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quinta-feira, junho 18, 2009
ARI CUNHA
Má vontade e falsidade
| Correio Braziliense - 18/06/2009 | |||
Avoluma-se no Congresso a campanha contra o país. Afinal de contas, o trabalho do legislador é honrar seu posto e promover o bem da sociedade com projetos que facilitem a vida dos eleitores. O que vimos observando é o comportamento egoísta dos representantes do povo. Atiram-se contra todos, como se o erário tivesse obrigações de oferecer tantas vantagens. O que se esperava seria o reconhecimento da crise universal. Nesse caso, cada parlamentar, por condição cívica, tem a obrigação de se ombrear aos eleitores que os colocaram lá para serem atendidos nas necessidades da vida. A maioria dos parlamentares, nacionais ou distritais, preferiu não reconhecer a realidade. Pendeu para o deboche, como se a mãe pátria fosse prioridade deles. Então vieram as gaiatices. “Quando eu vim para cá recebi passagem. É obrigação que continue.” Outros, mais ousados, procuram lançar as famílias contra o Estado. “Eu tenho que viajar e a família também.” “Estão nos separando da mulher e filhos.” Ora, esse sofisma deixa mal a família parlamentar. A pátria é a mãe de todos. O erário não deve e não pode ser a mãe de leite. É tempo de murici. Cada um cuide de si, como dizia o filósofo de Mondubim. Trabalhar é preciso. E a nave vá. Fiquem do lado do povo e do Brasil.
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ROLF KUNTZ
Brasil, o bonzinho dos Bric
| O Estado de S. Paulo - 18/06/2009 |
O Brasil ama os Bric, os outros Bric preferem amar os parceiros do mundo rico. Essa é a maior diferença entre a concepção estratégica do governo brasileiro e as políticas seguidas pelas autoridades da Rússia, da Índia e da China. O governo russo espera entrar na Organização Mundial do Comércio (OMC) até o fim do ano, disse há duas semanas o vice-ministro russo de Relações Exteriores, Alexander Yakovenko. Isso dependerá do apoio das autoridades americanas e da União Europeia, mas o problema parece quase resolvido. O representante dos Estados Unidos para o comércio exterior, Ron Kirk, já mostrou otimismo quanto à conclusão do processo. Autoridades europeias também dão como praticamente certo o final feliz. As negociações haviam sido interrompidas em agosto de 2008, por causa da invasão da Geórgia. Mas era preciso, além disso, completar o lado econômico das negociações. Estados Unidos e União Europeia demoraram muito mais que o Brasil para concluir as conversações com a Rússia. A pauta de cobranças de americanos e europeus era muito mais ampla. Também por isso eles têm as maiores cotas de exportação de carnes para o mercado russo. O Brasil, bonzinho, não tem cotas e negociou apenas acordos sem grande significado comercial e de valor prático muito duvidoso - nos setores militar e de energia, por exemplo. Mas o capítulo das carnes é uma pequena parte da história: os mercados da Europa e dos Estados Unidos são muito mais importantes e o governo russo não parece tão fascinado quanto o brasileiro pelo desenvolvimento das trocas Sul-Sul. Até porque a Rússia não é considerada por seus governantes um país geopoliticamente "do Sul". Afinal, o país é o oitavo membro do G-8 e seus governantes partilham a mesa com os colegas dos Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá. O chanceler brasileiro, Celso Amorim, parece haver esquecido esse detalhe, na semana passada, quando anunciou a morte do G-8, poucos dias antes da reunião de cúpula dos Bric, na cidade russa de Ecaterimburgo. Índia e China são membros da OMC e também do G-20 comercial, organizado por iniciativa do Brasil, em 2003, para as negociações sobre agricultura na Rodada Doha. A aliança funcionou razoavelmente enquanto se tratou de cobrar do mundo rico a eliminação ou redução de barreiras ou de subsídios. Deixou de funcionar quando chegou a hora de oferecer contrapartidas. Indianos e chineses não têm interesse em participar de um mercado agrícola concorrencial, com facilidades de acesso para todos. O governo indiano empenhou-se com muito vigor na proposta de salvaguardas especiais para seus agricultores e assim contribuiu para dificultar a conclusão da Rodada. Outros "aliados estratégicos" também se afastaram do Brasil quando o fim das negociações parecia próximo. A Argentina, por exemplo, insistiu em manter barreiras de proteção à indústria bem maiores que aquelas consideradas aceitáveis pelos brasileiros. O governo brasileiro define como prioridades o fortalecimento do Mercosul e o comércio Sul-Sul. Os parceiros eleitos como estratégicos pela diplomacia brasileira operam com agendas diferentes. No caso do Mercosul, o maior sócio do Brasil tem como prioridade a proteção da própria indústria, seja qual for o custo para os vizinhos e para a integração comercial do bloco. No caso de outros emergentes, como a China, a Índia e a Rússia, o comércio com os principais mercados do mundo rico é muito mais importante que o intercâmbio com os parceiros do Sul. Nenhum deles tem no topo uma reforma da geografia econômica. Todos pretendem maior influência nas decisões de alcance mundial, mas em nome de interesses nacionais, e não de uma ideologia terceiro-mundista. Se o mercado latino-americano é hoje especialmente importante para a China, é apenas porque a demanda encolheu no mundo rico e é preciso buscar novos compradores. Nesse esforço, a indústria chinesa tem tomado espaço da indústria brasileira no mercado argentino, enquanto os argentinos impõem barreiras a produtos do Brasil. A reunião de cúpula dos Bric terminou com declarações vagas e genéricas sobre a reforma financeira internacional e sobre a liberalização do comércio. Não podia ser muito diferente, por falta de uma convergência maior de interesses. O Brasil continuará apostando na formação de um grupo. Rússia, China e Índia usarão o Bric segundo seus interesses, guiadas por uma visão adulta da estratégia internacional. |
