operar no plano dos comportamentos arraigados. E enfrentar, de novo, como no caso da hiperinflação, a síndrome de abstinência que uma quebra da longa dependência dos juros altos parece já estar provocando.

O barato sai caro - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 15/05


No primeiro grande leilão de concessão de rodovias federais ficou estabelecido que somente depois de seis meses, durante os quais obras emergenciais seriam concluídas, é que as concessionárias poderiam ser autorizadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) a cobrar pedágio. Contudo, relatório há pouco divulgado pela Controladoria-Geral da União (CGU), registra que seis das sete rodovias entregues à gestão privada a partir de 2008, passaram a cobrar o pedágio antes de cumpridas plenamente as obrigações exigidas nos contratos.

Dos sete lotes leiloados, apenas a Autopista Litoral Sul (BR-376), no Paraná, e a BR-101, em Santa Catarina, respeitaram integralmente as exigências do contrato de concessão antes de iniciar a cobrança do pedágio. "O atendimento parcial dos parâmetros de desempenho", diz a CGU, "evidencia condições indesejadas de segurança e trafegabilidade das estruturas físicas da rodovia após a execução de obras e serviços previstos na fase de trabalhos iniciais, prejudicando os usuários da rodovia."

Aquele leilão, que abrangeu importantes eixos rodoviários do País, como as Rodovias Fernão Dias e Régis Bittencourt, foi marcado por tarifas que ficaram abaixo do mínimo previsto - era o chamado "pedágio de R$ 1", contrastando com o valor mais elevado cobrado nas rodovias paulistas. O relatório da CGU afirma que a concessão foi feita quando persistiam 38 problemas nas rodovias, incluindo buracos no asfalto, desnível de acostamentos, falta de iluminação, deficiência de sistemas de drenagem, etc. O relatório é contestado pela ANTT, que diz que ele reflete o estado das rodovias em questão quando o pedágio começou a ser cobrado. As condições descritas pela CGU seriam as existentes na ocasião em que os seus auditores foram a campo, o que ocorreu durante a execução dos trabalhos iniciais. Mário Mondolfo, superintendente de Infraestrutura Rodoviária da ANTT, afirma que a agência indeferiu vários pedidos de concessionárias para iniciar a cobrança de tarifa, que, em alguns casos, só começou um ano depois do prazo previsto. "Isso já foi esclarecido", diz ele. "Tanto assim que o TCU reconheceu que os trabalhos iniciais foram concluídos."

A CGU pode ser criticada por ter apresentado o seu relatório tanto tempo depois de realizada a auditoria "in loco". Se as informações agora prestadas tivessem sido divulgadas tempestivamente poderiam ter levado a agência reguladora a ser mais rigorosa na fiscalização. Constata-se, porém, que, tanto na rodovia Fernão Dias como na Régis Bittencourt, algumas obras básicas continuam sendo realizadas até hoje. Mondolfo admite que a transferência das rodovias para a administração privada não deve ser encarada como solução final para os problemas.

Convém lembrar que, quando foram concedidas as rodovias federais, técnicos do setor advertiram que as tarifas previstas não eram suficientes para que as concessionárias pudessem realizar, em um prazo relativamente curto, todas as obras necessárias para melhorar as condições de tráfego e segurança. Tendo feito do pedágio reduzido o critério básico da licitação, o governo federal pode ter evitado a impopularidade advinda de tarifas mais altas, mas, com isso, adiou a solução de problemas estruturais e de conservação das rodovias.

Muito diferente tem sido a opção do Estado de São Paulo, que tem preferido fazer as concessões pelo maior valor de outorga, mantida a exigência de padrões de qualidade, sendo o preço do pedágio fixado de acordo com o valor dos investimentos necessários. Isso torna as rodovias autossustentáveis. Com isso, não só o governo arrecada mais, podendo utilizar mais recursos para tocar outros projetos, como garante que investimentos sejam feitos em obras de construção e manutenção nas estradas paulistas, de modo a manter o alto padrão de qualidade que apresentam.

Resta esperar que o governo federal, se e quando promover novas licitações de rodovias, leve em consideração a experiência já adquirida.

Para a torcida - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 15/05


Quem acompanha os desdobramentos da briga entre a Procuradoria-Geral da República e Polícia Federal afirma que a subprocuradora Cláudia Sampaio, sob críticas dentro do próprio Ministério Público, reagiu às críticas do delegado Raul Alexandre para obter apoio interno na instituição. Cláudia, a quem a PF atribui a responsabilidade por paralisar as investigações decorrentes da Operação Vegas, é acusada por membros dos dois órgãos de atrasar outras apurações, como a Boi Barrica (rebatizada de Faktor), que investigou negócios do empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Chumbo... A nota respondendo a Cláudia Sampaio foi só a primeira de uma série de estocadas que as entidades ligadas à PF prepara para o primeiro-casal da Procuradoria-Geral da República.

... grosso Hoje a ADPF (Associação dos Delegados da Polícia Federal) vai divulgar nota ainda mais dura, em que atesta a "idoneidade dos delegados responsáveis pelas operações Vegas e Monte Carlo" e diz que a sociedade espera respeito mútuo entre as duas instituições.

Ônus Em fase de reavaliação de sua estratégia ao criar a CPI do Cachoeira, a base aliada agora teme o desgaste de ter de limitar as investigações, enquanto a oposição fará o discurso de que tem de apurar todos os elos do esquema, doa a quem doer.

Sinais Às voltas com a tarefa de se equilibrar entre interesses do Planalto, de seu partido e dos membros da CPI, o relator Odair Cunha (PT-MG) se dedica à leitura da biografia de Dilma Rousseff, "A Vida Quer É Coragem", de Ricardo Amaral.

Efeito contrário Quanto mais o senador Gim Argello (PTB-DF) alardeia sua suposta proximidade com Dilma para tentar ampliar o arco de influência do bloco PTB-PR-PSC, mais distante sua narrativa se torna da realidade.

Radar O governo identificou operação de militares programada para amanhã nas redes sociais contra a composição da Comissão da Verdade. O objetivo é provocar integrantes escolhidos por Dilma, que já foram orientados a não reagir.

Vacina Em resposta aos abusos nas cobranças de diárias durante a Rio+20, a Embratur fará pesquisa diária em hotéis nas cidades brasileiras que sediam eventos internacionais. Relatórios trimestrais vão comparar tarifas do país e do exterior.

Prejuízo... Condicionada ao veredicto do TSE acerca do tempo de TV do PSD, a antecipação da fusão da sigla de Gilberto Kassab com o PSB preocupa petistas e tucanos. De imediato, o acordo desidrataria a coalizão de Fernando Haddad (PT), que cobiça o apoio da legenda de Eduardo Campos (PE) na eleição paulistana.

...socializado Num segundo momento, Geraldo Alckmin teme perder o respaldo do PSB, que instalou no secretariado, para seu projeto de reeleição em 2014.

Roda viva Ex-presidente da Fundação Padre Anchieta durante o governo de José Serra, o jornalista Paulo Markun integrará a equipe de produção de conteúdo da campanha de Gabriel Chalita (PMDB) à prefeitura.

Visitas à Folha Nelson Marquezelli (PTB-SP), deputado federal e procurador-geral da Câmara, visitou ontem a Folha.

José Luis Oliveira Lima, advogado criminalista, visitou ontem a Folha.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio

"Ao adotar o Ficha Limpa a presidente faz uma homenagem ao governo Anastasia. Se quiser fazer outra, pode cortar encargos sobre energia e baratear a conta de luz em até 20%."
DO SENADOR AÉCIO NEVES (PSDB-MG) sobre a decisão da presidente Dilma Rousseff de editar decreto adotando a Lei da Ficha Limpa para a contratação de cargos de confiança no governo federal, como fez o governo de Minas Gerais.

Contraponto

Ideia fixa

Em ato durante o qual o seu PSD anunciou o apoio formal à candidatura de José Serra, sábado passado, o vice-governador Guilherme Afif chamou o tucano de "superprefeito" e, mais tarde, de "presidente".
Preocupado em afastar os rumores de que deixaria a prefeitura, caso eleito, para concorrer ao Planalto pela terceira vez em 2014, Serra contemporizou:
-Nós já temos três ex-candidatos a presidente da República aqui. Eu, o Afif e o Alckmin. Presidir agora só se for a nação paulistana!

Novo mergulho - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 15/05

A Zona do Euro deve entrar em recessão novamente hoje quando for divulgado o dado do PIB do primeiro trimestre. Muito provavelmente, será negativo, pelo segundo trimestre seguido. Além disso, há aumento do desemprego, queda da produção industrial, e uma vasta inquietação popular. Até os alemães estão mandando recados para o governo de que é preciso encontrar outra política econômica que não seja exclusivamente de austeridade.

