sábado, dezembro 04, 2010

ANCELMO GÓIS

DIA SEGUINTE
ANCELMO GÓIS
O GLOBO - 04/12/10
 
Lula, assim que passar a faixa a Dilma, dia 1 de janeiro, um sábado, segue para São Bernardo do Campo, de onde se pirulita, na segunda, para uma praia no Nordeste.

SEGUE... 
O presidente tem muitos planos para depois.
Um deles, de vez em quando, jogar no Politheama, o time de pelada de Chico Buarque, no Rio.

CIDADES DA SOLDA 
A Petrobras vai instalar no Complexo do Alemão o projeto Cidades da Solda, de formação de mão de obra qualificada para o trabalho de soldagem.
Iniciado 2005, em Contagem, MG, por intermédio do Senai, o projeto já tem unidades em São Paulo e em Duque de Caxias, RJ, ao lado da Reduc.

CELEBRIDADE... 
Aliás, José Mariano Beltrame, secretário de segurança do Rio, ao entrar para almoçar ontem no Porcão Rio’s, foi aplaudido pelos clientes.

PEGAR OU LARGAR 
De um sábio bem informado: o PP continuaria com o Ministério das Cidades se apoiasse a recondução do ministro Márcio Fortes.
Só que o partido deseja emplacar no cargo o deputado baiano Mário Negromonte. Aí já é mais difícil.

NATAL NO SHOPPING 
Acredite. Uma mamãe deu à luz, quinta, em pleno banheiro do segundo piso do Shopping Sul, no Rio.
Seguranças precisaram fazer um cordão de isolamento para ninguém entrar. Que mãe e filho sejam felizes.

CANTO DA SEREIA 
A TV Globo comprou os direitos do romance policial O canto da sereia, um noir baiano, de Nelson Motta, para produzir uma minissérie.
O roteiro é escrito por Patrícia Andrade e George Moura, com supervisão de Glória Perez.

DUELO CHINA X EUA 
A China ultrapassou os EUA também como a maior compradora de petróleo do Brasil. Até outubro, o país asiático tinha importado 179 mil barris/dia do óleo brasileiro; os americanos, 157 mil barris/dia.

SEGUE... 
Diante do motim, o comandante avisou que o copiloto estava a caminho, vindo da Ilha do Governador, de táxi.
O atrasildo só chegou às 19h04m.

PELADA NO MARACA 
A turma do consórcio formado por Odebrecht, Andrade Gutierrez e Delta, que toca a obra do Maracanã, marcou para hoje uma comemoraçãozinha de fim de ano, pela manhã, de funcionários, no gramado do estádio.
Puseram as traves de volta e fizeram as marcas do campo.

SHALOM, FLU 
Cinquenta torcedores judeus do Fluminense, caso o clube seja campeão brasileiro, amanhã, vão sair direto do Engenhão para uma cerimônia de agradecimento em Copacabana.
Será na esquina da praia com Rua Santa Clara, onde ocorrerá a festa judaica do Chanuká. O Flu é forte na comunidade.

CENA CARIOCA 
Ontem, um guri de uns 10 anos andava no Norte Shopping com o pai quando a ajudante do Papai Noel, toda-toda, perguntou se ele queria tirar uma foto com o Bom Velhinho. E o miúdo:
— Eu, não! Mas, se for com você, eu quero!
Há testemunhas.

GOSTOSA

ROBERTO RODRIGUES

Câmbio e comida
ROBERTO RODRIGUES

folha de São paulo - 04/12/12

Dado o desequilíbrio entre a oferta e a demanda de alimentos, o dinheiro vem para commodities agrícolas

A FAO, órgão das Nações Unidas que cuida de agricultura e alimentação, acaba de publicar um estudo mostrando que os preços mundiais das principais matérias-primas agrícolas -cereais, açúcar e oleaginosas- tiveram alta significativa nos últimos meses, registrando valores próximos aos de 2007/2008, antes da crise financeira que varreu o planeta.
Segundo o estudo, o índice de preços foi o maior dos últimos 28 meses.
A FAO está preocupada com o reflexo desse aumento de preços sobre a população mais pobre, porque pode crescer exponencialmente o número de famintos no mundo, hoje próximo de 1 bilhão de pessoas.
Já tratei neste espaço das causas desse aumento forte: quebra de produção por causa de seca (caso do trigo na Europa central e na Austrália), aumento da demanda devido ao crescimento da população e de sua renda nos países emergentes e especulação financeira.
As duas primeiras fazem parte de ciclos normais da agricultura em qualquer lugar: preços sobem, todo mundo planta mais, custos de produção aumentam porque todos querem mais insumos, estoques explodem acima da demanda, preços caem, produção diminui e custos também, até que estoques ficam precários e preços voltam a subir.
Puro mercado, e é por causa desses ciclos inevitáveis que existem políticas protecionistas nos países ricos. É o princípio clássico da segurança alimentar. Mas o terceiro fator, a especulação, é difícil de conter com políticas públicas que não desequilibrem o mercado. A liquidez geral existente no mundo no pós-crise acaba produzindo uma migração alucinada de recursos, muitas vezes especulativos, em busca de remuneração melhor ao capital.
Por isso, dado o fato de vivermos um circunstancial desequilíbrio entre oferta e demanda de alimentos -que talvez persista por mais alguns meses em 2011-, o dinheiro, sem ideologia ou nacionalidade, desembarca nas commodities agrícolas, elevando seu preço ainda mais do que o próprio balanço estoque/ consumo permitiria.
Mas os preços também sobem por causa da questão cambial, mais especificamente devido ao valor do dólar: como a moeda vem perdendo valor em face de outras moedas, o investidor se protege investindo em commodities, todas elas, inclusive as agrícolas. Ou seja, quanto mais barato for o dólar, mais caras serão as commodities. E aí vem o tema da entrada de dólares no Brasil. Há três mecanismos para a moeda vir: investimentos produtivos; aplicações em Bolsa; aplicações lastreadas em renda fixa no mercado financeiro.
Como os juros vigentes no país são muito mais altos do que os praticados nos países ricos, onde estão próximos de zero, o capital especulativo vem em fartura. E isso também ajuda a valorizar o real diante do dólar, o que é ruim para os produtores/exportadores brasileiros, seja na indústria, seja no campo.
Taxa de câmbio, como ensina o professor Marcio Holland, da FGV, é uma variável esquizofrênica: no curto prazo até dá para regular um pouco, mas no longo prazo não tem jeito. E esse longo prazo, o mercado futuro, no caso do dólar, é cinco vezes maior do que o curto prazo, de acordo com Roberto Gianetti, da Fiesp.
No curto prazo, já que o país escolheu o câmbio flutuante, o BC, com o objetivo de evitar excessivas apreciações, faz intervenções (comprando dólar), além da tributação sobre o capital especulativo, em conjunto com metas fiscais e de inflação, as coisas vão se acomodando.
Mas, no longo prazo, a questão central é o equilíbrio fiscal. E não se trata só de o governo gastar menos, e sim de gastar melhor os impostos que lhe pagamos: investimentos em infraestrutura, em educação e em saúde, redução da burocracia, incentivos à inovação, por exemplo.
Isso acaba evoluindo para menor tributação e até redução de juros. O especulador perde o apetite, entra menos dólar, desvaloriza-se o real diante da moeda americana e todos ganham. Mesmo com câmbio flutuante, os riscos de mercado caem e todo mundo fica feliz, produzindo mais e mais barato.
ROBERTO RODRIGUES, 67, coordenador do Centro de Agronegócio da FGV, presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp e professor do Departamento de Economia Rural da Unesp -Jaboticabal, foi ministro da Agricultura (governo Lula).

CLÁUDIO HUMBERTO

“Vai ser recebida a bala”
MINISTRO NELSON JOBIM (DEFESA) SOBRE A REAÇÃO DO BRASIL A EVENTUAL INVASÃO DAS FARC

GOVERNO QUER JATO DE R$ 422 MILHÕES PARA DILMA 
O governo negocia a compra de um Boeing 777 e não um Airbus 330, para uso da futura presidente Dilma Rousseff. Fonte do Comando da Aeronáutica confirmou que as negociações estão em curso. O modelo capaz de poupar o presidente Lula da humilhação do reabastecimento, o Boeing 777-200LR, pode voar 17,446 km em 18 horas e custa até US$ 250 milhões (R$ 422 milhões), dependendo da decoração interna. A decoração do avião de Lula custou US$ 15 milhões à Aeronáutica.

