sexta-feira, setembro 04, 2009

MERVAL PEREIRA


Aécio vai à luta

O GLOBO - 04/09/09



O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, vai dar uma sinalização forte de que está empenhado mesmo na campanha para ser o candidato do PSDB à sucessão do presidente Lula. Em novembro, ele vai se licenciar por 15 a 20 dias para “se mudar” para o Nordeste, onde pretende fazer uma programação intensa de viagens e encontros políticos pela região e pelo Norte do país.

A posição de Aécio Neves continua inalterada: ele pretende até dezembro mostrar que tem condições de agregar apoios políticos em partidos que hoje estão na base do governo — PP, PSB, PDT, PTB — e se tornar mais conhecido nacionalmente.

O objetivo é dar base a uma candidatura que quebraria a polarização entre o candidato do PT, que seria o reflexo de Lula, e o do PSDB — eleição plebiscitária que interessaria ao governo Lula.

O governador mineiro tem pesquisas mostrando que, entre os que conhecem bem tanto ele como o governador José Serra, ele é mais votado que o colega paulista.

Sua proposta é fazer uma campanha menos radicalizada, mas não pretende criar nenhum tipo de constrangimento a seu partido se a maioria considerar que Serra é o melhor candidato.

Dúvidas no pré-sal

Cresce no Congresso, mesmo na base aliada do governo, a sensação de que não é possível discutir a questão do présal no prazo exíguo de tempo que a urgência constitucional mantida pelo governo impõe.

Há tantas questões não resolvidas, tantas dúvidas jurídicas, que o assunto necessariamente levará mais tempo para ser definido em lei do que requer o calendário eleitoral dos governistas.

Um dos argumentos para tanta urgência é, segundo o deputado Henrique Fontana, líder do PT, a necessidade de capitalização da Petrobras.

Segundo ele, a empresa, que neste momento tem enorme oportunidade de negociações com vistas a iniciar o processo de exploração do petróleo da camada pré-sal, não pode ficar esperando por muito tempo para ter plenas condições de operar.

Além do fato de que essa capitalização é juridicamente questionável, e certamente será disputada na Justiça, com a mudança do regime para o de partilha, o governo fica sem condições de adiantar os recursos para financiar a exploração, o que poderia fazer dentro do sistema de concessão.

O chamado “bônus de assinatura”, que não é compartilhado por estados e municípios, poderia dar ao governo uma verba imediata estimada pelos especialistas em no mínimo U$ 25 bilhões.

Usando-se as estimativas que o governo está utilizando para a capitalização da Petrobras, as reservas de um campo de 5 bilhões de barris teriam valor de comercialização imediata de U$ 50 bilhões.

Um lance de 5% do valor econômico da reserva seria facilmente alcançável pelo sistema de concessão, e o governo poderia conseguir até mais se estabelecesse um lance mínimo acima disso na disputa entre as operadoras interessadas, partindo do princípio de que o pré-sal é “um bilhete premiado”.

Com o regime de partilha, e a Petrobras sendo proprietária de 30% de todos os campos, e também a única operadora, a expectativa é que se tenham lances muito menores.

Essa ressalva foi feita pelo Secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado do Rio, Julio Bueno, em sua apresentação na reunião do Palácio Alvorada. Com uma única operadora, a Petrobras, todo o mercado de bens e serviços da cadeia produtiva do petróleo ficará fechado, criando dificuldades para a internacionalização do setor, impedindo ainda o intercâmbio de tecnologia para a exploração do pré-sal, uma área ainda nova na exploração petrolífera.

Há ainda a incerteza jurídica sobre a legalidade de o governo atribuir um privilégio à Petrobras. Segundo o senador do Rio Francisco Dornelles, a Constituição veda às empresas estatais privilégios não concedidos às empresas privadas.

O sistema de concessão tem a vantagem, para os governos nacionais, de eles deterem as reservas, sob a alegação de que é necessário o controle estratégico da produção de petróleo.

Mas, mesmo no regime de concessão, esse controle estratégico poderia ser exercido pelo Conselho Nacional do Petróleo, que é responsável pelo ritmo das licitações, e pela Agência Nacional do Petróleo, que aprova os planos de produção dos campos.

Assim, tanto o ritmo da exploração e até mesmo a exportação do petróleo produzido nos campos licitados poderiam ser controlados pelo governo federal sem mudar o marco regulatório, que também equilibraria o fluxo de dólares que poderá entrar no país.

O governo poderia também aprovar uma lei que permitisse à União escolher, mesmo sem licitação, uma empresa para explorar determinada área considerada de importância estratégica, como salienta o senador Francisco Dornelles.

E colocar cláusulas que permitissem, em caso de necessidade de preservar a segurança nacional, a utilização dos campos, mesmo os já licitados. Até mesmo não colocar em licitação certo número de campos, para manter uma reserva estratégica em seu poder.

Todas essas exceções seriam menos custosas do que mudar o sistema de exploração, que pode colocar em risco os investimentos altíssimos necessários à exploração do pré-sal. E também mais baratas do que manter nova estrutura estatal como o Petrosal, que aumentará os custos para o governo nessa área.

O secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio, Julio Bueno, chamou a atenção para o fato de que as empresas de petróleo cada vez mais têm seu valor de mercado correlacionado às reservas que possuem, e o regime de partilha torna menos atrativo o investimento privado, pois as empresas não podem contabilizar no seu patrimônio as reservas em que investirão.

MAIS UM ESCONDERIJO

DORA KRAMER

O debate pelo embate

O ESTADO DE SÃO PAULO - 04/09/09

Ao fim de uma longa entrevista ao jornal Valor sobre o modelo de exploração do pré-sal publicada na edição de ontem, a ministra Dilma Rousseff foge a uma questão fundamental. Recusa-se a dizer como a questão do pré-sal será tratada durante a campanha eleitoral.

Simplesmente não responde. Copia seu antecessor na Casa Civil, José Dirceu, quando questionado sobre as incongruências entre o discurso na oposição e a prática do PT no governo: considera o questionamento uma indignidade em si.

Da mesma forma como Dirceu estava obrigado – mas não se considerava assim – a explicar a mudança de posição do PT, por exemplo, quanto à Previdência Social, Dilma Rousseff estaria na obrigação de dizer de que forma o modelo de exploração do pré-sal será tratado durante a campanha que, até onde a vista alcança, a ministra protagoniza como candidata.

