sábado, março 10, 2012
Inflação ainda forte - CELSO MING
O Estado de S.Paulo - 10/03/12
A inflação de fevereiro medida pela evolução do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostra desaceleração, mas não dá para confiar em que esse ritmo seja sustentável nos próximos meses, como ontem sugeriu o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.
O IPCA não importa não só por dar ideia de como evolui a renda real do brasileiro, mas também porque é a medida de inflação usada como referência pelo Banco Central para definir sua política monetária (política de juros).
São dois os fatores positivos nos números do IPCA de fevereiro: (1) redução das pressões do chamado núcleo de inflação, a estrutura de preços menos sujeita a grandes variações, como ocorre com os alimentos; e (2) menor índice de difusão, ou seja, os preços subiram em menor número de itens (apenas 58,2%) do que nos meses anteriores, especialmente em janeiro (64,7%).
Em compensação, a esticada dos preços dos serviços e dos preços no mercado atacadista não autoriza ninguém a se desarmar em relação ao avanço da inflação neste ano.
Dentro do cestão de preços do IPCA, os serviços têm um peso de 30%. Uma das peculiaridades do segmento é de que quase nunca pode ser substituído por artigos importados. O preço da roupa fabricada no Brasil, por exemplo (que não é serviço, mas mercadoria), não pode disparar, porque importados fazem concorrência. Isso não se dá com os preços do transporte, da escola, dos serviços pessoais (barbeiro, manicure, consultas médias). E o que se tem sobre a mesa é um avanço dos preços dos serviços de 1,25% em fevereiro (foi de 1,05% em janeiro). Em 12 meses, saltaram 9,35%, enquanto, no período, a inflação foi de 5,85% (veja o gráfico). Esse fator concorre decisivamente para manter a pressão sobre a inflação.
O avanço nos preços do atacado foi realçado ontem pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), como se vê no Confira. Em fevereiro, esse indicador apontou evolução negativa de preços (queda de 0,06%). Mas a primeira prévia de março já indica avanço positivo de 0,23%. Como o que acontece no atacado (cujos preços pesam 60% na cesta de preços do IGP-M) tende a se espraiar também para o varejo (custo de vida), é preciso contar com nova fonte de tensão no IPCA.
Essas observações podem parecer áridas, ainda mais num fim de semana. Mas ganham importância quando analisadas sob a ótica da política de juros do Banco Central.
Somente a desaceleração da inflação de fevereiro não chega a justificar o aumento da dose no corte dos juros decidido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na última quarta-feira.
Em março, abril e maio, a evolução do IPCA em 12 meses ainda deve mostrar desaceleração. No entanto, a partir de junho, a tendência de avanço para os 6,0% ao ano tende a se acentuar.
Isso significa que o governo Dilma deverá enfrentar uma puxada mais forte dos preços justamente nos meses mais próximos às eleições municipais que se realizarão em outubro, quando cresce o uso político desse indicador.
Quarteto trapalhão - VERA MAGALHÃES - PAINEL
FOLHA DE SP - 10/03/12
A derrota sofrida pelo governo no Senado nesta semana fez a presidente Dilma Rousseff voltar a considerar a possibilidade de substituir o time de líderes no Congresso. A avaliação do Planalto é que a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e a tríade Cândido Vaccarezza (Câmara), Romero Jucá (Senado) e José Pimentel (Congresso) não fala a mesma língua.
O problema é que a troca voltou para o banho maria depois da entrevista em que o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) defendeu a destituição de Jucá após a derrubada do diretor-geral da ANTT, Bernardo Figueiredo. Tirar o peemedebista agora só colocaria fogo no circo.
Surpresa O governador Jaques Wagner (PT-BA) participava de uma solenidade no Ministério Público em Salvador quando mais um afilhado seu, o ministro Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário), perdeu o cargo.
Segunda chamada Pepe Vargas, que assume a pasta responsável pela reforma agrária, já tinha figurado como ministeriável quando Ideli Salvatti substituiu Luiz Sérgio na articulação política.
Na ativa 1 Lula falou na quinta-feira com o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral). Demonstrou contrariedade pelo fato de o governo não ter agido na greve dos tanqueiros em São Paulo.
Na ativa 2 O ex-presidente demonstra incômodo com as vitaminas que lhe são administradas no Sírio-Libanês. Ao ingerir um copão do mix, brincou com um visitante: "Quero saber quando vamos poder tomar um uísque".
Boletim Dilma telefonou ontem para o cardiologista Roberto Kalil. Queria saber notícias sobre o estado de saúde do antecessor. Ouviu um protocolar "está bem".
Negócios... Henrique Meirelles participa na segunda-feira de seu primeiro compromisso como presidente do grupo J&F, holding que abriga o frigorífico JBS. Ele vai a Itajaí (SC) anunciar investimento de R$ 200 milhões da divisão Flora, de cosméticos.
... e política O lançamento da fábrica será acompanhado pelo governador Raimundo Colombo e pelo secretário Paulo Bornhausen, líderes do PSD, partido do ex-presidente do Banco Central.
Vice verde Dos cinco secretários de Gilberto Kassab que se afastarão em abril para a eleição, Eduardo Jorge (Meio Ambiente) é hoje o mais próximo de José Serra. Filiado ao PV, abandonou a habitual discrição e mergulhou nas articulações em favor do ex-governador. Prega a aliados ampla aliança para evitar o segundo turno.
Tanque zero De um dirigente petista ironizando o slogan da publicidade oficial da gestão de Kassab: "Combustível nos postos: antes tinha, agora não tem".
Nova direção Depois de cogitar transferir o Detran, hoje subordinado à Secretaria de Gestão Pública, para a pasta da Fazenda, o governo paulista decidiu movê-lo para o Planejamento. O Bandeirantes avaliou ser inadequada a vinculação do órgão à arrecadação do Estado.
Ex-cunhado... Relatório do Ministério Público Federal aponta que Carlinhos Cachoeira se preocupou, em maio de 2011, com o possível divórcio de sua irmã e Adriano Aprígio. O cunhado seria laranja do empresário, com vários bens em seu nome.
... é pra sempre Cachoeira chamou a separação de "bomba", porque os "trem" estariam em nome do cunhado. Segundo a investigação, Aprígio negociou pelo menos 37 imóveis entre 1999 e 2011.
com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI
tiroteio
"No governo de Juscelino Kubitschek, a meta do país era atingir um crescimento de 50 anos em 5. Nas administrações do PT, em dez anos regredimos 56."
Do LÍDER DO PSDB NA CÂMARA, BRUNO ARAÚJO (PE), ironizando os números que atestam o recuo da participação da indústria brasileira no Produto Interno Bruto aos níveis registrados em 1956.
contraponto
Só se for agora
Na conversa reservada que teve ontem com Geraldo Alckmin e José Serra, no Palácio dos Bandeirantes, o deputado pedetista Paulinho da Força foi cortejado pelo pré-candidato tucano à prefeitura paulistana.
Depois de o governador, sabendo que o próprio Paulinho é pré-candidato a prefeito, afirmar que a aliança do PSDB com o PDT é para 2014, Serra interveio.
-Eu penso diferente do Alckmin, viu? -, disse, na tentativa de manter abertas as perspectivas de entendimento já para a sucessão de outubro.
A derrota sofrida pelo governo no Senado nesta semana fez a presidente Dilma Rousseff voltar a considerar a possibilidade de substituir o time de líderes no Congresso. A avaliação do Planalto é que a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e a tríade Cândido Vaccarezza (Câmara), Romero Jucá (Senado) e José Pimentel (Congresso) não fala a mesma língua.
O problema é que a troca voltou para o banho maria depois da entrevista em que o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) defendeu a destituição de Jucá após a derrubada do diretor-geral da ANTT, Bernardo Figueiredo. Tirar o peemedebista agora só colocaria fogo no circo.
Surpresa O governador Jaques Wagner (PT-BA) participava de uma solenidade no Ministério Público em Salvador quando mais um afilhado seu, o ministro Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário), perdeu o cargo.
Segunda chamada Pepe Vargas, que assume a pasta responsável pela reforma agrária, já tinha figurado como ministeriável quando Ideli Salvatti substituiu Luiz Sérgio na articulação política.
Na ativa 1 Lula falou na quinta-feira com o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral). Demonstrou contrariedade pelo fato de o governo não ter agido na greve dos tanqueiros em São Paulo.
Na ativa 2 O ex-presidente demonstra incômodo com as vitaminas que lhe são administradas no Sírio-Libanês. Ao ingerir um copão do mix, brincou com um visitante: "Quero saber quando vamos poder tomar um uísque".
Boletim Dilma telefonou ontem para o cardiologista Roberto Kalil. Queria saber notícias sobre o estado de saúde do antecessor. Ouviu um protocolar "está bem".
Negócios... Henrique Meirelles participa na segunda-feira de seu primeiro compromisso como presidente do grupo J&F, holding que abriga o frigorífico JBS. Ele vai a Itajaí (SC) anunciar investimento de R$ 200 milhões da divisão Flora, de cosméticos.
... e política O lançamento da fábrica será acompanhado pelo governador Raimundo Colombo e pelo secretário Paulo Bornhausen, líderes do PSD, partido do ex-presidente do Banco Central.
Vice verde Dos cinco secretários de Gilberto Kassab que se afastarão em abril para a eleição, Eduardo Jorge (Meio Ambiente) é hoje o mais próximo de José Serra. Filiado ao PV, abandonou a habitual discrição e mergulhou nas articulações em favor do ex-governador. Prega a aliados ampla aliança para evitar o segundo turno.
Tanque zero De um dirigente petista ironizando o slogan da publicidade oficial da gestão de Kassab: "Combustível nos postos: antes tinha, agora não tem".
Nova direção Depois de cogitar transferir o Detran, hoje subordinado à Secretaria de Gestão Pública, para a pasta da Fazenda, o governo paulista decidiu movê-lo para o Planejamento. O Bandeirantes avaliou ser inadequada a vinculação do órgão à arrecadação do Estado.
Ex-cunhado... Relatório do Ministério Público Federal aponta que Carlinhos Cachoeira se preocupou, em maio de 2011, com o possível divórcio de sua irmã e Adriano Aprígio. O cunhado seria laranja do empresário, com vários bens em seu nome.
... é pra sempre Cachoeira chamou a separação de "bomba", porque os "trem" estariam em nome do cunhado. Segundo a investigação, Aprígio negociou pelo menos 37 imóveis entre 1999 e 2011.
com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI
tiroteio
"No governo de Juscelino Kubitschek, a meta do país era atingir um crescimento de 50 anos em 5. Nas administrações do PT, em dez anos regredimos 56."