A derrota da União Democrata Cristã, partido da chanceler Angela Merkel, na Renânia do Norte-Vestfália, o estado mais populoso da Alemanha, é o mais forte recado das urnas à Merkel. Os alemães tinham motivos para serem os últimos a reclamar: o país está crescendo, e a taxa de desemprego é de 5,6%, a menor da Europa. Isso sem lembrar o passado hiperinflacionário que faz com que haja mais apoio ao controle de gastos. É cada vez mais difícil sair do intrincado problema europeu. A projeção do FMI para a redução do déficit público na Zona do Euro mostra que só em 2015 ele voltará à casa de 1%, o que faria a dívida pública cair. Mas esse objetivo só será atingido se for cumprido o pacto fiscal de Angela Merkel e Nicolas Sarkozy.

Sarkozy está entregando o governo à oposição, que ganhou as eleições; Merkel tem tido sucessivas derrotas em eleições regionais. A Zona do Euro vê como cada vez mais provável o risco de que um dos países deixe o bloco. A Grécia não conseguiu formar governo e se houver nova eleição o provável é o fortalecimento dos partidos radicais, à direita e à esquerda. O país vive uma fragmentação política e polarização. Os gregos parecem saber o que não querem, mas não demonstram saber o que querem. Se os gregos decidirem sair da Zona do Euro a situação do país vai piorar no curto prazo. A volta para a moeda nacional acabará provocando uma queima de ativos das famílias e das empresas porque a taxa de conversão para o dracma evidentemente não será neutra. Outro problema será o risco de inflação.

O "Financial Times" explicou a onda de queda das bolsas como resultado do medo de que não funcione a blindagem da Europa para evitar a contaminação de uma saída desordenada da Grécia do bloco. Se a blindagem não funcionar, outros países serão afetados pelo aumento da percepção de risco. O primeiro caso seria a Espanha, mas não é o único. Os títulos da Espanha e os papéis de 10 anos da Itália bateram no nível mais alto do ano, num sinal do temor dos investidores. A saída desordenada da Grécia estava sendo considerada um risco afastado, por causa da renegociação da dívida. Desde a eleição, no entanto, que mostrou a pulverização do poder político, o temor voltou.

- Se houver coalizão na Grécia será para sair da Zona do Euro e não para ficar. Na Espanha, a Comissão Europeia admitiu que o déficit do país não será reduzido como se imaginava, e na Alemanha o último governo que ainda não perdeu eleições pode estar com os dias contados - disse o economista Eduardo Velho, da Prosper Corretora.

O drama grego refletiria em todos os países europeus, em maior ou menor grau. A Fitch avisou que nesse cenário pode colocar em perspectiva negativa todos os governos do bloco, e os países que já estão em perspectiva negativa correm mais risco de serem rebaixados, como Portugal, Chipre, França, Itália, Irlanda, Eslovênia e Bélgica. A agência avalia que "a saída da Grécia quebraria um princípio fundamental que sustenta o euro: a de que a adesão à união monetária é irrevogável."

A Espanha está pagando um custo maior na sua dívida porque os credores temem a crise no sistema bancário do país, que precisará de 22 bilhões para se capitalizar. Na França, passada a euforia com a vitória de François Hollande, restará saber como ele ao mesmo tempo corrigirá seu déficit, em torno de 5%, reduzirá o endividamento de 87% do PIB, e combaterá o desemprego de 10%. Com tantas incertezas, as bolsas caíram. O Ibovespa fechou em queda de 3,2%, e sobe 1,4% este ano depois de se valorizar mais de 20% (vejam no gráfico).

O cenário é de incerteza também no Brasil, com o câmbio em outro patamar, a inflação maior, e um cenário de juros nunca visto. O nível de atividade não deu ainda sinais de recuperação forte - afirmou Wagner Salaverry, da corretora Geração Futuro.

O dólar atravessou a barreira dos R$ 2 e provou mais uma vez que o real se desvaloriza não quando o governo quer, mas quando a incerteza no mundo aumenta. O impacto de um dólar tão forte aumenta o risco de inflação e de crescimento mais fraco, segundo projeção das instituições que são pesquisadas semanalmente pelo Banco Central.

TRICAMPEÕES - MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SP - 15/05

Fábio Barbosa, presidente-executivo da Abril S.A., o empresário Guilherme Leal, da Natura, a apresentadora Hebe Camargo, o presidente da CBF, José Maria Marin, e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, assistiram à final do Campeonato Paulista no camarote do Santos, no estádio do Morumbi.

marcha lenta

Bancos privados não têm espaço para baixar ainda mais os juros, como quer o governo federal. É o que diz o banqueiro Roberto Setubal, do Itaú Unibanco. Depois de anunciar a diminuição de taxas na semana passada, ele afirma que as instituições estão perto do limite.

"NÃO MUITO"
Questionado anteontem pela coluna se os bancos teriam ainda margem para nova baixa, ele parou por alguns segundos. E fez que não com o dedo.

Em seguida, completou: "É uma conversa complicada. Mas, para ficar com uma rentabilidade adequada, eu diria que não muito".

CIRCULANDO
O ex-presidente Lula está botando para circular informação que recebeu do ministro Marcelo Crivella, da Pesca, sobre pesquisa encomendada pelo partido dele, o PRB, em que o pré-candidato do PT, Fernando Haddad, tem dois dígitos na sucessão de SP. A sondagem, não registrada, é creditada ao Sensus.

O instituto não comentou a informação até o fechamento desta edição.

DUPLA DINÂMICA
A pesquisa festejada por Lula tem uma diferença em relação às outras divulgadas até agora: antes de perguntar em quem o entrevistado votará, ela informa que Haddad é o candidato de Lula e de Dilma Rousseff, o que turbinaria seus números.

MEIO DESLIGADO
O vereador José Américo (PT-SP), da coordenação da campanha de Haddad, tomou conhecimento da pesquisa do PRB. Mas diz que o PT vê com "reserva mesmo sondagens boas para nós". Ele afirma que "não há desconfiança em relação aos números. Mas o fato é que o eleitor ainda não está ligado na campanha".

CORAÇÃO FEMININO
E, nos comerciais de 30 segundos que o PT preparou para levar ao ar nesta semana, Haddad aparece em imagens com a presidente Dilma, com Lula e com ministras mulheres do PT.

ESCOVA DILMISTA
Haddad, por sinal, repaginou o visual pelas mãos de Celso Kamura, o cabeleireiro responsável pela virada no look de Dilma na campanha presidencial de 2010. "Ele tinha o cabelo muito compridinho. Dei uma baixada geral, uma desfiada, para ficar mais jovial", diz Kamura.

IH, ME ESQUECI
O advogado Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), 81, candidato à Presidência em 2010, pede socorro em seu Twitter: "Minha agenda marca viagem para Recife, 5 de junho. Não lembro para atender ao quê. Favor informar-me ou dar telefone de quem possa fazê-lo". "Marquei na agenda, mas não faço ideia do que seja", diz ele.

BIS
Depois de reger bolsistas da Orquestra Jovem do Estado anteontem, no Auditório Ibirapuera, o maestro russo Vladimir Ashkenazy convidou cinco deles, percussionistas, para se reapresentarem. Tocarão "Aquarela do Brasil" hoje, no Teatro Municipal, com a Orquestra Sinfônica Alemã de Berlim.

CURTO-CIRCUITO


A exposição "Visões de Guerra", de Lasar Segall, será aberta na quinta, a partir das 20h, no Centro da Cultura Judaica.

O gemólogo Rafael Lupo Medina dá palestra hoje, às 18h, no Morumbi.

O presidente do Ibram, José do Nascimento Jr., dá palestra amanhã sobre política de museus e será homenageado na comemoração dos 80 anos da Escola de Museologia da Unirio.

Gisele Bündchen lança coleção de lingerie na Hope dos Jardins, às 19h.

Acontece amanhã, às 20h, o Wedding Awards, premiação de casamentos, no Espaço Fashion do shopping Iguatemi.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

A agonia da Grécia - CELSO MING


O ESTADO DE S. PAULO - 15/05

Há muito não se via (não se ouvia) tanto pessimismo em relação ao futuro da Grécia e do euro. Ontem, por exemplo, o vice-presidente da Grécia,Theodoros Pangalos, avisou que a eventual saída do euro lançaria o país numa" falência selvagem". Comunicado do Fundo Monetário Internacional advertiu, também ontem, para o risco de "acidente político" na Grécia, que ameaçaria todo o bloco.

A hipótese de que a Grécia adote moeda própria começa a ser admitida abertamente por autoridades até do Banco Central Europeu - sugerindo que estão preparados para o tranco.

Banqueiros, em geral tão comedido sem suas análises, não param de advertir para a possibilidade de acontecimentos nefastos. O último relatório de um dos maiores bancos da Espanha, o BBVA, alerta que o nível de tensão que vem por aí é pior do que o de 2008, após a quebra do Lehman Brothers-relatou ontem o diário madrilenho El País.

O Prêmio Nobel de Economia de 2008, Paul Krugman, prevê a aproximação de alguns horrores: a adoção do racionamento de saques nos bancos (corralito) na Espanha (e não é nem na Grécia) e o desmonte do euro. Seu novo livro leva o título de O crepúsculo do euro.

