sábado, julho 16, 2011
FERNANDO DE BARROS E SILVA - Bom apetite!
Bom apetite!
FERNANDO DE BARROS E SILVA
FOLHA DE SP - 18/07/11
SÃO PAULO - Pesquisa internacional divulgada nesta semana colocou São Paulo na posição de cidade mais cara das Américas, um pouco à frente do Rio e muito à frente de Nova York. Seríamos agora a décima cidade mais cara do planeta.Quem frequenta restaurantes bons, ou mesmo razoáveis, sabe do que a pesquisa está falando. Na média, comer em São Paulo é mais caro que comer em Paris.
E não consta que em Paris o comensal corra os mesmos riscos de seu semelhante paulistano. Não bastasse o assalto consentido, com direito a Nota Fiscal Paulista e tudo, o cliente agora sai no lucro se não for roubado de fato, sem metáforas.
Nos últimos 15 dias, foram registrados quatro arrastões em restaurantes de São Paulo, dois deles na região de Pinheiros. Desde o início do ano, foram pelo menos 20 ocorrências desse tipo. Há estabelecimentos que não registram queixa formal temendo retaliações ou danos à imagem. A própria polícia não divulga o número total. Uma coisa é certa: roubar a clientela de restaurantes e bares virou moda.
Não, ainda, na mesma escala das explosões de caixas eletrônicos -mais de 100 no Estado, pelo menos 70 na Grande São Paulo neste ano-, obra de grupos que em vários casos incluem policiais.
O mais recente arrastão foi na quarta-feira, durante o jogo do Brasil. O delegado responsável pela região oeste disse que não foi uma ação de profissionais, mas de "aventureiros". Talvez seja difícil explicar a diferença aos 30 clientes constrangidos e surrupiados sob a mira de pistolas. Teremos todos sorte se a polícia resolver o caso antes que um "aventureiro", ao invés de desejar "bom apetite" aos clientes na despedida, decida acertar uma azeitona em alguém.
Haverá, muito provavelmente, um recrudescimento da segurança privada em restaurantes e bares, como já ocorre em shoppings, lojas, condomínios, casas noturnas etc.
O restaurante não é praia do paulistano? Agora já temos arrastão.
FERNANDO RODRIGUES - Dilma e 2012
Dilma e 2012
FERNANDO RODRIGUES
FOLHA DE SP - 16/07/11
BRASÍLIA - O Brasil elege no ano que vem cerca de 5.500 prefeitos e 60 mil vereadores. Os principais partidos já articulam a montagem de suas alianças nos 81 municípios de maior relevância -soma de 26 capitais e das 55 cidades com mais de 200 mil eleitores. Esse "G81" abriga 37% dos votos do país.É raro encontrar um deputado ou senador alheio ao assunto. Os prefeitos e os vereadores eleitos em 2012 serão os cabos eleitorais dos congressistas na disputa de 2014. E também dos candidatos a governador e a presidente da República.
Por essa razão, chama a atenção Dilma Rousseff ainda não ter comissionado um de seus assessores para preparar um mapa eleitoral de 2012. Sobretudo com as principais alianças em gestação.
Nessa mesma época em governos anteriores, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva conversavam a pleno vapor com seus aliados políticos.
Tome-se o caso da cidade de São Paulo. O PT tem candidatos a prefeito -por enquanto, Marta Suplicy ou Fernando Haddad. O PMDB também tem seus nomes -Gabriel Chalita ou Paulo Skaf.
Não será o fim do mundo se os dois maiores aliados de Dilma seguirem rumos diferentes na disputa paulistana. Mas em política é necessário estabelecer regras de convivência. Quando PT e PMDB se tornam adversários em municípios grandes, é prudente a aliança nacional construir um cordão sanitário e evitar que o clima local transborde para Brasília e acabe contaminando os entendimentos sobre 2014. Não há sinais no Planalto de uma ação assim em curso.
Hoje é dia 16 de julho. O prazo para filiações partidárias dos candidatos de 2012 termina em setembro. Há pouco tempo para aplainar o terreno nas 81 principais cidades brasileiras. A complexidade aumenta numa aliança ampla como a de Dilma, com mais de dez partidos. Só ela poderá arbitrar e ser a fiadora de tantos acordos.
CLÁUDIO HUMBERTO
“Eu disse que ia entrar em processo de desencarnação”
EX-PRESIDENTE LULA SOBRE SUA PROMESSA NÃO CUMPRIDA DO INÍCIO DO ANO
GOVERNO CONSIDEROU ALGEMAR O DIRETOR DO DNIT
Causou indignação até no Palácio do Planalto a denúncia de que Ana Paula Batista Araújo, dona da Construtora Araújo Ltda, ganhou contratos de pelo menos R$ 18 milhões do Dnit, onde o marido dela, José Henrique Sadok, é o poderoso diretor-executivo. A notícia deixou a presidente Dilma tão irritada que o governo considerou prender Sadok em flagrante e retirá-lo do cargo algemado pela PF.
JORNAIS NÃO DEMITEM
Após o ímpeto de meter Sadok na cadeia, a turma do “deixa disso” convenceu o governo a só afastá-lo, “para não dar trela à imprensa”.
DONO DA CANETA
Além de diretor-executivo, o maridão da dona da empreiteira era diretor-geral interino do Dnit, nas atuais “férias” de Luiz Pagot.
PASSOS LENTOS
Apenas às 12h30 de ontem o ministro Paulo Sérgio Passos (Transportes) decidiu “afastar temporariamente” Sadok do cargo.
É A MÃE
Já teve o filho do ministro dos Transportes superfaturando, agora a mulher do diretor do Dnit. Só falta colocar a mãe de outro no meio.
CASO CHÁVEZ PÕE A MEDICINA CUBANA EM XEQUE
O tratamento do semiditador da Venezuela Hugo Chávez contra o câncer, no Brasil, demole o mito da “excelência” da medicina cubana, que tem fama de fazer “milagres”. Chávez teria sido vítima de erro médico da equipe que o operou em Havana, liderada por um espanhol, que também tratou Fidel Castro. O Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, espera a “confirmação do paciente” para iniciar o tratamento.
MOITA VENEZUELANA
O chanceler venezuelano Nicolás Maduro esteve sigilosamente em Brasília, quinta (14), para providenciar o tratamento no Sírio-Libanês.
NINGUÉM MERECE
Com o tratamento de Chávez em São Paulo teremos as visitas do Lula, da Dilma, boletins diários do médicos, entrevistas do porralouca...
BEM NA FOTO
Dilma mancou cancelar a concorrência contratando empresa privada para fazer sua foto oficial. O Planalto tem uma equipe de primeira.
PACTO
São do PAC, menina dos olhos de Lula e Dilma, as obras nas BRs 174, 432 e 433, que a construtora da mulher do diretor-executivo do Dnit José Sadok de Sá ganhou, e ele diz que “não tem nada com isso”.
BAIXO RENDIMENTO
Somada, toda a bancada do PT do governador Agnelo Queiroz, apenas apresentou 64 projetos de lei durante o primeiro semestre, na Câmara Legislativa do DF. Três oposicionistas apresentaram 85.
CURIÓ FEZ ESCOLA
Parafraseando o ex-prefeito Curió, que dividia os garimpeiros de Serra Pelada entre os que “fugiam de dívidas, da polícia ou eram cornos”, o ex-presidente da OAB-PA Sérgio Couto acha que o esquartejamento do Pará é coisa de “tolos, oportunistas e de empresários gananciosos”.
S’IMBORA
É mais barato se hospedar na Suíça (€140) que no Brasil (€145), compara o site internacional Hotel Price Index. Temos as diárias mais caras do mundo. Hungria e Nova Zelândia são pechincha: €69 e €70.
TARTARUGA DIPLOMÁTICA
Em nove representações brasileiras, contratados começaram operação-tartaruga contra baixos salários. O movimento já afeta viajantes aos EUA e embola o meio de campo na Copa. Chanceler Antonio Patriota prometeu solução em agosto.
DESRESPEITO À BRASILEIRA
A Air France adquiriu o jeito brasileiro de desrespeitar clientes: com overbooking diário, a empresa francesa remanejou passageiros de voos já marcados neste final de semana. A Anac se finge de morta.