UM EXAGERO 
Configurado para voo de carreira, o Boeing 777-200LR pode carregar até 330 passageiros. Ou governantes de republiquetas de bananas.

HÁBITO DECENTE 
Na Europa, chefes de Estado e governo europeus usam voos de carreira em suas viagens. São mais econômicos e não são “jecas”.

A ‘HUMILHAÇÃO’ 
O Airbus 330 adquirido por Lula nos custou R$ 156 milhões e tem autonomia de doze horas de vôo, que o presidente acha insuficiente.

MULHERIO DA FAB 
Além de avião capaz de levá-la a países da Ásia sem escalas, Dilma pediu que a FAB designe mulheres para servi-la a bordo.

O TURISMO PARA CHINÊS VER DO MINISTRO BARRETO 
Não bastassem as supostas irregularidades no Ministério do Turismo, investigadas pela Polícia Federal, Controladoria Geral da União e Tribunal de Contas da União, o ministro Luiz Barreto é dado a outras extravagâncias com o Erário: na visita de Lula à China, em 2008, ele alugou um carro com motorista exclusivo, inaceitável em se tratando de comitiva presidencial, para comprar um colar de pérolas para a mulher. 
Madrinha O ministro Luiz Barreto e seu ex-secretário-executivo Mário Moysés, hoje na Embratur, são apadrinhados de Marta Suplicy. 

MEIO CALOTE 
Revolta entre os servidores do senado: depositaram ontem a segunda parcela do 13º faltando dinheiro. A grana dos senadores saiu certinha.

PRESIDENTE CATIVO 
Com a importação do crustáceo de cativeiro proibida desde 1999, associações pesqueiras temem escassez de camarão. Já Lula...

CONFIRMAÇÃO
A jornalista Helena Chagas deve assumir a Secretaria de Imprensa da presidente Dilma, que não quis saber de reconduzir ao cargo o ex-jornalista Franklin Martins, ministro da Propaganda de Lula, tampouco considerou a indicação dele, o assessor Ottoni Fernandes Jr. 

NOVAS ESTRUTURAS 
A presidente Dilma estuda vincular as prováveis secretarias de Imprensa e de Comunicação, esta última dedicada a propaganda governamental, à Secretaria Geral da Presidência da República.

ROSSO NA MIRA 
O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas investiga a suspeita de operação triangular do governo-tampão de Rogério Rosso no DF, envolvendo uma área avaliada em R$ 200 milhões, vendida a um centro espírita por R$ 7 milhões, e que acabou nas mãos do Wallmart.

NADA A VER 
Favor não confundir Casa Civil, onde se abrigará o ministro Antonio Palocci, com aquela casa ou “mansão de Ribeirão preto” no Lago Sul, em Brasília, que celebrizou a cafetina Jeanny Mary Corner... 

MATANDO NA UNHA 
Dilma é má como o PMDB: a chance de o suplente Eliseu Padilha (RS) continuar na Câmara, com os colegas “cardeais”, era o deputado Mendes Ribeiro emplacar como ministro. Mas isso nem é cogitado.

NOTÍCIA VELHA 
O jornal carioca Extra noticiou ontem a descoberta de um lança-míssil AT-4, no Complexo do Alemão. Em 2009, o tenente PM Melquisec Nascimento revelou à coluna que traficantes tinham a arma, que teria abatido com o helicóptero da polícia em outubro, matando dois PMs. 

FORÇA NA ASA 
O ministro Nelson Jobim (Defesa) conheceu ontem, na Espanha, o primeiro dos nove P-3 Orion da Airbus Military, que a FAB vai usar em patrulha marítima e missões civis de busca e resgate.

INCONSCIENTE COLETIVO 
A gente conhece esse papo: o presidente do Equador, Rafael Correa, investiu ontem contra a imprensa na reunião da Unasul: quer lei contra “claros excessos” e o lucro excessivos dos meios de comunicação. 

VAZA E AVISA 
Ameaçado de prisão, o criador do site WikiLeaks ameaça revelar “o segredo do século”. Já sabemos: Lula será candidato em 2014. 

PODER SEM PUDOR
CENTAURO COMPLETO 
Dono de verve devastadora, Carlos Lacerda sabia provocar, ofender e desestabilizar os adversários como ninguém. Certa vez, nem Leonel Brizola, outro craque no mister, conseguiu rebater um célebre ataque do ex-governador da Guanabara:
– Brizola é uma espécie de centauro, metade cavalo, a outra também...

NATAL

SÁBADO NOS JORNAIS

- Globo: Medo de inflação e calote faz BC dificultar o crédito

- Folha: BC lança pacote para frear crédito e esfriar consumo

- Estadão: BC aperta crédito para o consumidor

- JB: Fumo passivo mata 600 mil no mundo

- Correio: Natal chega com crédito mais caro

- Estado de Minas: Caro papai noel...

- Jornal do Commercio: Governo dificulta compras a prazo

- Zero Hora: Pacote do BC põe freio no consumo

sexta-feira, dezembro 03, 2010

SANDRO VAIA

Ele precisa se mancar
SANDRO VAIA
BLOG DO NOBLAT


O “cara” está indo embora mas está deixando a casa toda arrumadinha.Vai passar a faixa para dona Dilma no começo do ano novo, mas com a consciência do dever cumprido. Afinal, como ele disse na campanha, dona Dilma é ele, ele é dona Dilma.

Ele vai ter que ir mesmo, mas não está gostando muito da idéia.No primeiro dia do último mês do ano, Franklin Martins, o seu ministro da Verdade, teve o mau gosto sádico de lembrar-lhe: “Presidente,hoje começa a contagem regressiva”. E ele: “Nem me fale nisso”.(Conforme Painel,Folha de S.Paulo,2/12/2010).

Ele vai ter que ir mesmo, mas enquanto não vai trata de ajeitar as coisas: para o ‘alter ego’ que elegeu, deixa uma reconfortadora frase-“ o governo terá a cara de Dilma”- e um desmentido factual dessa mesma frase em tempo real e em forma de herança: deixou nomeados Nelson Jobim, o herói que conquistou o Haiti em uniforme de campanha e o que tentou mas não conseguiu aumentar a distância entre as poltronas para acomodar os mais volumosos nos aviões de carreira ; Fernando Haddad, o ministro da Educação que vive tropeçando e engasgando nos exames para avaliar a qualidade de sua educação; Guido Mantega, o que combaterá a inflação censurando os preços que ousarem subir ; e Marco Aurélio Garcia, o chanceler-sombra, autor da destemida política externa que ruge para os Estados Unidos enquanto mia para o Paraguai ou a Bolívia.

Depois de 8 anos de glória e embevecimento pelo som de sua própria voz e pela profunda filosofia de suas metáforas, convencido de que é a própria encarnação do povo, Lula está fazendo a arrumação da casa para a nova inquilina, e como parte dessa arrumação quer legar-lhe também um avião de 500 milhões de reais que não nos envergonhe nos aeroportos do mundo.Afinal, o velho Aerolula (na verdade, um moderno Airbus A319CJ) que tanto nos humilha com sua escassa autonomia de vôo, já vai fazer 8 anos, e pode ser recolhido aos hangares em companhia do decrépito Sucatão em que FHC deu algumas voltas ao mundo.

Às vésperas de voltar para a planície, porém, Lula, que sai aclamado pelo povo e abraçado ao seu próprio ego hipertrofiado, nos deixa também alguns legados dispensáveis,que seria de bom tom que não freqüentassem a narrativa presidencial que ficará para a posteridade, tais como: a defesa da família Sarney como instituição da República; o truque da transformação do episódio do mensalão numa “tentativa de golpe”; o condicionamento constante do seu apreço pela liberdade de imprensa à publicação da “verdade”, como se ele fosse dono de sua única versão válida e publicável ; a repetição incessante da falácia da existência de um “preconceito das elites” contra o pobre retirante nordestino e depois operário metalúrgico que voou do nada para a Presidência da República; o desprezo às dissidências políticas perseguidas e esmagadas por regimes comandados por autocratas amigos ; e, por último, mas não menos importante, a negativa insistente de qualquer avanço histórico do País antes do advento de sua gloriosa e inatacável figura e do seu tão nunca-antes-tão-maravilhoso governo.

