quinta-feira, fevereiro 14, 2013

FORÇA ESTRANHA NO CARNAVAL DO RECIFE - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 14/02

O baiano Caetano Veloso foi uma das estrelas do encerramento da folia pernambucana na noite de terça. Contratado pela Prefeitura do Recife, ele escolheu repertório especial. Em plena capital do frevo, cantou músicas de ritmo lento como "Luz do Sol", "Sozinho" e "Leãozinho". Encerrou com "Força Estranha".

Caetano e o governador Eduardo Campos (PSB-PE) são amigos. O político foi ao enterro da mãe do cantor, dona Canô, em dezembro.

Anunciado como atração do Carnaval do Recife no dia 25 de janeiro, Caetano publicou elogio a Campos dois dias depois em sua coluna no jornal "O Globo" em que falava de filmes e personagens do Estado: "Não posso deixar de pensar em Eduardo Campos e na seriedade da política em Pernambuco". Campos e a primeira-dama, Renata, o visitaram no camarim no dia do show no Recife.

A festa teve ainda apresentações de Elba Ramalho e de Alceu Valença.

AMBIENTE POLUÍDO
Uma das maiores ações de indenização coletiva do país estará em discussão hoje no TST (Tribunal Superior do Trabalho). A Shell e a Basf tentam conciliação para suspender depósito de R$ 1 bilhão ao FAT por danos morais coletivos causados a trabalhadores e moradores de Paulínia (SP) por uma antiga fábrica de praguicidas na década de 70.

ARQUIVO VIVO
A fábrica era da Shell e foi adquirida pela Basf, que acabou condenada solidariamente. A acusação dizia que a produção dos elementos químicos resultou em contaminação do solo e de lençóis freáticos, afetando toda a comunidade. As empresas apresentaram defesa, mas acabaram condenadas em 2010.

MESA-REDONDA
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) procurou Gabriel Chalita (PMDB-SP) para propor um ciclo de debates e prévias para a escolha do candidato do PT, em aliança com o PMDB, ao Senado. Chalita disse a ele que não pretende disputar o cargo.

MESA QUADRADA
A polêmica em torno da candidatura de Suplicy em 2014 divide o PT. Uma parte dos dirigentes acha que o pedido dele, de prévias para a escolha do candidato, deve ser atendido -mas a cúpula, Lula incluído, trabalharia para derrotá-lo. Um outro grupo prefere descartar a consulta. Suplicy seria aclamado desde já candidato, o que afastaria a hipótese de ele trocar o partido pela legenda de Marina Silva.

QUEDA
Até a meia-noite de ontem, a polícia tinha registrado 47 assassinatos no Recife no Carnaval. O número impressiona -mas é o menor desde 1997. No ano passado foram 52 assassinatos; em 2011 foram 53. A contabilidade final será divulgada hoje.

VIDA LONGA
Antônio Fagundes pode sair da novela "Em Nome do Pai", a próxima das nove da TV Globo, antes do final. De acordo com informações repassadas a atores do elenco, ele pode morrer no meio da trama. Susana Vieira, que fará o papel de sua mulher, ficaria então viúva.

NO CENTRO
O Camarote Recife Antigo recebeu celebridades como Rafael Cardoso, a cantora Thais Gulin, Gabriel Braga Nunes com Isabel Mello, Bárbara Borges, Gabriel, O Pensador e Giulia Brito.

CURTO-CIRCUITO
A bandas Autoramas e Columbian Neckties se apresentam hoje, às 23h, no Beco 203. 18 anos.

Fatboy Slim toca hoje no Brooks Bar. 18 anos.

Célia Forte autografa no sábado "Amigas Pero no Mucho" e "Ciranda", na Livraria da Vila, às 16h.

Funk como Le Gusta faz show no Bourbon Street. Às 23h30. 18 anos.

Anelis Assumpção abrirá os shows de Djavan nos dias 15 e 16 de março, no Credicard Hall. 12 anos.

Sem perda de direitos - ILIMAR FRANCO

O GLOBO - 14/02

COM SIMONE IGLESIAS 


O governo montou uma ofensiva para mostrar aos trabalhadores dos portos que eles não perderão direitos com as concessões. Se há alguma margem que gere dúvidas na MP enviada ao Congresso, mudará o texto, fazendo readequações. Por outro lado, não atenderá aos empresários e não fará reserva de mercado: "Estão com medo da competição", resume um ministro.

O que querem, afinal?
Portuários têm se queixado a ministros que seus sindicatos estão atuando alinhados com os empresários. Reclamam especialmente da Força Sindical, comandada pelo deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP). O Planalto já havia detectado que ela está operando em favor de Daniel Dantas, controlador do Porto de Santos. O governo atua para esvaziar a marcha a Brasília, dia 6 de março, organizada por centrais sindicais, em protesto à MP dos Portos. Amanhã, o ministro Brizola Neto (Trabalho) se reunirá com a direção executiva da Força Sindical para saber contra o que exatamente ela está lutando.

“Falar em impeachment do procurador-geral da República é um acinte à inteligência nacional. Iniciativa afrontosa à ética. Trata-se de inversão de valores” 
Álvaro Dias
Senador (PSDB-PR)

Boca no trombone
Para marcar o Dia da Mulher, a central de atendimento 180 será ampliada para dez países. Hoje, brasileiras vítimas de violência no exterior podem ligar pedindo ajuda de quatro países: Portugal, Espanha, França e Itália.

Tudo sob controle
Inflação em alta, crescimento pouco robusto, política cambial errática. Nada disso tira o ministro Guido Mantega da Fazenda. A presidente Dilma confia no auxiliar e, por ora, não está em seus planos mexer na equipe econômica. A despeito das críticas, a avaliação no Palácio do Planalto é que a vida vai melhorar.

Controle rígido
A presidente Dilma controla tanto os atos de governo que até discursos dos ministros passam pelo seu crivo. Na véspera de eventos oficiais, os textos são mandados para o Planalto e devolvidos com correções e assuntos excluídos.

Favor não fumar
Apoiadores da ex-ministra Marina Silva estão oferecendo hospedagem gratuita aos que viajarem a Brasília, no próximo fim de semana, para o lançamento de seu partido, que deverá se chamar Rede EcoBrasil. Disponibilizam sofás-cama, colchões infláveis e, os que aceitam receber fumantes, especificam que é preciso sair do apartamento para fumar.

Dilma só para baixinhos
A presidente Dilma abriu as portas do Alvorada para filhos e netos de ministros assistirem com ela ao filme Tainá, a Origem. Foram recebidos com pipoca e minipizza. Depois, brincaram de esconde-esconde na residência oficial.

Além das fronteiras
O governo está conversando com Peru e Bolívia, que querem compartilhar o uso dos Vants, aviões não tripulados para fiscalizar fronteiras. O Brasil já recebeu documentos enviados pelo governo Evo Morales sobre uma eventual parceria.

O SITE DA ANAC está desatualizado. Rubens Vieira, flagrado na Operação Porto Seguro, aparece como diretor, sem ressalva que foi afastado em 2012.

Saudade de ideias perigosas - CONTARDO CALLIGARIS

FOLHA DE SP - 14/02

Sinto falta de uma época em que havia livros proibidos, e a leitura ameaçava transformar o mundo


NO MEIO do Carnaval, para decidir meu voto (por correspondência) nas eleições políticas italianas, conversei por telefone com meu irmão, que vive em Milão. A meu ver, em qualquer ocasião, deveria votar só quem vive na sociedade que será modificada pelo resultado da eleição. Como italiano vivendo no Brasil, eu deveria votar no Brasil, e não na Itália.

Seja como for, meu irmão e eu concordamos. Votaríamos para obter resultados parecidos:

1) resistir ao populismo regionalista da "Lega Nord" (que tem um discurso do tipo: mandemos embora os estrangeiros e voltemos a falar dialeto, tudo dará certo se ficarmos entre nós);

2) resistir ao populismo do Movimento Cinque Stelle, cinco estrelas (seu animador, Beppe Grillo, nos faz pensar na Itália das comédias de Lina Wertmüller -o país do qual fugi);

3) apoiar a centro-esquerda (sem nem pensar que o Partito Democratico seja herdeiro do antigo partido comunista, no qual militei -essa lembrança teria semeado a discórdia entre nós);

4) não reprovar o trabalho de saneamento básico feito pelo primeiro ministro Monti;

5) impedir a volta de Berlusconi.

Fato notável, desde os anos 1990, meu irmão e eu conseguimos conversar de política. A razão é simples: nem eu nem ele defendemos mais grandes ideias. Acabou a época de Marx contra Adam Smith, Gramsci contra Luigi Einaudi etc. Estamos prontos para uma democracia em que não se enfrentam projetos de sociedade, só questões concretas, em referendo: você é a favor ou contra o casamento gay? A eutanásia? A pesquisa com células-tronco?

Também nestes dias recebi o e-mail pelo qual Marina Silva convida para um encontro, em Brasília, do qual deve sair um novo "instrumento político" (ninguém quer mais falar em partido, é compreensível).

As palavras finais do convite vão na direção da política concreta que me permite conversar com meu irmão: "Podemos contribuir para recuperar o espaço da política para a prática do bem comum, do serviço, da afirmação dos direitos e deveres da cidadania. Podemos contribuir para democratizar a democracia".

