terça-feira, abril 07, 2009

INFORME JB

Governo quer trocar diretor da Anac

Leandro Mazzini

JORNAL DO BRASIL - 07/04/09

A Casa Civil do Palácio do Planalto já avisou ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, que indicará outro diretor para a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) – subordinada ao ministério – no lugar de Ronaldo Seroa da Motta (foto), cujo mandato venceu em 21 de março – lembrou a coluna. A questão do mandato dos diretores é tratada no Decreto nº 5.731, de 20 de março de 2006, que regulamenta a Lei nº 11.182/05. Seroa da Motta substituiu, há mais de um ano, Joseph Barat – que entrou em 2006 e teria mandato de três anos. A Anac insiste em manter o diretor, embora discuta internamente uma saída honrosa para o nobre que ainda ocupa a vaga. O decreto supracitado, aliás, é usado como parâmetro para outras agências reguladoras em casos similares.

Palanque Dr. CPI

Presidente da Câmara e (licenciado) do PMDB, o deputado federal Michel Temer (SP) esticou a viagem de ontem do Ceará para o Piauí. Passou em Teresina para lançar ao governo o deputado federal Marcelo Castro.

Psiquiatra, o doutor Marcelo Castro ficou conhecido como presidente da CPI do Apagão Aéreo.

Vai ou não vai?

A intenção do PMDB piauiense é forçar o PT do governador Wellington Dias a negociar com o partido.

Eunício feliz

A filiação ontem do Raimundão Gente Fina ao PMDB (vindo do PSDB), prestigiada pelo próprio Michel Temer em Juazeiro do Norte, tem caminho certo: palanque para a candidatura de Eunício Oliveira ao Senado.

Recado

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), mandou recado para José Sarney: se a troca de diretores do órgão for de seis por meia dúzia, ele fará guerra contra o grupo do poder.

Superamigos

O senador Gim Argello (PTB-DF) voltou às boas com o ex-senador Joaquim Roriz.

Ceará ferve

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) desconfia que partiu do Ceará a denúncia sobre uso da verba de viagem de que ele se serviu para alugar jatinhos da TAM.

De casa

A família do senador tucano em Fortaleza vem pressionando-o para que ele desista da política e se dedique às empresas.

49 anos

Dia 21 de abril, Xuxa e J. Quest vão fazer a festa em Brasília, na Esplanada, no aniversário da cidade promovido pela Brasiliatur.

Emergiu

A Marinha vai apresentar ao público o projeto do submarino a propulsão nuclear. Será na Latin American Aero & Defense, a feira internacional de Defesa, no Rio, de 14 a 17.

Professor Kassab

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, quer qualificar 104 mil trabalhadores – 50 mil em cursos a distância.

Na rua

A vereadora do Rio Clarissa Garotinho (PMDB) lançou o gabinete móvel. Boa iniciativa, mas não é novidade. Agnaldo Timóteo, quando deputado estadual, fazia o mesmo no Centro do Rio. A diferença é que ele vendia CD.

ARNALDO JABOR

Estamos perdendo a compaixão pelos pobres

Acabou o tempo do "Deus lhe pague...

O GLOBO - 07/04/09

Existe coisa mais triste do que menininhos de 6 anos fazendo malabarismo com bolinhas de tênis nos sinais de trânsito?

Eles nos angustiam porque são prova do nosso fracasso. Nós evitamos vê-los; eles nos veem o tempo todo. Os miseráveis são nossa caricatura e damos esmola na esperança de uma salvação, mas eles não são generosos e não nos perdoam. Apenas um vago "Deus lhe pague"...

Antes, as esmolas faziam mais bem a nós do que a eles. A miséria tinha uma "função social". Hoje, está fora de moda, a miséria não é mais um "hype", a miséria está "enchendo o saco, não chove nem molha".

A gente se esqueceu da população trabalhadora dos morros, com operários, domésticas, faxineiros; ela só aparece violenta, nas revoltas da Febem, nos tiros de bandidos. A miséria armada está nos fazendo esquecer da miséria indefesa.

Com a onda de violência, perdemos a compaixão pelos pobres. E como ninguém sabe resolver o drama da miséria, surge até um vago rancor contra ela, pois ela teima em reaparecer.

Miséria não é igual em qualquer parte. A miséria em São Paulo não é estrelada, invasiva como a do Rio, onde os jardins suspensos das favelas nos olham do alto. Em São Paulo, a miséria também não é uma paisagem natural, como no Nordeste. Em São Paulo, a miséria é mais periférica e só entra para pequenos serviços - úteis "paraíbas" nas construções, no lixo. 
No Rio, nossa pobreza já teve uma tradição, uma arte. Príncipes como Cartola, Nelson Cavaquinho, o samba.

A favela paulista se atravanca em planícies. Não venta, não tem vista para o mar, não dança. É lama pura e dormitório para a mão-de-obra não qualificada.

A miséria carioca tinha uma certa "allure", bafejo de elegância. Agora, só tem servido para criar uma "consciência da morte" nos pequenos e grandes burgueses (oh, céus!..). Hoje, temos essa "living art", constante "instalação" de trapos e mãos postas. Nos "olhos azuis de brancos" (Lula "dixit..."), já vemos o sentido trágico da vida.

"O senhor aguenta essa fumaça na cara o dia inteiro?", pergunto com os olhos vermelhos na avenida Santo Amaro, em São Paulo, às sete da noite.

"Respire fundo, vá, moço, respire fundo que passa, vá!", diz o paraíba de meio metro que dirige o táxi. E ri de mim, de minha queixa ecológica. Em volta, privilegiados encalhados no trânsito. Rostos mortos no volante. A fumaça cresce.

Vingança dos miseráveis que construíram a cidade? Vingança de quem, essa fumaça? São Paulo é feito uma cebola. Não é apenas a Bélgica da Belíndia. É uma cebola de bélgicas cada vez mais fechadas, mais finas. Hoje, para sofrer menos temos de usar antolhos para não ver o destino negro das cidades.

Uma vez, tive um encontro com um empresário e um norte-americano antropólogo. Cinema, grana, outros papos. O empresário e eu falamos sobre o Brasil para o gringo: "Eles....eles...eles..." O Brasil estaria sendo destruído por "eles". Até que o norte-americano não aguentou mais de curiosidade e perguntou: "Who are they?" (Quem são eles?).