Como Lula mesmo disse numa entrevista a rádios comunitárias na quinta-feira, dia 2, sobre a chegada do momento de ir embora: “Preciso me mancar”.

Sandro Vaia é jornalista.

VINICIUS TORRES FREIRE

A afundação do PSDB continua 
 Vinícius Torres Freire 

Folha de S.Paulo 03/12/2010

FINDA A eleição, ouviu-se no PSDB uma conversa sobre "refundação" do partido. Como de costume, os tucanos logo trocaram bicadas por meio dos jornais, pois não haviam conversado a respeito da tal "refundação". Quase imediatamente depois, o partido caiu na sua modorra, no torpor da preguiça política característico do tucanato desde o início do governo de Fernando Henrique Cardoso, lá se vão 16 anos. Para dar um exemplo de agrado dos tucanos, mesmo o decadente, desengonçado e desorientado Partido Socialista francês tem mais sentido de urgência. Ao menos se reúne para discutir os motivos das vergonhosas surras eleitorais que vem tomando da direita e até da extrema direita, já faz década. Decerto o PS, como os partidos da social-democracia europeia, não consegue articular ideia ou prática política novas. O PSDB, pior que isso. Nem tenta.

Houve alguma grande reunião do partido para discutir o que fazer depois de mais uma derrota inglória? Inglória, pois da campanha não restou nem organização, nem programa, nem novas lideranças. Alguma discussão sobre o desastre no Rio Grande do Sul? Sobre a inexistência do partido em Estados grandes como Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia? Sobre seus governadores cassados ou quase "impichados"? Sobre a desconexão quase total do partido com organizações e demandas da sociedade?

Mais simples e de interesse mais imediato, o partido tem algum programa alternativo ou orientação crítica ao governo que está para começar? Não se trata de pergunta de interesse exclusivamente tucano. Em tese, o PSDB é a oposição restante.

Como sói acontecer depois de grandes períodos de vadiagem, o Congresso está aprovando leis importantes, mas às baciadas, na xepa legislativa que precede o período Natal-Carnaval. Por exemplo, aprovou o restante das novas leis do petróleo. Cadê o PSDB, que, aliás, dizia-se contra a mudança das leis?

Uma das leis aprovadas não é disparate pequeno. Em resumo simples, um tributo petrolífero que recebe o nome de "royalties" passará a ser distribuído segundo os critérios dos fundos de participação de Estados e municípios nas receitas arrecadadas pelo governo federal. Os Estados produtores perderão receita. Quem banca a perda? A União, o governo federal.

Em suma, acontece o seguinte: 1) parte do eventual dinheiro do pré-sal será picotado pelo país; 2) dinheiro picotado some, em vez de ser concentrado em grandes projetos de interesse nacional e geral; 3) o "fundo social" composto de recursos do pré-sal será reduzido e dispersado.

Cadê a oposição? Na praia; caçando empregos nos governos de Geraldo Alckmin (SP) e de Antonio Anastasia (MG); negociando miudezas no Parlamento. Outro projeto temerário, o do trem-bala, caiu por obra das empresas interessadas no negócio, que querem mais concessões e clareza nesse projeto mal-amanhado. Cadê a oposição, que criticou o trem na campanha?

Cadê o projeto de responsabilidade fiscal do PSDB (que, aliás, na campanha propôs doido reajuste do salário mínimo)? O governo Dilma começa em menos de um mês. Cadê o "ministério paralelo" ("shadow cabinet") do PSDB, os expoentes de cada área técnica, capazes de fazer críticas fundamentadas e acompanhar a ação do governo? Cadê?

MÔNICA BERGAMO

HORA DO RECREIO 
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 03/12/10

Após ler os textos da infância de Meire Cazumbá, que nasceu no quilombo Rio das Rãs, no sertão da Bahia, a artista e educadora Marie Ange Bordas teve a ideia de fotografar durante dois verões os moradores do local para ilustrar os relatos. Com as imagens prontas, pediu para as crianças locais fazerem desenhos em cima, como os que aparecem no retrato do garoto Ezequiel (foto) . O resultado está no livro "Histórias da Cazumbinha", que será lançado amanhã, às 15h, na loja da Companhia das Letras da Livraria Cultura do Conjunto Nacional.

SERRA PARA PRESIDENTE
O governador eleito Geraldo Alckmin, de SP, começou a defender que José Serra (PSDB-SP) seja eleito para a presidência do PSDB. A possibilidade causa arrepios no partido em Minas Gerais. Sob a bandeira da "refundação" da legenda, os mineiros defendem que lideranças derrotadas nas eleições deste ano sejam meras "conselheiras". E que o comando da agremiação fique com o senador eleito Aécio Neves (PSDB-MG) ou com alguém ligado a ele.

PALANQUE PARTIDÁRIO
"Nós, que conquistamos mandato, temos espaço para nos expressar. As lideranças que estão sem mandato [caso de Serra] precisam do espaço partidário para fazer a mesma coisa", diz Alckmin.

BOA VIZINHANÇA
O governador, que tomará posse no cargo na manhã de 1º de janeiro, embarca em seguida para Brasília. Vai participar do coquetel da posse de Dilma Rousseff (PT) na tarde do mesmo dia.

CURVA
Há estimativas de que US$ 90 bilhões tenham sido enviados nos últimos anos por brasileiros para o exterior, de forma ilegal. O senador Delcídio Amaral (PT-MS), autor de projeto que anistia os donos dos recursos, diz que o governo trabalha com projeção menor: US$ 50 bilhões.

BOM EXEMPLO
Só uma das cerca de cem contas "secretas" de brasileiros que enviaram dólares para o exterior por meio do Israel Discount Bank de NY, no escândalo mais recente envolvendo evasão de divisas, tem US$ 40 milhões.

FICHA QUE CAI
Assim como Lula, também a primeira-dama, Marisa Letícia, está sentindo certa angústia com a proximidade do fim do mandato.

AGENDA BLOQUEADA
E o cabeleireiro Celso Kamura, que está curtindo férias no litoral da Bahia, já está com a agenda reservada para arrumar Dilma Rousseff na cerimônia de posse da nova presidente.

NA PONTA DO DEDO
Fernanda Young mostrou ao maestro John Neschling tatuagem que fez no dedo indicador escrito "shalom" -paz em hebraico-, durante viagem a Israel, da qual acaba de voltar. E falou o quão tocada ficou com o judaísmo. Neschling não titubeou. Disse que conhecia um rabino que a converteria na hora. A apresentadora, hinduísta, dispensou.

FÉRIAS
Wagner Moura foi convidado a integrar o elenco de "Insensato Coração" há mais de um ano e, na ocasião, disse não. Mas, com a saída de Fábio Assunção da trama, o nome do ator apareceu na lista de prováveis substitutos. "Sem possibilidade", diz sua empresária, Fernanda Ribas. O ator está de férias até janeiro e, em março, deve começar a filmar "A Cadeira do Pai", de Luciano Moura.

PEGADINHA
Circula um e-mail com o logo da Vivo e uma página que imita o site da operadora dizendo que alguns "clientes especiais" foram sorteados para ganhar um aparelho iPhone 4. O conteúdo tem um link para que o destinatário acesse um site. Tudo não passa de um vírus. A empresa de telefonia não está fazendo oferta similar e esclarece que os e-mails que envia não apresentam links.

CARAS & BOCAS
O vereador Gabriel Chalita (PSB) abriu seu dúplex, em Higienópolis, para o aniversário do novelista Walcyr Carrasco. Passaram por lá atores, escritores, o presidente do Bradesco, Luiz Trabuco, e o governador eleito Geraldo Alckmin (PSDB), de quem o parlamentar já foi secretário.

CURTO-CIRCUITO

Maria Rita fará shows nos dias 17 e 18, às 22h, no Credicard Hall. 16 anos.

A cantora Anaí Rosa faz show hoje na choperia do Sesc Pompeia, com participação de Raul de Souza. 18 anos.

Francismar Lamenza lança hoje o livro "Os Direitos Fundamentais da Criança e do Adolescente e a Discricionariedade do Estado", na Livraria da Vila dos Jardins.

