sexta-feira, novembro 18, 2011

ESTAÇÃO NA ÁGUA - MÔNICA BERGAMO



FOLHA DE SP - 18/11/11

Situação de caos na Estação Ciência, da USP, um dos principais museus de SP: no feriado, o local teve que ser fechado para não colocar em risco a vida de visitantes e funcionários. A infiltração da água das chuvas tomou proporções consideradas "alarmantes" pela direção. Fiações, interruptores e tomadas estavam mergulhados na água. As pessoas foram retiradas do local.

AGENDA 1
Pior: a próxima exposição, com o acervo do Museu de Zoologia, pode ser adiada por falta de segurança. Nas atuais condições, a Estação Ciência não poderia garantir a preservação do acervo. Seriam necessárias reformas emergenciais no telhado, no muro de arrimo, no piso e em várias outras áreas do lugar.

AGENDA 2

O diretor do museu, Helio Dias, afirma que as chuvas foram "anormais". E diz que já pediu à pró-reitoria da USP reunião "emergencial" para tratar das reformas. "A universidade está com uma demanda superior à sua capacidade", afirma. "Sempre conseguimos ir tocando o museu. Dessa vez, infelizmente, não conseguimos aguentar."

AQUELE ABRAÇO

Torcedor do Santos, Gilberto Gil foi convidado pelo presidente do clube, Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro, para assistir ao último jogo do Peixe na Vila Belmiro neste ano. Ele verá a partida contra o Bahia, no dia 27.

RODÍZIO DE PEIXE

E o Santos jogará com o time reserva no domingo, contra o Coritiba, no Paraná. Os suplentes têm entrado em campo devido à preparação para o Mundial de Clubes da Fifa, em dezembro.

NEGÓCIO FECHADO

A Ejesa (Empresa Jornal Econômico S/A) concluiu na última sexta a venda do prédio do jornal "O Dia", na rua do Riachuelo, no Rio.

LUZ NA PASSARELA
As modelos Natalia Schueroff e Carola desfilaram a coleção Fashion Five, da Riachuelo, anteontem, na Casa Fasano. O empresário Flavio Rocha com a mulher, Anna Cláudia, e a estilista Clô Orozco conferiram a apresentação.

SÍNDICO DA VILA

Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro lançou sua candidatura à reeleição para a presidência do Santos Futebol Clube com festa no bar Seu Domingos, na Vila Madalena, em São Paulo, anteontem. Os advogados Mario Covas Neto e Luiz Bueno estiveram presentes.

TROCA DE SAIA

A atriz Camila Morgado deixará o programa "Saia Justa", do GNT, em março de 2012. Ela será protagonista da próxima novela das nove da Globo.

CONVERSÊ

Maria Rita, que acaba de lançar o CD "Elo" pela Warner, está conversando com a gravadora Universal.

FILME À VISTA

O livro policial "O Mistério do 5 Estrelas", de Marcos Rey, da "Coleção Vagalume", deve virar filme em breve. A produtora RT Features comprou os direitos da obra, que já teve 6 milhões de exemplares vendidos.

HERMANOS

A ministra Ana de Hollanda, da Cultura, e Galeno Amorim, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, assinaram convênio em Buenos Aires nesta semana para tornar acessível aos argentinos documentos sobre seu país. Entre os papéis de posse brasileira, estão manuscritos e planos sobre a fundação de Buenos Aires e mapas das ilhas Malvinas.

FAÇA UMA PRECE

O livro "Um Show em Jerusalém - O Rei na Terra Santa" (Globo Livros), de Léa Penteado sobre os bastidores do show de Roberto Carlos em Jerusalém, será lançado no dia 23, em SP. A obra traz uma entrevista que o Rei deu ao jornal israelense "Yedioth Ahronoth". O cantor conta que reza, "mas não só nas horas difíceis, rezo todos os dias. Peço mais para os amigos, parentes. Peço proteção e agradeço".

CURTO-CIRCUITO
A balada Sem Loção encerra hoje, às 23h, sua temporada 2011. 18 anos.

André Mehmari faz o recital de piano "O Brasil Não Existe", hoje, às 21h, no Theatro Municipal. Classificação: livre.

O trio francês Yelle se apresenta na quarta, às 23h, no Beco 203. Classificação etária: 18 anos.

A ONG Ação Comunitária promove hoje o Torneio Beneficente de Golfe, na Quinta da Baroneza.

O Prêmio RBS de Empreendedorismo e Inovação será entregue hoje no Centro Britânico Brasileiro.

A percussionista Simone Sou fará pocket show do CD "Sim One Sou", na Livraria da Vila dos Jardins. Amanhã, às 21h. Gratuito.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

Basta um momento de suprema felicidade - IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO


 
O Estado de S.Paulo - 18/11/11

Terminei de ver o filme do Jabor pensando: pois é, este é um dos filmes que eu queria ter feito. Sempre tive um mundo de filmes na cabeça, nenhum deles realizado. Ficaram guardados enquanto eu esperava a chance de ser diretor. O diretor que nunca fui e, talvez, nunca serei. Tem jeito de Oito e Meio esta afirmação? Onde me desviei do sonho de fazer cinema?

Nos últimos tempos vi dois filmes que eu deveria/poderia ter feito. Sobre um deles, já falei, é o de Woody Allen, Meia-Noite em Paris. O outro é este Suprema Felicidade, do Jabor. Dia desses, depois do almoço anual dos cronistas do Estado, saí num táxi com o Jabor, já que somos vizinhos. No caminho, a conversa deslizou para o filme dele, que eu não tinha visto. Quando foi lançado, eu não estava em São Paulo. Depois, bem depois os exibidores tiraram de cartaz e ficou por isso. Claro, essa indiferença dos exibidores provocou uma (justa) mágoa no diretor.

Quando indaguei: "Saiu em DVD?", ele respondeu: "Não apenas saiu, como vou te dar um". Passei pela casa dele, apanhei o DVD e corri para meu apartamento. Meio da tarde, eu não queria sentar-me ao computador, estava ansioso, fiz o filme rodar.

Desgraçado, esse Jabor! A palavra não tem o tom da maldade, de rogar praga, é minha expressão de afeto. Pois ele fez o filme que está (estava) na minha cabeça. Recuperou por meio de um personagem, que vai dos 4 aos 20 anos, toda uma época, que foi dele e também minha. Sei, passa-se no Rio de Janeiro, mas também aconteceu em Araraquara, Bauru ou Marília. O Brasil era igual, lento. Uma coisa menos complicada, mais ingênua, com pouca informação, com pureza e sacanagem, com ideais, sonhos e muitos desejos.

Não invejei o avô do menino (vivido magistralmente por Marco Nanini), porque tive um avô, que, se não era "zoneiro", ou seja, de farrear na zona, ou bordel, tocando trombone de vara, era um avô que me encantava ao produzir em sua marcenaria móveis, brinquedos, caixas de relógio de parede; esculpia cavalos, me levava ao campo para caçar içás.

Quem não teve um pipoqueiro safado a nos gozar, perguntando se tínhamos pegado nos peitinhos das meninas? Quem não teve uma proibidíssima revista de mulheres peladas? A nossa se chamava Paris Hollywood, impressa em sépia e com os pelos das mulheres escamoteados, de modo que pareciam manequins de vitrine. Mesmo assim, excitavam! Nos meus 18 anos, sensacional era o cabaré que ficava em São Carlos, exatamente onde é a UFSCAR hoje.

Ah, caro Jabor, você foi buscar no fundo de você, mas mexeu comigo, com todos nós, sem fazer um filme nostálgico, sem dizer que naquele tempo é que era bom. Disse apenas: naquele tempo era assim, tinha lágrimas e risos. Você teve sua Marilyn, eu também. Nós, de Araraquara, tínhamos a Rosicler, loira, provocante, sedutora. Ou a Cotuba tão livre, independente, na dela, indiferente aos diz-que-diz-ques. E olhe o acaso. Falo de Rosicler e Marilyn em meu livro Acordei em Woodstock, o mais recente, saiu há três semanas.

E o teatro-revista, e a escola? Naquele tempo já existia o bullying, só que não precisavam convocar o diretor, o orientador pedagógico, os pais, as testemunhas, o psicólogo, essa doideira toda. Tinha sujeito que apanhava, apanhava, até que um dia, ele batia, batia. Tudo era resolvido entre nós, tínhamos de saber conversar, negociar, ganhar e perder, levar e dar de volta, enfim, aprender a viver e se virar.

