quarta-feira, outubro 31, 2012

Está muito difícil cumprir o superávit das contas - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 31\10


Diante do resultado das contas públicas de setembro, em que o déficit nominal aparece como o maior desde setembro de 2009 e o superávit primário também é o pior, um jornalista perguntou ao chefe do Departamento Econômico do Banco Central por que se continuava a ter esperança de atingir a meta fixada na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), quando se sabe que os valores obtidos até agora não permitiam cumprir a meta. Túlio Maciel respondeu que não se havia renunciado a esta meta, deduzidos os investimentos.

Ele não foi tão otimista quanto o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustín, que na véspera havia explicado que, com a reação da economia no terceiro trimestre, a meta deverá ser cumprida, pelo menos no caso do governo central. No mês de setembro de 2011, o governo central tinha um superávit primário, nos nove primeiros meses, de 3,43% do PIB. Mas, no mesmo período deste ano, ele é de 1,66% do PIB. Mesmo admitindo que a economia, no último trimestre, apresente bons resultados - o que não é certo ainda -, deve-se lembrar de que neste trimestre também se concentram as maiores despesas, como o pagamento do 13.º salário, que afeta também a Previdência.

O que se esperava era uma reação positiva quanto aos investimentos. Em setembro, o déficit nominal foi financiado por uma emissão de títulos da dívida mobiliária de R$ 49,6 bilhões, incluindo os juros não pagos pelo superávit primário, que têm contribuído para elevar a dívida. Mesmo com a queda da taxa de juros pagos sobre os títulos, Maciel calcula que os juros, que representaram 4,96% do PIB nos nove primeiros meses, deverão ficar, em dezembro, em 4,7% do PIB, uma redução muito limitada.

Na realidade, para enganar o público, já se abandonou a ideia de um superávit cheio e se pensa em deduzir os investimentos públicos, como se não representassem uma despesa.

No fundo, o governo central continua dando precedência aos gastos de custeio, que estão crescendo no ritmo de 11,2%, enquanto as receitas líquidas aumentam 6,9%, mesmo com o recebimento de dividendos das empresas estatais, que no período apresentaram elevação de 13%.

Os gastos com investimentos continuam muito limitados, tal a incapacidade do governo de administrá-los, como se verifica a cada dia, e na sua maioria essas despesas representam restos a pagar de exercícios anteriores. O que nos leva a pensar que, mesmo extraindo-os das despesas, o superávit primário estará longe de atingir a meta fixada.

Ueba! Haddad, libera o Bahamas!- JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 31\10



E já tem gente indo mais cedo pro trabalho pra filar o ar-condicionado do escritório! Rarará!



Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
Direto do País da Piada Pronta: João Santana, marqueteiro do Lula, Dilma e Haddad, nasceu em TUCANO, na Bahia. Rarará!
E em Santo André ganhou um petista chamado Carlos GRANA! Grana pro companheiros. E na Bahia tão dizendo que o Jacques Wagner ganhou um Neto! Rarará!
E atenção! APELO: "Haddad, libera o Bahamas! Cansei de traçar a patroa!". Rarará!
O Haddad devia liberar tudo que o Kassab proibiu! O Kassab perseguiu as perseguidas! Fechou um monte de inferninho! Não tem mais bingo, o Playcenter fechou e o Kassab lacrou o Bahamas. Que deve tá com o estoque vencido. Mas o cartão infidelidade continua válido!
Outra coisa: Haddad, libera o outdoor. Enche a cidade de outdoor da Marta. Rarará!
E o Lula já elegeu dois postes. É o programa Luz Para Todos! E a manchete do Piauí Herald: "Depois de eleger dois postes, Lula aposta em Rubinho Barrichello pra governador". Rarará!
E aquela minha amiga perua: "Foi só PT ganhar que a Net caiu aqui no Jardim Europa". Depois ela foi jantar no La Tambouille e encontrou com o Zé Maria Marin. É o Combo Derrota! Rarará!
E o Kassab tá há uns dois anos fazendo a calçada da Faria Lima e aí estavam levantando uns postes e um amigo gritou: "Tão levantando uns haddads". Rarará!
E aquele Lacerda de Belo Horizonte tem cara de máscara de diabo de Carnaval. Pronto pro Halloween. E diz que o ACMeio Neto soltou um rojão e acertou no sovaco do assessor.
E o ACMeio Metro vai criar a velofaixa: os baianos podem andar tranquilamente de velotrol. O veículo oficial de Salvador!
E o grito de vitória do ACM Neto: "Xuuxa, gaaanhei!". Rarará! Represália: flagraram o Serra fazendo xixi no poste! Rarará! E o rato roeu os votos do Ratinho Junior! Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
E o calor? Test drive pro inferno! Sensação térmica: quero ficar pelado. Sensação térmica: abraçando o sol. Você quebra um ovo no ar e ele frita antes de bater no chão!
A Argentina não serve mais nem pra mandar frente fria! Já tem gente indo mais cedo pro trabalho pra filar o ar condicionado do escritório! Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Começa o jogo - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 31\10


De repente, houve percepção generalizada de que o PSB cresceu e surgiu como um dos mais importantes partícipes do jogo eleitoral. Mas ele já era partido com forte penetração no Nordeste, com seis governadores eleitos, sendo quatro nessa região: Pernambuco, Ceará, Paraíba e Piauí. O que deu caráter nacional ao PSB nesta eleição municipal foi ter enfrentado e derrotado o PT em capitais como Recife, Fortaleza e Belo Horizonte.

Mas o PSB elegeu também o maior número de prefeitos de capitais, ampliando sua atuação para o Centro-Oeste (Cuiabá) e o Norte (Porto Velho). O crescimento de mais de 40% na eleição de prefeitos - vencendo em 440 cidades - dá nova dimensão nacional ao partido, que passará a se sentir incomodado dentro do modelo de coalizão governista, um pouco sem espaço para parceiros que tenham planos de voos mais altos. Mais fácil fazer acordos com o PMDB, que tem tamanho, mas não tem unidade para lançar candidato próprio, do que com o PSB, que já tem seu candidato potencial no governador de Pernambuco, Eduardo Campos. O papel definidor do PSB pode ser exercido já nas próximas eleições presidenciais ou pode ser adiado para 2018, tudo dependendo das condições objetivas que encontrar pela frente.

As eleições municipais têm mais a ver com a composição futura do Congresso Nacional e também com a eleição de governadores do que propriamente com a próxima disputa presidencial. No entanto, a maneira como os partidos espraiam seu poder político pelo país afora é parte fundamental da logística a ser montada para 2014.

Para efeitos práticos, o que importa é a fotografia do momento, e é certo que o PMDB, com 1.026 prefeituras (168 a menos que em 2008), e PT, com 635 (91 a mais), os dois partidos que estão no poder, governarão quase 1/3 dos municípios brasileiros, o que dá à campanha de reeleição da presidente Dilma forte plataforma para eleger bancadas no próximo Congresso. A base governista tem tudo para manter o controle político no Senado e na Câmara, acrescida do PSD, que surge nesta eleição como a quarta legenda a eleger mais prefeitos, nada menos que 496 nesta sua primeira eleição.

Se somarmos a essas as prefeituras de PP (468), PDT (312) e outros partidos menos votados, teremos um quadro amplamente favorável à campanha de reeleição. Mas acontece que também a oposição manteve uma boa base eleitoral pelo país, melhorando sua posição no Norte e no Nordeste, onde o domínio do governismo era avassalador.

Com as vitórias em Manaus e Belém, no Norte, e Maceió e Teresina, no Nordeste, o PSDB fincou os pés nas regiões, onde tem os governadores de Alagoas, Roraima e Tocantins. A eleição de Arthur Virgílio em Manaus, numa revanche pessoal, depois de ter sido derrotado por Lula na eleição para o Senado em 2010, coloca-o em posição proeminente novamente no PSDB, de que já foi secretário-geral e líder no Senado. O fato de Virgilio ter uma imagem nacional - foi também ministro no governo Fernand o Henrique - dá-lhe condições de interferir nas decisões estratégicas do partido, e ele sem dúvida voltará a ser um dos principais líderes oposicionistas.

No total de prefeituras, o PSDB continua sendo o segundo partido, com 702, mesmo fora do governo há dez anos. Somadas às 278 prefeituras do DEM e 123 do PPS, a oposição tem uma boa base municipal para as futuras disputas.

O que pode desequilibrar a disputa é a decisão que o PSB de Eduardo Campos venha a tomar quanto a 2014. No primeiro momento, a tentativa será de acomodação dentro da aliança governista, até porque as definições para a disputa presidencial só ocorrerão a partir do fim de 2013. Uma aliança entre o PSB e o PSDB de Aécio Neves formaria chapa com força nas principais regiões, mas difícil será um dos dois abrir mão da cabeça de chapa.

Uma aliança hipotética no segundo turno é previsível caso Campos decida investir mesmo na carreira solo em 2014. O senador Aécio Neves pretende concorrer mesmo que a presidente Dilma continue com sua popularidade alta como hoje, sem grande abalos econômicos a enfrentar. Estaria semeando uma colheita para quatro anos depois.

Resta saber se o governador Eduardo Campos se resignará a disputar espaço com o PT e o PMDB por mais quatro anos, na esperança vã de vir a ser o candidato da coligação em 2018.