Parecem todos ávidos por um desenlace, qualquer que seja ele,para acabar com a agonia. E, nisso, lembram o chanceler da Alemanha durante a República de Weimar, Philipp Scheidemann, para quem era "melhor um fim com terror do que o um terror sem fim".

O que está em questão não é a imposição da austeridade ao povo grego, que alguns entendem ser excessiva,mas,sim,o risco de desintegração da área monetária, algo que nenhuma autoridade se atreveria a considerar há semanas.

O fato concreto é a incapacidade das forças políticas da Grécia de fecharem acordo para constituir um governo, depois de tentativas fracassadas dos três mais importantes políticos. Hoje, eles tentam de novo.Mesmo se conseguirem, parece remota a possibilidade de que nova eleição imponha um tie- break nesse jogo. E isso significa que a Grécia está sujeita a ter de decretar a suspensão dos pagamentos (falência) sem comando político legitimado pelas urnas.

Até agora, um dos principais fatores que impediram o desfecho final foi o temor do que pudesse vir depois. As consequências mais sérias podem não ser o brutal empobrecimento do povo grego, o bloqueio das contas bancárias e a quebra de salários.O risco maior é de que os prejuízos não se circunscrevam ao povo grego,mas se espraiam pelo efeito contágio para as economias mais vulneráveis, como Irlanda, Portugal e Espanha.

Um dos maiores problemas desta crise é a falta de credibilidade das autoridades da área. Há meses, por exemplo, a saúde dos bancos da região foi submetida a um supostamente rigoroso check-up (os tais testes de estresse). Dirigentes da área proclamaram que só oito bancos teriam reforço patrimonial, de módicos 2,5 bilhões de euros. Entre bancos da Espanha que careciam de alguma transfusão de capital não estava o Bankia, que agora mostra rombo de 10 bilhões de euros e precisou ser socorrido pelo governo.

O Brasil aparece relativamente bem nesta crise. Mas parece inevitável que pague certo preço em perdas comerciais, desvalorização de ativos,adiamento de investimentos e menos abertura de postos de trabalho. A conferir.

Touro ambiental - XICO GRAZIANO


O ESTADÃO - 15/05

Chega dessa discussão polarizada, e imbecil, que separa a agricultura do meio ambiente

A turma da agropecuária está preparando seu posicionamento para apresentar à Rio+20.Ao que tudo indica, mostrará que concorda em carregar a agenda ambiental no campo, assumindo o protagonismo da agricultura sustentável.

Chega de levar paulada dos ambientalistas.

Quem coordena as discussões, visando à elaboração do documento oficial, é a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil(CNA).Quatro reuniões já foram realizadas, duas delas em Brasília, uma terceira em Uberaba, com apoio da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ),e a quarta em São Paulo, na sede da Sociedade Rural Brasileira.

A iniciativa despertou o interesse de lideranças jovens, que se misturaram aos tradicionais representantes do setor para discutir os novos desafios da produção rural. Inusitado.

O texto preliminar da CNA começa afirmando que "a produção de alimentos é interdependente da conservação dos recursos naturais".

Bom começo de conversa.

Mais que qualquer pessoa, o agricultor vive próximo da natureza e sabe o quanto dela depende para continuar existindo.

A seca já lhe ensinou que a água responde pela vida. E a erosão do solo nunca lhe deixou dúvidas de que conservar a terra protege um patrimônio da Nação.

Firma-se,nos grupos de trabalho, a ideia de que reside na inovação tecnológica, com sua posterior difusão, a chave no processo de transformação rumo à sustentabilidade.

As tecnologias vinculam-se à sua época.Antigamente, nem da agronomia se necessitava para abrir florestas e drenar pântanos, expandindo a produção rural pelo trabalho rudimentar, garantindo assim o surgimento das cidades.

Hoje em dia,os dilemas da civilização exigem soluções mais sofisticadas e, certamente, mais complexas, capazes de enfrentar um duplo desafio: o da segurança alimentar e o da crise ambiental.

A humanidade já crava uma pegada ecológica acima do suporte natural do planeta, como se emitisse notas promissórias contra o futuro.Ouse regride à época medieval, reduzindo a população e o consumo, algo impensável, ou se aposta no conhecimento para avançar.

O mundo sustentável se alicerçar á sobre bases tecnológicas mais evoluídas, porém, certamente, criadas sob paradigma distinto do inerente ao crescimento perdulário forjado desde a Revolução Industrial. Muda o enfoque, tanto no campo quanto na cidade.

Essa crença na ciência se ampara na história da agropecuária brasileira.A melhor lição, recente, encontra-se na técnica do plantio direto. Foi somente quando se desenvolveu tal sistema de cultivo que o fantasma da erosão deixou de apavorar o campo.

Copiados da Europa,os sistemas tradicionais de plantio - que exigem a ração e gradeação do terreno antes das e meadura- jamais teriam conseguido a proeza de tornar o Cerrado um território marcante no celeiro mundial.

Os solos mais arenosos do Centro-Oeste, sujeitos a chuvas torrenciais, ter-se-iam destruído caso se mantivesse mas práticas iniciais de sua ocupação.

Exemplos não faltam. Nos ganhos de produtividade que reduzem a pressão sobre novos desmatamentos, na energia renovável do etanol e do biodiesel, na integração da lavoura com a pecuária, na reciclagem de embalagens de agrotóxicos se percebem facilmente as vantagens tecnológicas rumo à sustentabilidade.

Nos últimos 30 anos,como sistema Embrapa "tropicalizando" a tecnologia, a produção de grãos saltou 238%, expandindo a área cultivada em apenas 36%. Show de competência.

Sim, problemas ainda persistem, reflexos da maneira tradicional, e predatória, de produzir no campo. Mas a tendência contemporânea está delineada.

O polarizado debate sobre o Código Florestal não deixou dúvidas:ou os agricultores adotam a receita moderna na produção, ou a sociedade os fará,na marra, engolir. Será inescapável pegar o touro ambiental à unha.

A participação do Estado será cobrada no documento que a CNA vai apresentar à Rio+20. Cabe ao poder público incentivar a agricultura sustentável, com maiores investimentos na pesquisa, garantindo boa rentabilidade da produção rural. Utopias animam as consciências.

Mas a ecologia não pode esvaziar o bolso do agricultor.

Dura realidade.

Ruralistas tacanhos resistem aos novos tempos.

Sua posição faz contra ponto aos ambientalistas bobocas, que apostam na regressão tecnológica. Ambos os radicais, ruralistas ou ambientalistas, fogem do problema central.Uns,sonhadores, sublimam o trabalho familiar, confundem produção orgânica com má agricultura.

Outros, reacionários,se prendem a o passado sem perceber que aprisionam o futuro.

Resolvida, quando estiver, a pendenga sobre o Código Florestal, baixada a poeira, chegará o momento de as mentes abertas se entreolharem com mais respeito e consideração. Chega dessa discussão polarizada, e imbecil, que se para-ao invés de juntar-a agricultura do meio ambiente.

Uma não vive sem o outro.

A Rio+20poderiadeliberarque a FAO,seu órgão para a agricultura e alimentação, organizasse melhor esse debate sobre a questão ecológica no campo.Uma aposta na conciliação, não na divergência.

Os agricultores brasileiros querem sentar-se com os ambientalistas à mesma mesa. Dialogar com racionalidade, à frente de um interlocutor confiável.

Será que os ecologistas topam, contribuindo para a transformação virtuosa que ensaia o campo, em vez de apenas atirarem pedras na vidraça antiga do ruralismo? Quem, acreditando na mudança, trocará os cômodos holofotes da mídia urbanoide para amassar barro na roça? Qual deles prefere a difícil busca das soluções, verdadeiras, em lugar do discurso fácil, e falso, do holocausto ambiental? Coma palavra os ambientalistas sensatos.

Sob patrocínio europeu - LUIZ FELIPE LAMPREIA


O GLOBO - 15/05/12

Na década de oitenta, George Papadopoulos era um inteligente e ativo economista do Banco Mundial, residente em Washington. Suas funções o levavam a vir frequentemente ao Brasil onde trabalhava nos projetos de financiamento do nosso setor elétrico. George era sempre o mais bem informado e empenhado defensor dos bons programas. Em suas férias anuais, ia visitar a família numa pequena cidade na costa da Grécia. Certa vez, acabado de voltar das origens, George disse-me que tinha revisto seus conceitos e iria aposentar-se mais rápido para viver como seus concidadãos: pouco estresse, comida simples, vinho grego, descanso. E foi o que fez pouco tempo depois.

Não quero cometer a injustiça de conclusões simplificadoras que meus professores de sociologia condenariam inapelavelmente. Mas é difícil escapar da conclusão de que a Grécia é basicamente isto que Papadopoulos amava. Ela não pode acompanhar os grandes países industriais da Europa e nunca se transformará em nada parecido com eles. Na expansão da Comunidade Europeia, lançada pela Cúpula de Copenhague em 1993, foram definidos critérios para novas admissões:

"Para ser membro, o país candidato deverá ter alcançado&uma economia de mercado funcional, assim como a capacidade de enfrentar as pressões competitivas e forças do mercado dentro da União, inclusive a adesão aos objetivos de uma união política, econômica e monetária."

