quarta-feira, maio 12, 2010
ANCELMO GÓIS
Negócios da Copa
ANCELMO GÓIS
O GLOBO - 12/05/10
O atleta vai receber cerca de US$ 2 milhões. Merece.
SEGUE...
Na TIM, Ronaldo recebia uns US$ 4,8 milhões anuais.
O PESO DE ADRIANO
Mais do que as faltas aos treinos ou as confusões com a (ex?) noiva Joana, o peso teria tirado Adriano da lista de Dunga.
A ERA GRAFITE
O site da Nike, ao mostrar ontem as camisas das seleções que vestirá na Copa pôs como modelo do time de Dunga... Adriano.
FUNK DA COPA
A trilha sonora das vinhetas da TV Globo na Copa da África do Sul terão batida funk misturada com música africana.
As gravações foram feitas no estúdio da Furacão 2000, com DJ Batutinha, do AfroReggae.
FILHO DO PAI
Última do senador Mão Santa, em discurso ontem, defendendo o nepotismo no Brasil:
— Até Deus, quando teve de mandar alguém à Terra, escolheu quem? O Filho!
EFEITO MÍRIAM LEITÃO
Dilma e Serra confirmaram ontem que vão quinta da semana que vem, dia 20, a Nova York, para a entrega do prêmio Personalidade do Ano, pela Câmara de Comércio Brasil-EUA, a Henrique Meirelles, presidente do Banco Central.
DUNGA UNE PT E PSDB
PSDB e PT, que não se bicam, se uniram ontem no Senado nos protestos contra a não convocação de Ganso e Neymar. O tucano Tasso Jereissati,
depois de lamentar as ausências, amenizou:
— Vamos torcer pelo Brasil. Acho até que ainda dá, mas vai tirar muito da alegria na Copa.
JÁ...
O petista Aloizio Mercadante, santista, frequentador da Vila Belmiro, não se conformou:
— A criatividade e a ousadia de Neymar e Ganso, arquiteto do futebol, que lembra Ademir da Guia, mais moderno, são um clamor nacional. Pena que o futebol não seja como a democracia, em que o povo escolhe.
SR. DICIONÁRIO
No ano do centenário de Aurélio Buarque de Holanda, a casa onde nasceu, em Passo de Camaragibe, AL, foi tombada.
DIÁRIO DE JUSTIÇA
O TJ do Rio negou pedido de Maurício Santiago Câmara, procurador do Estado no governo Rosinha, para anular processo administrativo que o suspendeu por 60 dias sem vencimentos.
Câmara é acusado de validar a cessão do terreno do 23Batalhão da PM, no Leblon, por 10% de seu valor real.
CALMA, GENTE
De um sujeito enfezado, ontem, ao ver a lista de Dunga na TV de um bar em Copacabana:
— Nem Pato, nem Ganso... Deu é burro!
NO MAIS
Dunga passou o dia, ontem, fazendo apelos patrióticos que lembraram um pouco os tempos do “ame-o ou deixe-o” dos anos de chumbo. Até na entrevista ao “Jornal Nacional”, usava duas camisas — uma verde e outra amarela. No caso, aplica-se ao nosso técnico a definição de patriotismo do filósofo inglês Bertrand Russell: “É a disposição de matar e ser morto por razões triviais.” Com todo o respeito.
JOSÉ NÊUMANNE
'Polícia é polícia, bandido é bandido'
José Nêumanne
O Estado de S.Paulo - 12/05/10
Com ofício, efígie e nome de policial, Romeu Tuma Jr. age como rebento mimado da elite civil que paira sobre nossa democracia. Do alto da torre de que aprecia a planície cá embaixo, onde dá duro quem banca seus vencimentos atuais e seus proventos futuros, ele esbravejou sem requintes de vernáculo nem cerimônias ensejadas pelo cargo público que ocupa, de secretário nacional de Justiça do Ministério da Justiça: "Podem tirar seu cavalinho da chuva que daqui ninguém me tira." No lar em que foi criado, nas classes que frequentou e nos expedientes que deu em delegacias, aprendeu que manda quem pode e obedece quem tem juízo. Neste reinado sob Lula, alguns ganham para mandar e quase todos pagam para obedecer.
Com os cavalos expostos aos eventuais temporais que já abandonaram São Paulo, mas vez por outra ainda perturbam o Rio de Janeiro, a resposta da plebe só pode ser: sim, é verdade! Não podemos nós nem pode ele. Quem pode mesmo é Sua Majestade el-rey e presidente da nada serena República brasileira, de posse de todos os poderes conferidos e emanados do povo, com o povo e pelo povo. E, sobretudo, bafejado por índices nunca antes alcançados por político algum de nenhum partido no para todo o sempre nestes tristes trópicos, onde mais que a lei imperam a chuva, o suor (o da canícula, não do próprio rosto) e a cerveja. Ao Tuminha delegado, filho de cardeal da polícia política paulista, foi ensinado na escola e no ofício que no Brasil a lei, ora, a lei é relativa. Poderosa só é a lei de Chico de Brito, como se diz no Agreste Pernambucano, do qual veio seu chefe e noço guia, Lula Único: elas são tantas que quem tem padrinho, além de não morrer pagão, passa incólume entre seus espinhos, que só alcançam e ferem os desvalidos da sorte.
Antigamente, no tempo em que os republicanos gaúchos amarraram seus pingos no obelisco do Rio de Janeiro, havia mais cerimônia com as formalidades. O dr. Getúlio, que havia liderado revolução e sido ditador antes de se consagrar presidente eleito pelo voto popular, meteu uma bala no peito, manchando de sangue o monograma do pijama, só para se livrar do opróbrio de renunciar por culpa das suspeitas que desabaram sobre um pródigo irmão chamado Beijo e o guarda-costas Gregório, que tinha a alcunha de Anjo Negro. Hoje, não! Hoje é diferente: basta se aboletar num cabide de altos coturnos para um delegado de polícia mandar a cidadania abandonar suas montarias às intempéries da natureza. E, se assim diz, é por estar a tanto autorizado, seja por omissão da chefia, seja pela notória certeza da impunidade sólida e certa.