É uma esperança e tanto. E aprovo que a política seja uma arte de pensar o concreto, e não um debate ou conflito de ideias e ideais. Mas não deixo de sentir saudade.

Dei-me conta disso ao assistir ao extraordinário "O Amante da Rainha", de Nikolaj Arcel. Contrariamente a Luiz Felipe Pondé, em sua última coluna, o que me tocou não foi a história de amor, mas a lembrança de uma época em que havia livros proibidos, porque sua leitura ameaçava transformar o mundo.

Rousseau não é meu iluminista preferido, mas, para o bem ou o mal, é um dos pilares do pensamento moderno. Em 2009, um bonito exemplar da primeira edição do "Contrat Social" (Amsterdam, 1762) custou quase US$ 50 mil (R$ 100 mil).

Logo após sua publicação, em vários lugares da Europa, o mesmo exemplar custava infinitamente menos, mas saía mais caro: guardar o livro na estante de casa podia valer uma estadia na prisão, ou coisa pior.

Nas partes do mundo que me são familiares (a Europa e as Américas -sobretudo a do Norte), faz apenas algumas décadas (não mais do que isso) que não há livros cuja posse seja comprometedora -algumas décadas que os governos deixaram de se preocupar com a difusão de opiniões "subversivas".

Nasci na Europa depois do fim do fascismo e do nazismo. Não vivi na América do Sul durante as ditaduras militares. Por sorte, fui só turista na Espanha franquista e no Portugal salazarista -nunca tive que viver lá. Sorte maior ainda, nunca tive que passar mais de duas ou três semanas do outro lado da Cortina de Ferro ou em países comunistas da Ásia ou da América Central.

O mesmo vale para Estados confessionais. Em conclusão, nunca vivi debaixo de governos que temessem a difusão de ideias a ponto de tentar impedi-la à força.

Mesmo assim, desde o começo da modernidade até poucas décadas atrás (até a queda do Muro de Berlim?), os livros eram tratados como armas potencialmente perigosas. Enquanto hoje, no fundo, eles e suas ideias parecem, antes de mais nada, indiferentes. O que aconteceu?

Foucault responderia, provavelmente, que a grande estratégia do poder contemporâneo é a permissividade: se é permitido dizer tudo e qualquer coisa, por que discutir, por que lutar por qualquer ideia? Fale e deixe falar. Não é?

O acordo transatlântico e o Brasil - DIEGO BONOMO

O ESTADO DE S. PAULO - 14/02

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou, em seu discurso à Nação, o lançamento de negociações entre os EUA e a União Europeia para a conclusão de um histórico acordo transatlântico de livre comércio - o Transatlantic Trade and Investment Partnership (TTIP). O anúncio é, ao mesmo tempo, político e pragmático. Em matéria de volume de comércio, o TTIP será o maior acordo comercial da história.

De um lado, ao anunciar a iniciativa ambiciosa na área comercial, o presidente toma para si um tema tradicional do Partido Republicano. De outro lado, o anúncio é pragmático, pois Obama reconhece o papel das exportações (e da abertura de mercados) para a retomada do crescimento econômico e da criação de empregos nos EUA.

O TTIP, somado ao acordo transpacífico (TPP) em negociação, será peça-chave para a integração comercial dos dois polos mais dinâmicos do capitalismo global: o Atlântico Norte e o Pacífico, embora sem a China.

Há 20 anos, acreditava-se que o mundo pós- Guerra Fria seria dividido em três blocos comerciais: as Américas, lideradas pelos Estados Unidos; a Europa, o Mediterrâneo e a África, cujo dínamo seria a Alemanha; e o Sudeste Asiático, em torno do Japão.

A"tríade", hoje, pode ser transformada em um "cinturão comercial" (TTIP-TPP), que deixará de fora a África, a Ásia Central, o Oriente Médio, parte da América Latina e, sobretudo, os Brics. Concorrentes entre si, os Brics têm pouca chance de criar alternativa viável.

O TTIP poderá ter dois impactos imediatos para o Brasil - poderá desviar comércio, prejudicando as exportações brasileiras para os Estados Unidos e para a União Europeia, e tem potencial para alterar a dinâmica das negociações na Organização Mundial do Comércio.

Além disso, deverá ser complementado por acordos adicionais, tanto dos Estados Unidos, quanto de outros países, que, inclusive, já se organizam para lançar iniciativas plurilaterais sobre serviços e tecnologias da informação e comunicação sem a participação do Brasil.

Desde 2008, o País não tem estratégia clara de negociações comerciais e a política comercial brasileira permanece amarrada a três mitos: só proteção gera crescimento; a agricultura é ofensiva,mas a indústria não o é; e acordos com países desenvolvidos criam dependência, mas não crescimento e empregos. Como resultado, o Brasil perde terreno comercial até mesmo no Mercosul.

Diante desse cenário, não ter estratégia não é alternativa.O País precisa repensar sua política comercial ou acabará como no ditado: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come!


Pequeno grande Carnaval - ALAN GRIPP

FOLHA DE SP - 14/02

SÃO PAULO - Além do tsunami papal, uma das novidades do reinado de Momo foi o ressurgimento, com vigor surpreendente, dos blocos de rua em São Paulo. Antes restritos a grupos acanhados na semana que antecede os festejos oficiais, os desfiles deste ano arrastaram paulistanos aos milhares nos dias em que a capital parecia fazer jus ao título de "túmulo do samba".

Arrisco-me a dizer que a folia na Pauliceia experimentará um boom em 2014. Não teremos aqui nada parecido com o Rio de Janeiro, Salvador ou Recife, evidentemente. Mas será o suficiente para oferecer uma alternativa àqueles que deixam a cidade em massa rumo aos saturados Carnavais dessas cidades.

Para quem já tem o costume de ficar aqui -e possui algum apreço pelo ziriguidum, naturalmente-, é também uma opção ao cada vez mais tedioso espetáculo de merchandising das escolas de samba.

É bom tratar do tema desde já. Junto com a multiplicação dos blocos, aparecerá um pouco de tudo. De figuras pouco ofensivas, como o "mala do tamborim" -personagem típico que, de posse do instrumento e de umas doses a mais, transforma-se no maior dos ritmistas-, a ameaças bem mais perigosas.

Convém olharmos a experiência do Rio, que, há algum tempo, festeja a retomada do Carnaval à moda antiga. Existe, de fato, o que comemorar. Cariocas e agregados deram uma banana aos desfiles modorrentos da Sapucaí e passaram a promover uma festa lúdica, espontânea e, o que é melhor, gratuita.

O problema é que ela virou refém do próprio sucesso, levando a cidade ao caos e deixando um rastro de sujeira e fedor que multiplica os efeitos da Quarta-Feira de Cinzas.

Conter o gigantismo deve ser um mantra de São Paulo. Centenas de blocos e desfiles monstruosos só servem para alimentar disputas estúpidas por recordes entre cidades. E para dar razão aos que rangem os dentes só de ouvir a palavra Carnaval.

Obama e a “exceção americana” - DEMÉTRIO MAGNOLI

O GLOBO - 14/02

Na sabatina de John Brennan, o indicado de Barack Obama para dirigir a CIA, o Senado dos EUA assistiu a um espetáculo de som e fúria. De um lado, a saraivada de críticas indiscriminadas à política de “assassinatos seletivos” conduzidos por drones não lançou luz sobre um debate vital. De outro, os aliados do governo no Congresso engajaram-se na tentativa de maquiar uma estratégia desastrosa, inspirada pela Doutrina Bush.

O Estado tem o direito de promover execuções extrajudiciais em território estrangeiro? As leis de guerra, que se inscrevem no direito humanitário internacional (IHL), aceitam o extermínio de combatentes inimigos no interior das fronteiras do teatro de batalha. Na sua inerente flexibilidade, elas admitem a morte de civis como um dano colateral, desde que não se comprove uma deliberação de promover massacres. Fora do teatro de batalha, vigoram as leis internacionais de direitos humanos (IHRL), que vetam execuções extrajudiciais em todos os casos, exceto quando o alvo representa ameaça direta e imediata a terceiros. A crítica à política americana de contraterrorismo acusa-a de violar a IHRL; o governo retruca situando os “assassinatos seletivos” na moldura do IHL. Nesse ponto, a razão está com Obama.

Comprovou-se que os ataques de drones têm precisão superior à de bombardeios aéreos convencionais. Os drones não mataram centenas de civis, como reportam jornais distraídos e fanáticos antiamericanos, mas algumas dezenas, ao longo de vários anos. As fontes originais das exageradas estimativas são, invariavelmente, jornais locais das Áreas Tribais Federais do Paquistão, controlados pelo Taleban, e agências de inteligência paquistanesas célebres por seus laços de cooperação com grupos jihadistas da Caxemira. Desgraçadamente, a voz que sustentou tais verdades no Senado americano foi a do sórdido Brennan, uma figura marcada pela colaboração tácita com as práticas de tortura empregadas sob George W. Bush na “guerra ao terror”.