A Grécia acedeu à Comunidade Europeia em 1981, logo que terminou o regime dos coronéis. Mas, desde o princípio, era visível que o país não seria capaz de uma performance econômica suscetível de enquadrá-lo nos objetivos comunitários, embora fosse das primeiras nações a serem admitidas na expansão. Que líderes políticos europeus poderiam, entretanto, ter sido contra a sua entrada na União? Ninguém jamais se oporia à Grécia que - desde as históricas vitórias de Salamina e Platea em 480 a.C. sobre as imensas forças de Xerxes - dera à Europa o fundamento simbólico da liberdade e da democracia, após uma luta de décadas contra o despotismo persa.

Negar-lhe a entrada plena na nova Europa em construção seria ofender a memória de Aristóteles, Sócrates e tantos outros gigantes da Antiguidade grega. Seria rejeitar os pais da cultura e da grandeza da civilização ocidental. Pelo mesmo motivo, desde a independência grega de 1830, as potências europeias dispuseram-se a apoiar a causa da Grécia, como entidade política, ainda que, desde o século de ouro de Péricles, portanto havia dois mil e quatrocentos anos, a herdeira de Atenas não tenha mais existido. Por isso, ela foi preservada depois da Primeira Guerra e da dissolução do Império Otomano, embora todo o Mediterrâneo Oriental tenho sido politicamente redesenhado. Por isso também a Cortina de Ferro nunca baixou sobre Atenas. Em suma, a Grécia é, há quase duzentos anos, patrocinada pela Europa Ocidental.

Não se pode descartar a possibilidade do divórcio. Hoje, muitos dizem que a Grécia terminará sendo expelida da União Europeia. Há partidários desta tese, cansados do mau comportamento econômico e das manipulações estatísticas em que os gregos têm sido pródigos. Eles são cada vez mais numerosos a condenar a falta de seriedade com que a Grécia encara a crise, em comparação com outros países, como Portugal e a Espanha, que fazem seu dever de casa por mais duro que seja. Ainda por cima, assiste-se ao inquietante espetáculo político que consiste no repetido fracasso dos mais variados líderes partidários gregos nas tentativas de formar um governo capaz de implementar um programa sério de ajustes.

É possível que haja um enfado tão grande na Europa que acabe levando à saída da Grécia do euro e mesmo da União. Esta hipótese é, aliás, a preferida de muitos gregos desavisados, inclusive dos partidos de esquerda, que julgam que os males do país advêm de um rigor penalizante dos europeus e avaliam mal os efeitos desastrosos desta saída.

Acabo de passar alguns dias em Atenas. Ao olhar superficial, não há sinal de crise alguma. Nas ruas, nas lojas, nos restaurantes, veem-se apenas sinais de prosperidade. Claramente, os gregos ricos não se sentem em perigo e já tomaram suas precauções contra riscos maiores. Não saberia dizer, honestamente, se a classe média e os menos favorecidos têm como se defender, mesmo através do sistema de clãs tão frequente no Mediterrâneo.

Minha impressão, entretanto, é que não se chegará a uma ruptura. E que, mais provavelmente, as grandes potências europeias seguirão sendo tolerantes com a Grécia de George Papadopoulos.

CLAUDIO HUMBERTO

“Posso ir explicar o bom exemplo que é esse contrato [com a Delta]”

Agnelo Queiroz (PT), governador do DF, afirmando que aceitaria ir à CPI do Cachoeira

ALVO DA PF DOOU PARA CAMPANHA DE GOVERNADOR

Alvo de investigações da Polícia Federal, a empresa responsável pelo Programa Jampa Digital foi doadora de campanha do governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), em 2010. Dados da Justiça Eleitoral revelam que a Ideia Digital Sistemas Consultoria e Comércio Ltda fez 21 doações em espécie, no total de R$ 8 mil, e depois ganhou contrato milionário com a Prefeitura de João Pessoa, onde Coutinho era prefeito.

CONVERSA FIADA

Orçado em R$ 27 milhões, o Jampa Digital prevê internet gratuita e sem fio a bairros e escolas de João Pessoa. Nunca saiu do papel.

OPERAÇÃO LOGOFF

Na sexta passada, a PF e a CGU cumpriram seis mandatos de busca e apreensão na sede e filiais da Idea na Bahia, Pernambuco e Paraíba.

LICITAÇÃO SUSPEITA

Os documentos apreendidos servirão para comprovar supostas fraudes na licitação e denúncias de superfaturamento e desvio de recursos. 

INUTILIDADE

A presidente Dilma deveria ter mais o que fazer. Ela perdeu um tempão refletindo sobre o tema até instituir 11 de maio o “Dia do Reggae”. 

COMISSÃO DA VERDADE NÃO É DE PERSEGUIDOS

Quem imagina ser a Comissão da Verdade um “reduto” de ressentidos, é bom lembrar que, no golpe de 1964, o ministro Gilson Dipp (STJ) tinha 19 anos e morava em Passo Fundo (RS), o ex-procurador Cláudio Fontelles, aos 17, morava em Brasília e usava energia para gritar sua paixão pelo Vasco da Gama. O ex-ministro da Justiça José Carlos Dias tinha 25 e vivia em São Paulo e Paulo Sergio Pinheiro, aos 20, no Rio.

BOA NOTÍCIA

O ministro Aldo Rebelo (Esporte) informou, ontem, que já foram gerados 350 mil empregos no Brasil em função da Copa do Mundo de 2014.

CAMINHO CERTO

Outro dado de Aldo Rebelo: as Olimpíadas 2016 no Rio já garantiram um volume de patrocínios superior ao dos jogos de Londres deste ano.

ARENA MULTIUSO

Àqueles que temem a subutilização do estádio de Brasília, Aldo Rebelo argumenta: Wembley (Londres) registra média de três jogos por ano.

BRONCA FEDERAL

A presidente Dilma não gostou nem um pouco que um delegado da PF tenha mencionado seu nome só por ter sido citada em conversas da quadrilha de Cachoeira. O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) foi chamado para uma “conversinha” e ouviu dela o que não queria.

GUARDANAPO NA CABEÇA

Movimentos sociais organizam protesto contra o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), no próximo dia 20. Os manifestantes planejam desfilar em passeata com guardanapo na cabeça.

SEM REELEIÇÃO

O banco Itaú não conta com reeleição. Em entrevista à revista Você S/A, seu presidente, Roberto Setúbal, disse que se aposenta aos 60 anos. “Vou sair depois da Dilma”, afirmou. Ele chega aos 60 anos em 2015, um ano depois do fim do primeiro mandato da presidente. 

VOTAÇÃO APERTADA

Nos bastidores, os senadores duvidam da cassação fácil do mandato de Demóstenes Torres (GO), acusado de envolvimento com o bicheiro Cachoeira. Como a votação é secreta, acreditam que será apertada. 

OPÇÃO TÉCNICA

A presidente Dilma quer mesmo acabar o feudo do PDT e da Força Sindical no Ministério do Trabalho. Ela exigiu do ministro Brizola Neto a nomeação de um secretário-executivo de “perfil técnico” para a pasta. O convidado foi Carlos Sasse, ex-secretário da Fazenda do Rio.

SEGURANÇA CEGA

A deputada lindinha Manoela d’Ávila (PCdoB-RS) foi confundida por seguranças como filha do senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), que não é exatamente o mais formoso dos senadores.

DESAUTORIZADOS

Líder do PSDB, Bruno Araújo (PE) rebate as declarações de tucanos já admitindo convocar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, na CPI mista de Cachoeira: “Eles não falam pelo partido. Precisamos é acabar com ataques especulativos ao Ministério Público e à imprensa”. 

TEMPOS MODERNOS

O especialista em redes sociais Marcelo Vitorino, que já trabalhou com Serra e Kassab, será uma das estrelas de um encontro do PMDB nesta quinta, em Brasília. Presidente do partido, o senador Valdir Raupp (RR) aposta na internet para ampliar o espaço do PMDB nos municípios.

ÁGUA BENTA

Durante tantas viagens ao exterior com diárias generosas, pelo menos uma deve ter sido uma bênção para o governador do Rio, Sérgio Cabral: a missa com o Papa no Vaticano, em março. 

PODER SEM PUDOR

CONTA DE SOMAR

Homem sério, o líder mineiro Milton Campos nunca foi daqueles políticos que tentam explicar o inexplicável. Ele perdeu para João Goulart, em 1960, a eleição para vice-presidente da República, que na época não era “casada” com a de presidente. Na expectativa de obter avaliação profunda do seu próprio insucesso, um jornalista provocou:

– Dr. Milton, por que o senhor perdeu?

– Perdi porque ele teve mais votos – disse, encerrando a conversa mole.