CELSO MING
Rédea curta nos bancos
| O Estado de S. Paulo - 18/06/2009 |
A cada farra nos negócios segue-se a adoção de regras de disciplina. A última foram as leis Sarbanes-Oxley, que chegaram em 2002, depois da lambança contábil das americanas Enron e WorldCom. A próxima foi anunciada ontem pelo presidente Barack Obama. Pretende aumentar a regulação do sistema financeiro americano. Seu ponto central é enfeixar no Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) mais condições para fiscalizar e supervisionar a atividade das instituições financeiras bancárias e não bancárias. Se a proposta a ser examinada pelo Congresso é aumentar os poderes do Fed, fica claro que até agora ele não teve poderes suficientes para regular o recentemente identificado sistema financeiro paralelo. Isso dá certa razão ao presidente anterior do Fed, Alan Greenspan, quando afirma que não tinha mandato para executar as tarefas que hoje os críticos dele vêm cobrando. Apenas os bancos comerciais estão hoje sob a tutela do Fed. Ainda assim, é um mandato com conflitos de jurisdição, partilhado com agências de atuação apenas estadual. O governo Obama põe sob a tutela do Fed não só bancos comerciais, mas, também, quaisquer instituições consideradas capazes de provocar risco sistêmico (quebras em cadeia), sejam elas bancos de investimento, seguradoras de crédito ou fundos de hedge. E anuncia organismos de supervisão também para sociedades de crédito hipotecário e administradoras de cartões de crédito. Em compensação, o Fed não terá a mesma facilidade para agir nas emergências. Para abrir canais especiais diretos com o mercado para suprir os bancos em situações de bloqueio de crédito terá de pedir autorização prévia ao Congresso. A nova batelada regulatória prevê a imposição de rédeas curtas a outros dois segmentos do mercado financeiro: ao mercado de derivativos; e à criação de instrumentos financeiros complexos, como os CDS (Credit Default Swaps), que empacotam ativos com o objetivo de escapar aos balanços das instituições financeiras e, portanto, a quaisquer organismos de regulação. Boa pergunta consiste em saber até que ponto o governo Obama conseguirá se opor à atuação contrária a essa regulação dos lobbies das instituições financeiras, tão mal-acostumadas à permissividade que reinou até agora. Em todo o caso, há muito não se ouviam tantas e tão pesadas críticas à atuação dos bancos no Congresso americano. Por mais abrangente que seja, a nova legislação esbarra em sérias limitações. Uma delas consiste em desconsiderar o caráter global da atividade financeira. De nada adianta botar tranca na porta da frente se canais subterrâneos permitirem a livre atividade dos bancos em outros países. No artigo que assinou anteontem em alguns jornais de circulação internacional, como o El País, de Madri, o presidente Lula perguntou se os países ricos estão de fato dispostos a aceitar a supervisão e o controle supranacionais que o sistema financeiro global requer. Não podem organismos de atuação apenas local pretender controlar instituições financeiras globais. Quer dizer, mais rigor nos Estados Unidos é necessário, mas não basta. É preciso estendê-lo ao resto do mundo e isso pede uma agência internacional de supervisão. Confira O Federal Reserve precisará se preparar para estar em condições de supervisionar as instituições financeiras num regime em que elas não podem quebrar. Terá de montar um enorme departamento de auditoria. Não está claro como será feito o monitoramento dos bancos americanos fora dos Estados Unidos. E, se a fiscalização se estender aos fundos de hedge, o Fed terá de saber como atuam nos paraísos fiscais. Falta saber como serão evitadas administrações irresponsáveis em grandes empresas não financeiras (como montadoras de veículos), que também não podem quebrar, como se viu. |
JANIO DE FREITAS
Além disso, o Congresso brasileiro não tem história retilínea. O que a atualidade pode recordar-nos da história do Congresso não são os seus momentos de grandeza, são os de baixeza, inclusive humana. O Congresso que "elegeu" sucessivos presidentes-ditadores, que se viu fechado sem reação por várias vezes e reabriu para servir aos militares ainda mais subserviente. O Congresso da maioria de deputados e senadores agraciados, de formas inúmeras e inconfessáveis, por seus serviços à ditadura, enquanto viam os da minoria democrata perseguidos e cassados.