Santo forte - RUY CASTRO

FOLHA DE SP - 31\10


RIO DE JANEIRO - Nos 16 anos em que morei e trabalhei em São Paulo, de 1979 a 1995, fui ao Rio, a trabalho ou sem motivo, duas vezes por mês em média. Isso significou 24 viagens por ano. Multiplicando por 16, temos que, naquele período, fiz 384 viagens ao Rio. Não admira que, quando anunciei aos amigos que iria voltar, muitos perguntassem: "Voltar como, se você nunca saiu daqui?".
Mas é claro que saí. Em 16 anos de São Paulo, tive sete empregos, morei em seis endereços, um deles próprio, comi da baixa à alta gastronomia, conquistei grandes amigos e fui casado com uma paulistana. Talvez por isso, sempre que dizia que ia ao Rio, as pessoas se preocupassem: "Mas, de novo? Você não tem medo da violência, das balas perdidas? E os arrastões na praia?".
Pelo que a TV martelava, de fato era difícil explicar que, se você não se visse num fogo cruzado entre polícia e bandidos perto de algum morro na Linha Vermelha, podia andar sem susto pela cidade -o que eu fazia dia e noite. A possibilidade de levar uma bala perdida era remota. Quanto a arrastões, só houvera um grave, em 1992, e, por acaso, num momento em que as câmeras estavam a postos na praia. Um acaso que marcou a cidade por anos.
De volta ao Rio, também há 16 anos, continuo na ponte aérea, só que ao contrário -raro não ir uma ou duas vezes por mês a São Paulo, e sempre com prazer. Mas, agora, com o Rio pacificado, a apreensão dos amigos se inverteu: "Você vai a São Paulo? E a violência? Os assassinatos, as execuções, os arrastões em restaurantes? Os sequestros-relâmpago? E se você for tirar dinheiro no caixa eletrônico e eles botarem uma bomba?".
Tento explicar que, assim como a violência no Rio era localizada, não há esse medo geral em São Paulo, as pessoas continuam levando a vida. Ou então eu é que, há séculos, abuso do santo forte.

O velho no novo - ROBERTO DaMATTA


O Estado de S.Paulo - 31\10


Papai - perguntou um menino aflito depois de ver seu time de futebol fragorosamente derrotado pelo "inimigo" -, este gosto amargo de derrota passa?

O pai que com ele viu o jogo e era duplamente vitorioso, pois o seu time era justamente o vencedor e ele, Pai, sabia tudo, respondeu com amor:

- Meu filho querido, tudo passa e volta. A vida contém a morte e a morte contém a vida. Seu avô morreu, mas, veja, nasceu o seu priminho Quincas, que nos fez esquecer a morte. A vitória contém a derrota e a derrota traz, lá dentro, a vitória.

* * * *

Conte-me um mito importante, perguntou de gravador em punho um jovem e idiotizado antropólogo a um nativo. Sou estudioso de Lévi-Strauss e quero testar suas teorias de modo mais profundo. O índio ouviu, ficou com pena daquela criatura sôfrega, faminta, desorientada e disse:

- Abra os ouvidos. Isso foi no tempo em que não havia fogo. Comia-se carne crua, podre ou seca. Era horrível. Foi assim até o dia em que um menino saiu com seu cunhado atrás de penas de araras para fazer enfeites. O cunhado colocou um tronco para o menino subir até o ninho das araras situado no alto de um penhasco, mas os filhotes eram brabos e ele teve medo. Irritado, o marido de sua irmã foi embora. Abandonado pelo afim impaciente (os afins - gente como sogros e cunhados - não são, como deve saber o leitor, confiáveis), o menino ficou lá em cima, preso no ninho das araras. Misturou-se a elas e ficou sujo de suas fezes porque era literalmente - disse o índio que assistia à TV todo dia e lia os jornais na internet - "um estranho no ninho". Depois de uns dias e já com muita sede e fome, ouviu a voz de uma onça que pergunta o que ele, menino, fazia num ninho de araras. Fui abandonado por meu cunhado, disse o menino.

Após garantir que não seria comido pela onça, o menino desceu da escarpa e a onça o levou no seu vasto lombo para um ribeirão onde ele se limpou e saciou a sede. Em seguida, a onça o levou para sua casa. Lá, uma onça fêmea e grávida assava um pedaço de carne tipo picanha - acrescentou o índio para facilitar o imbecil do antropólogo - numa fogueira. O cheiro da carne assada sentido pela primeira vez varou a surpresa do menino, despertando-lhe imediatamente o apetite. Provou a carne e apreciou o poder transformador do fogo que permita, entre outras coisas, controlar o grau de cozimento naquilo que corresponde aos níveis de sociabilidade em torno da comida comum, esse elemento de comunhão e de solidariedade imemorial, arrematou o índio que havia lido Robertson Smith e Émile Durkheim. O menino comeu, comeu e comeu e não saciado - pois o novo (mesmo sendo velho) inventa o "quero mais" - repetiu tudo o que fez com que a onça fêmea ficasse irritada por sua falta de maneiras à mesa.

Quando o onça macho que o menino chamava de "tio" foi caçar e ele pediu mais carne, a fêmea o ameaçou com garras e dentes. Mas o menino havia recebido do Tio Onça um par de flechas e um arco (esses instrumentos de defesa equivalentes às garras das onças, explicou o índio para o antropólogo que balançava afirmativamente a cabeça). Sem dúvida, ele feriu a onça, correu para a aldeia. Lá - como um empresário moderno -, anunciou um novo modo de comer carne. Os índios foram à morada da onça e roubaram-lhe o fogo.

Foi assim que os homens passaram do cru ao cozido, terminou o índio com um riso simbólico atendendo a uma chamada no seu celular. Agora, as onças têm o fogo apenas dentro dos olhos - misto de ameaça e ressentimento - quando vistos na escuridão da noite.

* * * *

Ela era atraente e viva. A beleza não havia visitado aquela pessoa feita desses múltiplos atributos que definem as mulheres e que vão dos sapatos de salto alto aos colares e à pela lisa e boa de acariciar. Era matemática e especialista em geometria algébrica, uma subdisciplina da chamada Rainha das Ciências que o leitor naturalmente conhece de sobra...

O jovem Natan, era seu aluno de mestrado e se mostrara um excepcional matemático. Como se sabe, a matemática é como a música: ou você toca alguma coisa ou cai fora. Aos 20 anos, senão antes, o verdadeiro matemático resolve equações nebulosas e decifra cabeludos enigmas. Tal como Mozart que compunha aos 5 aninhos quando era exposto como gênio nos ducados europeus pelos seus pais-empresários, que hoje seriam provavelmente processados por exploração de menor, mas deixa pra lá.

Natan se apaixonou, Joana ficou interessada. Corria pelos corredores que a matemática era uma matadora. Tivera tantos namorados quanto os teoremas dos seus artigos e aulas. Natan fingia não ouvir ou saber. Ao término da brilhante tese de doutorado, aprovada com louvor e realizada em menos de três meses, Joana o convidou para jantar em sua casa - tinha um presente para ele. Quando todos se foram, deu-se aquele beijo com um Natan na ponta dos pés porque a mestra era muito alta. Após o susto do prazer e o prazer do susto que se chama milagre, ele perguntou pelo presente. Ela mandou que esperasse na saleta.

Depois de alguns minutos, entrou envelopada num robe de seda. Chegou à frente do jovem, abriu o robe e disse: eis o seu presente...

Vinte minutos depois, um Natan corado e confiante, pergunta: afinal, Joana, é verdade que você teve uma porrada de namorados? Ela olhou o jovem de frente e disse com aquela ternura das mulheres: tive muitos, mas perdi minha virgindade hoje com você. Há quem tenha ouvido um suspiro, mas eu não posso confirmar.

* * * *

Foi uma semana cheia. Segundo turno do "ganha-e-perde" eleitoral; a "descoberta" que a comida cozida transforma o cérebro humano; a "novidade" da moça que está vendendo sua virgindade. Se você não entendeu, querido leitor, escreva. Eu tento explicar.

As falsas certezas - ZUENIR VENTURA

O GLOBO - 31\10


O eleitor talvez estivesse saturado de um assunto —o mensalão — que já estava sendo devidamente resolvido pelo Supremo Tribunal Federal



Mais uma eleição para abalar algumas certezas prévias e desmoralizar a tendência de atribuir a um único fator a causa da vitória ou derrota desse ou daquele candidato. Por exemplo, em São Paulo, foi Fernando Haddad que ganhou ou foi José Serra que perdeu? O que foi determinante: o apoio recebido pelo petista ou a enorme rejeição ao tucano? Assim como Dilma em 2010, Haddad teria ganho por causa de Lula, que, como se diz, elege até postes? (Ele mesmo fez ironia antes: “De poste em poste, vamos iluminar o país”.) É difícil negar o “milagre” operado por Lula em SP, transformando um candidato com 3% das intenções no começo em prefeito eleito com 55,57% dos votos. Mas por que o mesmo não aconteceu ali perto, em Campinas, onde Lula, além de Dilma, investiu tanto no “poste” Marcio Pochman? Ou em Belo Horizonte, no primeiro turno, onde o candidato do PT Patrus Ananias era muito mais que um “poste”? Por que não adiantou o empenho do ex-presidente ou da presidente em capitais como Salvador, onde chegaram a subir em palanque do petista Nelson Pelegrino para tentar derrotar ACM Neto, um inesquecível desafeto que chegou a ameaçar Lula de uma surra física em 2008?

A lista poderia continuar com Manaus, Fortaleza, Recife, Cuiabá, entre outras.

Alguns analistas viram a vitória do “novo” Haddad contra o velho “Serra” como parte da onda de renovação que teria sido a característica geral dessas eleições.

Tudo bem que em SP a hipótese tenha funcionado, com o eleitor supostamente cansado de oito anos do mesmo. Mas ela não se aplica, por exemplo, a Manaus, onde só com muito boa vontade se pode ver em Artur Virgílio Neto algo parecido com renovação. Quando Russomano parecia imbatível, falou-se no vitorioso “conservadorismo” paulista.

E o mensalão? Muitos acreditavam que seria “o” fator decisivo. Os petistas fizeram tudo para que o julgamento não ocorresse antes das eleições, temendo que as condenações iriam afetar negativamente o resultado das urnas. Parece que o candidato tucano também achava isso, ao apostar no tema, privilegiando-o como arma de campanha. Não percebeu que o eleitor talvez estivesse saturado de um assunto que já estava sendo devidamente resolvido pelo STF, e se esqueceu de que, na prática, as eleições municipais têm mais a ver com os problemas locais do que com as questões ideológicas. Percepções como a de que “Serra para no meio” provavelmente pesaram mais do que suas qualidades.

