sexta-feira, dezembro 28, 2012

Puxadinhos - ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE SP - 28/12


BRASÍLIA - O mais surpreendente no café da manhã de ontem da presidente Dilma Rousseff com jornalistas, conforme relatos na internet, foi a superficialidade nas falas sobre o "pibinho" de 1% neste ano e nas respostas à avalanche de críticas à incapacidade do governo de impulsionar a economia.

O máximo que Dilma disse foi que o "ambiente" será melhor em 2013 e que está fazendo "o possível e o impossível" para um maior crescimento. Soou como palavras ao vento, talvez como torcida,não como compromisso e, menos ainda, como prestação de contas sobre o que foi e o que poderia ter sido feito.

Segundo Dilma, em 2012 a prioridade foi "buscar competitividade".Citou queda dos juros, taxa de câmbio mais realista e investimentos pesados em infraestrutura.

Especialistas como o economista e ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega veem com outros olhos. No artigo "2013, o ano da volta ao passado", ele criticou duramente o intervencionismo: "A taxa de juros baixou na marra, o regime cambial deixou de ser flutuante, o cumprimento da meta de superavit primário passou a depender de malabarismos financeiros e artifícios contábeis".

A sensação, neste final de ano, é que Dilma e o ministro Guido Mantega tentaram consertar a casa com puxadinhos. Ora a redução do IPI para carros, ora a desoneração da folha de pagamento, ora o aumento de crédito de bancos públicos.

Tudo bem, tudo bom, mas o resultado é que os EUA estão saindo da crise, a China se mantém forte, os emergentes emergem de fato e o Brasil empacou em 1% (ou menos).

Para Maílson da Nóbrega, o erro é de estratégia: o foco da política econômica é a demanda/consumo, quando o problema está na produção/oferta. O investimento só cai.

Aliás, não pega bem para uma especialista em energia atribuir tão variados apagões só a "falhas humanas". Se as há, começam de cima...

A vingança dos zumbis - NELSON MOTTA

O GLOBO - 28/12


Por que a mídia só tem credibilidade quando contribui para a popularidade de Lula e Dilma, e não quando denuncia escândalos do governo e o mensalão?



Mesmo sem ser simpática nem carismática, sem ter o dom da palavra e da comunicação, e com o país crescendo apenas 1% ao ano, a presidente Dilma Rousseff obteve índices espetaculares de confiança e aprovação pessoal na pesquisa do Ibope. Mas como os pesquisados de todo o Brasil se informaram sobre o dia a dia de Dilma e do país, sobre suas ideias, ações e resultados? Ora, pela “mídia golpista”, que divulgou nacionalmente os fatos, versões e opiniões que a população avaliou para julgar Dilma.

Os mesmos veículos informaram os 83% que tiveram opinião favorável a Lula no fim do seu governo, já que a influência da mídia estatizada e dos “blogs progressistas” no universo pesquisado é mínima. Claro, a maciça propaganda do governo também ajuda muito, mas só se potencializa quando é veiculada nas maiores redes de televisão e rádio, nos jornais, revistas e sites de maior audiência e credibilidade no país — que no seu conjunto formam o que eles chamam de “mídia golpista”.

Mas que golpismo de araque é esse, que tanto contribui para divulgar os feitos, as qualidades e a força popular do objeto de seu suposto golpe?

Por que a mesma mídia só tem credibilidade quando contribui para a popularidade de Lula e Dilma, e não quando denuncia os escândalos do governo e o julgamento do mensalão? A conta não fecha, mas eles insistem. Zé Dirceu e Rui Falcão já avisaram que a vingança dos zumbis do mensalão e do “Rosegate” vai ser a regulamentação da mídia, como na Argentina e na Venezuela, culpando o mensageiro pela mensagem.

No Brasil democrático todo mundo tem voz, fala o que quer, ouve quem quiser. Mas eles querem “pluralizar” a mídia, denunciando monopólios e ignorando a concorrência acirrada em todos os segmentos do mercado multibilionário da comunicação de massa, em que ganham mais os que têm mais credibilidade e popularidade.

Mas o Brasil não é Argentina, e Dilma não é Cristina. Além da cobertura nacional que tanto contribui para sua boa exposição e avaliação pública, ela deveria agradecer à mídia por revelar os malfeitos que lhe permitiram fazer uma faxina no seu quintal.

Faltou combinar - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 28/12


Em campanha pela presidência da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN) contrariou seu próprio partido ao prometer ao PSD o comando da Comissão de Finanças e Tributação, em troca do apoio dos 51 deputados da sigla. A comissão, uma das mais importantes da Casa, hoje é da cota do PMDB. O acordo com o PSD não teve aval da bancada. "Desse jeito, vai sobrar para nós a Comissão de Participação Legislativa'', ironiza um peemedebista, citando a menos cobiçada das vagas.

Pacote Além do PSD, Alves combinou com o DEM participação mais robusta na Mesa da Câmara. Hoje, o partido ocupa uma suplência, mas deve ficar com a procuradoria parlamentar da Casa. O atual titular, Nelson Marquezelli (PTB-SP), terá de se contentar com a Ouvidoria.

Mais um O ex-subprocurador-geral da Antaq Daniel Barral deve ser incluído no rol de servidores alvo de sindicâncias para investigar envolvimento com o grupo flagrado na Operação Porto Seguro da Polícia Federal.

Elo A comissão que fez a correição na agência encontrou indícios de irregularidades em pareceres assinados por Barral, a pedido do ex-procurador-geral Glauco Alves, afastado do cargo desde que o escândalo veio à tona.

Ainda é cedo Em conversa recente com seu suplente no Senado, Sérgio Souza (PMDB-PR), a ministra Gleisi Hoffmann assegurou que pretende ficar na Casa Civil mais um ano. A petista quer se preparar em 2014 para disputar o governo do Paraná com Beto Richa (PSDB).

Tira-teima A disputa paranaense caminha para polarização PT-PSDB. Isso porque o senador Roberto Requião perdeu o controle do PMDB no Estado para o grupo ligado ao governador tucano.

Na fila O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), encerra o sexto ano de mandato afirmando que não quer ser candidato a nada em 2014. Sobre a chance de assumir um ministério, diz que, se Dilma Rousseff se reeleger e convidá-lo, aceitará.

Torcida Wagner diz não crer que a candidatura de Aécio Neves (PSDB-MG) ganhe corpo e que não vê o que Eduardo Campos (PSB-PE) ganharia disputando a Presidência em 2014. "O cenário é favorável a Dilma", afirmou, em almoço com jornalistas.

Vaivém 1 Em fim de mandato, o prefeito de São Caetano do Sul, José Aurichio Jr. (PTB) é o favorito para assumir a Secretaria Estadual de Esportes e Lazer. O atual titular, José Benedito Fernandes, também petebista, deixará a pasta para comandar a Secretaria de Negócios Jurídicos na Prefeitura de Barueri.

Vaivém 2 O nome de Aurichio ganhou força porque Geraldo Alckmin deseja instalar no primeiro escalão um representante do ABC. De predominância petista, a região é palco de divisão no PSDB, fragilizado nos resultados eleitorais desde 2008.

Minha casa Empenhado em encerrar o ano com agenda positiva, Alckmin adiou a folga de Réveillon da área de Habitação. Entre hoje e amanhã, o governo paulista entregará 671 moradias em quatro cidades e assinará convênio para 1.128 unidades.

Timing Fernando Haddad recusou a oferta de Gilberto Kassab, que franquearia o acesso ao edifício Matarazzo ao sucessor a partir de amanhã. A nova equipe só assumirá salas na prefeitura no dia 2, após a posse.

Alô... Pedro Serafim (PDT), prefeito de Campinas, adotou estratégia de campanha eleitoral para o epílogo do mandato: disparou por telefone mensagens gravadas nas quais elenca as benfeitorias de seu breve governo.

... 2014 Até o ano passado, o pedetista dizia que encerraria sua carreira política em 2012, mas, com os 95 mil que obteve, agora admite postular vaga de deputado.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio

"Na capital, que deveria dar o exemplo, a obra de mobilidade foi barrada e o estádio custa R$ 1 bilhão. Essa não seria a Copa do legado?"
DO DEPUTADO FEDERAL ROMÁRIO FARIA (PSB-RJ), sobre a nova matriz de responsabilidades do Mundial de 2014, publicada anteontem pelo governo.

contraponto

Reunião de pauta

Ao final do café da manhã, ontem, no Planalto, Dilma Rousseff se posicionava para gravar com os jornalistas junto ao púlpito montado no salão. Depois de tudo organizado, a presidente autorizou o início da entrevista. Um repórter quis saber sobre o aumento do teto do FGTS.

-Essa? Ah, não! Vamos tentar outro assunto...

