quinta-feira, fevereiro 25, 2010

CLÓVIS ROSSI

Serra, Dilma e o marechal Lott

FOLHA DE SÃO PAULO - 25/02/10


SÃO PAULO - Termina nesta semana a novela (ou a agonia) José Serra, jura a cúpula do PSDB. O governador paulista será candidato.
O fim da agonia não será festejado com fogos de artifício. Haverá apenas sinais de fumaça para que o mundinho político, em especial o tucanato e seus aliados, definidos e potenciais, saiba que saiu fumaça branca das chaminés do Palácio dos Bandeirantes.
Só mais tarde é que se fará algo mais festivo para carimbar a pré-candidatura, esse rótulo grotesco que a grotesca legislação brasileira exige que se use embora todo o mundo saiba que Dilma Rousseff, Marina Silva e, agora, Serra são candidatos, não pré-candidatos.
A candidatura tucana nasce sem vice. Não há um nome no DEM de que se fale mais. Nem houve desistência definitiva de ter Aécio Neves na chamada chapa puro-sangue. O governador mineiro decidirá segundo seu tempo, diz-se na cúpula do PSDB. E tempo de político mineiro é certamente diferente de tempo de político paulista.
O tucanato não acredita em candidatura Ciro Gomes, por mais que haja gente no partido que diga que Ciro anda com mais raiva do PT e do PMDB do que de Serra, seu arqui-inimigo. Ciro pode até querer disputar a Presidência, mas o partido está louco para correr para os braços de Dilma, o que o deixaria pendurado na brocha sem escada.
Dá para ganhar de um Lula com a corda toda, ainda que ele seja candidato apenas pela interposta pessoa de Dilma?
Não imaginava outra resposta que um "sim", mas ele vem acompanhado da observação de que Dilma tende a ser o marechal Lott de 2010. O marechal Henrique Lott (1894-1984) foi o candidato do governo (Juscelino Kubitschek) na eleição de 1960 e perdeu para Janio Quadros. OK, mas não convém esquecer que JK não tinha, então, o prestígio que Lula tem hoje nem Serra tem o apelo que Janio tinha.

JOSÉ SIMÃO

Sapatinha posa pro SAPARAZZO!

FOLHA DE SÃO PAULO - 25/02/10


A eliminada teve mais votos que a Marina Silva e o Dourado teve mais votos que o Lula


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! A Terra do "Rebolation" e do "Big Brother"!
E o "BBB"? A sapinha eliminada vai fazer um ensaio sensual pro Paparazzo, SAPARAZZO.
E eu vou aderir ao movimento Fora Dourado! Você acha que um machão homofóbico pode se chamar Dourado? Aliás, acho que inventaram esse personagem: machão, homofóbico, gaúcho e Dourado. Tosco demais. É muita tosquera! E gaúcho homofóbico é aquele que tem medo da concorrência! Rarará!
E me responda rápido: quem é o governador do Detrito Federal HOJE? Tá tendo rodízio de governador! Três em um mês. Quem quer ser o próximo? Eles oferecem passagem e hospedagem. E o Eramos6 diz que aquele que passar em frente ao palácio de calça e camisa vira vice. E aquele que passar de cueca e meia vira governador. Se você passar de cueca e meia em frente ao palácio, eles gritam: "Ei! Quer ser governador?". E eu sei quem vai ser o interventor do Detrito Federal. O MALUF! Rarará!
E o DEM agora se chama DEMOLIDO! Rarará! Deu Em Merda. Deram Elza no Mandato! E o chargista Dalcio diz que governador do Detrito Federal tem que assumir com carta-renúncia no bolso! "Aqui é o seu gabinete, ali é o banheiro e na gaveta tem três modelos de carta-renúncia." Rarará!
Paredão Olímpico! Sapinha de Bigode x Machão Homofóbico! Morango x Dourado. Ou como diz a dlag: "Mogango e Dogado". Setenta e sete milhões de votos. OU seja, a eliminada teve mais votos que a Marina Silva e o Dourado teve mais voto que o Lula. E ele fala que hétero não pega Aids. E o povo acredita. Brasileiro acredita em tudo que escuta na Globo! E aquele Eliezer é engenheiro agrônomo e fala "ni mim e nivocê". E uma amiga disse que assiste ao "BBB" por higiene mental. E uma outra chama o "BBB" de deserto mental. É mole? É mole, mas sobe! Ou como disse o outro: "É mole, mas trisca pra ver o que acontece".
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. É que em Congonhal, Minas, tem um inferninho chamado Chuta a Caçapa. Ueba! Mais direto, impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Porco chauvinista": torcedor do Palmeiras e admirador do Hugo Chávez. Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã.
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.

PAINEL DA FOLHA

Mão do gato

Renata Lo Prete

Folha de S.Paulo - 25/02/2010

Os participantes da reunião convocada na tentativa de convencer Ciro Gomes a sair da disputa nacional e concorrer ao governo de SP não viram mudança significativa na atitude do deputado, que, para ganhar tempo, cuidou de emitir sinais em ambas as direções.

Novidade, para os presentes, foi a ênfase com que o chefe local do PSB, Márcio França, defendeu a opção Palácio dos Bandeirantes. Na interpretação geral, trata-se de missão que lhe foi confiada pelo presidente do partido, Eduardo Campos. Candidato à reeleição em Pernambuco, onde Lula é o maior dos cabos eleitorais, Campos procura um meio de limpar o terreno sem arranjar (muita) encrenca com Ciro.

Os participantes da reunião convocada na tentativa de convencer Ciro Gomes a sair da disputa nacional e concorrer ao governo de SP não viram mudança significativa na atitude do deputado, que, para ganhar tempo, cuidou de emitir sinais em ambas as direções.

Novidade, para os presentes, foi a ênfase com que o chefe local do PSB, Márcio França, defendeu a opção Palácio dos Bandeirantes. Na interpretação geral, trata-se de missão que lhe foi confiada pelo presidente do partido, Eduardo Campos. Candidato à reeleição em Pernambuco, onde Lula é o maior dos cabos eleitorais, Campos procura um meio de limpar o terreno sem arranjar (muita) encrenca com Ciro.

Abaixo de zero
Ciro lançou sua versão dos "nervos de aço" de José Serra ao dizer ontem aos aliados que precisa de mais tempo: "Vocês vão ter de colocar gelo nas veias".

Na lata
Independentemente do cargo a ser disputado, o PSB já encontrou um slogan para a eventual campanha de sua maior estrela: "Ser Ciro é ser sincero".

Enquete. O blog da TV Mirante, do clã Sarney, trazia ontem, ao lado de artigo sobre o "inferno astral" de Serra, uma foto do tucano com chifres e a pergunta: "É isso o que você quer para 2010?".

Meio do caminho
A reunião de líderes do PT e do PMDB em Brasília para tratar da aliança no Pará terminou com o compromisso de que os dois partidos, unidos ou não em aliança, trabalharão pela candidatura de Dilma Rousseff. Já sobre apoiar a reeleição da petista Ana Júlia, a conversa ficou na mesma.

Quadradinho
No supermercado de ideias suscitadas pelo escândalo candango, há uma que tem simpatizantes no Ministério da Justiça: reduzir o Distrito Federal ao chamado Plano Piloto, transformando o bolsão das cidades-satélite em novo Estado.

Hóspede
Depois do pedido dos advogados para adiar o julgamento do habeas corpus de José Roberto Arruda, alguém já tratou de apelidar o governador preso na sede da PF de "o nosso Zelaya".

Cuca
Cristina Kirchner fez o maior esforço para entregar ontem a Lula, na abertura da cúpula América Latina-Caribe, um envelope pardo. Para surpresa dos jornalistas, que imaginavam algum documento relacionado às Malvinas, tratava-se do prefácio, escrito por ela, a uma edição de "Reinações de Narizinho" a ser lançada na Argentina.

Leve e solto
Com a imprensa ainda em Cancún, Lula foi na terça a La Bodeguita del Medio, o célebre bar que Ernest Hemingway frequentava em Havana. Acompanhado de assessores, o presidente tomou mojitos e comeu prato à base de arroz e feijão.