Jabor, nunca fiz esse filme que ia falar de carnaval, de lança-perfume, de marchinhas carnavalescas, de festas nas casas, de boleros, de risos e choros, de mães sofredoras, de homens desatinados. O meu ia (digo, vai) ter o que não tem no seu: igreja, procissões de Semana Santa com Verônica cantando, malhar o judas, olhar as coxas das professoras com espelhinho, ver vizinhos reunidos nas cadeiras na calçada ou ouvindo radionovela ou programas de auditório da Nacional, frequentando quermesses, comprando rifas de frango assado e mandando Correio Elegante, jogando tombola, assistindo a chanchadas.

Você ficou 17 anos longe do cinema, mas voltou e realizou Suprema Felicidade, um filme tocante. Felliniano. Musical, nossa vida foi cheia de músicas que marcaram: Besame Mucho, Quiçás, Quiçás, Love Is a Many Splendored Thing, Mona Lisa, Ninguém me Ama, As Águas Vão Rolar, Sassaricando, Touradas de Madri, Granada, A Noite do Meu Bem, Love me Tender, Carol, Diana, Datemi um Martelo, Dio Como Ti Amo, Mulher de Trinta, Você menina moça/ mais menina que mulher...

Vendo o making of, Jabor, percebi uma coisa. Você feliz, solto, amando cada cena, cada ator, cada personagem e tudo isso a gente sente no filme. Teve quem não gostou? Sempre tem. Mas vai ver que a vida deles não foi tão legal quanto a nossa! Precisamos descobrir se tiveram um momento de suprema felicidade. Porque basta um momento para justificar tudo, a vida inteira. Um dia, suprema felicidade, farei um filme. Enquanto isso, caminho atrás desse sonho, não fico paralisado.

GOSTOSA


MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO LIVRE



FOLHA DE SP - 18/11/11


Empresa de TI investe R$ 210 mi em aquisições
A multinacional brasileira Stefanini IT Solutions, provedora de soluções para o mercado de tecnologia da informação, vai investir mais de R$ 210 milhões em novas aquisições até o final de 2013.

Do total de recursos injetado, 60% serão destinados a compras de empresas no exterior. A Stefanini atua em 28 países, onde devem permanecer concentrados os próximos negócios.

Fora do país, a estratégia é buscar empresas com operação semelhante ao trabalho que a Stefanini já realiza atualmente, como fabricação de software, infraestrutura e terceirização de serviços.

No Brasil, a meta é encontrar negócios que possam agregar novos serviços ou produtos ao portfólio.

"No exterior, nós procuramos focar no mesmo segmento, com oferta de serviços equivalentes, senão o risco é muito alto", afirma Marco Stefanini, fundador e presidente da companhia.

Antes do final deste ano, deve ser anunciada a compra de uma empresa no Brasil, com faturamento de aproximadamente R$ 100 milhões.

"O processo é longo. Para 2011 ainda não deve sair nada no exterior", afirma. O alvo dos investimentos está principalmente nos Estados Unidos e na Europa. O processo de internacionalização começou em 1996, com uma filial na Argentina.

Hoje há também unidades na Ásia, na Europa, na África, nos Estados Unidos e na América Latina.

Com previsão da faturar R$ 1,25 bilhão neste ano, 40% do volume deve vir do exterior. A ideia é que esse percentual alcance 50% e que as operações internacionais cresçam 60% em 2012.

"São estratégias diferentes. No exterior, focamos empresas no mesmo segmento, que têm a mesma oferta de serviços. No Brasil, são as que agregam oferta diferente"
MARCO STEFANINI

RAIO-X
R$ 1,3 bilhão é a previsão de faturamento para 2011

R$ 1 bilhão foi o faturamento no ano passado

40% é a participação das operações internacionais no faturamento deste ano

HP E CAPGEMINI são alguns dos principais concorrentes

CXI e I&T foram as empresas adquiridas em 2011

Pirataria de software causa prejuízo no país de US$ 186 mi
Softwares pirateados usados por empresas no Brasil já causam prejuízo de US$ 186 milhões por ano às empresas concorrentes que usam software legítimo no país.

Segundo estudo da Microsoft em parceria com a consultoria Keystone Strategy, o país registra o terceiro maior volume de perdas entre os países do Bric, à frente da Rússia, que registra US$ 115 milhões.

Lideram o ranking de perdas a China, com US$ 837 milhões, e a Índia, em segundo lugar, com US$ 505 milhões.

O total de perdas contabilizado nos quatro países é de US$ 1,6 bilhão. Esse é o volume de prejuízo causado aos concorrentes que usam software legítimo.

Em cinco anos, as perdas nesses países chegarão a US$ 8,2 bilhões.

No mercado chinês, segundo a consultoria, caso os recursos fossem movimentados legalmente, seria possível a construção de 66 grandes fábricas de software, com a contratação de nada menos do que 12,7 mil funcionários.

PÉ DE BAILARINA
As sapatilhas da My Ferragamo, da grife florentina Salvatore Ferragamo, desembarcaram no Brasil. As "ballerinas" têm o DNA italiano da marca-mãe, mas são criadas para o público mais jovem -alvo da linha My Ferragamo, que tem preços mais acessíveis.

Mesmo assim, os mimos, em diferentes materiais, que vão do couro de cabra à renda e ao veludo, não saem por menos de R$ 1.150.

GALPÃO INFLACIONADO
O aluguel de galpões industriais em São Paulo é o mais caro da América Latina, segundo estudo da Colliers International Brasil.

O valor do metro quadrado na cidade no final do primeiro semestre deste ano chegou a R$ 24,50.

A capital paulista tem o oitavo preço mais caro do mundo neste segmento.

"Se o câmbio continuar do que jeito que está, São Paulo deverá chegar às cinco primeiras posições nos próximos trimestres, mesmo com uma alta menor do que a dos últimos dois anos", afirma o presidente da consultoria, Ricardo Betancourt.

Tóquio e Londres, por sua vez, apresentaram os aluguéis mais altos de galpões industriais no mundo, com R$ 32,74 e R$ 29,97 por metro quadrado, respectivamente.

Na América Latina, a colombiana Bogotá tem o valor mais próximo do de São Paulo: R$ 17,60 por metro quadrado, segundo a consultoria.

GÁS NOS NEGÓCIOS
Vila Velha (ES) quer novos negócios, principalmente os que apoiam as atividades de petróleo e gás. A cidade promove evento para 300 empresários, no hotel Renaissance, em SP, no dia 23. O município espera investimentos até 2012 superiores a R$ 1 bilhão, diz o prefeito Neucimar Fraga.

Árvore... Os 14 shoppings da Multiplan investem neste Natal cerca de R$ 32,8 milhões, aumento de 47% ante 2010. Os shoppings Morumbi, Vila Olímpia, Anália Franco, e ParkShoppingSãoCaetano somam R$ 14,7 milhões.

...de Natal Os dez shoppings da Sonae Sierra Brasil, localizados em São Paulo, Amazonas e Distrito Federal, investem mais de R$ 8 milhões no Natal deste ano. Os cenários decorativos já foram inaugurados.

com JOANA CUNHA, VITOR SION, LUCIANA DYNIEWICZ e CAMILA FUSCO

Juízes da censura prévia - JUDITH BRITO


O Globo - 18/11/2011

Cada cidadão nasce sob a égide de um Estado nacional, o Leviatã - nem sempre benevolente. Nas sociedades modernas, há um consenso de que o sistema democrático representa não um modelo perfeito de convivência, mas quem sabe o menos ruim que os homens conseguem gestar. Não por outra razão, a referência global de democracia consolidada, a americana, tratou de cravar em sua Constituição já em 1791 a Primeira Emenda, que impede qualquer restrição à liberdade de imprensa - um dos pilares indispensáveis das sociedades democráticas.

No Brasil, a Constituição de 1988 consagrou o mesmo princípio, e decisão do Supremo Tribunal Federal em 2009, que revogou a Lei de Imprensa do governo militar, acabou por consolidar de vez a liberdade de expressão.

Apesar desse entendimento, ainda existem, mesmo que residualmente, decisões de juízes proibindo os meios de comunicação de veicularem determinadas informações, o que na prática configura a "censura prévia judicial". Por essa razão, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) tem procurado a interlocução com representantes dos órgãos do Judiciário nos diversos estados do país, com o objetivo de discutir, de forma aberta e saudável, o espírito da lei.