Mas Sua Excelência o secretário nacional de Justiça foi além em seu desafio à cidadania preocupada com suas relações de amizade com um chefão da "máfia chinesa", ao garantir em alto e bom som que é amigo de quem quiser e não tem de dar satisfação a ninguém. Aí a coisa muda de figura, pois, se é verdade que aqui funciona um Estado Democrático de Direito, quem manda não é o delegado Tuminha, nem o ministro da Justiça, nem mesmo ? suprema blasfêmia ? noço guia genial dos povos da floresta, do cerrado, da caatinga e do canavial. A democracia, ensinam os clássicos da ciência política, é o "império da lei". E onde impera a lei, a antiga musa da tirania cala, como já cantava outro Luís, o caolho Camões, quando inventou esta "última flor do Lácio, inculta e bela", ao mesmo tempo esplendor e sepultura. E sob as ordens frias e impessoais da norma jurídica não é permitido a agentes da lei, pagos e merecedores da confiança da cidadania para mantê-la, conviver em intimidade com quem fora dela prospera. Carcereiros não podem ficar amiguinhos de presidiários, não é sensato que juízes frequentem festas de traficantes, nem lícito que promotores recebam favores de acusados ou policiais obsequiem suspeitos. Da mesma forma, não convém ao interesse público que o secretário nacional de Justiça seja amigo de mafioso. O "passageiro da agonia" (título do livro de José Louzeiro e do filme de Héctor Babenco sobre ele) Lúcio Flávio Vilar Lírio dizia que "polícia é polícia, bandido é bandido". O Estado Democrático de Direito não se deve permitir a inconveniência de fechar os olhos e atar as mãos ante a promiscuidade intolerável de um agente encarregado de preservá-lo se tornar íntimo de um fora da lei.
O delegado Tuma Jr. age no legítimo exercício da própria cidadania ao reclamar que seu depoimento, apesar de ter sido tomado, não foi incluído no inquérito em que foi citado na Polícia Federal (PF), da qual o Tuma pai foi diretor-geral e, segundo consta, ainda influi sobre um grupo de agentes. Isso merece repúdio, por contrariar o mais elementar dos direitos da cidadania: o de defesa. O delegado Romeu Tuma Jr. não é imune ao poder de polícia de seus colegas federais. Mas por que excluíram o depoimento dele no inquérito, se aceitaram ouvi-lo?
O secretário nacional de Justiça alegou, em defesa própria, que nenhum ilícito foi praticado sob o patrocínio dele. O fato de os pleitos de violação da lei pedidos a colegas e pilhados pela PF não terem sido atendidos, contudo, de nada o isenta. No Brasil de mil novecentos e antigamente, incluindo a monarquia imperial, a República Velha dos coronéis, o Estado Novo, a democracia liberal de 1945 e a ditadura de 1964, o que ele admitiu ter feito já bastaria para sua defenestração. Sua manutenção no cargo, desafiando o antiquíssimo conceito romano da "mulher de César", que não só deve ser como também precisa parecer honesta, é algo que "nunca antes ocorreu na História deste país".
A eventual barganha da moral pública por menos de um minuto e meio por dia do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), em que o pai senador milita, no horário eleitoral gratuito é inaceitável, mesmo sob nossa "ética da conveniência". Ainda que Paris tenha valido uma missa nos tempos de Henrique IV, não é o caso de vender agora a honra do País por 85 segundos diários para louvar a Dilma do Lula Único.
CLÁUDIO HUMBERTO
“Dia que tiver jogo do Brasil, nenhum deputado virá votar”
LÍDER DO GOVERNO, CÂNDIDO VACAREZZA (PT-SP), CONFIRMANDO O QUE JÁ ERA NOTÓRIO
DOCUMENTO PROVA INVESTIGAÇÃO CONTRA GENERAIS
Documento da Receita Federal comprova a investigação contra seis oficiais do Exército – três generais da ativa e até o ex-comandante do Exército general Francisco Albuquerque – como esta coluna revelou. No comprovante da Coordenação Geral de Pesquisa e Investigação da Receita, são citados os alvos e o solicitante: “Alfa 1 Presidência da República/GSI”. GSI é Gabinete de Segurança Institucional, cujo chefe, general Jorge Félix, negou tudo em ofício ao Comandante do Exército.
É ROTINEIRO
“Alfa 1” é o grupo de auditores da Coordenação Geral de Pesquisa e Investigação da Receita a serviço da Presidência da República.
QUATRO ANOS
O documento da Receita informa o período fiscal investigado, tendo como alvos oficiais do Exército: janeiro de 2006 a dezembro de 2009.
BUSCA INÚTIL
Ao lado dos nomes dos militares investigados pela Receita por ordem da Presidência da República, estão as letras “N/C”, de “Nada
Consta”.
DESPISTE
Os alvos eram os outros, por isso a quebra do sigilo do coronel Cid Canuzzo Ferreira, falecido semanas antes, teria sido só para
despistar.
OPOSIÇÃO REAGE: QUER EXPLICAÇÕES E APURAÇÃO
A oposição reagiu fortemente, ontem, à violação do sigilo fiscal de oficiais do Exército que têm posição crítica em relação ao governo Lula. O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) exigiu explicações do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República e, como o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), quer convocar os envolvidos para depor na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara.
SILÊNCIO
Os militares que tiveram a vida fiscal investigada pelo governo Lula, sem ordem judicial, optaram pelo silêncio.
BOCA TORTA
A quebra de sigilo fiscal dos generais do Exército tem sido comparada, no Congresso, à violência cometida contra o caseiro Francenildo.
CENSURA NA CBF
Ricardo Teixeira e Dunga, que não têm senso de humor, mandaram barrar as turmas do “CQC” e do “Pânico” na coletiva da convocação.
É SÓ O COMEÇO
“Ainda vamos ouvir falar muito do dr. Bandarra”, afirmou um dos membros do Conselho Nacional do Ministério Público, ontem, após a reunião a portas fechadas, na hora do almoço, sobre acusações contra o procurador-geral do MP-DF, Leonardo Bandarra, no “DEMsalão”.
RENOVAÇÃO ALTA
Na próxima eleição, segundo avaliação do instituto Soma, a renovação da Câmara Legislativa do DF pode igualar ou superar os 63% de 2006, quando quinze novos deputados foram eleitos, em um total de 24.
O RETORNO
Para o instituto Soma, oito dos deputados enrolados no DEMsalão podem voltar à Câmara do DF, incluindo Leonardo Prudente, aquele do dinheiro nas meias, e Júnior Brunelli, o da oração da pilantragem.
SEM ESPERANÇA
Outros citados no escândalo da Caixa de Pandora têm “densidade eleitoral” para retornar à Câmara Legislativa, avalia o Soma: Benedito Domingos (PP), Milton Barbosa (tucano, irmão de Durval Barbosa, o delator), dr. Charles e Rôney Nemer (PMDB) e Benicio Tavares (PTB).
OS CRITÉRIOS DE DUNGA
O perna de pau Josué, convocado por Dunga, ontem, e Grafite são jogadores do Wolfsburg, time de propriedade da Volkswagen, marca alemã que patrocina a CBF e forneceu o ônibus da Seleção.
DE GOLEADA
O Ceará pode cobrar da prefeita Luizianne Lins (PT): após perder para o Recife o call-center da Oi e seus 7 mil empregos, Fortaleza deve perder para o estaleiro pernambucano a encomenda de oito petroleiros.
SEM PROCESSO
O empresário Arthur Soares, amigão do governador do Rio, Sérgio Cabral, nega depoimento ao MP, na semana passada, e diz desconhecer qualquer processo que corra em segredo de Justiça.
