sábado, maio 21, 2011

WALTER CENEVIVA - O salseiro da lei


O salseiro da lei
WALTER CENEVIVA

FOLHA DE SÃO PAULO - 21/05/11

Se não adotarmos cautelas severas na reforma dos códigos, logo criaremos novas questões na Justiça

É NORMAL que o Congresso aprove códigos com a cooperação de juristas dos setores envolvidos. Recebidas as propostas, deputados e senadores têm liberdade de introduzir emendas de sua escolha.
O exemplo do Código de Processo Civil, cuja comissão encarregada de elaborar o anteprojeto foi presidida pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, está nessa etapa de avaliação.
Para dar uma ideia ao leitor das dificuldades encontradas, contei mais de 60 leis esparsas, incluindo assuntos processuais civis, no meio de outras leis editadas desde 1973, quando a codificação atual foi enviada pelo general Garrastazu Médici ao Congresso Federal para aprovação.
Mesmo assim, algumas partes da codificação anterior tiveram de ser aproveitadas.
É necessária, para os mesmos fins, a consolidação constitucional, pois o texto da Carta de 1988 sofreu tantas emendas que hoje não guarda a necessária homogeneidade com a estrutura originária.
Os 250 artigos da Constituição brasileira, além dos 97 dispositivos no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, foram às minúcias no regramento essencial dentro de nosso Direito.
As novas leis exigirão de seus autores as cautelas próprias do respeito a essa realidade superior, com suas normas e seus princípios.
Temos sempre presente a imprescindibilidade de que cada norma legal seja fiel não só ao texto da Constituição como também aos princípios que ele enuncia, desde seus quatro primeiros artigos definindo os fundamentos do Estado democrático de Direito, nele previstos, com a vocação latino-americana do Brasil.
A constitucionalidade de cada dispositivo a ser incluído nos códigos terá sua validade condicionada a uma Carta modificada por mais de seis dezenas de emendas, circunstância que tornará mais complexa a aferição de cada uma delas sobre o conjunto normativo, além das divisões e subdivisões a partir dos artigos na formal original.
Dou um exemplo. Do primeiro artigo da Constituição até o 135, no espaço que vai dos direitos fundamentais e sociais até as funções essenciais da Justiça, as quais incluem a advocacia, há mais de mil divisões e subdivisões do texto aprovado em 1988.
Muitas delas foram alteradas desde que publicadas pela primeira vez, em outubro daquele ano.
Os dados aqui reunidos pretendem mostrar que, se não adotarmos cautelas severas na reforma dos códigos, logo estaremos a suscitar questões novas nos tribunais, antes que estes tenham resolvido por inteiro problemas enfrentados nos quase 23 anos de vigência da atual Constituição do Brasil.
As pretendidas reformas -muito necessárias- não serão bem-sucedidas sem o ajuste com a estrutura na qual produzirão seus efeitos, apenas embaraçando o trabalho de as interpretar.
Será um salseiro, no significado que a língua portuguesa do Brasil lhe deu, ou seja, de confusão grave, discussão inútil.
As atualizações das leis são imprescindíveis, com muitos espaços abertos nas normas relativas ao comércio interno e externo, bem como para a adequação das novidades criadas pelos novos meios de comunicação e para a preservação dos meios tradicionais.
Em termos de liberdade de informação, mais do que em muitos dos outros, a sociedade deve estar atenta. Os salseiros são terreno ideal para os que se esforçam pela obstrução das liberdades.

É POBRE? FODA-SE

MÔNICA BERGAMO - PLANTÃO MÉDICO


PLANTÃO MÉDICO
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 21/05/11

A OSB (Orquestra Sinfônica Brasileira) foi inabilitada pelo Ministério da Cultura por não ter apresentado a prestação de contas de um de seus projetos apoiados com recursos da Lei Rouanet. A medida proibiu a fundação de apresentar novos pedidos de incentivo na pasta e "congelou" aqueles que já tramitavam no MinC.

ESTICA E PUXA
A sanção foi aplicada no dia 20 de abril, quando venceu o prazo, que já havia sido prorrogado, para a prestação de contas de cerca de R$ 20 milhões captados para financiar atividades da orquestra entre 2009 e 2010. O MinC comunicou a fundação e deu mais 20 dias para a apresentação dos documentos. A OSB diz que está dentro desse prazo e promete regularizar a situação nos próximos dias.

MEDIDA
O faturamento da consultoria de Antonio Palocci, de R$ 20 milhões apenas no ano eleitoral de 2010, revelado pela Folha, deixou até integrantes do PT perplexos. Um deles registrou: o ministro faturou o equivalente a quase a metade dos recursos movimentados no escândalo do mensalão (R$ 55 milhões). Com um detalhe: o então tesoureiro do partido, Delúbio Soares, distribuiu os recursos para centenas de pessoas e pagou outras tantas despesas da legenda.

BALA NA AGULHA
Em oito anos o poder de compra dos consumidores de alta renda aumentou 41,2%, segundo pesquisa da consultoria MCF e da Data Popular que será apresentada no evento Atualuxo, na próxima semana. O estudo ressalta que o número de pessoas que ganharam mais de R$ 20 mil por mês saltou de 522.284 em 2002 para 1.030.079 em 2010.

NOVOS CONSUMIDORES
O levantamento também traz dados que mostram o impacto da chamada nova classe média no mercado de luxo. No setor de perfumaria e cosméticos, esse grupo foi responsável por 56% das vendas; no de óculos escuros, por 35%, e no de bebidas, por 25%.

FESTA NA FLORESTA
A ONG SOS Mata Atlântica comemorou anteontem 25 anos, no Pavilhão da Bienal, abrindo a mostra "Viva a Mata". Foram à cerimônia a cantora Wanessa, a apresentadora Regina Casé, os empresários Guilherme Leal e Roberto Luiz Leme Klabin e os políticos Bruno Covas e Marina Silva.

SUÍTE PRESIDENCIAL
A abertura da Casa Cor, evento de arquitetura e decoração, acontece amanhã no Jockey, em SP. Entre os destaques, a suíte inspirada no ex-presidente Lula e na ex-primeira-dama Marisa Letícia. O espaço, das decoradoras Samia Sarayedine Testa e Renata Seripieri, tem objetos pessoais do casal como retratos, chapéus e bola de futebol.