Assim como Dirceu à época se desobrigou unilateralmente a uma satisfação à sociedade sobre o modelo de gestão da Previdência, reagindo como se a pergunta encerrasse uma provocação injustificada, Dilma trata a indagação dos jornalistas Cláudia Safatle e Cristiano Romero como manifestação de impertinência a ser descartada.

Foge, assim, do principal. Sim, porque ao governo – está evidente – interessa muito pouco ou quase nada discutir o interesse nacional. Não importa a construção do consenso, muito menos o exame das variantes em jogo.

Nada, nesse cenário de uma esdrúxula imposição de urgência ao Congresso, diz respeito ao debate e tudo se refere ao embate das forças políticas em preparação para o antagonismo eleitoral. Mais uma vez, o governo dedica-se à arquitetura do velho truque de fazer o malfeito e transferir a responsabilidade do prejuízo à oposição. Age, portanto, de má-fé.

Em 90 dias – 45 para a Câ mara e 45 para o Senado – é obviamente impossível o Congresso debater seriamente uma questão desse porte. Ainda mais que toda a discussão dos projetos ocorreu exclusivamente no âmbito do Poder Executivo durante seus quase dois anos de elaboração.

Fosse o governo preocupado com o ato de governar, sua missão seria a de incentivar o debate do tema no Congresso e, sem prejuízo da defesa de suas posições, atuar como poder moderador na formulação de propostas que contemplem os interesses das forças representadas no Parlamento.

Mas como o foco do presidente Lula e companhia é exclusivamente eleitoral e a lógica, por isso mesmo, a da disputa permanente, aos artífices da política palaciana ocorreu o estratagema da urgência. Se colasse, seria apenas mais um episódio de submissão do Legislativo a ser contabilizado como “vitória” governista.

Não colando – como de fato não colou –, recorre-se ao discurso da falta de patriotismo da oposição. Seguido, evidentemente, da acusação de que aos partidos adversários do governo só sensibiliza o embate político.

A defesa dos interesses da nação, por essa ótica, significa aceitar sem discussão o prato feito do Planalto. O tom da ministra Dilma na referida entrevista ao Valor é de uma impertinência ímpar. Segura de que o proposto é a representação pronta e acabada da excelência, ela considera “primários” os argumentos dos que contestam o modelo “que até um marciano entende”.

A essa mesma arrogância já havia recorrido em público para qualificar como “rudimentar” o plano de ajuste fiscal elaborado pelo então ministro da Fazenda, Antonio Palocci. E por que a pressa? Elementar. Para não dizer que a razão chega a ser rudimentar.

Porque o ano que vem é de campanha e, se o Congresso não aprovar os projetos neste semestre, só depois da eleição, quando poderá ser escolhido um presidente não aliado a Lula e – risco dos riscos – o próximo governo “faturar” politicamente a instituição dos marcos de exploração do pré-sal.

Quer dizer, o objetivo não é fazer as coisas bem feitas, de forma a contemplar o interesse coletivo, mas fazer o mais rápido possível de modo a atender ao objetivo específico de um governante que quer passar a ideia de que o petróleo é dele.

Fauna

O sociólogo e especialista em marketing político Antonio Lavareda faz em seu novo livro a ser lançado em breve – Emoções ocultas e estratégias eleitorais – uma análise sobre a denominação “tucano” dos filiados e simpatizantes do PSDB, ao buscar uma explicação para o baixo índice (7%) de preferência partidária registrado nas pesquisas.

“A expressão não deixa de ser simpática. Mas terá alguma utilidade, agrega alguma coisa? Certamente que não”, conclui, para apontar que a utilização de animais como símbolos é corriqueira.

Nos Estados Unidos os democratas têm o burro como marca e os republicanos, o elefante.

Nem por isso se referem a si – nem são assim conhecidos – como os “burros” ou os “elefantes”. Cita pesquisa feita em 2007 segundo a qual a designação a “social-democrata” é positiva para 55% dos entrevistados.

JOSÉ SIMÃO


Ueba! Tem pré-rereca no pré-sal!

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/09/09



Primeiro tem o oceano, depois uma camada de sal, depois o pré-sal. E aí vem o Fluminense


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Adorei esse motel em Conselheiro Lafaiete, em Minas: Motel Scala. Em breve, entrada e saída pelos fundos! E quando vai ser esse breve? Rarará!
E sabe o que eu vou dar pra minha sogra? Uma cama redonda. Porque cobra gosta de dormir enrolada. E o site Éramos Seis criou o "kit tormento": um livro do Sarney, uma camisa do Fluminense e o DVD da Vanusa cantando o Hino Gardenal Brasileiro! Aliás, diz que a Vanusa inventou uma doença nova. Não é labirintite, é LA BIRITITE! Rarará!
E essa: Senado aprova divórcio pela internet. Sabe qual é o e-mail? divorcio@tudodomarido. Rarará! E o Lula com o pré-sal? Avisa pro Lula que eu prefiro uma pré-rereca que um pré-sal. E tem um novo programa pré: pré-varicação, vaca para todos. Todo brasileiro terá direito a uma vaca.
E um leitor me disse que o Lula com essa história de pré-sal tá um pré-no-salco! Rarará! Entenda o que é o pré-sal: primeiro tem o oceano, depois uma camada de sal, depois o pré-sal. E aí vem o Fluminense. Embaixo de tudo está o Fluminense. E a Xuxa disse que a Xaxa escreve errado porque foi alfabetizada em inglês. Pelo Joel Santana. Rarará! A Xaxa foi alfabetizada em inglês pelo Joel Santana!
E essa direto de Campinas: aposentado furta linguiça e esconde na cueca! Como ele já tinha aposentado a dele, resolveu comprar uma nova! E o Collor foi eleito para a Academia Alagoana de Letras (ops, de Tretas) sem nunca ter escrito um livro. Injustiça. Diz que quando era prefeito de Maceió, ele mandou editar um novo catálogo telefônico. Péssimo enredo, mas tinha personagem que não acabava mais! É mole? É mole, mas sobe! OU como disse aquele outro: é mole, mas chacoalha pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha "Morte ao Tucanês". Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Campos do Jordão tem uma loja perfeita para mulheres: Pinto & Flores! Rarará!
Mais direto impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil! E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Burguesa": companheira viciada em hamburguer! Uma hamburguesa! O lulês é mais fácil que o ingrêis! Nóis sofre mas nóis goza! Hoje só amanhã!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! Acorda Brasil!
Que eu vou dormir!

