quarta-feira, fevereiro 06, 2013

FLÁVIA OLIVEIRA - NEGÓCIOS & CIA

O GLOBO - 06/02

COMÉRCIO PERDERA R$ 36 BI COM FERIADOS ESTE ANO
Fecomércio-RJ estimou o rombo que cinco datas em dias úteis provocarão nos setores de varejo, serviços e turismo A Fecomércio-RJ fez as contas de quanto o varejo e os setores de serviços e turismo deixarão de movimentar este ano, em razão dos feriados nacionais que cairão no meio da semana. A cifra beira R$ 36,26 bilhões. Christian Travassos, economista da entidade, tomou por base a arrecadação dos impostos que incidem sobre a atividade comercial: o ICMS (circulação de mercadorias e serviços) e o ISQN (serviços de qualquer natureza). Travassos computou cinco feriados nacionais em dias úteis: 1º de janeiro, Sexta-Feira da Paixão, Dia do Trabalho, Proclamação da República e Natal. Ano passado, o prejuízo foi maior, segundo o estudo. Com 12 feriados em dias úteis, o faturamento não realizado pelo comércio chegou a R$ 73,75 bilhões em 2012. No Rio, a Fecomércio-RJ estima perdas de R$ 10,59 bilhões este ano. No ano passado, foram R$13,69 bilhões, com 13 feriados estaduais. Em 2013, o Rio terá cinco datas locais, além das cinco nacionais: Terça de Carnaval, São Jorge, Corpus Christi, Consciência Negra e Dia do Comércio. Travassos esclarece que a Terça-Feira Gorda é feriado no país, mas os estados o decretam; o de Corpus Christi depende das prefeituras municipais.

Em obra 1
Começa em março a reforma do pátio de aeronaves do Santos Dumont, no Rio. A construtora Alves Ribeiro venceu a licitação. O contrato de R$ 32,87 milhões tem 31 meses de duração.

As obras devem terminar a tempo dos Jogos 2016.

Em obra 2
A Infraero diz que as operações do aeroporto não serão afetadas. A obra será feita em etapas, sem grandes interdições. Ao todo, uma área de 71,2 mil metros quadrados será reformada.

Em tempo
O pátio do Santos Dumont foi projetado entre os anos 1940 e 1950 para suportar aviões Electra e DC-4, de 40 toneladas. Nas décadas seguintes, foi reforçado para 737 e A-320, de 70 toneladas.

Emprego
O Estado do Rio gerou 148.797 empregos formais em 2012. Foi alta de 4,17% sobre 2011. A renda cresceu 6,32%, a maior expansão do país. O IPP, municipal, fez as contas para o governo fluminense, com base nos dados do Caged/MTE.

Autopeças
A SKF, sueca de autopeças, produziu 2,5 milhões de rolamentos mês passado. Foi aumento de 38% sobre janeiro de 2012; e reflexo de bom resultado das montadoras. Com fábrica em Cajamar (SP), prevê que as encomendas crescerão 25% no primeiro trimestre.

Rock in Rio
Devem bater R$ 60 milhões as vendas no varejo dos produtos licenciados com a marca Rock in Rio. Ao todo, a organização do festival espera 595 mil pessoas na Cidade do Rock. As páginas do evento nas redes sociais alcançaram 8,3 milhões de fãs, depois que Beyoncé anunciou a vinda. Antes, eram 7,5 milhões.

Efeito tragédia
A demanda por sinalização de emergência disparou na empresa Rio Arte, após a tragédia na boate Kiss, em Santa Maria (RS). Saíram de 20 por mês para 60 em uma semana. Os pedidos vieram de casas noturnas, hotéis e bares.

Formalizado
É crescente a formalização de empreendedores em dez atividades ligadas ao carnaval, diz o Sebrae. Rio, São Paulo, Salvador e Recife tiveram alta média de 76% nos registros, até novembro de 2012. Costureiros, ambulantes e artesãos lideram a lista.

Cerveja
Extra e Pão de Açúcar esperam vender mais de 70 milhões de unidades de cerveja no carnaval. É alta de 20% sobre 2012 em todo o Brasil. No Walmart, o aumento deve ser de 15%.

Supermercado
A Super Rio Expofood, em março, no Riocentro, deve gerar mais de R$ 160 milhões em negócios. A feira dos supermercados vai superar em 15% o volume financeiro de 2012, de R$ 140 milhões.

CIDADE LIMPA
A BandNews FM estreia hoje a campanha “Jogue limpo com o Rio”. Famosos como o cantor Dudu Nobre e a escritora Thalita Rebouças gravaram mensagens, que serão veiculadas na programação. No carnaval, a rádio vai distribuir dez mil caixas com sacos de lixo.

Empresarial
A Assim Saúde fechou 2012 com 200 mil clientes nos planos do segmento empresarial. A carteira cresceu 82% em um ano e meio. Em julho de 2011, cobria 110 mil vidas.

Em dobro
A Oncoclínica termina até junho a ampliação da unidade de Copacabana. Vai abrir dois centros de infusão e terapia: um em Copa, outro em Niterói. A meta atender quatro mil pessoas por mês, o dobro de hoje. Investiu R$ 3,5 milhões.

Cresceu
A Clínica São Vicente reabre UTI hoje, após reforma. Manteve dez leitos, mas aumentou o espaço de recepção, quartos, vestiários e salas. Gastou R$ 1 milhão.

Fértil
O Vida, centro de fertilidade da Rede D’Or, terá mais dois polos, em março: Ipanema e Méier. Fez aporte de R$ 35 mil em cada. Em 2012, abriu seis. Fez 4.600 atendimentos, alta de 30% sobre 2011.

Livre Mercado
As bolsas Sophia Gomes usadas pelo núcleo feminino de “Salve Jorge” esgotaram-se das lojas em dois meses. A marca vai investir R$ 600 mil na próxima coleção.

A Verallia, de embalagens de vidro, patrocina a Vai-Vai, escola de São Paulo. O enredo é sobre vinho.

A Net vai distribuir sinais de TV HD, internet banda larga e wi-fi em 150 pontos da Sapucaí. A rede saiu de um para três quilômetros.

A loja virtual da Healthline terá kit carnaval. Vem com três energéticos. Prevê vender 20% mais.

O Buffet Fasano faz dez anos de Sapucaí. Serviu 600 mil unidades de raviólis e 2.600 quilos de risoto no camarote Devassa, ex-Schin. Por noite, são 75 profissionais.

O japonês Ten Kai vai servir 35 mil sushis, sashimis e enrolados no camarote Rio Samba e Carnaval.

O CDI entrou pela 2ª vez no ranking das cem ONGs mais influentes da revista suíça “The Global Journal”.

Heitor Chagas de Oliveira e José Aristides de Moura dão palestra amanhã, no CRA-RJ. O tema é o livro “Gestão integrada do negócio”.

Questões macroeconômicas resolvidas? - GIULIANO CONTENTO DE OLIVEIRA

FOLHA DE SP - 06/02


A despeito dos avanços, de maneira alguma se pode assegurar que as questões macroeconômicas estejam resolvidas, como quer Dilma


Ao longo dos últimos anos, diversos indicadores macroeconômicos do Brasil apresentaram melhora substancial. A dívida líquida do setor público (DLSP) recuou de pouco mais de 60% do PIB em 2002 para 35% do PIB em 2012. A taxa de desemprego aberto, no patamar aproximado de 13% em 2003, girou em torno de 5,5% em 2012, encerrando o ano em 4,6%, segundo o IBGE.

E a taxa básica real de juros, que atingiu níveis exorbitantes nos anos 1990, depois do Plano Real, caiu para menos de 2% no final de 2012. Essa situação levou a presidente Dilma Rousseff a afirmar que as questões macroeconômicas no Brasil estão resolvidas ("Valor", 12/12/2012).

De fato, não há como negar a importante melhora dos indicadores mencionados. Isso, contudo, não tem se mostrado suficiente para viabilizar o crescimento econômico sustentado da economia brasileira, tampouco para fazer deslanchar o investimento no país.

Ademais, fica cada vez mais patente que o Brasil sofre de um problema de competitividade.

A despeito dos avanços recentes, de maneira alguma se pode assegurar que as questões macroeconômicas estejam resolvidas no Brasil. De fato, a taxa de juros caiu substancialmente depois da crise, mas em um contexto de pressões deflacionárias nas principais economias do globo. A redução da DLSP em relação ao PIB, por seu turno, foi fortemente condicionada pelo expressivo acúmulo de reservas internacionais, em meio ao contexto de bonança internacional.

Não por outro motivo, à diminuição da dívida externa líquida correspondeu o aumento substancial do passivo externo líquido (estoque de investimentos estrangeiros no Brasil deduzido do estoque de investimentos brasileiros no exterior) da economia brasileira, de US$ 295 bilhões para US$ 738 bilhões entre 2004 e 2011. A geração de superavits fiscais primários e, principalmente, o crescimento econômico, também contribuíram para a redução da razão DLSP/PIB.

Não há como negar, contudo, que as condições internacionais peculiares que prevaleceram entre 2004 e 2008 também foram muito importantes para a aceleração do PIB nesse interregno. E a redução do patamar da taxa de desemprego corre o risco de não se manter, caso a elevação do nível de investimento não ocorra rapidamente e de maneira sustentada.

Deve-se destacar, ainda, que a própria capacidade de manutenção da taxa de câmbio em patamar competitivo no período mais recente, considerando-se a institucionalidade vigente do regime de metas para a inflação, apenas tem se mostrado factível no cenário atual de baixo crescimento.

Em 2012, com a economia brasileira crescendo somente cerca de 1%, a taxa de inflação medida pelo IPCA atingiu 5,84%. Destarte, uma aceleração vigorosa do crescimento econômico tende a tornar a sustentação da taxa de câmbio em um patamar considerado competitivo muito difícil, ante a maior pressão sobre a inflação.

Isso posto, pode-se dizer, no máximo, que as questões macroeconômicas estão sob controle no momento atual, considerando a comunhão dos fatores indicados. Mas de maneira alguma estão totalmente resolvidas. Não se pode dissociar a melhora de alguns indicadores macroeconômicos da conjuntura internacional sine qua non que prevaleceu tanto antes como depois da crise global.

A resolução efetiva das questões macroeconômicas requer, pois, a implementação de reformas e iniciativas capazes de permitir a compatibilização entre taxa de juros baixa, controle da inflação, crescimento econômico e solidez das contas externas. Trata-se de algo, pois, inseparável das questões ligadas à competitividade da economia brasileira.

