sexta-feira, agosto 16, 2013

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

FOLHA DE SP - 16/08

Arrecadação de seguro geral avança 18,7% no semestre
As seguradoras que atuam no mercado geral, como na proteção de carros e residências, arrecadaram 18,7% a mais no primeiro semestre deste ano ante o mesmo período de 2012, segundo a FenSeg (federação do segmento).

O montante foi de R$ 22,7 bilhões para R$ 27 bilhões.

O aumento superou a previsão que havia sido feita pelo próprio setor no início do ano, de alta entre 10% e 12%.

"O segundo semestre normalmente é melhor que o primeiro, mas de janeiro a junho houve um crescimento excepcional. É possível que isso não se repita [no restante do ano]", diz Neival Freitas, diretor-executivo da entidade.

O total de indenizações pagas aos segurados cresceu em percentual menor (6,7%) no semestre, de R$ 13,9 bilhões para R$ 14,8 bilhões.

O valor das reparações pagas nos seis meses correspondeu a 55% do montante que as seguradoras receberam.

"De modo geral nesse mercado, os sinistros indenizados correspondem de 60% a 70% do arrecadado. Estamos com 55%. Então, em algumas carteiras é possível que haja condições até de melhora de preço [do seguro]", diz.

No segmento de automóveis, os valores ressarcidos aos segurados somaram R$ 8,6 bilhões, uma alta de 10% no primeiro semestre.

O volume de indenizações pagas em seguros de responsabilidades, que incluem proteções para executivos e na área ambiental, cresceu 35,7% no período.

Porto e universidade federal do RS fazem parceria
O porto e a universidade federal localizados no município gaúcho de Rio Grande fecharam um acordo para a elaboração de pesquisas sobre desenvolvimento sustentável.

A parceria, que tem duração de 60 meses, tem como objetivo a integração entre as instituições.

Até o final de 2014, a verba para aquisição de equipamentos e pagamento de bolsas estudantis deve chegar a R$ 25 milhões, segundo Dirceu Lopes, superintendente do Porto do Rio Grande.

Há duas décadas que o porto e departamentos da universidade trabalham juntos em pesquisas, diz Lopes.

"Agora, com a cooperação institucional, vamos montar um banco de dados público que poderá ser consultado para a tomada de decisões de políticas gerenciais do porto."

A superintendência vai dar suporte instrumental e financeiro, segundo Lopes, enquanto a universidade vai colaborar com sua experiência em pesquisa aplicada.

As linhas de estudo atuais envolvem o monitoramento de maré e vento e a análise da qualidade da água.

Uma pesquisa sobre a utilização de sedimentos de dragagem, como areia, para a geração de energia também está sendo feita.

Envoltório... O Inpev reciclou 25.185 toneladas de embalagens de agrotóxicos de janeiro a julho deste ano.

...vazio O número é 9% maior que o registrado no período de 2012, diz a entidade de fabricantes de agrotóxicos.

Carro... O volume de emplacamentos pela Eurobike subiu 36% no primeiro semestre ante o mesmo período de 2012.

...de luxo A empresa emplacou 1.905 veículos. As marcas de maior destaque foram BMW (603 carros) e Audi (553).

CASA PRÓPRIA
O crédito imobiliário de pessoas físicas e jurídicas no Itaú encerrou o primeiro semestre deste ano com um volume de R$ 29,5 bilhões.

Foram financiados mais de 16 mil imóveis, o que representou um aumento de 30% em relação ao estoque no final de junho de 2012.

No Bradesco, o valor da carteira chegou a R$ 25,3 bilhões no final de junho passado, uma alta de 30,8% ante o mesmo mês de 2012.

O Santander encerrou o semestre passado com um estoque de crédito imobiliário de R$ 21,5 bilhões, uma evolução de 24% ante o registrado em igual período de 2012.

O saldo da carteira do Banco do Brasil alcançou R$ 17,3 bilhões no fechamento de junho último e cresceu 76,3%.

Na Caixa Econômica Federal, por sua vez, atingiu R$ 66,1 bilhões. O salto foi de 43,9%, na comparação com o volume registrado no final do mesmo período de 2012.

Em junho passado, as operações com recursos de poupança totalizaram R$ 30 bilhões e R$ 23 bilhões com o FGTS. Pelo Minha Casa Minha Vida, o banco contratou R$ 28,5 bilhões no período.

7,4%

são a parte do PIB brasileiro a que corresponde o crédito imobiliário, segundo a Abecip (associação do setor)

21,6%

são o total correspondente no Chile

68,9%

são o equivalente nos EUA

SERVIÇOS CAROS
A inflação de serviços aumentou 0,71% na região metropolitana de São Paulo em junho ante o mês anterior, segundo a FecomercioSP. Essa foi a maior aceleração do ano.

Ao mesmo tempo, o preço dos produtos vendidos no comércio varejista recuou pela primeira vez desde março de 2012, com queda de 0,22%.

"Preço de serviço tem uma relação muito próxima com a ascensão da classe média. Por isso, esse indicador continua pressionado", diz Fábio Pina, da federação.

"No varejo, por outro lado, estamos voltando a um patamar menor do que no início do ano. Temos de ver, porém, se isso é uma tendência ou se foi apenas algo pontual."

A inflação conjunta de produtos e serviços subiu 0,23%, em média, em junho.

Esse aumento foi puxado pelos setores de vestuário (0,51%), habitação (0,47%) e transporte (0,42%).

A parcela da população que sofreu maior impacto com a alta de preços de produtos e serviços foi a classe D (0,45%).

"Os níveis sociais mais baixos são atingidos de forma mais aguda por preço de aluguel e passagem de ônibus, então há uma relação direta com os setores mais afetados", diz Pina.

Marcha lenta - CELSO MING

O Estado de S.Paulo - 16/08

Os primeiros indicadores da produção e da renda apontam para um segundo trimestre alguma coisa melhor do que o primeiro, mas não o suficiente para passar confiança no desempenho da economia.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) ontem divulgado mostrou um mês de junho substancialmente melhor (1,1%) do que o recuo (-1,5%) de maio. Mas, considerados os ajustes, o segundo trimestre avançou apenas 0,5% em relação ao anterior que, por sua vez, havia crescido 1,9%.

Concebido para antecipar o comportamento da economia, cujos resultados são divulgados apenas trimestralmente pelas Contas Nacionais (pelo IBGE) e, ainda assim, com um atraso de quase cinco meses, o IBC-Br ainda não tem conseguido a precisão pretendida. No primeiro trimestre, por exemplo, acusou, como ficou dito, um avanço de 1,9%, mas as Contas Nacionais apuraram apenas 0,6%.

De qualquer maneira, a percepção geral é de que os números definitivos do IBGE apontarão um segundo trimestre melhor do que o primeiro. Como o governo comemora qualquer coisa (como a presidente Dilma se empolgou com a "maravilha" da inflação de julho), a banda de música já está encomendada para o dia 30, quando sairão as Contas Nacionais do período de abril a junho.

Mesmo que essa expectativa mais otimista se confirme, não dá para garantir repeteco no terceiro trimestre. Ou seja, o crescimento econômico, ainda que insatisfatório, não se sustenta. As primeiras indicações de julho e de agosto não animam ninguém.

Mas isso é um pouco brincar de sobe e desce com esses e outros dados. É preciso conferir o que está por trás de mais um ano medíocre, sobretudo em crescimento econômico e inflação, com perspectivas de um 2014 também ruim.

Por mais que as autoridades da área econômica se esforcem para dizer o contrário, a sucessão de fiascos tem a ver com o desmonte da política econômica anterior e com a adoção da chamada Nova Matriz Macroeconômica que, decididamente, não deu certo.

Em nome de uma pretendida política anticíclica, o controle das finanças públicas foi relaxado; até abril deste ano, a meta de inflação foi substituída por uma meta de juros; o consumo foi exacerbado com redução de impostos sobre veículos, aparelhos domésticos e materiais de construção; o crédito fácil levou o consumidor ao endividamento; e a condução da rotina econômica foi marcada por iniciativas pontuais e de curto prazo - os conhecidos puxadinhos.

A esta altura, o governo se limita a improvisar, a tentar apagar os focos de incêndio com compressão artificial de preços e alguma iniciativa na área das concessões, quase sempre sujeitas a adiamentos por tempo indeterminado, como tem acontecido nas licitações de rodovias e, agora, com o trem-bala.

Mas, apesar do cavalo de pau que, desde abril, o Banco Central deu na sua política de juros, a confiança está abalada, o empresário não se encoraja a investir e as distorções vão aumentando, como as condições precárias do caixa da Petrobrás vêm demonstrando.

Dilma muda seu jeito de governar - CLAUDIA SAFATLE

VALOR ECONÔMICO - 16/08

Passado o susto das surpreendentes manifestações de protesto em junho, a presidente Dilma Rousseff decidiu, em julho, que não mais trocaria ministros, mas mudaria o seu jeito de governar. Somente os ministros que forem candidatos em 2014 sairão no fim do ano. Depois de conversas e reflexões, Dilma concluiu que duas falhas estavam comprometendo a sua gestão: ausência de diálogo com os empresários e com os políticos.

A base de apoio do governo no Congresso, então conflagrada, passou a frequentar as várias reuniões no Palácio do Planalto. Houve mais conversas nas últimas duas semanas do que em dois anos e meio de governo. Mas o resultado prático foi a aprovação, na Câmara, do orçamento de emendas impositivas, contra os interesses do Executivo.

Dilma despachou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para contatos mais próximos com o setor privado. Mantega foi encarregado de escutar e resolver os problemas que geram reclamações dos empresários interessados nas concessões. Tarefa que ele vem cumprindo à risca. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, também está acompanhando a evolução das regras das concessões e tem um quadro definido do que deve ser bem sucedido.

