quarta-feira, novembro 21, 2012

Campo minado - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 21/11


Fernando Haddad deve nomear o vereador Chico Macena (PT), tesoureiro de sua campanha, para a Secretaria de Coordenação de Subprefeituras. A pasta fará a ruptura do modelo implantado por Gilberto Kassab nas 31 unidades regionais, dirigidas por coronéis. Macena já foi administrador da Vila Prudente na gestão de Luiza Erundina. Caberá a ele domar o apetite por cargos dos colegas de Câmara, que desejam recuperar espaço na "máquina" em seus redutos eleitorais.

Headhunter O prefeito eleito diz que levará em conta o critério político na escolha dos subprefeitos, mas exigirá currículos de gestor.

Xadrez Eliseu Gabriel (PSB), também vereador, recebeu convite para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e deve aceitar. Seu suplente, o petista Alessandro Guedes, é ligado ao deputado federal José Mentor.

Cada um no... Como Netinho de Paula (PC do B) assumirá a nova Secretaria de Igualdade Racial, o PP indicará o titular da Habitação e o PV sugeriu Roberto Trípoli para o Verde, resta solucionar o impasse com o PMDB.

... seu quadrado Haddad e Gabriel Chalita discutem instalar um peemedebista na Ação Social. Vereadores da sigla, contudo, resistem. Pleitearam, sem sucesso, Esportes para Nello Rodolfo.

Zona do agrião A hipótese mais provável é que a pasta, que herdará as atribuições da Secretaria da Copa, seja ocupada pelo ex-jogador Raí, que gerencia a ONG "Atletas pela Cidadania".

Repatriado O futuro secretário de Finanças de São Paulo, Marcos Cruz, chegou domingo da Turquia e vai se integrar imediatamente à equipe de transição de Haddad, instalada no escritório da Caixa Econômica Federal.

Torcida... Após encontro com José Dirceu, ontem, em Brasília, o presidente da UNE, Daniel Iliescu, anunciou que a entidade realizará eventos para debater o que chama de "injusta condenação" do ex-ministro pelo STF.

... organizada A ideia é reunir intelectuais e representantes de movimentos sociais em atos públicos em São Paulo e no Rio, em dezembro.

Colateral O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, não se surpreendeu com a recomendação feita pelo relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), para que o CNMP abra investigação contra ele. Para o PGR, é uma tentativa de atingi-lo após a condenação de petistas no mensalão.

Voo solo O PMDB reprovou a decisão de Odair Cunha de não submeter o texto antes à bancada do partido, como era esperado. Por isso, os peemedebistas se dizem agora liberados para votar contra pontos do documento.

Protocolar Na última hora, liderada pelo deputado Carlos Sampaio, a bancada do PSDB na CPI procurou o relator para tentar reverter o indiciamento do governador Marconi Perillo (GO).

Mago O "hit" do almoço oferecido pelo rei Juan Carlos, da Espanha, aos chefes de Estado em Madri foi o novo corte de cabelo do escritor Paulo Coelho, careca na frente com um rabo de cavalo longo atrás. Houve fila para autógrafos de fãs na saída.

Encontros... Dilma Rousseff recebe hoje à tarde, no Planalto, senadores do bloco PR-PTB-PSC. Deverá ter conversa reservada com Blairo Maggi (MT) sobre sua intenção de deixar a legenda.

...e reencontros Na lista dos convidados está o senador Alfredo Nascimento, ex-ministro defenestrado por ela dos Transportes em 2011.

com FÁBIO ZAMBELI e BRENO COSTA

tiroteio

"Presídios e hospícios serão os destinos dos que defendem a fusão do PTB com o DEM, eliminando a sigla criada por Getulio Vargas."

DO PRESIDENTE DO PTB-SP, CAMPOS MACHADO, sobre a proposta de fusão de seu partido com o Democratas, defendida por setores petebistas.

contraponto

Uma coisa de cada vez

Paulo Paim (PT-RS), defensor de reajuste para aposentados, participava, ontem, da reunião da Comissão Mista de Orçamento. O senador, que é negro, recebeu homenagem do presidente da comissão, Paulo Pimenta (PT-RS).

-Hoje é Dia da Consciência Negra, e queria elogiar sua atuação, sempre tão firme nesta causa.

Paim respondeu:

-Me sentiria mais homenageado se a comissão apoiasse a proposta de aumento para os aposentados.

-Senador, hoje é dia da Consciência Negra. O Dia dos Aposentados é outro- finalizou o deputado petista.

Venceu a pressão - ILIMAR FRANCO

O GLOBO - 21/11


O relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), cedeu às pressões do PT e indiciará o jornalista Policarpo Júnior, da "Veja", no documento que apresenta hoje. Os petistas queriam também o indiciamento do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Mas neste caso, Odair optou por encaminhar ao Conselho Nacional do Ministério Público pedido de investigação.

As penas dos deputados
O STF deve decidir hoje as penas dos deputados e dirigentes de partidos condenados no esquema do mensalão. Dos que receberam dinheiro do valerioduto, a pena mais alta tende a ficar com Pedro Corrêa (PP), beirando oito anos, ou seja, poderá pegar regime fechado. O secretário-geral do PR, deputado Valdemar Costa Neto, virá logo em seguida, com pena em torno de sete anos. O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, vai ficar com pena entre cinco e seis anos, sem considerar atenuante por ele delatar o esquema. Pelo padrão de votos dos ministros, a situação do petista João Paulo Cunha é complicada, e sua pena deve superar oito anos de prisão.

“O jogo muda (em 2018). Não tem mais reeleição da presidente Dilma e zera tudo. O PMDB pode ter o PT como vice"
Valdir Raupp
Presidente nacional do PMDB

Vem aí mais uma janela
O PSD de Gilberto Kassab praticamente acertou a fusão com o nanico PSL. Negocia também com o PTN. Se fechar, os políticos com mandato ganham uma janela para troca-troca sem ter que deixar o cargo no partido pelo qual se elegeram.

Em fim de carreira
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), recebeu evangélicos ontem para tratar do novo Código Penal. Ao ser indagado sobre o prazo de tramitação e se será votado ainda em seu mandato, Sarney respondeu: "Não estou mais em idade para assumir qualquer paternidade". E completou: "Não concorro a mais nada."

Só pensa nisso
O deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) passou o feriado na Espanha. Ficou sabendo que a comitiva presidencial estava por lá e se encontrou com a presidente Dilma para falar de sua eleição a presidente da Câmara.

Lista de desejos
Senadores de PR, PTB e PSC se reúnem com a presidente Dilma hoje. Pedirão para entrar na reforma ministerial e querem nada menos do que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio para o senador Blairo Maggi, desalojando, assim, o petista Fernando Pimentel. O argumento: são 16 senadores e ganharão mais dois com a entrada do PSD no bloco.

Aos pés de Cristo
O Ministério do Turismo destinará R$ 1,5 milhão para obras de melhorias no Cristo Redentor, a pedido do arcebispo dom Orani Tempesta. Na Jornada Mundial da Juventude, a arquidiocese quer deixar o monumento aberto 24 horas por dia.

Famosidades
Ao saber que a filha caçula de Martin Luther King, Bernice, está no Brasil para receber um prêmio, o ministro Joaquim Barbosa pediu que o cerimonial a convidasse para a sua posse, amanhã, na presidência do STF.

O senado vai recorrer à Justiça contra decisão da Receita Federal de cobrar Imposto de Renda sobre a ajuda de custo paga aos senadores.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 21/11

Litoral paulista atrai mais turistas de navios
Mais de 80% do total de viajantes a bordo de cruzeiros marítimos nesta temporada farão escala em cidades do litoral paulista, como Santos, Ilhabela e Ubatuba.

A conclusão é de um levantamento da Abremar (Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos) e da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

A expectativa é de mais de 622 mil visitantes de um total de 762 mil turistas de cruzeiros durante a temporada 2012/2013, que acaba de começar neste mês e terminará em abril do próximo ano.

O litoral de São Paulo está entre os locais mais procurados, segundo Ricardo Amaral, presidente da entidade.

"As praias de Ubatuba e Ilhabela são um grande atrativo para os turistas de navios", afirma Amaral.

Na temporada 2010/2011, Santos e Ilhabela ficaram entre as escalas com maior impacto econômico.

Juntas, somaram R$ 128,9 milhões, enquanto outras 19 cidades visitadas, como Salvador (BA), Búzios (RJ), Ilhéus (BA) e Recife (PE) tiveram R$ 393,6 milhões.

HORA CERTA
Um comitê da BMF&Bo-vespa vai se reunir amanhã para discutir se mantém ou não o horário de funcionamento da Bolsa brasileira.

Para alguns analistas e operadores, o descolamento de horário de operações da Bovespa e das bolsas americanas tem prejudicado o desempenho do mercado brasileiro.

Para outros, os resultados piores refletem apenas a crise e acompanhar Wall Street não faria diferença.

O mercado local fecha às 17 horas (de Brasília), enquanto as Bolsas americanas operam até as 18 horas do horário brasileiro. No horário de verão do Brasil, o pregão americano é encerrado às 19 horas.

COBRE COBIÇADO
O prejuízo registrado pela indústria do cobre devido ao roubo e ao furto do metal no país alcançou R$ 8,9 milhões, no acumulado de janeiro a outubro deste ano.

As perdas ultrapassaram o valor somado em todo o ano passado, que fechou em R$ 8,2 milhões, segundo levantamento do Sindicel (Sindicato dos Condutores Elétricos, Trefilação e Laminação de Metais Não Ferrosos do Estado de São Paulo).

O volume de material desviado foi de 477,6 toneladas. Foram registradas 58 ocorrências no período, ainda de acordo com a entidade.

Nova... 
O Badesc (agência de fomento de Santa Catarina) tem em desenvolvimento uma nova linha de financiamento em que o cliente poderá fazer solicitação e cadastro de acesso a crédito por internet.

...linha 
Os contadores que efetivarem empréstimos para seus clientes serão beneficiados com comissionamento pago pelo Badesc. A seleção deles será por edital de credenciamento, segundo a entidade.

Parceria... 
A Beraca, companhia que comercializa ativos orgânicos para a indústria de cosméticos, firmou parceria com a Biopalma, empresa do grupo Vale, para capacitar comunidades que fazem o cultivo da palma no Pará.

