quarta-feira, fevereiro 17, 2010

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Fototica compra rede de óticas em Recife

Folha de S.Paulo - 17/02/2010


A rede de óticas Fototica acaba de desembarcar no mercado pernambucano, seguindo sua meta de expansão pelo país, que começou por São Paulo, Bahia e Sergipe, em 2007.

A empresa fechou a compra da rede Clock's, uma das líderes no mercado em Recife, no início deste ano. Até o final do primeiro trimestre, as duas bandeiras serão mantidas.

As lojas Fototica/Clock's venderão, além da linha de ótica, joias e relógios -que também faziam parte dos negócios da rede adquirida-, até o fim dos estoques desses produtos, que não estão no foco da Fototica, segundo Marcello Macedo, presidente da empresa.

O valor da aquisição não foi revelado.

"Pretendemos levar a Fototica a todo o Brasil. Para isso, sempre que possível, vamos comprar as líderes regionais, e não gostaríamos de perder a força das marcas que vão se integrando ao grupo."

Desde que foi comprada pelo grupo holandês Hal Investiments B.V., em 2007, a empresa decidiu focar em ótica e, gradativamente, deixar de trabalhar com produtos de fotografia na rede, que antes se chamava Fotoptica. Em Sergipe e na Bahia, o grupo comprou a rede Fábrica de Óculos, em 2007.

"A aquisição em Pernambuco reforça a presença da marca no Nordeste", diz Macedo.
"O plano é comprar outras redes nas principais capitais do país. Já fizemos propostas, mas os negócios ainda estão em andamento."

A marca, que tem 118 pontos de venda, com franquias e lojas próprias, planeja abertura de 500 lojas até o final de 2012.

O plano é comprar outras redes nas principais capitais do país. Já fizemos propostas, mas os negócios ainda estão em andamento
MARCELLO MACEDO
presidente da Fototica

EMPREGO 1
São Carlos liderou a geração de empregos industriais no Estado de São Paulo em janeiro, segundo pesquisa mensal do Ciesp/Fiesp. A cidade apresentou crescimento de 4,74% no número de vagas na indústria.

EMPREGO 2
Os segmentos que mais se destacaram na expansão de São Carlos foram o de alimentos e o setor de máquinas e equipamentos. Em seguida, no ranking de criação de postos de trabalho na indústria em São Paulo, vieram as cidades de Sertãozinho (2,40%) e Taubaté (2,39%), segundo os dados do Ciesp/Fiesp.

EM CASA 1
As vendas de imóveis usados na cidade de São Paulo cresceram 55% em janeiro ante o mesmo mês de 2009, segundo levantamento da empresa de administração imobiliária Lello. No ano passado, as vendas subiram 25%, na comparação com 2008. O valor médio das unidades residenciais comercializadas foi de R$ 350 mil.

EM CASA 2
A maior oferta de financiamentos bancários puxou as vendas de imóveis usados, segundo a Lello. Cerca de 40% das unidades comercializadas tiveram financiamento em 2009, ante 30% no ano anterior.

TV E VINHO
Os vinhos brasileiros estão atraindo os poloneses. Marek Kondrat, ator e sócio de rede de dez lojas especializadas em vinho, desembarcou no domingo no Brasil com uma comitiva daquele país para conhecer o produto brasileiro e levá-lo para o mercado polonês.
A primeira parada dos investidores foi no Carnaval da Marquês de Sapucaí, e hoje seguem para o Rio Grande do Sul. Lá irão fazer visitas a vinícolas e realizar rodadas de negócios. "Quero conhecer as histórias das famílias que produzem os vinhos no Brasil e contá-las aos meus clientes", diz Kondrat. Durante a visita à Serra Gaúcha, Kondrat irá escolher os vinhos que irá importar. "Meu interesse vai desde os produtos mais simples e baratos até os mais sofisticados e de alta qualidade." O mercado de vinhos está crescendo rápido na Polônia, o que leva Kondrat a planejar a abertura neste ano de mais dez lojas da rede Winarium, uma das principais importadoras do país. A empresa vende ao mês 30 mil garrafas de vinhos finos, sendo 80% deles comercializados entre 8 e 12 a garrafa.

CELSO MING

O euro sem chão


O ESTADO DE SÃO PAULO - 17/02/2010


O problema não está no tamanho do resgate da Grécia. Quaisquer 30 bilhões de euros apagariam o incêndio. O problema está no conceito. Um resgate assim é impensável dentro das regras do jogo e colocaria irremediavelmente em risco a credibilidade do euro.

A solidez de uma moeda não se assenta apenas na política monetária (política de juros) praticada por um banco central bem administrado. Exige uma política fiscal irrepreensível por parte de todos os sócios da comunidade monetária.

Até agora se dava como pressuposto de que bastava um compromisso entre governos nacionais sacramentado em alguns tratados para garantir a convergência dos seus membros para a disciplina fiscal. Hoje se vê que não basta isso. Sem coação central (enforcement) sobre os governos nacionais, não há convergência.

A Grécia durante anos fraudou suas estatísticas sem que os coordenadores de Bruxelas se dessem conta disso ou sem que entendessem que deveriam denunciá-la. E hoje se desconfia de que não foi o único membro da comunidade que teve esse comportamento.

Outros governos alegam que o desemprego e a crise foram os fatores de força maior que exigiram farta distribuição de verbas públicas, generalizaram o desarranjo e determinaram, na prática, o descumprimento dos tratados. Não foi, perguntam, também o que aconteceu com o Banco Central Europeu que se viu na contingência de suspender a rigidez da execução da sua política monetária?

Com a exceção do minúsculo Luxemburgo, nenhum país da área do euro respeitou rigidamente os compromissos de lei (déficit orçamentário não superior a 3% do PIB e dívida líquida não maior que 30% do PIB). Até mesmo o ortodoxo governo alemão não conseguirá, em 2010, ostentar números melhores do que um déficit fiscal de 5,3% do PIB e dívida líquida de 55,0% do PIB (projeções da OCDE).

Ao menos teoricamente, sabia-se que uma moeda comum pressupõe unidade política que garanta a convergência fiscal. Até recentemente, os membros da área do euro imaginavam que a "Europa das pátrias" poderia conservar intocada a soberania dos seus Estados sem colocar em risco a saúde da moeda. Agora se vê que isso não passou de candura ou de inexperiência monetária.

Alemanha e França, o núcleo duro da área do euro, relutam em definir um plano de resgate para a Grécia que se tornará precedente à disposição dos desrespeitadores dos tratados. Mas sabem que a decisão definirá seu futuro como integrantes de um governo central de um quase inevitável sistema federativo europeu que seja capaz de forçar a periferia do bloco a cumprir compromissos.

A unificação política pode não ser uma exigência imprescindível para a criação de uma moeda única, mas parece inevitável para sua consolidação. O euro passa por uma grave crise de confiança que exigirá mudanças profundas na sua constituição para que não naufrague. Essa tarefa queimará enorme energia política e não se completará de uma semana para outra.

A fragilidade do euro mostra ainda que, por enquanto, não há o que tome o lugar do estropiado dólar na função de moeda global de reserva.