Os leilões começam dia 18 de setembro com as duas rodovias consideradas o "filé mignon" dos sete lotes que serão oferecidos ao setor privado: a BR-050, que liga Brasília a Santos, e a BR-262, que interliga os Estados do Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Mantega ficou de consertar projetos ruins de outros dois lotes, que superestimavam o tráfego e a taxa de retorno, e não descarta a eventualidade do governo vir a tocar as obras de trechos que não atraírem o apetite do investidor privado.

Um primeiro passo nessa direção foi dado na semana passada, quando se excluíram dois trechos do pacote de concessões, ligados à BR-163 no Mato Grosso por falta de viabilidade econômica. Estas foram convertidas em obras do PAC. Para o governo, o sucesso das concessões pode e precisa ser a chama que vai resgatar a confiança dos empresários. Portanto, a estratégia não comporta insucessos.

Uma das principais demandas das concessionárias de rodovias não foi atendida: o alargamento do prazo de cinco anos para a duplicação de todas as rodovias licitadas. O prazo passa a ser contado a partir do momento da assinatura do contrato, sem se ter a exata noção de como evoluirá o processo de licenciamento ambiental. Disso o governo não abriu mão.

Na avaliação oficial, um setor em que a modelagem está incipiente é o das ferrovias. Há o risco Valec - o quanto a promessa de que a estatal vai comprar 100% da carga será efetivamente cumprida, levando-se em conta que os prazos dessas concessões são de 35 anos. Estudos indicam que há trechos de ferrovias que só pagariam os investimentos feitos no longo prazo, em mais de duas décadas.

Outra mudança que assessores apontam como reflexo dos novos tempos foi o recuo do governo no uso de recursos da usina de Itaipu para financiar a redução da conta de luz. Em uma medida provisória aprovada no primeiro semestre, o governo foi autorizado a usar, antecipadamente, cerca de US$ 15 bilhões em receitas de Itaipu que entram nos cofres públicos até 2023. Mantega negou, recentemente, que pretenda usar esse dinheiro para mais uma estripulia contábil do Tesouro Nacional, lançando mão de receitas que serviriam a três novos presidentes.

O abuso nos artifícios contábeis para fazer superávit fiscal foi parte das razões da perda de credibilidade do governo. Desta vez, ao que parece, a iniciativa foi barrada por Dilma. Ela também afastou o secretário do Tesouro, Arno Augustin, da mesa de negociação dos projetos de concessões, informou uma fonte qualificada. Isso não teria sido, segundo esse assessor, um sinal de que Augustin está desgastado. Ele continua sendo próximo e contando com a confiança da presidente que quis, assim, preservá-lo.

Toda atenção, portanto, está centrada nas concessões. Além de Mantega estar cuidando pessoalmente de limpar as arestas que podem comprometer o sucesso dos leilões e de Tombini estar se inteirando de forma mais detalhada da avaliação que os empresários estão fazendo de cada setor que vai ser licitado, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, também está em linha direta com os investidores.

O sistema financeiro não ficou de fora dessa aproximação. Mantega e o secretário de Política Econômica da Fazenda, Márcio Holland, estão se reunindo com economistas e operadores do setor numa frente de interlocução até então mais restrita ao Banco Central.

Assim como fez com o controverso projeto do Trem de Alta Velocidade (TAV), no momento adiado por um ano, a presidente pretende, ainda, desidratar as obras da Copa e se concentrar nas que realmente têm chances de execução.

Dilma começou a viajar mais pelo país, a conversar com parlamentares - o que não significa necessariamente ceder às suas reivindicações - e está limitando o raio de ação do governo ao que pode ser executado e não apenas planejado e desejado.

As últimas pesquisas indicam uma recuperação da aprovação do seu governo, que chegou a cair para 30% e agora subiu para 36%. Ninguém espera que volte aos elevados patamares anteriores, mas assessores acreditam que ela chegará ao fim deste ano com algo próximo a 40% de aprovação, um índice considerado bom como ponto de partida.

É com essa performance que Dilma entrará no ano da reeleição, com a expectativa de que suas decisões não tenham vindo tarde demais.

"Bolsa empresário" - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 16/08

Os empréstimos do Tesouro aos bancos públicos, especialmente BNDES, pularam de R$ 14 bilhões para R$ 438 bilhões. Como o Tesouro se endivida a uma taxa muito maior do que vai receber, o subsídio escondido nessa operação já é de R$ 24 bilhões por ano. Esse é o tamanho do "bolsa empresário", que é equivalente à Bolsa Família. E o BNDES está neste momento pedindo mais empréstimos ao Tesouro.

No programa da Globonews, convidei dois economistas que olham de forma minuciosa as contas do governo: Gil Castelo Branco, da organização Contas Abertas, e Mansueto de Almeida, que trabalha no Ipea, mas não fala pelo órgão. As observações que faz são em caráter pessoal. É assustador saber os detalhes do que está sendo feito com o nosso dinheiro e comprometido em nosso nome.

Para Mansueto, o Brasil está fazendo uma agenda positiva, com as concessões, mas da forma errada. O BNDES está emprestando mais, porque o Tesouro está se endividando, e não porque ele tenha aumentado sua capacidade de financiamento. O marco regulatório não está claro, o governo tem fixado taxa baixa de retorno e, para compensar, aumenta o subsídio através do crédito, mas sem transparência sobre os custos embutidos.

Os empréstimos do Tesouro aos bancos públicos saíram de 0,4% do PIB em 2007 (R$ 14 bilhões) para 9,6% do PIB (R$ 438 bilhões hoje). Do total, 90% foram para o BNDES. Do resto, a maior parte foi para a Caixa.

Quanto custa isso para o contribuinte? Só uma parte desse preço está registrada e, mesmo assim, o governo diverge de si mesmo. Existem dois tipos de subsídio: o que o banco empresta abaixo da TJLP por determinação do governo e, por isso, recebe uma compensação do Tesouro a título de "equalização de juros"; e o que ele empresta a TJLP mais o spread, que também gera custos, mas não são contabilizados.

- No "restos a pagar", o governo admite que deve R$ 6,3 bilhões ao BNDES a título de equalização de juros, mas o BNDES, no seu balanço, registrou que tem a receber R$ 12 bilhões - diz Mansueto.

Há essa discrepância, mas pelo menos nesse tipo de empréstimo, há um registro do subsídio. A maior parte dos empréstimos do banco é a TJLP mais 1%. Como o Tesouro se endivida a juros maiores, há um custo também, só que não contabilizado.

- O TCU fazia a conta desse custo global, mas mudou o critério de uma hora para outra. Teoricamente não se sabe, mas é possível calcular: o custo médio do financiamento do Tesouro foi, no ano passado, de 10% e a TJLP foi 5%. O estoque desses empréstimos em 2012 era de R$ 400 bilhões (agora já é de R$ 438 bilhões). O Tesouro pagou na sua dívida 10% e receberá do BNDES 5% de juros. Calcule-se essa diferença sobre o estoque de R$ 400 bilhões e dá R$ 20 bilhões por ano. Se forem somados os R$ 4 bilhões por ano que o Tesouro tem que pagar na equalização de juros, o custo da "bolsa empresário" é de R$ 24 bilhões por ano, igual à Bolsa Família - calcula Mansueto.

É bom lembrar que o programa Bolsa Família beneficia 13,7 milhões de famílias, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social.

Gil Castelo Branco está preocupado com a confusão dos números brasileiros. Hoje, cada investidor, banco, economista faz sua própria conta sobre as contas do Brasil.

- Eu não sei a quem o governo pensa enganar. Um fundo de investimento com seus bilhões de dólares que queira investir no Brasil vai querer saber detalhadamente tudo: em quanto os dividendos das estatais estão sendo superestimados, qual é o verdadeiro superávit primário, de quanto seria a inflação se os preços das tarifas públicas não fossem represados, quanto o dólar vai impactar. E hoje não se tem clareza sobre nada disso - diz Gil.

Mansueto lembra que se o investidor não acredita nos números, se ele acha que há gastos escondidos que vão aparecer um dia, ele exige mais taxa de retorno para investir no Brasil. Conto amanhã mais erros nas contas públicas.

Dólar em alta, Brasil em baixa - VINICIUS TORRES FREIRE

FOLHA DE SP - 16/08

Nova onda de desvalorização rápida neste ano vai causar novos estragos na economia machucada


DESDE MAIO, a história da desvalorização do real pode ser contada quase tim-tim por tim-tim pelo aumento dos juros no mercado dos Estados Unidos.

Em suma, se o povo dos mercados pede juros mais altos para ficar com títulos da dívida americana, o dólar sobe aqui, quase na mesma toada. A tendência é a mesma no restante do mundo "emergente" e em países cujas exportações dependem bastante de recursos naturais, como nós.

A diferença é que temos apanhado mais. Se alguém chuta a bola dos juros nos EUA, ela entra no gol da nossa taxa de câmbio. A defesa está furada.

Defesa contra o quê? Não chorávamos e rangíamos dentes quando o real ficara forte demais (ou o dólar ficara baratinho), avariando a indústria, dando-nos de resto uma sensação falsa, pois excessiva, de riqueza, de maior poder de compra, de "Brasil, quinta maior economia do mundo" etc.?

Bem, o real desvalorizado vai resolver problemas. Na verdade, em parte é uma espécie de solução forçada de problemas, como consumo excessivo. Mas virá também o reconhecimento algo doloroso da nossa realidade mais pobrinha do que imaginávamos (na prática, os salários vão ficar menores).

Mais importante, de imediato, haverá os estragos de uma desvalorização rápida, ainda mais em uma economia mal administrada. O pulo do dólar em junho já fizera estragos. Não vai ser diferente agora.

