quarta-feira, outubro 26, 2011

ANTONIO PRATA - Alforria


Alforria
ANTONIO PRATA 
FOLHA DE SP - 26/10/11

Sei que no escândalo do lixo hospitalar americano eu deveria me surpreender é com os lençóis sujos de sangue, que por caminhos escusos vieram dar aqui nestes costados. Acontece que nós, os cronistas, somos uns sujeitos meio zarolhos, como essas crianças que tiram o carrinho da caixa e passam a brincar, entusiasmadas, com a caixa. Pois me chamou menos atenção a origem criminosa dos lençóis do que o seu particularíssimo destino: virar forro de bolso, no "Império do Forro de Bolso".
Confesso que, em meus 34 anos sobre a Terra, jamais havia dedicado um único pensamento a este obscuro rincão do vestuário. Até duas semanas atrás, quando toda a história foi divulgada, achava que a parte mais ínfima de nossas roupas fossem as meias: condenadas a suportar pisões e joanetes, frieiras e chulés, escondidas dentro de sapatos. Mas eis que surge o forro de bolso, espremido entre as coxas e o anonimato, escravo das galés, e perto dele as meias parecem-me pequenas celebridades; exibem listras e losangos sob a barra das calças, a cada cruzada de pernas, saracoteiam entre tatames e sushis, nos restaurantes japoneses, gozam o êxtase sagrado das mesquitas, ganham o Oscar de melhor coadjuvante ao participarem do sublime espetáculo de uma mulher nua, a não ser pelos pés envoltos em algodão, lã, cashmere... Já o forro de bolso: ouviríamos falar dele, não fosse a tragédia sanitária? Ah, lumpenvestuariat!
Se a Pixar fizesse uma animação em que as roupas ganhassem vida, os forros de bolso poderiam ser dublados por Steve Buscemi, Woody Allen ou Jason Alexander (o George Constanza, de "Seinfeld"). Tristes e sarcásticos, com vozes hesitantes e anasaladas (longe da luz do sol, pouco ventilados, sem dúvida sofrem de rinite, bronquite e outros problemas alérgicos), reclamariam de suas sinas: nunca um elogio, nunca uma palavra amiga, lembrados apenas se, puídos pelo mau uso de seus donos, deixam cair uma moeda, perdem a chave de casa.
A existência desses pobres-diabos só não é uma penúria completa pois dizem que em algum lugar, parece que no Brasil, há um refúgio feliz: o "Império dos Forros de Bolso". Quanta beleza e melancolia, nessas três palavras! Chego a ouvir ecos do Sermão da Montanha: "Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles será o reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados". Bem-aventurados os que se humilham sob a soberba das calças, porque a eles será destinado um Império.
Imagino que mamãe e papai forro digam coisas parecidas para o forrinho, quando, diante de malhas coloridas e cachecóis esvoaçantes, de botas de couro e blusas de seda, as primeiras luzes da consciência iluminam no rebento as trevas de sua condição. Esperançosos, os progenitores falam do fim do longo cativeiro, do dia em que os últimos serão os primeiros, o avesso será o correto e o correto será o avesso, as calças pagarão pela vaidade e todos os forros de bolso sentirão em suas faces os raios do sol, e receberão de graça a água da vida. Eis o que lhes dá forças para seguir em frente -ou melhor, embaixo, até o momento da prometida alforria.

EDUARDO GRAEFF - Falsas objeções ao voto distrital


Falsas objeções ao voto distrital
EDUARDO GRAEFF
O Estado de S. Paulo - 26/10/2011

A reforma política patina no Congresso Nacional, mas começa a ganhar fôlego na sociedade. No Congresso, o PT tenta emendar o ruim - sua proposta de voto proporcional em lista partidária fechada - com o pior - o distritão majoritário do PMDB. Será melhor para o País e para o próprio Congresso que o monstrengo resultante não ande. A ver como Lula se sai no papel de doutor Frankenstein...

Enquanto isso, a ideia que começa a ganhar fôlego na opinião pública é a do voto distrital. Os jovens ativistas que têm levado essa campanha para as ruas voltam animados: pessoas que nunca tinham ouvido falar em voto distrital levam cinco minutos para entender e gostar. Talvez até mais do que eleger seu representante, elas gostam da ideia de poder "deselegê-lo" depois de quatro anos, se ele decepcionar. O voto distrital o permite. Isso dá poder ao eleitor.

Não sei quanto tempo pode demorar para essa ideia se espalhar na sociedade até ganhar força no Congresso. Os movimentos de opinião às vezes atingem um ponto em que a curva de crescimento passa de incremental a exponencial. Foi assim com as diretas-já para presidente da República. Pode ser assim com as diretas-já para deputado, que é o que voto distrital significa.

A campanha pelo voto distrital leva uma vantagem: até agora ela corre sozinha na opinião pública. O PT não parece querer discutir o voto em lista fechada com a sociedade nem mesmo com suas bases. A maioria dos eleitores rejeita a proposta como uma usurpação do seu direito de escolha. O PMDB também não mostra a cara.

Assim, o que alimenta o debate público sobre reforma política, no momento, são opiniões contra o voto distrital, mais do que a favor das alternativas.

Três argumentos contrários parecem suficientemente relevantes para discutir - e fáceis de rebater.

O primeiro é que o nosso sistema proporcional de lista aberta não é assim tão ruim. Afinal, está aí há tanto tempo e, bem ou mal, funciona.

Eu pergunto: não é ruim para quem? Os candidatos que disputam eleição por esse sistema o acham insustentável. Não aguentam o custo exorbitante das campanhas e a dependência que ele cria dos grandes doadores. Pensam no financiamento público como uma tábua de salvação, seja com que sistema for. Tábua furada - mas essa é outra discussão.

O eleitor também dá sinais claros de insatisfação. As pesquisas registram uma desconfiança abissal do Congresso. As pessoas prestam cada vez menos atenção nos deputados e no que eles fazem - a não ser quando eles fazem alguma coisa escandalosa. A maioria não lembra em quem votou para deputado. Confiar em quem, então? Grande parte "perdeu o voto": deu-o a um candidato que não se elegeu. Nos maiores Estados, onde dezenas de partidos e centenas de candidatos disputam a preferência de dezenas de milhões de eleitores, todos poderiam entoar com Altemar Dutra: "Ninguém é de ninguém..." Agarrar-se a esse sistema só porque ele vai fazer 80 anos é conservadorismo puro.

A segunda objeção é que o voto distrital leva ao bipartidarismo. Os Estados Unidos e a Inglaterra seriam prova disso. Às vezes citam um estudo de Maurice Duverger sobre a França de meados do século passado.

A generalização é forçada, mesmo nesse universo restrito. Os Estados Unidos, sim, têm dois partidos com representação no Congresso. A Inglaterra tem três. A França hoje tem uma dúzia. Seu exemplo é relevante, na verdade, porque ela adota o voto distrital com eleição em dois turnos. Isso aparentemente dá mais chance aos pequenos partidos do que a eleição por maioria simples praticada na Inglaterra e nos Estados Unidos.

Todos se esquecem da Índia, que é o maior desmentido da tese do bipartidarismo forçado. A Índia pratica o voto distrital por maioria simples e tem mais de 30 partidos com representação no Parlamento nacional. Na independência, em 1947, o Parlamento estreou com um partido praticamente único, o Partido do Congresso. O voto distrital, ao contrário de forçar a concentração, permitiu a fragmentação gradual do sistema partidário para representar a diversidade social, religiosa e linguística da nova nação.

O terceiro argumento é que o voto distrital seria socialmente excludente, deixaria as minorias sem representação política.

De novo, o maior desmentido é a Índia. O atual primeiro-ministro indiano é sikh, grupo religioso que corresponde a menos de 2% da população. O país tem um registro notável de ações afirmativas a favor dos intocáveis e das castas oprimidas. Sua incorporação ao jogo político-eleitoral, via distritos, foi fundamental para isso.