A União Americana pelos Direitos Civis (Aclu) arguiu nos tribunais que os “assassinatos seletivos” poderiam ser conduzidos no Afeganistão, ao abrigo do IHL, mas nunca no Paquistão, no Iêmen ou em outros territórios exteriores ao teatro de batalha. No caso das organizações do “terror global”, o argumento da limitação geográfica da aplicação do IHL não é apenas errado, mas politicamente intolerável. A finalidade principal das leis de guerra é proteger a população civil nas áreas de conflito. Se triunfasse a tese da Aclu, as leis de guerra seriam convertidas em ferramenta de proteção do “exército do terror”, pois todos os países fora do Afeganistão ganhariam o estatuto de santuários para os combatentes ilegais da Al-Qaeda, que não se subordinam ao IHL e atacam deliberadamente alvos civis. Nessa hipótese, os chefes jihadistas teriam o privilégio extraordinário de decidir unilateralmente sobre a localização dos sucessivos teatros de batalha, que seriam sempre criados por seus próprios atos de terror.

No caso de conflitos transnacionais de novo tipo, como a “guerra ao terror”, as leis de guerra não podem ser circunscritas pelas fronteiras geopolíticas tradicionais: o teatro de batalha move-se junto com o movimento dos atores do conflito. A Doutrina Bush derivou dessa conclusão correta o postulado maximalista de um “teatro de batalha global”. O mesmo postulado conduz o governo Obama a reivindicar uma “exceção americana”: na sua política de contraterrorismo, os EUA teriam o privilégio de ignorar as fronteiras geopolíticas e a soberania das nações.

A noção de “teatro de batalha global” tem implicações aterradoras, que aproximam a humanidade dos domínios da barbárie. Ao seu amparo, drones americanos poderiam exterminar terroristas da Al-Qaeda em Londres ou São Paulo, enquanto drones israelenses matariam militantes do Hezbollah no Líbano e seus similares chineses eliminariam separatistas uigures no Cazaquistão.

A lei de neutralidade, que faz parte das leis de guerra, deveria conduzir Washington a pensar duas vezes antes de postular um “teatro de batalha global”. Ela impõe obrigações tanto aos neutros quanto aos beligerantes. Os neutros não podem dar abrigo a forças de uma das partes beligerantes. Por outro lado, os beligerantes não podem operar militarmente no território dos neutros. O Afeganistão converteu-se, em 2001, em alvo legítimo das ações militares americanas quando rejeitou o ultimato para expulsar a Al-Qaeda de seu território. Mas, ao menos em princípio, o Paquistão, o Iêmen e outros países não são alvos legítimos de incursões de drones.

O cenário no terreno é menos claro do que gostariam os juristas. Em tese, o governo paquistanês é um aliado dos EUA na “guerra ao terror”. Contudo, os jihadistas não são eficazmente assediados pelas forças do Paquistão nas Áreas Tribais Federais. O jogo duplo do Paquistão conferiu legitimidade à ação de comandos americanos que liquidou Osama bin Laden, mas não pode servir como justificativa permanente para ataques de drones não formalmente autorizados pelo país. No Iêmen, na Líbia e em outros lugares, as coisas são ainda mais escandalosas, pois os EUA nem mesmo tentam coordenar tais operações com os governos nacionais.

Obama extraiu as conclusões erradas do triunfo obtido na hora da eliminação de bin Laden. Sua abordagem da “guerra ao terror” estabelece precedentes assustadores. A caça aos jihadistas, inclusive com o uso de drones em operações letais, demanda a cooperação internacional. Mas Washington continua a rejeitar o quadro multilateral do Conselho de Segurança da ONU para configurar um teatro de batalha global legítimo. Diante da crise aberta na sabatina de Brennan, congressistas americanos formularam a ideia de uma corte revisora das listas de alvos dos “assassinatos seletivos”. É apenas uma forma de retocar a maquiagem da intolerável “exceção americana”.

Lavagem de dinheiro - RICARDO CAMARGO LIMA


O ESTADO DE S. PAULO - 14/02

Com a edição da nova lei de lavagem de dinheiro e o julgamento do mensalão, duas questões têm vindo à tona nas discussões dos homens de negócios. A primeira consiste em saber se o advogado está ou não inserido no rol das pessoas que têm a obrigação de comunicar operações que resultem na possível prática do crime de lavagem de dinheiro por seus clientes. A segunda, se em razão da hierarquia das corporações os administradores são automaticamente responsáveis criminais pelas condutas ilícitas de seus subordinados.

Nos últimos dias, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) editou resolução dispondo ser a obrigatoriedade da comunicação às autoridades apenas dos profissionais não submetidos a regulamentação de órgão próprio regulador. A notícia veio a reforçar o que já se defendia:o advogado não pode, em nenhuma hipótese, ser obrigado a delatar os seus clientes. Tanto é assim que,em outubro último, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) decidiu entrar com ação direta de inconstitucionalidade contra a nova lei, como intuito de obter a declaração do Supremo Tribunal Federal (STF) da não obrigatoriedade de comunicação às autoridades, no caso de o advogado saber ou suspeitar da prática do branqueamento de capitais por seus clientes. Com a resolução do Coaf, a posição da OAB ganhou força,uma vez que aquele órgão é diretamente interessado na apuração do crime de lavagem de dinheiro.

A questão continua controversa. Há quem entenda não ter o advogado,antes da propositura de uma ação penal, as mesmas garantias de sigilo que possui durante o processo. Essa proteção, portanto, não atingiria a fase das consultas.

No entanto, os direitos à presunção da inocência, à não autoincriminação, à ampla defesa são inerentes à pessoa humana. Mas somente se concretizam por meio do trabalho do advogado e das garantias que este tem de exercê-lo livremente. É o advogado quem está na linha de frente do combate ao poder estatal, com vista a garantir a efetivação dos direitos de seus clientes. É razoável, portanto, que as pessoas possam ao menos consultá- lo sem correr o risco de ver seus segredos comunicados às autoridades.

Por outro lado, entender que os advogados estão obrigados a denunciar seus clientes é submetê- los à violação de seu sigilo profissional, intrínseco à natureza do seu ofício.

A nova lei de lavagem deve ser analisada no contexto do ordenamento jurídico existente,que é de natureza democrática e abraça os direitos humanos. A lei máxima do País é a Constituição da República, garantidora do sigilo profissional do advogado. Abaixo dela vem a Convenção Americana de Direitos Humanos, que veda a autoincriminação, e, por fim, o Estatuto da Advocacia, lei federal da mesma estatura da lei de lavagem, só que com uma diferença fundamental: aquela é lei especial e, portanto, prevalece sobre esta, garantindo também o sigilo.

Por causa disso, a restrição do sigilo do advogado somente para a atuação processual,e não mais para a atividade de consultoria, não se justifica, por ser inconstitucional e ilegal.

A consulta, por vezes, antecede a atuação do profissional no processo. Como garantir, então, o direito de defesa e à não autoincriminação se o advogado não puder guardar o segredo de quem vem com eles e consultar? Instala-se aí um verdadeiro paradoxo.

Passa a haver clara ruptura na relação de confiança entre quem procura um defensor e este, a qual se presta unicamente a fortalecer o Estado de polícia almejado por aqueles que desrespeitam os direitos fundamentais da pessoa humana, sob o argumento do combate ao terrorismo e à criminalidade organizada. Seria um contrassenso exigir dos advogados que denunciassem seus clientes antes do processo e acreditar que estes permitiriam ser defendidos por seus alcaguetes...

A tentativa de enfraquecer os direitos dos cidadãos ante o Estado por meio da restrição da atividade dos advogados vem se acentuando como tendência nos últimos tempos. Entretanto, pelas razões expostas,a atividade de consultoria praticada por estes não está inserida no rol da nova lei de lavagem.

Por outro lado, tratando da responsabilidade penal dos administradores de empresas, é imperioso esclarecer que o indivíduo só pode ser punido se demonstrada a sua culpabilidade. Assim o determina a Constituição ao eleger como garantia fundamental o princípio da presunção da inocência e a necessidade do devido processo legal, amparado pela ampla defesa e pelo contraditório, para a condenação de qualquer pessoa no País. Da mesma forma, o Código Penal explicita que a pessoa que comete um crime será punida na medida de sua responsabilidade sobre ele. Para haver uma condenação, portanto, é fundamental a prova da participação do indivíduo no ato ilícito.

Isso faz com que a mera posição de superioridade hierárquica no seio de uma organização empresarial não seja suficiente para condenar ninguém. Claus Roxin - doutrinador que desenvolveu a teoria do domínio do fato, empregada recentemente pelo STF-afirmou em entrevista que" o mero ter que saber não basta",sendo absolutamente necessária a prova de que o superior efetivamente ordenou a conduta criminosa ao seu subordinado, sobre ela teve controle e sem a sua atuação o fato não teria ocorrido.

Mas isso ainda será objeto de muita discussão judicial.Até porque, ao se valer dessa teoria, o Supremo Tribunal pode ter-se equivocado,utilizando-se da responsabilização objetiva, absolutamente proibida na esfera penal pelo ordenamento jurídico.

Espera-se, por fim, que a Corte máxima do País julgue as questões suscitadas com fundamento nos direitos e garantias individuais, resguardando a integridade pessoal, patrimonial e profissional dos advogados e o direito fundamental do cidadão à ampla defesa, para preservar o Estado de Direito.

Ô abre alas - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 14/02


O PSB começa a montar palanques estaduais para dar suporte à possível candidatura presidencial de Eduardo Campos em 2014. Inicialmente candidato ao Senado, o líder do partido na Câmara, Beto Albuquerque, pode concorrer ao governo do Rio Grande do Sul. "O projeto nacional se sobrepõe aos locais. A candidatura do Eduardo já botou o bloco na rua", diz. Além dos seis governadores que tentarão a reeleição, o PSB estima ter o mesmo número de candidatos viáveis.