Parei, travado. Aí, descobri o óbvio triunfal: para mim, "eles" seriam os outros, as forças ocultas que desculpam nossa omissão. Todos nós falamos da desgraça nacional como se fosse culpa de seres impalpáveis: o Congresso, o governo, os norte-americanos, os jornalistas... Todos, menos nós.

Houve uma época em que a miséria nos tocava mais, ela era útil para nossa piedade, mesmo como tema para arte e literatura. A miséria sempre deu lucro. No Brasil, a miséria é quase uma indústria. Quanto lucro uma igreja de charlatães tem com os dízimos? A miséria dá lucro político; falar na miséria denota preocupação humanitária, traz votos populistas.

Antes, havia uma miséria "boa", controlável. Tínhamos pena, desde que ela ficasse no seu lugar, ela aplacava nossa consciência. Nos sonhos "revolucionários" dos pequenos burgueses, a miséria era nossa bandeira.

Sofríamos com ela. A miséria dos outros era nosso problema existencial. Nos iludíamos achando que nosso sofrimento interior minorava o horror de suas vidas.

Na época, éramos a favor de um socialismo imaginário, panaceia para nossos problemas, e ficávamos tranquilos sem fazer nada. Mas nos enganávamos, achando que nosso mal-estar com a tragédia dos pobres ajudava-os em alguma coisa. Desde que caiu o socialismo, caiu a ilusão de que éramos úteis em pensamento. Desde então somos habitados por um desalento pela ausência de formas de luta contra a injustiça. Esse desalento gerou um desconforto inicial, mas, aos poucos, deu lugar a um secreto cinismo quase doce. Hoje sofremos menos porque não adianta mesmo... Assim, passamos a cuidar de nossos jardins, nosso narcisismo, nossa arte pessoal de viver. O fim das ideologias é um alívio para a culpa.

Hoje, só nos resta tentar não sofrer com a miséria que nos cerca. As regras básicas estão no ar, no lar, no bar, como os mandamentos da felicidade pós-tudo - uma virtude negativa, fugitiva. Todos começam com "não": não olhar tragédias, não ler nem assistir jornais, não ouvir conversa de câncer ou chacina. Providenciar grades, carros blindados, companhias de segurança e armas, se preciso. Chegamos a temer: "se acabar o tráfico vai ser pior - vão descer mais das favelas para o asfalto..."

Alguns, mais canalhas, podem até pensar: "A única arma que luta contra a miséria é a fome. A fome debilita, fragiliza e extingue tudo num genocídio branco, sem autores. A fome regula o mercado da pobreza. A fome é o grande freio à falta de planejamento familiar destes nordestinos eróticos".

No entanto, depois de tantos vexames de nossa burguesia secularmente sórdida, vemos que nossa miséria "pobre" é a ponta de uma miséria maior. Não existe um mundo limpo e outro, sujo. Um infecta o outro. A burocracia é miséria, a corrupção é miséria, a estupidez brasileira é miséria.

Somos uns miseráveis cercados de miseráveis por todos os lados. 

PAINEL

Número mágico

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 07/04/09

Enquanto o Senado ainda resiste a dar um mínimo de transparência aos gastos com verba indenizatória, em descompasso com o que começa a ocorrer na Câmara, a Secretaria de Controle Interno da Casa guarda notas fiscais reveladoras de uma impressionante coincidência. Há pelo menos 11 casos de senadores cujos gastos, nas diferentes rubricas, chegam repetidamente à soma dos R$ 15 mil mensais permitidos. 

Os valores declarados de gastos com aluguel, combustível, consultoria e divulgação do mandato se ajustam, centavo a centavo, até chegar ao teto mensal. São assim as notas de Alvaro Dias (PSDB-PR), Francisco DornelLes (PP-RJ), José Agripino (DEM-RN), Sérgio Guerra (PSDB-PE) e Demóstenes Torres (DEM-GO).

Eu? Imagina... - O ministro da Justiça, Tarso Genro, nega que exista articulação de petistas para colocá-lo no Supremo. ‘Nunca foi o meu sonho de consumo. Deve ser o desejo de alguém que não quer que eu concorra ao governo do Rio Grande do Sul.’

Decimais - A turma do ‘número redondo’ continua com Gilvam Borges (PMDB-AP), Lúcia Vânia (PSDB-GO), Cícero Lucena (PSDB-PB), Raimundo Colombo (DEM-SC), Epitácio Cafeteira (PTB-MA) e Mário Couto (PSDB-PA).

Tanque - Chamam a atenção, na prestação de contas dos deputados que detalharam o uso da verba indenizatória, os gastos de gasolina em cinco dias de abril. Betinho Rosado (PSB-RN) teria deixado R$ 4.100 num único posto de gasolina. Flaviano Melo (PMDB-AC), R$ 4.315.

Self-service - Diante do veto ao uso da verba com alimentação em Brasília, o baixo clero reivindica acesso liberado ao bandejão da Câmara.

Deixa comigo - Enquanto recomendou em público que os prefeitos ‘apertem os cintos’, Lula disse a governadores e ministros, durante o voo para Montes Claros, que vai socorrer os municípios afetados pelo mergulho nos repasses do FPM. Falou em antecipação de receita e em financiamentos também para os Estados em dificuldades.

Salomônico - O prefeito de Montes Claros, Luiz Tadeu Leite (PMDB), que havia prometido lançar Aécio Neves (PSDB) na reunião dos governadores da Sudene, foi menos enfático do que a encomenda. Diante de Lula e da ministra da Casa Civil, limitou-se a saudar os mineiros Aécio e Dilma e a dizer que o próximo presidente sairá do Estado.

Este não - A indicação do advogado Joelson Dias para ministro substituto do TSE criou mal-estar entre o presidente do tribunal, Carlos Ayres Britto, e colegas de Supremo. Em dezembro passado, Britto convenceu seus pares a retirar, da lista tríplice para a vaga, o nome de Admar Gonzaga. Argumentou que a proximidade desse advogado com o DEM seria inconveniente durante a campanha de 2010. Defendeu a escolha de uma alternativa ‘neutra’.

Este sim - Para surpresa de ministros do Supremo, no lugar de Gonzaga, ligado ao DEM, Britto colocou Dias, não menos ligado ao PT. Dos três nomes apresentados, foi o escolhido por Lula.