Mas não é preciso ir longe. A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos tem 42 negros, 10% do total. A Câmara dos Deputados do Brasil tem 43 negros, 8% do total. Os negros são 13% da população americana. A comparação com o Brasil é inexata, porque o que chamam negro lá corresponde ao que aqui chamamos preto, mais grande parte do que chamamos pardo (ou mulato, ou moreno...). Seja como for, pretos e pardos são 51% da população brasileira.

Se fosse para apelar, eu poderia dizer que nos Estados Unidos o voto distrital sub-representa um pouco a minoria negra, mas aqui o voto proporcional sub-representa muito a maioria dos brasileiros. Claro que não é isso. As comparações só mostram que não dá para fazer generalizações sobre sistemas eleitorais sem levar em conta o contexto histórico e social.

A discussão que realmente me importa, a esta altura, é a que os jovens ativistas têm nas ruas com o eleitor. Em todo caso, se isso for tudo o que têm a dizer contra o voto distrital, o debate teórico também vai ser fácil.

MÔNICA BERGAMO - PEDAÇO DE MIM


PEDAÇO DE MIM
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 26/10/11

A polícia de Nova York deu um pedaço das torres do World Trade Center, que desabaram no atentado de 2001, para o Museu do Crime da Polícia Civil de SP. A peça, de metal retorcido, pesa 80 quilos e tem mais de um metro de comprimento.

MEMORIAL
O delegado Mauro Marcelo, ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), viajou aos EUA só para buscar o presente. A peça será colocada em um memorial em homenagem aos policiais mortos no dia do atentado. O Museu do Crime fica na Cidade Universitária, na USP.

EM CIMA DA HORA

Os organizadores da turnê da banda Pearl Jam no Brasil estavam angustiados ontem com a demora do consulado do país em Londres na concessão de vistos para a equipe dos músicos. Parte dela tem desembarque previsto em SP amanhã e, um dia antes de pegar o avião, ainda não tinham em mãos os vistos autorizando sua entrada no Brasil. Os shows estão marcados para 3 e 4 de novembro, no Morumbi.

TUDO CERTO

Até o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) foi acionado para resolver o problema. "Enviei carta [ao consulado] na semana passada pedindo atenção para que eles possam ter o visto em tempo hábil", diz o petista. O cônsul Marcos de Vincenzi, de Londres, afirmou à coluna que a questão já foi resolvida.

NA RODA

Fernando Haddad será o próximo entrevistado do "Roda Viva", na segunda, 31. O ministro da Educação é o candidato de Lula à sucessão de Gilberto Kassab (PSD-SP).

BRAÇOS DADOS

O governador Geraldo Alckmin admite conversar sobre a suspensão da meia-entrada para estudantes durante a Copa de 2014 em SP.

Mas só se a decisão for tomada em "nível nacional", com a adesão de todos os Estados que abrigarão os jogos do próximo Mundial.

TÔ FORA

O Instituto Democracia e Sustentabilidade, de Marina Silva, realizou pesquisa com cem jovens (18 a 25 anos) de SP sobre como eles veem a política. A maioria, mesmo entre aqueles que atuam em grêmios de escola, igrejas ou fazem trabalho comunitário, descarta se candidatar um dia. Associam política a corrupção e citaram palavras como "raiva", "nojo", "ódio" e "vergonha".

JESUS POLÍTICO

Quando perguntados sobre figuras inspiradoras de suas vidas, os jovens citaram primeiro pais, mães e avós e depois celebridades como Ronaldo, Silvio Santos, Cazuza e Rodrigo Faro. Jesus Cristo foi citado como "político", ao lado de Lula, Mandela, Gandhi, Luiza Erundina e da própria Marina Silva. Esses personagens são reconhecidos por sua "luta", com características semelhantes às de seus familiares.

SER MINEIRO É...

A pré-estreia do filme "Tancredo - A Travessia", de Silvio Tendler, foi um elogio à mineirice. A começar pelo próprio longa: o ex-governador José Serra (PSDB-SP), personagem secundário naquele momento da história do país, quando Tancredo foi eleito presidente, é figura de destaque no filme. "Ficou equilibrado", dizia Aécio.

"Reconheci a minha testa em uma das fotos [antigas que aparecem no longa]", dizia o próprio Serra. Na época, ele era secretário do então governador de SP, Franco Montoro (um dos líderes da transição), e nem sequer aparecia nas imagens.

O governador Geraldo Alckmin perguntava ao humorista Tom Cavalcante, na frente de Aécio: "Sabe o que é o mineiro? É aquele que, quando tem barro, vai atrás; quando tem poeira, vai na frente; e quando tem porteira, vai no meio".

Aécio gostou: "Vou citar, com crédito para o autor!".

No filme, que conta a história de Tancredo desde quando era ministro de Getúlio Vargas, passando pelo governo de Jango e terminando com sua morte, o personagem principal também define a mineirice.

"O mineiro não é radical. Se é mineiro, não é radical. Se é radical, não é mineiro. Mesmo tendo nascido em Minas", diz Tancredo.

ENVELOPE

A estilista Diane von Furstenberg desembarca em SP em novembro. Falará sobre seu trabalho na Faap, no dia 9, para alunos e convidados.

DEPOIS DE OBAMA

Gabriela Montero, pianista venezuelana que se apresentou na posse de Barack Obama em 2009, fará concerto popular com a Orquestra Sinfônica Brasileira em SP. A apresentação será no próximo dia 6, na Sala São Paulo, com ingressos a R$ 10.

TELÃO

O Masp exibirá amanhã, véspera da exposição "Sigmar Polke - Realismo Capitalista e Outras Histórias Ilustradas", curta feito pelo artista. "Sao Paulo (Brasilien)" foi produzido em 16 mm, nos anos 70, e será visto pela primeira vez fora da Alemanha.

BOM PRATO

Chefs como Samuele Oliva, do Terraço Itália, e Andrea Berton prepararam o jantar beneficente que abriu, anteontem, a Semana Mesa SP. Os casais Rose e Alfredo e Nádia e Olavo Setubal, do Itaú, estiveram lá.

CURTO-CIRCUITO
A exposição "Gestos", de Normando Martinez, será aberta hoje, às 19h, na Jo Slaviero & Guedes Galeria.

Breno Lerner lança amanhã "O Ganso Marisco e Outros Papos de Cozinha", na Livraria da Vila do shopping Higienópolis.

A Dpot promove amanhã mostra fotográfica de Marcelo Penna e apresentação de novo showroom.

A festa Halloween Trash acontece na sexta. 18 anos.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

JOSÉ SIMÃO - Ueba! Brasil é ouro em periquita!


Ueba! Brasil é ouro em periquita!
 JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 26/10/11

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! E olha esta placa: "Afasto sogra em sete dias, faço amarração pra conquistar sogro e simpatia pra resgatar dinheiro do Plano Collor. Pai Elvis de Roraima". Geralmente trazem a pessoa amada em três dias. Afastar sogra demora sete! Rarará!
E adorei o nome do vice da Cristina Kirchner: Amado Boudou. O único argentino que é amado. Rarará! E o porteiro do prédio que chama a Cristina Kirchner de Cristina Kitchinete? Rarará!
E os Esportes? "Ministro ajudou ONG de PM delator acusado de esquema de fraude." Só entendi que tá tudo dominado. Por isso que não participo de suruba, nunca se sabe quem botou a mão primeiro!
E todos do Partido Comunista! Eu sou do tempo em que comunista usava pijama e pelo na orelha. Eu sou do tempo em que chamavam comunistas de vermelhos. Agora os comunistas roubam e NEM FICAM VERMELHOS! E avisa pro Partido Comunista que só tem dois comunistas no mundo: Fidel e Niemeyer.
E adorei a charge do Cazo com dois meninos: "Você desistiu do futebol?". "Desisti! Vou abrir uma ONG que dá mais dinheiro." Eu também! Quero ser dono de ONG! Primeiro eu queria ser dono de supermercado. Mas ONG é melhor. Já tem ONG até pra vender terreno! E o Pan com ovo? Ganhamos ouro em OURUCUBACA! A Daiane caiu. As ginastas são muito fofas, mas caem muito.
Vamos chamar uma turma com mais sustança: a Hebe, a Marta e a Eva Wilma. Já imaginou a Eva Wilma na barra? Equipe Diamante! Rarará! E não deu ouro na vara! Fabiana Murer, do salto com vara, culpa o vento! Vento na vara dá gripe, pneumonia e torcicolo! Ficamos só com o Assalto sem Vara. O Brasil é ouro em Assalto sem Vara! Mas as mulheres estão arrasando no Pan. A força da periquita no Pan! O Brasil é ouro em periquita. Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
E mais uma série Os Predestinados! Direto da Santa Casa do Pará, a médica Ivanete do Socorro Abraçado! E no Rio tem um advogado chamado Gustavo BRIGAGÃO!
E sabe como se chama o diretor financeiro do Palmeiras? Marcos BAGATELA! E tão dizendo no Twitter que o Leão vai dar um jeito no São Paulo porque ele é o rei da bicharada! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