DURO NA QUEDA
O plano de saúde Fundação Geap finge ser público e ganha contratos sem licitação no governo federal. Segurou por dez anos o processo que perderia no Tribunal de Contas da União e há quatro meses segura o processo do Supremo Tribunal Federal: retirou-o de pauta duas vezes.
VOTO SECRETO
O Barão de Itararé advertiu: “Voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato”.
PODER SEM PUDOR
PRÊMIO DE LATA
Prefeito de Arneiros (CE), Antônio de Tunico morreu em acidente, mas deixou muitas histórias. Certa vez, no final de exaustivo dia de trabalho em Fortaleza, parou para tomar uma cerveja. Seu motorista aproveitou para jogar numa máquina caça-níqueis, a única do boteco. Sobrou para ele outra máquina, onde botou uma moeda e dela saiu uma lata de Coca-Cola. Tunico ficou enfiando moedas e recolhendo latinhas, até que o motorista lembrou que era hora de seguir viagem.
– Agora, não! Você não está vendo que estou ganhando tudo?
LÍDER DO GOVERNO, CÂNDIDO VACAREZZA (PT-SP), CONFIRMANDO O QUE JÁ ERA NOTÓRIO
DOCUMENTO PROVA INVESTIGAÇÃO CONTRA GENERAIS
Documento da Receita Federal comprova a investigação contra seis oficiais do Exército – três generais da ativa e até o ex-comandante do Exército general Francisco Albuquerque – como esta coluna revelou. No comprovante da Coordenação Geral de Pesquisa e Investigação da Receita, são citados os alvos e o solicitante: “Alfa 1 Presidência da República/GSI”. GSI é Gabinete de Segurança Institucional, cujo chefe, general Jorge Félix, negou tudo em ofício ao Comandante do Exército.
É ROTINEIRO
“Alfa 1” é o grupo de auditores da Coordenação Geral de Pesquisa e Investigação da Receita a serviço da Presidência da República.
QUATRO ANOS
O documento da Receita informa o período fiscal investigado, tendo como alvos oficiais do Exército: janeiro de 2006 a dezembro de 2009.
BUSCA INÚTIL
Ao lado dos nomes dos militares investigados pela Receita por ordem da Presidência da República, estão as letras “N/C”, de “Nada
Consta”.
DESPISTE
Os alvos eram os outros, por isso a quebra do sigilo do coronel Cid Canuzzo Ferreira, falecido semanas antes, teria sido só para
despistar.
OPOSIÇÃO REAGE: QUER EXPLICAÇÕES E APURAÇÃO
A oposição reagiu fortemente, ontem, à violação do sigilo fiscal de oficiais do Exército que têm posição crítica em relação ao governo Lula. O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) exigiu explicações do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República e, como o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), quer convocar os envolvidos para depor na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara.
SILÊNCIO
Os militares que tiveram a vida fiscal investigada pelo governo Lula, sem ordem judicial, optaram pelo silêncio.
BOCA TORTA
A quebra de sigilo fiscal dos generais do Exército tem sido comparada, no Congresso, à violência cometida contra o caseiro Francenildo.
CENSURA NA CBF
Ricardo Teixeira e Dunga, que não têm senso de humor, mandaram barrar as turmas do “CQC” e do “Pânico” na coletiva da convocação.
É SÓ O COMEÇO
“Ainda vamos ouvir falar muito do dr. Bandarra”, afirmou um dos membros do Conselho Nacional do Ministério Público, ontem, após a reunião a portas fechadas, na hora do almoço, sobre acusações contra o procurador-geral do MP-DF, Leonardo Bandarra, no “DEMsalão”.
RENOVAÇÃO ALTA
Na próxima eleição, segundo avaliação do instituto Soma, a renovação da Câmara Legislativa do DF pode igualar ou superar os 63% de 2006, quando quinze novos deputados foram eleitos, em um total de 24.
O RETORNO
Para o instituto Soma, oito dos deputados enrolados no DEMsalão podem voltar à Câmara do DF, incluindo Leonardo Prudente, aquele do dinheiro nas meias, e Júnior Brunelli, o da oração da pilantragem.
SEM ESPERANÇA
Outros citados no escândalo da Caixa de Pandora têm “densidade eleitoral” para retornar à Câmara Legislativa, avalia o Soma: Benedito Domingos (PP), Milton Barbosa (tucano, irmão de Durval Barbosa, o delator), dr. Charles e Rôney Nemer (PMDB) e Benicio Tavares (PTB).
OS CRITÉRIOS DE DUNGA
O perna de pau Josué, convocado por Dunga, ontem, e Grafite são jogadores do Wolfsburg, time de propriedade da Volkswagen, marca alemã que patrocina a CBF e forneceu o ônibus da Seleção.
DE GOLEADA
O Ceará pode cobrar da prefeita Luizianne Lins (PT): após perder para o Recife o call-center da Oi e seus 7 mil empregos, Fortaleza deve perder para o estaleiro pernambucano a encomenda de oito petroleiros.
SEM PROCESSO
O empresário Arthur Soares, amigão do governador do Rio, Sérgio Cabral, nega depoimento ao MP, na semana passada, e diz desconhecer qualquer processo que corra em segredo de Justiça.
DURO NA QUEDA
O plano de saúde Fundação Geap finge ser público e ganha contratos sem licitação no governo federal. Segurou por dez anos o processo que perderia no Tribunal de Contas da União e há quatro meses segura o processo do Supremo Tribunal Federal: retirou-o de pauta duas vezes.
VOTO SECRETO
O Barão de Itararé advertiu: “Voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato”.
PODER SEM PUDOR
PRÊMIO DE LATA
Prefeito de Arneiros (CE), Antônio de Tunico morreu em acidente, mas deixou muitas histórias. Certa vez, no final de exaustivo dia de trabalho em Fortaleza, parou para tomar uma cerveja. Seu motorista aproveitou para jogar numa máquina caça-níqueis, a única do boteco. Sobrou para ele outra máquina, onde botou uma moeda e dela saiu uma lata de Coca-Cola. Tunico ficou enfiando moedas e recolhendo latinhas, até que o motorista lembrou que era hora de seguir viagem.
– Agora, não! Você não está vendo que estou ganhando tudo?
QUARTA NOS JORNAIS
- Globo: Acusado, Tuma JR. ignora ministro e sai só de férias
- Folha: Reino Unido tem premiê conservador depois de 13 anos
- Estadão: Suspeita de elo com mafioso faz governo afastar Tuma Jr.
- JB: Agora é a China que assusta
- Correio: Só resta torcer
- Valor: Governo estimulará crédito privado para investimentos
- Jornal do Commercio: As estrelas do Brasil
terça-feira, maio 11, 2010
ARNALDO JABOR
São muitas as saúvas do Brasil
ARNALDO JABOR
O GLOBO - 11/05/10
O país não pode ser dividido em esquerda e direita
Neste ano eleitoral, vivemos um Fla X Flu maluco: "Eu sou de esquerda, você é de direita! Eu sou socialista, você é neoliberal".
