quarta-feira, novembro 04, 2009

PAINEL DA FOLHA

Marcação cerrada

RENATA LO PRETE

Folha de S. Paulo - 04/11/2009

Alvo de críticas do Planalto pela paralisação de obras do PAC, o Tribunal de Contas da União aprovou duas auditorias que apontam má gestão na área ambiental do governo. A temática verde, tratada ontem em reunião ministerial, é prioritária em Brasília devido à conferência de Copenhague sobre mudanças climáticas, em dezembro.

O tribunal detectou que o governo devolveu US$ 8,4 milhões a países doadores porque perdeu o prazo para aplicar o dinheiro na proteção de florestas. Em outro acórdão, o ministro Aroldo Cedraz -autor de decisões pela suspensão de obras do PAC- classifica como "insuficientes" e sem gerenciamento as políticas de combate à emissão de gases-estufa na Amazônia.



Verde. A auditoria que trata do projeto de proteção das florestas detalha falta de estrutura do Ministério do Meio Ambiente, no período de 2002 a 2008. Entretanto, o TCU ressalva que o problema é sistêmico e que os doadores internacionais têm avaliação positiva do programa.

Zíper. Acostumado a escapulir antes do término das reuniões ministeriais para dar entrevistas, Carlos Minc (Meio Ambiente) foi escoltado por Dilma Rousseff (Casa Civil) e Celso Amorim (Relações Internacionais) até a saída depois do encontro em que se discutiu a proposta brasileira para Copenhague.

No forno. O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, o novo advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, e o presidente do TCU, Ubiratan Aguiar, fizeram ontem reunião para tentar colocar no papel uma "solução" para a divergência entre Lula e o tribunal.

Preliminar. O governo enfrentará na terça o primeiro grande teste para aprovar os projetos do pré-sal. Trata-se da volta ao status de tramitação em urgência, sem o qual eles não saem da Câmara neste ano. É preciso ao menos 257 dos 513 votos.

Recado. O Planalto avisou Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) que não aceitará mais mudanças no relatório sobre a partilha do pré-sal na comissão. Do contrário, levará a votação ao plenário.

Bolo. Relator do Orçamento, o deputado Geraldo Magela (PT-DF) bateu o martelo com líderes das bancadas para aumentar de R$ 10 mi para R$ 12 mi o valor das emendas individuais dos congressistas. Para compensar, haverá corte nas emendas de comissão.

Inquilino. Lula viajou à Inglaterra sem resposta sobre o futuro da sede da embaixada brasileira no país. O pedido de crédito, no valor de R$ 77 mi, para a compra do prédio -hoje alugado- está parado no Congresso desde agosto.

Replicando. A exemplo do que havia feito com a lei paulista, a Advocacia-Geral da União enviou ontem ao Supremo um parecer pela inconstitucionalidade da lei antifumo do Rio de Janeiro.

Em casa. O senador Francisco Dornelles (PP-RJ) esquivou-se até mesmo de debater cenários estaduais no almoço, ontem, com FHC e o presidente do PSDB, Sérgio Guerra. Só deixou claro que seu partido, desde já, vai com Sérgio Cabral (PMDB) no Rio. O restante somente em 2010.

Na tela. Em decisão apertada, a corrente do PT do Rio que defende a candidatura do prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, ao governo venceu a disputa contra a ala pró-Cabral sobre o modelo da propaganda de TV. Ficou acertado que Lindberg aparecerá em 30 das 40 inserções.

Outros tempos. Do deputado Eliseu Padilha, que disputa o comando do PMDB gaúcho com o senador Pedro Simon: "Apoiamos o governo Yeda Crusius (PSDB) durante a crise e seria covardia sair naquela hora. Mas hoje defendemos a candidatura própria".

com LETÍCIA SANDER e RANIER BRAGON

Tiroteio

"A "república dos sindicalistas" está armada. Quero ver é como desarma isso depois."


Do senador TASSO JEREISSATI (PSDB-CE), sobre o fato de uma corretora dirigida por sindicalistas da Caixa, filiados ao PT, ser a maior negociadora de seguros de entrega de obras do Minha Casa, Minha Vida.

Contraponto

Cláusula contratual Senadores governistas e da oposição travavam um embate acalorado, ontem, na sessão da Comissão de Assuntos Econômicos, com um bombardeio "demo-tucano" ao aumento da carga tributária no país. Cada vez mais disposto a embarcar na candidatura da oposição em 2010, Garibaldi Alves (PMDB-RN) tentava aplacar os ânimos, até ser provocado por Flexa Ribeiro (PSDB-PA).
-Mas você não concorda com a nossa posição?
-Em gênero, número e grau...-respondeu Garibaldi, que, em seguida, trocou alguns olhares e emendou:
-Aliás, eu concordo, mas com alguma exceção que ainda vamos esclarecer depois, né?

ARI CUNHA

Vivem as ideias e ideais

CORREIO BRAZILIENSE - 04/11/09


Morreu nesta semana, aos 100 anos, o antropólogo belga Claude Lévi-Strauss. Deixa como herança a humilde lição de que a mente selvagem é igual à civilizada. Sempre falou com atenção ao Brasil, onde esteve na década de 1930. Em entrevista, lembra um pouco embaraçado do tempo em que gostava de caçar. Para os jovens brasileiros, deixou a mensagem de que é preciso encontrar novos objetivos. O estudo histórico dos povos e suas culturas nunca vai se esgotar. Seu único desejo era “um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele — isso é algo que sempre deveríamos ter presente”. O mundo continua a girar sem Lévi-Strauss. Suas ideias ficam.


A frase que não foi pronunciada

“Alianças políticas são como a lua. Ou crescem ou minguam.”
» Presidente Lula, em devaneio, pensando no que já passou e no que terá que passar.




Eleições

» Mudanças em andamento incrementam o uso do dinheiro público. Gim Argello defende autonomia a cidades satélites, com prefeito e vereadores eleitos. Há também a possibilidade de incorporar administrativamente municípios do Entorno ao DF.

Novas

» Roberto Carvalho, vice-prefeito de Belo Horizonte, comemora. O Dnit tem o recurso necessário para a reforma do anel rodoviário da capital. O presidente Lula já garantiu os R$ 30 milhões necessários.

CPI

» Tarso Genro disse que a função das CPIs é propor soluções para o governo e não servir de palco de luta política. Ele tratava da CPI do MST. Vale lembrar as recomendações elaboradas pela CPI do Mensalão. Sem contar com as manobras asseguradas pelo
Judiciário, muito já foi feito.