ELIO GASPARI

De Aristide.Briand@edu para José.Serra@gov

FOLHA DE SÃO PAULO - 17/02/10


Se eu dissesse que existiam duas Paris, a dos bairros e a dos não bairros, a guilhotina teria sido reinaugurada

PREZADO governador José Serra,
Fora da França pouca gente lembra de mim. Chamo-me Aristide Briand e era o primeiro-ministro no dia 21 de janeiro de 1910, quando o rio Sena subiu oito metros, inundou Paris, desalojou 200 mil pessoas, matou umas vinte e, em dinheiro de hoje, destruiu um patrimônio avaliado em um bilhão de dólares. Minha enchente começou no mesmo dia em que, cem anos depois, os rios de São Paulo alagaram uma parte de sua cidade e oito pessoas morreram.
Soube que o senhor poderá ser candidato a presidente do Brasil e acho que posso ajudá-lo com algumas ideias gerais e uma sugestão prática. Antes, permita que me credencie: a enchente foi em janeiro e eu ganhei a eleição em abril. (Ao todo, ganhei outras dez.)
Vossa enchente haverá de passar. Com isso, baixarão as tensões e o senhor poderá se dedicar ao combate a alguns vícios de gestão e de política. Entendamo-nos: o rio Tietê está assoreado, o manejo das águas foi inepto e a defesa civil, quase inexistente. Esses fatores não impediriam o desastre, mas poderiam reduzi-lo. Aqui, por exemplo, os túneis dos esgotos e do metrô aumentaram a vulnerabilidade da malha urbana.
Há outros vícios, d'alma. São Paulo não ama seus rios. Basta olhar a feiura das vossas pontes. (Está aqui o Le Corbusier dizendo que há uma nova, bonita.) Os administradores da cidade desdenham as vicissitudes dos moradores das áreas que são inundadas e frequentemente culpam os cidadãos por morar em localidades de ocupação irregular. Um administrador não pode dizer que é irregular a ocupação de uma área onde há edificações com mais de dez anos. Não existem uma cidade e uma não cidade. O senhor acha que alguém mora em Jardim Pantanal porque não gosta da Avenue Foch? Não conheço político que deixe de pedir votos nesses Jardins. Por falar nisso, por que vocês chamam essas áreas de Jardins?
A responsabilização dos moradores busca esconder a responsabilidade dos administradores. Se ousássemos recorrer a esse tipo de argumento em Paris, a guilhotina teria voltado à Place de la Concorde, que esteve inundada em 1910. O Luís 16 chorou ao ver uma fotografia do seu prefeito visitando o Jardim Romano, encolhido na caçamba de uma camionete. Pensou que o levavam para a lâmina.
Governador, procure entender a oposição. D. Helder Câmara me mostrou alguns papéis do Partido dos Trabalhadores e acho que fazem sentido. Não me entenda mal. Apesar de ter começado na política pela esquerda, baixei-lhe o sabre quando foi necessário.
Finalmente, a proposta prática: faça como fizeram em Paris. Providencie mapas de suas cidades, detalhadas ao nível de quarteirão, e identifique as áreas onde há riscos de transbordamento dos rios, onde há o perigo de empoçamento do subsolo e quais os lugares onde o fornecimento de energia ficará vulnerável. Em Paris, por exemplo, sabemos que pode faltar luz no Banco de França, a prefeitura pode ser inundada de baixo para cima e o Sena pode alagar um trecho da Avenue Montaigne.
Coloque esses mapas à disposição do povo. O senhor jogará luz sobre os riscos da população e sobre as responsabilidades dos administradores.
Amem vossos rios, amem toda a cidade, amem vosso povo. (Eu sou um romântico, mas ganhei o Prêmio Nobel da Paz.)
Saudações parisienses,
Aristide Briand

CACHORRA

RUY CASTRO

Fantasia de patriota


FOLHA DE SÃO PAULO - 17/02/2010



RIO DE JANEIRO - Ao ver a foto do grupo de flibusteiros -casacas de veludo azul e vermelho, cabelos empoados, chapéus de três bicos e cada qual com um mosquetão, tudo com cara de brechó-, pensei que fosse um bloco de Carnaval. Mas no Idaho, um dos Estados mais caretas e sem graça dos EUA?
A legenda da foto explicou: era um grupo de "patriotas" americanos -um conclave de organizações com nomes como Amigos da Liberdade, Aliança pela Liberdade ou Defensores da Liberdade. Na verdade, gente que está à direita de George W. Bush e para quem Barack Obama é o bicho e precisa ser exterminado antes de instalar sua "tirania socialista". Por tal tirania entendam-se medidas sociais, proteção a imigrantes e injeções de dinheiro do Federal Reserve, o Banco Central americano, para salvar a economia -à custa, dizem eles, de suas economias.
Meio que inspirando e unindo essas organizações está o agressivo "Tea Party", sendo "Tea" um anagrama para "taxes enough already", ou "chega de mais impostos" -um movimento surgido há um ano na esteira da recessão, do desemprego e da própria existência de Obama. Não é ainda um partido, mas, pela preocupação do Partido Republicano com o seu crescimento, não demora a ser.
O "Tea Party" é composto de senhoras patuscas que, até há pouco, estavam de avental sujo de ovo, fritando bolinhos, e não saberiam apontar Washington no mapa. Hoje promovem comícios com seguranças armados, usam retórica racista, estimulam a formação de milícias e falam até numa nova guerra civil. Sua heroína é Sarah Palin, candidata a vice na chapa Republicana derrotada por Obama e uma das mulheres mais ignorantes -e espertas- da América.
Decididamente, essa turma fantasiada de patriota parece a fim de tudo, menos de Carnaval.

ARI CUNHA

Pobre lago

CORREIO BRAZILIENSE - 17/02/10


Assoreamento sufoca pontos de chegada dos riachos. Proprietários de QLs destroem a mata e espicham a posse até a beira da água. Nos feriados, construções irregulares se desenvolvem a todo vapor. O Condomínio Hollywood, no Lago Norte, está calçando a entrada e ornando o portão. Vai vender terrenos irregulares por todos os lados. Tudo feito na calada dos feriados. A ponte da Caesb, que o DER mudou de nome no Trecho 7, está se transformando em mata. Moradores viam o riacho chegando. O assoreamento tomou conta. A mata invade a massa d’água, constrange moradores e dificulta a vida dos peixes e outros animais. A água é útil. Algum dia as coisas voltarão ao normal. Rezemos aos céus para que aconteça. Vai deixar o povo feliz.


A frase que não foi pronunciada

“Existe punhalada maior que pagar os impostos para alimentar a corrupção?”

Dona Dita, pensando em responder ao presidente da
OAB sobre a intervenção federal no DF


Piloto experiente
Comandante que voa pelo exterior chegou à conclusão: “Avião é o transporte mais rápido para chegar atrasado”. Explica. Controladores de voos no Brasil exigem distância maior entre um aparelho e outro. O consumo de combustíveis é exagerado. Conforme o número de pousos, gasta combustível que completaria viagem
a outro país.