O slogan, para completar seu estilo infeliz, ainda oferece um segundo sentido desastroso: "O Congresso faz parte da sua história" diz, também, que o Congresso faz outra vez, com a degradação atual, o que foi parte da sua história.
Não é com campanhas e slogans que Câmara e Senado podem restaurar a imagem do Congresso. É com a recusa a fazê-lo apenas carimbador de medidas provisórias; palco de sabujices governistas e da preguiça de grã-fininhos da oposição, e, antes de tudo o mais, com a única satisfação possível ao país: a apuração dos desmandos e as medidas que imponham a moralização administrativa nessas superpopulosas cavernas de Ali Babá.
O senador Pedro Simon tem uma primeira sugestão que une simplicidade de execução e eficácia imediata. Há poucos dias, o ex-diretor do Senado Agaciel Maia criou certo espanto com a afirmação de que todas as medidas secretas (de número real ainda desconhecido) foram aprovadas não só pela Mesa Diretora, pelo plenário também. Os senadores que diziam não saber delas ficaram como mentirosos, com a velha saída. Foi uma situação esquisita, por estarem entre eles pessoas que não são dadas a fugas. Como o próprio Pedro Simon.
Eis a explicação: quando submetidas ao plenário atas das reuniões recentes em que a Mesa decidiu isso e aquilo, no bolo era introduzida, sem especificações, "a ata da reunião do dia tal". Tudo aprovado. A ata da reunião remota e não especificada, que podia ser interpretada até como sem decisões, era de contrabandos. Cujas medidas teriam de se tornar sigilosas, porque, publicadas, expunham-se à possível percepção de senadores de que aprovaram o que não souberam existir. Ainda que haja outros truques a revelar-se, esse das atas sigilosas, antes mesmo de suas medidas sigilosas, funcionou bem.
Contra golpes assim, Pedro Simon propõe uma reunião periódica de todo o plenário, para discutir (se for o caso) e votar as decisões e propostas provenientes da Mesa Diretora. Com votação nominal. Acabam-se as responsabilidades mal distribuídas e as propostas malandras tornam-se mais raras.
Algumas outras propostas, como a do senador Eduardo Suplicy para exposição dos nomes, cargos e vencimentos dos 10 mil funcionários do Senado, começam a aparecer. Mas, para saber de sua oportunidade e possível eficácia, é antes preciso saber a realidade integral que a nebulosidade cavernosa do Senado encobre. E não há slogan e campanha que superem esse estado.
INFORME JB
MP Eleitoral fecha o cerco a empresas
Leandro Mazzini
JORNAL DO BRASIL - 18/06/09
Muitos financiadores de campanha estão apreensivos. O Ministério Público Eleitoral deflagrou uma operação pente-fino para descobrir o caminho do dinheiro doado aos candidatos e partidos. Enviou para cerca de 3 mil empresas, cadastradas no TSE como doadoras, um minucioso questionário. Quer saber quanto elas doaram e para quem. Pede, ainda, o faturamento anual – o MPE pretende descobrir se a pessoa jurídica atendeu, na doação, ao limite de 2% de seu faturamento bruto obtido no ano anterior às eleições. Deputados também se mobilizam, pressionados pelos doadores, a fim de buscar alternativas para o problema não crescer quando o questionário, obrigatório, chegar às mãos do MP. Há preocupação principalmente com candidatos e empresas paulistas.