O pedágio vai encarecer - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 06/02


A bandeira da recuperação do papel do Congresso Nacional, alçada pelos seus novos dirigentes, o senador Renan Calheiros e o deputado Henrique Alves, mereceria respeito não fosse por um detalhe: os fins que os movem e os meios a que recorrem para alcançá-los. Se o espírito público tivesse algo que ver com uma coisa e outra - e com os votos que os elegeram entre a sexta-feira passada e anteontem -, a democracia só teria a ganhar com o advento de uma nova relação de forças entre o Executivo (hegemônico) e o Legislativo (desidratado). Isso não apenas revigoraria o debate das questões nacionais, que desapareceu dos plenários federais, como, ao menos em tese, aumentaria a probabilidade de que as leis do País resultassem antes de entendimentos amadurecidos entre os dois Poderes do que da vontade dominante do Planalto.

Não é que o Executivo não perca votações no Congresso, quando grupos de interesses dos quais os parlamentares são devedores fazem valer a sua influência. Mas o ponto central é que a agenda legislativa é sabidamente caudatária das intenções dos governantes de turno. E a verdade desalentadora é que as declarações de independência que emanaram esses dias do Congresso têm por meta exclusiva ampliar a capacidade de barganha das caciquias da base aliada - não para cumprir os programas políticos das suas agremiações, pois estes só existem pro forma, nem para produzir leis melhores, mas para encarecer o pedágio que o Planalto é constrangido a pagar nas votações, sob a forma de cargos, verbas e obras nos currais de suas excelências. Um partido como o PMDB de Renan Calheiros e Henrique Alves simplesmente não existe para outra coisa. Tampouco eles e suas corriolas.

A altissonância dos seus pronunciamentos teve ainda uma finalidade imediata: abafar, como que no grito, os escândalos de que são protagonistas. Um, o senador, denunciado por peculato, falsidade ideológica e utilização de documentos falsos. Outro, o deputado, alvo de uma ação de improbidade administrativa por enriquecimento ilícito. Daí o coro, engrossado pelo então presidente da Câmara, o petista Marco Maia, no seu discurso de saída, de que a imprensa transmite uma imagem degradada da instituição parlamentar e do ofício de seus membros. Até a presidente Dilma aderiu à farsa ao afirmar, em mensagem ao Congresso, que a atividade política vem sendo "vilipendiada". Se falou para fazer um agrado aos presumíveis vilipendiados ou porque acredita nessa enganação, pouco importa. O fato singelo é que o vilipêndio da política não existe porque a política deixou de existir, fulminada pela combinação letal de uma maioria que só se ocupa de seus interesses e de uma oposição sem voz nem rumo. O que há e viceja são crimes cometidos pelos políticos de que a imprensa e a Justiça se ocupam.

Não admira que contra essas instituições se volte a fúria do PT, na esteira do julgamento do mensalão, com o endosso de seus companheiros de proveitosa viagem. O ex-presidente da Câmara, Marco Maia, inventou a patranha de que "setores da grande imprensa questionam a existência e a própria finalidade do Poder Legislativo" e se disse preocupado com as "interpretações circunstanciais da Constituição por parte do Judiciário". O que está em jogo é a decisão do STF sobre o destino dos mensaleiros condenados com assento na Câmara: José Genoino e João Paulo Cunha, do PT, Valdemar Costa Neto, do PR, e Pedro Henry, do PP. A Corte entendeu que, findo o julgamento, eles serão automaticamente cassados. É o que determina o artigo 55 da Carta: "Perderá o mandato o deputado ou senador que (…) sofrer condenação criminal com sentença transitada em julgado". Já Henrique Alves acha "lógico" que a palavra final seja da Câmara, por terem sido os seus membros "abençoados pelo voto popular".

A bênção não basta. Como o presidente do STF, Joaquim Barbosa, explicou ao chegar para a posse de Alves, "no Brasil (em relação a), qualquer assunto que tenha natureza constitucional, uma vez judicializado, a palavra final é do Supremo Tribunal Federal". Nada mais disse - nem precisava.

Todos os erros da Argentina - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 06/02

Ao partir para o congelamento de preços, país cumpre a maldição de que certas sociedades vivem ciclos repetitivos de sempre cometer os mesmos equívocos



Ser latino-americano de meia idade é já ter presenciado as mais mirabolantes e heterodoxas tentativas de política econômica. Dolarizações — o Equador ainda insiste —, diversas modalidades de controles cambiais, troca de moedas. Em vão, pois toda esta criatividade está sempre a serviço da ideia inexequível de se estabilizar economias sem praticar a responsabilidade fiscal, entre outros requisitos das boas práticas no ramo.

A Argentina faz jus ao acelerado processo de conversão ao chavismo bolivariano e acaba de selar acordo com as maiores redes de supermercado para congelar preços. Congelamentos e tabelamentos são artifícios antigos no continente, abraçados com ardor nesta febre de nacional-populismo que assola a região, pois se ajusta como uma luva à visão intervencionista e autoritária do mundo, marca deste tipo de regime político.

Não é coincidência que o negociador do congelamento, em nome do governo, tenha sido o feroz secretário de Comércio Exterior, Guilherme Moreno, o mesmo que ameaça fisicamente os adversários políticos. Para esses “serviços” mafiosos conta com o apoio de não menos ferozes torcidas organizadas de clubes argentinos (os “barras bravas”).

O acordo com os supermercados vigorará até 1º de abril. Como o IBGE argentino, o Indec (Instituto Nacional de Estatística e Censos), está sob intervenção do próprio Moreno, é aposta certeira que os índices oficiais de preços cairão durante algum tempo. Se dará certo, é preciso esperar. Mas ensina a experiência que a chance de isso acontecer é nula.

O governo de Cristina Kirchner se vale do surrado instrumento do congelamento porque a situação se grava, e a Casa Rosada considera “neoliberal” combater a inflação como ensinam os manuais: corte de gastos, câmbio real. E como a velocidade da elevação dos preços cresce, o reflexo condicionado de um governo neopopulista o leva a intervir na formação de preços.

O momento é delicado também do ponto de vista diplomático, no relacionamento com o Fundo Monetário e, por tabela, com o resto do mundo pelos canais financeiro e de comércio.

Depois da intervenção de Moreno, o Indec passou a maquiar a inflação, para ela não se afastar do nível de 10%, quando, segundo entidades independentes, a taxa verdadeira está em 25%. Entidades estas sob ameaça da poderosa Casa Rosada. Esta manipulação levou o FMI a censurar a Argentina, para irritação de Cristina K., e a dar-lhe um prazo, até 29 de setembro, para corrigir a situação. O congelamento deve fazer parte de um plano para enganar o FMI. (Não será qualquer mérito, pois outros latino-americanos já o fizeram).

Mas, como em todo congelamento, haverá, cedo ou tarde, mercado negro e/ou desabastecimento. A Argentina confirma a maldição de que certos países vivem ciclos repetitivos de sempre cometer os mesmo erros.

Seguindo os passos de Lula - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 06/02

De olho na reeleição, a presidente Dilma começa 2013 retomando práticas do ex-presidente Lula que deram certo. Depois de um ano sem dar entrevistas a rádios regionais, resolveu falar ontem com três emissoras paranaenses. E pediu à assessoria que mantenha a prática. Dilma também turbinou a agenda de viagens. Irá neste mês a Alagoas, Pernambuco e Ceará.

Contrato de risco preocupa governo
O governo está preocupado com os contratos fechados entre a Match, operadora oficial da Fifa, e os hotéis, para a Copa do Mundo. Até fevereiro de 2014, todos os quartos reservados pela empresa podem ser devolvidos sem multa. Os hoteleiros não poderão cobrar tarifa menor do que a acertada no contrato com a Match, no caso da devolução. Na prática, estabeleceu-se um piso tarifário, medida abominada pelo Cade. Além do contrato de risco, que começa a causar arrependimento entre empresários, há ainda cláusula de confidencialidade que os proíbe de divulgar os preços contratados.

“Renan (Calheiros) e Henrique (Alves) se elegeram com o discurso de recuperar a soberania do Congresso. Esperamos que cumpram a palavra”
Ronaldo Caiado
Líder do DEM na Câmara

Agiliza aí
O primeiro pedido da presidente Dilma ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), é que faça requerimento de urgência para votar este mês a criação do Ministério da Micro e Pequena Empresa, a tempo da reforma.

Desagradou ao chefe
O vice Michel Temer está "decepcionadíssimo" com o deputado Sandro Mabel (GO), que recorreu ao STF para reverter a vitória de Eduardo Cunha (RJ) na disputa pela liderança do PMDB na Câmara. Temer avalizou um acordo entre os dois justamente para evitar o choro do perdedor. Portanto, o acerto previa que Mabel não recorreria à Justiça.

Quem manda
O empresário Jorge Gerdau foi o mentor da concessão dos portos, mas não gostou da redação da MP que libera construção de portos privados não só para fins industrias. Reclamou e o governo corre para mudar o texto e apresentar nova MP.

Presente de grego
A cúpula do PMDB não gostou da ideia do ex-presidente Lula de lançar o vice Michel Temer para o governo de São Paulo, com apoio do PT. Os peemedebistas não veem lucro nessa jogada. Primeiro, não acreditam no apoio fiel do PT. E acham que Temer entraria numa disputa contra a força da caneta do governador Geraldo Alckmin e do PSDB, há 18 anos no poder.

Cabo eleitoral
O líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), reuniu domingo à noite 30 deputados em um restaurante para comemorar sua eleição. Aproveitou a presença de Rose de Freitas (ES) e pediu que votassem nela para presidente da Câmara.

Agenda lotada
A blogueira cubana Yoani Sánchez recém ganhou passaporte do governo e já tem compromissos no Brasil até abril, quando participará da 26ª edição do Fórum da Liberdade, em Porto Alegre.

SOMBRA E ÁGUA FRESCA. A presidente Dilma vai passar o carnaval na Base Naval de Aratu, em Salvador. Quer privacidade e viajará só com a família.

Para que a pressa? - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 06/02

À diferença de Marco Maia (PT-RS), Henrique Alves (PMDB-RN) não deve alimentar o confronto com o STF no caso da cassação dos deputados mensaleiros. Para dar sobrevida a João Paulo Cunha (PT-SP), José Genoino (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT), o novo presidente da Câmara planeja esticar prazos. Os processos seguiriam um longo trâmite depois do acórdão e da fase de recursos. Há quem aposte que os quatro consigam até concluir os mandatos.

Rotas de fuga Deputados governistas articulam para que os processos passem pelo Conselho de Ética, que votaria pelo arquivamento e os remeteria ao plenário. Outros defendem que a situação dos mensaleiros seja analisada pela corregedoria da Casa.

Capitania O Conselho de Ética é o único órgão da Casa ainda vago. Ricardo Izar (PSD-SP), filho e homônimo do deputado que comandou o órgão quando veio à tona o mensalão, pleiteou a presidência, mas não há definição. A corregedoria deverá ficar com Átila Lins (PSD-AM).