Não se sabe bem quanto e por quanto tempo vão subir os juros na praça americana, mas a história básica é a sabida. A economia dos Estados Unidos anda melhorzinha. Qualquer notícia pontual de melhora tem jogado as taxas de juros para cima (tal como a notícia de ontem, de baixa boa nos pedidos de seguro-desemprego).

As melhoras levaram o BC deles, o Fed, a levantar a hipótese de que a política monetária será menos relaxada (vão despejar menos dinheiro na praça) e, um dia (2015?), os juros básicos voltam a subir. O Fed levantou essa bola em maio.

O povo do mercado antecipou a coisa toda; os juros sobem lá em razão disso. Fica menos interessante fazer negócio em país esquisito, como o Brasil, ou especular com commodities, Bolsas e outros ativos de risco. O dólar "se vai".

Até a metade do ano, muita gente esperta dizia que a reação do mercado ao Fed seria um exagero provavelmente breve. Não foi. Logo, está ainda mais difícil de saber se, quando e como isso vai parar: juro subindo lá, dólar subindo cá.

Dólar mais caro dá em inflação maior. Piora a situação de empresas com dívida externa. Dólar e juros mais altos e em alta dificultam o crédito externo para empresas do país.

Dólar mais caro encarece investimentos "produtivos". Cria insegurança entre empresários, que ficam desorientados sobre preços, dívidas e crescimento.

Dólar mais caro piora problemas circunstanciais, mas difíceis, como o da Petrobras, que importa gasolina cara para vender barato aqui, com prejuízo; piora também o balanço da petroleira, a maior investidora do Brasil.

Inflação maior, entre outros desarranjos do dólar subitamente mais caro, piora pois as perspectivas de crescimento do Brasil, que já andavam bem ruinzinhas.

O caldo engrossou.

Abusos nos costumes - DORA KRAMER

O Estado de S.Paulo - 16/08

Ao se posicionar sobre o processo do mensalão no primeiro dia do julgamento dos recursos iniciais contra as condenações determinadas pelo Supremo Tribunal Federal, o ministro Luís Roberto Barroso deu aval à tese de que só uma reforma salva a política.

O defeito, segundo ele, está no "modelo brasileiro que produz a criminalização da política". Por esse raciocínio, partidos e políticos seriam vítimas e não agentes dos delitos. Suas condutas desviantes seriam corrigidas mediante a mudança de regras eleitorais e partidárias.

Por analogia, então, uma ampla reforma no Código Penal teria o condão de, por si só, combater a criminalidade.

Mas as coisas não são assim. Não se resolvem transferindo a responsabilidade do indivíduo para as instituições. O próprio Luís Roberto Barroso (a quem aproveito para pedir desculpas por trocar seu nome dias atrás, chamando-o de José) entrou nessa seara quando chamou atenção para o desrespeito às leis e às normas de civilidade presente no cotidiano das pessoas.

O ministro não citou, mas poderia incluir o eleitor que estabelece com os políticos uma relação baseada no toma lá dá cá. Por que as emendas são tão importantes para os parlamentares?

Porque ao levar dinheiro para esta ou aquela localidade o político se credencia junto ao eleitorado que, pelo mesmo motivo, tende a "simpatizar" com os que conseguem se mostrar próximos do poder, com acesso a instrumentos de repasse de benefícios.

Nada a ver com ideologia ou juízo sobre a conduta do deputado, do vereador, do prefeito, do senador ou do governador. Tanto é que vários conseguem se eleger depois de terem sido protagonistas de escândalos, tendo passado longos períodos de exposição negativa e em alguns casos condenados.

A lista é extensa e expõe o fisiologismo na convivência com a base, numa reprodução do que ocorre em Brasília entre as cúpulas. Portanto, falamos de algo que vai além da reformulação do sistema eleitoral, da forma de financiamento das campanhas, do voto assim ou assado. Falamos de uma questão cultural.

Não só. Evidentemente a reforma das regras é necessária. Mas a reformulação de procedimentos é imprescindível. Uma não funciona sem a outra. Bem como a existência de punição rigorosa cumpre papel importante.

Na opinião do ministro Barroso, "ninguém deve supor que os costumes políticos serão regenerados com direito penal, repressões e prisões". Segundo ele, todo o esforço empreendido na investigação e julgamento dos envolvidos no mensalão só será validado quando se fizer a reforma política.

Involuntariamente ou não, o ministro desvalorizou o esforço ao qual se referiu. Havendo a aplicação da lei, a observância do direito, a repressão a ilegalidades e prisões dos que se beneficiam de prerrogativas públicas para escapar de punição, certamente haverá a inibição de ações até então cometidas com total falta de cerimônia, ao abrigo da leniência geral.

Não é verdade que, como disse Luís Roberto Barroso, sem a reforma política tudo continuará a ser como sempre foi. Algum partido ou governo vai se atrever a arquitetar esquemas de desvio de dinheiro para financiar partidos aliados diante das condenações prestes a serem executadas?

Podemos até inverter a pergunta: se já tivesse sido feita a reforma política quando o assunto começou a ser discutido no Congresso há mais de 15 anos, não haveria escândalos de corrupção, estaria tudo resolvido desde então?

Não estaria. Como de resto não estará nada resolvido nem minimamente encaminhado para uma solução razoável enquanto houver tolerância aos abusos decorrentes dos maus costumes arraigados na sociedade e exercitados com desfaçatez por certas autoridades.

O cardeal Dirceu - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 16/08
A discussão sobre o caso de Bispo Rodrigues, que levou ao bate-boca entre o presidente do Supremo Tribunal FederalJoaquim Barbosa, e o ministro Ricardo Lewandowski, na verdade tem a ver com o caso de um cardeal político, o ainda todo-poderoso petista José Dirceu. Se o Tribunal aceitar a tese levantada pela defesa de que Bispo Rodrigues deveria ter sido condenado por uma legislação mais branda sobre corrupção passiva, em vez de pela nova legislação, que entrou em vigor em novembro de 2003, outros casos de corrupção, inclusive ativa, poderiam ser revistos.

A alteração do Código Penal que aumentou o rigor das penas de corrupção ativa e passiva teria, na concepção da defesa, ocorrido depois que o crime de corrupção passiva de Bispo Rodrigues havia sido consumado, e o STF não teria levado em consideração essa mudança de tempo, adotando a legislação atual, mais dura.

A questão é que o momento do ato da corrupção foi entendido pelo plenário, por unanimidade no caso de Bispo Rodrigues, como tendo acontecido na vigência da nova lei, e não, como quer a defesa, no momento da primeira reunião para tratar da negociação, acontecida antes da nova legislação.

Da mesma maneira, o ex-ministro José Dirceu poderia ter interpretados seus atos criminosos em diversos períodos de tempo, beneficiando-se de uma redução da pena se a legislação a ser utilizada fosse a antiga, e não a nova. Seria uma maneira de alterar a pena de Dirceu, livrando-o da prisão em regime fechado sem nem mesmo precisar dos embargos infringentes, que, ao que tudo indica, serão rejeitados pelo STF.

Essa questão, aliás, já havia sido superada na recusa dos embargos de declaração do delator do esquema, o ex-deputado Roberto Jefferson, que queria uma redução da pena alegando justamente que as negociações para o recebimento do dinheiro teriam começado antes de 2003, quando vigorava a legislação anterior.

Como o caso fora rejeitado, provavelmente o mesmo aconteceria com o recurso de Bispo Rodrigues, e o presidente do STF não precisaria se desgastar com o bate-boca. No entanto, ele viu na insistência de Lewandowski em trazer novamente o assunto à discussão no mínimo uma tentativa de retardar o resultado final.

O ânimo exaltado de Joaquim Barbosa tem muito a ver com seu perfil psicológico, que já é de conhecimento do grande público - o que não impede que ele seja bem cotado como presidenciável -, mas, sobretudo, está ligado a uma desconfiança de que existem em andamento nos bastidores do tribunal manobras protelatórias para evitar a rápida conclusão da fase de embargos de declaração, ou mesmo de aproveitá-los para alterar algumas penas.

O bate-boca com Lewandowski, sob todos os pontos de vista criticável e prejudicial à imagem do Supremo, é um prosseguimento das disputas ocorridas na primeira fase do julgamento, quando o ministro revisor fez um contraponto permanente à posição do relator Joaquim Barbosa.

Nesta fase de embargos, mesmo não existindo a figura do revisor, Lewandowski prossegue na tentativa de revisão, com votos muito longos mesmo para concordar com o relator. Ele alega que se trata de um estilo pessoal, e seus votos são sem dúvida bem estruturados, mas Barbosa acredita que se trata de mera tática para postergar a decisão final.

O ex-revisor do processo do mensalão foi acusado, na primeira fase, de alongar seus votos com o objetivo de tirar do julgamento os ministros Cezar Peluso e Ayres Britto, tidos como votos contrários aos mensaleiros.

Há um movimento dentro do Supremo para minimizar os atritos de ontem para que os trabalhos sejam retomados na próxima quarta-feira dentro de um clima minimamente equilibrado, se possível com uma trégua negociada entre os dois ministros.

De qualquer maneira, ninguém prevê que os rompantes do presidente do Supremo Tribunal Federal provoquem alterações de votos, nem a favor nem contra. Como definiu um ministro, "nós votamos com ele não é devido à sua simpatia". Da mesma forma, uma eventual antipatia às atitudes do ministro Joaquim Barbosa não fará ninguém mudar de voto.

Mídia Ninja e o futuro desfocado - FERNANDO GABEIRA

O ESTADO DE S. PAULO - 16/08
As manifestações de junho revelaram ao País a Mídia Ninja, grupo de jovens que usa smartphones para divulgar ao vivo os protestos de rua e eventuais confrontos com a polícia. Tive a oportunidade de entrevistar um deles, Bruno Torturra, e na ocasião tentei quebrar um pouco a rígida dicotomia entre imprensa profissional e jovens amadores com uma visão excludente do processo.