...verde 
O treinamento envolve abordagem de melhores práticas de cultivo, capacitação organizacional e incentivo ao empreendedorismo em locais em que a Biopalma já atua com um programa de agricultura familiar.

Executivo na estrada Será na Rússia, no início do mês que vem, a próxima rodada de aulas e visitas de um programa desenvolvido pela Fundação Dom Cabral ao lado de escolas de negócios de Índia, China e Rússia para levar altos executivos dos Brics para conhecerem o cenário de negócios dos outros países do grupo.

Novas portas 
A Amcham-Brasil (Câmara Americana de Comércio) vai abrir mais uma unidade regional, em Joinville (SC). A entidade está presente em outras cidades do país como São Paulo, Campinas, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Uberlândia, Brasília, Goiânia, Recife e Salvador.

Faturamento... 
O Projeto Fórmula Indy da Apex-Brasil deve gerar mais de US$ 1,1 bilhão (cerca de R$ 2,3 bilhões) para as 26 entidades setoriais e 263 empresas brasileiras que participaram das ações no Brasil, nos EUA e no Canadá, de acordo com a entidade.

...acelerado 
As ações de promoção comercial neste ano incluíram promoção de produtos brasileiros em cadeias varejistas, ações de imagem e mídia, rodadas de negócios com comerciais exportadoras e investidores estrangeiros.

CONSUMO POR IDADE
A geração do milênio, também conhecida como geração Y, está mais disposta a gastar com produtos e serviços do que a geração anterior, segundo uma pesquisa do BCG (Boston Consulting Group).

Os americanos na faixa de 16 a 34 anos comem fora com mais frequência (na média, 3,4 vezes por semana) do que aqueles na faixa de 35 a 74 anos, segundo a consultoria.

Eles também fazem mais compras e em lugares da moda, com vendedores que vestem as últimas tendências.

A pesquisa foi realizada com cerca de 5.000 pessoas nos Estados Unidos.

Polo moveleiro de Bento Gonçalves eleva exportações

Chile, Colômbia, Uruguai, Peru e Angola estão entre os principais compradores da indústria moveleira de Bento Gonçalves neste ano, com mais de 50% do valor total das exportações do polo, segundo sindicato do setor.

As vendas ao exterior cresceram 6,1% de janeiro a outubro de 2012 ante o mesmo período do ano passado.

A Colômbia tem se consolidado como principal mercado, destino de 15,4% das vendas, alta de 12,8% ante 2011.

O maior aumento foi no mercado uruguaio, com 42% ante 2011. A Argentina foi o sexto principal mercado, apesar das barreiras comerciais.

NÚMEROS
6,1% foi a alta das exportações da indústria moveleira de Bento Gonçalves de janeiro a outubro ante igual período do ano passado

15,4% das vendas tiveram a Colômbia como destino

12,8% foi a alta dos negócios com a Colômbia ante 2011

54,5% foi a parte do total que teve como compradores Chile, Uruguai, Peru e Angola

42% foi o crescimento no mercado uruguaio ante 2011

Exportação primária - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 21/11

COM ALVARO GRIBEL E VALÉRIA MANIERO (Interino)


A Argentina, que enfrentou ontem um dia de greve, é muito dependente das exportações de soja. A safra foi menor, por causa da seca do início do ano, e entraram menos dólares na economia. Há controle para a compra e venda de moeda. A Venezuela vive problema semelhante quando cai o preço do petróleo. O Chile está sujeito às oscilações do cobre, mas criou um fundo soberano de reservas.

É sempre um risco para um país a concentração de exportações em commodities. O preço tem cotação internacional e a produção, no caso das agrícolas, está sujeita às mudanças do clima. Segundo dados da consultoria argentina Abeceb, a exportação do complexo soja representa 24,5% do total exportado pela Argentina. Isso quer dizer que um em cada quatro dólares que entra na economia depende da produção de soja. Juntando milho e trigo, o percentual chega a 33%. O economista-chefe da consultoria, Mariano Lamothe, explicou à coluna que a seca no início do ano e o excesso de chuvas, agora, afetaram a produção.

Na Venezuela, segundo o economista Pedro Palma, da consultoria Ecoanalítica, 95% da receita de exportação vêm do petróleo. Quando o preço no mercado internacional cai, a economia venezuelana desaba junto. Foi isso que aconteceu em 2009 e 2010, quando o PIB recuou 3,2% e 1,5%, respectivamente. Pior, o governo Chávez não aproveita os tempos de vacas gordas para fazer poupança. Hoje, o país convive com várias taxas de câmbio.

O Chile cresceu 5,4% no terceiro trimestre, em relação ao mesmo período de 2011. Mas o crescimento veio acompanhado de déficit em conta corrente, que disparou de 3% para 7% do PIB. O consumo foi forte e as importações aumentaram. O cobre representa metade do que o país exporta, e o preço caiu. Os chilenos, no entanto, têm um fundo soberano para guardar dólares. Isso impede a falta de moeda estrangeira em tempos mais bicudos.

Melhor do que todos faz o Brasil. Embora ainda dependente da exportação de matérias-primas, temos a vantagem de exportar commodities agrícolas, minerais e de energia. Quando o preço de um cai, o de outro pode subir. É o que está acontecendo este ano. A exportação de minério de ferro despencou 25%, mas foi compensada pelo aumento da exportação de soja, que subiu 18%. Menos mal.

Dúvidas no crescimento argentino
O nível de atividade econômica na Argentina pode ser ainda mais fraco do que o divulgado pelo Indec, o instituto oficial de estatísticas. A consultoria inglesa Capital Economics tem um indicador próprio para medir o crescimento do país, como mostra o gráfico abaixo. Ele indica queda nos últimos meses.

O custo das guerras para os EUA
Manter a máquina de guerra tem custado caro aos americanos. O departamento de Defesa solicitou US$ 150 bilhões para pagar militares ativos e inativos no ano que vem. No total, o Orçamento da pasta é de US$ 525 bilhões para 2013. Com os cortes automáticos, ou seja, em caso de abismo fiscal, haveria redução de 11%, para US$ 469 bilhões. Ainda assim, uma montanha de dinheiro.

Socuerro! O Macarrão tá enrolado! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 21/11


Sabe por que israelenses e palestinos se odeiam tanto? Porque eles ainda não conhecem os argentinos!


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!

Piada pronta: "Promotor do caso Bruno diz que o Macarrão tá enrolado!". Parafuso! Rarará! E adoro os nomes dos amigos do goleiro Bruno: Macarrão e Bola! O que todo brasileiro ama aos domingos! Domingão do Goleiro Bruno: Macarrão e Bola!

E tem também um chamado Coxinha. E esta: advogado do goleiro Bruno garante que Elvis está vivo! Rarará! E diz que o Bruno vai fazer um time em homenagem ao Macarrão: Rigatoni, Farfalle, Penne, Talharim, Espaguete, Fetuccini e Parafuso. Ravióli, Capelete, Lasanha e o lateral direito Cabelo de Anjo!

E o Palmeiras? Ainda o Palmeiras! Olha esta do presidente do Palmeiras: "Tirone curte o rebaixamento na praia do Leblon". Já tá queimado mesmo! Outro queimado que tava na praia: Zé Dirceu.

E a piada pronta: sabe em que praia o Zé Dirceu tava? Na praia de BUSCA-VIDA! Rarará! Os queimados foram pra praia.

E eu já disse que eu tava na praia ao lado da praia do Zé Dirceu. Vizinhos de praia. Tomei banho de sol ao lado do Zé Dirceu. Espero que seja o último. No próximo eu não quero estar presente. Rarará!

E atenção! O site Futirinhas revela o último lançamento do Verdão: "Viagra Palmeiras! A segunda é garantida!". Rarará! E esta: "Gaviões fazem porco no rolete para comemorar queda do Palmeiras". Que fofos, hein? "Os mano são fofo!" E o novo best-seller do Palmeiras: "50 tons de bacon"!

E a Bagurança Pública? Adorei a charge do Vasq: "Notícias da Faixa de Gaza: três mortos em Sapopemba, dois em Taboão, cinco na zona norte e três em Brasilândia".

E sabe por que os israelenses e palestinos se odeiam tanto? Porque eles ainda não conhecem os argentinos! Rarará! É mole? É mole, mas sobe!

O Brasil é Lúdico! Faixa no balcão de um supermercado: "Atendimento exclusivo para linguiças". Linguiça VIP! Se você for uma salsicha não será atendido!

E cartaz num motel de Sobral, Ceará: "Pedimos o obséquio de vossa senhoria não lavar a pistola na pia". Nem deixar as balas sobre a cama. Rarará! Mas um amigo acha que devia ter uma pia só para pistolas. O melhor lugar pra se lavar uma pistola. Rarará! E o alvo da pistola pode lavar? Rarará!

Nóis sofre, mas nóis goza!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Luz e sombra - DORA KRAMER

O ESTADÃO - 21/11


No edifício central da Praça dos Três Poderes, a apresentação das conclusões de uma CPI criada por motivos tortos e extinta por razões torpes.

No prédio ao lado, a ascensão à presidência do Supremo Tribunal Federal do relator de um processo que, se não muda o país, faz subir de patamar a confiança das pessoas na Justiça.

Uma coincidência de calendário muito oportuna para a análise do contraste entre os papéis cumpridos pelos Poderes Legislativo e Judiciário em trajetórias crescentemente opostas.

Ao mesmo tempo em que Supremo afirma sua autonomia, o Congresso se afunda na submissão aos ditames do Executivo e das infames conveniências partidárias.

Enquanto a corte Suprema investe na punição dos crimes contra a administração pública, o parlamento dá abrigo à impunidade.

Está prevista para hoje ou amanhã a leitura do relatório final da comissão de inquérito criada para apurar as ramificações do esquema e as ligações do operador de jogos clandestinos Carlos Augusto Ramos, o Cachoeira, com políticos, empresários e governos.

Hoje o julgamento do mensalão é retomado sob a presidência interina de Joaquim Barbosa que amanhã é investido oficialmente no cargo.

Quis o acaso que os dois episódios ocorressem na mesma semana, abrindo espaço para o cotejo na atuação dos dois Poderes que às vezes se confrontam.

Sobre o Judiciário têm falado os fatos, cuja relevância fica ainda mais explícita no momento da ascensão de Joaquim Barbosa devido a todo simbolismo que encerra.