Vizinhança Depois dos recados do discurso de posse, Alves fará visita institucional ao presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, hoje à tarde. Antes, pela manhã, se encontra com Dilma Rousseff.

Companheiro O presidente da Câmara recebeu telefonema de Lula, parabenizando-o pela vitória. Combinaram um encontro no final do mês, em São Paulo.

Ziriguidum O STF cancelou sessões plenárias marcadas para a Quarta-Feira de Cinzas e para a quinta-feira.

Só love Após maratona de inaugurações no Paraná, anteontem, Dilma e o governador Beto Richa marcaram nova audiência em Brasília, após o Carnaval. A presidente, que pediu aplausos para Gleisi Hoffmann (Casa Civil), potencial candidata em 2014, quer preservar a boa relação institucional com o tucano.

Fim... Encerrada a quarentena de transição republicana, auxiliares de Gilberto Kassab reagirão em defesa de projetos prioritários da gestão anterior engavetados por Fernando Haddad.

... da trégua Miguel Bucalem, ex-secretário de Desenvolvimento Urbano, está incumbido de debater a recém-congelada Nova Luz com o atual titular da pasta, Fernando de Mello Franco.

#prontofalei De Gabriel Medina, coordenador de Juventude de Haddad, em seu Twitter: "Renan e Henrique Alves são a expressão da crise da democracia representativa brasileira. Triste!".

Mais um O prefeito paulistano apresentará antecipadamente a líderes governistas o pacote de projetos que enviará à Câmara após o Carnaval, entre eles o que prevê isenção da taxa da inspeção veicular. Na ocasião, deve receber a adesão do DEM, que apoiou José Serra em 2012.

Quebra-cabeças Serra tem reclamado, em privado, de aliados que sugerem sua nomeação para a Secretaria de Desenvolvimento de São Paulo. Diz que o movimento ocorre à sua revelia e o indispõe com Geraldo Alckmin.

Baixa Em carta, Mendes Thame comunicou aos dirigentes do PSDB-SP que deixará a coordenação do congresso estadual da sigla. O deputado preside a seção paulista do Instituto Teotônio Vilela e afirma ter sido escanteado no evento.

Bases Ao sinalizar à CUT que reabrirá diálogo com as centrais sindicais, Dilma procura isolar o desafeto Paulinho da Força (PDT). A presidente, que esteve com líderes do MST anteontem, confirmou que irá a encontro de mulheres camponesas.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio
Fonteles é o Sherlock brasileiro? Seria bom se a Comissão da Verdade desvendasse agora as mortes de Celso Daniel e Toninho do PT.
DO DEPUTADO JAIR BOLSONARO (PP-RJ), sobre o ex-procurador-geral da República ter confirmado que Rubens Paiva foi assassinado no DOI-Codi.

contraponto


Homenagem póstuma


Garibaldi Alves visitava Parelhas (RN), no mês passado, para comemorar o Dia de São Sebastião. Em clima de festa, o ministro da Previdência foi recebido calorosamente pelos convidados de seu Estado. Em determinado momento, uma senhora se aproximou e disse que gostaria de fazer uma solicitação:

-Olha, ministro, eu gostaria muito que o senhor viesse para o meu enterro!

Atônito com o inusitado pedido da conterrânea potiguar, Alves devolveu, sem titubear:

-Olhe, já eu não gostaria de lhe atender tão cedo...

A missão de Henrique - DENISE ROTHENBURG


CORREIO BRAZILIENSE - 06/02

Na sala do novo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, deputado há 41 anos pelo PMDB do Rio Grande do Norte, o visitante é recebido com uma seleção de frutas. Abacaxi, kiwi, uvas, manga, tudo bem cortado. Ontem, ele falou com exclusividade à coluna sobre como pretende executar o que propôs no discurso de posse, dentro da perspectiva de “valorização do parlamento”. Tão logo as comissões da Casa sejam instaladas, o que ficou para depois do carnaval, pedirá à Comissão de Constituição e Justiça que vote logo a admissibilidade das propostas de emendas constitucionais que tornam o Orçamento impositivo. Feito isso, o próximo passo é criar uma comissão especial para tratar do tema com o Poder Executivo.

Obviamente, a ideia não é tornar todo o Orçamento impositivo. Sabe que o governo jamais concordaria. Apenas a parcela relativa às emendas parlamentares. Essas emendas também certamente não ficarão nos valores estratosféricos de hoje, o que leva muitas vezes ao contingenciamento (os deputados têm urticária quando ouvem essa palavra!). Esse tal contingenciamento, emendas cujos valores o Executivo não corta totalmente, mas também não libera, é considerado, hoje, na visão de Henrique, algo que “constrange o governo e humilha o parlamentar”.

Constrange o governo porque, se o Poder Executivo libera, está fazendo toma lá dá cá. Se não libera, o deputado ou senador fica humilhado, porque não tem força para fazer valer aquilo que o prefeito lá do interior pediu para a cidade. Nesse sentido, a ideia do novo presidente da Câmara é formar a comissão e discutir com a área econômica do governo a seguinte fórmula: o Poder Executivo elenca os programas que podem ser alvo das emendas e os parlamentares elaboram as propostas que serão atendidas automaticamente. “Não é difícil de fazer e concilia a prioridade do Poder Executivo com o direito do parlamentar”, diz ele.

A outra proposta que está no radar de Henrique é a questão dos vetos. Ele faz inclusive o mea culpa “erramos e nos omitimos” ao deixar o bolo de vetos crescer sem apreciação por parte do parlamento. Portanto, pretende apoiar e ajudar a buscar um acordo entre os diversos partidos para devolver ao Poder Legislativo a última palavra no processo de elaboração das leis, que é a análise dos vetos. O problema aí é como um aliado do governo fará para levar os deputados da base e da oposição a manter vetos como o do fator previdenciário, do Código Florestal e da Emenda 29, que trata dos recursos da saúde (cito porque esses foram elencados pela oposição ontem, no fim da manhã, durante reunião com o novo presidente do Senado, Renan Calheiros). Henrique responde que é presidente da Casa e tem que buscar um entendimento para que haja a votação. “Cabe aos líderes dos partidos e do governo buscar o acordo”, diz, colocando-se como um magistrado nesse processo (os líderes do Senado, Eduardo Braga, e do Congresso, José Pimentel, já foram confirmados pela presidente Dilma).

Por falar em magistrado...

Henrique Alves pediu audiências para visitas de cortesia à presidente Dilma Rousseff e ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. Este último marcou encontro para amanhã, ao meio-dia. Henrique quer saber dele quais são os projetos prioritários para o Poder Judiciário. Na segunda-feira, na solenidade de abertura da sessão legislativa, Barbosa mencionou o Código de Processo Civil (CPC) e o Código Penal. A conversa é vista como um bom lance no sentido de amortecer o tal enfrentamento entre os Poderes que marcou o fim da última sessão legislativa. Quanto a Dilma, como a conversa ainda não havia sido marcada até ontem, às 18h, o presidente da Câmara afirma apenas que faz questão de estreitar o relacionamento respeitoso que mantém. Ocorre que agora será de igual para igual. É o presidente de um Poder visitando o de outro Poder, e não um líder de partido aliado.

Quanto às denúncias que tomaram as páginas dos jornais nos últimos dias, pergunta inevitável, o novo comandante da Câmara considera-as “página virada”, e agora é trabalhar para tentar, como ele diz, “resgatar a imagem do parlamento”. Vem aí, inclusive, uma pesquisa que ele pretende encomendar para saber o que o cidadão espera de fato do Poder mais mal avaliado do país. “Vamos para a batalha da comunicação. Como dizia Chacrinha, quem não se comunica se estrumbica”. Vamos ver o que o novo presidente conseguirá. Uma coisa é certa: vontade, ele tem. Experiência parlamentar também. Pergunto se já que é assim, por que viajou todo mundo ontem mesmo, em vez de aproveitar a semana para escolher logo as comissões e votar o que tem que ser votado? Ele responde que, como não teve acordo para votar o Orçamento, os parlamentares aproveitaram para tentar antecipar os voos. Afinal, numa Casa onde o colegiado fala mais alto, não dá para o presidente impor, e sim dialogar.

Enquanto isso, na prefeitura de São Paulo...

Henrique estava quase terminando a conversa com a coluna quando toca o telefone. Era o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), para lhe dar os parabéns pela vitória e combinar uma visita. O telefonema pode ser um sinal de que Haddad tomou mais gosto pela política do que se podia imaginar. Não é à toa que muitos dizem que política é cachaça. Com a vantagem de que é possível beber e dirigir ao mesmo tempo.

O repórter riu por último - ELIO GASPARI

O GLOBO - 06/02

Fritz Utzeri morreu no dia em que a Comissão da Verdade expôs a farsa do desaparecimento de Rubens Paiva


A História, essa trapaceira, fez mais uma. Foi-se o repórter Fritz Utzeri, que, em outubro de 1978, publicou, junto com Heraldo Dias, uma reportagem de três páginas no Caderno Especial do “Jornal do Brasil” intitulada “Quem Matou Rubens Paiva?”. Fritz foi-se no dia em que a Comissão da Verdade endossou a exposição da farsa do desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva.

Quando Fritz e Heraldo publicaram a reportagem, o Exército informava que Paiva havia sido preso no dia 20 de janeiro de 1971 e, dois dias depois, saiu numa diligência, num Volkswagen, escoltado por um capitão e dois sargentos. Estavam na Avenida Edson Passos, próxima ao Alto da Boa Vista, e foram interceptados por dois veículos onde havia seis ou oito “elementos desconhecidos, possivelmente terroristas, empreendendo fuga para para local ignorado”.

Rubens Paiva era um homem alto, corpulento. O coração da reportagem levava a uma pergunta lógica: como uma pessoa desse tamanho sai do banco de trás de um Fusca, onde está sob a vigilância de dois sargentos paraquedistas, atravessa um fogo cruzado e vai-se embora? Uma sindicância do I Exército encaminhada ao Superior Tribunal Militar fora uma farsa. Desde 1989, com a publicação do livro “A Hora do Lobo, a Hora do Carneiro”, do tenente-médico Amilcar Lobo, do DOI, sabe-se que ele examinou Rubens Paiva numa cela, nas primeiras horas do dia 21, diagnosticou-lhe uma hemorragia interna e recomendou sua imediata internação. Na manhã seguinte, soube que ele morrera.

Fritz Utzeri riu por último porque a exposição do caso pela Comissão da Verdade deu-lhe uma nova dimensão. Ficando-se apenas na cena do desaparecimento de Rubens Paiva, de quem foi a produção da mentira? Do encarregado da sindicância? Dos oficiais que estavam no DOI naqueles dias? Do capitão e dos sargentos da escolta?