Creio que grande parte dos temas agitados nas ruas do Brasil foi divulgada pela imprensa profissional. O que as redes sociais fizeram foi metabolizar os escândalos e deslizes amplamente registrados nos grandes veículos de comunicação. É inegável que existe mão dupla. A grande imprensa é muita atenta às redes sociais e procura pescar todos os temas que lhe parecem dignos de publicação. É assim que ela trabalha - ou deveria -, com antenas sempre ligadas no que acontece em qualquer lugar, o mundo virtual incluído.

Na cobertura das manifestações a Mídia Ninja conseguiu ficar bem próxima dos jovens que protestavam e dos policiais que, eventualmente, os reprimiam. Isso era melhor que as tomadas de helicóptero, embora a visão de cima dê também boa ideia da magnitude do protesto e de como evolui espacialmente. Mas, como dizia Robert Capa, se a imagem não é tão boa, é porque não chegamos perto o bastante do objetivo. É a visão de um fotógrafo de guerra que se pode estender a outros campos.

Em nova entrevista de TV, os jovens da Mídia Ninja deram a entender que há uma crise na imprensa clássica e eles representam uma verdadeira alternativa a ela, no futuro. Isso se choca com meio século de experiência no ofício e o exame de outras tentativas, mundo afora, de achar um caminho para as limitações da imprensa, sobretudo as que se revelaram com o impacto da revolução digital.

A Mídia Ninja dá a entender que pretende financiar seu trabalho com o apoio dos próprios leitores. É o que tentam fazer algumas agências de fotógrafos, via crowdfunding. Na verdade, a iniciativa é uma extensão de algo que já deu certo no mundo musical, projetando inúmeros grupos independentes. Mas as experiências de financiamento entre os fotógrafos partem de um portfólio mostrando a capacidade específica do profissional e do detalhamento do projeto a ser financiado. É uma tentativa de reinserir no fluxo de informações um material de alta qualidade que as circunstâncias econômicas das revistas já não permitem financiar. Impossível buscar informação em vários cantos do País e do mundo sem recursos para passagens, hotel e aluguel de carro, para ficar só nas despesas mais rotineiras.

A primeira condição de crowdfunding, em jornalismo, é a alta qualidade do material produzido, o que a Mídia Ninja não pode oferecer, pelas circunstâncias da cobertura e pelo precário domínio técnico. Viver disso significa preocupar-se com detalhes: ângulo, luminosidade, enquadramento, composição - enfim, as técnicas que permitem transmitir a informação com nitidez. Se tudo isso é considerado secundário, o que é o principal? Estar presente e tomar o partido dos oprimidos, ainda que a mensagem seja um lixo técnico.


Isso me remete às discussões que tive com Glauber Rocha pelas ruas de Havana e me valeram um mal-entendido. O sonho de Glauber era associar-se aos grupos de guerrilha e ser o cineasta de suas ações armadas contra as ditaduras militares do continente. Disse-lhe francamente que achava a ideia problemática. Glauber teria de morrer como um grande cineasta e se tornaria um documentarista precário dos fatos, sempre escravizado pela segurança da ação e pela obediência ao comando da guerrilha. Ele entendeu que estava propondo seu suicídio e por muitos anos não falou comigo.

O problema que discutíamos em Havana ainda é válido hoje. É impossível expressar o talento pessoal, amplamente, tendo de se submeter aos interesses de um grupo, que decide o que e como publicar. Os jovens da Mídia Ninja acham que a grande imprensa é parcial. E, em vez de defender a imparcialidade, tomam partido e afirmam que a verdade surgirá do intercâmbio de múltiplas parcialidades. Essa discussão é uma das mais antigas e, diria, entediantes, depois de tantas madrugadas nos bares de Ipanema. Apontar a câmera para um lado, e não para o outro, já significa uma escolha pessoal. Imagens, verbos, adjetivos, tudo isso expressa uma tomada de posição. Em certos fatos jornalísticos, que envolvem também a concepção democrática de cada um, fica visível onde está e o que quer o narrador.

Mas existem certos princípios na informação de qualidade. Um é a importância de ouvir os dois lados. Outro é a humildade do repórter, que mesmo tendo uma posição sobre determinado tema não tenta conformar a realidade à sua tese. É preciso estar aberto para o que realmente está acontecendo e jogar para o alto as ideias que não correspondam aos fatos.

Quando alguém da Mídia Ninja é preso, a grande imprensa relata em detalhes e busca explicações da polícia. Quando carros das emissoras de TV são queimados por manifestantes, é de esperar que a Mídia Ninja também combata esse tipo de violência e todas as outras formas de agressão. Se o nome do jogo é informação, a liberdade de imprensa é um bem comum. Quem vai sobreviver ao tsunami da revolução digital, quem vai naufragar, tudo é uma questão de talento e capacidade de adaptação aos tempos revoltos. Não creio em profissionais especializados em manifestações, muito menos sustentados por grupos em fusão, que se desfazem e recompõem indefinidamente.

Ao ver na TV a história de coletivos com casas próprias e líderes que combinam picaretagem política com certo tom religioso, pressinto os descaminhos que se impõem, com dinheiro oficial, à cultura brasileira. Descaminhos que, no fundo, desprezam a cultura e a substituem pelo militante fanático. Quem não se lembra da Revolução Cultural chinesa? Foi um dos momentos mais indignos da História humana. É preciso ler um pouco sobre isso para evitar algumas novidades que, no fundo, são apenas o retorno da barbárie.

Chicana não - ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE SP - 16/08

BRASÍLIA - Há uma grande dúvida se o julgamento do mensalão pelo Supremo vai ou não ser encerrado em poucas semanas.

Depende de haver embargos dos embargos e da votação sobre acatar ou não os embargos infringentes, que são recursos de réus que tiveram pelos menos quatro votos a seu favor e tentam reformular suas penas.

Há 12 réus nesse caso, inclusive a estrela José Dirceu. Ele foi condenado também por formação de quadrilha, questão que, de fato, dividiu o plenário na primeira fase.

Dizem a história e o bom senso que não se adivinham de véspera os votos do Supremo, mas já há quem aposte que o tribunal vai recusar os embargos infringentes e encerrar logo os trabalhos, apesar de o ministro Dias Toffoli ter previsto até mais dois anos de julgamento.

O presidente Joaquim Barbosa e ministros como Gilmar Mendes já se declaram publicamente contra acatar esses recursos e representariam a tendência do plenário.

Se o tribunal resolver analisar os embargos infringentes, recomeça tudo de novo, quase do zero. E com dois ministros novos, Teori Za- vascki e Luís Roberto --que tende a ser mais liberal tanto na compreensão sobre quadrilha quanto na dosimetria (os anos de prisão). Na prática, um novo julgamento. E novas penas.

O prazo para a conclusão depende, também, do comportamento dos próprios ministros. Eles foram rápidos e quase consensuais ao recusar a maioria dos embargos de declaração (grosso modo, de forma). Mas, já no segundo dia, desandou de novo.

Barbosa voltou a se comportar como se fosse dono da casa e da causa, irritando-se e batendo boca com Ricardo Lewandowski como nos piores momentos da primeira fase. Se o ritmo for como no primeiro dia, vai acabar logo. Mas tudo indica que será como no segundo.

O presidente da corte não pode, ao vivo e em cores, acusar um colega de fazer "chicana". É preciso respeito e compostura.

Muito mal na foto - LUIZ GARCIA

O GLOBO - 16/08

Homens públicos (de quase todos os países, vamos reconhecer) são ágeis como coelhos para fazer promessas e lentos como tartarugas na hora de cumpri-las



Quem manda no governo — em qualquer governo, em qualquer país — costuma dormir, mais tranquilo do que merece, com a certeza de que a opinião pública tem memória curta. Temos exemplo disso na resposta de governos estaduais e prefeituras, dois meses atrás, às manifestações de jovens em diversas cidades — com apoio visível da opinião pública em geral — sobre a baixa qualidade e os relativamente altos preços das passagens nos transportes públicos em geral.

O comportamento dos manifestantes — com inevitáveis excessos aqui e ali, alguns até graves — foi, digamos assim, perto de exemplar. E eles receberam a resposta que mereciam da opinião pública. Ou seja, apoio incondicional. Principalmente porque suas reivindicações, uma vez atendidas, beneficiariam cidadãos de todas as idades.

Os moços voltaram para casa abençoados pelos mais velhos. E com a promessa do poder público de que tomaria as providências necessárias para atender suas reivindicações, tanto justas quanto óbvias. E os jovens, que não são, graças a Deus, tão cínicos quanto os mais velhos, acreditaram em tudo.

E os dois meses que se seguiram foram tempo suficiente para provar, aos jovens das ruas e aos mais velhos que os aplaudiram, que os homens públicos (de quase todos os países, vamos reconhecer) são ágeis como coelhos para fazer promessas e lentos como tartarugas na hora de cumpri-las.

Comprometeram-se a tomar medidas concretas, e, em geral, caprichar na eficiência no uso do dinheiro público. No segundo caso, chega a ser escandaloso que uma autoridade seja forçada, pela voz das ruas, a cumprir uma obrigação elementar e óbvia. Especificamente, houve promessas em três estados: passagens de ônibus gratuitas no Rio Grande do Sul, maior transparência ao sistema de transportes públicos no Rio e corte de despesas em São Paulo. Note-se que nada disso é reivindicação dos jovens, e, sim, exigência óbvia de toda a população.