Do LÍDER DO PSDB NA CÂMARA, BRUNO ARAÚJO (PE), ironizando os números que atestam o recuo da participação da indústria brasileira no Produto Interno Bruto aos níveis registrados em 1956.
contraponto
Só se for agora
Na conversa reservada que teve ontem com Geraldo Alckmin e José Serra, no Palácio dos Bandeirantes, o deputado pedetista Paulinho da Força foi cortejado pelo pré-candidato tucano à prefeitura paulistana.
Depois de o governador, sabendo que o próprio Paulinho é pré-candidato a prefeito, afirmar que a aliança do PSDB com o PDT é para 2014, Serra interveio.
-Eu penso diferente do Alckmin, viu? -, disse, na tentativa de manter abertas as perspectivas de entendimento já para a sucessão de outubro.
A pós-modernidade e as leis - MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 10/03/12
O estudo de dois professores americanos que mostra que a Constituição dos Estados Unidos deixou de ser um modelo na política internacional, em benefício de outros documentos, como a Constituição do Canadá ou da Lei de Direitos Humanos da África do Sul, tem provocado discussões nos meios jurídicos e chamado a atenção de constitucionalistas brasileiros para o fato de que a Constituição brasileira de 1988, tão criticada, agora parece ter as qualidades apontadas nesses novos documentos: abrange os direitos difusos, é mais específica, não deixa tanta margem a interpretações quanto a americana.
A pesquisa empreendida por David Law, da Universidade Washington, em St. Louis, e Mila Versteeg ,da Universidade de Virginia, revela, a partir de dados empíricos e estudos analíticos, a redução da influência daquela que não apenas é a primeira Constituição escrita da História da Humanidade, mas a que se encontra em vigor há mais tempo.
Em 1987, no bicentenário da Constituição americana, a revista "Time" calculou que, dos 170 países existentes então, mais de 160 escreveram seus documentos constitucionais tendo por modelo, direta ou indiretamente, a Carta americana. Hoje, 25 anos depois, o modelo americano parece estar perdendo a atração, diz o estudo de Law e Mila, que será publicado em junho pela "Revista de Direito" da Universidade de Nova York.
Os dois classificaram e estudaram 729 constituições adotadas por 188 países, de 1946 a 2006, e constataram a perda de prestígio, por razões que vão desde ser a Constituição americana curta e superficial até o fato de garantir poucos direitos específicos, especialmente por ser um documento de 1787 que não abrange questões hoje fundamentais para as sociedades pós-modernas.
Mila me disse por e-mail que estudou com algum detalhamento a Constituição brasileira, que faz parte de sua base de dados sobre o assunto.
Utilizando o mesmo critério de análise que usaram para a Constituição americana, os professores se debruçaram sobre a Constituição brasileira, e Mila diz que a Constituinte de 1988 fez com que momentaneamente nossa Carta parecesse menos semelhante às demais.
Mas, nos anos seguintes, as constituições mundiais se tornaram mais parecidas com a brasileira, tendo inclusive sido identificada uma tendência semelhante com a Carta do Canadá de 1983.
Esse fato sugere, diz Mila, que a brasileira pode de fato ter se tornado modelo para outras mais recentes, embora seja difícil traçar linha direta de causalidade nesses casos.
Dois constitucionalistas brasileiros, Luís Roberto Barroso, professor titular de Direito Constitucional da Uerj, e Gustavo Binenbojm, professor adjunto da Faculdade de Direito da Uerj, analisaram essa relativa perda de influência da Carta americana e a proeminência de documentos constitucionais modernos que tratam mais especificamente de direitos difusos e garantias individuais dos cidadãos.
Barroso concorda com a tese e considera que a Corte Constitucional alemã, que teve papel decisivo no reerguimento moral germânico, foi a primeira grande concorrente da Suprema Corte americana.
Os aliados, vencedores da Segunda Guerra, impuseram à Alemanha Ocidental uma Constituição democrática da qual constava um rol amplo de direitos fundamentais (maior e mais explícito do que o da Constituição Americana, ressalta Barroso) e, sobretudo, a previsão de criação de um tribunal constitucional cujo papel era controlar os excessos e desvios do processo político e proteger os direitos fundamentais.
Interpretando o princípio da dignidade da pessoa humana e outras cláusulas constitucionais, o Tribunal Constitucional Federal alemão foi granjeando prestígio nacional e internacional, aproximando-se paulatinamente do prestígio desfrutado pela Suprema Corte Americana, atesta.
Barroso destaca também que a Suprema Corte do Canadá começou a ganhar expressão a partir da aprovação da Carta de Direitos e Liberdades, de 1982. "Desde então, é possível contabilizar inúmeras decisões importantes, proferidas por juízes intelectualmente qualificados e com menos viés político do que os da Suprema Corte Americana", diz Barroso.
Para ele, a Corte canadense tem um conjunto de decisões muito importantes envolvendo aborto, descriminalização de drogas, suicídio assistido, criminalização da pornografia infantil, ilegitimidade de manifestações antissemitas.
Barroso diz que não seria correto pôr a Corte Constitucional sul-africana como uma influência mundial. Algumas decisões da Corte, porém, em matéria de direitos sociais - acesso a habitação e água - tornaram-se emblemáticas.
Gustavo Binenbojm concorda em que há, no meio acadêmico internacional, voz corrente que aponta para o declínio da outrora mítica e influente Constituição dos Estados Unidos da América como modelo para as democracias constitucionais mundo afora.
Os motivos mais evidentes, segundo ele, têm a ver com circunstâncias históricas. Em vigor há 225 anos e tendo sido emendada apenas 27 vezes, o texto da Carta americana, em sua linguagem e seu espírito, já exibe os sinais da passagem do tempo, diz Binenbojm.
"Em alguns casos, a definição de alguns direitos e institutos jurídicos é simplesmente antiquada, merecendo atualização", sinaliza, ressaltando que há trechos extremamente lacônicos e vagos, gerando incerteza e insegurança jurídica.
Em outros casos, o problema é mesmo de concepção filosófica, claramente datada e dirigida a um mundo que não mais existe. "Disposições como a que assegura o direito de guardar e carregar armas, que tem similar apenas no México e na Guatemala, parecem fora de moda". Além disso, ampla gama de novos direitos, como os atinentes a minorias de gênero, orientação sexual ou origem étnica, ao meio ambiente e aos consumidores, para citar alguns exemplos, não foram e nem poderiam ter sido originalmente contemplados, mas tampouco foram acrescentados por via de emendas", lembra Binenbojm.
Outra dificuldade apresentada pela Constituição americana é seu complexo e dificultoso processo de reforma. "Assim, outras Constituições ou declarações de direitos, mais atualizadas em termos jurídico-ideológicos e vernaculares, acabaram por exercer o papel paradigmático antes desempenhado pela Constituição de 1787", analisa Binenbojm. (Amanhã, a experiência brasileira)
Pela vida da mãe e de seu filho - DOM ODILO P. SCHERER
O Estado de S.Paulo - 10/03/12
De novo, em pauta a questão do aborto. Estamos num ano eleitoral, os partidos vão costurando suas alianças e, como não podia deixar de ser, na pauta dos ajustes também entram questões polêmicas, em discussão há mais tempo pela opinião pública e também no Congresso Nacional.
Há quem gostaria que certos temas delicados não estivessem nos grandes debates político-eleitorais, talvez para não exigir uma tomada de posição clara perante os eleitores; prefere-se, então, qualificá-las como "questões religiosas", das quais o Estado laico não se deveria ocupar, nem gastar tempo com elas na discussão política... Não penso assim. Decisões sobre a vida e a morte de outros seres humanos, sobre o modelo de casamento, família e educação, sobre justiça social e princípios éticos básicos para o convívio social são questões do mais alto interesse e relevância política. Dizer que são "temas religiosos" significa desqualificar a sua discussão pública, relegando-os à esfera da vida privada, ou ao ativismo de grupos voltados mais para interesses particulares do que para o bem comum. Tirar da pauta política esses temas também poderia sugerir que pessoas sem religião não precisam estar vinculadas a valores e convicções éticas, o que é falso e até ofensivo.
Preocupo-me quando ouço que, no Brasil, a cada ano são realizados mais de 1 milhão de abortos "clandestinos" e que tantas mil mulheres (número bem expressivo!) morrem em consequência de abortos mal feitos! Há algo que não convence nesses números e afirmações. Sendo clandestinos, como pode alguém afirmar com tanta certeza dados tão impressionantes? Maior perplexidade ainda é suscitada quando isso é afirmado por uma autoridade representativa do Estado, mostrando que tem, supostamente, conhecimento seguro de uma violação aberta e grave da lei e nada fazendo para que ela seja respeitada para preservar tantas vidas! De fato, continua valendo a lei que veta o aborto indiscriminado no Brasil.
Esses números assombrosos ou estão pra lá de superdimensionados e manipulados para pressionar e atingir, de maneira desonesta, objetivos almejados, ou, então, alguém está faltando com seu dever de maneira consciente e irresponsável, deixando que a lei seja violada impunemente, em casos tão graves, nos quais vidas humanas inocentes e indefesas são ceifadas, às centenas de milhares, ou até na conta dos milhões!
É lamentável a morte de cada mulher em consequência de um aborto clandestino e mal feito. Lamentável também, e muito, é a sorte trágica de cada ser humano que tem a sua vida tolhida antes mesmo de ter visto a luz. Se há um problema de saúde pública a ser encarado, a solução não deveria ser a instrumentalização dessa tragédia humana para promover a legalização do aborto. Dar roupagem legal à tragédia curaria a dor e faria sossegar a consciência? Questão de saúde pública deve ser enfrentada com políticas voltadas para a melhoria da saúde e das condições de vida, e não para a promoção da morte seletiva. Uma campanha de conscientização sobre a ilegalidade das práticas abortistas protegeria melhor a mulher e o ser que ela está gerando. Haveria muito a fazer para alertar contra os riscos do recurso às clínicas - nem tão clandestinas - de "interrupção da gravidez". Alguém conhece alguma campanha do governo ou alguma política pública para desestimular práticas abortivas contrárias à lei e arriscadas para a saúde da mulher? Não seria o caso de fazer?
Está em curso a discussão sobre a reforma do Código Penal Brasileiro; em muitas coisas, certamente, ele deverá ser revisto e adequado. Chama, no entanto, a atenção e merece uma reflexão atenta da sociedade a proposta relativa ao artigo 128, sobre novos casos de aborto "não puníveis", além dos dois casos já previstos - risco de vida para a mãe e gravidez resultante de estupro (cf. http:/migre.me/845Dp).
No inciso I do artigo 128, propõe-se que não haja crime "se houver risco de vida ou à saúde da gestante". A alusão ao "risco à saúde da mulher" é absolutamente vaga e, por si só, já ofereceria base para a universalização do aborto legal. No inciso II, propõe-se que não haja crime se a gravidez resultar de "violação da dignidade sexual, ou do emprego de técnica não consentida de reprodução assistida". O que se pretende qualificar como "violação da dignidade sexual"? O delito, neste caso, não aparece configurado e poderia ser facilmente alegado, sem que ninguém fosse capaz de comprovar a real ocorrência dos fatos. Além disso, a "reprodução assistida" já está legalizada e regulamentada no Brasil?