Vendas

» Com a chegada do 13º salário e a proximidade do Natal, lojas incrementam as vendas pela internet. Os portais estão com acesso mais fácil para a escolha dos produtos. A logística também é alterada para não haver falha na entrega. A expectativa de crescimento nas vendas eletrônicas beira os 100%.

Muito boa

» Uma corrente pelo Twitter avisa onde há blitz pela cidade. Quem bebeu tem uma ferramenta para escapar. O que não contavam é que, na comunidade, há infiltrados. Dessa vez, a polícia agiu antes de reagir.

Audição

» Longe de diagnosticar com precisão o estado do paciente durante o coma, médicos se surpreendem com as técnicas criadas pelas famílias apenas por instinto e amor. A última foi quando um britânico conseguiu acordar a filha de um coma fazendo perguntas sobre operações matemáticas. Parece que a audição é o último sentido a morrer. Ou a chave para trazer de volta a vida.

Sua vez

» Uma feira internacional mostra o trabalho de catadores da América Latina, Europa e Ásia. Trata-se da Reviravolta Expocatadores. A abertura do evento contou com a participação do presidente Lula e do ministro das Cidades, Marcio Fortes. É uma chamada ao mundo da importância de cada um fazer sua parte. Começando pelo lixo seletivo.

Cultura

» Milhares de índios de 33 etnias participam da 10ª edição dos Jogos dos Povos Indígenas. Paragominas é a sede do evento. Presentes o ministro Orlando Silva, do Esporte, o prefeito Adnan Damachki e Marcos Terena, diretor do Comitê Intertribal Memória e Ciência Indígena.

Alegria

» Brasil e Chile preparam roteiros com parceria entre segmentos do turismo dos dois países. O público alvo são idosos que adoram viajar. A coordenadora geral de eventos do Ministério do Turismo, Jurema Camargo Monteiro, e o coordenador do Viaja Mais Melhor Idade, Enzo Arns, da Braztoa, acompanharão os percursos.


História de Brasília

Mal interpretada uma nota publicada nesta coluna sobre a Candangolândia. Nós não somos contra os habitantes da vila operária. Transportar casas de madeira para o setor econômico é, sobretudo, inviável. (Publicado em 16/2/1961)

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

FERNANDO RODRIGUES

Clima, moeda de troca

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/11/09


BRASÍLIA - Lula se reuniu ontem de novo com alguns de seus ministros para tentar formular qual será a política do país para conter o avanço das mudanças climáticas. Nada ficou decidido.
Continua a queda de braço entre desenvolvimentistas e ambientalistas. Há um conflito entre quem deseja proteger o meio ambiente e aqueles cujo argumento é a favor de mais crescimento econômico -o que causaria mais poluição.
Uma outra explicação é da linha utilitarista. O Brasil se mantém reticente em adotar metas ousadas de redução na emissão de gases que provocam o efeito estufa porque 2010 é um ano eleitoral. Doadores graúdos de campanha são do setor agropecuário. Ficariam irritados com regras ambientais rígidas.
Uma hipótese assim nunca deve ser descartada. Dinheiro em eleição é um tema delicado. Mas não parece crível um presidente com até 80% de popularidade em algumas pesquisas estar muito preocupado com a opinião de plantadores de soja ou de criadores de gado.
O principal fator a nortear o titubeio público e deliberado do Brasil tem conteúdo geopolítico. A posição brasileira sobre o clima está sendo usada como moeda de troca na relação com outras nações emergentes e algumas desenvolvidas. O governo Lula não deseja melindrar nem constranger seus aliados adotando metas arrojadas para redução de gases do efeito estufa. Em contrapartida, espera continuar a acumular apoios para um assento permanente do país no Conselho de Segurança da ONU.
No dia 14, Lula faz uma nova reunião. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, já antecipou a intenção de não fixar metas: "Serão linhas gerais. Não vamos apresentar os números". Assim será.
Se der tudo errado, o Brasil fica sem vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU e com a fama de mau gestor de seus recursos naturais. É alta a aposta de Lula.

MÍRIAM LEITÃO

Sobre-sal

O GLOBO - 04/11/09


O governo propôs que a União fique com a parte do Leão e ainda avance sobre o que é dos outros bichos da floresta. Este é o sistema de divisão do bolo tributário das receitas do pré-sal. O governo transformou o petróleo em palanque, armou um conflito federativo entre os estados produtores e não produtores, e fez o oposto do que o presidente Lula prometeu aos governadores.

E por que o Rio briga? Simples. O Rio produz 1,5 milhão de barris/dia, 83% da produção brasileira. Em termos de reservas provadas, o Rio tem 10,2 bilhões de barris, e 81% das reservas do Brasil. Se fosse um país, o Rio teria produzido em 2008 mais do que o Reino Unido, ou o Catar, ou a Indonésia; e teria reservas maiores do que as da Noruega. Nessas contas, feitas pela Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), não está o petróleo do pré-sal, explica Adriano Pires.

Camadas e camadas de sal foram sobrepostas e tornam esse conflito um caso espantoso.

Na reunião da segundafeira, no Rio, os governadores Sérgio Cabral e Paulo Hartung ligaram para o presidente Lula.

Ele ficou de retornar e só ontem à tarde ligou. Prometeu a Cabral que tentará reequilibrar a divisão do bolo. É a segunda vez que promete.

O presidente Lula prometeu em agosto reduzir a fatia da União nos royalties. Ela aumentou. Prometeu manter a Participação Especial. Ela foi abolida. As promessas foram feitas no jantar em que o presidente tentava salvar a festa do pré-sal, acalmando os governadores do Rio, Espírito Santo e São Paulo.

Antes, os royalties eram 10% sobre a receita bruta. A União ficava com três pontos percentuais desse bolo; os estados produtores, com 2,625 p.p.; os municípios produtores, com 2,625; os municípios com instalação — como portos, unidades de tratamento —, com 0,875; os estados e municípios não produtores, com 0,875. Só que estados e municípios produtores recebiam também Participação Especial.

Na proposta mudada pela comissão especial do Congresso, os royalties crescem para 15%, mas a União passa a ter 4,5 pontos percentuais; os estados produtores ficam com 2,7; os municípios produtores, com 0,9; os municípios com instalações, 0,3; e os estados e municípios não produtores, com 6,6. Esse último percentual será dividido no mesmo esquema do Fundo de Participação dos Estados e Municípios.