TUNGA NO AEROPORTO
A Infraero notificou a casa de câmbio Confidence, do aeroporto de Brasília, sobre o uso indevido do seu nome. A loja cobra “tarifa da Infraero”, no valor de R$ 10, na venda de dólares ou euros.
SUTILEZA
Em inglês, o site Brasil.gov.br oferece links para o “investidor”, o “jornalista”, e o “estudante”, nessa ordem. Em português, “investidor” continua em primeiro, mas “jornalista” cai para a terceira posição.
PENSANDO BEM...
Agosto já começou para Dilma.
PODER SEM PUDOR
CHIMARRÃO E RAPADURA
Para quebrar o gelo na CPI dos Correios, que investigava a origem do mensalão do governo Lula, o presidente da comissão, senador Delcídio Amaral (PT-MS) brincou com o então senador Ney Suassuna (PMDB-PB) quando o viu experimentar o chimarrão do deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS).
– É meio amargo... – reagiu Suassuna.
Senadora na ocasião, Ideli Salvatti (PT-SC) não gostou e observou com certa dose de preconceito regionalista:
– Esse aí só gosta de água de coco e rapadura...
GOVERNO CONSIDEROU ALGEMAR O DIRETOR DO DNIT
Causou indignação até no Palácio do Planalto a denúncia de que Ana Paula Batista Araújo, dona da Construtora Araújo Ltda, ganhou contratos de pelo menos R$ 18 milhões do Dnit, onde o marido dela, José Henrique Sadok, é o poderoso diretor-executivo. A notícia deixou a presidente Dilma tão irritada que o governo considerou prender Sadok em flagrante e retirá-lo do cargo algemado pela PF.
JORNAIS NÃO DEMITEM
Após o ímpeto de meter Sadok na cadeia, a turma do “deixa disso” convenceu o governo a só afastá-lo, “para não dar trela à imprensa”.
DONO DA CANETA
Além de diretor-executivo, o maridão da dona da empreiteira era diretor-geral interino do Dnit, nas atuais “férias” de Luiz Pagot.
PASSOS LENTOS
Apenas às 12h30 de ontem o ministro Paulo Sérgio Passos (Transportes) decidiu “afastar temporariamente” Sadok do cargo.
É A MÃE
Já teve o filho do ministro dos Transportes superfaturando, agora a mulher do diretor do Dnit. Só falta colocar a mãe de outro no meio.
CASO CHÁVEZ PÕE A MEDICINA CUBANA EM XEQUE
O tratamento do semiditador da Venezuela Hugo Chávez contra o câncer, no Brasil, demole o mito da “excelência” da medicina cubana, que tem fama de fazer “milagres”. Chávez teria sido vítima de erro médico da equipe que o operou em Havana, liderada por um espanhol, que também tratou Fidel Castro. O Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, espera a “confirmação do paciente” para iniciar o tratamento.
MOITA VENEZUELANA
O chanceler venezuelano Nicolás Maduro esteve sigilosamente em Brasília, quinta (14), para providenciar o tratamento no Sírio-Libanês.
NINGUÉM MERECE
Com o tratamento de Chávez em São Paulo teremos as visitas do Lula, da Dilma, boletins diários do médicos, entrevistas do porralouca...
BEM NA FOTO
Dilma mancou cancelar a concorrência contratando empresa privada para fazer sua foto oficial. O Planalto tem uma equipe de primeira.
PACTO
São do PAC, menina dos olhos de Lula e Dilma, as obras nas BRs 174, 432 e 433, que a construtora da mulher do diretor-executivo do Dnit José Sadok de Sá ganhou, e ele diz que “não tem nada com isso”.
BAIXO RENDIMENTO
Somada, toda a bancada do PT do governador Agnelo Queiroz, apenas apresentou 64 projetos de lei durante o primeiro semestre, na Câmara Legislativa do DF. Três oposicionistas apresentaram 85.
CURIÓ FEZ ESCOLA
Parafraseando o ex-prefeito Curió, que dividia os garimpeiros de Serra Pelada entre os que “fugiam de dívidas, da polícia ou eram cornos”, o ex-presidente da OAB-PA Sérgio Couto acha que o esquartejamento do Pará é coisa de “tolos, oportunistas e de empresários gananciosos”.
S’IMBORA
É mais barato se hospedar na Suíça (€140) que no Brasil (€145), compara o site internacional Hotel Price Index. Temos as diárias mais caras do mundo. Hungria e Nova Zelândia são pechincha: €69 e €70.
TARTARUGA DIPLOMÁTICA
Em nove representações brasileiras, contratados começaram operação-tartaruga contra baixos salários. O movimento já afeta viajantes aos EUA e embola o meio de campo na Copa. Chanceler Antonio Patriota prometeu solução em agosto.
DESRESPEITO À BRASILEIRA
A Air France adquiriu o jeito brasileiro de desrespeitar clientes: com overbooking diário, a empresa francesa remanejou passageiros de voos já marcados neste final de semana. A Anac se finge de morta.
TUNGA NO AEROPORTO
SUTILEZA
PENSANDO BEM...
Agosto já começou para Dilma.
PODER SEM PUDOR
CHIMARRÃO E RAPADURA
– É meio amargo... – reagiu Suassuna.
Senadora na ocasião, Ideli Salvatti (PT-SC) não gostou e observou com certa dose de preconceito regionalista:
– Esse aí só gosta de água de coco e rapadura...
SÁBADO NOS JORNAIS
- Globo: Dilma afasta outro diretor do Dnit e fará faxina ampla
- Folha: Novas suspeitas derrubam mais 2 dod Transportes
- Estadão: Dilma afasta diretor executivo do Dnit após novas denúncias
- Correio: Só falta Pagot
- Estado de Minas: Bafômetro pela metade
- Zero Hora: Imigrantes gaúchos são os que mais voltam à terra natal
sexta-feira, julho 15, 2011
ALON FEUERWERKE - Meu casuísmo querido
Meu casuísmo querido
ALON FEUERWERKE
Correio Braziliense - 15/07/2011
Sobraram outros problemas sérios na Ficha Limpa. Um grave é a retroatividade. Se o sujeito cometeu ato que na época não produzia automaticamente inelegibilidade, não pode ficar inelegível por uma lei posterior
A Câmara dos Deputados decidiu adotar a via mais rápida (ou menos lenta) para dar posse aos parlamentares beneficiados pelo adiamento da vigência da Ficha Limpa. Uma boa decisão. Espera-se que o Senado acompanhe. E rapidamente.
O corporativismo congressual não pode estar acima da lei.
Critica-se a Justiça por lentidão. Então, quando ela decide, deveria ser apenas o caso de cumprir. Isso fez o presidente Marco Maia (PT-RS). Parabéns para ele.
Ou a Lei da Ficha Limpa valeu para as eleições do ano passado ou não valeu. Não valeu? Pronto. Tomem posse os beneficiados pela sentença em última instância. Os prejudicados disputem nova eleição.
Estado de direito é isso. É curioso notar quando alguns exigem do poder manter-se no estrito limite legal e, ao mesmo tempo, pedem para si próprios a prerrogativa de escolher quais decisões judiciais vão cumprir e quais não.
O tapetão do outro é condenável. Mas o meu é sempre limpinho. Tipicamente nosso. Como também outro princípio. O ônus da prova cabe sempre ao meu adversário. Para absolver ou condenar, conforme o caso.
A Ficha Limpa é uma boa lei, com problemas. Um deles já foi resolvido pelo Supremo Tribunal Federal, que cuidou em boa hora de proteger a norma pela qual mudança de regra a menos de um ano da eleição nãovale. Foi prudente.
A política brasileira é terreno fértil para casuísmos, especialmente quando impulsionados pelo clamor da opinião pública. Entendida como a turma que julga dominar a opinião pública.
E os direitos e garantias devem estar protegidos inclusive contra os excessos da opinião pública.
Ainda que a dita cuja não costume concordar com isso. A não ser quando ela mesma se sente ameaçada. Aí se lembra do Estado de direito.