Ufa!
O lobby das centrais está funcionando no Supremo: pela segunda vez, o fim da contribuição sindical obrigatória estava na pauta e, aos 45 min do segundo tempo, o processo não foi "chamado" para votação. Esta se encontra suspensa desde um pedido de vista do ministro Eros Grau.

Maracujá
Líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP) deu uma ducha de água fria nos representantes das centrais na reunião sobre a emenda que trata da redução da jornada de trabalho: "Nossa, que sono..."

Sem retaguarda
Diante do bombardeio da oposição, não apareceu nenhum senador do PT ontem para defender José Dirceu no caso da consultoria dada a empresa a ser beneficiada com a eventual ressurreição da Telebrás.

Doril
Gripado, José Sarney (PMDB-AP) ainda não foi ao Senado depois de revelado que o inquérito contra seu pupilo Agaciel Maia pede a exoneração do ex-diretor-geral.

Tiroteio
"Roriz quer tirar proveito da tragédia. Diz ser contra a intervenção, mas muitos dos problemas começaram quando foi ele o interventor."

Contraponto

Pelo cansaço
Em reunião ontem da CCJ do Senado, a oposição fez de tudo para evitar a aprovação do requerimento do líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), "desconvocando" Dilma Rousseff, que havia sido chamada a explicar o controverso Programa Nacional de Direitos Humanos.

Marco Maciel (DEM-PE) deu sua contribuição ao esticar por mais de uma hora a leitura de um relatório cujo tema poucos conheciam. Ao final, como o barulho na sala fosse grande, Romeu Tuma (PTB-SP) pediu:

-Não deu pra ouvir nada, ele vai ter que ler de novo! Nessa hora, nem mesmo Demóstenes Torres (DEM-GO), ardoroso defensor da convocação de Dilma, aguentou:

-Deixa a leitura pra outra reunião! Vamos votar logo!

MÍRIAM LEITÃO

Modelo démodé

O Globo - 25/02/2010


O governo quer criar três estatais: uma de fertilizantes, uma de telecomunicação e uma de energia. Nenhuma é necessária. Existe um fundo, da época da privatização, de mais de R$ 8 bilhões, para financiar os serviços de comunicação em áreas pouco econômicas. Na energia, o governo controla 70% da geração. O setor de fertilizantes está mais nacional: a Vale acaba de comprar a Bunge.

O presidente Lula disse ao “Estadão”: “Não existe hipótese na minha cabeça de você ter um Estado gerenciador.” A ministra Dilma disse à “Época” que “Nos anos 50, o Estado empresário tinha lá sua função”.

O que será que eles estão fazendo com estas convicções agora que decidiram aumentar a presença do Estado em três frentes ao mesmo tempo? Isso é um divórcio litigioso entre palavras e atos.

Eles perseguem um modelo que passou e é inútil. A ampliação dos serviços de banda larga pode ser financiada pelo Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telefonia) e pode ser induzida por regulação.

A Lei Geral de Telecomunicações criou o Fust para cobrir os gastos de quaisquer novos serviços cuja oferta para população mais distante e de baixa renda fosse antieconômica. O fundo subsidiaria isso. Hoje, ele recolhe em torno de R$ 700 milhões por ano e, em dez anos, já tem um estoque de mais de R$ 8 bilhões que não é usado para nada, exceto para fazer superávit primário.

Ele é capitalizado com parte da receita líquida das empresas de telefonia e uma participação nas receitas das outorgas. Em 2000, o governo passado preparou um programa que instalaria computadores e internet nas escolas. O PT entrou na Justiça e no TCU (Tribunal de Contas da União) alegando que era um programa eleitoreiro.

Conseguiu interromper a licitação. Nunca tocou o projeto, e as escolas brasileiras perderam 10 anos.

Anos atrás se falou em usar o Fust para financiar a disseminação da banda larga.

E agora, no apagar das luzes, o governo Lula passou a falar em ressuscitar a Telebrás, que vai herdar uma rede de fibra óptica de uma empresa que faliu para ampliar a banda larga. A confusão que o governo está fazendo é que a internet de alta velocidade não é um serviço de comunicação à parte.

É parte dos outros serviços de comunicação, seja telefonia fixa, seja TV a cabo. Em São Paulo, dos 645 municípios só 80 têm TV a cabo e há oito anos o governo não oferece novas licenças.

Com o Fust, boa regulação, agilidade na licitação de novos serviços o governo poderia ampliar o número de domicílios com banda larga, que hoje não passa de 16 milhões dos 55 milhões de domicílios brasileiros. Certamente não é com uma nova estatal que se fará isso.

Na época da privatização, a regulação obrigou as empresas a espalharem orelhões pelo Brasil inteiro. Parece incrível, mas eles eram uma raridade. Hoje, os orelhões raramente são necessários, mas naqueles tempos pré-históricos da telefonia estatal, nem isso a Telebrás tinha oferecido ao consumidor.

No setor de fertilizantes é o seguinte: a Fosfértil, Ultrafértil e outras empresas de matéria-prima eram da Petrobrás. Foram privatizadas e o setor passou a ter uma grande participação de empresas estrangeiras. A Vale acaba de comprar a Bunge, que era dona da Fosfértil; a Petrobrás continua importante no setor por controlar matérias-primas de fertilizantes nitrogenados, vindos do Nafta. Assim, as duas empresas brasileiras, uma estatal e uma privada, controlam a maior parte das matérias-primas básicas: fosfato, ureia e amônia. O cloreto de potássio o Brasil nunca teve, por isso sempre importou.

O governo não explicou como será a Fertilizantes do Brasil. O setor tem três estágios: produção de matériaprima, processamento, e os misturadores. As declarações do ministro Edison Lobão são de que seria uma empresa para atuar na produção de matéria-prima e no produto final. Ninguém entendeu muito bem, talvez nem ele. Já o ministro Reinhold Stephanes disse que a empresa teria uma estrutura “pequena, enxuta e simples”.

Acredite se quiser.

No passado, o setor dava prejuízo porque dependendo da época e do cliente o governo determinava que a Petrobras fornecesse o produto subsidiado. Hoje, tem uma grande empresa do setor à venda, a Copebrás. A Anglo American está pedindo um preço alto demais e não conseguiu ainda vender.

No setor elétrico é ainda mais insana a compulsão estatal do governo Lula porque a maioria da geração já está nas mãos das empresas estatais e 56% da transmissão. Das 10 maiores geradoras, oito são estatais.

Elas também têm grande parte do capital de todos os grandes projetos como Santo Antônio e Jirau.

As grandes empresas privadas só foram para este projeto porque as estatais e o dinheiro do BNDES foram juntos. A Petrobras é dona ou grande acionista de inúmeras termelétricas, e é monopolista no fornecimento de matéria-prima.

O presidente da República disse o seguinte ao “Estado de S. Paulo”: “Quero criar uma megaempresa de energia no país. Quero uma empresa que seja multinacional, que tenha capacidade de assumir empréstimos lá fora, de fazer obras lá fora e aqui dentro. Se a gente não tiver uma empresa que tenha cacife de dizer ‘se vocês não forem, eu vou’, a gente fica refém das poucas empresas que querem disputar o mercado.

Então nós queremos uma Eletrobrás forte para construir parceria com outras empresas. Não queremos ser donos de nada.” O governo já é dono da Eletrobrás, Eletronorte, Chesf, Furnas, Itaipu, sem falar na Petrobras. E quer uma empresa forte de energia? E ao mesmo tempo não quer ser dono de nada? O raciocínio do presidente Lula é tortuoso e agride os fatos.

MÔNICA BERGAMO

Portas abertas

Folha de S.Paulo - 25/02/2010


A Infraero, estatal que administra os aeroportos do país, abriu a temporada de contratações: só em janeiro, admitiu 516 novos profissionais, para as áreas de engenharia, manutenção, navegação aérea, informática e comercial, entre outras. Neste mês, cerca de 400 engenheiros e técnicos serão incorporados à empresa, que diz estar reforçando seus quadros para a ampliação e reforma de aeroportos para a Copa de 2014.