GOSTOSAS


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ELIANE CANTANHÊDE

A faca, o queijo e muito mais

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/09/09


BRASÍLIA - Ano eleitoral e fim de crise econômica são uma combinação perfeita para fazer jorrar dinheiro em projetos mui populares. Dinheiro não só do Tesouro mas de toda e qualquer fonte que venha a somar -sobretudo, votos.
Além dos R$ 100 bi para capitalizar a Petrobras e para explorar o pré-sal e o nacionalismo, principais bandeiras governistas, há muitos outros cifrões programados para 2010. Ninguém segura este país.
Nem as contas.
Para a massa do eleitorado, e excluindo o já bem conhecido Bolsa Família, há os R$ 7,3 bi do Orçamento para o Minha Casa, Minha Vida e o pacote de R$ 14,5 bilhões do Banco do Brasil para micro e pequenas empresas. Ou seja, para o sr.
João da padaria, ou para a d. Maria da loja de doces, com todos os seus funcionários e clientes.
Isso tudo sem falar em mais um aumento real tanto do salário mínimo como das aposentadorias. Uma bolada estimada em R$ 8 bi a mais para um e em R$ 3 bi a mais para os outros em 2010.
Quem pode ser contra? Qual candidato de oposição pode condenar verbas para o pré-sal, para o Bolsa Família, para as micro e pequenas empresas, para a casa própria, para o mínimo, para os aposentados?
A concorrência é desleal e ameaça a alternância de poder. Se a economia mundial cresce e o governo aproveita bem e gasta muito, quem está sentado no cargo faz regras a seu favor e inevitavelmente vai se re-reelegendo. Daí a onda populista-continuísta da América do Sul.
Chávez, Evo Morales e Rafael Correa já mudaram as leis para o terceiro (ou quarto, quinto...) mandato. À direita, digamos assim, agora é a vez de Alvaro Uribe. Como presidentes, eles têm a faca, o queijo e os bilhões da máquina a favor de seus projetos eternizantes.
Ainda bem que, por aqui, e por enquanto, os governantes não podem jogar tudo isso nos seus próprios palanques. No máximo, nos dos seus candidatos. Ou candidatas.

WASHINGTON NOVAES

Censura para alguns, vale-tudo para outros

O ESTADO DE SÃO PAULO - 04/09/09



Quando faltavam três dias para completar um mês desde que um juiz de Brasília impôs a inacreditável censura prévia a este jornal - impedindo-o de cumprir sua missão de levar informações que deveriam ser públicas à sociedade (que tem o direito de acesso a elas) -, o
Judiciário envolveu-se em mais um desses episódios que o tornam parte decisiva da atual crise institucional do País. E o fez com uma sentença do Supremo Tribunal Federal (STF) - por maioria escassa - que retira mais um direito dos cidadãos, o do sigilo em suas contas bancárias, e na prática dá a autoridades livre acesso a elas, que lhes deveria ser vedado. E ainda com a diferença de entender que o único culpado é o dirigente da instituição bancária que violou o sigilo; um ministro (na época do incidente) e seu assessor de Comunicação, a quem as informações sigilosas foram levadas, de nada têm culpa. Com isso o ex-ministro não precisa ser processado e pode candidatar-se a altos cargos públicos, embora ainda responda a uma dezena de processos por improbidade administrativa.

Não é o primeiro imbróglio que leva o
Judiciário à frente do palco onde já se encontram o Legislativo e o Executivo. O primeiro, com escândalo atrás de escândalo, tem 30 dos 81 senadores respondendo a processos por crimes de natureza pública, ao lado de 165 deputados federais processados pelas mesmas razões. O segundo, no jogo da manutenção do poder, alia-se a inimigos que denunciava ontem, fecha os olhos ao que for preciso. Mas tudo configura um quadro que leva a temer rupturas indesejáveis, dado o horror que vai tomando conta de boa parte da sociedade.

Censura à comunicação nos termos em que foi decretada por um juiz leva a memória de volta aos tempos mais duros do regime militar, em que até porteiros de Ministérios se davam ao desplante de, por telefone, ordenar a órgãos de comunicação que não divulgassem este ou aquele fato. Sem apelação. Ainda com muitos textos em seus arquivos, todos simplesmente vedados por inteiro com um enorme X atravessando as páginas, o autor destas linhas se lembra de um episódio muito demonstrativo da prepotência, na época em que dirigia a redação do Globo Repórter (da Rede Globo), na década de 70. Ali, os roteiros finais e os programas gravados tinham de ser vistos e aprovados por censores da
Polícia Federal, que impunham cortes parciais ou totais, sem nem sequer justificar a decisão. Foi assim com programas sobre as invasões no Pontal do Paranapanema, sobre o desaparecimento de Sete Quedas, sobre riscos da energia nuclear, sobre poluição em Salvador e em rios que deságuam em sua baía, sobre a vida de um delinquente juvenil - Wilsinho Galiléia - morto aos 17 anos pela polícia (programa dirigido por João Batista Andrade).

Talvez o caso mais aberrante tenha sido o de um documentário adaptado da TV inglesa e ali já exibido, sobre pigmeus africanos. A censora que assistia à versão final determinou a este escriba que cortasse toda a sequência mais bonita e emocionante, que documentava com muita delicadeza o nascimento de um pigmeu, sua saída do ventre da mãe. E ante a pergunta sobre as razões desse corte, limitou-se a censora a responder: "Porque uma criança não pode ver isso, uma mulher nua dando à luz." Ante o argumento de que as crianças do Rio de Janeiro (onde estávamos) e de outros lugares viam todos os dias mulheres de biquíni e "fio dental" nas praias, praticamente nuas, insistiu: "Mas é imoral." Um terceiro argumento - "é inacreditável que a senhora, mulher, considere imoral o momento mais bonito da vida das mulheres" - de nada adiantou, a censora foi categórica: "Corta!" E cortada foi toda a sequência.

Estaremos nos aproximando de tempos semelhantes, e não apenas por causa de censura prévia à comunicação, de um lado, e liberalidade inaceitável para poderosos? Que dizer do quadro da Justiça no País, que a toda hora volta a ser objeto de noticiário, por causa de episódios extremos?