Sobre o Legislativo falou a subserviência da maioria governista aos propósitos do ex-presidente Lula de instalar uma CPI para tentar promover uma desmoralização geral com o objetivo de levar a oposição, a imprensa, o Ministério Público e os ministros do Supremo a dividir o banco dos réus com os acusados no processo do mensalão.

Foram os motivos tortos de seu nascimento, referidos no início do texto.

As razões torpes do encerramento da CPI antes de concluídas as investigações sobre o alcance da contaminação do esquema Cachoeira na administração pública têm a ver com a rede de proteção construída em torno da construtora Delta para evitar a descoberta de ilegalidades relacionadas aos contratos da empreiteira com governos estaduais aliados ao Palácio do Planalto.

Enterro cuja indigência se confirma na sugestão do relator Odair Cunha de se criar uma nova comissão de inquérito para investigar fraudes nos contratos da Delta em todo o Brasil.

Quais? Exatamente aqueles que a CPI por ele relatada decidiu não investigar para poupar uma empresa que embora tenha sido declarada inidônea para a Controladoria-Geral da União, segue sendo a vice-campeã nacional do setor em volume de verbas recebidas do governo federal.

Não foi a primeira comissão de inquérito a padecer de inanição induzida e não será a última. Mas é mais uma para atestar o antagonismo entre o ativismo benfazejo do Judiciário e a passividade malsã do Legislativo.

Cacoete

Atraso nas obras públicas é a regra, como diz a ministra do Planejamento, Miriam Belchior?

É, mas seria de se esperar de uma autoridade a defesa da inversão dessa lógica, perversa, de preferência mediante o anúncio de que o governo fará todo o esforço para a regra do atraso um dia ser exceção.

Como se viu na recente declaração do ministro da Justiça sobre a situação degradante dos presídios como se nenhuma responsabilidade coubesse ao poder público federal, dez anos de Presidência da República não livraram o PT da síndrome de oposição: é bom de verbo e ruim de solução.

Por essas e algumas outras é de se perguntar o que faria o partido se tivesse ganhado as eleições na época da inflação desenfreada, além de constatar que o Brasil realmente tinha um problemão.

O general e a heroína - JULIA SWEIG

FOLHA DE SP - 21/11


Carrie Mathison, do seriado 'Homeland', simboliza o momento vivido pelas mulheres norte-americanas


Escreverei sobre o segundo mandato do presidente Obama nos próximos meses. Hoje, porém, tenho em mente um general e uma mulher.

O general, é claro, é David Petraeus, herói de guerra americano e celebridade da mídia, cujo caso cibernético e carnal com a biógrafa o forçou a renunciar à direção da CIA.

A mulher? Não é Paula Broadwell, sua amante, embora eu me sinta mal ao pensar que a narrativa pública, de modo geral, apresentou esse homem muito poderoso como vítima vulnerável dos braços esculturais dela, ao invés de vítima de seu próprio descuido e narcisismo.

Não, minha mulher do momento é Carrie Mathison. Como Broadwell, ela trabalha no setor de segurança nacional -para a CIA, na verdade, para penetrar e prevenir os mais graves ataques terroristas contra os EUA desde o 11 de Setembro.

A capacidade de Carrie de focar e trabalhar arduamente, mesmo em detrimento da sua saúde, é legendária. Seu intelecto obsessivo lhe permite encontrar ligações entre peças aparentemente díspares de quebra-cabeças e frustrar terroristas.

Sua intuição e sua arquitetura emocional lhe proporcionam habilidade incomum para captar os pontos fracos dos ativos humanos que ela cultiva e administra.

Ela já identificou terroristas em solo americano, até dentro de órgãos de segurança, mesmo quando seus colegas achavam que estava louca, ou talvez louca por homens, e a puniram por sua persistência.

Seus colegas são quase exclusivamente homens: subordinados, mentores e chefes ou terroristas que ela espiona, manipula e persegue no Líbano, no Iraque ou em Washington. Carrie não é nenhuma santa moral e já teve no passado algum relacionamento pessoal com o homem que hoje é vice-diretor da CIA.

Carrie Mathison, um pseudônimo? Não -ela é a heroína do seriado de TV "Homeland".

Imperfeita, ferida, mas ainda assim capaz de empregar seus poderes do intelecto, da emoção, da coragem física, da intuição e da sexualidade -isso mesmo- a serviço da segurança nacional.

Não vou revelar as escolhas dolorosas que ela fará nos próximos capítulos. Talvez o tratamento que dá ao herói de guerra americano que virou espião terrorista Nicholas Brody não possa realmente ser visto como exatamente uma escolha, em vista dos sentimentos e deveres dela.

Seja qual for seu campo de atuação, as mulheres que trabalham em profissões em que são principalmente homens a redigir as regras do jogo sem dúvida vão se identificar com a frustração, a persistência, a garra e o estresse enorme que a atriz Claire Danes retrata em Carrie.

Voltando à eleição: cinco mulheres novas foram eleitas para o Senado dos EUA, onde o total agora é o recorde de 20, entre cem cadeiras.

E 19 mulheres novas conquistaram lugares na Câmara, onde agora temos o recorde de 78 num total de 434 cadeiras. Levará tempo, mas as novas regras que elas escreverem e as lutas que travarem vão ter mais impacto por bem mais tempo que todos os dramas de TV, fictícios e reais, das últimas semanas.

Retrocessos - HÉLIO SCHWARTSMAN

FOLHA DE SP - 21/11


SÃO PAULO - Um grupo tenta refundar a Arena, o partido que deu sustentação à ditadura, e o Senado aprova projeto de lei que obriga escolas de ensino fundamental a ministrarem a disciplina Cidadania Moral e Ética -um novo nome para a velha Moral e Cívica dos militares. Parem o Brasil que eu quero descer.

Embora a primeira iniciativa pareça mais grotesca, é a segunda que me preocupa. No primeiro caso, estamos diante de um bando de jovens que, provavelmente devido à ausência de boas aulas de história, não entendeu que golpes de Estado são um péssimo jeito de solucionar conflitos políticos. De resto, as chances de a coisa prosperar são diminutas.

No segundo, o que temos é uma das Casas do Legislativo, sem reflexão e contra parecer das autoridades educacionais, aderindo a uma palavra de ordem que poderá fazer mal ao já capenga ensino brasileiro.

É incrível que senadores ainda não tenham compreendido que assistir a aulas de ética não torna ninguém ético. Seres humanos são bons em apreender e assimilar os valores do grupo em que estão inseridos. Ninguém precisa ouvir de um professor que o assassinato é ilegal para descobrir que é errado matar uma pessoa. O código moral não chega a ser item de fábrica do homem, mas a capacidade para perceber as necessidades do grupo e a propensão para, no mais das vezes, cooperar é.

Há, decerto, casos em que deixamos de fazê-lo. Eles envolvem combinações de causas situacionais (necessidade premente, pressão dos pares etc.) e disposicionais (personalidade explosiva, violenta etc.).

Assim, ensinar Moral e Ética fica em algum ponto entre a propaganda (que pode ser útil em circunstâncias especiais) e a redundância. Mas, num contexto em que nosso ensino básico falha em objetivos bem mais factíveis como ensinar português e matemática, desperdiçar tempo e recursos com disciplinas meio quiméricas é um crime contra a garotada.

Produtor ou consumidor? - ANDRÉ MELONI NASSAR


O ESTADÃO - 21/11


O governo Dilma Rousseff tem sido acusado de protecionista. Medidas indicam que é difícil contestar essa acusação, sobretudo por conta das exigências de conteúdo nacional impostas a alguns setores, do aumento de impostos incidentes sobre alguns produtos importados, sem equivalente aumento para os concorrentes domésticos, e de elevações explícitas nas alíquotas de importação.

Outras medidas também ligadas a comércio exterior, tais como o uso mais recorrente de instrumentos de defesa comercial, medidas antidumping e reduções de custos tributários nas exportações, não justificam o protecionismo brasileiro. Todas são práticas utilizadas em comércio internacional e são justificadas no arcabouço legal da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Exigências de conteúdo nacional, imposição de peso tributário menos favorável sobre o produto importado e aumento de tarifas de importação são, por sua vez, exemplos de livro-texto de comércio internacional. Ou seja, são antigas - e fora de moda - práticas de proteção explícita dos produtores locais. Mesmo diante de um argumento puramente legalista de que tais práticas podem estar de acordo com as regras da OMC, a eficiência econômica dessas práticas é, no mínimo, discutível, para não dizer inexistente.

Assim, mais que reclamar que o governo é protecionista, o que me parece estar faltando é uma discussão mais aprofundada das chances de essas medidas gerarem os resultados esperados pelo governo, assumindo que elas não são apenas fruto de lobby e da busca pelas rendas exclusivas dos setores beneficiados.

Não tenho informações privilegiadas sobre as motivações do governo federal para adotar tais medidas, mas posso fazer algumas inferências. Uma primeira justificativa seria culpar o inimigo externo. Como o mundo desenvolvido está em crise e grande parte da produção industrial do mundo cresceu ou foi transferida para os países asiáticos, sobretudo para a China, essa justificativa se baseia na premissa de que existe um excesso de oferta de produtos industriais no mundo, o que forçou os preços para baixo, numa velocidade muito maior do que o ganho de produtividade e escala na indústria brasileira. Sendo isso verdade, setores da indústria nacional precisariam de proteção para poderem se ajustar à nova realidade de preços relativos.

É um sedutor argumento, mas não se sustenta diante das medidas adotadas. O Brasil é um país pequeno no comércio internacional, ou seja, importando muito ou pouco, não mexemos nos preços internacionais. Se não há perspectiva para os preços internacionais voltarem a subir, impedir a competição significa postergar o processo de ajuste - que vai ocorrer de qualquer forma - da indústria local.

Uma segunda justificativa recairia sobre o custo Brasil. Como as empresas localizadas no País enfrentam custos mais altos do que os grandes exportadores de produtos industriais, sobretudo o tributário, seria necessário utilizar as chamadas medidas de fronteira para equalizar a competição. Não há dúvida de que o custo Brasil retira competitividade das empresas, mas não houve nenhum aumento significativo dele para justificar as três medidas tomadas recentemente.