Dona Marisa e Lula viram fotos e aprovaram o resultado. Ela contou que gosta de artesanato, daí a escolha por almofadas feitas por rendeiras e o revestimento de palha natural na parede atrás da cama.

ALERTA

Ricardo Montoro (PSDB-SP) está armando um seminário para 2012 em comemoração dos 30 anos do que chama de "Revolução de 1982" -o início da redemocratização e quando seu pai, Franco Montoro, foi eleito governador de SP. A crise tucana serviu de "alerta", diz. Montoro quer reunir personalidades como Aécio Neves (PSDB-MG) Tasso Jereissati (PSDB-CE), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Roberto Freire (PPS-SP) no Memorial da América Latina.

CEVICHE COM DENDÊ
O jornalista João Santana, que comandou o marketing da campanha de Dilma Rousseff, e sua mulher, Mônica Moura, recebem na próxima semana políticos, celebridades e amigos no Ocho, ceviche-bar que vão inaugurar em Salvador.

Eles contrataram o chef Marcelo Fugita, que fez uma imersão no peruano La Mar, para comandar a cozinha.

CURTO-CIRCUITO

Zélia Duncan faz show hoje, às 21h, na Hebraica. Livre.

Eliane Brum lançará no próximo mês o romance "Uma Duas", pela editora LeYa.

A Carreata da Solidariedade de Moema se concentrará amanhã às 9h na Igreja Nossa Senhora da Esperança.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA, THAIS BILENKY e CHICO FELITTI

EDITORIAL - O GLOBO - Como não fazer uma reforma tributária


Como não fazer uma reforma tributária
EDITORIAL
O GLOBO - 21/05/11

Pela frequência com que se fala em reforma tributária, ela já deveria ter sido feita há tempos. Mas, admita-se, é um tema de difícil tramitação na democracia - na ditadura, foram realizadas pelo menos duas, em gabinete fechado -, por envolver a taxação da sociedade e repartição de renda entre entes federativos. Entende-se por que muito conflito político e social já aconteceu no mundo deflagrado por desentendimentos em torno de impostos.

Mas a lentidão é virtude da democracia, pois são as idas e vindas, dentro e fora do Congresso, fator de amadurecimento de projetos. No caso do Brasil, o tema é discutido há muitos anos, e, mesmo assim, ainda não se chegou a uma fórmula capaz de conseguir um consenso mínimo para aprovação.

Acumula-se uma série de problemas na estrutura tributária brasileira desde a redemocratização, quando foi feita a necessária desconcentração de receitas no Executivo federal, acabando-se com uma característica do regime autoritário.

Houve, então, um primeiro, e talvez decisivo, desvio no processo de desverticalização do sistema tributário: receitas foram distribuídas entre estados e municípios, sem a correspondente transferência de encargos.

Assim, para financiar despesas mantidas sob sua responsabilidade, a União, já na gestão FH, começou a aumentar a carga tributária por meio da criação de "contribuições" (Cide, Finsocial, CPMF), as quais, por não serem "impostos", não são divididas com estados e municípios. Estes, por sua vez, apertaram o torniquete no ICMS, e por tudo isso o contribuinte brasileiro padece sob a mais pesada carga tributária do bloco de economias emergentes (35% do PIB).

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, tenta avançar num projeto de reforma. No governo Dilma Rousseff, decidiu-se atacar alguns pontos específicos. Um deles, o da desoneração da folha de salários. O alvo é correto. Mesmo com todo o crescimento econômico de 2010, pouco menos da metade do mercado de trabalho continua na informalidade, dado o peso dos encargos sobre o salário pago a quem tem carteira assinada. A questão é saber se a perda de receita do INSS será toda compensada pela criação de novo imposto. O ideal é repor a perda em parte com corte de gastos.

Mas, como em vezes anteriores, a postura de estados não é animadora. Em reunião, quarta-feira, com Mantega, governadores do Sul e do Sudeste aproveitaram a conversa sobre reforma tributária para reivindicar mudança no contrato de renegociação de dívidas, feita no início da Era FH, essencial para o reordenamento das finanças públicas, sem o que não haveria estabilidade econômica. A reivindicação é antiga

Querem mudar o indexador da dívida remanescente do IGP-DI para um índice supostamente mais camarada. Isso implica alterar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), um dos pilares da estabilidade econômica. Não vale a pena correr o risco. O melhor é o ministro não deixar prosperar o assunto, para evitar que, também como em vezes anteriores, a reforma tributária seja usada como pretexto para relaxar parâmetros da responsabilidade fiscal. É preciso fechar o foco em temas essenciais, além da redução da carga sobre a folha de salários: simplificação do ICMS, desoneração da produção e dos investimentos, por exemplo.

GOSTOSA

JOSÉ SIMÃO - Ueba! Xuxa dá palmada no ganso!


Ueba! Xuxa dá palmada no ganso! 
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SÃO PAULO - 21/05/11

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador- geral da República! Olha a placa na gôndola de azeites e torradinhas do Pão de Açúcar: "Uma entradinha bem caprichada não faz você feliz?". FAZ! Então não é Pão de Açúcar. É Pau de Açúcar! Rarará!
Tem que avisar o Pão de Açúcar que tudo no Brasil tem duplo sentido! E esta do Extra: "Super Oferta Extra: mesa de ferro fudido". Rarará! E ainda cobram R$ 189 por mês! E o ex-diretor do FMI (Fornicar Mulher Ilegalmente) atacou a camareira, foi preso e teve sua carreira política exterminada.
Se fosse no Brasil, ele dispararia nas pesquisas e a camareira posaria pra "Playboy"! Final Feliz! E o mundo caiu na gandaia! Ex-diretor do FMI ataca a camareira, e o Schwarzenegger comeu a empregada. Rarará! Que coisa sórdida. Transar com empregada é a coisa mais antiga do mundo!
Ele é Exterminator ou Bulinador? O Bulinador do Passado! E como dizia uma amiga minha: "Qualquer homem é perfeito contanto que não coma a empregada". Rarará!
E a melhor declaração do Schwarzenegger: "O pênis não é um músculo". O pênis não é um músculo porque o dele deve ser minúsculo! Rarará!
E tá todo mundo perguntando: o Palofi cai? O Palofi não cai, ROLA! Com aquela pança da Nhá Barbina. E eu já disse que o Palofi não cai porque ele se defendeu com muita propriedade. Muuuitas propriedades. Rarará! E um leitor me disse que o Palofi tá deixando o Eike Batista com complexo de inferioridade! Rarará! E uma das clientes da empresa do Palofi: AMIL. E pagou quanto? AMIL por segundo! Rarará!
E a Xuxa? Tá na mídia. Primeiro declarou na Argentina que dormia com "pênis de ganso" e depois apareceu no Congresso para apoiar a Lei da Palmada. Já sei, a Xuxa só dá palmada no ganso! E depois que o Palofi aumentou o patrimônio em 20 vezes, já tem gente querendo que ele aumente tudo em 20 vezes.
Olha a charge do Rico com o Palofi dando consultoria: "Qual o seu problema meu senhor?". "Disfunção erétil!" Aumenta aí! Vinte vezes! Rarará!
E mais uma predestinada direto de Curitiba. Gerente do Clube Liberal: dona Liberalina. Ai, dona Liberalina, libera o Liberal! Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza! Hoje só amanhã!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