DORA KRAMER - Mau conselho


Mau conselho
DORA KRAMER
O ESTADÃO - 26/10/11

A presidente da República perdeu o timing da demissão de Orlando Silva. Deixou passar a oportunidade na sexta-feira e ficou a reboque da decisão da ministra Carmen Lúcia, que abriu inquérito no Supremo Tribunal Federal para investigar a participação do ministro nos desvios de dinheiro do programa Segundo Tempo.

Na semana passada Dilma Rousseff ainda estava em condições de preservar um pouco da iniciativa de resolver uma questão de evidente quebra de confiança, mas preferiu não fazê-lo a fim de atender circunstâncias outras.

Ao que se sabe fiou-se nos (maus) conselheiros que a orientaram a resistir ao"clima de histeria"para evitar que PT e PC do B se engalfinhassem numa troca de denúncias sobre quem deixou correr mais solto o descontrole com as verbas do Ministério do Esporte: Orlando Silva ou o antecessor e hoje governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz.

Resultado, mais uma vez tornou-se refém dos fatos consumados: novas denúncias a cada dia, pedido de investigação feito pelo procurador- geral da República, solicitação aceita pela ministra Cármen Lúcia, inquérito aberto no STF e Orlando Silva fora do jogo. Esteja ele nesta altura demitido ou não.

Subtraído de autoridade-moral,política e administrativa - pelas circunstâncias que os conselheiros não levaram em conta e a presidente não soube ou não quis avaliar corretamente.

Se a intenção era resguardar a prerrogativa da presidente de decidir, deu-se o oposto: os acontecimentos decidirão por ela.

Outra má ideia foi aquela de determinar a Orlando Silva que se encarregasse de tirar de cena os fatos negativos substituindo- os por uma agenda positiva.

Isso no meio da confusão.O ministro foi à Câmara ontem para tentar mudar de assunto e discutir a Lei Geral da Copa como se ainda houvesse amanhã, mas de novo o tema foi o escândalo.

Não tinha alternativa: apanhou calado, recusando-se a responder a perguntas sobre as denúncias, "em respeito à comissão".

Embaraçoso, mas inevitável. Naquele momento o ministro falava na condição de investigado pelo Supremo. Nem ele tinha mais o que dizer nem a Câmara poderia desconhecer o fato do dia.

O governo pode até tentar estender a agonia, mas não poderá ignorar por muito tempo que a pasta do Esporte está vaga.

Adaptação. Assessores presidenciais vão aos poucos alterando a narrativa sobre as impressões de Dilma e Lula a respeito de Orlando Silva.

Na sexta-feira, segundo os relatos, ambos estariam seguros de que era preciso resistir ao "denuncismo sem provas".

Na segunda,já teriam trocado impressões preocupadas com o volume de denúncias, durante uma inauguração em Manaus.

Vai-se, assim, construindo a saída desonrosa de sempre.

É óbvio que duas pessoas experientes - uma, foi presidente por oito anos, outra seu braço direito e agora na Presidência - sabem bem reconhecer quando estão diante de uma situação de improbidades em série.

Se nunca viram o que está sendo mostrado, ou não olharam e foram desleixados, ou não quiseram ver e foram cúmplices.

Coisa em si. Consta que na reforma de janeiro a presidente Dilma pretende acabar com o conceito de "feudo" pelo qual um ministério é entregue a um partido para fazer dele o que bem entender.

Isso é dito com naturalidade, como se a existência do tal critério não fosse em si um escândalo e também uma distorção da delegação que a população dá ao governante para conduzir a elaboração e execução de políticas públicas por meio dos ministérios.

Inglês ver. Veja o leitor como o Congresso dança conforme a música que toca o Palácio do Planalto: há pouco mais de dois meses senadores lançaram a Frente Supra partidária contra a Corrupção e a Impunidade, em apoio à dita "faxina" ética da presidente.

JOSÉ NÊUMANNE - As ONGs, a revolução, a saúva e a corrupção


As ONGs, a revolução, a saúva e a corrupção
JOSÉ NÊUMANNE
O Estado de S.Paulo - 26/10/11

Contra o revolucionário Orlando Silva - ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e prosélito da doutrina marxista-leninista do companheiro Enver Hoxha, que destruiu a economia albanesa, modelo de miséria na Europa mesmo quando esta era próspera - algo pesa mais do que as denúncias do antigo companheiro João Dias Ferreira. Pesa uma fotografia, publicada neste jornal, da casa do denunciante. João Dias Ferreira é soldado da Polícia Militar (PM). Normalmente seus companheiros de farda e soldo vivem em favelas, são perseguidos e muitas vezes até mortos por bandidos quando vizinhos ligados ao crime, organizado ou não, delatam sua profissão, tendo como base a farda lavada secando no varal. O ex-militante do Partido Comunista do Brasil (PC do B) que Sua Excelência chama de "bandido", para desacreditá-lo, mora numa mansão de dar inveja até a burgueses que os comunistas da linha albanesa, que combateram no Araguaia, satanizam.

Ora, dirá o leitor exigente, então o denunciado está coberto de razão. O delator só poderia morar onde mora se tiver praticado algum crime, mais especialmente, a corrupção. A questão toda é a seguinte: por que Ferreira mora numa mansão e seus colegas de patente não conseguem ir além do barracão de papelão e zinco no infortúnio da sub-habitação das grandes cidades brasileiras? A resposta está no noticiário: o PM militou no partido que detém o comando do desporto nacional às vésperas da Copa do Mundo no Brasil e da Olimpíada no Rio de Janeiro. E o dinheiro que Orlando Silva e o PC do B, partido que toma conta do Ministério do Esporte, juram que o soldado roubou não é de nenhum deles, mas nosso: meu, seu e do sem-teto que nem sonha com uma casa própria mais simples do que a que os leitores deste jornal, para estupor geral, foram informados que é de um praça de salário baixíssimo.

Queixou-se Orlando Silva de que o querem derrubar no grito. A chefe dele, Dilma Rousseff, fez coro a esse desabafo, reclamando que o subordinado é vítima de "apedrejamento moral". Nem a presidente nem o ministro, contudo, foram capazes de explicar quais as razões da destinação generosa que o governo federal fez de milhões de reais de dinheiro público para a ONG do militante educar criancinhas carentes praticando esportes.

Dilma teve uma prova da deslealdade do ministro quando este deixou claro, na primeira explicação que tentou dar ao público, que não foi ele que mandou dar nosso dinheiro suado ao "bandido" fardado. Teria sido o antecessor, Agnello Queiroz, que saiu do PC do B e do ministério para se eleger governador do Distrito Federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT), de seu ex-chefe Luiz Inácio Lula da Silva e da chefe atual, Dilma Rousseff. Tendo sido secretário executivo do Ministério do Esporte antes de tomar posse na pasta, Sua Excelência deve ter motivos para chutar o espírito de corpo para escanteio. Se houvesse no Brasil oposição digna do nome, já estaria exigindo para o governador tratamento similar ao dado a seu antecessor, José Roberto Arruda, do DEM.

