quarta-feira, janeiro 11, 2012
Problemas de repertório, o Barcelona e nós - LUIZ WERNECK VIANNA
O Estado de S.Paulo - 11/01/12
Os repertórios constituem um conjunto articulado de conhecimentos e de práticas, selecionados pela experiência, que se tornam dominantes quando amplamente compartilhados, tornando-se, assim, um instrumento de uso generalizado para os diferentes modos do agir social. Tanto podem assumir uma forma simples como, no caso das regras de etiqueta, se revestir da alta complexidade, do tipo das que se manifestam, por exemplo, na ciência, na música erudita e na política. Repertórios mudam, sempre contingenciados pelas alterações do gosto, pela emergência de novas necessidades ou de novos desafios, mas há sociedades e culturas que os protegem dos riscos da obsolescência, envolvendo-os numa aura mística, e até levantam muralhas, como na antiga China, a fim de garantir a permanência de princípios que sustentem dever existir harmonia entre o cosmo e a vida dos homens.
No Ocidente, sob a influência do Século das Luzes, temia-se a síndrome da imobilidade chinesa como um fim do mundo em que as rodas da História parariam de girar, como em Tocqueville, Marx, Nietzsche e Weber. A opção ocidental, decerto num processo que conheceu lutas sociais prolongadas e revoluções, foi a da permanente busca pela inovação do seu repertório cognitivo em todos os ramos da atividade humana, com o que se abriu passagem para o moderno, e desde então, nas conhecidas palavras de um grande autor, tudo o que antes parecia sólido estava condenado a se dissolver no ar, inclusive na China.
Somos filhos, neste extremo Ocidente ibérico em que nos encontramos, dessa mesma cultura, e uma boa testemunha disso está no vitorioso processo de modernização que, há décadas, subverte nossa paisagem econômica e social, implicando a emergência ao mundo dos direitos de massas de milhões que antes nem sequer os divisavam. Contudo, por processos inerentes à nossa formação, em que o Estado cumpriu, e segue cumprindo, papel determinante em todas as dimensões da vida social, continuamos prisioneiros de repertórios que nasceram à sombra da sua incontrastável presença em nossa História, em que pese a afirmação de uma já robusta sociedade civil. Assim é que o peronismo e o varguismo - dois casos clássicos de repertórios que nasceram na órbita do Estado, a seu modo e a seu tempo bem-sucedidos - seguem como presenças renitentes na Argentina e no Brasil, no primeiro caso, abertamente e no segundo, de modo dissimulado, sem ceder lugar mesmo diante das novas circunstâncias com que, atualmente, se defrontam.
No Brasil, essa patologia particular que se manifesta na dificuldade de abandonar surrados repertórios conta com antecedentes históricos vetustos. Angela Alonso, em seu importante estudo sobre a chamada geração de 1870 (Ideias em Movimento, Paz e Terra, 2002), argumenta persuasivamente que uma das razões para a queda do Império esteve na incapacidade de suas elites políticas, em meio a mudanças políticas e sociais - em boa parte desencadeadas por elas -, de abrir seu repertório a práticas e aos discursos que vinham à tona a partir da emergência de novos tipos sociais. Mais intrigante ainda, sinal aziago de que pode estar instalada uma caveira de burro em algum lugar da nossa História, é o processo que transcorre diante de nós quando testemunhamos, dia a dia, um repertório novo e promissor, conquistado em dura e longa luta, ter seu sentido contaminado precisamente pelo que visava a substituir.
Esse repertório novo não nos chegou de cima nem por meio de construções intelectuais arbitrárias sem amparo nas correntes de opinião que germinavam na sociedade civil. Ao contrário, é filho do movimento da resistência democrática à ditadura militar, encorpou-se a partir de meados dos anos 1970 e tomou forma no diagnóstico de que na raiz dos nossos males estava um processo de modernização conservadora que, a partir da chamada Revolução de 1930, recorrendo a fórmulas ora puramente repressivas, ora mais brandas - como no período JK -, sujeitava a sociedade a uma modelagem exercida pelo Estado.
Tal diagnóstico, no curso das lutas da resistência, adensou-se e se converteu no programa que serviu de plataforma para a convocação da Assembleia Constituinte de 1986, que, em suas linhas gerais, o adotou. Sua tópica gravitou em torno dos temas da autonomia da sociedade e da vida associativa quanto ao Estado, da descentralização e valorização do poder local e da abertura da esfera pública a uma ampla participação da cidadania. Além disso, aquele programa estava animado pela disposição de conter a discrição da administração pública, pleito que o constituinte reconheceu ao criar um complexo sistema de controle da sua operação, inclusive pelos novos papéis que concedeu ao Ministério Público. Estava aí, disponível para uma sociedade que experimenta notáveis mudanças em sua economia e em sua estrutura social, um novo repertório.
Mas há algo em nossa História, as marcas profundas do seu pathos conservador, que conspira para que velhos repertórios, como as marchinhas de carnaval, nunca saiam de moda, pois não se pode mais ignorar a ressurgência da síndrome típica dos nossos ciclos de modernização autoritária, já visível no retorno às práticas de centralização administrativa, ao modelo de capitalismo politicamente orientado, ao decisionismo que campeia na ação do Executivo e às esdrúxulas manias de grandeza nacional.
Provavelmente, foi esse pathos que atuou em nossa reação à acachapante derrota do Santos pelo Barcelona, que encontrou explicação, na maior parte da crítica especializada, por uma pretensa fidelidade do time catalão ao velho e vitorioso repertório do futebol brasileiro, que teria sido, em má hora, abandonado por nós. Decididamente, não foi assim, eles criaram um repertório novo, e isso, em geral, nos desconcerta.
O mundo como ele é - ANTONIO DELFIM NETO
FOLHA DE SP - 11/01/12
O observador desprevenido do caótico panorama mundial e das incertezas que este introduziu no que ele supunha ser a "ciência econômica" tem a tendência de fazer desta tábula rasa e procurar a salvação no pragmatismo irresponsável.
A crise que estamos vivendo não é uma daquelas ínsitas no particular sistema de economia de mercado, cujo codinome de guerra é "capitalismo". Foi produzida por uma avalanche do pensamento único, cujo codinome de guerra é "neoliberalismo", apoiado por Estados corrompidos pelo sistema financeiro internacional.
Quebrou-se, assim, o importante equilíbrio entre a urna e o mercado, que conduz, não linearmente, ao aperfeiçoamento civilizatório da "economia de mercado" -processo este que se renova e se civiliza um pouco mais a cada crise.
A economia tem a seu favor o fato de que muitas das suas "escolas" nunca aceitaram a hipótese dos mercados "perfeitos e capazes de se autorregularem", hipótese esta que produziu a tragédia em que vivemos. E mais. Um punhado de economistas antecipou e chamou a atenção para o que se armava em nome das "inovações financeiras" que iriam "facilitar o desenvolvimento e diminuir os custos de transação".
É hora, portanto, de reafirmar que existem mesmo princípios econômicos e realidades insuperáveis. Por exemplo, que há uma troca permanente e incontornável entre o consumo maior e o investimento menor no presente em contraposição a um consumo menor e a um emprego menor no futuro. Ou que é uma grande tolice tentar violar as identidades da contabilidade nacional.
É preciso reconhecer que não há um modelo de equilíbrio geral do qual se possam extrair recomendações normativas que permitam classificar, "a priori", como prejudicial ao desenvolvimento econômico qualquer política governamental.
É evidente, por outro lado, que não há nenhuma razão para supor que o Estado tenha sempre -e necessariamente- um conhecimento superior da realidade e, logo, que seja dotado da "onisciência" que recomenda sua "onipotência" e "onipresença" na economia.
Porém, quando se trata de política de desenvolvimento industrial, o Estado pode "contabilizar" melhor os efeitos diretos e indiretos de suas compras.
Ele pode "ver" (porque teoricamente pode agregá-los) os resultados sociais de uma produção industrial que o setor privado não pode internalizar em seus preços, mas a sociedade recebe como aumento de renda.
Não há nada de errado, "em princípio" e "a priori", contra o benefício ao produtor, desde que seja compensado -no custo das empresas compradoras- com créditos do Tesouro gerados pela alta da receita criada pelo valor adicionado da produção interna.
Defeito de fabricação - DORA KRAMER
O Estado de S.Paulo - 11/01/12
Os dois partidos com maior representação no Congresso, PT e PMDB, são aliados no âmbito nacional, mas disputam como adversários o poder local.
Foi assim em alguns Estados em 2010 e será assim em muitas capitais - por enquanto, 14 das 26 - em outubro próximo.
Há duas distorções aí. Cada qual à sua maneira, ambas representativas de um ambiente político onde prosperam as conveniências e definham as ideias e os ideais.
Um ex-parlamentar de longa e larga experiência no ramo chama atenção para a seguinte discrepância: em sistema eleitoral/partidário que se prezasse, natural seria que os dois maiores partidos de um País defendessem linhas de pensamento diversas.
E, portanto, deveriam ser concorrentes em todos os níveis, por representarem ideologicamente parcelas diferentes da sociedade.
Como entre nós não funciona assim, não há ideias e sim interesses a defender, toma-se como perfeitamente aceitável a parceria entre supostamente desiguais com vista apenas a colher vitórias eleitorais e depois compartilhar o exercício do poder.
Exatamente por causa do artificialismo programático em que se baseiam as alianças é que se torna possível duas legendas aliadas serem adversárias circunstanciais.
Sem que isso fira de morte a parceria. Ninguém duvida de que PT e PMDB se engalfinhem para valer nas eleições municipais e depois voltem, ainda que aos trancos e barrancos, à convivência no comando do País podendo até concorrer juntos de novo à Presidência da República.
Mas tudo que é torto tem preço e prazo de validade. Aquele mesmo político experiente que aponta desvio no que nos parece ser um curso natural, alerta para a impossibilidade de as coisas transcorrerem assim para sempre.
Com o decorrer do tempo há duas hipóteses para o futuro dessa aliança: ou o PT canibaliza o PMDB e o partido se destrói - ele cita o processo entre PSDB e DEM como exemplo - ou as lutas locais acabam se sobrepondo e a parceria se desfaz.
E por que não é possível se uniformizar as alianças nos planos federal, estadual e municipal, como tentou a Justiça ao impor a regra da verticalização, logo derrubada pelo Congresso?
Porque parceria "de cima" é sustentada na troca de vantagens, no jogo puramente fisiológico. "Embaixo", nas cidades, é que se dá a disputa de fato, pois ali está a fonte de poder real que determina a sobrevivência ou a falência de um partido.
Não por outro motivo as seções estaduais e municipais são as que reagem com veemência a coligações tão esdrúxulas - como a proposta do prefeito de São Paulo ao PT - que pareçam inaceitáveis aos olhos do eleitorado.
A história recente está cheia de exemplos de partidos cujas regionais perderam força e competitividade eleitoral, se acabaram por causa de equívocos na decisão de firmar alianças.
Carimbo. Há um debate no governo sobre a marca do governo de Dilma Rousseff: há quem defenda o investimento na simbologia do social e há quem considere melhor apostar na imagem de eficácia gerencial.
Ambas as propostas encontram obstáculos. O social seria um filão esgotado e definitivamente identificado com Lula.