CLÓVIS ROSSI - O "povo unido" despreza partidos


O "povo unido" despreza partidos
CLÓVIS ROSSI 
FOLHA DE SÃO PAULO - 21/05/11

Nem a eleição na Espanha amanhã segura protestos contra partidos e políticos, inspirados no mundo árabe


A ESPANHA faz amanhã eleições autonômicas e municipais. O partido que governa o país desde 2004 (PSOE, Partido Socialista Operário Espanhol) vai tomar uma baita surra, a julgar por todas as pesquisas.
Mas essa não é a notícia. Notícia é exatamente o oposto: o nascimento, uma semana antes da votação, de um movimento que não acredita que eleições possam mudar as coisas e fazer cessar as causas pelas quais se dizem indignados (um dos nomes do movimento, também chamado de 15M, pela data em que nasceu, ou "Democracia Real Já").
A moçada (58% têm até 35 anos) ocupa as principais praças de 60 cidades espanholas e 14 no exterior, inclusive a vizinha Buenos Aires. Hoje haverá ato em frente ao consulado espanhol em São Paulo.
O movimento de massas chocou todo o establishment, de partidos políticos à mídia, passando pelos sindicatos e pelas ONGs.
Natural: é uma reprodução das rebeliões nos países árabes (inspiração não negada pelos organizadores), mas que ocorre em um dos países mais democráticos do planeta, com amplo espaço para reivindicações, protestos e com um calendário inabalável de eleições, o modo convencional de mudar políticas. O problema está justamente aí: o modo convencional não está funcionando, como o indica o nome oficial do movimento ("Democracia Real Já").
Desconfiança que vem de longe, como explica o assessor de comunicação Antoni Gutiérrez-Rubí, em artigo para "El Pais": "Três de cada quatro cidadãos têm opinião negativa ou muito negativa dos partidos e dos políticos" (agentes óbvios de qualquer democracia). Mais: "Ocupados com o poder -em mantê-lo ou conquistá-lo- renunciaram, demasiadas vezes, à legitimidade das ideias". (Você tem alguma dúvida de que ambas as frases se aplicam, na integralidade, ao Brasil?).
Da desconfiança em relação aos partidos diz bem um dos cânticos das praças de Espanha, uma nova versão para o clássico de esquerda "o povo unido jamais será vencido". Cantam agora "o povo unido funciona sem partidos". (Ouvir-se-á no Brasil em algum momento?).
Que há um ar de esquerda nos acampamentos montados em toda a Espanha, parece inegável.
Mas, escreve para o "Guardian" o jornalista Miguel-Anxo Murado, o movimento "em última análise representa a frustração daqueles que veem que, votem como votem, as políticas econômicas são ditadas pelos mercados".
(No Brasil de 2002/03, votou-se por Lula mas governou-se com políticas aprovadas pelos mercados. Deu certo, é verdade, mas dava certo também na Espanha, tanto que o PSOE ganhou a reeleição em 2008, ano em que a crise eclodiu e devastou o país, vítima hoje de obscenos 20% de desemprego).
Convém lembrar que, além das revoltas árabes, também em Portugal e na Grécia, há protestos nascidos longe dos canais usuais (partidos, ONGs, sindicatos).
É cedo para dizer se esses movimentos algo anárquicos terão permanência ou serão apenas um "happening" meio indignado, meio festivo. Mas que são um sopro de ar fresco, é inegável, de que dá prova um dos cartazes vistos na "Puerta del Sol" de Madri: "Abram o cérebro tão frequentemente como o zíper da calça" (não parece alusão ao episódio Strauss-Khan).

GOSTOSA COM MUITO COLESTEROL

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE


Eles usam black-tie
SONIA RACY
O ESTADO DE SÃO PAULO - 21/05/11

A festa de entrega do prêmio Homem do Ano, quinta-feira à noite, no tradicional Waldorf Astoria de Nova York, bateu recorde de público nos 41 anos de história do evento: 850 pessoas. Pelo lado brasileiro, o escolhido de 2011 foi Fábio Barbosa, do Santander, e pelo americano, Duncan L. Niederauer, CEO da NYSE Euronext.

Como não poderia deixar de ser, o jantar sentado pelo qual se pagou algo como mil dólares por cabeça, foi permeado por dois assuntos pairando sobre as múltiplas mesas espalhadas no salão gigante: o pedido de demissão de Dominique Strauss- Kahn, do FMI, e a confusão em torno de Palocci.
As conversas em relação ao dirigente do fundo não se concentravam no temor de eventual mudança de diretrizes do FMI. O impacto sentido era mais pela natureza sexual do escândalo, visto que alguns dos presentes o conhecia pessoalmente.

No caso do ministro da Casa Civil, a preocupação era visível e real. Considerado esteio de Dilma, tanto na área política bem como o mais importante interlocutor da presidente junto ao sistema financeiro e empresarial, uma eventual saída forçada de Palocci do governo era considerada absolutamente desastrosa por boa parte do PIB brasileiro.