No inciso III do mesmo artigo, propõe-se que não haja punibilidade quando "comprovada a anencefalia, ou quando o feto padecer de graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida independente, em ambos os casos atestado pelo médico". Além da anencefalia, já em discussão no Supremo Tribunal Federal, acrescentam-se outras "graves e incuráveis anomalias", o que é preocupante, pois isso abriria as portas para uma inaceitável, do ponto de vista ético, "seleção pré-natal" dos indivíduos considerados "aptos" a viver e o descarte de outros, considerados "inviáveis". É o controle de qualidade aplicado ao ser humano, já praticado em tempos passados por regimes condenados quase universalmente por suas práticas eugênicas. Vamos legalizar isso no Brasil agora?! No inciso IV, propõe-se que, "por vontade da gestante até a 12.ª semana de gestação, quando o médico constatar que a mulher não apresenta condições psicológicas de arcar com a maternidade", o aborto poderia ser praticado sem penalidades. Passa-se ao médico o peso da decisão sobre a vida ou a morte de seres humanos. Acho isso absolutamente inadequado!
É preciso refletir muito, para não legalizar a banalização da vida humana.
Ueba! Dia da Mulher em Paudalho! - JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 10/03/12
E o príncipe Harry? Parece uma cenoura. Mais sem graça do que água de salsicha! Rarará!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Manchete do dia: "PIB caiu com o Mantega pra baixo". Rarará! Eu adoro notícia econômica porque ninguém entende nada!
E o príncipe Harry? Parece uma cenoura. Mais sem graça do que água de salsicha! E as comemorações do Dia da Mulher! Como diz uma amiga minha: "Foi uma comemoração, comi uns dez!". Rarará!
E adorei esta manchete: "Dia da Mulher em Paudalho". E uma amiga foi ao supermercado no Dia da Mulher, estacionou no meio de duas vagas, bem em cima daquela faixa branca, e quando voltou, encontrou um recado no para-brisas: "Hoje você está perdoada!". Rarará!
E uma amiga comemorou no Motel Momentos, diária suíte luxo R$ 10, seis vezes sem juros. Quando cair a sexta prestação, você nem se lembra mais com quem transou.
E uma amiga comemorou o Dia da Mulher tendo orgasmos múltiplos com eco. Pro prédio inteiro ouvir. E um amigo comemorou o Dia da Mulher comendo a própria. E uma outra comemorou o Dia da Mulher provocando um engavetamento.
E esta do "Extra": "11/3. Passeio Ciclístico Dia Internacional da Mulher 2012. O que levar: bicicleta". Como gritou uma amiga minha: "Eu não sou burra!". Rarará!
E atenção! De que ano é esta manchete: "PMDB se rebela"? De qualquer ano. Tem duas manchetes que podem ser de qualquer ano: "PMDB se rebela" e "Serra sai candidato".
E o PMDB se rebela! Vai botar fogo no colchão? Bater caneca na grade? PMDB quer dizer Pomos a Mão no Dinheiro do Brasil. Partido das Mutretas do Brasil. Melhor, Partido Mutreta da Demência Brasileira!
O PMDB foi fundado por Pero Vaz de Caminha. Quando Pero Vaz de Caminha escreveu uma carta pedindo emprego ao rei de Portugal, ele fundou o PMDB! E sabe por que os portugueses gritaram "terra à vista"? Porque ainda não existiam as Casas Bahia. Senão parcelava em 30 vezes! É mole? É mole, mas sobe!
O Brasil é Lúdico! Placa no bagageiro dum motoboy em Anápolis, Goiás: "Ração para pinto Perereca Light. Não gosto de crentes". Por quê? Porque essa agressão gratuita?! E esta banca no largo do Arouche: "Compro revistas eróticas usadas". O que eles entendem por usadas? Não seriam MANUseadas? Revistas eróticas de segunda mão. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colirio alucinógeno!
ABRAM AS CORTINAS - MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 10/03/12
Os atores José Mayer, Soraya Ravenle, Ada Chaseliov e Malu Rodrigues fizeram anteontem a primeira sessão do musical "Um Violinista no Telhado", no Teatro Alfa. Hoje haverá apresentação para convidados.
VAZIO NÃO FICA
O MAM está no páreo: entregou anteontem ao Ministério da Cultura sua proposta para gerir a Bienal de São Paulo, que teve suas contas bloqueadas por inadimplência. O museu disputa com o Instituto Tomie Ohtake. Os dois passarão, agora, por exames técnicos da pasta. E o resultado será apresentado à Fundação Bienal, que dará a palavra final para a escolha, informa a ministra Ana de Hollanda (Cultura).
REMINISCÊNCIAS
A ministra afirma que ainda não há candidato preferencial. "Mas pode dizer que eu garanto que a Bienal vai acontecer", diz Ana. "Tenho relação afetiva. Meu pai foi vice-presidente da Bienal. Lembro das reuniões lá em casa na infância."
NÃO TÔ SABENDO
Sobre especulações a respeito de sua demissão do ministério, Ana de Hollanda afirma que não houve "ne-nhu-ma" sinalização da presidente Dilma Rousseff. "Desde o dia em que meu nome foi anunciado, falam que seria trocado. Talvez só eu não tenha sido avisada."
QUEM DÁ MAIS
E depois que Marin Alsop regeu seu primeiro concerto à frente da Osesp, anteontem, na Sala São Paulo, Carlos Augusto Calil, secretário municipal da Cultura, cochichou com Ana de Hollanda, o ex-governador Alberto Goldman e Andrea Matarazzo, secretário estadual da Cultura: "Só um governo tucano tem um espetáculo desses". Ana respondeu: "Mas tem recurso federal". "Querida, é lei de incentivo fiscal, não é recurso direto", disse Goldman. "A orquestra é tucana!", emendou Matarazzo. "A orquestra é linda e não tem partido", finalizou a ministra.
VIA SKYPE
Alsop ficou satisfeita com o concerto. No intervalo, comentou com o pianista David Fray: "Perfeito! Foi um prazer!". Quando Fray saiu, ela disse: "Ele é um doce. Maluco, mas um doce".
A regente só não está feliz com seu português, que tem treinado via Skype com uma brasileira. "A língua é linda, mas muito difícil."
TÁ DITO
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que já disse que José Serra é, sim, candidato à Presidência, consertou o discurso. Afirma agora que ele não sai da prefeitura caso ganhe as eleições. "É ponto pacífico. Isso ele nem discute."
NO CORAÇÃO DO XINGU
A viúva do indigenista Orlando Villas Bôas, Marina, assistiu ao longa "Xingu", de Cao Hamburger, em uma sessão especial na O2 Filmes, em São Paulo. Ela disse ter ficado "emocionada" ao rever a saga dos irmãos Villas Bôas no Xingu. O filme estreia no dia 6 de abril.
BBB DO SUPLA
A banda Brothers of Brazil, dos irmãos Supla e João Suplicy, se apresenta junto com o grupo irlandês Flogging Molly no dia 17 em Tempe, nos Estados Unidos. Na data é comemorado o dia de Saint Patrick. O show será registrado por uma equipe da Mix TV e aparecerá no reality show com os dois músicos, "Brothers na Gringa".
EGUINHA POCOTÓ
A visita do príncipe Harry, do Reino Unido, ao haras Larissa, amanhã, contará com uma comitiva de carruagens puxadas por cavalos austríacos da raça Haflinger e ingleses Welsh Cob. Quem organiza é Carolina Borja, diretora da Confederação Brasileira de Hipismo.
NO RELFEXO
Betty Gofman, Tadeu Mello e Mouhamed Harfouch estrearam a peça "A Vingança do Espelho: A História de Zezé Macedo" anteontem. A escritora Thelma Guedes esteve no Teatro Vivo.
COISAS DE CASA
Até o dia 24, o artista Sidney Amaral expõe esculturas que fez a partir de utensílios domésticos na mostra 'Metamorfose', na Central Galeria de Arte
CURTO-CIRCUITO
O espetáculo infantil "Pedro e o Lobo", com a atriz Giulia Gam, estreia no dia 17, às 16h, no teatro Tuca. Classificação etária: três anos.
A artista Laura Vinci inaugura hoje, a partir das 18h, a instalação "Clara-Clara", na rua Miguel Couto, no centro.
A mostra "Arrebentação", de Antonio Sobral, será aberta hoje, a partir das 15h, na d-Concept, na alameda Lorena.
com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY
VAZIO NÃO FICA
O MAM está no páreo: entregou anteontem ao Ministério da Cultura sua proposta para gerir a Bienal de São Paulo, que teve suas contas bloqueadas por inadimplência. O museu disputa com o Instituto Tomie Ohtake. Os dois passarão, agora, por exames técnicos da pasta. E o resultado será apresentado à Fundação Bienal, que dará a palavra final para a escolha, informa a ministra Ana de Hollanda (Cultura).
REMINISCÊNCIAS
A ministra afirma que ainda não há candidato preferencial. "Mas pode dizer que eu garanto que a Bienal vai acontecer", diz Ana. "Tenho relação afetiva. Meu pai foi vice-presidente da Bienal. Lembro das reuniões lá em casa na infância."
NÃO TÔ SABENDO
Sobre especulações a respeito de sua demissão do ministério, Ana de Hollanda afirma que não houve "ne-nhu-ma" sinalização da presidente Dilma Rousseff. "Desde o dia em que meu nome foi anunciado, falam que seria trocado. Talvez só eu não tenha sido avisada."
QUEM DÁ MAIS
E depois que Marin Alsop regeu seu primeiro concerto à frente da Osesp, anteontem, na Sala São Paulo, Carlos Augusto Calil, secretário municipal da Cultura, cochichou com Ana de Hollanda, o ex-governador Alberto Goldman e Andrea Matarazzo, secretário estadual da Cultura: "Só um governo tucano tem um espetáculo desses". Ana respondeu: "Mas tem recurso federal". "Querida, é lei de incentivo fiscal, não é recurso direto", disse Goldman. "A orquestra é tucana!", emendou Matarazzo. "A orquestra é linda e não tem partido", finalizou a ministra.
VIA SKYPE
Alsop ficou satisfeita com o concerto. No intervalo, comentou com o pianista David Fray: "Perfeito! Foi um prazer!". Quando Fray saiu, ela disse: "Ele é um doce. Maluco, mas um doce".
A regente só não está feliz com seu português, que tem treinado via Skype com uma brasileira. "A língua é linda, mas muito difícil."