Trunfo 1 - A Infraero vai usar decisão da Justiça Federal no Ceará como base para rebater ações por suspeita de superfaturamento em obras nos aeroportos. O juiz Ricardo Cunha Porto, da 8ª Vara, indeferiu pedido do Ministério Público Federal para suspender reforma no aeroporto de Fortaleza. Alegou que o Tribunal de Contas da União não tem parâmetros para avaliar preços de materiais usados em obras aeroportuárias.

Trunfo 2 - O juiz afirma que o TCU admitiu usar, em suas avaliações, a mesma tabela de preços para obras em rodovias e pontes, e que o próprio tribunal já reconhece a necessidade de trocar de padrão.

Tiroteio

O muro é uma ação midiática nas favelas da zona sul do Rio, para transmitir à classe média a impressão de que está segura, uma vez confinados os pobres. De LINDBERG FARIAS (PT), prefeito de Nova Iguaçu e pré-candidato ao governo, sobre a proposta de Sérgio Cabral (PMDB) de construir muros para supostamente proteger as matas da expansão das favelas.

Contraponto

Santa diretoria

Os senadores Pedro Simon (PMDB-RS), Marco Maciel (DEM-PE) e José Nery (PSOL-PA) acompanhavam, na semana passada, a missa que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil realiza todos os meses para parlamentares em Brasília. A certa altura da celebração, o padre Ernani Pinheiro pediu que um deles escolhesse o tema para fazer a ‘reflexão do dia’. O trio passou alguns minutos trocando amabilidades, um deixando a definição para o outro. O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), também presente, resolveu sugerir: 
-Olha, eu acho que vocês deveriam escolher logo quem vai ocupar a diretoria de sermões...

MÍRIAM LEITÃO

MELHORA FUTURA


O GLOBO - 07/04/09


A previsão de uma queda de 3% na produção industrial deste ano não é uma notícia tão ruim quanto se imagina. Para fechar neste patamar, o país terá que ter recuperação ao longo do ano, ou uma redução forte da queda. O primeiro trimestre pode terminar com um tombo de 13% a 14% na produção industrial. Portanto, a previsão de -3% embute a expectativa de melhora.

Na divulgação de ontem do Boletim Focus, do BC, que inclui previsões de uma centena de bancos e consultorias, a previsão ficou em uma queda de 3,06% na produção industrial no ano. O Bradesco acha que vai ser de 3,5%. Isso parece uma péssima notícia, mas tem que ser temperada pelo que está acontecendo. Março, na opinião do Bradesco, pode ter terminado com 10% de queda na produção industrial comparado com o mesmo mês do ano passado. Isso fecharia o trimestre com 13,9% de queda.

Nos dois primeiros meses deste ano a produção industrial caiu 17% na comparação com os mesmos meses de 2008. A produção de carros subiu forte em março e, mesmo assim, termina o trimestre com quase 17% de queda. Alguns setores sentem a queda mais que outros, alguns estados foram mais atingidos que outros, como mostraram os dados da produção industrial regional divulgados ontem pelo IBGE. Os dois estados que mais caíram no primeiro bimestre foram Minas e Espírito Santo. Em parte, isso é o que aconteceu com a siderurgia, que sofreu uma devastação neste começo de ano.

“O aço está na base de várias cadeias industriais das manufaturas e de transformação. Por isso, sente o impacto de forma instantânea”, diz José Armando Campos, ex-presidente da ArcelorMittal no Brasil, hoje no conselho do grupo.

O país tem 14 altos fornos, seis estão desligados. A Usina Siderúrgica de Tubarão, no Espírito Santo, tem três fornos e desligou um; a Usiminas-Cosipa tem cinco e está com três parados. A Gerdau-Açominas tem dois e está com um parado, a CSN tem dois e desligou um. Normalmente, o setor trabalha com 85% da capacidade instalada ou mais, só que no primeiro trimestre de 2009 usou apenas 47% da capacidade. Vendeu, no mercado, 48% menos e a exportação caiu 52%. As vendas para a América Latina, que é a região mais importante de destino das exportações brasileiras de aço, foram 76% menores.

“A América Latina é a região mais aberta ao produto exportado pela China. A Europa identificou subsídio e os Estados Unidos impuseram direitos compensatórios (sobretaxa) ao produto chinês”, diz José Armando, preocupado com a ideia do presidente Lula de fazer um comércio bilateral nas moedas nacionais dos dois países, o que facilitaria a capacidade da China de subsidiar o produto que exporta.

José Armando acha que ao longo do ano, na virada entre o segundo e o terceiro trimestre, a situação pode melhorar. “Este primeiro momento foi de desestocagem. Depois virá a recomposição de estoques e, quando acontecer isso, as nossas vendas melhoram”, diz ele.

O Departamento Econômico do Bradesco registrou, no seu último boletim, que, na verdade, a maioria dos analistas está intrigada com o fato da queda da demanda não ter sido tão forte assim, o que deveria ter reduzido os estoques. “Em nossa opinião, a queda acentuada das exportações, desde o último trimestre de 2008, ajuda a explicar essa disparidade”.

A demanda interna teve um choque, caiu bastante, mas no começo deste ano já começou a melhorar, o que ainda não afetou a produção industrial, que continua em queda forte. “Apesar de a demanda externa representar apenas 30% da produção brasileira, o comércio exterior sempre ajudou a formar expectativas”. O banco acredita que haverá uma “aceleração considerável nos próximos trimestres”. O banco acha que “essa aceleração será puxada pela demanda doméstica, sustentada pelo crescimento da massa salarial, mas só será viável com a contribuição de alguma retomada das vendas externas daqui para diante”.

Se não houvesse essa recuperação e continuasse no mesmo ritmo de fevereiro, isso produziria uma queda de produção industrial no ano de mais de 13%, o que ninguém está prevendo. Portanto, a produção industrial será menor que em 2008, mas a queda será reduzida até o fim do ano.

A MB Associados está mais pessimista, acha que a a produção industrial vai cair 4,5% este ano. Mas, para isso, acha que, depois dos 17% de queda no primeiro bimestre, a produção ficará até novembro, em média, 3,4% menor que no mesmo período do ano passado, e em dezembro sobe 10% na comparação com dezembro de 2008, que foi horrível. Aí, termina em 4,5% de queda.