A Comissão da Mulher Advogada da OAB-SP promove hoje, às 19h, debate sobre os direitos da mulher na sociedade islâmica, com Marcia Camargos, Luiza Nagib Eluf e Fabíola Marques. Elas analisarão o caso da iraniana Sakineh Ashtiani. O evento será na sede da ordem, na praça da Sé.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

NÃO ESCUTE SUA MÃE

JOSÉ SIMÃO

Ueba! Gerson queimou a roda!
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SÃO PAULO - 03/10/10

O WikiLeaks, que vazou documentos secretos, saiu do ar. Porque ia revelar a realidade da Glória Maria


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! E mais uma do Bope que saiu no Twitter: "Policial do Bope mata três traficantes e pede música no "Fantástico'". Rarará!
E aquele site WikiLeaks, que vazou 250 mil documentos secretos, saiu do ar. Porque ia revelar a real idade da Glória Maria. Rarará!
E o brasileiro é cordial. Olha o cartaz numa empresa em São Paulo: "Se eu pegar o corno desgraçado que usa minha pomada de hemorroidas, vai se ver comigo". Rarará!
Esse deveria ser o segredo do Gerson: roubar pomada de hemorroida na firma. Muito mais chocante! E mais coisas que excitam o Gerson Sexo Sujo: cheirar arroto de quibe do Habib's, cheirar pum da Dilma e da dona Marisa e o pum de "foie aux fromages" da Marta! E cheirar alpargata de garçom de rodízio do Fogo de Chão no final do domingão!
Mas diz que o segredo não podia ser muito chocante porque o Gerson é corredor patrocinado pela Goodyear! Já sei, não podia queimar a rodinha! Não pode queimar o pneu! O Gerson devia ter o patrocínio daquela desentupidora de Belo Horizonte: Rola Bosta! Rarará!
Diz que o verdadeiro segredo do Gerson era ficar vendo o Justin Bieber! Rarará! Chocante! Isso que é chocante! Aliás, essa "Passione" vai terminar em omelete: Gemma briga com Clara!
E atenção! Tá na hora de a gente batizar o novo avião da Dilma! Que vai ter a turbina reforçada para conseguir decolar com ela dentro. Eu sugiro três nomes: Airbucho, Airbruxa ou Vassourão. Ou então NIMBUS 2011! A vassoura do Harry Potter. Rarará!
Diz que precisa trocar o Aerolula porque não tem autonomia de voo. Imagine se tivesse, o Lula teria feito campanha até em Plutão!
E adorei a charge do Myrria com o Lulalelé e a Dilma Rouchefe: "Companheira Dilma, tenho mais uns nomes aqui pro ministério". "Não dá, Lula, a Anac proibiu o overbooking." Tá dando overbooking no ministério da Dilma!
E a formação do ministério: o Lula dá as cartas, o Temer dá o morto e a Dilma BATE! Rarará!
E essa: "Produção industrial bate recorde em 12 meses". Pra desespero da Miriam Leitão. Rarará!
Mais uma boa notícia e a Miriam Leitão vira torresmo! Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

DORA KRAMER

Coisa de amador
DORA KRAMER
O ESTADO DE SÃO PAULO - 03/12/10

Celebrado como profissional no ramo da ocupação de espaços políticos e administrativos, o PMDB não tem feito jus à fama nessa fase de formação do ministério de Dilma Rousseff. Até agora tem perdido todas as tentativas de pressionar o governo e de impressionar o público com suas jogadas.
A cúpula do partido deu-se conta disso e ontem já se movimentava nervosamente para recuperar os prejuízos provocados de um lado pela "dureza" dos petistas que formam o núcleo do poder e, de outro, pela fragilidade da propagada unidade do partido em torno da defesa de seus interesses.
Danos obviamente passageiros. Não obstante, suficientes para evidenciar que o partido não é assim tão competente nesse jogo nem está unido como quer fazer crer desde que conseguiu sentar na Vice-Presidência da República o presidente da legenda, Michel Temer, contra a vontade do presidente Luiz Inácio da Silva, que preferia ver Henrique Meirelles no posto. 
O plano de atuação da direção partidária para essa fase era fazer de Temer o interlocutor junto à presidente eleita, que seria o único autorizado a levar a ela os nomes dos "eleitos" por consenso para ocupar as cinco pastas pretendidas.
Logo nos primeiros acordes, entretanto, a sinfonia desafinou: o líder da bancada da Câmara, Henrique Eduardo Alves, propagandeou a criação de um grande bloco de partidos ditos aliados, de repercussão bastante negativa no governo. Soou ao que efetivamente era: chantagem para negociar espaços na Esplanada e no Congresso.
Temer alegou que nada sabia, Alves confirmou que agira por iniciativa própria, mas continuou na mesma linha sem ser admoestado à altura do ato. Deixou o comandante "vendido" e ficou tudo por isso mesmo. 
Em seguida, quando começaram de fato as negociações com a presidente, Temer esteve com Dilma, que, no entanto, no mesmo dia recebeu os senadores José Sarney e Renan Calheiros para negociar a parte que lhes cabia no latifúndio. O comandante, de novo, foi solapado em sua autoridade de interlocutor único.
No dia seguinte, um integrante de sua equipe de comando e candidato ao posto de ministro, Moreira Franco, deu entrevista ao jornal O Globo reclamando de que Temer estava sendo "enfraquecido" pelo governo. Se ele passou esse recibo com autorização, foi ruim. Se Moreira falou à revelia de Temer, foi pior: revelou desarticulação.
No caso do convite seguido de "desconvite" ao secretário de Saúde do Rio de Janeiro, Sergio Côrtes, para o Ministério da Saúde dividiu-se o desastre: entre o comando do partido, pois ficou patente a existência de mais uma interlocução à parte e o governador Sérgio Cabral pela precipitação do anúncio sem cumprir o ritual de articulação com o PMDB.
Ou talvez não tenha se precipitado, mas simplesmente dado margem ao fogo "amigo" de petistas e pemedebistas. Políticos de expressão regional, pouco afeitos aos códigos da capital federal, são vulneráveis a esses revezes.
Em maio de 2008, quando Marina Silva deixou o Ministério do Meio Ambiente, Carlos Minc - escolhido na "cota" de Cabral - também amargou uma suspensão temporária pelo mesmo motivo: o governador comemorou e o convidado saiu falando de seus planos como se autonomia tivesse.
No caso da direção do PMDB, não se pode alegar falta de intimidade com as regras não escritas. Ao contrário: o partido domina a linguagem como ninguém. Mas, desta vez e por ora, parece vítima de outro fenômeno: a voracidade ante a fartura do banquete. 

Nem de graça. Se, numa hipótese remota, o DEM resolvesse mudar sua direção para entregar o comando ao prefeito de São Paulo, dificilmente Gilberto Kassab recuaria na decisão de se transferir para o PMDB no início do ano.
Conforme correligionários, não lhe apetece a administração de massa falida. Além de não ser politicamente vantajoso para nenhum dos dois dos gurus de Kassab - José Serra e Jorge Bornhausen - deixar o PMDB de São Paulo à deriva, disponível à influência do PT ou do governador eleito Geraldo Alckmin. 

NELSON MOTTA

O máximo, o mínimo e o possível
Nelson Motta
O Globo - 03/12/2010

Com todo seu dinheiro e tecnologia, seus serviços de inteligência e armamentos, tropas bem preparadas, bem pagas e respeitadas pela população, as policias de Nova York e de Los Angeles não conseguiram conter o tráfico e o consumo de drogas, que de ano para ano vem aumentando.

Mas conseguiram diminuir drasticamente a violência urbana e os índices gerais de criminalidade, que, em Nova York, caíram nada menos do que 76% de doze anos para cá. E o tráfico? Continua crescendo, mas não tem poder, não manda nada, nem afeta a vida do cidadão comum. Quem quer se destruir sempre sabe encontrar os meios.

Nessas cidades, que estão entre as mais ricas e as maiores consumidoras do mundo, os traficantes têm medo da policia, fogem dela e jamais a enfrentam porque sabem que vão perder. E passar longos anos na prisão, sem celular, sem visitas intimas, sem liberdade condicional com 1/6 da pena cumprida. E pior: se for policial, vai apodrecer na cadeia, porque as penas são muito mais severas para os que usam a autoridade pública para o crime.


Mesmo com armamento pesado, que podem comprar livremente em qualquer loja, as quadrilhas de traficantes que abastecem esses ricos mercados não dominam sequer um quarteirão da cidade. Agem nas sombras e no submundo, vendem pela internet, pelo correio, por mensageiros, por infinitos esquemas que conectam a fome com a vontade de comer.