O gerencial tem a realidade como adversária. Além de não ter visto, quando era chefe da Casa Civil, todas as irregularidades que resultaram na saída de ministros em seu primeiro ano de governo, Dilma não viu o uso político das verbas do Ministério da Integração Nacional, bem como nomeou Fernando Bezerra para o cargo e deixou que o irmão dele fosse por um ano presidente de estatal (Codevasf) subordinada à pasta.
Não são exatamente atitudes de gestora eficaz.
Alto lá. Queira o bom senso que PT, PSDB e prefeito de São Paulo não estejam pensando em transformar o drama da chamada cracolândia em matéria-prima de disputa eleitoral.
Se estiverem, conviria não avançarem nesse perigoso terreno da pusilanimidade a fim de não confirmarem a impressão de que perderam a noção do limite.
Os dois partidos com maior representação no Congresso, PT e PMDB, são aliados no âmbito nacional, mas disputam como adversários o poder local.
Foi assim em alguns Estados em 2010 e será assim em muitas capitais - por enquanto, 14 das 26 - em outubro próximo.
Há duas distorções aí. Cada qual à sua maneira, ambas representativas de um ambiente político onde prosperam as conveniências e definham as ideias e os ideais.
Um ex-parlamentar de longa e larga experiência no ramo chama atenção para a seguinte discrepância: em sistema eleitoral/partidário que se prezasse, natural seria que os dois maiores partidos de um País defendessem linhas de pensamento diversas.
E, portanto, deveriam ser concorrentes em todos os níveis, por representarem ideologicamente parcelas diferentes da sociedade.
Como entre nós não funciona assim, não há ideias e sim interesses a defender, toma-se como perfeitamente aceitável a parceria entre supostamente desiguais com vista apenas a colher vitórias eleitorais e depois compartilhar o exercício do poder.
Exatamente por causa do artificialismo programático em que se baseiam as alianças é que se torna possível duas legendas aliadas serem adversárias circunstanciais.
Sem que isso fira de morte a parceria. Ninguém duvida de que PT e PMDB se engalfinhem para valer nas eleições municipais e depois voltem, ainda que aos trancos e barrancos, à convivência no comando do País podendo até concorrer juntos de novo à Presidência da República.
Mas tudo que é torto tem preço e prazo de validade. Aquele mesmo político experiente que aponta desvio no que nos parece ser um curso natural, alerta para a impossibilidade de as coisas transcorrerem assim para sempre.
Com o decorrer do tempo há duas hipóteses para o futuro dessa aliança: ou o PT canibaliza o PMDB e o partido se destrói - ele cita o processo entre PSDB e DEM como exemplo - ou as lutas locais acabam se sobrepondo e a parceria se desfaz.
E por que não é possível se uniformizar as alianças nos planos federal, estadual e municipal, como tentou a Justiça ao impor a regra da verticalização, logo derrubada pelo Congresso?
Porque parceria "de cima" é sustentada na troca de vantagens, no jogo puramente fisiológico. "Embaixo", nas cidades, é que se dá a disputa de fato, pois ali está a fonte de poder real que determina a sobrevivência ou a falência de um partido.
Não por outro motivo as seções estaduais e municipais são as que reagem com veemência a coligações tão esdrúxulas - como a proposta do prefeito de São Paulo ao PT - que pareçam inaceitáveis aos olhos do eleitorado.
A história recente está cheia de exemplos de partidos cujas regionais perderam força e competitividade eleitoral, se acabaram por causa de equívocos na decisão de firmar alianças.
Carimbo. Há um debate no governo sobre a marca do governo de Dilma Rousseff: há quem defenda o investimento na simbologia do social e há quem considere melhor apostar na imagem de eficácia gerencial.
Ambas as propostas encontram obstáculos. O social seria um filão esgotado e definitivamente identificado com Lula.
O gerencial tem a realidade como adversária. Além de não ter visto, quando era chefe da Casa Civil, todas as irregularidades que resultaram na saída de ministros em seu primeiro ano de governo, Dilma não viu o uso político das verbas do Ministério da Integração Nacional, bem como nomeou Fernando Bezerra para o cargo e deixou que o irmão dele fosse por um ano presidente de estatal (Codevasf) subordinada à pasta.
Não são exatamente atitudes de gestora eficaz.
Alto lá. Queira o bom senso que PT, PSDB e prefeito de São Paulo não estejam pensando em transformar o drama da chamada cracolândia em matéria-prima de disputa eleitoral.
Se estiverem, conviria não avançarem nesse perigoso terreno da pusilanimidade a fim de não confirmarem a impressão de que perderam a noção do limite.
QUESTÕES DE FAMÍLIA - MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 11/01/12
Ana Lúcia Torre e Danton Mello estrearam a peça "Como se Tornar uma Super Mãe em 10 Lições" anteontem, no Teatro Gazeta. Os atores Tuna Dwek, Blota Filho e Débora Falabella, entre outros convidados, assistiram ao espetáculo, em São Paulo.
PEDRA DURA
O consumo de cimento no Brasil deu um salto de 7,6% no ano passado em relação a 2010: chegou a 64,6 milhões de toneladas. Desse total, cerca de 1 milhão foram importadas para fazer frente à demanda interna, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
PARA BAIXO
As projeções para 2012, no entanto, são de queda na importação, graças à provável desaceleração econômica. A entrada de novas unidades produtoras, com capacidade de fabricar 9 milhões de toneladas por ano, também acabou suprindo o crescimento acelerado dos últimos anos.
BILÍNGUE
Os romances "Se Eu Fechar os Olhos Agora" e "A Felicidade É Fácil", de Edney Silvestre, serão lançados em inglês. Os direitos das obras foram comprados pela editora americana Doubleday.
FORA DO PRAZO
Os advogados do estudante Leandro Hilário de Almeida, 23, entrarão com novo mandado de segurança se o MEC não der a ele acesso a sua prova do Enem, como determinado pela Justiça. Até o começo da tarde de ontem, o documento não havia sido disponibilizado. A defesa do estudante tem pressa, já que a o prazo de inscrição no Sisu (sistema de seleção das universidades que usam os resultados do Enem) expira amanhã.
VOZES UNIDAS
Cinco alunos do projeto Guri vão participar de um coral que reunirá jovens de todo o mundo para se apresentarem na Olimpíada e na Paraolimpíada de Londres.
NUM PALCO MAIOR
A peça "O Belo Indiferente", em cartaz em SP, vai virar filme. Os diretores Helena Ignez e André Guerreiro Lopes estão rodando cenas na capital paulista e aproveitarão uma viagem dela a Roterdã, na Holanda, como jurada de um festival de cinema, para também captarem imagens.
VIDA QUE SEGUE
O Hospital de Transplantes de SP inaugura neste mês um laboratório de análises patológicas. O local terá capacidade para realizar mais de 3.000 biópsias por mês em órgãos doados e em pacientes que receberam os transplantes.
PORTINARI NO SAMBA
Será na quinta-feira 16 de fevereiro, no Jockey Club do Rio, a abertura do evento de Carnaval Bailes do Rio, organizado por Ricardo Amaral e Alexandre Accioly. O tema será Portinari. As festas acontecerão até o dia 21. Haverá concurso de fantasias de adultos e crianças.
QUATRO EM UM
As atrizes Mariana Ximenes e Juliana Paes, a apresentadora Sabrina Sato e a top Alessandra Ambrósio se reúnem na próxima semana no Copacabana Palace, no Rio. Serão clicadas por Mert Alas e Marcus Piggott para a nova campanha da joalheria Vivara, no lugar de Gisele Bündchen. A direção de arte é de Giovanni Bianco.
CENAS DE AMOR
Alexandre Borges e Juliana Martins estrelam a peça "Eu Te Amo", que estreou no Teatro Folha. A estilista Lethicia Bronstein e os atores Graziela Jardim e André Corrêa, irmão do protagonista, estiveram no shopping Pátio Higienópolis.
CURTO-CIRCUITO
A peça "17 x Nelson - Parte 2" estreia hoje, às 21h30, no Teatro de Arena Eugênio Kusnet. Classificação etária: 14 anos.
A banda Smash Mouth se apresenta no dia 20 de maio, a partir das 22h, no Via Funchal. Classificação etária: 12 anos.
A comédia "E o Vento Não Levou" reestreia hoje, às 21h, no Teatro Folha. Classificação etária: livre.
com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY
PEDRA DURA
O consumo de cimento no Brasil deu um salto de 7,6% no ano passado em relação a 2010: chegou a 64,6 milhões de toneladas. Desse total, cerca de 1 milhão foram importadas para fazer frente à demanda interna, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
PARA BAIXO
As projeções para 2012, no entanto, são de queda na importação, graças à provável desaceleração econômica. A entrada de novas unidades produtoras, com capacidade de fabricar 9 milhões de toneladas por ano, também acabou suprindo o crescimento acelerado dos últimos anos.
BILÍNGUE
Os romances "Se Eu Fechar os Olhos Agora" e "A Felicidade É Fácil", de Edney Silvestre, serão lançados em inglês. Os direitos das obras foram comprados pela editora americana Doubleday.
FORA DO PRAZO
Os advogados do estudante Leandro Hilário de Almeida, 23, entrarão com novo mandado de segurança se o MEC não der a ele acesso a sua prova do Enem, como determinado pela Justiça. Até o começo da tarde de ontem, o documento não havia sido disponibilizado. A defesa do estudante tem pressa, já que a o prazo de inscrição no Sisu (sistema de seleção das universidades que usam os resultados do Enem) expira amanhã.
VOZES UNIDAS
Cinco alunos do projeto Guri vão participar de um coral que reunirá jovens de todo o mundo para se apresentarem na Olimpíada e na Paraolimpíada de Londres.
NUM PALCO MAIOR
A peça "O Belo Indiferente", em cartaz em SP, vai virar filme. Os diretores Helena Ignez e André Guerreiro Lopes estão rodando cenas na capital paulista e aproveitarão uma viagem dela a Roterdã, na Holanda, como jurada de um festival de cinema, para também captarem imagens.
VIDA QUE SEGUE
O Hospital de Transplantes de SP inaugura neste mês um laboratório de análises patológicas. O local terá capacidade para realizar mais de 3.000 biópsias por mês em órgãos doados e em pacientes que receberam os transplantes.
PORTINARI NO SAMBA
Será na quinta-feira 16 de fevereiro, no Jockey Club do Rio, a abertura do evento de Carnaval Bailes do Rio, organizado por Ricardo Amaral e Alexandre Accioly. O tema será Portinari. As festas acontecerão até o dia 21. Haverá concurso de fantasias de adultos e crianças.
QUATRO EM UM
As atrizes Mariana Ximenes e Juliana Paes, a apresentadora Sabrina Sato e a top Alessandra Ambrósio se reúnem na próxima semana no Copacabana Palace, no Rio. Serão clicadas por Mert Alas e Marcus Piggott para a nova campanha da joalheria Vivara, no lugar de Gisele Bündchen. A direção de arte é de Giovanni Bianco.
CENAS DE AMOR
Alexandre Borges e Juliana Martins estrelam a peça "Eu Te Amo", que estreou no Teatro Folha. A estilista Lethicia Bronstein e os atores Graziela Jardim e André Corrêa, irmão do protagonista, estiveram no shopping Pátio Higienópolis.