‘Chef’ no plenário Barreira
A foto acima é um flagrante de terça, na CCJ da Câmara. Um chef de cozinha saiu de um restaurante, vestido a caráter, para cobrar aprovação de um projeto que obriga os patrões a repassarem os 10% de gorjeta para os garçons.
O presidente da Câmara, Michel Temer, pesquisa se há na Casa projeto sobre proibição ou restrição de greve de servidor público. Não quer o assunto no STF.
Gabeira balança
O deputado Fernando Gabeira (PV) quer sair pelo Senado no Rio, mas se o PSDB o convencer – e faz pressão – a concorrer ao governo, quer dar o vice: o colega de plenário Otávio Leite.
Concentração, senador
Líder do PSDB, o senador Arthur Virgílio, interrompeu uma coletiva ontem às gargalhadas, só porque viu um humorista do programa CQC que o persegue. Tentou falar novamente e... caiu na gargalhada. Vá entender.
Ah, deputado
Ciro Gomes perdeu uma chance de testar sua popularidade no Rio. Entrou sisudo no restaurante D’Amici, no sábado, ao lado da mulher Patrícia Pillar, e não deu bola para os admiradores.
Dia do saldo
Os governadores mobilizam bancadas na Câmara para o dia 25. É a votação da MP 464/09, que autoriza a União a transferir R$ 1,9 bilhão como compensação por perdas da Lei Kandir. Só dois exemplos: Minas levará R$ 300 milhões. E Rio, uns R$ 100 milhões.
É briga
O PCdoB foi o único partido a recuar do projeto que obrigava o governo a contratar a Petrobras para pesquisar a real reserva do pré-sal. O autor, líder do PDT, Brizola Neto, ficou furioso.
Bahia ferve
Com Paulo Souto com dificuldades de conquistar prefeitos na Bahia, aliados de Geddel Vieira Lima reforçam a tese de sua candidatura ao governo baiano.
LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO
Anthony Burgess escreveu um livro sobre Joyce chamado ReJoyce. O trocadilho do título – que quer dizer, ao mesmo tempo “referente a Joyce”, uma releitura de Joyce e “regozige-se com Joyce” – é uma homenagem ao autor que tornou o trocadilho literariamente respeitável. O livro de Joyce que se seguiu ao Ulisses, Finnegans Wake é um interminável – literalmente, pois não termina mesmo, a última frase do livro emenda na primeira – jogo de palavras no qual só deve se aventurar quem tem tempo, além de erudição ou um bom manual explicativo, como o de Burgess.
Como Ulisses, Finnegans Wake é uma celebração complicada de vidas simples, as vidas que acontecem longe dos grandes acontecimentos históricos mas ganham um significado simbólico que abrange mais do que a mera História. O universo reduzido a uma cidade, o tempo reduzido a um dia, os ciclos e os mitos da humanidade reduzidos a uma linguagem e todo o humor e a glória desta espécie falante reduzidas a um livro. Quase indecifrável, mas quem disse que nós temos explicação?
Os dois livros são grandes regozijos pela vida e suas reincidências que transformam qualquer beberrão em Dublin num arquétipo universal de morte e ressurreição. A palavra “regozijo” pressupõe a existência de “gozijo” e gozijar com Joyce deve significar isto, um gozo comum, um gozo de cada um integrado num gozo da nossa humanidade em comum. E “regozijo” significa a sua repetição através da história.
ANCELMO GÓIS
O parecer confirma denúncia da família materna de Sean, de que David Goldman, o pai biológico, teria falsificado cheques de Bruna, mãe do menino.
DIZ O LAUDO...
Segundo Villarinho, a letra “nos preenchimentos dos cheques” diverge da caligrafia de Bruna Bianchi Goldman e coincide com a de David.
CONSELHO DE JUSTIÇA
O Senado indicou Marcelo Neves, da USP e da PUC-SP, como seu representante no Conselho Nacional de Justiça.
Neves venceu Erick Wilson Pereira por 41 a 20.
TROCA QUESTIONADA
Há gente no governo arrependida da troca, em agosto, de Jorge Rachid por Lina Maria Vieira na Receita Federal.
É gente que acha que não há crise capaz de justificar, por exemplo, a queda de 6,06%, em maio. É. Pode ser.
SEM DIAMANTES
Ellen Jabur, a modelo, aderiu ao ecotarianismo, o movimento de quem só consome o que não prejudica o meio ambiente (alimentos, roupas, etc.), e tem feito exigências para desfilar.