Geralmente as decisões de censura prévia judicial decorrem de pedidos feitos por políticos, por autoridades públicas, que pretendem impedir divulgação de informações que consideram mentirosas ou ofensivas. Alguns juízes aceitam o que pedem esses agentes públicos e determinam que o meio de comunicação que esteja de posse das informações seja punido, quase sempre com pesadas multas, caso as divulgue.

Os juízes que impõem a censura prévia argumentam que a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa não são absolutas e não podem se sobrepor aos direitos individuais, como a imagem e a privacidade desses agentes públicos. Por essa interpretação, o direito de um indivíduo de se proteger da divulgação de informação que considera mentirosa ou ofensiva antecede o direito geral da sociedade de ter acesso a essa informação.

No entanto, como bem disse o ministro Carlos Ayres Britto quando da decisão do STF em 2009: "Não há como garantir a livre manifestação do pensamento... senão colocando em estado de momentânea paralisia a inviolabilidade de certas categorias de direitos subjetivos fundamentais, como, por exemplo, a intimidade, a vida privada, a imagem e a honra de terceiros."

Como reza o princípio maior da liberdade de expressão consagrado por nossa Constituição, ninguém pode proibir ninguém de dizer o que quer que seja. A contrapartida dessa plena liberdade de expressão é a possibilidade de o divulgador de determinada informação, depois de ela tornada pública, ser processado e condenado por danos morais, conforme legislação específica.

A violação ao princípio constitucional da liberdade de expressão é ainda mais grave quando censura prévia judicial beneficia um agente do Estado. Essas figuras públicas têm status diferenciado diante da sociedade, bem diverso do de outros cidadãos, e precisam sim estar sob a permanente vigilância dos meios de comunicação. Gozam, inclusive, de foros de julgamento privilegiados no Poder Judiciário. Por isso, quando um jornal divulga informações a respeito de determinado político sob investigação da Polícia Federal, ele o faz exercendo um direito de toda a sociedade, de ter acesso às informações que lhe interessam.

Nos casos relacionados a agentes públicos, a agentes do Estado, a democracia claramente optou pela possibilidade do ônus individual - passível de correção a posteriori - do que pelo ônus coletivo, com toda a sociedade sendo prejudicada.

É claro que erros e injustiças podem ocorrer, mas esse é um mal menor diante do grande equívoco de se institucionalizar a censura prévia, mesmo que apenas pela via judicial.

Se queremos mesmo uma democracia, com plena justiça, não podemos admitir que os interesses dos agentes públicos estejam acima dos de toda a sociedade.

Um filme melhor que a foto de dois governos - MARIA CRISTINA FERNANDES


Valor Econômico - 18/11/2011

O Brasil melhorou de vida como poucos no mundo pelo último relatório do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). De 187 países listados, apenas 36 subiram no índice e o Brasil é um deles.

De Brasília vieram reações cristalinas dos dois governos que convivem na Esplanada. Primeiro foi a vez do secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, relatar telefonema do ex-chefe. Segundo o ministro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha ficado "iradíssimo" com o índice. O ministro explicou que Lula estava sob tratamento quimioterápico mas não tinha deixado de acompanhar o noticiário e achava que o governo deveria reagir à "injustiça" do relatório.

Na mesma manhã, o presidente em exercício Michel Temer declarou que considerava "equivocado" o IDH.

Governo Dilma tem reação mais ponderada ao IDH

Por injustiça e equívoco, o ex-presidente e o atual vice entendiam o avanço de apenas uma posição do Brasil num índice que combina renda, educação e saúde.

O IDH divide os países em quatro classes. Desde 2002, o Brasil pertence à segunda classe de desenvolvimento. Na primeira, além dos europeus, tigres asiáticos e petroleiros do Golfo, há dois da América Latina, Chile e Argentina. Na terceira permanecem dois países dos Brics (Índia e China) - a Rússia está no mesmo vagão que o Brasil, ainda que 20 cadeiras à frente. Na quarta classe estão o Haiti e quase toda a África.

O Pnud recebe reclamações de todos os lados por conta do IDH. Para desarmar os espíritos, seu relatório anual reproduz a queixa original de um dos criadores do índice, Amartya Sen. O prêmio Nobel de Economia conta como seu ceticismo sobre um índice que pretendia captar situações tão complexas de desenvolvimento foi revertido pela constatação de que, apesar das falhas, o IDH é mais próximo da realidade que o PIB.

Criado há 20 anos, o índice já passou por várias mudanças e a cada ano incorpora mais países. Por esse motivo, seus organizadores advertem sobre os limites das análises evolutivas. Como a data dos censos nacionais não é mundialmente uniforme, o relatório também deixa claro que pode haver defasagem entre os dados.

Para contemplar as queixas, o IDH mudou a medição de dois pilares de seu tripé, renda e educação. No lugar do PIB entrou a renda bruta que, na avaliação de seus economistas, filtra melhor a riqueza que fica no país e relativiza o peso dos países exportadores de petróleo.

Na educação, como um grande número de países, entre os quais o Brasil, havia universalizado o ensino básico, passou-se a uma avaliação mais qualitativa que mede a escolaridade dos adultos e a expectativa de anos escolares das crianças.

O passivo educacional do Brasil com os seus adultos foi um dos motivos por que o país avançou menos do que se esperava.

A malhada saúde pública brasileira teve mais importância para o único degrau que o Brasil avançou do que a educação e a renda. A saúde respondeu por 40% da alta e os outros dois itens por 30% cada.

Neste ano, o IDH incorporou três indicadores complementares, o ambiental, de gênero e de desigualdade. Foi esse último que mais irritou as autoridades brasileiras. Quando considerada a desigualdade, o Brasil despenca 13 posições. Os Estados Unidos caem 19 e a Rússia sobe 10.

O presidente do Ipea, Márcio Pochmann, preferido de Lula para disputar a prefeitura de Campinas, endossou o tom de Gilberto Carvalho nas críticas e chegou a dizer que o Ipea estaria preparado para produzir um IDH alternativo, como se a credibilidade do índice não dependesse do respaldo de um organismo multilateral.

A zanga do lulismo com o IDH vem desde o ano passado. E tem forte componente político. Ao deixar o governo em 2002, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi premiado pelo Pnud pelos avanços do Brasil na lista. O país não deixou de avançar desde então, mas não é preciso torcer por um lado ou pelo outro para se constatar que o avanço é mais rápido quando o patamar de desenvolvimento social é mais baixo.

A média anual de crescimento do Brasil no IDH na última década foi de 0,69%, o dobro do 1ºlugar, a Noruega, e mais de cinco vezes o crescimento dos Estados Unidos no período. Mas é uma velocidade mais baixa do que a alcançada pelo Brasil entre 1980 e 2000.

O economista Marcelo Neri fuça os dados do IDH desde sempre. E diz que seus indicadores, ainda que torturados, mostram um Brasil melhor a cada ano. O problema é que o país ainda precisa melhorar muito para ficar bem na foto. A pobreza caiu pela metade no governo Lula e a renda da metade mais pobre avançou 67% na última década, mas os 10% mais ricos ainda têm 43% da renda. Um filme, resume, melhor que a foto.

Mesmo na educação, Neri vê um escalada cinematográfica. Em 1990 havia 16% das crianças fora da escola. Em 2000 eram 4%. E agora menos de 2% das crianças não estão matriculadas.

Foi este filme que permitiu ao Brasil fazer grande alarde por ter batido a meta do milênio - estipulada pela mesma ONU que agora contesta - antes do prazo.

A reação mais ponderada do governo ao relatório veio da ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campelo.

No mesmo dia em que Gilberto Carvalho vinha a público para divulgar a contrariedade de Lula com a foto do Brasil no IDH, a ministra almoçou na Casa Civil com Gleisi Hoffmann, e os titulares da Educação e Saúde, Fernando Haddad e Alexandre Padilha.

Dali saiu a decisão de Tereza Campelo se pronunciar em nome da presidente Dilma Rousseff, que estava na reunião do G-20, em Cannes. Numa entrevista coletiva, a ministra passou o filme dos avanços brasileiros no IDH e disse que, para ficar melhor na foto, o governo reforçaria as ponderações metodológicas que já havia feito no ano passado.

Indagada se concordava com as declarações de Carvalho, foi clara sobre quem falava em nome da atual presidente. Disse que o governo ainda não havia se manifestado sobre o relatório até aquele momento e que talvez o ministro estivesse se referindo aos dados do ano passado.