Mas nada disso saiu do papel ou da garganta das autoridades. Ninguém reclame se os moços voltarem às ruas. Na verdade, se isso acontecer, e se ninguém exagerar no protesto — o que é vital no que se refere à indispensável solidariedade da opinião pública — tanto as empresas de ônibus como as autoridades ficarão, como se dizia no meu tempo, bem mal na foto.

O espantalho - MARINA SILVA

FOLHA DE SP - 16/08

Suponha que um dia, por negociação dos líderes partidários, fosse aprovada uma lei determinando que todos os títulos de propriedade de terras, das menores fazendas às grandes "plantations" do agronegócio, só seriam válidos depois de analisados, um a um, pelo Congresso Nacional.

Veríamos os donos da terra brasileira invocando o direito humano e divino de que seriam beneficiários desde os primórdios da civilização. Muitos deles já o fazem, com grande alarde, sempre que uma porção de terra é destinada a atender uma demanda social ou tem sua exploração subordinada a um critério ambiental. Para eles, o direito à propriedade privada é ancestral, sagrado, e se sobrepõe aos direitos e funções sociais, considerados menores e periféricos.

O que estão fazendo com os direitos dos índios, especialmente com seu acesso à terra, consagrado na Constituição como direito originário, é a relativização política de um imperativo ético que fundamenta a noção de pátria, submetendo aos interesses de alguns aquilo que é um bem da nação e dos povos que constituem sua diversidade étnica.

A abertura da terra indígena à exploração mineral, cuja promoção prática se tenta legitimar mudando a lei, é típica da sangria de um continente definido por Galeano com as "veias abertas". Os mitos do progresso na sociedade do consumo uniram-se a uma espécie de nacionalismo torto, anti-indígena, para gerar um espantalho em que o povo brasileiro não se reconhece.

A PEC 215 e o projeto de lei nº 227 agridem a Constituição. Extinguir os direitos indígenas, substituindo-os pela negociação política economicamente monitorada, é crime de lesa-humanidade. De todos os retrocessos socioambientais, o caso indígena é mais trágico, pois resulta em fatal ameaça à sua existência física e simbólica.

Foi preciso que os índios dessem um susto nos deputados, invadindo o plenário da Câmara em abril, para que esses projetos fossem retardados e tivessem um prazo para análise e debate público. Passado o susto, a esperteza volta a fazer manobras para aprovar o que lhe dita o setor mais atrasado do agronegócio.

Assassinatos, agressões, suicídio, fome... nada comove os que fabricam o espantalho. A Funai mostra imagens de índios isolados e um representante do atraso diz que eles foram "implantados" lá onde se refugiam. A ministra da Casa Civil anuncia a suspensão de demarcações e diz que não há índios onde até as pedras sabem que há. Depois se espantam com a crítica das ruas. E os que desistiram dos jovens pateticamente apelam para que os jovens não desistam deles.

Quantas vezes os guaranis-kaiowás de todas as aldeias e cidades precisarão dizer e assinar de próprio punho que o Brasil verdadeiro ama os índios e se reconhece neles?

O cartaz que não se viu - MARIA CRISTINA FERNANDES

VALOR ECONÔMICO - 16/08

Houve até cartaz pela volta da tomada de dois pontos, mas nos dois meses desde o início dos protestos, não se viram manifestações espontâneas pela reforma política.

Em contrapartida, o Ibope encontrou 84% dos brasileiros favoráveis à iniciativa. É previsível. Experimente-se, por exemplo, perguntar o que o entrevistado acha de reforma trabalhista. A adesão é quase unânime. Imagina-se que uma reforma dessas crie mais e melhores empregos. Não passa pela cabeça de ninguém que reforma trabalhista quase sempre suprime direitos.

Da mesma maneira, quando se pergunta sobre reforma política é natural que o entrevistado concorde com sua necessidade. Quem não quer se sentir melhor representado pela política que está aí? A questão é como uma reforma pode aumentar o poder do eleitor na construção de uma nova política.

Por ambiciosas demais, as propostas têm sido sucessivamente abortadas. A última a chegar à praça merece um minuto de atenção. Não necessariamente pelo mérito do que propõe, mas pela obstinação dos que nela estão envolvidos.

O mais engajado deles é um juiz de 43 anos que, a partir dos grotões maranhenses, berço de uma das mais longevas oligarquias do país, liderou a mobilização nacional pela Ficha Limpa, mais bem sucedida lei de iniciativa popular já aprovada.

A nova empreitada de Márlon Reis é um projeto que altera três leis, mas não toca na Constituição. Ao contrário da Ficha Limpa, que afetou as bases municipais da política, mas mexeu marginalmente no Congresso, o projeto "Eleições Limpas" muda muito mais radicalmente as chances de sobrevivência da atual representação. Talvez por isso, esteja a exigir mais costura institucional.

O Movimento de Combate à Corrupção, formado por 51 entidades, de sindicatos de policiais e portuários à Caritas, ong católica mais próxima do papa Francisco, já apresentou o projeto à presidente Dilma Rousseff e a lideranças de quase todos os partidos.

Para valer em 2014 a lei tem que estar publicada no Diário Oficial no dia 4 de outubro. Como nem sequer chegou ao Congresso, é de se imaginar que morra na praia. Mas, pelos inacreditáveis 32 dias em que a Ficha Limpa tramitou e foi aprovada, conclui-se que é gente do ramo que está por trás.

Ao contrário do Ficha Limpa, que apostou exclusivamente no recolhimento de 1,5 milhão de assinaturas necessárias a um projeto de iniciativa popular, o "Eleições Limpas" alinhava um grupo multipartidário de parlamentares para apresentá-lo diretamente à mesa da Câmara. Até agora, já colheu assinaturas de 23 deputados, de nove partidos, PT, PMDB, PSDB, DEM, PSD, PSOL, PCdoB, PDT e PPS.

O projeto proíbe doação de empresas e limita a de pessoas físicas a R$ 700, desde que seja feita por cartão ou transferência bancária e informada em tempo real na prestação de contas oficial.

Estabelece ainda um fundo público de campanha cujos valores, a serem estabelecidos anualmente no Orçamento, seriam fixados pela Justiça Eleitoral levando em consideração o tamanho das bancadas. Partidos sem representação parlamentar contariam com 5% do fundo para se viabilizarem.

Não se custa a concluir que um modelo desses seria o reinado do caixa 2. Reis não conhece sistema no mundo que o coíba. Enfrenta-o com transparência e mudanças do sistema eleitoral.

O projeto não evita a multiplicação de doadores laranjas, mas o juiz é desses que confia na cidadania. Cita o ex-senador Expedito Junior (PSDB-RO), o terceiro a ser cassado na história da Casa. Um de seus irmãos, dono de uma empresa em Rondônia, depositou R$ 100 na conta de seus funcionários na expectativa de que o retorno viesse em voto para o senador da família. O esquema foi denunciado por um dos funcionários.

As contas que distribuem o fundo de campanha também baseiam a distribuição do tempo de TV, o que não ajuda muito. O projeto não mexe nas coligações que estão previstas na Constituição mas, para desestimular alianças motivadas pelo mercado de minutos de TV, estabelece que o tempo vai ser dado unicamente pelo maior partido da coligação.

Reis recorre aos números da eleição passada quando 482.870 candidatos disputaram as mais de 68 mil vagas existentes para dizer que não há como dotar o atual sistema de transparência. Como não passam de três mil os juízes eleitorais, tem-se aí uma média de 160 candidatos para cada juiz. Só dá para pegar erros grosseiros como notas fiscais xerocadas ou CNJP falso. O resto passa.

Não mexe na proporcionalidade constitucional, mas divide a eleição em dois turnos, como a dos cargos majoritários. No primeiro, os eleitores votam no partido, que tem o direito de apresentar como candidatos o dobro do número de vagas existentes.

Definido o número de cadeiras de cada partido, a lista para o segundo turno é composta pelos mais votados. Desta vez, o número de candidatos apresentados reduz-se para o dobro da quantidade de vagas obtidas pela legenda. Como muitos ficarão de fora, aposta que se formará oposição suficiente para contestar conluio nas direções partidárias.

Reis tem ouvido contestações recorrentes de que a lista favorece o PT. Argumenta que a oposição tem sido prejudicada pela dificuldade do eleitor de cobrar seu deputado, que, assim, fica mais livre para migrar rumo à base do governo. O PSDB, por exemplo, elegeu 54 parlamentares. Hoje tem 49. Apesar de ter votos capazes de colocá-lo no segundo turno nas três últimas eleições vencidas pelo PT, o partido é a terceira bancada na Câmara. Vale menos que a oposição interna à base do governo. O projeto autoriza a migração partidária desde que o parlamentar abra mão do mandato um ano antes da eleição. Espera inibi-la.

Para contemplar a moçada que contesta o monopólio partidário da representação, o projeto libera a manifestação eleitoral para além do período legalmente previsto. Uma eleitora de Natal foi multada em R$ 5 mil por ter colocado adesivo de seu candidato no carro um ano antes da eleição. Márlon Reis vê exagero na tutela. O problema não é a manifestação do eleitor, mas no abuso de dinheiro ilimitado para fazer campanha.

Sabe que vai ser uma parada difícil, mas se diz surpreendido pela receptividade. Os parlamentares sentiram o golpe das ruas. A renovação da Câmara, que margeia 50%, deve aumentar. Colocar o projeto em votação seria apenas mais uma operação de risco.

O mensalão reloaded - PLÁCIDO FERNANDES VIEIRA

CORREIO BRAZILIENSE - 16/08
Pelo frenesi dos blogueiros chapas-brancas, está tudo certo: quando chegar a hora dos tais embargos infringentes, o Supremo vai rever o julgamento do mensalão. Enfim, proclamam, o "circo" que teria sido a condenação de Dirceu, Delúbio, Genoino & Cia. será desmontado. Numa espécie de Orwell reloaded, a maracutaia que escandalizou o país há de ser reescrita - e a população convencida de que se tratava de coisa mixuruca, um mensalinho. Ou talvez, até, de que nunca terá existido.