Entretanto, os dois temas não atrapalharam o brilho da noite black-tie. Escolhido para apresentar Barbosa, FHC foi só elogios. Destacou que "não é todo dia que se tem oportunidade de se fazer uma homenagem a alguém que se admira". E no seu discurso, entremeado por frases ditas em inglês e português, um fato chamou a atenção: as inúmeras vezes em que o ex-presidente classificou o executivo como "figura pública".

Muito já se especulou sobre a possibilidade do atual presidente do conselho do Santander aceitar trabalhar em cargo público. Indagado sobre o assunto, Barbosa sequer admite ter sido convidado para tanto. E repete, como sempre, não ter talento para o setor. Mesmo sabendo ser unânime o reconhecimento dos players da iniciativa privada da sua capacidade de conciliação sem abrir mão de princípios básicos. Característica essa que o credenciaria para voos mais altos.
Como bem frisou Fernando Henrique, a crença de Barbosa nos "valores universais e na ética embasaram seu trabalho de transformação da sociedade". E lembrou ter sido o executivo o primeiro do setor financeiro a "militar" a favor do meio ambiente em 2001. Quando instituiu regra, no Banco Real, de veto a empréstimos para empresas que comprovadamente danificam o meio ambiente.
Emendando na fala de FHC, Barbosa, emocionado (levou consigo família e grupo de amigos históricos), falou sobre sua trajetória e pregou: hoje, a reforma mais urgente na sociedade é a reforma de valores. Deixou bem claro que há, sim, como fazer as coisas certas do jeito certo. "O jogo é duro, mas miramos na bola e não na canela do adversário", ensinou.

No fim do seu discurso, uma frase deixa dúvida no ar sobre seu futuro profissional: "Nós precisamos ser a mudança que desejamos no outros".

Viajaram a NY para prestigiar o Homem do Ano Roberto Setubal, Pedro Moreira Salles, Carlos Alberto Vieira, Pérsio Arida, Jose Olympio Pereira, Luis Felipe e Luis Octavio Índio da Costa, Antonio Maciel, Candido Bracher, Wilson Ferreira, Josué Gomes da Silva, José Berenguer, Maurílio Biagi, entre outros. Dilma, por sua vez, mandou texto que foi lido no palco. E Jorge Paulo Lemann gravou vídeo especial.


SONIA RACY VIAJOU A CONVITE DA CÂMARA DE COMÉRCIO BRASIL-EUA, IDEALIZADORA DO PRÊMIO.

Aguardadas
O Masp receberá ano que vem duas exposições de peso: Giorgio de Chirico e Modigliani.

Oxalá
Cultura em alta, com as bênçãos de Oxalá. Antônio Lins, ex-secretário de Cultura de Salvador, deve ser candidato a vice-prefeito na chapa de Juca Ferreira, ex-ministro da Cultura.

Na cidade onde todos são filhos d"Ogum.

Aperto
Palocci é alvo também na Câmara Municipal de SP. Vereadores prometem entrar com requerimento para obter informações da consultoria Projeto, quarta-feira, na reunião da Comissão Permanente de Finanças e Orçamento. Querem saber quanto a empresa do ministro pagou de ISS e se houve sonegação.

O presidente da comissão, de nove membros, é Antonio Carlos Rodrigues, suplente de Marta Suplicy. O requerimento terá que ser aprovado pela maioria.

Lucro

Maurício Tonhá, empresário e prefeito de Água Boa (MT), tem missão e tanto: vender 25 mil bois por R$ 17 milhões, hoje, no megaleilão da Estância Bahia. Isso, um mês depois de conseguir um feito: faturar R$ 36 milhões por 41 mil cabeças de gado.

Ponto chic
A rua Bela Cintra, lado Jardins, ganha loja de 800 m² e 23 ambientes: a Star Home.

Flávia Martini recebe clientes em esquema "soft opening" até a tarde de hoje.

CESAR MAIA - Onda azul


Onda azul
CESAR MAIA
FOLHA DE SÃO PAULO - 21/05/11

No Brasil, ignora-se a geopolítica. Portugal, o Império e o início da República resolveram nossas questões de fronteiras. A vertical do Tratado de Tordesilhas (1494) partia da Ilha de Marajó e excluía do Brasil colonial parte do Sudeste, o Sul, o Centro-Oeste e a Amazônia. Os limites foram empurrados para o oeste.
Dom João 6º ocupou a Guiana e a Província Cisplatina, defendendo as fronteiras. Depois, os Estados-tampão eliminaram riscos, ao norte e ao sul. O Império impediu aventuras internas (o fatiamento territorial) e externas. Neste caso, inibindo o Paraguai e absorvendo fronteiras naturais com a Bolívia. Em 1903, a República comprou o Acre. Foi um processo de ocupação por brasileiros, desde o Império.
Pesquisas de opinião mostram que o fator espacial fala mais alto. Qualquer georreferenciamento mostra isso. Basta ver o mapa eleitoral do Brasil. Não há salpicamento de pontos de opinião, mas manchas sub-regionais.
A geopolítica sempre esteve à frente das diplomacias otomana, britânica, russa, alemã, francesa, americana, num efeito dominó. Vide agora as rebeliões no norte da África.
O desenho da América do Sul mudou desde 1879, com a Guerra do Pacífico (com o Chile triplicando seu território ao avançar sobre o Peru e a Bolívia), a divisão da Patagônia chilena por pressão argentina, até a Guerra do Chaco, entre a Bolívia e o Paraguai (este ampliou seu território em 87%).
Os conflitos armados de fronteira entre o Peru e o Equador só foram resolvidos no final dos anos 90. As demandas da Bolívia, por uma saída ao mar, e do Peru, pela linha de fronteira marítima, com o Chile estão pendentes.
Desde a crise econômica de 1997-98, entrou e cresceu a onda vermelha na América Latina, partindo da Venezuela e avançando por Equador, Bolívia, Nicarágua, Honduras (obstruída), Argentina e Brasil -neste último, mitigada pelo mensalão em 2005 e pela ascensão sindical na direção do PT. Tal onda está desbotando.
Agora há uma nítida e crescente onda azul. São exemplos a vitória de Sebastián Piñera no Chile, de Ricardo Martinelli no Panamá, a virada de Juan Manuel Santos na Colômbia, a vitória nominal da oposição em 2010 na Venezuela, o empate no plebiscito equatoriano em 2011, o crescimento de Keiko Fujimori no Peru, a impopularidade de Evo Morales na Bolívia, o aumento do voto conservador no Brasil e a "amebização" do Congresso, bem como as expectativas eleitorais desse ano na Guatemala e na Nicarágua.
Mas a política brasileira ignora a geopolítica, o que abre espaços para o chavismo presente no governo federal. Espera-se que a eleição de deputados para o Parlasul (Parlamento do Mercosul) coloque na ordem do dia do debate público brasileiro a geopolítica na América Latina.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