Ao Valor, a ministra voltou a manifestar as objeções metodológicas, mas disse que o Pnud já concordou em trazer uma equipe ao Brasil para discuti-las. E evitou alimentar polêmicas sobre a disposição do Ipea em fazer um IDH paralelo: "Vamos avançar no diálogo com o Pnud".

Por que Dilma faz sucesso? - JOÃO MELLÃO NETO


O ESTADÃO - 18/11/11

Pesquisa CNI/Ibope recente aponta que a presidente Dilma Rousseff, em setembro, foi aprovada por 71% da população. Esse resultado foi melhor que os de Luiz Inácio Lula da Silva e de Fernando Henrique Cardoso em igual período de governo, em seus primeiros mandatos. É um índice espetacular. O pessoal de seu partido, o PT, deveria estar exultante... Porém não está. Na verdade, os petistas autênticos - ideológicos - estão é muito apreensivos.

E qual seria a razão para tamanho desalento?

Simples. A popularidade de Dilma Rousseff não se deve ao desempenho da economia nem à excelência da sua gestão. O primeiro indica um crescimento pífio e a segunda se tem caracterizado pelo curto prazo de validade de seus ministros. Dilma está com a bola toda por motivos que os petistas julgam equivocados. Ao menos aos olhos dos militantes do partido. A sua tão festejada "faxina ética" é algo que contraria todos os dogmas da esquerda.

Combater a corrupção com moralismo não funciona, alertam alguns. A corrupção é inerente ao sistema capitalista, proclamam outros.

Basta consultar os principais blogs simpáticos à "causa" para saber que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu - anjo decaído do poder central -, permanece sendo um ícone para a militância partidária. Por ocasião do 2.º Congresso da Juventude Petista, no último domingo, Dirceu ponderou que, "nas duas vezes em que houve lutas moralistas contra a corrupção, deu no Jânio e no Collor: um renunciou e o outro sofreu impeachment".

Já o presidente do Partido dos Trabalhadores, nesse mesmo congresso, concluiu que "os adversários de Agnelo (Queiroz, governador do Distrito Federal, investigado pelo Superior Tribunal de Justiça por suspeita de desvio de dinheiro público) são canalhas e caluniadores. Eles tentam atingir o PT".

Dirceu, ao final do congresso petista, foi brindado com uma camiseta onde se lia: "Contra o golpe das elites".

Qual é o raciocínio que rege tão estranhas manifestações?

Que elites seriam essas, malvadas, que pretendem dar um golpe no democrático governo do PT?

Pelo visto, não são as elites da política e do sindicalismo - que compartilham o governo por intermédio do PT. Tampouco as elites econômicas e empresariais - escolhidas por critérios obscuros -, beneficiadas pelo crédito abundante e subsidiado do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, mais conhecido como BNDES. E também não são, com certeza, os privilegiados "especialistas" que prestam consultorias milionárias às empresas estatais e aos fundos de pensão, porque tudo isso também é vinculado ao PT.

Então, se as tais elites malvadas não são nenhuma dessas acima apontadas, a que outras elites os dois dirigentes partidários se referiram?

Trata-se do seguinte: os petistas, bem como os demais socialistas, entendem que o grande roubo existente na sociedade é a exploração dos proletários pelos seus patrões. E a grande missão que lhes cabe no mundo é denunciar aos pobres que eles continuam pobres porque os ricos estão cada vez mais ricos. Os burgueses, por natureza, pouco ou nada trabalham. Vivem à custa da "mais-valia" que extraem do trabalho da massa proletária. Somente por meio da "conscientização" dessa massa a revolução se tornará possível...

Dentro da lógica deles, o combate à corrupção nos órgãos do governo é uma meta secundária, uma mera manifestação de moralismo pequeno-burguês.

Num sistema igualitário - como o que eles defendem -, a propriedade privada seria abolida e, assim sendo, as pessoas não teriam mais por que ambicionar riquezas. E muito menos por que buscar obtê-las por meios escusos.

Apresentada assim, até parece uma boa ideia... Só que existe um porém.

Todas as pessoas nascem iguais, é verdade. Mas os seus anseios, os seus talentos e os seus esforços acabam por torná-las diferentes. Nivelá-las, todas, por baixo, novamente, é algo que requer coerção e arbitrariedade. E a História nos ensina que sempre que a coerção e a arbitrariedade se apresentam à porta é a democracia que foge pela janela.

Não é à toa, portanto, que os petistas pregam o "controle social da mídia". É uma forma, digamos, educada de dizer que eles pretendem tolher o nosso direito de discordar. Não, não se trata de censura à imprensa, alegam. É apenas, talvez, uma pequena limitação do que a imprensa pode publicar...

Pessoalmente, eu sempre duvidei daqueles que acreditam saber julgar, melhor do que o povo, aquilo que o povo realmente quer e precisa.

Como Deus não revelou a sua Verdade a ninguém, como a nenhum partido político é concedido o direito de se arvorar em concessionário exclusivo da virtude e das boas intenções, o mais seguro para todos é preservar a liberdade. E a liberdade só se consuma por meio do pleno exercício de eleger e poder ser eleito, da alternância no poder, da segurança de poder discordar, da sacralidade dos direitos humanos, da justiça igual para todos, do respeito às prerrogativas de cada um. E, por fim, do direito, assegurado aos indivíduos, de cada um poder ser feliz à sua própria maneira.

E quanto ao povo em geral? É justo viver na miséria? É legítimo morrer de fome? Não existiriam, também, "direitos sociais" para ele?

Sem dúvida. Mas é preciso compreender que o povo que deseja o pão é o mesmo que exige honestidade. As pessoas, que são quase todas elas decentes, não admitem que os políticos não o sejam.

É por isso que Dilma faz sucesso. E é por isso, também, que o PT não faz.

GOSTOSA


Vai ficando - RENATA LO PRETE


FOLHA DE SP - 18/11/11



Convencida de que terá mais margem de manobra para promover mudanças no Ministério do Trabalho se substituir Carlos Lupi na reforma do início de 2012, Dilma Rousseff conta com um argumento extra para insistir nesse roteiro: a permanência do pedetista por mais um ou dois meses seria, do ponto de vista da presidente, "indolor". Não há pauta relevante aos cuidados da pasta nesse período. Lupi estaria, nas palavras de subordinados de Dilma, "esvaziado" e "controlado".
Para demiti-lo agora, portanto, ela teria de se ver diante do famoso fato novo e/ou de um novo surto de incontinência verbal do ministro.

Categoria ficção 1 Deputados que estiveram com Lupi na quarta garantem ter ouvido do ministro o relato segundo o qual, em meio à reunião com Dilma, ele teria recebido apoio de Lula. Àquela altura, o pedetista tentava convencer aliados de que reunia condições para permanecer. O Planalto nega que tal telefonema tenha ocorrido.

Categoria ficção 2 Correligionários dizem ainda que o relato de Lupi sobre sua conversa com Dilma foi bem mais otimista do que o recebido do governo.

Fui ali O Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, lançado às 11h, virou a desculpa oficial de senadores aliados que ignoraram o depoimento de Lupi.

Limpeza Possível destino do PDT no governo de Geraldo Alckmin em 2012, a Secretaria de Gestão Pública perderá três de suas vitrines: Prodesp e Poupatempo devem migrar com Julio Semeghini para o Planejamento. O Detran é postulado por Andrea Calabi (Fazenda).

Shopping Em namoro com o PSDB para a eleição paulistana, os pedetistas têm histórico de alianças com o PT em 2008 e 2010, ambas impostas pela direção nacional. "O risco é comprar e não levar", diz um grão-tucano.

Eu quero Frei Betto se move na tentativa de ser indicado por Dilma para a Comissão da Verdade, projeto que a presidente sancionará hoje em cerimônia no Planalto.

Eu não O nome, porém, não se encaixa no perfil que Dilma imagina para os sete conselheiros. Depois de aventadas opções como Marco Maciel, Cláudio Lembo e até FHC, a orientação agora é procurar pessoas com conhecimento e credibilidade, mas de baixo perfil.

Regulação A direção petista marcou para o dia 25, em SP, o seminário em que discutirá a "democratização da comunicação no Brasil". O ex-ministro Franklin Martins será convidado especial.

Papel passado O PT paulistano se reúne amanhã para oficializar a candidatura de Fernando Haddad à prefeitura e enterrar as prévias. O partido também discutirá o "timing" da desincompatibilização do ministro. Marta Suplicy não foi chamada, mas haddadistas esperam que ela apareça num ato de lançamento, voltado à militância, ainda neste ano.