Como o ex-partido do ex-governador e seus aliados tucanos preferem dar entrevistas bombásticas a agir, Agnello Queiroz comporta-se como a personagem com que Carlos Drummond de Andrade encerra seu poema Quadrilha (título perfeito, hein?), "J. Pinto Fernandes, que não tinha entrado na história". E, aproveitando-se da solerte inércia de adversários incapazes, Lulinha, o "perdoador", que guindou Silva ao ministério, pregou a "resistência". O PC do B, cujo projeto revolucionário resistiu muito pouco, parece disposto, conforme demonstrou seu programa no horário gratuito da televisão, a não arredar o pé das promessas de negociatas representadas pela Copa e pela Olimpíada que vêm por aí.

Os poucos brasileiros lúcidos que não se deixam ludibriar pela enganosa prosperidade econômica sabem que tudo não passa de grotesca tapeação dos devotos fiéis de Enver Hoxha. Para começo de conversa, as últimas administrações federais terceirizaram a administração (e, ao que parece, o furto generalizado) a entidades conhecidas como organizações não governamentais. Com o devido respeito às ONGs sérias, muitas delas têm sido usadas para burlar o fisco, a fiscalização e, sobretudo, o cidadão vigilante, que trabalha duro e sonha com uma gestão honesta para o dinheiro que recebe como paga de seu trabalho e compartilha com o Estado. De não governamentais entidades como as dos militantes do esporte albanês nada têm. São apenas a exibição explícita do desgoverno de quem busca no Orçamento público sombra e água fresca.

O escândalo do Ministério do Esporte põe em xeque outro mito da administração pública brasileira recente, o da governabilidade. No sistema de governo presidencialista dependente do Parlamento irresponsável, trocam-se votos de apoio das bancadas governistas por cargos na máquina pública. A barganha instituída da outorga da Constituição de 1988 para cá institucionaliza a hipocrisia total. Alguém pode achar que os companheiros de José Genoino no Araguaia deram a vida pela causa revolucionária de comandar as máquinas de arrecadação de grandes eventos esportivos? É claro que os partidos da base de apoio não se engalfinham por cargos para gerir bem a República, mas, sim, para fazer caixa. E alguém, em sã consciência, pode crer que é possível fazer caixa sem desviar recursos de projetos públicos para interesses privados?

É essa lógica, e não o oportunismo da oposição ou o espírito de porco dos meios de comunicação, que explica as fraudes nos feudos revelados nos Ministérios dos Transportes, do Turismo e da Agricultura, antes, e agora no do Esporte. O mal do Brasil hoje deixou de ser a saúva dos tempos do Jeca Tatu, de Monteiro Lobato, para se revelar nos furtos do cofre da viúva permitidos pelo desgoverno e no troca-troca exigido pela cumplicidade chamada de governabilidade.

REGINA ALVAREZ - Crescer desigual


Crescer desigual 
REGINA ALVAREZ
O GLOBO - 26/10/11

A economia brasileira, sem dúvida, mudou de ritmo no segundo semestre, apontando uma desaceleração. Mas se olharmos para cada setor os sinais são distintos, pois cada segmento reage a um estímulo. Assim, temos setores que de fato estão encolhendo, enquanto outros crescem e aparecem por razões bem específicas, estímulos internos que pouco ou nada têm a ver com a crise global.
A equipe de análise macroeconômica do Itaú Unibanco acaba de lançar uma publicação, o Orange Book, que ajuda a entender o que se passa nos vários setores da economia real, a partir da visão dos próprios empresários.
O economista Caio Megale observa que os setores que se mantêm aquecidos, como bens não duráveis e serviços, por exemplo, não dependem de crédito nem do câmbio, mas do emprego e da renda, que permanecem estáveis. Já os bens duráveis aparecem em uma escala intermediária de desaquecimento.
- Se estiver com medo de perder o emprego, não vou deixar de ir a um restaurante, tomar uma garrafa de vinho, mas vou pensar antes de comprar uma geladeira, um carro - observa.
Já os investimentos estão sendo fortemente afetados pela volatilidade do câmbio e pelo clima de instabilidade global. A compra de máquinas e equipamentos, caminhões e outros veículos pesados está relacionada diretamente à confiança do empresário. Mas mesmo nesse segmento a sensação que ficou da conversa com os empresários é de postergação e não de cancelamento.
- Se diminuir um pouco a incerteza, os juros menores devem impulsionar a economia - prevê Megale.
A pesquisa revela também algumas ilhas de aquecimento dentro dos setores. A demanda por aluguéis de imóveis comerciais, por exemplo, continua forte porque os investidores estrangeiros permanecem muito interessados no Brasil e alugam espaços comerciais para instalar seus escritórios e firmas.
- Estão fazendo um monte de perguntas, mas o interesse no país continua.
Outro movimento interessante acontece no mercado de trabalho. A dificuldade para contratar mão de obra especializada mantém esse mercado aquecido e os salários, valorizados.

Radiografia da crise
O gráfico abaixo mostra a evolução das dívidas dos países da zona do euro, desde a entrada de cada um no bloco europeu até 2010. No caso de Irlanda e Portugal, a relação dívida/PIB quase dobrou no período. Já o problema da Espanha está no déficit fiscal elevado. Em 2000, estava em 0,9% do PIB e deve fechar em 6,3% do PIB este ano.

Overdose
Mesmo tendo que descascar uma cesta de abacaxis por dia por conta das sucessivas crises no seu governo, a presidente Dilma está o tempo todo ligada nos desdobramentos da crise internacional e sempre que tem oportunidade relata suas impressões aos interlocutores. Na última reunião de coordenação política, ficou 40 minutos discorrendo sobre o assunto. Na saída, um dos líderes reclamou: "E sobre a liberação das emendas parlamentares, que é motivo de crise no Congresso, nenhuma palavra da presidente".

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


São Carlos avança como polo de voo não tripulado
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SP - 26/10/11

A prefeitura de São Carlos anunciou ontem que será instalada no município a produção de Vants (Veículos Aéreos Não Tripulados) da empresa brasileira XMobots. A chegada decorre da fusão com outra brasileira, a AGX Tecnologia.

"Estamos fundindo as áreas de pesquisa e desenvolvimento", diz Adriano Kancelkis, diretor-presidente da AGX e do novo grupo. A transferência da fabricação representa mais um passo para a formação de um polo da tecnologia no Brasil, segundo o executivo. Além da segurança, o produto tem como alvo os negócios agrícolas e ambientais. "O mercado envolve tudo o que se pode fazer com uma câmera no alto, como fotografar uma região, avaliar desmatamento, segurança pública e satélite", diz Roberto Ferraz, sócio da XMobots.

Os Vants têm eficiência superior aos aviões tripulados devido ao peso menor, que pode ser substituído por mais combustível e elevar as horas de voo, segundo Ferraz. A nova empresa produzirá aeronaves não tripuladas, sistemas embarcados, como piloto automático, sistemas de controle, softwares para gestão de informação, inteligência computacional e outros. A estimativa é gerar 500 empregos no próximo ano.

LABORATÓRIO DE ENSINO
Para atender à demanda por profissionais, que cresce cerca de 15% ao ano nos laboratórios Fleury, o grupo inaugurou há dois meses as novas instalações da Universidade Corporativa. O número de vagas quadruplicou e hoje 300 pessoas de diferentes especializações podem ser atendidas ao mesmo tempo, em cursos que duram até três meses. Em 2010, o Grupo Fleury ofereceu 67 horas de treinamento por colaborador, 16% a mais que em 2009.

O modelo combina aulas presenciais e virtuais e o aprendizado é mensurado por metodologias internacionais, segundo Omar Hauache, presidente do grupo. Além de 20 salas de treinamento e dinâmica, com tecnologia de última geração, a estrutura tem ambientes de simulação de atendimento com bonecos que representam pacientes. "Seria fácil aumentar nossa margem cortando esses investimentos, mas isso colocaria em risco nosso desenvolvimento a médio e a longo prazos", afirma. "Nosso trabalho depende de conhecimento, um dos diferenciais do Fleury."