Em suma, as eleições têm uma dinâmica própria e um imponderável que tornam arriscadas as certezas prévias.

Gol de mão - HÉLIO SCHWARTSMAN


Folha de S.Paulo - 31\10


SÃO PAULO - Ao entrar com o pedido de anulação do jogo contra o Internacional, o Palmeiras estará na prática reivindicando o direito de fazer gols com a mão, o que não pega bem para um clube de futebol.
Antes que rábulas ludopédicos e palmeirenses em geral me venham corrigir, sei que a ideia é questionar uma suposta interferência externa na decisão do árbitro, o que é vedado pelas regras. Pior, a pessoa que teria influenciado o juiz lhe teria passado informações obtidas através de imagens de TV, o que também é proibido.
A analogia cabível, sustentam os "filopalmeirenses", seria com provas judiciais colhidas de forma ilegal, as quais, segundo a melhor doutrina do Direito, devem ser peremptoriamente excluídas do processo. "Mutatis mutandis", a informação de que o gol de Barcos foi feito com a mão não poderia ter chegado licitamente ao conhecimento do árbitro.
A tentativa é boa, mas não me convence. A razão para não tolerarmos provas ilegais na vida real não se aplica ao esporte bretão. Trata-se de uma proteção conferida ao indivíduo para protegê-lo do poder do Estado. Recusamos a busca sem mandado para preservar a privacidade do cidadão. Abominamos a confissão sob tortura para garantir-lhe a integridade física.
Obviamente, um jogador que se exibe diante de um público de dezenas de milhares de pessoas (sem contar a TV) não pode legitimamente invocar o direito de privacidade. Por mais que tente, não consigo ver, no contexto do futebol, nenhum interesse que possa competir com o de apurar o que de fato ocorreu na jogada.
É por essas e outras que me parece absurda a insistência da Fifa em banir ferramentas tecnológicas que possam melhorar a qualidade da arbitragem. Os esforços da entidade me lembram o rival de Galileu que se recusou a pôr o olho no telescópio para ver as evidências, alegando que tudo o que havia para saber sobre os astros já estava descrito na doutrina aristotélica sobre os céus.

Pauliceia desnorteada - DORA KRAMER

O Estado de S.Paulo - 31\10


A gênese da candidatura de José Serra à Prefeitura de São Paulo é de alguma forma síntese das tormentosas bifurcações que assolam o PSDB.

Serra foi candidato por insistência do partido que lhe negara a presidência do instituto nacional de estudos (Teotônio Vilela) no ano anterior e na prévia municipal deu-lhe o aval de candidato com pouco mais da metade dos votos (52%).

Em miúdos, o partido queria, mas não queria muito. Houve quem enxergasse na candidatura a prefeito uma oportunidade de tirar Serra definitivamente da disputa de 2014 - projeto por ele acalentado, embora não necessariamente para presidente -, houve quem preferisse apostar na escolha de um dos quatro candidatos à prévia, mais ou menos equivalentes no tocante à baixa densidade na largada.

Seria uma solução semelhante à encontrada por Lula para o PT com Fernando Haddad que, na análise corrente hoje entre tucanos, se resultasse em derrota ao menos poderia ser menos traumática que a perda para um novato.

Prevaleceu a opinião da cúpula, Serra incluído, que quis evitar a adesão do prefeito Gilberto Kassab ao PT. Assim foi feito e aquele que motivou a candidatura revelou-se em boa medida a razão de seu fracasso.

Não se pode atribuir todo o infortúnio a Kassab. Seria retirar do PSDB suas responsabilidades. Primeiro, deu a vitória como certa e depois considerou secundárias as dificuldades.

Não enfrentou a questão da renúncia de Serra nem soube separar as duas fases da gestão de Kassab, uma como herdeiro, outra como prefeito eleito.

Houve alertas internos nesse sentido? Houve, mas caíram no buraco negro das dissensões, teimosias, animosidades, autofagia, corpo mole e tudo o mais que agora desautoriza as reclamações do departamento de engenharia de obra feita. Se houvesse unidade, comando e tirocínio no partido, o efeito deletério não teria encontrado terreno fértil.

Tudo começa com a cizânia decorrente da candidatura em 2008, depois da interinidade herdada como vice de Serra na chapa vitoriosa quatro anos antes. Muito bem avaliado no mandato-tampão, Kassab ganhou, impôs uma derrota a Geraldo Alckmin que sequer foi ao segundo turno, mas aprofundou a divisão do PSDB e criou enormes arestas.

Depois dos primeiros seis meses na posse de um mandato de fato e direito, desmontou a equipe anterior e começou a dilapidar o patrimônio que amealhara com uma administração considerada desastrosa.

Ao mesmo tempo, na política se aproximou do governo federal tendo como instrumento a criação de um partido (PSD) para prestação de serviços a todas as forças detentoras de poder municipal ou estadual com o objetivo primeiro de ampliar e consolidar seu espaço em São Paulo.

Na eleição, desistiu do PT por alegado compromisso de "lealdade" para com José Serra. Fidelidade que não esperou esfriarem as urnas: a vitória de Fernando Haddad não tinha completado 15 minutos quando Kassab ofereceu sua tropa na Câmara Municipal para dar-lhe "apoio incondicional". Irrestrito, pois.

Junte-se a isso um ministério, mais uma bancada de 47 deputados federais com boa perspectiva de ampliação em 2014 devido à conquista de 497 prefeituras e está feita a receita de Gilberto Kassab para derrubar o PSDB e tornar-se a segunda força política em São Paulo, de braços dados com o PT.

Movimenta-se para fazer com os tucanos de São Paulo o que fez com o DEM no plano nacional no momento em que o partido passava igualmente por uma crise de carência de comando e abundância de discórdia interna.

E o que diz o PSDB enquanto é sorvido ao molde de um mingau, pelas beiradas? À falta de porta-voz autorizado, olha para a cena desorientado, sem saber como dar uma meia volta volver nessa marcha cujo ritmo delineia a perda da principal trincheira em 2014.

Contra a avalanche, o jornalista desiste - FÁBIO PANNUNZIO

FOLHA DE SP - 31\10


Em empresas de comunicação, fui processado uma vez em 31 anos. Já na internet, sozinho, é uma avalanche. Como bancar? Sobra só a blogosfera 'estatal'...


Como jornalista a serviço de empresas de comunicação, fui processado só uma vez em 31 anos de profissão -a despeito de ter trabalhado a maior parte desse tempo como repórter investigativo e de ter feito dezenas de denúncias graves. E ganhei.

Há menos de quatro anos, criei um blog dedicado à reflexão política e à denúncia de iniciativas visando sufocar a liberdade de expressão, promover ou justificar a corrupção.

Ao longo de sua existência, tornei-me alvo de uma avalanche de processos judiciais. Foram oito ao todo, que me obrigaram a gastar uma fortuna com a contratação de advogados. Como blogueiro, descobri a condição de vulnerabilidade em que se encontram dezenas de jornalistas que decidiram atuar independentemente na internet.

Jamais fui condenado, mas é fato inquestionável que o exercício das garantias constitucionais é excessivamente custoso para quem não está respaldado por uma estrutura empresarial -ou não vendeu a alma ao diabo.

Contratar advogados, pagar custas e honorários, invariavelmente caríssimos, já constitui, em si, uma punição severa, mesmo para quem fatalmente será absolvido ao final de um processo sofrido e demorado.

Foi o que me levou à decisão de parar de publicar no blog.

Os dois primeiros processos vieram do Paraná, de onde uma quadrilha de estelionatários e traficantes de trabalhadores brasileiros para os EUA conseguiu censurar o blog durante alguns meses. A prisão dos denunciados fez com que a censura se extinguisse. Não satisfeitos e embora presos, passaram a pleitear uma indenização por danos morais.

De Mato Grosso chegaram outras quatro ações. O autor é o deputado estadual José Geraldo Riva, réu em 120 processos por peculato, corrupção e improbidade administrativa. Seu mandato foi cassado duas vezes por compra de votos, mas Riva ainda preside a Assembleia Legislativa do Estado, mesmo proibido de assinar cheques e ordenar despesas.

Boa parte dos textos teve como objeto o repúdio às práticas que o STF agora condenou como crimes praticados pelos mensaleiros do PT. O foco era o desvirtuamento ético, e não a questão partidária.

Também critiquei o mata-mata na segurança pública de São Paulo, Estado governado pelo PSDB. Daí brotaram dois outros processos.

O primeiro, uma queixa-crime do ex-comandante Paulo Telhada, que acaba de ser eleito vereador em São Paulo graças à imagem que ele alimenta de matador implacável. É o mesmo acusado de incitar no Facebook a campanha que culminou em uma série de ameaças ao repórter André Caramante, desta Folha.

O segundo é uma ação por danos morais movida pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, que novamente pôs o blog sob censura.

Não fui o único blogueiro a ter a sua atividade jornalística impedida por uma sequência de ações judiciais. Outro caso exemplar é a mato-grossense Adriana Vandoni, do blog "Prosa & Política". Desde 2009, a publicação está censurada judicialmente pelo mesmo José Geraldo Riva.

Não defendo prerrogativas de qualquer natureza para o jornalismo irresponsável. O exercício do jornalismo se torna deletério quando há deslizes éticos, com prejuízos enormes para quem se vê caluniado, difamado ou injuriado.

Também não me insurjo contra o direito dos ofendidos de pleitear reparação diante de distorções e erros da imprensa. O blog, aliás, sempre criticou o engajamento do jornalismo a soldo de políticos suspeitos, que atua como uma máquina de destruir reputações. Tal máquina ataca inclusive jornalistas, como Heraldo Pereira, da TV Globo, e Policarpo Júnior, da "Veja", vítimas de uma campanha difamatória hedionda movida pela blogosfera estatal.