Brother Em encontro intermediado pela Juventude do PSDB-SP, representantes de seis entidades estudantis, entre as quais UNE, Ubes e UEE, pediram a Alckmin que ele se comprometa com a meia-entrada para eventos culturais e esportivos no Estado e com o passe de ônibus escolar intermunicipal.

Visita à Folha Marcial Angel Portela Alvarez, presidente do banco Santander no Brasil, visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço.

com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

tiroteio
"Recado a Dilma sobre o caso Lupi: falha de memória pode ser curada com tratamento médico; falha de caráter, só com demissão e processo judicial."
MAURÍCIO HUERTAS, SECRETÁRIO DE COMUNICAÇÃO DO PPS, eivindicando a saída do ministro do Trabalho, providência que, até ontem à noite, a presidente não se mostrava inclinada a tomar antes da reforma de 2012.

contraponto
Amigo da notícia

Durante depoimento à Comissão de Assuntos Sociais do Senado, ontem, Carlos Lupi agradeceu pela possibilidade de "falar sem ser editado". Para afastar a interpretação de que estaria criticando o trabalho dos jornalistas, o ministro logo cuidou de frisar:
-Eu defendo a liberdade de imprensa!
E continuou, lembrando seu passado como jornaleiro, para chegar até a crise atual:
-Eu já ajudei a vender jornal.... e agora, pelo visto, continuo ajudando!

Um corpo que cai - DORA KRAMER

 
O ESTADÃO - 18/11/11

Se realmente correspondem à realidade os relatos sobre o alto grau de exigência da presidente Dilma Rousseff em relação aos subordinados, é de se supor que na conversa de quarta- feira o ministro Carlos Lupi tenha dado a ela respostas mais precisas que as apresentadas ontem ao Senado.

Caso tenha sido vago,desmemoriado e, por que não dizer, cínico como se apresentou diante dos senadores, uma de duas: ou Dilma é mais condescendente que a fama ou não é verdade que tenha pedido a Lupi que permaneça à frente do Ministério do Trabalho e esteja prestes a demiti-lo.

Por mentir deslavadamente e por ser incapaz de fornecer dados consistentes às perguntas às quais respondia invariavelmente com uma evasiva, alegando não dispor da informação solicitada "de cabeça".

Não soube dizer, por exemplo, se havia recebido diárias do ministério na tal viagem que fez ao Maranhão em 2009 em avião pago sabe-se lá por quem para compromissos que incluíam agenda partidária.

Disse ter a "impressão" de que recebera uma diária. Poucos minutos depois, recebeu da senadora Kátia Abreu a informação: foram exatamente três diárias e meia.

Pouco antes Lupi havia se prontificado a devolver o dinheiro caso houvesse alguma irregularidade. Como, assim, "caso"? Então o ministro não sabe que além de ser proibido receber presentes e favores de qualquer natureza, a qualquer tempo e sob quaisquer justificativas também lhe é vedado o pagamento de despesas com o ministro, quando em atividade partidária? Sabe, mas se fez de desentendido, assim como usou do expediente da dissimulação para tentar dizer que não mentira ao negar semana passada na Câmara sequer conhecer o empresário Adair Meira - dono de ONG com negócios no ministério e seu companheiro na viagem ao Maranhão -, a quem ontem passou a se referir como "caro doutor Adair".

Lupi não esqueceu apenas as diárias recebidas. Não lembrou se a entidade de Adair era ou não uma das grandes operadoras no Ministério do Trabalho, não soube dar detalhes dos contratos firmados com ele, alegou desconhecer quem contrata os aviões em que viaja, enfim, não disse nada que pudesse desmentir as denúncias de que é, no mínimo, um gestor temerário.

Carlos Lupi pode até continuar ministro do Trabalho. Ao contrário do que pensam os adeptos da teoria de que os escândalos recorrentes fazem parte de uma conspiração contra o governo Dilma, sua permanência é que conspira contra a presidente.

Quanto mais tempo permanecer, mais desgaste vai produzir. Obviamente não para a oposição, mas para a presidente Dilma.

Saiu daquele depoimento no Senado menor e mais enrascado do que quando entrou. Foi corajoso ao ir? Não, foi compelido pelas circunstâncias.

Diferentemente de seus antecessores de infortúnio, Lupi não pôde contar com sessão de elogios, ficou relativamente só - à exceção do senador Eduardo Suplicy, a bancada do PT ausentou se da sessão - e teve de ouvir dois senadores do PDT defendendo sua saída para o bem do partido.

Uma situação desconfortável para a maioria das pessoas, mas não para quem não tenha nada a perder.

Para quem admirava Leonel Brizola dói na carne.

Inútil paisagem. Nesses episódios de escândalos, o governo se põe na situação daquela pessoa que depois de 15 dias de dieta constata que perdeu duas semanas e nada mais.

Com a falta de apoio do PDT, o caso voltou para o ponto inicial quando ensaiou deixar o ministro ao sereno e depois recuou porque do Planalto surgiram avisos de que sem sustentação partidária não havia como Lupi ficar.

O desgaste que poderia ser evitado, mas o PDT cumpre a escrita de que não é bom negócio abandonar governo com três anos pela frente.

Essa é a regra geral. Exceção nos últimos anos foi o PPS que apoiou Lula na eleição de 2002, ocupou o Ministério da Integração Nacional a partir de 2003 e em 2004 deixou o governo por discordar da política econômica e do padrão ético já então desenhado com o caso Waldomiro Diniz.

Ciro Gomes não quis deixar a pasta da Integração e terminou fora do partido.

Desacelerou - CELSO MING


O ESTADÃO - 18/11/11

O governo e o Banco Central têm feito seguidas advertências de que vem aí uma fase de grande prostração na economia mundial, cujos efeitos chegariam, inevitavelmente, ao bolso de cada brasileiro.

Essas previsões de fortes borrascas repetidamente anunciadas vêm ajudando a justificar e a estimular a queda dos juros. Mas também produzem o efeito colateral de levar o empresário brasileiro a pisar no freio e a ser mais cauteloso na condução dos seus negócios, embora os indicadores de consumo digam o contrário.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) divulgado nesta quinta-feira aponta para um recuo de 0,32% no terceiro trimestre deste ano em relação ao período imediatamente anterior - a primeira queda desde os primeiros três meses de 2009, quando o Banco Central passou a fazer esse levantamento. Em setembro, a evolução desse item praticamente estagnou em relação a agosto: não cresceu mais do que 0,02% e pode ser um forte indício de desaceleração da atividade econômica.

O IBC-Br é anunciado mensalmente. Nasceu com o objetivo de antecipar o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB), calculado (Contas Nacionais) trimestralmente e, quase sempre, publicado no momento em que a conjuntura já está mudada.

O governo tem se mostrado bastante preocupado com o desempenho bem mais fraco da economia do que o anteriormente projetado. O PIB do Brasil neste ano, provavelmente, avançará algo acima dos 3% em relação a 2010, mas dá sinais de maior desaceleração. A ponto de deixar para trás um crescimento de 5% estimado pelo governo federal ao longo de 2012.

O que contraria esse panorama de desaquecimento da produção é o comportamento do consumo, que segue robusto apesar de alguns setores - sobretudo o de veículos e aparelhos domésticos - já demonstrarem um claro esfriamento. Os dados mais recentes são da Serasa Experian e dão conta de um impulso do comércio varejista, na acumulada do ano até outubro, de 9,1%.

Os últimos números sobre o setor apontados pelo IBGE são de setembro e registram um salto em 12 meses de 7,7%. O crédito aumentou 19,6%, também no período de 12 meses terminado em setembro - bem mais do que estava nos propósitos do governo. Esse indicador corrobora a boa fase do consumo interno, que deverá ter um novo reforço em janeiro, quando o salário mínimo terá reajuste de aproximadamente 14%. A forte elevação das importações, de 25,2% em 12 meses, sugere que boa parte da oferta está sendo suprida por fonte externa.

O arrefecimento da atividade econômica traz uma dificuldade adicional que, por sua vez, acarreta ainda uma segunda: gera uma arrecadação mais baixa do que a prevista e, portanto, tende a diminuir em volume de recursos a formação do superávit primário, de 3,1% do PIB, em 2012. E com menor contribuição da política fiscal fica também mais difícil contar com maior corte dos juros.

CONFIRA

Atrasados a receber. A equipe da Comissão Europeia encarregada de conferir as estatísticas econômicas da Grécia e as condições que o país tem de pagar suas contas verificou que o Tesouro grego tem nada menos que 60 bilhões de euros em impostos atrasados a receber. Não é nada, é um dinheiro que daria para pagar pelo menos metade dos 120 bilhões de euros prometidos a título de socorro para os gregos.