O silêncio dos comandantes militares em torno dos crimes praticados com o pleno conhecimento dos presidentes da República e dos hierarcas da época tem feito com que aquilo que foi uma política de Estado deslize exclusivamente para os ombros de oficiais que eram capitães, majores ou, quando muito, coronéis. Todos muito elogiados e frequentemente condecorados com a Medalha do Pacificador.

Os documentos oficiais da farsa do assassinato de Rubens Paiva arrolam seis oficiais e dois sargentos. Pelo menos dois militares daquele DOI estão vivos, um dos quais (major à época) na condição de general reformado.

Pelo andar da carruagem, será possível chegar a uma situação na qual os oito militares serão catapultados à condição de autores de uma farsa destinada a encobrir um assassinato. Passados mais de trinta anos, a política de acobertamento de crimes do Estado joga sobre os ombros dos subalternos toda a responsabilidade pelo cumprimento de diretrizes de seus superiores.

Enquanto houver um comandante militar dizendo que “sempre respeitamos os direitos humanos”, esse deslizamento será inevitável. “Sempre”, não. Seguindo-se semelhante doutrina cria-se uma situação na qual primeiro torturaram-se os presos e, depois, torturam-se os torturadores para preservar os mandantes.

Políticos fora do lugar - FERNANDO RODRIGUES

FOLHA DE SP - 06/02


BRASÍLIA - Entrevistei uma vez, nos anos 80, um amigo de infância de Ulysses Guimarães. Soube que o pequeno Ulysses, na faixa dos dez anos de idade, já falava em ser presidente da República.

O sonho durou 60 anos. Virou obsessão. Quando estava ao alcance da mão, era tarde demais. O Brasil era outro. Queria outros nomes. Qualquer observador atento sabia das poucas chances de Ulysses na eleição presidencial de 1989. Menos ele. Nas urnas, ficou num humilhante sétimo lugar, com meros 4,4% dos votos.

A história me veio à memória depois de assistir aos discursos recentes de outros dois peemedebistas obcecados. Renan Calheiros e Henrique Alves. Eles foram eleitos para comandar o Senado e a Câmara dos Deputados, respectivamente.

Ambos sonharam muitos anos em presidir as duas Casas do Congresso. Renan Calheiros teve sucesso uma vez e caiu em meio a um escândalo até hoje inconcluso.

O bom político deve ter vários predicados. Alguns são insubstituíveis. Por exemplo, o senso de oportunidade e a capacidade de fazer uma análise fria da conjuntura.

Em 1989, Ulysses Guimarães poderia ter usado o seu prestígio à época para evitar que o Brasil tivesse o desastre anunciado de Fernando Collor. Mas a visão da maior estrela do PMDB estava obnubilada pelo desejo de chegar ao Planalto. Não enxergou a realidade à sua volta.

Acho um erro criminalizar a política de maneira generalizada. Acredito que Renan Calheiros e Henrique Alves têm todo o direito de disputar cargos. Também deve ser dado a eles o direito de se defenderem das acusações que têm contra si.

A única coisa que Renan e Henrique não podem, se desejarem continuar suas longevas carreiras na política, é permitir que o desejo por um cargo os impeça de entender que agora talvez não fosse a hora deles.

Os dois discordarão dessa avaliação. Pode ser. O tempo dirá.

Eu não aceito! - ROBERTO DAMATTA

O GLOBO - 06/02

A ética não é a lei. A lei está escrita no bronze ou no papel, mas a ética está inscrita na consciência ou no coração


Quando o hígido Michel Temer vira poeta e Renan Calheiros — acusado pela Procuradoria Geral da República de peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso — é apossado (com voto secreto — o voto da covardia) na presidência do Senado Federal no posto número três da sucessão republicana e entra no papel dando uma aula de ética e com apoio do PSDB, um lado meu pergunta ao outro se não estaria na hora de sumir do Brasil.

Se não seria o momento de pegar o meu chapéu e de deixar de escrever, abandonar o ensino das antropologias, desistir do trabalho honesto, beber fel, tornar-me um descrente, aloprar-me, abandonar a academia (de ginástica, é claro), deixar-me tomar pela depressão, desistir de sonhar, aniquilar-me, andar de joelhos, dar um tiro no pé, filiar-me a uma seita de suicidas, mijar sentado, avagabundar-me, virar puxa-saco, fazer da mentira a minha voz; e — eis o sentimento mais triste — deixar de amar, de imaginar, de ambicionar e de acreditar. Abandonar-me a esse apavorante cinismo profissional que toma conta do país — esse inimigo da inocência — porque minha quota de ingenuidade tem sido destroçada por esses eventos. Eu não posso aceitar viver num país que legaliza a ilegalidade, tornando-a um valor. Eu não posso aceitar um conluio de engravatados que vivem como barões as custas do meu árduo trabalho.

“A ética não é um objetivo em si mesmo. O objetivo em si mesmo é o Brasil, é o interesse nacional. A ética é obrigação de todos nós e é dever deste Senado”, professa Renan Calheiros, na sua preleção de po(s)se.

Para ele, a ética, o Brasil, o dever, o interesse, e as obrigações são coisas externas. Algo como a gravata italiana que chega de fora para dentro e pode ou não ser usada. Façamos uma lei que torne todo mundo ético e, pronto!, resolvemos o problema da cena política brasileira — esse teatro de calhordices.

A ética não é a lei. A lei está escrita no bronze ou no papel, mas a ética está inscrita na consciência ou no coração — quando há coração... Por isso ela não precisa de denúncias de jornais, nem de sermões, nem de demagogia, nem da polícia! A lei precisa da polícia, o moralismo religioso carece dos santarrões, e as normas de fiscais. A ética, porém, requer o senso de limites que obriga a mais dura das coragens: a de dizer não a si mesmo e, no caso desse Brasil impaludado de lulopetisto, a de negar o favor absurdo ou criminoso à namorada, ao compadre, ao companheiro, ao irmão, ao amigo.

“O Zé é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo!”, eis a cínica palavra de ordem de um sistema totalmente aparelhado e dominado pelo poder feito para enriquecer que usa, sem compostura, o toma lá dá cá com tonalidades pseudoideológicas, emporcalhando a ideologia.

Quem é que pode acreditar na possibilidade de construir um mundo mais justo e igualitário no qual a esfera pública, tocada com honestidade, é um ideal, com tais atores? Justiça social, honestidade, retidão de propósito são valores que formam parte da minha ideologia; são desígnios que acredito e quero para o Brasil. Ver essa agenda ser destruída em nome dos que tentaram comprar apoio político e hoje se dizem vitimas de um complô fascista, embrulha o meu estômago. Isso reduz a pó qualquer agenda democrática para o Brasil.

O cínico — responde meu outro lado — precisa (e muito) de polícia; o ético tem dentro de si o sentido da suficiência moral. Ela ou ele sabem que em certas situações somente o sujeito pode dizer sim (ou não!) a si mesmo. Isso eu não faço, isso eu não aceito, nisso eu não entro. É simples assim. A camaradagem fica fora da ética cujo centro é o povo como figura central da democracia.

O que vemos está longe disso. Um eleito condenado pelo STF é empossado deputado, Maluf — de volta ao proscênio — sorri altaneiro para os fotógrafos, um outro companheiro com um passado desabonado por acusações vai ser eleito presidente da Câmara; a presidente age como a Rainha Vitória. E o Direito: o correto e o honesto, viram “direita”. Entrementes, a “esquerda” tenta desmoralizar a Justiça porque não aceita limites nem admite abdicar de sua onipotência. Articula-se objetivamente, com uma desfaçatez alarmante, uma crise entre poderes exatamente pela mais absoluta falta de ética, esse espírito de limite ausente dos donos do poder neste Brasil de conchavos vergonhosos e inaceitáveis. Você, leitor pode aceitar e até considerar normal. Eu não aceito!

Quem sabe faz a hora - DORA KRAMER

O Estado de S.Paulo - 06/02

Para quem esperava de 300 a 400 votos, como dizia às vésperas da eleição a cúpula do PMDB, os 271 votos que fizeram de Henrique Eduardo Alves presidente da Câmara mostraram a existência de um espaço de discordância.

Inútil na dinâmica interna, pois não retira a legitimidade da escolha, o resultado aquém da expectativa põe um tijolo na construção da estratégia do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, para se diferenciar junto ao público externo.

Sem alardes nem confrontos, conseguiu atrair 165 votos para o deputado Julio Delgado, candidato do PSB. Sem eles, o candidato oficial do PMDB poderia até ter ultrapassado a previsão mais otimista.

Campos não assumiu o patrocínio da candidatura de Delgado. Nem precisava. Deixou que "passasse" na Câmara como iniciativa da bancada do partido, que obviamente teria recuado a um simples sinal dele, e no Senado atuou de forma explícita na orientação dos quatro votos do PSB contra Renan Calheiros.

Não alterou o resultado, não comprou briga com ninguém, andou com equilíbrio na corda bamba de quem é da base governista e, para todos os efeitos, um soldado do projeto de reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Candidato a vice na chapa? Só se mudar de ideia e desmentir o que vem dizendo: "Não tenho temperamento para vice".

Por intermédio do candidato do PSB Campos pôde se fazer representar na tribuna no discurso de condenação "às práticas que envergonham o Parlamento" e que são condenadas pelo público pagante.

Isso lhe rende votos para uma eleição futura? Serve como credencial automática para 2014? Dá a visibilidade de que necessita para além das fronteiras de Pernambuco? Tem repercussão forte o bastante fora do mundo político? Afasta Campos do governo?

Nada disso ocorre necessariamente nem de imediato, mas o conjunto de atitudes vai compondo uma atmosfera de alternativa e preparando um terreno que, mais à frente, pode ou não ser usado como arena eleitoral.

Eduardo Campos nesse episódio fez exatamente o contrário do que fazem os tucanos em sua trajetória paulatina de desconstrução de imagem.

Tinham uma posição mais confortável que o pernambucano, pois, sendo de oposição, não estariam presos a compromissos com o governo. Trocaram a chance de fazer um gesto de afirmação partidária pelo pragmatismo em seu sentido mais deletério, associando-se à tese de que a mão suja faz parte da atividade política.

Na Câmara o PSDB aderiu ao pacto bilateral entre PT e PMDB para não ficar sem assento na Mesa Diretora e no Senado o partido foi ambíguo: orientou voto em Pedro Taques, deu votos a Calheiros. Seu pretendente à Presidência da República, Aécio Neves, omitiu-se durante a votação em que até pemedebistas apontaram a anomalia contida naquela eleição. Entre inúmeras, perderam mais uma.

Confinado. Circular por aí normalmente já se sabia que o senador Renan Calheiros não poderia. Vários colegas dele por muito menos o fazem com receio de ouvir desaforo. Tampouco pareceu que a restrição de movimentos fosse um problema para Calheiros.