Há quem esteja bem mais pessimista. O CSFB acha que o PIB de 2009, em vez de cair 0,2%, que é a mediana das previsões do Focus, vai cair 2%. De qualquer maneira, os relatórios dos bancos e as conversas com empresários e com analistas mostram que a maioria acredita que o ano melhorará ao longo dos próximos meses. Não se pode dizer que o pior passou, mas é melhor saber que 2009 vai melhorar nos próximos meses, que o contrário.

DORA KRAMER

Código venal


O ESTADO DE SÃO PAULO - 07/04/09


Só os privilégios de parlamentares e funcionários do Congresso divulgados desde o início deste ano legislativo já seriam suficientes para produzir um alentado compêndio sobre imposturas das mais variadas naturezas.
Se a essas informações mais recentes acrescentarem-se tantas outras anteriormente conhecidas, as ainda desconhecidas e as que ainda virão ao conhecimento do público, teremos à disposição uma verdadeira enciclopédia com verbetes de A a Z sobre condutas claramente inaceitáveis em qualquer parte, mas aceitas como normais no Poder Legislativo.
A cada nova denúncia, o Parlamento reage alegando que este ou aquele fato, ato ou situação atendem às regras vigentes na corporação. São de uso corrente, incorporadas ao cotidiano da corporação, “perfeitamente legais”, regulares, pois. 
Caso típico deste código cujas regras não resistem a um exame superficial feito com lupa embaçada é o aluguel de aviões particulares mediante a “troca” das cotas de passagens aéreas pelo pagamento das horas fretadas.
Os senadores acham naturalíssimo tal procedimento. Alegam que o escambo não é ilegal e invocam o testemunho de diretores da Casa para argumentar que tudo é feito dentro da mais completa correção.
Há ofícios comprovando, assinaturas avalizando, tudo na mais perfeita ordem burocrática, dentro, evidentemente, da ordem estabelecida e emoldurada dentro do sistema de regalias vigente naquele ambiente já definido como o melhor dos paraísos.
Ali é normal pagar hora extra nas férias porque assim reza a cartilha dos procedimentos internos. É normal achar que passagem em avião de carreira ou aluguel de jatinho obedecem à mesma concepção de instrumento de trabalho. É normal a existência de conselhos, comissões, diretorias e secretarias de fachada para justificar o pagamento de gratificações à corporação ávida por mais vantagens além daquela já oferecida pelo emprego estável e vitalício.
É normal o acúmulo da função pública e prestação de serviços privados. É normal transferir a passagem do parlamentar para o uso de amigos. É normal um pai “preocupado” entregar à filha um celular público para uso privado no exterior. É normal pagar a conta só depois da descoberta, esconder o valor gasto e dar por encerrado o assunto. É normal maquiar informações de gastos com serviços médicos para esconder o recorde de despesas. 
Aqui fora, na vida - esta sim - normal, nem uma só dessas condutas é aceita como natural. Qualquer pessoa que se aproprie do bem de outrem é passível de sanção pelas leis - estas sim - normais que regem a sociedade como um todo.
Mas no Congresso é diferente. Há um código de leis todo próprio, pelo qual o que não é expressamente proibido no manual específico é permitido a partir da convicção de que quem consegue acesso, por concurso, eleição ou indicação, a uma instituição pública, passa a habitar um mundo onde todas as regalias são permitidas, desde que bem sustentadas por um ato normativo. 
E um aguçado espírito de selvageria cívica.

GEOGRAFIA
Em 2010, tudo indica, o critério para a composição de chapas eleitorais vai privilegiar a questão, já demonstra o desejo da cúpula tucana de juntar os governadores de São Paulo e Minas Gerais numa chapa puro-sangue.
A escolha de candidatos a presidente e a vice de um mesmo partido eram até pouco tempo atrás evidência de falta de estratégia, visão sectária ou pura e simples incapacidade de conquistar adesões. O parâmetro pesava menos ou era deixado de lado em nome de outros valores. 
Em 1994 Marco Maciel foi vice de Fernando Henrique Cardoso muito mais pela filiação ao PFL do que pela naturalidade nordestina. Em 2002, José Alencar entrou na chapa de Lula por ser um grande empresário, capaz de ampliar o eleitorado do PT no País todo e não por ter certidão de nascimento e domicílio eleitoral em Minas. 
Agora, a cartilha aconselha que se escolham candidatos a vice capazes de mobilizar o eleitorado de determinadas regiões a fim de suprir carências dos titulares de chapa ou reforçar muito suas preferências ao ponto de desequilibrar o jogo do adversário
Os tucanos acham que, com José Serra de presidente e Aécio Neves na vice, “fecham” o Sudeste e compensam a vantagem de Lula no Nordeste. Pela mesma razão, Lula procura para Dilma Rousseff um vice de São Paulo. Se for do PMDB tanto melhor, porque “amarra” o partido à chapa oficial e acrescenta muitos minutos ao horário eleitoral de rádio e televisão.
Sondado por Dilma a respeito dias atrás, o presidente da Câmara, Michel Temer, ponderou se não seria mais prudente escolher alguém do Nordeste. Ouviu da ministra que por lá a cobertura está garantida: “Temos o nosso Lula.”
É o que pensa também a oposição ao avaliar que não adianta apostar em vice do Nordeste para tirar a diferença.

OUTRO IDIOTA


TERÇA NOS JORNAIS

Globo: PF investiga desvio de 'royalties' de petróleo

 

Folha: Terremoto deixa 150 mortos na Itália

 

Estadão: Terremoto mata mais de 150 na Itália

 

JB: Páscoa salva o comércio

 

Correio: Suspeita anula concurso do MP

 

Valor: BNDES oferece US$ 1 bi a projetos no Paraguai

 

Gazeta Mercantil: Endividamento menor ajuda a valorizar ações do agronegócio

 