Minha página eletrônica nunca aceitou qualquer forma de publicidade. Era mantida exclusivamente às expensas da minha renda pessoal auferida como repórter e apresentador da Rede Bandeirantes de Televisão. O exercício da liberdade de expressão, no ambiente cultural de uma democracia que ainda não se habituou à crítica (e a confunde com delitos de opinião), desafortunadamente, se tornou caro demais.

Mas sou forçado a concordar com os que entenderam minha atitude como capitulação. Porque o silêncio compulsório, que é o que desejam os inimigos da liberdade de expressão, só fará agravar o problema.

De volta à questão democrática - LUIZ SÉRGIO HENRIQUES


O ESTADÃO - 31\10


Em vista dos acontecimentos recentes, com a bisonha reação de setores (majoritários?) do petismo às decisões do Supremo Tribunal Federal na Ação Penal 470, cabe deduzir, com algum grau de desalento, que há de ser molecular e como que conduzido pelos fatos - no caso, o caráter objetivamente "ocidental" da formação social brasileira, que a torna relativamente imune a surtos prolongados de populismo - o processo de modernização da cultura política da nossa esquerda. Até hoje, pelo menos, por parte de atores decisivos, como os próprios expoentes políticos, os dirigentes das máquinas partidárias e especialmente os intelectuais ditos "orgânicos", os caminhos dessa modernização não foram trilhados sem meios-termos.

O salto para o continente novo da democracia política - definitivamente considerada como conquista dos "de baixo", e não instância "burguesa" que mascara ou domestica o conflito de classes - e a consequente queima de navios ainda não foram dados, por esta ou aquela razão. Estamos longe do que um pensador como Giuseppe Vacca chamou de requisito da moderna convivência civil, a saber: a recíproca legitimação dos adversários no contexto do Estado Democrático de Direito. Tal legitimação dificultaria discursos "refundacionais" que fazem datar do surgimento de um partido, e não da Carta de 1988, o novo início da História do Brasil e remetem os adversários ao limbo da representação dos prévios 500 anos de predação da Pátria e do seu povo.

Se de esquerda falamos - e se é um tronco da esquerda que desde 2002 mantém firmemente nas mãos o poder central, com exceção do período de turbulências da CPI dos Correios -, cabe revirar mais fundo o baú de ossos dessa família política, em busca dos primeiros e ainda hesitantes sinais da sua ocidentalização. Um sinal corajoso, por exemplo, veio de um notável documento do PCB, antigo de quase seis décadas. Os especialistas em remexer naquele baú sabem que se trata da Declaração de Março de 1958, da qual dois signatários, Armênio Guedes e Jacob Gorender, são nossos contemporâneos e representam, cada qual a seu modo, interpretações distintas do documento. E os especialistas sabem também que ali começou um difícil caminho de revisão do nexo entre democracia política e socialismo, ainda longe de chegar a um ponto maduro.

Nos termos da esquerda, havia ali, com instrumentos conceituais muitas vezes datados, uma dialética tensa entre "questão nacional" e "questão democrática". A primeira, embebida de retórica anti-imperialista (esse mesmo anti-imperialismo que ainda hoje faz estragos, ao levar parte da esquerda, não raramente, a simpatizar com "ridículos tiranos" ou autocratas eleitoralmente competitivos), poderia, no entanto, obedecer já na época a uma concepção não regressiva: tratava-se, afinal, de deslocar para dentro do País o eixo das decisões fundamentais, sem prejuízo dos processos de internacionalização da economia já fortemente operantes.

A questão democrática era ainda mais complicada, como não podia deixar de ser para uma esquerda que desde o leninismo se acostumara a dissociar socialismo e democracia. Aparecia aquela questão, no seu aspecto "substantivo", como incorporação da massa rural à vida moderna, seja pela difusão do sindicalismo e dos direitos a ele associados, seja pela reforma agrária à custa do latifúndio improdutivo. E todo esse movimento ocorria no quadro da legalidade de 1946 - uma legalidade formal, que, no entanto, não convinha subestimar e significava um acréscimo decisivo na qualidade da democracia: no modo de entendê-la e de praticá-la.

O avanço da questão formal da democracia na cultura comunista se daria, paradoxalmente, nas duras condições da nova clandestinidade imposta em 1964. Um avanço que também decorria, entre outras coisas, da verificação dos resultados inesperados da modernização conservadora, como a diversificação da sociedade civil e a imposição da centralidade da política democrática para a derrota do regime militar.

Não é certo, contudo, que esse novo patamar da "questão democrática"se tenha generalizado na esquerda. Seu partido hoje hegemônico, de certa forma, esteve alheio a tais desdobramentos desde as origens. Como sabemos, não importava muito a política de "frente ampla" aos olhos de jovens quadros sindicais, para quem a CLT é que era "o AI-5 dos trabalhadores". Frase forte, emblemática, que se converteria numa política em que o dado bruto do social - das corporações e seus interesses - seria sistematicamente confrontado com o político e suas instituições. Estas, de resto, como o Parlamento, seriam apenas o palco por excelência de três ou quatro centenas de "picaretas", dispostos, como numa feira livre, em tabuleiros de compra e venda.

Se este argumento fizer sentido, voltamos a viver outro momento decisivo na história da esquerda. Mais uma vez se requer a atualização da sua cultura ou, para utilizar um termo em circulação, a própria refundação dessa mesma cultura, de seus procedimentos e de suas categorias. A independência dos Poderes, a autonomia do Ministério Público, a livre dialética parlamentar, bem como uma sociedade civil desembaraçada de tutela estatal e de toda mitologia salvacionista são traços inelimináveis de qualquer vida associada sob o signo da liberdade.

A esquerda não deveria "sofrer" a democracia, como se fosse concessão penosa e temporária aos "inimigos do povo", mas promovê-la, ao lado de outras tendências, inclusive moderadas e conservadoras, como conquista de civilização. Ou, ainda, deveria entender a democracia não como caminho para o socialismo, mas o próprio caminho do socialismo, se formos capazes de retirar deste último conceito a aura de autoritarismo que persistentemente o ronda.

Caravana socialista - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 31\10


Eduardo Campos será a estrela de um encontro nacional de prefeitos que o PSB fará em Brasília no fim de novembro. Na ocasião, a direção vai falar aos eleitos sobre a necessidade de criar "marcas de gestão que ajudem a dar uma cara nacional ao partido", diz o governador Renato Casagrande (ES). Paralelamente ao esforço de consolidação de imagem, Campos reafirmará a Dilma Rousseff e Lula o apoio ao governo, mas sem fechar nenhum compromisso de aliança para 2014.

Pai... O governador de Pernambuco reparou que Guido Mantega (Fazenda) encampou como sendo do governo a ideia de parcelar o DPVAT, seguro obrigatório de carros e motos, proposta que advoga desde 2010, ainda na gestão de Lula.

... da matéria Campos já tratou do assunto em carta a Dilma e em audiência com o próprio ministro. A argumentação é que, ao dividir a cobrança, o governo ajuda Estados a arrecadar mais com IPVA, pois muitos contribuintes deixam de licenciar o carro porque não podem pagar a parcela única do seguro.

Mediador Lula deverá comparecer ao encontro programado para a próxima terça-feira entre dirigentes do PT e PMDB, no Palácio da Alvorada. O evento foi convocado por Dilma para rediscutir a relação com as duas siglas.

Tô dentro A interlocutores, Gabriel Chalita mostra disposição de abrir mão de candidatura majoritária em 2014 para assumir um ministério. O destino mais provável do peemedebista é a pasta da Ciência e Tecnologia, hoje ocupada por Marco Antonio Raupp, de perfil técnico.

Timing Integrantes do governo defendem que as mudanças na Esplanada ocorram antes da eleição das Mesas no Congresso. Querem evitar que o PMDB, favorito para comandar Senado e Câmara, ganhe força para pleitear pasta mais robusta.

Alma lavada Absolvidos pelos STF no mensalão, os ex-deputados Professor Luizinho (SP) e Paulo Rocha (PR) foram festejados ontem durante comemoração do PT na Câmara. Ao presidente nacional petista Rui Falcão, Luizinho brincou: "Agora na foto vão dizer que é o presidente do PT com o ex-mensaleiro".

Outros 500 Aliados de Fernando Haddad enxergam uma diferença entre a transição atual e a dos governos Celso Pitta-Marta Suplicy. Na época, ante o desgaste do ex-prefeito, foi fácil substituir cargos de confiança. Agora, com a aproximação entre Gilberto Kassab e o PT, articuladores admitem que será necessário manter muita gente.

Sexo forte Quem atuou no QG de Haddad tem certeza de que a primeira-dama, Ana Estela, terá papel ativo nas áreas de saúde e social.

Mesa para dois Um dia depois do discurso em que admitiu a derrota, um abatido José Serra jantou na noite de anteontem com seu filho Luciano no restaurante Arturito, em Pinheiros. Não foi incomodado pelos clientes e saiu por volta da meia-noite.

Correio elegante Em telefonemas e e-mails, Serra repreende tucanos que abraçaram o discurso da renovação do partido. Para ele, ao adotar essa retórica, o PSDB "se curva à estratégia do PT".

Na pele Em seu Twitter, Soninha Francine (PPS) prometeu tatuar Lula "com boné do Corinthians" caso Haddad inicie 10% das obras do Arco do Futuro em quatro anos.

Fla-Flu Apesar da simbólica derrota na capital, o PSDB-SP celebra o placar do confronto direto com o PT: o partido tomou 16 cidades administradas pelos rivais, somando 855 mil eleitores. Petistas assumirão 13 prefeituras mantidas por tucanos.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio

"Kassab cumpre bem o papel de quinta coluna e cupim dos tucanos. Menos de 24 horas depois da eleição, aderiu a quem já servia."