Conta
Há lugares da cidade em que reside gente pobre. A Caesb trocou hidrômetros. O resultado foi espantoso. As faturas, em alguns casos, aumentam, e a conta às vezes chega aos R$ 2 mil. Fácil, basta a empresa conferir contas do ano passado e compará-las com as de hoje.

Não leva, mas paga
Ainda sobre cobranças da Caesb: vai de encontro ao Código do Consumidor a lei distrital que permite à empresa cobrar taxa mínima pela água. Se o produto não é consumido, não deve ser pago. Procon, Idec, Pro Teste e Departamento de Proteção e Defesa do consumidor do MJ são omissos em relação ao assunto.

Banco Central
Lidar com dinheiro é coisa rápida. Luiz Carlos de Mendonça Barros entende que o seu uso deve ser rápido e com raciocínio. Tempos atrás o Brasil tinha sobra de dólares no câmbio. Agora vai faltar. Não querer interferir na moeda é cuidado demais. É trabalho para liberal extremado. Com larga experiência, Luiz Carlos adota medidas conforme as necessidades. Não se joga só para ganhar. Perdendo hoje, amanhã vai ter lucro que vale a pena.

Cobertura
Binho Marques, governador do Acre, tem um projeto ambicioso. O programa Floresta Digital. Ele quer que todas as cidades do Acre tenham cobertura gratuita para acesso à internet. Se acontecer, será o primeiro estado brasileiro a conquistar a façanha.

Sacrifício
Penam os pacientes do Hospital do Gama. Na falta de garrotes, amarram-se luvas. Na falta de algodão, usa-se gaze. Horas de espera, poucos e mal pagos médicos. A situação é lamentável.

Incrível
De repente, a gripe suína, que era uma ameaça mundial, sumiu do noticiário. Não para o governo federal. A primeira pauta da sessão de hoje no Senado será a análise da MP que abre crédito extraordinário de R$ 2,168 bilhões para os ministérios da Saúde e Transporte destinados à prevenção e combate à doença.

Bomba

Como diz o filósofo de Mondubim: “Diga-me com quem andas e te direi para aonde vais”. A nova frase se encaixa na situação de passividade entre o Brasil e o Irã. O simpático Ahmadinejad usa o presidente Lula e seus assessores deslumbrados arrastando o país para um campo minado.

Velha guarda

Ainda na ressaca do carnaval, Brasília vai sediar a VII Conferência da Coordenação Socialista Latino-Americana. PT e PSB receberão os convidados hoje e amanhã na Fundação João Mangabeira, que fica na
QI 5 do Lago Sul.

História de Brasília

O descontentamento é geral, principalmente porque ninguém queria vir. Atente-se para o fato de já estar todo o mundo acostumado em Brasília. Ademais, a maioria dos funcionários já se desfez de tudo que possuíam no Rio. Outros, alegam que o período escolar está começando, e os filhos não poderão ficar sem instrução. (Publicado em 24/2/1961)

FERNANDO DE BARROS E SILVA

Meirelles na manga

FOLHA DE SÃO PAULO - 17/02/10

SÃO PAULO - Eleito deputado federal pelo PSDB de Goiás em 2002, Henrique Meirelles trocou o Congresso pelo convite inesperado de Lula para ser presidente do Banco Central no governo petista. Então debutante na política, ele vinha de uma trajetória exitosa no mercado financeiro, tendo chegado nos anos 90 ao topo da hierarquia executiva do Bank of Boston.
O tucano de Anápolis com perfil conservador e carreira de banqueiro internacional foi, com Antonio Palocci, o fiador da ortodoxia econômica e uma arma de Lula para aplacar a desconfiança do mercado.
Para muitos companheiros, Meirelles era uma espécie de "alien" a ser extirpado do organismo do poder. Com seu jeitão de ET no meio da petelândia, ele sobreviveu e se tornou um dos esteios do lulismo. José Dirceu, Palocci, Luiz Gushiken, muita gente dançou na cúpula do PT e no primeiro escalão do governo. Meirelles é o único quadro de elite a permanecer onde estava desde 1º de janeiro de 2003.
O presidente do BC está no PMDB desde setembro passado. E disse a Lula há poucos dias que num eventual governo Dilma Rousseff gostaria de continuar "colaborando" na "esfera federal". Sua pretensão, como está claro, seria concorrer na condição de vice-presidente.
Na disputa interna do PMDB, Meirelles hoje é o franco azarão. O partido, que o vê como forasteiro, armou seu jogo em torno de Michel Temer. O deputado, no entanto, não inspira confiança ao PT nem tem a simpatia de Lula.
O fato é que, no círculo lulista, Meirelles começa a ser visto seriamente como coadjuvante útil a uma presidenciável que militou na luta armada. A guerrilheira e o banqueiro -parece até sessão da tarde.
O vice que patrocinou a estabilidade daria uma espécie de sinal ao mercado contra a retórica esquerdosa e a inclinação estatizante da candidata. Talvez Meirelles represente para a campanha de Dilma o que a Carta ao Povo Brasileiro representou para Lula em 2002.

PAINEL DA FOLHA

Sem efeito

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 17/02/10

Advogados e políticos com trânsito no Supremo Tribunal Federal não sabem de onde os aliados que ainda restam a José Roberto Arruda retiraram a convicção de que, caso venha a renunciar ao cargo de governador do Distrito Federal, o ex-"demo" teria boas chances de vitória no julgamento, pela Corte, do mérito de seu pedido de habeas corpus.
Segundo essa avaliação mais cética, o clima para Arruda não é nada bom no plenário do STF. Mais e mais, levanta-se a suspeita de que, fora do governo, ele não se sentiria constrangido em tentar atrapalhar as investigações, movimento que o levou para a prisão.




Pode ser? Na corrida para tentar se manter no cargo de governador, Paulo Octávio pegou um avião na manhã de ontem e desembarcou em Goiânia para um bate-papo por ele solicitado com o senador Demóstenes Torres, hoje seu principal algoz no DEM.

Nem pensar. "PO" disse ao correligionário que precisa do apoio do partido para "manter a governabilidade". Demóstenes respondeu que sente muito, mas não vê outra saída: defenderá sua expulsão da sigla na próxima reunião da Executiva Nacional.

Apaga a luz. Se a Executiva do DEM ratificar o pedido para que todos os filiados deixem seus cargos na administração do Distrito Federal, o secretário Alberto Fraga (Transportes) cumprirá a determinação, mesmo a contragosto. Ele explica: "Tenho ambições políticas. E meu nome pode ser bom para o partido, até porque praticamente não sobrou mais nenhum".

Fui. Pivô da prisão de Arruda, Edson Sombra aproveitou o Carnaval para se afastar do olho do furacão. Ficará alguns dias longe de Brasília.

Vida alternativa. O caderno com as resoluções a serem apreciadas no congresso do PT, que acontece de amanhã a sábado em Brasília, inclui uma assinada por Markus Sokol, da ala mais à esquerda do partido, defendendo, além de uma revolução completa na política econômica, um "não" redondo ao acordo nacional com o PMDB.