Batman? Já era. Na internet, pelo rufar dos tambores dos neobolivarianos - que antes de Lula chegar ao poder nunca tinham sido petistas, e hoje são desde criancinhas -, o relator do processo no STF sairá trucidado do novo embate judicial.

Mas cadê aquele povo de verdade que invadiu as ruas e se recusou a ser manipulado por políticos de direita, de esquerda ou de centro? Aquela multidão que surpreendeu o Brasil e o mundo ao ocupar espontaneamente os espaços públicos para exigir ética dos governantes e cobrar educação, saúde e transporte padrão Fifa? Esqueça. Essa gente que ocupou a cena política para protestar contra qualquer tipo de desvios de agentes públicos sumiu da avenida.

O gigante, celebram os chapas-brancas da mídia "revolucionária", voltou a dormir em berço esplêndido. Restaram, no front, os valentes de sempre, com suas bandeiras políticas bem definidas, os militantes de aluguel e a turma do miolo mole que destrói e incendeia o que encontra pela frente. Pragmáticos, aqueles que os manobram - para os quais 2014 já começou - têm alvos bem definidos. No Rio, Cabral. Em São Paulo, Alckmin e os tucanos em geral. Querem provar que não são os únicos nem os mais corruptos do país.

Ora, nem precisava. O Brasil sabe disso. Quando a população elegeu Lula presidente era justamente para dar um basta à corrupção então existente e iniciar, no país, um novo modo de fazer política. Não para ver o PT aliar-se a Collor, Maluf, Renan e adotar as mesmas práticas que antes condenava.

Afinal, Mais Médicos ou mais saúde? - FERNANDO WEBER MATOS

ZERO HORA - 16/08

Desde que o SUS foi criado como programa salvador da assistência médica no Brasil, o ponto fundamental é o atendimento multiprofissional ao cidadão, visando a uma ação integrada de todos os profissionais da área da saúde.
Esse sistema tem por objetivo o atendimento de maneira global, afastando-se do modelo tradicional de tratamento de doenças e centralização do atendimento nos hospitais.
Os profissionais atuariam dentro dos limites impostos pelas leis que regem suas profissões. O modelo ideal passa a ser o da prevenção de doenças e promoção da saúde. Assim, todas as profissões são premiadas e os custos são infinitamente menores do que seriam apenas com o tratamento das doenças, pois esse modelo exige menor aporte de recursos financeiros. Um modelo politicamente agradável às esferas dos governos federal, estaduais e municipais e aos profissionais da saúde.
A consequência: diminuem os leitos existentes para tratamento de doenças e os hospitais acabam inviabilizados economicamente, fechando suas portas sucessivamente. Ao mesmo tempo, os médicos perdem seu principal campo de trabalho, que é o diagnóstico e a indicação de tratamento de doenças.
O modelo de atendimento multiprofissional é adotado pelo governo federal, mas o clamor das ruas _ queixas da falta de atendimento, hospitais e leitos, superlotação das emergências, as mortes sem a devida assistência _ demonstra o erro em direcionar o financiamento da saúde pensando apenas na promoção e prevenção. Esses recursos deveriam, no mínimo, premiar igualmente o tratamento das doenças.
Os municípios, com hospitais fechados e sem condições para manter os profissionais, gastam seus escassos recursos na prevenção e promoção da saúde, jogando seus cidadãos para centros maiores e estabelecendo a prática da “ambulancioterapia”.
Faltam hospitais com condições mínimas, faltam Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), faltam médicos com condições de trabalho e faltam também os demais profissionais da saúde. A explicação e a responsabilidade desses erros são lançadas, de maneira política e ideológica em fase pré-eleitoral, para cima de uma única categoria: os médicos. Assim, algumas perguntas se impõem:
Os médicos não querem ir para o interior. Mas a política do SUS não é de trabalho multiprofissional?
Onde estão os demais profissionais da saúde para trabalhar no interior?
Onde estão as condições de trabalho para a equipe multiprofissional?
Por que obrigar apenas os médicos a trabalhar no interior?
Por que bolsas apenas para os médicos, se eles fazem parte de uma equipe?
Afinal, a saúde é feita apenas pelos médicos?
Perguntas sem resposta, pois o governo federal, pelo Ministério da Saúde, lança um programa culpando e exigindo apenas médicos para trabalhar na saúde dos pequenos municípios. Ao mesmo tempo, veta grande parte da Lei do Ato Médico para contentar as demais profissões da área da saúde, tirando aquilo que de maneira milenar caracteriza a medicina: o direito de diagnosticar e indicar o tratamento de doenças.
Como poderão os médicos _ sozinhos no interior, sem condições de trabalho, sem equipe multiprofissional _ legalmente fazer diagnóstico e tratamento?
Respondam os gestores, mas de maneira urgente. O governo central tem que definir se quer Mais Médicos ou mais saúde.

A mobilidade urbana não pode esperar mais - WASHINGTON NOVAES

O ESTADO DE S. PAULO - 16/08
Serão extremamente úteis para o País, qualquer que seja o desfecho, as conclusões do atual debate que se trava em toda parte sobre mobilidade urbana, a partir das recentes manifestações de rua, assim como da criação de faixas exclusivas para ônibus na cidade de São Paulo. A discussão adequada do problema, a adoção de políticas principalmente nas regiões metropolitanas, poderá talvez evitar ou reduzir custos imensos e hoje progressivos.

Um dos estudos recentes, do professor André Franco Montoro Filho, da USP, ex-secretário de Planejamento de São Paulo e ex-presidente do BNDES, afirma que o valor monetário de 12,5% da jornada de trabalho perdidos com uma hora nos congestionamentos de trânsito (além de uma hora, que seria "normal") chega a R$ 62,5 bilhões anuais. E cada trabalhador, assim como cada condutor de veículos particulares, pagaria por esse "pedágio invisível" R$ 20 por dia (Folha de S.Paulo, 4/8). Não surpreende, assim, que a questão da mobilidade tenha ocupado a segunda posição no total de reivindicações nas 35 audiências públicas para discussão do plano de metas da atual administração da cidade de São Paulo (Estado, 27/6) -uma exigência da Lei Orgânica do Município.

Em editorial (Uma aposta duvidosa, 9/8, A3), este jornal já apontou a insuficiência das novas estratégias se limitadas à criação de faixas exclusivas para ônibus - embora aumentem a velocidade destes. Principalmente porque não há reordenação de linhas, faltam coletivos em muitos lugares, sobram em outros. E a reordenação enfrenta a oposição das empresas concessionárias de ônibus, que têm alta rentabilidade nos formatos atuais. Pode-se acrescentar ainda que não há uma política nesse setor que englobe toda a área metropolitana. Tudo pode ter efeito apenas momentâneo -basta ver que as restrições que tiraram das ruas milhares de ônibus fretados e caminhões, assim como a implantação de novas pistas na Marginal do Tietê, "já perderam o efeito".

A necessidade de políticas mais abrangentes fica à mostra quando se veem números sobre grandes cidades brasileiras e sua influência no planejamento urbano - em geral, problemática. No Rio de Janeiro, o recente mapeamento das redes subterrâneas feito pela prefeitura carioca estimou haver 10.200 quilômetros de redes de esgotos no subsolo - "equivalentes à distância entre Brasil e Alemanha" - e 19 mil quilômetros de rede de cabos elétricos. Em São Paulo, a fiação elétrica chega perto de 40 mil quilômetros e só 3 mil são enterrados nos 17 mil quilômetros de ruas. Há mais de 30 afluentes sepultados sob o asfalto só nas imediações do Rio Tietê. As redes de drenagem também se estendem por milhares de quilômetros, embora ainda insuficientes, dadas as suas estreitas dimensões - e, entupidas, contribuem decisivamente para inundações.

Que planejamento se fará para a mobilidade, em que tudo isso interfere - e sabendo ainda que mais de 1 milhão de pessoas "entram e saem da capital diariamente"? E de onde virão os recursos? Estudo da ONU calcula que a "transição para cidades sustentáveis" no mundo não ficará abaixo de US$ 40 trilhões até 2030 (Rádio ONU, 7/5). Quanto será em São Paulo?

Seria, entretanto, muito proveitoso reconfigurar essas infraestruturas urbanas numa cidade como São Paulo, onde só a perda de água nas redes subterrâneas de distribuição, por furos e vazamentos, não está muito abaixo de 40% do total, que é a média brasileira- calcule-se o prejuízo financeiro e o custo para os cidadãos. E pouco se avança em obras abaixo do solo no País (São Paulo ainda vai à frente).

Os recursos para investimentos em mobilidade urbana mínguam, em lugar de crescerem. Obras que estavam previstas para até 2014, na Copa do Mundo, foram retiradas da lista das prioritárias (O Globo, 25/6). Em um ano reduziram-se em R$ 2,5 bilhões. E não se consegue "abrir a caixa-preta dos custos do transporte público, revisar contratos, promover de forma transparente o debate público sobre regras dos contratos de concessão" (blog da professora e urbanista Raquel Rolnik, relatora da ONU para o "direito à moradia adequada", 24/6).