Hoje, por exemplo, num desfile no Copacabana Palace, não aceitou usar peças com diamantes. Alegou a destruição causada por sua extração. Ah, bom!
A VOLTA DE GRAZI
Grazi Massafera, a “big boa”, perdão, a “big brother” que virou atriz, vai estrelar a próxima novela das sete da TV Globo, de Bosco Brasil, ainda sem nome.
Em seu segundo papel principal, será uma médica. Contracenará com Antônio Fagundes.
FORNO LIGADO
A CSN retoma hoje a produção do seu Alto-Forno 2.
A retomada, na contramão das principais siderúrgicas do País, que têm parado seus fornos, é fruto de investimento de R$ 100 milhões na reforma do equipamento, inaugurado em 1954 por Getúlio Vargas.
AIR FRANCE
O Sindicato Nacional dos Aeroviários acusa a Air France no Ministério Público de “descumprir acordo firmado em 2006”.
Diz que a voadora “não paga domingos e feriados, desrespeita o sistema de folgas, dá tíquete-refeição abaixo do valor estipulado e não cumpre o descanso de 11 horas entre as jornadas”.
EU TAMBÉM SOU
De um senador, reclamando de não ter ido à reunião do chamado “grupo ético”, ontem, no gabinete de Jarbas Vasconcelos:
– Por que não fui chamado? Também sou ético!
Há controvérsias.
CALOTE NO PADRE
A LGK, responsável pela produção dos quatro shows lotados do padre popstar Fábio de Melo no Canecão, no Rio, acusa a casa carioca de dever mais de R$ 100 mil ao sacerdote.
O “calote” estaria atrasando, além do pagamento dos músicos e da equipe, a doação de parte do cachê do padre à Fundação Viva Cazuza. O papagaio venceu dia 2.
DORA KRAMER
Advogado do diabo
O ESTADO DE SÃO PAULO - 18/06/09
Do tiranete iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, ao tiranossauro cubano, Fidel Castro, passando por uma vasta gama local de atos, ideias e personagens erráticos, o presidente Luiz Inácio da Silva não vacila quando se trata de assumir a defesa do indefensável.
São tantos e tão repetidos os casos, que já se configura um padrão: se a questão em pauta envolve conduta, Lula entra no assunto pelo lado do avesso. A Venezuela, sob o tacão de Hugo Chávez, na personalíssima versão do presidente brasileiro tem “democracia demais”. No auge do escândalo da farra das passagens aéreas no Congresso Lula entrou em cena perguntando “qual é o crime?”, para acusar de “hipócritas” os indignados.
Igualmente farisaicas, na opinião dele, são as restrições impostas pela Justiça à ação do poder público em períodos eleitorais, as exigências da legislação ambiental, a fiscalização do tribunal de contas, as manifestações de magistrados e tudo o mais que lhe cause desagrado ou lhe imponha limites aos movimentos.
São inúmeros os registros de afagos do presidente em gente cuja folha corrida faria bonito naquela antiga lista dos “300 picaretas”, bem como é recorrente o esforço do chefe da nação em atenuar o sentido nefasto de atos por ele outrora batizados de “maracutaias”.
A defesa em rede nacional, via transmissão internacional, da prática do caixa 2 em campanhas eleitorais como algo natural, por usual, é de todos talvez o mais eloquente. Consolidou o lema do “todo mundo faz” e conferiu aceitação à tese segundo a qual política eficaz só se faz com as mãos na lama. Por essas e muitas outras que a memória joga fora, não surpreende a defesa do Senado feita nos habituais termos de elogio ao mau combate.
Ainda assim, a declaração impressiona pela ausência de autocrítica, pelo raciocínio deformado, pelo desrespeito a valores universais de civilidade e, por que não dizer, pela falta de amor próprio e senso de preservação da estatura do cargo.
Por partes: “Não li a reportagem do presidente Sarney, mas penso que ele tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como uma pessoa comum”. A fim de não se comprometer com o conteúdo dos fatos – prova que lhes reconhece a gravidade –, o presidente diz não saber direito do que trata o principal assunto da política, o processo de desmoralização desenfreada do Poder Legislativo.
Não obstante o alegado desconhecimento, opina. E convalida a cultura do privilégio, fere o princípio da igualdade entre os cidadãos e, ao considerar o presidente do Senado um injustiçado, revela que na visão dele uma “pessoa comum” pode ser difamada sem fundamento, mas jamais um senador.