TERÇA NOS JORNAIS


Globo: Ministro do STF suspende depoimento de Cachoeira
Folha: Crise europeia derruba mercados
Correio: Reajuste de servidores vai variar de 2% a 31%
Valor: Novos títulos dão fôlego ao crédito habitacional
Estado de Minas: Ruim com ele…
Jornal do Commercio: Greve do metrô dividida
Zero Hora: Dólar colado em R$ 2 anima exportador e preocupa consumidor

segunda-feira, maio 14, 2012

De que ri a senhora Cachoeira? - GUILHERME FIUZA

REVISTA ÉPOCA


Andressa Mendonça não vai posar para a Playboy. Pelo menos por enquanto. Ela recusou o convite da revista. "Meu papel, neste momento, não é esse", disse a mulher de Carlinhos Cachoeira em entrevista ao jornal O Globo. Qual seria o papel de Andressa neste momento? Aparentemente, algo um pouco mais obsceno que vender sua nudez graças à prisão do marido: rir. Quando ela disse que "o Cachoeira é uma pessoa encantadora", a repórter perguntou: "Por isso encantou tanta gente?". Andressa concluiu seu striptease mo­ral com uma risada: "Acredito que sim".

A musa dos caça-níqueis também riu ao dizer que não daria "esse gostinho" (expor sua nudez) e que deixaria "só para o Cachoeira", com quem está há nove meses. A graça que Andressa vê nas coisas a sua volta traz a dimensão pornográfica que faltava ao caso do bicheiro. Não pode haver nada mais obsceno que as risadas da senhora Ca­choeira no centro de um dos maiores escândalos políticos brasileiros. Nin­guém precisa tirar a roupa.

Fora um eventual deficit cognitivo da moça, o que será que lhe inspira tama­nha tranquilidade e senso de humor? Não se sabe. O que se sabe é que ela diz estar confiante no doutor Márcio Tho­maz Bastos, advogado de Cachoeira e também, coincidentemente, de Lula. Depois dos indícios de que, além de privatizar o senador Demóstenes Torres, o bicheiro é dono de coisa maior - incluindo um bom pedaço do PAC -, os altos círculos da República parecem conspirar pela paz interior de Andressa.

Romântica, a emergente dama do Cerrado lamenta não ter podido ver o parceiro no dia de seu aniversário. Mas con­ta que deixou na penitenciária um cartão em que escreveu "coisas lindas de uma mulher apaixonada': O enredo policial não a constrange, e isso lhe dá confiança para dizer ao ser amado que tudo é "apenas uma turbulência da vida". "Quem não passa por isso?", diz a loura de 28 anos, convencida da normalidade da situação. E emenda o argumento definitivo:
"Quem está livre de ser preso?".

Ninguém. Qualquer pessoa de bem, que pague em dia seus deputados e senadores, pode ter o azar de acordar um dia vendo o sol nascer quadrado. São as fatalidades da vida. Nessas horas, não adianta desespero. Melhor pensar em coisas boas, como o Supremo Tribunal Federal (STF). Certamente é um alento para a jovem Andressa Cachoeira lembrar o bando do mensalão, que também pagava regiamente seus parlamentares - e encontrou no STF um calmante para suas angústias. Quando o ministro revisor avisa, sete anos depois, que não sabe se vai dar tempo de julgar os mensaleiros - e de evitar a extinção de seus crimes -, o que mais pode fazer a mulher do bicheiro preso, além de rir?

O Supremo é uma inspiração para todas essas pessoas que não estão livres de ser presas. Ponha-se no lugar de alguém cujas negociatas, por acidente, foram grampeadas e que foi em cana. Imagine o alívio de olhar para a mais alta corte e ver juízes batendo boca como adolescentes, a ponto de um dizer para o outro que ele é "brega" por­que "nunca curtiu (a banda) The Ink Spots". Ou assistir aos mais altos magistrados dando gritos populistas, tipo "Viva o país afrodescendente!", para agitar a bandeira racial dos padrinhos. Um bem-sucedido empresário da contravenção não pode levar isso a sério.

Por essas e outras, assim como sua amada, Carlinhos Cachoeira também dá risadas. "Eu contei do convite (da Playboy), e ele gostou, morreu de rir." Portanto, quem achou que o bicheiro estava chateado com a fatalidade de sua prisão agora fica sabendo que ele anda até gargalhan­do. Cachoeira confia nas instituições. Especialmente na­quelas que o consideram uma pessoa encantadora, como explicou Andressa.

A missão da CPI é decidir quem vai rir por último. Ca­choeira é homem bomba. Se parar de rir, explode. "Tenho certeza de que ele não quer prejudicar ninguém", disse a primeira-dama, num simpático recado à clientela: salve sua pele salvando Carlinhos - tratar com o advogado de Lula.

Andressa Cachoeira planeja o casamento para breve, quando seu príncipe sair do xadrez. Cada povo tem o con­to de fadas que merece. Ou os brasileiros saem às ruas para incendiar a CPI e explodir o homem bomba ou serão todos súditos da rainha risonha do bicho.

Comissão da Verdade - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 14/05

Causou certo desconforto em alguns ministros do STJ a indicação do colega Gilson Dipp para integrar a Comissão da Verdade. Nada pessoal, claro. É que a Lei Orgânica da Magistratura vedaria tal atuação a juízes em atividade, pois este tipo de causa pode ser julgada no STJ.

Até aí eu fui

De todos os membros da Comissão da Verdade, o mais ligado ao PT é, como se sabe, a psicanalista Maria Rita Kehl. Ainda assim, ela é crítica do partido em vários episódios, inclusive no caso do mensalão.

Tem boi na linha

Henrique Meirelles, pelo que se diz no Palácio, conversou com Lula sobre a compra da Delta pela JBS, empresa de gado. Talvez achasse que bastava falar com o ex-presidente para tocar o negócio. Avaliou errado. Dilma foi surpreendida pelo anúncio nos jornais e nunca deu aval ao esquisito casamento.

Boletim médico

Oscar Niemeyer, 104 anos, o gênio do traço, saiu do CTI e, agora, está em um quarto no Hospital Samaritano, no Rio.

No mais

Por falar em Gilson Dipp, vem em boa hora a proposta da comissão de juristas que ele preside, de revisão do Código Penal, que prevê a condenação de empresas envolvidas em corrupção. Eu apoio.

Betto eterno
Frei Betto, 67 anos, autor de 53 livros, iniciou ontem seu depoimento ao CPDOC, o rico arquivo de memória nacional da FGV. Gravou o dia todo. O acervo já conta com 2 mil depoimentos de brasileiros considerados históricos.

O TÚNEL REBOUÇAS, que liga as zonas Norte e Sul do Rio, ganha hoje um novo sistema de sinalização: o X-Seta, que informa aos motoristas se os trechos à frente estão liberados ao trânsito (com uma seta verde) ou interditados (com um X vermelho). Ao todo, foram instalados 42 blocos de sinalização. Nas galerias entre o Cosme Velho e a Lagoa, a distância entre eles é de 500 metros. Já nas galerias na altura do Rio Comprido, é de 250 metros. É mais uma medida da CET-Rio para melhorar o fluxo do trânsito na cidade

Bacha na geral
Do tricolor Edmar Bacha, fazendo coro com Abel Braga, do Flu, campeão estadual ontem, que criticou o fato de o time ter ficado em 1º lugar na fase inicial da Taça Libertadores e só pegar pedreira agora (Inter e Boca): — Sugiro outro critério. O 1º lugar escolhe, entre os classificados, com quem quer jogar nas oitavas de final. Depois, o 2º escolhe. E assim por diante. É. Pode ser.

CD do Rock in Rio

A MZA, gravadora dos produtos do Rock in Rio, lança em julho CDs/DVDs dos shows de Titãs, Detonautas, Frejat, Skank, Jota Quest e Capital Inicial na última edição do festival. E deve lançar ainda este ano o ao vivo “Concerto sinfônico Legião Urbana”.

Racha no brizolismo

Vivaldo Barbosa e José Maurício, ex-deputados e fundadores do PDT, vão deixar o partido.

Cabelo cresce
O Instituto Beleza Natural, rede de salões especializada em cabelos crespos, ou “toinhoinhoim”, como se diz em Morro Agudo, cresce sem parar. Com 17 filiais no Rio, Espírito Santo e Bahia, vai abrir mais duas no segundo semestre — uma no bairro carioca Cachambi, outra em Campos, RJ, num investimento de R$ 2,5 milhões.

Aliás...

A meta da rede é bater, em 2012, a marca de 1 milhão de atendimentos.

Dono do chumbo

O juiz Március da Costa Ferreira, da Auditoria Militar, aceitou nova denúncia do MP contra o cabo Sérgio da Costa Júnior. Ele, um dos denunciados pelo assassinato da juíza Patrícia Acioli em 2011, é acusado agora de desviar da PM projéteis usados na execução da magistrada.

Nos trilhos

Até setembro, o ramal de trens Deodoro, no Rio, estará funcionando apenas com trens novos. Por ali, passam 250 mil pessoas por dia.