A terceira razão que poderia ser evocada está relacionada com argumento que farei no final deste artigo. Quando estávamos no auge das negociações com a União Europeia, em 2004, foi desenvolvido no Brasil um conceito amplamente utilizado para justificar menos abertura do mercado brasileiro: a chamada cláusula da indústria nascente. A ideia era que alguns setores industriais brasileiros já eram internacionalizados, mas ainda não tinham escala para competir em pé de igualdade internacional e, por isso, uma proteção temporária seria necessária. Tal justificativa, hoje, também não se aplica, porque o nosso país tem um dos maiores mercados internos do mundo e que se provou capaz de crescer com vigor nos anos recentes. Assim, só não ganhou escala quem não quis investir.

A preocupação com essas medidas, fruto da minha dificuldade em encontrar razões objetivas para sua adoção, ganha nova dimensão quando olhamos o lado exportador brasileiro. Tais medidas, provavelmente, jogam uma pá de cal sobre qualquer esperança de o Brasil tentar se engajar novamente em negociações bilaterais ou regionais de comércio. Qual vai ser a margem de manobra do País para voltar a negociar com o Canadá e a União Europeia, como sinalizou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, caso ambos não aceitem a vigência dessas medidas no comércio bilateral? Parece-me que tais medidas comprovam que o interesse do Brasil nas negociações comerciais é ainda menor do que foi no passado.

Além disso, negociações comerciais geram ganhos para os setores exportadores. E se os ganhos para esses setores forem maiores do que os ganhos para os setores protegidos? Será que o governo se fez essa pergunta? Em geral, setor exportador é dinâmico e setor protegido cresce pouco. Qual o leitor escolheria?

Uma forma simples de definir sociedades capitalistas é que elas se dividem em dois tipos de agentes: produtores e consumidores. Ambos, obviamente, se confundem, porque aqueles que trabalham na produção são também consumidores. No entanto, do ponto de vista da estrutura do mercado, produtores são poucos e consumidores, muitos. Assim, quando uma política beneficia apenas o produtor, que é o caso das três medidas protecionistas citadas, a eficiência econômica delas está comprometida porque, diante de preços mais altos, parte da renda do consumidor vai para o produtor. Tal transferência ainda faria sentido se houvesse justificativas que garantissem que a eficiência econômica seria atingida em algum momento. Não é isso que enxergo nas medidas adotadas. Para mim, elas são basicamente uma forma de concentrar renda nos setores agraciados, sem nenhuma garantia de que o restante da sociedade também será beneficiado.

A falta que uma montadora brasileira faz - RONALDO DE BREYNE SALVAGNI

FOLHA DE SP - 21/11


A área de inovação é estratégica demais, sempre fica na matriz, por mais que criemos 'regimes automotivos'. É frustrante, todo país grande tem sua montadora


O Brasil é o quinto maior produtor de veículos no mundo: mais de 4 milhões de unidades ao ano. Tem um grande mercado interno, quase toda essa produção é vendida aqui.

E são grandes as possibilidades de crescimento desse mercado, com a ascensão social e as facilidades de crediário existentes. Há cerca de 20 montadoras instaladas no país, além de mais de 500 fornecedores na cadeira produtiva. Outras estão vindo.

No entanto, nenhuma dessas montadoras é brasileira. Os grandes fornecedores e fabricantes de autopeças instalados aqui também são estrangeiros. Dos dez maiores fabricantes de veículos no mundo, o Brasil é o único que não tem montadora própria (excetuando o México, cujo setor automotivo é uma espécie de "extensão" do americano) -o único Bric sem uma.

Formamos técnicos e engenheiros de nível mundial, que vão trabalhar nessas empresas. Muitos fazem carreira internacional. É como ver uma Copa do Mundo sem uma seleção brasileira, com todos os nossos craques jogando com camisas estrangeiras. Frustrante.

Não tenho nada contra as multinacionais. Elas têm contribuído muito para o Brasil, gerando empregos, recolhendo impostos e produzindo riqueza. Todas fazem pesquisa e desenvolvimento, inovam, mas fazem isso nos seus países de origem. Essas atividades são estratégicas, arriscadas e caras, por isso ficam sob supervisão direta das suas matrizes.

O governo brasileiro está agora tentando modificar esta situação. Aumenta impostos sobre os veículos, especialmente os importados, mas dá descontos para aquelas empresas que investirem aqui em "inovação", sem dizer claramente o que seria isso, entre outras exigências.

A meu ver, isso dificilmente vai dar certo. O que vamos ter, de fato, é um esforço das empresas para convencer o governo de que o que elas já vêm fazendo atende às novas regras. No máximo, teremos carros com motores algo mais econômicos (uma das únicas exigências objetivas do programa).

Esse novo regime automotivo tem aspectos positivos, mas é uma forma de protecionismo comercial. Acentua as distorções do mercado brasileiro, não toca no grande problema: o preço dos carros brasileiros ser o triplo do preço em outros países. Além disso, provavelmente terá pouco resultado em termos de inovação e desenvolvimento de tecnologia automotiva brasileiras.

Se tivéssemos uma montadora brasileira, não precisaríamos de nenhum "regime automotivo" nem de nenhum programa de inovação. Uma montadora brasileira faria pesquisa e inovação naturalmente no Brasil, como já fazem Embraer, Vale, Petrobras e Embrapa.

Pode ser difícil agora criar uma nova montadora brasileira competitiva em nível global, mas não é impossível. Há alguns nichos que poderiam ser explorados. O Brasil tem algum conhecimento em carros "verdes", por conta do álcool e dos biocombustíveis -os motores flex, aliás, são prova de que temos capacidade de fazer pesquisa de ponta.

Poderíamos tentar produzir carros com foco ambiental não apenas no combustível, mas em todos os materiais, processos de fabricação, manutenção e posterior reciclagem. As montadoras atuais usam o meio ambiente como fator de marketing, não há tecnologia real em seus produtos.

Tal empresa não poderia ser estatal, que aqui tende a se tornar apenas um cabide de empregos totalmente ineficiente, mas precisaria ter apoio do governo em sua fase inicial. Apoio limitado e por prazo determinado -se a empresa não conseguir andar sozinha depois disso, melhor deixar fechar.

Essa frustração tem de acabar -como podemos ter todos os recursos humanos e um mercado à disposição e não termos uma montadora competitiva e vencedora?

Os crimes - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 21/11


A discussão sobre as penas que estão sendo atribuídas aos réus condenados no processo do mensalão está fora de foco no entender de muitos especialistas e, sobretudo, do relator do processo, Joaquim Barbosa, que hoje preside interinamente os trabalhos e amanhã assume oficialmente a presidência do STF. Barbosa prefere discutir os crimes.

Se depender dele, as penas já dadas aos réus não serão alteradas até o fim do julgamento, e essa promete ser uma das disputas mais acirradas na Corte, pois já há intenção de Marco Aurélio Mello de defender que alguns crimes de Marcos Valério sejam tratados como de “continuidade delitiva”, o que diminuiria sua pena, que hoje já passa de 40 anos. Até o momento, ele foi condenado por cinco crimes em “concurso material”, o que significa que cada um deles recebe pena separada, que depois são somadas. Na “continuidade delitiva” há apenas um crime que recebe penas adicionais.

A discussão é se os crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, por exemplo, não seriam um crime só, assim como corrupção ativa e peculato. Quando o assunto surgiu no julgamento, houve um desentendimento entre o relator e o revisor, e ficaram claros ali o que pensava Barbosa e qual a direção que ele tomava na formação das penas.

Ele se revoltara com a pena mínima dada a um réu, sofismando que ele não passaria nem seis meses na cadeia. Foi preciso que o revisor Lewandowski o lembrasse de que as penas são somadas para que ele explicitasse seu ponto, queixando-se de que “há anos generalizou-se um hábito de impor os castigos nos limites mínimos. Entretanto, pena-base não é sinônimo de pena mínima. Com a indiscriminada imposição das penas mínimas, vêm se tratando de modo igual situações distintas”.

Quando foi lembrado de que a condenação de Marcos Valério chegaria a 40 anos, ele reagiu prontamente: “Se existe réu condenado a 40 anos, é porque ele cometeu oito, nove crimes graves”. Aí está a diferença fundamental entre o novo presidente do Supremo e alguns dos ministros. Barbosa não se espanta com as penas a que chegaram e prefere discutir primeiro os crimes cometidos.

O processo do mensalão começou a ser investigado primeiro na CPI do Congresso e mais adiante pelo Ministério Público Federal. Foram cinco anos entre a aceitação da denúncia e o julgamento, e sete anos desde que o escândalo eclodiu. Não é à toa que o processo tem mais de 50 mil páginas, que reproduzem o depoimento de 600 testemunhas ouvidas em 42 cidades e até no exterior. Toda essa investigação culminou na certeza de uma maioria esmagadora do plenário de que, sim, houve desvio do dinheiro público, compra de votos de parlamentares, envolvimento de bancos.

Diante da abundância de provas e da gravidade dos fatos, Barbosa mostra-se espantado quando querem discutir o tamanho das penas. Com relação ao exministro José Dirceu, por exemplo, considera que a gravidade dos crimes praticados ficou provada ser muito maior do que aparentava, o que exigiria, na sua opinião, punições mais rigorosas do que as mínimas previstas pela lei. Para ele, “a aplicação da pena mínima só estaria autorizada se o crime, concretamente praticado, tivesse produzido uma lesão mínima ao ordenamento jurídico”, o que não é o caso.

Mas, mesmo pensando assim, o relator não acompanhou o pedido do procurador-geral da República para que Dirceu fosse condenado por “concurso material”, o que poderia lhe dar pena próxima a 20 anos de cadeia. Barbosa considerou que os nove crimes de corrupção ativa representaram uma “continuidade delitiva”, e a pena máxima nesse caso era de 12 anos. Dirceu foi condenado a sete anos e 11 meses, o que não implica regime fechado (com penas abaixo de oito anos, o regime é semiaberto). O restante da pena deveu-se à condenação por formação de quadrilha. Como foi condenado nesse item por 6 a 4, a defesa de Dirceu poderá recorrer através de embargos infringentes, tentando reverter a pena.