Quando escreveu o capítulo A conquista dos direitos e o acesso à Justiça para o Relatório do Desenvolvimento Humano no Brasil 1996 (do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), o autor destas linhas documentou na Justiça brasileira um quadro preocupante: 25% dos cargos de juiz não preenchidos, processos acumulados às centenas de milhares em todos os graus, a cidadania "em boa parte um atributo de apenas uma parte da população; em amplas áreas a exclusão social não permite sequer o reconhecimento dos direitos fundamentais, muito menos o acesso à Justiça" (será que o caseiro Francenildo, que teve seu sigilo bancário violado, aí se reconheceria?).

Seria outro o quadro hoje? O noticiário das últimas semanas informa que há 45 milhões de processos à espera de julgamento na Justiça. Só em 2008 deram entrada 70,1 milhões de ações novas; em 2007 haviam sido 67,7 milhões. E o estoque crescendo.

A garantia do reconhecimento dos direitos do cidadão inscritos na Constituição é um dos pressupostos da democracia. Mas quando não pode contar com a Justiça, a quem o cidadão recorrerá? À força, correndo riscos? E se a isso se agrega a descrença nos outros Poderes da República, como ocorre agora com parte dos cidadãos?

Teremos de repensar esse quadro institucional, inclusive para escrever na Constituição que a informação é um bem da sociedade e o acesso a ela, um pressuposto da democracia ("quem tem mais informação tem mais poder", costuma-se dizer). A experiência da censura no período militar mostrou à exaustão os males a que se submete a sociedade. Não podemos chegar a outra situação terminal. Mas é fundamental que a sociedade seja capaz de formular os caminhos reparadores. É preciso repetir e repetir que apenas a "retórica da indignação" que presenciamos hoje, sozinha, a nada leva. É decisivo fazer chegar ao mundo da política as propostas da sociedade para mudar os nossos rumos.

O IDIOTA


TODA MÍDIA


Investir ou desperdiçar?

NELSON DE SÁ

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/09/09



Revista liberal, a nova "Economist" trata do pré-sal sem questionar a presença do Estado. Até sublinha que os contratos foram respeitados. Em "A política de petróleo do Brasil", prefere perguntar se "a riqueza será investida ou desperdiçada". Alerta que, "como Lula apontou", o que parece um bilhete premiado pode virar maldição -com o fundo social assaltado por interesses diversos, sublinhando que "tal desastre está ao alcance da mão dos congressistas do país", dos "escândalos recentes".

GLOBO FILMES
video.globo.com

No alto da home page do G1 e da Folha Online, estreou ontem o trailer de "Lula - O Filho do Brasil", abrindo com o logo da Globo Filmes e trazendo cenas desde já dramáticas com os vários intérpretes do presidente -e Glória Pires, que faz sua mãe

"GRANDE PUISSANCE"
A entrevista de Lula à agência France Presse ocupou ontem as buscas de notícias do Brasil em diversas línguas. No despacho mais destacado, o enunciado em francês foi "O Brasil será uma grande potência do século 21, segundo Lula". Em inglês, "Grande potência, Brasil fica ao lado do Irã e da Venezuela, diz Lula". Em português, "Lula quer Brasil comprometido em todas as frentes diplomáticas".
A entrevista vai ao ar no domingo, na rede francesa TV5, quando Nicolas Sarkozy desembarca em Brasília como convidado especial do Sete de Setembro.

FUTEBOL...
Um segundo despacho destacado por Yahoo News e Google News trazia por enunciado que "Lula deplora que a Europa esteja roubando os melhores jogadores do Brasil", onde, diz ele, "os estádios estão se esvaziando e os jogos estão menos interessantes".

AVIÃO...
Ao fundo, um terceiro despacho com a entrevista sublinhava que "Lula expressa sua preferência pelo avião francês Rafale", para renovar a frota brasileira de jatos. Foi a reportagem que mais ecoou nos sites da imprensa francesa.

E MÍDIA
Um quarto despacho foi o que ecoou nos sites da imprensa brasileira, sob o enunciado "Lula: Eu não faria o que Chávez fez nos meios de comunicação", por ter "nascido na política" com a imprensa.

A NOVA MOEDA GLOBAL
"Wall Street Journal" e "China Daily" noticiaram que a "China vai comprar US$ 50 bilhões em títulos do FMI" e que "Brasil, Rússia e Índia" são os próximos na fila para adquirir os SDR, como são chamados os títulos do Fundo. O "CD" chega a mencionar, como valor, "SDR 35 bilhões". Segundo um integrante sênior da instituição Brookings, "O simbolismo é muito importante aqui: a China agora não tem mais acesso limitado ao dólar".

"DIVA"
gawker.com

A jornalista Sarah Lacy, do blog TechCrunch, postou desabafo por não ter obtido visto a tempo. "Minha viagem ao Brasil está cancelada. Culpem seu governo." Ela queria conhecer "start-ups" brasileiras. O Gawker logo fez piada, com foto e o título "Diva em ataque ridículo"
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LUIZ GARCIA

Chamem o Casé

O GLOBO - 04/09/09

Por alguma razão nunca explicada, o Brasil é um país de importantes arquitetos.

Vai ver, é porque não falta espaço. Ou porque a natureza ajuda: tantos cenários tão bonitos estimulam ao mesmo tempo que desafiam a imaginação do pessoal.

É verdade que, quando se pensa em arquitetura, a plateia pensa principalmente em Oscar Niemeyer, esse fenômeno de artista e profissional que não parou de trabalhar, aqui e lá fora, mesmo depois de chegar aos cem anos de idade. No artista, não se estranha a longevidade.

Mas no arquiteto, que precisa combinar a criatividade com o rigor técnico, seria natural esperar-se que aposentasse o lápis na idade com que outros profissionais se resignam a descansar, vendo o resto da vida passar.

O Rio certamente tem muita construção bonita convivendo, sem medo do confronto, com o trabalho de alto nível do Criador. É claro que também não nos faltam crimes arquitetônicos e de engenharia como, por exemplo, as muralhas de concreto que enfeiam Copacabana.

A passarela e o obelisco do Bar Vinte, obras de Paulo Casé, provocaram um episódio inédito na história de nossa arquitetura. Pela primeira vez, houve quase unanimidade na opinião popular sobre elas: o veredicto era de que simplesmente não deram certo.