Acontece que nossa vida social é movida por outras categorias, muito além dessa dualidade. Temos de tudo. Há paranoicos, esquizofrênicos, psicopatas, narcisistas (vejam o Lula em lua de mel consigo mesmo...) e, descendo mais de nível, temos os imbecis em geral e um vasto catálogo de vícios. Vamos começar pelos caretas.
A caretice é uma visão de mundo que passa despercebida, mas é raiz de terríveis males. O careta é antes de tudo um forte. Está sempre atrás de certezas, ou melhor, já chega com elas. Olha o mundo com um olho só e só vê o que já sabia. A diversidade da vida é recusada como um desvio; a dúvida, como fraqueza. O careta tem sempre um sorriso pronto ou uma cara fechada, dependendo se é do tipo "careta legal" ou "careta severo". Sua cara é uma careta - daí o nome -, uma máscara fixa que denota uma ideia só na mente. A caretice não é uma posição política; é um sistema operacional. Ele finge aceitar as diferenças, mas não vê o "outro". O chamado "outro" é um mal inevitável que ele tem de suportar para controlá-lo, para que ele não o inquiete com surpresas. Careta odeia novidades. O careta é linear - tem princípio, meio e fim.
O careta tende mais para o que se chamava de "direita": só ele existe, com suas ideias indiscutíveis. Há muitos caretas de "esquerda" que só querem uma sociedade sob controle, pois só eles sabem o que é bom para nós, os alienados. Existe até o careta drogado, o bicho grilo chamado "muito louco". Como disse um amigo meu: "Pior que careta só o `muito louco´...
Temos também a categoria da burrice que, como dizia Nelson Rodrigues, é uma "força da natureza". Antigamente, os cretinos se escondiam pelos cantos, roídos de vergonha; hoje, eles andam de fronte alta e peito estufado.
Nunca a burrice fez tanto sucesso. Há no mundo da política e da vida social a restauração alegre da estupidez. Lá fora, "Forrest Gump", o herói idiota foi o precursor; Bush foi seu efeito, como outros hoje em dia: há o Chávez, há aquele ratinho do Irã que o Lula vai visitar... tantos. Bush se orgulhava de sua burrice. Uma vez, em Yale, ele disse: "Eu sou a prova de que os maus estudantes podem ser presidentes dos Estados Unidos da América".
E nosso Lula não se gaba de não ter lido nada? Inteligência é chato; traz angústia, com seus labirintos. Inteligência nos desampara; burrice consola.
A burrice está na raiz do populismo. Para muitos, a burrice é a moradia da verdade, como se houvesse algo de "sagrado" na ignorância dos pobres, uma sabedoria que pode desmascarar a mentira "de elite". Só os pobres de espírito verão a Deus - reza a tradição. A burrice dá mais ibope, é mais fácil de entender. A burrice é a ignorância com fome de sentido. O problema é que a burrice no poder chama-se "fascismo".
Outra saúva que nos ataca é a incompetência. Existe muito mais na chamada "esquerda" que entre os velhos "neoliberais". Os "ideológicos" vivem de ideias "puras". Nada mais chato para eles do que a realidade, apesar de falarem nela o tempo todo.
A realidade brasileira para eles é um delírio, com meia dúzia de "contradições" óbvias. Antigamente, eram latifúndio, burguesia nacional e imperialismo. Agora é a tentativa de tomar o Estado por dentro da democracia. Eles dizem que a competência é um tecnicismo que pode ser usado para mascarar "táticas demoníacas" do capitalismo.
Outro vício que nos rói é a liberdade. Sim... não a "boa", mas a liberdade como fetiche, vulgar produto de mercado. É a democracia vivida como zona: êxtases volúveis de "clubbers", celebridades saltitantes de "liberdade" dentro de um chiqueirinho de irrelevâncias, a vida vivida como um "reality show" esquemático, buscando ideais como bundas querendo subir na vida, próteses de silicone na alma, o sucesso sem trabalho, o marketing sexual, a troca do mérito pela fama.
A arrogância individualista das celebridades é uma das saúvas do país.
Outro vício nacional, além da esquerda e direita, é a política do espetáculo. Guy Debord ("A Sociedade do Espetáculo") cita Feurbach: "Nosso tempo prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser". Debord: "O espetáculo não quer chegar a outra coisa senão a si mesmo (...), onde o mentiroso mente a si próprio. O espetáculo é inseparável do Estado moderno". (Estão reconhecendo alguém?) No Brasil, a política do espetáculo foi descoberta por Jânio Quadros. Lula é um bom aluno.
Outro vício é o "passadismo rancoroso"; mais praticado pela "esquerda" burra, a República é tratada no passado. Vivem a nostalgia de torturas, heranças malditas, ossadas do Araguaia e nenhum projeto claro para nosso futuro. Há um passadismo regressista, regado pela vingança de fracassos coletivos e individuais, como se a vida social de hoje fosse a decadência de um passado que estaria no rumo certo. Há uma fome de marcha à ré nacionalista, terceiro-mundista, de voltar para a "taba" ou para o casebre com farinha, paçoca e violinha.
Também adoram condenar injustiças que já houve... Esse vício emprenha "coisas muito nossas", como a falta de imaginação política para o futuro, a retórica das impossibilidades, a vida pública em câmera lenta, onde a única coisa que acontece é que não acontece nada.
Mas, há mais... há mais... Temos os egoístas, os psicopatas (muito em moda...), os ladrões compulsivos, os "fracassomaníacos", temos as imensas multidões dos "babacas" (oh... serei um deles?...), comandados pelos boçais, cafajestes, oportunistas, ladrões de todas as cores.
De modo que não podemos nos contentar com a velha dualidade direita/esquerda; o mundo é muito mais vasto, oh "raimundos" e vagabundos!...
E mais: principalmente no Brasil, não podemos esquecer os batalhões que crescem a cada dia, os exércitos invencíveis: a brilhante plêiade dos FDPs.
Acontece que nossa vida social é movida por outras categorias, muito além dessa dualidade. Temos de tudo. Há paranoicos, esquizofrênicos, psicopatas, narcisistas (vejam o Lula em lua de mel consigo mesmo...) e, descendo mais de nível, temos os imbecis em geral e um vasto catálogo de vícios. Vamos começar pelos caretas.
A caretice é uma visão de mundo que passa despercebida, mas é raiz de terríveis males. O careta é antes de tudo um forte. Está sempre atrás de certezas, ou melhor, já chega com elas. Olha o mundo com um olho só e só vê o que já sabia. A diversidade da vida é recusada como um desvio; a dúvida, como fraqueza. O careta tem sempre um sorriso pronto ou uma cara fechada, dependendo se é do tipo "careta legal" ou "careta severo". Sua cara é uma careta - daí o nome -, uma máscara fixa que denota uma ideia só na mente. A caretice não é uma posição política; é um sistema operacional. Ele finge aceitar as diferenças, mas não vê o "outro". O chamado "outro" é um mal inevitável que ele tem de suportar para controlá-lo, para que ele não o inquiete com surpresas. Careta odeia novidades. O careta é linear - tem princípio, meio e fim.