Jornal do Commercio: Mortes nas estradas

segunda-feira, abril 06, 2009

PARA...HIHIHI

APITO DE CHAMAR ANJO

Era sábado, dia do banho do Padre Nelson.
A jovem irmã Taísa já havia preparado a água e as toalhas, exatamente do jeito que o velho padre gostava. Irmã Taísa foi também instruída para não olhar para o corpo nu do padre, e fazer apenas o que ele lhe pedisse. E rezasse… Na manhã seguinte, a madre superiora perguntou � irmã Taísa se o banho de sábado havia transcorrido bem.
- Ah, madre - disse irmã Taísa - eu fui salva!
- Salva? Como assim? - perguntou a madre superiora.
- Bom, quando o padre Nelson estava todo ensaboado, pediu para enxaguá-lo. Enquanto eu estava tirando o sabão, ele guiou minha mão para o meio das suas pernas, onde ele disse que Deus guarda as chaves do paraíso. Então, ele disse que se aquela chave coubesse em minha fechadura, os portões do paraíso se abririam para mim e eu teria a salvação e a paz eterna. Nisso, o padre Nelson colocou a chave do paraíso na minha fechadura. Primeiro foi uma dor horrível, mas o padre disse que o caminho da salvação é mesmo doloroso, e que a glória do senhor iria encher o meu coração de êxtase. Assim, eu fui salva!
- Safado!!! - berrou, furiosa, a madre superiora
- Há mais de trinta anos ele me diz que aquilo é apito de chamar anjo…

GOSTOSA


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MARCELO COUTINHO

Um outro recomeço


Jornal do Brasil - 06/04/2009
 

Dez anos de mudanças políticas históricas na América Latina, e o Brasil apenas arranhou superficialmente nesse período suas estruturas arcaicas. A principio, a eleição de Lula indicou um salto no processo de modernização do País. Ao longo do tempo, certa inclusão social levou à enganosa conclusão de que finalmente havíamos entrado em uma rota de desenvolvimento para todos. No entanto, a crise atual não só evidenciou a fragilidade desses avanços sem bases estruturais, como também demonstra o quanto falta ao governo de Lula uma visão consistente, moderna e ampla sobre o Brasil e os desafios de uma conjuntura internacional cada vez mais complexa. Enquanto tudo corria bem na maior onda de prosperidade econômica do mundo globalizado, o despreparo do governo passou despercebido. Suas eventuais virtudes se sobressaiam aos seus vícios crônicos. Agora fica mais claro que o País é governado por um grupo imprevidente, muito aquém das necessidades do povo brasileiro e que não realizou nem 10% do que poderia, dado o contexto amplamente favorável.

Mais preocupado em se manter no poder, o lulismo não sabe e, na verdade, tem pouco interesse em dar continuidade ao projeto de desenvolvimento nacional. Se um dia representou a modernidade, hoje mais parece com o atraso. Se antes as frases de efeito e metáforas do presente Lula soavam engraçadas ou mesmo oportunas, com a crise elas passaram a ser uma mistura de deboche, alucinação e mediocridade. Uma vez que a situação mudou drasticamente e que não dá mais para viver apenas da inércia e da abundância externa, a impressão é que o governo não sabe o que fazer com o potencial e as vantagens de sermos um dos mais importantes emergentes do planeta, em um horizonte de reestruturação do capitalismo mundial.

O Brasil teve não apenas sua modernização tardia, como agora o atraso ocupou de assalto alguns setores antes considerados progressistas. Além da economia, a política também enfrenta momentos lamentáveis de retrocesso. O governo Lula se acomodou tanto com o estado de coisas tradicionais da vida pública que acabou se confundindo com ele. Basta fechar os olhos, relembrando toda a esperança e magia de 2002, para novamente abri-los e entrar em choque com o que se transformou o "governo dos sonhos" sete anos depois. O PT retira do armário discursos mofados, convenientemente esquecidos, querendo agora mobilizar sua militância e a sociedade brasileira contra o risco que representaria a volta da "direita" ao poder. Porém, na prática, Lula e seus companheiros se parecem mais com o que eles mesmos definem como sendo "tucano" do que o próprio Serra, mais provável e popular candidato da oposição.

Lula empenha todo seu capital político somente no desejo de voltar em 2014 à Presidência da República. Dessa forma, sua estratégia de poder é neste momento o maior obstáculo às transformações estruturais que o País precisa e que a sociedade tanto espera desde a redemocratização. Nesse sentido, Lula é o anti-Getúlio, o anti-JK, o anti-Tancredo, o anti-estadista. Seu lema é "cinco anos em cinqüenta". Sem a força verdadeira da mudança, Lula quer voltar ao poder apenas por vaidade e ambição pessoal. Seu egoísmo político, se combinado a uma grande popularidade construída em cantos da sereia, constitui uma séria ameaça ao desenvolvimento do Brasil. Infelizmente, as ambições de Lula e do PT entraram em forte contradição com os interesses nacionais, isto é, com as chances de nos consolidarmos como nação próspera e democrática. O País precisa seguir seu caminho, avançando sem os entraves psicológicos do lulismo.

O início do fim da era Lula oferece a oportunidade de nos prepararmos para o período pós-crise. Quase duas décadas de estabilidade política e econômica permitirão avançarmos com ousadia em um mundo que será ainda mais competitivo e já requer do Brasil um papel de maior responsabilidade internacional. Mas precisaremos ter a coragem de fazer a renovação, pois o desperdício de tempo não pode vencer novamente a esperança. Lula e o PT já tiveram sua chance extraordinária nesta década. Realizaram muito pouco, e não têm monopólio hereditário sobre a agenda progressista. Outras forças devem, portanto, tomar para si as rédeas do processo político, construindo uma nova maioria; uma nova direção que se alimente das expectativas de mudança social, represadas pelo conservadorismo do atual governo, que ficará marcado por discursos tão eloqüentes quanto dissimulados. O Brasil é um país para estar na vanguarda, sem medo de fantasmas, sem preconceitos e sempre disposto a um outro recomeço.

INFORME JB

 Michel Temer, o todo-poderoso

Leandro Mazzini

JORNAL DO BRASIL - 06/04/09

Comandante máximo do maior partido brasileiro, embora licenciado da presidência, e chefe da Câmara dos Deputados – por onde transitam donos de votos de todos os rincões e projetos importantes que mudam o rumo de um governo – o deputado federal Michel Temer começou discretamente sua campanha para ser o vice na chapa presidencial de Dilma Rousseff (PT) ao Planalto. Incumbiu líderes de seu grupo, principalmente os deputados Henrique Eduardo (RN) e Eduardo Cunha (RJ), de puxarem o clamor pela vez de o PMDB ser o coadjuvante com poder de dar rumo à campanha. Michel, já avalia o PT palaciano, é o único que pode agregar todo o fragmentado partido, para que boa parte não caia nas mãos de José Serra (PSDB). Michel vai a Juazeiro do Norte (CE) comemorar uma nova adesão ao partido. E posar de homem de fé na terra da romaria.