Família do noivo. Enquanto isso, o PMDB escalou, além do presidente Michel Temer e de seus líderes no Congresso, todos os ministros do partido para prestigiar a aclamação de Dilma Rousseff ao final do congresso do PT.

Pergunte ao trio. No programa que irá ao ar amanhã, Ciro Gomes apresentará um "jeito do PSB de governar", exibindo os governadores Eduardo Campos (PE), Cid Gomes (CE) e Wilma Faria (RN) sob o slogan "escolha certo, escolha o PSB".

Pano verde. Enquanto Dilma e Serra percorriam o circuito candidato-folião, Aécio Neves passou seu Carnaval em Las Vegas.

Pré-campanha. Geraldo Alckmin aderiu ao Pilates. Duas vezes por semana, recebe em casa um personal trainer que o orienta em meia hora de alongamento e meia hora de exercícios de força.

Estica... A CUT trabalha para que as seis principais centrais aprovem em junho, na Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, resolução recomendando o voto de seus filiados em Dilma.

...e puxa. Mas a Força, não obstante a inclinação pró-Dilma, resiste em amarrar o barco oficialmente à campanha petista. Os organizadores da conferência esperam reunir dez mil dirigentes sindicais na sede da CUT em São Paulo.

Outro lado. A Aeronáutica nega ter feito pressão para indicar diretores da Anac. Segundo a FAB, os militares da ativa que ainda desempenham funções na agência reguladora da aviação civil o fazem a pedido da mesma.

com SILVIO NAVARRO e LETÍCIA SANDER

Tiroteio

O Garotinho está firme, o PR está firme com ele e, se a Dilma não o quiser, tem quem queira.

Do deputado SANDRO MABEL (PR-GO), sobre a articulação para tirar o ex-governador do jogo e garantir a Sérgio Cabral (PMDB) a exclusividade do apoio da candidata de Lula no Rio.

Contraponto

Inclua-me fora dessa

No livro de memórias "Tudo a Declarar", Armando Falcão, morto uma semana atrás aos 90 anos, conta que, durante o governo do marechal Castelo Branco (1964-1967), foi procurado pelo poeta Augusto Frederico Schmidt, muito preocupado com seu amigo Juscelino Kubitschek, de quem Falcão havia sido ministro da Justiça:
-Ouça bem: ele poderá suicidar-se, se for cassado.
Falcão achou o temor descabido, mas, pressionado por Schmidt, levou o assunto a Castelo, que vaticinou:
-O Kubitschek? Não creio que ele tenha a coragem de imitar o doutor Getúlio. Não vai acontecer nada.
-Mas presidente, e se o suicídio vier?
-Bem, nessa hipótese, declaro, desde já, que a essa missa de sétimo dia eu não vou!

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Palanque dilmista em noite sem Serra

O ESTADO DE SÃO PAULO - 17/02/10


Estava tudo organizado para a chegada de José Serra ao camarote de Sérgio Cabral na Sapucaí quando chegou a notícia: ele não iria mais. "Disseram que está com sinusite", explicou uma assessora. Entre os convidados, todos dilmistas roxos, ninguém pareceu frustrado - e alguns começaram a treinar o debate dos palanques.

Carlos Minc, por exemplo: "Acho que ele nem foi chamado e meio que se insinuou para aparecer aqui. Faria falta se fosse um grande sambista. Não é o caso."

Cabral confirmou que esperava o colega paulista, mas evitou comentar. Quem engrossou a onda foi seu vice, Luiz Pezão, com mais ironias: "Aquela animação toda, sem dúvida, vai fazer muita falta na Sapucaí."

Sem tango

Sem divas ou notáveis da noite anterior, o destaque da segunda, no camarote de Cabral, foi o "mangueirense de carteirinha" Daniel Scioli, governador de... Buenos Aires. "Torço pela Mangueira. É onde está a mulher do Cabral."

Bons amigos?

Que Paola Oliveira, que Rita Guedes, que nada. Gerard Butler, o "barbudo" que teve de cancelar propaganda para a Gilette, saiu da Sapucaí, na segunda, na maior das discrições.

Com uma morena anônima.

Recuerdos

Duas noites na Sapucaí, festa com performance no píer Mauá, e Paris Hilton foi embora bem-humorada.

No Twitter, resumiu: teve no Rio "the best of the times".

Balada + pedalada

Da Sapucaí, Robinho mandou aviso à CBF, a torcedores e jornalistas: quer a seleção, sim, mas não pretende mudar sua rotina festeira.
"Isso não atrapalha meu desempenho", garantiu.

De passagem

Paulo Octávio mereceu cartaz poético de um bloco de Brasília: "Que seja interino enquanto dure".

Joãosinho do DF

Na barulheira geral da Sapucaí, aguardando diminuir o tumulto para ir ao camarote da Grande Rio, Joãosinho Trinta contou seus planos: está morando e trabalhando em Brasília. "Lá eu já sou cidadão honorário, sabia? Agora o que quero é trabalhar para o carnaval do Distrito Federal."

Não esconde que está "muito sentido" pelo modo como foi excluído da Beija-Flor, no ano passado. Mas não se diz magoado com a escola, para a qual ajudou a obter verbas junto ao governador José Roberto Arruda - que corre risco de impeachment e viu o carnaval de sua cela na Polícia Federal, em Brasília.

"Eu só tentei ajudar", defendeu-se. "Mas fui excluído daquele jeito... A comissão me afastou do meu próprio projeto de trabalho."

Vovó viu a uva

Mistério que sobrou do carnaval do Anhembi: havia um jogador a mais - doze, no total - no carro da Gaviões em que cada um representava uma letra da palavra "Corinthians".
Mano Menezes foi para o banco, sem saber quem, no comando, escalou errado.

"Tento acreditar que sou deus"

Na ausência de estrelas internacionais, sobrou para Jesus Luz o papel de grande atração da segunda à noite, no camarote da Brahma na Sapucaí. Quando começou a discotecar na festa, todos pararam de dançar... e se puseram a fotografar. Depois do show, o namorado de Madonna recebeu a coluna em seu camarim.

O que acha que a Madonna viu em você? Ninguém melhor que ela para responder. Mas você quer saber minha melhor qualidade, é isso? Acho que a minha transparência.

Qual seu maior aprendizado ao viver com ela? Vamos mudar um pouco de assunto.

Como reage quando dizem que foi lançado na mídia por ser namorado dela? Se as forças do universo conspiraram a meu favor para eu estar aqui ou ali, a gente não tem que discutir. Cada um conquista o que pode. Não entro nessa de "isso é maior que eu e eu não poderia estar aqui". A gente pode estar em qualquer lugar.

Não se deslumbra com nada? Quando estou no palco e todos gritam meu nome, eu me sinto grande. Mas sei que não é bom. É um constante treinamento para manter a cabeça no lugar.

E como lida com as críticas? Ignoro tudo e foco apenas no meu trabalho. Se eu me basear nelas, deixo de ser eu mesmo.