Principalmente, a danada da passarela, principalmente porque nela ninguém passava: não levava a lugar algum e, segundo moradores, poderia servir de escada para ventanistas (se alguém não ainda não sabe, ou já esqueceu, são ladrões especializados em entrar pela janela da gente). O obelisco não é ilógico: até ajuda a separar as mãos do trânsito.

Mas o pessoal também não gosta, e parece que também está condenado.

Casé tem algum direito à indignação que tem demonstrado contra a limpeza da área. Nunca antes um governo se atrevera a meter a picareta em obra de um arquiteto de sua reputação.

Mas também é verdade que o atrevimento — se a expressão é correta — teve ibope altíssimo.

Há uma solução inteligente para tudo isso. Primeiro, atende-se à vontade popular, e o obelisco também vai por terra. Depois, chama-se um dos bons arquitetos da cidade, para propor uma solução igualmente estética e racional para aquela área de fronteira entre Ipanema e Leblon. Não seria absurdo que o convocado fosse o muito bom arquiteto Paulo Casé.

PAINEL DA FOLHA

Curriculum vitae

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/09/09

Em campanha para emplacar José Antonio Toffoli na vaga aberta no STF com a morte de Carlos Alberto Direito, integrantes do governo saíram a campo para tentar neutralizar a informação de que o advogado-geral da União foi reprovado na primeira fase dos dois concursos que prestou para virar juiz (1994 e 1995).
Além de argumentar que os reveses ocorreram há 15 anos, e que desde então Toffoli aprimorou os conhecimentos jurídicos, a ideia é promover o balanço de sua gestão na AGU. Em destaque, uma anunciada economia de R$ 476 bi para a União graças à ação do órgão _R$ 221 bi teriam resultado do entendimento de que o crédito prêmio de IPI foi válido apenas até 1990.

Na muda - Apoiado pelo PT, mas alvo da resistência de ministros do Supremo e de Nelson Jobim (Defesa), Toffoli tem preferido o silêncio.

Sem vontade - De Lula, saindo da reunião com líderes da base sobre a tramitação dos projetos do pré-sal: ‘Não estou com nenhuma disposição para rever a urgência’.

Mineirice - Aécio Neves (PSDB-MG) foi aconselhado a pular fora do discurso belicoso contra os Estados produtores do pré-sal, entoado por Eduardo Campos (PSB-PE). Na Bahia, ontem, o tucano falou em repartir recursos, mas com foco no bolo da União.

Amarrado - Um ministro justifica o veto de Lula à compra de ações da Petrobras com o FGTS: ‘Entre outras coisas, estamos usando muitos recursos do Fundo para financiamento imobiliário’.

Vips - A segurança da Presidência foi investigar furos que teriam permitido o protesto do Greenpeace durante a cerimônia do pré-sal. Descobriu que os militantes entraram como convidados do Ministério do Meio Ambiente.

Jabuti 1 - Os servidores da Universidade Federal do Acre receberão seus salários hoje, com dois dias de atraso. Foram acrescidos na folha de pagamento, de R$ 7,8 mi, R$ 3 mi destinados a 25 servidores ativos e 220 inativos a título de ‘despesas de exercícios anteriores’. A folha foi reprocessada para eliminar a quantia.

Jabuti 2 - Em 2008, o Ministério do Planejamento já havia feito intervenção semelhante na folha da universidade. O novo pagamento foi percebido pela auditoria permanente que a pasta vem fazendo nas despesas de pessoal.

Jabuti 3 - O TCU, que desde abril tem acesso online ao sistema de pagamentos dos servidores, também investiga o caso do Acre. O Planejamento suspendeu as senhas de acesso ao sistema de vários servidores e enviou pedido de processo ao tribunal e à PF.

Hélices - Ganhou o apelido de ‘Vianacóptero’ o aparelho de R$ 7,9 milhões comprado pelo Acre da Helibras, empresa cujo conselho administrativo é presidido pelo ex-governador Jorge Viana (irmão do senador Tião). Decorado com vistosa estrela do PT, ele está na mira do Ministério Público Federal.

Borracha - Marina Silva escalou Iamar Pinheiro para arrebanhar filiados na maratona que o PV realiza amanhã no Acre. Iamar é filha do seringueiro Wilson Pinheiro, assassinado nos anos 80.

Excessivo - Em geral tolerante com a prestação de serviços de Papaléo Paes (PSDB-AP) a José Sarney, a cúpula tucana avisou ao senador que, se insistisse em empregar no gabinete a mulher do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia, ficaria sem legenda para tentar a reeleição em 2010.

Tiroteio

A pressa em votar os projetos do pré-sal faz parte do PAN, o Plano de Aceleração dos Negócios.
De ROBERTO FREIRE , presidente do PPS, sobre a insistência do governo em manter o regime de urgência na tramitação dos projetos do marco regulatório.

Contraponto

Drible da vaca

Um dia depois de se filiar ao PC do B, Protógenes Queiroz visitou ontem o plenário da Câmara, onde acabou recepcionado pela correligionária Vanessa Grazziotin (AM). No comando da sessão, Inocêncio Oliveira (PR-PE) aproveitou a oportunidade para alfinetar Chico Alencar, cujo partido foi o primeiro a cortejar o delegado da PF:

- Eu pensei que o dr. Protógenes iria se filiar ao PSOL.
Conhecido pelo bom humor, Alencar rebateu a provocação com uma metáfora boleira:
- É que ele é como o Ronaldo: treinou no Flamengo, mas depois apareceu jogando pelo Corinthians.