Petit comité Campos promove reuniões periódicas em Recife e Brasília com Albuquerque, Rodrigo Rollemberg (DF), líder no Senado, Carlos Siqueira (MA), secretário-geral da sigla, e Roberto Amaral, vice-presidente. A ideia é ajustar o mapa eleitoral socialista às pretensões do governador em 2014.

Cartilha O PT prepara série de livros de bolso temáticos alusivos aos dez anos do partido à frente do governo federal. A ideia é reforçar comparações de indicadores com as gestões de FHC.

Do sonho... O manifesto da "Rede", novo partido de Marina Silva, tem capítulo voltado à "democratização do sistema de comunicação". A minuta do estatuto, a ser aprovada sábado, veda filiação de políticos ficha-suja e prevê um "conselho político cidadão" para fazer o "controle social'' das decisões.

... à prática Sonháticos que tiverem cargo de confiança darão contribuição obrigatória, além de taxa simbólica pela "carteira nacional do militante". O dízimo oscilará de 1% a 5% do salário líquido, de acordo com o cargo ocupado.

Fumaça branca Dirigentes da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) fizeram chegar ao Planalto que, apesar de cinco cardeais brasileiros estarem no páreo, o arcebispo de Milão, dom Angelo Scola, é o favorito para suceder Bento 16, na visão da entidade católica.

Quem avisa... Aloizio Mercadante (Educação) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento) sugeriram ontem a Dilma que a reforma ministerial seja "mais abrangente" que a planejada inicialmente. Em reunião com a presidente, defenderam a importância de se atender PDT e PR, além de PMDB e PSD, que já constam na relação de prováveis contemplados.

Estaca zero Após a visita de líderes do PR ao Planalto, auxiliares de Dilma concluíram que persiste o veto do partido à ida do senador Blairo Maggi para um ministério. Como nenhum outro nome foi apresentado, a sigla pode seguir sem representante na Esplanada.

É nosso O PMDB-MG indicou José Lima de Andrade Neto (Petrobras Distribuidora) para assumir a diretoria internacional da Petrobras, vaga desde 2012. Com a definição da eleição da Mesa Diretora da Câmara, a bancada cobra agora do ministro Edison Lobão (Minas e Energia) a nomeação para o cargo.

Deixa disso 1 O PT trabalha para evitar disputa entre três membros da corrente CNB (Construindo um Novo Brasil) pelo comando de sua seção paulista. Os presidentes Rui Falcão (nacional) e Edinho Silva (estadual) abrirão o debate interno.

Deixa disso 2 Além dos já declarados candidatos Emídio de Souza, ex-prefeito de Osasco, e Vicente Cândido, deputado federal, o deputado estadual Luiz Cláudio Marcolino entrou na corrida, com desfecho em novembro.

Trote? Calouros da Facamp, em Campinas, foram avisados de que terão aulas de macroeconomia com José Serra. O tucano foi convidado por Luiz Gonzaga Belluzzo, fundador da instituição.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio
" Fim do mundo maia; Coreia do Norte lança bomba atômica; papa renuncia. Cumpre-se a Profecia de São Malaquias? Aperte o cinto."
DE CESAR MAIA (DEM-RJ), ex-prefeito e vereador, relacionando episódios recentes à premonição apocalíptica atribuída a um bispo do século 12.

contraponto


O bispo é pop


Na cerimônia de lançamento da Campanha da Fraternidade 2013, ontem, em Brasília, o secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Leonardo Ulrich Steiner, conduzia a abertura e cumprimentava autoridades presentes ao lado do ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência).

Ao perceber o número de jornalistas no local bem superior à cobertura de edições anteriores, dom Leonardo não se conteve e brincou:

-Que bom ver vocês na campanha! Mas já sei que estão aqui só por causa do papa!

Oração - ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE SP - 14/02


BRASÍLIA - Impossível discordar de dom Cláudio Hummes quando ele diz que "será difícil [para o novo papa] simplesmente dizer sim àquilo que é proposto pela sociedade ou pelos legisladores hoje em dia".

Arcebispo emérito de São Paulo e um dos cinco brasileiros que votam e podem ser votados no conclave para a escolha do sucessor de Bento 16, dom Cláudio referia-se à extensa lista que separa a Igreja Católica da sociedade contemporânea -e dos fiéis, portanto.

Como temas centrais, a recusa a contraceptivos e camisinhas, casamento gay e a própria homossexualidade, ordenação de mulheres e o debate sobre o celibato dos padres, pesquisas com células-tronco e o aborto até em caso de estupro.

Se é difícil dizer sim, fica cada vez mais arriscado só dizer não. Os ataques especulativos de outras igrejas têm tido enorme sucesso, especialmente em países emergentes, mais jovens, muito populosos e menos letrados. O Brasil, apontado como o maior país católico do mundo, é o melhor exemplo.

Isso se torna ainda mais grave, até constrangedor, quando confrontadas a rigidez da lista de proibições para o público externo, os fiéis, e a elasticidade das concessões para o interno, bispos e padres.

Ao mesmo tempo em que desaprova a homossexualidade e se recusa a discutir o celibato dos padres, o Vaticano faz vistas grossas para as denúncias de pedofilia.

Elas pipocam na igreja em diferentes partes do mundo e mancham o legado de Bento 16. Como escreveu Julia Sweig ontem, com todas as letras, a isso se chama hipocrisia.

O mundo certamente reza, ou torce, por um papa mais jovem, mais arejado, fora do eixo europeu e que, obviamente sem negligenciar a doutrina, seja mais aberto à evolução da ciência e à dinâmica da sociedade e de suas demandas. Fácil não é, mas nada é impossível depois de 2.000 anos de existência e de poder.

A questão das alianças - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 14/02

A candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB, à Presidência da República parece a cada dia mais cristalizada no projeto dos socialistas, e agora tratada não mais como objetivo de longo prazo. Caminhamos para uma disputa eleitoral com vários candidatos, e pelo menos dois deles saídos da base governista que está no poder há dez anos: o próprio Campos, a se confirmar sua decisão, e a ex-senadora Marina Silva, por um novo partido a ser formado.

Sendo assim, e a continuar o panorama econômico nada promissor, a reeleição da presidente Dilma Rousseff estará em risco mais pelo sangramento de votos de sua própria base do que pela força da oposição, que continua refém de suas próprias contradições. E são essas contradições que a enfraquecem para uma eventual aliança eleitoral no segundo turno.

Como vem acontecendo desde 2002, depois de ter derrotado duas vezes Lula no primeiro turno, o PSDB é majoritário entre os oposicionistas, levando sempre as eleições para o segundo turno, e terminando a eleição com uma média de 40% dos votos. O problema do partido é não conseguir unir os derrotados para virar o jogo no segundo turno.

Ao contrário, o PT consegue sempre ser apoiado pelos dissidentes, seja por Ciro Gomes, do PPS, e Garotinho, do PSB em 2002, ou por Cristovam Buarque, do PDT, em 2006. Em 2010, a ex-senadora petista Marina Silva teve uma votação espantosa (20% dos votos), mas ficou em cima do muro no segundo turno. Não apoiou Dilma Rousseff, do PT, pois havia saído do governo Lula justamente em protesto contra a política ambiental, mas não teve disposição para o confronto direto, nem durante a campanha, nem no segundo turno.

O PSDB dificilmente consegue ultrapassar a barreira dos 40% dos votos, tendo atingido 44% em 2010 mais devido ao desconhecimento da candidata oficial do que pelo desgaste do PT, que já estava ali presente. Na articulação para o segundo turno está a chave da eleição de 2014, pois em situação normal a presidente terá dificuldades para vencer no primeiro turno, mas tem as melhores condições para fechar acordos no segundo.

A aproximação de Eduardo Campos com o virtual candidato do PSDB (ou seria melhor chamá-lo de candidato virtual?) senador Aécio Neves já foi maior, estando hoje desgastada depois das eleições para as presidências da Câmara e do Senado, quando o maior partido oposicionista não apoiou de fato as candidaturas dissidentes, uma delas do PSB na Câmara.

O fato é que o relacionamento do PSB com o PT nunca foi uma maravilha e revelou pontos da discordância ao longo do tempo, pois a ligação dos dois partidos vem desde a campanha presidencial de 1989, quando Lula foi derrotado por Collor para a Presidência da República. A lealdade do partido de Campos sempre foi mais a Lula que ao PT, e atualmente a discordância vai desde a gestão pública até a política de alianças, que o PSB considera muito pragmática e pouco representativa de um governo que se quer de centro-esquerda.

As maiores críticas são ao PMDB, que detém cada vez maior espaço político dentro do governo. Caso Marina ou Eduardo Campos chegue a um segundo turno contra o PT, será mais fácil viabilizar uma aliança vitoriosa saída da base governista, com o apoio dos partidos hoje na oposição. Mas, se se repetir a hegemonia do PSDB entre o eleitorado de oposição, mais uma vez será difícil vencer a eleição se não houver um grande acordo entre os derrotados do primeiro turno. A possibilidade de uma vitória oposicionista pode fazer com que o eleitorado se volte para uma candidatura mais viável, esvaziando o PSDB.