Diante da negativa da presidente, outro jornalista pediu que Dilma comentasse o aumento da gasolina. Mas a pergunta também desagradou. Sem consenso, Dilma decidiu iniciar sua fala escolhendo o assunto: a economia.

-Já que vocês não se acertam, eu mesma começo. Queria falar neste final de ano...

Servidores na mira - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 28/12


O Incra fechou acordo com a Polícia Federal para investigar servidores públicos que vendem certificações de imóveis rurais, um dos maiores mercados negros do país e que deixou muita gente rica de forma irregular. A Operação Porto Seguro flagrou pareceres fraudulentos para venda de imóveis públicos, situação parecida com a enfrentada historicamente pelo Incra.

Disputa no PSOL
O PSOL, que teve candidatos a presidente nas duas últimas eleições (Plínio de Arruda Sampaio, em 2010; e Heloísa Helena, em 2006), já discute internamente quem concorrerá em 2014. A ex-deputada Luciana Genro (RS) foi lançada por um grupo de filiados. O senador Randolfe Rodrigues (AP) também cogita a ideia porque tem apoio de quase metade da Executiva Nacional. Luciana é filha do governador Tarso Genro (PT-RS), portanto, legalmente, só pode concorrer a presidente ou vice. Ela contabiliza o apoio de Heloísa Helena, que vai tentar voltar ao Senado em 2014. O deputado Marcelo Freixo (RJ) foi sondado para entrar na disputa, mas não quer.

“Sábia a decisão de votar o Orçamento em fevereiro de 2013. Nada como uma MP para não frear os gastos!” 
Delcídio Amaral Senador (PT-MS)

Este pode, aquele não pode
Com as centenas de presentes, vinhos e cestas de Natal enviadas a ministros e assessores do Planalto, um grupo pesquisou os preços para ver se poderia ficar com os agrados. O Código de Conduta da Presidência limita em R$ 100.

Blitzkrieg
O ex-marido da presidente Dilma, Carlos Araújo, enfrenta focos crescentes de resistência para voltar ao PDT, partido que ajudou a fundar com Leonel Brizola no fim dos anos 70. De uma hora para a outra, filiação no PDT passou a ter critérios. Trabalhistas do Rio Grande do Sul e a direção nacional começaram a cobrar explicações sobre o retorno.

Deferência recusada
A China convidou o Brasil a enviar a Pequim um adido civil de inteligência, deferência feita a poucos países. Itamaraty concordou, mas a ideia parou no Gabinete de Segurança Institucional. A presidente Dilma não foi informada.

Ação dos royalties rodou o mundo
O mandado de segurança que o deputado Alessandro Molon (PT-RJ) encaminhou ao STF para impedir a derrubada do veto dos royalties foi produzido por grupo voluntário de advogados do Rio, liderado por Luís Roberto Barroso, que mandou o texto de Boston para Brasília. Um advogado de seu escritório, que estava em Berlim, mandou de lá subsídios para a ação.

Distância da confusão
O governo não quer se envolver na distribuição do Fundo de Participação dos Estados, que o Senado deixou de votar e o STF terá de arbitrar. A avaliação no Planalto é que já tem poderes demais metidos no assunto.

Imagina na Copa
O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) está criticando a presidente Dilma por deixar para 2013 a concessão e a licitação do Galeão. Com isso, as obras ocorrerão em 2014 e afetarão a operação do aeroporto durante a Copa do Mundo.

E QUEM SEMPRE TEVE MEDO DE RAIOS pode ficar sossegado, porque a presidente Dilma desfez o mito de que são os culpados pela falta de luz. 

SÓ DÁ ELA - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 28/12


Laís Ribeiro, 20, estampa a capa e todos os editorias de moda da "Harper's Bazaar" de janeiro; depois de fotografar para a Victoria's Secret, a modelo piauiense tirou todo o mês de dezembro para descansar

CAIXA FECHADO
O Piritubão, centro de exposições quatro vezes maior do que o Anhembi, pode ficar no papel por um bom tempo. Os R$ 680 milhões necessários para desapropriar a área estão presos no Ministério do Planejamento, por impedimento legal: recursos federais não podem ser liberados para esse fim.

É PARA JÁ
A situação é emergencial: o decreto de utilidade pública assinado pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD-SP), que autoriza a desapropriação da área, vence em janeiro. Se ele expirar, o processo recomeça do zero. Equipes do governo e do prefeito eleito Fernando Haddad (PT-SP) correm para negociar alternativas, ainda sem resultado.

MILHÕES EM JOGO
O atraso nas obras do Piritubão pode comprometer a candidatura de SP para sediar a Expo 2020. A feira universal é um dos maiores eventos internacionais da atualidade. Perde só para Copa e Olimpíada, e atrai 30 milhões de turistas. A cidade disputa com Esmira (Turquia), Iekaterinburgo (Rússia), Dubai (Emirados Árabes) e Ayutthaya (Tailândia).

TUDO CERTO
No mês passado, Kassab e Haddad viajaram a Paris para defender a escolha de São Paulo como sede. Anteontem o atual prefeito elencou a preparação "da candidatura de SP como sede da Expo 2020" nas metas 100% cumpridas em sua gestão.

BANCO VENDE TUDO
O banco Cruzeiro do Sul está promovendo leilão on-line de celulares, aparelhos de fax, móveis e computadores. O evento faz parte da estratégia de liquidação para cobrir rombo contábil de R$ 3,1 bilhões. Anúncio da venda, que será realizada no site www.sold.com.br, informa que ela é "extrajudicial".

VITRINE
Só de móveis são 231 lotes em liquidação. Outros 369 lotes disponibilizam eletroeletrônicos como laptops, impressoras e DVDs. E outros 186 lotes oferecem telefones celulares e fixos.

Os lances podem ser feitos até meados de janeiro.

GUARDA-SOL
O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, passou o Natal em sua casa em Imbassaí, no litoral norte da Bahia.

Na praia, passou boa parte do tempo lendo uma das obras do filósofo esloveno Slavoj Zizek sobre o psicanalista Jacques Lacan.

ZÉLIA & ITAMAR
Zélia Duncan escolheu São Paulo para começar sua próxima turnê.

No dia 3, ela apresenta o show "Tudo Esclarecido", em que canta Itamar Assumpção, no Sesc Pinheiros.

IMAGINA
De um espectador do show de Stevie Wonder e Gilberto Gil na praia de Copacabana, na noite de Natal, ao avistar o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB-RJ), dançando e cantando abraçado com a mulher, Cristine, no cercadinho VIP, com uma lata de cerveja na mão: "Imagina na Copa...".

QUER TECLAR?
O pianista Nelson Freire lançou álbum em que toca obras de Villa-Lobos. Foram ao lançamento, na Livraria Cultura da avenida Paulista, a violoncelista Irai de Paula Souza e Gérald Perret, da Sociedade Cultura Artística. Também passaram por lá Freire a professora Rosana Tavares, o engenheiro Francisco Robbe e o arquiteto Gil Cara.

CURTO-CIRCUITO
A mostra "Pós-Fim do Mundo" é aberta amanhã, na Galeria Fulô, no Quadrado de Trancoso (Bahia).

O DJ Mitch Lj se apresenta na Posh, em Jurerê Internacional (Florianópolis).

O Lab Club faz hoje na Augusta a festa Babel. 18.

Carlinhos Brown recebe Ellen Oléria, vencedora de "The Voice Brasil", no Sarau du Brown de 13 de janeiro. Em Salvador.

FLÁVIA OLIVEIRA - NEGÓCIOS & CIA

O GLOBO - 28/12


Colher de chá
Argentinos que saem do país para as festas de fim de ano têm sido autorizados pelo governo a comprar uma quantidade maior de moeda estrangeira. Até novembro, vigorava um limite informal de 5.760 pesos em todas as viagens ao exterior.

Em viagem 1
A contratação de seguros viagem quase dobrou (+95,8%) de setembro para outubro, diz a FenaPrevi. Foram R$ 10,063 milhões em planos coletivos e R$ 1,837 milhão em individuais. Tudo a ver com o salto das viagens de brasileiros ao exterior.

Em viagem 2
O Itaú lançou ferramenta para vender seguro viagem via smartphone. Hoje, uma em cada cinco apólices são contratadas pela internet.

É seguro
O mercado de seguros deve crescer 55,8% até 2015, projeta a CNseg. Deve bater R$ 398,4 bi em arrecadação. A entidade estima que o seguro rural saltará 84%; e o segmento patrimonial, 60%. Na área de engenharia, a alta prevista é de 300%. Efeito da Copa 2014 e dos Jogos 2016.

Regulação
A Susep montou conjunto de normas para o mercado de títulos de capitalização. As empresas terão de fornecer, por exemplo, a lista de distribuidoras do produto. As regras mexem até na propaganda. Entram em vigor em meados de 2013.