Sobraram outros problemas sérios na Ficha Limpa. Um grave é a retroatividade. Se o sujeito cometeu ato que na época não produzia automaticamente inelegibilidade, não pode ficar inelegível por uma lei posterior.
É um princípio constitucional, uma blindagem de direito individual.
Se ninguém pode alegar desconhecimento da lei, tampouco ninguém pode adivinhar como será exatamente uma lei futura.
Os defensores da aplicação imediata da Ficha Limpa buscaram atalhos jurídicos para alegar que não é bem assim. Data vênia, como diriam os magistrados, é bem assim sim.
Todo o debate da Ficha Limpa foi conduzido na sociedade e no Congresso com viés punitivo. Ganhou apoio maciço exatamente por essa razão.
Tratava-se de encontrar um mecanismo para punir políticos pouco merecedores de representar o povo. Uma guilhotina. Como o médico que é proibido de clinicar, ou o advogado de advogar. E por aí afora.
Excelente, desde que respeitados os limites constitucionais da garantia de direitos. Um exemplo é o político que antes da Ficha Limpa renunciou para não ser cassado.
Se soubesse que ficaria inelegível, certamente encararia o processo político, para ter uma chance de escapar.
Se hoje o sujeito está feliz no papel de acusador ou de carrasco, amanhã pode estar sentado no banco réus. Real ou figurado. Sempre é bom lembrar disso.
E prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.
Demônios
Continua o debate no Congresso sobre uma lei específica para crimes no mundo digital. Ainda que ninguém tenha até hoje demonstrado cabalmente a necessidade de uma legislação particular para isso.
Inclusive porque uma das consequências do escândalo de espionagem jornalística no Reino Unido é abrirem-se as portas para os fanáticos da censura.
Que encontraram, digamos assim, um gancho de legitimidade.
Para, quem sabe?, jogar a criança fora junto com a água suja.
O que os inspiradores de uma lei específica para crimes digitais deveriam esclarecer, antes de mais nada? Precisariam responder a uma pergunta preliminar.
"Qual crime cometido no universo digital ficou sem punição pela ausência de uma lei específica que o previsse?"
Uma pergunta simples, mas essencial.
VINÍCIUS TORRES FREIRE - Os motivos da moda anti-Brasil
Os motivos da moda anti-Brasil
VINÍCIUS TORRES FREIRE
FOLHA DE SP - 15/07/11
PEGOU MESMO a moda de falar mal da economia brasileira, ao menos na mídia financeira global. A frequência do zum-zum crítico é agora praticamente diária. Por quê?
Velhos defeitos e esquisitices do país não haviam desaparecido quando a febre de amores pelo Brasil estava no auge, entre 2009 e 2010, embora tenha havido progressos contínuos na década passada -progressos do ponto de vista do economista padrão e dos "mercados".
Talvez os críticos tenham notado que os empecilhos "estruturais" podem minar o recente ciclo de bonança. Esse boom deveu-se uma combinação de: 1) reformas econômicas; 2) estabilidade financeira; 3) alta do preço das exportações; 4) melhora na distribuição de renda.
Alguns desses motivos do boom e seus obstáculos foram mencionados ontem numa conferência sobre o Brasil organizada pela empresa de notícias e serviços financeiros Bloomberg. A linha de crítica mais "estrutural" foi sintetizada assim por Augusto de La Torre, economista-chefe para América Latina do Banco Mundial: "As expectativas [positivas] superaram a capacidade. O Brasil atingiu o limite".
A moda de críticas, porém, enfatiza uma deterioração mais conjuntural. Há uma boataria em geral incompetente sobre uma "bolha de crédito" no Brasil. Há riscos, embora os indicadores conhecidos de crédito não apontem para nenhuma desgraça. Mas sabemos muito pouco das condições do enorme endividamento externo das empresas.
Críticos mais espertos dizem que, dado o excesso de gasto do governo, a taxa de investimento do país não vai aumentar sem que o deficit externo (financiamento externo) cresça a ponto de causar uma crise cambial (desvalorização da moeda). Dadas as necessidades "normais" de investimento, mais o empenho em desenvolver o pré-sal, as inúteis obras esportivas e o gasto social crescente, essa crise estaria marcada para ocorrer.
Outra crítica aponta o dedo para a inflação. Os juros vão ficar altos por um tempo prolongado, até 2013, o que vai minar o crescimento. Inflação e juros altos mais crescimento baixo seriam ainda uma explicação para o horrível desempenho da Bolsa brasileira (muito cara para uma expectativa de lucro cadente para as empresas). O real forte nubla ainda mais o cenário.
O real forte seria resultado, aliás, da "armadilha do sucesso" em que caiu o país. Com boas perspectivas, mas sem infra para crescer de modo duradouro, atraiu capital externo demais, dinheiro sobrante no mundo e de resto atraído pela nossa taxa de juros estrambótica.
Mas a opinião "real" dos mercados sobre o país seria tão ruim? Na semana passada, o governo brasileiro tomou empréstimo no exterior por dez anos a uma taxa anual de 4,2%, bem baixa. É sinal de que o setor privado pode continuar a se financiar em dólar a juros miúdos.
Os críticos, porém, perguntam-se se isso é bom ou mau sinal. O país é "confiável" e rentável ou é apenas vítima de mais uma mania financeira, como as que acabaram por quebrar a Ásia em 1997, a Rússia em 1998, a Argentina em 2001 etc.?
Defeitos temos muitos -mas são antigos. As críticas sobre a deterioração recente são mal fundamentadas. Mas manadas de mau humor e preconceito são perigosas.
Velhos defeitos e esquisitices do país não haviam desaparecido quando a febre de amores pelo Brasil estava no auge, entre 2009 e 2010, embora tenha havido progressos contínuos na década passada -progressos do ponto de vista do economista padrão e dos "mercados".
Talvez os críticos tenham notado que os empecilhos "estruturais" podem minar o recente ciclo de bonança. Esse boom deveu-se uma combinação de: 1) reformas econômicas; 2) estabilidade financeira; 3) alta do preço das exportações; 4) melhora na distribuição de renda.
Alguns desses motivos do boom e seus obstáculos foram mencionados ontem numa conferência sobre o Brasil organizada pela empresa de notícias e serviços financeiros Bloomberg. A linha de crítica mais "estrutural" foi sintetizada assim por Augusto de La Torre, economista-chefe para América Latina do Banco Mundial: "As expectativas [positivas] superaram a capacidade. O Brasil atingiu o limite".
A moda de críticas, porém, enfatiza uma deterioração mais conjuntural. Há uma boataria em geral incompetente sobre uma "bolha de crédito" no Brasil. Há riscos, embora os indicadores conhecidos de crédito não apontem para nenhuma desgraça. Mas sabemos muito pouco das condições do enorme endividamento externo das empresas.
Críticos mais espertos dizem que, dado o excesso de gasto do governo, a taxa de investimento do país não vai aumentar sem que o deficit externo (financiamento externo) cresça a ponto de causar uma crise cambial (desvalorização da moeda). Dadas as necessidades "normais" de investimento, mais o empenho em desenvolver o pré-sal, as inúteis obras esportivas e o gasto social crescente, essa crise estaria marcada para ocorrer.
Outra crítica aponta o dedo para a inflação. Os juros vão ficar altos por um tempo prolongado, até 2013, o que vai minar o crescimento. Inflação e juros altos mais crescimento baixo seriam ainda uma explicação para o horrível desempenho da Bolsa brasileira (muito cara para uma expectativa de lucro cadente para as empresas). O real forte nubla ainda mais o cenário.
O real forte seria resultado, aliás, da "armadilha do sucesso" em que caiu o país. Com boas perspectivas, mas sem infra para crescer de modo duradouro, atraiu capital externo demais, dinheiro sobrante no mundo e de resto atraído pela nossa taxa de juros estrambótica.
Mas a opinião "real" dos mercados sobre o país seria tão ruim? Na semana passada, o governo brasileiro tomou empréstimo no exterior por dez anos a uma taxa anual de 4,2%, bem baixa. É sinal de que o setor privado pode continuar a se financiar em dólar a juros miúdos.