O senador Aécio Neves é um articulador político eficiente e conseguiu, nas eleições municipais, armar alianças políticas tanto com o PSB quanto com outros partidos da base aliada, e continua costurando possibilidades de acordos com diversos setores de partidos aliados, como o próprio PMDB. Qualquer sinal de fraqueza da candidatura oficial pode ser aproveitado, desde que as candidaturas adversárias tenham mesmo o projeto de tirar o PT do poder.

Saímos do buraco. Para onde? - CARLOS ALBERTO SARDENBERG

O GLOBO - 14/02

Brasil não consegue superar obstáculos aos investimentos públicos e privados. Não consegue por escolhas políticas equivocadas



O pior não aconteceu — e nisso estão todos de acordo. Vai daí que a economia mundial engrenou uma marcha de recuperação? Aqui as opiniões se dividem, embora a maioria se incline para o lado otimista, como se viu, aliás, em recente enquete da revista “The Economist”, com votos pela internet. 61% dos votantes responderam “sim” à pergunta: a economia global estará em melhor forma em 2013 do que em 2012?

Nesse ângulo, a resposta cabe também para a economia brasileira e por maioria ainda mais ampla. Quase ninguém acha que este ano pode ser pior do que o anterior.

Grande vantagem, ironizam os pessimistas: nada pode ser pior que 2012, nem aqui e nem lá fora.

Faz sentido. O que leva a outra questão: o sentimento de melhora reflete uma realidade mais favorável ou apenas o alívio de se ter evitado o pior?

De fato, o mundo esteve na corda bamba. Três situações estavam colocadas na categoria “o pior que pode acontecer”: o colapso do euro, a queda dos EUA no abismo fiscal e uma parada súbita na China, com o ingrediente de crise política.

Como sabemos, nada disso se passou, o que explica o alívio. Mas as coisas foram além disso. As chances de ocorrer o pior se reduziram a um mínimo naqueles três casos.

Não se fala mais do fracasso da Zona do Euro, nem na retirada de algum país, nem em eventuais catástrofes na Grécia ou Espanha. (Sim, o governo espanhol pode cair, é verdade, mas por corrupção).

Os movimentos de rua contra os programas de austeridade perderam ímpeto, enquanto governos locais e a liderança europeia ganharam força política porque começam a aparecer os primeiros sinais de saída do fundo do poço.

Foi mais ou menos como o Occupy Wall Street. O pessoal acampou em Nova York, teve imensa repercussão na mídia global, a tradicional, e se espalhou pelas redes sociais. Com o tempo, porém, como não surgisse nenhuma liderança confiável para os outros, nem propostas consistentes, a turma desarmou as barracas e foi para casa, pensando em quem votar.

Esta é a verdade, por mais aborrecida que pareça. As políticas de austeridade mais ou menos ortodoxas estão ganhando a parada. Na Europa, François Hollande sequer conseguiu arranhar a liderança de Angela Merckel, simplesmente porque não apresentou nem uma ideia sobre como turbinar o crescimento em seu próprio país.

Nos EUA, um renovado Obama toma, na teoria, o lado dos progressistas “senso comum”, ao sustentar que o ajuste das contas públicas não pode prejudicar a recuperação do crescimento americano. Mas sabe, e negocia isso com os republicanos, que precisa apresentar um programa de ajuste de médio prazo. Como os republicanos, de seu lado, sabem que perderam a batalha e que não ganharão nada se o país cair no abismo fiscal — uma recessão provocada por uma combinação irracional de corte de gastos e aumento de impostos —, a probabilidade maior é que saia algum entendimento duradouro.

E a China não caiu numa aterrissagem forçada, nem a troca de comando político degenerou em crise — o que foi evitar o pior. Mas, do fim do ano passado para cá, a economia voltou a acelerar, embora em ritmo mais lento.

Tudo bem, admitem os pessimistas, mas acrescentam: nada disso garante que o mundo está iniciando uma nova era de crescimento. Para esse pessoal, o que se conseguiu foi apenas driblar os efeitos mais próximos da grande crise de 2008/09. Mesmo sem turbulência, tal é a tese, a economia global está presa a uma armadilha de baixa expansão por não ter resolvido as grandes questões estruturais.

Tem verdades nessa formulação. Boa parte do mundo enfrenta hoje questões estruturais graves, como — talvez a mais difícil — o financiamento dos gastos crescentes com aposentadorias e saúde. Muitas economias, especialmente na Europa, precisam de reformas variadas, politicamente difíceis, para recuperar a competitividade. E mesmo os EUA, a nação mais dinâmica entre as maduras, enfrenta barreiras naqueles mesmos temas.

Por outro lado, seguindo na vertente pessimista, mesmo os emergentes estariam perdendo o brilho do crescimento acelerado. O Brasil, aqui, é o exemplo mais destacado. Simplesmente não consegue superar os obstáculos aos investimentos públicos e privados. E não consegue por razões internas, por escolhas políticas equivocadas.

Ocorre que outros emergentes estão fazendo opções mais acertadas e, assim, mantendo a força do crescimento. O que sugere uma conclusão entre otimista e pessimista: há uma parte do mundo que vai se saindo bem, outra que se arrasta. É meio óbvio, claro, mas há sempre uma parte dominante. E, no momento, parece que essa dominância está com os países e regiões que vão encontrando as saídas para a crise e para novos momentos de crescimento. E se alguns podem....

FLÁVIA OLIVEIRA - NEGÓCIOS & CIA

O GLOBO - 14/02

O carnaval carioca foi bem avaliado por estrangeiros que vieram à cidade.

Nos dias de folia, o site Consultoria em Turismo e a Fundação Cesgranrio entrevistaram 1.200 turistas no eixo Centro-Zona Sul. Os gringos exaltaram a hospitalidade da população (34%), o carnaval de rua (26%) e a segurança nas áreas turísticas (18%). Mas identificaram pontos fracos. O principal foi o preço da hospedagem (38%). Pesquisas da Embratur também já detectaram valores além do razoável nas redes hoteleiras do Rio e de São Paulo. Os estrangeiros, segundo Bayard Boiteaux, responsável pela pesquisa, também reclamaram da sujeira (25%) e dos taxistas (18%). O prefeito Eduardo Paes reconhece que o lixo é um grande problema do carnaval: “Os blocos terminam, mas a multidão fica nos locais, o que dificulta a ação da Comlurb”. Ontem, Paes conversou com Vinicius Roriz, presidente da Comlurb. Ele prometeu mexer na logística de recolhimento em 2014. Uma hipótese é usar lixeiras com rodas, para seguir os foliões. Carlos Osório, secretário de Transportes, diz que o serviço de táxi está sendo avaliado: “Alguns foram tirados de circulação. Estamos em processo de melhoria de longo prazo”.

65% FORAM À SAPUCAÌ
Dois em três estrangeiros passaram pelo Sambódromo. Mais da metade (55%) considerou os desfiles excelentes. A pesquisa mostrou que 64% dos turistas gastaram de US$ 80 a US$ 220 por dia.

Alta fidelidade
Programas de fidelidade já não são exclusivos da compra de bilhetes aéreos e troca por viagens. O japonês Kotobuki, no Rio, fechou com o Smiles e, agora, troca reais consumidos por milhas. É o 1º restaurante carioca a oferecer o benefício. No Brasil, já são 27.

O programa da Gol tem parceria ainda com locadoras de veículos e hotéis.

Shoppings, redes de farmácia e postos de gasolina também têm lançado e aprimorado clubes de vantagens. Lançado em 2012, o do Rio Design Barra criou categoria Platinum. Deu aos 20 primeiros clientes entrada para o camarote da Vila Isabel no carnaval e fará parcerias com hotéis. Ao todo, são quatro mil usuários. Já o Km de Vantagens da Ipiranga, criado em 2009 com a Multiplus, já tem 11,5 milhões de participantes. Ganha 300 mil por mês.

Em alta
O cartão pré-pago da Fitta Turismo, o Cash Passport, registrou alta de 56,82% nas compra de dólares em 2012 sobre 2011. Em euros, o avanço foi de 54,54%. Tudo a ver com o recorde de gastos dos brasileiros no exterior.
E também com o IOF alto dos cartões de crédito.


ESPORTIVO
O tenista Gustavo Kuerten estrela campanha do 308 Feline THP, da Peugeot. O atleta é embaixador do modelo esportivo no Brasil. No anúncio de TV, ele enfrenta um canhão de bolas de tênis e usan o carro para alcançá-las e rebatê-las. No fim, o locutor diz que o veículo foi aprovado no “teste Gustavo Kuerten de performance”. Criação da Y&R, estreia hoje. Circula também em impressos, internet, rádio e pontos de vendas.

Referência
A London School of Economics, em relatório recente, propõe a criação na Grã Bretanha de um banco para financiar obras de infraestrutura. E cita o BNDES como bom exemplo a ser seguido. A LSE é das mais famosas escolas de economia do mundo.

Sobre rodas 1
Cadeiras de rodas com adequação postural (19,9%) e motorizadas (16,1%) foram os itens mais financiados pelo BB no Crédito Acessibilidade. A linha foi lançada há um ano.

Sobre rodas 2
O Salgueiro vai doar as 21 cadeiras de rodas usadas no desfile de domingo. Elas integraram a calçada da fama, antes do abre alas.

Sinal verde
A Susep liberou a Caixa para operar em microsseguros. É mercado com potencial. No Seguro Amparo, do nicho popular, a demanda em um ano. Lançado no Santa Marta, no Rio, chegará a outras comunidades. Tem cobertura de acidentes e assistência funeral.