GOSTOSA


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CLÓVIS ROSSI

Sinceridade e popularidade

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/09/09


LONDRES - Se eu fosse um homem de fé, rezaria fervorosamente para que algum líder político brasileiro relevante repetisse, de preferência em ocasião solene, o que disse o presidente do México, Felipe Calderón, em sua mensagem sobre o Estado da União.
"Os cidadãos não estão satisfeitos e percebem uma enorme brecha entre seus interesses e os dos governantes. O sistema político atual não é capaz de oferecer soluções. A política é, para os cidadãos, sinônimo de conflito e de paralisia. Temos que mudar o México, com todos os riscos e custos que implica".
Não é preciso ser Ph.D em nada para ver que o sistema político brasileiro, como o mexicano, não é funcional, além de ser sinônimo também de "corrupção", além de conflito e de paralisia.
Ao contrário dos líderes políticos brasileiros, que são campeões mundiais de autocongratulações ou, quando acuados, de recusar-se a aceitar a realidade, Calderón disse também: "Sou o primeiro a reconhecer que, ante o México a que aspiramos, o obtido é claramente insuficiente, e que, a este ritmo, tomaria muitos anos, quiçá décadas, para poder vislumbrar em fatos concretos o México que queremos".
O presidente mexicano foi além: "Temos que passar do sufrágio efetivo a uma democracia efetiva. É hora da mudança. Sejamos a geração que passou por cima de qualquer interesse particular e pôs à frente o interesse do México".
À vista do que aconteceu no Senado, recentemente, ou em crises anteriores, tenho plena consciência de que as orações que me proponho a fazer cairão no vazio.
Mas, no ano que vem, ano de eleições, talvez apareça alguém com grandeza suficiente.
Ah, franqueza não tira a popularidade, não senhor: Felipe Calderón, mesmo no meio de uma infernal guerra contra o crime organizado e enfrentando brutal recessão, tem 68% de aprovação.

ANCELMO GÓIS

EU NÃO MORDO, NÃO

O GLOBO -04/09/09

Para mostrar que não é o lobo mau do pré-sal, José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, convidou os dirigentes das empresas de petróleo privadas para uma reunião, hoje pela manhã.
ISLA DE MARGARITA
Lula e Chávez marcaram encontro dia 28 na Isla de Margarita, um dos mais procurados destinos na Venezuela.
É para assinar o acordo final entre a Petrobras e a PDVSA para a construção conjunta da refinaria Abreu Lima, em Pernambuco.
NOTA VERDE
O Ministério do Meio Ambiente vai publicar em breve a “Nota verde” dos carros brasileiros.
Trata-se de um relatório detalhado sobre o impacto no meio ambiente de todos os carros fabricados no Brasil, de modo que o consumidor saiba antes de comprar se o carro é bandido ou herói da causa verde.
VERDE E AMARELO
Aloizio Mercadante, na visita que fez ontem a José Alencar, brincou, depois que o vice explicou que o tratamento feito nos EUA contra o câncer não surtiu efeito:
– O senhor é tão nacionalista que seu organismo rejeita remédios americanos.
BAHIA UNIDA
Veja como Aécio Neves é ecumênico. Ontem, ele recebeu um título da Assembleia Legislativa da Bahia.
Foi festejado por líderes de todos os partidos políticos do governo e da oposição.
ÁLCOOL GEL AJUDA
Na véspera da visita de Sarkozy, segunda agora, o intérprete de Lula para o francês, Lúcio Reiner, pegou gripe suína.
Semana passada seu colega da Colômbia, Álvaro Uribe, com quem esteve na reunião da Unasul, também pegou a tal gripe.
E A MINHA CALOI?
Tem gente no Exército fazendo beicinho, porque até agora não ganhou nenhum presente especial de Lula. Ontem, o presidente expressou sua preferência pelo avião francês Rafale para renovar a frota de caças da FAB.
Para a Marinha, haverá, como se sabe, a compra de submarinos da francesa DCNS.
ALIÁS...
O ministro Nelson Jobim ainda vira herói nacional... na França.
POR FALAR...
A Marinha prepara a criação de uma segunda esquadra. Já decidiu que a base será o mais próximo possível da foz do Rio Amazonas.
É uma mudança estrutural, a primeira do gênero em 115 anos, desde que Floriano Peixoto, o segundo presidente do período republicano, confinou a esquadra nacional ao Rio de Janeiro por razões políticas.
VIVA FERNANDA!
Fernanda Montenegro, nossa grande atriz, vai ser homenageada dia 25 agora, pelo Festival Internacional de Cinema de Arquivo Recine.
O tema este ano é “O cinema nas ondas do rádio”, em comemoração aos 125 anos de nascimento de Edgard Roquette-Pinto.
HERMANOS NO AR
A Aerolíneas Argentinas renovará sua frota em breve com a compra de 20 aviões da Embraer.
BRIGA DE GIGANTES
A Coca-Cola ganhou ontem, por unanimidade, na 3ª Câmara Cível, ação movida pela Kraft Foods.
A briga foi por causa do lançamento no mercado do Aquarius Fresh. A Kraft Foods alegava que já produzia há muito mais tempo um suco com nome igual chamado Fresh.
Causa ganha pelo advogado Luiz Edgard Montaury Pimenta.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

FERNANDO GABEIRA

Você diz alô, eu digo adeus


FOLHA DE SÃO PAULO - 04/09/09

No momento em que o governo faz uma grande festa pelo pré-sal, a revista Foreign Policy'publica um número sobre o longo adeus do petróleo.

É tão grande o impacto festivo que um prefeito de Pernambuco perguntou: “Já posso contar este mês com o dinheiro do pré-sal?”

Ao governo interessa desinformar – para isso tem um grande aparato. Mas é fundamental nesse confronto fortalecer algumas teses. A primeira delas é de que o recurso do óleo deveria ser usado para nos libertarmos dele.

Parece simples. No entanto, pesquisas indicam que um terço dos royalties é gasto por algumas cidades para aumentar a máquina administrativa. Isso quer dizer dar mais empregos e aumentar o poder dos grupos políticos locais.

Fala-se em usar a Noruega como modelo econômico de exploração. Mas nada se fala no modelo de proteção ecológica de lá.

O interessante é que o Estado não combinou com os russos, e o modelo talvez não seja atrativo para empresas. A Petrobras cuida de quase tudo, drenando imensos recursos que poderiam se voltar para a energia renovável.

O importante é que houve uma grande festa. Alguns, como Sarney, saíram de sua pirâmide para celebrar; outros, como Dilma, de resguardo contra perguntas delicadas, reapareceram protegidos. Já havia legislação e toda uma história do petróleo no País. Mas a pressa em festejar parece maior que a de pesquisar e contabilizar os recursos para saber o que fazer com eles.

A diferença entre Obama e Lula em energia está no ministro que escolheram. Lá é um Prêmio Nobel de Física; aqui é o Lobão, que prepara uma nova estatal, para a alegria de netos, filhos e amantes.

Fazer um fogo e distribuir espelhinhos foi tática do poder desde a chegada dos portugueses.

Caramuru.