Os críticos, porém, perguntam-se se isso é bom ou mau sinal. O país é "confiável" e rentável ou é apenas vítima de mais uma mania financeira, como as que acabaram por quebrar a Ásia em 1997, a Rússia em 1998, a Argentina em 2001 etc.?
Defeitos temos muitos -mas são antigos. As críticas sobre a deterioração recente são mal fundamentadas. Mas manadas de mau humor e preconceito são perigosas.
TUTTY VASQUES - É grande, mas não é 2
É grande, mas não é 2
TUTTY VASQUES
O ESTADÃO 15/07/11
Tudo tem limites! Assim como não permitiu à Sadia e à Perdigão juntarem os trapinhos sem que antes se desfizessem de parte de seus negócios, o tal Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) devia criar regras de restrição patrimonial também para pessoas físicas, estejam elas ou não em processo de fusão nupcial com alguém igualmente endinheirado.
Casado ou solteirão, não importa, todo dono de grande fortuna que quisesse adquirir qualquer coisa nova no mercado teria de repassar à concorrência um naco do que tem.
Um cara do tamanho do Eike Batista, por exemplo, não poderia mais sair por aí comprando tudo que vê pela frente sem, em contrapartida, passar adiante parte de seus preciosos ativos.
Funcionaria assim: para arrematar em leilão um poço de gás, um novo hotel ou o vestido que a Dilma usou em sua posse no Palácio do Planalto, o bilionário carioca teria de vender um jatinho, uma lancha offshore ou um restaurante chinês.
Se der certo, o esquema poderá futuramente ser estendido à nova classe média brasileira. Quem dera todo mundo tivesse de vender o carro velho para comprar um novo, né não?
Dedurada na web
Proibida pelo marido de frequentar redes sociais até pelo menos o fim da Copa América, Susana Werner culpou os jornalistas pela bronca que tomou de Júlio César depois que o goleiro da seleção soube pela imprensa da repercussão no Twitter da patroa daquele seu frango contra o Equador. Cá pra nós, como os coleguinhas poderiam imaginar que ela tuitava escondida do cara, caramba!
Páreo duro
"SÓ PORQUE ESTÁ NA SELEÇÃO, O JÚLIO CÉSAR QUER SER MAIS FRANGUEIRO QUE EU!"
Rogério Ceni
Autocensura
Esta coluna evitou a todo custo piadas de galinheiro sobre a convivência do Pato e do Ganso com o frango de Júlio César. Também foi cortado no fechamento comentário sobre a impressão geral de que o goleiro caiu tarde para defender o chute do equatoriano Caicedo. De piada pronta o inferno está cheio!
Prontidão
Os carabinieri estão com os nervos à flor da pele. Também, pudera! Se a crise na Itália seguir o script da Grécia, o próximo passo será o pau quebrar nas ruas de Roma.
Boato infame
O deputado Jair Bolsonaro esclarece: não tem nada contra a fusão da Sadia com a Perdigão. A Brasil Foods agradece!
Cabeça de menino
Neymar vai, aos poucos, vencendo o medo que se pela do Lúcio na hora de dormir. No início da Copa América, tinha pesadelos horríveis com o zagueiro.
Nova imagem
Depois da tempestade, vem a propaganda! Sérgio Cabral dobrou os gastos com publicidade de seu governo para sair da crise política bem na foto. Ninguém é de ferro, né?!
JOSÉ SIMÃO - Quén Quén! A Granja do Mano!
Quén Quén! A Granja do Mano!
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 15/07/11
Pica-Pau desencantou, e Mano Menezes cometeu um atentado ao pudor: botou o Ganso pra fora
BUEMBA! BUEMBA! É hoje! A Granja do Mano!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O Esculhambador Geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Direto de Simões Filho, Bahia:"Tarado é preso em flagrante no centro comercial Chupa Peito." "E essa: "Japão exibe sua mais nova atração; a montanha russa Takabisha". Takabisha? Deve ser a montanha russa do Bolsonaro. Ele deve ser o bilheteiro! E a mulher do Ministro dos Transportes é a cantora Rosa Passos. Se não sair o trem bala, deve sair o Trem das Onze. Rarara! E olha esse adesivo: "Deus é fiel! Já a vizinha do 501...!". Religioso Fofoqueiro. E quer viajar de graça pra Argentina? Bueiroslineas Brasileiras! E tô adorando o Rodrigo Lombardi em O Astro! Com aquele turbante no meio da testa. Bem canastra. Vamos mudar o nome da novela para O Canastro! Ele tá parecendo a Mãe Dinah com o turbante da Hebe! E o Sensacionalista: "No remake de O Astro, Salomão Hayala morrerá atingido por um bueiro da Light". Rarara! E a Patricia Poeta tá com dengue. E sa be o que o mosquito da dengue falou? "Eu peguei a Patricia Poeta". Rarara! E sabe o que a mulher do mosquito falou? "Tudo bem. Contanto que voce não chupe a Suzana Vieira". Rarara. E essa do Fantástico: "Macacos invadem e roubam comida na zona sul do RIO".Já sei, foram treinados em Brasilia. E adorei a charge do Mariosan com a Dilma se consultando com o Astro: "Tem mais ministérios com corrupção, professor?". Eu respondo: SIM! Porque se corrupção desse caroço, o Brasil seria uma jaca. Rarara!
Hoje! Brasil X Paraguai! A Granja do Mano entra em campo! A Seleção Quén Quén: Pato, Ganso, Picapau e Frango. Só falta ele convocar o Tião Galinha! Rarara! O Neymar é que tem mais apelido: Picapau, Cacatua e Mamute da Era do Gelo. E será que o Mano vai botar o Ganso pra fora?! E sabe a diferença entre a seleção feminina e a seleção masculina? É que a seleçao masculina gasta muito tempo no salão. Jassa pra técnico da seleção! Rarara! E as contas do Galvão: "se a Colombia perder pro Peru e a Venezuela empata com a Argentina, e o vento bater a favor e o vulcão entrar em erupção, o Brasil fica em segundo. Aí o adversário marca um gol e ele refaz as contas. O Galvão tá mais rouco que a foca da Disney! Rarara. Nóis sofre mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colirio alucinógeno!
MERVAL PEREIRA - Quase alívio
Quase alívio
MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 15/07/11
O anúncio da Casa Branca de que os partidos Republicano e Democrata estariam próximos a um acordo preliminar sobre cortes de 1,5 trilhão de dólares no orçamento, o que abriria caminho para que o Congresso aprove o aumento do teto da dívida dos Estados Unidos, não foi surpresa para ninguém, pois havia uma expectativa generalizada, entre os agentes financeiros e os governos, de que, em algum momento antes do dia 2 de agosto, as partes chegariam a um acordo que evitaria o calote.
Embora não tenha sido concluído, o provável acordo trouxe alívio aos mercados internacionais, pois a polarização entre os dois partidos no Congresso, especialmente devido à proximidade da disputa pela reeleição de Barack Obama, está levando o embate político a níveis insuspeitados, o que ainda provoca certo temor.
O governo chinês, um dos maiores compradores de bônus do Tesouro americano, por exemplo, já advertira que os parlamentares americanos estavam "brincando com fogo".
E ontem pediu que o governo dos Estados Unidos tome providências para garantir a segurança de seus credores.
O governo brasileiro, o quarto maior detentor de bônus americanos, estava equivocadamente comemorando a melhoria do risco brasileiro em decorrência da deterioração das expectativas em relação aos Estados Unidos.
O economista Paulo Vieira da Cunha, ex-diretor do Banco Central e que hoje trabalha no mercado financeiro em Nova York, lembra que, se não acontecer um acordo - que ainda precisa ser detalhado -, o inacreditável, do ponto de vista político, é que o governo deixaria de pagar os cheques das aposentadorias, entre outras coisas, mas teria que continuar negociando a dívida.
"Obviamente, seria um desastre político, tão grande que nenhum dos partidos ousaria arriscar."
A radicalização das posições aconteceu, em parte, porque o presidente Barack Obama tardou muito a entrar diretamente na negociação, considerando a composição das duas Casas do Congresso e as várias facções dos dois partidos.