VELHO MUNDO DESANIMADO
Consumidores italianos se conscientizaram da atual situação econômica só nos últimos três meses, segundo estudo da GfK com 12 países. A expectativa de renda da Itália foi a que teve maior queda no período: passou de -28 para -43. O indicador usado pela empresa varia de -100 a + 100. Valores negativos mostram que a avaliação do consumidor está abaixo da média no longo prazo. Na Polônia, onde o índice havia registrado seu menor valor em abril (-47), a expectativa melhorou -passou a -27 em junho e alcançou -20 em setembro. O PIB do país deve crescer 4,5% em 2011 e o consumo privado, 0,5%. A taxa de desemprego, porém, ficará em 11,8%.

REFEIÇÃO FÁCIL
Os moradores dos Jardins são os que mais pedem comida por serviços delivery em São Paulo, segundo estudo da Disk Cook e da iFood. Os pedidos feitos no bairro representam 15% do total, entre os 65 restaurantes analisados, todos afiliados à Disk Cook, que intermedeia solicitações dos clientes. A preferência dos paulistas é por sanduíches, em 17% dos casos. Em seguida aparecem casas de comida italiana e árabe, cada uma com 13%.

No Rio de Janeiro, Leblon e Copacabana lideram a quantidade de solicitações, com 18% e 15% do total. O levantamento foi feito com base em 8.000 pedidos em São Paulo e 4.000, no Rio. A iFood oferece serviços de tecnologia para restaurantes.

ESTRATÉGIA DESTILADA
Abrir uma loja por dois meses apenas para lançar um produto. A estratégia foi montada para o lançamento de uma nova vodca da sueca Absolut. A bebida, mantida em tonéis de cobre de destilação, é artesanal e tem especialistas que degustam cada lote, segundo Bryan Fry, presidente da Pernod Ricard Brasil, dona da marca. Cada garrafa custará R$ 190. O Brasil é o mercado em que a grife cresce mais rápido.

"O brasileiro tem demanda crescente por isso", diz. A loja será aberta hoje no shopping Cidade Jardim, em São Paulo.

com JOANA CUNHA, VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ

FERNANDO RODRIGUES - A presidente cordial


A presidente cordial 
FERNANDO RODRIGUES
FOLHA DE SP - 26/10/11

BRASÍLIA - Com quase dez meses de governo, Dilma Rousseff parece ter encontrado o formato ideal para vender sua imagem pública. Ontem, coroou esse modelo ao receber para um jantar no Palácio da Alvorada o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Na curta história da democracia brasileira, nunca um presidente pós-ditadura militar recebeu no Alvorada um ex-presidente de oposição. Havia uma impossibilidade prática: Collor, Itamar e FHC não tinham ex-presidentes de oposição para receber.
Em seus oito anos no poder, Luiz Inácio Lula da Silva poderia ter convidado FHC para conversar. Preferiu evitar tal gesto, tão comum em democracias mais maduras e desenvolvidas. É corriqueiro nos Estados Unidos um republicano receber um democrata ou vice-versa na Casa Branca.
É evidente que essas ocasiões não são sinalizações acabadas de civismo e bons modos. Trata-se de "realpolitk". Dilma e FHC ganham com esse gesto calculado. Ela, porque lustra a imagem de "presidente cordial". Ele, por reocupar espaço na cena nacional -entrando pela porta da frente depois de ter sido escanteado por seu próprio partido.
Ainda é cedo para saber se Dilma adotou tal comportamento por estratégia pré-definida ou se as coisas foram acontecendo e ela surfou o momento. Essa atuação ao acaso, uma espécie de "serendipismo" brasileiro, tem sido a regra no caso das demissões de ministros acusados de corrupção.
Não há notícia, por exemplo, de Dilma determinando faxina na Esplanada. Ela própria nega. Mas a imagem pegou. E não existe esforço concentrado no Planalto para debelar a impressão disseminada.
Assim como na definição de cordialidade de Sérgio Buarque de Holanda, a presidente vai sendo de uma forma em privado e de outra em público. Por enquanto, esse tem sido seu maior êxito.

CLAUDIO HUMBERTO

“O povo brasileiro quer o senhor fora do ministério”
DEPUTADO ACM NETO (BA), LÍDER DO DEM, FALANDO AO MINISTRO ORLANDO SILVA (ESPORTE) 

PLANALTO ENTREGOU BANCOS AO PT, PMDB E PTB 
O mapa do apadrinhamento de cargos públicos, feito pelo Palácio do Planalto, ao qual esta coluna teve acesso, revela o poder do PT paulista, do PMDB e até do PTB no controle dos negócios da Caixa Econômica Federal e no Banco do Brasil. No BB, por exemplo, ainda estão reservadas ao PT as diretorias de Reestruturação de Ativos Operacionais e o de Seguros, Previdência e Capitalização. 

ELE É O CARA 
O líder Henrique Eduardo (PMDB) responde por José Maranhão, na vice-presidência de Loterias da Caixa, e pode indicar mais dois vices.

TATO FORTE 
O deputado Jilmar Tatto (PT-SP) emplacou três diretores na Caixa. E será criada uma diretoria Banco do Nordeste para indicado do PTB. 

CONEXÃO DF 
Pela lista do Palácio, quem bancou o ex-ministro Geddel Vieira Lima na Caixa foi o vice-governador do DF, Tadeu Fellipelli (PMDB).

ELE VOLTOU 
Apesar de barrado pela Lei da Ficha Limpa, Jader Barbalho emplacou Tito Cardoso de Oliveira na diretoria de Gestão Corporativa da Eletronorte.

PM ACUSA DEPUTADO DE DESVIAR DOAÇÃO DA RECEITA 
O PM explosivo João Dias desembarca nesta quarta, na Comissão de Fiscalização da Câmara, disposto não apenas a detonar o ministro Orlando Silva (Esporte) e seu PCdoB. Ele ameaça ferir de morte o mandato do deputado Izalci Lucas (PR-DF), revelando detalhes de um suposto desvio de caminhão com 50.000 itens apreendidos pela Receita Federal no Paraná e doados à Secretaria de Ciência e Tecnologia quando Izalci era secretário do governo Arruda.

BRINDES 
Segundo João Dias, os itens doados sumiram, teriam sido estocados num depósito e reaparecidos como brindes de campanha em 2010. 

IZALCI CONFIRMA 
Izalci Lucas confirmou que pediu e recebeu da Receita doações como brinquedos, que foram doados a igrejas e a ONGs em 2008 e 2009.

TANCREDO 
O documentário Tancredo Neves – A Travessia, do diretor Silvio Tendler, estreia nesta quarta às 21h em Brasília, no cine Liberty Mall.

CAMINHO ABERTO 
Após intensa expectativa, esperava-se mais do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Constam do seu pedido de abertura de inquérito contra o ministro Orlando Silva, no Supremo Tribunal Federal, apenas recortes de jornais e o libelo de partidos de oposição.

SAINDO DE FININHO 
Cunhado de Orlando Silva, Gustavo Petta se demitiu da Secretaria de Esporte de Campinas (SP), onde recebeu R$ 3,5 milhões do ministério, e evitou depor na Câmara local. É lá que o ministro tem megaterreno.

OLÍMPICO 
Caiu na imensa vala do esquecimento a promessa do ministro Orlando Silva (Esporte) de processar o PM João Dias pelas denúncias. Mandou fazer “sindicância” interna, que em geral dura meses. Para nada.

VACA DE OURO 
O bloqueio judicial de R$ 1 milhão dos bens do ex-governador do DF Joaquim Roriz (PSC), pedido pelo Ministério Público, não o impediu de comprar lustrosa vaca de R$ 500 mil num leilão, dias atrás. 

SHOW DO CALOURO 
O apresentador de TV e deputado estadual Wagner Montes vai estrear numa disputa municipal. Trocou o PDT pelo PSD, no Rio, para se candidatar à prefeitura. Sem precisar pedir bênçãos ao PRB.