Protestos também não o abalam. Interessava-lhe apenas voltar à cadeira mais poderosa do Senado e desfrutar de suas prerrogativas.

O que não se sabia é que Calheiros não pode circular nem pelas cercanias do Congresso. Pelo visto, não é exagero supor que fique difícil para ele vencer os poucos metros que separam o gabinete da presidência do plenário sem se arriscar a deparar com algum grupo de visitantes disposto a repetir os adjetivos a ele dirigidos por manifestantes ao pé da rampa do Congresso que preside: "Ladrão", "safado", "sem vergonha".

Ouviu, sorriu e foi em frente com a leveza dos que não têm nome nem reputação a zelar.


Improviso e tema - ALEXANDRE SCHWARTSMAN

FOLHA DE SP -06/02


Inflação alta e crescimento são resultado de um política deliberada, fruto da mistura de voluntarismo e ignorância


Se restava ainda alguma dúvida acerca do grau de improviso que tem marcado a condução da política econômica nos últimos anos, a confusão da semana passada deve tê-la dissipado em definitivo. O que talvez não seja tão claro é o motivo da gambiarra.

Não é segredo que a evolução da inflação tem sido pior do que o Banco Central parecia imaginar havia pouco. Apenas no primeiro trimestre, apesar do adiamento dos reajustes de transportes coletivos e da redução mais forte dos preços de energia, a inflação deve superar em cerca de meio ponto percentual as previsões do BC feitas em dezembro, um padrão que provavelmente se repetirá ao longo do ano.

Ainda que não tenha explicitado essa preocupação na sua ata mais recente, parece claro que o BC (finalmente) compreendeu as dificuldades, o que talvez explique a ausência de qualquer menção à convergência (linear ou "não linear") da inflação à meta.

Ao mesmo tempo, porém, aferra-se à estratégia de manter as condições monetárias inalteradas "por um período de tempo suficientemente prolongado", afastando a possibilidade de voltar a subir taxas de juros possivelmente até o fim de 2013, se não mais adiante.

A percepção de que o BC abdicou do instrumento monetário, enquanto exprime certo desconforto com a inflação, levou o mercado a se perguntar que ferramenta ainda poderia ser usada.

A resposta veio pouco depois, quando o BC antecipou a rolagem de suas vendas de dólares no mercado futuro, sinalizando a intenção de trazer a taxa de câmbio para baixo do piso informal de R$ 2 por dólar que vigorou na maior parte do ano passado.

O real mais forte poderia baratear tanto as importações quanto os preços domésticos dos produtos exportados. Curiosamente, houve até menção a fontes da Fazenda sugerindo que isso auxiliaria o investimento, depois de anos alardeando o contrário.

Se tal estratégia existiu (ou existe), foi vítima imediata de "fogo amigo", manifesto na entrevista do ministro da Fazenda, que afirmou com todas as letras:

"Não permitiremos uma valorização especulativa do real e isso veio para ficar".

Ato contínuo, reafirmou seu compromisso com o câmbio flutuante, obviamente desde que nos limites que considera apropriados, um oxímoro em construção.

Raras vezes se viu tamanha descoordenação entre partes do governo, mesmo num que não prima pela unidade de propósito. Mais do que acidente de percurso, porém, acredito que o episódio ilustre muito bem as inconsistências no arranjo atual de política econômica.

Não faltam objetivos: o governo quer crescimento alto, inflação baixa, câmbio desvalorizado e uma Selic reduzida.

Não há maiores dificuldades quanto ao último objetivo, dado que se trata de variável controlada pelo BC, assim como, em certa medida, pode sê-lo o câmbio. Faltam, porém, instrumentos.

Assim, ao fixar a taxa de juros, o governo abre mão do instrumento que deveria ser usado para controlar a inflação. Daí a tentação de usar o câmbio para esse fim, colidindo com a meta do dólar caro.

Na impossibilidade de usar, de forma torta, o fortalecimento do real para esse fim, sobra a possibilidade de atuar diretamente sobre preços, no caso por meio de desoneração tributária e/ou subsídios, os quais contribuem para erodir o desempenho (já nada brilhante) das contas públicas, obrigando a tentativas cada vez mais complexas de tapar o sol com

peneiras contábeis, quando não sacrificando a geração de caixa e a capacidade de inversão das empresas estatais.

O improviso é, pois, decorrência direta do abandono de uma estrutura que combinava objetivos e instrumentos em favor de uma condução discricionária que, em nome de metas conflitantes, tem-nos levado a situações como a vivida na semana passada.

Já inflação alta e crescimento baixo não se improvisam; são resultados de uma política deliberada, fruto da mistura ingrata de voluntarismo e ignorância.

Conversa sincera - MIRIAM LEITÃO


O GLOBO - 06/02

A boa notícia foi a franqueza da presidente da Petrobras. Más notícias foram as informações que ela passou para os analistas ontem em duas horas de teleconferência. Enquanto Graça Foster falava, as ações com direito a voto despencavam. Há três buracos no casco do navio da Petrobras: os preços ainda defasados, a desvalorização do real e a queda da produção.

A empresa precisa investir, há projetos ousados de investimento e isso é bom. O problema é que para isso terá que aumentar seu endividamento, o que a coloca num círculo perigoso: se atingir o percentual de 35% do patrimônio líquido - está em 30% - pode perder seu grau de investimento, o que tornaria os juros maiores.

Graça Foster avisou que será um ano difícil. Quem avisa, sincero é. E isso é melhor do que dourar a pílula e contornar a realidade. Se tentasse esconder a informação, não conseguiria, e aumentaria ainda mais a desconfiança. A empresa perdeu enorme valor de mercado nos últimos anos. Mas isso se recupera. O problema é perder o tempo que tem perdido com a excessiva intervenção governamental.

Como o Tesouro é o maior acionista, alguma intervenção teria que haver mesmo. O problema é o acionista controlador tratar a empresa como um braço do governo. Isso causa uma dissonância na governança que termina em perdas.

O economista Nataniel Cezimbra, que acompanha a Petrobras pelo BB Investimentos, lembra que além dos três problemas - preços de derivados, câmbio, queda da produção - o endividamento também pesa:

- O endividamento líquido da empresa, ou seja, descontando a parte que ela pagou em 2012, subiu 17%. Mais de 70% da dívida bruta é atrelada ao dólar. Mas a Graça Foster ganhou muita credibilidade com o discurso realista de hoje (ontem). Disse que vai trabalhar arduamente para conseguir a convergência de preços de derivados.

Só que nem o governo nem o consumidor querem ouvir falar da tal convergência, outro nome para alta de preços. Cezimbra disse que a empresa deve voltar ao mercado para conseguir recursos para investir. E que o custo desse endividamento será olhado com atenção.

Luiz Otávio Broad, da Ágora Corretora, disse que nenhuma nova refinaria deve entrar em operação antes de 2014, então, até lá, não há como aumentar a produção de derivados, já que a empresa está usando 96% da capacidade de refino. Qualquer aumento de consumo terá que ser coberto com importação:

- A empresa vai pagar o mínimo de dividendos e está correta porque ela está com problemas de caixa.

Mas foi esse dividendo menor que derrubou as ações ON ontem, em mais de 8%.

A produção de derivados aumentou 5% em 2012, com alta de 11% na gasolina e 5% no diesel. Só que o consumo cresceu mais. O de gasolina disparou 17%, e o do diesel, 6%. A política do governo de incentivar a compra de automóveis e manter estáveis os preços da gasolina, tornando a opção etanol antieconômica, produziu estrago de grandes proporções: no balanço da Petrobras e na balança comercial. A Petrobras importou a um preço cerca de 17% mais caro do que vendeu às distribuidoras. O déficit da área de abastecimento disparou de R$ 9,9 bi para R$ 23 bilhões. A importação da gasolina aumentou 102% no ano.

Todos os especialistas alertaram que a política de combustíveis tinha essas contradições e que isso cobraria um preço. Mesmo assim, o governo persistiu nos seus objetivos. Qualquer empresa pode, de vez em quando, se afastar dos interesses imediatos dos acionistas minoritários para atender à vontade do acionista controlador. Nas estatais, isso acontece com mais frequência quando é para atender a uma política de governo. Mas que sentido social faz uma política de subsídio ao carro particular e ao combustível fóssil?

Sem capacidade de elevar a produção doméstica, com a demanda ainda crescente, e o endividamento chegando perto do ponto a partir do qual os juros cobrados são mais altos, a empresa não terá mesmo um ano de 2013 muito melhor do que o do ano passado.

Se a redução de lucro, ou o prejuízo setorial no abastecimento, tivesse lógica na estratégia da empresa, dava para entender. Mas nem o governo deve compreender exatamente o que quer com os combustíveis. É torcer para o cenário continuar assim: sem expectativas de alta do dólar e do petróleo no mercado internacional.

Água na Petrobrás - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 06/02

A presidente da Petrobrás, Graça Foster, reconheceu ontem que 2012 "foi difícil" e que "no primeiro semestre de 2013 será ainda mais difícil". Os termos mais adequados seriam: 2012 foi desastroso e o primeiro semestre de 2013 será ainda mais.

A observação imediata provém de uma comparação. No início do ano passado, Graça reconhecia que os resultados da Petrobrás já eram ruins e debitou tudo à conta da administração anterior. Mas garantiu que, em 2012, a saúde da empresa seria restabelecida. Se agora avisa que 2013 "será ainda mais difícil", imagine-se então o que será o resultado da Petrobrás neste ano.

Análise do Instituto Teotônio Vilela, do PSDB, preferiu dizer que os resultados da Petrobrás "são horrorosos". E o mercado financeiro pareceu concordar. As cotações das ações ordinárias da empresa caíram 8,3% - veja o Confira.

Não é novidade que o governo Dilma tem feito política de controle da inflação à custa do caixa da Petrobrás. Somente na área de Abastecimento, o rombo foi de R$ 22,9 bilhões, maior do que o lucro anual. E isso aconteceu porque a empresa foi obrigada a importar derivados para garantir o aumento do consumo interno que ela não conseguiu suprir. Pagou preços mais altos no mercado internacional e teve de revender esses combustíveis internamente a preços mais baixos. A distorção já é conhecida: os reajustes de preços concedidos ao longo do ano foram de longe insuficientes para cobrir a diferença.

Agora, a própria empresa revela que não é só o governo que saca do seu caixa. A diretoria decidiu fazer caixa com redução de dividendos (em cerca de R$ 3 bilhões) concedidos às suas ações ordinárias. Não é apenas o acionista estrangeiro que está sendo punido. Está sendo punido, também, o próprio Tesouro (o acionista majoritário), que receberá menos.

Parte do lucro do último trimestre, de R$ 7,7 bilhões, foi providenciada com operações extraordinárias, caso da liquidação de estoques da Refinaria de Pasadena (Estados Unidos). Logo, não se repetirão.