CLÁUDIO HUMBERTO

“O petróleo não é do presidente Lula, não é do PT, é do País”
PRESIDENTE NACIONAL DO PSDB, SENADOR SÉRGIO GUERRA (PE), SOBRE O PETRÓLEO DO PRÉ-SAL

CÂMARA: MÉDIA DE FALTAS ÀS COMISSÕES É 39%
É de 39% a média de faltas de deputados às comissões permanentes – aquelas que analisam projetos de Lei – na Câmara dos Deputados. Jader Barbalho (PMDB-PA) é o campeão de faltas com 100%, das quais apenas 25 são justificadas. Ele integra a Comissão de Ciência e Tecnologia. Em segundo lugar está o líder do PMDB, deputado Henrique Alves (RN), que faltou a 97% das reunião das comissões.
ATRASO
É o trabalho das comissões permanentes da Câmara adiantar o processo regimental, para que projetos sejam transformados em leis.
GAZETEIRO
Jader Barbalho também está entre os parlamentares que mais faltam às sessões plenárias da Casa: não foi a 43% das votações este ano.
MAU EXEMPLO
Presidente da Câmara, o deputado Michel Temer (SP) é o quinto no ranking dos gazeteiros: faltou a 87% das reuniões de comissões.
CAMPEÃO
O desconhecido deputado Professor Victorio Galli (PMDB-MT) é o mais assíduo da Câmara: faltou apenas a uma reunião das comissões.
BRIGA DE MINISTRO COM PAGOT CHEGA A LULA
O presidente Lula recebeu ontem, em horários diferentes, o ministro Alfredo Nascimento (Transportes) e seu subordinado, Luiz Antonio Pagot, diretor-geral do DNIT. Um falou muito mal do outro. Lula achava que poderia apaziguar os ânimos, mas relação entre Nascimento e Pagot é considerada “insustentável”. O diretor-geral do DNIT é acusado de não se submeter a orientação e chefia do ministro.
OBEDIÊNCIA
Desde que assumiu o cargo, Luiz Pagot prefere atender o padrinho Blairo Maggi, governador do MT, a seu chefe, Alfredo Nascimento.
NO BRAÇO
Com seu jeito esquentado, o ministro Alfredo Nascimento quase esteve a ponto de dirimir no braço suas diferenças com Luiz Antonio Pagot.
PROIBIDO PROIBIR
O site do Ministério Público do Acre reabriu suas “portas” ontem, eliminando o acesso por senha e fazendo jus ao nome.
SEQUESTRO DOS URUGUAIOS
O jornalista e escritor Luiz Cláudio Cunha, lança nesta sexta, no Rio, o livro Operação Condor – O Sequestro dos Uruguaios (L&PM). Será na Livraria Travessa, em Ipanema, às 19 horas. É leitura obrigatória.
CALMA, MENINAS
Não arrancarão os cabelos uma da outra, claro, mas é grande a irritação da deputada federal Luciana Genro (PSOL-RS) com a colega Manuela D’Ávila, que levou o delegado Protógenes para o PCdoB.
CICLOVIAS DO VIGÁRIO
O governo do DF reservou R$ 3,5 milhões para ciclovias nos lagos Sul e Norte, em Brasília, mas o DER gastou a grana e criou uma vigarice: “ciclofaixas” em acostamentos. Colocando a vida de ciclistas em perigo.
CONCHAVO
O senador tucano Álvaro Dias acertou com Roberto Requião (PMDB): será candidato do governador a sucedê-lo, frustrando a pretensão do irmão e também senador Osmar Dias (PDT) ao palácio Iguaçu.
ESTÔMAGO DE GESSO
O jornalista Sebastião Lucena ouviu e mal acreditou, quando o deputado estadual Antonio Mineral, ao criticar a qualidade da merenda escolar nas escolas paraibanas, afirmou em discurso: “O Gunverno pensa que as criança da Paraíba têm o estambo de geuço”.
CLUBE DE GOLFE TOMBADO
O governador do DF, José Roberto Arruda, assinará até o fim do mês a prorrogação por 30 anos do contato de comodato com o Clube de Golfe de Brasília, um dos mais belos do País, e em seguida decretará seu tombamento. Com isso, afastará a cobiça da indústria imobiliária.
SAI DA FRENTE
Saiu nos jornais o que esta coluna antecipou em julho: a criação da Secretaria dos Povos Indígenas, chefiada por Jecinaldo Maué, que cuspiu no rosto de um delegado da PF que o prendeu por desacato.
NOTA BAIXA
Professor do ministro José Gomes Temporão (Saúde) na faculdade, o presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio, Celso Ramos Filho, criticou na Câmara Federal a falta de Tamiflu nas farmácias.
PERGUNTA NÃO VICIA
A pressa de Lula no pré-sal será overdose da “cheiradinha” que recomendou?

PODER SEM PUDOR
DIA DE SENADOR
O deputado estadual mineiro Célio Moreira (PL) acompanhava certa vez a acalorada discussão sobre as obras paralisadas no metrô de Belo Horizonte, na Comissão de Infraestrutura do Senado, e se empolgou:
– Pela ordem, senhor presidente!
O senador José Jorge (PFL-PE), que presidia a sessão, pôs ordem na casa:
– Epa, aqui só quem pede ‘pela ordem’ somos nós, os senadores.
Como bom mineiro, o deputado fechou-se em silêncio.

O IDIOTA

SEXTA NOS JORNAIS

- Globo: Saúde pede nova CPMF mas, investe só 4% do previsto


- Folha: União quer maioria das ações da Petrobras


- Estadão: Um em cada 4 professores se forma em faculdades ruins


- JB: PM ganha reforço de 4 mil novos policiais


- Correio: Prepare o bolso ao estacionar


- Valor: Ofertas iniciais de ações retornam antes do esperado


- Estado de Minas: Pais foram a festa sem saber que filho estava lá morto


- Jornal do Commercio: Cortes e demissões nos municípios em crise

quinta-feira, setembro 03, 2009

AUGUSTO NUNES

SEÇÃO » Direto ao Ponto

O sósia de Patton e a reencarnação de Bolivar

3 de setembro de 2009

Sempre com a saúde debilitada, Nelson Rodrigues sentiu-se tão mal naquele dia que imaginou que iria morrer. Quais seriam suas últimas palavras?, quis saber um amigo na redação. “Você promete que publica?”, primeiro tratou de assegurar-se. Ao ouvir que sim, eternizou outra frase: “Que besta quadrada era o Karl Marx”.