Com o novo modelo, o governo fica com 60% do que for objeto de partilha. Assim: da receita da venda do petróleo reduzem-se os custos de produção, os impostos. O que sobrar é dividido dessa forma: 60% para a União, 40% para o consórcio produtor.

Os estados produtores não levam nada.

A garantia dada tanto pelo governador Paulo Hartung, quanto pelo secretário de Desenvolvimento do Rio, Julio Bueno, é que eles não querem reduzir a parcela dos estados e municípios não produtores. Querem aumentar a própria fatia, mas tirando da União.

— Ela já fica com a parte do Leão na partilha e ainda avança sobre os royalties, nós não achamos isso justo — disse Hartung.

A proposta do Rio e ES é dobrar a fatia dos estados produtores: de 2,7 pontos percentuais do imposto para 5,3 pontos percentuais.

— Hoje, a Participação Especial é quase duas vezes os royalties e nós vamos perder esse imposto; é justo aumentar os royalties — afirmou Bueno.

O governo armou para cima dos estados produtores.

Montou uma caixa de marimbondo para eles botarem a mão. O relatório do deputado Henrique Eduardo Alves sobe de 0,8 para 6,6 pontos percentuais a fatia dos estados e municípios não produtores na divisão dos royalties. E por que fez isso? Elementar, é para isolar as bancadas dos produtores e unir os não produtores. É para criar um conflito na Federação para melhor reinar.

Os estados produtores decidiram não entrar nessa briga.

Acham que os estados não produtores também devem ter uma parte da riqueza gerada pelo pré-sal, acham apenas que é preciso evitar a continuação da tendência de concentração da receita nas mãos da União, que tem sido a regra no Brasil.

Os estados produtores perdem também na capitalização da Petrobras. Ela será feita com cinco bilhões de barris das reservas de petróleo cedidas à empresa, e sobre os quais não caberá pagamento de royalty.

Mas há outras camadas de sal. O Brasil teve sucesso com o modelo de concessão, que gerou até agora R$ 100 bilhões de arrecadação entre royalties e Participação Especial.

Digamos que o governo considere que o petróleo do pré-sal tem menos risco. Bastava para isso alterar o percentual do imposto.

O governo preferiu mudar todo o modelo. E fez isso por quê? Entre outros objetivos, queria transformar o petróleo em palanque para a campanha eleitoral.

Digamos que fosse realmente necessário fazer um novo marco regulatório para o petróleo do pré-sal e que essa nova forma fosse melhor do que a anterior.

Ainda assim faltaria explicar um detalhe. O regime de partilha valerá para o présal e para as áreas estratégicas.

E quem diz quais são as áreas estratégicas é uma comissão. Ou seja, é um marco regulatório que cria uma incerteza regulatória: vai ser um marco na história dos marcos!

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TODA MÍDIA

Gigante

NELSON DE SÁ

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/11/09


Imagens do jovem Claude Lévi-Strauss na Amazônia, em sua "experiência fundadora", tomaram as páginas iniciais mundo afora, do americano "New York Times" aos franceses "Libération" e "L'Express".
Ele foi destacado como "gigante do pensamento francês, conhecido no mundo todo como um mestre", pelo "Le Figaro", e como "arqueólogo dos totens e mitos, músico do espírito", pelo "Le Monde". Para o "NYT", "ele mudou o entendimento ocidental do que era até então chamado de homem primitivo".
Por aqui, o portal UOL dedicou manchete para a morte e destaque para a nota de FHC, afirmando ser "um dos maiores da história". O portal G1 e a própria Globo ressaltaram que "ele lecionou na USP".

SEM EXEMPLO ATÉ O DIA 14
Na agência estatal, "Brasil adia definição de proposta de mudança climática" para o dia 14. O ministro da Agricultura saiu "sem falar com a imprensa".
Nos últimos dias, uma ampla cobertura externa, da revista britânica "Nature" à agência chinesa Xinha, prenunciou uma "ação grande sobre o clima" por parte do país, com o "compromisso de reduzir substancialmente as emissões na próxima década". Em suma, avalia um ambientalista americano, "o que importa é que o Brasil perceba que pode liderar pelo exemplo".

MELHOR OU PIOR
Cresce a cobertura ambiental, com o Brasil como foco, a um mês da cúpula de Copenhague. A "Mother Jones" deu especial com longa reportagem questionando projeto das americanas GM e Chevron, de reservas verdes no Pará, com árvores marcadas. Já o "Guardian", usualmente mais engajado, destaca estudo segundo o qual a destruição da floresta amazônica polui menos do que se acredita

AINDA O ETANOL
Em especial sobre energia, o "Financial Times" fala do "fiasco" da política de etanol nos EUA e na Europa, efeito do "lobby agrícola". Mas diz que "os biocombustíveis ainda podem ter um papel central no mix de energia do futuro". Registra que "o único biocombustível em produção que obtém redução clara nas emissões é o brasileiro, feito de cana, mas suas exportações enfrentam barreiras"

PELO NOME
No alto da home da "Foreign Policy", o diretor da influente instituição Americas Society responde ao "revisionismo" dos conservadores americanos, que defendem o golpe de Honduras como constitucional, apoiados por pareceres jurídicos que foram, sublinha o autor, "fortemente refutados".
Alerta que, embora de pouca influência nos EUA, a visão "impede o consenso regional e a única solução apropriada para a crise". E diz que, adotado por Washington, "o sofisma deste revisionismo-de-golpe jogaria a América Latina de volta aos anos negros dos governos militares e das eleições simuladas dos anos 70 e 80".

CHINA & EUA
Jim O'Neill, do Goldman Sachs, está em Pequim e falou do oitavo aniversário do acrônimo Bric, que ele criou. "Já podemos seriamente imaginar que a China pode ser tão grande quanto os EUA em 2027", disse ao "Wall Street Journal" e à Xinhua.

FMI & CONTROLE
Em título do "FT", "FMI se nega a descartar o uso de controles de capital". Nas palavras do diretor gerente Dominique Strauss-Kahn, sobre a medida adotada no Brasil: "Eu não tenho ideologia sobre isso. O controle não é algo que veio do inferno".

MERVAL PEREIRA

Estado autoritário

O GLOBO - 04/11/09


À medida que fica clara a estratégia lulista de tentar transformar a sucessão presidencial em uma pelada de futebol “nós contra eles”, com o papel do Estado como grande divisor de águas das políticas econômicas de seu governo e as dos tucanos na era FH, também se torna evidente que o governo Lula vem acelerando sua transformação, neste segundo mandato, na direção de um Estado populista e patrimonialista, dependente cada vez mais da vontade do líder carismático, que não aceita os limites da lei, muito menos as críticas.