O dado mais inquietante é a forte deterioração da capacidade de endividamento da Petrobrás (alavancagem). Sua situação financeira pode ser vista como ainda mais aguada do que a de antes de 2010, quando houve o maior aumento de capital de todos os tempos (R$ 120 bilhões). Em 2012, a dívida líquida cresceu 43%, para R$ 148 bilhões.

Tecnicamente, a Petrobrás precisaria de nova injeção de capital para enfrentar os rombos e a enorme necessidade de investimentos. Mas, ontem, Graça negou veementemente projetos nessa direção. Significa que a Petrobrás terá progressiva dificuldade para se financiar e para cumprir seu programa de investimentos, de R$ 98 bilhões, só em 2013. O diretor de Finanças, Almir Barbassa, disse esperar a reversão do problema. Não disse como.

Outro problema é a queda de produção, de 2,4% em 2012. Não se deve só ao esgotamento de poços no pós-sal (Bacia de Campos) e a atrasos no desenvolvimento de outros, mas também à perda de eficiência operacional da empresa - reconhecida pela própria direção. Embora seis sistemas devam começar a operar em 2013, Graça avisa que não se pode contar com aumento de produção, devido à paralisação para reparos técnicos.

Eficiência - ANTONIO DELFIM NETTO

FOLHA DE SP - 06/011


A alegria de todos os governos em aprovar projetos de singular visibilidade, mas de aparência gratuita, é incontrolável. Não se trata de refinarias que só amadurecem em 20 anos ou de hidrelétricas que não terminam em menos de 15 anos, com aumentos de custos avassaladores, em que a experiência mostra que são repetitivos e mais graves quando a administração é direta. E trágicos, quando resultantes de emendas parlamentares.

Por maior que seja a boa vontade, não se encontra a realização de uma só ideia que tenha saído do papel e tenha sido entregue ao público no tempo aprazado e com custos ajustados de forma razoável. E praticamente todas terminam no Tribunal de Contas, ou nas delegacias de polícia...

Esses fatos não se limitam a obras "físicas" -uma estrada, uma ponte, um porto, uma usina térmica ou hidrelétrica. Temos agora um exemplo surrealista: o Acordo Ortográfico, nascido de genitores duvidosos e colocado na "roda" em Lisboa, nos idos de 1990!

Não tenho competência para avaliar se o acordo é uma necessidade e se vai estimular o enriquecimento linguístico ou o florescimento maior das já excelentes literaturas brasileira e portuguesa.

O que desejo é chamar a atenção para o que ocorre quando os governos (do Brasil e de Portugal) são estimulados a "meter a mão" numa tarefa que deveria ser deixada às respectivas academias de letras. Quando estas (se isso for possível antes do fim do mundo) chegarem a um compromisso e publicarem, no ano de 20.. (estou hoje com irrefreável otimismo!), o "Vocabulário Ortográfico Universal da Língua Portuguesa", adeririam a ele, com o tempo, todos os Estados da comunidade lusófona (se o desejassem...).

Vejam só o que diz o acordo de 1990: 1º) Até 1º/1/1993 os Estados signatários produzirão o vocabulário ortográfico comum; 2º) Em 1º/1/1994 ele entrará em vigor em todos eles.

Como era de esperar, tudo isso era só encenação e conversa! Em setembro de 2008 (como nada tinha acontecido), o então presidente Lula assinou um decreto determinando que em 1º/1/2009 o acordo começaria a funcionar e que em 31/12/2012 as duas grafias seriam uniformizadas. Gastou-se um rio de dinheiro público (foi publicado um dicionário escolar e um vocabulário ortográfico, ajustou-se a escrita de livros, jornais etc.). Produziu-se apenas uma enorme confusão e uma bem-vinda barreira de críticas pertinentes.

Felizmente, a presidente Dilma Rousseff em boa hora adiou (pena que não "sine die") mais uma vez, para 1º/1/2016 (depois de uma geração...), o "(Des)Acordo" de 1990! É o que resulta da ação dos governos quando eles insistem em meter a mão no que não devem.

Uma explicação para o baixo investimento - CRISTIANO ROMERO

VALOR ECONÔMICO - - 06/02


Duas das medidas que o governo anunciou no ano passado, mas que só entraram em vigor agora, podem ter contribuído para segurar os investimentos das empresas nos últimos meses. Uma delas foi a redução da tarifa de energia, que no caso dos consumidores industriais entrou em vigor no dia 1º deste mês e foi de até 32%. A outra foi a desoneração da folha de pessoal, estendida, neste ano, para 27 setores econômicos, totalizando 42.

A presidente Dilma Rousseff anunciou o corte de energia em setembro, mas, como a decisão dependia de aprovação legal, só começou a vigorar neste mês. O mesmo ocorreu com a desoneração de folha. Sabendo desses dois estímulos e não tendo mais condições de queimar estoques, uma vez que esses já foram em boa medida ajustados, muitas indústrias podem ter optado por não produzir ao custo de uma energia mais cara e de uma despesa previdenciária maior.

Essa é uma hipótese razoável para o fato de o investimento não ter decolado no segundo semestre de 2012. Há, claro, outras incertezas concorrendo para um ambiente de maior cautela por parte dos empresários. Uma delas são as mudanças operadas, com idas e vindas, no aparato macroeconômico que rege o país desde 1999. Outra diz respeito a regras adotadas pelo governo para o investimento privado em setores de infraestrutura.

Corte de tarifa de luz e desoneração podem ter adiado investimentos

O governo tomou a decisão correta ao resolver que cabe à iniciativa privada a liderança dos investimentos em setores de infraestrutura (rodovias, ferrovias, portos e aeroportos). Trata-se de uma deliberação histórica. É o reconhecimento de que o Estado não tem condições de assegurar os investimentos necessários à eliminação de gargalos nesses setores.

Lembre-se que, com todo o seu pragmatismo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não ousou privatizar sequer um aeroporto. Temia a reação dos sindicatos e, por consequência, de sua antiga base social. Mesmo o presidente Fernando Henrique Cardoso, realizador de importantes reformas econômicas - entre elas, o fim de monopólios estatais em áreas como PETRÓLEO e telecomunicação -, não avançou muito no que diz respeito à transferência da gestão da infraestrutura ao setor privado.

Do alto de sua elevada popularidade, a presidente Dilma tomou a decisão de avançar nesse tema e, registre-se, com a oposição velada de amplos setores do PT, alguns devidamente representados no governo. Por saber da importância desse movimento, Dilma teme o seu fracasso, que jogaria por terra uma oportunidade histórica: a modernização da infraestrutura do país, sob a liderança do setor privado e com o apoio tácito da esquerda (o PT).

Essa bandeira pertence, historicamente, à oposição. Se Dilma fracassar, mesmo PSDB e DEM, na hipótese de retornarem ao poder, terão dificuldade de implementá-la, inclusive porque o PT a contestará.

O problema está nos detalhes. O debate interno no governo para a modelagem das medidas liberalizantes é tão acirrado que, muitas vezes, vence a opinião daqueles que defendem mais Estado e menos setor privado nos serviços públicos. É isso o que explica o fato de o governo ter sido obrigado a suspender o leilão de duas rodovias federais (BR-116 e BR-40). As condições para o negócio geraram desinteresse entre as empresas - ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou, em São Paulo, regras mais favoráveis.

Um integrante da equipe econômica sustenta, a partir desse exemplo, que o governo está disposto a ajustar os parâmetros dos leilões públicos e, assim, atrair o setor privado para as concessões. "Os parâmetros vão se ajustando. O governo pesa a mão ali, depois mostra que vai ter menos demanda, vai ter menos interesse e as coisas vão se ajustando", diz essa fonte. "Uma coisa é a decisão estrutural, que é ter um movimento maior do setor privado, com mobilização da poupança privada e também de recursos externos [daí, a realização de "road-shows" no exterior para atrair investidores]. O problema dos parâmetros é conjuntural. Eles são ajustáveis."

A equipe econômica acredita que, à medida que as incertezas vão sendo removidas, os empresários voltam a investir. É algo ainda a ser comprovado.

De qualquer forma, a ênfase nas iniciativas de redução do custo de produção e de ampliação da infraestrutura não é gratuita. A economia brasileira vive momento curioso e, ao mesmo tempo, desafiador. Os fundamentos são bons, o custo de capital nunca foi tão baixo, a taxa de câmbio está menos apreciada, o desemprego é o menor da série histórica apurada pelo IBGE, a demanda continua crescendo a uma velocidade razoável, o investimento estrangeiro direto (IED) é recorde (segundo a UNCTAD, o Brasil foi o terceiro destino de IED em 2012, atrás apenas de China/Hong Kong e Estados Unidos), mas o Produto Interno Bruto (PIB) está entrando no terceiro ano consecutivo de baixo crescimento.

Uma das possíveis explicações para esse desempenho é a queda da produtividade da economia. No caso do trabalho, as empresas estariam usando menos intensamente o fator trabalho - na expectativa de que a economia vá se recuperar adiante, elas estariam mantendo seus funcionários, apesar do PIB e lucros fracos, porque recontratar custa caro; para compensar o baixo desempenho, estariam diminuindo o número de horas trabalhadas.

Por causa da reduzida taxa de desemprego, a demanda tende a continuar forte nos próximos meses (alta de 8% ao ano, segundo expectativa do governo). No setor industrial, há uma folga razoável na utilização da capacidade instalada que também pode ser preenchida. O fator trabalho, por sua vez, pode ser mais intensamente usado pelas empresas. A limitação desse cenário é a baixa produtividade do trabalho e da economia como um todo.

Não se muda a produtividade do trabalho da noite para o dia e, nesse aspecto, Brasil tem sido historicamente negligente. Para melhorar a equação, resta estimular os investimentos privados. "Dá para melhorar a produtividade da economia adotando medidas como a melhora da infraestrutura, a redução do custo de produção, o aumento do retorno do capital, a redução do custo de energia. Energia é imediato, os outros levam mais tempo, mas alguém tinha que começar", diz um auxiliar da presidente Dilma. "O longo prazo começa agora."

A agonia da Petrobras - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR

GAZETA DO POVO - PR - 06/01

Resultado fraco da estatal em 2012 acende o sinal de alerta para a maneira como o governo vem administrando a empresa


Quando o governo Fernando Henrique Cardoso instituiu o Proer – programa de saneamento do sistema financeiro – e iniciou a privatização dos bancos estatais estaduais e alguns federais, o PT e a CUT fizeram uma dura campanha contrária. O próprio Lula dizia que estavam entregando o patrimônio público e diminuindo a capacidade do governo federal e dos governos estaduais de fazerem políticas públicas a favor da população. Os defensores da privatização diziam exatamente o contrário: que o mau uso dos bancos estatais e a destruição financeira de todos eles mostravam que era um perigo ter bancos nas mãos de políticos e governantes temporários, pois eles sugavam recursos do caixa da União e dos estados e eram usados mais para favorecimentos e desvios que para fazer o bem à população.