Imagens suas com Mercy, filha da Madonna, no colo já correram mundo. Você se dá bem com a menina?Sim, muito. Ajudei a criar meus irmãos mais novos. Quando for o momento próprio vou querer ter filhos. Por mim, adotaria vááários bebês.

Madonna já levantou no Brasil US$ 12 milhões para a ONG SKF. Os empresários daqui lhe parecem generosos? É maravilhoso. Eu já esperava isso. O povo brasileiro tem o coração generoso e é muito open-minded.

Pretende, no futuro, engajar-se em causas sociais? Sim. Já toquei em SP em prol do Haiti, fiz desfile de caridade em NY. Quero construir algo com meu próprio dinheiro.

Mais do que dançar, hoje as pessoas queriam te fotografar. Como é isso? Ah, eu gosto de foto, de dar atenção ao público. É uma maneira de retribuir o carinho que têm por mim.

Estuda a cabala? Estudo de tudo, mas não sou nem cabalista, budista, cristão, nem macumbeiro. Não tenho religião. O que vier de conhecimento eu tento absorver.

Como define sua relação com Deus? Natural. Tento acreditar que eu sou Deus e que Deus sou eu.

E como é ser Jesus? Não sou puro nem santo. Tenho os defeitos comuns. Mas todos temos que lutar contra nossas trevas. Meu maior defeito é ser muito ansioso.

E essa marquinha na bochecha? Eu e uma tia três anos mais velha vivíamos brigando muito quando crianças. Um dia ela me arranhou e a marca ficou para sempre.

JOSÉ NÊUMANNE

Arbítrio balança o berço da impunidade

O ESTADO DE SÃO PAULO - 17/02/10


Antes de sair do Ministério da Justiça, o petista Tarso Genro fez uma autocrítica involuntária e comemorou um feito irrelevante. Ao reconhecer que a impunidade ainda campeia no Brasil e não é um privilégio de classe social, fez uma confissão de erro, culpa e fiasco. Pois no Estado Democrático de Direito, ao qual ele serviu no primeiro escalão do governo de seu correligionário Luiz Inácio Lula da Silva, o prelúdio da punição terá de ser uma investigação policial bem feita e imparcial. Festejou também a ação positiva de ter posto fim a certa vocação para o espetáculo de seus ex-subordinados no Departamento de Polícia Federal. Os fatos que confirmam sua confissão, contudo, conspiram contra a comemoração: o eufórico exibicionismo midiático dos agentes federais nunca foi recomendável, mas não está entre os defeitos fundamentais da corporação. O pior de todos estes é a politização.

E só para o dr. Genro ficar sabendo, antes de mergulhar na disputa pelo voto dos gaúchos, é bom alertar que uma coisa tem tudo a ver com a outra. Não que seja dele o pecado original - convém reconhecer desde já. Na verdade, a politização - como sua vertente mais nociva, a partidarização - é um mal que assola a Polícia Federal (PF) desde antes da ascensão dos petistas ao poder. Quando Lula tomou posse na Presidência, a instituição já se dividia em pelo menos três grupos: um ligado ao delegado e hoje senador Romeu Tuma (PTB-SP), que a dirigiu, outro de militantes petistas e uma minoria com conexões com o tucanato emplumado. A gestão de Márcio Thomaz Bastos no Ministério da Justiça ampliou a divisão. Tarso Genro pode até se jactar de não ter criado mais uma dissidência dos petistas na PF, mas também não se pode dizer que ele tenha feito algo de notável para acabar com a divisão e unificar seu comando. Genro celebra corretamente a maior discrição das operações, como ficou claro na prisão do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, na semana passada. Mas não evitou que a falta de comando levasse a episódios absurdos como o uso de arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) pelo delegado Protógenes Queiroz.

Fato é que a politização do aparelho policial não é a única evidência dessa doença infantil de nossa democracia, o "Estado policial", ao qual se referiu o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, em pronunciamento feito à mesma época da despedida do ex-ministro da Justiça. O Ministério Público (MP), que praticamente emergiu como um Poder na Constituição de 1988, funcionou ao longo dos dois governos de Fernando Henrique como uma garra avançada do Partido dos Trabalhadores (PT) no sistema judicial brasileiro. Os procuradores federais Guilherme Schelb e, principalmente, Luiz Francisco de Souza, com toda a justiça cognominado Torquemada, o terrível inquisidor espanhol, agiram de forma tão parcial e partidária no exercício de suas funções que foram punidos pelo Conselho Nacional do Ministério Público, a pedido de Eduardo Jorge Caldas, ex-secretário de FHC. O ostracismo desses procuradores no governo petista é a evidência mais óbvia de que não estavam a serviço do público, mas de seu partido, o PT.

O triângulo se fecha com hipotenusa do uso da sentença como arma ideológica por alguns juízes, não um ou outro destacados no noticiário, mas espalhados pelo Brasil inteiro, como era a praga da saúva do tempo do Jeca Tatu. Esta terceira ponta é a mais perniciosa de todas para o funcionamento integral da democracia no Brasil. A prova mais cabal de que estamos submetidos ao risco de um "Estado policial" não é o emprego ideologicamente seletivo das algemas nos pulsos de banqueiros, empreiteiros e outros membros da elite brasileira. Algemar presos é da rotina policial. Foi, sim, a autorização absurdamente descontrolada e leviana por juízes de primeira instância da quebra de sigilo telefônico de quaisquer cidadãos arrolados como suspeitos em operações policiais. A interrupção da violação sistemática e indiscriminada de um dos atos mais íntimos do cidadão, o telefonema, e a intervenção de Mendes para pôr fim à farra das "prisões temporárias", que na prática permitem prender para investigar, devem ser as mais brilhantes atividades a constar da biografia dele.

Será ainda justo atribuir-lhe outra garantia de que nossa incipiente democracia não será trocada de súbito pelo "Estado policial": a interrupção do ciclo estabelecido na Operação Satiagraha por delegado, juiz e promotor para submeter a Justiça aos ditames do preceito ideológico. Ao incorporar, em sua despedida do Ministério, aos feitos de sua gestão a caça aos afortunados, como se ela significasse a redenção (pela inversão) da Justiça, acusada secularmente de só perseguir pretos, pobres e prostitutas, o ex-ministro fez o elogio do vezo político, que não deveria contaminar as decisões judiciais: ninguém deve ser condenado pelo "crime" de possuir, da mesma forma que ninguém pode ser prejudicado pela desvantagem de nada ter. A parcialidade da partidarização da polícia, do MP e da Justiça não favorece o desvalido, mas o apaniguado. E a PF do dr. Genro passará à História por ter sido implacável com os abonados, mas complacente com os companheiros.

Exemplos descarados desta afirmação são dados pelo gozo de plena liberdade de Waldomiro Diniz, réu confesso impune, e pela Operação Caixa Preta, que acusou de superfaturamento de obras em aeroportos um executivo da gestão Lula, Carlos Wilson, nove meses após sua morte. E o fez num relatório final de investigação em que o vernáculo foi atropelado pela deselegância do estilo e, o que é pior, pelo excesso de indícios e suposições sem provas. É por isso que a confissão do dr. Genro desautoriza sua celebração: o arbítrio restritivo balança o berço da impunidade irrestrita.