Segue o presidente: “Elas (as denúncias) não têm fim e depois não acontece nada”. E assim o chefe da nação alimenta a descrença nas instituições, incentiva o menosprezo às ferramentas de fiscalização e investigação e mata na raiz a energia da demanda por procedimentos mais perfeitos. E completa: “Não sei a quem interessa enfraquecer o Poder Legislativo, não se pode todo dia arrumar uma vírgula a mais, você vai desmoralizando todo mundo”.
A ninguém de boa-fé interessa enfraquecer o Poder Legislativo. Mas, se for para procurar quem com a fragilização coopera, localize-se quem trata das instituições com ligeireza, não apela nem trabalha por avanços, aprofunda os vícios exaltando a sua prática a fim de fazer uso da submissão dos viciados, faz tábula rasa do exercício da virtude, manipula o lado escuro das emoções e das necessidades, firma compromisso com a desonra, mas não faz um só acordo com a honra.
Quanto ao tratamento reservado ao presidente do Senado, cumpre lembrar que nunca no Brasil um político de oposição chamou em público um presidente da República de ladrão. Nem Fernando Collor que, na sua pior inspiração, carimbou o então presidente José Sarney como “batedor de carteira”, mas da “História”.
As pessoas que viveram e compreenderam a transição democrática reconhecem o valor de Sarney naquela tarefa de condução. Nisso não se inclui o PT de Lula, que na época virou as costas às exigências da reconstrução da democracia.
Os acontecimentos de 25 atrás, no entanto, não subtraem legitimidade do atual presidente nem de seu partido. Da mesma forma, não servem como salvaguarda ao senador José Sarney nos dias de hoje. Justamente por ter prestado um inestimável serviço à redemocratização com sua personalidade conciliadora é que Sarney está histórica e civicamente impedido de contribuir para a derrocada moral do Congresso.
Ao contrário do que disse em seu discurso, avalizado ontem pelo presidente Lula, José Sarney não está acima de julgamentos. Sua trajetória não o autoriza a descer. Ao contrário, o obriga a ajudar o Parlamento a subir, o que se faz com ações concretas como se fez quando a ditadura baixou a guarda e os políticos profissionais, hoje tão desprezados, souberam construir a abertura do caminho de volta à democracia.
CLÁUDIO HUMBERTO
MINISTRA DILMA ROUSSEFF (CASA CIVIL), SOBRE SUA CANDIDATURA À PRESIDÊNCIA EM 2010
LULA: ORDEM É NÃO INSTALAR CPI DA PETROBRAS
O presidente Lula se recusa até mesmo a discutir a indicação de relator e presidente da CPI da Petrobras, criada no Senado: sua determinação à base aliada é simplesmente “matar” a comissão. A decisão é utilizar a maioria governista para não instalar a CPI da Petrobras, inviabilizando as investigações pretendidas pela oposição, por exemplo, dos cerca de 60 mil contratos sem licitação fechados pela atual diretoria da estatal.
ARTIMANHA
A turma de José Sarney acha que o PT, discretamente, estimula as denúncias contra o Senado para desqualificar a CPI da Petrobras.
SEM SAÍDA
A oposição também estimula as denúncias porque, enfraquecido, o Senado tentaria recuperar a credibilidade com a CPI da Petrobras.
PÕE NA CONTA
Além de um batalhão de jornalistas para o blog da “transparência”, a Petrobras também paga para divulgá-lo no Google. Aliás, pagamos.
A GENTE É QUE PAGA
A “inclusão digital” de Lula – com blog, orkut e twitter – custará R$ 11 milhões. Inútil, se confessadamente ele não gosta de ler nem jornal.
CÂMARA PAGA SALÁRIO DE EMPRESA FALIDA
Banheiro sujo e sem papel é o menor problema: a Câmara dos Deputados paga salários dos dois mil empregados da terceirizada Capital, que faliu inexplicavelmente há dois meses, em Brasília. Estão sem vale-transporte e tíquete-refeição, e muitos foram demitidos. Mas a Casa avisou-os que outra empresa irá assumir o serviço em breve. Sem concorrência, na manjadíssima modalidade “emergencial”.
NOVO PRESIDENTE
Nelson Jobim (Defesa) deve emplacar o brigadeiro Jorge Godinho Barreto Nery, da cúpula do seu ministério, na presidência da
Infraero.