Já são quinze os estados americanos que, por referendos, liberaram a venda de maconha para "fins medicinais". Basta se cadastrar com uma receita médica com diagnóstico de stress para comprar pequenas quantidades de maconha, plantada legalmente em pequenas propriedades fiscalizadas pela polícia. Os estados estão enchendo os cofres com os impostos de milhares de "bocas de fumo" legalizadas. E planejam investi-los na prevenção e no tratamento de dependentes de drogas pesadas.

Não mudou nada, a criminalidade urbana não aumentou, e o tráfico continua vendendo cocaína, crack, ecstasy e uma infinidade de novas drogas sintéticas, de fácil produção e transporte, baixo risco e alta lucratividade. 

GOSTOSA

CELSO MING

Previsibilidade 
Celso Ming 
O Estado de S.Paulo - 03/12/2010

Ontem, no seu último discurso ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o presidente Lula atribuiu o bom momento da economia à preservação de dois princípios ao longo do seu governo: o da responsabilidade e o da previsibilidade. Lula disse que pegou a economia toda quebrada. "Eu pensava: como vou governar um país que não tem conserto?"

É uma declaração com certo exagero e verdadeira apenas pela metade. E o que contém de verdade tem mais a ver com o comportamento do Banco Central do que do resto do seu governo.

O maior exagero é o de que pegou a economia quebrada. O Plano Real aconteceu em 1994, depois dele veio a Lei de Responsabilidade Fiscal e a adoção do sistema de metas de inflação. E este já foi meio conserto andado sobre o qual Lula preferiu não passar recibo. Perdeu uma boa oportunidade para ser mais sincero.

Um rápido exame sobre a qualidade das contas públicas mostra que, pelo menos nos três últimos anos do governo, prevaleceu a gastança e não propriamente a responsabilidade fiscal.

Mas isso não significa que o nível de previsibilidade não seja hoje maior do que era no início de 2003, quando do início do seu primeiro mandato. E, com todos os méritos para o governo Lula, isso tem de ser reconhecido.

No entanto, o grau de previsibilidade agora só é maior do que era lá atrás porque o Banco Central teve de acionar com a política de juros o que o resto do governo, com as demais políticas, deixou de fazer. Coincidentemente, o argumento da previsibilidade nunca foi enfatizado nem pela Fazenda, nem pelo Planejamento, nem por outro setor. Nos últimos oito anos, foi do Banco Central.

Do ponto de vista macroeconômico o bom nível de previsibilidade é fator determinante não só para a eficácia dos investimentos e da administração dos contratos de longo prazo. Seu impacto positivo permeia toda a economia.

A partir do momento em que empresas e consumidores podem contar com a inflação na meta, por exemplo, cai o nível de incerteza. Assim, nem o empreendedor nem o consumidor precisam fazer provisões excessivas para garantir cobertura para o fator-surpresa e para as imponderabilidades. Nessas condições, o crescimento econômico se constrói sob bases sólidas e terá como consequência o aumento do emprego e da confiança no futuro.

Dá para dizer que toda a boa gestão de negócios e de implantação de projetos consiste em reduzir ao máximo os fatores sobre os quais não há controle. Essa é a razão porque todo governo e todas as empresas bem administradas têm de trabalhar com projeções confiáveis que servem de parâmetros para a tomada de decisões. O problema é que deficiências de gestão macroeconômica e excessivas concessões ao populismo, como as que se viram nos últimos meses, aumentam o grau de risco e de imprevisibilidade e podem levar os agentes econômicos tanto a adiar a implantação de projetos como a tomar decisões de baixa eficiência.

No momento, o ministro Guido Mantega retomou o discurso da austeridade e do equilíbrio das contas públicas. É, indiretamente, o reconhecimento de que esse aperto de cinto ficou necessário porque o governo gastou demais. E é também o reconhecimento de que a disparada da despesa pública nos dois últimos anos da administração Lula, principalmente em 2010, tirou previsibilidade da economia.

CONFIRA

Recompra prorrogada
O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, não anunciou ontem a recompra de títulos públicos com que o mercado vinha contando. Em compensação, garantiu que as operações destinadas a assegurar o nível de liquidez junto aos bancos e as operações especiais de crédito seriam prorrogadas. Mas ele avisou que elas serão de caráter temporário.

Gol da Alemanha
Com isso, prevaleceu o ponto de vista da Alemanha, contrária a políticas escancaradas de afrouxamento quantitativo, tal como colocadas em prática pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos).

Na moita?
Até há algumas semanas, o BCE havia recomprado ? 67 bilhões em títulos emitidos por países da área do euro. Como Espanha, Irlanda e Portugal encontraram certa facilidade para a colocação de novos papéis de dívida, ficou entendido que o BCE está atuando, mas que preferiu manter em sigilo o valor da intervenção.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Perfume importado e games lideram tributação no Natal 
Maria Cristina Frias 

Folha de S.Paulo - 03/12/2010 

A carga tributária dos produtos vendidos no Natal continua alta neste ano.
Perfumes importados, jogos eletrônicos e bebidas, como espumante e uísque, lideram o ranking de tributação dos produtos mais vendidos nesta época do ano, segundo levantamento do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário).
A cada perfume importado comprado o consumidor paga 78,43% em tributos.
"A tributação dos importados é maior, pois, além de eles terem todos os tributos incidentes dos produtos nacionais, ainda está embutido o Imposto de Importação", diz João Eloi Olenike, presidente do IBPT.
Nos jogos eletrônicos, um dos brinquedos preferidos das crianças, a carga tributária chega a 72,18%.
"Nos presentes eletrônicos [como games, televisores, celulares, laptops], a quantidade de tributos federais é maior que a dos estaduais e municipais. Porém, o ICMS é um dos que mais oneram o valor final, podendo alcançar alíquota de 25%", diz.
Os espumantes, presentes nas ceias natalinas, e o uísque, usado com frequência para presentear, possuem carga tributária de 59,49% e de 61,22%, respectivamente.
"A tributação dos produtos natalinos não subiu neste ano, porém continua altíssima. Uma carga tributária menor, principalmente dos importados, como o bacalhau, permitiria que mais pessoas tivessem acesso a esses produtos", diz Olenike.
O IBPT estima que a arrecadação de tributos do governo atinja R$ 1,27 trilhão neste ano, com aumento de 17% sobre o ano passado.

DASLU NA MIRA

Duas lojas da Daslu, na Vila Olímpia e no shopping Cidade Jardim, estão entre os alvos da Operação Conformidade, deflagrada na quarta pela Secretaria da Fazenda de São Paulo e pela Procuradoria Geral do Estado.
O fisco pediu à Justiça a penhora dos valores que a empresa tem a receber nas vendas com cartões de débito e crédito para garantir o pagamento de dívidas de ICMS.
Com outros débitos decorrentes de auto de infração, já inscritos na dívida ativa, a nova Daslu deve ao Estado cerca de R$ 138 milhões. A empresa original tem dívidas maiores com o Estado.
Procurada, a Daslu não comentou.
A Fazenda também acionou o Ministério Público para que entre com ações judiciais de sonegação fiscal contra mais de 600 empresas que devem cerca de R$ 1,1 bilhão.
Foram promovidas ações conjuntas de constatação de suspeitas de fraude em postos de combustíveis.

BULA NOS IMÓVEIS

No primeiro ano da estreia da farmacêutica EMS nos negócios da área imobiliária, a sua incorporadora ACS vai fechar 2010 com oito empreendimentos e VGV (Valor Geral de Vendas) de R$ 330 milhões.
"Para o próximo ano, nós devemos ultrapassar as estimativas iniciais de R$ 400 milhões", diz Silvio Chaimovitz, presidente da empresa.
A incorporadora começou as operações em janeiro com um lançamento residencial em Campinas (SP) e agora chega à capital.
Serão três empreendimentos, dois residenciais (em Pinheiros e Chácara Klabin) e um comercial (no Jabaquara), com VGV estimado de R$ 83 milhões.
O foco da companhia é atuar também na região do Grande ABC e na cidade de Santos.
"Essas regiões são importantes por estarem próximas ao porto. Com os negócios do pré-sal, vai ter muita empresa e moradores a procura de imóveis próximos às rodovias Anchieta e Imigrantes", diz Chaimovitz.