E tem a sonegação. Esses são apenas impostos não pagos, cujo recolhimento é muito difícil. À parte o fato de que os gregos arrecadam menos tributos do que os outros sócios do bloco do euro, ainda há a sonegação, considerada alta.

A um tico dos 100% do PIB. No dia 15, a dívida dos Estados Unidos chegou aos US$ 15,03 trilhões, o equivalente a 99% do PIB do país. O comitê bipartidário do Congresso americano ainda não conseguiu chegou a um acordo sobre os cortes de US$ 1,2 trilhão no prazo de dez anos, o que precisa acontecer até a próxima quarta-feira.

Rocinha e Alemão - MERVAL PEREIRA



O GLOBO - 18/11/11

O economista Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas do Rio, está lançando um estudo comparativo entre as duas maiores favelas da cidade, a Rocinha e o Alemão, e os efeitos da implantação nelas das UPPs. Ele faz parte de uma geração de economistas "cariocas" que, na sua própria definição, começou "a se debruçar sobre os caminhos e descaminhos da nossa própria terra".

Neri cita a coletânea "Rio de Janeiro: A hora da virada", de André Urani (nascido na Itália e criado em São Paulo) e Fabio Giambiagi (filho de argentinos, criado lá), cariocas por opção, como exemplo desse movimento.

Ele destaca que economistas cariocas traçaram as principais políticas públicas nacionais, do PAEG (Programa de Ação Econômica do Governo) dos anos 1960 ao Real, passando pelo Cruzado e chegando ao regime macroeconômico vigente, mas não só.

Do desenho do SUS ao Bolsa Família, que teve em Ricardo Paes e Barros e Ricardo Henriques figuras fundamentais, economistas do Rio sempre exerceram papel de destaque.

Nesse ínterim de ações nacionais, porém, os "três Rios" - cidade, estado e metrópole - "foram assoreados, perdendo importância", lamenta Neri.

O ponto de partida do trabalho da equipe da FGV-Rio foi a constatação de que moradias iguais (mesmo tamanho, materiais, acesso a serviços públicos) têm aluguéis 25% mais depreciados nas favelas do que no restante da cidade. "É o "efeito-favela" sobre o valor dos imóveis", diz ele.

Agora na comparação do pré e pós-UPP, essa situação começa a mudar. Segundo os estudos, os aluguéis subiram, após as UPPs, 6,8% mais nas favelas que no asfalto.

Mas Neri adverte que as favelas não são um bloco monolítico. "As UPPs implantadas em diferentes favelas terão impactos econômicos diferenciados".

O trabalho, baseado em 150 mil entrevistas nas duas comunidades, registrou a baixa esperança relativa dos moradores da Rocinha (pré-UPP) frente às possibilidades de transformação. "Esta mudança de percepções e atitudes talvez seja o maior desafio da intervenção", adverte Neri.

A pesquisa se debruça sobre as diferenças entre os complexos da Rocinha e do Alemão, e versa sobre quatro aspectos: em primeiro lugar, as condições de trabalho na Rocinha são claramente superiores às do Alemão.

Porém, dada a topografia local e sua posição privilegiada em relação à área já estabelecida como rica, e aquela em expansão da cidade, o estudo constata que há uma precariedade habitacional maior na Rocinha, "traduzida em maior aglomeração de pessoas e famílias em lugares menores e mais precários".

A terceira parte do tripé comparativo do estudo de Neri revela a menor presença do Estado sob as suas diversas formas na Rocinha: pior oferta de quase todos os serviços públicos, inclusive infraestrutura urbana, o que precariza as condições de moradia.

Apesar do dinamismo econômico, a Rocinha é a região administrativa da cidade com escolaridade mais baixa, seja na população em geral, seja na população ocupada, o que reflete a carência histórica de políticas públicas e imigração de áreas de menor escolaridade, ressalta o estudo da FGV.

Essas seriam razões para a baixa esperança relativa de seus moradores (pré-UPP) frente às possibilidades da política pública, seja ofertada pelos três níveis de governo, seja ofertada por organizações não governamentais (ONGs).

Segundo a pesquisa, a Rocinha é, em diversos aspectos, o inverso do Rio, identificado como "nordestinamente informal", enquanto a Rocinha, apesar de ser a favela mais nordestina do Rio, é "fordista formal", o que quer dizer que empregos com carteira são mais importantes na Rocinha.

O Rio é capital de alta escolaridade (a quinta das 27 capitais), enquanto a Rocinha tem a menor escolaridade de todas as 34 regiões administrativas da cidade.

O Rio é velho e a Rocinha é uma favela jovem.

Se as duas favelas estão na mesma faixa de tamanho, o seu perfil social e econômico é completamente diferente, mostra o estudo.

O Alemão se alinha mais ao perfil das favelas da periferia do Rio por estar em área pós-industrial, economicamente estagnada, enquanto a Rocinha está incrustada na área mais rica da cidade e nas vias de expansão rumo a oeste.

Isso faz com que a Rocinha tenha um mercado de trabalho mais pujante, apesar de - surpreendentemente, destaca o estudo - estar mais distante do Estado que o Alemão e outras favelas da Zona Norte.

Segundo seus moradores, as oportunidades de trabalho e renda são muito superiores na Rocinha do que no Alemão: 27,8% das pessoas na Rocinha dizem que essas oportunidades são pelo menos boas, contra 8,19% no Alemão.

Como resultado da "força econômica privada", há bem menos donas de casa na Rocinha (7,1%) do que no Alemão (11,22%).

O distanciamento da Rocinha do Estado é captado pela menor presença de funcionários públicos (0,16% na Rocinha e 0,42% no Alemão).

Há mais empregados privados na Rocinha (37%) do que no Alemão (27,8%), em particular, entre estes, empregados formais (31% na Rocinha e 20,4% no Alemão).

Apesar do viés ao emprego com carteira, o maior viés é em direção ao trabalho. Como consequência, há mais empreendedores na Rocinha (10,1%) do que no Alemão (8,5%).

O estudo coordenado por Marcelo Neri salienta que, se o mote pré-UPP era "ilegal, e daí?", o pós-UPP parece ser "legal, e aí?". Mas como o choque de ordem desemboca no choque de progresso?

O estudo analisa "as relações sinérgicas entre a segurança e a economia na formação de direito de propriedade, e como isso pode ser potencializado", seja por meio do que classificam de "choque de formalização", acompanhado de um menu de políticas de apoio aos pequenos negócios preconizado pelo Sebrae-Rio, seja pela oferta de microcrédito de qualidade, como aquele que chega aos morros do Rio por meio da associação entre o Crediamigo e o VivaCred.

Começou a era do mundo finito - WASHINGTON NOVAES


O ESTADÃO - 18/11/11

A perplexidade é geral, depois da queda do sétimo governo na Europa (Islândia, Reino Unido, Irlanda, Portugal, Eslováquia, Grécia e Itália) e jácoma Espanha na alça de mira, com uma dívida pública insustentável e uma taxa de desemprego onde 21,5% (48% entre os jovens). E tudo acontece simultaneamente com a crise política que se alastra nos países árabes e a expansão do movimento "Ocupem o mundo", dos jovens norte americanos que protestam sentados nas ruas, diante da casa dos poderosos. Para onde vamos? "Quem não estiver confuso está mal informado", já diagnosticou o ex-ministro Delfim Netto (Conjuntura Econômica - FGV, setembro de 2011). De fato, quando Brasil, Índia e China se dizem dispostos a ajudar - via Fundo Monetário Internacional (FMI) - a Europa a sair da crise, chega se a um ponto inconcebível há menos de uma década. Pois ao mesmo tempo se torna claro que "a Europa se prepara para uma década perdida" (Agência Estado, 16/10) e se chega ao "fim do sonho americano" (Celso Ming, Estado, 19/10).

"Vai sair um mundo diferente", prevê Delfim. A seu ver, "a crise que está aí resulta de governos incompetentes, míopes, e de uma disfunção do sistema financeiro, que em vez de servir ao setor real acaba servindo-se dele. Os derivativos podem estimular uma melhoria de funcionamento do sistema, mas também podem tornar-se armas de destruição em massa, porque os bancos centrais - na verdade, os governos -não conseguiram entender aonde eles deveriam nos levar". Certamente é uma visão que tem que ver com números pouco citados, de um giro financeiro de US$ 600 trilhões anuais, para um produto bruto mundial de US$ 62 trilhões por ano, dez vezes menos. Isto é, especulação cada vez mais afastada do real, das coisas concretas.