CURTO-CIRCUITO
A peça "17 x Nelson - Parte 2" estreia hoje, às 21h30, no Teatro de Arena Eugênio Kusnet. Classificação etária: 14 anos.
A banda Smash Mouth se apresenta no dia 20 de maio, a partir das 22h, no Via Funchal. Classificação etária: 12 anos.
A comédia "E o Vento Não Levou" reestreia hoje, às 21h, no Teatro Folha. Classificação etária: livre.
com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY
As aparências enganam? - MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 11/01/12
Um dos graves problemas brasileiros é o nepotismo, a ponto de o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ter sido obrigado a formalizar "a proibição de nomeação ou designação, para cargos em comissão e funções gratificadas em tribunais ou juízos, de cônjuge, companheiro ou parente até o terceiro grau dos membros ou juízes vinculados".
A noção do brasileiro como "homem cordial", difundida pelo historiador Sérgio Buarque de Hollanda, define aquele que age segundo o "coração" - não no sentido de ser bondoso, mas no de pautar suas ações pelo afeto e pela intimidade, e ser incapaz de separar vida pública de vida privada.
A história do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, tem todos os recortes dessa relação de cumpadrio que se tornou característica da nossa política, mesmo quando aparenta obedecer às regras estabelecidas.
O fato de ter autorizado a maior parte das verbas de sua pasta para seu estado, Pernambuco, tem explicações técnicas razoáveis pelas sucessivas enchentes que afetaram o estado e a necessidade de construção de barragens para prevenir futuros danos.
Além do mais, a presidente Dilma Rousseff estava a par das necessidades e autorizou pessoalmente os gastos, o que retira do ministro a responsabilidade por um eventual "favorecimento".
Seria ideal que o próprio ministro, e a presidente, tivessem cuidados para evitar mal-entendidos e resolvessem a questão da verba através de outras pastas, e não apenas aquela que faz parte do acordo político com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente do PSB. Mas vá lá que não tenham tido esse zelo.
Mas as nomeações de parentes do ministro para cargos de seu ministério mostra justamente essa maneira antiguada de fazer política.
O sociólogo Roberto Da Matta cita como típicos da cultura brasileira o "jeitinho" e a "malandragem", que são utilizados para driblar a lei através do uso da posição social ou das relações sociais.
Aqui há a prevalência de apadrinhamentos em função das relações sociais, mesmo quando a nomeação em si aparentemente não traz benefícios diretos a quem nomeou nem ao nomeado, como é o caso do seu tio, Osvaldo Coelho, nomeado para o Comitê Técnico-Consultivo para o Desenvolvimento da Agricultura Irrigada.
Bezerra argumentou em nota oficial que os membros convidados a participar do comitê "foram escolhidos diante de critérios que envolveram conhecimentos das questões relacionadas ao desenvolvimento da agricultura irrigada e também a disposição para contribuir com as ações da Política Nacional de Irrigação".
Não estaria caracterizado o nepotismo porque a função de conselheiro "não é cargo em comissão ou função de confiança, não tem direito à remuneração e nem subordinação hierárquica ou funcional ao Ministro".
Muito bem. Então, por que não evitar constrangimentos para o governo, para si e para o próprio tio, que se queixa de trabalhar pouco, e convidar outro empresário que esteja disposto a colaborar com a política nacional de irrigação?
É o mesmo caso do irmão do ministro, Clementino Coelho, que por ser o diretor mais antigo da Codevasf, ficou à frente do órgão, sem ser nomeado, durante praticamente um ano inteiro.
Também não se caracteriza nepotismo, pois, embora o órgão seja subordinado ao ministro, Clementino não foi formalmente nomeado para sua presidência, apenas exerceu as funções de presidência, inclusive porque, conforme suas próprias explicações, não poderia se furtar a tomar as decisões que o órgão exigia.
Pois essa sua longa "interinidade" acabou tão logo foi descoberta pela imprensa, e um novo presidente, aparentemente sem laços de família com o ministro, já foi nomeado.
Acontece que o nepotismo está presente na política brasileira, mas através do voto. Como diversos outros políticos, o ministro Fernando Bezerra tem um filho que é deputado federal e provável candidato a prefeito de Petrolina, reduto eleitoral da família.
Pois o deputado Fernando Coelho Filho, também do PSB, teve o maior volume de liberação de emendas parlamentares da pasta do pai em 2011, verba que vai para ações tocadas pela Codevasf, aquela estatal que até outro dia era presidida por um irmão do ministro, e tio do deputado.
Petrolina foi escolhida pelo Ministério para ser o município pioneiro nas ações do programa Mais Irrigação do PAC-2, um deles denominado "projeto Nilo Coelho", em homenagem ao tio de Bezerra, que foi senador e governador de Pernambuco.
Cada coisa dessas tem sua explicação particular, mas se juntamos todas elas fica uma sensação desagradável de que se repete em Pernambuco uma política regressiva que favorece os feudos políticos.
Além das relações de dependência, outro ponto destacado nos estudos do sociólogo Roberto Da Matta é a questão do profissionalismo em contraponto com o nepotismo, que impediria o desenvolvimento das instituições brasileiras, sobretudo as governamentais.
O governador Eduardo Campos faz parte de uma nova geração política brasileira que, pelo menos na teoria, coloca a gestão eficiente e o profissionalismo à frente de seus projetos de governo.
No caso das enchentes, ele inclusive alega, com razão, que não pode ser "acusado" por ter sido mais eficiente e apresentado projetos técnicos que foram aprovados, liberando as verbas necessárias.
Mas tanto ele quanto o ministro Fernando Bezerra, que é um potencial candidato ao governo de Pernambuco na sucessão de Campos, poderiam se preocupar mais com as aparências.
A imagem regional dos dois deve estar em alta nos seus redutos eleitorais, mas a imagem nacional do PSB pode se contaminar. Se isso ainda importar nessa política do vale-tudo que está disseminada entre nós, seria pelo menos uma boa notícia.
Novo destino - EDITORIAL FOLHA DE SP
FOLHA DE SP - 11/01/12
Em tempos de crescimento econômico, Brasil volta a ser atraente para estrangeiros e precisa preparar-se para o aumento da imigração
Os brasileiros gostam de ser apresentados ao mundo como um povo hospitaleiro, que soube acolher os imigrantes, em especial na passagem do século 19 para o 20, quando famílias oriundas de países europeus aqui chegaram para tentar a sorte.
Embora em parte essa hospitalidade seja um mito, é fato que na sociedade brasileira a convivência entre etnias e religiões diferentes mostra-se menos conflituosa do que em outras nações.
Aos poucos, no entanto, o Brasil foi deixando de ser um destino procurado por estrangeiros. Em 1940, ano do primeiro grande Censo do IBGE, a população do país abrigava 3% de imigrantes. Já em 2010, a proporção era de apenas 0,2% de estrangeiros.
As estatísticas oficiais, no entanto, ainda não captam movimentos que tendem a se intensificar nos próximos anos, caso a expansão econômica do país continue a ser atraente para cidadãos de nações com menos oportunidades.
Um dos muitos sinais dessa tendência é o recente desembarque de haitianos na região Norte -que levou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a anunciar, ontem, uma série de medidas de controle.
No ano passado, o Ministério da Justiça, apesar da burocracia para obter um visto, registrou alta de 52% no número de estrangeiros regularizados. Entre eles, muitos são profissionais qualificados, que se beneficiam do deficit de especialistas em áreas como a engenharia, por exemplo -e ajudam a tornar o Brasil ainda mais atraente.
Além desses movimentos mais recentes, é preciso considerar o cenário de longo prazo. Em 50 anos, a população brasileira saiu de um regime de fecundidade semelhante ao da Somália de hoje (6,3 filhos por mulher), para um patamar equivalente ao da Finlândia (1,9).
Somado ao aumento da expectativa de vida, isso significa que haverá cada vez menos jovens para sustentar uma população crescente de idosos.
Como aconteceu na Europa, a perspectiva é que esse hiato atraia cada vez mais trabalhadores dispostos a exercer atividades já não tão interessantes para brasileiros.
O país sempre reagiu com a devida indignação ao tratamento muitas vezes discriminatório dispensado a seus cidadãos nos Estados Unidos e na Europa.
Agora, é a vez de o governo começar a agir para mostrar que é capaz de fazer o que se cobra das autoridades de nações desenvolvidas. No leque de políticas públicas, começará a ganhar mais destaque o debate sobre prioridades e medidas no campo da imigração.
O Brasil precisa preparar-se para recepcionar de modo adequado as novas ondas de imigrantes, equacionar conflitos e aproveitar ao máximo a oportunidade de impulsionar o desenvolvimento econômico e social do país.
PIB do puxadinho - CELSO MING
O Estado de S.Paulo - 11/01/12
Afinal, quanto dá para a economia brasileira crescer? Mais do que um projeto firme, o governo Dilma fez uma aposta de que faria o PIB avançar uns 5,0%. A crise global, a puxada inflacionária e a esticada do déficit em Conta Corrente (fluxo de pagamentos com o exterior) estão obrigando os administradores da política econômica a segurar as rédeas com maior força. O Banco Central, por exemplo, avisou que já não conta com um avanço do PIB maior do que 3,5%.
Quando o brasileiro imagina que se livrou da sina do voo de galinha e que pode, afinal, aproveitar o crescimento sustentado acima de 5,0% ao ano, vêm as forças de sempre e empurram a elevação do PIB para perto do chão. É a volta do limitador que os economistas chamam de "crescimento potencial", ou seja, o teto possível de sustentar sem riscos de inflação.
Há alguns meses, o economista Edmar Bacha, um dos pais do Plano Real, vem advertindo que, nas atuais condições, não dá para esperar demais: "Nossa economia não consegue crescer mais do que 4% ao ano". Para Bacha, os grandes entraves ao potencial de crescimento da economia brasileira são o baixo nível de poupança (de aproximadamente 17% do PIB), o ritmo lento da incorporação da tecnologia e a precariedade do grau de educação da população.
O problema de fundo é a pouca competitividade dos produtos brasileiros em relação aos do exterior, em consequência do altíssimo custo Brasil. São a carga tributária excessiva; o desproporcionalmente alto custo do crédito; o encarecimento da mão de obra; o enorme preço da energia elétrica; a precariedade da infraestrutura em estradas, portos, comunicações, armazenagem; etc.
É necessário mais investimento e mais gerenciamento. Os enormes problemas denunciados pelos jornais mostram que os projetos do governo federal estão atrasados ou em franca deterioração (caso das obras de transposição do Rio São Francisco). E não há o que tire as reformas da gaveta (a política, a do sistema trabalhista, a do regime tributário e a da Previdência Social).
Há dois dias, Yoshiaki Nakano, economista da Fundação Getúlio Vargas, examinou o problema por outro ângulo. Ele entende que a atividade econômica nacional poderia crescer pelo menos 6% ao ano - desde que fosse melhorada a gestão da política econômica. Para isso, a disciplina das contas públicas teria de inverter o atual rombo de 2% do PIB para um superávit nominal (inclusive despesas com juros) de até 8% do PIB. Além de expandir a poupança, essa decisão permitiria a derrubada dos juros a padrões internacionais.