Os políticos e os governantes, em todos os tempos, nunca ousaram incluir em qualquer proposta de privatização o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e a Petrobras. Essas instituições tornaram-se intocáveis, a ponto de, nas duas eleições de Lula, seus adversários terem vindo a público para assumir o compromisso explícito de não privatizar qualquer dessas três empresas. Uma exceção de peso foi Roberto Campos, economista, ministro, senador e deputado federal, que passou a vida afirmando que mais cedo ou mais tarde a sociedade iria se dar conta de que até mesmo essas empresas seriam mal usadas pelos governantes, e seria bom privatizá-las.

Até há poucos anos, poder-se-ia afirmar que os governantes não trataram mal o BB, Caixa e Petrobras, e que essas instituições justificariam sua existência como empresas estatais. Porém, nos últimos tempos, algo está indo muito mal na relação do governo com a Petrobras, a ponto de os investidores e os analistas internacionais começarem a temer pelo futuro dessa empresa. Além disso, vale lembrar que o governo induziu milhões de brasileiros a investir em ações da Petrobras, inclusive com o dinheiro do FGTS, sobretudo após o lançamento de novas ações em nome da descoberta das reservas de petróleo na camada do pré-sal.

Tudo parecia ir bem para a Petrobras até há uns quatro ou cinco anos. Ela era uma estrela da Bolsa, seus lucros eram bastante altos e os planos de investimentos eram ousados. Mas, ao nomear executivos amadores para dirigir a empresa, ampliar a interferência da Presidência da República nas decisões estratégicas e deixar os derivados de petróleo sem reajuste por quatro anos, o governo federal começou a matar a Petrobras. Os investimentos foram reduzidos, os indicadores financeiros pioraram, os lucros começaram a minguar, a produção não cresceu quanto se esperava, os investidores nacionais e estrangeiros começaram a desconfiar do futuro da companhia. Enfim, a Petrobras tornou-se uma empresa em decadência. O resultado de 2012, anunciado na segunda-feira – lucro 36% menor que o de 2011 –, reforça essa impressão.

A pior notícia possível era a de que a empresa pudesse estar com problemas de caixa. Pois, no fim de janeiro, a Petrobras começou a atrasar pagamentos a seus fornecedores. Foi a gota d’água para a confirmação de que o mercado começa a desacreditar no futuro da empresa, cujo reflexo é a queda vertiginosa dos preços de suas ações. Há quem diga que, se o governo federal seguir nessa política de interferência excessiva na gestão e no uso político dos preços dos combustíveis, a companhia pode entrar em uma séria agonia financeira.

Esse é um assunto de responsabilidade direta da presidente Dilma Rousseff; é de conhecimento público ser ela quem pessoalmente toma as decisões sobre a Petrobras e sua política de preços. O argumento do governo é de que faz isso para ajudar no combate à inflação. Tal prática equivale aos falidos planos de controle da inflação pelo congelamento dos preços, que nunca funcionaram pela simples razão de que as elevações dos preços representam efeitos de problemas na economia. Em vez de combater as causas, os planos de congelamento agem sobre os efeitos e, por isso, nunca funcionaram em lugar algum do mundo.

É lamentável que a presidente Dilma esteja jogando no lixo o prestígio conquistado pela Petrobras a duras penas. E pior: é lamentável que justamente um governo do PT, partido tão afeito à estatização, esteja dando razão àqueles que pregam a privatização até mesmo da Petrobras e do Banco do Brasil sob o argumento de que, nas mãos do governo, mais cedo ou mais tarde essas empresas serão dilapidadas e deficitárias.

A política vilipendiada - EDITORIAL ZERO HORA

ZERO HORA - 06/02


O preocupante da manifestação presidencial é que ela tende a encobrir as razões pelas quais os agentes políticos aparecem como vilões da democracia nacional.



A mensagem que a presidente Dilma Rousseff encaminhou ao Congresso Nacional, na abertura dos trabalhos legislativos, na última segunda-feira, merece profunda reflexão dos brasileiros. Para manifestar seu "sincero reconhecimento ao imprescindível papel do Congresso Nacional na construção de um Brasil mais democrático, justo e soberano", a chefe do Executivo reconheceu que a atividade política está sendo vilipendiada no país. Compreensível: naquele momento e naquela circunstância, o interesse explícito da chefe do Executivo era conquistar a simpatia do Congresso para que continue sendo, como ela mesmo definiu no texto, um "parceiro crítico e, ao mesmo tempo, colaborativo". Resta examinar, porém, por que a atividade política está sendo vilipendiada e por quem.
Em primeiro lugar, é preciso que se reconheça como verdade a afirmação da presidente. Vilipendiar, segundo o dicionário mais popular do país, significa "tratar com vilipêndio, ter ou considerar como vil, desprezar, repelir". Não há dúvida de que expressiva parcela da população brasileira, possivelmente a maioria, repele e despreza a atividade política. Também é inquestionável que a imprensa, na sua condição de porta-voz da sociedade, reproduz esta percepção. Não passa dia sem que algum político apareça como protagonista de notícias negativas e de práticas lesivas aos interesses dos cidadãos. O preocupante da manifestação presidencial é que ela tende a encobrir as razões pelas quais os agentes políticos aparecem como vilões da democracia nacional.
Se a sua intenção não fosse afagar o Congresso, o que é compreensível numa mensagem de saudação, a própria presidente poderia ter acrescentado que a razão de tanto vilipêndio é a mesma que a levou a afastar sete ministros de seu governo nos dois primeiros anos de administração. O presidente do Supremo Tribunal Federal, que estava presente na cerimônia de abertura dos trabalhos legislativos, também poderia ter contribuído com a sua parte, esclarecendo por que, como relator do processo conhecido como mensalão, condenou à prisão parlamentares, presidentes e altos funcionários de partidos políticos. Num improvável ato de contrição, talvez os próprios presidentes das duas casas legislativas que comandavam a cerimônia pudessem explicar à nação que as irregularidades de que estão sendo acusados contribuem para que a política esteja tão vilipendiada.
Se eles não explicam, explicamos nós: a política só virou sinônimo de corrupção no país porque alguns governantes, ministros, parlamentares e servidores desonram a representação que lhes foi concedida pelos cidadãos. O vilipêndio, portanto, não é gratuito, nem mal-intencionado: é uma reação legítima da sociedade.

O desmonte da Petrobrás - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADO DE S. PAULO - 06/02

Com lucro de R$ 21,18 bilhões em 2012, 36% menor que o do ano anterior e o mais baixo em oito anos, a Petrobrás paga um preço devastador pela sujeição aos interesses político partidários do Palácio do Planalto.

Investimentos mal planejados, orientação ideológica, loteamento de cargos e controle de preços de combustíveis comprometeram a eficiência e a rentabilidade da empresa e a desviaram de seus objetivos principais. Os danos impostos à companhia são parte da herança desastrosa deixada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sua sucessora.

Desde o ano passado a nova presidente da estatal, Maria das Graças Foster, vem tentando corrigir seu rumo. Mas a interferência nos preços permanece, os reajustes são insuficientes e a geração de caixa continua prejudicada. Mais dificuldades surgirão neste ano, avisaram ao mercado, nessa terça-feira, dois dos principais dirigentes da Petrobrás. Pelo menos esse dado positivo acompanhou a divulgação das más notícias: a presidente da empresa e o diretor financeiro, Almir Barbassa, falaram sobre a situação e as perspectivas da companhia com uma franqueza incomum durante a maior parte dos últimos dez anos.

Os problemas vão muito além de uma piora temporária das condições financeiras. A produção de petróleo e gás no Brasil, no ano passado, equivalente a 2,35 milhões de barris diários, foi 0,9% menor que a de 2011.

Com a parcela produzida no exterior a média diária alcançou 2,59 milhões de barris equivalentes, volume 0,8% inferior ao do ano anterior. A meta de 2,02 milhões de barris diários, fixada para 2012, continuará valendo para este ano, com possibilidade de desvio de 2% para mais ou para menos. Se o desvio ocorrer, advertiu a presidente, será provavelmente para baixo. Não há possibilidade física, deixou claro a presidente, de um aumento de produção.

As previsões para o ano incluem também, segundo Maria das Graças Foster, mais R$ 6 bilhões de baixas correspondentes a poços secos.

Além disso, nenhum novo projeto deverá ser iniciado em 2013. A empresa continuará empenhada em realizar os investimentos já programados, mas o total aplicado, de R$ 97,7 bilhões, deverá ser R$ 5 bilhões maior que o anteriormente previsto.

A empresa continua analisando a qualidade econômica dos projetos enquadrados em 2012 como "em avaliação". Ao assumir o posto, a nova presidente anunciou no ano passado a intenção de rever os planos e prioridades. Não se anunciou, na ocasião, o abandono de nenhum projeto, mas ficou clara a disposição de submeter o programa da empresa a uma revisão crítica.

Sem perspectiva de maior produção a curto prazo, a empresa terá de continuar importando grandes volumes para atender à demanda crescente de combustíveis. Isso será inevitável mesmo com o aumento da parcela de álcool misturada com a gasolina. A necessidade de maior importação foi uma das causas da redução do lucro no ano passado. O controle de preços foi um complicador a mais. A presidente da empresa reafirmou a intenção de continuar buscando o realinhamento de preços.

Mas isso dependerá de como o governo pretenda enfrentar a inflação. Se insistir na manipulação de pre- ços, os problemas da Petrobrás poderão agravar-se.

Com dificuldades de geração de recursos, a companhia foi forçada a aumentar seu endividamento. Com problemas de caixa, a diretoria decidiu pagar dividendos menores aos detentores de ações ordinárias do que aos demais acionistas, explicou Barbassa. Disso resultará uma economia de R$ 3 bilhões para investimentos, acrescentou.

A Petrobrás necessitará de novo aumento de capital, segundo alguns analistas. A presidente da empresa negou essa possibilidade neste ano.

Seja como for, o passo mais importante deve ser a consolidação de um novo estilo administrativo, moldado segundo objetivos típicos de uma empresa de energia. A Petrobrás será beneficiada, também, se as suas encomendas de equipamentos e serviços forem decididas com base em critérios empresariais. Não é sua função assumir os custos de uma política industrial. Ter sucesso como uma gigante do petróleo já é um desafio mais que suficiente.