Ao mesmo tempo em que aprofunda suas críticas aos órgãos fiscalizadores do Estado, como o Ibama ou o Tribunal de Contas da União (TCU), tentando constrangêlos, o presidente Lula insiste na tentativa de criticar e desmoralizar os veículos da grande imprensa, no pressuposto de que, com sua imensa popularidade, pode controlar a opinião pública.

Quando diz que o papel da imprensa não é o de fiscalizar nem de denunciar desvios, mas apenas o de informar, e que os órgãos fiscalizadores estão atravancando o progresso do país, o presidente Lula está revelando sua veia autoritária, e a maneira muito pessoal como quer dirigir o país, como dirigia o sindicato, como uma coisa sua, que pode ser repartida entre os amigos.

Muito a propósito, na contramão do que pretende o governo brasileiro, no Senado dos Estados Unidos o senador democrata da Pensilvânia Arlen Specter fez um discurso, recentemente, em defesa de um projeto que dá mais proteção aos jornalistas, em que afirmou: “Nós ainda recebemos a maior parte das informações de jornalistas investigativos. Se não se protegerem as fontes, haverá muita corrupção, malfeitorias que não serão detectadas e ficarão impunes”.

Na montagem de sua estratégia eleitoral, para enfrentar a disputa na base do “pão, pão, queijo, queijo”, o problema é saber qual é o time do presidente.

Enquanto tenta montar, à base da fisiologia mais desbragada, uma vasta coligação partidária com o único objetivo de ter o maior tempo de propaganda televisiva possível, o presidente Lula está caminhando cada vez mais para a esquerda autoritária.

Como pode resistir uma aliança política que abriga partidos de direita e de centro no apoio a Dilma Rousseff, e obter os votos desse eleitorado, se o próprio Lula faz questão de se comparar a Hugo Chávez? Como explicar a inclusão, entre os coordenadores da campanha oficial, do assessor especial Marco Aurélio Garcia, tão claramente identificado com a esquerda latinoamericana? O que têm a ver com essa tendência partidos como o PP, PTB, PRB e congêneres? Que governo vai sair dessa misturada? Qual será a candidata oficial, a ex-guerrilheira ou a gerente das grandes obras do nacionaldesenvolvimentismo? As críticas à visão patrimonialista exacerbada neste segundo governo Lula não ficam restritas apenas ao artigo de Fernando Henrique Cardoso, que chamou a atenção para a maneira caudilhesca com que Lula vem governando, ou à do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, presidente do Conselho de Administração da Bolsa de Valores, que, em recente entrevista ao jornal “Valor Econômico”, denunciou o “patrimonialismo” do governo Lula, o Estado servindo a interesses partidários, privados e sindicais.

Também o sociólogo Luiz Werneck Vianna, professor do Iuperj, em recente artigo para o site Gramsci e o Brasil, analisa a transformação do governo Lula neste segundo mandato, quando “a crise, que denunciou a incapacidade do mercado de se autorregular, ao trazer de volta o tema do Estado e do seu papel como agência organizadora da economia, atualizou, imprevistamente, o repertório da tradição republicana brasileira”.

Werneck Vianna identifica outros períodos em que essa mesma vertente atuou na condução do desenvolvimento econômico brasileiro: na Era Vargas, nos anos JK e no período militar: “(...) a ênfase que passa a ser concedida à questão nacional, com os patéticos postulados de grandeza nacional que já se fazem ouvir; com o desenvolvimentismo, quando políticas estratégicas são conduzidas pelo Estado sem anuência explícita da sociedade civil e suas instâncias de deliberação”.

O sociólogo ressalta que a mobilização de tal tipo de política “tem ignorado a crítica que lhe foi feita pelos movimentos democráticos e populares, no curso de suas lutas contra o regime autoritário, consagrada institucionalmente na Carta de 1988, que, ao preservar a instância do público como dimensão estratégica, submeteu-a ao controle democrático da sociedade”.

Werneck Vianna recorda que “a esquerda que se encontra na chefia do governo” está se apropriando de uma política que foi alvo de suas principais críticas, que identificavam o nacionaldesenvolvimentismo com “uma típica floração autoritária da ordem patrimonial brasileira”.

Ele ressalta que, “mais que mudanças tópicas ou de ênfase, é toda uma forma de Estado que ressurge, em particular no novo papel concedido às corporações e à representação funcional”.

Na análise de Werneck Vianna, “a política é capturada pelo Estado; de outra parte, o presidencialismo de coalizão em vigência converte os partidos políticos em partidos de Estado e sem representação significativa na sociedade civil (...), levando a uma revalorização acrítica do Estado Novo e até mesmo de governos do regime militar”.

Não é um bom presságio para a democracia brasileira “a sociedade, em sua diversidade, se deixar subsumir ao Estado, conferindo à liderança de um chefe de governo carismático a tarefa de cimentar a unidade dos seus contrários”.

Como também é “falso e anacrônico”, afirma Werneck Vianna, “conceber a próxima sucessão eleitoral como a reedição dos embates entre a UDN e o PTB. Estado forte, sim, mas sob controle da sociedade, e não sobreposto assimetricamente a ela”.

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TOSTÃO

Os velhinhos e o gordinho

JORNAL DO BRASIL - 04/11/09


Hoje, em Porto Alegre, o Grêmio, que não perde em casa e que quase não ganha fora, enfrenta o São Paulo, que precisa vencer ou, no mínimo, empatar.

Luís Fernando Veríssimo, que é torcedor do Inter, deveria, em um gesto humanitário e profissional, reabrir o consultório do Analista de Bagé. Só o analista, com a técnica do joelhaço, aplicada em todo o elenco e em toda comissão técnica, poderá resolver o grave problema psicológico de o Grêmio não ganhar fora de casa.

Antes das duas últimas derrotas do Inter, um repórter, desses que gostam de perguntar e de elogiar ao mesmo tempo, perguntou a Mário Sérgio o que ele tinha feito para melhorar a equipe. Nas quatro partidas sob seu comando, o Inter tinha vencido duas e empatado duas. Jogou mal as quatro

Mário Sérgio, com um sorriso, respondeu, com a característica falsa humildade dos humanos, que não tinha feito nada. O “titês” era mais interessante.Antes das duas últimas derrotas do Inter, um repórter, desses que gostam de perguntar e de elogiar ao mesmo tempo, perguntou a Mário Sérgio o que ele tinha feito para melhorar a equipe. Nas quatro partidas sob seu comando, o Inter tinha vencido duas e empatado duas. Jogou mal as quatro.