Agora, parece inescapável. A Comissão Europeia prevê recessão para o continente em 2012, que, segundo o FMI, é um alerta para todos os países desenvolvidos (Folha de S.Paulo,12/11). Mesmo no Brasil a Confederação Nacional da Indústria revê sua previsão para o crescimento do PIB interno, de 3,8% para 3,4% este ano (Agência Estado, 12/11). E até a China parece retrair seu ritmo, enquanto os Estados Unidos chegam a um déficit anual do governo de US$ 1,299 trilhão, quase tanto quanto todo o PIB anual brasileiro. Mas quase todos os países continuam a recusar o que os relatórios do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) vêm propondo desde o início da década de 1990: uma taxa de 0,5% sobre as transações cambiais e financeiras no mundo - para conter a especulação e ajudar a diminuir a pobreza -, uma ideia que surgiu do economista James Tobin.

Estranho que pareça, num quadro como esse pouco se discute na área econômica o que já é óbvio no diagnóstico de organismo da ONU e outros: a questão do impasse na área dos recursos naturais e sua tendência ao agravamento.

Mais uma vez, o ex-ministro Delfim Netto, que em outras épocas parecia fechado à questão: "Estamos caminhando para instituições em que a cooperação, o altruísmo e as preocupações com o meio ambiente são maiores, enquanto a restrição ao crescimento é um pouco mais aguda, porque pela primeira vez se tem consciência de que não cabem na Terra 10 bilhões de pessoas com renda per capita de US$ 20mil". Ou seja, o consumo atual já é insustentável e será cada vez mais com o crescimento inevitável da população. Os diagnósticos da ONU já nos mostram consumindo mais de 30% além da capacidade de reposição da biosfera terrestre; se tivermos de aumentar a produção de alimentos em 70% nas próximas décadas para atender à população crescente e à redução da pobreza, agravaremos a situação, pois a "pegada ecológica" (área necessária para atender às necessidades de um ser humano) também já está mais de 30% além da disponibilidade - e seu crescimento significará mais degradação do solo, mais desertificação, mais crise da água, mais perda da biodiversidade, etc., etc. Sem falar em agravamento das mudanças climáticas. Mas como se fará se 1,44 bilhão de pessoas no mundo ainda não dispõem de energia elétrica e em sua maior parte terão de ser abastecidas com mais queima de carvão e petróleo, principalmente na China e na Índia, como adverte a Agência Internacional de energia? E como tirar do âmbito da fome crônica quase 1 bilhão de pessoas? Outros padrões de consumo terão de ser observados. Nossos modos de viver terão de ser repensados.

Até porque em muitos setores a crise aguda já bate à porta. Como observa o professor Maurício Waldman, pós-doutorando em Geografia pelo Instituto de Geociências da Unicamp, a situação já é insustentável em muitos setores. No século 20 a população multiplicou- se por 4; o consumo de carvão, por 6; o de cobre, por 25; o de metais em geral chegou, em 2008, a 1,4 bilhão de toneladas, o dobro dos anos 70, sete vezes mais que em 1950; o consumo de alumínio passou de 2milhões de toneladas em 1950 para 40 milhões em 2008; o de plásticos multiplicou-se por 18 em 34 anos. Como já se comentou neste espaço em outros artigos, a disponibilidade de muitos dos metais usados nas tecnologias mais abrangentes de hoje (telefones, computadores, etc.) está gravemente ameaçada. Por tudo isso, lembra o professor Waldman a frase do filósofo Paulo Valéry: "Começa a era do mundo finito".

E como começa, ainda uma vez é preciso insistir: o Brasil tem de pensar uma estratégia fundada nessas visões, já que tem posição privilegiada no mundo em matéria de território, água, biodiversidade, possibilidade de plantios, matriz energética limpa e renovável - tudo o que é fator escasso no mundo e já foi dito e repetido neste espaço.

A essa estratégia - em substituição à ideia de crescimento econômico puro e simples,desatento ao quadro mais amplo - é que se poderá chamar de uma verdadeira modernidade. Não precisamos esperar que a crise de recursos e consumo insustentáveis nos atinja mais a fundo.

A quem eles acham que enganam? - HÉLIO SCHWARTSMAN


FOLHA DE SP - 18/11/11

SÃO PAULO - O bonito de apanhar políticos com a boca na botija é que eles se saem com explicações tão mirabolantes que valem por uma aula de psicologia. Flagrado em vídeo fazendo o que havia dito que não fizera, Lupi esclarece que não tem "memória absoluta".

O ainda ministro não é um caso isolado. Para Palocci, foram as liquidações antecipadas de contratos; José Roberto Arruda recorreu aos panetones; Renan Calheiros fez bons negócios com vacas; o "mensalão" virou "recursos não contabilizados"; até Collor bolou a engenhosa Operação Uruguai.

A quem eles pensam que enganam? Quem acredita nessas lorotas? E a resposta, ainda mais intrigante, é que os próprios políticos, ou ao menos parte de seus cérebros, acredita.

Um modelo para explicar essas extravagâncias é o da dissonância cognitiva, segundo o qual a mente procura sempre harmonizar suas cognições, isto é, pensamentos, sensações e memórias. Quando elas estão em conflito e percebemos isso, diz-se que estão em dissonância.

E o problema é que essas tais dissonâncias cognitivas são uma verdadeira tortura neuronal. Para evitar a dor da contradição, o cérebro simplesmente trapaceia. A fim de reconciliar as cognições, ele se utiliza do que estiver à mão. Valem truques bobos, como simplesmente fingir que não viu. Não é um acaso que um dos mais arraigados hábitos de políticos seja responder só o que lhes interessa, ignorando as perguntas difíceis.

Quando isso não é suficiente, linhas de defesa mais complexas são acionadas. Memórias podem ser suprimidas e alteradas. Cognições harmonizadoras podem ser criadas.

O detalhe é que a pessoa quer tanto acreditar na versão que lhe é mais favorável que, muitas vezes, não distingue suas próprias fabulações da mais dura realidade. Perde até mesmo a noção de quão esfarrapadas parecem suas desculpas a observadores que não estão em dissonância.

CLAUDIO HUMBERTO

“A gente quer mobilizar o País contra a Fifa”

Deputado Romário (PSB-RJ), em campanha para que a Fifa respeite as leis brasileiras

LUPI IMPEDE REUNIÃO NO PDT E PERDE APOIO 

Após outro depoimento desastroso, desta vez no Senado, o ministro Carlos Lupi (Trabalho) manobrou contra o próprio partido, evitando que a executiva se reunisse para discutir sua situação. Os pedetistas estão envergonhados com o flagrante de mentira de Lupi. Ele teve ajuda de um dos poucos aliados que restam no PDT para impedir a reunião: o secretário-geral Manoel Dias alegou “mal-estar” e não viajou a Brasília.

RABO PRESO

Manoel Dias deve a Lupi o cargo da mulher, Dalva, diretora-executiva da Fundacentro. Ela mora em Curitiba e o órgão fica em São Paulo.

OLHA O NÍVEL

André Figueiredo, presidente do PDT, aliado de Lupi, escondeu-se dos pedetistas, driblando a pressão para convocar a reunião da Executiva.

OUVIDOS MOUCOS

Brizola Neto (RJ), Paulinho da Força (SP), Antonio Reguffe e o senador Cristovam Buarque (DF) insistem em reunir a Executiva, em vão.

FRITURA DEMORADA

Quando resolve ser má, Dilma é melhor ainda: deixa o denunciado ardendo em chamas até ele não aguentar mais e pedir o boné.

CÂMARA ATORMENTA CRIANÇAS COM VÍDEO CHOCANTE

Levados à sessão solene, na Câmara dos Deputados, pelo Dia de Oração e Ação pela Criança, 90 alunos de três a dez anos de idade foram submetidos a um vídeo com imagens chocantes de crianças e bebês mortos, mutilados, atirados no lixo, em estado de decomposição. Pais protestaram, pediram ajuda ao deputado Luiz Couto (PT-PB), que estava presente, mas ele se omitiu. Deve ter achado “politicamente correta” a tortura a crianças intelectual e emocionalmente imaturas. 

ORAÇÃO À ESTUPIDEZ

A deputada Liliam Sá (PSD-RJ), responsável pela presepada, informou que pretendia, com o vídeo torturante, “orar pelas crianças sofridas”.