Nelson Rodrigues se acharia pouco superlativo caso vivesse para ver o que virou a galharia sul-americana da árvore genealógica plantada por Marx. A árvore já foi muito frondosa. Depois da monumental implosão da União Soviética, as ramificações que se estendiam pelo mundo civilizado secaram. Os galhos da América do Sul continuam viçosos e dando frutos. O mais recente tem a cara do venezuelano Hugo Chávez.

Ninguém sabe direito o que é o socialismo revolucionário bolivariano. Nem Chávez. O que está claro é que o chefe da seita é um bisneto degenerado de Karl Marx. Saiu ao bisavô, diria o cronista genial se conhecesse a besta quadrada que, há 11 anos no poder, colocou em frangalhos a democracia venezuela e não para de armar confusões no subcontinente.

“É um farsante perigoso”, resume um general destacado para a Amazônia que conviveu dois anos com o coronel cucaracha. Ele acha apenas ridículas as recorrentes ameaças de invadir a Colômbia. “Mesmo com os acordos que celebrou com a Rússia e o Irã, a Venezuela não teria a menor chance num confronto armado com o vizinho”, explica. “Muito menos arriscado é financiar as FARC, como Chávez tem feito”.

O perigo mora do outro lado, sabe o Exército e fingem ignorar o Planalto e o Itamaraty. Com pouco barulho, mas inquietante frequência, Chávez vem reivindicando a posse da província de Essequibo, que representa dois terços da Guiana e roça a fronteira norte do Brasil. Em 13 de março de 2006, por ordem do aprendiz de tirano, a bandeira da Venezuela juntou mais uma estrela às sete já existentes. A oitava antecipa a incorporação de Essequibo.

No mapa oficial da Venezuela, a província aparece assinalada com traços diagonais, que identificam territórios contestados. Chávez prometeu mais de uma vez remover a bala esses traços ─ que há dois anos desapareceram dos mapas militares produzidos pelas Forças Armadas. Em tese, a Guiana é uma presa fácil: dispõe de 1600 homens, 3 lanchas de patrulha e nenhum avião de combate. Mas é improvável que o mundo inteiro encare a agressão absurda com a indulgência malandra dispensada pelo governo Lula ao companheiro delinquente.

Em 2 de abril de 1982, acuado pela crise política, o ditador argentino Leopoldo Galtieri exagerou no uísque e resolveu invadir as ilhas que chamava de Malvinas e os ingleses, donos do lugar, chamam de Falklands. Galtieri achava-se parecido com o general americano George Patton. Descobriu tarde demais que tinha alguma semelhança com o ator George C. Scott, que interpretou Patton no cinema mas não era parecido com o personagem.

Quase 30 anos depois, a Venezuela é governada por uma figura que se acha uma reencarnação de Simon Bolivar. Nem precisa de alguns tragos a mais para atacar a Guiana. Basta uma crise política. Se partir para a conquista de Essequibo, saberá que é mais prudente incorporar heróis de outros séculos num terreiro de macumba. Melhor detê-lo antes que venha a guerra.

VINÍCIUS TORRES FREIRE

Feliz aniversário, Wall Street


Folha de S. Paulo - 03/09/2009




Com subsídio estatal, mundo escapou da Segunda Grande Depressão; mas onde está o novo fator de crescimento?

O RENOVADO presidente do Banco Central americano, Ben Bernanke, quase declarou ter salvo o mundo da Segunda Grande Depressão, durante o encontro estival de BCs, ministros de Finanças e economistas em Jackson Hole (Wyoming, EUA), no final de agosto. Stephen Roach escreveu que Bernanke se comporta como o médico que salva miraculosamente o paciente, doente no entanto quase desenganado por ter sido vítima de barbeiragens do próprio médico -Bernanke. Tido como espírito de porco contumaz, embora bastante certeiro, Roach preside o Morgan Stanley na Ásia, após longa temporada como economista-chefe do banco, quando fez fama de urubu.
Mas o mundo de fato não derreteu na Segunda Grande Depressão. Em boa parte, o desastre final foi pontualmente evitado devido às ações de Bernanke. Entre os estertores de Bush e a chegada de Obama, ele tomou conta do barraco quase sozinho. O fato de as condições materiais de vida serem muito boas e de o Estado de bem-estar social não ter sido desmontado ajudaram a evitar a Depressão e eventuais tumultos políticos (sobre "condições de vida muito boas": lembre-se de que, nos anos 1930, muita gente passou fome e frio mortal no mundo rico).
É verdade também que o "plano Bernanke" basicamente foi (aliás é) um programa em que o Fed toma o lugar de largas partes do mercado financeiro (que faliu ou fugiu) e subsidia largamente a banca privada. Por fim, os governos torraram dinheiro das próximas gerações (fizeram grossa dívida) a fim de subsidiar o consumo e limpar a sujeira de Wall Street e cia. "Sujeira" é um termo leve e adequado a um jornal familiar.
A finança mais poderosa, rica e sofisticada do planeta promoveu a maior e a mais incompetente, trambiqueira, falaciosa e corrupta alocação de recursos desde o início dos tempos. Isto é, essa gente investiu onde não devia, destruiu poupança, malversou capital, ficou com os lucros e deixou a conta para os trouxas. Neste quase ano completo do estouro final da crise, trata-se de um feliz aniversário para a banca.
E para o resto? É difícil encontrar por aí um indicador econômico importante que continue a piorar. Ou melhor, alguns continuam a piorar, mas cada vez mais devagar, caso do desemprego americano. São agora mais raros os mercados, como o de imóveis comerciais nos EUA, ou de economias, como as do Leste Europeu e da Espanha, que ainda afundam. Parte importante da sensação de melhora, porém, se deve ao contraste com a "experiência de quase morte"; o doente continua ligado a muitos aparelhos para sobreviver.
O BC dos EUA, o Fed, sustenta ainda parte grossa do mercado de crédito nos EUA. O consumo privado se sustenta ainda com muito subsídio oficial. A produtividade e o lucro de empresas cresceu, como nos EUA, mas isso é corte de custos (demissões e queda de salários). Na recessão do início do século, bem mais benigna, os EUA saíram da crise com juros baixos e pendurados numa bolha, a imobiliária. Desta vez, quando e se acabar o subsídio público, de onde virá o dinheiro para impulsionar o consumo das ainda avariadas famílias dos EUA? Como o capital vai crescer -onde está a novidade do investimento privado?