O debate da dívida acabou antecipando o debate da eleição de 2012, e aí a solução ficou mais difícil. Atualmente o presidente Obama tem mais que 50% das preferências do eleitorado americano, e, entre os possíveis candidatos dos republicanos, quem tem mais apoio é a líder do Tea Party (ala mais conservadora do partido) Michele Bachmann, que tem por volta de 20% do eleitorado.
O Partido Republicano está dividido, e isso ajuda Obama, que já começou a recolher doações pela internet com absoluto sucesso.
Mas, segundo especialistas, a modelagem do orçamento e da dívida demonstra que não há uma solução matemática sem uma combinação de corte de custos e aumento de impostos, e não está claro ainda se os republicanos aceitarão o aumento de impostos para os ricos.
As agências de risco são irrelevantes, nesta altura do campeonato, assim a ameaça da agência Moody"s teve apenas a função de lembrar aos políticos que o prazo deles estava acabando.
O rebaixamento para "negativa" da perspectiva de classificação dos Estados Unidos pela agência de riscos Standard & Poors, no início do ano, embora mantendo a nota de AAA na dívida soberana da ainda maior economia do mundo, já fora um chamado mais para o lado político, já que, como agora a Moody"s, alertava para a total falência do sistema de governo se não se chegasse a um acordo, pondo em questionamento os EUA como nação coerente e responsável.
A consequência poderia ser a perda de confiança no bônus do Tesouro americano e a incapacidade do governo de se financiar, mesmo pondo papéis atrelados à inflação que porventura surgisse como efeito da desconfiança do mercado.
A dificuldade para se chegar a um acordo sobre os cortes de U$1,5 trilhão é que o custo futuro e já contratado dos compromissos sociais levará o déficit em 2021 para 6,6% do PIB, com receitas de 18,5% e gastos de 25,1% do PIB, segundo o Escritório de Orçamento do Congresso.
A perspectiva mostra-se mais complicada ainda pela quase certeza de que nas próximas décadas o dólar deixará de ser a moeda de reserva - mesmo havendo ajuste fiscal.
O historiador Niall Ferguson, no auge da crise financeira em 2008, via se aproximando o fim da era em que o dólar era a única moeda de reserva internacional.
Ele lembrou a semelhança entre a crise da libra inglesa e a do dólar hoje, provocadas pelas mesmas razões: "A principal razão foram as grandes dívidas que a Inglaterra fez para financiar suas guerras pelo mundo. E a segunda razão foi a desaceleração do crescimento da economia nas décadas do pós-guerra."
Mas o processo da transição da hegemonia da Inglaterra para os Estados Unidos levou décadas, e houve a concorrência entre a libra e o dólar como moedas de reserva por quase 60 anos.
No momento, não há uma moeda que possa se contrapor ao dólar, apesar de toda a crise dos Estados Unidos.
O euro está ameaçado até mesmo na sua permanência como moeda da União Europeia, diante das crises de países como Grécia, Portugal, Espanha. E os países emergentes ainda não atingiram o ponto de ser uma alternativa.
Portanto, o melhor que pode acontecer é que os partidos políticos americanos cheguem a um acordo, e o governo dos Estados Unidos possa dar ao mundo a garantia de que há uma perspectiva de longo prazo para a solução da dívida, com a retomada do crescimento econômico.
Embora não tenha sido concluído, o provável acordo trouxe alívio aos mercados internacionais, pois a polarização entre os dois partidos no Congresso, especialmente devido à proximidade da disputa pela reeleição de Barack Obama, está levando o embate político a níveis insuspeitados, o que ainda provoca certo temor.
O governo chinês, um dos maiores compradores de bônus do Tesouro americano, por exemplo, já advertira que os parlamentares americanos estavam "brincando com fogo".
E ontem pediu que o governo dos Estados Unidos tome providências para garantir a segurança de seus credores.
O governo brasileiro, o quarto maior detentor de bônus americanos, estava equivocadamente comemorando a melhoria do risco brasileiro em decorrência da deterioração das expectativas em relação aos Estados Unidos.
O economista Paulo Vieira da Cunha, ex-diretor do Banco Central e que hoje trabalha no mercado financeiro em Nova York, lembra que, se não acontecer um acordo - que ainda precisa ser detalhado -, o inacreditável, do ponto de vista político, é que o governo deixaria de pagar os cheques das aposentadorias, entre outras coisas, mas teria que continuar negociando a dívida.
"Obviamente, seria um desastre político, tão grande que nenhum dos partidos ousaria arriscar."
A radicalização das posições aconteceu, em parte, porque o presidente Barack Obama tardou muito a entrar diretamente na negociação, considerando a composição das duas Casas do Congresso e as várias facções dos dois partidos.
O debate da dívida acabou antecipando o debate da eleição de 2012, e aí a solução ficou mais difícil. Atualmente o presidente Obama tem mais que 50% das preferências do eleitorado americano, e, entre os possíveis candidatos dos republicanos, quem tem mais apoio é a líder do Tea Party (ala mais conservadora do partido) Michele Bachmann, que tem por volta de 20% do eleitorado.
O Partido Republicano está dividido, e isso ajuda Obama, que já começou a recolher doações pela internet com absoluto sucesso.
Mas, segundo especialistas, a modelagem do orçamento e da dívida demonstra que não há uma solução matemática sem uma combinação de corte de custos e aumento de impostos, e não está claro ainda se os republicanos aceitarão o aumento de impostos para os ricos.
As agências de risco são irrelevantes, nesta altura do campeonato, assim a ameaça da agência Moody"s teve apenas a função de lembrar aos políticos que o prazo deles estava acabando.
O rebaixamento para "negativa" da perspectiva de classificação dos Estados Unidos pela agência de riscos Standard & Poors, no início do ano, embora mantendo a nota de AAA na dívida soberana da ainda maior economia do mundo, já fora um chamado mais para o lado político, já que, como agora a Moody"s, alertava para a total falência do sistema de governo se não se chegasse a um acordo, pondo em questionamento os EUA como nação coerente e responsável.
A consequência poderia ser a perda de confiança no bônus do Tesouro americano e a incapacidade do governo de se financiar, mesmo pondo papéis atrelados à inflação que porventura surgisse como efeito da desconfiança do mercado.
A dificuldade para se chegar a um acordo sobre os cortes de U$1,5 trilhão é que o custo futuro e já contratado dos compromissos sociais levará o déficit em 2021 para 6,6% do PIB, com receitas de 18,5% e gastos de 25,1% do PIB, segundo o Escritório de Orçamento do Congresso.
A perspectiva mostra-se mais complicada ainda pela quase certeza de que nas próximas décadas o dólar deixará de ser a moeda de reserva - mesmo havendo ajuste fiscal.
O historiador Niall Ferguson, no auge da crise financeira em 2008, via se aproximando o fim da era em que o dólar era a única moeda de reserva internacional.
Ele lembrou a semelhança entre a crise da libra inglesa e a do dólar hoje, provocadas pelas mesmas razões: "A principal razão foram as grandes dívidas que a Inglaterra fez para financiar suas guerras pelo mundo. E a segunda razão foi a desaceleração do crescimento da economia nas décadas do pós-guerra."
Mas o processo da transição da hegemonia da Inglaterra para os Estados Unidos levou décadas, e houve a concorrência entre a libra e o dólar como moedas de reserva por quase 60 anos.
No momento, não há uma moeda que possa se contrapor ao dólar, apesar de toda a crise dos Estados Unidos.
O euro está ameaçado até mesmo na sua permanência como moeda da União Europeia, diante das crises de países como Grécia, Portugal, Espanha. E os países emergentes ainda não atingiram o ponto de ser uma alternativa.
Portanto, o melhor que pode acontecer é que os partidos políticos americanos cheguem a um acordo, e o governo dos Estados Unidos possa dar ao mundo a garantia de que há uma perspectiva de longo prazo para a solução da dívida, com a retomada do crescimento econômico.
CELSO MING - Entenda este impasse
Entenda este impasse
CELSO MING
O Estado de S. Paulo - 15/07/2011
Quarta-feira, a Moody"s, principal agência de classificação de risco, advertiu o mercado global que rebaixará os títulos da dívida do Tesouro dos Estados Unidos, caso o Congresso não autorize um aumento do teto da dívida americana. Foi o que ajudou a derrubar as bolsas e tirou o interesse pelas demais aplicações de risco.