Para concluir

Viva o Fluminense! Salvo porque logo após a conquista de ontem os jogadores vestiram uma camisa alusiva ao título com a inscrição: “All Rio All win” (algo como: “Todo Rio, todos ganham”). Só que “All Rio All win” é o cacete. Com todo respeito.

OS FATOS SÃO TEIMOSOS - ENTREVISTA COM EX- PROCURADOR ANTONIO FERNANDO DE SOUZA


REVISTA VEJA

HUGO MARQUES

Em 2006, o então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, transformou em réus quarenta petistas e aliados. Eles operavam o que foi caracterizado na denúncia apresentada ao Supremo Tribunal Federal de "sofisticada organização criminosa", encabeçada pelo ex-ministro José Dirceu. Agora, com a proximidade do julgamento, o ex-chefe do MInistério Público afirma que a tentativa de negar a existência do mensalão é uma afronta à democracia.

O senhor sofreu pressão para não apresentar denúncia do mensalão? Não. MInha postura reservada sempre inibiu qualquer atitude desse tipo. Nunca assumi nenhum compromisso com as autoridades que me procuraram. Fiz meu trabalho da forma mais precisa e célere possível. Tinha 100% de convicção formada. Conseguimos fazer a relação entre os fatos e montamos o quebra-cabeça do esquema, tudo em cima de documentos, de provas consitentes.

O PT tem se dedicado a difundir a versão de que o mensalão não passa de uma farsa...
 Chamar esse episódio de farsa é acusar o procurador-geral e os ministros do Supremo de farsantes. Dizer que aqueles fatos não existiram é brigar com a realidade, é querer apagar a história. Esse discurso não produzirá nenhum efeito no STF. Os ministros vão julgar o processo com base nos autos. E há inúmeras provas de tudoo o que foi afirmado na denúncia. Depoimentos, extratos bancários, pessoas que foram retirar dinheiro e deixaram sua assinatura.

O senhor se sente incomodado com isso? Na democracia, todas as pessoas estão sujeitas à fiscalização, ao controle, à responsabilização, e há órgãos dispostos a isso. Não serão os partidos políticos nem seus dirigentes que vão dizer o que é crime e o que não é crime. Quando eles querem transmitir um ar de que não aconteceu nada, estão indo para o reino da fantasia. Negar a existência do mensalão é uma afronta à democracia.

Como o senhor vê as afirmações do atual procurador-geral, Roberto Gurgel, de que está sofrendo ataques de mensaleiros com do julgamento? 
Se ele fez essa acusação, preciso admitir que tem elementos para justificá-la. A CPI está se preocupando com um assunto que não tem relevância para o seu trabalho. O procurador-geral avaliou que a Operação Vegas não produziu evidências suficientes para pedir indiciamentos, mas não arquivou o inquérito - inclusive a pedido da Polícia Federal - para não prejudicar o andamento das investigações da Operação Monte Carlo. E a estratégia se mostrou bem-sucedida.

Está comprovado que o PT utilizou dinheiro público no mensalão? Quem vai fazer esse juízo é o Supremo. Da perspectiva de quem fez a denúncia e acompanhou o processo até 2009, digo que existe prova pericial mostrando que dinheiro público foi utilizado. Repito: há prova pericial disso. E o supremo, quando recebeu a denúncia, considerou que esses fatos têm consistência.

O ex-ministro José Dirceu afirma que o senhor o apontou como chefe de uma organização criminosa para se vingar do fato de ele nunca tê-lo recebido na Casa Civil. 
Nunca tive nenhuma interesse em falar com ele. A minha escolha como procurador-geral foi feita pelo presidente da República. Uma denúncia é formalizada somente se há elementos probatórios sobre uma conduta criminosa. Sentimentos pessoais não entram em jogo. Tudo o que se fala em relação à conduta dessa pessoa tem se revelado verdadeiro na prática. Reduzir uma denúncia dessa gravidade a uma rusga do procurador-geral é quase risível.

Como o senhor vê essa tentativa de usar a CPI para desviar o foco do julgamento do mensalão?
 É normal que quem está denunciado fique tenso às vésperas do julgamento. O julgamento no Supremo Tribunal Federal é uma decisão definitiva. Vivemos num país democrático, num estado de direito. O Supremo jamsi faria um justiçamento, vai fazer um julgamento. Tem prova, tem condenação; não tem prova, não tem condenação".

O que o senhor achou da iniciativa de alguns parlamentares de tentar usar uma CPI para investigar a imprensa? A imprensa não faz processo penal, a imprensa dá a notícia, dá a informação. Parece mais um meio de desviar a atenção do inquérito fundamental.

Os acusados tentam reduzir o caso a um crime eleitoral. É uma boa estratégia? A referência que fazem é que a movimentação de dinheiro tinha origem em caixa dois de campanha. Do ponto de vista ético e jurídico, isso não altera nada. Quando há apropriação do dinheiro público, não é a sua finalidade que vai descaracterizar o crime. No processo do mensalão, temos imputação de crimes de lavagem de dinheiro, corrupção passiva, ativa, peculato, evasão de divisas, quadrilha, falsidade ideológica. Crimes assumidamente confessados. Eles não podem deixar de admitir.

O governo passado indicou a maioria dos ministros que, agora, vão julgar muitos de seus aliados. Isso pode influir de alguma maneira no resultado? Uma pessoa, quando aceita ocupar o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal, sabe das responsabilidades que tem e vai cumpri-las. Toda a sociedade espera um julgamento justo e correto. Que esses processo sirva para o amadurecimento da democracia

Novo obstáculo - DENISE ROTHENBURG

CORREIO BRAZILIENSE - 14/05/12


Vetar um projeto de lei e editar uma medida provisória em seu lugar para repor o que o governo deseja ainda vai dar o que falar no Supremo Tribunal Federal. E essa discussão esquentará quando Dilma vetar o Código Florestal


A presidente Dilma Rousseff ainda nem anunciou o que fará a respeito do Código Florestal aprovado pelo Congresso e as excelências já põem uma nova polêmica na Praça dos Três Poderes: se é válido o Poder Executivo anular o que foi feito pelos parlamentares e, no lugar do que foi anulado, editar uma medida provisória para repor o que considera correto. Por exemplo, alguns dizem o seguinte: suponhamos que os parlamentares tenham aprovado uma lei dizendo que o lindo pôr do sol de Brasília é vermelho. Aí, vem o chefe do Executivo, seja homem ou mulher, veta essa lei aprovada pelo Congresso e edita uma medida provisória, que tem força de lei, para definir que o pôr do sol é lilás.

Ok, o exemplo aí de cima não é lá essas coisas nem vai acontecer algo assim. Mas, em outras palavras, é mais ou menos isso mesmo que os chefes do Executivo andam fazendo de uns tempos para cá. A Constituição não proíbe esse tipo de coisa. Ao se referir às matérias sobre as quais não cabe a edição de medidas provisórias, não trata desses casos específicos. O assunto vai dar polêmica. O artigo 62, em seu parágrafo primeiro, inciso IV, diz que não cabem MPs sobre matéria “já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do presidente da República. Ou seja, Dilma deve primeiro vetar o que receber do Congresso e publicar os vetos para, depois, editar uma medida provisória a respeito.

Por falar em polêmica…
Não se enganem. Se Dilma vetar as partes do texto que os deputados repuseram na última votação sobre o Código Florestal — e, ao mesmo tempo, editar uma medida provisória repondo o que foi decidido pelos senadores —, é bem capaz de os ruralistas seguirem em bloco para o Supremo Tribunal Federal (STF). E não sem razão, uma vez que o Supremo está aí para dirimir dúvidas e impasses em relação ao texto constitucional e outros quesitos.

Nesta segunda-feira, por exemplo, a bola está com o ministro Celso de Mello. Cabe a ele decidir se Carlos Cachoeira, que a esta altura do campeonato já dispensa apresentações, deve ou não comparecer à CPI que investiga o bicheiro e suas relações com as autoridades públicas. Concordo com o deputado Luiz Pitiman quando ele fala da simbologia da presença de Cachoeira como fundamental para que a CPI retorne aos trilhos. E tem mais: hoje, o sujeito pode ir e ficar calado para não gerar provas contra si. Essa moda, que ainda não era adotada nos tempos da CPI PC-Collor, obrigou muitos a falar por ali. Se agora os sujeitos não precisarem mais nem comparecer, as CPIs vão perder mais força ainda.

Por falar em força
Essa história de marcar depoimento em fase inicial de CPI tem apenas a função de promover um evento, uma imagem para as emissoras de tevê, jornais e revistas. Para dizer que a CPI é forte, chama delegado e coisa e tal. O que esse pessoal da CPI deveria mesmo fazer era estar na tal sala secreta lendo tudo o que tem de documentos. Em outras palavras, estudar, fazer o dever de casa. Quem sabe, inspirados por ontem, Dia das Mães, eles se lembrem daquelas que sempre recomendam aos filhos que aproveitem a semana para estudar. Aí sim, informados, podem chamar depoentes para esclarecer dúvidas ou acrescentar alguma informação.