FICA COMO ESTÁ
A "engorda" da Infraero é simbólica: mostra que venceu até agora, no governo, a ala contrária à privatização dos principais aeroportos do país ainda no governo Lula -como defendia o ministro Nelson Jobim, da Defesa.

EM CASA
No ano passado, por sinal, a Infraero lançou um PDV (Plano de Demissão Voluntária). Esperava a adesão de mil funcionários -mas só 400 optaram por sair da empresa.

SINAL FECHADO
A Trip Linhas Aéreas foi autuada pela Anac (Agência Nacional da Aviação Civil) por vender passagens aéreas para um voo que ainda não foi autorizada a operar. É o que sai de Navegantes (SC) para Guarulhos (SP), com escala em Joinville (SC). De acordo com a agência, o pedido da companhia ainda está sendo analisado. A Trip diz que não recebeu a notificação.

EM PONTO
E caiu o número de voos atrasados no país. Dados preliminares da Anac mostram que, em fevereiro, 13% das decolagens foram feitas fora do horário, contra 17,8% em janeiro. A TAM, que no mês passado chegou a registrar 23,9% de atrasos, recuou agora para 15%.

DE VOLTA A SP
Maria Bethânia retorna em abril aos palcos paulistanos. Ela se apresenta nos dias 9, 10 e 11, no Citibank Hall.

BEBÊ CONFORTO
Sabe a Caroline Pivetta, a pichadora da Bienal? Condenada a quatro anos de prisão, em regime semiaberto, por ter invadido o pavilhão do parque Ibirapuera e danificado paredes e vidros, a jovem vai virar mamãe. Ela já está no nono mês de gravidez. O bebê, um menino, deve nascer amanhã.

SUSTO
As gêmeas Isabella e Helena, filhas do cantor Luciano que nasceram na madrugada de ontem, foram encaminhadas para a UTI neonatal da Pro Matre. Elas vieram à luz cinco semanas antes do prazo e ficarão 12 dias na unidade, para ganhar peso e maturidade pulmonar.

NEGATIVO
Apesar dos boatos sobre uma possível gravidez, foi uma virose que fez com que Claudia Leitte passasse mal em plena folia, com enjoos e vômito, na segunda-feira de Carnaval.

Para se garantir, a cantora fez o teste de gravidez, que deu negativo. Claudia planeja engravidar novamente só em 2011 e agora descansa, da virose e do Carnaval, nos EUA.

À ESPERA DE UM LAR
O cachorrinho que o cabeleireiro Wanderley Nunes, do Studio W, deu de presente para Luca, de um ano e oito meses, filho do jogador Kaká e de Caroline Celico, ainda está em um canil em SP.

O golden retriever Mel aguarda a nova casa do jogador, em Madri, na Espanha, ficar pronta para poder embarcar para seu novo lar.

CACHOS

A voz é a mesma...
Telespectadores dos jornais da Globo se surpreenderam nos últimos dias com a mudança de cabelo de uma de suas apresentadoras mais escovadas: Carla Vilhena. A jornalista explica por que decidiu adotar o novo visual.

FOLHA - Por que resolveu mudar?
CARLA VILHENA - Normalmente, eu chego na Globo de cabelo molhado e o cabeleireiro faz a escova. Mas, no dia em que rompeu a adutora da Sabesp, há duas semanas, interditaram o meu caminho. Cheguei atrasada e o cabelo secou. Ficou natural, todo ondulado e não dava tempo de molhar e esticar. Falei para o cabeleireiro: "Pega o "baby-liss" e faz um cacheado!" Todo mundo amou.

FOLHA - Pretende manter o visual?
CARLA - Sim, até porque o trabalho de cachear é muito menor do que o de alisar.

FOLHA - Mas, depois da mudança, você voltou a aparecer com o cabelo liso... O que aconteceu?
CARLA - Eu estava escalada para o plantão no "Jornal Nacional", toda animada para fazer com o cabelo novo. Perguntei: "Cadê o "baby-liss'?" Disseram: "Quebrou". Não dava pra fazer no dedo nem com os bobes.

FOLHA - Como está sendo a repercussão com os telespectadores?
CARLA - Dos e-mails que chegam, de cada dez que gostam, um não gosta. É uma média boa. Uma mulher escreveu que, agora, o marido dela não perde um jornal e que só fica elogiando o meu cabelo. Ela escreveu: "Carla, se eu perder meu marido, a culpa é sua!"

FOLHA - É difícil fazer esse tipo de mudança na TV?
CARLA - Olha, eu venho lutando há muito tempo pra gente não ter que usar manga comprida. As pessoas não estão assim na rua. E fica aquela criatura alienígena, de manga comprida, de paletó. Eu consegui não ter que usar mais. Mas ainda não consegui no "Jornal Nacional".

CURTO-CIRCUITO
A PRODUTORA Bell Marcondes participa de palestra amanhã, às 20h30, com Lívia Lopes, especialista em álcool e drogas, na igreja de São Domingos, na rua Caiubi, 164, em Perdizes. O evento é coordenado por Sandra Simões Andrade.
ACONTECE HOJE a noite de autógrafos do livro "Dicionário Gastronômico Café e suas Receitas", da jornalista Giuliana Bastos. Às 19h, na Nespresso, nos Jardins.
O VIOLONISTA Chico Pinheiro faz show gratuito hoje, às 19h30, na livraria Fnac de Pinheiros.
A GRIFE Fillity promove coquetel de lançamento da coleção de inverno hoje, às 19h, na rua Oscar Freire.
A FESTA Danceteria, com os DJs Davis e Benjamin Ferreira, acontece hoje, às 23h50, no Hot Hot. Classificação: 18 anos.

MERVAL PEREIRA

Mexer no coração

O Globo - 25/02/2010


Uma definição do ex-presidente Campos Salles quando, ainda deputado em 1895, preocupado com “os perigos para o regime da liberdade que adotamos”, da regulamentação de texto constitucional que permitiria a intervenção do poder central nos estados, pode resumir a essência dos debates sobre uma eventual intervenção no Distrito Federal.

Se é possível um corpo político ter coração, eu direi que neste momento estamos tocando no próprio coração da República brasileira”, advertiu Campos Salles, ferrenho defensor da autonomia dos estados na República recéminstalada no país.

De fato, a intervenção federal pode ser comparada a uma intervenção cirúrgica no corpo político do país, quando o seu coração está gravemente enfermo. Por isso, a intervenção em qualquer dos estados federados paralisa os trabalhos do Congresso Nacional, que não pode fazer emendas constitucionais enquanto durar a intervenção.

Uma intervenção na capital do país, então, tem a dimensão política dramatizada, e por isso é tão difícil de ser adotada, além das dificuldades técnicas. Mas pode também representar uma afirmação de valores democráticos e republicanos.

A intervenção federal pode ser feita em qualquer dos poderes, Legislativo e Executivo, de acordo com condições rígidas previstas na Constituição. Mas a regra é a não intervenção, tanto que o artigo 34 que fala do tema começa com a advertência: “A União não intervirá nos estados nem no Distrito Federal, exceto para ...”.

No caso atual, como num anterior, em que era pedida a intervenção federal no Espírito Santo, à época dominado pelo tráfico de drogas, o pedido é de intervenção nos dois poderes, Legislativo e Executivo, o que dificulta a execução da medida.

O caso do Espírito Santo em 2002 é semelhante ao de Brasília no que diz respeito ao envolvimento da maioria da Assembleia Legislativa (no caso de Brasília, da Câmara Distrital) com o crime organizado.

No caso atual, se não há envolvimento com o tráfico de drogas, há, no entendimento do procurador-geral da República, respaldado pelos diversos filmes que foram fartamente exibidos, o envolvimento de um grupo político majoritário em atos de corrupção.

De nada adiantará ao atual governador, Wilson Lima, ou a outro que o suceda, conseguir o apoio da maioria dos partidos para ter governabilidade se ela estará comprometida com a cumplicidade com a corrupção endêmica do sistema político local, assim como na ocasião, o apoio da Assembleia Legislativa do Espírito Santo dependia do aval do seu presidente, José Carlos Gratz, que chefiava o crime organizado no estado.