DO SECRETÁRIO PAULISTA DE ENERGIA, JOSÉ ANÍBAL (PSDB), sobre a aproximação do prefeito paulistano com o PT logo após o segundo turno.

contraponto

Doce vingança

Durante visita ao Senado para tratar de projetos da sua pasta, a ministra Marta Suplicy (Cultura) esbarrou nos ex-colegas da Comissão de Educação, Cultura e Esporte. Antes de ir para a Esplanada, Marta foi vice-presidente do Senado e comandou sessões na ausência de José Sarney (PMDB-AP). Comandando a mesa, o senador Paulo Bauer (PSDB-SC) lembrou uma característica da petista ao afirmar que, durante várias ocasiões, teve sua fala interrompida por ela após estourar o tempo regimental.

-Agora pode ser minha chance de dar o troco!- disse, arrancando gargalhadas dos senadores.

A hegemonia paulista - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 31\10

O PT do Nordeste, o grande derrotado nas eleições, teme ser transformado em moeda de troca para atender aos interesses do PT paulista. Os nordestinos receiam ser sacrificados em favor da candidatura de Luiz Marinho ao governo de São Paulo e da reeleição da presidente Dilma. O chororô foi a tônica, ontem, da reunião de senadores do PT com o presidente do partido, Rui Falcão.

Petistas reclamam de Lula
Com pretensões de disputar os governos de seus estados em 2014, os senadores Wellington Dias (PI), Humberto Costa (PE) e Walter Pinheiro (BA) reclamaram da falta de apoio e de solidariedade do ex-presidente Lula e da presidente Dilma nas eleições das capitais. Eles esperavam que Lula, a exemplo do que fez em São Paulo, e a presidente vestissem a camiseta, não se limitando a comparecer a um ou outro comício. Enfraquecidos, esses petistas avaliam que as candidaturas do partido aos governos do Nordeste ficarão sujeitas aos acordos nacionais que o PT paulista vai costurar, em função de seus interesses, com o PSB, o PMDB e o PDT.

“Agora sou ex-deputado e ex-mensaleiro!”
Professor Luizinho
Ex-deputado do PT (SP), absolvido pelo STF no processo do mensalão

Sem barganha
O presidente do PSB, governador Eduardo Campos, mandou um recado ao partido: nada de pedir ministérios e cargos no governo na reforma que a presidente Dilma vai fazer. Não quer que esses pedidos virem moeda de troca no partido.

Ganhar tempo
A presidente Dilma gostaria de adiar a votação do projeto dos royalties do petróleo. O governo ainda não fechou sua proposta sobre o uso da receita do petróleo. Educação quer 100% da parte da União. Defesa, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia não aceitam. Além disso, não há certeza de que estão garantidos os direitos do Rio e do Espírito Santo.

Agindo na surdina
O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), torce pela candidatura do deputado Júlio Delgado (PSB-MG) à presidência da Casa. Na contramão do acordo Planalto-PT-PMDB, aposta na confusão para virar o candidato da terceira via.

O ministério dos sonhos do PSD
O PSD quer o presidente do partido, o prefeito Gilberto Kassab, como ministro das Cidades. A pasta é considerada estratégica para o PSD crescer nos municípios, tendo em vista o pleito de 2014. Mas, se não conseguirem desalojar o PP, do ministro Aguinaldo Ribeiro, o alvo seguinte é Transportes, ministério que uma parcela do PR não reconhece como sendo do partido.

Queda de braço
Impasse no Planalto está adiando o lançamento do programa de concessão dos portos. Uma ala é contra as renovações, mas quer abrir uma janela para a Petrobras. A outra é contra a "medida de exceção" que beneficia a Petrobras.

Construir um palanque no Rio
A oposição concluiu que terá uma árdua tarefa no Rio: construir um palanque competitivo para a candidatura de Aécio Neves (PSDB). O vice Pezão (PMDB), o senador Lindbergh (PT) e o deputado Garotinho (PR) estão fora dos planos.

A PRESIDENTE DILMA marcou jantar, na próxima terça-feira, no Alvorada, com o ex-presidente Lula e as direções do PT e do PMDB. Em pauta: 2014.

Leilões - ANTONIO DELFIM NETTO


FOLHA DE SP - 31\10
O Prêmio Nobel de Economia de 2012, atribuído a dois brilhantes microeconomistas, Lloyd Shapley e Alvin Roth, tem um significado especial para a recuperação do prestígio da profissão, fortemente abalado pelo formidável fracasso de muitos "especialistas" na teoria monetária.

Estes envolveram-se na destruição da regulação do sistema financeiro construída -nos anos 30 do século passado- para prevenir as patifarias que aquele estatuto controlou por mais de quatro décadas.

Maria Antônia de Oliveira, brilhante economista brasileira, hoje professora da FEA-USP e colaboradora de Alvin Roth em vários trabalhos, deu uma definição de suas finalidades altamente relevantes para o momento atual da economia brasileira.

Afirmou ela (numa transcrição livre, conveniente para meu objetivo neste "suelto"), que um dos objetivos da teoria que tem sido matéria de estudo de muitos pesquisadores é o "desenho dos mercados".

A ideia é tentar entender mais detalhadamente as regras dos mercados para colaborar na sua organização, ou "consertálos" quando eles quebram...

Por que a relevância? Porque ela tangencia o mais importante problema que o governo brasileiro tem que enfrentar para poder utilizar o capital e a eficiência do setor privado para acelerar os investimentos em infraestrutura: a construção de leilões eficientes, capazes de obrigar os competidores a revelarem "tudo o que sabem" e, afinal, determinar o vencedor capaz de assegurar a prestação do melhor serviço presente e garantir os investimentos futuros para mantê-los (definidos pelo poder concedente) à menor taxa de retorno (aceita no leilão pelo concessionário).

Este é o momento para a administração pública socorrer-se do imenso progresso da teoria dos leilões.

Deveria ser evidente que, em muitos casos, o excesso de voluntarismo nos tem levado a políticas e concessões que não fecham, particularmente, por exemplo, no setor do petróleo, onde as oportunidades que nos oferece Pré-sal para acelerar o desenvolvimento econômico do país estão sendo dramaticamente retardadas.

Agora, com a grande decisão da presidente Dilma de reconstruir a empresa de logística entregue a um excelente profissional treinado no velho Geipot e a disposição de acelerar e ampliar as concessões de infraestrutura ao setor privado, é a oportunidade do governo de aproveitar o saber acumulado em nossa academia na constru-ção de leilões eficientes, em lugar de insistir na burocracia bem intencionada, mas amadora na teoria dos leilões.

Isso não se faz, Arnesto - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 31\10


Em vez de forçar os números para mostrar o cumprimento das metas das contas públicas, o governo Dilma podia ter atendido à sugestão do Samba do Arnesto e "ter ponhado um recado na porta" para dar alguma satisfação à sociedade. "Ansim: sinto muito, não deu pra esperá..." etc., e tal.

Ao longo de todo o ano, prometeu que a meta cheia do superávit primário de 3,1% do PIB seria religiosamente observada e, a cada Ata do Copom, o Banco Central assinou em cruz.

O superávit primário (sobra de arrecadação para pagamento da dívida) é um dos pilares da política econômica e um dos principais fatores cuja observância (relativa) permitiu a queda dos juros básicos (Selic).

Qualquer um compreenderia que, em plena crise global - a mais séria desde os anos 30 -, num ano eleitoral e de baixa atividade econômica (crescimento do PIB de 1,5%) e, portanto, de arrecadação mais baixa, certas metas não tinham mesmo como ser cumpridas à risca. Além disso, para estimular o consumo, o governo elevou as renúncias tributárias, o que também derrubou a arrecadação. Afinal, contados acertos e erros, o governo não está conseguindo entregar o prometido.

No entanto, em vez de assumir, em caráter excepcional, essa quebra de compromisso, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, prefere manter as aparências. Opta insistir em que tudo será como combinado, mesmo que tenha de sujeitar as estatísticas a contorcionismos de certa atrocidade.

O governo tem forçado estatais, especialmente o BNDES e a Caixa Econômica Federal, a adiantar a distribuição de dividendos para o Tesouro, compensada, em boa parte, com transferências de títulos públicos. E, como já aconteceu, empenhos de verbas normalmente entendidos como despesa passaram a ser considerados "investimento público".

Outras metas da política econômica do governo Dilma foram várias vezes revistas neste ano. Entre elas, a dos juros básicos, que começou sendo de um dígito (abaixo de 10% ao ano) e acabou aprofundada para 7,25%. O crescimento econômico (avanço do PIB) principiou o ano em 4,5%, mas, depois, foi sucessivamente ajustado para baixo. Deve terminar à altura do minguado 1,5%. Também a convergência da inflação para o centro da meta de 4,5% no ano-calendário foi deixada para trás. O Banco Central passou a ser bem mais tolerante com ela e deixou-a para mais adiante, "de forma não linear". Não dá para entender por que as autoridades da área fiscal continuam teimando com o superávit primário de 3,1% do PIB quando ficaram, digamos, incapacitadas de perfazê-lo.

O resultado é o que foi divulgado ontem pelo Banco Central: até setembro, o governo realizou menos de 60% da meta já revisada, de R$ 97 bilhões.

O maior prejuízo desse comportamento é a perda da capacidade do governo de mobilizar os agentes econômicos nos planos de crescimento. Quando, por exemplo, a presidente Dilma voltar a reunir a nata do empresariado e lhes pedir a liberação do espírito animal e a puxar pelos investimentos, eles vão argumentar que não dá para acentuar a dedicação quando o governo não só deixa de entregar o que promete, como também não reconhece que as coisas não estão saindo como o planejado. Ou seja, "na outra vez nóis num vai mais".

Tempestade na costa - MÍRIAM LEITÃO

O GLOBO - 31\10


Na economia, tudo vira uma medida. Sendo assim, aqui vai: a supertempestade Sandy ainda não está completamente calculada, mas pode ficar em 20% do Katrina. Pouco, portanto, mas são US$ 20 bilhões de perdas econômicas. Sem falar no custo para as empresas de seguro, que será maior do que o furacão Irene de agosto do ano passado, que foi de US$ 4,5 bilhões.