O careta tende mais para o que se chamava de "direita": só ele existe, com suas ideias indiscutíveis. Há muitos caretas de "esquerda" que só querem uma sociedade sob controle, pois só eles sabem o que é bom para nós, os alienados. Existe até o careta drogado, o bicho grilo chamado "muito louco". Como disse um amigo meu: "Pior que careta só o `muito louco´...
Temos também a categoria da burrice que, como dizia Nelson Rodrigues, é uma "força da natureza". Antigamente, os cretinos se escondiam pelos cantos, roídos de vergonha; hoje, eles andam de fronte alta e peito estufado.
Nunca a burrice fez tanto sucesso. Há no mundo da política e da vida social a restauração alegre da estupidez. Lá fora, "Forrest Gump", o herói idiota foi o precursor; Bush foi seu efeito, como outros hoje em dia: há o Chávez, há aquele ratinho do Irã que o Lula vai visitar... tantos. Bush se orgulhava de sua burrice. Uma vez, em Yale, ele disse: "Eu sou a prova de que os maus estudantes podem ser presidentes dos Estados Unidos da América".
E nosso Lula não se gaba de não ter lido nada? Inteligência é chato; traz angústia, com seus labirintos. Inteligência nos desampara; burrice consola.
A burrice está na raiz do populismo. Para muitos, a burrice é a moradia da verdade, como se houvesse algo de "sagrado" na ignorância dos pobres, uma sabedoria que pode desmascarar a mentira "de elite". Só os pobres de espírito verão a Deus - reza a tradição. A burrice dá mais ibope, é mais fácil de entender. A burrice é a ignorância com fome de sentido. O problema é que a burrice no poder chama-se "fascismo".
Outra saúva que nos ataca é a incompetência. Existe muito mais na chamada "esquerda" que entre os velhos "neoliberais". Os "ideológicos" vivem de ideias "puras". Nada mais chato para eles do que a realidade, apesar de falarem nela o tempo todo.
A realidade brasileira para eles é um delírio, com meia dúzia de "contradições" óbvias. Antigamente, eram latifúndio, burguesia nacional e imperialismo. Agora é a tentativa de tomar o Estado por dentro da democracia. Eles dizem que a competência é um tecnicismo que pode ser usado para mascarar "táticas demoníacas" do capitalismo.
Outro vício que nos rói é a liberdade. Sim... não a "boa", mas a liberdade como fetiche, vulgar produto de mercado. É a democracia vivida como zona: êxtases volúveis de "clubbers", celebridades saltitantes de "liberdade" dentro de um chiqueirinho de irrelevâncias, a vida vivida como um "reality show" esquemático, buscando ideais como bundas querendo subir na vida, próteses de silicone na alma, o sucesso sem trabalho, o marketing sexual, a troca do mérito pela fama.
A arrogância individualista das celebridades é uma das saúvas do país.
Outro vício nacional, além da esquerda e direita, é a política do espetáculo. Guy Debord ("A Sociedade do Espetáculo") cita Feurbach: "Nosso tempo prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser". Debord: "O espetáculo não quer chegar a outra coisa senão a si mesmo (...), onde o mentiroso mente a si próprio. O espetáculo é inseparável do Estado moderno". (Estão reconhecendo alguém?) No Brasil, a política do espetáculo foi descoberta por Jânio Quadros. Lula é um bom aluno.
Outro vício é o "passadismo rancoroso"; mais praticado pela "esquerda" burra, a República é tratada no passado. Vivem a nostalgia de torturas, heranças malditas, ossadas do Araguaia e nenhum projeto claro para nosso futuro. Há um passadismo regressista, regado pela vingança de fracassos coletivos e individuais, como se a vida social de hoje fosse a decadência de um passado que estaria no rumo certo. Há uma fome de marcha à ré nacionalista, terceiro-mundista, de voltar para a "taba" ou para o casebre com farinha, paçoca e violinha.
Também adoram condenar injustiças que já houve... Esse vício emprenha "coisas muito nossas", como a falta de imaginação política para o futuro, a retórica das impossibilidades, a vida pública em câmera lenta, onde a única coisa que acontece é que não acontece nada.
Mas, há mais... há mais... Temos os egoístas, os psicopatas (muito em moda...), os ladrões compulsivos, os "fracassomaníacos", temos as imensas multidões dos "babacas" (oh... serei um deles?...), comandados pelos boçais, cafajestes, oportunistas, ladrões de todas as cores.
De modo que não podemos nos contentar com a velha dualidade direita/esquerda; o mundo é muito mais vasto, oh "raimundos" e vagabundos!...
E mais: principalmente no Brasil, não podemos esquecer os batalhões que crescem a cada dia, os exércitos invencíveis: a brilhante plêiade dos FDPs.
BRASIL S/A
Gorilas na sala
Antonio Machado
CORREIO BRAZILIENSE - 11/05/10
Europa multiplica o socorro aos países do euro, mas há duvidas se a crise será enjaulada
A Europa está com um gorila na sala vestido para combinar com as cortinas noutra tentativa de torná-lo invisível para quem quiser ser enganado, mas ele está lá, e poderá tornar-se mais ameaçador.
A bancarrota da Grécia foi um de seus urros. Depois de meses sem solução para sua agonia, explicitada quando o novo governo grego anunciou em outubro do ano passado que o deficit público, em vez de 5% do PIB, como até então divulgava, era de quase 13%, a Alemanha, a França e outros condutores da União Europeia (UE) juntaram-se ao Fundo Monetário Internacional para garantir os pagamentos das dívidas da Grécia até 2012.
O pacote começou com 20 bilhões de euros. Passou para 45 bilhões de euros e, na semana passada, foi fechado em 110 bilhões de euros, com o FMI assumindo 30 bilhões de euros do total. Os detalhes foram ultimados na sexta-feira.
Mas o tamanho da necessidade de funding fiscal e externo da Grécia continua incerto, razão pela qual os líderes da UE que se opunham à entrada do Fundo em problemas da Europa engoliram o orgulho. Duvidoso é que estejam de olhos abertos.
No fim de semana, a UE reconheceu que desdenhava a gravidade da situação e contrariou também a negativa do Banco Central Europeu (BCE) em recomprar papéis de dívida privada tornados ilíquidos em razão da virtual insolvência seriada dos países sócios do euro. É uma lista que começa pela Grécia e continua com Portugal, Espanha, Irlanda e até a Itália, uma das locomotivas da comunidade.
A crise da Grécia transbordou para outros países da Zona do Euro, e a rede de defesa da moeda, condição para os mercados financiarem os deficits e dívidas soberanas da região, teria de ser bem maior.