Como falta coragem para adotar esse caminho, o governo Dilma se entrega, então, ao manjado estratagema dos puxadinhos: dá um tapa no IPI da indústria automobilística; finge que protege a indústria têxtil; continua garantindo o cala-boca dos dirigentes com financiamentos subsidiados do BNDES; lá pelas tantas, muda uma regra que provoca a alta do dólar no câmbio interno... É a receita do crescimento econômico medíocre.
Ueba! Narciza é a Mulher Tilt! - JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 11/01/12
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Verão 2012! Placa de pousada na África do Sul: "Se você quer café na cama, que vá dormir na cozinha". Rarará.
E nas praias do Rio já lançaram a Mulher Miojo: é só jogar na água e comer. E um outro estava em Fortaleza e disse que teve uma vida sexual agitada: comeu quatro caranguejos! Rarará!
E atenção! Abriram o açougue! "BBB12"! E eu assisti aos 12! Me rendi à podridão. Adoro uma acefalia televisiva! "BBB12"! Temos acém, chuleta e maminha! E essa: "'BBB12' estreou na terça sem data pra acabar". É como o Carnaval na Bahia!
E o "Mulheres Ricas"? Ops, Mulheres Bizarras. O "surreality" show da Band! Tão mais pra sidra do que pra champanhe!
E a Narciza parece um fliperama desgovernado! Ri, pisca e grita! TILT! A Narciza é a Mulher Tilt! E disse que "a minha fada tem uma varinha de CORDÃO". Pra não perder! Rarará!
E olha o que um cara escreveu no Twitter: "Depois do 'Mulheres Ricas', eu não acho mais a Susana Vieira estranha". Nem eu!
E uma amiga mandou perguntar: "Se eu começar a falar asneira, eu fico rica também?". Ganham por asneira!
E aquela que disse: "Desculpe, mas eu adoro arma de fogo". Ela adora arma de fogo porque é um canhão. Amor à família!
Ela entra na loja de armas, toma um cafezinho e diz: que linda aquela AK47! Campanha do armamento pela televisão!
E aquela Val, que tá mais pra detergente que pra emergente? Só fala "hello". Tem uma amiga que está aprendendo inglês no "Mulheres Ricas": já aprendeu a falar "hello"! E a Val devia se chamar "Helloween". Porque é uma bruxa!
E a Brunete Fraccaroli, que tem certeza que tem 15 anos?! Rarará! Eu mandava todas pra Cracolândia.
E eu tenho medo daquela que atira. Aliás, eu tenho medo de todas. Medo, não! PÂNICO! Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
E São Paulo tem um novo método de tratar drogado de crack: bomba de efeito moral e bala de borracha! Leva um crack voador no peito! Rarará!
E mais um predestinado: aqui em Sampa tem um otorrino chamado João Roberto RUOCCO! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
Em casa que falta pão - RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 11/01/12
FÁBIO ZAMBELI (interino)
Mesmo que não prospere, o aceno de Gilberto Kassab ao PT serviu para elevar a beligerância entre os grupos de Geraldo Alckmin e José Serra no PSDB, tendo como pano de fundo a eleição paulistana. Serristas como Alberto Goldman e Aloysio Nunes deploram a preferência do governador por neoaliados, sobretudo Paulo Maluf (PP) e Paulinho (PDT), em detrimento do alinhamento "natural" com o prefeito. Sustentam que Alckmin, em resposta ao boicote sofrido em 2008, age para isolar o PSD em sua estreia nas urnas. De quebra, pressiona Serra a entrar em campo para juntar os cacos da aliança e perseguir a polarização com o PT.
In pectore Um dos gatilhos que fizeram Kassab oferecer a Lula um vice do PSD para Fernando Haddad foi a convicção de que o Palácio dos Bandeirantes avalizou as negociações do DEM para uma aliança com Gabriel Chalita (PMDB), amigo e ex-secretário de Alckmin.
Maior apoio Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) é o petista mais entusiasmado com a aproximação de Kassab.
Correio elegante Do vice-governador Guilherme Afif, sobre os termos do namoro do PSD com Haddad: "É só um flerte, por ora. Ainda nem pegaram na mão".
Curinga O presidente do PSDB paulistano, Julio Semeghini, recorreu ontem ao ex-desafeto Walter Feldman na tentativa de reabrir o diálogo com os kassabistas.
De casa Em pouco mais de um ano de mandato, Dilma Rousseff fará sua terceira visita à sede do governo paulista. A presidente pretende assinar amanhã parceria com Alckmin para o financiamento de 97 mil moradias.
Trincheira Na esteira das denúncias de abuso da PM na cracolândia, o PT levará padres e desembargadores hoje à Câmara paulistana em sessão especial da Comissão de Direitos Humanos.
Ativismo Embora tenha desistido de debater a reforma do sistema financeiro internacional no Fórum Econômico de Davos, Dilma passará pelo Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, dia 26.
Em copas O silêncio da presidente sobre a composição da Comissão da Verdade já intriga aliados, que esperavam rápida definição de seus sete integrantes, dado o apreço da petista pelo tema.
Chamada oral Senadores saíram à caça dos integrantes da comissão representativa do Congresso para garantir quórum na sessão de amanhã que ouvirá o ministro Fernando Bezerra sobre a sucessão de denúncias na Integração Nacional.
Foco A despeito da suspeita de nepotismo e favorecimento em emendas, o DEM centrará seus questionamentos no privilégio a Pernambuco em verbas de prevenção a enchentes e nos baixos investimentos na rubrica.
Liga para mim Dirigentes de partidos da base governista estão com os nervos à flor da pele: trocam telefonemas regularmente para saber se Dilma já emitiu algum sinal sobre a reforma ministerial. Aguardam um chamado do Planalto até o dia 15.
Plano B Sob orientação de José Sarney, de sua filha Roseana e do ministro Edison Lobão (Minas e Energia), o PMDB do Maranhão considera apoiar o vice-governador Washington Luís (PT) para a Prefeitura de São Luís. Peemedebistas demonstram insegurança quanto ao desempenho do secretário Max Barros, nome trabalhado pelo partido até então.
com LETÍCIA SANDER e FLÁVIO FERREIRA
tiroteio
"O PT prometeu o mundo no plano contra o crack e não fez nada. Agora, diz ter a fórmula para a cracolândia. De novo, espera alguém trabalhar para se apropriar do resultado."
DO PRESIDENTE DO PSDB-SP, PEDRO TOBIAS, sobre as críticas do governo federal, sobretudo na área de direitos humanos, à atuação do Estado e da prefeitura no combate ao tráfico na região central de São Paulo.
contraponto
Durante audiência sobre a Lei da Copa, em novembro passado, Romário (PSB-RJ) sabatinava dirigentes da CBF quando ultrapassou o tempo regimental. Foi advertido por Renan Filho (PMDB-AL), que presidia os trabalhos:
-Os deputados têm três minutos para falar. Conclua!
O relator, Vicente Cândido (PT-SP), interrompeu:
-Tem que jogar rápido para não perder gol.
O ex-jogador respondeu:
-Fazer gol é muito fácil. Quero ver se vocês vão ter a mesma rapidez na hora de relatar o projeto.
FÁBIO ZAMBELI (interino)
Mesmo que não prospere, o aceno de Gilberto Kassab ao PT serviu para elevar a beligerância entre os grupos de Geraldo Alckmin e José Serra no PSDB, tendo como pano de fundo a eleição paulistana. Serristas como Alberto Goldman e Aloysio Nunes deploram a preferência do governador por neoaliados, sobretudo Paulo Maluf (PP) e Paulinho (PDT), em detrimento do alinhamento "natural" com o prefeito. Sustentam que Alckmin, em resposta ao boicote sofrido em 2008, age para isolar o PSD em sua estreia nas urnas. De quebra, pressiona Serra a entrar em campo para juntar os cacos da aliança e perseguir a polarização com o PT.
In pectore Um dos gatilhos que fizeram Kassab oferecer a Lula um vice do PSD para Fernando Haddad foi a convicção de que o Palácio dos Bandeirantes avalizou as negociações do DEM para uma aliança com Gabriel Chalita (PMDB), amigo e ex-secretário de Alckmin.
Maior apoio Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) é o petista mais entusiasmado com a aproximação de Kassab.
Correio elegante Do vice-governador Guilherme Afif, sobre os termos do namoro do PSD com Haddad: "É só um flerte, por ora. Ainda nem pegaram na mão".
Curinga O presidente do PSDB paulistano, Julio Semeghini, recorreu ontem ao ex-desafeto Walter Feldman na tentativa de reabrir o diálogo com os kassabistas.
De casa Em pouco mais de um ano de mandato, Dilma Rousseff fará sua terceira visita à sede do governo paulista. A presidente pretende assinar amanhã parceria com Alckmin para o financiamento de 97 mil moradias.
Trincheira Na esteira das denúncias de abuso da PM na cracolândia, o PT levará padres e desembargadores hoje à Câmara paulistana em sessão especial da Comissão de Direitos Humanos.
Ativismo Embora tenha desistido de debater a reforma do sistema financeiro internacional no Fórum Econômico de Davos, Dilma passará pelo Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, dia 26.
Em copas O silêncio da presidente sobre a composição da Comissão da Verdade já intriga aliados, que esperavam rápida definição de seus sete integrantes, dado o apreço da petista pelo tema.
Chamada oral Senadores saíram à caça dos integrantes da comissão representativa do Congresso para garantir quórum na sessão de amanhã que ouvirá o ministro Fernando Bezerra sobre a sucessão de denúncias na Integração Nacional.
Foco A despeito da suspeita de nepotismo e favorecimento em emendas, o DEM centrará seus questionamentos no privilégio a Pernambuco em verbas de prevenção a enchentes e nos baixos investimentos na rubrica.
Liga para mim Dirigentes de partidos da base governista estão com os nervos à flor da pele: trocam telefonemas regularmente para saber se Dilma já emitiu algum sinal sobre a reforma ministerial. Aguardam um chamado do Planalto até o dia 15.
Plano B Sob orientação de José Sarney, de sua filha Roseana e do ministro Edison Lobão (Minas e Energia), o PMDB do Maranhão considera apoiar o vice-governador Washington Luís (PT) para a Prefeitura de São Luís. Peemedebistas demonstram insegurança quanto ao desempenho do secretário Max Barros, nome trabalhado pelo partido até então.
com LETÍCIA SANDER e FLÁVIO FERREIRA
tiroteio
"O PT prometeu o mundo no plano contra o crack e não fez nada. Agora, diz ter a fórmula para a cracolândia. De novo, espera alguém trabalhar para se apropriar do resultado."
DO PRESIDENTE DO PSDB-SP, PEDRO TOBIAS, sobre as críticas do governo federal, sobretudo na área de direitos humanos, à atuação do Estado e da prefeitura no combate ao tráfico na região central de São Paulo.
contraponto
Durante audiência sobre a Lei da Copa, em novembro passado, Romário (PSB-RJ) sabatinava dirigentes da CBF quando ultrapassou o tempo regimental. Foi advertido por Renan Filho (PMDB-AL), que presidia os trabalhos:
-Os deputados têm três minutos para falar. Conclua!
O relator, Vicente Cândido (PT-SP), interrompeu:
-Tem que jogar rápido para não perder gol.