As máquinas de calcular das várias consultorias especializadas em estimar riscos estavam a todo o vapor ontem. A Eqecat avalia entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões as perdas dos bens segurados, o que se transforma em custo para as empresas seguradoras, e de US$ 10 bilhões a US$ 20 bi as perdas econômicas. A Capital Economics fecha em US$ 20 bi o custo total e lembra que o tsunami no Japão causou prejuízo de US$ 200 bilhões, e o furacão Katrina, de US$ 100 bi. A IHS Global Insight acha que só as perdas econômicas podem chegar a US$ 30 bilhões. Não há consenso, é cedo.

Nova York continuou com lojas, bancos e bolsas fechadas. Mas hoje as bolsas devem reabrir. A cidade ainda deve ficar mais uns dias sem metrô, a falta de luz se espalhou para mais consumidores, e isso afeta inclusive a capacidade de trabalhar remoto - uma possibilidade que a tecnologia permite. A ONU pediu desculpas por estar com seu site, e seu sistema, fora do ar, por falta de energia. Telefonia celular nem sempre pode substituir o fixo, por falta de energia ou por eventos como a sede da Verizon, que fica na parte baixa de Manhattan, atingida pela inundação. Terminais de portos e aeroportos fechados na Costa Leste estão afetando diretamente a cadeia de suprimentos.

O evento está em curso e ele tem efeitos econômicos e políticos. Faltando dias para as eleições americanas, as candidaturas estão congeladas, e o presidente Obama, exposto em sua capacidade de resposta diante de uma crise complexa. Por outro lado, o jornal "New York Times", que já anunciou que apoia a reeleição de Obama, fez um duro editorial contra o candidato republicano, Mitt Romney.

Em seu primeiro debate nas primárias do seu partido, Romney afirmou que não apenas era a favor de se devolver aos estados as funções de responder aos desastres e emergências, como disse que iria além: melhor seria privatizar esse serviço.

É preciso ser insensato para pensar em entregar para empresas a gerência de crises nas quais precisam ser mobilizados vários serviços públicos. A Agência Federal de Gerência de Emergências (Fema), foi criada pelo presidente Jimmy Carter, fortalecida na hierarquia federal por Bill Clinton, neglicenciada por George Bush. O candidato a vice na chapa de Romney, Paul Ryan, é autor de cortes nos gastos da agência que vão a 43%.

Eles não acreditam em mudança climática, sendo assim, no seu horizonte, não está o alerta que tem sido feito por nove em cada dez climatologistas - fazendo a conta por baixo - de que esses eventos ficarão mais extremos e mais frequentes. A ideologia, neste caso, é perigosa, exatamente porque se não houver sistema de prevenção forte, e de resposta a eventos como este, eles provocarão mais mortes e prejuízo.

Há economistas falando que depois da tempestade virá o impulso econômico da reconstrução e que novos empregos serão gerados e mais atividade vai acontecer. Por outro lado, teme-se que as vendas fiquem mais fracas no Natal porque os consumidores atingidos estarão mobilizando seus recursos para reparar estragos ou se proteger contra acontecimentos como este. O fato é que desastres naturais vêm e passam, o problema é que ocorrerão com mais frequência, o que torna a economia um terreno cada vez mais instável e imprevisível.

Dilma no meio do caminho - ROLF KUNTZ


O Estado de S.Paulo - 31\10


A presidente Dilma Rousseff completará dois anos de mandato com a economia em marcha lenta, inflação acima da meta, contas públicas em pior estado, exportações fracas, investimentos federais emperrados e infraestrutura em deterioração. Nenhuma explicação oficial basta para disfarçar a frequência dos apagões nem o fracasso na execução de investimentos no setor elétrico (no primeiro semestre, a Eletrobrás só aplicou 20,8% do total previsto para o ano). A gestão federal continua ineficiente, mesmo depois da faxina em vários ministérios, porque o loteamento foi mantido. A presidente exacerbou o voluntarismo, pressionando a política de juros, e manteve o uso das estatais para a execução de políticas estranhas a objetivos empresariais. Um reajuste de 15% para os preços dos combustíveis era um dos pressupostos do plano de negócios da Petrobrás apresentado em junho, lembrou o diretor financeiro da companhia, Almir Barbassa. Os reajustes foram menores, apesar da necessidade de caixa. Prevaleceu a ideia de frear a inflação por meio da contenção de alguns preços. Mas o governo insistiu na redução dos juros básicos e aceitou a manutenção, por mais alguns anos, da meta de inflação de 4,5%, muito alta pelos padrões internacionais. Talvez nem esse nível seja alcançado nos próximos dois anos. Ao mesmo tempo, a administração agrava a promiscuidade entre as políticas fiscal e de crédito, endividando o Tesouro para reforçar a caixa dos bancos federais. Cada lance desse tipo confunde objetivos, agrava problemas fundamentais, dificulta as ações corretivas e reduz o espaço da política econômica.

Na falta de resultados concretos, sobra a retórica. É esse o recurso do pessoal da Fazenda, por exemplo, para tornar menos feia a apresentação das contas públicas. Segundo o secretário do Tesouro, Arno Augustín, o governo resolveu dar prioridade ao crescimento. A arrecadação decepcionante é explicável em parte pelo baixo dinamismo econômico - especialmente da produção industrial - e em parte pelos estímulos concedidos a alguns setores e prorrogados até o fim do ano. A justificativa pode parecer boa, à primeira vista, mas a impressão favorável dura pouco.

A expansão da economia será um fiasco pelo segundo ano consecutivo. As projeções, incluída a do Banco Central, estão na vizinhança de 1,6%, resultado miserável, depois dos 2,7% de 2011. Não dá para explicar esse quadro só como consequência da crise global. Outras economias emergentes, incluídas algumas da América Latina, como a colombiana, a peruana e a chilena, estão bem mais vigorosas que a brasileira.

Mas vale a pena discutir a própria política de estímulos. Há algo errado nas manobras do governo para impulsionar a atividade econômica. O Executivo tem apresentado três linhas de ação na área fiscal - expansão dos investimentos do setor público, incentivos ao setor privado e aumento de recursos para os bancos federais.

A política de incentivos tem sido prejudicada por um engano evidente na escolha do alvo. Desde o ano passado o governo tem estimulado o consumo, por meio de corte de impostos e de aumento do crédito, mas a resposta da maior parte da indústria de transformação tem sido decepcionante. Projeções indicam uma contração do produto industrial neste ano e uma recuperação moderada em 2013, embora os consumidores tenham continuado a ir às compras. Parte do estímulo, como já foi mostrado com números do próprio governo, resultou apenas em mais importações. Há um inegável erro de enfoque, porque só alguns segmentos da indústria foram alcançados pelos estímulos.

A política de investimentos é quase sempre um poderoso estimulante, em épocas de crise, mas, o governo precisaria de muito mais competência para usar esse recurso de forma produtiva. De janeiro a setembro, segundo os dados oficiais, o Tesouro investiu R$ 45,2 bilhões, 23,3% mais que nos meses correspondentes de 2011. Esse total inclui os R$ 24,3 bilhões investidos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), valor 35,1% maior que o de um ano antes.

Mas boa parte desses desembolsos, como sempre, foi de restos a pagar. A administração federal continua incapaz de aplicar as verbas orçamentárias do ano. O governo tem sido, na administração direta e na indireta, um investidor inepto. Até outubro, 310 ações do PAC estavam paralisadas, segundo levantamento da organização Contas Abertas. A União e as estatais deveriam tocar neste ano 651 ações, no valor de R$ 116 bilhões. Desembolsos do Executivo, do Legislativo e do Judiciário até setembro e das estatais até agosto somaram, no entanto, apenas R$ 63,3 bilhões. Sobra voluntarismo, falta competência e os erros da atual gestão acrescentam-se aos do governo anterior. Os apertos da Petrobrás, forçada a se livrar de ativos no valor de US$ 14,8 bilhões, simbolizam claramente esse acúmulo de erros.

O 'JT' sai de cena - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 31\10


O Jornal da Tarde (JT) sai de cena hoje para entrar para a história do jornalismo brasileiro na muito rarefeita categoria das utopias realizadas.

Foi fruto de uma conjunção de fatores tão improvável quanto a emergência da primeira onda planetária de contestação, a mobilizar toda uma geração semiconectada e que se materializava justamente na revolução da linguagem das comunicações, de um raro hiato na sucessão costumeira de crises que criaram um ambiente econômico excepcionalmente favorável ao Brasil e à indústria do jornalismo impresso, então no seu apogeu histórico, e do feliz casamento entre a vontade de inovar de uma empresa solidamente consciente do valor da função institucional, sem a qual o jornalismo não faz sentido, e a capacidade de uma geração que fez história no jornalismo brasileiro de executar esse desafio com o mais alto grau de talento e qualidade.

Foi este o pano de fundo contra o qual intenção, acaso e necessidade, nas suas imprevisíveis tramoias dialéticas, acabaram por proporcionar se não a suspensão, ao menos um inédito afrouxamento da contradição essencial entre o meio e a mensagem; entre o ritmo do pensamento e os imperativos da indústria e da logística que delimitavam as fronteiras da qualidade possível no jornalismo impresso.

O mais importante insumo da revolução estética, de comunicação e jornalística que foi o Jornal da Tarde foi o tempo de processamento, luxo que pouquíssimos jornalistas da presente geração alguma vez puderam desfrutar no exercício da profissão.

Desenhado para chegar às bancas no início da tarde, o JT pôde, na primeira metade de sua vida, dar-se ao luxo de funcionar na velocidade das ideias e concentrar-se com o necessário vagar no tratamento dos fatos, na avaliação do seu significado e na sua apresentação em imagens e palavras nunca antes tão cuidadosa e competentemente trabalhadas na história da imprensa brasileira.