BELO MONTE ALCANÇARÁ PONTO MÁXIMO DAS OBRAS EM 2013
Hidrelétrica do Rio Xingu terá 28 mil trabalhadores nos canteiros no segundo semestre. Semana que vem, sai o primeiro desembolso do BNDES

A hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), chega ao fim de 2012 com um quinto das obras concluídas. Levantamento do próprio consórcio construtor mostra que houve interrupção (total ou parcial) em 148 dos 540 dias de trabalho. Só este ano, foram 54 dias parados. Ainda assim, a usina não saiu do cronograma, disse Duílio Diniz de Figueiredo, presidente da Norte Energia, por telefone à coluna: “Vamos entrar na rede básica em fevereiro de 2015”. Desde o início das obras, em 2011, Belo Monte é alvo de embate que põe, de um lado, investidores e governo; de outro, Ministério Público, entidades do movimento social e comunidades indígenas. Hoje, há 18 mil trabalhadores nos canteiros de Pimentel e Belo Monte, que compõem o projeto. No segundo semestre de 2013, a força de trabalho chegará a 28 mil pessoas, o pico de construção da usina. Quase metade dos operários (45%) vive em Altamira, município a 60 quilômetros de distância. No biênio 2013-14 será concluído o reassentamento das oito mil famílias afetadas pelo empreendimento. “Ano que vem, será contratada a construção de 4.100 casas. Algumas famílias preferiram indenização em dinheiro”, informou o presidente. Figueiredo, nas próprias palavras, torce para que não haja novas paralisações ou invasões nos canteiros: “Mas não posso desconsiderar a hipótese. Em 2013, teremos uma grande arrancada no projeto”. O executivo assumiu a companhia em agosto passado. De imediato, encomendou um Plano Básico Ambiental, para compensar aldeias indígenas da área de influência da hidrelétrica: “Temos trabalhado para manter o diálogo com as comunidades. Para o reassentamento, fizemos mais de 50 reuniões. Não posso considerar normais as reações a Belo Monte. Mas entendemos que se trata de uma obra emblemática na região, pela dimensão que tem”, admitiu. Em fins de novembro, o BNDES aprovou empréstimo de R$ 22,5 bilhões à Norte Energia. Foi o maior aporte já autorizado pelo banco a um único projeto. Os recursos cobrem 80% do investimento total. O primeiro desembolso, de pouco menos de R$ 5 bilhões, deve sair até o fim da semana que vem. O dinheiro, segundo Figueiredo, vai cobrir empréstimos ponte. Belo Monte será a terceira maior hidrelétrica do mundo. Terá 11.233 MW de capacidade instalada.

DESENVOLVIMENTO LOCAL
Ficaram no Estado do Rio 70% do investimento de R$176 milhões da Transpetro no navio Rômulo de Almeida. A estatal fez as contas: foram R$103 milhões em serviços e mão de obra; e R$ 20 milhões na compra de material. Mil pessoas trabalharam na embarcação, que passou por teste de mar no início do mês e, agora, está recebendo suprimentos para entrar em operação.

ESTALEIRO A CAMINHO
O braço de construção naval da OSX iniciou esta semana a concretagem da viga do Cais do Norte. É pela área que começarão as operações do estaleiro do grupo empresarial de Eike Batista, no Complexo do Açu (RJ). O projeto inaugural é a construção de um navio lançador de dutos para a Sapura, a partir do primeiro trimestre de 2013.O cais terá 2.400 metros.

FIM DE ANO MUSICAL
A Petrobras estreia campanha de fim de ano na segunda. Gravado em BH, o filme teve participação de 120 músicos da Orquestra Jovem de Contagem. Entra no ar em rádio, TV e internet. Haverá promoções nos réveillons de Copacabana e da Avenida Paulista. A Heads assina.

Água mineral
O mercado de água mineral em embalagens de até dez litros cresceu 9,3% de janeiro a novembro, diz a Nielsen. Passou de 1,07 bilhão de litros. Dona de seis marcas, a Coca-Cola Brasil lidera o setor, com 20,6%. O Nordeste representa 22% das vendas, seguido da Grande SP (18%).

Tamanho G
É crescente no país a busca de produtos em embalagens maiores, diz estudo da Kantar Worldpanel sobre consumo local. O hábito já é comum nos EUA. A compra de cremes e loções cresceu 3% em unidades, mas 10% em volume (toneladas). Com creme dental, ketchup e bolo a tendência é a mesma.

Sem calote
As cooperativas de crédito do Brasil recuperam 80% das dívidas atrasadas em até 180 dias. O dado está em estudo que o Serasa Experian divulga hoje. Sul e Sudeste se destacam no setor. No país, há 1.300 cooperativas e cinco milhões de cooperados.

Livre Mercado
A Dominós Pizza está abrindo cinco lojas esta semana, investimento de R$ 2,4 milhões. São três no Estado do Rio e duas no interior paulista. A rede fecha o ano com 60 unidades. Planeja mais 30 em 2013.

Porcão Gourmet, Garcia&Rodrigues, Gula Gula e Pizza Hutjá fecharam com o Américas Shopping, em construção no Recreio (Rio).

O ComerNaWeb.com.br investiu R$ 300 mil em novo layout e na versão Android. O portal já tem 358 restaurantes cadastrados no país; no Rio, já são mais de 200.

Mais de 30 mil pessoas passam por dia no Natal da Galinha Pintadinha, instalação no Via Parque. A média de público supera em 20% a ação de 2011. Criação da ZP Bastidores.

O Bradesco Saúde Concierge, serviço VIP de planos corporativos, fecha o ano com 90 mil clientes.

O nível de satisfação é de 93%.

As vendas da Victorinox Travel Gear cresceram 30% em 2012. A suíça, de acessórios para viagens, abriu 33 pontos de venda e criou coleções só para o Brasil. Em 2013, a meta é dobrar o faturamento.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 28/12


Seguro de transporte cresce menos neste ano
O mercado de seguro de transportes de cargas no país deve fechar 2012 com arrecadação de R$ 2,7 bilhões, segundo um levantamento da CNseg (confederação nacional das seguradoras).

A alta será de apenas 10% na comparação com o ano passado. Em 2011, o avanço havia sido de 22% em relação ao ano anterior.

"O crescimento foi menor devido a problemas climáticos que geraram perdas na agricultura, reduzindo o transporte de carga", diz Neival Freitas, diretor-executivo da FenSeg (Federação Nacional de Seguros Gerais).

Para o próximo ano, são estimados crescimentos mais significativos.

"Esperamos algo na ordem de 20% em 2013 e que os prêmios cheguem a R$ 4,3 bilhões em 2015", afirma.

Para isso, entretanto, serão necessários investimentos do governo em rodovias e estímulos para a renovação das frotas de caminhões do país, que hoje têm em média 20 anos, segundo Freitas.

"O melhor estado de conservação das rodovias e das frotas reduziria a quantidade de acidentes e faria com que o custo de seguro de transporte ficasse mais barato", afirma o executivo.

"Alterações na lei seca e na legislação do caminhoneiro também serão benéficas."

O seguro de transporte internacional, cujos principais destinos são Argentina e Chile, deve crescer 12% neste ano.

MODA ELÁSTICA
A marca de moda íntima Scala, que tem hoje 120 lojas no Brasil, vai abrir outras 13 unidades no ano que vem.

A empresa, que faz parte do grupo Scalina, pretende alcançar 250 unidades nos próximos quatro anos.

"O crescimento é de cerca de 10% sobre a rede atual. Nós vamos praticamente atingir a cobertura nacional", afirma Luís Delfim, presidente do grupo.

"Teremos inauguração no Amapá, onde ainda não estamos, e complementaremos onde faz sentido."

Está prevista a ampliação da participação da marca em Pernambuco, além de planos para Alagoas.

Outro projeto para o próximo ano, segundo Delfim, é o avanço sobre novos canais, como as vendas on-line, que abrangem outra marca do grupo, a Trifil.

13 é o número de unidades da rede Scala que serão abertas no próximo ano

120 unidades é o volume de lojas que a marca possui hoje no país

250 é o número aproximado que a empresa pretende alcançar nos próximos quatro anos

10% será o crescimento neste ano

INTERIOR REVESTIDO
A Portobello Shop, rede de franquias do grupo de revestimento cerâmico Portobello S.A., pretende abrir 20 unidades em 2013.

O objetivo da empresa com a expansão é alcançar 130 lojas no Brasil.

O foco será o interior dos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Janeiro, além de algumas cidades do Nordeste.

Entre dezembro do ano passado e novembro de 2012, a rede registrou receita líquida de R$ 231 milhões. O total representa 20% a mais que nos 12 meses anteriores.

Cumbica... 
No dia 21, foram registrados 112 mil passageiros em 813 pousos e decolagens pela Concessionária GRU Airport, que assumiu o aeroporto de Guarulhos. Foi um pico para a empresa, após 43 dias de operação plena.