O então presidente Fernando Henrique Cardoso optou por uma “intervenção b r a n c a ” , p a r a e v i t a r o s transtornos políticos de uma intervenção formal, e uma “força-tarefa” da Polícia Federal foi designada para o estado, o que acabou surtindo o efeito desejado, desbaratando a quadrilha que comandava o estado e colocando Gratz na cadeia.

O governador Paulo Hartung deu prosseguimento à limpeza nos últimos oito anos, e hoje o Espírito Santo é um dos estados que mais se desenvolvem no país.

Enquanto aguardam o desenrolar dos fatos políticos na capital, tanto membros do governo federal quanto do Supremo debatem extraoficialmente o que fazer se a crise política recrudescer como unanimemente se espera, diante da fragilidade política do governador em exercício, deputado distrital oriundo do grupo político de José Roberto Arruda.

A autonomia política do Distrito Federal, concedida pela Constituinte de 1988, dificilmente será revertida pelo Congresso Nacional, o que obriga a que a solução política passe pela Câmara Distrital, totalmente contaminada.

Não é de se esperar, por isso, que ela eleja indiretamente um governador que venha a fazer uma limpeza ética na política.

Um interventor nomeado pelo presidente da República deveria ser um nome independente, suprapartidário, que pudesse comandar uma reforma dos hábitos e costumes políticos de Brasília.

Há entre os que decidem, e que residem em Brasília, a certeza de que, às vésperas de completar seus 50 anos, a capital não tem motivos para comemorações.

A decisão do Supremo Tribunal Federal pode vir a ser um estímulo para a recuperação da autoestima do Distrito Federal e, em consequência, uma sinalização para o resto do país.

Mas tem que ser uma solução que zere a pedra e favoreça um recomeço da atividade política na capital, evitando uma volta ao passado igualmente contaminado.

O Democratas vai ter que revelar uma capacidade política insuspeitada para se recuperar dessas crises todas em que se vê envolvido nos últimos tempos. Vacilou ao não expulsar imediatamente o governador José Roberto Arruda, por não ter condições políticas de fazê-lo ou por um cálculo político equivocado.

E errou também ao imaginar que poderia preservar o vice Paulo Octávio. De qualquer maneira, livrou-se dos dois, ao contrário de outros partidos, que não puniram os seus pares envolvidos em escândalos, sejam os mensaleiros e aloprados do PT — o caso mais recente de retorno aos quadros petistas é o do assessor de Mercadante, Hamilton Lacerda, apanhado com a mala cheia de dinheiro para comprar um dossiê contra o então candidato ao governo de São Paulo José Serra — sejam os envolvidos no mensalão mineiro do PSDB.

Com relação à única estrela do partido que restava, o prefeito Gilberto Kassab, a cassação de seu mandato por um juiz de primeiro instância, pelos motivos que já haviam sido descartados pelo Tribunal Superior Eleitoral quando analisou as contas de campanha do presidente Lula, é claramente uma arbitrariedade.

O estrago político só não é maior porque vários vereadores petistas foram também indevidamente cassados, o que coloca todos na mesma situação.

Mas o partido terá que ser muito assertivo em suas posições para se livrar da imagem pública de envolvimento em escândalos, e recuperar a força política para indicar o vice na chapa do PSDB.

ANCELMO GÓIS

PRESIDENTA

O GLOBO - 25/02/10


No material de campanha da candidata do PT estará escrito “Dilma Rousseff presidenta”.
QUEIJO SUÍÇO
Além do roubo, terça, de R$ 11 mil de uma funcionária da TAM, com tiros e corre-corre, a loja da Gol no Aeroporto Santos “queijo suíço” Dumont também foi furtada, quarta passada.
Levaram uns R$ 30 mil.
MINC É LAMPIÃO
Carlos Minc lança dia 3 em Petrolina, PE, e Juazeiro, BA, um plano para combater a devastação da caatinga nordestina:
– O aquecimento global numa região já seca é grande ameaça. As pessoas pensam na Amazônia e esquecem que há uma tragédia ambiental no Nordeste.
DOR DE COTOVELO
O jornal Washingtonian, de Washington, fez um balanço das vitórias e derrotas de Obama em seu primeiro ano de governo.
Pôs, entre as derrotas, o... “sonho olímpico”.
SEGUE...
Diz o jornal sobre a derrota de Chicago para o Rio: “Nem Obama foi capaz de conseguir trazer os jogos. Preferiram entregá-lo a uma cidade brasileira, onde traficantes abatem helicópteros”...
NO MAIS
O novo governador de Brasília, aliado de Arruda, já ganhou o apelido de Wilson “Laranja” Lima. Faz sentido.
Aliás, Paulo Octávio, pirateando a carta-testamento de Vargas, disse que saía da política para entrar “nas fileiras da cidadania”. Isto significa... não sei.
GLAUBER FH ROCHA
FH vai hoje à Chefia de Polícia Civil do Rio, às 14 horas, com o cineasta Fernando Andrade.
O ex-presidente participa de um documentário sobre a questão das drogas, nos moldes daquele sobre ecologia feito por Al Gore, que foi vice de Clinton.
VIVA ZICO!
Do botafoguense roxo Stepan Nercessian, que preside o Retiro dos Artistas, ao receber de Zico, o eterno ídolo do Flamengo, ontem, uma doação:
– Pô, depois de tanta tristeza que você me deu na vida, fazendo gols no meu Botafogo, até que enfim me dá uma alegria...
SABINO JOVEM
A Rocco relançará em março, em formato dirigido ao público juvenil, a coleção Novelas imortais, com dez títulos, organizada pelo saudoso Fernando Sabino.
O primeiro será A espanhola inglesa, de Cervantes.
NHENHENHÉM
De um maldoso observador da cena política, ao ver o prefeito “sub-júdice” de São Paulo inaugurando obras na cidade:
– Gilberto Kassab não confia só na Justiça, mas, principalmente, no bom tempo. Bastaria uma garoa para desbotar este seu novo cabelo preto-graúna...
NELSON CAVAQUINHO
A Mangueira resolveu voltar atrás e decidiu abandonar a ideia de fazer um enredo sobre publicidade em 2011.
A verde e rosa, que legal, vai cantar os 100 anos de Nelson Cavaquinho, autor de joias como Folhas secas.
FILHOTE
O Gero, de Ipanema, vai abrir uma filial na Barra.

LUIS FERNANDO VERISSIMO

Aqui, ó

O GLOBO - 25/02/10


Tem aquela piada do juiz italiano que ameaça mandar algemar o réu para ele parar de falar. O italiano talvez seja o único povo que tenha uma sintaxe gestual própria, um repertório de gestos típicos que permite identificar a sua nacionalidade de longe. Brasileiro também gesticula muito, mas – fora uma ou outra representação de infortúnio, como o lado de um punho batendo contra a palma da outra mão, acompanhado de um “Ó”, quase sempre significando o que o governo está fazendo com a gente – nada que nos denuncie à distância. Mesmo estes gestos nacionais de longa tradição estão caindo em desuso. Como a nossa língua, também a nossa mímica está sendo colonizada. Antigamente ninguém fazia o sinal de “OK” em filme americano sem que o cinema viesse abaixo no Brasil. Hoje um expressivo “O” feito com o pai de todos e seu vizinho na frente do peito, com os outros dedos estendidos, só causa perplexidade. Não ofende mais ninguém, não quer dizer mais nada. Ou quer dizer “OK” de cabeça para baixo. Sua versão moderna é a mão no ar com o dedo do meio proctologicamente em pé, uma importação dos Estados Unidos. Não sobrou nem o jeito de insultar que a gente tinha.
Alguns gestos persistem mesmo depois de obsoletos. Pode-se imaginar um balé nostálgico de gestos que perderam a referência, flutuando no ar como balões sem dono. O gesto de acionar uma descarga de privada, por exemplo. Ainda se puxa uma corrente imaginária, o mesmo gesto usado para puxar a corda de um apito de trem. Hoje a mímica correta para “puxar a descarga” – e, pensando bem, para fazer um trem apitar – seria a de empurrar um botão. Mas quem a entenderia? O sinal internacional de “a conta, por favor” – uma caneta invisível escrevendo num papel subentendido – continuará a ser usado quando todas as contas saírem prontas do mesmo computador em que o garçom digitou o seu pedido
e aproveitou para botar um couvert a mais.
Alguns gestos seguem o desenvolvimento da técnica. Ninguém mais “disca” no ar com um dedo para representar um telefonema – embora ainda deva existir uns dois ou três que giram uma manivela saudosa junto ao ouvido. A simulação atual de telefone é o polegar e o mindinho estendidos ao lado do rosto, um gesto óbvio só agora adotado, pois levou quase tanto tempo para se desenvolver entre os homens quanto o dedão opositor entre os macacos.
Ainda se rodeia o dedo perto da têmpora para significar loucura embora o conceito de que loucura seja um redemoinho na mente esteja ultrapassado. Como dizer que alguém não é exatamente esquizofrênico mas paranoico com um forte componente depressivo de fundo neurosomático usando apenas um dedo? Melhor fazer como no pedido da conta: manter o gesto impreciso mas tradicional, que dispensa especificações. Mesmo quando escrever a mão for
tão desconhecido como, sei lá, puxar a descarga, os garçons o entenderão.