E a questão não é só de mobilidade ou econômica, pode ser de saúde também. Estudo de cardiologistas do Hospital do Coração de São Paulo alerta (9/8) que "a tensão gerada por fatores do cotidiano como trânsito, violência e excesso de trabalho" - todos relacionados com a mobilidade - "causa aumento da pressão arterial e a liberação de hormônios que podem comprometer seriamente a saúde cardíaca (...), o estado de tensão e alerta contínuo pode levar à liberação de altos níveis de hormônios, que geram instabilidade no organismo e podem provocar espasmos na artéria coronária que irriga o coração, além de lesionar células cardíacas, conhecidas como miócitos, por causa do aumento dos radicais livres". O cortisol e a adrenalina podem aumentar os batimentos cardíacos e elevar a pressão arterial. Pessoas já predispostas "podem sofrer infartos e até vir a óbito".

A questão vai chegando a níveis tais que o prefeito de São Paulo já diz que "o usuário terá que repensar o uso do carro" (Folha de S.Paulo, 8/8). Para ele, "não é simples mudar uma cultura - se fosse, alguém já teria feito". Mas terá de fazer. E aceitar - como já foi discutido tantas vezes neste espaço - prioridades para o transporte público, sobre o transporte individual. E isso pode traduzir-se também em zonas de pedágio urbano, investimentos maciços e prioritários em metrô e trens urbanos, etc.

Teremos, todos, de mudar nossos hábitos e visões. E trabalhar com otimismo em novas direções urbanas, principalmente os administradores públicos. Como disse o filósofo G. K. Chesterton (Doze tipos, Editora Topbooks, 1993, coordenação de Ivan Junqueira), "o homem que goza de popularidade deve ser otimista a respeito de tudo, ainda que seja apenas otimista em relação ao pessimismo".

A Saúde não pode ficar só com um ministro - FRANCISCO BALESTRIN

O GLOBO - 16/08
Muitos recordam da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres. No ápice do evento, adentraram ao gramado do Estádio Olímpico grandes alegorias homenageando um dos símbolos de maior orgulho da nação inglesa: o Sistema Nacional de Saúde (NHS - sigla em inglês), o "Sistema Único de Saúde" dos ingleses.
Será que esta cena se repetirá ao fim da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, tendo o nosso SUS como homenageado? Lembremos que as últimas pesquisas de opinião pública, publicadas na imprensa nacional, colocaram a saúde como a maior preocupação de 71% dos brasileiros, chegando a atribuir a este setor o pior desempenho no país como um todo.

As ações na saúde dependem de lideranças focadas no bem comum, da existência de estruturas organizadas, de suporte financeiro adequado, de recursos humanos à altura da responsabilidade que se impõe para as atividades de cuidado e promoção e da preocupação com os resultados finais.

A saúde não é pública nem privada, é um bem precioso e individual e que deve ser respeitado e cuidado no coletivo pelo Estado e pelos governos constituídos. Daí a lição ouvida no 38º Congresso Mundial de Hospitais, realizado em Oslo, em junho passado: "A Saúde é um setor de tão grande responsabilidade para o futuro de qualquer nação que não se poderia deixá-la nas mãos do ministro da Saúde", afirma Jonas Gahr Store, ministro de Saúde da Noruega, nação com o melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

Após anos de acomodação, vivemos um momento de profundas discussões sobre a saúde em nosso país. A diminuição de participação do setor público ensejou um desenvolvimento do setor privado. Não há indicativos de que o crescimento do setor privado tenha sido o motivador da menor participação do setor público, assim como as empresas de segurança privada não cresceram pela diminuição das polícias no Brasil. A ação dos governos, pelos mais variados motivos, e um deles pode ser o subfinanciamento do setor público, é que propiciou tal desenvolvimento. Aliás, é bom que se frise que a Constituição reconhece que a atividade privada no setor de Saúde é lícita e complementar à pública.

Os serviços privados devem resgatar sua essência, preocupando-se com questões relacionadas à gestão e inovações tecnológicas. Os públicos, por sua vez, precisam repensar seus modelos, planejando o seu desenvolvimento dentro das suas possibilidades de atendimento e buscando, de uma forma transparente e estruturada, uma profícua integração público-privada. O trabalho desenvolvido pelas instituições filantrópicas é um grande exemplo de como esta relação pode ser benéfica.

Alternativas para um sistema de saúde mais eficiente existem, mas é evidente a necessidade de uma gestão mais adequada do dinheiro público e, certamente, uma melhor fiscalização do setor privado. 

A luta ainda contínua - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADO DE S. PAULO - 16/08
No momento em que o Supremo Tribunal Federal (STF) dá início à fase final do julgamento da Ação Penal (AP) 470, o tristemente memorável mensalão, é oportuno enfatizar, reiterando o que fizemos neste mesmo espaço no último dia 15 de maio, que a histórica decisão da Suprema Corte que resultou na condenação da maior parte dos réus - não por coincidência os mais importantes -"inoculou na consciência cívica do País a esperança de que o advento de uma nova era no funcionamento da Justiça relegue à condição de apenas uma má lembrança a impunidade dos poderosos que historicamente tem comprometido a consolidação do pleno sistema democrático entre nós".
É auspicioso, portanto, que logo na primeira sessão da fase final daquele julgamento, os ministros tenham, quase unanimemente, indeferido os embargos de declaração apresentados, até mesmo porque quase todos tinham claro caráter protelatório. Há pela frente, no entanto, um longo caminho a ser percorrido até que essa ação penal, para usar a expressão técnica, transite em julgado e comece finalmente a produzir seus efeitos penais.

Certamente menos tranquila será a discussão dos chamados embargos infringentes, que poderá resultar, até em função da nova composição da Corte e do entendimento diverso que os dois novos juízes possam trazer ao debate, na redução das penas originalmente impostas a réus como o ex-ministro José Dirceu, que assim se veria livre de ter que cumprir dois anos de sua pena atrás das grades.

Não é por outra razão que o editorial aqui publicado três meses atrás, sob o título A luta continua, fazia menção ao fato de que eventual reversão ou revisão significativa das condenações, nesta fase final do processo, colocaria o julgamento do mensalão, e o próprio STF, sob a séria ameaça de se transformarem em motivo de enorme frustração nacional.

A propósito, merecem atenção as considerações de natureza eminentemente política, feitas durante a sessão da quarta-feira pelo mais novo ministro da Suprema Corte, Luís Roberto Barroso: "A imensa energia jurisdicional despendida no julgamento da AP 470 terá sido em vão se não forem tomadas providências urgentes de reforma do modelo político, tanto do sistema eleitoral quanto do sistema partidário. Sem reforma política, tudo continuará como sempre foi". Afirmou ainda o magistrado que "não existe corrupção do PT, do PSDB ou do PMDB. Existe corrupção. Não há corrupção melhor ou pior, dos 'nossos' ou dos 'deles'. Não há corrupção do bem. A corrupção é um mal em si e não deve ser politizada".

Está coberto de razão o ministro Barroso. E vale acrescentar que a mesma "imensa energia jurisdicional despendida" pelo STF também estará sendo desperdiçada ou, pior, depreciada, com sérios prejuízos para a imagem institucional daquela Corte, se vier a ocorrer uma reviravolta "fora da curva" na decisão final do julgamento. Da mesma maneira, está corretíssimo o mais novo integrante do supremo colégio togado quando desmistifica a tese, muito cara a setores "progressistas", de que os fins justificam os meios, ao enfatizar que "não há corrupção do bem". Muito especialmente a corrupção que é usada, em nome das melhores intenções políticas, como instrumento de conquista e manutenção do poder.

Por outro lado, soa no mínimo estranho, até porque sem nenhuma implicação aparente do ponto de vista jurídico, a surpreendente alegação do ministro Barroso de que "é no mínimo questionável a afirmação de se tratar (o mensalão) do maior escândalo político da história do País".

Se não teve toda essa importância, por que então, conforme opinou também o próprio ministro, "foi o mais investigado de todos (os escândalos)"?

A importância do mensalão não está nas quantias envolvidas, mas no fato de que foram usadas para corromper membros do Legislativo para que um partido se perpetuasse no poder, conforme o seu projeto. E não terá sido por outra razão que o mensalão foi, ainda nas palavras do ministro Luís Roberto Barroso, "o (escândalo) que teve a resposta mais contundente do Poder Judiciário".

Bravatas e o comércio com os EUA - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 16/08

À margem da irritação com a espionagem, há uma agenda objetiva em torno das trocas comerciais que deveria levar a uma reaproximação dos americanos



Primeira autoridade de alto escalão do governo a visitar o Brasil depois da revelação da existência do supergrampo intercontinental operado pela National Security Agency (NSA), o secretário de Estado John Kerry não poderia esperar uma recepção com fanfarras em Brasília. O fato de o Brasil ter sido — ou ser — um dos alvos da malha de vigilância eletrônica americana, conforme noticiado pelo GLOBO, injetou num governo em que há conhecidos bolsões antiamericanistas uma dose extra de irritabilidade.

Recebido terça-feira em Brasília, Kerry ouviu as esperadas reclamações do chanceler Antonio Patriota, e, numa audiência em que deve ter sido tratada a viagem da presidente a Washington, em outubro, travou conversa dura com Dilma Rousseff, dizem os relatos oficiais. Mesmo que nada pudesse ter sido muito diferente, não deixou, porém, de transparecer, na coreografia executada em Brasília em torno do secretário americano, algo meio marqueteiro, na linha da “defesa da autonomia nacional diante do Império”.

O escândalo da espionagem foi um prato cheio para boliviariano-chavistas e aparentados. A revelação ocorreu pouco antes de uma reunião de cúpula da Unasul, usada de palco para o devido repúdio à bisbilhotagem ianque.

Calendários eleitorais incentivam a que se engrosse a voz. A presidente Cristina Kirchner tem uma eleição parlamentar complicada em outubro, e, no ano que vem, Dilma irá para seu teste nas urnas. Criticar americanos, e quando eles merecem, sempre cai bem abaixo do Rio Grande. Só que o Brasil precisa saber até onde pode ir com bravatas. Pois reaproximar-se dos americanos deve ser objetivo a ser perseguido, quanto mais não seja devido às dificuldades econômicas que o país enfrenta e continuará a enfrentar.