Na coluna anterior, não citei Ronaldo entre os veteranos que ensinam como se joga futebol. Foi de propósito. Ronaldo é especial. Mesmo com o corpo de um atleta de final de semana, ele, em poucos lances, ainda é melhor que a maioria. O drible de corpo no goleiro do Palmeiras, antes de tocar a bola para as redes, foi espetacular.

Os “velhinhos” e o “gordinho” estão derrubando o conceito de que só dá para jogar bem, hoje, quem correr muito e tiver ótimo preparo físico.

De chuveirinho em chuveirinho, o Palmeiras enche o papo de pontos. Muricy deve treinar, em dois períodos, as jogadas aéreas. De noite, os jogadores sonham com as bolas altas. Certamente, sobra pouco tempo para outros treinamentos, como trocar passes. Muricy não deve gostar disso. Perde-se muito tempo para chegar ao gol. É mais rápido fazer ligação direta entre defesa e ataque.

O Palmeiras não faz também muitos gols pelo alto somente porque treina bem e muito. Todos os treinadores fazem isso. É também porque os jogadores procuram mais esse lance, cruzando e cavando faltas.

Não sou contra jogadas aéreas. Elas são eficientes. Sou contra a supervalorização desses lances que empobrecem o futebol.

Os ingleses, 50 anos atrás, só faziam gols dessa maneira. Alguém cabeceava ou, no bololô da área, empurrava a bola para as redes. Eram chamados de pequenos gols. Deveriam valer meio.

O São Paulo, dirigido por Muricy, corrijo, por Ricardo Gomes, ganhou do Barueri com um pequeno gol. Ainda não vi uma única diferença entre o São Paulo treinado por Muricy e o comandado por Ricardo Gomes.

Os treinadores e os meninos das categorias de base copiam o estilo das jogadas aéreas. Foi assim que o Brasil perdeu para México e Suíça, no Mundial sub-17, e foi eliminado na primeira fase. Enquanto a Suíça, acredite se quiser, mostrava mais habilidade e trocava mais passes, os meninos brasileiros corriam e cruzavam na área. O mesmo aconteceu na perda recente do Mundial sub-20, para Gana, mesmo com um jogador a mais.

Independentemente da qualidade técnica dos atletas que atuam no Brasil, estão mudando o nosso estilo. Isso é preocupante.

FERNANDO CALAZANS

Reconstrução

O GLOBO - 04/11/09

Viram Fluminense e Botafogo na última rodada? Pouco ou nada tiveram a ver com os mesmos Botafogo e Fluminense do resto do campeonato. Por que nada tiveram a ver? Jogaram muito? Não, não jogaram.
O Botafogo nem podia jogar, com menos um homem, por causa da expulsão de seu desastrado atacante. E o Fluminense até que jogou bem, jogou melhor, mas só no segundo tempo.
Por que então foram diferentes? Porque jogaram com um empenho, com um sacrifício, com uma seriedade, com um espírito de competição que jamais tiveram desde a primeira rodada.
Jogaram como quem está disputando um título, uma vaga, uma taça. Jogaram como Botafogo e como Fluminense — times profissionais de futebol, grandes clubes de futebol do país.
Há uns poucos anos, leio e ouço que times do Rio ainda não teriam aprendido a disputar campeonatos de pontos corridos. Nunca cheguei a discordar da tese, mas tampouco a abracei.
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Hoje, eu abraço. Penso mesmo que não são os únicos clubes a não entrar, digamos assim, no espírito, na essência da competição. Há outros ainda por fora do que é um campeonato de pontos corridos.
Mas a verdade é que os cariocas ainda não entraram, ou, melhor dizendo, só entraram ou entram quando a situação da competição fica muito clara para eles. E isso só acontece no fim.
Espero que me entendam. Fluminense e Botafogo começaram a disputar o campeonato há, quem sabe, três, quatro rodadas, quando enfim perceberam que a situação era feia. Quer dizer: custaram demais a entender a competição. É coisa de amadores, não de profissionais.
O Flamengo, por exemplo, compreendeu um pouco antes. Mais tarde também do que devia, mas compreendeu antes de Botafogo e Fluminense.
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E quem compreendeu antes de todos foram, por exemplo, os clubes paulistas, que há cinco anos dominam o Campeonato Brasileiro. Podem até não começar a disputar a competição desde a primeiríssima rodada — como deve ser —, mas começam antes dos outros. Com mais organização, mais planejamento, mais profissionalismo, mais seriedade. E por isso chegam em primeiro.
Outros, como os cariocas, imaginam que tudo pode ser resolvido no fim. Ignoram o velho e sábio ditado popular. Deixam tudo para amanhã.
Bravos companheiros de imprensa esportiva já ensinaram muito antes desta coluna: Campeonato Brasileiro tem que ser disputado desde a primeira — primeiríssima rodada.
Cada jogo é uma decisão. Que os times se preparem para ela, portanto, e não só para as últimas rodadas.
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Atenção, caros cariocas: entrem no campeonato como se o primeiro jogo fosse o último! Espelhem-se no primeiro dos tantos versos antológicos de Chico na letra de “Construção”: “Amou daquela vez como se fosse a última”.
Não quero dizer em absoluto que, se tivessem jogado assim desde a primeira rodada, Fluminense e Botafogo estariam disputando o título.
Penso mesmo que não possuem time para isso. Mas tenho certeza de que tampouco estariam com a corda no pescoço, lutando para fugir da forca.
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Enfim, os companheiros tinham razão: os times do Rio não sabem (ainda) disputar campeonato de pontos corridos. Mas são profissionais? Têm profissionais nos seus respectivos departamentos de futebol? Isso parece que sim. Há gerentes, técnicos, supervisores e também diretores remunerados.
Talvez tenham tudo isso, mas, paradoxalmente, não tenham profissionalismo. Nem tenham competência.
No dia em que tiverem as duas coisas, aprenderão a disputar o campeonato. Quem sabe um dia... Quem sabe um ano.

AZAR DE QUEM?