BRINCADEIRA MILIONÁRIA

A Tool & Toys, há dois meses no shopping Cidade Jardim, já vendeu R$ 100 milhões de "objetos de trabalho e brinquedos", como define o dono, Márcio Christiansen.
Entre os objetos considerados de trabalho, estão helicópteros e aviões e, entre "os de brinquedo", há iates, "jet skis", relógios e triciclos, diz.
Na loja de 1.000 m2, há um iate de 53 pés, um helicóptero, um "jet ski", dois carros de luxo e um triciclo.
A maioria dos produtos, no entanto, é consultada com uso de catálogo.
A compra não é feita no shopping, mas diretamente com o fornecedor, que oferece uma participação à loja.
Christiansen diz que as vendas no período foram beneficiadas pelo fluxo de clientes que vieram à cidade para uma feira marítima.
"O mercado de luxo cresceu 22% no Brasil no último ano", diz ele, que também é CEO da Ferretti Brasil. A marca de iates faturou R$ 320 milhões neste ano.

Faxina O setor de produtos de limpeza movimentará R$ 13,5 bilhões neste ano, alta de 11% no faturamento ante 2009, segundo a Abipla (associação das indústrias de produtos de limpeza).

Dupla O Instituto Tecnológico de Informática de Valência (Espanha) fez parceria com a ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) para colaborar com o observatório de Tecnologias de Informação e Comunicação. O objetivo é que os dois países possam discutir avanços tecnológicos para gerar negócios.

O ABILOLADO E A CABEÇA OCA

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Que tal? 
 Renata Lo Prete

 Folha de S.Paulo - 03/12/2010

Na tentativa de acertar os ponteiros com o PMDB, a equipe de transição de Dilma Rousseff, além de confirmar hoje os nomes de Edison Lobão (Minas e Energia) e Wagner Rossi (Agricultura), levou ontem ao partido a proposta de colocar Moreira Franco, antes mencionado para Cidades, no Ministério da Previdência, dentro da cota dos senadores do partido.
Estes já haviam recusado abraçar um ministro que na verdade seria de Michel Temer. A presidente eleita, porém, resolveu insistir, sob o argumento de que o Senado não tem nome a oferecer. A compensação poderia vir na forma de mais cargos no segundo escalão.

Meio a meio O novo desenho prestigia Temer, mas também atende ao apelo da bancada do Rio, que não quer ver Moreira à frente da poderosa pasta das Cidades.

Xadrez O espaço aberto por Dilma a Jorge Gerdau no futuro governo, ainda que sem uma pasta, sinaliza tentativa de manter canal alternativo com a indústria, agora que Robson Andrade, ligado a Aécio Neves (PSDB), assumiu a presidência da CNI.

Currículo Fausto Pereira dos Santos, ex-diretor-presidente da ANS (Agência Nacional de Saúde) e agora na relação de candidatos a assumir o Ministério da Saúde, foi um dos coordenadores do programa de governo de Dilma para essa área.

Anote aí A disputa entre as correntes do PT começa a pegar fogo. Há quem aposte que, se José Eduardo Cardozo for confirmado na Justiça, Fernando Haddad poderia passar apuros para se manter na Educação. Ambos integram a Mensagem ao Partido, que tem 16% do diretório.

Copyright O Blog do Planalto acaba de inaugurar a seção "Nunca antes", que toma emprestado o bordão favorito de Lula para divulgar "as principais realizações" do mandato do presidente.

Medalha no peito Não obstante a crise do banco PanAmericano, Lula resolveu agraciar o empresário Silvio Santos com a Ordem do Mérito do Trabalho Getúlio Vargas no grau de grã-cruz. O vice José Alencar e o maestro Isaac Karabtchevsky receberam a mesma distinção.

Companheiros Em gesto inédito, Lula receberá no próximo dia 15 dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, rival histórico da entidade do ABC, berço político do presidente.

Dupla missão Geraldo Alckmin não descarta a possibilidade de Saulo de Castro Abreu Filho acumular Transportes com a presidência da Dersa, como já ocorreu durante a gestão do então secretário Dario Rais Lopes.

Next O deputado federal Emanuel Fernandes é o favorito para ocupar a recém-concebida Secretaria de Gestão Metropolitana de SP. Segundo Alckmin, a pasta abarcará também o planejamento de aglomerados urbanos, como os de Sorocaba e São José dos Campos.

Santo de casa Presidente do PSDB de Minas, Nárcio Rodrigues deverá assumir a Secretaria de Ciência e Tecnologia do novo governo de Antonio Anastasia.

Oportunidades O PT cogita abdicar da primeira secretaria do Senado, posto a que terá direito por ser a segunda maior bancada, em troca da primeira vice. Com José Sarney (PMDB-AP) reconduzido à presidência e cada vez mais afastado da rotina da Casa, o partido aposta que o vice ficaria com um bom naco do comando.

tiroteio

"Eu não quero mais do que ninguém, só quero que seja estabelecido critério. E, se o critério for o tamanho da bancada, eu tenho a terceira maior do Senado."
DO SENADOR GIM ARGELLO (PTB-DF), sobre a disputa entre os partidos aliados por posições na futura administração de Dilma Rousseff.

contraponto

Beijo, me liga


Em recente cúpula da Unasul na Guiana, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, deixava o salão uma vez encerrado o almoço oferecido aos chefes de governo participantes quando notou que não havia se despedido do colombiano Juan Manuel Santos.
Chávez retornou ao local e o abraçou, surpreendendo os presentes com o afago ao colega do país com o qual a Venezuela tem um histórico de tensões.
-Agora você já tem o número do meu telefone. Ligue sempre que quiser!

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE


Itaú sobe o morro 
Sonia Racy 
O Estado de S.Paulo - 03/12/2010

O Itaú Unibanco entra na tropa de choque de Sérgio Cabral. Integrantes do banco reúnem-se hoje, no Rio, com o governador e sua equipe técnica para definir um plano de instalação de várias agências. Todas voltadas para as comunidades que estão sendo pacificadas. Com lupa e em conjunto, buscam o melhor espaço perto das UPPs.

Sempre que choveu... parou
Maria Claudia Amaro, presidente do conselho da TAM, avalia que o problema do último fim de semana foi resolvido rapidamente e com eficiência. E não acredita que possa se repetir. "Aumentamos o número de tripulações-reserva para fazer frente a situações meteorológicas adversas", explicou anteontem à coluna, no mesmo dia em que a Anac liberou a aérea para retomada de venda de passagens.
E frisa: "Mesmo com o que aconteceu, a TAM permaneceu no ranking de novembro como a empresa de maior índice de pontualidade".
Pé direito
Ao assumir a cadeira que foi de Romeu Tuma, o senador Alfredo Cotait já marca um gol: a criação do cadastro positivo foi aprovada no Congresso, anteontem. Instrumento esse que revolucionará a taxa de juros no crédito.
Suspense
Apesar de José Eduardo Cardozo ser o mais cotado para assumir o Ministério da Justiça, seu telefone não tocou.
Mas, pelo jeito, tocará.
Ausência
José Machado, secretário do Meio Ambiente, parece não ter ficado satisfeito com a sugestão de Lula feita a Dilma: a de manter Izabella Teixeira no ministério. Ele não estava presente na assinatura do decreto do Macrozoneamento da Amazônia, anteontem, no Planalto.
Machado era o preferido do PT para ocupar o posto.
Nada a ver
Não se sabe Desabafo
Maurício Lopes, promotor que acusou Tiririca de falsidade ideológica, avisa: tem motivos de sobra para recorrer da decisão do juiz Aloísio Silveira absolvendo o deputado eleito. "Além da indignação pelo cerceamento à produção de provas, o juiz disse que não ficou provada a ocultação de bens à Justiça Eleitoral", contou à coluna.
E emendou: "Como poderia, se ele negou o pedido de quebra dos sigilos bancário e fiscal, apesar das evidências de ocultação?".
Por cima
Francis Coppola escolheu feijoada para almoçar, anteontem, na Faap. Depois fugiu do trânsito da cidade, na hora do rush, voando de helicóptero até a Rede Globo.
Contou ao comandante, aliás, que sabe pilotar. E bem.
Leitura tensa
Chega ao Brasil em janeiro, pela Verus, do Grupo Record, a autobiografia de Natascha Kampusch. Ela é a austríaca sequestrada e presa por oito anos em um sótão. Chocou o mundo em 2006.
Tietagem
Não são poucos os fãs que apoiam os segredos revelados pelo WikiLeaks. Só no Facebook, 360 mil "curtiram" a página do site.exatamente por que, mas Gisele Bündchen lançou enquete em seu site questionando se a usina de Belo Monte deveria ser construída. Resultado: 50,3% dos internautas disseram não.
Sem noção
Uma certa senhora do interior de São Paulo entrou na Chanel do Iguatemi e comprou, em um só dia, R$ 400 mil...