RUY CASTRO - Rebeldes


Rebeldes
RUY CASTRO
FOLHA DE SÃO PAULO - 21/05/11

RIO DE JANEIRO - Há dias, morreu na Califórnia uma atriz de Hollywood. Chamava-se Mary Murphy, tinha 80 anos e não era famosa. Não que o tenha sido um dia e, depois, esquecida -nunca chegou a ser. Eu próprio, ao ver seu nome no "New York Times", não a associei a nenhum rosto ou filme. Depois, ao ler mais, situei-a facilmente. É a jovem ingênua e doce pela qual Marlon Brando quase se enternece em "O Selvagem", de 1953.
Mary tinha então 22 anos, mas o papel não foi suficiente para tirá-la da zona fantasma. Dali, fez alguns seriados de TV e, na década de 70, aposentou-se. Provavelmente casou-se, teve filhos, converteu-se ao avental sujo de ovo e foi feliz. Por que, então, falar dela?
Porque, na brutalidade que caracteriza "O Selvagem" -duas gangues de motociclistas barbarizam uma cidadezinha americana, vandalizando lojas, ofendendo cidadãos, humilhando mulheres-, ela protagoniza o único momento de lirismo do filme. É quando, no papel de balconista da lanchonete, tenta entender a cabeça de Brando e pergunta: "Você é contra o quê?". E ele, frio: "O que você sugere?".
É um diálogo representativo daquela que, no Brasil, se chamou de "juventude transviada" e, nos EUA, com mais propriedade, de "rebeldes sem causa". Num tempo de feroz racionalismo, como os anos 50, supunha-se que, se uma geração se rebelava, devia haver uma causa -um alvo-, nem que fosse a família, os mais velhos, o sistema.
Para estes, que eram os potenciais inimigos, parecia incompreensível que tal "rebeldia" acontecesse no país mais rico do mundo e numa época, como aquela, de escandalosa prosperidade. Não havia motivo, pensavam. Com o tempo, aprendemos que o buraco era mais embaixo: nem precisava. O personagem de Brando não sabia contra o que estava se rebelando. Mas aceitava sugestões e, para ele, qualquer uma servia.

Amauri Segalla e Bruna Cavalcanti - O assassinato da língua portuguesa


O assassinato da língua portuguesa 
 Amauri Segalla e Bruna Cavalcanti
REVISTA ISTO É

Livro distribuído pelo MEC que tolera erros gramaticais como "os livro" e "nós pega" causa estragos no aprendizado de meio milhão de brasileiros e atrapalha o desenvolvimento do País


Imagine a seguinte cena: na sala de aula, o adolescente levanta o braço para perguntar à professora se ele pode falar "nós pega o peixe". Ato contínuo, a mestre pede ao jovem para consultar o livro "Por uma Vida Melhor" e dar uma olhada na página 16. Sedento por conhecimento, o aluno acompanha com olhos curiosos enquanto a docente lê o trecho proposto. O garoto, enfim, sacia a dúvida: sim, ele pode falar "nós pega o peixe". Está escrito ali, claro como a soma de dois mais dois em uma cartilha de matemática. Com nuances diferentes, a situação descrita acima provavelmente vai se repetir em milhares de escolas públicas de todo o País. Não é difícil calcular os efeitos nefastos no futuro dos 485 mil estudantes do ensino fundamental que devem receber a obra distribuída pelo Ministério da Educação por meio do Programa Nacional do Livro Didático. De autoria da professora Heloísa Campos e outros dois educadores, "Por uma Vida Melhor" defende a ideia de que erros gramaticais são aceitáveis na língua falada. Para Heloísa, frases como "os livro ilustrado mais interessante estão emprestado" (tal pérola aparece em destaque no material) não podem ser condenadas se forem expressas verbalmente. Mesmo que em uma sala de aula.

Autora desconhecida, sem grandes feitos na área da educação, Heloísa se viu no centro de uma polêmica que envolveu escritores, linguistas e professores. Por mais que alguma voz aqui e ali tenha defendido os argumentos de Heloísa, além dos eternos demagogos de plantão, a maioria esmagadora condenou seus métodos de ensino. Uma das mais importantes escritoras brasileiras, Nélida Piñon tem autoridade - como poucos, a propósito - para falar sobre a língua portuguesa. Eis seu veredicto: "O livro confirma a tese de que esteve sempre em curso no Brasil o projeto de manter uma legião de brasileiros como cidadãos de segunda classe", diz a autora de "Vozes no Deserto". Escritor que conseguiu a rara combinação de fazer sucesso junto ao público e, ao mesmo tempo, conquistar a crítica, Fernando Morais está indignado. "Esse livro é uma barbaridade", diz o biógrafo do jornalista Assis Chateaubriand. "Trata-se de um desastre, o oposto do que é pregado por uma pessoa minimamente civilizada." Linguista com décadas de serviços prestados à educação brasileira e ex-professor da Unifesp, Francisco da Silva Borba amplia a discussão. "O aluno tem que ser ensinado", afirma. "Se ele tolerar infração às regras, então para que serve a escola?"

Sob diversos aspectos, "Por uma Vida Melhor" tem potencial para piorar a existência de meio milhão de brasileiros. Se realmente for levado a sério pelas escolas públicas, a obra vai condenar esses jovens a uma escuridão cultural sem precedente. Ao dificultar o aprendizado da norma correta, os professores da ignorância terão criado uma espécie de "apartheid linguístico", para usar uma expressão do ex-ministro da Educação Cristovam Buarque. De um lado, os ricos e bem instruídos. De outro, os jovens reféns da falta de conhecimento gramatical. Se é evidente que o livro assassina a língua portuguesa, na medida em que diz que o aluno pode, na fala, escolher usar a concordância ou não, por que diabos ele teve o aval do MEC? Procurado, Fernando Haddad, o atual ministro da pasta, não quis se pronunciar (leia quadro). A autora Heloísa Campos pelo menos não se furtou ao dever de defender sua obra. "Falar 'os livro' do ponto de vista da linguagem popular não é um erro", diz a professora. "A nossa abordagem é de acolher a fala que o aluno traz da sua comunidade. A cultura dele é tão válida quanto qualquer outra."