FERRARI x CORCEL I

FERNANDO DE BARROS E SILVA

A São Paulo de Lévi-Strauss

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/11/09

SÃO PAULO - "Um espírito malicioso definiu a América como uma terra que passou da barbárie à decrepitude sem conhecer a civilização. Poder-se-ia, com mais acerto, aplicar a fórmula às cidades do Novo Mundo: elas vão do viço à decrepitude sem parar na idade avançada". O antropólogo Claude Lévi-Strauss inicia com essas palavras, bem conhecidas, o capítulo sobre "São Paulo", o 11º de "Tristes Trópicos", dedicado a relatos e reflexões em torno de sua viagem ao Brasil.
Lançado só em 1955, 15 anos após a volta do autor à França, o livro tem um forte acento literário e ensaístico, o que o torna bom de ler.
Ao chegar a São Paulo em 1935, Lévi-Strauss diz que "não foi o aspecto novo que de início me espantou, mas a precocidade dos estragos do tempo". Logo adiante, ele ironiza o afã do progresso de uma cidade que se "desenvolve a tal velocidade que é impossível obter seu mapa: cada semana demandaria uma nova edição". São Paulo lhe parece em contínuo processo de construção e dissolução -um amálgama de novidades e ruínas incapaz de alcançar a civilização. Fisicamente, a cidade descrita não existe mais, o que comprova o acerto das observações.
Na década de 30, o provincianismo da sociedade paulistana impressiona e diverte o francês de espírito cultivado. "Tristes Trópicos" é cruel com nossas veleidades.
Como suas orquídeas prediletas, diz Lévi-Strauss, a elite paulista "formava uma flora indolente e mais exótica do que imaginava" -e a cultura, "até época recente, era um brinquedo para os ricos".
Falando sobre a USP, que ajudou a criar, Lévi-Strauss diz ter julgado seus colegas nativos com "uma compaixão um pouco arrogante". E explica: "Ao ver aqueles professores miseravelmente pagos, obrigados, para comer, a fazer obscuros trabalhos, senti orgulho de pertencer a um país de velha cultura, onde o exercício de uma profissão liberal era cercado de garantias e de prestígio". O tempo passou, mas "Tristes Trópicos" dá muito o que pensar.

RUY CASTRO

Minissaias de 1967

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/11/09

RIO DE JANEIRO - A história de Geyse, a estudante agredida por 700 colegas de faculdade em São Bernardo do Campo por usar um vestido curto, me devolveu a 1967, quando nós, os rapazes do 1º ano do curso de ciências sociais da FNFi (Faculdade Nacional de Filosofia), no Rio, víamos com muito prazer o fato de que a maioria das meninas da turma ia de minissaia à aula.
Não eram minissaias sóbrias, a menos de um palmo do joelho, como o vestido de Geyse. Eram muito mais curtas. E nenhuma das moças, por mais bonita, fazia aquilo para provocar. Elas eram modernas, liberadas e gostavam de namorar -claro que só namoravam quem quisessem. Algumas liam Régis Débray; outras, Hermann Hesse; e, ainda outras, "Peanuts"; mas todas eram divertidas, inteligentes e politicamente atuantes.
No dia seguinte às passeatas contra a ditadura na avenida Rio Branco, uma ou duas apareciam na faculdade com as coxas e canelas salpicadas de curativos, resultado das bombas de "efeito moral" que os agentes do Dops soltavam no meio da turba e, ao explodir, despejavam estilhaços que cortavam de verdade. Ao contrário de nossos jeans, grossos como couro e que nos protegiam as pernas, as minissaias expunham as garotas a esses riscos -que elas enfrentavam com graça e coragem.
Várias lutaram à vera contra os militares e pagaram o preço, na forma de prisão, tortura, exílio ou morte de alguém próximo. Mas, sabe-se como, todas completaram o curso. No futuro, muitas se tornaram mestras ou doutoras respeitadas em suas carreiras, ainda que fora da sociologia.
Às vezes reencontro-as em reuniões aqui no Rio. Estamos 40 anos mais velhos, mas, nas minhas fantasias, elas continuam as mesmas meninas de 1967: alegres, responsáveis, cultas -e irresistíveis em suas minissaias.

GOSTOSA


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JOSÉ SIMÃO

Uau! Dilma inaugura buraco de tatu!

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/11/09



Pra preservar a espécie, os morcegos transam até com a sogra. Por isso é que transmitem raiva


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
Lá se foi o ultimo feriadão do ano!
Depois de cinco dias na Bahia, de volta a São Paulo. A marginal Tietê continua linda! Rarará. E sabe o que eu vou pedir pro Lula? Aposentadoria por tempo de praia. Aposentadoria por tempo de Havaianas! E lá na Bahia tem uma barraca chamada BURRALINDA! Eu não sei se o dono é zoófilo, se está apaixonado por uma jega, se é homenagem à mulher dele ou se é homenagem à Carla Perez!
E deu na Folha: "Morcegos praticam sexo oral para prolongar a relação". É o Batman! Por isso que o Batman e Robin tiveram uma relação tão longa. Morcego é um bicho esquisito. Pra preservar a espécie, eles transam até com a sogra. Por isso é que transmitem raiva. Rarará. Ainda bem que eu não nasci morcego!
E sabe o que o Batman faz quando se lembra do Robin? Pega o bat-móvel, vai pra bat-caverna e bat-uma. Rarará! E qual a próxima inauguração da dupla Lula e Dilma? Tão inaugurando até buraco de tatu! A Dilma inaugura buraco de tatu. Qualquer dia, eles abrem a cortina da sala e inauguram a janela!
E o Ecad diz que hotéis e motéis têm que pagar direitos autorais. O Roberto Carlos vai ficar quaquilionário. E o Wando e o Dicró?
E no fim de semana teve Parada Gay no Rio e Marcha para Jesus em São Paulo. Conhecida como A Marcha das Héteras. As bibas que se arrependeram e viraram héteras. Mas como disse aquela biba: se Deus fosse gay, o mundo seria mais arrumadinho! Rarará. É mole? É mole, mas sobe! Ou, como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão!
Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês.
É que em Fortaleza, no Ceará, tem um bar chamado Bar dos Otários. E vive cheio! Rarará. Mais direto, impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Isqueiro": lugar onde se arranca minhoca pra pescar lambari!
O lulês é mais fácil que o ingrêis.
Nóis sofre, mas nóis goza.
Hoje só amanhã.
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.

ANCELMO GÓIS

SE ELES FOREM...