TÁ DITO
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que já disse que José Serra é, sim, candidato à Presidência, consertou o discurso. Afirma agora que ele não sai da prefeitura caso ganhe as eleições. "É ponto pacífico. Isso ele nem discute."
NO CORAÇÃO DO XINGU
A viúva do indigenista Orlando Villas Bôas, Marina, assistiu ao longa "Xingu", de Cao Hamburger, em uma sessão especial na O2 Filmes, em São Paulo. Ela disse ter ficado "emocionada" ao rever a saga dos irmãos Villas Bôas no Xingu. O filme estreia no dia 6 de abril.
BBB DO SUPLA
A banda Brothers of Brazil, dos irmãos Supla e João Suplicy, se apresenta junto com o grupo irlandês Flogging Molly no dia 17 em Tempe, nos Estados Unidos. Na data é comemorado o dia de Saint Patrick. O show será registrado por uma equipe da Mix TV e aparecerá no reality show com os dois músicos, "Brothers na Gringa".
EGUINHA POCOTÓ
A visita do príncipe Harry, do Reino Unido, ao haras Larissa, amanhã, contará com uma comitiva de carruagens puxadas por cavalos austríacos da raça Haflinger e ingleses Welsh Cob. Quem organiza é Carolina Borja, diretora da Confederação Brasileira de Hipismo.
NO RELFEXO
Betty Gofman, Tadeu Mello e Mouhamed Harfouch estrearam a peça "A Vingança do Espelho: A História de Zezé Macedo" anteontem. A escritora Thelma Guedes esteve no Teatro Vivo.
COISAS DE CASA
Até o dia 24, o artista Sidney Amaral expõe esculturas que fez a partir de utensílios domésticos na mostra 'Metamorfose', na Central Galeria de Arte
CURTO-CIRCUITO
O espetáculo infantil "Pedro e o Lobo", com a atriz Giulia Gam, estreia no dia 17, às 16h, no teatro Tuca. Classificação etária: três anos.
A artista Laura Vinci inaugura hoje, a partir das 18h, a instalação "Clara-Clara", na rua Miguel Couto, no centro.
A mostra "Arrebentação", de Antonio Sobral, será aberta hoje, a partir das 15h, na d-Concept, na alameda Lorena.
com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY
Hora de acabar com a farra das MPs - EDITORIAL O GLOBO
O GLOBO - 10/03/12
Congresso tem de deixar de ser simples cartório avalizador do Executivo
Não é usual a mais alta Corte da Justiça voltar atrás num veredicto de inconstitucionalidade. Mas, da maneira como aconteceu, poderia ser previsível. O curto-circuito ocorreu no julgamento da medida provisória de criação do Instituto Chico Mendes, emitida e aprovada sem cumprir ritos legais, daí ter sido suspensa pelo Supremo Tribunal Federal, na quarta-feira. Mas poderia acontecer em qualquer outro julgamento semelhante, tamanho o acúmulo de irregularidades acumuladas há muito tempo na edição e tramitação de medidas provisórias.
Constatado o tamanho do problema institucional criado pelo veredicto, com o surgimento de uma enorme zona de insegurança jurídica, não houve saída a não ser o recuo. Por oito a um, o Supremo determinou ao Congresso fazer o rito processual correto de aprovação da MP do Instituto, e, por sete a dois, teve de estabelecer que a decisão passaria a valer apenas para medidas provisórias editadas a partir de quinta-feira. De então para a frente, precisarão ser admitidas por comissão especial mista de senadores e deputados.
Se assim não decidisse o Supremo, 560 medidas provisórias poderiam ter o mesmo destino, e com os seus efeitos revogados, algo impensável. Seriam atingidas MPs de todos os governos, desde o de José Sarney. Da administração Fernando Henrique, por exemplo, a que fixou o salário mínimo de 2002. Na Era Lula, o Bolsa Família poderia ser revogado, e o mesmo aconteceria com Minha Casa, Minha Vida.
Embora espantoso, o recuo do Supremo tem respaldo em lei federal (9.868, de 1999), cujo artigo 27 faculta a Corte a “restringir efeitos” de declarações de inconstitucionalidade caso haja “razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social”. É o caso.
Passado o susto, é tratar de aproveitá-lo para se moralizar o uso de MPs. Filho legítimo do decreto- lei da ditadura militar, o instrumento surgiu na Constituição de 1988 para o Executivo não perder agilidade administrativa na redemocratização. A intenção foi desvirtuada, e a medida provisória se converteu em instrumento de uso excessivo e também descabido, como são as MPs “árvore de Natal”, cheias de penduricalhos diversos, sobre vários assuntos sem relação entre si, uma indiscutível ilegalidade.
No plano político mais amplo, a MP passou a servir para o Executivo avançar sobre espaços institucionais do Congresso. O Planalto começou também a legislar, de baixo para cima, sem pruridos. Lula, que na oposição abria fogo contra a emissão de MPs por Fernando Henrique Cardoso, editou 419 delas, nos dois mandatos, contra 365 nos também oito anos de poder do adversário tucano.
A tentação de governar sem o Congresso é grande no Brasil. E o próprio Legislativo ajuda, na sua leniência. Até os generais demonstraram mais pudor no manejo de decretos-lei do que governos civis nas medidas provisórias.
A culpa é democratizada nesta crise, como declarou o ex-ministro e ex-presidente do STF Nelson Jobim: presidentes do Senado, líderes de governos no Congresso e ministros de articulação política. Tem-se de aproveitar o momento e trabalhar para o Congresso deixar de ser cartório carimbador de decisões do Executivo. Já aprovada no Senado, está na Câmara proposta de emenda constitucional do senador José Sarney, com algum disciplinamento na apreciação de MPs no Congresso. É preciso recolocá-la em discussão.
Constatado o tamanho do problema institucional criado pelo veredicto, com o surgimento de uma enorme zona de insegurança jurídica, não houve saída a não ser o recuo. Por oito a um, o Supremo determinou ao Congresso fazer o rito processual correto de aprovação da MP do Instituto, e, por sete a dois, teve de estabelecer que a decisão passaria a valer apenas para medidas provisórias editadas a partir de quinta-feira. De então para a frente, precisarão ser admitidas por comissão especial mista de senadores e deputados.
Se assim não decidisse o Supremo, 560 medidas provisórias poderiam ter o mesmo destino, e com os seus efeitos revogados, algo impensável. Seriam atingidas MPs de todos os governos, desde o de José Sarney. Da administração Fernando Henrique, por exemplo, a que fixou o salário mínimo de 2002. Na Era Lula, o Bolsa Família poderia ser revogado, e o mesmo aconteceria com Minha Casa, Minha Vida.
Embora espantoso, o recuo do Supremo tem respaldo em lei federal (9.868, de 1999), cujo artigo 27 faculta a Corte a “restringir efeitos” de declarações de inconstitucionalidade caso haja “razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social”. É o caso.
Passado o susto, é tratar de aproveitá-lo para se moralizar o uso de MPs. Filho legítimo do decreto- lei da ditadura militar, o instrumento surgiu na Constituição de 1988 para o Executivo não perder agilidade administrativa na redemocratização. A intenção foi desvirtuada, e a medida provisória se converteu em instrumento de uso excessivo e também descabido, como são as MPs “árvore de Natal”, cheias de penduricalhos diversos, sobre vários assuntos sem relação entre si, uma indiscutível ilegalidade.
No plano político mais amplo, a MP passou a servir para o Executivo avançar sobre espaços institucionais do Congresso. O Planalto começou também a legislar, de baixo para cima, sem pruridos. Lula, que na oposição abria fogo contra a emissão de MPs por Fernando Henrique Cardoso, editou 419 delas, nos dois mandatos, contra 365 nos também oito anos de poder do adversário tucano.
A tentação de governar sem o Congresso é grande no Brasil. E o próprio Legislativo ajuda, na sua leniência. Até os generais demonstraram mais pudor no manejo de decretos-lei do que governos civis nas medidas provisórias.
A culpa é democratizada nesta crise, como declarou o ex-ministro e ex-presidente do STF Nelson Jobim: presidentes do Senado, líderes de governos no Congresso e ministros de articulação política. Tem-se de aproveitar o momento e trabalhar para o Congresso deixar de ser cartório carimbador de decisões do Executivo. Já aprovada no Senado, está na Câmara proposta de emenda constitucional do senador José Sarney, com algum disciplinamento na apreciação de MPs no Congresso. É preciso recolocá-la em discussão.
Cartão amarelo para os manos - RUTH DE AQUINO
REVISTA ÉPOCA
O secretário-geral da Fifa deu um carrinho por trás – mas... vamos mesmo conseguir sediar a Copa?
Nada como um carrinho por trás para criar confusão dentro e fora de campo. A julgar pelo desfecho, a falta aconteceu em boa hora. A jogada desleal foi aplicada pelo francês Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, conhecido pelo estilo traiçoeiro. Em inglês, ele disse que o Brasil precisaria de “um pontapé no traseiro” se quisesse sediar direito a Copa do Mundo em 2014. Contundido moralmente, o Brasil peitou a Fifa e exigiu a expulsão de Valcke do gramado.
A turma do deixa-disso entrou na área. Valcke chamou o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, de “infantil”, depois amarelou e pediu desculpas à torcida verde-amarela. O Brasil aceitou e resolveu mexer – se não no time, pelo menos na velocidade e na precisão dos passes. Os manos aparentemente se reconciliaram, mas... vamos mesmo cumprir a tempo todas as obras na infraestrutura e fazer uma boa exibição em 2014?
Valcke expressou em linhas tortas o que temos falado na rua, no botequim, na praia, no trabalho: está difícil acreditar. Nem digo mais na Seleção, mas na agilidade (!!!) do Congresso, que vive adiando a votação da Lei Geral da Copa. Está difícil acreditar nos prazos e excelência dos estádios, nos serviços de hotelaria, transporte, aeroportos. Está difícil acreditar na honestidade no Brasil. Ou somos injustos?
Ao rolar e espernear, o Brasil exagerou. Simulou. A falta de Valcke não foi tão grave assim – embora tenha sido mal-educado e inconveniente. Deveria ser parceiro, e não adversário. Sua chinelada verbal pode ter um mérito: virar o jogo a favor da Copa brasileira, ao mexer com os brios de uma equipe burocrática, comandada pelo sonolento Rebelo.
É importante saber exatamente o que Valcke disse. O francês culpou os tradutores. Alegou que queria apenas sugerir ao Brasil: “Acelere o ritmo”. Sua declaração, literal, foi: “Lamento, mas as coisas não estão funcionando no Brasil. A gente espera mais apoio – há essas discussões infindáveis sobre a Lei Geral da Copa. Deveríamos ter recebido esses documentos assinados em 2007 e estamos em 2012. A gente tem de acelerar, dar um chute no traseiro e realizar esta Copa do Mundo, e é isso o que nós faremos”.