CLÁUDIO HUMBERTO

“O governo Lula não pode ficar com essa pecha”
PRESIDENTE DA OAB, OPHIR CAVALCANTE, SOBRE AS ACUSAÇÕES DO CASO ZÉ DIRCEU-ELETRONET

STJ: SUBSTITUTO DE GONÇALVES DIVERGIU DE PRISÃO
Com a aposentadoria, em 28 de abril, do ministro Fernando Gonçalves no Superior Tribunal de Justiça, responsável pela prisão do governador do DF, José Roberto Arruda, o caso Caixa da Pandora passará ao ministro Castro Meira. Na sessão da Corte Especial do STJ do dia 11, que referendou a prisão, Meira foi voto divergente em uma preliminar: ele achava que, antes, o Poder Legislativo teria de autorizar a decisão.
INCÓGNITA
O ministro Castro Meira é muito respeitado no STJ, e seus colegas não arriscam palpite sobre sua atitude à frente do caso Caixa de Pandora.
PAIS DOS POBRES
O Brasil e a França vão gastar 9 milhões de euros para colocar em órbita um satélite para fiscalizar a floresta... do Gabão, na África.
APELIDO É UM PERIGO
O ex-governador interino do DF Paulo Octávio teve há anos o nome reduzido para “PO”. Sorte dele não haver nascido Paulo Geraldo.
SENADORA ANA AMÉLIA
Competente e respeitada, a jornalista gaúcha Ana Amélia Lemos, da RBS e jornal Zero Hora, é pré-candidata ao Senado pelo PP-RS.
NO RN, O “FOLIADUTO” CONTINUA SEM CULPADOS
Quatro anos depois, nenhum culpado. O escândalo potiguar do Foliaduto fez aniversário na Quarta-feira de Cinzas. Era carnaval de 2006 quando o Estado receberia shows de artistas consagrados. Mais de R$ 2 milhões foram pagos. Mas não houve apresentações. Segundo o Ministério Público, o então chefe de gabinete civil , Carlos Faria, irmão da governadora Wilma Faria (PT), teria autorizado as despesas.
UMA GESTAÇÃO
A ação de improbidade administrativa na 2ª Vara da Fazenda Pública está parada há 9 meses. A penal, na 5ª Vara Criminal, está em sigilo.
EMPRESÁRIOS DELATORES
Dos R$ 2 milhões desviados, R$ 400 mil teve seu destino descoberto graças aos depoimentos de alguns empresários-delatores.
PERGUNTA EM ALTA VELOCIDADE
Não seria mais apropriado chamar essa nova “banda larga” estatal de “bando largo”?
MARAJÁS NA REDE
O ex-senador João Capiberibe relatou a Ophir Cavalcante, presidente da OAB, haver descoberto no site da prefeitura de SP que a auditora Cleide Yonamine ganha R$ 49.963 por mês. No site da Casa Branca, o salário de Rahm Emanuel,
chefe de gabinete de Obama: R$ 27.200.
RECADO TARDIO
Arruda soube durante uma visita do deputado Alberto Fraga (DEM-DF) que Paulo Octávio ameaçava renunciar. Mandou um recado: “Diga a ele que estou aqui preso e firme, e que ele aguente firme também”. Ao sair, Fraga ouviu pelo rádio, no carro, que PO acabara de pedir o boné.
POÇO DE MÁGOAS
Paulo Octávio almoçou ontem em um de seus hotéis, o Kubitschek Plaza. É um poço até aqui de mágoas dos deputados distritais e especialmente dos figurões do DEM que lhe viraram as costas.
COINCIDÊNCIA, TCHÊ
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), não citado nos autos, mas apontado como “vermelho que arde nos olhos” em operação da PF, alvo de CPI na Assembleia gaúcha, trocou figurinhas e até deu carona a Marcos Valério, após depoimento dele na CPI do Mensalão.
SONÍFERA ILHA
Na inauguração do porto de Mariel, em Cuba, com nossa grana, o presidente cubano Raúl Castro “lamentou” a morte de um prisioneiro político. Ao lado dele na festa, Lula fez cara de mais um “não sabia”.
TIRANDO O BARCO
A acusação pública do governador Requião (PMDB-PR) ao ministro Paulo Bernardo (Planejamento), de querer “superfaturar” numa obra, rendeu até troca de insultos no twitter. Resultado: Bernardo insinuou apoio à candidatura do tucano Beto Richa ao governo do Paraná.
CHAPA BRANCA NA...
Vereador de Lorena (SP), Galão Aquino (PMDB) é suspeito de atropelar e matar um indigente na madrugada de terça, na Via
Dutra. Ele dirigia o Celta prata EIQ-0526, da Câmara, sem as placas originais.
...OPERAÇÃO ABAFA
A Polícia Rodoviária só fez Boletim de Ocorrência no dia seguinte, em nome de um assessor do vereador, que assumiu tudo, jurando que o indigente se matou. O caso está no 1º DP de Roseira, cidade vizinha.
PENSANDO BEM...
... Voto é um casamento do político com o eleitor até que a corrupção os separe.

PODER SEM PUDOR
A HERANÇA MALDITA DE LOTT
Deslizes verbais como os da ministra Dilma ou de Lula são comuns, mas não superam os do “rei das mancadas”, o general Lott. Candidato à Presidência em 1960 pelo PSD, aconselhou os agricultores de Ribeirão Preto (SP) a plantarem soja, como salvação da lavoura local. A região era então a capital da laranja. Na visita a Ilhéus (BA), centro da produção cacaueira, fez elogios rasgados aos cafeicultores de São Paulo. Corta!

IDIOTAS

QUINTA NOS JORNAIS

- Globo: Morte de dissidente abre onda de prisões em Cuba


- Folha: Cuba reprime protesto da oposição na visita de Lula


- Estadão: BC tira R$ 70 bi do mercado e reduz oferta de crédito


- JB: Refino de coca cresce no país


- Valor: Avanço mais moderado do PIB reduz risco de inflação


- Estado de Minas: Fim da linha para serial killer?


- Jornal do Commercio: É muito calor!