O GLOBO - 04/11/09


Lula ainda não desistiu de participar da grande pajelança mundial sobre clima, em Copenhague, que começa dia 7 dezembro.
Mas avisou: só vai se Obama e Sarkozy forem.
ANGRA 3
O jornalão francês Le Figaro disse ontem que reatores nucleares em construção na Finlândia e na França preocupam as autoridades pelo “frágil sistema de segurança para operação em caso de incidente”.
Estes reatores são construídos pela gigante francesa Areva, a mesma de Angra 3.
A TAM ATRASOU
O índice de atrasos em outubro na aviação comercial brasileira, calculado pela Infraero, traz uma surpresa.
A TAM, que sempre foi muito pontual em seus voos, caiu para a última colocação.
COTAÇÃO ALTA
Tem shopping carioca contratando por R$ 8 mil os serviços de Papai Noel.
BOA CHANCE
Deu no DO que Lula criou 164 cargos no programa Fome Zero – 14 deles, com salários de R$ 8.788 mensais.
NOVELA CONTINUA
O STJ, numa canetada só, suspendeu, ano passado, 25 ações populares contra a privatização da Vale, em 1997.
Ainda assim, a mineradora não consegue se livrar desta aporrinhação. O TRF de Brasília anulou a decisão que extinguia a ação popular 39.00.010818-0.
A BELEZA DE SERRA
Segunda-feira, Hebe Camargo entrevistou José Serra em seu programa, no SBT.
A apresentadora, para ser simpática, disse, em resumo, que o governador é “feio”, mas “faz um grande governo”.
Ah, bom!
AÇAÍ CONQUISTA EUA
Técnicos da FDA, a agência dos EUA que fiscaliza medicamentos e alimentos, desembarcam amanhã em Belém.
Vêm ver as condições em que é produzido o açaí que chega aos americanos. A fruta do Brasil é moda entre gringos como o ator Sylvester Stallone.
DEPOIS DA ONDA
O filme O Bem-Amado, de Guel Arraes, só deve estrear em agosto de 2010.
A produção prefere deixar passar primeiro Lula, o filho do Brasil, de Bruno Barreto, e Chico Xavier, de Daniel Filho, que devem monopolizar as telas no início do ano.
CARTA DE CAMINHA
O acadêmico Carlos Nejar assinou com a editora portuguesa Leya para lançar A história brasileira de Caminha aos contemporâneos. O livro terá 1.200 páginas.
VARA DE FAMÍLIA
A deputada Maria Lúcia Cardoso (PMDB-MG) entrou na Justiça com mais um processo contra o ex-marido, Newton Cardoso, ex-governador de Minas.
Dessa vez acusa Newtão de “armar um esquema” para tirá-la de sua casa, em Contagem.
SEGUE O BARRACO...
O imóvel é da Rio Rancho Agropecuária, uma das empresas do ex-governador, que decidiu alugá-lo a um comerciante.
Os advogados de Maria Lúcia sustentam que o tal comerciante seria, na verdade, um “laranja, usado só para expulsá-la”, pois “os reais motivos do esbulho seriam passionais”. Nos autos, Newtão nega e diz ter “superado a separação”.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO


DORA KRAMER

Olho vivo e faro fino

O ESTADO DE SÃO PAULO - 04/11/09


Se bem compreendido, bem planejado e bem executado, o movimento de entidades interessadas em trabalhar pela melhoria da qualidade do Congresso Nacional pode ser um protagonista inovador nas próximas eleições.

Além de um elemento renovador numa política ainda presa a conceitos retrógrados e métodos arcaicos com validade para lá de vencida face aos avanços da sociedade nos últimos 30 anos.

Segundo reportagem de Ricardo Brandt ontem no Estado, cerca de 200 organizações não-governamentais que atuam na área de combate à corrupção, afirmação da cidadania e fiscalização governamental organizam uma campanha de esclarecimento a fim de tornar o processo eleitoral mais qualificado e, assim, eleger um Congresso melhor em 2010.

As ONGs pretendem usar a internet para expor a biografia dos candidatos, mostrar como foi o desempenho dos que já são parlamentares, informar sobre os gastos, os doadores de campanha e as emendas ao Orçamento apresentadas por suas excelências.

A ideia seria alcançar um índice de 60% de renovação do Legislativo. Embora seja o número o que mais chame atenção, na prática é o fator menos importante, porque não é o volume de gente nova que dá qualidade ao conjunto.

Nos últimos anos a renovação vem se mantendo em mais ou menos 40%, o que não impediu a queda, acentuada, da qualificação geral. Renovar por renovar não garante nada.

Se a atividade política se desqualifica e é por todos desqualificada, a tendência natural dos melhores quadros é a de se manter longe desse ambiente. Se o processo continua deformado, comandado por partidos de interesses conservadores - no sentido da conservação das regras que lhes asseguram o poder - e o eleitor permanece indiferente, pode ocorrer uma grande renovação para pior.

O mérito desse tipo de movimento é justamente o de procurar mexer com a sociedade, vencer a apatia, ultrapassar os obstáculos.

De um lado, a Justiça enfrenta dificuldades, pois não inventa leis nem age por iniciativa própria. De outro, os partidos mantêm suas facilidade de vida inteira, quando não usam de suas prerrogativas legislativas para criar outras de modo a vencer as restrições judiciais.

É um círculo viciado que a sociedade tem plenas condições de romper, se resolver de verdade tomar uma providência. Este é o conceito com o qual trabalham entidades como a Transparência Brasil, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, o site Contas Abertas, o Movimento pelo Voto Consciente etc.

Utopia? Perda de tempo? Exercício de cidadania à deriva?

Depende de como as coisas são conduzidas. A Lei 9.840, com base na qual a
Justiça Eleitoral vem cassando governadores, prefeitos e parlamentares acusados de abuso de poder político e econômico para se eleger, foi fruto de uma iniciativa popular há dez anos.

Quando ela começa agora a ser aplicada, desperta revolta no mundo político, que reclama da "judicialização" do processo e alega que as punições configuram desrespeito à democracia, ao resultado das urnas.

Há um mês, aquelas mesmas entidades que agora organizam a campanha pelo voto da faxina, apresentaram um projeto de lei na Câmara, com 1,3 milhão de assinaturas, pedindo a instituição da exigência de ficha limpa para registro de candidaturas.

Até agora a Mesa Diretora não tomou conhecimento da proposta. E não tomará enquanto puder ignorar.

É motivo para desânimo? De modo algum.

Mas é razão suficiente para que o eleitorado perceba quem precisa tomar posse da faca e do queijo se o plano é sair do conforto da reclamação eterna, romper com o conformismo e sair do imobilismo.

Essencial, no entanto, é levar esse tipo de movimento a sério, cobrar dele seriedade, não se deixar levar pela doença infantil da zombaria engajada, pois não faltará quem logo lance sobre o movimento a sombra da suspeição conspiratória.