É a primeira vez na história recente dos Estados Unidos que os títulos da dívida, que continuam sendo a referência (ou seja, aqueles com os quais se comparam os demais), estão sob advertência de perda de qualidade.
Todo rombo orçamentário (despesa maior que a receita que, neste ano, deve ultrapassar US$ 1,6 trilhão nos Estados Unidos) é coberto com emissões de títulos. Ou seja, o Tesouro, hoje comandado pelo secretário (ministro de Finanças) Tim Geithner, toma dinheiro emprestado para cobrir a diferença. O documento (nota promissória) entregue para quem empresta o dinheiro é o Título (ou Nota) do Tesouro dos Estados Unidos.
A lei fixou um limite para o endividamento. Não pode passar dos US$ 14,29 trilhões, nível atingido em maio e que pode ser ultrapassado no dia 2 de agosto. Se o Congresso não autorizar a elevação desse teto, faltarão recursos para cobrir as despesas correntes do governo. A velocidade com que a dívida dos Estados Unidos está aumentando a torna insustentável. E isso exige um programa imediato de corte de despesas e/ou de aumento de receitas.
O atual impasse está na diferença de projetos. O presidente americano, Barack Obama, propõe um pacote que prevê redução de despesas e crescimento de receitas da ordem de US$ 4 trilhões em dez anos. O Partido Republicano, na oposição, contrapõe com cortes de US$ 2,4 trilhões, sem aumento de impostos. Para que a autorização do alargamento do tamanho da dívida esteja em vigor até 2 de agosto, um acordo terá de ser atingido até o dia 22. Se até lá o Tesouro americano não obtiver o mandato do Congresso, quatro coisas podem acontecer: (1) o Tesouro deixa de pagar certas contas sociais, como seguro-desemprego e seguro-saúde; (2) o governo federal demite funcionários públicos, como Estados e municípios americanos têm feito; (3) o Tesouro deixa de pagar títulos à medida que forem vencendo; (4) haverá uma combinação das três medidas anteriores.
A quebra (default) dos Estados Unidos parece improvável. Mas a simples elevação do teto da dívida não resolve o problema de fundo. A questão principal está na rápida deterioração das condições fiscais do país. No final dos anos 90, quando Bill Clinton era o presidente americano, o debate principal era sobre o que fazer com o enorme superávit fiscal que vinha acontecendo. Na época, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Alan Greenspan, por várias vezes chegou a examinar o impacto que a sobra de arrecadação teria sobre a condução da política de juros: não haveria títulos do Tesouro em nível suficiente para que o Fed pudesse comprar ou vender no mercado, de maneira a injetar ou retirar moeda para definir o nível dos juros. A saída - dizia Greenspan - seria operar a política monetária com títulos privados. Mas, de lá para cá, os Estados Unidos queimaram dinheiro em duas guerras simultâneas, veio a crise de 2007/2008 e a recessão, por sua vez, derrubou a arrecadação.
CONFIRA
Não é pra já
O presidente do Fed, Ben Bernanke, não está conseguindo se comunicar. Um dia depois de dar a entender que poderia partir para uma nova rodada de afrouxamento quantitativo (emissão de dólares para recompra de títulos do Tesouro dos Estados Unidos), Bernanke fez questão de colocar ênfase na afirmação de que nenhuma iniciativa desse tipo está no seu radar. Foi um dos fatores responsáveis pelo tombo dos mercados no dia de ontem.
Teste de quê?
Está agendada para hoje a divulgação dos resultados dos testes de estresse, cujo objetivo é apontar os bancos europeus com maior necessidade de aumentar seu capital
para enfrentar o risco de inadimplência. O problema é que o próprio critério desse teste está sob dúvida. Se o Banco Central Europeu avisa que os títulos de Portugal e Grécia são tão bons como os da Alemanha, o que pensar dos resultados desses testes, se esse mesmo entendimento for estendido para os ativos dos bancos europeus?
ANCELMO GÓIS - Admirável mundo novo
Admirável mundo novo
ANCELMO GOIS
O GLOBO - 15/07/11
Quase sério
No coquetel de quarta à noite no Palácio da Alvorada, Dilma mostrou que está aprendendo a ter jogo de cintura. Ao encontrar o líder do PT, deputado Paulo Teixeira, elogiou o “bolo de casamento” dela e de Temer e disse: “Você está de parabéns, o gesto é uma demonstração de unidade dos petistas com o PMDB.” É. Pode ser.
Olha eu aqui
Ontem, até 21h, de cinco fotos na capa do site da Polícia Civil do Rio, quatro eram da chefe da instituição, Martha Rocha. Tinha até uma com Marília Gabriela, que a entrevistou.
Raízes
A viagem de Dilma à Bulgária, terra de seu pai, deve ser ainda este ano.
No mais
É como diz o economista Sérgio Besserman sobre a seleção: — Quem gosta de aves está extasiado. A seleção tem Pato voando; Ganso correndo; Júlio César levando frango; Robinho, um pavão; Lúcio de bico; e Mano Menezes como avestruz, sem ver que Ronaldinho Urubu Gaúcho tem lugar no ninho. Vamos ver os próximos jogos, pois uma andorinha só não faz verão.
Macy’s e o Brasil
A Macy’s, tradicional loja de departamentos dos EUA, está de chamego com o Brasil. A gigante prepara, para 2012, a linha Brazil Promotion. Fechou com a designer de biojoias Maria Oiticica, que vai desenvolver peças exclusivas para a lojona.
O amor é lindo
Lembra aquele padre Zeca, que reunia multidões nos shows “Deus é dez”, na orla do Rio? Vai se casar em agosto, em Nova York, com uma americana. Que seja feliz.
Aliás...
Zeca tem sido muito requisitado para palestras motivacionais em empresas.
Zé, o livro
Depois de Eliane Cantanhêde, com o excelente “José Alencar, amor à vida”, outro coleguinha escreve sobre o saudoso vice. José Roberto Burnier, da TV Globo, entregou à Globo Livros os originais de livro-reportagem sobre Zé, falecido em março.
Segue...
O livro conta a vida do vice de ponto de vista mais pessoal. Burnier virou amigo de Zé e até estava na UTI quando ele morreu. Sai em setembro.
Neymar Bonner
Vinícius, filho do casal gente boa William Bonner e Fátima Bernardes, cortou o cabelo igual ao de Neymar (veja a foto). Ele e três amigos adotaram o corte para um torneio de futebol de garotos nos EUA.
Só que...
Difícil, diz mamãe Fátima, é achar gel, pomada, pasta etc. para manter o cabelo em pé.
Deram no pé
O Corpo de Bombeiros do Rio, veja só, tem 45 desertores — nenhum oficial. O caso mais antigo é de 1980. Só este ano, três militares
jogaram a toalha.
Rock retrô
O Rock in Rio terá um estande de venda de discos de vinil.
Urani de volta
André Urani, economista boapraça, retoma segunda, às 20h, o OsteRio, fórum sobre o Rio, no Osteria dell’Angolo, Ipanema.
O coveiro sumiu
Um carioca de 49 anos foi enterrar o pai, às 17h de terça, no Caju, no Rio. O caixão chegou ao jazigo, na quadra 53, e o único funcionário no local saiu para chamar um coveiro. Voltou sozinho, mais de meia hora depois, quando alguns parentes do falecido já tinham partido por causa da escuridão.
SONIA RACY - DIRETO DA FONTE
Corretivo
SONIA RACY
O ESTADÃO - 15/07/11
Surtiu efeito a denúncia de mães relatando maus tratos a crianças autistas em instituições conveniadas registrada nesta coluna. A Defensoria Pública acaba de conseguir na Justiça uma liminar contra o governo de SP.
Ela determina que o Estado fiscalize as entidades contratadas para atender portadores de autismo. Além de garantir o transporte adequado. Vai funcionar?