EM DUPLA
O ator Thiago Fragoso e a cantora Wanessa estarão em campanha da Atitude Eyerwear, grife de óculos. É o segundo ano em que o casal faz propaganda para a marca. O fotógrafo Amaury Simões assina as imagens. Começam a circular em mídia impressa e pontos de venda no mês que vem.

LivreMercado
O custo unitário da construção (CUB Representativo) subiu 0,11% em janeiro no Rio. Dos 25 itens pesquisados pelo Sinduscon Rio, 12 ficaram mais caros.

Com sete meses, o projeto Rio Nextel atingiu seis mil clientes. Quer fechar o verão com 7.500.

A agência ZONAInternet ganhou as contas do CEBDS e da Mister Mac.

A Supergasbras aprovou 21 alunos do projeto “Preparando o futuro” na Uerj e na PUC-Rio. Parceria com a Redes da Maré, oferece curso pré-vestibular gratuito.

Parabéns à Vila Isabel pela merecida vitória no carnaval 2013!

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 14/02

Governo tem outros instrumentos para o câmbio
Com o Carnaval, o câmbio não deve ter grandes mudanças nesta semana, de acordo com economistas.

Na quinta-feira passada, discursos de autoridades mexeram com os mercados. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, havia declarado que a inflação preocupava no curto prazo. O dólar fechou naquele dia a R$ 1,972, a menor cotação desde 11 de maio de 2012.

Na sexta-feira, um leilão de US$ 500 milhões em swaps reversos (que equivalem a compras de derivativos) surpreendeu e reverteu parte do movimento do dia anterior.

Para Paulo Tenani, estrategista da Pragma Gestão de Patrimônio e professor da Fundação Getulio Vargas, "o governo tem outros instrumentos que podem ser usados no câmbio".

O Brasil nunca teve uma política de juros, afirma. "Era sempre uma política de câmbio: subia os juros, o câmbio se apreciava e, assim, se controlava a inflação", diz.

"Não sei se esse governo se sente tão confortável quanto o anterior em usar o câmbio como política de controle da inflação", afirma.

"Pode usar compulsórios, ou política fiscal, como o governo está fazendo ao diminuir impostos. Não sei se o governo vai estar contente com um câmbio abaixo de R$ 2 por muito tempo", diz.

"O mercado manteve-se fechado nos últimos dias e para o resto da semana a liquidez deverá estar menor", diz a economista Gabriela Fernandes, do Itaú Unibanco.

"Até alguns movimentos podem ser exacerbados, mas acredito que não deverá haver grandes movimentos nesta semana."

"A visão de que só os juros eram instrumento de política monetária acabou perdida na economia global, agora que o sistema de metas de inflação está sob ataque. Não acredito que o BC voltará a usar o mesmo tipo de política do governo anterior"

ESCRITÓRIO EM CASA
A Atec Original Design, representante no Brasil dos itens originais da marca de mobiliário Herman Miller, que tem peças clássicas para escritórios, quer agora entrar no segmento de decoração para casa.

A empresa fechou parceria para representar também no país a grife Fritz Hansen, que reúne nomes do design como Arne Jacobsen e Hans J. Wegner.

O novo projeto deve trazer um crescimento de aproximadamente 20%.

Para receber os novos móveis, que poderão ter as importações encomendadas ou ser escolhidos no estoque que virá ao país, os show-rooms de São Paulo e do Rio serão modificados, de acordo com João Figueira, diretor da Atec.

"Cresceu a demanda por uma casa preparada para reuniões. É cada vez mais comum que os profissionais tenham um escritório adequado em casa", diz.

A nova estratégia se baseia também na linha de carpetes modulares Lees.

O produto tem forte demanda no mercado corporativo, mas ganhou espaço no residencial, de acorodo com o diretor da empresa.

Ação de cobrança de condomínio aumenta 40% em São Paulo
Termômetro da inadimplência, o volume de ações de cobrança por falta de pagamento da taxa de condomínio na cidade de São Paulo cresceu mais de 40% em janeiro ante dezembro.

O dado faz parte de um levantamento do Secovi-SP (Sindicato da Habitação) com base no Tribunal de Justiça de São Paulo.

"Janeiro é um mês difícil devido aos gastos do final do ano, somados a IPTU, IPVA etc. Mas neste ano foi acima do normal", diz Hubert Gebara, executivo do sindicato.

Com 985 ações protocoladas, o número foi o maior na comparação dos meses de janeiro desde 2007, quando cerca de 1.040 ações foram registradas.

"Depois que a legislação reduziu a multa para o condomínio em atraso, essa conta deixou de ser uma das prioritárias", afirma Gebara.

"Quando a inadimplência está elevada, as pessoas acabam preferindo pagar as contas do cartão de crédito, que tem juro mais alto. Elas priorizam o pagamento do que pune mais", diz.

CHOCOLATE PRÓPRIO
Com o fim do Carnaval, os ovos de Páscoa chegam às lojas. As grandes varejistas devem investir nos produtos de marca própria, com destaque para as embalagens presenteáveis.

No Extra e no Pão de Açúcar, os ovos começam a ser apresentados nesta semana. Os primeiros são da marca exclusiva do grupo e a expectativa é aumentar as vendas em 7% ante igual período de 2012.

O Carrefour vai oferecer cerca de 7,5 milhões de unidades de ovos, que chegam às lojas neste mês.

No Walmart, a compra de mais de 350 tipos de ovos que serão oferecidos já foi finalizada e a estimativa de alta é superior a 10% nas vendas em relação a 2012.

Nos itens de marca própria, que focaram em brindes para crianças e embalagens de presente, a alta esperada é de 30%.

Contribuição chinesa
Em 2020, o capital global deverá superar os atuais US$ 600 trilhões e atingir US$ 900 trilhões, de acordo com um levantamento da consultoria Bain & Company.

A China, que contribuirá com cerca de US$ 87 trilhões, será a maior responsável pelo salto dos ativos financeiros espalhados pelo mundo.

Os ativos promovidos pelos chineses deverão representar quatro vezes a quantidade que será gerada pelo vizinho japonês.

O crescimento provocado pelos Estados Unidos e pela União Europeia deve ser superado em US$ 25 trilhões.

Um novo clima - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 14/02

O presidente Barack Obama deu nova ênfase ao combate à mudança climática, pediu leis sobre o tema e avisou: "Se não fizerem, eu faço." Elegeu o fortalecimento da classe média como o norte da gestão, avisou que está iniciando negociações comerciais e de investimento com a Europa e fechando um acordo com a Ásia. A única região não citada no discurso foi a América do Sul.

Na área fiscal, ele prometeu o céu que todos os governantes querem: aumento de gastos sociais sem elevar o déficit público. Nenhum dime , disse ele, será acrescido às despesas. Mas não disse onde cortar. Avisou que redução de déficit tem que estar na agenda, mas não pode ser programa de governo.

Está certo, mas só pode dizer isso, tendo aquele déficit imenso, porque governa o país emissor da moeda mais aceita no mundo. Assim, os Estados Unidos podem financiar seus desequilíbrios não resolvidos.

A área a cortar deve ser a dos gastos militares. Este ano, volta a metade dos soldados no Afeganistão, e até o fim do ano que vem a guerra acaba. A al-Qaeda, segundo ele, é hoje uma sombra do que foi. Disse que melhor do que combater os inimigos com ocupação de países é construir alianças locais e investir em segurança cibernética.

Na política externa, um detalhe que não é inédito, mas tem um significado: todas as regiões do planeta foram citadas, menos a América do Sul. A diplomacia brasileira costuma dizer que é bom mesmo que nos esqueçam. Teria sido bom que tivessem nos esquecido durante a Guerra Fria, quando a região foi vista como uma área a ocupar com ditaduras. Agora, em época de alianças para novas tecnologias, ampliação de comércio, pesquisa e desenvolvimento, o melhor é estar no mapa do país líder em inovação.

Ele conclamou os dois partidos para o combate às mudanças climáticas. "Mas, se o Congresso não atuar em breve para proteger as futuras gerações, eu vou." Ele pode agir muito através de órgãos de governo e da agência ambiental, e essa era a ameaça. Obama lembrou os últimos desastres, como o furacão Sandy e a superseca do ano passado. Disse que o país pode achar que é coincidência ou confiar nos cientistas. "Um evento não faz uma tendência, mas o fato é que os 12 anos mais quentes da história aconteceram nos últimos 15 anos."

Ele defendeu o que seu governo fez em energia limpa. "No ano passado, a energia eólica agregou quase metade da nova capacidade de geração de energia dos Estados Unidos. Então vamos gerar ainda mais. A energia solar fica mais barata a cada ano; vamos fazer com que fique mais barata." E disse que se a China consegue avançar em energia limpa, os Estados Unidos também podem.

No início do discurso, Obama comemorou o fato de que a dependência do petróleo importado foi a menor em 20 anos. Isso só pode acontecer pelo aumento da produção de gás. Ele chama de gás natural, mas esse aumento foi possível pelo produto vindo do fracionamento de rocha, que tem conhecidos problemas: excessivo gasto de água e risco de contaminação do lençol freático. Obama propôs criar um fundo com as receitas de petróleo e gás para financiar estudos para aumento da segurança energética.

Apesar de a economia americana ser forte em serviços, ele defendeu a indústria. Disse que ela criou 500 mil empregos. Esqueceu de dizer que hoje a indústria americana emprega três milhões a menos que há uma década.