O ex-jogador respondeu:
-Fazer gol é muito fácil. Quero ver se vocês vão ter a mesma rapidez na hora de relatar o projeto.
Economias e excessos do etanol - MAURILIO BIAGI FILHO
O ESTADÃO - 11/01/12
Você sabe quanto custam as gotinhas d"água que pingam dos escapamentos dos carros movidos a Etanol? Do início do Proálcool,em1975, até agora, tendo como base o preço atual- em torno de R$2 por litro de Etanol -, são cerca de R$ 28 bilhões. Esse é o valor atualizado dos quase 14 bilhões de litros de água contidos nos etanóis de cana nesse período.
No início,havia razões técnicas para a produção de álcool hidratado,que dava mais torque aos primeiros motores adaptados.Mas,como advento da frota flex, é preciso eliminar o oneroso "passeio da água", agora que o Etanol pode se tornar uma commodity global. Dos países que já adotaram combustíveis renováveis, o Brasil é o único a manter o Etanol hidratado,cabendo à Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) avaliar a possibilidade de estabelecer um único padrão.
Até ser eliminada pelos carros,a água embebida no Etanol passa por sete "trasfegas": 1) das colunas de destilação para os tanques das usinas; 2) dali para os tanques dos caminhões; 3) depois, para os tanques das distribuidoras; 4) volta aos tanques dos caminhões; 5) destes, para os tanques dos postos de combustíveis; 6)das bombas para os tanques dos carros; 7) e destes para os motores.
O hidratado poderia ter sido extinto há alguns anos,quando o álcool foi rebatizado como Etanol. A imagem melhorou, mas perdeu-se a oportunidade de lançar o "Etanol mais puro". Mais de 30 anos depois dos primeiros motores adaptados para Etanol e quase uma década após a chegada dos motores flex - mais sofisticados -, é preciso melhorar a economicidade do nosso combustível renovável.O fim da duplicidade do Etanol ajudaria a compensar a quebra da paridade técnica Etanol-gasolina. Problema seriíssimo: enquanto o brasileiro foi condicionado a consumir Etanol apenas quando este for "vantajoso", o governo ignora que a cadeia produtiva do Etanol perdeu o horizonte econômico desde antes da crise de 2008.
Em 2011, reconhecendo a mudança dos parâmetros ambientais e econômicos, o governo reduziu a carga tributária de diversos produtos.A gasolina teve redução da Cide.
Para o setor sucroalcooleiro, "ferido de morte", o contrário, nem se quer foi dada isonomia.Pior,determinou- se a possibilidade de aumento da alíquota da Cide sobre o Etanol.
Sinal claro para bons entendedores.
Nunca pensamos em aumento de preço para a gasolina, mas,sim,que se resolva o impasse criado com o Etanol. Sem políticas públicas claras e efetivas para a matriz energética do País, continuará o enfraquecimento da cadeia produtiva do Etanol,queenvolve2milhõesdepessoas e teria plenas condições de dobrar de tamanho nesta década, com inegáveis benefícios ambientais, sociais e econômicos.
Como não costumamos valorizar o que é nosso, esquecemos,dentre outros fatores, a despoluição e a economia de divisas propiciadas pelo Etanol.
Segundo dados da Datagro,de 1975 a julho de 2011, o Brasil deixou de consumir o equivalente a 2,1 bilhões de barris de gasolina graças ao Etanol, uma economia de US$261,4 bilhões.
Boa hora de olhar o que ocorre lá fora.
Os EUA copiaram o programa brasileiro e fizeram uma adaptação eficiente.
Hoje produzem mais que o dobro de Etanol que o Brasil, e de milho,cujo processo é mais exigente do ponto de vista energético.Os produtores norte-americanos abraçaram o Etanol porque lá as regras são claras e oferecem horizontes previsíveis, sem oscilações sazonais ditadas por fatores conjunturais.
O Etanol de lá é tratado oficialmente como produto estratégico,de alto valor econômico e ecológico,sem equivalência de preço com a gasolina.
Assim o consumidor assimila a ligação entre economia, saúde pessoal e meio ambiente.
Tempos atrás, ninguém imaginaria maços de cigarros com a frase Fumar faz mal à saúde. Portanto, ninguém estranharia se nas bombas dos postos constas se que Consumir gasolina prejudica o meio ambiente. Está na hora de encarar o Etanol com outros olhos, afinal, sem perspectivas de longo prazo,os novos investimentos não acontecem.
MARIA CRISITNA FRIAS - MERCADO ABERTO
FOLHA DE SP - 11/01/12
Disputa pode paralisar transporte em Ilhabela
Uma disputa entre duas empresas de ônibus por conta de uma licitação ameaça o transporte público de Ilhabela em pleno verão.
Às vésperas do fim do contrato que está em vigor atualmente e se encerra nos próximos dias, uma liminar do Tribunal de Justiça exige que o novo contrato, que estava marcado para começar na próxima semana, deixe de ser executado pela prefeitura e pela empresa vencedora da licitação, a Expresso Fênix.
Após sair perdedora, a empresa Viação Itupeva entrou na Justiça por considerar impraticável a tarifa de R$ 2,20 proposta pela vencedora, entre outras queixas.
"A receita bruta e a líquida indicadas na planilha apresentada pela Fênix são idênticas. Eles não descontaram o recolhimento de imposto. Há irregularidade", diz Luiz Carlos Soares, dono da Itupeva.
"Apesar de a Justiça ter mandado suspender, eles continuam a tomar todos os procedimentos normais, desrespeitando a liminar. O prefeito quer levar isso adiante", afirma Soares.
A Fênix informa que recorreu e "demonstrou que sua tarifa é exequível".
Para o prefeito, Toninho Colucci (PPS), existe o risco de faltar transporte público, caso a Justiça não tome uma nova decisão.
"Temos população de 30 mil habitantes e dobramos com os turistas nessa época. Estamos trabalhando para evitar [a paralisação]. Se precisar lançar mão de contrato emergencial, vou fazer."
O contrato questionado, de dez anos, envolve cerca de R$ 100 milhões, segundo o prefeito, e de R$ 60 milhões nas contas da Itupeva.
Cresce número de projetos de luxo no litoral de Santa Catarina
Uma faixa de 50 km do litoral de Santa Catarina receberá, ao menos, R$ 1,6 bilhão em empreendimentos de luxo.
"Há cinco anos, o Estado começou a atrair projetos para a classe A. Agora esse processo se intensificou", diz o secretário de Assuntos Estratégicos, Paulo da Costa.
O maior dos empreendimentos terá 2.000 casas, três hotéis, marina para 600 barcos, colégio bilíngue e hípica em Governador Celso Ramos. O aporte apenas para urbanização será de R$ 1 bilhão.
A Atlântica Brasil, formada por sete empresas espanholas, é a responsável pelo complexo. "Essa região do país concentra alto poder aquisitivo e atrai pessoas de SP e RJ, diz a representante do empreendimento no Brasil, Janice Maciel.
O mais novo projeto é o da incorporadora paulista Kara José, que investirá R$ 120 milhões em hotel butique e condomínio residencial. "O empreendimento ocupará uma área com cinco praias da cidade de Palhoça", diz Edison Kara, dono da empresa. O hotel será aberto neste Carnaval.
Na mesma cidade, a empresa paranaense RTV aplicará R$ 90 milhões em um condomínio de alto padrão.
A construtora Hantei colocará R$ 300 milhões para erguer um hotel com marina em Florianópolis. A Locks, R$ 90 milhões em um condomínio com pista de pouso em Governador Celso Ramos, onde o BHG também construirá um outro resort Txai.
Segundo o secretário Paulo da Costa, o grupo catalão Serhs está interessado em comprar uma rede de hotéis.
INFLAÇÃO PARANAENSE
Os apartamentos de um dormitório foram os que registraram maior aumento de preço em Curitiba, de acordo com estudo da Ademi-PR (associação de dirigentes do setor imobiliário).
No ano passado, o valor desse tipo de imóvel apresentou crescimento de 21% na capital paranaense.
Com a alta, apartamentos de dois e três quartos passaram a ser vendidos com preço de metro quadrado inferior às unidades com um dormitório, diz o presidente da entidade, Gustavo Selig.
"Muitas empresas contrataram funcionários de outros Estados, que ficam em Curitiba apenas durante a semana e querem imóveis menores, mas bem localizados."
Para 2012, a Ademi prevê que o valor dos apartamentos de um e dois dormitórios aumentará entre 18% e 20%.
Imóveis maiores, de três e quatro quartos, por sua vez, terão alta de 12%, de acordo com o estudo da associação.
Glóbulo... A Beneficência Portuguesa de SP investe cerca de R$ 8 milhões em novas instalações de seu banco de sangue. Serão construídos mais de mil m² em três andares, a maior parte para coleta e processamento do sangue.
...vermelho O objetivo da Beneficência Portuguesa é dobrar a capacidade de captação de bolsas para atender à demanda do complexo hospitalar. A obra deve ser concluída no primeiro semestre deste ano.
RETORNO À ORIGEM
Nos próximos meses, a operadora de turismo Agaxtur vai reabrir sua filial em Santos, onde a empresa foi fundada e atuou entre 1953 e 1995.
A ideia é reaproximar-se da demanda de local por cruzeiros, segundo Aldo Leone Filho, presidente da operadora.
A Agaxtur participou do início deste mercado no Brasil, de acordo com o empresário, com a atuação de seu pai.
"Recentemente, compramos um conjunto lá, apenas como investimento, por causa do pré-sal, mas resolvemos abrir loja", afirma.
A abertura é parte do plano de expansão da empresa que em 2011 inaugurou filiais em Campinas, Ribeirão Preto e Rio. Para o segundo semestre deste ano está prevista a chegada também a Londrina e Brasília.
com JOANA CUNHA, VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ
Disputa pode paralisar transporte em Ilhabela
Uma disputa entre duas empresas de ônibus por conta de uma licitação ameaça o transporte público de Ilhabela em pleno verão.
Às vésperas do fim do contrato que está em vigor atualmente e se encerra nos próximos dias, uma liminar do Tribunal de Justiça exige que o novo contrato, que estava marcado para começar na próxima semana, deixe de ser executado pela prefeitura e pela empresa vencedora da licitação, a Expresso Fênix.
Após sair perdedora, a empresa Viação Itupeva entrou na Justiça por considerar impraticável a tarifa de R$ 2,20 proposta pela vencedora, entre outras queixas.
"A receita bruta e a líquida indicadas na planilha apresentada pela Fênix são idênticas. Eles não descontaram o recolhimento de imposto. Há irregularidade", diz Luiz Carlos Soares, dono da Itupeva.
"Apesar de a Justiça ter mandado suspender, eles continuam a tomar todos os procedimentos normais, desrespeitando a liminar. O prefeito quer levar isso adiante", afirma Soares.
A Fênix informa que recorreu e "demonstrou que sua tarifa é exequível".
Para o prefeito, Toninho Colucci (PPS), existe o risco de faltar transporte público, caso a Justiça não tome uma nova decisão.
"Temos população de 30 mil habitantes e dobramos com os turistas nessa época. Estamos trabalhando para evitar [a paralisação]. Se precisar lançar mão de contrato emergencial, vou fazer."