...lotado 
Outro ponto alto na movimentação de passageiros foi no dia 15 de novembro, quando 104 mil embarcaram e desembarcaram, em 918 pousos e decolagens.

Sócio 
O Barbosa, Müssnich & Aragão terá José Carlos Berardo, no escritório desde 2001, como um dos sócios da área de direito concorrencial.

Identidade 
A Arsesp (agência reguladora de saneamento e energia de São Paulo) terá nova logomarca em janeiro. O órgão irá também ampliar o uso de softwares específicos para fiscalização e indicadores de qualidade.

Ano... 
O Brasil e a Argentina são os países onde mais pessoas passarão a virada acordadas, segundo levantamento da consultoria Ipsos com 12 mil entrevistados. Neles, 98% não irão dormir.

...Novo 
A média mundial é de pouco mais de 90%. Apenas 6%, porém, irão a um restaurante nesta noite.

Trabalho e preconceito - RASHEED ABOU-ALSAMH

O GLOBO - 28/12


Os clérigos têm que sair das cavernas dos seus preconceitos, e aceitar mulheres trabalhando ao lado de homens



O ministro do Trabalho da Arábia Saudita, Adel Fakieh, surpreendeu ao admitir numa entrevista que o número de sauditas desempregados é de dois milhões, muito maior do que o estimado. Disse isso no contexto do novo programa do governo de “saudização” lançado em abril de 2011 — o Nitaqat, ou Pontos, em português —, que visa a punir empresas com nenhum ou poucos trabalhadores sauditas. O problema é que essa vontade de dar mais trabalho para jovens esbarrou na realidade de que muito do trabalho hoje feito por estrangeiros, como a coleta de lixo, seria rejeitado por eles. E o governo saudita ainda enfrenta a rejeição de empregos para mulheres pelos clérigos mais conservadores, que querem deixar as mulheres trancadas em casa.

O programa Nitaqat começou a vigorar mês passado, e impôs multas de 2.400 riyals (equivalente a R$ 1.325) por trabalhador estrangeiro a mais que as empresas estiverem empregando. Isso gerou muitos protestos por parte de empresas de limpeza urbana, que têm uma maioria de trabalhadores estrangeiros. Elas alegam que essa nova lei não faz sentido para empresas com suas características, pois lhes é quase impossível atrair sauditas para trabalhar, exceto nas áreas de chefia e gestão. Mesmo assim, acho que existe uma ampla variedade de trabalhos que sauditas podem fazer, como, por exemplo, ser atendentes em restaurantes de fast food, ou trabalhar como caixas em supermercados. Já acontece há anos, com o McDonald’s e a rede de supermercados Panda empregando sauditas, homens e mulheres, nesses cargos. E, como em qualquer outro país, há sauditas que não querem se formar no terceiro grau, mas mesmo assim precisam de empregos onde eles podem aprender novas habilidades e melhorar de cargo e salário.

Outro problema que a Arábia Saudita enfrenta na área de emprego é o fato de que a maioria dos sauditas trabalha para o governo, e pouquíssimos na área privada. Salários iniciais oferecidos por cargos públicos têm sido mais altos que na área privada, e é por isso que nove em dez dos trabalhadores na área privada são estrangeiros. Empresários têm tirado vantagem do fato de que em certas áreas podem contratar vários estrangeiros com o salário que pagariam para um saudita. Num país onde o capitalismo e o mercado livre são peças-chave da economia, é difícil convencer esses empresários a empregar mais sauditas que, além de custarem mais caro, são geralmente menos eficientes do que seus homólogos estrangeiros.

O ministro Fakieh disse em outra entrevista recente que a maioria dos trabalhos feitos atualmente por estrangeiros não era adequada para sauditas. O diretor de integração econômica no Conselho de Cooperação do Golfo em Riad, Abdelaziz Aluwaisheg, apontou no “Arab News” que somente 14% dos empregos na área privada podiam ser nacionalizados, ou 1,1 milhao de empregos. Ele indica que, mesmo se o governo conseguisse vagas de emprego para 1,1 milhão de sauditas desempregados, isso deixaria 900 mil ainda desempregados. E, com 200 mil novos formados entrando no mercado de trabalho todo ano, o governo tem uma tarefa hercúlea para achar empregos para todos.

Para tentar amenizar a dificuldade de ser desempregado, o governo saudita começou, há um ano, a pagar um seguro-desemprego de US$ 533 por mês para cada um dos mais de um milhão de sauditas desempregados oficialmente registrados. O seguro pode ser pago por até 12 meses. Isso foi um alívio para muitos sauditas, mas mesmo assim o que vão fazer os milhões de mulheres sauditas formadas que precisam trabalhar, que ficam limitadas geralmente a empregos como ensinar em escolas ou trabalhar como técnicas em laboratórios?

Em cima disso, o governo saudita também tem de lidar com a oposição dos religiosos conservadores, que odeiam ver homens e mulheres trabalhando no mesmo ambiente. Isso se fez mais evidente ao longo do último ano quando o governo deixou mulheres sauditas trabalhar em lojas de perfumaria e lingerie nos shoppings.

No caso das lojas de lingerie, homens são proibidos de entrar, mas nas perfumarias as mulheres trabalham lado a lado com vendedores masculinos. Isso deixou furiosos os clérigos, que recentemente se reuniram com o ministro Fakieh para pressioná-lo a proibir a mistura de homens e mulheres no trabalho.

O meu amigo Ahmed al-Omran relata, no site Riyadh Bureau, que o ministro defendeu o conceito de mulheres trabalharem no varejo, dizendo que mulheres faziam isso na época do profeta Maomé, e que nada no Islã proibia isso. Os clérigos não foram persuadidos por esse argumento, e argumentam que isso seria uma ação do ministério para tentar ocidentalizar a sociedade.

No final da reunião os clérigos deram um prazo de um mês para o ministro reverter a política de deixar mulheres trabalhar no varejo, senão eles irão rezar para Deus dar-lhe um câncer. Fakieh respondeu que não ia tentar justificar sua decisão, e que qualquer um dos clérigos podia mover um processo judicial contra o ministério se não gostasse das políticas do governo. “Se um juiz decidir que temos que reverter a política, aí sim, nós iremos mudar a lei”, disse o ministro.

O país hoje tem 28 milhões de habitantes e um PIB per capita de US$ 22 mil por ano. Nos anos 1990 o PIB encolheu, chegou a US$ 6.500 per capita em 1999, quando o preço do petróleo, o principal produto exportado pelo país, despencou. Isso pode acontecer de novo, e com a corrupção engolindo cada vez mais da renda bilionária do petróleo, a nova geração de sauditas, que está cada vez mais ligada ao mundo e reivindicando seus direitos, não vai deixar barato se sofrer uma brusca queda de qualidade de vida, gerada por incompetência dos governantes.

Encorajar mulheres sauditas a trabalhar será bom para a economia e ajudará a garantir um padrão de vida melhor para todos os sauditas. Os clérigos têm que sair das cavernas dos seus preconceitos, e aceitar que mulheres trabalhando lado a lado com homens, num ambiente seguro e de respeito, não é pecaminoso e nem o fim do mundo. A sujeira está na mente deles, e é um problema que eles vão ter que resolver sozinhos — sem tirar o direito de cada mulher ganhar seu sustento fora de casa, se assim desejar.

Futuro e presente das concessões - MOACYR SERVILHA DUARTE

O ESTADÃO - 28/12


O governo federal anunciou com grande alarde a previsão de investimentos de R$ 133 bilhões em infraestrutura rodoviária e ferroviária nos próximos anos, a serem viabilizados por meio de concessões comuns e de concessões patrocinadas e administrativas, chamadas PPPs. O valor é muito significativo, embora não atenda plenamente às carências atuais e futuras do País nas áreas de transporte rodoviário e ferroviário.

Mais recentemente, foram lançados os programas relativos aos portos e aeroportos. Para viabilizar esses investimentos, foi criada uma empresa de planejamento e logística (EPL) e nomeado um administrador, que busca montar uma equipe técnica e econômica que possa cuidar de todos os aspectos, como fazia o saudoso Geipot. A pergunta que possíveis operadores e investidores têm é se as providências tomadas são suficientes para dar andamento confiável ao processo, condição básica para atrair os recursos e a gestão necessária para viabilizar empreendimentos que atendam às expectativas da sociedade.