NEGÓCIO DA CHINA 
A ponte de R$ 1 bilhão em Manaus (AM), inaugurada na segunda (24), cairia pela metade do preço se após pagas as comissões de praxe, o governo contratasse os chineses com os preços que eles praticam. A ponte brasileira, doze vezes menor, custou metade da chinesa.

CURADO 
Após longa depressão, o ex-presidente do PT e da Petrobras José Eduardo Dutra reaparece em meio ao rolo do ministro Orlando Silva: “Se alguém te chama de ladrão na rua é calúnia. Se a pessoa tiver um crachá de jornalista, é liberdade de imprensa”, escreveu no Twitter. 

LINHA ABERTA 
O presidente da Conab, Evangevaldo Moreira, garante que jamais deixou de atender ligações do Ministro Mendes Ribeiro (Agricultura), e que as investigações internas no órgão abrangem a gestão anterior. 

PENSANDO BEM... 
...Como dizia o falecido ministro Mário Henrique Simonsen: “Às vezes é melhor pagar a comissão que fazer a obra”. Ou o “projeto desportivo”... 

PODER SEM PUDOR
SER OU NÃO SER, EIS A QUESTÃO 
O ex-ministro da Justiça Marcio Thomaz Bastos ouviu ontem uma lição da ministra Eliana Calmon, corregedora do Conselho Nacional de Justiça. Ele defendia seu cliente Luiz Zveiter, desembargador do TJ do Rio de Janeiro que a ministra acusa de favorecer a Patrimóvel, maior construtora de Niterói, ao cassar uma liminar que a impedia de tocar uma obra sem estudo de impacto ambiental. “O desembargador é amigo pessoal e seu filho é advogado de Plínio Augusto Serpa, dono da Patrimóvel; precisam indícios mais suficientes de favorecimento?”, questionou ela. Thomaz Bastos alegou que Zveiter não pode ser julgado por “ser” amigo”. Teve de ouvir a réplica da ministra: 
– Mais do que “ser”, na magistratura é preciso “parecer” (tal qual a mulher de Cesar) e no caso o desembargador não parece nada ético.

QUARTA NOS JORNAIS


Globo: Na marca do pênalti - STF abre inquérito e ministro perde apoio até de aliados

Folha: Senado aprova fim do sigilo eterno de dados

Estadão: STF abre investigação sobre Orlando

Correio: STF deixa ministro por um fio

Valor: Volkswagen vai abrir fábrica de US$ 2 bi em PE

Estado de Minas: O sonho desmoronou

Jornal do Commercio: FPF barra Torcida Jovem

Zero Hora: Decisão inédita do STJ reconhece casamento civil entre gaúchas

terça-feira, outubro 25, 2011

REGINA ALVAREZ - Cigarras e formiga


Cigarras e formiga
 REGINA ALVAREZ
 O Globo - 25/10/2011

O abismo que existe entre a Alemanha, maior economia da zona do euro, e países como Grécia, Portugal, Espanha e Itália também pode ser medido pela competitividade. O gráfico abaixo mostra a evolução do custo unitário do trabalho, uma forma de medir a competitividade. Para entender essa fotografia, considera-se que, de uma escala de 100 a 150, quanto mais em cima o país estiver, pior a sua situação no ranking da competividade. Luiz Otávio Leal, economista-chefe do banco ABC Brasil, explica que haveria duas maneiras de atacar o problema, mas, no caso dos países da zona do euro, o caminho da desvalorização do câmbio não pode ser adotado. Assim, resta a segunda alternativa, que seria a redução real dos salários para diminuir os custos da produção, tornando os produtos mais competitivos.

- O problema é estrutural. Toda a confusão do endividamento dos países periféricos da zona do euro passa pela perda de competitividade contínua desses países desde a criação da moeda comum - diz o economista.

Poucas certezas
As informações ainda são muito confusas e imprecisas sobre as negociações da cúpula da União Europeia, que começaram no fim de semana, em busca de uma saída emergencial para a crise na zona do euro. Mas as manifestações dos líderes de Alemanha e França dão pistas sobre quais propostas têm mais chance de sobreviver até quarta-feira, o dia D para o bloco, e aquelas marcadas para morrer.

A economista Monica de Bolle, da Galanto Consultoria, considera que está mais claro que a proposta da França de dar poderes ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira de acesso aos recursos do Banco Central Europeu (BCE) está descartada. Os alemães resistem à ideia de permitir o acesso aos recursos do BCE e não querem mudanças muito grandes na configuração atual do fundo.

Ontem aumentaram as especulações sobre o aumento do capital do fundo de resgate, que passaria dos atuais 440 bilhões para até 1 trilhão, depois de uma reunião de parlamentares alemães com Angela Merkel. Mas também não ficou claro de onde sairia o dinheiro. Um proposta que surgiu no fim de semana é capacitar o fundo para oferecer garantias aos países endividados da zona do euro na emissão de novos títulos.

Essas garantias ficariam entre 20% e 30% do valor dos bônus, ampliando as possibilidades de os países captarem mais recursos e recapitalizarem seus bancos em dificuldades. Monica considera essa proposta bastante viável, mesmo que tenha efeitos colaterais, como o aumento da percepção de risco do próprio fundo e de países como a França, já ameaçada de rebaixamento.

Outra proposta que ganhou destaque no fim de semana é o envolvimento dos países emergentes na ajuda aos europeus, por meio do FMI. A ideia de estabelecer dentro do FMI um fundo específico para a Europa com recursos dos países-membros é viável, explica Monica, desde que os recursos sejam direcionados aos governos.

E para o Brasil seria conveniente participar de um esforço desse tipo, porque o país poderia, com isso, aumentar o seu cacife no esforço que vem fazendo há anos para ampliar sua participação no FMI.

- Seria um erro não participar, mas não acredito que isso aconteça. Há interesses econômicos e geopolíticos envolvidos - prevê a economista.

SINAIS I: O mercado aguarda com expectativa a próxima ata do Copom. Espera que o documento traga mais pistas sobre a grande pergunta em relação aos juros: Até onde vai o corte promovido pelo BC? A ata sai na quinta-feira.

SINAIS II: Os últimos dados sobre inflação indicam, segundo a consultoria LCA, que o BC ainda continuará enfrentando bastante ceticismo do mercado em relação à aposta de convergência do IPCA para o centro da meta em 2012.

EMPREGO: A taxa de desemprego, que está em 6%, pode recuar para 5,8% em setembro, segundo previsão da Máxima Asset. O IBGE divulga o resultado também na quinta-feira.

CELSO MING - Contradições na Petrobras


Contradições na Petrobras 
CELSO MING
Estado de S.Paulo - 25/10/2011

A diretoria da Petrobrás faz um jogo contraditório. De um lado, defende a atual política de preços dos combustíveis, como fez todos esses anos seu presidente, José Sérgio Gabrielli. De outro, avisa o governo que, enquanto pagar um pedaço da conta do consumidor (subsídio), suas receitas não custearão investimentos.

Há cinco anos os preços pararam no tempo. Quando do último acerto, o barril de petróleo Brent, referência da Petrobrás, valia US$ 63. Hoje estão na faixa dos US$ 110.

Matéria publicada nesta segunda-feira pelo Estadão relata que o Centro Brasileiro de Infraestrutura calcula perda de faturamento pela Petrobrás, em oito anos, de R$ 9 bilhões. Mas dentro da empresa, conta a reportagem, avalia-se o rombo em mais do que isso.

Além de minar as finanças da Petrobrás, essa política está esvaziando o Programa do Álcool. Fácil entender por quê. O álcool tem apenas 70% do poder energético da gasolina comum. Se seus preços sobem para acima desse nível, proprietários de carros flex (40% da frota nacional e mais de 80% dos carros novos vendidos hoje) optam pela gasolina. Ou seja, o teto dos preços do álcool corresponde a 70% dos da gasolina. O problema é que os custos da produção do álcool subiram cerca de 40% nos últimos seis anos – conforme os cálculos da Unica, instituição que defende interesses do setor. E tanto a produção de álcool como a de açúcar estão caindo (veja o gráfico). Isto é, o álcool já não consegue competir com a gasolina subsidiada às atuais proporções.