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

KÁTIA ABREU

A banalização das invasões

Folha de S. Paulo - 24/02/2010


Invasão de terra é crime. E só países que aplicam a lei e a Justiça contra o crime avançam e melhoram a vida de todos

O GIGANTESCO acampamento de 5.000 militantes do MST diante de 70 propriedades em São Paulo, seis das quais tomadas de assalto, invadidas com violência e depredações, no "Carnaval vermelho", seria um escândalo em qualquer lugar do mundo, mesmo em regiões conflagradas por guerras ou revoluções. No Brasil atual, porém, fatos dessa natureza estão se tornando rotina. Como no famoso título de Durrenmatt, "seria cômico se não fosse sério". Além de ser desmoralizante para uma nação democrática, pois as invasões violam o Código Civil -que protege expressamente o direito de propriedade de qualquer ameaça ou violência (artigo 1.210)-, é uma extravagante demonstração de desrespeito à Constituição e à própria Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Neste governo, temos média anual de 248 invasões, contra 166 no anterior. São números preocupantes. Demonstram que o país tem níveis democráticos absolutamente imaturos e, em muitas vezes, até inexistentes quanto ao direito de propriedade e à segurança jurídica no campo.
Para ampliar o poder da esquerda radical sobre órgãos federais e verbas públicas, grupos armados que investem na tese do conflito permanente tentando mudar à força o sistema de governo invadem cada vez mais. Esse mecanismo violento, ilegal e inquietante das invasões de propriedades produtivas atinge um segmento vital para o Brasil, já que a agropecuária responde por um terço dos empregos do país e pelo superavit de US$ 23 bilhões da balança comercial.
Não é possível supor que a violência do MST tenha se tornado rotina, que possa ser absorvida sem indignação na conta nebulosa de tolerância que se concede aos chamados "movimentos sociais", que misturam organizações realmente empenhadas na meritória defesa de direitos civis com maquinações radicais, anacrônicas, marginais e, principalmente, corruptas.
Aliás, assim como a notícia do "Carnaval vermelho" escapou dos registros indignados, proporcionais à sua gravidade, também passou discretamente pelo noticiário a informação a respeito das 43 entidades ditas "privadas e sem fins lucrativos" de Santa Catarina que receberam R$ 11 milhões de recursos federais. Não por mera coincidência, essas entidades estavam sob o comando de notórios dirigentes de invasões de terras.
O TCU (Tribunal de Contas da União) determinou o "aprofundamento" das análises de convênios firmados entre o Incra (órgão federal controlado pelo MST) e a Cooperativa dos Trabalhadores da Reforma Agrária de Santa Catarina, que é ligada ao mesmo MST. A Comissão Parlamentar de Inquérito criada para apurar se grupos armados que invadem terras recebem recursos públicos certamente vai fornecer mais dados sobre essa e outras distorções. Esses grupos de ativistas políticos radicais não têm compromisso com a reforma agrária. Se tivessem, em vez de desordem, aplicariam na melhoria dos assentamentos o dinheiro público que recebem. Nesses locais, inúmeras famílias vivem em situação extremamente precária, algumas em condições de extrema pobreza, conforme constatação de pesquisa Ibope.
Ao contrário das afirmações dos líderes desses grupos armados, a sociedade brasileira segue investindo no programa de reforma agrária. Juntos, os dois últimos governos (FHC e Lula) garantiram 80 milhões de hectares de terras para assentamentos. Só para fins de comparação: a área de produção de grãos do país ocupa, no total, 65 milhões de hectares e registra produção de 141 milhões de toneladas.
Esses investimentos poderiam ser maiores? Não sei. O que sei é que temos enormes deficits em todo o campo social. Nossas deficiências em saúde pública, em educação fundamental e moradia são conhecidas. Não contamos com serviços mínimos de segurança, como se a segurança não fosse a primeira condição para vivermos em liberdade. Há inúmeras demandas pressionando as estruturas do Estado, mas os recursos, infelizmente, são parcos e não dá para aumentar a já exorbitante carga de tributos.
Essa é a realidade do país que estamos enfrentando, no campo, com trabalho duro e muita esperança. Temos enorme paciência com as idas e vindas do tempo. Estamos acostumados às intempéries. O que não podemos mais tolerar são os retrocessos no Estado de Direito e a leniência de algumas das principais autoridades do país com o crime.
Invasão de terra é crime. E só países que aplicam a lei e a Justiça contra o crime avançam e melhoram, efetivamente, a vida de todos. O presidente da República não deveria mais se calar a respeito desse assunto. Antes que o MST ouse promover, como já está anunciado, o "abril vermelho", o presidente da República deveria dizer uma palavra aos produtores de alimentos do país e a todos os brasileiros sobre a violência das invasões de terra. Quem cala consente. Com a palavra, o exmo. sr. presidente.

KÁTIA ABREU é senadora da República pelo DEM-TO e presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

ROBERTO DaMATTA

Um pós-carnaval

O Globo - 24/02/2010


Nada é mais difícil de suportar do que uma sucessão de dias belos”, dizia Goethe exprimindo um pessimismo que até mesmo Freud — de quem eu tiro a referência e que teve um senso implacável de finitude e da honestidade que tal sentimento acarreta — remarca: mas isso pode ser um exagero! Ninguém pode duvidar do exagero, mas o que seria de nós sem as caricaturas e as ocasiões em que as usamos, livremente, abertamente, como no carnaval que acaba de passar e já foi devidamente esquecido? E que teve seus ritos marcados por dias de glorioso sol e calor, facilitando a nossa imagem tropical (e canibal) desta festa nascida na cristandade europeia e lá celebrada em pleno frio? Confesso que, em pleno tempo de folia, pensei nessa busca de contrários que é o sal da vida porque cansei um pouco de tanto feriado e de tanto tempo livre. Esse tempo livre que nos livra das obrigações coletivas mas, em compensação, traz à tona nossos hóspedes não convidados: nossas inseguranças e fronteiras.

Mas não perdi por esperar porque, na quinta-feira, a chuva derramou um claro sentimento de normalidade e rotina, comuns depois da celebração carnavalesca que renega o trabalho e recusa definir um objeto, sujeito ou alvo exclusivo. Se a festa, dizem alguns entendidos, começa com uma formalidade, ela deve terminar informalmente.

Já a mascarada carnavalesca que promove uma gigantesca troca de papéis sociais e faz do mundo um palco, e não mais uma oficina, acaba com o retorno relâmpago aos papéis que normalmente a vida nos impinge. O destaque sabe que é mesmo um subempregado na Quarta-Feira de Cinzas, quando é novamente arrochado em suas obrigações. Salvo se consegue ficar entre (ou com) esses dois mundos.

Um sintoma de juventude é a dificuldade de ajustamento aos papéis obrigatórios, sobretudo os baseados em dinheiro, poder e prestígio. Aos vinte e pouco anos, não era fácil aceitar o fim da festa e nas derradeiras horas da Terça-Feira Gorda, cantávamos com amargura o refrão: “É hoje só, amanhã não tem mais!” pulando com força, num protesto de arrombar o chão. Hoje, eu não tenho mais nenhuma dificuldade em tirar a máscara para voltar aos meus papéis habituais porque faz tempo que aprendi (será preciso citar Shakespeare?) que o mundo é um palco e que todos nós — querendo ou não — somos atores com tempo determinado para o desempenho de nossos papéis, com hora de entrada e, eis o susto necessário e suficiente, de saída.

Afinal, quem é que aguenta um verão com mil janeiros? E com um milhão de peitos e bundas devidamente siliconados? Quem não acaba um pouco enjoado com a convivência com todos esses deuses pedindo admiração exclusiva, fazendo o mundo ficar feminino e arredondado? Na quinta-feira, voltando ao normal, andei (em vez de dançar) na rua, rumo ao trabalho. Entrei num táxi e recebi o primeiro choque: ouvi no radio que um dos assassinos de João Hélio, o menino arrastado e morto por dois assaltantes num crime hediondo no Rio e Janeiro, fora posto em liberdade. O formalismo hierárquico brasileiro condena pela idade, tal como na universidade o sujeito ganha mais ou menos não pelo que escreve, mas pelo tempo de casa! Cuida-se mais de quem cometeu do que do crime. Em nosso mundo, há quem seja inocente por essência ou santo por ter abraçado alguma causa.

Não examinamos a mensagem em relação ao missionário já que, na nossa cabeça, a boa reza faz o santo, o que deixa de fora os casos em que as grandes causas são usadas para a bandidagem. Um governador, porém, foi finalmente preso! Sim. Mas num local especial. Não temos dúvida que logo será libertado porque, tal como ocorre no carnaval, ninguém segura um “homem grande” preso por muito tempo. Eles são sempre maiores que as prisões.