CARTILHA

Do líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza, nada de diferente seria de se esperar. Segundo ele, nada há de antiético e ilegal no fato de a Caixa Econômica Federal financiar parte da festa de posse do ex-advogado-geral da União, José Antônio Toffoli, no
Supremo Tribunal Federal, porque "nada há na lei que impeça a Caixa de financiar a posse de um ministro".

Conforme já reiterou diversas vezes, o partido liderado por Vaccarezza considera permitido tudo o que não é expressa e detalhadamente proibido.

Mas, de um ministro do Supremo, integrante da corte guardiã da Constituição, esperava-se um pouco mais que a declaração de que de não "sabia de nada".

A obediência ao mesmo manual mostra que Toffoli ainda não virou "a página" de suas relações com o PT, como prometera durante sua sabatina no Senado.

Se não percebeu, conviria ser avisado: suas atitudes agora repercutem sobre a imagem do colegiado que a duras penas e por ação de cada um dos magistrados vem escapando do contágio pelo vírus da desmoralização.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Isso vai dar problema”
MINISTRO NELSON JOBIM (DEFESA), SOBRE O ACORDO POLÍTICO ENTRE PMDB E PT PARA 2010

PETISTA DOS DÓLARES DE CUBA QUER “INDENIZAÇÃO”
A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça analisa amanhã (5) o pedido de indenização de Vladimir Poleto, 53, ex-assessor de Antonio Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto (SP) e quase indiciado na CPI dos Bingos, em 2005. Poleto também afirmou e depois negou à revista Veja haver transportado US$ 1,4 milhão doados por Cuba à campanha de Lula, em 2002. Ele disse que estava “bêbado” durante a entrevista.
É SEGREDO?
A anistia a Poleto parece um assunto incômodo: o MJ tentou despistar negando que o caso estivesse, como está, na pauta desta quinta.
A FILA ANDA
Ex-sindicalista, Poleto tinha 8 anos em 1964 e engrossa a lista de ex-assessores diretos de Lula e aloprados “vítimas da ditadura”...
NA POEIRA DO TEMPO
Com o advogado Rogério Buratti e o ex-secretário Ralf Barquette, o hoje consultor Vladimir Poleto era do “trio das encrencas” de Palocci.
OUTRO EX-SINDICALISTA
O último anistiado, como revelou a coluna, foi o presidente do Sebrae Paulo Okamoto, amigo e tesoureiro de Lula, também com 53 anos.
ACORDO GOVERNO-VARIG FICA PARA 2010
Um triste Natal para ex-funcionários e pensionistas do fundo Aerus: prometido em maio, foi adiado pela terceira vez o acordo da Advocacia-Geral da União que minoraria o passivo trabalhista da Varig. Trata-se de R$ 9 bilhões de defasagem tarifária do Plano Sarney e envolve outras aéreas. O governo topou após a Transbrasil ganhar no STF. Ontem, cálculos à mão, não se entendeu no Senado com os sindicalistas.
NO ESCURINHO
Faltou luz por quase duas horas ontem pela manhã, na Câmara. O apagão ocorreu na véspera da votação dos salários dos aposentados.
AUMENTOU
Pesquisa do Ibope feita há um mês no DF indicava uma diferença de 10% entre José Roberto Arruda e Joaquim Roriz. Subiu para 12%.
SENADORES PAULISTAS
A aliança PT-PCdoB, em São Paulo, negocia uma chapa ao Senado formada pelo senador Aloizio Mercadante e o deputado Aldo Rebelo.
CEMIG NA AMPLA
A assessoria da Ampla, empresa de energia do interior fluminense, ignora os entendimentos da Cemig com os controladores da espanhola Endesa, para a compra da empresa. Oficialmente, a Ampla nega a negociação, confirmada à coluna pelo governador mineiro Aécio Neves.
PLANO C, DE CIRO
Especialistas em pesquisa aconselham o presidente Lula a pensar no “plano B”, alternativo à candidatura presidencial de Dilma Rousseff. Na verdade, o “plano C”, de Ciro Gomes (PSB). Ela continua patinando.
LULA, O MASCATE
Jornalistas franceses que acompanham a negociação dos caças de combate Rafale atribuem ao preço o impasse com a França: Lula já decidiu comprá-los, mas por menos. E os franceses relutam.
AQUI NÃO FICO...
Informado de que Jader Barbalho (PMDB-PA) pode voltar ao Senado em 2010, Pedro Simon (PMDB-RS) pareceu aliviado. Com a própria decisão, revelada aqui, de abandonar a política ao fim do mandato.
FOME E ESTIAGEM?
Como o presidente Lula vive mais no exterior, não deve saber que mais de cem municípios do Piauí sofrem os efeitos da seca. Os prefeitos já pediram cerca de 30 mil cestas básicas, mas, até agora, nada foi liberado.
SEM MOLEZA
Quem quiser moleza não vai prosperar na embaixada em Berlim. O embaixador Everton Vargas está de olho no velho truque da remoção para fazer doutorado, com direito a flanar na Alexanderplatz.
MUDANÇA NA NET
Após quase dez anos, o canal Shop Tour perdeu para a TV Mais seu canal na Net São Paulo, e vai sair do ar no dia 30. A Mix TV tentará assumir o posto de o principal canal de televendas do País.
POLÊMICA À VISTA
Especialistas discutem amanhã e dia 6, em Brasília, qualidade e trivialidade de patentes e acesso da população aos remédios no 4º Seminário Internacional “Patentes, Inovação e Desenvolvimento”.
NOSSA GRANA
A Presidência gastou mais de R$ 11 mil com transceptores portáteis e veiculares da Motorola para o Palácio do Planalto.

PODER SEM PUDOR
MATO SEM CACHORRO
Exilado nos Estados Unidos, no início dos anos 30, Washington Luiz ficou sabendo que Getúlio Vargas, que o depôs, nomeara para chefiar a polícia o mesmo Coriolano de Góes que o serviu em seu governo, no mesmo cargo. Washington Luiz sorriu:
– Este Getúlio está perdido. Caçando com meus cães, vai acabar como eu: num mato sem cachorro.

FARRA

QUARTA NOS JORNAIS

- Globo: Acordo prevê mais tempo para traficantes na cadeia


- Folha: Expansão e dólar barato estimulam importação


- Estadão: Brasil deve ir a reunião de clima sem meta definida


- JB: Governo vai limitar reajuste de aposentado


- Correio: Aposentado perde reajuste, Senado amplia hora extra


- Valor: Investimento industrial tem forte recuperação


- Jornal do Commercio: Menos acidentes, mais mortes