CESÁRIO RAMALHO DA SILVA

Preconceito contra o agronegócio

FOLHA DE SÃO PAULO - 17/02/10


Setores atrasados do governo querem emplacar ideais pseudossocialistas que já foram desacreditados no século passado

O PROGRAMA Nacional de Direitos Humanos proposto pelo governo federal deveria preservar a sigla PNDH, mas trocar a descrição. Pelo seu conteúdo autoritário, anacrônico e ideológico, deveria chamar-se Programa Nacional de Discriminação Humana.
O documento, que já sofreu uma saraivada de críticas de parcelas distintas da sociedade, ameaça o direito de propriedade, a legitimidade de instituições, a liberdade de imprensa e o pluralismo religioso, só para destacar alguns pontos.
É um risco à democracia.
Mesmo sendo apenas um conjunto paradoxal de propostas, sem valor legal e chance de vingar no Congresso, o programa mostra que ideias originais (revolucionárias, por sinal) de segmentos radicais do partido do governo não estavam sepultadas.
O item relativo ao direito de propriedade é tão absurdo que nos faz imaginar das duas uma: ou o seu idealizador é imune a constrangimentos, por acreditar que uma ideia ridícula dessas encontraria abrigo na sociedade, ou é presunçoso ao extremo ao entender que conseguirá convencer o país a caminhar pela estrada da insensatez. Sábio, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, tachou o PNDH de preconceituoso.
Ao defender audiências públicas como primeira instância para ocorrências de invasão de propriedades, sejam rurais, sejam urbanas, o PNDH instantaneamente divide a posse do imóvel entre proprietário e invasor.
Enterra o Judiciário como genuíno agente de decisão da questão e consequentemente ignora a lei vigente. Dá as costas para a Constituição Federal.
Sem poder contar imediatamente com o recurso do pedido de reintegração de posse ao Judiciário, o proprietário seria obrigado a ter que sentar à mesa com quem invadiu seu imóvel para negociar o que já é seu. Uma incoerência, que não passa de mais uma tentativa ideológica de aniquilação do frágil direito de propriedade. A concretização dessa situação irracional aumentaria a insegurança jurídica, podendo retrair investimentos nacionais e sobretudo internacionais.
O documento ventila ainda a adoção de novas tecnologias, como biotecnologia e nanotecnologia, e a aprovação de licenciamentos ambientais ao crivo de comissões sindicais, ONGs e movimentos políticos disfarçados de sociais, entre outros, que não têm qualquer conhecimento para esse tipo de decisão.
O PNDH vai de encontro à ação do próprio presidente Lula, que defende a condução dos trabalhos da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), com base no conhecimento técnico-científico.
Para a Sociedade Rural Brasileira, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, mentor do ataque institucional ao agronegócio presente no PNDH, quer debelar o setor que mais vem contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil.
Eficiente, o agro brasileiro gera emprego e renda, produz comida segura e barata, exporta alimentos, fibras e energia para mais de uma centena de países, garantindo bilhões de dólares em reservas cambiais à nação -um colchão de recursos, aliás, que deu forças para o Brasil atravessar a recente crise mundial.
Mesmo assim, o ministro Cassel insiste no dogma que tudo que vem da agricultura comercial é negativo e que somente a agricultura familiar merece elogios.
A SRB discorda totalmente disso na sua história de 90 anos. O agro é um só. O produto rural brasileiro é um só, seja do pequeno, seja do médio, seja do grande produtor. Todos formam e têm seu papel, segundo suas características regionais e perfil de produção.
Pensar de forma diferente é negar o direito do pequeno almejar crescer e tornar-se grande, como constantemente ressalta o presidente Lula.
Ao apoiar a criação de entraves para a reintegração de posse, o ministro Cassel estimula a violência. Mais do que destruir o agro e o processo contínuo de transferência de benefícios socioeconômicos do setor para a sociedade, segmentos atrasados do governo querem emplacar na agenda pública ideais e vontades pseudossocialistas que já foram desacreditados no século passado.
Crer que um Estado "todo poderoso" é sinônimo de melhores dias é regredir na história. O capitalismo não é perfeito, vide a recente crise financeira. Todavia, até o momento, é o modelo que melhor possibilita a busca pela independência socioeconômica a qualquer pessoa.
O que cabe questionar agora é se esse tipo de pensamento contaminaria as políticas públicas de uma eventual continuidade dessa administração.
Queremos ser a Venezuela ou o Chile? Chegará a hora de escolher.

CESÁRIO RAMALHO DA SILVA , 65, é presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB) e diretor do Departamento de Agronegócio da Fiesp

CLÁUDIO HUMBERTO

“A impunidade vai, um dia, terminar neste País”
SENADOR EDUARDO SUPLICY (PT-SP), AO COMENTAR A PRISÃO DO GOVERNADOR ARRUDA, DO DF

CARTÕES: GOVERNO TORROU R$ 6,1 MILHÕES EM 2010
Os gastos do governo federal com cartões corporativos em 2010 já atingiram mais de R$ 6,15 milhões apenas durante o primeiro mês do ano. Somente as despesas da Presidência da República somaram R$ 1,3 milhão em janeiro, mas jamais serão reveladas: são classificadas de “sigilosas”. As atividades da Polícia Federal, vinculadas ao Ministério da Justiça, consumiram R$ 1,5 milhão usando os cartões.
LIBEROU GERAL
Durante o ano de 2009, as despesas “sigilosas” da Presidência da República, incluindo gastos da família Lula, somaram R$ 13 milhões.
PERSPECTIVA
Os gastos com cartões corporativos este ano já correspondem às despesas do Ministério do Planejamento com cartões durante 2009.
FEITO INÉDITO
Novidade em Brasília: o Senado funciona normalmente nesta Quarta-feira de Cinzas. Os servidores terão de bater ponto a partir do meio-dia.
AUDIÊNCIA
O governador em exercício do DF, Paulo Octavio, deverá ser recebido nesta quarta-feira pelo presidente Lula.
CABRAL E DEPUTADOS ARTICULAM ‘TREM’ NO RIO
Há uma proposta indecorosa em gestação na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, pretendendo criar um Tribunal de Contas para analisar gastos dos municípios. Para tanto, seriam criados mais sete cargos de conselheiros, a serem indicados pelos deputados estaduais ou pelo governador Sérgio Cabral (PMDB). Os autores ainda juram que é “alternativa” contra “politicagem, compadrio e irregularidades”. Anrã.
PASSE LIVRE
A proposta de mais um Tribunal de Contas no Rio exclui a exigência de nível superior, contrariando a Constituição estadual, e prevê demissão.
POLITICAGEM
Tribunais de Contas em todo o País têm sido o destino de políticos aposentados. Raramente são nomeados técnicos e especialistas.
QUEM MANDA
Com a Bolsa-Olímpica de R$ 1,2 mil, superior ganhará menos que o subordinado, diz a Associação dos Militares Auxiliares e Especialistas.
CHAVE DE OURO
Três anos depois de se formar em Direito, Fernando Gonçalves já era juiz de carreira; primeiro estadual, depois federal. O ministro do STJ que pôs Arruda na prisão vai encerrar a carreira com um feito e tanto.
É A LEI
O ministro do STJ Fernando Gonçalves tem ouvido elogios pela decisão de afastar o governador Arruda. Mas a reação dele é sempre a mesma, com naturalidade e a voz cansada: “Eu apenas cumpri a lei”.
PONGA, ARAPONGA
A Infraero criou uma azeitada estrutura de espionagem. Dezenas de arapongas, que antes monitoravam ameaças terroristas, agora ficam de olho até nos assessores do presidente da estatal dos aeroportos.
OLHO GORDO
O PTB pressiona o governo para indicar a direção da Casa da Moeda. Certamente entende de dinheiro. E a instituição divulgou seu lucro, que passou de R$ 27 milhões em 2007 para R$ 330 milhões em 2009.
DEMORA
Caso o Supremo Tribunal Federal acate o pedido do Ministério Público para decretar uma intervenção federal no DF, o presidente Lula deverá editar um decreto que depois ainda será analisado pelo Congresso.
MARGEANDO O ALAMBRADO
Ser “filho do Brasil” dá nisso: a Presidência vai gastar R$ 186 mil em “alambrados disciplinadores” para “garantir a integridade das autoridades” nos eventos de 2010. Serão 600 grades de 50 metros.
ABORTO EM PAUTA
A descriminalização do aborto será tema de audiência pública, no dia 4 de março, na Comissão de Assuntos Sociais do Senado. O ministro da Saúde e representantes da CNBB estarão frente a frente.
MORTES DEMAIS
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as mortes maternas relacionadas ao aborto chegam a 21% (cerca de 6 mil/ano) e têm como causa as complicações do aborto realizado de forma insegura.
PENSANDO BEM...
...nem Alexandre, o Grande, e seus 50 mil homens, teve exército tão grande: o governo Lula contratou 100 mil “cumpanhêro” sem concurso.