O contrato questionado, de dez anos, envolve cerca de R$ 100 milhões, segundo o prefeito, e de R$ 60 milhões nas contas da Itupeva.
Cresce número de projetos de luxo no litoral de Santa Catarina
Uma faixa de 50 km do litoral de Santa Catarina receberá, ao menos, R$ 1,6 bilhão em empreendimentos de luxo.
"Há cinco anos, o Estado começou a atrair projetos para a classe A. Agora esse processo se intensificou", diz o secretário de Assuntos Estratégicos, Paulo da Costa.
O maior dos empreendimentos terá 2.000 casas, três hotéis, marina para 600 barcos, colégio bilíngue e hípica em Governador Celso Ramos. O aporte apenas para urbanização será de R$ 1 bilhão.
A Atlântica Brasil, formada por sete empresas espanholas, é a responsável pelo complexo. "Essa região do país concentra alto poder aquisitivo e atrai pessoas de SP e RJ, diz a representante do empreendimento no Brasil, Janice Maciel.
O mais novo projeto é o da incorporadora paulista Kara José, que investirá R$ 120 milhões em hotel butique e condomínio residencial. "O empreendimento ocupará uma área com cinco praias da cidade de Palhoça", diz Edison Kara, dono da empresa. O hotel será aberto neste Carnaval.
Na mesma cidade, a empresa paranaense RTV aplicará R$ 90 milhões em um condomínio de alto padrão.
A construtora Hantei colocará R$ 300 milhões para erguer um hotel com marina em Florianópolis. A Locks, R$ 90 milhões em um condomínio com pista de pouso em Governador Celso Ramos, onde o BHG também construirá um outro resort Txai.
Segundo o secretário Paulo da Costa, o grupo catalão Serhs está interessado em comprar uma rede de hotéis.
INFLAÇÃO PARANAENSE
Os apartamentos de um dormitório foram os que registraram maior aumento de preço em Curitiba, de acordo com estudo da Ademi-PR (associação de dirigentes do setor imobiliário).
No ano passado, o valor desse tipo de imóvel apresentou crescimento de 21% na capital paranaense.
Com a alta, apartamentos de dois e três quartos passaram a ser vendidos com preço de metro quadrado inferior às unidades com um dormitório, diz o presidente da entidade, Gustavo Selig.
"Muitas empresas contrataram funcionários de outros Estados, que ficam em Curitiba apenas durante a semana e querem imóveis menores, mas bem localizados."
Para 2012, a Ademi prevê que o valor dos apartamentos de um e dois dormitórios aumentará entre 18% e 20%.
Imóveis maiores, de três e quatro quartos, por sua vez, terão alta de 12%, de acordo com o estudo da associação.
Glóbulo... A Beneficência Portuguesa de SP investe cerca de R$ 8 milhões em novas instalações de seu banco de sangue. Serão construídos mais de mil m² em três andares, a maior parte para coleta e processamento do sangue.
...vermelho O objetivo da Beneficência Portuguesa é dobrar a capacidade de captação de bolsas para atender à demanda do complexo hospitalar. A obra deve ser concluída no primeiro semestre deste ano.
RETORNO À ORIGEM
Nos próximos meses, a operadora de turismo Agaxtur vai reabrir sua filial em Santos, onde a empresa foi fundada e atuou entre 1953 e 1995.
A ideia é reaproximar-se da demanda de local por cruzeiros, segundo Aldo Leone Filho, presidente da operadora.
A Agaxtur participou do início deste mercado no Brasil, de acordo com o empresário, com a atuação de seu pai.
"Recentemente, compramos um conjunto lá, apenas como investimento, por causa do pré-sal, mas resolvemos abrir loja", afirma.
A abertura é parte do plano de expansão da empresa que em 2011 inaugurou filiais em Campinas, Ribeirão Preto e Rio. Para o segundo semestre deste ano está prevista a chegada também a Londrina e Brasília.
com JOANA CUNHA, VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ
O contra-ataque do Império - ROLF KUNTZ
O Estado de S.Paulo - 11/01/12
O governo americano acaba de divulgar um estudo intitulado A Competitividade e a Capacidade Inovadora dos Estados Unidos. Um exame de aspectos vitais da maior economia do mundo - desempenho comercial, educação, tecnologia, infraestrutura, evolução do emprego e dos salários e condições do setor manufatureiro - é apresentado num volume de 160 páginas, juntamente com um mapa de políticas para reforço da competitividade. Nenhum tópico relevante é negligenciado. A análise recobre assuntos tão diferentes, à primeira vista, quanto o desempenho dos jovens em testes internacionais, as necessidades de expansão das redes de banda larga, a promoção comercial e os acordos para conquista de mercados, incluída a negociação em curso da Parceria Trans-Pacífico.
Esse estudo, coordenado pelo Departamento de Comércio, foi realizado como parte das tarefas determinadas por uma lei sancionada em janeiro de 2011 pelo presidente Barack Obama. Deve servir de base para políticas de longo alcance, necessárias para reforçar o poder de competição da economia americana, afetado por fatores internos e externos. O objetivo não é produzir uma coleção de pacotes nem resolver problemas conjunturais. A economia americana, observam os autores do estudo, ainda se beneficia de inovações do século 19, como a difusão do ensino universitário, ou de diferentes momentos do século passado, quando o país tomou a liderança da corrida espacial e da tecnologia de informação.
O diagnóstico tem um tom de humilde realismo. Os Estados Unidos tornaram-se no século 20 a maior, mais produtiva e mais competitiva das economias, mas, com aproximação do século 21, alarmes começaram a soar. Outros países se tornaram mais educados. Houve a erosão das bases científicas e tecnológicas essenciais para a liderança americana, enquanto outras potências passaram a construir sólidos fundamentos nessas áreas. Em 2009, jovens americanos ficaram atrás de competidores de 17 países da OCDE em provas de matemática.
Problemas na educação foram um dos seis alarmes apontados no estudo. Os outros cinco foram: 1) o baixo crescimento do emprego; 2) a estagnação dos salários; 3) a piora do saldo comercial da indústria manufatureira; 4) a queda dos indicadores de inovação (como o número de cientistas e engenheiros ou os gastos em pesquisa e desenvolvimento); 5) o atraso da infraestrutura (atrasos em aeroportos, congestionamentos no tráfego, portos despreparados para os novos navios e deficiências da rede de informatização).
Todos esses problemas convergem para um ponto central: a inovação, apontada como principal motor da competitividade, da elevação do salário e do emprego e do crescimento econômico de longo prazo. Três pilares são apontados como fundamentais para uma política de inovação e competitividade: pesquisa, educação e infraestrutura. Em todas essas atividades o governo pode e deve desempenhar certos papéis, indicados não só pelas necessidades atuais, mas também pela experiência americana. Uma das preocupações dos autores do estudo é definir as áreas próprias de atuação do governo e do setor privado e as formas de cooperação para o aumento da produtividade. Isso inclui, por exemplo, uma divisão de funções para o desenvolvimento científico e tecnológico. O governo deve ter um papel predominante na pesquisa básica, mas pode cooperar de mais de uma forma - por meio de incentivos fiscais, por exemplo - com a pesquisa aplicada, em diferentes níveis, como tem ocorrido tradicionalmente. Da mesma forma, o poder público pode contribuir para o maior investimento na educação científica e tecnológica e para aumentar a oferta de pessoal treinado em ciência, tecnologia e matemática. Entre 2000 e 2010, o emprego de pessoal com essas qualificações cresceu 7,9%. Entre 2008 e 2018, o crescimento deve aproximar-se de 18%. A novidade brasileira, no campo da tecnologia, é o reforço financeiro da Finep, ligada ao BNDES. Mas o grande desafio, hoje, seria envolver no esforço da inovação muito mais empresas do que aquelas tradicionais investidoras em tecnologia. Algumas das maiores inovações nos Estados Unidos têm nascido em companhias minúsculas criadas por jovens com pouco dinheiro e muita imaginação.
Os programas de apoio à inovação e ao fortalecimento da indústria deverão incluir mudanças tributárias - e as propostas provavelmente envolverão muito debate no Congresso e muito conflito político. Mas o governo tem um roteiro amplo, razoavelmente bem definido nos pontos principais e sustentado pela contribuição de especialistas de todo o país. A diplomacia comercial deve ser um complemento de todo esse esforço, porque é função do governo abrir espaço para a produção nacional em todos os mercados - obviamente, sem as limitações ideológicas do Itamaraty nos últimos nove anos.
A privataria quer bicar o Fundão - ELIO GASPARI
FOLHA DE SP - 11/01/12
A patuleia do Rio doou o dinheiro, o Exército ficou com o terreno, e o prefeito vai doá-lo à General Electric
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, concedeu à General Electric, por 50 anos, um terreno de 47 mil metros quadrados para que ela construa um centro de pesquisas na Ilha do Fundão.
O doutor comprou a gleba ao Exército, pagando R$ 13 milhões. Aquilo que pode parecer um episódio de modernização da cidade é um capítulo da dilapidação do patrimônio da Viúva e dos impostos pagos pelos cariocas.
Faz tempo, existiu na baía de Guanabara uma ilha do Bom Jesus e lá, no reinado de d. Pedro 2º, instalou-se o Asilo dos Inválidos da Pátria para receber veteranos da Guerra do Paraguai. A iniciativa foi amparada por uma subscrição pública de moradores da cidade.
Em 1868, havia lá 32 oficiais e 1.163 praças. Passados 106 anos, o presidente Ernesto Geisel soube que o asilo continuava funcionando. Pelas suas contas, se houvesse inválido da pátria vivo, teria algo como 124 anos. Pediu ao ministro do Exército, general Silvio Frota que lhe explicasse o que era aquilo.
O ministro mostrou que nas 58 casas do asilo trabalhavam 57 militares e 69 civis. Os asilados eram quatro, de outras guerras. Em dinheiro de hoje, a instituição consumia R$ 455 mil anuais (noves fora os salários).
Portanto, havia 32 servidores para cada "inválido da pátria" que, por sua vez, custava R$ 9,5 mil mensais. Geisel mandou acabar com a maluquice. Como o ministro demorava, em 1976 o presidente ameaçou entrar em greve. Não assinaria coisa alguma levada por Frota enquanto o asilo não fosse extinto. Ganhou a parada.
Essa era uma época em que se esbanjava o dinheiro da Viúva. (Um sargento do asilo tivera dupla militância, dividindo-se entre o plantel do torturadores da Polícia do Exército e o contrabando.)
As terras da ilha do Bom Jesus continuaram como propriedade da União e, como agora esbanja-se o patrimônio da Boa Senhora, Eduardo Paes quer atrair para o Rio o "Brazil Technology Center" da General Electric.
Para isso, presenteia a empresa com o terreno. Como a propriedade não é dele, comprou-a ao Exército. A GE é uma empresa privada e tem bala para comprar terrenos. O Exército, uma instituição pública sustentada pelo Tesouro, não faz nenhum uso daquilo que foi a ilha de Bom Jesus.
A vereadora Sonia Rabello, que já ajudou a impedir a construção de um monstrengo difarçado de marina no aterro do Flamengo, sustenta que esse tipo de munificiência faz mal à cidade. Até bem pouco tempo, o Exército teve um projeto para a construção de três edifícios, com 140 apartamentos, no Forte do Leme. A ideia, aceita pelo prefeito, felizmente foi abatida em voo na Câmara do Rio.