Hoje pela manhã, entretanto, alguns integrantes da CPI não vão poder se dedicar a esse trabalho. Os peemedebistas têm compromisso logo cedo: uma sessão do Senado em homenagem ao PMDB. Não por acaso, muitos planejavam desembarcar hoje pela manhã em Brasília. Afinal, como me lembrou o deputado Pitiman ontem, será a primeira sessão presidida por José Sarney (PMDB-AP) depois do cateterismo a que foi submetido em São Paulo. Na sessão de hoje, já que não tem nada, será a hora da simbologia, de o partido tentar demonstrar à presidente Dilma que consegue reunir bastante gente no Congresso Nacional, mesmo numa segunda-feira, na hora do almoço. O PMDB não vê a hora de demonstrar sua força congressual perante o governo, hoje diluída porque a pauta não tem nada que seja caso de vida ou morte para o governo Dilma. Só o fez no Código Florestal ao retomar o texto da Câmara. E esse projeto é um dos poucos que, este ano, ainda causará muita polêmica. Pode apostar.

Bola no chão - AÉCIO NEVES


FOLHA DE SP - 14/05


Sou um apaixonado por futebol. Dia desses testemunhei um episódio que, acredito, de alguma forma, fala à nossa condição humana.

Refiro-me ao tento anotado no começo do ano por Tim Howard, goleiro do Everton, contra o Bolton, times da primeira divisão inglesa. Batido o tiro de meta, eis que a bola ganhou um súbito impulso do vento e soltou-se em trajetória tão descontrolada que acabou encobrindo o surpreso goleiro adversário.

Foi só um gol -por mais surpreendente que tenha sido! Inusitado mesmo foi o comportamento de Howard: recusou-se simplesmente a comemorar. À saída do gramado, lamentou: "Foi um gol cruel. Não foi nada legal, é constrangedor, sinto muito pelo Adam". Referia-se a Adam Bogdan, o arqueiro adversário, do Bolton.

Todos nós sabemos que o futebol nos leva às raias da irracionalidade. Não costuma ser local onde floresce o cavalheirismo. No entanto, até o mais fanático dos aficionados há de reconhecer a nobreza do goleiro relutantemente artilheiro. É só uma partida de futebol -mas quem sabe não há aí uma pequena lição para a vida cotidiana?

Pergunto-me se não podemos aprender alguma coisa com ela, no dia a dia da política. Reconhecer, por exemplo, que muitas vezes não temos todos os méritos pelas conquistas que celebramos. Que o vento, entendido como fator que não depende do nosso esforço ou talento, existe. E pode surgir, no caso da política, do trabalho exaustivo e dedicado de antecessores, que máquinas de propaganda tentam apagar da memória do país.

Pode surgir ainda nas conjunturas globais, sobre as quais não temos controle, mas que podem nos favorecer.

O cavalheirismo de Howard nos traz ainda outros ensinamentos. Reconhece o óbvio: que o oponente merece respeito. Que não faz sentido tripudiar sobre o adversário quando não somos os legítimos merecedores da vitória celebrada. Se reunirmos essas simples lições talvez pudéssemos criar as condições necessárias para um novo patamar de convivência política no país.

Sei que alguns não compreendem quando defendo que a convivência entre adversários pode se dar em um ambiente diferente daquele estimulado pelo antagonismo cego, pela perigosa transformação de adversário em inimigo, pela tentativa sistemática de legitimar o uso da calúnia e da mentira como armas políticas.

No entanto, essa é a minha convicção. Entendo a política como um processo que exige a paciente superação das diferenças menores para que os avanços fundamentais possam acontecer.

A força do vento é legítima. Precisa, no entanto, como um tributo à realidade, ser reconhecida e saudada com humildade. Até porque, nem sempre ele sopra a favor...

Gays, raça, classe e religião - LÚCIA GUIMARÃES


O ESTADÃO - 14/05/12


NOVA YORK - Na quarta-feira passada, quando Barack Obama garantiu mais uma vaga na história ao defender o casamento entre pessoas do mesmo sexo, Cory Booker, o popular prefeito negro de Newark, disparou pelo Twitter: vou dar entrevista, assim "que eu parar de dançar".

A importância do anúncio feito por Obama ainda é muito recente para ser compreendida, mas, que tal mandarmos o cinismo dar uma volta ali na esquina? Podemos, por um momento, deixar de lado o escrutínio do cálculo político que fez com que o presidente assumisse o risco de alienar eleitores-chave em novembro?

Imagine se um político racista conseguisse introduzir um plebiscito na Carolina do Sul, onde a bandeira confederada, símbolo da luta contra a abolição da escravatura, continua desfraldada na capital. O dito plebiscito perguntaria aos eleitores se a proibição das práticas eleitorais que impediam negros de votar e o fim da segregação em escolas públicas, conquistas do Ato de Direitos Civis de 1964, devem ser revogadas. Não tenho dúvidas de que ficaríamos chocados com o número de votos a favor da volta da segregação racial.

Esse plebiscito, felizmente, não vai acontecer e sugiro o exercício da imaginação apenas para argumentar que direitos civis não devem ser submetidos ao varejo nas urnas, especialmente num mês em que um partido nazista conquistou 20 assentos no parlamento do berço da democracia ocidental.

E, numa semana em que a Carolina do Norte aprovou uma emenda constitucional para impedir que o casamento gay seja legalizado entre suas fronteiras, tenho um recado para quem acha que os homossexuais americanos são elitistas brancos e antidemocráticos, refestelados em privilégio na Califórnia e em Nova York. Somente 34% dos eleitores compareceram às urnas para votar a odiosa emenda. A mobilização conservadora é muito mais intensa, o que, de acordo com o respeitado Pew Research Center, fez com que a maioria dos Estados americanos que lançaram plebiscitos locais tenha banido o casamento gay. Ou seja, quem não se opõe ao casamento gay tende a ficar em casa, revelam os números do Pew.

A "evolução de opinião" sobre o assunto, que Barack Obama alega, é refletida numa das mais incomuns evoluções estatísticas nos Estados Unidos. Em 1996, 65% da população geral se manifestava contra o casamento gay, 27% a favor. Uma nova pesquisa do Pew revela 47% a favor, 43% contra. O anúncio de quarta-feira acendeu os púlpitos das igrejas protestantes americanas. Sabemos que a Proposition 8, passada há quatro anos para banir o casamento gay na Califórnia, contou com quase 60% de apoio dos negros, mobilizados por seus pastores.

Mais de 95% dos negros americanos votaram em Obama em 2008 e continuaram a apoiar o presidente, apesar de constituir a minoria mais punida pelo crash de 2008. A mídia americana, predominantemente branca, voltou a sugerir que os negros são homofóbicos e vão ficar em casa em novembro. Aposto minha coleção de CDs do Paulinho da Viola que eles vão votar em massa em Barack Obama.

Sim, a cara da militância gay americana ainda é um homem branco de meia-idade e de classe média alta. Os líderes religiosos que demonizam a estabilidade de famílias lideradas por pessoas do mesmo sexo fariam por bem observar que 66% das crianças negras americanas são criadas por mães ou pais solteiros. Entre os brancos, esse número cai para 24%. Sim, são principalmente os brancos afluentes que insistem no burguês direito de se casar. Um negro que vive abaixo da linha da pobreza terá mais dificuldade de apresentar um companheiro à família e esta é uma fonte de distorção estatística. Mas, em vez de contemplar o fato com escárnio, podemos lembrar que Obama mudou de opinião sob pressão de Michelle e das filhas Sasha e Malia. As meninas frequentam colegas de escola que são criadas por gays e lésbicas e aproximaram o pai do absurdo da intolerância. Quanto mais as pessoas convivem com gays assumidos e ajustados, maior a tolerância.

Graças a um gesto simbólico do primeiro presidente negro americano, um gesto que não implica burocracia ou imposição legal, quantas famílias estarão, hoje à noite, fazendo as pazes?

Do flagelo partidário ao ocaso da oposição - SEBASTIÃO VENTURA P. DA PAIXÃO JR.


O ESTADÃO - 15/05


O Brasil deve estar em festa. Faz pouco, foi anunciada a criação do 30.º partido político nacional. Sim, caro leitor, você não leu errado, temos a fantástica cifra de 30 agremiações partidárias! No entanto, uma simples pergunta insiste em navegar perdida nos mares de meus pensamentos: será que temos ao menos 30 políticos autênticos? Caso não consiga apresentar-me uma resposta nominal, fique tranquilo: o questionamento, que não quer calar, seguirá falando por si só. É lamentável e assustador ter de conviver com a suposição de que inexista um político digno para cada partido. Aliás, talvez fosse melhor ter apenas pedido meio político, pois, assim, bastariam 15 potenciais candidatos a políticos inteiros. Seria aquela velha fórmula de dois para valer um, ou seja, em matéria política a matemática é inexata. Enfim, vivemos um tempo tão paradoxal que não é de duvidar que haja mais partidos do que políticos de boa cepa.