Embora não faça referências diretas, Heloísa repete as máximas do livro "Preconceito Linguístico", do professor e escritor Marcos Bagno, que faz certo sucesso entre educadores modernos por colocar questões políticas e ideológicas na discussão. Bagno afirma que a linguagem reproduz desigualdades sociais - como se isso fosse uma descoberta assombrosa. É claro que sim. A questão não é essa. Em vez de manter o jovem que não domina a língua imerso na triste ignorância - a pretexto de preservar suas raízes culturais -, por que não retirá-lo de lá? Falar corretamente não é o primeiro passo para, no avanço seguinte, escrever melhor? Escrever melhor não representa uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional? Tente conseguir um emprego falando "nós vai" e você certamente terá suas chances reduzidas a zero. É simples assim.

Pode ser bonito, pode ser simpático, pode ser ousado defender o direito de as pessoas cometerem barbaridades gramaticais, mas na vida prática isso é uma tragédia. É claro que todos nós cometemos erros ao falar - intencionais ou não -, como é óbvio que, em certos ambientes, se expressar como um decano da linguística pode soar arrogante e desnecessário. Mas, na vida real, falar minimamente direito só traz vantagens e são justamente essas vantagens que autores como Heloísa Campos desprezam. "Uma coisa é compreender a evolução da língua, que é um organismo vivo, a outra é validar erros grosseiros", diz Marcos Vilaça, presidente da Academia Brasileira de Letras. "É como ensinar tabuada errada. Quatro vezes três é sempre 12, na periferia ou no palácio." Mesmo para aqueles que, em tese, defendem a abordagem de Heloísa, o livro é visto como uma obra menor. "Não há nenhuma novidade no que o livro diz", afirma o professor de português Pasquale Cipro Neto. "Ele tem uma ou outra passagem meio ingênua, pueril, mas no todo cumpre o seu papel."

Para um país que nos últimos anos vem registrando índices de crescimento assombrosos e tem a ambição de reduzir o abismo da desigualdade social, a educação é talvez a arma mais poderosa que existe. Nesse campo, conforme estudos internacionais demonstram, o Brasil está encalhado na rabeira global. Aqui pouco se lê, pouco se estuda, pouco valor se dá ao conhecimento. Não é hora de mudar? A língua, como já observaram pesquisadores importantes, é um elemento que traduz a identidade nacional. É um instrumento de unificação - e não de segregação entre os que sabem e os que não merecem saber. Ela é, acima de tudo, um princípio de cidadania. Diante da onda de protestos provocada pela notícia da distribuição de "Por uma Vida Melhor", é possível que o livro encontre alguma resistência entre os professores. Na semana passada, a procuradora da República Janice Ascari, do Ministério Público Federal, afirmou que a Justiça provavelmente receberá uma avalanche de ações contra a publicação. Ela própria foi incisiva em seu blog. "Vocês estão desperdiçando dinheiro público com material que emburrece em vez de instruir", escreveu Janice. "Essa conduta é inadmissível." Se as ações vingarem, os jovens terão a chance de dizer, alto e bom som: "Nós pegamos o peixe."

As trapalhadas de Haddad

A polêmica sobre os livros didáticos distribuídos pelo MEC não foi a única a atormentar o ministro Fernando Haddad nos últimos tempos. O episódio da fraude no Enem em 2009, quando foram roubadas provas dentro da gráfica responsável pela confecção dos testes, foi mais uma de suas trapalhadas. No ano seguinte, constatou-se erro na impressão das provas - e de novo a responsabilidade recaiu sobre o Ministério da Educação. À época, os exames correram sério risco de serem cancelados, o que acabou não acontecendo. Os equívocos não param por aí. Neste ano, surgiu a denúncia de fraudes no Prouni, com estudantes beneficiados pelo programa, mas que não se enquadravam nos limites de renda. Ao mesmo tempo, veio à tona o episódio da sobra de vagas, principalmente no caso de bolsas parciais e no programa de educação a distância, o que demonstraria uma falha administrativa. Para aumentar o desgaste de Haddad, entidades internacionais de fomento não cansam de advertir que o grande gargalo ao desenvolvimento do Brasil continua a ser o baixo nível da educação.

O IDIOTA E A MENTIROSA

FERNANDO RODRIGUES - Crise e oportunidade


Crise e oportunidade
FERNANDO RODRIGUES
FOLHA DE SÃO PAULO - 21/05/11
Brasília - O Brasil avança há alguns anos como um aspirante a "global player". A democracia é estável. A moeda, de verdade. Aí sempre vem um escândalo e nos alerta sobre como o país tem uma base institucional atrasada.
O "patrimoniogate" de Antonio Palocci é um desses episódios. Deputado federal de 2007 a 2010, ele foi um próspero consultor de empresas. Não há lei ou regra no Brasil que impeça as duas atividades concomitantes. Se pode ter dois empregos, por que não três?
Em 2010, dava expediente na Câmara, era consultor e também ajudava a arrecadar fundos para Dilma Rousseff. Pelo menos uma empreiteira -com interesse no governo- foi cliente de Palocci e doadora da campanha presidencial petista.
E daí? Daí, nada. O ministro e o governo preferem permanecer em eloquente silêncio. É um direito inalienável. A resposta básica oferecida é a do legalismo: todas as atividades estão em conformidade com a norma vigente. Todos os impostos foram recolhidos.
O desfecho do imbróglio é indecifrável. A tática Armando "nada a declarar" Falcão será confrontada com fatos novos. Apesar dessa incerteza sobre o que vem por aí, a crise é uma excelente oportunidade para o Congresso e o Executivo refletirem sobre disciplinar o comportamento de agentes públicos.
Para começar, deputados e senadores podem exercer seus mandatos e prestar consultoria a empresas? Existem 273 nessa situação. Há um evidente conflito de interesses na praça. O ministro da Casa Civil transformou-se no epítome de algo generalizado e tolerado há décadas na política nacional.
Se Palocci prefere ficar em silêncio, joga-se o jogo. Ele estará na cadeira enquanto Dilma o desejar no cargo. Já a presidente da República pode responder de outra forma. Nada a impede de apresentar um projeto que no futuro elimine o vácuo institucional hoje preenchido por toda sorte de "consultoria".