Petrobras sofre consequências da ingerência política - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 06/02

Mais transparente, a administração de Maria das Graças Forster está sujeita acríticas que podem ajudar a companhia a melhorar seus resultados



Como maior companhia aberta brasileira, os balanços da Petrobras são sempre aguardados com grande atenção pelo mundo financeiro, especialmente o que está diretamente voltado para o movimento das bolsas de valores. Os números divulgados oficialmente acabaram confirmando que 2012 não foi bom para a empresa — ainda que os resultados do quarto trimestre tenham sido um pouco mais favoráveis do que os projetados pelos analistas do setor —, devido à série de problemas que a Petrobras herdou no ano passado, difíceis de serem superados.

As ações caíram ainda mais — desde 2010, antes desta nova queda, já haviam retrocedido 36%. Justifica-se, porque o lucro de R$ 21,2 bilhões foi 36% inferior ao de 2011, e o pior resultado nos últimos oito anos.

A Petrobras investe o equivalente ao dobro de todas as inversões feitas pelo governo federal. A atividade da companhia é vital para a economia brasileira, ao responder por 95% da produção nacional de petróleo e deter o controle das onze unidades de refino que fornecem grande parte dos combustíveis e demais derivados consumidos no país. O grupo Petrobras também opera a rede de dutos e terminais portuários pela qual trafegam produtos distribuídos pelo Brasil afora.

Em face dessa presença marcante na economia brasileira, a companhia nunca fez parte dos planos de privatização executados nas últimas décadas. Porém, não se trata de uma companhia puramente estatal. Parcela considerável de suas ações está em poder de investidores, institucionais e individuais, no Brasil e no exterior. Se por um lado o controle em poder do Tesouro se justificaria pelas funções consideradas estratégicas e missões específicas dentro de políticas de Estado, por outro, a Petrobras está sujeita a obrigações e deveres com o mercado. Não fosse assim, seu capital deveria ser fechado, para que pudesse prestar contas somente à União.

Esse caráter duplo da Petrobras tem sido desrespeitado nos últimos anos. No governo Lula, o uso político-partidário da companhia chegou ao ponto de comprometer a administração, com reflexo negativo visível em quase todas as suas atividades operacionais. No governo Dilma, há uma nova orientação, para que a companhia recupere eficiência — o que possibilitou essa melhora nos resultados do quarto trimestre.

No entanto, a ingerência indevida sobre os rumos da Petrobras não foi inteiramente anulada, pois a empresa está sujeita a uma política de preços para os principais combustíveis que distorce o mercado e lhe causa consideráveis perdas financeiras. Maria das Graças Forster, ex-diretora da área de gás e energia, assumiu a presidência com a missão de recuperar a estatal, e sua atuação de fato tem sido mais transparente. A exposição a críticas, em decorrência dessa maior transparência, fará bem à empresa e a ajudará a melhorar gradualmente seus resultados.

Estragos na Petrobras - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 06/02


Estatal aumenta sua dívida líquida em mais de 40%, premida pelos investimentos bilionários do pré-sal e pela sujeição a ditames do Planalto


O mau resultado no balanço da Petrobras estava previsto, mas nem por isso causa menos apreensão.

O lucro líquido caiu para R$ 21,2 bilhões, valor 36% menor que o de 2011. A produção de petróleo e derivados decepcionou, com média de 1,974 milhão de barris por dia em 2012 -uma queda de 2,35% em relação ao ano anterior.

A despeito do lucro contabilizado, o fluxo de caixa -uma vez deduzidos os investimentos- tem sido negativo. Apenas no último trimestre de 2012 o movimento da empresa consumiu R$ 11,7 bilhões.

A sequência negativa de resultados vem de longe. Decorre, em boa medida, da gestão anterior da empresa, politizada e refratária a critérios de eficiência.

A troca de comando no governo da presidente Dilma Rousseff, com a saída de José Sergio Gabrielli e a ascensão de Maria das Graças Foster, foi bem recebida por investidores, que veem disposição na nova presidente para consertar estragos.

A tarefa será árdua. Estão programadas várias paralisações de plataforma para manutenção no primeiro semestre, por exemplo, o que reduzirá produção e receitas.

A causa principal da lucratividade menor foi, paradoxalmente, o aumento da demanda por combustíveis. Vendas internas de gasolina e diesel cresceram 17% e 6%, respectivamente, no ano. Como a produção caiu, a Petrobras foi obrigada a importar ambos a preços maiores que os praticados no país.

O governo não autoriza reajuste completo dos preços, como forma de contrabalançar outras pressões inflacionárias. Com isso, dificulta à Petrobras cumprir seu ambicioso programa de investimentos -só neste ano estavam planejados desembolsos de R$ 97,7 bilhões.

Para manter o programa, a empresa se endivida. A deterioração de suas finanças é evidente. A dívida líquida (já excluídos os valores em caixa) chegou ao fim de 2012 em R$ 147,8 bilhões, perante R$ 103 bilhões no ano anterior.

A fim de conter a sangria de recursos, a Petrobras decidiu cortar pela metade os dividendos distribuídos aos detentores de ações ordinárias. Elas caíram mais de 8%, ontem, no pregão da Bolsa.

A despeito das expectativas quanto à capacidade da direção de arrumar a casa, o fato é que a situação da companhia não parece estar sob controle. Longe disso.

O governo errou ao definir um modelo de exploração do pré-sal que sobrecarrega a petroleira, por obrigá-la a participar de todos os campos. Continua em erro ao represar preços de combustíveis.

A decantada afinidade entre a presidente da República e a presidente da Petrobras, como já se apontou aqui, pode fazer mais mal à empresa do que beneficiar o país.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Não é hora de falar em eleição, mas, sim, de falar em união”
Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, lembrando que 2014 está distante


ORÇAMENTO: ‘JOGO DE CINTURA’ EVITA CRISE POLÍTICA

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) fez uso de seu conhecido “jogo de cintura” para evitar o embate com colegas, adiando a votação do Orçamento 2013 para depois do carnaval, apesar da orientação do governo para apreciar a matéria o quanto antes. Mesmo com quórum suficiente para votação, Renan já iniciou a reunião informando que só colocaria o projeto em pauta se houvesse consenso.

TUDO POR ROYALTIES

Antes de votar o Orçamento, os parlamentares querem apreciar o veto à partilha dos royalties do petróleo, tema da campanha de Renan.

PROBLEMA DO GOVERNO

O novo presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), também quer evitar confusão com os eleitores, e concordou em adiar a votação.

BAIXA NA BANCADA

O deputado Zé Silva (PDT), um dos únicos ligados ao ministro Brizola Neto (Trabalho), assume hoje a Secretaria de Trabalho de Minas.

CEGUEIRA

Tal como aconteceu com a estátua de Drummond de Andrade no Rio, Rachel de Queiroz está sem óculos de novo em praça de Fortaleza.

DF: FARRA PUBLICITÁRIA É HERANÇA MALDITA NA CÂMARA

Uma conta de R$ 18 milhões em propaganda integra a herança maldita do deputado Sidney Patrício (PT), ex-presidente da Câmara Legislativa do DF, para a nova mesa diretora, presidida pelo petista Wasny de Roure. De todo esse montante de “restos a pagar”, R$ 4,5 milhões nem sequer têm cobertura orçamentária: Patrício gastou “por conta” de um orçamento que não era seu, referente a 2013, o que seria ilegal.

EXTRAVIO

Agências de propaganda da Câmara do DF cobram R$ 1,5 milhão de supostos serviços sem notas fiscais. Teriam sido extraviadas.

CASO PARA CPI

Na Câmara do DF, suspeita-se até de que as notas supostamente extraviadas esconderiam a destinação real do dinheiro: deputados.

DINHEIRO FÁCIL

A verba anual de propaganda na Câmara Legislativa do DF, segundo seu vice-presidente Agaciel Maia (PTC), soma R$ 25 milhões.

MEDINDO FORÇAS

Na reunião sobre o Orçamento, até deputados da base aliada seguiram o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), para votar antes os vetos de Dilma. O relator Romero Jucá (PMDB-RR) ficou isolado.

OLHA QUEM PAGOU

A Câmara dos Deputados gastou R$ 8 mil com um jantar de confraternização oferecido pelo ex-nanopresidente Marco Maia (PT-RS) a alguns prefeitos por ocasião do Encontro Nacional em Brasília.

SEM ESPAÇO

A tentativa de Sandro Mabel (GO) de anular na Justiça a eleição – da qual saiu derrotado – a líder do PMDB foi entendida como sinal de que ele não ficará no partido. Usou o mesmo argumento para deixar o PR.

DAQUI NÃO SAIO

Mesmo desbancado por Maurício Quintella (PR-AL) da Mesa Diretora, onde estava há vinte anos, Inocêncio Oliveira (PR-PE) presidiu boa parte da sessão ontem na Câmara. Está difícil largar o osso.

DO CONTRA

O célebre juiz Odilon de Oliveira não é unanimidade. O governo italiano questiona o xerife antidrogas no Conselho Nacional de Justiça por escuta “ilegal” de dois santinhos em visita íntima em presídio federal.

MÁS COMPANHIAS

Envolvido com a turma flagrada no vídeo que desencadeou o mensalão, Fernando Godoy perdeu no Tribunal Superior do Trabalho a reversão da demissão após 25 anos na ECT. Se fosse deputado...

PAPAGAIO DE PLANTÃO

Conhecido como um dos mais empenhados papagaios de pirata da Câmara, Weliton Prado (PT-MG) ficou de plantão na Mesa Diretora só para aparecer na foto atrás do eleito Henrique Alves (PMDB-RN).

CENSURA BURRA

A estatal Infraero proíbe a circulação de jornais e o acesso a sites que criticam sua diretoria – que, de tão incompetente, nem se dá conta de que o conteúdo que a atormenta está disponível em inúmeros outros sites.

PENSANDO BEM...

...o deputado federal Tiririca (PR-SP) não desistiria da política que “dá prejuízo” se o Congresso Nacional cobrasse ingressos.


PODER SEM PUDOR

MODESTO, ELE

Ministro de João Goulart e dono de grande sabedoria política, Santiago Dantas disse certa vez a Antônio Balbino, na Faculdade Nacional de Direito, no Rio, cheio de ironia:

- Sou cristão e, como cristão, devo ser modesto...

Ante o silêncio do interlocutor, completou:

- ...por isso, só peço a Deus que me dê três coisas: cultura, dinheiro e poder.

QUARTA NOS JORNAIS


Globo: O tombo da gigante: Petrobras vê 2013 pior e ações despencam 8%
Folha: Dilma muda regra para salvar pacote de infraesterutura
Estadão: Ações da Petrobras desabam e Graça vê 2013 mais difícil
Correio: Petrobras quer gasolina mais cara. Mantega, não
Valor: Crédito e desoneração vão combater alta de alimentos
Estado de Minas: Aprovação na UFMG foi mais difícil pelas cotas
Zero Hora: Argentina repete erro do passado e congela preços