PODER SEM PUDOR
NEM FEZ, NEM GANHOU
O popular Louro Maia, prefeito de Ponto Novo (BA), adotou o slogan “Louro faz, Louro Fica”, na sua campanha de reeleição, em 2000. O prefeito Filadélfia (localizada na microrregião de Senhor do Bomfim), conhecido por “Nem”, adorou o mote e o copiou: “Nem faz, Nem fica”.
Resultado: Louro foi reeleito, Nem perdeu.

O ABILOLADO E A VAGABUNDA

QUARTA NOS JORNAIS

- Globo: Unidos da Tijuca ganha seu 4º Estandarte em seis anos


- Folha: Copa no Brasil em 2014 já custa mais que África-2010


- Estadão: Câmara do DF cassará 3 para evitar intervenção


- JB: Tijuca, Poretela e Vila podem sonhar


- Correio: Mais perto da cassação


- Valor: Dívida cai e campo ensaia novo ciclo de investimento


- Jornal do Commercio: Que venha o Batata

terça-feira, fevereiro 16, 2010

AUGUSTO NUNES

VEJA ON-LINE

Agora que o Carnaval passou, é hora de esclarecer um grande negócio muito mal explicado

16 de fevereiro de 2010

Nos quatro primeiros parágrafos do discurso de posse, Nelson Jobim tratou de justificar a fama de gaúcho sabido com a evocação de episódios protagonizados por Dom Pedro II, Zacharias de Goes e Vasconcellos, Benjamin Constant e outras placas de ruas, praças ou avenidas. No quinto, o novo ministro da Defesa encerrou a aula de História com uma frase de Benjamin Disraeli, duas vezes primeiro-ministro do império britânico no fim do século 19. “Never complain, never explain, never apologise”, falou bonito o novo ministro da Defesa.

Caridoso com os muitos monoglotas presentes, traduziu a citação: “Nunca se queixe, nunca se explique, nunca se desculpe”. Fez então uma pausa, armou a carranca no rosto de glutão sem remorso e rugiu: “Aja ou saia, faça ou vá embora!”. Como quem age faz alguma coisa, como quem sai vai embora, uma das duas frases já estaria de bom tamanho. Jobim deve ter embarcado na redundância para mostrar que não estava para brincadeiras. Estava lá para liquidar o apagão aéreo que acabara de festejar o primeiro aniversário. Os culpados que se cuidassem.

A ameaça causaria forte impressão mesmo se gaguejada por um vereador de grotão. Produzida pela figura com mais de 100 quilos esparramados por quase 2 metros, a trovoada no coração do poder ultrapassou os limites do Palácio do Planalto. Andorinhas voaram de costas, urubus ficaram brancos de medo, aviões de carreira enveredaram por loopings involuntários, helicópteros flutuaram na estratosfera. Não demoraram a descobrir que o ultimato não passaria do falatório.

Jobim não agiu, mas não saiu. Não fez, mas não foi embora. Fez que conta que esqueceu o grande momento do discurso de posse. Até que o apagão morreu de morte natural e o ministro resolveu começar a agir. Acabou demonstrando que a lição de Disraeli nem sempre dá certo. Por ter feito tudo errado, o que fez causou mais estragos que o que deixou de fazer. A última do Jobim foi convencer o presidente Lula de que a compra dos 36 caças franceses Rafale é um grande negócio para o Brasil.

Antes do Aerolula, a milhagem aérea do Primeiro Passageiro era inferior à de uma abelha. Jobim só aprendeu, em viagens internacionais, que não cabe na poltrona. Pois os dois se acharam qualificados para decidir qual fábrica seria contemplada com uma fabulosa bolada extraída dos bolsos dos pagadores de impostos. Acabaram por desmoralizar os chefes da Aeronáutica e os técnicos incumbidos de produzir o relatório que classificou os três concorrentes.

O documento recomendou a escolha dos caças suecos Gripen, que custariam US$ 4,5 bilhões. A segunda opção foi o americano F-18, fabricado pela Boeing (US$ 5,7 bilhões). Para desconforto dos especialistas, e para alegria dos acionistas da Dassault, Lula e Jobim preferiram o lanterninha Rafale. Os brasileiros vão desembolsar US$ 6,2 bilhões (ou R$ 11,4 bilhões) para que os pilotos da FAB voem nos caças que não desejaram. A justificativa para o injustificável foi uma misteriosa “parceria estratégica” com a França.

Agora que o Carnaval passou, os responsáveis pela escolha precisam deixar de conversa fiada e buscarem explicações mais convincentes para a transação bilionária. O país que presta está exausto de eufemismos espertos. A novilíngua da Era Lula já transformou ladroagem em “recursos não-contabilizados” e fez dinheiro sujo virar “caixa 2″. Os dois truques tentaram camuflar negociações suspeitíssimas entre os partidos que hoje compõem a base parlamentar do Planalto. Para quem enxerga, é uma base alugada. Para o governo, é uma parceria estratégica.

CELSO MING

Decreto não muda o juro


O ESTADO DE SÃO PAULO - 16/02/2010



Quando afirma com a firmeza habitual que "não se muda juro e câmbio por decreto", o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, está mirando o governador José Serra, crítico de quase 15 anos do modelo macroeconômico vigente no País.