Fora o trecho polêmico, o restante da declaração de Valcke me pareceu um alerta bem mais importante. Ele confirmou que não há “plano B” para o país anfitrião da Copa e que o torneio se realizará no Brasil. Mas advertiu que “os torcedores vão sofrer”. Bem, nós temos medo de sofrer também, não?Cinco dias após o chute no bumbum sugerido pelo secretário-geral da Fifa, a comissão especial da Câmara aprovou o projeto de lei da Copa, assegurando a venda de bebida alcoólica nos jogos do Mundial em 2014. O texto ainda precisa ser votado no plenário da Câmara, depois no Senado. Alguém, sóbrio ou bêbado, acha o Congresso brasileiro ágil nas votações que interessam à população e não ao bolso dos congressistas?
“Não há hotéis suficientes em todos os Estados. Há, sim, mais que o suficiente em São Paulo e no Rio de Janeiro (ele foi gentil), mas, se pensarmos em Manaus, é preciso mais. Digamos que, em Salvador, a Inglaterra jogue com a Holanda e que haja no estádio 12% de torcedores ingleses e 12% de holandeses. Isso representa cerca de 15 mil torcedores. A cidade é bonita, mas é preciso melhorar o transporte para o estádio e a organização.” Não é verdade? Nosso Ronaldo, do Comitê Organizador Local da Copa, concordou com Valcke: “Ainda tem muita coisa atrasada”.
Como a decisão brasileira foi espalhar os jogos pelo país e não concentrá-los numa região, ao contrário do desejo inicial da Fifa, isso significa, disse Valcke, que, “se um torcedor quiser seguir seu time, terá de voar 8.000 quilômetros”. A Fifa apoiou a decisão, mas “é preciso assegurar que torcedores e jornalistas possam acompanhar sua seleção nacional”. Alguém discorda? Eu não. Na verdade, eu me preocupo muito, e não só com isso.
Eu me preocupo também com o “Grande Irmão”, o Mano, e sua capacidade de treinar uma Seleção que faça jus a nossa tradição e a nossos craques. Na semana passada, vimos o show do Messi. Também vimos o show do Neymar, 20 aninhos de muito talento, em busca de um técnico seguro e competente que saiba armar e inspirar um time campeão. Porque não podemos depender apenas de rompantes individuais de genialidade.
Como carioca, cresci indo ao Maracanã com meus pais aos domingos. É um descalabro imaginar que a Seleção possa nem chegar a jogar no estádio mais mítico do mundo na Copa de 2014 – caso não dispute a final. Vamos chutar, não no traseiro da Fifa, mas no gol, com brilho e decisão. Estamos na torcida. Temos futebol para isso. Acelera, Brasil.
Constituição provisória - FERNANDO RODRIGUES
FOLHA DE SP - 10/03/12
BRASÍLIA - O Supremo Tribunal Federal cometeu uma de suas maiores lambanças nesta semana. Na quarta-feira, pronunciou inconstitucional a forma como foi aprovada a medida provisória que havia criado o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). No dia seguinte, revogou sua decisão por clara pressão política e por vislumbrar consequências devastadoras na estrutura jurídica do país.
Não é novidade nem é proibido o STF mudar de opinião. Às vezes é até bom, e alguns ministros usam um eufemismo ao votar de maneira diferente. "Eu não mudei. Evolui", já me disse um deles. Mas chamou a atenção agora a velocidade com que a decisão foi reformada.
Para resumir, na quarta-feira o STF achou que o Congresso desrespeitou a Constituição ao não submeter as medidas provisórias a uma comissão mista de senadores e deputados. A regra existe desde 2001. Por consequência do julgamento, a MP do Instituto Chico Mendes tornou-se inconstitucional.
No dia seguinte, notou-se o óbvio: se a MP do Instituto Chico Mendes foi aprovada de forma inconstitucional, todas as outras cerca de 500 MPs editadas desde 2001 também passariam a ser irregulares. Ou seja, o Brasil em breve seria alvo de um tsunami de ações judiciais contestando leis vigentes.
Aí o STF enveredou por um caminho perigoso. Declarou ser constitucional o que foi, de fato, inconstitucional de 2001 para cá. O recuo se deu, em tese, para evitar instabilidade jurídica. Só que os magistrados determinaram também que, daqui para a frente, o Congresso deverá mudar seu ritual e votar MPs de acordo com a Carta Magna.
Tudo somado, o Supremo inaugurou uma nova era no Brasil. De 2001 até esta semana, o país teve uma espécie de "Constituição provisória". Valia pela metade. Agora, será para valer. Alguém acredita?
Mudanças climáticas no setor elétrico - ADRIANO PIRES e ABEL HOLTZ
O ESTADÃO - 10/03/12
As recentes inundações ocorridas no Acre e em parte do Amazonas dão uma visão clara da mudança da afluência nos rios da região dada por uma pluviometria excepcional nos últimos 30 anos. A grande quantidade de água trazida pode ser vista como uma riqueza que escorreu pelo nosso território e desaguou no oceano sem nenhum benefício ao País. Ao contrário, causou prejuízos às populações da região.
Essa percepção de perdas sem benefícios pode ser estendida às regiões onde é estudada a construção de novas hidrelétricas na região amazônica. Nestas usinas, não havendo reservatórios para acumular essa riqueza representada pela afluência dada pela pluviometria, a mesma perda agora constatada se repetirá. Porém, se forem construídas hidrelétricas com reservatórios, teremos uma mina - riqueza pertencente à nossa sociedade que deve ser explorada.
Não é desconhecida a posição já defendida perante o governo no sentido de criar áreas específicas em torno dos locais visualizados para a construção das hidrelétricas, como reservas protegidas similares àquelas já definidas para etnias, preservação ambiental, etc. Considerando que as hidrelétricas, no seu cômputo geral, não afetam os compromissos relacionados ao efeito estufa assumidos pelo País diante da comunidade internacional - as hidrelétricas contribuem com meros 15% das emissões, enquanto o desmatamento, com 70% -, apesar de correntes ambientalistas afirmarem o contrário, a construção de reservatórios seria uma decisão soberana.
Numa outra vertente, cabe registrar que as mudanças na afluência dos rios resultantes das mudanças climáticas seriam motivo de força maior para os geradores, permitindo-lhes rever a energia garantida de seus empreendimentos de acordo com os novos registros. Quando as hidrelétricas têm reservatórios plurianuais, é possível que os investimentos feitos em máquinas e geradores possam ser usados em plenitude durante todo o ano, levando a uma viabilidade mais bem qualificada e, consequentemente, a preços de geração de energia mais baratos.
Cabe chamar a atenção para que, no caso da adoção das áreas preservadas para a construção de hidrelétricas, também será preciso criar faixas de domínio entre essas regiões e o Sistema Integrado Nacional e os centros de carga, para permitir a construção das linhas de transmissão que transportarão a energia gerada nas hidrelétricas. Neste caso, essas faixas deverão ser objeto de compensações ambientais antecipadamente definidas, por terem de passar por diferentes biomas em Estados da Federação. Esse aspecto de relevância, ainda não destacado, está inserido na realidade atual em que 70% das linhas de transmissão estão atrasadas.
Outro aspecto frequentemente mencionado diz respeito à complementaridade das fontes renováveis representada pela eólica e a biomassa. É de conhecimento de todos que militam no setor que, nos períodos de estiagem, as eólicas são complementares às hidrelétricas do Nordeste e a biomassa é complementar às hidrelétricas do Sudeste. O fato é constatável porque as hidrelétricas dessas regiões foram construídas sem os constrangimentos que atualmente são impostos e têm reservatórios plurianuais.
Verificado o potencial de geração eólica trazido pelo aprimoramento técnico, a construção em torres mais altas e os futuros parques no offshore da nossa extensa costa, ao mesmo tempo que as condições para a expansão da biomassa são estabelecidas, vai faltar reservatório para acumular água, porque as hidrelétricas antigas não poderão expandir sua capacidade de reservação e as novas têm sido construídas a fio d'água.
Nossa reflexão é de que o efeito dessas mudanças climáticas no âmbito das hidrelétricas nos leva a acreditar que sua construção com reservatórios plurianuais é uma questão de interesse nacional e não pode estar à mercê de percepções espúrias e forjadas por outros interesses, nem sempre claros e direcionados ao nosso povo.
A taxa desacelera, mas será possível reajustar a gasolina? - LUIZ ROBERTO CUNHA
FOLHA DE SP - 10/03/12
O IPCA de fevereiro, 0,45%, veio dentro das previsões e manteve a trajetória de desaceleração da variação acumulada em 12 meses, agora 5,85%, primeiro resultado abaixo de 6,0% desde janeiro de 2011. Este resultado deve ter sido comemorado pelo BC, pois continua sinalizando uma trajetória em direção ao centro da meta, mesmo com as sucessivas e intensificadas reduções da Selic.
Grande parte deste resultado deve-se à evolução neste início de ano dos preços de alimentos e transportes públicos, que, ao contrário de 2011, apresentam uma evolução bem mais favorável.
Os serviços continuam pressionando. A redução de 9,20% para 8,10% na variação acumulada em fevereiro deve ser qualificada. A partir deste ano, o BC modificou a composição deste grupo, incluindo passagens aéreas (antes consideradas preços administrados) e alimentação fora (antes não duráveis).
Tecnicamente a nova classificação é correta, mas como as passagens aéreas na coleta do IPCA vêm apresentando grande volatilidade (em janeiro, alta de 10,61%, em fevereiro, deflação de 8,84%), agora temos volatilidade nas decisões do BC e também nos serviços... Mas o importante é olhar para a frente. O que esperar da inflação em 2012 e qual o efeito de uma política monetária mais "flexível" sobre a inflação.
Sabemos que, apesar da trajetória de desaceleração no IPCA nos próximos meses, mesmo com taxas mensais um pouco mais elevadas, devido à comparação com os resultados de 2011, a partir de junho começa a ficar mais difícil essa desaceleração. Seria importante para que as expectativas do mercado não se "descolem" muito em relação à atuação do BC que no acumulado até maio os resultados estivessem pelo menos um pouco abaixo de 5%.
Isso até é possível, mas para tanto dois importantes reajustes deverão ser mais uma vez adiados. Um é o da gasolina, cujo preço vem apresentando defasagem e prejudicando a Petrobras. O outro é o do cigarro, cujo reajuste de 25% anunciado para o final de 2011, visando organizar o mercado, reduzindo o contrabando, foi adiado para abril, e isso garantiu que o topo da meta de 6,5% em 2001 não fosse ultrapassado.
Ou seja, como parece que o BC tem hoje duplo mandato, inflação e atividade, sabemos que uma inflação em 2012 próxima de 5% com um crescimento mais para 4% estaria dentro de seus objetivos.