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA


Caminho de volta
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 21/05/11

Embora ninguém duvide de que, no encontro de ontem entre Dilma Rousseff e Franklin Martins, a crise envolvendo Antonio Palocci (Casa Civil) tenha entrado em pauta, o fato é que a conversa da presidente com o ex-ministro de Lula estava nos planos havia tempos. Antes mesmo de ir à China, ela pretendia recebê-lo. A pneumonia acabou postergando o evento no qual, segundo assessores, Dilma sondaria Franklin sobre a possibilidade de voltar ao governo.
Entre as opções que seriam postas à mesa está a Anatel. O mandato do atual presidente, Ronaldo Sardenberg, expira em 5 de novembro deste ano.

Fronteira 
Mesmo os oposicionistas mais desmotivados avaliavam ontem que a revelação dos R$ 20 milhões faturados pela empresa de Antonio Palocci no ano eleitoral de 2010 aproxima o caso da campanha de Dilma Rousseff à Presidência.

Olha lá 

Se levar adiante a ideia de coletar assinaturas para CPI sobre os negócios do chefe da Casa Civil, a oposição terá pela frente tarefa dificílima. Ainda assim, as poucas defecções no PDT, no PP e no PTB quando foi votada a convocação do petista para depor na Câmara deixaram o governo em alerta.

Reservado 
A Petrobras não informa quantas vezes Palocci se reuniu com seu presidente na época em que foi consultor. Alega que a agenda da diretoria não é pública, pois se trata de empresa de economia mista.

Prontuário As informações inicialmente divulgadas sobre a pneumonia de Dilma se revelaram improcedentes não apenas quanto ao fato de a infecção não ter sido "leve". Agora, assessores da presidente admitem que foram atingidos os dois pulmões, e não somente um.

Que crise?

Em mais um esforço para restaurar a rotina do Planalto, Dilma convocou reunião da coordenação política do governo para segunda. Havia semanas que esse encontro não acontecia.

Arame farpado 
Foi tensa a reunião do MST com o governo, quinta. Apesar de elogios às ações de agricultura familiar, o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) ouviu duras cobranças quanto à reforma agrária.

Reforço 
O presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D'Urso, deve se filiar nos próximos dias ao PTB. Dirigentes avaliam que o criminalista pode ser candidato à prefeitura da capital em 2012, já que Gabriel Chalita, também cortejado pelos petebistas, decidiu ingressar no PMDB.

Abrigo 

Depois de ceder ao grupo de Paulo Maluf (PP) a presidência da CDHU, Geraldo Alckmin atendeu o PSC e instalou o ex-deputado Said Mourad, que não se reelegeu, na assessoria de novos negócios do Metrô.

Oremos 
Também em franca campanha por cargos no Bandeirantes, o PDT ficará com o comando do Conselho de Ética da Assembleia. O favorito ao posto é o pastor evangélico José Bittencourt.

Pente-fino
Alckmin criou grupo de trabalho para rever os critérios de contratação de assessoria de comunicação para as secretarias e elaborar os editais para os novos certames, já que as empresas atuam desde janeiro sob acordos temporários.

O Detran-SP rastreou um internauta que confessava no Twitter ter pago para obter carteira de habilitação e anunciava até a data em que fez a prova. O prontuário foi bloqueado para investigação.

Visita à Folha 
Jon Lee Anderson, jornalista americano e autor, entre outros livros, de "Che - Uma Biografia", visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Gunter Axt, um dos curadores do 3º Congresso Internacional de Jornalismo Cultural.

com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

tiroteio

"A declaração de Aldo Rebelo culpando o Ibama pelo salto brutal do desmatamento na Amazônia beira o cinismo."
DO DEPUTADO IVAN VALENTE (PSOL-SP) em resposta ao relator do novo Código Florestal, segundo quem o instituto está mais preocupado em multar pequenos agricultores do que em fiscalizar o desmate ilegal.

contraponto

Diminutivos

Quando algum curioso pergunta à prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, de onde ela retirou a ideia de se fantasiar de joaninha no Carnaval deste ano, chamando a atenção de foliões e jornalistas da capital cearense, a petista esclarece:
-É que eu sempre tive fama de durona, de mandona. Desta vez eu decidi ser "inha": meiguinha, boazinha...

GOSTOSA

FERNANDO DE BARROS E SILVA - Polícia e autonomia na USP


Polícia e autonomia na USP
FERNANDO DE BARROS E SILVA
FOLHA DE SÃO PAULO - 21/05/11
São Paulo - "Não é um caso como esse que vai nos dar um argumento bom para colocar a PM dentro da USP." Ouço a frase um pouco estupefato. Quem fala à videorreportagem da Folha.com é uma respeitável professora da Faculdade de Economia e Administração da USP. Ela se refere ao assassinato do estudante Felipe Ramos de Paiva, quarta à noite, no estacionamento da FEA, morto com um tiro na cabeça.
Não é mesmo o caso de espetacularizar a tragédia. Nem de minimizá-la. O que mais seria necessário para escancarar que a USP se tornou um lugar inseguro? Ou antes: existe algum bom argumento para que a PM não esteja dentro da USP? Não consigo pensar em nenhum.
Até quando a universidade ficará refém da mentalidade que herdou do regime militar, quando, de fato, a polícia entrava no campus para reprimir e prender arbitrariamente estudantes e professores?
Passaram-se 40 anos. Quem, de fato, acredita que a presença da PM possa significar ameaça à liberdade de manifestação na USP? Ela vai, isso sim, como parece óbvio, aumentar a proteção das pessoas que lá estudam e trabalham, ainda que não seja a única medida a ser tomada, como também vem sendo debatido.
Estamos falando de uma área correspondente a 440 campos de futebol, com vários espaços ermos e muitos pontos de acesso, por onde circulam diariamente até 100 mil pessoas, sendo 80 mil entre docentes, funcionários e alunos.
Ninguém aqui defende a "militarização" do campus. Isso é tolice. O problema talvez seja o inverso. A ideia de que a USP seja um "território livre", uma comunidade imune às regras do mundo externo, é uma distorção abusiva da autonomia universitária conquistada nos anos 80, reforçada ainda pela visão idílica e idealizada do campus, resquício de um pensamento de esquerda afinal muito pouco republicano.
Dizer, hoje, "aqui a polícia não entra" não passa de um cacoete autoritário de quem, já sendo autônomo, gostaria de ser soberano.