O motorista está revoltado. Como a maioria, ele confunde limite com força sendo favorável à violência para liquidar a violência. Se o carnaval exagera na presença do luxo para acabar com o fosso entre ricos e pobres, as pessoas comuns acham que só um governo duro e autoritário pode inverter o curso da história, criando mais igualitarismo. Para o taxista, bandido tem que morrer; tal como, para alguns dos meus conhecidos, banqueiros, fazendeiros e comerciantes têm que ser destituídos de seus penachos. Uma lei geral, perfeita como o carnaval, será o instrumento de um estado generoso, provedor e onipotente que vai resolver todos os problemas do povo. Freudianamente, a pátria vira mátria.

Chegando ao meu destino, eu não tinha mais nenhuma dúvida que o carnaval havia acabado. Ele terminava naquilo que nós, brasileirinhos da gema, chamamos de “a dura realidade da vida”. Esse muro que, até hoje, nós só pensamos em pular, jamais em desconstruir e, mesmo assim, só nos dias de Momo.

ROBERTO DaMATTA é antropólogo

MELCHIADES FILHO

Internet aberta

FOLHA DE SÃO PAULO - 24/02/10



A revelação de que José Dirceu recebeu dinheiro da empresa que poderá se beneficiar caso a Telebrás seja reativada lança dúvidas sobre o plano federal de universalização da banda larga e sobre o modelo de "Estado executor" ensaiado pela Casa Civil no segundo mandato de Lula e defendido pela candidata Dilma Rousseff.
Com sede num paraíso fiscal do Caribe, a Star Overseas pagou R$ 1 pela participação na Eletronet, uma empresa falida cujo único ativo valioso (uma rede de 16 mil km de cabos de fibra ótica) estava na mão dos credores. Meses depois de a offshore ter contratado Dirceu, em 2007, o governo federal anunciou a intenção de transformar o cabeamento da Eletronet na "espinha dorsal" de uma nova rede nacional de acesso à internet, sob a tutela de uma estatal (Telebrás).
Não está claro, ainda, se e como a Star Overseas lucrará com essa remontagem do setor, que será anunciada no mês que vem pelo Palácio do Planalto. Mas a remuneração de Dirceu (R$ 620 mil em dois anos) indica que a offshore não esperava pouco. Advogados ouvidos pela Folha estimam em R$ 200 milhões.
Toda vez que as peripécias de Dirceu são flagradas, Lula diminui o papel do ex-ministro. Diz que ele é um franco-atirador que atua em causa própria -mesmo quando trata de alianças e doações eleitorais.
Desta vez, o Planalto terá de formular um discurso menos ligeiro e mais responsável e esclarecedor.
Primeiro, porque o caso Eletronet parece seguir o padrão dos escândalos da BrOi e da Varig -empresários com acesso ao governo Lula garantem uma bolada sem precisar investir muito (ou nada), graças a informações reservadas e/ou ao suporte jurídico da União.
Segundo, porque Dilma atuou diretamente no plano de banda larga. Ela diz que a rede da Eletronet é "patrimônio importante como o pré-sal". E foi o "apoio mais decisivo" à modelagem do projeto, escreveu Dirceu em março de 2007.

EDITORIAL - FOLHA DE SÃO PAULO

As intenções do PT

Folha de S. Paulo - 24/02/2010

Diretrizes para um eventual governo Dilma, além de estatizantes, ignoram deficiências de gestão no período Lula

A CONFIRMAÇÃO da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República veio acompanhada da divulgação das diretrizes do PT para um eventual governo capitaneado pela legenda a partir de 2011.
É verdade que os próprios dirigentes do partido se apressam em esvaziar a importância do documento, ao desvincularem as conclusões ali contidas do futuro programa de Dilma. Reconhecem assim, implicitamente, o papel propagandístico da peça, tanto quanto sua função de garantir a coesão interna da legenda, por meio de concessões retóricas às alas mais à esquerda do PT.
Não deixa de ser importante, todavia, conhecer como o partido da candidata do governo interpreta seus oito anos de poder e que prioridades advoga para um futuro mandato, sobretudo na área econômica.
De início, cabe constatar que o documento não dá devido crédito às causas do sucesso brasileiro nos últimos anos. A continuidade de políticas de Estado nas áreas monetária, fiscal e cambial e o impacto favorável da China nas contas externas são as mais importantes. O mérito do governo Lula foi saber usar a oportunidade para consolidar vetores internos de crescimento, por meio da acertada política de ampliação de programas sociais e do aumento real do salário mínimo.
Para o futuro, o documento adota um tom de continuidade, o que é defensável. Mas há pelo menos dois problemas. O primeiro é o exagero voluntarista a respeito do papel do Estado. Há uma clara intenção de controle e intromissão que pode facilmente tornar-se nociva ao bom funcionamento da economia. O segundo é a coletânea de intenções que se mostra em desalinho com a evidente incapacidade de gestão cotidiana.
Podem-se fazer objeções, por exemplo, quanto à forma como tem sido conduzida a política industrial brasileira. O fortalecimento de grupos nacionais bem estabelecidos -com critérios pouco transparentes- reforça a estrutura atual da economia, com insuficiente foco no desenvolvimento de novas atividades de alto valor agregado.
O programa propõe mais crescimento a partir da conclusão das obras do PAC e de novos investimentos. Mas as dificuldades de execução, o enfraquecimento das agências reguladoras e a incapacidade de elevar o investimento federal para além de 1% do PIB nos últimos anos vão de encontro ao tom de autoelogio contido no texto.
Não menos importante, menciona-se uma reforma para reduzir impostos indiretos e dar continuidade a uma suposta progressividade que estaria em curso. O aumento da carga tributária nos últimos anos não autoriza otimismo a este respeito.
É um equívoco concluir que a recente crise econômica mundial implique uma renovada carta branca para os governos. Ao contrário, o Estado brasileiro já é inchado e intervencionista. Uma real agenda de competitividade demanda controle firme de gastos e muito maior eficiência executiva, em parceria com o setor privado. Quanto a isso o programa apresentado pelo PT deixa muito a desejar.

ELIO GASPARI

SÃO PAULO PRECISA DE UMA FAXINA

FOLHA DE SÃO PAULO - 24/02/10



Os paulistas empinam o nariz para os escândalos alheios, mas sua capital compete no Padrão Brasília