RODAPÉ

Lupi se disse “a favor da liberdade de imprensa”, porque falando dele os jornais “vendem mais”. Pescou a teoria em livro da biblioteca de Lula.

IDIOTAS, NÃO

Parodiando o ex-ministro Jobim (Defesa), o único que pediu para sair do governo, “os corruptos perderam a modéstia”.

MÉDICO NO BANCO DOS RÉUS

O juiz Tiago Pinto Carvalho decidiu que o médico Lucas Seixas Doca Jr, que faz cirurgias de redução bariátrica, vai a júri popular pela morte de Fernanda Wendling, uma professora do UniCeub que ele operou em 2006. É a segunda acusação de homicídio contra Lucas Seixas.

IMPERÍCIA MORTAL

A outra vítima do médico Lucas Seixas Doca Jr foi Maria Cristina da Silva, 37, morta há três anos. O intestino dela foi perfurado durante a cirurgia e a paciente morreria de infecção generalizada, dias depois.

RESISTENTES 

O Movimento de Resistência Leonel Brizola, formado por pedetistas no Rio, cobrou atitude mais firme do presidente interino do PDT, André Figueiredo, no caso Lupi Pinóquio. Ouviu silêncio como resposta.

MAIS ESSA

Não bastassem os problemas com Lupi, chega a Brasília o presidente da Guiné, Alpha Condé, para discutir com Dilma o impasse na construção de uma ferrovia que envolve interesses da Vale e ele brecou. Hum...

CAÇA A KASSAB

Prefeitável do PRTB, Levy Fidelix vai processar o prefeito paulistano Gilberto Kassab (PSD) por reduzir a tarifa de inspeção veicular a partir de 2012, ano eleitoral. A empresa de vistoria também não gostou.

SEM QUERER, QUERENDO

Fundador da Bancoop e ex-ministro da Previdência, o deputado Ricardo Berzoni (PT-SP) garantiu no Twitter que não quer a vaga de Lupi, apesar do ostracismo. “Não me queixo de nada”, explicou ele.

CALHAMAÇO 

O relatório do novo Código de Processo Civil na Câmara estava pronto, mas o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) pediu que o relator, Sérgio Carneiro (PT-BA), incluísse todos os outros 89 projetos sobre o tema.

APO É ESPORTE 

A Autoridade Pública Olímpica, antes na alçada do Ministério do Planejamento, foi vinculada oficialmente ao Ministério do Esporte – que estava cercado pela CGU no Orlandogate. Agora, o caminho está livre.

PENSANDO BEM...

...Com tanta pirueta de avião, ministro Lupi se habilita à Esquadrilha da Fumaça.

PODER SEM PUDOR

CHAVE DE GALÃO

O ex-embaixador do Brasil em Washington, Roberto Abdenur, demitido pelo então chanceler Celso Amorim, por telefone, gosta de jogar futebol. Certa vez, numa quarta-feira, hora do almoço, ele se paramentou todo e exigiu vaga em uma pelada de filhos de diplomatas no Clube das Nações, em Brasília. 

E aplicou autêntica chave de galão: “Quero jogar, sou ministro”. Obteve a vaga, mas a garotada se vingou: ninguém lhe passou a bola. O jogo inteiro.

SEXTA NOS JORNAIS


- Globo: Vazamento de óleo no RJ pode ser 23 vezes maior

- Folha: Lupi recebe diária por viagem com agenda partidária

- Estadão: Em meio à crise, agência de risco eleva nota do Brasil

- Correio: PIB cai, Brasil está em alta

- Valor: Guerra cambial diminui, mas controles continuam

- Jornal do Commercio: MEC reprova 55% das faculdades do Estado

- Zero Hora: Dirigente de ONG fala a ZH: "Eu provoquei a mudança no discurso do ministro"

quinta-feira, novembro 17, 2011

A morte no ar - ANCELMO GOIS



O GLOBO - 17/11/11


Documentos obtidos por advogados americanos revelam que a Airbus chegou a deliberar internamente alterações no sistema de manetes e de alarme dos A-320 após acidentes em Moscou (2003) e Taiwan (2004).
Se tivesse feito as tais mudanças, dizem os advogados das vítimas, talvez a empresa evitasse o acidente da TAM que matou 199 pessoas em 2007.

Segue...
E-mails e memorandos internos da Airbus foram anexados à ação indenizatória movida pelo escritório Brasil, Pereira Neto, Galdino, Macedo Advogados em nome das vítimas, cujo valor beira a uns R$ 500 milhões.

Bem-vindos
Será dia 16 dezembro, no CCBB do Rio, o primeiro concerto da OSB Ópera e Repertório, formada pelos 37 músicos dissidentes da orquestra. Na regência, Daniel Guedes.

Vera Cruz carioca
Em volume de produção, não se compara, é claro, à antiga Vera Cruz, que realizou 22 filmes em quatro anos. Mas pelo ritmo... quem sabe. A Conspiração, que já era a produtora brasileira com maior média de filmes por ano (três), aumentará esta marca em 2012: vai rodar e lançar cinco longas.

VascoPad
Terça à noite, um parceiro da coluna que seguia para São Paulo no mesmo vôo do time do Vasco percebeu que 13 dos 19 jogadores usavam... iPads. Sem contar cinco integrantes da comissão técnica.

Filme de suspense
Dilma mata o pessoal do cinema do coração com a demora na nomeação de Miguel Faria Jr. para uma diretoria da Ancine. O nome do cineasta foi enviado ao Palácio do Planalto pela ministra Ana de Hollanda em agosto — e, até agora, nada.

Ônibus escolar
Dilma vai comprar 2.600 ônibus para transporte escolar de 60 mil alunos cadeirantes, em todos os estados, até 2014. Anuncia hoje no lançamento do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Segundo o Censo de 2010, há no país 45,6 milhões de pessoas com alguma deficiência. É quase um quarto da população.

Quem você quer ser?
A Sextante lança este mês no Brasil o livro “Quem você quer ser?”, da jornalista americana Maria Shriver, ex de Arnold Schwarzenegger. Escrito antes da separação, ela conta o drama de largar o jornalismo por causa da carreira política de Schwarzenegger, governador da Califórnia.

Suprema felicidade
O filme “A suprema felicidade”, de Arnaldo Jabor, vai abrir o 4º Festival do Cinema Brasileiro em Moscou, dia 23.

Oferta e procura
Três dias depois da tomada do Vidigal, o preço do moto-táxi subiu de R$ 2,50 e R$ 3.

I love you, Rocinha
A rede de cursos de idiomas Yes vai abrir, em dezembro, sua primeira unidade na Rocinha, para 600 alunos.

Obra embargada
A Associação de Moradores do Jardim Botânico, no Rio, denunciou que Sérgio Côrtes, secretário estadual de Saúde, estaria fazendo uma obra irregular em sua cobertura, na Lagoa. Uma arquiteta da prefeitura foi ao local, não conseguiu acesso e optou por embargar a obra. Depois, a Secretaria de Urbanismo a liberou, “assim que ficou provado não se tratar de acréscimo da unidade e sim de uma reforma”.

Morar bem
O atacante Fred, do Fluminense, comprou uma cobertura na Av. Vieira Souto, endereço de bacanas em Ipanema.

O garoto Pedro II
Está saindo do forno um livro sobre o francês Julien Pallière (1784- 1862), autor, entre outros, deste retrato de Dom Pedro II na infância. A obra sobre o artista, que desembarcou no Rio em 1817 com a princesa Leopoldina, é assinada por Ana Pessoa, Júlio Bandeira e Pedro Correia do Lago. Sairá pela Editora Capivara.

ESTAS ESTÁTUAS

 femininas, de madeira, têm despertado curiosidade em pontos do Rio como Morro da Providência, Copacabana, Praça XV, Central, Lapa, Méier... Não são propaganda de nenhuma empresa. São, na verdade, parte da campanha “Quem ama abraça”, pelos 30 anos do Dia internacional de luta pela não violência contra mulheres (25 de novembro). A ideia é espalhar as estátuas pela cidade, acompanhar a reação das pessoas e, depois, divulgar à opinião pública, simbolicamente, como as mulheres são tratadas. Dia 22, todas serão reunidas no Largo da Carioca para que o povão veja o estado de cada uma. Mas, em poucos dias, o balanço já é cruel: a da Central foi roubada, a da Lapa foi arrastada até a Cinelândia e toda customizada por estudantes etc. Ação igual é feita em Belém, Vitória, Natal e Porto Alegre