Porta-voz Obstáculo

A campanha pró-Temer ficou escancarada. O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves, declarou em Natal que o partido não tem mais dúvidas quanto ao melhor nome para vice de Dilma. "Não há nome melhor do que Michel Temer".

O maior adversário de Temer é o próprio PMDB. Na Bahia, terceiro maior colégio eleitoral do país, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, também aparece cotado para vice.

Troca-troca

Michel Temer assina a filiação hoje no PMDB do Ceará de um político famoso na região de Juazeiro, que deixou o PSDB. É Raimundo Macedo, o Raimundão Gente Fina, candidato a deputado federal em 2010.

Troca-troca 2

José Serra, que não é nada bobo, não chamou para perto dele à toa o ex-governador Geraldo Alckmin. O ex-desafeto é o único nome do PSDB com força para sucedê-lo no Palácio Bandeirantes. Chegou a Temer a notícia de que Serra não vai brigar com as pesquisas para manter no páreo Aloísio Nunes Ferreira, que anda em baixa.

Então tá

O que isso significa? Alckmin é adversário e quase inimigo de Orestes Quércia, o homem que manda no PMDB de São Paulo, e que pode sair ao Senado. No caso de Alckmin se candidatar à sucessão de Serra, Temer estará livre para apoiar Dilma Rousseff.

Rescaldos

Ano passado, antes da campanha municipal, Alckmin foi a Quércia duas vezes pedir apoio e deu com a porta na cara. O peemedebista usou dos piores adjetivos. O tucano espera a hora da vingança.

Ficar ou não ficar?

O consultor jurídico do Ministério da Justiça Rafael Favetti pensa em deixar o cargo e voltar para a advocacia. Suas ligações permanecem estreitas com o ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence, que agora mantém um concorrido escritório de advocacia em Brasília. Sua dúvida é se aguarda a desincompatibilização do ministro Tarso Genro, que sairá candidato em 2010 ao governo do Rio Grande do Sul.

Usina do Darcy

O presidente Lula participa hoje da cerimônia de inauguração da terceira usina de biodiesel da Petrobras, em Montes Claros (MG), batizada como Usina de Biodiesel Darcy Ribeiro.

O IDIOTA


NAS ENTRELINHAS


E o physique du rôle?


Correio Braziliense - 06/04/2009
 

O PT descia o sarrafo nos bancos e hoje anda de mãozinha dada com o cartel. Com tucanos e democratas seria diferente?

Um efeito palpável da crise é a revogação de vetos, a queda de barreiras que impediam o debate de certos assuntos. Um tema que deixou o índex é o spread bancário, a diferença entre o juro que se cobra de quem pega emprestado e o juro pago ao poupador. O spread brasileiro é de longe o campeão mundial da usura. Mas nunca tinha entrado para valer na pauta da opinião pública. Habituamo-nos a achar um escândalo o deputadozinho embolsar alguns trocados com falcatruas na verba indenizatória. E é mesmo. Já o banco cobrar, sei lá, 10% ao mês no cheque especial por um dinheiro que lhe custa 1% sempre nos pareceu normal. Coisas do Brasil. 

Mas nada resiste aos fatos. Após um longo torpor, a megacrise mundial das finanças empurrou o tema dos juros para o primeiro ponto da agenda nacional. O crédito secou e ficou ainda mais caro. O crescimento brasileiro na Era Lula deve-se em boa medida ao crédito abundante. Com mais crédito, o governo criou a demanda e os empresários saíram atrás dos clientes. Empresários munidos daquele “espírito animal” de que costuma falar o ex-ministro Delfim Netto. Mas o fenômeno tem duas mãos. Se as torneiras do crédito estão secas e a confiança do consumidor anda em baixa, é natural que os empresários se retraiam e deem prioridade ao caixa, em vez do market share. 

O debate sobre os juros não é fácil de ser travado. Há todo um aparato ideológico a repetir incansavelmente que o alto spread nacional se deve à inadimplência. Ou seja, os bons pagadores pagam pelos maus. Isso é martelado como verdade absoluta. Falta porém a comprovação científica. Será que somos o povo mais caloteiro do mundo? Que números provam isso? A academia, aliás, começa a ir na contramão da tese. Um estudioso do assunto, o economista e professor da USP Márcio Nakane, após analisar tecnicamente as possíveis relações de causalidade entre spread e inadimplência no Brasil, descobriu que não se pode culpar a inadimplência passada pelo spread. Mas, vejam só!, o professor concluiu também que é possível dizer o inverso: que o spread é causa de inadimplência. 

Mesmo sem ter estudado economia, qualquer cidadão sabe disso. Entrou para valer no cheque especial? Peça a Deus por sua alma. Ou então prepare-se para a quebra. Enrolou-se no empréstimo consignado? Reze, mas reze muito por um milagre. Aliás, o consignado é um exemplo das contradições da política de Lula. É bom que a modalidade tenha se expandido? É ótimo. Mas por que cobrar um spread de, digamos, 20 pontos percentuais num empréstimo praticamente sem risco? Ainda mais se o tomador é um funcionário público? 

Infelizmente, parece faltar ao governo a vontade necessária para atacar o problema de frente. E isso quando temos em palácio gente que passou a vida dizendo que se chegasse ao poder daria um jeito nos bancos. Aliás, é hora de o PT abrir o olho. Num sistema como o nosso, com mandatos de oito anos na prática (com um plebiscito no meio), o nome que representa a tentativa de um terceiro período consecutivo para o mesmo grupo político precisa responder a uma pergunta simples mas potencialmente letal. Se diz que vai fazer tal e qual coisa, por que então não fez nos oito anos em que ocupou a cadeira? O povo é sábio. 

Sempre há porém um jeitinho de construir o discurso para explicar os porquês. O PT pode dizer que o juro alto é herança estrutural, e que lamentavelmente não foi dado ao partido poder suficiente para mexer nesse vespeiro. A solução? Mais quatro anos para o PT. E com mais musculatura. Seria engenhoso. Transformar a fraqueza em força. Resta saber se colaria. Mas o PT tem outra carta na manga. O eleitor olha para a oposição e não vê nela o physique du rôle, para usar a expressão dos franceses quando querem designar alguém adaptado ao papel que desempenha. O PT descia o sarrafo nos bancos e hoje anda de mãozinha dada com o cartel. Com tucanos e democratas seria diferente?