A POLÍTICA MUNICIPAL de São Paulo deve pouco à do Maranhão ou mesmo à de Brasília. Faltam-lhe áudios e vídeos, mas isso tem mais a ver com a cenografia dos malfeitos do que com a essência das práticas. A decisão do juiz Aloisio Sérgio Rezende Silveira, da 1ª Zona Eleitoral, cassando o mandato do prefeito Gilberto Kassab e de oito vereadores ficará à espera de julgamentos das instâncias superiores.
Em dois lotes, Silveira cassou 24 vereadores. Oito do PSDB, cinco do PT, outros cinco do DEM, dois do PTB e quatro de PMDB, PV, PP e PR. Dê no que dê, esse julgamento servirá para moderar a voracidade interpartidária de uma máquina política que vive longe dos problemas da cidade e abaixo dos padrões de moralidade exigidos pela lei.
Graças ao juiz Silveira, pode-se esperar que o prefeito Gilberto Kassab retire da Câmara Municipal seu projeto de revisão do Plano Diretor da cidade. Na sua expressão mais crua, trata-se de iniciativa destinada a permitir a destruição da Lei de Zoneamento, montando uma fábrica de dinheiro para empresas, proprietários de terrenos y sus amigos.
Da noite para o dia, expandindo-se a área permitida para edificação, quadruplica-se o valor de um lote. Avançando-se sobre áreas da cidade onde é obrigatória a construção de imóveis populares ou para a classe média, consegue-se quintuplicar a valor de um terreno onde há hoje um galpão abandonado. Isso tudo e mais uma carta de corso para construir onde, legalmente, não há mais espaço acima dos limites estabelecidos pelo zoneamento.
Mais de uma centena de organizações da sociedade civil combatem o rolo compressor que se move na Câmara Municipal para reescrever o Plano Diretor de 2002. Desde 2008 o arquiteto Jorge Wilheim, secretário de Planejamento na gestão de Marta Suplicy, procura convencer Kassab a conduzir uma discussão serena, sem pressa, mais preocupada com a patuleia do que com o mercado imobiliário.
Entre os motivos que o juiz Silveira teve para cassar Kassab estiveram R$ 300 mil saídos da Associação Imobiliária Brasileira e despejados em sua campanha pelo diretório do DEM. A AIB é uma associação, mas não tem associados, funciona numa sala e não tem telefone listado. Ela foi a luva de veludo das empresas imobiliárias de São Paulo durante a campanha eleitoral de 2008. Distribuiu R$ 4,4 milhões, equivalentes a 10% do total da arrecadação dos 55 vereadores eleitos. Seus recursos ajudaram formar uma bancada de 26 doutores, distribuídos por oito partidos. Entre os afortunados estiveram 4 dos 7 integrantes da Comissão de Política Urbana da Câmara e o atual relator do projeto de revisão do Plano Diretor, José Police Neto, líder do governo de Kassab, cassado por Silveira.
A ação da AIB parece uma má notícia. Infelizmente, há coisa pior. Seu ervanário foi distribuído de forma marota, mas era dinheiro limpo, declarado à Justiça Eleitoral. Quem conhece a engenharia financeira de uma eleição sabe que R$ 100 mil não elegem um vereador em São Paulo. Como diria Nosso Guia, o segredo está nos "recursos não contabilizados". Esse é um dinheiro que só sai do bolso do interessado se ele tiver um objetivo claro, capaz de permitir que, na volta, ele se multiplique bastante. Para isso, nada melhor que um novo critério de zoneamento urbano, capaz de transformar 5.000 metros de terreno baldio num negócio de R$ 5 milhões.

RUY CASTRO

Moralismo em massa


Folha de S. Paulo - 24/02/2010

RIO DE JANEIRO - Sobre a mania de agrupar países, times de futebol etc. em G4, G8, G20, o presidente Lula disse outro dia, em Goiânia: "Crie um G que o Brasil está dentro.
Não tem país mais preparado para achar o ponto G que o Brasil". Risos na plateia. Pouco depois, referindo-se à interrupção das obras de uma estrada para evitar a extinção de uma perereca rara, declarou, galhofeiro: "Graças a Deus! Perereca não pode se extinguir nunca!". Na fila do gargarejo, senhoras davam cambalhotas de êxtase.
Vindas de Lula, duas referências vaginais num discurso passam com suavidade pela opinião pública. Os mais formais deploram a chulice, e só. Outros riem, contam para o colega de repartição, que também ri, e vida que segue. Mas imagino como seria se tivessem sido ditas nos EUA pelo presidente Obama -o Congresso, a mídia e o país entrariam em erupção.
É o que concluo ao acompanhar o escândalo em torno do golfista Tiger Woods. Em dois meses, ele passou de herói nacional à condição de absoluto pária, repudiado pelos patrocinadores, pela publicidade e pela sociedade por prática de galinhagem compulsiva.
E não adiantam as autoflagelações a que está se submetendo. Quanto mais pedir desculpas pela televisão, mais ficará marcado por ter feito sexo fora do casamento com cerca de 20 mulheres. Mas o que me espanta é ter sido sexo pago, e muito bem pago. Pensei que lhe bastasse ser Tiger Woods para ser irresistível.
No Brasil, jogadores de futebol, cantores e políticos, casados ou não, têm uma vida sexual diante da qual Tiger não pegaria nem aspirante. Alguém dirá que o brasileiro é hipócrita, porque finge que não vê. Talvez. Mas não é preciso ter lido Freud para desconfiar desses moralismos em massa, que crucificam alguém por realizar as fantasias de milhões.

ARI CUNHA

Jogo de xadrez literalmente


Correio Braziliense - 24/02/2010


O ministro Arnaldo Versiani, do Tribunal Superior Eleitoral, mostrou a seus pares, numa reunião, que pela Constituição os presos também têm direito a votar e a escolher seus representantes. Inclusive os internados menores de 18 anos e maiores que 16. Em seguida vieram as dificuldades. Os presos têm direito a transporte de ida e volta, mesmo sendo grande o número de seções para votação. Em Mato Grosso, o defensor público Márcio de Oliveira disse que candidatos procuram os presos e compram os votos da família. Em outra cidade, os presos pertencem a organizações criminosas. Dificuldades são muitas. Querem que o preso participe das eleições. E querem também que o candidato eleito que não tiver honrado o voto vá para a cadeia. E assim segue a corrente. Poder dentro e fora das grades.


A frase que foi pronunciada

“Kassab não pode ser cassado, e sim pescado.”
» Humor do José Simão, na Band, debaixo da chuva em SP



Seria

»
Deslize gramatical no portal dos Correios: “Correios volta a prorrogar as inscrições dos concursados”. Justifica Welton, dizendo que seria como usar “ECT volta”. Ele é natural de Sobral, Ceará. E nisso, desde tempos idos, seus habitantes sempre primaram pelo rigor da linguagem. Feita a observação, a coluna está às suas ordens.

Regulamento

»
Genival Catão Torquato, coronel de artilharia reformado do Exército, faz referência à nossa coluna sobre o general Maynard Santa Rosa e cita o RDE. O militar é funcionário de carreira. Vai para onde mandar a Força. Quando se muda, leva a família mesmo para recantos mais distantes. Quem faz a Constituição tem muitos subsídios a colher no Regulamento Disciplinar do Exército.

Homem do FMI

»
Trabalhando no governo brasileiro, o advogado e economista Murilo Portugal diz coisas desagradáveis aos políticos. Não aceita aumentar gastos públicos. Ocupa o terceiro cargo no Fundo Monetário Internacional e sugere aos governantes que “apertem os cintos e façam reformas econômicas”. Portugal tornou-se secretário executivo da Fazenda ao tempo de Antonio Palocci. Desistiu com o escândalo do caseiro Fancenildo Costa, que teve quebra de sigilo das contas.

Militar

»
Diz mauriciogteixeira@hotmail.com que militar é servidor público como qualquer outro. A diferença é que militar tem compromissos com a corporação. Tudo bem. A disciplina é outra maneira de viver. Não interfere na vida alheia sob pena de pagar pelo que foi feito. Não há país com ação diferente no mundo inteiro.

Revolta

»
Carlos Alberto Martinez de Azambuja, identidade 1251314SSPFF, diz que infelizmente somos obrigados a viver com classe política incompetente, mentirosa e corrupta. Quando um militar do Alto-Comando se pronuncia de maneira objetiva, parece que eles são tomados pela síndrome do golpe e sentimento de revolta e vingança.

Chuvas

»
No Distrito Federal, as chuvas provocam prejuízos. Riachos se enchem, casas se inundam e sofrem com invasões que destroem haveres. A cidade merece atenção para os serviços de infraestrutura. Estão abaixo do desejado.

Ensino

»
Professores do Distrito Federal continuam lutando pela sobrevivência. Abandonados pelo governo, embora seus salários sejam altos em comparação aos de outros estados, têm que dobrar os empregos para se manter. A classe reclama a falta de material e dificuldades para conter os alunos.

Brasília

»
O coronel Fraga criticou companheiros que desapareceram. Dezenove governistas abandonaram o barco. Enquanto isso acontece, Paulo Octávio oferece churrasco confraternizando com os que permanecem ao seu lado.

Receita

»
Arrecadação de Brasília chegou a valores altos, com R$ 60 bilhões. O dinheiro está sendo usado no que se chama assistência aos pobres. Esquecem que os pobres precisam de hospitais, saúde, estradas, colégio, o que mais seja a seu favor.

História de Brasília

Apesar de possuirmos um serviço meteorológico dos mais bem aparelhados e dos mais caros, continuamos sabendo do tempo por meio da informação dos candangos. (Publicado em 25/2/1961)