IRRESPIRÁVEL
O Senado pagará R$ 12,4 mil a uma empresa para analisar a qualidade do ar em suas dependências. Nem precisava. É só apurar as
narinas.
PENSANDO BEM...
A jovem contraparente de Sarney é a única da família que pode alegar que “não sabia” ser funcionária do Senado. Afinal, mora em Barcelona.
FUNDO DO POÇO
Motivada pelos R$ 30 milhões em convênios do governo Lula, a CUT faz protestos bizarros contra a CPI da Petrobras, onde fatura alto. Mas paga campanha publicitária por CPIs em estados não governados pelo PT.
A CONTA É NOSSA
Aspone para assuntos internacionais aleatórios do presidente Lula, Marco Aurélio Top-Top Garcia viajou à Espanha, por nossa conta. Até sábado frequentará um evento certamente sem importância para o País.
MINA PETISTA
A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça anuncia nesta quinta-feira, em São Domingos do Araguaia (PA), o resultado de 91 pedidos de anistia (na verdade, indenização) a trabalhadores locais, que teriam sido mortos ou torturados durante a Guerrilha do Araguaia, de 1972 a 1975.
EM BONS LENÇÓIS
As residências oficiais terão cheirinho de lençol novo: a Presidência reservou R$ 191 mil para roupas de cama, mesa e banho, incluindo 150 travesseiros de viscoelástico a R$ 70 cada. Nas lojas custam R$ 50.
MAIS IGUAL QUE OS OUTROS
Para Luiz 51, o senador José Sarney, acusado de nomear parentes secretamente, “não é uma pessoa comum”. Guilhotina mesmo só para quem tem cabeça para ler (e entender) George Orwell.
X-RATED
É grave o processo do deputado Walace Souza (PP-AM) – irmão do vice-prefeito – no conselho de ética da Assembléia amazonense. Dois promotores estaduais foram afastados. A investigação descobriu “mimos” de traficantes, como carros. O filho de Wallace está preso por tráfico.
MATA O VELHO
Ano passado, o Itamaraty garantiu ao contratado brasileiro em San Francisco (EUA) Décio Gomes, que “descomplicaria” as regras da aposentadoria dele, após o sumiço de 35 anos de contribuição. A Justiça determinou que continue trabalhando até o dinheiro
aparecer.
BALÃO DE ENSAIO
O presidente Lula estimula discretamente a pretensa candidatura de Ciro Gomes (PSB) ao governo de São Paulo para se livrar de sua insistência em ser definido como o vice de Dilma Rousseff (PT).
PERGUNTAR NÃO TUMULTUA
Não está na hora de o Senado criar a CPI do Senado?
PODER SEM PUDOR
ELOGIOS, SÓ DA MÃE
Secretário do Tesouro Nacional no início do primeiro governo Fernando Henrique Cardoso e atualmente vice-presidente do Fundo Monetário Internacional, Murilo Portugal ganhou fama de “mão de vaca”, famoso por negar tudo aos políticos. Certa vez, ao encontrar-se com ele, o então deputado gaúcho Germano Rigotto (PMDB) tratou de ser gentil:
– Outro dia encontrei alguém que gosta muito de você.
Murilo Portugal respondeu, divertido:
– Então você deve ter conhecido minha mãe...
CLÓVIS ROSSI
SÃO PAULO - Alguma surpresa com a defesa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez do senador José Sarney? Quem pediu desculpas pelos "erros" cometidos pelo seu partido (na verdade, crimes), mas depois passou a mão na cabeça dos "errados", quem se aliou a Fernando Collor de Mello, único presidente punido por falta de decoro, não poderia deixar de solidarizar-se com Sarney.
O que surpreende é a escandalosa indigência dos argumentos usados por Lula. Primeiro argumento: "Ele tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum". Que besteira é essa, Deus do céu?
É a versão Lula do "sabe com quem está falando?". Com história ou sem história, todo cidadão tem de ser tratado da mesma maneira. E os que têm história devem comportar-se ainda melhor do que os que não têm. Afinal, para usar um lugar-comum tão ao gosto de Lula, "o exemplo vem de cima".
Segundo argumento: um suposto interesse em "enfraquecer o Poder Legislativo". Outra bobagem sem tamanho. O que enfraquece o Poder Legislativo não são as denúncias, mas os fatos que dão origem às denúncias. Sem eles não haveria denúncias.
O Poder Legislativo, como os demais, só se fortalece se corrige os desmandos e abusos denunciados.
Omissão é que o enfraquece.