Mas é importante que isso não seja alcançado adiando reajustes necessários, pois isso afeta a credibilidade da política econômica, o que poderia, mesmo com as enormes incertezas na economia mundial, afetar a inflação em 2013, desviando-a ainda mais dos 4,5% do centro da meta.
Ignorância é força - PAUL KRUGMAN
O ESTADÃO - 10/03/12
Os dois principais candidatos republicanos se apresentam como defensores dos valores tradicionais americanos, mas conspiram contra o maior deles: educação para todos
Uma área na qual os americanos sempre foram excepcionais é o amparo à educação. Primeiro assumiram a liderança na educação primária universal. Depois, o "movimento high school" tornou o país o primeiro a adotar a educação secundária generalizada. Após a 2ª Guerra, o respaldo público, incluindo a GI Bill (lei que garantia ensino secundário e vocacional a veteranos da 2ª Guerra) e uma enorme expansão das universidades públicas, ajudou uma grande quantidade de americanos a obter uma formação universitária.
Agora, porém, um dos principais partidos políticos fez uma virada brusca à direita contra a educação, ou, ao menos, contra a educação que americanos trabalhadores podem pagar. O curioso é que essa nova hostilidade à educação é compartilhada pelas alas conservadora social e conservadora econômica da coalizão republicana, ora representadas nas pessoas de Rick Santorum e Mitt Romney. E isso vem num momento em que a educação americana já se encontra em dificuldades profundas.
Sobre essa hostilidade: Santorum ganhou manchetes ao declarar que o presidente Barack Obama quer ampliar a matrícula universitária porque as faculdades são "usinas de doutrinação" que destroem a fé religiosa.
A resposta de Romney a um aluno do último ano do ensino secundário preocupado com os custos da universidade é, possivelmente, ainda mais significativa, porque o que ele disse aponta para opções políticas reais que prejudicarão ainda mais a educação americana. Eis o que o candidato falou ao estudante: "Não vá para a que tem o preço mais alto. Vá para a que tem o preço um pouco mais baixo onde você possa obter uma boa educação. E você, com certeza, a encontrará. E não espere que o governo perdoe a dívida que assumir". Uau. Isso sobre a tradição dos EUA de oferecer ajuda a estudantes. As observações de Romney foram ainda mais insensíveis e destrutivas, dado o que vem ocorrendo ultimamente na educação superior americana.
Nas duas últimas gerações, escolher uma escola menos cara geralmente significava ir para uma universidade pública em vez de uma universidade privada. Hoje em dia, a educação superior pública está muito mais sitiada, enfrentando cortes orçamentários mais duros que o restante do setor público. Corrigida pela inflação, a ajuda estatal ao ensino superior caiu 12% nos últimos cinco anos, apesar de o número de alunos continuar crescendo; na Califórnia, a ajuda diminuiu 20%.
Um resultado tem sido a elevação das taxas. A anuidade corrigida pela inflação em faculdades públicas de quatro anos subiu mais de 70%. Portanto, boa sorte para descobrir aquela faculdade com "um preço um pouco mais baixo".
Outro resultado é que instituições de ensino com problemas de caixa vêm fazendo cortes em áreas cujo ensino é caro - que são precisamente as áreas de que a economia necessita. Por exemplo, faculdades públicas em alguns Estados, incluindo Flórida e Texas, eliminaram departamentos inteiros de engenharia e ciência da computação.
Os danos que essas mudanças causarão - tanto para as perspectivas econômicas dos EUA como para o evanescente sonho americano das oportunidades iguais - deveriam ser óbvios. Então, por que os republicanos estão tão ansiosos para sucatear a educação superior? Não é difícil perceber que o que está impelindo a ala de Santorum do partido. Sua alegação específica de que frequentar a universidade solapa a fé é falsa. Mas ele está certo ao sentir que nosso sistema de educação superior não é um terreno amigável para a ideologia conservadora corrente. E não são apenas os professores de ciências humanas: entre os cientistas, os democratas declarados superam de nove para um os republicanos declarados.
Imagino que Santorum veria isso como evidência de uma conspiração liberal. Outros poderiam sugerir que os cientistas têm dificuldade de apoiar um partido no qual a negação da mudança climática se tornou um teste político, e a negação da teoria da evolução está a caminho de um status similar. Mas e as pessoas como Romney? Será que elas não têm interesse no sucesso econômico futuro dos EUA, colocado em risco pela cruzada contra a educação? Talvez não tanto quanto se pensa. Afinal, nos últimos 30 anos, houve uma chocante desconexão entre os ganhos de renda enormes no topo e as mazelas dos trabalhadores comuns.
Pode-se defender que o interesse próprio da elite americana é mais bem servido assegurando que essa desconexão continue, o que significa manter baixos os impostos sobre rendas altas a todo custo, sejam quais forem as consequências em termos de infraestrutura precária e uma força de trabalho despreparada.
Se a educação pública subfinanciada deixa muitos filhos dos menos ricos sem mobilidade social para cima, bem, dá para acreditar mesmo naquela história de criar igualdade de oportunidades? Portanto, sempre que ouvir republicanos dizerem que eles são o partido dos valores tradicionais, tenha em mente que eles já fizeram de fato uma ruptura radical com a tradição dos EUA de valorizar a educação. E fizeram essa ruptura porque acreditam que o que você não sabe não pode prejudicá-los. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK
PAC atrasado - EDITORIAL FOLHA DE SP
FOLHA DE SP - 10/03/12
Balanço da segunda fase do programa federal expõe as dificuldades do governo de investir e mostra necessidade de remover empecilhos
Em que pese a retórica autopromocional, o governo não consegue afastar a impressão de inépcia quando se trata de elevar investimentos. No primeiro ano do PAC 2, a segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento, foram executados R$ 204,4 bilhões, equivalentes a 21% do total previsto para o período 2011-2014.
Tentou-se passar a ideia de que não há atrasos do governo, mas parte dos recursos considerados como do PAC incluem na realidade, além de desembolsos públicos, projetos tocados pelo setor privado e também por empresas estatais.
Do valor investido em 2011, R$ 75,1 bilhões são financiamentos imobiliários. O governo teve o mérito de atrair as construtoras para o programa Minha Casa, Minha Vida, mas o volume de investimentos advém muito mais da procura por casas do que de aportes da União.
Outros R$ 60,2 bilhões são estatais, com participação majoritária da Petrobras. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, cobrou investimentos de R$ 89 bilhões da empresa neste ano, mas não será fácil cumprir tal objetivo. A estatal tem enfrentado muitos problemas para executar o que anuncia.
As pressões de custo só fazem crescer, enquanto a produção sobe pouco -e a resistência do governo em aumentar os preços de combustíveis prejudica a receita.
Por fim, o setor privado fez investimentos de R$ 35,3 bilhões, deixando para a administração direta a diminuta parcela de R$ 20,3 bilhões, cerca de 10% do total.
A lista de obras em atraso, na realidade, é longa. Compilação publicada pelo "Valor Econômico" mostrou casos de sucesso, como as hidroelétricas de Jirau e Santo Antônio, mas os maus exemplos são mais numerosos. Investimentos como a extensão da Ferrovia Norte-Sul entre Palmas (TO) e Anápolis (GO), e a ligação entre Ilhéus e Barreiras, na Bahia, ficarão prontos dois anos depois do previsto.
São graves os problemas gerenciais -para não falar dos desvios. É preciso enfrentar os empecilhos burocráticos, rever os procedimentos de licitação e tornar as leis mais adequadas à execução eficiente dos investimentos.
Com frequência, as melhores intenções esbarram em problemas legais, ineficácia dos Tribunais de Contas e outros fatores que comprometem a rentabilidade necessária para atrair o setor privado.
Já que no Brasil não mudam os problemas, tampouco mudam as soluções, como disse certa vez o economista Roberto Campos (1917-2001). É preciso, portanto, trabalhar para sanar antigas deficiências. O país necessita de legislação e controles adequados, flexibilidade gerencial, qualificação dos servidores públicos e uma concepção estratégica mais clara acerca dos investimentos prioritários.
CLAUDIO HUMBERTO
“Estou concorrendo para ganhar”
Gabriel Chalita (PMDB), candidato a prefeito de São Paulo, negando papel de figurante
Partidos aliados ameaçam até devolver cargos
Os partidos aliados resolveram se unir contra o avanço do PT no aparelhamento do governo Dilma Rousseff, segundo acordo fechado informalmente pelos respectivos líderes de bancada, no Senado e na Câmara. Também combinaram devolver, em bloco, os cargos que lhes restam no governo, caso a situação não se altere em curtíssimo prazo. A rejeição ao diretor-geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) “foi apenas um aviso”, adverte um deputado do PMDB.
Ânimos acirrados
Na derrubada do diretor-geral da ANTT, senadores da base celebraram o feito, como Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). Ele tremia de raiva.
Partidos da boquinha
O PT superou há muito tempo a ganância do PMDB por espaço no governo. Apresenta candidatos a qualquer vacância de cargo.
Caso único
Ao contrário de todos os outros, Marcelo Crivella (Pesca) foi o primeiro ministro de outro partido assumindo um cargo que era de um petista.
Mamãe eu quero
A insatisfação do PMDB, traduzida no manifesto “Mamãe eu quero”, acabou aglutinando toda a base aliada.
PT agora ambiciona o cargo de líder do governo
O PT se mobiliza para tentar derrubar o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), um dos cargos que o partido mais ambiciona. Os petistas tentam convencer a presidente Dilma de que a bancada do PMDB está “fora de controle” e que Jucá não teria condições de continuar conduzindo os interesses do governo. E culpam Jucá pela rejeição de Bernardo Figueiredo para o cargo de diretor-geral da ANTT.
Enigma
O senador Lindberg Faria (PT-RJ) ataca a atuação de Romero Jucá. Neófito, não entende por que todos o querem como líder do governo.
Passado tucano
Outro argumento petista é o histórico do líder: Romero Jucá já foi do PSDB e chegou a ocupar a vice-liderança do ex-presidente FHC.
Nó em pingo d’água
Político profissional, Romero Jucá aprecia vitórias apertadas no plenário, por dois ou três votos. Dá a impressão de que o mérito é dele.
Salvador da pátria
Petistas estão aliviados: convidado, o criminalista e ex-ministro Márcio Thomaz Bastos ainda reluta em assumir a defesa de Carlos Cachoeira, empresário de jogatina. Ele pode alegar dez milhões de motivos para recusar, mas terá outros dezoito milhões de argumentos para aceitar.
Passos na ANTT
Quem disse que Dilma não joga xadrez político? Ela pode fazer uma limonada da derrota no Senado, indicando o ministro dos Transportes, seu amigo Paulo Passos, para a diretoria-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Com isso, liquidaria a crise com o PR.