Uma das dúvidas tem como exemplo ocaso da BR-101 (ES/BA), um dos principais eixos de integração do Nordeste com o Sudeste e o Sul, caracterizado por grande número de graves acidentes de trânsito. Em novembro de 2011, após várias idas e vindas, foi definida a licitação desse trecho, devidamente aprovada pelo Tribunal de Contas da União e parte da 3ª etapa do programa de concessão de rodovias federais. Em janeiro de 2012 ocorreu a licitação, utilizando o critério da inversão de fases, sob o argumento de que se conseguiria, como na 2ª etapa, maior agilidade no processo licitatório. Nesse sistema é aberto o plano de negócios apenas do licitante que oferece a menor tarifa. Detalhes deste plano da 1º colocada foram objeto de contestação pelo 2º colocado - primeiro, administrativamente e, depois, pela via judicial, em que conseguiu liminar suspendendo a assinatura do contrato. O caso está pendente e vai-se completar um ano sem definição sobre a concessão do único trecho previsto para 2012. E não se vê atuação mais significativa do governo federal para desamarrar o processo.

O exemplo deixa claro que o processo de concessão, além de contar com a evidente má vontade de muitos dirigentes públicos e políticos, pela forma como é feito - não se trata de mero leilão para a compra de moveis, mas da contratação de empreendimento complexo ainda tem de enfrentar dificuldades institucionais e legais para se viabilizar, pois envolve vários órgãos autorizadores e licenciadores. Fala-se, atualmente, em círculos ligados ao processo, em cancelar a licitação e recomeçar tudo, dando por perdidos os dois ou mais anos já dedicados aos estudos, montagem da licitação e elaboração das propostas.

Nas licitações recentemente lançadas, da fase 2 da 3ª etapa, foi mantida a exigência de apresentação do plano de negócios, mas noticia-se a intenção de suprimi-la na fase 3, que abrange sete trechos. Isso, é claro, impede contestações da proposta vencedora, como no caso da BR-101 (ES/BA), e pode se repetir nas duas novas licitações. Mas também inviabiliza a obrigação do poder concedente de cumprir seu dever de verificar a exequibilidade das propostas.

Esse é um caso isolado, mas serve de amostra. Como acreditar em celeridade num processo que vai envolver licitação de nove trechos? Esperemos que o governo federal e a EPL encontrem formas de tomar mais seguro e confiável todo o processo de concessão, eliminando deficiências dos estudos de viabilidade, para obter propostas que garantam maior realismo no desenvolvimento do empreendimento, e não só a rápida conclusão de um procedimento licitatório, que, como se vê, não é assegurado por meros expedientes procedimentais.

O futuro das concessões, que felizmente o governo federal parece considerar essenciais para superar nossas carências na infraestrutura, se visto pela ótica do que está acontecendo na licitação do trecho da BR-101 (ES/BA), pode não ser dos mais promissores e comprometer a continuidade do desenvolvimento do País. Os investidores, seguramente, não deixarão de considerá-lo nas suas avaliações.

Redoma do Planalto - MIRIAM LEITÃO


O GLOBO - 28/12

Para a presidente Dilma, o governo está diminuindo a carga tributária, aumentando investimentos, melhorando a educação. Segundo ela, esses três pontos marcam seu governo. Acredita que não há crise de energia. O Planalto tem essa capacidade de abduzir o governante da realidade. Os apagões são constantes, os investimentos, insuficientes, a carga tributária é recorde.

"Ninguém faz infraestrutura em um ano. É uma simplificação que nós não podemos nos permitir. A infraestrutura é feita ao longo dos anos. Paramos 20 anos. Agora tem que virar uma obsessão do país investir em infraestrutura", disse a presidente, no café da manhã com os jornalistas. O PT governa o país há 10 anos. O primeiro Plano de Aceleração do Crescimento é de 2007. A bordo da marca de fantasia, ela fez sua imagem de gerente e chegou à Presidência. Em 2010, o segundo PAC foi anunciado em cima de um palanque. Só sob o seu comando são seis anos e até agora não há resultado. Nos últimos cinco trimestres o investimento do país caiu e quando saírem os dados do quarto trimestre devem também ficar negativos.

A presidente disse que quando os juros caem a carga tributária pode cair, e garante que é isso que está acontecendo. Ela tem razão no ponto: os juros caíram e os impostos poderiam ter caído porque a conta de juros fica menor. No entanto, a carga tributária subiu no primeiro ano do governo Dilma para 35,31% do PIB, segundo a Receita, e para 36% de acordo com Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Em 2012 deve ficar um pouco menor (35,77%, pelo IBPT), mesmo assim, será o segundo maior número da série histórica, perdendo apenas para 2011. O governo tem reduzido impostos setorialmente. A mudança animadora é a da cobrança da contribuição previdenciária patronal. O dado agregado, no entanto, mostra que, na média, nos dois anos do governo Dilma a carga tributária foi de 35,89%; no governo Lula foi 34,03%; no de FHC, 28,63%. Em todos esses governos houve aumento da carga tributária em relação ao período anterior. É uma tentação a que todos os governantes cedem.

A presidente deu um bom conselho aos jornalistas: "Quando falarem para vocês que caiu um raio, vocês gargalhem. Raio cai todo dia neste país, a toda hora. Raio não pode desligar um sistema. Se desligou, é falha humana. Não é sério dizer que a culpa é do raio. A nossa briga com o raio é para impedir que, quando ele caia, o sistema pare."

Isso permitirá aos meus colegas boas gargalhadas. O ministro Edson Lobão disse, em 2009, quando Dilma era chefe da Casa Civil, que um apagão que atingiu 18 estados havia sido causado por raios e invocou testemunhas: "O Operador Nacional do Sistema, Furnas, a Aneel e demais órgãos ligados ao Ministério das Minas e Energia, todos juntos, chegaram à conclusão de que o que aconteceu foi que descargas atmosféricas, ventos e chuvas na região de Itaberá causaram o apagão."

No último dia 17, o secretário de energia elétrica do Ministério de Minas e Energia, Ildo Grudner, disse que raios na região de Itumbiara, na divisa entre Minas e Goiás, podem ter sido a causa de um apagão que atingiu 12 estados no dia 15. Mas avisou que isso ainda está em "análise". Ou seja, em breve se saberá se poderemos gargalhar ou não.

De Bauru, Itaberá a Itumbiara, qualquer que seja o governo, são sempre os raios os culpados. E como diz a presidente, o que se tem que fazer é evitar que um raio apague um sistema. Mas isso a presidente Dilma ainda não conseguiu, apesar de a área energética estar sob seu comando há 10 anos.

A presidente garante que o país não vive uma crise de energia. Tomara fosse verdade. O calor está insuportável, a demanda aumentou e o nível dos reservatórios caiu. E isso tem provocado seguidas e irritantes interrupções no fornecimento de energia. O país tem contradições, como parques eólicos enfeitando a paisagem sem estarem ligados ao sistema por não terem sido feitas as linhas de transmissão a tempo. Sim, há uma crise. Não é do tamanho da que houve no governo Fernando Henrique, mas em parte porque o sistema de prevenção com as caras e sujas termelétricas, criado naquele período, está sendo utilizado. É preferível admitir a crise e enfrentá-la.

Não se deve provocar fera domada - LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS

FOLHA DE SP - 28/12


Bastam algumas condições especiais para a volta ao estado selvagem; é o que ocorre hoje com o câmbio

O título desta última coluna do ano tomei emprestado de um velho pensamento chinês. Segundo os chineses, a natureza de uma fera sempre permanece, mesmo que escondida sob o manto da pacificação. Basta que ocorram algumas condições externas especiais para que a volta ao estado selvagem ocorra. É o que acontece hoje com a taxa de câmbio.

Minha geração conhece muito bem os riscos que traz para a economia uma taxa de câmbio sem credibilidade de longo prazo. Passei pela experiência de ser diretor do Banco Central em um momento de grande desconfiança na moeda brasileira. O dólar americano reinava absoluto como referência de valor entre os agentes econômicos.

Por isso, como se dizia antigamente, por ser cachorro já mordido por uma cobra, tenho medo até de linguiça. No momento, as declarações de membros do governo de que o real deveria perder valor nos mercados de câmbio é que me fazem perder o sono.

Alguns defensores dessa busca de uma moeda mais fraca falam de uma relação real/dólar americano na faixa de R$ 2,40, ou seja, uma desvalorização adicional da ordem de 25%. Somada à que ocorreu nos últimos meses, teríamos um total de 33% de perda de valor do real em poucos meses. Nessas condições, a imagem de uma fera domada, que volta ao seu estado selvagem, veio a minha mente imediatamente.

E por que a taxa de câmbio, em uma economia como a brasileira, não pode ser submetida a oscilações bruscas, como aconteceu nos últimos meses? A razão deriva do fato de que o câmbio é um macropreço, multifacetado por afetar vários outros preços na economia. Além disso, ele é um dos parâmetros mais importantes para a construção das expectativas de longo prazo, principalmente entre as empresas privadas e investidores.

Os defensores do dólar a R$ 2,40 olham a taxa de câmbio apenas como o preço que inibe importações e permite que a indústria nacional tenha maior poder de competição com seus concorrentes estrangeiros.