Os mercados financeiros abriram a semana com a notícia de que vão dispor de mais 750 bilhões de euros, equivalentes a quase US$ 1 trilhão, adicionais aos 110 bilhões de euros anunciados para a Grécia. É muito, e sem garantia de que, dessa vez, o gorila sai da sala direto para uma jaula no jardim zoológico onde já se exibiam os animais do mercado desregrado. Falta enjaular os espécimes do Estado irresponsável.
Se, a cada urro dos mercados com o tamanho do deficit fiscal e da dívida soberana dos países, os governos respondem com mais dívida, contratada até pelos rotos, como Portugal, forçados pela UE a dar sua contribuição à operação de resgate da esfarrapada Grécia, não há solução à vista, conforme análise precisa do blog Sudden Debt.
O euro copia o dólar
De onde virá o dinheiro do novo pacote europeu? Do mesmo lugar de onde vieram os 110 bilhões de euros para a Grécia: da emissão de papelote de dívida pelos 16 países associados ao euro e do sofisma lançado pelo Federal Reserve após a debacle de Wall Street e copiado pelo BCE. Trata-se da tal “flexibilização quantitativa”, o neologismo técnico para a emissão de dinheiro sem lastro. Isto é, inflação.
Mas quem hoje se importa? As bolsas mundo afora dispararam com a “boa nova” dos europeus. Até o preço da dívida da Grécia melhorou.
Mais dívida resolve?
A banca e os fundos que investem em moeda e em papéis de dívida soberana tiveram o que queriam: a garantia de que os ativos podres dos países-problemas não vão virar pó. Foi o que já haviam obtido na primeira rodada da crise aberta pela quebra do Lehman Brothers, em setembro de 2008: a encampação dos ativos podres que carregavam em carteira. Os Estados nacionais, boa parte com orçamento fiscal em frangalhos, se endividaram ainda mais para salvar o seu sistema financeiro — o fizeram emitindo dívida, essa mesma que a Europa vai ampliar para tentar impedir a bancarrota da região. O problema é a overdose de dívida. E eles a tratam com mais dívida. Vai dar caca.
O problema vai piorar
O economista David Rosenberg, da Gluskin Sheff, do Canadá, faz um comentário pertinente em sua análise diária, ao questionar como as agências de risco reagirão ao novo pacote europeu. As três grandes do ramo, Standard & Poor’s, Moodys e Fitch, rebaixaram as notas de crédito de Grécia, Portugal e Espanha ao nível de “junk bonds”, de alto risco. “Se a UE empresta dinheiro para a Grécia ou a qualquer outro país-problema da região, as relações de dívida, incluindo os passivos contingentes, só vão aumentar”, diz ele. Ou seja, piorar. O gorila pode até parecer inofensivo, mas continuará na sala.
As forças indomáveis
Nos momentos de pânico, ninguém ousa as perguntas inconvenientes. A mais ostensiva é a que trata da viabilidade dos cortes de gastos e do aumento de impostos exigidos pela UE e FMI aos países da Zona do Euro como condição para serem socorridos. Como a Espanha, com taxa de desemprego de 20%, atenderá tais condições? E a Grécia, onde mais da metade da renda é paga pelo Estado? Tais planos atendem a falta de liquidez e omitem o problema fiscal e as sequelas sociais.
Não há outra solução nos termos do socorro ensaiado pela UE tanto quanto é certo que, sem crescimento econômico, os países mais fracos da Europa tendem à estagnação perene. É difícil, em tal cenário, que a recessão possa resolver os problemas fiscais. E é mais difícil supor que a opulência da Alemanha ou da França possa conviver com tal panorama sem implicar instabilidade política e abalos ao euro.
A conclusão é que só se ganhou tempo para o desfecho inevitável: uma ampla renegociação de dívidas soberanas, com perda partilhada com os credores. O gorila parece domado, mas continua na sala. E é sabido que gorilas, tal qual o mercado, não se deixam domesticar.
LUIZ GARCIA
Cavalo no temporal
LUIZ GARCIA
O GLOBO - 11/05/10
No regime militar, também chamado de ditadura, o delegado Romeu Tuma foi eficiente colaborador da repressão a atos de adversários do governo central, o que incluía tanto membros da oposição política como guerrilheiros e terroristas. A bem da verdade, seu nome nunca foi associado à prática de tortura.
Ele também pode ser definido como mestre da sobrevivência. A ditadura acabou, e Tuma partiu para uma carreira política que o levou ao Senado. Com sucesso: outro dia, o presidente Lula saiu de seus cuidados para defini-lo como “homem de muito respeito”.
Não por acaso, seu filho, Tuma Júnior, fez carreira política e é hoje secretário nacional de Justiça. O que não impediu a Polícia Federal de gravar telefonemas seus tentando resolver um pequeno problema da deputada estadual Haifa Madi, do PTB: ela tentara embarcar para os Emirados Árabes com US$ 160 mil escondidos na bagagem. A PF não pegou leve: segundo seu relatório, Tuma Júnior sabia que o dinheiro era produto de “prática ilícita, envolvendo crimes financeiros”.
Portanto, uma mancha preta na reputação de qualquer cidadão. E especialmente feia no caso de quem é secretário nacional de Justiça e presidente do Conselho Nacional de Combate à Pirataria. Mas Tuma Júnior parece acreditar que tem as costas quentes, o que lhe permitiu reagir com ironia às acusações contra ele: “Tirem o cavalo da chuva. Não vou sair.” Acusações não são condenações. Mas é inegável que o cavalo de Tuma Júnior está debaixo de um temporal. O presidente Lula poderia — ou deveria — levar isso em conta quando falou sobre as acusações contra Tuma. Outro dia, já se referira a ele como dono de “uma folha de serviços prestados a este país”. E, depois das denúncias mais recentes, embora dissesse o óbvio — que se Tuma for culpado tem de ser punido — fez a ressalva de que ele “faz parte de uma família de tradição”. O Código Penal, lamentamos informar, não registra atenuantes associadas a árvores genealógicas.
Ele também pode ser definido como mestre da sobrevivência. A ditadura acabou, e Tuma partiu para uma carreira política que o levou ao Senado. Com sucesso: outro dia, o presidente Lula saiu de seus cuidados para defini-lo como “homem de muito respeito”.
Não por acaso, seu filho, Tuma Júnior, fez carreira política e é hoje secretário nacional de Justiça. O que não impediu a Polícia Federal de gravar telefonemas seus tentando resolver um pequeno problema da deputada estadual Haifa Madi, do PTB: ela tentara embarcar para os Emirados Árabes com US$ 160 mil escondidos na bagagem. A PF não pegou leve: segundo seu relatório, Tuma Júnior sabia que o dinheiro era produto de “prática ilícita, envolvendo crimes financeiros”.