Ramphastidae
Alckmin chamou FHC de presidente de honra da juventude do PSDB, anteontem, no jantar em homenagem ao tucano-mor no Palácio dos Bandeirantes. Ao que foi imediatamente corrigido: "Sou presidente eterno da juventude do PSDB". Tem toda a razão.
Jabuti na árvore
No mesmo jantar, de olho na Prefeitura, Bruno Covas, Andrea Matarazzo e Zé Aníbal foram cobrar de Alckmin as aparições de Chalita na TV Minuto, semana passada. De bom humor, o governador disparou: "Vocês merecem a TV Hora".
Alckmin jura não ter sido consultado sobre a veiculação, no metrô, das frases de Chalita. Oficialmente, a culpa é de moças da TV Minuto, fãs do deputado.
É guerra!
Depois da tentativa de assalto, a segurança de Michel Temer foi reforçada. O comboio, antes de três carros, passou para quatro. Os seguranças, de 7 para 9. E o giroscópio - luz piscante policialesca - tornou-se item obrigatório.
Terra batida
Gilmar Tadeu, secretário especial da Prefeitura para a Copa, sobrevoou ontem o terreno onde será erguido o Itaquerão - ainda em terraplenagem. Ficou satisfeito.
Mistério da fé
Edir Macedo postou em seu blog vídeo polêmico. Querendo cessar brigas entre seus pais, garoto de nove anos prometeu sacrifício na "Fogueira Santa" durante culto na Universal. Se dispôs a vender todos os seus brinquedos e doar o dinheiro para a igreja. Enquanto isso, sua mãe era exorcizada a seu lado. Choveram comentários.
Suspense
O Grupo Votorantim anuncia investimento em uma nova fábrica na América Latina. Na semana que vem.
Nervos de aço
Economistas, banqueiros, investidores, governos, estão todos preocupados com o cenário que se desenha lá fora, diante de dívidas governamentais não sustentáveis contraídas por vários países europeus - e, por que não, EUA também.
Indagado sobre o tema, Roberto Setubal concorda que a situação é bem complicada. "E não vamos imaginar que o Brasil passará incólume no agravamento da situação." Nenhum país do mundo, diga-se de passagem, está blindado à nova derrocada dos mercados.
Protegida dos orixás
Caetano Veloso não perdeu tempo quando soube da alta de Dona Canô ontem, na hora do almoço. Marcou viagem para Santo Amaro da Purificação, amanhã, quando acontece a festa de 103 anos e 10 meses da matriarca.
Desde os 99 anos, a mãe do compositor faz festa todo dia 16. E não somente em setembro, data de seu aniversário.
Our Douglas
Maicon, que brilhou anteontem na Seleção, é estrelado até no nome: Maicon Douglas, homenagem enviesada ao ator americano.
O irmão de Marlon Brando (o lateral-direito tem um irmão menor com esse nome) responde também pelo apelido de "Fórmula Um".
Motivo? A zaga do Equador sabe bem o porquê.
Na frente
Temer recebe hoje várias homenagens de uma só vez: três medalhas, uma placa e um diploma. Tudo na Associação Comercial do Rio. Conseguirá carregar?
Miguel Littín, diretor chileno, desembarca hoje em SP. A convite do Festival de Cinema Latino-Americano.
O Museu da Casa Brasileira recebe, a partir de hoje, obra Eólices, de Renata Mellão.
Gerhard Richter abre exposição dia 23. Na Pinacoteca.
José Victor Oliva pilota inauguração da sede da Samba.pro, dia 2. Nos Jardins.
O Grupo Corpo volta a São Paulo. Estreia a coreografia Sem Mim no Alfa, em agosto.
A pré-estreia de Assalto ao Banco Central acontece quarta, no Cinemark Market Place.
Thiago Rocha Pitta abre individual na Galeria Millan. Quarta.
Reynaldo Gianecchini voltará a dar suas braçadas na piscina. Ele havia parado de nadar durante a recuperação de uma cirurgia de hérnia.
NELSON MOTTA - Escravos de branco
Escravos de branco
NELSON MOTTA
O Estado de S.Paulo - 15/07/11
Se país rico é país sem miséria e em Cuba não há miséria, como assegura Fidel, então Cuba é mais rica do que o Brasil?
Lá vem ele de novo com essa chatice de Cuba, que é de absoluta irrelevância internacional sob qualquer ponto de vista, quando há assuntos muito mais interessantes por aqui, onde em uma década 40 milhões de pessoas entraram para a classe C. São quatro Cubas, onde todo mundo é pobre, menos os corruptos e a nomenclatura do partido, que levam vida de ricos.
Devo ao amor à dramaturgia e à comédia esta obsessão por Cuba, o ideal de justiça e fraternidade de minha geração nos anos 60. Vimos o sonho começar em Sierra Maestra, acreditamos que os jovens heróis românticos criariam um socialismo tropical, com alegria e liberdade, que não seria como o dos cuecões soviéticos, com sua rigidez comunista e sua falta de sol e de humor. E ao longo de 50 anos, vimos como o sonho se tornou um pesadelo. Mas que história! Que personagens ! Quantas lágrimas e gargalhadas !
As bravatas, as grandes farsas fidelescas, os discursos de oito horas, as marchas monumentais, as mentiras revolucionárias transformadas em história oficial, é tudo tão trágico e cômico que supera qualquer ficção de Vargas Llosa ou Garcia Marquez.
Um dos últimos mitos a ruir é a excelência da saúde pública cubana. Cada vez mais, saúde é verba, como dizem em Brasília - equipamentos e remédios de última geração são caríssimos. A boa formação dos médicos e o seu patriotismo não bastam quando faltam até anestésicos e analgésicos nos hospitais, faltam chapas de raio X e seringas descartáveis, os doentes tem que levar seus lençóis de casa.
A solução revolucionária para os médicos ociosos pela falta de recursos e equipamentos foi despachá-los para a Venezuela, onde 30 mil doutores cubanos trabalham nos programas populares chavistas. A Venezuela paga salários de mercado - mas ao governo de Cuba, que repassa aos médicos uma merreca. Vivem em alojamentos miseráveis, sem passaportes para não desertar, e suas famílias são ameaçadas na ilha. Quem diria, o sonho do socialismo tropical acabou na estatização da escravatura.
ILIMAR FRANCO - Conta-gotas
Conta-gotas
ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 15/07/11
Transparência total
A presidente Dilma quer aprovar o fim do sigilo eterno dos documentos oficiais até setembro, quando uma declaração de princípios do movimento “Parceria para o Governo Aberto” será submetida a todos os países que integram a Assembleia Geral da ONU. O Brasil está à frente da iniciativa. A preocupação de Dilma é que a manutenção do sigilo eterno ofusque o esforço de promoção da transparência. O projeto está parado no Senado devido à obstrução do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), e do senador Fernando Collor (PTB-AL). “Tem que falar com o Collor. Tem que superar esse problema”, afirmou a presidente.
"Viemos aqui para beber ou para conversar?” — Dilma Rousseff, presidente, no coquetel no Alvorada, na noite de quarta-feira, arrancando risos dos líderes aliados
CANÇÃO DE NINAR. A presidente Dilma elogiou, para o líder do PMDB, deputado Henrique Alves (RN), na foto, o bolo para celebrar a aliança PMDB-PT. “Estamos dançando até de rosto colado”, atalhou o líder do PT, deputado Paulo Teixeira (SP). “Menos, gente”, encerrou Dilma. A afirmação da presidente que mais agradou aos aliados foi: “Este é um governo compartilhado por todos, sem hegemonismo (sic) de nenhum tipo.” Segundo Alves, a frase “foi música para os nossos ouvidos”.
Inteligência
Para prestigiar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, a presidente Dilma vai aproveitar a próxima reunião do CDES, no fim deste mês, para anunciar um novo programa nacional de bolsas de estudo no exterior.
Contramão
Os indicadores de eficiência da Casa da Moeda melhoraram nos últimos quatro anos, conforme o ranking de revistas especializadas.
Apesar disso, líderes de partidos aliados querem a cabeça de seu presidente Luiz Felipe Denucci.