Nesse sentido, em um momento de crescimento medíocre, faria todo o sentido trabalhar por um real mais fraco. Mas, em razão dessa sua característica de preço multifacetado, uma moeda mais fraca gera uma inflação mais alta. Esse efeito é grave, principalmente em uma economia em que os produtos com preços vinculados à taxa de câmbio chegam a afetar, de maneira direta e indireta, quase 60% do índice de preços ao consumidor.

Por isso, desvalorizar a moeda de forma agressiva é algo parecido como cavar um buraco em areia mole. Uma desvalorização agressiva e antecipada acaba, ao longo do tempo, por reduzir os ganhos reais com a taxa de câmbio a uma proporção pequena do movimento inicial em razão dos aumentos dos custos de produção.

O custo em termos de inflação é particularmente perigoso no momento atual da economia brasileira. Estamos no limite da credibilidade do sistema de metas e, por consequência, do Banco Central.

Se, em 2013, com a esperada aceleração do crescimento econômico, adicionarmos uma nova rodada de desvalorização do câmbio, certamente a inflação vai atravessar a fronteira dos 6% anuais.

Outro aspecto deletério de uma desvalorização cambial no Brasil é seu efeito sobre o custo financeiro dos empréstimos externos, que representam parcela importante do endividamento de longo prazo das empresas brasileiras. Esse efeito, principalmente neste momento de pessimismo dos empresários em relação a novos investimentos por razões de expectativas, adiciona as incertezas com a taxa de câmbio aos receios com o futuro.

Sem segurança em relação ao valor futuro do dólar, o investidor internacional que tem investido recursos em títulos de longo prazo do governo e contribuído para uma curva de juros de longo prazo mais eficiente também pode resgatar suas aplicações.

Enquanto escrevo esta coluna, o BC continua a intervir no mercado para trazer de volta a taxa de câmbio para a proximidade dos R$ 2. Certamente foi autorizado a fazer o contrário do que o Ministério da Fazenda vinha defendendo, talvez para evitar que a expectativa de inflação para 2013 saia de vez do seu controle. Parabéns!

Sobra vontade, falta plano - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR

GAZETA DO POVO - PR - 28/12


O apelo emocional de Dilma em sua mensagem de fim de ano não funcionará se não for seguido de demonstrações claras de respeito à economia livre de mercado


Não é preciso ser economista para saber que o único caminho capaz de elevar o padrão médio de bem-estar da população é o Produto Interno Bruto (PIB) crescer mais que a população. Uma das discussões no campo do pensamento econômico busca responder à indagação sobre até que ponto uma nação consegue fazer seu produto crescer, questão válida sobretudo para os países cuja renda por habitante já superou os US$ 50 mil/ano.

No caso dos países economicamente atrasados – entre eles o Brasil, com renda per capita inferior a US$ 11 mil/ano –, a discussão diz respeito a como fazer a renda caminhar até chegar ao patamar já conseguido pelas nações desenvolvidas. As teorias ensinam que o crescimento resulta de recursos naturais, trabalho, capital e progresso tecnológico. A se aceitar a tese de que recursos naturais e trabalho o Brasil tem de sobra, embora com deficiente qualificação da mão de obra, o desenvolvimento brasileiro estaria na dependência de aumento do estoque de capital e de avanços na tecnologia.

O crescimento do PIB puxado por elevação no consumo das pessoas pode ser solução para crises pontuais, como foi o caso da crise de 2007/2008, mas não basta para colocar o país na rota do crescimento sustentado, no sentido de aumento do produto de forma constante ano após ano. Assim, a conclusão óbvia é de que o crescimento brasileiro depende primeiramente de aumento dos investimentos públicos e privados como proporção do PIB. O plano de governo da presidente Dilma reconhecia a necessidade de o país atingir investimentos equivalentes a 25% do PIB, sem o que o aumento consistente da renda por habitante não seria possível. Com dificuldades, atualmente essa taxa não passa dos 19%.

O nó da questão é que sobra vontade para fazer o investimento aumentar, mas falta plano. O Brasil vive uma situação duplamente inusitada: por um lado, o setor público não reserva em seu orçamento mais que o equivalente a 2% do PIB para investir; de outro, nem o pouco investimento previsto o governo consegue executar. O governo federal chegou ao cúmulo de ter dinheiro empenhado no orçamento fiscal para diversas obras sem conseguir executar os projetos por falta de capacidade gerencial ou por embargos em função de indícios de corrupção nas licitações.

O curioso é que, mesmo constatada a incapacidade técnica e moral para tocar suas obras, o governo ainda padeça de exagerado apreço pela estatização e desapreço pela privatização, tese em cima da qual Lula e Dilma pautaram as críticas a seus adversários eleitorais. A privatização é coisa que o Brasil precisaria aprofundar com urgência, pois ela seria útil para gerar caixa ao tesouro, aumentar a eficiência da economia e elevar a taxa geral de investimentos. Não ter dinheiro para investir é um problema. Ter dinheiro para investir e não conseguir fazê-lo é trágico do ponto de vista da perspectiva de crescimento.

Mais uma vez, diante do crescimento pífio de 2012 – que não passará de 1% do PIB –, o governo resolve apostar mais fichas no aumento do consumo, medida adequada para épocas de desemprego elevado, como eram 2008 e 2009, mas imprópria para um momento de desemprego baixo. A contradição entre alto nível de emprego e crescimento reduzido, trunfo que o governo anda brandindo como se fosse obra de sua genialidade, não é situação que dure muito tempo. Caso o PIB de 2013 continue crescendo pouco, como ocorreu com 2012, não levará muito tempo para que o desemprego comece a subir e crie um problema muito maior.

Se o setor público investe pouco, o setor privado não consegue compensar, pois o ambiente institucional e as medidas intervencionistas do governo desestimulam o ímpeto dos empresários. O mercado vê as medidas e as manobras do governo com desconfiança, cujos exemplos mais sintomáticos foram as intervenções do Palácio do Planalto sobre a Petrobras (que prejudicou o fluxo de caixa da empresa, reduziu seus lucros e baixou seus investimentos) e sobre a Eletrobras, jogando essa companhia em déficits e perda acentuada do valor de suas ações.

Além de não conseguir cumprir seu plano de investimentos previstos no orçamento, o governo lança dúvidas ao mercado e leva o setor privado a segurar investimentos no país. O apelo emocional da presidente Dilma Rousseff, em sua mensagem de fim de ano no dia 23 passado, para que os empreendedores confiem no Brasil e façam investimentos, não funcionará se não for seguido de demonstrações claras de respeito à economia livre de mercado e diminuição do ímpeto intervencionista.

Educação repetente - EDITORIAL ZERO HORA

ZERO HORA - 28/12


Há pouco mais de quatro anos, num texto intitulado "No limiar do século 21", o sociólogo Hélio Jaguaribe ressaltava que, depois da universalização do Ensino Fundamental, o desafio do país nessa área passava a ser o de garantir uma melhora significativa na qualidade da educação de base. Simultaneamente, ficava comprometido a aumentar também o nível e o acesso ao Ensino Médio. Em plena segunda década do novo século, há avanços discretos em relação a esses aspectos. O país, porém, mantém-se preso a padrões de ensino típicos do século 19 e segue sem conhecer as competências necessárias para um mercado de trabalho no qual o que conta é o conhecimento. Pior: além de reduzida, a média de anos de estudo dos brasileiros, de maneira geral, está associada a ensino de qualidade duvidosa, o que ajuda em muito a explicar os baixos índices de produtividade dos trabalhadores brasileiros e a insatisfação acentuada com os ganhos salariais. Essas, provavelmente, são as questões mais desafiadoras para um país que pretende expandir sua economia e figurar no ranking dos mais competitivos.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dão uma ideia clara da distância que ainda separa o Brasil de países adiantados. O mais preocupante deles é a média de apenas 7,3 anos de estudos, indicando que uma parcela expressiva da população brasileira não tem sequer o Ensino Fundamental completo. Entre os brasileiros que já estão no mercado de trabalho, apenas 46,8% cursaram o Ensino Médio e uma parcela muito menor _ 12,5% _ o Ensino Superior completo. Mesmo entre esses cidadãos privilegiados com um período mais longo de presença em sala de aula, a situação não é das mais favoráveis. O número reduzido de quem frequenta a pré-escola e a falta de qualidade do ensino de maneira geral fazem com que apenas um pequeno percentual, já na fase adulta, lide bem com as quatro operações no dia a dia e consiga interpretar um simples texto. Como imaginar o país em condições de competir com os que apostaram no conhecimento, numa situação dessas?
O Brasil deveria levar mais em conta os alertas de especialistas de que a pouca atenção ao ensino está na origem de crises econômicas como a registrada hoje em âmbito internacional ou de dificuldades de aproveitar o seu potencial para se desenvolver. Ruim para o país, o descaso com o ensino é péssimo para a população, pois há uma relação evidente entre tempo de estudo e desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) per capita. Um ano a mais de aprendizado já é suficiente para ampliar em 15% a renda de um profissional. No caso de quem tem Ensino Superior completo, o impacto é estimado em 47%. Em consequência, a diferença em relação ao ganho de quem tem apenas Ensino Médio para quem foi além nos estudos alcança 167%, fator de peso para justificar a importância de um curso superior.
Os avanços do terceiro grau, principalmente depois da implantação de avaliações regulares, contrastam com os dos demais níveis de ensino. A universidade evoluiu, a ponto de algumas instituições brasileiras serem reconhecidas internacionalmente. Os universitários, como bem lembrou a presidente Dilma Rousseff na sua mensagem de final de ano aos brasileiros, vêm sendo contemplados com programas como o ProUni, que concede bolsas para graduação, e o Ciência Sem Fronteiras, que já enviou 20 mil alunos para estudar no Exterior. Apesar da universalização, porém, o ensino básico se fragilizou de maneira preocupante. Uma das razões pode estar no fato de receber bem menos recursos do que o Ensino Superior, com repercussões também sobre os ganhos e a motivação dos professores.
O país subestimou o fato de que a educação básica, para a qual o sociólogo Hélio Jaguaribe defende mais qualidade, é decisiva para o aprendizado e para a formação de profissionais em todas as áreas. Há omissões comprovadas da União, dos Estados e dos municípios, que transferem responsabilidades uns aos outros quando o assunto é educação. O efeito danoso disso tudo, que precisa ser atacado, é claro: crianças e adolescentes sem a total compreensão do que estudam e, mais adiante, profissionais com formação deficiente, incapazes de se realizar pessoalmente, de conquistar boa parcela das vagas oferecidas pelo mercado e de contribuir para um país mais próspero e mais justo.