O discurso é um ritual, mas Obama o utilizou, desta vez, como plataforma de lançamento do segundo governo e para passar mensagens com a mudança de tom e do espaço dado aos temas. A mais expressiva alteração foi na questão climática.

É a guerra cambial - CELSO MING

O ESTADO DE S. PAULO - 14/02


Afinal, de que animal se trata? O termo repetido cada vez mais insistentemente nas reuniões dos maiorais da economia global é guerra cambial - o mesmo que o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, vem usando desde setembro de 2010.

Para o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, esse bicho não existe. O termo guerra cambial é forte demais, disse ele ontem. Mas o presidente da França, François Hollande, não quer discussões sobre metafísica. Quer logo uma ação contra o que também vai denominando como guerra cambial.

Prova de que o problema está assustando foi o comunicado assinado pelas autoridades financeiras do Grupo dos Sete (G-7) países ricos, divulgado na terça-feira por meio do Banco da Inglaterra (banco central inglês). Foi reafirmado o compromisso das principais autoridades financeiras do mundo de que o câmbio não pode ser manipulado.

Quando Mantega começou a fazer suas denúncias, o alvo era o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos). O ministro o acusava - e ainda acusa - de despejar trilhões de dólares no mercado com o objetivo admitido de estimular a retomada do crescimento econômico, mas cujo único resultado é inundar os mercados de câmbio dos países emergentes com moeda estrangeira. A principal conseqüência, vem advertindo ele, é a valorização das moedas nacionais pelo simples efeito da lei da oferta e da procura. Essa valorização puxa para cima os preços em dólares do produto nacional e reduz a competitividade do setor produtivo. É a mesma denúncia que repetida por vezes pela presidente Dilma Rousseff com outra metáfora: tsunami monetário.

Mas as autoridades não estão falando da mesma coisa. A preocupação do momento não é a atitude do Fed - que segue recomprando títulos no mercado (portanto, despejando dólares), à proporção de US$ 45 bilhões por mês -, mas a do Banco do Japão (BoJ) - que, em menos de três meses, realizou um despejo colossal de moeda no mercado, que provocou desvalorização do iene de 13% em relação ao dólar.

As pressões do presidente Hollande são de que o BCE saia da inércia, que use a bazuca que tem à sua disposição e que também emita euros em volume suficiente para enfrentar com as mesmas armas os ataques do BoJ. Se fosse atendido, a guerra cambial deixaria de ser somente um conceito discutido por teóricos. Passaria a ser um conflito reconhecido, sujeito a funestas conseqüências.

O comunicado do G-7, assinado também pelo ministradas Finanças do Japão, reafirma compromissos dos senhores do mundo com o livre jogo de mercado. Mas as tensões chegaram a um nível tal que exigem mais do que simples declarações.

Parece inevitável que a reunião de cúpula dos principais dirigentes das Finanças e dos bancos centrais do Grupo dos Vinte (que incluem alguns países emergentes), marcada para ser realizada nesta sexta- feira e neste sábado, em Moscou, para buscar saídas para o crescimento econômico, aprofunde as discussões.

Duas perguntas ficam para ser respondidas. A primeira é se, desta vez, haverá mais do que declarações inconseqüentes e se as coisas, com esse ou outro nome, continuarão como estão. E a segunda é o que fazer para acabar com a paradeira que aí está, caso os grandes bancos centrais fiquem proibidos de usar o câmbio para relançar suas economias.


O Brasil e os rumos de Obama - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADO DE S. PAULO - 14/02

Os dois mercados mais ricos e mais poderosos do mundo, Estados Unidos e União Européia, vão negociar um acordo de comércio e investimento, anunciou o presidente Barack Obama em seu discurso de terça-feira sobre o Estado da União. O acordo, possivelmente mais complexo e mais ambicioso que qualquer outro assinado até hoje, poderá ser concluído em dois anos, segundo afirmou no dia seguinte o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso. O presidente americano anunciou também a intenção de completar em breve a formação da Parceria Transpacífico, um empreendimento com participação de Chile, Peru, Austrália, Brunei, Cingapura, Malásia, Nova Zelândia e Vietnã. Essas duas informações deveriam ser suficientes para atrair a atenção das autoridades brasileiras e fazê-las refletir seriamente, para variar, sobre a rápida mudança na configuração do mercado global.

A Rodada Doha fracassou, mas acordos bilaterais e regionais vêm-se multiplicando e criando condições especiais de cooperação entre as maiores e as mais dinâmicas economias do mundo. O pacto de livre comércio entre Estados Unidos e Coréia do Sul - apenas para lembrar um exemplo significativo - entrou em vigor em março do ano passado. O Brasil está fora de todos os jogos mais importantes, limitado a uns poucos acordos do tipo Sul-Sul e nem sempre com parceiros dos mais dinâmicos.

O presidente Obama citou os acordos comerciais como itens de uma ampla política de criação de empregos e de sustentação do crescimento econômico nos próximos anos. A maior pane do pronunciamento passou longe da América Latina. A omissão parecerá menos estranha, talvez, se dois detalhes forem lembrados. Em primeiro lugar, os Estados Unidos já negociaram acordos comerciais com o México, boa parte da América Central e do Caribe e também com Chile, Colômbia e Peru, três das economias sul-americanas mais empenhadas na abertura de novos canais de comércio. Em segundo lugar, a busca de outras parcerias seria politicamente mais complicada, depois de torpedeado o projeto da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) pelos governos brasileiro e argentino, em 2003-2004.

Os Estados Unidos, apesar dos erros cometidos pela diplomacia petista, continuam sendo um destino importante para as exportações brasileiras, especialmente de manufaturados. Mas o Brasil perdeu oportunidades consideráveis, ao rejeitar, com o projeto da Alca, possibilidades de acesso preferencial. Parte importante do mercado americano foi ocupada por produtores da China e de outros países emergentes. O acordo dos Estados Unidos com a Coreia deve envolver, também, um custo significativo para a indústria brasileira. E o Brasil poderá continuar perdendo o bonde, porque a recuperação americana deverá produzir novas mudanças nas condições de competição.

O discurso do presidente foi muito além das questões imediatas, como o ajuste orçamentário. Além de medidas para sustentar a criação de empregos e a reativação da economia, ele apresentou um amplo receituário para o médio e o longo prazos. Falou sobre novas fontes energéticas, a relação entre energia e meio ambiente, o investimento em pesquisa, a formação de mão de obra e a atração de investimentos.

"Nossa primeira prioridade", disse Obama, "deve ser a transformação da América em um ímã para novos empregos e manufaturas." Atividades produtivas deslocadas para o exterior em busca de custos menores já começam a retornar, disse Obama, e é preciso intensificar esse processo. Mas não se trata apenas, como deixou claro, de recuperar indústrias, e sim de estabelecer novas condições de competitividade e dinamismo. Algumas das medidas dependerão do Congresso, outras, apenas da iniciativa do Executivo. Tudo isso deve ser feito juntamente com reformas indispensáveis e complicadas, como a do sistema de saúde, mas as fórmulas estão sendo criadas. Enquanto o governo brasileiro derrapa na formulação e na aplicação de políticas para recuperação do atraso, outras economias, a começar pela maior do mundo, se preparam para novos saltos. Seria bom se a presidente Dilma Rousseff prestasse atenção nessa evolução.

Ideologia prejudica comércio exterior - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 14/02

Acordo transatlântico entre EUA e União Europeia, cuja negociação tem apoio de Obama, é mais uma ameaça ao Brasil em processo de isolamento



Os discursos anuais do Estado da União proferidos pelos presidentes americanos perante sessão conjunta do Congresso funcionam como peça política de afirmação de doutrinas, programas e linha de governo. O feito no fim da noite de terça-feira por Barack Obama teve sua importância amplificada, por se tratar de um pronunciamento balizador do segundo mandato do presidente, quando o governante tenta deixar a sua marca na Casa Branca, sem se preocupar mais em disputar votos. Deseja encerrar a carreira política em cargos eletivos com um passaporte para a História.

Devido ao peso dos Estados Unidos, deve-se prestar atenção a tudo que emana do governo e Congresso americanos. No caso deste discurso, destaca-se o anúncio formal feito por Obama de apoio às negociações bilaterais com a União Europeia sobre um acordo comercial transatlântico. O Brasil tem interesse direto no assunto — ou deveria ter. E mesmo que os responsáveis pela política externa brasileira desdenhem este projeto, o país será afetado por ele, caso venha a ser fechado.

Em artigo no GLOBO de terça, o ex-embaixador Rubens Barbosa chamou a atenção para a fase de mudanças por que passa o comércio internacional, com a assinatura de vários acordos bilaterais, na esteira do fracasso da Rodada de Doha, de liberalização do comércio em escala planetária.

Deste processo de evolução o Brasil está alijado, por ter feito uma opção ideológica errada. Como a política externa foi capturada pela visão terceiro-mundista simpatizante do chavismo e bolivarianismo, o comércio exterior brasileiro vai sendo engessado nas limitações crescentes do Mercosul, paralisado pela crise política, econômica e institucional da Argentina, situação agravada na absorção do bloco pela Alba, associação dominada por Chávez e os irmãos Castro.