Será? E se sim, por quê?

Bem, esse descalabro dos quadros políticos tem nome e sobrenome: tibieza partidária. Enquanto os partidos brasileiros forem uma confraria de amigos, não podemos esperar muita coisa. Ora, não existe política alta sem partidos fortes. E, como sabido, partidos não são erguidos com improvisações.

Infelizmente, a história partidária brasileira tem como marca o flagelo institucional. Sem cortinas, é possível dizer que durante a República Velha a insinceridade era o traço das urnas - poderíamos ter usado um termo mais penetrante, mas vamos ser delicados e convir que insinceridade já diz o que tem de dizer. Nesse contexto, a busca da lisura eleitoral foi um dos objetivos do Código Assis Brasil. Por falar no bom e velho Joaquim Francisco de Assis Brasil, é oportuno lembrar que em 1928 foi fundado o Partido Libertador e entre seus princípios norteadores estava a imposição do voto secreto como condição impreterível da moralidade dos pleitos. O Código Eleitoral de 1932 foi, nessa medida, uma reação à falta de probidade e igualdade das eleições.

Com o advento Estado Novo, os partidos vieram a ser extintos em dezembro de 1937. Concomitantemente ao movimento nacional de retomada da liberdade, os partidos ressurgiram em 1945, com a exigência de que deveriam ser de âmbito nacional. A ferro e fogo, os partidos foram criando corpo, unindo semelhantes e afastando dissidentes. Aos poucos, com muito tato e labor artesanal, um esboço de vida partidária voltou a ser desenhado no País. Todavia, traindo os preceitos que ensejou, o movimento de 1964 fez o que fez: para atender aos interesses do arbítrio, ou ao arbítrio dos interessados, os partidos foram novamente extintos, pelo malsinado Ato Institucional n.º 2, de outubro de 1965. A partir daí tivemos um bipartidarismo forçado e perneta, pois um dos partidos tinha de ser másculo e potente, enquanto o outro haveria de ser esquálido e frágil; um tinha de ganhar todas, o outro estava condenado a viver na derrota permanente. Acontece que, como dizia a inteligência luminosa de Otávio Mangabeira, ninguém pode tudo, ninguém pode sempre. Cedo ou tarde, aquilo que agride a natureza das coisas desmorona sobre suas pífias estruturas.

Enquanto esse bipartidarismo de fantasia atendeu aos donos do poder, o modelo foi mantido. Mas incompreensivelmente, como num passe de mágica, os ventos mudaram, trazendo novos interesses, e em 1979 se voltou a permitir o que estava proibido. Foi partido para cima, para baixo, para a direita, para a esquerda... Em judiciosa expressão, foi o "facilitário partidário". O objetivo da medida, fracionar a oposição, que, apesar de todas as dificuldades e dos impedimentos, ganhava força nas ruas e arregimentava crescentes fiéis para a causa democrática. A Constituição de 88 consagrou a livre criação, fusão, incorporação e extinção dos partidos. Com a volta do clima democrático, foi natural a explosão de instituições partidárias. Nesse fértil terreno de siglas e mais siglas, para não dizer letras sobre letras, a decisão do colendo Supremo Tribunal Federal no sentido de assegurar a fidelidade partidária, bem como o recente pronunciamento sobre a constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa deixam a palpável esperança de que algo positivo começa a delinear-se.

Como se vê, resta claro e incontestável que a acidentada vida partidária brasileira é um elemento que não pode ser desconsiderado no tabuleiro incoerente da política nacional. Com a chegada do PT ao governo foi possível ver que o discurso cândido de outrora não passava de conversa pra boi dormir. Nossos políticos e partidos são muito parecidos. Ocasionalmente discutem em público, mas ao cair da noite se deitam na mesma cama, fazendo juras de amor. Olhando as coisas como estão, independentemente do que aconteça, com um sol bonito ou no relampejar das trovoadas, o PMDB será sempre governo; o PDT ainda busca um norte pós-Brizola; o DEM, especialmente após o caso Demóstenes, parece estar rumo ao ostracismo; o PSDB, para fazer uma oposição madura e aguerrida, precisa voltar a ter coesão interna e deixar as vaidades pessoais de lado; Kassab precisa decidir se é de direita ou de esquerda, pois, quem tudo quer acaba sem nada; e o PSOL e o PV precisam ganhar mais corpo e representatividade coletiva.

Caso tenha esquecido alguém ou algum, esclareço que foi por lapso involuntário. Falando nisso, lembrei-me de mais um personagem que não poderia deixar de ser mencionado: afinal, "nunca antes na História deste país" ocorreram fatos tão alarmantes. Entre tantas incertezas e incredulidades, é imperioso reconhecer que o lulismo foi ou é um fenômeno que não pode ser ignorado, mas para falar desse assunto necessariamente teremos de analisar o esfacelamento do princípio da legalidade em favor de uma permissividade absoluta aos amigos do poder. Aí terei de escrever um artigo só sobre esse tema. Será que então terei a oposição de 30 com valor de 15? Aliás, qual o valor da oposição brasileira?

Inconveniência cara - MARIA INÊS DOLCI

FOLHA DE SP - 14/05


Conveniência é aquilo que atende ao gosto, às necessidades e ao bem-estar do indivíduo. Comprar ingressos para um show pela internet ou pelo telefone, então, é conveniente? Sim, sem dúvida, porque economiza tempo e evita problemas como o trânsito das grandes cidades.

Mas que conveniência é essa se, além dessa taxa, ainda é preciso pagar pela entrega do ingresso? Ou seja, o consumidor paga a intermediação da venda, o que não é correto. Esse custo deveria recair sobre a organização do evento, uma vez que, de qualquer maneira, os ingressos seriam vendidos. A compra virtual, evidentemente, facilitaria o acesso ao entretenimento, o que seria do interesse de quem o organizasse.

O Procon-SP suspendeu, no último dia 20, a venda dos ingressos para a apresentação da cantora Madonna, devido à cobrança da taxa de conveniência. Após a pré-venda pela internet ou pelo telefone, o cliente ainda seria obrigado a pagar pela entrega do bilhete.

A T4F Entretenimentos conseguiu na Justiça, posteriormente, a liberação da venda dos ingressos.

Apesar da alegada conveniência, há casos em que não há sequer a possibilidade de receber o bilhete em casa e absurdos como a cobrança para retirar o ingresso na bilheteria, embora o comprador tenha de buscá-lo no local, munido de documento de identidade e do cartão de crédito com o qual fez a compra.

Além disso, em eventual cancelamento do show, as taxas de conveniência e de entrega não são ressarcidas. Ou seja, o espectador é prejudicado duplamente, sem diversão e com o custo da intermediação.

Há outros abusos. Quem compra dois ou mais ingressos para um mesmo espetáculo é taxado em cada um deles, o que é injustificável.

No Rio de Janeiro foi sancionada, em dezembro do ano passado, a lei nº 6.103/2011, que estipula, por exemplo, que não haja mais de uma cobrança por cliente. E que a taxa não varie conforme o valor do ingresso.

A autora da lei, a deputada Clarissa Garotinho (PR-RJ), afirmou não ver justificativa para a cobrança "porque as vendas on-line e por telefone são mais baratas para as empresas".

Acrescento que vender ingressos é parte indissociável do show -logo, o valor do ingresso deveria custear também isso.

Esses abusos só acabarão quando houver uma lei federal que regulamente a venda de ingressos à distância. Há um projeto de lei (nº 3.323/2012), do deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), que amplia, para todo o Brasil, o que está disposto na lei nº 6.103. O PL está na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados.

É importante que seja apreciado, votado e vigore o quanto antes, porque o Brasil entrou, definitivamente, na rota dos grandes eventos internacionais, como as apresentações musicais de Paul McCartney, Madonna, Noel Gallagher, Joe Cocker, Bob Dylan e Morrissey (ex-Smiths), entre outros artistas famosos.

Há diversão para todos os gostos e para todas as idades. Nada incomum, uma vez que a maioria dos países ricos está em crise econômica e financeira, que reduz a renda de seus cidadãos.

O Brasil vive momento de ascensão das classes C e D e ainda tem baixos níveis de desemprego. Logo, nossos palcos são boas saídas para artistas famosos.

Isso não justifica os preços absurdos cobrados em todo o ramo de entretenimento e diversão, o que inclui restaurantes e bares, especialmente em São Paulo.

Afinal, os salários pagos para a maioria dos brasileiros são muito baixos, mal permitindo arcar com as contas públicas e com serviços que pagamos em dobro (como saúde e educação), devido à precariedade do que é fornecido pelo governo, em contrapartida aos impostos.

Estamos brincando de país rico, embora não tenhamos indicadores que comprovem essa miragem. Diante das dificuldades mundiais, a propaganda governamental nos mostra diferentes, especiais, sem problemas.

Desenvolvimento também é respeito aos direitos do consumidor, inclusive na compra de ingressos para shows com os quais muitos sempre sonharam.