Torre de Babel
A prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, e o governador do Ceará, Cid Gomes, consideram a cada dia mais distante uma aliança PT-PSB para as eleições a prefeito de Fortaleza. Eles não se entendem.
Refresco sírio
A agência oficial de notícias síria Sana elogiou a insistência do Brasil no “diálogo”, destacando o papel da deputada Manuela d’Ávila (PCdoB-RS) na Câmara. A lindinha só vê o que quer: ela não culpa o tirano Bashar Al-Assad pela matança, e sim “forças externas” e “terrorismo”.
Seguro pirata na TV
A Superintendência de Seguros Privados investiga uma empresa que oferece Mega Proteção Veicular em canais a cabo esportivos da Globo, que foi informada da ilegalidade. Seria apenas uma “associação sem fins lucrativos”, com site e telefone.
Esforço circense
Na posse de Sérgio Gabrielli em seu secretariado, ontem, o governador da Bahia, Jacques Wagner, exibiu talento artístico para não desagradar os pré-candidatos à sua sucessão, jurando não ter favoritos. Mas tem.
Pinta de candidato
A facção petista majoritária Construindo um Novo Brasil, liderada por Lula e da qual fazem parte Wagner e José Dirceu (que foi à festa), já definiu: Sérgio Gabrielli será o candidato do PT ao governo da Bahia.
Também quero
Querem disputar o governo da Bahia, com aval de Wagner, o chefe da Casa Civil, Rui Costa, os prefeitos Luiz Caetano (Camaçari) e Moema Gramacho (Lauro de Freitas) e a senadora Lídice da Mata (PCdoB-BA).
Pergunta na arquibancada
Se em vez de “chute no traseiro”, o chefão francês da Fifa tivesse dito vada a bordo, cazzo, a reação do Brasil seria a mesma?
PODER SEM PUDOR
Rara sinceridade
Adhemar de Barros era governador de São Paulo e foi obrigado – por razões protocolares – a receber o então presidente do Senegal, Leopold Senghor, que visitava a cidade. Ele teve de acompanhar o dirigente africano em passeios intermináveis. No dia seguinte, ao chegar no aeroporto para a despedida, o governador disse a jornalistas, com estonteante sinceridade:
– Não sei o que ele veio fazer aqui. Comprar o quê? Assinar o quê? Nem sei onde fica o Senegal – disse, exagerando.
Gabriel Chalita (PMDB), candidato a prefeito de São Paulo, negando papel de figurante
Partidos aliados ameaçam até devolver cargos
Os partidos aliados resolveram se unir contra o avanço do PT no aparelhamento do governo Dilma Rousseff, segundo acordo fechado informalmente pelos respectivos líderes de bancada, no Senado e na Câmara. Também combinaram devolver, em bloco, os cargos que lhes restam no governo, caso a situação não se altere em curtíssimo prazo. A rejeição ao diretor-geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) “foi apenas um aviso”, adverte um deputado do PMDB.
Ânimos acirrados
Na derrubada do diretor-geral da ANTT, senadores da base celebraram o feito, como Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). Ele tremia de raiva.
Partidos da boquinha
O PT superou há muito tempo a ganância do PMDB por espaço no governo. Apresenta candidatos a qualquer vacância de cargo.
Caso único
Ao contrário de todos os outros, Marcelo Crivella (Pesca) foi o primeiro ministro de outro partido assumindo um cargo que era de um petista.
Mamãe eu quero
A insatisfação do PMDB, traduzida no manifesto “Mamãe eu quero”, acabou aglutinando toda a base aliada.
PT agora ambiciona o cargo de líder do governo
O PT se mobiliza para tentar derrubar o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), um dos cargos que o partido mais ambiciona. Os petistas tentam convencer a presidente Dilma de que a bancada do PMDB está “fora de controle” e que Jucá não teria condições de continuar conduzindo os interesses do governo. E culpam Jucá pela rejeição de Bernardo Figueiredo para o cargo de diretor-geral da ANTT.
Enigma
O senador Lindberg Faria (PT-RJ) ataca a atuação de Romero Jucá. Neófito, não entende por que todos o querem como líder do governo.
Passado tucano
Outro argumento petista é o histórico do líder: Romero Jucá já foi do PSDB e chegou a ocupar a vice-liderança do ex-presidente FHC.
Nó em pingo d’água
Político profissional, Romero Jucá aprecia vitórias apertadas no plenário, por dois ou três votos. Dá a impressão de que o mérito é dele.
Salvador da pátria
Petistas estão aliviados: convidado, o criminalista e ex-ministro Márcio Thomaz Bastos ainda reluta em assumir a defesa de Carlos Cachoeira, empresário de jogatina. Ele pode alegar dez milhões de motivos para recusar, mas terá outros dezoito milhões de argumentos para aceitar.
Passos na ANTT
Quem disse que Dilma não joga xadrez político? Ela pode fazer uma limonada da derrota no Senado, indicando o ministro dos Transportes, seu amigo Paulo Passos, para a diretoria-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Com isso, liquidaria a crise com o PR.
Torre de Babel
A prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, e o governador do Ceará, Cid Gomes, consideram a cada dia mais distante uma aliança PT-PSB para as eleições a prefeito de Fortaleza. Eles não se entendem.
Refresco sírio
A agência oficial de notícias síria Sana elogiou a insistência do Brasil no “diálogo”, destacando o papel da deputada Manuela d’Ávila (PCdoB-RS) na Câmara. A lindinha só vê o que quer: ela não culpa o tirano Bashar Al-Assad pela matança, e sim “forças externas” e “terrorismo”.
Seguro pirata na TV
A Superintendência de Seguros Privados investiga uma empresa que oferece Mega Proteção Veicular em canais a cabo esportivos da Globo, que foi informada da ilegalidade. Seria apenas uma “associação sem fins lucrativos”, com site e telefone.
Esforço circense
Na posse de Sérgio Gabrielli em seu secretariado, ontem, o governador da Bahia, Jacques Wagner, exibiu talento artístico para não desagradar os pré-candidatos à sua sucessão, jurando não ter favoritos. Mas tem.
Pinta de candidato
A facção petista majoritária Construindo um Novo Brasil, liderada por Lula e da qual fazem parte Wagner e José Dirceu (que foi à festa), já definiu: Sérgio Gabrielli será o candidato do PT ao governo da Bahia.
Também quero
Querem disputar o governo da Bahia, com aval de Wagner, o chefe da Casa Civil, Rui Costa, os prefeitos Luiz Caetano (Camaçari) e Moema Gramacho (Lauro de Freitas) e a senadora Lídice da Mata (PCdoB-BA).
Pergunta na arquibancada
Se em vez de “chute no traseiro”, o chefão francês da Fifa tivesse dito vada a bordo, cazzo, a reação do Brasil seria a mesma?
PODER SEM PUDOR
Rara sinceridade
Adhemar de Barros era governador de São Paulo e foi obrigado – por razões protocolares – a receber o então presidente do Senegal, Leopold Senghor, que visitava a cidade. Ele teve de acompanhar o dirigente africano em passeios intermináveis. No dia seguinte, ao chegar no aeroporto para a despedida, o governador disse a jornalistas, com estonteante sinceridade:
– Não sei o que ele veio fazer aqui. Comprar o quê? Assinar o quê? Nem sei onde fica o Senegal – disse, exagerando.
SÁBADO NOS JORNAIS
- Globo: Dilma demite ministro do PT por baixo desempenho
- Folha: Acordo da Grécia resulta no maior calote da história
- Estadão: Grécia dá calote histórico, mas mercado duvida do fim da crise
- Correio: Muito além da palmada
- Estado de Minas: Minas sofre na fila do transplante
- Jornal do Commercio: Banco inseguro sob pressão
- Zero Hora: Piratini promete R$ 172 milhões para reformar 388 escolas
sexta-feira, março 09, 2012
Cardeal Orani - ANCELMO GOIS
O GLOBO - 09/03/12
Até o fim do ano, Dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio, será elevado a cardeal.
O Papa não pode visitar uma cidade que não seja “sede cardinalícia” — e, como se sabe, Bento XVI virá ao Rio em 2013.
Bento e Eugênio...
Aliás, o Vaticano já decidiu. O Papa ficará hospedado no Sumaré, com o amigo Dom Eugênio Sales, que vive ali.
Já sua comitiva vai ficar no Mosteiro de São Bento.
E ainda...
O Vaticano cortou a cerimônia de entrega de chaves da cidade, proposta por Sérgio Cabral e Eduardo Paes.
Afinal, o Papa não é Rei Momo. A única autoridade que receberá Bento XVI é Dilma, no Palácio Laranjeiras.
Mulheres no leme
Giovana Morais, da Transpetro, teve motivo especial, ontem, para festejar o Dia da Mulher.
Foi promovida a capitã de cabotagem e é a segunda brasileira habilitada a comandar um navio da Marinha Mercante. A pioneira, Hildelene Bahia, também foi promovida: agora é capitã de longo curso e pode comandar navios em águas internacionais.
Marcha, soldado
Veja como as nossas Forças Armadas padecem de recursos. Quarta, no Colégio Militar do Rio, na Tijuca, além do calor de 35 graus nas salas sem ar-condicionado, não havia... água para beber.
Na hora do recreio, as cantinas aumentaram o preço da garrafinha de água para R$ 2.
Verissimo na Flip
Mestre Luis Fernando Verissimo topou fazer uma participação dupla na Flip 2012.
Falará na Flipinha e na Tenda dos Autores. Nosso Verissimo é recordista na festa do livro, em Paraty: esteve na primeira, em 2003, em 2004, 2005 e 2008.
Cidade da Música
Cláudio Petraglia, do Polo Rio Cine & Vídeo, não desistiu da licitação para administrar a Cidade da Música.
Participará da concorrência pelo Instituto Harmonya do Brasil, que também preside.
Xingu, o filme
A revista americana “Screendaily” publicou crítica em que chama “Xingu”, de Cao Hamburger, de “filme épico poderoso”.
As atuações de Felipe Camargo, João Miguel e Caio Blat nos papéis dos irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo Villas-Bôas também foram elogiadas. O longa foi selecionado para o Festival de Tribeca, em abril, em Nova York. Estreia no Brasil dia 6.
De volta
O carioca Paulo César Bernardes, publicitário e músico, está de volta ao Rio.
Vai comandar a agência África na cidade
LEANDRA LEAL e Mariana Ximenes, as lindas atrizes, encenam um chamego nas filmagens de “O uivo da gaita”, longa de Bruno Safafi e Ricardo Pretti, coproduzido pelo Canal Brasil. As duas serão Luana e Antônia, amigas que vivem um caso de amor. O filme, que estreia em 2013, é inspirado em produções de Júlio Bressane e Rogério Sganzerla nos anos 1970. Foi rodado em sete dias no Píer Mauá e na Casa das Canoas, no Rio
Ponte Betinho
Começou a tramitar ontem na Câmara o projeto 3388, que dá à Ponte Rio-Niterói o nome de Herbert de Souza, Betinho, no lugar de Presidente Costa e Silva.