Abastecimento de energia deixa a zona de conforto EDITORIAL VALOR ECONÔMICO


VALOR ECONÔMICO - 28/12

O clima voltou a preparar armadilhas para o fornecimento de energia elétrica em um momento delicado. O governo fez polêmica mudança no modelo de concessões do setor elétrico para forçar uma redução de 20,2% nas tarifas, hoje entre as mais caras do mundo. Seis apagões ocorreram no segundo semestre, com o último, no dia 15, atingindo 12 Estados, entre eles os mais populosos, como São Paulo, Minas e Rio. O balanço hídrico não tem sido favorável no início da estação chuvosa, quadro que pode melhorar nos próximos meses, como já ocorreu no passado.
Apagões ou racionamentos são palavras que os governos não gostam de usar ou sequer ouvir. Na quinta, a presidente Dilma Rousseff disse que o país não teve recentemente apagões, mas "interrupções" de energia, e que é "ridículo dizer que o Brasil corre risco de racionamento". Como ninguém manda no tempo, é preciso contar com o pior e o governo já vem tomando medidas adequadas, como o acionamento da cara energia das termelétricas.

É inegável que a capacidade de armazenamento dos reservatórios piorou em dezembro. No início do mês, o nível dos reservatórios das hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste, que somam 70% da água represada, estava 6,7% acima do que é considerado seguro para o atendimento pleno da demanda. No dia 26, o índice recuara 2,4% e era só 2,1% superior à chamada curva de aversão de risco.

Ainda é cedo para se prever racionamento, mas não para ver que as possibilidades cresceram e que as condições climáticas já pregaram uma peça nos planos do governo e nos bolsos dos consumidores. Segundo estimativas dos grandes consumidores de energia, reunidos na Abrace, R$ 2,5 bilhões já foram gastos com o acionamento das termelétricas a gás e óleo. Isso significa, para a associação, um aumento de R$ 4 a R$ 5 por megawatt na conta de luz, que será repassado nos reajustes das distribuidoras em 2013 (Valor, 27 de dezembro). Quanto mais tempo as térmicas forem usadas, maior a conta para os usuários. Pelo último boletim do Operador Nacional do Sistema, elas continuaram em operação nesta semana, dada a ocorrência de chuvas fracas ou moderadas.

O encarecimento adicional trazido pela energia das termelétricas já consumiu, pelo menos no início, boa parte da queda da tarifa prevista com a mudança nas concessões, objeto da polêmica Medida Provisória 579, aprovada pelo Congresso. Ainda que seu objetivo seja de longo alcance, o consumidor pode não sentir de cara a diferença no que terá de pagar.

Os consumidores não serão os únicos a perder. A Petrobras tem um prejuízo de cerca de R$ 240 milhões com o acionamento das térmicas, segundo cálculos da consultoria Gas Energy. A perda ocorre pela diferença entre o preço do gás natural liquefeito importado pela estatal e o preço com que ela é remunerada pelas termelétricas - US$ 18 e US$ 12 por milhões de BTUs, respectivamente. A Petrobras está se abastecendo no mercado spot, alvo da pressão do inverno no hemisfério Norte. A demanda em alta pode afetar a disponibilidade do gás para a Petrobras. Esse risco levou a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro a alertar para a eventual falta de gás natural, caso a estatal desloque sua oferta para as usinas.

E mesmo a equação da oferta de gás revela-se agora bem menos confortável. O consumo de gás natural em novembro, de 97 milhões de m3 por dia, já teria encostado na capacidade instalada de produção do país (102 milhões de m3 /dia). Dessa forma, os contornos de turbulências no abastecimento de energia estão dados e podem ou não se agravar ao longo do tempo, se as chuvas não caírem na quantidade e horas certas até abril.

Nada disso, por enquanto, chegou a afetar o abastecimento. Mas os apagões temporários revelaram, segundo a Agência Nacional de energia elétrica e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que as subestações do sistema nacional precisam de modernização. No caso da subestação de Itumbiara, que provocou a queda da energia em 12 Estados, os equipamentos tinham 40 anos de uso e se revelaram inadequados para atender as novas e maiores cargas de exigência. Há necessidade clara de mais investimentos, mas eles não são imediatamente feitos porque as tarifas, que já são muito altas, seriam ainda maiores, reconhece o diretor-geral da ONS, Hermes Chipp. Ainda falta confiabilidade do sistema elétrico.

Constituição divide ainda mais os egípcios - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 28/12



Divergências sobre Carta atrasam medidas do governo para enfrentar problemas econômicos e aumentar bem-estar da população



A caminhada do Egito pós-Mubarak segue difícil e turbulenta. O presidente Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, acelerou os trabalhos de elaboração e aprovação da nova Constituição, que deverá encerrar o ciclo da ditadura militar e nortear os novos rumos do país. Mas o fez ampliando seus poderes, a ponto de ser chamado de “novo faraó”, reprimindo protestos populares, o que novamente ensanguentou as ruas do Cairo, e atropelando objeções da oposição secular, liberal e cristã. Esta sustenta que a Carta abre espaço para a aplicação de controvertidos preceitos da sharia (lei islâmica) e não defende o direito das minorias.

Nos últimos dias 15 e 22, o povo egípcio foi chamado a referendar a nova lei básica. Ela foi aprovada por quase 64% dos eleitores, mas apenas um terço deles compareceu às urnas, o que mostra o desencanto popular em relação ao processo e indica que a Carta tem sérios problemas de representatividade. Sua legitimidade depende de um esforço de boa vontade e entendimento entre os poderes da República.

Mursi sancionou a Constituição e passou os poderes legislativos ao Conselho da Shura, a câmara alta, dominada por islamistas. A ela caberá aplicar o novo texto até a eleição da câmara baixa, em dois meses. O Conselho da Shura imediatamente convocou os 90 legisladores (um terço do total) indicados por Mursi, entre eles cristãos, liberais e mulheres, além de representantes da Irmandade Muçulmana e dos salafitas — movimento islâmico ultraconservador. Os demais dois terços já tinham sido eleitos.

Segundo editorial do “New York Times”, a Constituição “apenas exacerbou as divisões e irritou milhões de egípcios seculares, que se sentem desamparados e pretendem forçar mudanças no documento.” A situação tende a piorar, se a câmara baixa forçar a mão e adotar iniciativas que provoquem a oposição. A Carta atendeu à reivindicação geral de reduzir os poderes presidenciais e fortalecer o Parlamento. Mas deu aos generais muitos dos poderes e privilégios que tinham na Era Mubarak.

A Frente de Salvação Nacional, onde está grande parte da oposição secular, convocou o povo a rechaçar a Carta, o que pode resultar em novos protestos nas ruas. Já o procurador-geral da República ordenou investigação sobre supostas acusações de incitamento à derrubada do governo contra os principais líderes da oposição — o Prêmio Nobel Mohammed ElBaradei e os ex-candidatos à presidência Amr Moussa e Handeen Sabahi. A acusação parece exagerada e de motivação política.