E o efeito foi brilhante. Enquanto reformava o passado, o JT pôs também um pé no futuro ao reinterpretar a essência do jornalismo, que é a função de captar os pleitos difusos da sociedade, interpretá-los, dar-lhes forma legível e, assim, precipitar reformas, ao saltar da fronteira então estabelecida da mera crítica e da sugestão para o território ainda virgem da mobilização direta do público e da interferência física sobre o aparelho de decisão política nas suas memoráveis campanhas.

No momento em que não só o jornalismo, ferramenta essencial da democracia, mas o pensamento escrito como um todo se debatem novamente numa crise que é, essencialmente, uma crise universal de desajuste de velocidades, vale a pena nos determos mais uma vez nesse aspecto que, para o bem e para o mal (quando a vantagem do tempo de processamento lhe foi suprimida), definiu a história e a trajetória do Jornal da Tarde.

A inteligência humana e a civilização só puderam se desenvolver quando o sucessor do macaco se organizou o bastante para não ter mais de dedicar 100% do seu tempo a correr atrás de comida ou fugir dos predadores. Era este o mundo que lhe tinha sido dado.

Passados 200 mil anos de luta, vamos, de certa forma, recriando, agora voluntariamente, aquela mesma situação. E as modernas ferramentas de comunicação estão no centro desse estranho processo de regressão.

A submissão acrítica ao fascínio da velocidade sem rumo devolve a humanidade a uma crescente incapacidade de pensar e vai reduzindo a vida a uma sucessão de reações automatizadas de sobrevivência onde somos nós que, em bando, servimos às máquinas e não elas que nos acrescentam à individualidade, à segurança e ao conforto material ou espiritual.

Superar a barbárie e dar a cada homem as rédeas do seu próprio destino é o objetivo da democracia. O jornalismo está a serviço dela e esta, há 137 anos, tem sido a casa do jornalismo.

É nossa a responsabilidade, agora discutindo o papel central que nós próprios temos tido na construção dessa nova Babel, de contribuir para deter essa voragem e devolver aos homens o grau possível de controle sobre suas vidas.

O JT fez parte desta obra ao abrir novos caminhos. Cabe-nos continuar a percorrê-los.

Uma vinheta da eleição paulistana - ELIO GASPARI


O GLOBO - 31\10


FHC tem razão, o PSDB precisa se renovar, porém o problema não está nas pessoas, está nas ideias

Em agosto, quando o candidato Fernando Haddad prometeu a criação de um Bilhete Único Mensal, pelo qual o cidadão poderia comprar um passe livre para os ônibus municipais, a marquetagem tucana acusou-o de propor uma taxa, um "bilhete mensaleiro".

Dividia-se o eleitorado em dois grupos. Um, que já foi a Londres, Nova York ou Paris e sabia que esse tipo de bilhete com um desconto não é uma taxa, pois ninguém é obrigado a comprá-lo. Noutro grupo, estava a população que usa os ônibus. Para ela, bastava fazer a conta: se o novo bilhete custar R$ 150 e o cidadão fizer duas viagens por dia, a tarifa de R$ 3 cai para R$ 2,50.

Com o início da propaganda eleitoral gratuita, Haddad tinha 16% nas pesquisas, bem atrás dos 35% de Celso Russomanno, que sobrevivia ao raquitismo de seu tempo de exposição e de uma ofensiva de parte da hierarquia católica. Uma semana antes da eleição, o "fenômeno Russomanno" começou a evaporar. Na véspera, tinha 27% das preferências. Abertas as urnas, ficou com 22%, fora do segundo turno. O que houve? No final de setembro, Russomanno prometera a cobrança de tarifas diferenciadas nas viagens de ônibus. Simples assim: quem anda muito pagaria mais, como quem viaja muito é o trabalhador, lá vinha tunga. Até hoje a explicação mais convincente para a implosão de Russomanno está na migração dos eleitores mais pobres. Perceberam o perigo e saltaram.

O tucanato, que condenara o Bilhete Único Mensal, acordou e, no segundo turno, correu atrás, propondo a extensão da sua validade. Desde 2004, quando a prefeita Marta Suplicy foi a primeira a instituir essa modalidade de tarifa numa grande cidade brasileira, governantes e candidatos do PSDB olham para a iniciativa com cara feia. Primeiro, porque criticavam-na nos seus aspectos técnicos. Depois, porque ela parecia coisa do adversário. Acordaram com oito anos de atraso.

É uma exagerada temeridade atribuir o resultado eleitoral de São Paulo ao item do Bilhete Único, mas certamente ele foi um dos ingredientes do naufrágio, pela percepção oferecida ao eleitorado. No primeiro turno uma parte dele saltou de Russomanno porque o doutor queria cobrar mais caro pelas tarifas de quem fica duas horas no ônibus para chegar ao trabalho. Não se deve esquecer que os transportecas da prefeitura defenderam a instituição do pedágio urbano para veículos sobre pneus numa cidade em que a municipalidade nada cobra pelos pousos de helicópteros. Com uma cabeça dessas, um candidato tucano poderá ganhar a eleição em Fort Worth, no Texas, pois lá está a fábrica das aeronaves Bell.

A renovação de que o PSDB precisa e que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso vocalizou é de nomes, mas, sobretudo, de ideias. Não só de propostas novas, mas sobretudo de uma faxina nas velhas, demofóbicas. Os candidatos do PSDB deveriam ser obrigados a usar a rede de ônibus todos os dias, durante pelo menos uma semana. A experiência valeria mais que sete seminários com ex-ministros tucanos reapresentando ideias de um governo que acabou em 2002. Algo como barões do Império amaldiçoando a República em 1899, durante o governo Campos Salles.

A pegada hídrica - PAULO R.HADDAD


O ESTADÃO - 31\10

Algumas empresas brasileiras já estão incorporando, entre os seus indicadores de sustentabilidade, a pegada hídrica. Trata-se do mais avançado indicador de uso sustentável de água pelas sociedades, pelas corporações, pelos consumidores, etc. A sua origem intelectual está no início dos anos 1990, tendo passado por inúmeros aperfeiçoamentos técnicos e conceituais, coordenados principalmente pela ONU,visando a superar controvérsias sobre a sua aplicação nas políticas públicas e no planejamento estratégico empresarial.

O conceito de pegada hídrica é mais abrangente do que alguns indicadores parciais e tradicionais de perspectiva minimalista. Entre esses, destacam se: a relação entre a qualidade da água captada e a qualidade da água devolvida às bacias hidrográficas; o número de vezes que é reciclado um m³ de água extraída de uma bacia hidrográfica; etc.O conceito de pegada hídrica complementa a perspectiva analítica desses indicadores.

A maior abrangência da pegada hídrica se destaca por duas dimensões mais relevantes.Em primeiro lugar,considera três tipos de água: a verde, a azul e a cinza.A pegada hídrica verde contabiliza a água da chuva, incluindo a que é armazenada no solo e usada no processo produtivo, sendo posteriormente evaporada, ou transpirada pelas plantas ou animais, ou, ainda, e geralmente a menor parte, incorporada ao produto.

A pegada hídrica azul contabiliza a água superficial ou subterrânea que é usada no processo produtivo.E a pegada hídrica cinza contabiliza como uso de água o volume necessário para diluir a poluição gerada durante o processo produtivo e que é lançada em meio hídrico, de forma que a concentração resultante nesse meio esteja de acordo como limite de concentração adotado para cada substância poluente contida no efluente,de acordo com as metas de qualidade adotadas para o corpo hídrico receptor.

A segunda dimensão inovadora da pegada hídrica se refere a que este indicador observa não apenas o uso direto de água de um consumidor ou produtor, mas também o uso indireto de água para produzir todos os bens e serviços que compõem a estrutura de insumos do produto.Assim, a pegada hídrica de um produto é o volume de água doce usado para produzir o produto,medido em toda a sua cadeia produtiva. É um indicador multidimensional, mostrando os volumes de consumo de água por fonte e volumes poluídos por tipo de poluição. Todos os componentes de uma pegada hídrica total são especificados geograficamente e temporariamente.

Essa dimensão permite desmistificar o que denomino de farisaísmo ambientalista, pois,quando se calcula a pegada hídrica de uma agência bancária,de um centro de pesquisa ou de um resort turístico" sustentável"-atividades que se consideram não poluentes e ecologicamente amigáveis-, pode-se chegar a valores muito significativos em termos de um fator primário escasso que tem uso alternativo (no caso, a água). Ao calcular a pegada hídrica dessas atividades por meio da avaliação do ciclo de vida dos produtos através de uso indireto de água desconectado do consumo final, chega-se ao que se denominam recursos hídricos ocultos ou disfarçados. A participação de economistas no cálculo da pegada hídrica,por meio de seus modelos de equilíbrio geral computáveis, permite definir com maior precisão a intensidade direta e indireta de água em diferentes bens e serviços.

É crescente, entre os principais líderes públicos e privados em escala mundial, a preocupação com a extensão e a magnitude que as organizações empresariais e os consumidores estão interferindo nos ciclos hidrológicos de países e regiões, frequentemente de forma não sustentável. Estima-se que há mais de 1 bilhão de pessoas no mundo sem acesso à água potável segura, e mais de 2 bilhões de pessoas sem acesso à água potável adequada para saneamento básico. O cálculo da pegada hídrica na linha de produção pode contribuir para tornar efetiva a responsabilidade social ampliada das grandes corporações.

Hora de decisão - RÔMULO SAMPAIO

O GLOBO - 31\10


No caso do amianto, o Estado brasileiro não pode coadunar com práticas que levem à exposição de todos a riscos de danos irreversíveis



Hoje é um grande dia para o Supremo Tribunal Federal. Em pauta, o julgamento da lei do amianto (processo número 9.055/1995).

Entenda o caso: o amianto é uma fibra mineral muito utilizada na indústria. No Brasil virou sinônimo da empresa que comercializa um dos seus derivados mais conhecidos: telhas Eternit.

Segundo a Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto há dois tipos de amianto: crisotila (branco) e anfibólios (marrom, azul e outros).

O primeiro, segundo a Abrea, corresponde a 95% de todas as manifestações geológicas do planeta.