Dilma diz que está melhor que Obama
Ao agradecer o apoio dos aliados neste primeiro semestre, no coquetel no Alvorada, anteontem, a presidente Dilma comparou sua situação com a do presidente americano, Barack Obama. Lembrou que o Congresso aprovou sua proposta de salário mínimo, tema não muito popular, sem a qual não poderia fazer o ajuste fiscal. Enquanto isso, completou, Obama não tem apoio parlamentar para ampliar o limite de endividamento público. E previu uma grave crise.
Balança
Na abertura do Salão do Turismo, o ministro Wagner Rossi (Agricultura) fez um desagravo ao colega Pedro Novais (Turismo), que anda desprestigiado. Também estavam lá Edison Lobão (Minas e Energia) e o líder do PMDB, Henrique Alves.
Carta marcada
O estudante de Ciências Sociais da UFRJ Daniel Iliescu deve ser o próximo presidente da UNE. Ele é o candidato da União da Juventude Socialista, que elegeu a maioria dos delegados para o Congresso da UNE. A eleição é domingo.
OS PETISTAS não se conformam. Dizem que a presidente Dilma tinha de ter ido ao velório do expresidente Itamar Franco com o ex-presidente Lula, e não com o ex-presidente Fernando Henrique.
REARRUMAÇÃO. Do secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, ao comentar, no coquetel no Alvorada, as mudanças na articulação política: “O técnico era bom, mas o time estava desarrumado”.
● A PRESIDENTE Dilma tinha um motivo especial para ir ontem a Porto Alegre na posse da nova diretoria da Federação das Indústrias local. Seu ex-presidente, Paulo Tigre, fez a campanha de Dilma no estado.
WASHINGTON NOVAES - A lógica da inércia e a perda do essencial
A lógica da inércia e a perda do essencial
WASHINGTON NOVAES
O Estado de S.Paulo - 15/07/11
Texto interessante de Vitor Hugo Brandalise no caderno Aliás (10/7) lembrou que há 300 anos, no último dia 11, a vila de São Paulo - então com 210 casas de taipa batida, mil habitantes, sete igrejas, quatro bicas d"água - foi promovida a cidade. Um tempo em que os moradores eram obrigados a tapar, com suas mãos e instrumentos, os buracos nas ruas, sob pena de multa de 6 mil réis ou até 30 dias de cadeia. Bons tempos, apesar da escravatura de índios?
Trezentos anos depois, pergunta-se com insistência o que se fará na cidade de quase 12 milhões de pessoas, na metrópole de quase 20 milhões. Mas na prática quase não se consegue sair do papel. As Câmaras Municipais de 39 municípios da Grande São Paulo criaram há pouco (Estado, 10/5) o Parlamento Metropolitano, que não legislará, fará estudos para aprimorar a legislação nas áreas de transportes, educação, Plano Diretor Metropolitano. Virá somar-se ao Estatuto da Cidade, nacional (Lei 10.257), que no dia 10/7 completou uma década, sem conseguir transformar em realidade o propósito de implantar planos diretores em todos os municípios de mais de 20 mil habitantes e, por meio deles, a "reforma urbana". Provavelmente também terá como companheiros o São Paulo 2040 - Visão e Planejamento de Longo Prazo para a Cidade de São Paulo, que a Prefeitura paulistana - que já tinha a Agenda 2012 - Plano Diretor Estratégico - encomendou à Fundação de Apoio à Universidade São Paulo, com cinco eixos: promoção do equilíbrio social, desenvolvimento urbano, acessibilidade, melhoria ambiental e oportunidades de negócios. "Sobram planos, falta ação", observou com toda a razão editorial deste jornal (29/12/2010, A3).
Que se fará, então? Num debate promovido dia 19/6 pelo Aliás, três pensadores da área do planejamento urbano - Ermínia Maricato, Cândido Malta Campos e Jorge Wilheim - concordaram em alguns pontos: 1) É preciso planejar intervenções urbanas substanciais; 2) é fundamental superar o "modelo rodoviarista"; 3) é indispensável valorizar os espaços de convivência coletiva, "na lógica contrária à dos condomínios e bunkers privados". Mas como chegar aí? Outro professor de Urbanismo, na Universidade da Pensilvânia, Witold Rybczynski, afirma (Estado, 19/12/2010) que "só os comunistas e os ditadores conseguem planejar cidades: na democracia não se podem proibir migrações".
Então, estamos em maus lençóis. Na Grande São Paulo, em seis anos foram lançados 3 mil grandes edifícios, com mais de 185 mil apartamentos; em 2010, 781 unidades, com 5,33 milhões de metros quadrados, 1,25 milhão de metros quadrados de terrenos, 133 milhões de tijolos, 6,7 milhões de sacos de cimento, 5,3 milhões de toneladas de areia (Estado, 13/5), no valor de R$ 15 bilhões. Uma em cada seis pessoas na cidade vive em apartamentos; no Rio de Janeiro, duas em dez; em Santos, 63% da população.
Que nos espera? Assusta ler o relato do correspondente Jamil Chade (27/12/2010) de que, segundo a OCDE, US$ 2 trilhões de dívidas ameaçam com falência mais de cem cidades norte-americanas e US$ 1,7 trilhão, algumas das mais charmosas cidades europeias (Barcelona, Madri, Veneza). Desde 1937, conta ele, 619 cidades norte-americanas já declararam falência, com a avalancha incessante de problemas. Hoje nem mesmo a exemplar Copenhague escapa às aflições: terá de construir, em aterros implantados em ilhotas, áreas ligadas ao continente por pontes e canais, para abrigar 40 mil das 60 mil pessoas que se somarão aos atuais habitantes até 2025 (Folha de S.Paulo, 5/7). Será inescapável o crescimento constante?
São Paulo precisará de mais 740 mil habitações até 2024 (Estado, 7/12/10); o Estado, 1,2 milhão; o País, 5,8 milhões. Ainda que nossos índices de natalidade já estejam abaixo da taxa de reposição (dois filhos por mulher, substituindo pessoas que morrem). A mesma situação do mundo, também com índices abaixo da taxa de reposição, mas chegando a 7 bilhões de pessoas em 31 de outubro próximo, 8 bilhões em 2025, mais 1 bilhão em 2043, 10 bilhões em 2083, segundo o Fundo de População das Nações Unidas (Folha de S.Paulo, 10/7). Por aqui só estabilizaremos a população por volta de 2030.
E enquanto não conseguimos avançar com nossos planejamentos, as metas perseguidas não saem do lugar. Outro exemplo, outra cidade: jovens de 15 a 26 anos sem vínculo empregatício e com envolvimento com drogas são 53% das vítimas de homicídio em Aparecida de Goiânia (500 mil habitantes) e periferia; se forem somadas as vítimas até 35 anos, essa participação subirá para 87% (O Popular, 7/6). Por um ângulo mais aberto: no Brasil há 13,9 milhões de jovens, adultos e idosos que são analfabetos (9,6% da população total). Em quatro Estados (AL, MA, PI, PB) os analfabetos são mais de 20% da população.
E assim vamos, com estudos mostrando o quanto os dramas das megalópoles afetam as pessoas: milhares de mortos pela poluição do ar a cada ano na cidade de São Paulo; ruídos urbanos afetando o cérebro humano, segundo estudos das Universidades de Heidelberg, na Alemanha, e McGill, no Canadá (Pravda, 9/7). Cidades como Goiânia, que já tem de exportar cadáveres, porque o Instituto Médico Legal não dá conta, não tem mais espaço para abrigar todos os que têm de ser identificados (O Popular, 8/7). Metrópoles como São Paulo, que já tem de buscar água a 80 quilômetros de distância, "dando cotoveladas nos vizinhos", na Bacia do Ribeira de Iguape, e fazê-la subir 360 metros (a que custo ?), para garantir o abastecimento até 2016.
Com tudo isso, vamo-nos esquecendo das lições do pensador basco Julio Baroja, já citado neste espaço. "Na grande cidade, começamos perdendo o essencial, o mais próximo, mais íntimo: a visão da nossa própria sombra e o som dos nossos passos". Mas seguimos num enorme faz de conta, caracterizado com precisão por Giuseppe di Lampedusa: "Tudo deve mudar, para que tudo continue como está". Sempre haverá quem ganhe.
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