Dos seis ministros que o condenaram, Ayres Britto estará fora da análise do recurso, e mais dois novos ministros estarão no STF: Teori Zavascki e um outro a ser nomeado, o que indica que a pena pode ser revertida em tese, embora o histórico do Supremo não seja favorável à aceitação dos embargos infringentes.

Misericórdia, sim, mas só para companheiros? - JOSÉ NÊUMANNE

O Estado de S.Paulo - 21/11


"De repente, não mais que de repente", como escreveu o poeta Vinicius de Moraes, os companheiros do Partido dos Trabalhadores (PT), teoricamente tão atentos às agruras da realidade nacional, constataram as condições desumanas de vida dos presidiários brasileiros. Usando uma gíria jocosa em voga nos anos 60 nos "bacuraus" da Praça do Rotary, em Campina Grande (PB), "estão descobrindo o Brasil de bicicleta". Ninguém jamais precisou passar uma noite que fosse numa cela de prisão no Brasil para saber que, ao contrário do que se diz, esta não é uma sucursal do inferno, mas o reino de Satã é que deve ser um posto avançado de qualquer uma delas.

Tudo começou com o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo. Em palestra para empresários em São Paulo, na semana passada, ele disse que preferia morrer a cumprir uma pena longa em cadeias nacionais. Trata-se, evidentemente, de uma hipérbole descabida. Só um suicida prefere a morte a uma dificuldade qualquer, e na certa este não é o caso. E o que, com a devida vênia, parece ter acionado o alerta dele não foi um súbito amor aos pretos, pobres e prostitutas que povoam nossas infectas celas comuns, mas a perspectiva de alguns de seus mais ilustres colegas de filiação partidária virem a passar uma temporada no inferno prisional brasileiro.

Pois é. Contrariando quaisquer expectativas no panorama da impunidade generalizada no Brasil, o ex-chefe da Casa Civil de Lula José Dirceu, o ex-presidente nacional do PT José Genoino e o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares foram condenados por corrupção ativa e formação de quadrilha. Se não houver nenhum acidente de percurso, o primeiro terá de cumprir pena em regime fechado ao longo de, pelo menos, um ano e dez meses. Ora, ora, em princípio, o zelo do ministro solidário parece exagerado: se bicheiros e chefões de quadrilhas de traficantes cumprem pena em pleno conforto no regime excludente que reproduz atrás das grades as injustiças sociais dos inocentes de fora, por que Dirceu seria exceção?

Como os bicheiros do Rio, os criminosos de colarinho branco de Brasília e os chefões do Primeiro Comando da Capital (PCC), o homem definido como o chefe da quadrilha dos "mensaleiros" disporá de todas as garantias de vida e tranquila segurança em nosso Arquipélago Gulag, com suas ilhas de bem-estar no mar de miséria e sordidez. Pelo que deixa vislumbrar o estilo de vida de bons vinhos e charutos cubanos em condomínio de luxo, o primeiro réu do núcleo político do escândalo de corrupção em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) tem dinheiro, poder e prestígio para transformar os 22 meses de seu regime fechado num retiro forçado de leitura, repouso e reflexão, que podem até vir a calhar.

Nem o gosto exacerbado pela ironia deste escriba poderá negar-lhe o desconforto óbvio da privação da liberdade, a cessação do fundamental direito constitucional de ir a vir. Mas o Estado brasileiro, de cuja máquina burocrática detém o controle permitido pelo competente aparelhamento executado no primeiro governo Lula, do qual foi dignitário do topo e de ponta, não lhe negará o que permite aos criminosos comuns. Se, como reconheceu Cardozo em outra declaração, os quadrilheiros do crime organizado comandam hordas de bandidos nas ruas, por que o mais bem-sucedido lobista do Brasil terá silenciada sua voz de comando no interior dos muros do presídio?

No reino de faz da conta da República tupiniquim, não faltará quem faça o possível para reduzir as agruras dele no cárcere. O ex-companheiro Paulo de Tarso Venceslau, que arriscou a própria vida participando do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick para libertá-lo das masmorras da ditadura, onde muitos conheceram a morte, por exemplo, já lhe garantiu publicamente a remessa de um charuto (nacional) por dia enquanto ele estiver cumprindo pena. Embora nunca o próprio Dirceu lhe tenha mandado um cigarrinho que fosse no tempo que ele passou em prisões desumanas.

O noticiário posterior à condenação de Dirceu não deixa dúvidas quanto a isso. O ministro Cardozo puxou o rosário das lamentações sem dar a mínima atenção ao fato de ser um dos maiores responsáveis pela calamidade pública do sistema prisional brasileiro, contra a qual clamam organismos internacionais de direitos humanos. Se reclamou da condição "medieval" (esta é a palavra da moda) das prisões, embora tenha usado apenas um quinto do que dispunha no orçamento para melhorar as penitenciárias, o que impedirá Sua Excelência de impedir que o "herói da resistência à ditadura" seja submetido a algum vexame em sua cela?

Outro figurão da República que certamente fará o possível para poupar o ex-chefe da Casa Civil de desconfortos será o ministro Dias Toffoli, dono do voto que levou à mais dura condenação, pelo STF, de um parlamentar, o deputado Natan Donadon (PMDB-RO). Revoltado contra a imposição da pena pesada ao ex-chefe, por cuja absolvição votou, seguindo o revisor, Ricardo Lewandowski, o mesmo delfim do Supremo comparou as punições aplicadas ao período da Inquisição. Apesar da mão pesada que usou, há apenas dois anos, contra um integrante do baixo clero no Congresso por crime bem semelhante, o ex-chefe da Advocacia-Geral da União no governo Lula usou o mesmo tom do manifesto petista contra o STF e defendeu a imposição de penas financeiras, pois, segundo ele, não atenta contra o Estado Democrático de Direito quem comete crimes só para amealhar o "vil metal", ainda que público.

A própria presidente Dilma Rousseff engrossou o cordão dos misericordiosos ao completar sua declaração óbvia ao jornal espanhol El País de que acata as decisões da cúpula do Poder Judiciário com a observação de que ninguém estaria "acima dos erros e das paixões humanas". Ai, que dó! Os romanos já sabiam disso quando reconheceram que "errar é humano, mas perseverar no erro é diabólico". É para isso que existe a justiça dos homens: quem erra e põe as paixões acima da razão deve pagar pelos erros, para não reincidir na falta e servir de exemplo.

Choque de realidade - FERNANDO RODRIGUES

FOLHA DE SP - 21/11


BRASÍLIA - O primeiro choque de realidade sobre os efeitos não tão profiláticos do julgamento do mensalão virá quando o STF decidir sobre quem deve cassar os mandatos de alguns dos políticos condenados. Há grande controvérsia a respeito.

A prevalecer decisões anteriores de cinco dos atuais ministros do Supremo, caberá apenas à Câmara dos Deputados tomar a decisão final de expulsar políticos condenados. Se assim o for, a demora será enorme.

Ocorre que o artigo 55 da Constituição determina que o deputado que "sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado" só perde o mandato se assim desejar a Câmara -cuja deliberação terá de ser por "maioria absoluta" e com sistema de "voto secreto".

Há aí vários problemas e anomalias. Primeiro, a expressão "transitado em julgado". Essa é a condição de um processo para o qual não cabe nenhum tipo de recurso. É consenso aqui em Brasília que a ação penal 470, o mensalão, atingirá esse estágio, com sorte, no segundo semestre de 2013. Até lá, a Câmara ficará com quatro deputados condenados.

Quando o caso, de fato, estiver encerrado na Justiça, transitado em julgado, a situação se torna mais surrealista. A Câmara terá então condenados em definitivo que poderão continuar a votar leis e a fazer discursos. Isso vai acontecer porque o processo de cassação de mandato demora meses antes de ser consumado.

O realismo fantástico não termina aí. Com o mensalão transitado em julgado, serão imediatamente expedidos mandados de prisão. Mas a Câmara não conseguirá cassar a jato os seus condenados. Alguns estarão na cadeia, ainda que só dormindo na prisão, e, ao mesmo tempo, aptos a aprovar novas leis durante o dia.

É claro que o julgamento do mensalão representou um avanço institucional. Só que há um exagero na euforia do tipo "o Brasil mudou". O Brasil ainda não mudou. Está em processo de mudança. E falta muito.

Supremo F. C. x Câmara Sporting - ELIO GASPARI

O GLOBO - 21/11


Acima do mandato dos deputados mensaleiros condenados há uma delicada questão constitucional



Assumindo a presidência do Supremo Tribunal Federal, o ministro Joaquim Barbosa terá um abacaxi para descascar: os quatro deputados delinquentes que foram condenados pela corte devem perder o mandato?

José Genoino (PT-SP) tomou seis anos e 11 meses e terá que dormir na cadeia. João Paulo Cunha (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT) também foram condenados, mas sua penas ainda não foram definidas.

À primeira vista, cidadãos condenados pelo Supremo não podem exercer mandatos parlamentares. A Constituição é clara quando diz que o parlamentar cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral perde o mandato, mas, por incrível que pareça, não atribui esse mesmo poder ao STF. Deveria, mas não atribui.

Quem tem poder absoluto para cassar deputados é a Câmara. Ela já viveu dois precedentes. Em 1947, o Tribunal Superior Eleitoral cancelou o registro do Partido Comunista e, no ano seguinte, o Congresso cassou o mandato dos parlamentares comunistas. Em 1968, a Câmara negou o pedido de abertura de processo contra o deputado Marcio Moreira Alves, o governo baixou o AI-5 e o Congresso foi fechado. Foi um grande momento para o Legislativo.

Em 1974, livre da peia da licença, a ditadura processou o deputado Francisco Pinto, e o Supremo Tribunal Federal condenou-o a seis meses de prisão, que cumpriu num quartel da PM. Seu crime: ter chamado o general chileno Augusto Pinochet de ditador. Nenhum ministro justificou seu voto reconhecendo que se estava numa ditadura. Foi um dos piores momentos do Supremo.

Chico Pinto não era acusado de corrupção, lavagem de dinheiro nem formação de quadrilha. O centro do problema, contudo, não está nos delitos cometidos pelos parlamentares, mas na independência dos Poderes. Pelo andar da carruagem, essa questão arrisca ser discutida num clima de arquibancada, favorecido pela demonstração da culpa dos réus. Contudo, no caso há uma questão constitucional, pois o tribunal avançará sobre uma prerrogativa que hoje é da Câmara. Hoje, numa disputa entre o Supremo Futebol Clube e o Câmara Sporting, os ministros ganham de goleada, mas não se está num jogo de bola. Tudo bem, e no próximo caso?