Portanto, uma mancha preta na reputação de qualquer cidadão. E especialmente feia no caso de quem é secretário nacional de Justiça e presidente do Conselho Nacional de Combate à Pirataria. Mas Tuma Júnior parece acreditar que tem as costas quentes, o que lhe permitiu reagir com ironia às acusações contra ele: “Tirem o cavalo da chuva. Não vou sair.” Acusações não são condenações. Mas é inegável que o cavalo de Tuma Júnior está debaixo de um temporal. O presidente Lula poderia — ou deveria — levar isso em conta quando falou sobre as acusações contra Tuma. Outro dia, já se referira a ele como dono de “uma folha de serviços prestados a este país”. E, depois das denúncias mais recentes, embora dissesse o óbvio — que se Tuma for culpado tem de ser punido — fez a ressalva de que ele “faz parte de uma família de tradição”. O Código Penal, lamentamos informar, não registra atenuantes associadas a árvores genealógicas.
JANIO DE FREITAS
O tempo resolve
JANIO DE FREITAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 11/05/10
O componente pessoal que assegurou a permanência de Romeu Tuma Jr. coincide com a conduta de Lula em escândalos
OS CINCO DIAS que a Comissão de Ética do governo deu ao delegado Romeu Tuma Jr., para defender-se das suspeitas que o atingem como secretário nacional de Justiça, não se justificam por ao menos três motivos.
Dada a gravidade dos envolvimentos atribuídos ao secretário, cinco dias não prometem mais do que argumentação desacompanhada de provas e outros elementos de convicção. E não tem cabimento o prazo cumprido no cargo se a atividade de urgência, nos cinco dias, será a de montar uma defesa. Por fim, com a entrada direta na confrontação de suspeitas e defesa, a comissão pulou uma etapa básica.
Romeu Tuma Jr. não é o único servidor público envolvido no que compete ao exame e providências da Comissão de Ética do Serviço Público. Tão logo ficou demonstrada a gravidade das informações sobre o principal incumbido de problemas como produtos falsificados e contrabando, a defesa ética do Estado exigia seu afastamento até provada a inocência ou, se não provada, afinal em definitivo. A cobrança de tal medida era o primeiro e não cumprido dever ético e funcional da comissão.
A nomeação de Romeu Tuma Jr. para o alto cargo do Ministério da Justiça não foi por escolha do então ministro Tarso Genro, nas alterações motivadas pelo segundo mandato. Foi decidida por Lula. Uma retribuição ao diretor do Deops, o hoje senador Romeu Tuma, que lá atrás liberou Lula da prisão provisória para o adeus final à mãe. Muito bem como prova de gratidão, deplorável como comprovação a mais do modo de preencher altos cargos públicos, vistos como objetos de transações diversas.
Não está, portanto, na competência do atual ministro da Justiça, Luiz Barreto, o afastamento preventivo de Romeu Tuma Jr. Está nas do mais elevado servidor público, que não o praticou.
O componente pessoal que assegurou a permanência de Romeu Tuma Jr. coincide com a conduta de Lula nos escândalos que se sobrepõem uns aos outros no seu governo.
Lula invoca o risco de punição à inocência para jogar o tempo a favor da possível salvação de seus aliados ou amigos. A ética do serviço público, a ética da política e a ética pessoal, não faz diferença qual delas esteja em questão, são deixadas em plano inferior -se entram em algum plano.
A campanha eleitoral oferece um exemplo completo do jogo com o tempo. Como se não houvesse saído do governo por um conjunto de torpezas, aí está Antonio Palocci encarregado por Lula de nada menos do que coordenar o programa governamental de uma candidata à Presidência da República. A protelação para mantê-lo no governo mostrou-se insustentável, mas o segundo tempo está dando resultado.
O mesmo se passa com muitos dos notabilizados no caso do mensalão, ou em escândalos ministeriais como o do ex-ministro Silas Rondeau, ou de eminências da "base aliada" como Renan Calheiros, poupados dos afastamentos com o jogo entre o tempo e a memória complacente. Mas Comissão de Ética não deve ser parte de jogo algum.
Correção
A ombudsman Suzana Singer notou que, no artigo do dia 7, dei Dilma Rousseff e José Serra como engenheiros, o que não é certo. Dilma começou economia em Minas e terminou-a no Rio Grande do Sul. Serra estudou economia no Chile e, depois, nos Estados Unidos, embora sem chegar a diplomar-se.
Dada a gravidade dos envolvimentos atribuídos ao secretário, cinco dias não prometem mais do que argumentação desacompanhada de provas e outros elementos de convicção. E não tem cabimento o prazo cumprido no cargo se a atividade de urgência, nos cinco dias, será a de montar uma defesa. Por fim, com a entrada direta na confrontação de suspeitas e defesa, a comissão pulou uma etapa básica.
Romeu Tuma Jr. não é o único servidor público envolvido no que compete ao exame e providências da Comissão de Ética do Serviço Público. Tão logo ficou demonstrada a gravidade das informações sobre o principal incumbido de problemas como produtos falsificados e contrabando, a defesa ética do Estado exigia seu afastamento até provada a inocência ou, se não provada, afinal em definitivo. A cobrança de tal medida era o primeiro e não cumprido dever ético e funcional da comissão.
A nomeação de Romeu Tuma Jr. para o alto cargo do Ministério da Justiça não foi por escolha do então ministro Tarso Genro, nas alterações motivadas pelo segundo mandato. Foi decidida por Lula. Uma retribuição ao diretor do Deops, o hoje senador Romeu Tuma, que lá atrás liberou Lula da prisão provisória para o adeus final à mãe. Muito bem como prova de gratidão, deplorável como comprovação a mais do modo de preencher altos cargos públicos, vistos como objetos de transações diversas.
Não está, portanto, na competência do atual ministro da Justiça, Luiz Barreto, o afastamento preventivo de Romeu Tuma Jr. Está nas do mais elevado servidor público, que não o praticou.
O componente pessoal que assegurou a permanência de Romeu Tuma Jr. coincide com a conduta de Lula nos escândalos que se sobrepõem uns aos outros no seu governo.
Lula invoca o risco de punição à inocência para jogar o tempo a favor da possível salvação de seus aliados ou amigos. A ética do serviço público, a ética da política e a ética pessoal, não faz diferença qual delas esteja em questão, são deixadas em plano inferior -se entram em algum plano.
A campanha eleitoral oferece um exemplo completo do jogo com o tempo. Como se não houvesse saído do governo por um conjunto de torpezas, aí está Antonio Palocci encarregado por Lula de nada menos do que coordenar o programa governamental de uma candidata à Presidência da República. A protelação para mantê-lo no governo mostrou-se insustentável, mas o segundo tempo está dando resultado.
O mesmo se passa com muitos dos notabilizados no caso do mensalão, ou em escândalos ministeriais como o do ex-ministro Silas Rondeau, ou de eminências da "base aliada" como Renan Calheiros, poupados dos afastamentos com o jogo entre o tempo e a memória complacente. Mas Comissão de Ética não deve ser parte de jogo algum.
Correção
A ombudsman Suzana Singer notou que, no artigo do dia 7, dei Dilma Rousseff e José Serra como engenheiros, o que não é certo. Dilma começou economia em Minas e terminou-a no Rio Grande do Sul. Serra estudou economia no Chile e, depois, nos Estados Unidos, embora sem chegar a diplomar-se.