Na frente
Conforme antecipado, anteontem, no blog da coluna na internet, a Cetip - empresa responsável pelo registro da negociação de papéis do mercado financeiro - comprou a GRV Solutions. Por R$ 2 bilhões.
Bruno Caetano é o novo presidente do Sebrae-SP.
João Carlos Camargo será homenageado com festa na Hípica Paulista. Dia 17.
A exposição Georg Baselitz - Pinturas Recentes abre terça. Na Estação da Pinacoteca.
Um time de peso debate direitos da mulher na sociedade islâmica e o caso Sakineh Mohammadi. Hoje, no Salão Nobre da OAB.
Dalal Achcar e Katia Mindlin lançam Istambul - Uma Cidade Fascinante no Shopping Leblon, no Rio. Segunda-feira.
Vanessa Pedote arma festa em prol da Associação Amor Por Favor. Amanhã, no Dalva e Dito.
Escolhido para a Copa de 2022, o Catar é... bem menor que Sergipe. 

GOSTOSA

ILIMAR FRANCO

Aposta no caos 
Ilimar Franco 

O Globo - 03/12/2010

O ex-presidente da Câmara Aldo Rebelo (PCdoBSP) está se articulando para concorrer à presidência da Casa. A costura tem a simpatia do PSB e do PDT. O PSDB e o DEM estão sendo sondados. Aldo acenou para a oposição com o respeito à proporcionalidade na distribuição das relatorias de projetos importantes. Ele aposta no descontentamento com a formação do Ministério do novo governo para rachar a base aliada e, assim, tentar derrotar o favoritismo da candidatura do bloco PT-PMDB.

Risco de rebelião também no PP

Um emissário da presidente eleita, Dilma Rousseff, procurou a direção do PP para sondar como seria recebida, pela bancada do partido na Câmara, a manutenção do ministro Márcio Fortes (Cidades). O interlocutor da petista avisou que havia o risco de uma rebelião, como fizeram os deputados do PMDB no caso da indicação do secretário estadual Sérgio Côrtes (RJ) para o Ministério da Saúde. Os deputados do PP estão convencidos que fazem o novo ministro das Cidades. Os pepistas avaliam que o governador Jaques Wagner (BA) tem condições de emplacar no cargo o ex-líder do partido, o deputado Mário Negromonte (BA).

Foco
A presidente eleita, Dilma Rousseff, reuniu-se anteontem à noite com o futuro ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Ela enfatizou que a prioridade da pasta é buscar soluções criativas para os dramas da segurança pública.

Franciscano
O PMDB da Câmara desistiu de disputar o Ministério das Cidades. Não quis colocar em risco o bloco com o PP. Por isso, o líder Henrique Alves (RN) está sendo alvo de críticas na bancada. Prevaleceu a tese de que era preciso o aval do PP.

O xadrez do PMDB
Além de Wagner Rossi no Ministério da Agricultura e de Edison Lobão no de Minas e Energia, as negociações no PMDB ontem caminhavam para que o partido fique ainda com Turismo e Previdência. O mais cotado para o primeiro é o deputado Mendes Ribeiro (RS) e, para o segundo, Moreira Franco, na cota do Senado, a pedido de Michel Temer. Em troca, os senadores do PMDB ficariam com a secretaria de Previdência Complementar.

Em causa própria
Depois de ter 50% de sua campanha à reeleição financiada por laboratórios farmacêuticos, o deputado Manoel Júnior (PMDB-PR) concedeu anteontem a Medalha do Mérito Legislativo ao presidente do Conselho Deliberativo da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais, Josimar Henrique da Silva. Já Sandro Mabel (PR- GO), o das rosquinhas, concedeu a medalha à Associação Paulista de Supermercados. Ano passado, ele fez a mesma homenagem ao presidente da Associação Brasileira de Supermercados.

CASTIGO
Convidado para assumir o Ministério das Comunicações, Paulo Bernardo vai ter de aguardar para ser oficializado. Isso só irá ocorrer depois que for definido o novo espaço do PMDB.

MADRINHA
A senadora eleita Gleisi Hoffmann (PT-PR) está coletando assinaturas de apoio à nomeação do diretor de Política Agrícola da Conab, Silvio Isopo Porto, para a presidência da companhia.

MEDO
O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) está estudando o manifesto do Tea Party, a ala mais conservadora do Partido Republicano americano.

MERVAL PEREIRA

Cobiça
MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 03/12/10


Mais uma vez o Congresso foi palco de lamentáveis demonstrações de cobiça na aprovação, na noite de terça-feira, do projeto que redefine a distribuição dos royalties do petróleo, prevalecendo no plenário a proposta do senador Pedro Simon, que distribui os royalties a estados e municípios tanto do pré-sal quanto do pós-sal pela proporção do Fundo de Participação, sem levar em conta se são produtores.

Para compensar os prejuízos, a União ressarciria, com "os royalties e as participações especiais", os estados e municípios que perderem arrecadação.

Como o sistema de partilha aprovado pelo governo para o pré-sal acabou com o pagamento de participações especiais, essa é outra disputa que teria que ser travada pelos estados e municípios produtores de petróleo.

O fim das participações especiais, aliás, é outro golpe na arrecadação dos estados produtores. Estima-se que o Estado do Rio deixará de arrecadar R$25 bilhões que seriam devidos por participações especiais no modelo de concessão anteriormente vigente.

O projeto de lei aprovado fala apenas de "royalties", que são limitados a 10% do valor da produção. Já as "participações especiais" têm alíquotas crescentes, de até 40% da receita líquida sobre a produção dos grandes campos brasileiros.

Ao não cobrar as PEs, o Estado brasileiro está abrindo mão de dezenas de bilhões de reais em tributos previstos no modelo de concessão, favorecendo a Petrobras.

Com a aprovação extemporânea e sem um debate aprofundado da mudança do sistema de concessão para o de partilha ? com a consequência da mudança da divisão dos royalties, que a partir da nova lei serão distribuídos a todos os estados e municípios por meio do Fundo de Participação ?, os estados produtores estão tendo que limitar sua luta à recuperação do que perderam, os royalties sobre o pós-sal e dos campos do pré-sal já licitados.

Esse é um direito adquirido que está sendo ferido pela nova lei. Como a votação na Câmara tomou ares de disputa de butim, sem que exista uma visão estratégica de país em discussão, e nem a questão federativa seja debatida, o mais provável é que a questão não se esgote com o puro veto do presidente Lula.

O ânimo dos senhores deputados é mesmo o de retirar o que consideram "privilégios" dos estados produtores, muito especialmente o Rio de Janeiro, que, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), fica com mais de 80% dos royalties, enquanto os municípios fluminenses podem ficar com até 75% do total destinado a todos os municípios.

Para se ter uma ideia dos ânimos regionais, quando um representante do Rio, o deputado Chico Alencar, do PSOL, apelou para o bom senso de seus pares, chamando a atenção para o fato de que "o Rio também faz parte do Brasil", foi rebatido pelo deputado Ibsen Pinheiro com a afirmação "Mas o Rio não é o Brasil", numa clara posição de contrapor supostas regalias às necessidades dos demais estados brasileiros. Ibsen foi aplaudido.

Por sinal, ele é o autor da primeira emenda que mudava o critério da distribuição dos royalties, desrespeitando até mesmo o direito adquirido dos estados e dos municípios produtores.

Sua proposta foi substituída pela do senador Pedro Simon, que mantém o mesmo espírito, mas determina que a União indenize os estados e municípios que tiverem perda com a mudança de critério, o que provavelmente servirá de base para o presidente Lula vetar a mudança, pois não há no Orçamento da União previsão para tal despesa.

Mas a proclamação de Ibsen Pinheiro contra o Rio de Janeiro soa como se o Estado estivesse tirando alguma coisa dos que não produzem petróleo.

O espírito da lei que determinou os royalties foi compensar os custos que os estados produtores de petróleo têm com a exploração, não apenas materiais, mas também ambientais.