Lula, no fundo, revisita a teoria debiloide e safada da conspiração que não houve contra ele.
Houve apenas uma conspiração dos fatos. Tanto que ele foi obrigado a pedir desculpas. Tanto que o procurador-geral da República denunciou toda a cúpula do PT como "quadrilha".
É, enfim, a velha tentação de toda pessoa investida de poder de culpar o espelho pela imagem que ele mostra. A favor de Lula diga-se que ele ao menos pediu desculpas, coisa que Sarney nem remotamente passou perto de fazer.
QUINTA NOS JORNAIS
- Globo: Lula defende Sarney e faz críticas a denuncismo
- Folha: Lula apoia Sarney e ataca "denuncismo"
-Estadão: Fed ganha 'superpoder' para controlar mercado nos EUA
- JB: Lei Seca poupou 796 vidas e R$ 6,9 bilhões
- Valor: Juros agora cairão pouco e devagar
- Jornal do Commercio: Recife é exemplo na guerra ao fumo
AUGUSTO NUNES
Sarney esqueceu que a morte política vive à espreita dos muito vivos
Porque era provido do sentimento da honra, por ser capaz de sentir vergonha, Getúlio Vargas preferiu morrer a sujeitar-se a vinganças ultrajantes. Depois da mais dramática renúncia, o estadista gaúcho sobreviveu politicamente à morte física. Porque acha que nada desonra, por ser incapaz de envergonhar-se, José Sarney preferiu permanecer na presidência do Senado a reconhecer que ofendeu o Brasil que pensa. Depois de confirmar a tese de Jânio Quadros segundo a qual aqui ninguém renuncia sequer ao cargo de síndico, o morubixaba maranhense vai conhecer em vida a morte política.
“Em política só existe a porta de entrada”, repete Sarney a cada entrevista mais extensa. Claro que existem portas de saída─ só não as enxerga quem imagina que a carteirinha de sócio do clube dos pais da pátria não tem prazo de validade. Há a porta da frente e a dos fundos. Por aquela saiu Getúlio, sobraçando uma comovente carta-testamento. Pela porta dos fundos vai saindo o presidente do Senado, no cangote de um discurso inverossímil.
Foi penoso acompanhar pela TV a performance do artista em seu ocaso. Mãos trêmulas, olhar de medo, a voz indignada contrastando com os desmaios no meio da frase sem pé nem cabeça, o homem que chegou ao Congresso há 50 anos, governou o Maranhão e o Brasil e preside de novo o Senado parecia um coroinha do baixo clero. Enfileirou argumentos indigentes, evocou atos de bravura imaginários, reinventou o passado de governista congênito e caprichou na pose de herói da resistência.
Sempre perseguindo erraticamente pontos finais, Sarney engavetou pecados antigos, subestimou os recentes, informou que os atos secretos não foram secretos e, caprichando na pose de vítima, exigiu respeito. “A crise não é minha, a crise é do Senado”, inocentou-se.
É isso aí, concordariam os presentes, com falatórios na tribuna ou com os gritos do silêncio. Todos fizeram de conta que Sarney não embolsou malandramente o auxílio-moradia, não promoveu a diretor-geral o bandido de estimação Agaciel Maia, não pendurou no cabideiro de empregos do Congresso duas sobrinhas, um neto, o ex-presidente da Assembléia Legislativa do Amapá, 5o parentes pra cá e 50 amigos pra lá. Todos absolveram o patriarca que tentara encobrir com um desfile de negativas a procissão de delinquências comprovadas.
Quando estiverem cauterizadas as feridas morais abertas pela Era da Mediocridade, o Brasil contemplará com desconsolo e desconcerto a paisagem deste começo de século. Como foi possível suportar sem revides as bofetadas desferidas por um político sem luz, orador bisonho, poeta menor e escritor medíocre? Como explicar a mansidão da maioria dos insultados pelo coro dos cúmplices contentes?
A ausência no plenário de representantes do Brasil que presta talvez seja mais perturbadora do que a presença de Sarney no centro da mesa diretora. Encerrado o espetáculo do cinismo, ninguém falou em nome dos injuriados. Ninguém contestou a discurseira absurda. Ninguém lastimou a decomposição do Legislativo. Ninguém sentiu vergonha.
Na quarta-feira, os senadores ficaram parecidos com Sarney, que é a cara do Senado destes tempos tristonhos. Mais cedo para uns que para outros, a morte política chegará para todos. Tomara que a instituição sobreviva.