A choldra que paga impostos verá R$ 14 milhões de sua carga tributária municipal passar para o Exército, em benefício dos acionistas da General Electric, cujas ações fecharam a US$ 18,86 no pregão de segunda-feira da Bolsa de Nova York.
Há inúmeros interessados em bicar as terras do Fundão. São negócios em que todo mundo ganha, menos a Viúva e os inválidos do fisco.
Serviço: Está na rede o trabalho "A Espuma das Províncias - Um estudo sobre os Inválidos da Pátria e o Asilo dos Inválidos da Pátria, na Corte (1864-1930)" do professor Marcelo Augusto Moraes Gomes.
Uma difícil mudança - LUIZ ALFREDO SALOMÃO
O GLOBO - 11/01/12
Continua difícil transformar as indústrias brasileiras em unidades de inovação tecnológica permanente, apesar dos incentivos criados para aumentar os investimentos privados em C&T&I. Os resultados não foram os esperados e isso não constitui surpresa.
As decisões tecnológicas das multinacionais aqui instaladas são tomadas nas matrizes e, salvo exceções, contemplam centros de P&D fora do país.
Nas indústrias de capital nacional inexiste a cultura estratégica de investir em desenvolvimento tecnológico para fortalecer a competitividade e a sustentabilidade.
Por isso, as empresas preferem adquirir tecnologia já testada no exterior, tendo gasto, em 2010, US$2,9 bilhões com royalties e licenças!
A conjuntura atual permitiria reverter essa frustração. Cientistas e tecnólogos europeus sofreram cortes nos salários, suas verbas para P&D encolheram e o clima de estagnação não lhes é saudável.
Há disposição para emigrar para o Brasil, conforme se verificou nos concursos promovidos pelo Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) para atrair jovens recém-doutorados.
A relação candidato-vaga foi de 50:1, sendo que 70% dos candidatos eram estrangeiros e 30% brasileiros no exterior. O mesmo se observa em relação a docentes de universidades europeias que assediam a Uerj para vir ensinar no Rio.
O MCT e o MEC lançaram o "Ciência sem Fronteiras", cujos subprogramas "Pesquisador Visitante Especial" e "Jovens Talentos" visam a atrair estrangeiros com liderança em sua área de pesquisas, a repatriar jovens cientistas brasileiros e a "importar colegas estrangeiros para permanência por três anos.
O programa prevê atrair 300 pesquisadores-líderes estrangeiros. O programa parece excelente, mas já é possível prognosticar que terá mais efeito para atrair cientistas do que tecnólogos.
A criação da Embrapi, parceria entre MCT-CNI, também foi positiva, mas seus resultados serão sentidos a longo prazo. O projeto prevê a expansão da rede inicial da Embrapi de três centros tecnológicos (Senai-BA, IPT e INT) para 30 centros, mas sem prazo definido.
Alcançar algo como dez centros é relativamente fácil, se forem incorporadas instituições como a Coppe, o Cenpes e a Fiocruz, só para citar exemplos de instituições do Rio de Janeiro. Contudo, a partir daí as coisas se complicam.
Para formar uma rede poderosa de C&T&I em dez anos, o Brasil deveria também "importar" equipes de tecnólogos de alto nível, com o compromisso bem definido de abrir os pacotes tecnológicos de nosso interesse e de treinar novos pesquisadores.
O foco de seleção seria nas áreas de interesse específico da indústria e os grupos de tecnólogos articulados com a rede Senai.
Esse brain drain focado na inovação traria cérebros já treinados e viabilizaria nosso desenvolvimento com maior autonomia. Experiências semelhantes dos EUA no pós-guerra, e de Israel, trazendo russos no pós-fim da URSS, são paradigmas interessantes. Montar um programa desse tipo, com a participação ativa da indústria nacional, deveria ser missão prioritária do próximo ministério da presidente Dilma. Caso contrário, vamos continuar exportando minérios e grãos, sem direito de reclamar.
Continua difícil transformar as indústrias brasileiras em unidades de inovação tecnológica permanente, apesar dos incentivos criados para aumentar os investimentos privados em C&T&I. Os resultados não foram os esperados e isso não constitui surpresa.
As decisões tecnológicas das multinacionais aqui instaladas são tomadas nas matrizes e, salvo exceções, contemplam centros de P&D fora do país.
Nas indústrias de capital nacional inexiste a cultura estratégica de investir em desenvolvimento tecnológico para fortalecer a competitividade e a sustentabilidade.
Por isso, as empresas preferem adquirir tecnologia já testada no exterior, tendo gasto, em 2010, US$2,9 bilhões com royalties e licenças!
A conjuntura atual permitiria reverter essa frustração. Cientistas e tecnólogos europeus sofreram cortes nos salários, suas verbas para P&D encolheram e o clima de estagnação não lhes é saudável.
Há disposição para emigrar para o Brasil, conforme se verificou nos concursos promovidos pelo Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) para atrair jovens recém-doutorados.
A relação candidato-vaga foi de 50:1, sendo que 70% dos candidatos eram estrangeiros e 30% brasileiros no exterior. O mesmo se observa em relação a docentes de universidades europeias que assediam a Uerj para vir ensinar no Rio.
O MCT e o MEC lançaram o "Ciência sem Fronteiras", cujos subprogramas "Pesquisador Visitante Especial" e "Jovens Talentos" visam a atrair estrangeiros com liderança em sua área de pesquisas, a repatriar jovens cientistas brasileiros e a "importar colegas estrangeiros para permanência por três anos.
O programa prevê atrair 300 pesquisadores-líderes estrangeiros. O programa parece excelente, mas já é possível prognosticar que terá mais efeito para atrair cientistas do que tecnólogos.
A criação da Embrapi, parceria entre MCT-CNI, também foi positiva, mas seus resultados serão sentidos a longo prazo. O projeto prevê a expansão da rede inicial da Embrapi de três centros tecnológicos (Senai-BA, IPT e INT) para 30 centros, mas sem prazo definido.
Alcançar algo como dez centros é relativamente fácil, se forem incorporadas instituições como a Coppe, o Cenpes e a Fiocruz, só para citar exemplos de instituições do Rio de Janeiro. Contudo, a partir daí as coisas se complicam.
Para formar uma rede poderosa de C&T&I em dez anos, o Brasil deveria também "importar" equipes de tecnólogos de alto nível, com o compromisso bem definido de abrir os pacotes tecnológicos de nosso interesse e de treinar novos pesquisadores.
O foco de seleção seria nas áreas de interesse específico da indústria e os grupos de tecnólogos articulados com a rede Senai.
Esse brain drain focado na inovação traria cérebros já treinados e viabilizaria nosso desenvolvimento com maior autonomia. Experiências semelhantes dos EUA no pós-guerra, e de Israel, trazendo russos no pós-fim da URSS, são paradigmas interessantes. Montar um programa desse tipo, com a participação ativa da indústria nacional, deveria ser missão prioritária do próximo ministério da presidente Dilma. Caso contrário, vamos continuar exportando minérios e grãos, sem direito de reclamar.
Basta "curtir" - IGOR GIELOW
FOLHA DE SP - 11/01/12
BRASÍLIA - Por previsível, quase causa enfado a disputa política sobre a ação na cracolândia paulistana, de resto um imperativo da cidade contaminado desde a saída pelos interesses do combalido governo Kassab. Quem sabia do quê, planos mirabolantes. Ah, as eleições.
Agora é a vez do governo federal, que busca estabelecer um roteiro adequado às pretensões eleitorais do pré-candidato a prefeito Fernando Haddad (PT): o de que São Paulo meteu os pés pelas mãos e não participou de um esforço coordenado (pelo Planalto, claro) contra o crack.
Os limites do real, que passam pela Constituição, se interpõem ao que está na praça. Mas o que vale é a versão, como no caso daquela criancinha indígena que teria sido queimada viva por madeireiros no Maranhão, que "bombou" na internet.
Foi um mar de comentários, postagens e afins que as redes sociais autofágicas promoveram sobre o caso. O território não é feudo só de "progressistas", certo, mas quase isso.
Madeireiros são "do mal" pela definição dos moderninhos, dos humanistas de Facebook. São capitalistas horrendos, como os especuladores que querem acabar com a cracolândia só pelo lucro. E tostam nativos.
Bem, a Funai foi apurar e viu que a história era uma cascata. Tanto faz: já está satisfeito o contingente do "bilhão de varandas voltadas para o sol", para usar uma velha imagem do escritor britânico J.G. Ballard.
No seu mundo sem áreas cinzentas, esse mesmo pessoal usou o lamentável episódio do PM que abusou de sua autoridade contra um garoto na USP para comprovar que o fascismo vive tanto na Cidade Universitária quanto na Luz -importa pouco que tenha havido punição, até por graça de a prova veiculada na mesma internet ser cabal.
É conveniente a uma certa estratégia que a versão prospere. Esqueça que Haddad é autor da pérola segundo a qual "não se pode tratar a USP como a cracolândia". Basta "curtir".
BRASÍLIA - Por previsível, quase causa enfado a disputa política sobre a ação na cracolândia paulistana, de resto um imperativo da cidade contaminado desde a saída pelos interesses do combalido governo Kassab. Quem sabia do quê, planos mirabolantes. Ah, as eleições.
Agora é a vez do governo federal, que busca estabelecer um roteiro adequado às pretensões eleitorais do pré-candidato a prefeito Fernando Haddad (PT): o de que São Paulo meteu os pés pelas mãos e não participou de um esforço coordenado (pelo Planalto, claro) contra o crack.
Os limites do real, que passam pela Constituição, se interpõem ao que está na praça. Mas o que vale é a versão, como no caso daquela criancinha indígena que teria sido queimada viva por madeireiros no Maranhão, que "bombou" na internet.
Foi um mar de comentários, postagens e afins que as redes sociais autofágicas promoveram sobre o caso. O território não é feudo só de "progressistas", certo, mas quase isso.
Madeireiros são "do mal" pela definição dos moderninhos, dos humanistas de Facebook. São capitalistas horrendos, como os especuladores que querem acabar com a cracolândia só pelo lucro. E tostam nativos.
Bem, a Funai foi apurar e viu que a história era uma cascata. Tanto faz: já está satisfeito o contingente do "bilhão de varandas voltadas para o sol", para usar uma velha imagem do escritor britânico J.G. Ballard.
No seu mundo sem áreas cinzentas, esse mesmo pessoal usou o lamentável episódio do PM que abusou de sua autoridade contra um garoto na USP para comprovar que o fascismo vive tanto na Cidade Universitária quanto na Luz -importa pouco que tenha havido punição, até por graça de a prova veiculada na mesma internet ser cabal.
É conveniente a uma certa estratégia que a versão prospere. Esqueça que Haddad é autor da pérola segundo a qual "não se pode tratar a USP como a cracolândia". Basta "curtir".
CLAUDIO HUMBERTO
“ O ministro ofendeu a noção de probidade administrativa”
Senador Demóstenes Torres (DEM-GO) ao representar contra o ministro da Integração
LICITAÇÃO MILIONÁRIA PROVOCA SUSPEITA NO CNJ
A licitação de R$ 70 milhões para construir o datacenter do Conselho Nacional de Justiça promete gerar muita confusão. Vencida pela multinacional Oracle, a licitação parece ter sido feita a toque de caixa, e o contrato assinado em 23 de dezembro, antes mesmo de haver local adequado para os equipamentos. O CNJ corre fazendo uma “sala forte” para os produtos. Servidores do CNJ estranham todo o processo.