CLÁUDIO HUMBERTO



“Acho que não há motivo nenhum para nenhuma CPI”
SENADOR JOSÉ SARNEY, PARA QUEM NÃO HOUVE “CRIME OU CONTRAVENÇÃO” DE PALOCCI

PEDOFILIA: DURVAL FOGE DE INTIMAÇÃO PARA DEPOR 
O operador e depois delator do esquema do “mensalão do DEM” no DF, Durval Barbosa, apresentou atestado médico de uma clínica de fertilização, válido por quinze dias, e renovado na quarta (18), para não depor no inquérito policial em que é acusado de abuso sexual contra duas crianças. E que crianças. O Estatuto da Criança e do Adolescente proíbe mencionar as vítimas informando seus nomes ou o eventual grau de parentesco com o acusado, para que não sejam identificadas.

PARA ELE, VINGANÇA 
Durval diz ser alvo da vingança da ex-mulher Fabiane, que o denunciou à polícia. Mas os testemunhos, sobretudo das vítimas, são chocantes.

MEIO IMPEDIMENTO 
Na vigência do atestado médico que usou para driblar a polícia, Durval prestou depoimento no Ministério Público Federal.

INDICIAMENTO 
Policiais civis afirmam que há provas suficientes, incluindo laudos de especialistas, para indiciar Durval e a Justiça decretar sua prisão.

MJ SABE DO CASO 
Sentindo-se ameaçadas, pessoas ligadas a ex-mulher de Durval foram ao Ministério da Justiça. Agora, a Polícia Federal monitora o caso.

GOVERNO JÁ ADMITE SAÍDA DE PALOCCI NA TERÇA, 24 
Fontes do Planalto confirmaram a esta coluna que o agravamento da crise, com novas denúncias contra o ministro Antonio Palocci (Casa Civil), permite antever sua demissão até a terça-feira (24), a depender ainda do noticiário deste fim de semana, “a não ser que ocorra um milagre até lá”, conforme assessor presidencial. Palocci já colocou o cargo à disposição duas vezes, mas a presidente Dilma recusou.

O ZORRO 
A era palocciana parece no fim. O ex-caseiro Francenildo, morador da cidade de São Sebastião (DF), já dá entrevistas “zoando” do ministro. 

CONTRATA-SE 
Fora do cargo, Palocci poderá assumir a empresa, mas vai precisar de caseiro para controlar o entra-e-sai de tubarões na consultoria Projeto.

O ‘CO’ DO ‘CO’ 
Antes da crise, Palocci, olheiro de Lula, era um ‘copresidente’. Agora só cuida de salvar a pele. Gilberto Carvalho virou o tal ‘copresidente’.

ME ERREM 
O ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) mergulhou, escafedeu. Não quer se envolver no escândalo e nem admite falar na possibilidade de trocar de ministério, assumindo a Casa Civil.

BALEADO PARA SEMPRE 
Escapando da degola, Palocci verá questionados, doravante, quaisquer atos (ele recebeu ampla delegação de poderes de Dilma) favorecendo grupos. Como na formação do consórcio do trem-bala, por exemplo...

GIRASSÓIS DA RÚSSIA 
Exemplos de discrição e suavidade nos gestos, o vice Michel Temer e o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) viajaram à Rússia e desembarcaram de volta na completa muda.

ROUBO NO PIAUÍ 
O Tribunal de Justiça autorizou a Polícia Federal a quebrar o sigilo bancário, fiscal e telefônico de sete deputados estaduais. Há suspeitas de roubo semelhante àquele ocorrido há alguns anos em Alagoas.

ORACLE SE EXPLICA... 
Cyro Diehl, da Oracle do Brasil, afirma que justificou sua ausência na audiência pública de quinta (19) na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara e que não foi notificado a esclarecer processos licitatórios.

...E COMISSÃO NOTIFICA 
O presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, Bruno Aguiar (PSDB-PE), confirmou que a Oracle e Mauricio David Teixeira, da Ação Informática, serão notificados na próxima semana a explicar em cinco dias a venda sem licitação de seus produtos ao governo.

CAIXA REGISTRADORA 
O escritório de Oscar Niemeyer continua faturando alto em Brasília. Receberá R$ 77 mil só para elaborar o projeto de arquitetura de elevadores externos de um anexo do Supremo Tribunal Federal.

FILME QUEIMADO 
A liderança do PT na Câmara diz que Paulo Teixeira (SP), defensor de cooperativa de 
plantações de maconha para viciados, não poderia atuar em defesa de Palocci porque está na Coréia. Mas o governo pediu que, para ajudar o ministro, ele evitasse telefonar a deputados.

PENSANDO BEM... 
...a CPI do Palocci, se for mesmo criada no Congresso,
será Mista: meio mussarela, meio peperoni. 

PODER SEM PUDOR 
O BRILHO DE FRUET 
O depoimento de Marcos Valério já durava quase 14 horas quando chegou a vez de o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) formular mais perguntas. O presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), exausto, pediu uma intervenção objetiva. Rápido no gatilho, Fruet lembrou o bom humor e a brilhante inteligência do pai, o saudoso deputado Maurício Fruet:
– Será uma intervenção minissaia, presidente: curta, justa e provocante...

CALCANHAR

SÁBADO NOS JORNAIS

O Globo: Fraudes e descontrole no Ecad prejudicam músicos

Folha de S. Paulo: Em 2 meses, após a eleição, Palocci faturou R$ 10 mi

O Estado de S. Paulo: Oposição se articula para criar CPI sobre Palocci

Correio Braziliense: Segurança privada vira obsessão no DF

Estado de Minas: Sabe o que eles aprendem todo dia na escola?

Jornal do Commercio: Começa a Via Mangue

Zero Hora: Procurador dá 15 dias para Palocci se explicar