Há o risco de que a Câmara proteja os mensaleiros, atropelando a noção do decoro. Afinal, em 2006, ela liberou João Paulo Cunha. Cassações de mandatos pelo Supremo por crimes de ladroeiras atribuem à corte uma responsabilidade que a história já mostrou ser tóxica. Há um caminho alternativo: os ministros podem decidir apenas suspender os direitos políticos dos réus e, nesse caso, eles preservam os mandatos, pois foram eleitos quando os tinham. Se a Câmara achar que a presença de quatro condenados pelo STF no seu plenário não constitui uma ofensa ao decoro da Casa, problema dela e da base de apoio do governo petista.

Admita-se que aconteça isso. Poderá ocorrer uma votação noturna apertada e o presidente da Casa será obrigado a dizer o seguinte:

- Apresso a tomada dos votos porque quatro nobres deputados precisam deixar o plenário, pois são 19h45 e eles deverão se recolher à penitenciária da Papuda antes das 20h, como é do conhecimento de todos.

As lições de Tia Dilma - ROLF KUNTZ


O Estado de S.Paulo - 21/11


A presidente Dilma Rousseff aproveitou a viagem à Espanha para oferecer aos governantes europeus, mais uma vez, lições de política econômica. Nenhuma autoridade local perguntou à visitante por que a economia brasileira deve crescer tão pouco neste ano - talvez nem 2% -, depois do fiasco dos 2,7% em 2011. Enquanto ela completava suas lições e propunha maior autonomia para o Banco Central Europeu, em Brasília a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, divulgava mais um constrangedor balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Desde o início do governo até setembro, foram aplicados R$ 385,9 bilhões em "obras de infraestrutura logística, social e urbana", segundo os dados oficiais. Mas esse valor inclui R$ 154,9 bilhões de financiamentos habitacionais e de subsídios ao programa Minha Casa Minha Vida. Esses financiamentos correspondem a 40,1% do total contado como investimento. Faltou a presidente explicar aos europeus se essa forma de contabilidade é parte do pragmatismo por ela defendido durante a cúpula ibero-americana. Ou dizer se é pragmático tentar impor sem conversa prévia os contratos de renovação de concessões às companhias do setor elétrico. A depreciação das ações da Eletrobrás, R$ 7,9 bilhões de 11 de setembro a 19 de novembro, parece indicar uma resposta negativa.

Em seus comentários mais sensatos, a presidente defendeu uma combinação de austeridade e crescimento como a fórmula mais eficiente para o ajuste europeu. A arrumação fiscal, ponderou, será muito mais difícil, penosa e pouco frutífera, se depender apenas do corte de gastos e do aumento de impostos. Mas esse comentário foi mera repetição do discurso apresentado muitas vezes por dirigentes do Fundo Monetário Internacional (FMI), por economistas de várias nacionalidades e por alguns governantes europeus. Sem acrescentar a mínima novidade em relação a esse ponto, a presidente permitiu-se, no entanto, reescrever a história econômica à sua maneira. Para reforçar sua argumentação, citou a experiência latino-americana dos anos 80 e 90, quando os governos do Brasil e de outros países foram, segundo o seu relato, orientados pelo FMI a adotar políticas de ajuste sem espaço para crescimento.

Essa versão é popular, mas a história é um pouco mais complicada e inclui detalhes mais instrutivos. Dezenas de países afundaram na crise da dívida externa, nos anos 80. O drama começou quando o Federal Reserve, o banco central americano, iniciou um drástico aumento de juros em 1979. O desastre generalizou-se em 1982, mas vários países entraram em apuros bem antes disso. A renegociação das dívidas foi vinculada a duros programas de ajuste, jamais cumpridos integralmente por alguns governos, incluído o brasileiro.

O programa inicial de ajuste adotado no Chile foi reformado e substituído, com bons resultados, depois de algum tempo. O governo coreano iniciou a arrumação em 1979. O país entrou em recessão em 1980 e em seguida voltou a crescer velozmente, com déficit fiscal reduzido, grande aumento de exportações e investimentos sempre superiores a 30% do PIB. Chile e Coreia saíram da crise com as contas públicas em ordem, inflação baixa e medidas fundamentais para competir e crescer.

Falta algo, portanto, na versão popular, repetida pela presidente Dilma Rousseff, da história da crise e dos ajustes dos anos 80. Falta explicar por que alguns países - Coreia e Chile são apenas dois dos exemplos mais notáveis - emergiram da fase de provação muito mais fortes do que antes. Outras economias da Ásia atingidas pela crise da dívida também se tornaram mais eficientes a partir da segunda metade dos anos 80. A maior parte dos países latino-americanos ficou para trás porque os governos foram incapazes, por muito tempo, de abandonar velhos vícios e de favorecer a eficiência. Não se deve atribuir esse atraso a algum excesso de austeridade, mas à insistência na prática de contemporizar em vez de enfrentar os problemas.

Quando os governantes se dispuseram, afinal, a adotar reformas e políticas sustentáveis, as contas públicas melhoraram, a inflação caiu, as contas externas se tornaram superavitárias e as reservas cresceram. Por essas mudanças, e nada mais, as ações de socorro do FMI à América Latina foram bem menos frequentes nos primeiros anos deste século do que nas três ou quatro décadas anteriores.

Nenhuma dessas conquistas é irreversível. Em alguns países, o grande risco é a tentação do populismo. No Brasil, a tentação mais perigosa é a dos controles autoritários. A intervenção nos preços dos combustíveis, as pressões para corte de juros, o jogo perigoso de tolerância à inflação e as trapalhadas na política do setor elétrico são elementos desse quadro. O atraso nos projetos da Petrobrás é uma das consequências. A presidente seria provavelmente menos propensa a dar lições se pensasse um pouco mais sobre esses fatos.

¿Y sí? - ALEXANDRE SCHWARTSMAN

FOLHA DE SP - 21/11


O desempenho argentino pode se repetir aqui se continuar a deterioração de nossa política econômica


A pergunta mais importante em economia é também a mais difícil de ser respondida: o que ocorreria caso, em vez de adotarmos determinada política A, adotássemos a política B?

Esta é também uma pergunta recorrente na vida comum: se tivesse entrado à esquerda, em vez de à direita, teria chegado mais cedo ao trabalho? Ou, se tivesse me dedicado à medicina, como queria minha mãe (de acordo com a tradição judaica, o feto não é considerado viável até se formar médico), que caminhos minha vida teria tomado?

Algumas dessas questões não têm resposta fora do campo da ficção, pois são experimentos únicos, para tristeza da minha mãe. No que tange a outras, porém, se há regularidades teóricas e empíricas, podemos imaginar como certos fenômenos teriam se desenrolado caso decisões diferentes tivessem sido tomadas em momentos cruciais.

Estava pensando nisso ao observar os desenvolvimentos recentes na Argentina. Não há de ter escapado da atenção do leitor mais atento a magnitude do protesto contra a presidente Cristina Kirchner nem a queda abrupta de sua popularidade pouco tempo depois de sua reeleição.

A verdade é que a Argentina tem, há tempos, adotado um conjunto de políticas econômicas "heterodoxas" que, embora lhe tenha dado certo alívio por um período, foi minando gradativamente sua capacidade de crescimento.

A começar pela despreocupação com a inflação. No começo de 2004, tempos em que o Indec [o IBGE local] ainda era uma instituição confiável, livre do tacão do governo, a inflação havia recuado para níveis muito baixos (cerca de 2%), uma vez dissipados os efeitos da maciça desvalorização do peso no começo de 2002. A atividade econômica, por sua vez, vinha em franca recuperação e o país reunia, assim, as condições ideais para consolidar o controle da inflação.

Naquele momento crucial, contudo, mais uma oportunidade foi desperdiçada. As autoridades desprezaram a questão inflacionária e elegeram o crescimento como único objetivo. Ao final de 2005, a inflação já ultrapassava os dois dígitos e, para lidar com o problema, o governo recorreu a controles diretos de preços e subsídios; com o fracasso destes, passou a adulterar o índice de inflação. Hoje a inflação oficial se encontra ao redor de 10% nos últimos 12 meses, enquanto estimativas privadas sugerem um índice cerca de três vezes mais alto.

No que se refere ao desempenho fiscal, a deterioração também foi marcante.

O superavit primário do governo federal, que superava os 3% do PIB até 2008, vem em queda acentuada e equivalia a mero 0,3% do PIB no ano passado, evaporando ao longo de 2012.

Por fim, para a alegria de vários economistas pátrios, a taxa de câmbio argentina foi administrada, supostamente mantida a patamares que tornariam a indústria local competitiva. Obviamente, com a aceleração da inflação, isso não passou de ilusão. A Argentina chegou a ter uma fatia de mercado equivalente a 9% das importações brasileiras (seu principal mercado, que absorve cerca de 20% das exportações platinas); hoje, essa participação caiu para 7%, a menor em quase 20 anos.

Dados esses desenvolvimentos, o surpreendente não é que a Argentina esteja enfrentando problemas sérios; o inusitado, na verdade, é que eles tenham demorado tanto a se manifestar, provavelmente atenuados pelo forte aumento de preços das commodities, assim como pelo bom desempenho brasileiro entre 2004 e 2010.

O interessante é que, embora pouca se ouça dos nossos keynesianos de quermesse sobre a Argentina hoje, a combinação de política por ela adotada de 2004 para cá era cantada em verso e prosa como a receita para o Brasil crescer aceleradamente.

O desempenho argentino pode ser considerado, contudo, como o que poderia ocorrer com o Brasil caso tivéssemos ouvido o canto das sereias heterodoxas. E também como o que pode nos acontecer a continuar a deterioração segura e implacável da nossa política econômica.

E os investimentos? - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 21/11


O ministro Guido Mantega reconheceu segunda-feira que até agora o governo Dilma não conseguiu mobilizar os empresários a investir.