É de autoria de nove deputados do PSOL, do PT e do PSB, integrantes da Comissão de Direitos Humanos, e atende a pleito de várias entidades, como Ibase, Teatro do Oprimido, Iser, Tortura Nunca Mais e Justiça Global.
Denúncia
O promotor Márcio Almeida denunciou ontem a delegada da Polícia Civil do Rio Daniela Rebelo por desacato.
Em janeiro, Daniela se envolveu em confusão com um oficial da PM numa blitz da Lei Seca, na Barra. O inquérito que apurou se o policial militar cometeu abuso de autoridade foi arquivado.
Sois rei
O príncipe Harry, do Reino Unido, dará uma entrevista exclusiva para Luciano Huck, amanhã, no Complexo do Alemão.
Vai ao ar dia 17.
Rio sem armas
Uma montanha de 150 mil armas usadas em crimes no Rio deve ser destruída em breve.
A destruição ficará a cargo do Exército e da Polícia Federal, em convênio do TJ-RJ com o Ministério da Justiça, costurado pelo deputado Alessandro Molon.
Cena carioca
Ontem, uma camelô vestida de Griselda, personagem de Lília Cabral na novela “Fina estampa”, gritava assim ao vender ferramentas, em Copacabana:
— Chave de grifo para estraçalhar o Pereirinha da sua vida! Viva o Dia da Mulher!
Até o fim do ano, Dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio, será elevado a cardeal.
O Papa não pode visitar uma cidade que não seja “sede cardinalícia” — e, como se sabe, Bento XVI virá ao Rio em 2013.
Bento e Eugênio...
Aliás, o Vaticano já decidiu. O Papa ficará hospedado no Sumaré, com o amigo Dom Eugênio Sales, que vive ali.
Já sua comitiva vai ficar no Mosteiro de São Bento.
E ainda...
O Vaticano cortou a cerimônia de entrega de chaves da cidade, proposta por Sérgio Cabral e Eduardo Paes.
Afinal, o Papa não é Rei Momo. A única autoridade que receberá Bento XVI é Dilma, no Palácio Laranjeiras.
Mulheres no leme
Giovana Morais, da Transpetro, teve motivo especial, ontem, para festejar o Dia da Mulher.
Foi promovida a capitã de cabotagem e é a segunda brasileira habilitada a comandar um navio da Marinha Mercante. A pioneira, Hildelene Bahia, também foi promovida: agora é capitã de longo curso e pode comandar navios em águas internacionais.
Marcha, soldado
Veja como as nossas Forças Armadas padecem de recursos. Quarta, no Colégio Militar do Rio, na Tijuca, além do calor de 35 graus nas salas sem ar-condicionado, não havia... água para beber.
Na hora do recreio, as cantinas aumentaram o preço da garrafinha de água para R$ 2.
Verissimo na Flip
Mestre Luis Fernando Verissimo topou fazer uma participação dupla na Flip 2012.
Falará na Flipinha e na Tenda dos Autores. Nosso Verissimo é recordista na festa do livro, em Paraty: esteve na primeira, em 2003, em 2004, 2005 e 2008.
Cidade da Música
Cláudio Petraglia, do Polo Rio Cine & Vídeo, não desistiu da licitação para administrar a Cidade da Música.
Participará da concorrência pelo Instituto Harmonya do Brasil, que também preside.
Xingu, o filme
A revista americana “Screendaily” publicou crítica em que chama “Xingu”, de Cao Hamburger, de “filme épico poderoso”.
As atuações de Felipe Camargo, João Miguel e Caio Blat nos papéis dos irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo Villas-Bôas também foram elogiadas. O longa foi selecionado para o Festival de Tribeca, em abril, em Nova York. Estreia no Brasil dia 6.
De volta
O carioca Paulo César Bernardes, publicitário e músico, está de volta ao Rio.
Vai comandar a agência África na cidade
LEANDRA LEAL e Mariana Ximenes, as lindas atrizes, encenam um chamego nas filmagens de “O uivo da gaita”, longa de Bruno Safafi e Ricardo Pretti, coproduzido pelo Canal Brasil. As duas serão Luana e Antônia, amigas que vivem um caso de amor. O filme, que estreia em 2013, é inspirado em produções de Júlio Bressane e Rogério Sganzerla nos anos 1970. Foi rodado em sete dias no Píer Mauá e na Casa das Canoas, no Rio
Ponte Betinho
Começou a tramitar ontem na Câmara o projeto 3388, que dá à Ponte Rio-Niterói o nome de Herbert de Souza, Betinho, no lugar de Presidente Costa e Silva.
É de autoria de nove deputados do PSOL, do PT e do PSB, integrantes da Comissão de Direitos Humanos, e atende a pleito de várias entidades, como Ibase, Teatro do Oprimido, Iser, Tortura Nunca Mais e Justiça Global.
Denúncia
O promotor Márcio Almeida denunciou ontem a delegada da Polícia Civil do Rio Daniela Rebelo por desacato.
Em janeiro, Daniela se envolveu em confusão com um oficial da PM numa blitz da Lei Seca, na Barra. O inquérito que apurou se o policial militar cometeu abuso de autoridade foi arquivado.
Sois rei
O príncipe Harry, do Reino Unido, dará uma entrevista exclusiva para Luciano Huck, amanhã, no Complexo do Alemão.
Vai ao ar dia 17.
Rio sem armas
Uma montanha de 150 mil armas usadas em crimes no Rio deve ser destruída em breve.
A destruição ficará a cargo do Exército e da Polícia Federal, em convênio do TJ-RJ com o Ministério da Justiça, costurado pelo deputado Alessandro Molon.
Cena carioca
Ontem, uma camelô vestida de Griselda, personagem de Lília Cabral na novela “Fina estampa”, gritava assim ao vender ferramentas, em Copacabana:
— Chave de grifo para estraçalhar o Pereirinha da sua vida! Viva o Dia da Mulher!
Presente de grego - DENISE ROTHENBURG
A votação do Senado foi a estreia de um novo ciclo de guerra interna no PMDB. A liderança de Renan Calheiros está em xeque. Não por acaso, Dilma pretende ampliar sua interlocução dentro do partido e ver como desviar seu governo das balas perdidas
A presidente Dilma Rousseff acordou de cabeça quente ontem, Dia Internacional da Mulher, tratando de mapear os erros que levaram à derrubada do nome de Bernardo Figueiredo da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O primeiro deles se refere à redoma em que vivem os comandantes meio avessos a ouvir os políticos. Ninguém lhes diz sem rodeios que o caos está instalado. Os líderes geralmente ficam no cerca-lourenço, "olha, tem um probleminha, mas nada grave" e por aí. Há vários dias, o Planalto recebe uma série de avisos de que nada vai bem no PMDB e nos partidos aliados. Não faltaram alertas sobre mais dia, menos dia, o governo ser surpreendido no plenário. Mas Dilma estava na Alemanha e, antes disso, tão requisitada a ajudar o PT a resolver São Paulo, esqueceu de verificar cuidadosamente o que ocorria entre os senadores.
O segundo problema era o PMDB. E, nessa seara, os entraves não dizem respeito apenas à relação de Dilma com o partido. Há tempos o partido vive uma guerra fria entre líderes e liderados. Os novos senadores, em sua maioria ex-governadores, desejam ter mais voz ativa. E os atuais comandantes, o líder da bancada, Renan Calheiros (AL), e o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), não querem perder o poder.
Ocorre que nenhum deles tem hoje um controle direto sobre a bancada como na Legislatura anterior. Entre aqueles que têm um ano de mandato e alguns mais antigos, há uma sensação generalizada de que os líderes do partido na Casa só trabalham para si mesmos. E parte do grupo dos novatos achava que uma derrota de Dilma, poderia ajudar a desestabilizar a liderança de Renan ao ponto de levar o Planalto a ouvir os outros senadores, em vez de ficar restrito à cúpula partidária.
Por falar em cúpula...
Dentro da própria ala que hoje comanda o PMDB também havia o sentimento de "dar um susto" em Dilma. Antes da votação, Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado, comentou com alguns colegas sua expectativa de levar o governo à vitória por um único voto. E, numa votação secreta, seu plano era perfeito: um placar apertado daria a Jucá e Renan o momento ideal para dizer ao Planalto que havia uma necessidade de dividir mais o jogo com eles. E, assim, esses líderes não perderiam a capacidade de comando. Como o resultado foi além do esperado, eles perderam o tom e Dilma passou a achar que nem Renan nem Jucá controlam o PMDB.
Essa não foi a primeira vez que os comandantes do PMDB tentaram usar de artifícios regimentais para dar um susto na presidente Dilma. Na votação da regulamentação da Emenda nº 29, aquela que amplia a aplicação de recursos na área de saúde, o governo não caiu na armadilha por muito pouco. Os peemedebistas tentaram convencer o Planalto de que era preciso manter a urgência. A derrota na votação era certa e os senadores terminariam aprovando a obrigatoriedade de o governo federal aplicar 10%. Alertado por outros senadores, o Planalto recuou e retirou a urgência da proposta. E, com um pouco mais de tempo para negociar, o governo saiu vitorioso.
A sensação que ficou entre alguns senadores ontem é a de que o Planalto foi induzido ao erro ao não apostar no adiamento da votação do nome de Bernardo para a ANTT. Se adiasse e organizasse melhor o jogo, o governo poderia ter vencido. Agora, entretanto, não adianta mais reclamar e sim evitar que isso se repita. Não por acaso, a presidente chamará outros senadores para conversar sobre a votação, a fim de ouvir o que pode ser feito e tentar decifrar o que pode fazer para que a guerra nas coxias peemedebistas não afete seu governo.
Por falar em coxias...
Da parte dos caciques, a ordem é tentar reorganizar o PMDB jogando o PT na roda: Renan, Sarney e Jucá não se esquecem de repetir que o PMDB só terá força se mantiver a unidade. Ocorre que esse discurso funcionou até o ano passado. Agora, não cola mais. Tudo indica que estamos diante de um novo ciclo de desavenças dentro do PMDB. E, quando isso acontece, sempre quem paga o pato é o governo federal.
Foi assim com Fernando Henrique Cardoso, foi assim com Lula, e, agora, chegou a vez de Dilma. Por coincidência, no Dia Internacional da Mulher, sobrou para Dilma uma corbélia de problemas. E, se pensarmos bem, leitor, no mundo dos homens em que ela vive, até a palavra flores representa encrenca. Basta ver a queda de braço entre o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendime, e o presidente da Previ, Ricardo Flores. Mas essa é outra história.
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