MÔNICA BERGAMO
Sobrevoo
Mônica Bergamo
Folha de S.Paulo - 11/05/2010
Depois da escolha do modelo de caças que serão adquiridos pelo Brasil, a Aeronáutica deve lançar outra licitação no mercado. Ela prevê a compra de aviões para reabastecer, no ar, as próprias aeronaves de guerra que virão para o Brasil. Os aviões que hoje cumprem a missão são da década de 50 e estão entre os mais velhos do mundo na modalidade.
Velhos Amigos
Foram intensas as conversas entre o senador pernambucano Sérgio Guerra, presidente do PSDB e coordenador da campanha de José Serra (PSDB-SP) à Presidência, e líderes do PP neste fim de semana em SP. Um dos interlocutores dele foi o deputado Ciro Nogueira (PP-PI), que também se encontrou com Paulo Maluf (PP-SP).
À Parte
Depois de resolvida a questão da aliança do PSDB com o PP no Rio Grande do Sul, o partido de Maluf quer de Guerra também a garantia de que o deputado Ricardo Barros (PP-PR) será lançado ao Senado no Paraná, na chapa do tucano Beto Richa, pré-candidato ao governo. Osmar Dias (PDT-PR) pode ser o outro nome na aliança. Guerra viaja amanhã para Curitiba para os acertos finais.
Braço Armado
E o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), afilhado político de Severino Cavalcanti (PP-PE) e pernambucano como Sérgio Guerra, tem sido o braço direito dele na tentativa de composição entre tucanos e pepistas. Ontem, eles almoçaram juntos em SP.
Honorário Plástico
A OAB-SP vai decidir, no próximo dia 25, se os advogados paulistas poderão aceitar cartão de crédito para o pagamento de honorários. O tema será discutido em reunião da Turma de Ética Profissional da entidade. A questão divide os profissionais entre os que acreditam que isso "mercantilizaria" a advocacia e os que acham que isso a modernizaria.
Questão de Divisa
A prática varia Brasil afora. Nos Estados de Alagoas, Ceará, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí, Roraima, Rio Grande do Sul, Goiás e no Distrito Federal, não é possível pagar advogado com cartão. No Pará, alguns profissionais aceitam, mas a medida é considerada "incomum". No Amapá e na Bahia, o tema está em discussão na OAB.
Overdose
Os produtores do filme "Vips", sobre o impostor que se passava por herdeiro da Gol e estrelado por Wagner Moura, decidiram adiar o lançamento do longa. Quiseram evitar que o filme chegasse às telas no mesmo período de "Tropa de Elite 2" -também protagonizado pelo ator. "Vips" deve ser lançado só em 2011.
Madrinha Bruni
A primeira-dama da França, Carla Bruni, confirmou presença na inauguração do instituto francês de robótica Ircad, que será inaugurado no fim do ano no Hospital de Câncer de Barretos, no interior de São Paulo.
A cantora havia sido convidada para ser madrinha do centro de pesquisa há alguns meses. E agora enviou carta a Henrique Prata, diretor de gestão do hospital, aceitando o convite. No texto, a mulher do francês Nicolas Sarkozy coloca seu secretário pessoal à disposição para acertar os detalhes de sua vinda ao Brasil, em dezembro.
Pelota
Ronaldo pode tuitar também para a América Latina nos jogos da Copa. A Claro já pensa em patrocinar comentários dele em espanhol sobre as partidas do Mundial.
Avatar
Responsável pelo Twitter da dupla Zezé Di Camargo & Luciano -ele posta textos e vídeos que faz com o próprio celular-, o cantor Luciano também criou um perfil "fake" no microblog. "Assim, posso entrar na página do Serra, da Dilma, ver aquelas babaquices que eles escrevem, e posso ficar brigando e xingando todo mundo", diz ele.
Caco Ricci
"Já sou de casa no palácio"
O modelo Caco Ricci, ex-participante do reality show "A Fazenda", da Record, brilhou no evento de lançamento da pré-candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) ao governo de SP, no sábado. Ficou no palco, em uma bancada de 46 pessoas "comuns" que representavam "a população de SP" -havia, por exemplo, um padre vestindo batina e um judeu usando quipá no grupo. Ricci apareceu no telão durante toda festa.
FOLHA - Como foi parar no palco?
CACO RICCI - Fui escolhido pela cúpula do partido para representar a classe artística. Sou simpatizante desde a época do [Mário] Covas, sempre acompanhei o PSDB. Fiquei meio relutante, por estar negociando com emissoras de TV. Achei que isso pudesse, sei lá, influenciar, mas depois decidi que não. Como cidadão, tenho que acompanhar o candidato, né? Não posso me alienar.
FOLHA - Foi chamado de papagaio de pirata dos políticos?
RICCI - Fui completamente papagaio de pirata, mas não tem o que fazer [risos]! Pelo menos não é qualquer pirata. Fui várias vezes ao palácio [dos Bandeirantes, sede do governo de SP], já sou meio que de casa ali. A dona Lizete, minha mãe, trabalhou no cerimonial e eu com ela. Ó, se vocês prestarem atenção, em vários eventos do governo eu estou ali por perto, há muito tempo.
FOLHA - Recebeu cachê?
RICCI - Não, imagina! Eu jamais aceitaria. Fui para prestigiar. E eu tava com um "3" na manga [da camiseta]. Depois que me toquei que não é bem o número do partido. Se pelo menos fosse um 5, um 25, sei lá, um 45 ou algo assim! Aí dei uma dobrada, para não confundir com o 13 [do PT]. Vieram me avisar que estava ficando feio no telão e eu tive que desdobrar.
Curto-circuito
SERÁ ABERTA hoje, às 20h, a mostra "Visionaire - Para Todos os Sentidos", no Instituto Tomie Ohtake.
O CICLO DE LEITURAS do Teatro da Vertigem tem início hoje, às 21h, na sede do grupo teatral, na Bela Vista, com o texto "Edite, Pescoço de Cisne", de Bernardo Carvalho. 12 anos.
O LIVRO "Separar Depois dos 40", de Marcia Camargos, tem lançamento hoje, às 19h, na Livraria da Vila da al. Lorena.
ADILSON XAVIER autografa hoje, às 18h30, o romance "E. O Atirador de Ideias", na Livraria Cultura da av. Paulista.
A REDETV realiza hoje, às 19h, coquetel de lançamento da Fórmula 3 Sul-Americana, na sede da emissora.
A EMPRESÁRIA Ana Paula Carneiro realiza brunch em torno da gemologista Virginia Salem, hoje, na al. Franca, nos Jardins.
ACONTECE HOJE, às 11h30, o ciclo de palestras "Na Sala Certa", com Michael Kronenberg, no Cinemark do Villa-Lobos.
OS TITÃS apresentam o show "Sacos Plásticos" no dia 28, no Citibank Hall, no Rio de Janeiro. Classificação: 15 anos.
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