Algum reconhecimento, em si mesmo, é um avanço neste governo que tem dificuldade em admitir seus equívocos ou, até mesmo, as mudanças na condução da política econômica. Por exemplo, segue negando as mudanças na política econômica. Não é capaz de assumir que a crise exigiu ajustes e que, portanto, pragmáticos ou não, estão sendo feitos. Contra as evidências, sustenta que o tripé vitorioso da economia brasileira (câmbio flutuante, regime de metas de inflação e superávit primário) continua observado como dantes.

Mantega trata o desinteresse pelos investimentos por parte do empresário como se fosse anomalia desimportante, que logo será revertida. Para ele, o governo já tomou providências suficientes para levar o empresário a finalmente tirar do armário seu espírito animal - a que tantas vezes apelou a presidente Dilma. O governo, argumenta o ministro, já promoveu forte desvalorização do real (alta do dólar no câmbio interno) para que o setor produtivo recuperasse a competitividade; já derrubou os juros básicos em nada menos que 5,25 pontos porcentuais ao ano, concorrendo assim para a redução dos custos financeiros das empresas; e diminuiu custos de produção à medida que baixou impostos e promoveu alguma desoneração da folha de pagamentos para bom número de setores da economia. Essas iniciativas, aposta Mantega, levarão o empresário a desengavetar projetos de investimentos já em 2013.

O governo Dilma imagina que os obstáculos relevantes ao investimento privado fossem apenas o câmbio fora do lugar e os juros escorchantes, suficiente e definitivamente removidos. Mas a verdade é que o empresário reluta em colocar mais dinheiro nos seus negócios por outras razões até agora não atacadas.

Este é um governo excessivamente intervencionista. Tão intervencionista que prejudica até mesmo o setor público - como se vê na condução das políticas do petróleo e da energia elétrica. A presidente da Petrobrás, Graça Foster, denuncia todos os dias que o governo está segurando tanto os preços dos combustíveis que inviabiliza seu enorme programa de investimentos. A Eletrobrás, a Cemig e a Cesp avisam que a política energética está atrapalhando a administração de usinas já amortizadas.

Vão também por aí as queixas de bancos, concessionárias de comunicações e grandes empresas de mineração. As novas concessões em rodovias, aeroportos e portos estão emperradas. O governo quer controlar tudo sem ao menos definir regras permanentes de jogo.

O governo Dilma acha que está sempre certo, que seus diagnósticos vão na direção correta e que faz o suficiente para mobilizar os capitais. Tem dificuldade para perceber que não consegue entregar o que promete e que se apega a apostas duvidosas e à pronta reversão de tantos resultados insatisfatórios - como esses avanços insignificantes do PIB, a inflação acima da meta e, mais que tudo, esses investimentos que não decolam.

Essas providências em quase nada contribuíram para a redução do custo Brasil e para a expansão da infraestrutura - esses, sim, os grandes entraves à expansão da atividade produtiva por aqui.

Construir sem predação - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 21/11


A Barra da Tijuca paga atualmente um alto preço pelo desenfreado (e desordenado) modo de ocupação que, a partir do último quarto do século passado, transformou completamente essa região da Zona Oeste do Rio. Como consequência inevitável do previsível adensamento populacional decorrente desse fenômeno, o bairro incorporou graves mazelas urbanísticas. Ali verificam-se engarrafamentos quase diários, o sistema de transportes é incapaz de atender à demanda, há um comprometimento ambiental que se reflete, principalmente, na poluição de boa parte do espelho d’água das lagoas, a rede sanitária ainda é insuficiente para dar conta das crescentes necessidades de residências e comércio locais.

São problemas que reclamam soluções nem sempre fáceis de serem adotadas, em razão não só da complexidade das intervenções já consolidadas, mas também porque exigem investimentos vultosos. Com a escolha daquela região para receber a parte mais substancial dos inversões com as quais o Rio se comprometeu para sediar as Olimpíadas de 2016, abriram-se novas oportunidades para a Barra. Desta vez, no entanto, a partir de um novo protocolo urbanístico, no qual o planejamento está no centro das transformações propostas (e necessárias).

Com isso, a Barra tem a chance de experimentar uma nova e mais racional forma de ocupação. É o que se vê, por exemplo, com a expansão e modernização dos sistemas viário e de transportes (construção de corredores seletivos de ônibus, os BRTs, obras para a chegada do metrô à região, projetos sólidos de instalação de equipamentos urbanos — inclusive aqueles que servirão aos Jogos Olímpicos e, depois, permanecerão como legados do evento para a cidade).

É dentro desse novo parâmetro de intervenções urbanísticos que devem ser avaliados os projetos de adaptação da Barra como território preferencial do Rio como cidade olímpica. A cidade não pode perder a oportunidade única de, ao mesmo tempo em que procura dar ordem ao caos da antiga ocupação desordenada, criar condições de explorar o grande potencial econômico — inclusive imobiliário — da região. São modos de intervenção que não se anulam; antes, podem se completar. Caso, por exemplo da área de 45 mil metros quadrados à entrada da Praia da Reserva, onde será instalado um complexo imobiliário, com um condomínio residencial e um hotel, obra prevista no Pacote Olímpico da Barra como parte dos estímulos oficiais para melhorar a rede hoteleira do município e atender à demanda que será gerada pelas Olimpíadas.

Construir não implica necessariamente fazê-lo pelo viés da predação. Ao contrário, quando há planejamento e racionalização do uso do solo, intervenções imobiliárias podem ser feitas com respeito ao meio ambiente e com projetos que equacionem demandas subsequentes — como transportes, rede sanitária e preservação da qualidade de vida.

Há quem sonhe com um golpe - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADO DE SÃO PAULO - 21/11


O absoluto desrespeito institucional que significa classificar a Suprema Corte do País como tribunal de exceção por causa do julgamento do mensalão é despropósito que beira o golpismo. Mais absurdo ainda é verificar que essa tentativa de golpear uma das instituições fundamentais do sistema democrático é explicitamente estimulada pelo partido que há mais de uma década exerce - inclusive pelos meios ora judicialmente condenados - a hegemonia política no plano federal: o PT.

Na véspera da comemoração do Dia da República, o diretório nacional do PT divulgou nota oficial em que define sua posição a respeito do julgamento pelo STF, ainda em andamento, da Ação Penal 470, no qual já foram condenados por crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha os então dirigentes do partido, de direito e de fato, que urdiram e executaram a trama criminosa da compra de apoio parlamentar dos principais líderes dos "300 picaretas" que dominam o Congresso Nacional, segundo memorável julgamento feito por Luiz Inácio Lula da Silva em 1993 - quando ainda estava muito longe do Palácio do Planalto.

O argumento central da nota oficial petista é de que o STF fez um "julgamento político" com a intenção deliberada de "criminalizar o PT": "Trata-se de uma interpretação da lei moldada unicamente para atender à conveniência de condenar pessoas específicas e, indiretamente, atingir o partido a que estão vinculadas". Ou seja, os ministros do Supremo, que, em ampla maioria foram nomeados pelos governos do PT, estariam conspirando para acabar com o partido a quem devem as togas que envergam. Para tanto, não se constrangem, segundo a nota, em desrespeitar "garantias constitucionais" e instalar "um clima de insegurança jurídica"; de lançar mão de "uma teoria nascida na Alemanha nazista" (a teoria do domínio do fato); de adotar a "noção de presunção de culpa em vez de inocência".

Além disso, alegam os petistas, os ministros "confirmaram condenações anunciadas, anteciparam votos à imprensa, pronunciaram-se fora dos autos e, por fim, imiscuíram-se em áreas reservadas ao Legislativo e ao Executivo, ferindo assim a independência entre os poderes". Em outras palavras: os ministros do STF estão tendo um comportamento condenável.

Ao divulgar a nota à imprensa, o iracundo presidente do PT, Rui Falcão, reforçou todos os argumentos contidos no documento, mas, pressionado a opinar se não há nada de positivo que se possa extrair do julgamento do mensalão, meteu os pés pelas mãos e contradiz-se ao apelar para o mantra petista segundo o qual este é hoje um país em tudo muito melhor do que antes: "As instituições estão funcionando legalmente". Não há registro de que algum impertinente tenha perguntado: "Inclusive o STF?".

Para todos os efeitos, a liderança petista dá a entender que a nota de 14 de novembro encerra o assunto. É indisfarçável a intenção de preservar o partido do prolongamento de uma polêmica que o faz sangrar em público. Mas os termos da nota e a intenção dissimulada dos dirigentes petistas - além dos apelos dos próprios condenados - estimulam as alas radicais do partido e das organizações sociais que o apoiam a atuar com a "mão do gato", mobilizando-se em "defesa do PT".

Exemplo claro é a atitude do esquerdista radical Markus Sokol, integrante do diretório nacional do PT, para quem existe "insatisfação na base do partido" e por isso se impõe a realização de atos públicos para "manifestar repúdio" ao julgamento do STF. E afirma, escancarando intenções golpistas: "Para além do apenamento, há uma agressão ao PT. Se ficar sem resposta, outras organizações que incomodam a elite dominante não poderão se sentir garantidas".

Por sua vez, a "Consulta Popular", organização que alega reunir representantes de 17 Estados, ao final de uma reunião plenária de três dias conclamou à luta "pela revogação das condenações e das penas ilegalmente impostas". Não fica claro no documento, diante do princípio da independência e autonomia dos poderes, a quem caberá a responsabilidade de "revogar" as condenações e as penas. Talvez um Ato Institucional?

A regra do atraso - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 21/11


Obras do PAC recebem dotações crescentes no Orçamento, mas governo federal só consegue melhorar desempenho com maquiagem


A candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República se assentou sobre seu papel de gerente-geral do Programa de Aceleração do Crescimento -ou "mãe do PAC", na expressão célebre cunhada em 2008 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, arquiteto e mentor.

Eleita há dois anos, a presidente viu o programa tropeçar de atraso em atraso, desde então. E, pior, lançar em dúvida a capacidade gerencial de seu governo.

Como está se tornando moda na Esplanada dos Ministérios, ao menos já se reconhece o óbvio. "Atraso é da regra do jogo", disse a ministra Miriam Belchior, do Planejamento, atual tutora do PAC.

A admissão da ministra foi, a seu modo, reproduzida pela própria presidente, em entrevista ao jornal "Valor Econômico": "Nosso problema não é dinheiro, é execução. Pergunta para a Miriam [Belchior] se falta dinheiro".