CAUSA E EFEITO
Segundo fontes do CNJ, a ex-diretora que discordava da contratação foi substituída exatamente pelo funcionário cujo parecer a possibilitou.
NADA A DECLARAR
A assessoria do CNJ garante que não há irregularidades e a Oracle se esquivou: uma empresa parceira é que participou da licitação.
PASSE DE MÁGICA
A “magia” já começou: mal a Oracle venceu a licitação milionária no CNJ, o Ministério da Justiça fez uma lotérica “adesão à ata de preços”.
PORTA DE SAÍDA
O PSDB e o DEM são os partidos com o maior número de deputados candidatos a prefeito, em outubro. Serão 19 tucanos e 14 democratas.
DIRIGENTE DA CODEVASF É O ‘FAZ TUDO’ DE BEZERRA
Substituto do irmão do ministro da Integração Nacional na Codevasf, o alagoano Guilherme Almeida é uma espécie de “faz tudo” da família Bezerra Coelho, cuja principal estrela é agora o ministro Fernando Bezerra. Era quem o ministro sempre quis no cargo. Fernando Bezerra até pediu que a indicação fosse adotada pelo governador do Piauí, Wilson Martins (PSB), mas ele deu uma de joão-sem-braço e indicou o irmão Rubem Martins, que resultou vetado pelo Palácio do Planalto.
RUA DA AMARGURA
O presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE), admite que a vida ficará mais difícil para a oposição, com saída de deputados candidatos.
TÁ FEIA A COISA
O secretário-geral Manoel Dias, espécie de ajudante de ordens de Carlos Lupi, é uma das opções do PDT para o Ministério do Trabalho.
BOMBANDO
O tríplice coroado general Augusto Heleno, hoje comentarista da Band, estreou no Twitter. Dobrou o número de seguidores em uma semana.
TORTO EM RUÍNAS
Os cavalos do ex-presidente João Figueiredo se reviram no túmulo: o parque de exposições da Granja do Torto, em Brasília – administrado por Aguinaldo Lélis, ligado a Joaquim Roriz – está um lixo: sujo, sem banheiros ou estrutura, sem animais. Virou point de festas rave e GLS.
LOROTA
Segundo o governo fluminense, o Ministério da Integração Nacional liberou cerca de R$ 60 milhões para obras em Campos (RJ), em 2011. Mas a prefeitura nega. Até hoje não viu a cor do dinheiro.
MELHOR QUE NADA
Diante da voracidade dos partidos que já cogitam tirar do PR o Ministério dos Transportes, o líder do partido na Câmara, Lincoln Portela (MG), diz que não há descontentamento da bancada com o ministro Paulo Sérgio Passos. “Ele tem nos atendido muito bem”.
TACANDO O PAU...
Brasileiros no voo Brasília-Lima pensarão mil vezes antes de viajar de novo pela Taca, de German Eframovich (Avianca). Esperaram 9 horas em Chiclayo (Peru), até o aeroporto de Lima abrir. Trancados no avião.
...NOS PASSAGEIROS
A tortura da Taca durou ao todo 13 horas, sem almoço e sem água, só servida após o embaixador do Brasil, Carlos Alfredo Teixeira, intervir. A bordo estava a discreta Tânia Patriota, mulher do chanceler brasileiro.
ÔNIBUS VELHO VOADOR
Alô, Anac: o Boeing 767-300 do voo TAM Miami-Brasília, segunda (9), dos anos 1980, é tão velho que tem cinzeiros e porta-giletes no W.C.. Tremeu tanto ao tocar o solo que uma portinhola abriu e dela caiu um litro de uísque, quase nocauteando a criança em cuja cabeça resvalou.
PLACA ILEGAL
O deputado Romário (PSB-RJ) anda feliz com a placa do seu carro, de iniciais IVY, nome de sua filha mais querida. O problema é que a placa é de Porto Alegre, onde o ex-craque não tem domicílio. E isso é ilegal.
O MAIS CARO
Jornais italianos noticiaram que deputados brasileiros se deram aumento de 62%, quando, na verdade, foram vereadores. Mas acertaram outra em cheio: nosso Congresso é o mais caro do mundo.
PENSANDO BEM...
...No CNJ, investigar magistrados não pode, mas promover licitações estranhas, certamente, pode.
PODER SEM PUDOR
UNIDOS SÓ NO DESASTRE
O tucano José Serra sempre preferiu o “voo solo”, o que o afasta até de correligionários. Em 1994, quando o PSDB ainda não havia escolhido o candidato ao governo paulista, ele aceitou carona no helicóptero de Mário Covas, com quem vivia às turras, entre Jaú e a capital. Após algum tempo de voo, entraram em uma área de forte turbulência. O helicóptero sacudia muito e Serra, que tem medo de voar, agarrou a mão mais próxima. Era a de Covas. O atual senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), na época deputado, não perdeu a piada:
– Só assim para estes dois se darem as mãos!...
Senador Demóstenes Torres (DEM-GO) ao representar contra o ministro da Integração
LICITAÇÃO MILIONÁRIA PROVOCA SUSPEITA NO CNJ
A licitação de R$ 70 milhões para construir o datacenter do Conselho Nacional de Justiça promete gerar muita confusão. Vencida pela multinacional Oracle, a licitação parece ter sido feita a toque de caixa, e o contrato assinado em 23 de dezembro, antes mesmo de haver local adequado para os equipamentos. O CNJ corre fazendo uma “sala forte” para os produtos. Servidores do CNJ estranham todo o processo.
CAUSA E EFEITO
Segundo fontes do CNJ, a ex-diretora que discordava da contratação foi substituída exatamente pelo funcionário cujo parecer a possibilitou.
NADA A DECLARAR
A assessoria do CNJ garante que não há irregularidades e a Oracle se esquivou: uma empresa parceira é que participou da licitação.
PASSE DE MÁGICA
A “magia” já começou: mal a Oracle venceu a licitação milionária no CNJ, o Ministério da Justiça fez uma lotérica “adesão à ata de preços”.
PORTA DE SAÍDA
O PSDB e o DEM são os partidos com o maior número de deputados candidatos a prefeito, em outubro. Serão 19 tucanos e 14 democratas.
DIRIGENTE DA CODEVASF É O ‘FAZ TUDO’ DE BEZERRA
Substituto do irmão do ministro da Integração Nacional na Codevasf, o alagoano Guilherme Almeida é uma espécie de “faz tudo” da família Bezerra Coelho, cuja principal estrela é agora o ministro Fernando Bezerra. Era quem o ministro sempre quis no cargo. Fernando Bezerra até pediu que a indicação fosse adotada pelo governador do Piauí, Wilson Martins (PSB), mas ele deu uma de joão-sem-braço e indicou o irmão Rubem Martins, que resultou vetado pelo Palácio do Planalto.
RUA DA AMARGURA
O presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE), admite que a vida ficará mais difícil para a oposição, com saída de deputados candidatos.
TÁ FEIA A COISA
O secretário-geral Manoel Dias, espécie de ajudante de ordens de Carlos Lupi, é uma das opções do PDT para o Ministério do Trabalho.
BOMBANDO
O tríplice coroado general Augusto Heleno, hoje comentarista da Band, estreou no Twitter. Dobrou o número de seguidores em uma semana.
TORTO EM RUÍNAS
Os cavalos do ex-presidente João Figueiredo se reviram no túmulo: o parque de exposições da Granja do Torto, em Brasília – administrado por Aguinaldo Lélis, ligado a Joaquim Roriz – está um lixo: sujo, sem banheiros ou estrutura, sem animais. Virou point de festas rave e GLS.
LOROTA
Segundo o governo fluminense, o Ministério da Integração Nacional liberou cerca de R$ 60 milhões para obras em Campos (RJ), em 2011. Mas a prefeitura nega. Até hoje não viu a cor do dinheiro.
MELHOR QUE NADA
Diante da voracidade dos partidos que já cogitam tirar do PR o Ministério dos Transportes, o líder do partido na Câmara, Lincoln Portela (MG), diz que não há descontentamento da bancada com o ministro Paulo Sérgio Passos. “Ele tem nos atendido muito bem”.
TACANDO O PAU...
Brasileiros no voo Brasília-Lima pensarão mil vezes antes de viajar de novo pela Taca, de German Eframovich (Avianca). Esperaram 9 horas em Chiclayo (Peru), até o aeroporto de Lima abrir. Trancados no avião.
...NOS PASSAGEIROS
A tortura da Taca durou ao todo 13 horas, sem almoço e sem água, só servida após o embaixador do Brasil, Carlos Alfredo Teixeira, intervir. A bordo estava a discreta Tânia Patriota, mulher do chanceler brasileiro.
ÔNIBUS VELHO VOADOR
Alô, Anac: o Boeing 767-300 do voo TAM Miami-Brasília, segunda (9), dos anos 1980, é tão velho que tem cinzeiros e porta-giletes no W.C.. Tremeu tanto ao tocar o solo que uma portinhola abriu e dela caiu um litro de uísque, quase nocauteando a criança em cuja cabeça resvalou.
PLACA ILEGAL
O deputado Romário (PSB-RJ) anda feliz com a placa do seu carro, de iniciais IVY, nome de sua filha mais querida. O problema é que a placa é de Porto Alegre, onde o ex-craque não tem domicílio. E isso é ilegal.
O MAIS CARO
Jornais italianos noticiaram que deputados brasileiros se deram aumento de 62%, quando, na verdade, foram vereadores. Mas acertaram outra em cheio: nosso Congresso é o mais caro do mundo.
PENSANDO BEM...
...No CNJ, investigar magistrados não pode, mas promover licitações estranhas, certamente, pode.
PODER SEM PUDOR
UNIDOS SÓ NO DESASTRE
O tucano José Serra sempre preferiu o “voo solo”, o que o afasta até de correligionários. Em 1994, quando o PSDB ainda não havia escolhido o candidato ao governo paulista, ele aceitou carona no helicóptero de Mário Covas, com quem vivia às turras, entre Jaú e a capital. Após algum tempo de voo, entraram em uma área de forte turbulência. O helicóptero sacudia muito e Serra, que tem medo de voar, agarrou a mão mais próxima. Era a de Covas. O atual senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), na época deputado, não perdeu a piada:
– Só assim para estes dois se darem as mãos!...
QUARTA NOS JORNAIS
- Globo: Brasil fecha fronteiras para conter “invasão” de haitianos
- Folha: Governo vai restringir a entrada de haitianos
- Estadão: Congresso ignora escândalo e dá mais R$ 1 bi para ONGs
- Valor: Empreiteiras emergentes entram no clube do bilhão
- Zero Hora: Seca já aumenta preço de frango, ovos e leite
- Correio Braziliense: Doações para filho complicam Bezerra
- Valor Econômico: Empreiteiras emergentes entram no clube do bilhão
- Estado de Minas: Nas contas do Ministério da Integração Nacional...Um pernambucano vale 110 mineiros
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