É mais um momento delicado na trajetória pós-Primavera Árabe. Mursi, que se revela um comandante atrapalhado, terá de assumir de fato a liderança para conduzir o país, reduzir a incerteza e pôr seu governo para trabalhar naquilo que mais preocupa o povo: a economia fraca, com baixo investimento e alto desemprego. Sem discriminações.


Limpar e reconstruir - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 28/12


Popularidade de Gilberto Kassab recuou no segundo mandato porque prefeito negligenciou São Paulo em favor de seu novo partido


Gilberto Kassab não deixa a Prefeitura de São Paulo como o pior alcaide que a cidade já teve, porém sua imagem anda perto disso.

Kassab conquistou popularidade nos primeiros anos, negligenciou a capital paulista após reeleger-se, confiou no poder das iniciativas cosméticas e sai do cargo com 42% de desaprovação.

É a segunda pior avaliação, desde 1985, de um prefeito no final da gestão. Perde para os 81% de Celso Pitta (1997 a 2000), de quem Kassab foi secretário de Planejamento.

A boa fama inicial foi obtida com o programa Cidade Limpa. No papel de síndico extremado, fez cumprir o que a muitos parecia impossível: livrar a cidade da barafunda de cartazes, letreiros e luminosos.

Mais adiante, Kassab deu o passo -elogiável- de que hoje talvez se arrependa: aceitou firmar compromisso com as 223 metas da chamada Agenda 2012. Com base nela, passou a ser avaliado de forma razoavelmente objetiva. Queixa-se, agora, do "uso político" da agenda.

O fato é que Kassab cumpriu integralmente só 55% (123) das metas que definiu. Um quarto delas (55) nem mesmo teve execução iniciada. Outras 45 estão em andamento.

Uma avaliação mais refinada ponderaria os percentuais de cumprimento de cada uma das 223 metas para extrair o que o prefeito chama de "índice de eficiência" -por ele fixado em 81% (um cálculo duvidoso, com 25% de objetivos totalmente descumpridos).

O prefeito tampouco se sai bem sob o ângulo qualitativo. Das áreas sob sua alçada direta, as prioridades óbvias são transportes, saúde básica e ensino fundamental, nenhuma delas com retrospecto bom.

Kassab prometeu 66 km de corredores de ônibus e entregou zero. Investiu R$ 1,7 bilhão no metrô, obra até então custeada só pelo governo estadual; a soma, aplicada em pistas exclusivas de ônibus, mais baratas, teria gerado maior benefício imediato para a população.

O prefeito disse que iria construir três novos hospitais, mas não entregou nenhum. Aumentou em 60% o número de unidades de saúde e em 62% o de médicos, porém o setor permanece como o mais mal avaliado de sua gestão.

A prefeitura não zerou o deficit de creches, como prometido, mas elevou o total de matrículas de 110 mil, em 2009, para 211 mil. Acabou com as "escolas de lata" e diminuiu a quantidade de alunos no "turno da fome" (que têm aulas na hora do almoço), porém restam 10 mil estudantes nesse período.

O que mais se censura em Kassab foi deixar a cidade, no segundo mandato, em plano inferior ao do projeto de criar o enésimo partido governista do país, o PSD. Seu cacique parece ter considerado que bastava multiplicar as ciclofaixas de lazer -faixas pintadas no asfalto e delimitadas por cones de plástico nos finais de semana- para manter-se bem avaliado.

É pouco, prefeito, muito pouco. Mais do que maquiada, São Paulo precisa ser reconstruída como cidade habitável e produtiva.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Não somos operadores, mas, sim, estivadores do Direito”
Ministro Marco Aurélio, sobre o trabalho extenuante no Supremo Tribunal Federal


ADAMS DEU NOVA CHANCE A ASSESSOR INVESTIGADO

Alvo da Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, o procurador José Weber Holanda, homem de confiança do advogado geral da União, Luis Inácio Adams, foi exonerado do cargo de avaliador da banca examinadora do concurso público para Procurador da Fazenda, mas ganhou um novo cargo no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Sob as bênção de Adams, o amigão.

FASCÍNIO POR PARECERES

Luiz Adams designou Weber para o novo cargo, com ajuda de Marcelo Siqueira, procurador. Ele vai elaborar pareceres a pedido do CNPq.

CONCURSO IGNORADO

Procuradores acham irregular a designação de Weber para o CNPq por violar o direito de preferência. A AGU teria que fazer concurso interno.

DISTANCIAMENTO

O Estatuto dos Servidores prevê que o investigado deve ser afastado por 60 dias para não atrapalhar o inquérito. Isto não ocorreu na AGU.

DEBAIXO DA CAMA

Com horror a holofotes, Luiz Adams mandou uma auxiliar cumprir a tradição de saudar os ministros do Supremo na última sessão do ano.

SKAF ANTECIPA CAMPANHA ELEITORAL USANDO A FIESP

Quando faz a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) bancar suas aparições na TV sobre energia, Paulo Skaf tem vários objetivos estratégicos. O primeiro deles é aparecer, tentando viabilizar sua candidatura ao governo paulista em 2014, pelo PMDB, massificando seu rosto e seu nome, e pegando carona na redução da conta de luz, que na verdade decorre da obstinação da presidente Dilma Rousseff.

OPOSIÇÃO NA CNI

Outro objetivo de Skaf é fustigar o presidente da CNI, Robson Andrade, seu adversário, que não fala em energia por ser sócio de termelétricas.

OPORTUNISTA

Apesar dos elogios de Paulo Skaf a Dilma, na TV, ela deplora a jogada do presidente da Fiesp, classificada de “oportunista” no Planalto.

OUTRO OBSTÁCULO

Outro adversário no horizonte de Paulo Skaf é o deputado Gabriel Chalita, que terá a primazia no PMDB-SP para as disputas majoritárias.

BOQUINHA GARANTIDA

A ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais), esperou as festas de fim de ano, quando poucos leem Diário Oficial, para se aposentar como ex-senadora. O ato foi publicado ontem pela diretoria-geral do Senado.

PUNIÇÃO EXEMPLAR

Um tribunal argentino condenou a 4 anos de prisão a ex-ministra da Economia Felisa Miceli, após ter sido encontrada em 2007, no banheiro de seu gabinete, uma bolsa com milhares de dólares. Ela também foi proibida de exercer cargos públicos por 8 anos. Esses argentinos...

PRIMO RICO

O Brasil vai aumentar a contribuição de 1,6% para 2,9% do orçamento total da ONU em 2013, diz o jornal Le Monde. Com a crise econômica, França, Alemanha Japão e Grã-Bretanha vão reduzir a despesa.

MINIESPERANÇA

Cansados de esperar pela conclusão da obra do metrô, que se arrasta há 12 anos, os baianos de Salvador resolveram brincar com o assunto. Dizem que não têm metrô, mas ganharam metro e meio de esperança. Referem-se, claro, ao baixinho ACM Neto, o prefeito eleito da cidade.

HONRA AO MÉRITO

Filho de sargento e odiado pelo serpentário do Itamaraty pela ascensão impecável, o embaixador Everton Vargas é o novo embaixador na Argentina. Quase foi “punido” com a direção do Instituto Rio Branco.

NOVA JOGADA

Suspeito de desvios de emendas parlamentares, o deputado Raad Massouh (PPL), convidou o ex-deputado Milton Barbosa, delegado aposentado, para chefiar seu gabinete, na Câmara do DF. É irmão de Durval Barbosa, operador que virou delator da Caixa de Pandora.

CONTOS DE NATAL

Em mais uma estocada, um blog do jornal britânico Financial Times chamou Dilma de “Roussolph, a rena do nariz vermelho” e Mantega de “Guido, o elfo vidente”. O sapatinho na janela seria chinês?

EMPREENDEDORES

Não basta ser anistiado, tem que instrumentalizar: a Associação dos Anistiados pela Cidadania e Direitos Humanos ganhou R$ 134 mil do governo federal. Agora é associar-se à CUT e exigir carteirinha...

PENSANDO BEM...

...“recuperando-se” bem longe de testemunhas e de jornalistas independentes, Hugo Chávez é o Fidel amanhã.


PODER SEM PUDOR

QUEM CANTA NÃO MAMA

Poucos dias depois da posse na Presidência da República, Jânio Quadros recebeu em audiência os integrantes de um coral. Eles queriam ajuda do governo nas despesas de uma excursão pela Europa. Jânio descartou:

- Não estamos conseguindo ajudar os que choram, quanto mais os que cantam!...

SEXTA NOS JORNAIS


Globo: Dilma descarta risco de racionamento: É ridículo’
Folha: PT deve esquecer mensalão, diz ex-ministro de Lula
Estadão: Dilma rejeita apagão e diz que cortes são ‘falha humana’
Correio: As poderosas da Classe C
Valor: Medidas buscam garantir o crescimento de 4% em 2013
Estado de Minas: Pague menos IPTU
Zero Hora: BM planeja ‘desarmar’ Geral na Arena do Grêmio