Há três semanas, o governo federal diminuiu de 25% para 20% o teor de álcool anidro na mistura com a gasolina para baixar o consumo do produto, escasso em plena safra. A principal consequência será o avanço da importação de gasolina pela Petrobrás, para suprir um consumo que cresceu 19% no ano passado e deve avançar mais 7% neste ano.

Gabrielli tem justificado a política de distribuição de subsídios com o argumento de que é melhor para a Petrobrás trabalhar com preços estáveis a longo prazo. Nesse caso, não está defendendo a Petrobrás, mas, sim, razões do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que não quer um aumento da inflação. Gabrielli vem dizendo que a Petrobrás "não tem problemas de caixa". Mas, ao mesmo tempo, não consegue esconder a hemorragia em suas finanças. Outros diretores reconhecem informalmente que podem faltar recursos quando a Petrobrás mais precisa deles, para tocar os projetos do pré-sal.

Com o intuito de reduzir perdas, a diretoria da Petrobrás defende a redução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), tributo aplicado sobre o preço do combustível com a função de dar flexibilidade à política de combustíveis do governo. Em cada litro de gasolina, cobra-se hoje uma Cide de R$ 0,19.

Aparentemente, Mantega se recusa a baixá-la para não perder arrecadação. Se for isso, a motivação é equivocada. A Cide não existe com objetivos arrecadatórios. Tem características regulatórias.

Caso o governo concorde em diminuir a Cide, estará dando uma solução precária para um problema provocado por uma política que gera mais distorções do que benefícios.

Confira
Revide italiano. Depois de ter sido bombardeado por fazer pouco para equilibrar as finanças públicas, durante a reunião de cúpula que se realizou nesse domingo, em Bruxelas, o governo do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, revidou. Nesta segunda-feira, em dura nota oficial, atacou os demais líderes da área do euro.

"Não aceito lições". O comunicado adverte que "nenhum país da União Europeia deve ousar falar em nome de nenhum governo eleito" e que "ninguém está em posição de dar lições" a Roma.

Questão dos bancos. Berlusconi também avisou que o problema dos bancos é da Alemanha e da França, não da Itália, por não haver esse tipo de encrenca lá. Ele pediu a criação de um organismo que funcione como emprestador de última instância, nos moldes dos que existem em outras áreas monetárias. Por aí se vê como vai ser difícil definir uma governança comum que preveja punição ao país que transgrida os tratados fiscais do bloco.

ANCELMO GOIS - O Rio reage


O Rio reage
ANCELMO GOIS
O GLOBO - 25/10/11

A Procuradoria Geral do Estado do Rio já tem pronta uma ação direta de inconstitucionalidade contra a tunga dos royalties de petróleo.
Se a Câmara mantiver a decisão do Senado, será apresentada no STF no instante seguinte. O texto foi feito pelo constitucionalista Luís Roberto Barroso.

Segue...
A ação é baseada em duas teses centrais. Uma é que a Constituição prevê que os royalties do petróleo sejam dos estados produtores.
Outra é a quebra do pacto federativo de 1988, segundo o qual não haveria pagamento de ICMS ao estado produtor, que, em contrapartida, teria royalties.

Faltam 961 dias
A relação de Dilma com a Fifa é um pote até aqui de mágoas.
A presidente não perdoa Joseph Blatter, comandante da entidade, por ter faltado a uma reunião que ele mesmo havia pedido, semana passada, na Bélgica. Blatter mandou seu secretário-geral, Jerome Valcke.

Alô, Bovespa!
Eike Sempre Ele Batista mandou seus diretores trabalharem de gravata. Aí tem.

A mala de Gil
Gilberto Gil e a mulher, Flora, esperam há um mês que a Delta Airlines devolva ao casal uma mala alemã Rimowa, de alumínio e policarbonato (no Brasil custa uns R$ 2.500), estropiada num voo do Arizona para o Rio.
A mala veio amassada e sem rodas. A voadora mandou consertar, mas a oficina disse que não tinha jeito. Só uma nova.

Livro de Vereza
Carlos Vereza, longe da TV desde 2010, publica no início de 2012, pela Ibis Libris, um livro sobre o dano permanente em seu ouvido esquerdo deixado por um efeito especial com pólvora.
O ator diz que só superou o trauma com o espiritismo.

Troféu pré-sal
A Petrobras vai trazer do fundo do pré-sal uma rocha da qual será feito o troféu do vencedor do GP Brasil de Fórmula 1, dia 27 de novembro.

Orquestra da Ópera
Vai se chamar Orquestra da Ópera o novo braço da OSB formado pelos 33 músicos recém-readmitidos.

UPA exportação
Daniel Sciolli, governador da província de Buenos Aires, inaugura hoje sua segunda UPA 24h, na cidade de Lanús.

Memória
O Instituto Brasileiro de Museus firmou parceria com o Memorial Auschwitz-Birkenau para localizar brasileiros que possam colaborar com seu acervo.
José do Nascimento Júnior, do Ibram, recebeu em Brasília o diretor da instituição polonesa, Jacek Kasztelanie.

ZONA FRANCA
O Música no Museu apresenta Kiko Horta Quarteto, hoje, às 18h, no Museu do Exército.
Célia Resende lança “Síndrome do pânico tem cura”, hoje, na Argumento.
Laboratórios Bagó comemoram quinta 10 anos no Brasil.
Wadih Damous, Stepan Nercessian e Chico Alencar debatem hoje sobre corrupção na Rede Vida, às 21h.
Augusto Martins lança seu novo CD hoje no Rio Scenarium.
Camilo Portugal, chef do Hotel Novo Mundo, foi campeão pan-americano master de judô 2011.
Hoje, Ava Rocha estreia o longa “Ardor irresistível”, no Arteplex.
A Frog foi escolhida pela Womma como uma das três melhores agências de publicidade na internet do mundo. O prêmio será entregue em Las Vegas.

Verão em Búzios
Quinta, chega a Búzios, o balneário fluminense, o primeiro navio da temporada de cruzeiros. A novidade é que os turistas serão recebidos com um tapete vermelho, que terá os dizeres “Welcome to Búzios”.
Além disso, uma nativa em trajes de banho dará as boas-vindas aos visitantes.

Segue...
Búzios receberá 223 cruzeiros nesta temporada, com umas 400 mil pessoas.
Segundo levantamento da prefeitura, 60% dos turistas vêm de São Paulo. Cada um gasta uns R$100 por dia na cidade. A previsão é que deixem uns R$ 30 milhões na economia local.

Manto sagrado
A camisa do Flamengo vai mudar mais uma vez.
Dia 4, o clube apresentará a nova versão com a logomarca do Unicef perto do escudo.

Ensaio geral
Dia 13, a Defesa Civil fará o primeiro exercício de desocupação das comunidades da Região Serrana do Rio pelo sistema de alerta e alarme antichuvas. Quer preparar os moradores de áreas de risco para temporais.
Ao todo, serão 72 sirenes em 40 comunidades de Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis.

A MPB em Xerém
Zeca Pagodinho convidou Seu Jorge, Monarco, Jorge Benjor, Beth Carvalho, Almir Guineto e Gilberto Gil para participarem de seu novo DVD.
A gravação será em Xerém, na Baixada Fluminense, com todos juntos num rega-bofe fechado.

RONALDINHO GAÚCHO se esbalda no show do Rappa, na Marina da Glória, sábado: o craque do Fla, que não jogou contra o Santos, subiu ao palco e cantou “Reza vela” com Falcão

CAROLINA FERRAZ, a atriz que brilha em “O astro”, da TV Globo, esbanja charme em festa de uma marca de uísque na
casa da estilista Lenny Niemeyer

PONTO FINAL
Sei não. Parece que faltou criatividade ao povo do carnaval para fazer a capa do CD dos sambas-enredos de 2012. Veja só. Escolheram a mesma personagem de 2009, Fabíola, mulher de Anísio Abraão David, da Beija-Flor. Ou pode ser por causa daquele velho ditado: manda quem pode, obedece quem tem juízo. Com todo o respeito.
COM ANA CLÁUDIA GUIMARÃES, MARCEU VIEIRA E DANIEL BRUNET

FABRÍCIO CARPINEJAR - Sacoleiros do divórcio


Sacoleiros do divórcio 
FABRÍCIO CARPINEJAR 
ZERO HORA - 25/10/11

Eram separados recentes. Mariana e Renato já tinham atravessado o apocalipse do primeiro mês, momento crítico em que se torce deslavadamente para a tragédia do ex. (Torcer é um eufemismo, rezava-se para que o divórcio logo se transformasse em viuvez. Quem passou pela fossa sabe do que estou falando: o desejo 24 horas por dia para que o outro morra, desapareça da face da Terra, evapore da humanidade.