A lei brasileira sobre o amianto, em seu artigo 1º, proíbe os anfibólios. O artigo 2º, por outro lado, permite o branco.

O estado de Goiás é o maior produtor. É grande interessado no julgamento.

A matéria não é inédita na Suprema Corte. Estados como Mato Grosso do Sul e outros já haviam tentado, via leis estaduais, suspender a comercialização do amianto branco em seus territórios.

O STF entendeu que lei estadual não pode contrariar lei federal. Mas não quer dizer que o resultado amanhã será o mesmo. Isso porque, em pauta, não está a lei estadual proibitiva, mas a própria lei federal permissiva do amianto branco.

Muitos países desenvolvidos já baniram o amianto. Alegam que não há níveis seguros de utilização.

Em sentido contrário, posicionam- se a indústria, o estado produtor e organizações de trabalhadores.

Eles defendem que os critérios de segurança da indústria do amianto são suficientes para evitar danos à saúde e ao ambiente.

Quem tem razão? No fundo, a questão é saber se o nível de risco socialmente aceito é matéria que deve ser de competência do Poder Judiciário.

O Supremo Tribunal Federal terá que decidir sobre a qual corrente científica vai se filiar.

Se entender que há evidências científicas suficientes para demonstrar a inexistência de níveis seguros, há um arsenal de normas constitucionais à sua disposição para declarar a inconstitucionalidade da lei do amianto.

Se entender que não, pode consignar que não compete à Suprema Corte arbitrar entre o que seria um nível seguro de exposição a determinada substância.

Não se pode perder de vista que, em caso de dúvida, vigora no direito brasileiro a regra da precaução.

Por declaração de inconstitucionalidade, por ato do Legislativo ou do Executivo, o Estado não pode coadunar com práticas que exponham trabalhadores, consumidores e o meio ambiente a riscos de danos irreversíveis e, no caso de doenças associadas ao amianto, demasiadamente cruéis.

Se dos autos os ministros do STF conseguirem enxergar as evidências, ou a falta delas, a inconstitucionalidade é medida que já vem tarde.

Eleições e futurologia - FERNANDO RODRIGUES


FOLHA DE S. PAULO - 31\10



BRASÍLIA - O mais divertido das eleições são os vaticínios peremptórios sobre seus efeitos futuros. Há vários e para todos os gostos.

O PT está predestinado a ganhar o governo de São Paulo em 2014. O PSDB afundou-se em crise irreversível. Eduardo Campos será candidato a presidente em 2014 ou 2018, pois o PSB é um dos grandes vencedores neste ano. O DEM está no fim, mesmo com a conquista de ACM Neto em Salvador. E Gilberto Kassab e seu PSD serão eternamente governistas.

Tudo isso pode estar certo. Ou não. Ninguém sabe. Não existe um algoritmo capaz de processar o resultado eleitoral e calcular com precisão o que ocorrerá daqui a dois anos.

O que há são dados objetivos do presente. Desde o final da ditadura militar, nunca um presidente da República viu durante seu mandato alguém do seu partido ser eleito prefeito de São Paulo. Dilma é uma exceção: ela e Fernando Haddad são do PT. Mas qual é o significado dessa curiosidade? Saberemos no futuro.

No final de 1987, só um maluco diria que dois anos depois Fernando Collor seria o primeiro presidente da República eleito pelo voto direto na nova fase democrática do país.

Em 1993, Fernando Henrique Cardoso fazia as contas sobre como se eleger deputado federal em 1994.

Em março de 1994, Luiz Inácio Lula da Silva liderava todas as pesquisas de opinião. Estava quase eleito presidente. No meio do ano, veio o Plano Real. FHC venceu em outubro.

No ano 2000, o PT analisava nomes para lançar a presidente em 2002. Lula estava desgastado. José Genoino e Cristovam Buarque eram as possibilidades mais citadas. Em 2008, Dilma era apenas uma aposta excêntrica de Lula para sucedê-lo.

É claro que as urnas em 2012 produziram vencedores e perdedores. Lula, o PT e o PSB saíram bem na foto. Todos os outros, com algumas variações, enfrentaram derrotas.

Mas nada garante que daqui a dois anos o cenário se repita. Ou não.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Não quero amolação da Polícia Federal na porta dele”
Paulo Abreu e Silva, advogado, entregando o passaporte do cliente Rogério Tolentino


ESCÂNDALO DAS FRAGATAS CITA MAIS UM BRASILEIRO
O ex-ministro da Defesa Nelson Jobim, que nega envolvimento, agora tem companhia no escândalo de corrupção na venda ao Brasil de 11 fragatas italianas: o ex-deputado tucano Mauro Campos (MG), que no governo FHC presidiu a estatal Transpetro, à qual hoje presta serviços com seu estaleiro Rio Nave. Ele foi citado no depoimento ao Ministério Público de Giuseppe Bono, ex-diretor da estatal Finmeccanica, que vendeu as fragatas. Mauro Campos seria “mediador” do negócio.

MÃO LAVANDO OUTRA
As reuniões citadas por Giuseppe Bono ocorreram em plena crise diplomática com a Itália pela extradição do terrorista Cesare Battisti. 

‘PRESENÇA’
Deputados ligados a Silvio Berlusconi sugeriram comprar 50% do estaleiro de Mauro Campos, para “garantir presença estável no Brasil”.

MUITO CARO
Giuseppe Bono contou que o valor do estaleiro de Mauro Campos era “desproporcional”, sugerindo que poderia ser parte da transação.

NAS PÁGINAS
A referência ao ex-deputado tucano Mauro Campos nas investigações, foi revelada primeiro pelo jornal italiano Il Messaggero.

RESISTÊNCIA
Joaquim Barbosa sente dores, mas enfrenta bem o tratamento de uma semana, até retomar, dia 5, o julgamento dos réus do mensalão.

MÉDICO DE JOAQUIM CUIDOU DO PAPA JOÃO PAULO II
O tratamento na coluna do ministro Joaquim Barbosa começou na segunda (29) em Dusseldorf (Alemanha). Relator do processo do mensalão e futuro presidente do Supremo, ele recebe aplicações de “prp” (plasma rico em plaquetas) administradas pelo mesmo médico que cuidou do papa João Paulo II e de atletas como Alex Roriguez, astro do beisebol, Kobe Briant (Lakers) e o golfista fijiano Vijav Singh.

INTRANSFERÍVEL
O ministro Joaquim pediu audiência para entregar pessoalmente a Dilma o convite para sua posse na presidência do STF, no dia 22.

‘MEUS AMIGOS’

Barack Obama cancelou a campanha de reeleição para monitorar a megatempestade Sandy. O candidato, no Brasil, distribuiria bolsa-boia...

LOBÃO DE VOLTA
O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) retoma a rotina na segunda (5), após contrair uma gripe muito forte, agravada pelo cansaço e a má alimentação, e uma pequena isquemia, que não deixou sequelas. Ficou no hospital para uma espécie de “dieta de engorda”, fortalecendo-se.

BUM!
Separado da mulher e ex-sócia, falido e ameaçado por décadas na cadeia, Marcos Valério é uma bomba-relógio: só não falou, porque negocia com o Supremo sua segurança pessoal se abrir a boca.

CAIXA BAIXA
Vai além da “recuperação da cidadania política” o empenho de petistas em emplacar a suplência de José Genoino na Câmara dos Deputados. Condenado no Supremo e deprimido, enfrenta problemas financeiros.

ELE DE NOVO
Está na boca do forno a decisão da Justiça Federal sobre o sumiço de cartilhas produzidas no governo Lula por R$ 12,5 milhões. São 20 os réus, entre eles o ex- presidente e o ex-ministro Luiz Gushiken. 

ESTADO TUCANO
No Pará, o governador Simão Jatene e o senador Flexa Ribeiro, ambos do PSDB, comemoram a vitória em Belém e outros municípios do Pará. O partido cresceu 150% no Estado, saltando de 13 para 32 prefeituras.

MUY COMPANHEIRA
Crítica ferrenha, quando está longe do governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), a deputada Erica Kokay (PT-DF) se derramou em elogios ao ser por ele recebida, ontem, com membros da CPMI que investiga a violência contra a mulher.

EXPANSÃO DO CRÉDITO
Enquanto a crise aterroriza o mercado financeiro lá fora, os setores público e privado debatem em Brasília, dia 7, novas formas de expandir o crédito de forma mais segura. O evento é organizado pela Cetip. 

DRUMMOND, 110
O poeta Carlos Drummond de Andrade completaria 110 anos nesta quarta (31). Nascido em Itabira (MG), o farmacêutico Drummond morreria 84 anos depois no Rio de Janeiro, em 17 de agosto de 1987.

PENSANDO BEM...
...a Bruxa Sandy começou a varrer mais cedo nos Estados Unidos. 

PODER SEM PUDOR

PRÊMIO A UM INCANSÁVEL
Reali Jr. e Giba Um eram jovens repórteres quando testemunharam um dos casos mais curiosos da política paulista. O governador Ademar de Barros oferecia uma recepção no Palácio dos Campos Elíseos quando um sujeito enganou a segurança, entrou na festa e suplicou:
- Doutor Ademar, me ajude: tenho dez filhos e estou desempregado.
- Dez filhos? - impressionou-se Ademar.
- Sim, senhor, dez.
O governador o chefe da Casa Civil, Artur Audrá, e brincou:
- Arrume um emprego para ele. Será o reprodutor oficial do Estado!

QUARTA NOS JORNAIS


Globo: A metrópole ilhada – NY: sem metrô, no escuro e alagada após o furacão
Folha: Um policial é morto a cada 32 horas no Brasil
- Estadão: ‘Não faço toma lá dá cá’, diz Haddad sobre apoios
Correio: Drible na lei acelera carteira de motorista
-Valor: Múltis brasileiras refreiam a expansão internacional
Estado de Minas: Obras de Confins estão nove meses atrasadas
Zero Hora: A tempestade de US$ 45 bilhões