Ao mesmo tempo, os royalties procuram também compensar o pagamento do ICMS no consumo e não na origem, o que prejudicou os estados produtores nas negociações da Constituinte.

O que ficou patente na falta de discussão séria da questão federativa dos royalties é que a política está cada vez mais baseada no toma lá dá cá, sem que haja um pensamento orgânico sobre o país para embasar as decisões do Congresso.

Para garantir um quórum alto na sessão, fizeram uma pauta que privilegiava interesses os mais variados: Lei Kandir, Bingo, microempresas e prorrogação do Fundo da Pobreza.

O deputado Miro Teixeira, do PDT, chama a atenção para o que classifica de "redução da política" à concessão de vantagens, mesmo que admita que alguns temas, como o das microempresas, são importantes.

Com esse ânimo, o mais provável é que a questão tenha que ser decidida pela Justiça, já que os deputados e senadores estão dispostos a derrubar o veto do presidente e a derrotar qualquer novo projeto que garanta os direitos dos estados produtores nos campos já em produção.

A questão básica, que é o direito adquirido garantido pela Constituição, está sendo superada pelos interesses regionais.

Ao insistir na versão fantasiosa de que foi vítima de uma tentativa de golpe no episódio do mensalão, em 2005, o presidente Lula está tentando fazer o que mais gosta: reescrever a História a seu favor, tentando lavar da imagem do PT um dos episódios mais vergonhosos de corrupção já ocorridos no país.

Como o ex-deputado federal José Dirceu, cassado no episódio e acusado pelo procurador-geral da República de ser o chefe da quadrilha do mensalão, anunciou recentemente, depois de ter tido um encontro com o presidente no Palácio da Alvorada, Lula vai ajudá-lo na campanha para provar que o mensalão nunca existiu.

MINISTROS DE DILMA CABEÇA OCA

IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO

Farofa de guisado, inhame e bolo baieta

Ignácio de Loyola Brandão 


O Estado de S.Paulo - 03/12/10
No avião, em minha última viagem literária do ano, encontrei Pasquale Cipro Neto e Moacyr Scliar. Porém, Scliar (que tem um nome muito complicado de dizer, é preciso soletrar, como confessou à Veja a atriz Iris Valverde) não ia para o Salão e sim para o 1.º Seminário de Literatura do Sesc. No fim de minha conversa no Café das Letras encontrei-me com Rogério Salgado, que escreveu mais de cem títulos de cordel e mantém em Minas o Belô Poético. Rogério ali estava para o Encontro de Autores Paraibanos, coordenado pela União Brasileira de Escritores. Em uma mesma semana, a cidade conviveu com livros e autores os mais diferentes. O que reforça a afirmação que faço sempre: coisas mudam, fala-se e muito de livros, secretarias estaduais de Educação e Cultura agem.
Por um dia, perdi a conversa de Affonso Romano de Sant"Anna. Antes de mim, no mesmo palco do Teatro de Arena, estiveram Nélida Piñon, que, mesmo gripada, febril e quase afônica, falou e respondeu às perguntas, profissional e apaixonadamente. Também foram ouvidos Mario Prata, Silvério Pessoa, Hildebrando Barbosa Filho e Sérgio Castro Pinto, mediados pelo Linaldo Guedes. Quando o mediador desaparece, é porque mediou bem. Sua voz é a de comando, ligação com o público, ele tem a função de não deixar a peteca cair. Por João Pessoa passaram (e passearam, a cidade é encantadora, brisas suaves nos levam a esquecer o abafamento) Marina Colasanti, Fabrício Carpinejar, Arnaldo Antunes, Arquidy Picado, Braulio Tavares, Ferréz, Tania Zagury, André Vianco, Jairo Rangel. Ocorreram oficinas, contações de histórias, shows, filmes paraibanos, exposições, saraus, autógrafos, debates. Tudo num espaço cultural dos mais bem equipados que já vi no Brasil, que homenageia José Lins do Rego.
Quando entrei no 1.º Salão Internacional do Livro da Paraíba, em João Pessoa, Lana Machado, organizadora do Café com Letras, me entregou o envelope deixado pelo Mario Prata. Quando alguma coisa vem do Prata, há brincadeira no meio, afinal, convivemos há 40 anos. Era a Coquetel, revista de palavras cruzadas, da série "difícil". Percorri atento até chegar às cruzadas das páginas 26 e 27. O enunciado pedia: Fundador da Companhia de Jesus com 22 letras. Corri à resposta e ali está: Ignácio de Loyola Brandão. Dessa maneira, morri há 454 anos em Roma e há uma igreja em minha homenagem próximo à Via Del Corso. Quem for lá, aproveite, existe um bom restaurante em frente com mesas fuori, como dizem. Outro muito bom, vizinho, é o Il Falcheto, onde Araujo Neto, decano dos correspondentes brasileiros na Itália, comia quase todos os dias.
Na manhã de sábado, quando caminhava pela orla em Tambaú, percebi que me olhavam com estranheza. Estariam me reconhecendo na praia, debaixo daquele sol abrasante (que clichê!)? Até garis, motoristas de bugs e vendedores de água de coco? Então me dei conta da insólita figura que eu exibia. Como a viagem era bate e volta, não levei bermuda, maiô ou havaianas. Ao terminar o café, saí como estava. Calça branca, camiseta preta, sapatos e meia. Paulistano a toda prova. Faltava só o guarda-chuva. Eu não podia perder a manhã esplêndida, dentro de duas horas tomaria o avião de volta. Assim, caminhei como estava.
Agora, iniciei minhas férias de bienais, feiras, seminários, salões até o ano que vem. Os escritores, que nunca se encontram em suas cidades, sentam-se a falar, beber e comer pelo Brasil afora. Essa a grande marca da literatura e da vida literária nestes tempos. Como jamais aconteceu em toda a história, autores têm atravessado o País, conversado, debatido, trocado ideias e farpas, rido muito e lamentado, principalmente quando verificamos que sutilmente a censura se insinua de novo entre nós.
Na manhã do sábado, entrei no Mercado Público de Tambaú. Mercados são um dos lugares em que sentimos a cidade, o povo, vemos a alma e o coração. Em volta, os flanelinhas vestindo uma camiseta: Consultor de Estacionamento. Criatividade. Passei por dezenas de pessoas debulhando ervilhas em bacias, coisa bem do meu interior. Dentro me vi sufocado pelo perfume das frutas em pilhas orgiásticas: mangas, pinhas, gordas graviolas, abacaxis sumarentos, laranjas, bananas de várias qualidades, maçãs, melancias, acerolas, cajás amarelos (pena, era cedo para uma cajarosca), uvas, goiabas, coco-verde e maduro. Falar nisso, em Tambaú bebi a água de coco mais barata do Brasil, R$ 1,00.
Na Adega do Alfredo, junto ao Hotel Royal, almocei um risoto de carne-seca molhadinho, apetitoso, uma lisonja ao paladar, como disse um vizinho de mesa, perfeito nordestino. Pena, sendo um dos points da cidade, não consegui jantar ali. Lotado, a espera é de horas. Cheguei às 11 da noite, só me sentaria pela 1 da manhã, ninguém tem pressa por aqueles lados. Sabem viver. Paulistanamente desisti. Como é duro ser paulista. No café da manhã, meu olhar guloso tentou se decidir entre farofa de cuscuz, galinha guisada, inhame, ovos mexidos, bolo de milho, bolo baieta, cuca e pão de açúcar. Daquele restaurante fiquei com a imagem de oito mulheres que, no dia anterior, tinham chegado - segundo me contaram - por volta das 14 horas. Somente se levantam da mesa pelas 20 ou 21 horas. Todas as sexta-feiras ocupam a mesma mesa, comendo, bebendo, conversando, colocando em dia os assuntos da semana, contempladas por fotografias dos antepassados do dono do hotel, fotos do século 19 e inícios do 20, mulheres a rigor, com estolas de pele, homens sóbrios, todos elegantes, velando e zelando pela comida que ali é voluptuosa.
Na volta, da rodovia para o aeroporto, uma surpresa, lição de civilidade. O trânsito para pedestres atravessarem a faixa. Botou o pé na faixa - numa rodovia, gente! -, os carros freiam. No aeroporto novo, uma surpresa, um bom lugar para se comer é o Sabor da Terra. Quem viaja sabe que comida de aeroporto é pior do que o desconforto dos aviões que nos amassam e afligem.