A economia americana está em fase de reativação e pode ajudar as exportações brasileiras, principalmente de manufaturados, travadas por problemas internos de infraestrutura, impostos — e câmbio, até há pouco tempo —, bem como devido ao protecionismo argentino. O Brasil substituiu parte do comércio com os Estados Unidos pelas trocas com a China e o intercâmbio dentro do Mercosul. Os chineses se interessam quase exclusivamente por commodities, e os argentinos, atolados em crises (econômica, institucional), cercam o país de muralhas protecionistas, uma negação do próprio Mercosul.

Hoje, o comércio bilateral tem sido favorável aos EUA (no primeiro semestre, o superávit americano foi de US$ 6 bilhões). Uma das principais explicações é que, com o crescimento enorme da produção de gás de xisto, fonte de energia de importância crescente, os americanos importam menos combustíveis do Brasil. Mas houve também desinteresse estratégico com o maior mercado consumidor do mundo. O déficit deveria levar Brasília a se reaproximar de Washington pelo lado dos interesses concretos no comércio. Bravatas precisam ter prazo curto de validade.

Controle mambembe - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 16/08

Represamento artificial da inflação por meio de populismo tarifário da gestão Dilma desarranja diversos setores da economia


Problemas enfrentados pela Petrobras e a reiterada reivindicação de reajuste dos combustíveis derivados do petróleo ressaltam os desarranjos causados por controles artificiais de preços.

Outro sinal de que reajustes vêm sendo reprimidos transparece na inflação média dos preços e tarifas de mercados regulados pelo governo, os "preços monitorados", substancialmente menor que a inflação geral desde o início deste ano.

Nos últimos 12 meses, o aumento nessa categoria foi de apenas 1,3%-- a menor alta desde o lançamento do Plano Real. Preços livres subiram 7,9% no mesmo período.

Decerto a baixa inflação dos preços monitorados a partir de fevereiro deve-se em grande parte à queda do valor médio da energia. No entanto, mesmo essa redução de custos, a princípio bem-vinda, deveu-se a uma intervenção desastrada do governo nas concessões vincendas de usinas hidrelétricas.

Ao fim do episódio, o governo terá de bancar a conta da redução tarifária, provavelmente com emissão de dívida, mais um remendo na política econômica.

O represamento artificial da inflação por meio de populismo tarifário faz água em vários lugares.

A redução das tarifas de eletricidade redundará em deficit ou dívida. A pedido do governo federal, São Paulo e Rio de Janeiro adiaram os reajustes do transporte público para junho. Acuado pelos protestos daquele mês, o mesmo governo federal pressionou pela revogação de tais aumentos.

O quase tabelamento do preço da gasolina prejudica o caixa, a capacidade de investimento e o crédito da Petrobras. A petroleira já mal sabia como dar conta de suas novas responsabilidades de grande investidora do pré-sal.

Manietada pelo governo, a empresa sofre descrédito no mercado e reivindica outra vez reajustes que revigorem sua saúde financeira. Se não bastassem tais problemas, o preço artificialmente baixo da gasolina prejudica o setor de etanol, além de contribuir para congestionar ruas e poluir o ar.

Mesmo a ideia de exigir "modicidade tarifária" além da conta nas concessões de rodovias e ferrovias, entre outros projetos de infraestrutura, prejudica e atrasa os leilões que devem repassar tais serviços e obras à iniciativa privada.

Incapaz de investir por falta de recursos e competência, às voltas com um crescimento medíocre, o governo ainda põe obstáculos no caminho da retomada.

Anos de má gestão macroeconômica contribuíram sobremaneira para o recurso entre desinformado e desesperado aos remendos dos controles de preços.

As rachaduras dessa represa mambembe aparecem agora ao mesmo tempo. Os vazamentos fazem ainda mais estragos na credibilidade do governo e no desempenho econômico do país.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Fazemos o nosso trabalho. Não fazemos chicana”
Joaquim Barbosa, presidente do STF, reagindo a Ricardo rolando-o-lero Lewandowski


ALCKMIN TENTA BARRAR CPI DO METRÔ NO CONGRESSO

O governador Geraldo Alckmin tem acionado parlamentares paulistas para tentar segurar a instalação da CPMI do Metrô, que seria criada para investigar denúncias de propina e formação de cartel em troca de contratos nos governos tucanos de São Paulo. O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) e o líder do PT no Senado, Wellington Dias (PI), estão elaborando requerimento para coletar assinaturas já semana que vem.

PURA VINGANÇA

Aliados de Aécio Neves (PSDB-MG) defendem a criação da CPMI, só para jogar denúncias no colo do ex-governador tucano José Serra (SP).

ATINGE O PSDB

Apesar do desgaste que poderia causar ao arqui-inimigo, Aécio teme que a CPI respingue em sua candidatura à Presidência, em 2014.

TUDO COMBINADO

Segundo Paulo Teixeira (PT-SP), a CPMI conta com amplo apoio nos partidos da base e tem o aval do presidente do PT, Rui Falcão.

NÃO É A DELTA

O petista garante que as denúncias envolvendo as empresas Siemens e Alstom “não têm qualquer vínculo com o governo federal”. Anrã.

GOVERNO ROMPE CONTRATOS E USUÁRIO LEVA A PIOR

Além de espantar os investidores do Rio Grande do Sul, ao romper os contratos de concessões das rodovias antes do término, o governador Tarso Genro (PT) deixa abandonadas as estradas que deveriam ser retornadas para o governo federal. E ainda mandou fazer um relatório de encerramento das concessões sem anuência ou participação das concessionárias, como previam os contratos, nem do governo federal.

SOBROU PARA OS USUÁRIOS

Após o rompimento dos contratos de concessão de rodovias gaúchas, os buracos se multiplicaram e os guinchos e ambulâncias sumiram.

ADIVINHAÇÃO

Como a coluna antecipou, a americana Armalite, representada no Brasil pela Dimensão, ganhou o pregão de armas para a PM do DF.

ABONO

Por sua assessoria, o senador Blairo Maggi (MT) deixou claro que não está entre os amolados com a filiação de José Roberto Arruda ao PR.

APOSTA NA DIVISÃO

O ex-governador José Serra acertou a candidatura de Gilberto Kassab (PSD) à sucessão de Geraldo Alckmin (PSDB). Lula adorou: com a divisão no ninho tucano, seu candidato, seja quem for, leva vantagem.

PROTAGONISMO

Ricardo Lewandowski tem sido criticado por colegas por sua dificuldade de ser apenas mais um ministro a votar. Nesta fase, Barbosa continua relator, e Lewandowski não é mais o revisor. Ele tem concordado com o relator, mas expressa isso demoradamente, alongando as sessões.

PANELAÇO

Jovem chef de cozinha muito admirada em Brasília participou ontem do panelaço contra impostos suecos e serviços africanos no Brasil. Myriam, da Cantina Sanfelice, é filha do ministro Gilberto Carvalho.

FORÇA DO HÁBITO

A ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) deu seu habitual jeitinho de ir de jatinho da FAB na hora do almoço para casa, em Florianópolis, sexta (9), e voltar a Brasília domingo à noite, “a serviço”.

O ELO MAIS FRACO

Os cortes no Senado, feitos pelo presidente, Renan Calheiros, atingiram em cheio pessoal humilde de limpeza e conservação. No dia 31, vence o aviso prévio de 512 deles. Houve até tentativa de suicídio.

EMBRULHA E MANDA

A Controladoria-Geral da União atribuiu a concessão do “selo ético” à Siemens, em 2011, ao comitê que integra com Febraban, CNI, Sebrae, ministério do Desenvolvimento, Instituto Ethos e Apex. Ah, bom.

TEU NOME É ATRASO

O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), corre para o abraço com o atraso: proibiu máquinas portáteis de cartão de crédito. Nos restaurantes, a partir do dia 1º, contas só serão pagas no balcão, para “evitar fraudes”. Em vez de qualificar a fiscalização, ele pune o cidadão.

FEBRE PARAGUAIA

Mal o presidente do Paraguai, Horacio Cartes, tomou posse em Assunção, Dilma alegou febre alta e se mandou de volta ao Brasil, “a conselho médico”. Não deu entrevistas e dispensou também o almoço.

PENSANDO BEM...

... o Mubarak é mais embaixo, no #vemprarua do Egito.


PODER SEM PUDOR

NARIGÃO ELEITOR

A campanha municipal de 1988 já estava na rua, em Curitiba, quando o candidato Duarte dos Santos chegou atrasado a uma reunião, presidida por Dr. Bicudo, dirigente da Sociedade de Amigos do Boqueirão e dono de um prestígio tão grande quanto o nariz. Duarte pediu a palavra:

- Gostaria, antes, de agradecer a oportunidade dada pelo Dr. Narigudo...

A plateia caiu na gargalhada e Duarte desperdiçou a chance de ganhar votos na área de influência do Dr. Bicudo.

SEXTA NOS JORNAIS

Globo: Protestos em série – Duzentos param o Rio por sete horas
Folha: Presidente do STF acusa revisor de chicana pró-réus
Estadão: Em dia tenso, STF rejeita recursos de Jefferson
Correio: Mensalão esquenta o clima no Supremo
Valor: Empresas freiam expansão e procuram rentabilidade
Estado de Minas: Metade dos brasileiros não tem plano de saúde
Jornal do Commercio: Justiça liberta o dono da Priples
Zero Hora: Em 10 anos, R$ 179 bi para educação e saúde
Brasil Econômico: Reestruturação da EBX deixa Eike só com ‘micos’