PAINEL


A raposa e as uvas

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 06/04/09

O processo para investigar o ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia, que não declarou à Receita Federal uma casa avaliada em R$ 5 milhões, acaba de ganhar novo relator no Tribunal de Contas da União. Trata-se de ninguém menos que Raimundo Carreiro, também ex-secretário-geral do Senado, que trabalhou com Agaciel por mais de uma década. Mais: a mulher de Carreiro esteve subordinada a Agaciel até o STF editar a súmula antinepotismo. Por sua vez, a mulher de Agaciel foi chefe-de-gabinete de Carreiro. 
A substituição ocorreu no dia 24 passado, depois de o processo permanecer 22 dias no gabinete de Aroldo Cedraz, inicialmente designado para examinar o caso.

Gasparzinho - Um dos passatempos dos funcionários do Senado tem sido observar os ‘fantasmas’ que agora aparecem para bater cartão, com caras para lá de contrariadas.

Escoadouro - O caso Agaciel não será o único referente ao Senado a desaguar na mesa de Raimundo Carreiro. Os ministros do TCU têm uma lista de unidades jurisdicionadas. Ou seja: todos os casos referentes a certos órgãos são destinados à mesma pessoa. Carreiro cuida do Senado.

Ponto final - A primeira análise dos técnicos aponta para a conclusão de que Agaciel tinha dinheiro para comprar a casa. Como o Senado fez só esta pergunta ao TCU, a tendência é arquivar o caso.

No forno - Discute-se em gabinetes da Câmara um projeto de resolução para reverter as perdas de mandato de Roberto Jefferson (PTB-RJ), José Dirceu (PT-SP) e Pedro Corrêa (PP-PE), todas ocorridas na esteira do mensalão. Se a ideia prosperar, precisará de maioria simples para ser aprovada -menos do que os votos necessários para cassar.

Pensando bem - Segundo petistas da corrente comandada por Tarso Genro, o ministro da Justiça teria desistido de disputar o governo gaúcho. Embora bem posto nas pesquisas, estaria convencido de que, pela correlação de forças no Estado, o segundo turno é certo, e a chance de vitória, pequena. Tudo somado, voltou a sonhar com o STF.

Em série - Além de reivindicar compensação para a queda nos repasses do FPM, a Confederação Nacional dos Municípios protesta contra o plano habitacional recém-anunciado pelo governo. Argumenta que os pré-requisitos excluem do pacote 4.737 cidades com menos de 100 mil habitantes. A CNM avalia que isso provocará forte efeito migratório no interior do país.

Em alta - Negociador do Brasil na reunião do G20, o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Marcos Galvão, arrancou elogios da imprensa internacional e do próprio Lula por seu desempenho em Londres. O diplomata foi objeto de perfis nas publicações econômicas ‘Les Echos’ e ‘Il Sole’. Num dos paineis, Guido Mantega cedeu lugar ao assessor, que acompanhou o presidente para fechar acordos.

Trincheira 1 - Encerrado o julgamento da reserva Raposa/ Serra do Sol no Supremo Tribunal Federal, associações de produtores rurais de Mato Grosso e de Rondônia se uniram para elaborar cartilha sobre demarcação de terras indígenas. A publicação, de sete páginas, intitula-se ‘Sugestão de Conduta para Acompanhar Vistoria da Funai’.

Trincheira 2 - Segundo a cartilha, os fazendeiros devem exigir que os fiscais apresentem ordem judicial antes de realizarem a vistoria. ‘O proprietário deverá estar munido pelo menos de uma máquina fotográfica para registrar as pessoas presentes e imediatamente entrar em contato com seu sindicato rural, chamando força-tarefa para se fazer presente na área como testemunha das ações’, ensina o texto ruralista.

Tiroteio

A gestão Kassab sofre de amnésia. Prometeu R$ 1bi para o metrô e só entregou R$ 270 mi. Criticou os túneis da prefeita Marta, e agora anuncia que vai fazer quatro de uma vez. 
Do deputado federal CARLOS ZARATTINI (PT-SP), comparando o discurso de campanha com notícias recentes sobre a prefeitura paulistana.

Poucos amigos

Mais de duas décadas atrás, quando da criação do PT, Olívio Dutra foi convidado pelo conterrâneo Tarso Genro para uma reunião em que estariam presentes diversos intelectuais, entre eles Fernando Henrique Cardoso. Dutra, à época um cabeludo sindicalista, conta num livro de memórias da militância petista, escrito por Marieta de Moraes Ferreira e Alexandre Fortes, que ficou calado num canto, de cara fechada, durante todo o encontro. 
Meses depois, FHC encontrou Lula e fez uma ‘resenha crítica’ do companheiro gaúcho: 
-Esse teu amigo lá de Porto Alegre é no mínimo do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário...

RUY CASTRO


Legado de Woodstock

FOLHA DE SÃO PAULO - 06/04/09

RIO DE JANEIRO - A garota foi escovar os dentes e deparou com o bichinho estranho, escuro, de perninhas, pouco maior que uma pulga, contra a louça branca da pia do banheiro. Nunca vira aquele inseto antes. Ficou curiosa e chamou a mãe para espiar. Esta ajeitou os óculos, e o que viu a deixou com os cabelos -textualmente- em pé.
"Um piolho!", exclamou. Ponha três pontos de exclamação.
O estupor da mãe era compreensível. A última vez que vira um piolho ao vivo fora no Carnaval de 1938. E agora estávamos em 1970. Segundo estatísticas que os governos não se cansavam de alardear, e as pessoas sabiam ser verdadeiras, o piolho estava erradicado do Brasil havia mais de 30 anos.
O responsável pelo invasor não pagava dez. Era o filho mais velho -20 anos, fã de Janis Joplin, barba e gafurinha nazarenas que passavam dias a léguas do chuveiro e que andava pelo Leblon vestindo ponchos e cobertores estilo Woodstock, mesmo sob 39 graus.
Woodstock ou não, a mãe não perdoou. Levou o filho para a área de serviço e aplicou-lhe detefon suficiente para fazer uma nuvem de fumaça -podiam-se ver os piolhos em desespero, agonizantes. Em seguida, cobriu-lhe o cabelo com uma touca de plástico, para exterminar os recalcitrantes. Horas depois, enfiou o garoto no chuveiro, despejou-lhe dois ou três frascos de xampu nas melenas e quase arrancou-lhe o couro cabeludo com um coça-costas de camelô. Em seguida, um pente-fino encarregou-se do mar de lêndeas que infestavam sua nuca. A primeira fase da operação estava completa. Nos dias seguintes haveria outras.
Em agosto, o mundo comemorará os 40 anos do festival de Woodstock. Outros acharão mais pertinente mencionar os 40 anos da volta de uma praga que já se julgava extinta, e que, como qualquer mãe sabe, voltou para ficar. Haja detefon.