E que seja uma morte retumbante, com ampla repercussão nas redes sociais, esmagado pelo Arco da Redenção, ou atropelado por uma bicicleta na ciclovia do Gasômetro).

Os dois curtiam a segunda fase da separação: a curiosidade do ódio, aquele período fundamental em que se paga por informações para descobrir como o nosso antigo par está reagindo ao luto. Mariana e Renato queriam porque queriam notícias, adoeciam de ansiedade para desvendar se o ex engatou um novo relacionamento e esqueceu o passado, mas não poderiam se telefonar.

Soaria suspeito ligar para os amigos perguntando, ficaria muito na cara o interesse, representaria uma recaída. (Ansiedade não é o nome certo, talvez seja medo de que o ex seja feliz primeiro. Existe uma competição oculta entre os separados: quem sai mais nas baladas, quem emagrece mais, quem tem mais amigos no Facebook, mais seguidores no Twitter).

Ambos psicanalistas, lacanianos assumidos, Mariana e Renato não se sentiam à vontade usando a filha Marisa, de três anos, como garota de recados. Viviam criticando essa atitude, quando a criança é intermediária da crise, uma espécie de mula do tráfico amoroso, levando ofensas e indiretas entre os lares.

Mas Mariana e Renato encontraram um modo inteligente de se comunicar: as sacolas das lojas. A filhota chegou para dormir na casa do pai com os pertences numa sacolinha de caríssima loja feminina de sapatos, onde cada par não custava menos de R$ 500.

Aquilo irritou o homem: “Eu sofrendo para pagar a pensão e ela gastando os olhos da cara”. Para quê? Não deu outra: a filha voltou para a mãe com sacolinha de grife masculina. Mariana reparou na marca Armani e se enfureceu: “Comigo, ele vivia de abrigo molambento, velho, agora torra tudo o que não tem com terno, deve estar apaixonado por alguma piranha”.

A reação veio no final de semana seguinte. Providenciou que a filha visitasse o pai com uma sacola de free shop. Renato bufou: “Agora a cretina viaja ao Exterior! Ao meu lado, só íamos almoçar na sogra em Cachoeirinha”. Preparou a vingança mais do que perfeita, apareceu numa rede de lingerie para pedir uma sacola emprestada na maior cara de pau, comportou as coisinhas da filha lá dentro e teve sucesso.

Sua desafeta predileta babou, esperneou e ralhou que não aguentava a provocação: “Ele nunca comprou um sutiã para mim, sequer conhece o número do meu peito, agora o pilantra distribui peças íntimas para suas namoradas”. Após sete dias, apelou de vez e pôs as roupinhas da menina numa bolsa plástica prateada e fosca, própria de sex shop.

Foi um golpe baixo. Renato perdeu a educação dos símbolos, pegou o telefone e rompeu o silêncio:

– Da próxima vez, pode mandar os objetos da nossa filha numa sacola que não seja de sacanagem?

– Por quê? Está com ciúme? – pergunta Mariana.

– Não, imagina, deixa pra lá...

E começava a terceira e última fase da separação: a hipocrisia, fingir que nada mais é importante.

ILIMAR FRANCO - A faxina acabou


A faxina acabou
ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 25/10/11

O líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), diz que "a faxina acabou", com a permanência do ministro Orlando Silva (Esporte). Ele acredita que a oposição vai retomar a parcela do eleitorado, do Sul e do Sudeste, que a presidente Dilma conquistou com as quedas de Palocci, Nascimento, Rossi e Novais. "Vamos retomar o discurso de combate à corrupção que ela dividia conosco", resume. A oposição também aposta nas investigações da Procuradoria Geral da República.

O xadrez petista
Os deputados José Guimarães (PT-CE) e Jilmar Tatto (PT-SP) estão juntos trabalhando por um acordo interno no partido para que eles dividam a liderança da bancada nos próximos dois anos. O martelo não foi batido. Os principais obstáculos são os deputados Henrique Fontana (PT-RS) e Ricardo Berzoini (PT-SP). A preocupação do primeiro é com a imagem do partido, já que um assessor de Guimarães foi pego com dinheiro na cueca no escândalo do mensalão. E Berzoini resiste em dar mais poder para Guimarães, que é da tendência Construindo um Novo Brasil. Há petistas que acham precipitado tratar desde já da sucessão.

"O Rio tem 15 milhões de eleitores. E é um contraponto à força dos tucanos em Minas e São Paulo. No dia 10, nós vamos parar o Rio” — Lindbergh Farias, senador (PT-RJ), sobre o ato dos royalties do Rio

SOLUÇÃO ADIADA. O parecer que o relator do Código Florestal, senador Luiz Henrique (PMDB-SC), apresentará hoje traçará apenas princípios de uma política de crédito e incentivos econômicos para a recuperação de reservas legais e áreas de proteção permanente (APPs), e dará um prazo para a regulamentação pelo governo federal. Como a equipe econômica é contra o pagamento por serviços ambientais, os ruralistas não querem abrir essa discussão agora para não travar a votação.

Desarmados
A bancada do Rio reclama que o governador Sérgio Cabral não deu retorno da conversa com a presidente Dilma, na sexta-feira, sobre royalties. O projeto, que prejudica o Rio, está na Câmara. Ele volta a se reunir com Dilma amanhã.

Filiações eleitorais 
No Brasil, 15,3 milhões de eleitores são filiados aos partidos, segundo o TSE. O que tem mais filiados continua sendo o PMDB, com 2,4 milhões; depois vem o PT, com 1,5 milhão. Na oposição, quem tem mais é o PSDB, com 1,4 milhão.

Royalties: Serra critica frouxidão
O ex-governador José Serra critica o Congresso por não adotar regras mais rígidas para o uso das receitas do petróleo por estados e municípios. Ele defende que nos três primeiros anos esse dinheiro deveria ser usado em investimentos fixos e, a partir do quarto ano, em custeio das ações decorrentes daqueles investimentos. No caso dos estados mais ricos, como São Paulo, ele sugere criar um fundo e usar apenas o rendimento em áreas como Educação, Saúde ou Previdência.

Liquidação
O primeiro-ministro de Portugal, Pedro Coelho, quer as estatais brasileiras na privatização. A presidente Dilma o recebe na quinta-feira. Estão à venda: GALP (petróleo), TAP (aviação) , RTP (televisão), EDP (energia) e ANA (aeroportos).

O primeiro
Reconduzido na Anatel, o economista João Rezende, ligado ao ministro Paulo Bernardo (Comunicações), será o primeiro petista a assumir a presidência da Anatel. No governo Lula, o cargo foi ocupado por nomes do PDT e do PMDB.

A BANCADA. O PSD anuncia amanhã, em evento em Brasília, que sua bancada na Câmara será de 56 deputados federais, a terceira maior da Casa. O novo partido ultrapassou o PSDB.

O SENADOR Aécio Neves (PSDB-MG) esclarece que votou a favor do projeto de royalties aprovado, mas, que na votação anterior, apoiou proposta do senador Francisco Dornelles (PP-RJ) porque ela destinava R$ 791 milhões a mais para Minas Gerais.

O GOVERNADOR Sérgio Cabral (RJ) continua apostando num veto da presidente Dilma na nova lei de redistribuição dos royalties do petróleo.

ILIMAR FRANCO com Fernanda Krakovics, sucursais e correspondentes