Meirelles provavelmente restringe sua afirmação apenas à política econômica que, mal ou bem, é um sucesso não só no atual governo, mas, também, no anterior. E conclui que ninguém seria tão temerário a ponto de mudar tudo no câmbio, nos juros e no sistema de metas, como o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, defendeu em entrevista à revista Veja de 13 de janeiro, e, assim, correr o risco de um monumental desarranjo.

Do ponto de vista estritamente técnico é possível "mudar tudo" sem desarrumar a economia, desde que se imponha um drástico ajuste fiscal. Se o próximo governo, qualquer que viesse a ser, se comprometesse com a obtenção de um déficit nominal zero (incluídas no cálculo as despesas com juros) num prazo relativamente curto (de três anos, por exemplo), os juros despencariam naturalmente.

Primeiro o conceito e, em seguida, o efeito. Déficit nominal zero é um passo além do superávit primário. Este é a sobra de arrecadação para amortização da dívida sem levar em conta as despesas com juros que normalmente são incorporadas ao principal. O déficit nominal zero inclui no cálculo das despesas públicas o pagamento de juros que são rolados pelo Tesouro. Assim, o déficit nominal zero reduziria a dívida pública e, nessas condições, o Tesouro deixaria de competir no mercado pela poupança formada no País. E, se o dinheiro passasse a "sobrar" no mercado, seu preço, que são os juros, cairia e, finalmente, no Brasil iriam viger juros de primeiro mundo.

Outro efeito da obtenção de um déficit nominal zero seria a forte redução das operações de arbitragem com juros, aquelas que, resumidamente, implicam tomada de empréstimos no exterior a juros baixos para aplicação dos recursos no Brasil com o objetivo de ganhar com os juros mais altos. E o estancamento dessas operações, por sua vez, contribuiria para reduzir a valorização do real (alta do dólar no câmbio interno), em consequência da redução do afluxo de capitais especulativos.

O problema para obter um déficit nominal zero seria a necessidade de um drástico arrocho fiscal, que implicaria redução das despesas públicas combinada com aumento da arrecadação.

Um arranjo desses exigiria uma poderosa coalizão política para sustentar uma temporada de dureza. E é aí que tudo fica bem mais difícil no Brasil.

Como aconteceu com Fernando Henrique e Lula, o próximo presidente não terá maioria no Congresso. Para governar, quase necessariamente, se não do apoio, precisará de que o PMDB não atrapalhe. E, como sempre acontece, esse jogo fica nas mãos da ala fisiológica, que cobra o que já se sabe. O diabo é que essa cobrança vai na contramão de um programa de austeridade.

E, quando o governo não consegue controlar seu orçamento no nível necessário para segurar a inflação e, ao mesmo tempo, garantir o crescimento econômico, sobra para o Banco Central a tarefa inglória de reequilibrar as coisas com a política monetária (política de juros). E é isso que fica muito difícil de mudar.

FISCO AUTUA PRESIDENTE DA CASA DA MOEDA

Fisco autua por fraude presidente da Casa da Moeda


LEONARDO SOUZA e ITALO NOGUEIRA
Folha de S. Paulo - 16/02/2010

Suspeita é de fraude no IR e de operação irregular de câmbio no valor de US$ 1 mi

Autuação da Receita é de R$ 3,5 mi; Denucci, que nega irregularidades, também é alvo de investigação da PF e do Ministério Público




O presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci, tem no seu encalço o fisco, o Ministério Público e a Polícia Federal. A Receita Federal o autuou em R$ 3,5 milhões sob a suspeita de fraude no Imposto de Renda e de operação irregular de câmbio no valor de US$ 1 milhão.


Não bastassem as investigações dos três órgãos públicos, o responsável pela impressão de todo o dinheiro do país enfrenta agora também pressão do próprio partido que o apadrinhou, o PTB. Na terça-feira passada, os deputados Jovair Arantes (GO) e Nelson Marchezelli (SP) foram ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, pedir a cabeça de Denucci. Mantega afirmou que ele fica no cargo (leia texto abaixo).


Os fatos que deram origem à ação fiscal e à abertura de inquérito pela Polícia Federal são anteriores à chegada de Denucci à Casa da Moeda, porém ainda não houve um desfecho em nenhuma das duas esferas. No lado administrativo, ele entrou com um recurso na Receita Federal e perdeu. Apelou novamente, e o procedimento subiu para o Conselho de Contribuintes.


Em dezembro, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) negou habeas corpus para trancar a investigação policial.


O grupo de Denucci rebate todas as acusações (leia texto ao lado) e afirma que o seu cargo virou alvo de cobiça por ter contrariado interesses de integrantes do PTB. Ele assumiu a presidência da Casa da Moeda em 2008.

Conta em Miami
O caso de Denucci remonta a julho de 2000. Naquele mês, ele trouxe para o país R$ 1,79 milhão de uma conta em Miami (Estados Unidos). Na época, ele estava na iniciativa privada e acabara de abrir a empresa Horizonte Capitalização.


De acordo com a revista "IstoÉ", a Polícia Federal descobriu a transferência anos mais tarde, ao analisar movimentações financeiras de brasileiros no exterior por meio das extintas CC5 (contas de não residentes). O dinheiro seria um empréstimo obtido na instituição Paine Webber para injetar em sua empresa.


Mas a Polícia Federal afirma que Denucci não especificou a natureza da operação no contrato de câmbio e que não conseguiu comprovar a origem do dinheiro.


Essas informações foram repassadas à Receita Federal. Os auditores analisaram a transferência dos recursos e diversos outros aspectos financeiros de Denucci. No final de 2006, o fisco não só o autuou como fez uma representação fiscal para fins penais contra ele.


Isso ocorre quando a Receita Federal detecta indícios de crime tributário, como fraudes para sonegar imposto. Na mesma ocasião, o fisco mandou arrolar (listar) os bens de Denucci, medida tomada com o objetivo de evitar que o contribuinte possa dilapidar o seu patrimônio.


Quando tentou trancar o inquérito, tanto o Ministério Público como a Justiça foram categoricamente contra.


"Na espécie, os fatos são típicos e há fortes indícios de autoria e de materialidade [de sonegação fiscal e crimes contra a ordem tributária]", escreveu a Subprocuradoria da República.


A investigação policial continua em andamento. Denucci ainda não foi indiciado.

Aluguel
Além de dever ao fisco, Denucci tem títulos protestados na Justiça por não ter pago desde 2007 o aluguel de uma sala comercial no Rio de Janeiro.


Em 2008, o advogado Valmir de Araújo Costa Filho comprou o imóvel. Ele afirma ter se encontrado com Denucci antes de fechar o negócio e que a dívida soma hoje aproximadamente R$ 225 mil.


"Ele disse que pagaria em dia. Disse que ia vender a empresa e pagar a dívida", afirmou Costa Filho. De acordo com ele, o imóvel foi desocupado em novembro passado, sob ordem judicial de despejo.