Enquanto o Mercosul e o Brasil estão paralisados, o comércio mundial tende a fluir cada vez mais por meio de acordos entre economias e blocos. Não faz muito tempo, Chile, Colômbia, Peru e México se uniram na Aliança do Pacífico, próxima dos Estados Unidos e Ásia. O México já é do Nafta, junto com os EUA e Canadá.

Há dias, países latino-americanos reuniram-se com a União Europeia, no Chile. Perda de tempo, devido à visão autárquica de argentinos, venezuelanos, equatorianos e bolivianos, aliados preferenciais de Brasília.

Não será fácil a negociação entre americanos e os 27 países da UE. Separa-os um contencioso semelhante ao que existe quando brasileiros e europeus tentam se entender: desentendimentos em torno de exportações agrícolas, o setor de serviços, proteção à propriedade intelectual, por exemplo. Mas se trata de um gigantesco fluxo comercial de US$ 2,7 bilhões diários. Se chegarem a algum entendimento — importante para os dois —, o Brasil, amarrado a um Mercosul de tonalidade chavista, ficará mais para trás neste novo comércio internacional.

Telefonia imóvel - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 14/02


Deficiências das operadoras de celular não são novas nem desconhecidas pela Anatel, mas agência reguladora falha na defesa dos usuários

No celular, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversa com a sucessora, Dilma Rousseff, e a ligação cai. A falha se repete duas vezes. O relato de um ministro, de agosto de 2012, é um exemplo acabado das agruras do usuário de telefonia móvel no país.

Não há, portanto, novidade no relatório da agência reguladora do setor, a Anatel, que indica estar abaixo do estipulado a qualidade da internet por celular ou tablets (3G) e do envio de mensagens de texto (SMS).

O estudo apontou que, entre agosto e outubro do ano passado, 4% do tráfego de internet e SMS teve falhas de conexão ou envio. É o dobro do limite permitido, fixado pela própria Anatel.

Ainda mais preocupante é que, apesar de os problemas serem recorrentes, a agência não age com rigor para impedir que se repitam. Segundo a Anatel, nenhuma das operadoras será punida desta vez, mas não estão descartadas medidas "severas", se necessárias.

A transigência poderia ser aceitável se o setor de telefonia móvel não fosse figura frequente nos diversos rankings de reclamações de consumidores. As operadoras de celular lideraram, por exemplo, a lista de reclamações aos vários Procons do país em 2012.

Nem mesmo a reação de julho do ano passado, quando a Anatel suspendeu a venda de novos números pelas marcas Oi, Tim e Claro, parece ter produzido efeitos.

Desde então, não são raros os relatos de panes no sistema das três operadoras e também da Vivo (que não foi punida na ocasião), como a que afetou milhões de usuários no Estado de São Paulo no mês passado.

A infraestrutura é claramente insuficiente para acomodar o crescimento do número de usuários -há mais de uma linha de celular por habitante- e dos acessos à internet por aparelhos móveis.

No final de 2012, a média era de 66 milhões de acessos via banda larga móvel (3G) por mês. Um crescimento de 170% em relação ao início de 2011.

As operadoras dizem, em sua defesa, que ampliaram os investimentos. Prometem fazer novos aportes para melhorar a qualidade do serviço. Para o consumidor que paga caro, no entanto, o salto de qualidade não se materializou nem parece à vista.

O celular, para o brasileiro, é muitas vezes o único telefone de que dispõe para falar com amigos e clientes. E, com cada vez mais frequência, também sua porta de entrada para a internet.

Oferecer um serviço ruim e a preços exorbitantes é intolerável. Cabe à Anatel cobrar das empresas a garantia de que entregarão o que prometem à agência e aos usuários.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Acho que seria muita pretensão um cardeal dizer ‘estou preparado’”
Arcebispo de São Paulo, cardeal dom Odilo Scherer, cotado para suceder a Bento 16


TCU PODE SUSPENDER OS REAJUSTES NO EXECUTIVO

O governo federal pode ser obrigado a suspender o aumento dos seus servidores. O problema foi causado pela ministra Mirian Belchior (Planejamento), que mandou pagar os reajustes a diversas categorias do Executivo mesmo sem autorização específica da Lei Orçamentária Anual (LOA). Além disso, ela deixou servidores dos poderes Legislativo e Judiciário dependendo da aprovação do dispositivo legal que ignorou.

MEDIDA CAUTELAR

O caso virou processo (nº 1054/13) no Tribunal de Contas da União, que vai julgar medida cautelar ordenando a suspensão do pagamento.

REPRESENTAÇÃO

A origem do processo é uma queixa da Secretaria de Macroavaliação Governamental, do próprio TCU, contra a ministra do Planejamento.

NO AGUARDO

Mirian Belchior prestou informações ao TCU no dia 31 e aguarda o julgamento da cautelar para sustar o pagamento dos reajustes.

NOVA DIREÇÃO

O gaúcho Ronaldo Schmitz comanda o misterioso Banco do Vaticano, instituição que já viu escândalos para mensaleiro nenhum botar defeito.

CÔNSUL BRASILEIRO SOB NOVA ACUSAÇÃO DE ASSÉDIO

O embaixador Americo Fontenelle, cônsul-geral do Brasil em Sidney, é alvo de uma nova denúncia de assédio moral contra um subordinado, que a formalizou por escrito ao ministro Antonio Patriota (Relações Internacionais) e demais integrantes da cúpula do Itamaraty, incluindo o corregedor. Fontenelle respondeu a idêntica acusação quando cônsul-geral em Toronto (Canadá), mas foi premiado com o posto na Austrália.

SERVIDOR HUMILHADO

O embaixador Fontenelle é acusado em Sidney de humilhar e insultar reiteradamente o servidor Luis Henrique Gonçalves Aroeira Neves.

SERPENTÁRIO

Adjunto de Fontenelle, Cezar Cidade também é acusado por assédio moral e ofender colegas lotados na Embaixada do Brasil em Camberra.

FILME ANTIGO

O ex-servidor em Toronto Georges Cunninggham Jr fez denúncia igual contra Fontenelle e se demitiu. Hoje, trabalha no governo canadense.

SANTO SEPULCRO

Mais uma vez, o Brasil abriu mão de sua relevância, no plano internacional, para se aliar à baixaria da “esquerda latina”, ignorando a renúncia de Bento 16. Cuba, Venezuela e Bolívia também.

BOMBA ALIMENTAR

O Itamaraty apresentou um tímido protesto contra o foguetório nuclear da Coreia do Norte. Mas não sabe o destino de toneladas de feijão doadas pelo Brasil ao miserável povo da obscena ditadura asiática.

PIBINHO À VISTA

A diretora de Estratégia Macro e Global do Citigroup disse à rede americana CNBC que seu banco espera da economia brasileira um crescimento raquítico de 0,3%, em 2013. Na melhor das hipóteses.

A LUA É AQUI

O número impressionante de buracos na rua onde mora o embaixador dos Estados Unidos, em Brasília, deve ser uma curiosa homenagem do governo do DF àquele país, primeiro a pôr os pés nas crateras lunares.

ÁGUAS PASSADAS

A Marinha mantém submersa a propriedade da lancha “Amazônia Azul” – uma Aquamarine Azimuth de R$ 6 milhões, onde a presidente Dilma Rousseff desfilou pela segunda vez na Bahia. A Receita a confiscou de um empresário.

PAPA METIDO

O senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) virou motivo de gozação entre os paraibanos, após declarar-se “surpreso” com a renúncia do papa. Fez parecer que estava indignado por não ter sido avisado. Ou pretendia que a matéria fosse deliberada na CCJ no Senado, que vai presidir.

A COPA É NOSSA

O Conselho Nacional de Justiça esclareceu que não há chance de virar farra de gastos a missão dos magistrados (das cidades-sede) que vão coordenar e fiscalizar obras e litígios na Copa de 2014. A coisa é séria.

INFILTRAÇÃO

O aplicativo Waze, que divulga alertas sobre blitz nos celulares, ganhou a adesão de agentes de trânsito de Brasília. Eles plantam dicas falsas sobre ausência de blitz, por exemplo, para flagrar motoristas infratores.

SINAIS DE FUMAÇA

O Vaticano ignora um candidato prêt-a-porter para papa: além da idade ideal, o senador José Sarney tem também a imortalidade garantida.


PODER SEM PUDOR

A VOZ DOS SAPOS

Na campanha presidencial de 1945, o deputado Último de Carvalho fazia campanha para o general Eurico Gaspar Dutra, que enfrentava o pretenso favoritismo do brigadeiro Eduardo Gomes. No interior de Minas, ele enfrentava dificuldades para convencer até um dos seus cabos eleitorais, que o convidou a ir à janela de sua casa e ouvir algo.

- Só ouço o coaxar dos sapos! - disse, impaciente.

- Até as rãs, só sabem dizer "brigadeiro, brigadeiro".

Deu Dutra.

QUINTA NOS JORNAIS


Globo: Carnaval 2013: Vila de Martinho é a campeã
Folha: Bento 16 critica divisão na Igreja e fala em hipocrisia
Estadão: Bento XVI critica ‘hipocrisia religiosa’ e Igreja ‘desfigurada’
Correio: “Divisões deturpam a igreja”, alerta o Papa
Valor: União traça limite para a negociação da MP dos portos
Estado de Minas: Lições de um carnaval renascido
Jornal do Commercio: Mais blitz e menos multa
Zero Hora: Nova empresa de pedágios não terá fôlego para obras