FERNANDO RODRIGUES


Patrimonialismo

FOLHA DE SÃO PAULO - 06/04/09

BRASÍLIA - Chama-se patrimonialismo o fenômeno em curso a céu aberto na Câmara e no Senado. É o fim das barreiras, já frágeis, entre o público e o privado.
Três casos são mais visíveis. O do deputado do castelo, que usou dinheiro público para pagar serviços em suas próprias empresas. Depois teve aquele cuja empregada doméstica recebia salário da Câmara como secretária parlamentar. Por último, o episódio dos "loucos por jatinhos" -os senadores que bateram no peito, com testosterona à flor da pele, bradando para o mundo que não há nada de mais em alugar regularmente esses aviões com o dinheiro de impostos.
Essa desconexão patológica do Congresso com o mundo real chegou ao paroxismo. Os políticos reclamam. Acham o noticiário às vezes parecido com um diário oficial da antiga UDN, clamando por decência. Não há muita saída para jornais e telejornais -exceto os amigos de sempre do poder- a não ser continuar a relatar esse fatos.
Outro dia, na Câmara, Ciro Gomes quis me passar um pito. Ralhou comigo por causa de meu desinteresse pela votação em plenário. Mas como haver interesse por leis cuja tramitação ainda levará dias ou meses quando na mesma semana um amigo de Ciro, o senador Tasso Jereissati, proclama haver justiça no uso de quase meio milhão de reais para fretar jatinhos?
A competição entre a produção legislativa (quase sempre medíocre) e os sucessivos escândalos é desleal. O espírito de corpo dos congressistas também não ajuda. É raro ver um clube tão unido como esse, sobretudo nas más horas.
No meio de uma sessão de descarrego a favor de Tasso, o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, lembrou o fato de que seu colega cearense é rico. E disse: "O senhor paga para ser senador". OK. Mas quem paga para Tasso fretar jatinhos é o contribuinte brasileiro.

SEGUNDA NOS JORNAIS

Globo: Coreia do Norte desafia o mundo ao lançar foguete

 

Folha: Foguete da Coreia do Norte divide ONU

 

Estadão: ONU evita punição à Coreia do Norte

 

JB: Foguete coreano põe ONU em alerta

 

Correio: 170 mil aprovados na fila para o serviço público

 

Valor: Múltis se preparam para a megalicitação do trem-bala

 

Gazeta Mercantil: Executivos recorrem à Justiça do Trabalho

 

Estado de Minas: Betim usou ONGs para desviar verbas

TERREMOTO NA ITÁLIA

06/04/2009 - 05h30

Terremoto na Itália deixa ao menos 27 mortos; Berlusconi declara estado de emergência



da Folha Online

Um terremoto de 6,3 graus na escala Richter atingiu a Itália na madrugada deste domingo, deixando ao menos 27 mortos --entre eles cinco crianças--, 30 desaparecidos e centenas de feridos.

Alessandro Bianchi/Reuters
Pessoas desabrigadas andam pelas ruas de l'Aquila
Pessoas desabrigadas andam pelas ruas de l'Aquila

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, declarou estado de emergência no país. Ele cancelou viagem que faria a Moscou e se dirige a l'Aquila. Além do primeiro-ministro, membros da Defesa Civil de toda a Itália se dirigem a Abruzzo para prestar socorro aos atingidos pelo terremoto. Um pelotão do Exército também se dirige ao local do terremoto --procedimento possível graças à declaração do estado de emergência.

Segundo a Defesa Civil, mais de cem mil pessoas pessoas estão desabrigadas. Centenas de edifícios da montanhosa região italiana de Abruzzo, no centro-leste da península, ficaram total ou parcialmente destruídos.

Nas ruas de l'Aquila, centenas de pessoas --algumas ainda de pijama-- estão pelas ruas, acampando em praças e parques. Segundo o jornal italiano "La Repubblica", em alguns lugares há cadáveres que ainda não foram removidos, cobertos apenas por um lençol.

De acordo com o chefe da Defesa Civil italiana, Guido Bertolaso, a situação é "dramática".

Muitas casas e prédios ficaram destruídos no centro de l'Aquilla, entre eles edifícios históricos. Vários prédios foram evacuados.

Um edifício de três andares que serve como residência para estudantes na capital da Província ficou parcialmente destruído e há estudantes desaparecidos. As autoridades escavam os escombros do prédio à procura de sobreviventes.

A estrada que liga Roma à l'Aquila está interditada.

Alessandro Bianchi/Reuters
Bombeiros buscam sobreviventes em escombros de casa
Bombeiros buscam sobreviventes em escombros de casa

Superlotado, o hospital de l'Aquila não consegue atender a todas as pessoas que buscam assistência médica. Uma multidão se aglomera na porta do estabelecimento. O hospital está sem água e começam a faltar suprimentos médicos. Foi este hospital que confirmou a morte de quatro crianças na cidade --elas chegaram a ser socorridas mas não resistiram.

A intensidade de 6,3 graus na escala Richter foi atribuída pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), que informou ainda que o epicentro do terremoto foi a 85 km a nordeste de Roma, 10 km abaixo da superfície terrestre. Inicialmente, o instituto americano afirmou que o terremoto havia sido de 6,7 graus, mas em seguida, baixou a classificação para 6,3. De acordo com a agência de notícias italiana Ansa e a rede de TV Rai News, que não citam fontes, a intensidade foi de 5,8 graus na escala Richter.

Moradores de Roma, cidade que raramente é atingida por atividade sísmica, foram acordados pelo terremoto. Móveis tremeram e alarmes de carros dispararam na capital italiana.

O terremoto de 6,3 graus foi precedido por vários outros pequenos tremores.