Dilma Rousseff, se levasse a sinceridade mais longe, poderia assinalar que o aumento dos recursos disponíveis para o PAC no Orçamento teve efeito irrisório.

As verbas orçamentárias para obras e compras de equipamentos saltaram de R$ 26 bilhões, de janeiro a outubro de 2011, para R$ 34,4 bilhões, no mesmo período de 2012; os desembolsos, porém, só oscilaram, de R$ 14,2 bilhões para R$ 14,4 bilhões, em igual intervalo.

A taxa de execução, assim, caiu de 55% para 42% do primeiro para o segundo ano de Dilma (considerados os dez primeiros meses).

É apesar do Executivo federal que o PAC anda, não por causa dele. Os desembolsos que mais avançam são os do setor privado -aumento de 77% na comparação dos nove meses iniciais de 2011 com os de 2012- e os das empresas estatais -incremento de 21%.

Em boa medida, são eles os responsáveis pelo quinto balanço do PAC traçado pela ministra Belchior: 84% de ações concluídas ou em estágio adequado, contra 16% de "atenção" e "preocupante". Mas, assim como os subsídios do programa Minha Casa, Minha Vida ajudam a inflar a conta dos investimentos federais (pois deixaram de ser contabilizados como despesa de custeio), o saldo ultrapositivo do PAC também depende de certa criatividade publicitária.

Na prática, quando algum projeto passa a ratear, o governo pospõe o prazo de conclusão. Tome-se o exemplo do trem-bala: a licitação deveria terminar em 2010, e o edital nem saiu ainda, mas o Planejamento lista o projeto no rol dos que estão em ritmo "adequado".

Atrasar é mesmo a regra do jogo.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Serei um vice bem tradicional e o mais colaborativo possível”
Ministro Ricardo Lewandowski, que amanhã assumirá a vice-presidência do Supremo


DILMA NÃO VAI INTERFERIR NAS ELEIÇÕES DO CONGRESSO

A presidente Dilma comunicou aos líderes aliados a decisão de não interferir nas eleições para as mesas diretoras da Câmara dos Deputados e do Senado. Na Câmara, ela ratificou o acordo PT-PMDB prevendo um presidente petista no primeiro biênio e Henrique Eduardo Alves (RN) no segundo biênio, que se inicia em 2013. No Senado, ela acatará a provável eleição de Renan Calheiros (AL) para presidente.

ESSENCIAIS

Após alguma hesitação, Dilma concluiu que Henrique Alves e Renan Calheiros serão os melhores aliados da segunda metade do governo.

MÃO À PALMATÓRIA

Certa vez, Henrique Alves disse que faltava “jogo de cintura” à então ministra Dilma, e ela não gostou. Hoje acha que Alves tinha razão.

MELHOR ASSIM

Dilma achava que Edison Lobão seria um bom presidente do Senado, mas hoje prefere que ele continue ministro de Minas e Energia.

PB PRESENTE

O PMDB na Paraíba decidiu indicar o deputado Manoel Júnior para ser o novo líder do partido na Câmara, em lugar de Henrique Alves (RN).

MERCKEL NARROU PARA TEMER O GOL DE IBRAHIMOVIC

Em visita a Berlim, o vice-presidente Michel Temer foi recebido com muita simpatia pela chanceler alemã Angela Merckel, que achava estar diante de um amante do futebol, como ela, e narrou embevecida o gol do craque Ibrahimovic na véspera (14), no clássico Suécia x Inglaterra. Ela retirou canetas de um copo e tentou descrever, minuciosamente, cada instante que precedeu a magistral bicicleta do goleador sueco.

O QUE É ISSO?

As comissões da Verdade e de Direitos Humanos da Câmara estão mobilizadas para ajudar a Comissão Nacional da Verdade.

TERTIUS

Vieira da Cunha (RS) entrou na disputa para líder do PDT na Câmara. É a terceira via na briga entre André Figueiredo (CE) e João Dado (SP).

MEDO DE DILMA

Nanopresidente da Câmara, Marco Maia (PT) se recusou a apoiar ontem o pedido dos sindicatos para votar o fim do fator previdenciário.

ESPIÃO DE CRACHÁ

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) nomeou sob o maior sigilo dois novos “adidos”: Adauton Montagna Jr., na Venezuela, e Paulo Henrique Sousa, na Colômbia. Chama-se Willian Tomazi Nogueira o ex-agente processado por suposto roubo de dados “confidenciais”.

SEM-TETO

Pendurada em dezenas de ações na Justiça, a Bancoop, cooperativa suspeita de desviar fundos para o PT, teve a sede penhorada de novo. Desta vez, pela Prefeitura de São Paulo. Está avaliada em R$ 1 milhão.

POBRE ALEMANHA

A imprensa alemã destacou que o Brasil vai gastar o equivalente a €750 milhões com segurança e infraestrutura na Copa, em 2014. Deve estar embasbacada com tanta pujança financeira, rara na Europa.

CONVERSA PARALELA

Os senadores Pedro Taques (PDT-MT), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Rubens Bueno (PPS-PR) discutiram ontem em almoço os últimos detalhes do “relatório paralelo” que apresentarão na CPI do Cachoeira.

COMO DISSE?

Irmão de José Genoino e futuro líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), caprichou no Twitter no feriado de ontem: “Negros são seres humanos autênticos. Minha homenagem sempre”.

BRIGA PLURIPARTIDÁRIA

PDT, PTB, PR, PSC e PSD ameaçam obstruir as votações até que seja colocado em pauta o projeto que extingue o fator previdenciário. O líder do governo, Arlindo Chinaglia, quer mais duas semanas para negociar.

MISSÃO IMPOSSÍVEL

A Justiça do Rio condenou um pai de santo a cinco anos no semiaberto pela promessa de “trazer a pessoa amada em três horas”. Trazer de Paris em 24h o governador Sérgio Cabral seria demais.

PICADAS DO DR. SOBRAL

Neta do saudoso jurista Sobral Pinto, Paula Fiúza produz o documentário O Homem que Não Tinha Preço. Ela lembra que, quando criança, ele a visitava aos domingos e a recebia com uns beliscões e dizia com um riso que “eram os mosquitos me picando”.

PERGUNTA NA PLATEIA

Quem fará “Maria, a Louca”, no filme que a ministra Marta Suplicy (Cultura) quer fazer com Portugal sobre a vinda de d. João VI?.


PODER SEM PUDOR

SOFRIMENTO COMO ÁLIBI

Jorcelino Tolentino da Gama, vice, rompeu com o prefeito de Paranaguá (PI), Avelino Lopes, e decidiu candidatar-se à prefeitura. O prefeito foi à Justiça para impugnar a candidatura, alegando que Jorcelino assumira o cargo. Até apresentou um ofício assinado por ele. Convocado pelo juiz, Jorcelino negou que a assinatura fosse sua:
- Doutor juiz, eu tenho a maior dificuldade de assinar o meu nome. Quando assino, é um sofrimento. E este ano eu não tive esse sofrimento.

QUARTA NOS JORNAIS


- Globo: No fim da CPI…Justiça manda soltar Cachoeira após 9 meses
- Folha: Justiça condena, mas decide soltar Cachoeira
- Estadão: Senadores se livram de pagar IR sobre 14º e 15º salários
- Correio: Cachoeira é condenado, mas fica livre da cadeia
- Valor: Bancos ganham na Justiça ações contra os derivativos
- Estado de Minas: Prevenção de enchentes – 15 obras ficaram no papel
- Zero Hora: Brigada Militar tem excesso de oficiais fora da linha de frente

terça-feira, novembro 20, 2012

Dosimetria relativa - TUTTY VASQUES


O Estado de S.Paulo - 20/11

Com um "julgamento-mais-aguardado-dos-últimos-anos" atrás do outro no noticiário nacional, o brasileiro já se considera entendido no assunto para condenar sem demora um tipo de culpado genérico muito em voga nos tribunais do País.

Esta semana mesmo, antecipando-se ao veredicto do júri popular inaugurado ontem no Fórum de Contagem (MG), o povo começou de véspera a calcular nos pontos de ônibus de todo o Brasil a dosimetria do goleiro Bruno.

Desde a divulgação da sentença de José Dirceu - ou seja, há quase 10 dias -, não aparecia alguém tão sem defesa no banco dos réus da esquina.

A tese de que sem corpo não há crime é, mal comparando, tão convincente quanto a negação do mensalão por falta de impressões digitais.

Uma coisa não tem nada a ver diretamente com a outra, mas, depois que o ex-ministro pegou 10 anos e 10 meses de cadeia, que pena será mais justa para o goleiro?

Periga a situação dele se agravar agora que o Ministério Público Federal pediu 80 anos de prisão para outro célebre culpado da atualidade, o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Se bem que toda regra tem exceção, taí o Maluf rindo à toa que não me deixa mentir.

Rumo a Tóquio

Nem tudo está perdido para a torcida do Palmeiras: um fiasco do Corinthians no Mundial de Clubes pode salvar o ano da galera!

Na mira

A quantas anda em Ramallah a exumação de Yasser Arafat? Antes que se esclareçam as circunstâncias da morte do líder palestino, seu corpo corre agora o risco de ir pelos ares em bombardeios à Cisjordânia!

Muro da Daslu

A nova classe média brasileira não chegou ao mercado a tempo de frequentar a Daslu, mas já pode comprar na região da 25 de Março pequenos destroços da demolição do mais famoso império do luxo no País. Os camelôs anunciam o produto como "lembrança do muro de Berlim do consumo paulistano".

Não tem erro

O cantor e compositor Belchior teve bons motivos para sumir de novo, desta vez no Uruguai: só assim ele aparece no Fantástico!

A grosso modo...

Justiça seja feita ao advogado do goleiro Bruno, os defensores de Macarrão e do Bola são muito mais falastrões. Repara só!

Mal comparando

O brasileiro reclama de barriga cheia! Dilma Rousseff desembarca hoje em Brasília horrorizada com o mundo lá fora!

Tudo a ver

Os ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski ainda não confirmaram participação na campanha Conte até 10, de prevenção à violência decorrente de desentendimentos banais.

Boato infame

Djavan confirmou presença na posse de Joaquim Barbosa na presidência do STF, mas, ao contrário do que andam dizendo nas redes sociais, o artista não vai cantar "o amor é azulzinho" no encerramento da cerimônia. E não se fala mais nisso, ok?